Tag Archives: Brasil

Supercordas: “Sobre o Amor e Pedras”

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Longe de repetir o longo hiato de seis anos que separa o clássico Seres Verdes Ao Redor (2006) de A Mágica Deriva Dos Elefantes (2012), a banda carioca Supercordas reserva para 2015 a chegada do terceiro álbum de inéditas. Em novo selo, o grupo formado em 2003, se despede da Midsummer Madness para integrar o catálogo da Balaclava Records, casa de Holger, Séculos Apaixonados, Câmera e outros responsáveis por alguns dos melhores registros de 2014. Antes mesmo de entrar em estúdio, uma novidade: a inédita Sobre o Amor e Pedras.

Possivelmente uma das canções mais acessíveis da banda, a faixa de ritmo dançante e versos fáceis aos poucos transporta o coletivo para um cenário quase inédito, flertando com temas típicos do Tame Impala em Lonerism (2012), além de visitar o último registro solo do vocalista Bonifrate, Museu de Arte Moderna (2013). Sobre o Amor e Pedras conta com download gratuito no site da Balaclava. Acima o clipe da canção, trabalho dirigido por Giuliano Gerbasi.

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Supercordas – Sobre o Amor e Pedras

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Disco: “Cores e Valores”, Racionais MC’s

Racionais MC’s
Hip-Hop/Rap/Rap Nacional
http://www.racionaisoficial.com.br/

Por: Cleber Facchi

A sensação de estranheza é inevitável durante as primeiras audições de Cores e Valores (2014, Cosa Nostra). Batidas eletrônicas secas, versos orientados em uma estrutura cíclica, por vezes limitada, e uma nítida atmosfera de distanciamento lírico fazem do sexto registro em estúdio do Racionais MC’s a obra mais particular (quase isolada) já composta pelo quarteto paulistano. A julgar pela base que representa a faixa de abertura, uma variação de Royals da cantora Lorde, não seria um erro afirmar que a essência projetada pelo grupo – Mano Brown, Edi Rock, Ice Blue e KL Jay – durante mais de duas décadas foi desconstruída.

Passados 12 anos desde o lançamento de Nada como um Dia após o Outro Dia, em outubro de 2002, é necessário perguntar: o que você esperava de um novo álbum do Racionais? Composições extensas discutindo os problemas da periferia? Emicida, Rael e Ogi investiram nos mesmos conceitos recentemente. Faixas discutindo criminalidade, drogas e racismo? Projota, Karol Conká, Rashid, Criolo e tantos outros assumiram essa “função”. Há uma década, quando o grupo entrou em hiato, não apenas o espaço concedido ao Hip-Hop era diferente, talvez limitado, como a própria situação econômica, social e cultural do país era completamente outra. Jogar com regras antigas é parte de uma obrigação natural para qualquer artista veterano? Não para os Racionais.

Longe de parecer uma transposição forçada, com o novo álbum os “quatro pretos mais perigosos do Brasil” adaptam o próprio discurso a presente geração de ouvintes. Há 12 anos os quase nove minutos de Vida Loka II talvez fizessem sentido para o ouvinte limitado ao alcance físico de um Micro System. Entretanto, para uma massa de espectadores imersos em smartphones e rápidas mudanças de tela, a curta duração dos temas e o diálogo rápido com os meios digitas nasce como uma coesa transformação por parte do grupo. Não por acaso Cores e Valores foi antes apresentado no Google Play e Youtube do que em formato físico.

Pode parecer uma comparação absurda, mas a cíclica “Somos O Que Somos / Somos O Que Somos / Somos O Que Somos” provavelmente cause um impacto maior do que um esperado (e talvez repetitivo) resgate dos mesmos extensos versos lançados pelo coletivo na década de 1990. Todavia, a inteligência do quarteto vai além de um mero mecanismo de adaptação de formato. Regresso inevitável aos primeiros anos de estúdio do grupo, caso de Holocausto Urbano (1990) ou mesmo antes, dentro da coletânea Consciência Black, Vol. I (1988), Cores e Valores é uma obra de dois lados bem definidos, como um analógico LP dividido em “Lado A” e “Lado B”. Continue reading

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Disco: “Quarup”, Lupe de Lupe

Lupe de Lupe
Alternative Rock/Indie Rock/Shoegaze
http://lupedelupe.bandcamp.com/

Por: Cleber Facchi

Quarup (2014, Independente) é uma obra imensa. São 21 canções inéditas e estruturalmente sujas, quase artesanais. Fragmentos divididos em atos curtos de dois ou três minutos – PKA Prefácio, Minha Cidade Em Ruínas -, até blocos extensos de ruídos densos, longas formações distorcidas capazes de ultrapassar os dez minutos de duração – Jurupari, Carnaval. Todavia, não são os 110 minutos do (ambicioso) registro que fazem dele a peça mais grandiosa já projetada pela mineira Lupe de Lupe. Em um cenário torto, “podre” e caótico, talvez o mesmo Reino de Minas Gerais desconstruído em Sal Grosso (2012), o quarteto lentamente expande os limites do próprio universo, desenvolvendo um dos retratos mais honestos da música (e sociedade) brasileira recente.

Longe do romantismo melancólico que corrompe grande parte do rock nacional, cada segundo do álbum (duplo) ultrapassa os limites acolhedores do eu lírico de forma a explorar um cenário arquitetado em torno dos indivíduo – sejam eles personagens reais ou fictícios. Da declaração partidária/ideológico em O Futuro É Feminino (“Meu coração é brasileiro/ Pois o futuro é feminino/ Minha presidente é uma mulher“), ao descritivo ambiente desbravado no interior de Carnaval, Quarup é uma obra que se esquiva da comodidade óbvia do “amor” e “dor”, reforçando no uso de temas sociais um exercício provocativo, temperado pela crueza.

Ainda que esse mesmo conceito seja evidente desde o primeiro trabalho da banda, o curto Recreio, de 2011, parte substancial das composições nascem como fruto de uma transformação recente do quarteto. Desde o lançamento de Distância EP, no último ano, faixas como Os Dias Morrem e Areia Suja parecem reforçar o lado “crítico” da banda, hoje ampliado em canções amargas como Você é Fraco e Eu Já Venci – esta última, uma das melhores e, talvez, mais acessíveis faixas da Lupe de Lupe.

De fato, grande parte do conteúdo entregue no decorrer do presente registro cresce como uma extensão inteligente dos conceitos apresentados no último ano pelo grupo, postura evidente não apenas no discurso “social” imposto em boa parte das canções, mas principalmente no aspecto caótico que guia os sentimentos de cada um dos vocalistas – Renan Benini, Gustavo Scholz e Vitor Brauer, este último, também produtor do disco.

Mesmo nos instantes de maior delicadeza (Gaúcha) e humor (Esse Topper Foi Feito Para Andar), há sempre um tempero extra de desespero, condimento que aos poucos sufoca e perturba a mente do ouvinte – arremessado em todas as direções. Como uma bomba relógio, tensa, Quarup amarra desilusões, cacos aleatórios de um coração partido e fragmentos vindos de diversos relacionamentos fracassados. Um agregado de experiências amargas, base para faixas curtas como Moreninha (RJ) (“Por que tanta mágoa assim nesse mundo que é só seu?“) ou mesmo peças extensas aos moldes de Querubim (“Houve um tempo/ Em que o céu era azul pra mim também“). Continue reading

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Holger: “Jurema”

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Pouco parece ter sobrevivido da euforia gerada em Sunga (2010) e excessos concentrados no cenário tropical de Ilhabela (2012). Seguindo a lógica inaugurada em The Green Valley EP, de 2008, a banda paulistana Holger alcança o terceiro álbum de estúdio investindo com naturalidade em um som transformado e hoje parcialmente melancólico. Na contramão dos dois trabalhos que o antecedem – uma possível trilha para o final de semana -, a peça autointitulada aos poucos mergulha o coletivo em um ambiente sóbrio, como o cenário típico de uma segunda-feira.

Obra de transição ou possível retrato do amadurecimento de cada integrante, o novo disco flui como uma natural representação das recentes transformações dentro da própria estrutura da banda. Com a saída de Arthur Britto – baterista que deixou o grupo para estudar nos Estados Unidos -, cabe ao quarteto Bernardo Rolla, Marcelo Altenfelder “Pata”, Pedro Bruno “Pepe” e Marcelo Vogelaar “Tché” assumir a total responsabilidade pelo trabalho, ocupando as pequenas lacunas deixadas pelo parceiro. Veja o texto completo.

Abaixo o Lyric Video de Jurema, uma das canções mais divertidas que você encontra no recente álbum do Holger. No dia cinco de dezembro o grupo estreia o novo trabalho no Estúdio Emme, em São Paulo. Veja outras informações no evento de lançamento no Facebook.

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Holger – Jurema

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Disco: “Não Pare Pra Pensar”, Pato Fu

Pato Fu
Alternative/Pop/Electronic
http://patofu.com.br/

Por: Cleber Facchi

Vocais brandos, melodias encorpadas pela leveza e serenidade. Longe da euforia exposta no primeiro álbum de estúdio, Rotomusic de Liquidificapum (1993), com o lançamento do álbum Daqui Pro Futuro (2007), o Pato Fu parecia sustentar o ato final de um extenso processo de amadurecimento e filtragem dentro dos próprios conceitos. Não por acaso, passado a entrega do oitavo registro da carreira, todos os esforços da banda foram apontados para fora, em projetos paralelos – como os discos solo de Fernanda Takai e Ricardo Koctus -, um álbum de versões – Música de Brinquedo (2010) -, e até mesmo no diálogo de John Ulhoa com a produção de outros artistas. O evidente encerramento de uma jornada.

Em um exercício elétrico, como um reboot, ao pisar no território instável de Não Pare Pra Pensar (2014, Rotomusic), nono e mais recente álbum de inéditas do grupo mineiro, todo o “descontrole” incorporado na década de 1990 volta a movimentar o trabalho da banda. Colagens eletrônicas, guitarras insanas e a tradicional desconstrução do pop convencional. Ainda que a voz de Takai pareça tão macia e confortável quanto no debut solo Onde Brilhem os Olhos Seus (2009), em se tratando dos arranjos e temas a direção é outra.

Síntese perfeita de todo o material pensado para o disco, a inaugural Cego Para As Cores apresenta a “nova” direção assumida pelo reformulado quinteto – ex-baterista, Xande Tamietti agora dá lugar ao “novato” Glauco Nastacia. Enquanto as bases eletrônicas se aproximam das referências lançadas pós-Isopor (1999) – um som meio Trip-Hop, meio Drum’n’Bass -, a guitarras e baixo da música invadem o mesmo espaço de obras como Televisão de Cachorro (1998) e Gol de Quem? (1994). Intencional ou não, a ordem aqui é brincar com as possibilidades.

Feito um pequeno livro de recortes, há espaço para tudo, como se cada canção partisse de uma direção específica. Sertanejo em Eu Era Feliz, o rock dos anos 1970 em You Have To Outgrow Rock’n Roll, e até uma colisão de todos os elementos em Ninguém Mexe Com o Diabo, uma das melhores composições já assumidas pelo vocal de Ulhoa. A jugar pela constante quebra entre as faixas, não seria um erro encarar o presente disco como um irmão bastardo da sequência de obras lançadas pela banda há duas décadas. Continue reading

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Jaloo: “Insight EP”

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Quatro faixas, direção artística de Carlos Eduardo Miranda e uma nova interpretação da música pop. Em Insight EP – trabalho que contou com lançamento pelo selo StereoMono, da plataforma Skol Music -, o paraense Jaime Melo se apresenta de forma definitiva como Jaloo. Na trilha do som apresentado nos últimos meses, com o presente lançamento os temas eletrônicos/dançantes do Sci-Fi Brega não apenas são ampliados, como ainda contam com um acervo de novas referências – caso de elementos do R&B e Bass – e maior refinamento.

Das quatro composições que recheiam a obra, Downtown e a excelente versão para Oblivion, da cantora canadense Grimes, já são velhas conhecidas do público. Entre as criações inéditas, além da própria faixa-título, Jaloo apresenta Odoiá (In Your Eyes), uma música definida pelo cantor como “é docinha, mas ‘treta'”. Em entrevista ao site da Rolling Stone Brasil, onde o registro foi inicialmente lançado, Melo resume um pouco do trabalho, fala sobre cada uma das faixas e ainda discute o processo de produção do EP. Em setembro Jaloo havia assumido uma nova sonoridade durante o lançamento de Downtown, veja nosso texto sobre a faixa.

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Jaloo – Insight EP 

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Disco: “Roupa Linda, Figura Fantasmagórica”, Séculos Apaixonados

Séculos Apaixonados
Indie/Lo-Fi/Experimental
https://soundcloud.com/seculos-apaixonados

Por: Cleber Facchi

Banda Séculos Apaixonados, a banda mais romântica do Rio“. Os versos que cortam o interior da faixa Um Totem do Amor Impossível são a base para o trabalho da carioca Séculos Apaixonados. Narrados por uma voz empostada, como um fragmento extraído de alguma rádio romântica da década de 1980, a cômica apresentação funciona como passagem para o refúgio caricato explorado pelo quinteto ao longo de todo o primeiro álbum de estúdio, o empoeirado Roupa Linda, Figura Fantasmagórica (2014, Balaclava).

Solos de saxofone facilmente encontrados nos primeiros discos do Kid Abelha, vocais indecifráveis e um estranho clima sensual que curiosamente prende o ouvinte. Ainda que seja impossível mergulhar e absorver cada fragmento lírico exaltado por Gabriel Guerra (ex-Dorgas; voz e guitarra), toda a estrutura montada pelos parceiros Lucas de Paiva (Pessoas que eu conheço; teclado e saxofone), Felipe Vellozo (ex-Mahmundi; baixo), Arthur Braganti (Letuce; Teclado e Voz) e João Pessanha (Baleia; bateria) encanta sem dificuldades. Como o estranho hábito de reviver o sofrimento de qualquer cantor romântico em busca da própria libertação sentimental, a estreia do coletivo é uma obra tomada por confissões tão particulares, quanto próprias do ouvinte.

Rima brega em Punhos Da Perseverança (“Abra os braços / feche os portões / esculacho aceito / mas conversa não“), Peixe Peixão e sua tragicômica carta de amor(“…eu ainda sou o suplente de seu afeto“), o desespero instalado em Só no Masoquismo (“Eu sou um trem atrás de você”). Quando disse buscar inspiração em Waldick Soriano e outros nomes do romantismo brega, Gabriel Guerra não poderia ter sido mais honesto. Todavia, longe adaptar estes mesmos conceitos do “gênero”, como Pélico em Que Isso Fique Entre Nós (2011) e outros românticos recentes, todos os esforços da banda estão em sugar e copiar referências, transportando com acerto o ouvinte para alguma transmissão de rádio perdida há três décadas.

Mesmo que a semelhança com o último trabalho do Dorgas também seja inevitável, considerar as oito canções do álbum como um (novo) experimento isolado de Gabriel Guerra seria um erro. Pela forma como Ralenti as batidas do coração entrega os sintetizadores e todo o acervo da temas nostálgicos espalhados pela obra, muito do que direciona o movimento disco parece fruto dos ensaios de Lucas de Paiva com o Mahmundi. De fato, grande parte do registro sobrevive das mesmas ambientações empoeiradas da década de 1980 antes testadas em Efeito das Cores, de 2012. Contudo, enquanto ao lado de Marcela Vale o músico buscava refúgio no pop caricato da época, em RLFF é o clima soturno que invade teclados e até mesmo o saxofone melancólico incorporados a cada nova faixa.   Continue reading

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Marcelo Perdido: “Lição”

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Com o encerramento das atividades da dupla Hidrocor, não seria uma surpresa que Marcelo Perdido, vocalista e principal compositor do projeto, logo mergulhasse em um novo trabalho. Ainda que ambientado ao mesmo ambiente “artesanal” de Ed. Bambi (2012), último lançamento ao lado do velho parceiro Rodrigo Caldas, em Lenhador (2014), o cantor e compositor paulistano encontrou a passagem para um universo ainda mais intimista e naturalmente acolhedor.

Embora não faça parte do último álbum de perdido, difícil ouvir a melancólica Lição e não relacionar ao trabalho entregue há poucos meses pelo cantor. Produzida ao lado do velho parceiro Felipe Parra, a composição ganha ainda mais destaque por conta das imagens assinadas por Bruno Graziano e retiradas do filme O Acre Existe. Segundo o próprio músico: “A letra é uma viagem sabática interior e a eterna busca para se achar“.

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Marcelo Perdido – Lição

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Disco: “Rock’n’Roll Sugar Darling”, Thiago Pethit

Thiago Pethit
Indie/Pop/Rock
http://www.thiagopethit.com/

Por: Cleber Facchi

Mesmo breve, a participação do ator Joe Dallesandro parece ser a chave para o universo explorado no terceiro registro solo de Thiago Pethit, Rock’n’Roll Sugar Darling (2014, Independente). Um dos ícones do cinema (underground) norte-americano na década de 1970, o queridinho de Andy Warhol assume uma função talvez maior do que simplesmente interpretar os versos que inauguram o trabalho. Símbolo de uma época marcada pelos excessos, liberdade sexual, glamour e drogas, Dallesandro é a imagem escolhida pelo cantor para representar todo o contexto e vasto acervo de referências interpretadas ao longo da obra.

Cada vez mais distante do som brando incorporado em Berlim, Texas, de 2010, Pethit resume na urgência das novas canções a completa essência do presente álbum. Entre referências diretas e adaptações sutis, Lou Reed, David Bowie e outros veteranos do Rock maquiado dos anos 1970 não demoram a ocupar os diferentes atos de euforia do registro. Difícil ouvir Quero Ser Seu Cão e não interpretar a crueza do paulistano como um diálogo aberto com o clássico I Wanna Be Your Dog, de Iggy Pop.

Mergulhado em canções noturnas, sempre lascivas, Pethit depende apenas do refrão encaixado na faixa de abertura da obra para seduzir e conduzir o ouvinte. Como um convite perverso, difícil de ser ignorado, o verso explode: “Doce como açúcar, na sua boca / Vem chupar meu Rock’n’roll“. A postura direta, por vezes exagerada – “Se queria matar ou se queria meter” -, é a fagulha para a sequência de explosões que movimentam todo esforço do músico pelo trabalho.

Em uma evidente continuação e completo domínio do material apresentado em Estrela Decadente, de 2012, Pethit passeia pelo novo álbum esbanjando conforto e liberdade. Enquanto os versos disparam confissões sujas, desilusões amorosas e doses consideráveis de luxúria, em se tratando dos arranjos, a inquietação planejada pelos produtores Adriano Cintra e Alexandre Kassin é ainda maior. De um lado, o som elétrico e naturalmente dançante do ex-CSS, no outro, a flexibilidade de Kassin, parceiro de Pethit desde o álbum anterior. Continue reading

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Séculos Apaixonados: “Roupa Linda, Figura Fantasmagórica”

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O som “estranho” apresentado pela carioca Séculos Apaixonados em Refletir é Inútil e Só no Masoquismo é apenas um fragmento do material explorado em essência com Roupa Linda, Figura Fantasmagórica (2014). Primeiro registro em estúdio da banda formada por Arthur Braganti (teclado e voz), Felipe Vellozo (baixo), Gabriel Guerra (voz e guitarra), João Pessanha (bateria) e Lucas de Paiva (teclado, saxofone e voz), o trabalho de oito canções já pode ser apreciado na íntegra pelo perfil do grupo no soundcloud ou no player abaixo.

Produzido, gravado e mixado pelos próprios integrantes entre fevereiro e outubro deste ano, o romântico debut ainda conta com lançamento nacional pela Balaclava Records – casa de Holger e Câmera – e distribuição em território lusitano pelo selo português Amor Fúria. Em entrevista recente ao IG, o vocalista Gabriel Guerra – ex-Dorgas e um dos produtores do trabalho – falou um pouco sobre a sonoridade do grupo e também influências como o cantor “brega” Waldick Soriano.

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Séculos Apaixonados – Roupa Linda, Figura Fantasmagórica

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