Formado em 2004 na cidade de Baltimore, Maryland, o Beach House é um projeto de Dream Pop comandado pela dupla Victoria Legrand e Alex Scally. Entre referências ao trabalho de gigantes como This Mortal Coil, Cocteau Twins, The Zombies e The Beach Boys, a dupla faz de cada novo álbum de inéditas uma obra marcada pelos sentimentos, ponto de partida para a formação de músicas como Master of None, Walk In The Park e Myth. Apontado como um dos principais nomes do gênero, o duo acumula uma sequência de grandes obras como Devotion (2008), Teen Dream (2010) e Bloom (2012), trabalhos organizados do “pior” para melhor lançamento em mais uma edição da seção Cozinhando Discografias.

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. Depois de surpreender com a obra-prima Bloom (2012), qual direção a dupla Beach House deve seguir? A julgar pela recém-lançada Saturn Song, o espaço parece ser a próxima parada do duo, que brinca com as emanações etéreas na nova criação. Parte da coletânea The Space Project, trabalho que já apresentou ótimas composições de Youth Lagoon e Spiritualized, a recente faixa brinca com as possibilidades da banda. Marcada pela colagem de pequenos ruídos, a composição usa da bases de sintetizadores e a voz de Victoria…Continue Reading “Beach House: “Saturn Song””

Mazzy Star
Dream Pop/Indie/Alternative
https://www.facebook.com/MazzyStarOfficial

Por: Cleber Facchi

Mazzy Star

No começo da década de 1990, a expansão do Rock Alternativo e o posterior fenômeno iniciado pelo Nirvana levaram diversas gravadoras e selos independente à caça. Todos queriam ter seu próprio exemplar desse novo universo musical que estava nascendo, efeito que fez a britânica Rough Trade (gravadora que apresentou os Smiths) e a norte-americana Capitol a investirem pesado no trabalho da dupla californiana Mazzy Star. Vieram assim os adoráveis She Hangs Brightly (1990) e So Tonight That I Might See (1993), obras que mesmo sob baixa repercussão do público e da crítica serviram para alicerçar a proposta de Hope Sandoval e David Roback, eixo do Dream Pop que só viria a ser compreendido em totalidade anos mais tarde.

Passados 17 anos desde que o duo apresentou ao público o último grande exemplar em estúdio, Among My Swan, de 1996, Sandoval e Roback voltam a se encontrar, favorecendo não apenas uma sequência nostálgica dos registros previamente expostos, mas possivelmente a melhor obra do Mazzy Star até aqui. De onde a dupla parou há quase duas décadas nasce Seasons of Your Day (2013, Rhymes of An Hour), obra que revive com delicadeza sensações esquecidas dentro do cenário alternativo, ameniza com maturidade a lírica melancólica da dupla e conduz o espectador por mais um passeio sombrio, idêntico ao exercício iniciado pelo casal no fechamento da década de 1980.

Mais do que assumir a difícil tarefa de reposicionar o duo californiano no cenário atual, com o novo disco o Mazzy Star bate de frente com uma série de outros projetos nascidos da própria essência. Afinal, teria o casal a capacidade de confrontar o trabalho de “novos gigantes” à exemplo de Beach House, Cults e Lotus Plaza? Artistas visivelmente abastecidos pelos mesmos princípios do casal, mas que conseguiram ir além dos próprios limites da dupla de Santa Mônica? A julgar pelo posicionamento compacto dos arranjos, vozes e sons, o recolhimento, assim como em idos dos anos 1990, parece ser a principal aposta do casal, que ao estabelecer um reinado musical próprio e intencionalmente tímido não rivaliza e nem esbarra nas composições de ninguém.

Com ares de obra acústica, Seasons of Your Day é um trabalho que talvez passe despercebido para quem apreciar o álbum com pressa. Diluído em um efeito econômico, em que vozes e instrumentos fazem de tudo para se comportar ao longo da obra, o álbum não apenas exige tempo, como é a chave para entender a proposta que há mais de duas décadas orienta a estética do casal. Assim como So Tonight That I Might See levou anos até ser redescoberto e estabelecido como obra essencial, com o presente disco não é diferente. Produzido em uma medida de tempo que parece conhecida apenas pela dupla, o registro espalha vozes, sintetizadores e acordes tímidos de guitarra com suavidade preguiçosa. É como se o duo praticamente obrigasse ao ouvinte regressar inúmeras vezes ao trabalho, como se em cada audição um novo detalhe fosse apresentado.

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. . A beleza relacionada ao trabalho do duo Beach House parece ir além dos próprios limites da banda. Depois de ocupar boa parte de 2012 em meio ao lançamento de clipes, especiais e singles relacionados ao excelente Bloom, quarto registro em estúdio da banda, agora Victoria Legrand e Alex Scally ocupam com precisão ao trilha sonora do curta This Must Be The Only Fantasy. Centrado em uma partida de RPG, onde os personagens da trama lentamente se transportam para um universo mágico do jogo,…Continue Reading “Beach House: “This Must Be The Only Fantasy””

Still Corners
Dream Pop/Synthpop/Indie
http://stillcorners.tumblr.com/

 

Por: Fernanda Blammer

Still Corners

Dois anos, este foi o tempo necessário para que os britânicos do Still Corners apurassem as próprias composições e fossem capazes de solucionar o que foi claramente testado em Creatures of an Hour (2011). De posse do segundo registro em estúdio, Strange Pleasures (2013, Sub Pop), a banda londrina trata da presente obra como um exercício de aprofundamento e também descoberta. Ainda íntimo da mesma natureza etérea que apresentou o grupo, o novo álbum vai de encontro ao experimento, mas sem romper com a aproximação com a música pop, transformando cada composição do registro em uma manifestação exata do título da obra, um estranho prazer.

Embora revele um conjunto de faixas inéditas, parte do que é manifesto no decorrer do álbum parece se conectar diretamente ao que Beach House e principalmente Chromatics testaram no último ano. Enquanto a medida climática parece expandir o propósito de Bloom (2012) ou mesmo inventos anteriores ao presente universo da dupla Victoria Legrand e Alex Scally, cada porção de sintetizadores encontrados no trabalho se relacionam com o mesmo encaminhamento imposto em Kill For Love (2012). Uma proposta de dança tímida, como se os ingleses soubessem exatamente em que instante da obra parar.

Talvez por conta dessa necessidade em se manter constantemente “preso”, há na manifestação do álbum um exercício que segue lento, pelo menos durante a primeira metade das canções. Traduzindo na ambientação mística de The Trip e Beginning To Blue uma espécie de continuação do que foi proposto no último álbum, a banda trata dos instantes iniciais da obra como um exercício fundamentado na amenidade da psicodelia bem como em resgates específicos do Dream Pop. Surge assim o ambiente mais delicado do disco, uma proposta que talvez se distancie da relação com ouvintes novatos, porém reforce o que foi testado em idos de 2011. Contudo, a partir de Fireflies os rumos se alteram e a nova proposta do Still Corners se anuncia.


Porção mais “oitentista” da obra, a partir de Berlin Lovers é rompida a calmaria e a leveza dos sons para que os temas consistentes entrem em destaque. Bastam os sintetizadores dançantes e caricatos da sexta faixa para que o universo de inventos seguido em Future Age e Beatcity possam ser anunciados. Claro que momentos orientados de forma climática, como o que é impresso em Going Back To Strange e We Killed The Moonlight trazem de volta o disco para o terreno flutuante da abertura da obra, definindo com excelência o que caracteriza a produção de todo o segundo álbum dos ingleses: uma obra que dança tanto dentro como fora das pistas.

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. . . A sequência de acertos que fizeram de Bloom um dos grandes lançamentos do último ano não se mantém apenas na sonoridade do disco, mas nas imagens geradas a partir dele. Em segundo lugar na nossa lista dos 50 melhores discos internacionais de 2012, a obra-prima (por enquanto) da dupla Beach House acaba de ter mais uma excelente composição transformada em vídeo. Em Wishes, o diretor Eric Wareheim transporta o espectador para um universo paralelo, um estádio em que Ray Wise (Ator em séries…Continue Reading “Beach House: “Wishes””

. . Com o lançamento de Bloom no último ano a dupla Victoria Legrand e Alex Scally tratou de aperfeiçoar o que já era perfeito dentro da discografia da banda. Como resultado, mais de 60 minutos de vocais flutuantes  sintetizadores oitentistas e guitarras que se perdem e distorções suaves. Um recorte melancólico que deu ao casal o segundo lugar na nossa lista dos 50 melhores discos internacionais de 2012. Para presentear o público que acompanha o trabalho da banda, o duo lança agora o curta Forever…Continue Reading “Beach House: “Forever Still””

. Para celebrar o novo ano, a dupla norte-americana Beach House resolveu presentear o público com um vídeo caseiro para a faixa New Year. Presente no último registro em estúdio da dupla – Bloom, segundo lugar na nossa lista dos melhores de 2012 -, a faixa passeia por uma sucessão de imagens aleatórias que se encontram com gatos, passeios noturnos, além, claro, da presença da própria dupla formada por Victoria Legrand e Alex Scally. Lançado em maio do último ano, Bloom é uma transformação na…Continue Reading “Beach House: “New Year””

Os Melhores de 2012

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Pelas próximas semanas nossa lista de melhores do ano – nacionais e Internacionais – deve tomar formas. Enquanto isso é hora de apresentar os eleitos por nossos colaboradores, blogs parceiros, amigos e membros do Miojo Indie como os registros que mais chamaram a atenção durante o ano. Assim como fizemos em 2011, cada um dos convidados tem direito de escolher um álbum (ou mais álbuns), explicando os motivos que transformaram tal registro num dos melhores discos de 2012 – independente da aceitação ou não nos textos do blog. Hoje é a vez de mais um colaborador nosso contar qual é o disco predileto de 2012. Como o próprio Gabriel Picanço disse, a escolha não foi fácil, mas o escolhido é este aqui:

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. . Depois de muita espera finalmente Victoria Legrand e Alex Scally apresentam o clipe de Wild, a melhor música do recente Bloom, quarto e um dos melhores trabalhos da discografia do casal. Colecionando lágrimas, rancor e personagens mergulhados em amargura, o vídeo dirigido por Johan Reneck interrompe a sonoridade da faixa para entrelaçar pequenos diálogos, valorizando a relação de amizade entre dois amigos (ou ex-amigos). O vídeo ainda discute a temática do abandono, sexualidade e uma seleção de momentos temperados pelo caráter de intimidade,…Continue Reading “Beach House: “Wild””