Tag Archives: Brasil

Tulipa Ruiz: “Proporcional”

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Tulipa Ruiz quer ver você dançar. Longe do “pop florestal” incorporado no primeiro álbum da carreira, Efêmera (2010), a cantora e compositora paulistana parece seguir a trilha “comercial” iniciada no ótimo Tudo Tanto (2012), substituindo o compromisso com a nova-MPB para mergulhar em uma sonoridade cada vez mais descompromissada, pop, mas não menos atraente e ainda íntima da proposta inicial da artista. Este é justamente o conceito que rege a estrutura, vozes e versos de Proporcional, o divertido (e naturalmente dançante) primeiro single de Dancê (2015), terceiro álbum solo da cantora.

Com uma letra bem-humorada e que discute os diferentes “formatos” e proporções das pessoas – “Visto GG, você P. Você P, eu GG / Redondo, quadrado e reto / Cada um tem seu formato / Apertado, colado, justo ” -,  a faixa indica um completo distanciamento em relação ao som regional que movimentou a última música da artista, a carnavalesca Megalomania. Composta em parceria com o músico Gustavo Ruiz – irmão e produtor dos trabalhos de Tulipa -, a nova faixa ainda conta com a participação de Dudu Tsuda (sintetizadores), Stephane San Juan (afoxé, pandeirolas), Cuca Ferreira (sax alto), Daniel Nogueira (sax tenor), Amilcar Rodrigues (trompete), Odirlei Machado (trombone) e Mário Rocha (trompa).

Com lançamento pelo selo Natura Musical, Dancê estreia no dia 05/05. Com audição gratuita (abaixo), Proporcional também pode ser baixada gratuitamente.

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Tulipa Ruiz – Proporcional

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Mahmed: “Sobre A Vida Em Comunidade”

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Quem dedicar um tempo para apreciar (e comparar) o trabalho da potiguar Mahmed em Domínio das Águas e dos Céus EP (2013) com o recente Sobre A Vida Em Comunidade (2015) vai encontrar duas bandas completamente distintas. Ao mesmo tempo em que a sutileza inteligente dos arranjos e pequenos experimentos controlados transportam o disco para um cenário mágico e abstrato, pontuado de forma controlada pela psicodelia, a estrutura “torta” de cada canção logo arremessa o público para um campo turbulento, por vezes caótico, como se uma acervo de peças fossem lentamente sendo montada na própria cabeça do ouvinte.

São nove composições autorais, algumas delas – caso de Vale Das rrRosas e Shuva -, já conhecidas do público, porém, inéditas, quando observadas dentro do contexto particular que sustenta o andamento da obra. A distribuição do trabalho fica por conta do selo Balaclava Records, casa de bandas como Séculos Apaixonados, Câmera, Terno Rei e alguns dos grandes trabalhos brasileiros apresentados em 2014. Abaixo você encontra o disco para audição na íntegra.

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Mahmed – Sobre A Vida Em Comunidade

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Disco: “A Praia”, Cícero

Cícero
Indie/Nacional/Alternative
http://www.cicero.net.br/

 

Romântico, brega, chato ou, como defende o público fiel, “um gênio incompreendido”, “um poeta”. Cícero pode ser acusado e classificado das mais variadas formas, porém, goste ou não do trabalho assinado pelo músico carioca, em nenhum momento ele pode ser encarado como previsível. Exemplo significativo desse resultado está na estrutura e (ainda falho) conceito executado em Sábado (2013), segundo álbum solo do cantor. Talvez mal interpretado, um “Araçá Azul particular“, a obra entregue há dois anos está longe de parecer o ponto central da (curta) obra do jovem compositor. Ainda atento, Cícero mantém firme a busca pela própria identidade, postura explícita no horizonte infinito que estampa a capa e sonoridade aplicada em A Praia (2015, Independente).

Uma rápida audição, e a reposta parece surgir de forma imediata: com o terceiro e mais recente trabalho de inéditas, Cícero talvez tenha encontrado um meio termo exato entre o “samba-indie-melódico” do registro de estreia, Canções de Apartamento (2011), com o “experimento caseiro” testado no interior do segundo álbum, Sábado. Um erro. Ainda que a maquiagem eletrônica de Frevo por acaso N˚2 e diferentes faixas espalhadas pelo registro sustentem a parcial novidade por parte do músico, está na composição quase sorridente dos versos o aparecimento de um novo “personagem” e poeta.

Se há poucos anos, Cícero cantava amargurado “Hoje não vai dar / Não vou estar / Te indico alguém“, em Açúcar ou Adoçante, ou tentava se manter esperançoso nos versos de Frevo Por Acaso - “E se um dia precisar de alguém pra desabar / Eu tô por aí” -, hoje ele sorri. A julgar pelos versos encaixados em O Bobo, não seria um erro afirmar que Cícero encontrou (mais uma vez) o amor. “Eu vou lá / Pra ver o meu amor chegar e toda alegria descer da varanda / Eu vou lá / Pra ver a minha dor passar longe de quando a menina balança“, confessa o apaixonado eu lírico da canção, sustentando mais do que uma curva dentro da sorumbática discografia, mas um novo caminho, talvez ensolarado.

Com a mudança expressiva nos versos, a sonoridade eletrônica que preenche o disco – marcada pela utilização de sintetizadores e batidas precisas -, soa apenas como a cereja no topo do bolo. Observada a inconsistência e amadorismo carimbado na produção de Sábado, não é difícil interpretar o presente disco como o produto final do “esboço” apresentado há dois anos. De fato, muitos dos conceitos (musicais) expostos no trabalho anterior parecem completos agora – ouça De Passagem e perceba a similaridade com antigos inventos do cantor. Mesmo os arranjos de cordas e pianos, típicos do ambiente acústico do primeiro álbum, encontram um novo detalhamento no castelo de areia sonoro que Cícero levanta até o último ato do trabalho. Continue reading

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Silva: “A Volta” (VÍDEO)

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Bastam os instantes iniciais de Vista Pro Mar (2014, Slap), segundo álbum de estúdio do capixaba Silva, para perceber que os rumos do artista agora são outros. “Eu sou de remar/ Sou de insistir/ Mesmo que sozinho”. Como bem entregam os versos da autointitulada faixa de abertura, o cantor e compositor contorna a própria timidez do álbum de estreia, Claridão (2012), em busca de uma sonoridade abrangente, ainda que intimista e naturalmente particular. Um eco entre a melancolia (agora ensolarada) e o constante diálogo com o público, exercício que ultrapassa os limites da poesia sorumbática, mergulha nos arranjos versáteis e cresce como um genuíno cardápio da música pop.

Como já havia confessado em entrevista, “Vista Pro Mar foi feito num momento diferente”, trata-se de um trabalho que nasceu na “Flórida com dias ensolarados, numa piscina, de férias, vendo gente bonita, ouvindo Poolside, João Donato, Cashmere Cat e Frank Ocean”. Dentro desse novo conjunto de referências, Silva apresenta ao público um álbum que emula sensações litorâneas, premissa instalada nos samples de ondas e ruídos praianos que preenchem todo o álbum. Veranil, o disco usa dessa mesma sensação nostálgica como um mecanismo de composição para as faixas. Um estágio permanente que se divide entre a calmaria atual e a sensação de despedida que aos poucos se aproxima e rege a ambientação lírica das faixas. Leia a resenha completa.

Com direção de Angelo Silva e William Sossai, filmado em Luanda, Angola, em Novembro de 2014, abaixo você encontra o clipe de A Volta, mais recente single/clipe do (excelente) álbum Vista Pro Mar, de 2015.

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Silva – A Volta

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Cidadão Instigado: “Fortaleza”

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Seis anos de espera e, finalmente, um novo álbum da Cidadão Instigado está entre nós. Sucessor do excelente Uhuuu! (2009) – 2º colocado na nossa lista dos 100 Melhores Discos Nacionais dos anos 2000 -, Fortaleza (2015) parece seguir um caminho diferente em relação aos três últimos registros de estúdio do coletivo.

Esqueça o tempero brega de O Ciclo da Decadência (2002), os experimentos de …e o Método Túfo de Experiências (2005), ou mesmo a lisergia discos de 2009. Para o quarto trabalho de estúdio, o quinteto formado por Fernando Catatau, Regis Damasceno, Clayton Martim, Rian Batista e Dustan Gallas resgata a própria essência.

Além de homenagear a cidade onde o grupo nasceu – a capital Fortaleza, no Ceará -, durante toda a obra, elementos regionais e arranjos típicos do rock clássico invadem a estrutura que sustenta o álbum. São 12 faixas extensas, boa parte delas com mais de cinco minutos de duração. Disponível para download gratuito no site do grupo, o trabalho pode ser apreciado na íntegra logo abaixo.

O show de lançamento do disco está agendado para os dias 09 e 10 de abril na Choperia do Sesc Pompeia, em São Paulo.

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Cidadão Instigado – Fortaleza

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Disco: “Spectrum Vol. 1″, Diogo Strausz

Diogo Strausz
Alternative/Indie/Nacional
http://diogostrausz.com/

 

Basta uma visita ao site de Diogo Strausz para perceber a versatilidade em torno da obra do músico carioca. Como produtor, registros assinados em parceria com Alice Caymmi, Castello Branco e outros nomes de peso da cena alternativa, principalmente a carioca. Em projetos individuais, esporádicos, obras marcados pela colagem de referências – caso do EP/clipe de Garoto Nacional -, remixes desenvolvidos a convite de conterrâneos como Kassin e Léo Justi, além de colaborações com Jaloo, Gang do Eletro e até marcas como Coca-Cola.

O mesmo mosaico de ideias, sons e referências parece servir de inspiração para o primeiro registro solo do produtor: Spectrum Vol. 1 (2015, Independente). Em uma colagem de tendências e pequenos experimentos com a música pop, Strausz articula uma obra tão vasta quanto o próprio acervo de inventos compartilhados na última meia década. Um passeio temático e instrumental que começa ainda na capa – uma homenagem à Jovem Guarda do próprio pai, Leno, músico e uma das metades da dupla Leno & Lilian entre 1960/1970 -, mergulha na música negra, na eletrônica dos anos 1990, até se estabelecer no presente, caminhando ao lado de uma série de colaboradores recentes.

Como indicado logo nos primeiros instantes do disco, a estreia de Strausz parece esquiva de qualquer “linearidade”. Surf rock, guitarras típicas das trilhas de Quentin Tarantino, um sample de Bob Esponja, arranjos orquestrais, pitadas de Disco Music e coros de vozes. Antes mesmo que Narcisus chegue ao fim, faixa em parceria com os irmãos Keops e Raony, do Medulla, é possível se perder em meio ao ziguezaguear de experiências. A dica? Deixe que as canções conduzam. Não tente tatear as paredes ou se concentrar em um ponto específico. Com inspirações como “Castlevania, Final Fantasy, Justice, Donkey Kong, Chemical Brothers, Ennio Morricone, Queens of Stone Age e Daft Punk“, seria um erro estabelecer limites.

Tamanha flexibilidade no uso dos arranjos e temas em nenhum momento faz com que Strausz (e o ouvinte) tropece em uma obra de formação esquizofrênica. Mesmo amplo em conceitos, gêneros e tendências musicais, é possível perceber a coluna vertebral que se forma ao longo do registro. Uma obra concisa, capaz de posicionar o Soul-Pop-Eletrônico de FCK – parceria com o cantor Apollo – no mesmo palco de emoções confessionais, densas e amarguradas de Diamante, faixa de encerramento do álbum e mais recente colaboração com a cantora e amiga Alice Caymmi. Continue reading

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Cícero: “A Praia”

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Quando Canções de Apartamento apareceu em meados de 2011, acompanhado de um email de Cícero, talvez fosse impossível prever o sucesso e rápido crescimento no número de seguidores em torno da obra do músico carioca. Mesmo com a parcial divisão de público e crítica durante o lançamento de Sábado, em 2013, a busca por novas referências líricas e instrumentais continua a servir de base para o trabalho do artista, mais uma vez “transformado” no interior de A Praia (2015), terceiro registro de inéditas em carreira solo.

Tão econômico quanto o antecessor, o presente álbum busca conforto em dez faixas curtas, pouco mais de 30 minutos de duração. A diferença em relação ao instável disco entregue há dois anos está no reforço das ambientações eletrônicas, além do natural regresso e uso constante de temas festivos, típicos do primeiro álbum solo do cantor. Lançado de forma independente, A Praia, assim como os dois últimos registros de Cícero, pode ser baixado gratuitamente no site do músico.

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Cícero – A Praia

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Disco: “Um Chopp e um Sundae”, Rafael Castro

Rafael Castro
Indie/Alternative/Nacional
http://rafaelcastro.com.br/

 

Os primeiros anos de Rafael Castro como músico profissional foram marcados pelos excessos. Não falo sobre exageros lisérgicos ou noites perfumadas pelo cheiro de sexo, mas pelo excesso de composições. Em apenas três anos, entre 2006 e 2009, o cantor e compositor paulistano entregou ao público um acervo de oito registros oficiais. Obras gravadas de forma amadora, dentro de estúdios caseiros e, na maioria dos casos, desprovidas de um mínimo cuidado estético ou refinamento lírico/instrumental. Um amadorismo convincente, porém, sufocado pela quantidade de canções costuradas por temas sempre aleatórios, demasiado instáveis, talvez desorganizados.

A surpresa veio com o lançamento de Lembra?, em 2012. Embora anárquico, amarrado pela mesma pluralidade de histórias particulares do músico – capaz de colidir temas como religiosidade, vida boêmia e romantismo em um mesmo cenário – o uso de uma máscara “brega-moderna” trouxe homogeneidade ao trabalho do cantor, agora maduro e linear. Dentro de um mesmo cercado temático, porém, longe de solucionar uma obra conceitual, o paulistano encontrou o ponto de equilíbrio para a própria esquizofrenia, condensando um catálogo de Hits que pareciam ter escapado do romantismo nacional nos anos 1970 atee alcançar o presente.

De forma nostálgica, em Um Chopp e um Sundae (2015, Independente), mais recente trabalho de Castro, o passado ainda funciona como a principal fonte inspiração do compositor, porém, agora dentro de uma nova década: os anos 1980. Além do confesso grupo de artistas românticos que há tempos inspiram o trabalho do artista – caso de Roberto Carlos e Odair José -, durante todo o registro, nomes como Ritchie (Preocupado), Blitz (Vou Parar de Beber) e Léo Jaime (Aquela) surgem com naturalidade entre as canções. Referências propositais (ou involuntárias) enquadradas com propriedade dentro do jogo cômico do paulistano – tão honesto, quanto sarcástico.

Em um explícito senso de transformação, musicalmente Um Chopp e um Sundae se comportas como o trabalho mais desafiador do artista. Nada de guitarras ruidosas, sujas, típicas do último registro. Mesmo as bases acústicas, como os violões “hippie” dos primeiros trabalhos do cantor foram “abandonados”. Da abertura com a pop Ciúme, até o encerramento em Vou Parar de Beber, são os sintetizadores, efeitos eletrônicos e toda uma carga de referências empoeiradas de 1980 que ditam as regras da obra. Uma espécie de “adaptação” das mesmas melodias e arranjos lançadas pelo Cidadão Instigado em faixas como a pegajosa (e hoje clássica) Contando Estrelas. Continue reading

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Golden Kong leva o Tiga para dançar no ritmo do jersey club

 

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O jovem produtor paulistano Fernando Martin Simões, mais conhecido como Golden Kong ataca novamente. Depois de lançar seu ep de estreia pelo selo Braza Music, ele soltou em sua pagina do soundcloud diversos remixes excêntricos. Após experimentar sons que misturam samples de vídeo game, MC Livinho e Jersey club, o rapaz volta com um remix avassalador do hit Bugatti do produtor canadense Tiga.

A faixa leva os vocais de Tiga para o mundo do global bass, mais precisamente pras pistas com batidas de Jersey club, além de toda energia presente com frequência em suas musicas. Podemos notar grande evolução desde seu primeiro lançamento, muito mais que qualidade, pode se ver muita ousadia e criatividade. Golden Kong faz parte da nova safra de djs e produtores tupiniquins, que estão indo além do padrão e prometem muita coisa boa para as pistas.

 

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Disco: “Trovões a Me Atingir”, Jair Naves

Jair Naves
Indie/Alternative/Brazilian
http://www.jairnaves.com.br/

Descrença, solidão, medo e morte; temas corriqueiros dentro do acervo poético de Jair Naves enquanto vocalista da extinta Ludovic, porém, um catálogo de experiências cada vez menos significativas no universo autoral que define a carreira solo do cantor. Se em 2006, quando apresentou o derradeiro Idioma Morto, Naves gritava a plenos pulmões, exaltando sentimentos e toda sua raiva em relação ao mês de janeiro – “o pior dos meses” -, curioso perceber no mesmo mês, data escolhida para o lançamento do segundo disco solo do músico, Trovões a Me Atingir (2015, Independente), uma completa oposição desse resultado.

Da capa iluminada aos arranjos suavizados, dos versos marcados pela esperança ao refrão vívido da faixa-título – “meu corpo volta a ter pulsação” -, difícil ignorar a transformação que define a presente obra do paulistano. Ainda que a melancolia tome conta de boa parte do trabalho, marca explícita nos instantes finais e respiros breves do registro, seria um erro não observar o conceito “sorridente” que sustenta a atual fase de Naves. As angústias e trovões – como indicado no título da obra -, ainda atingem o compositor, por todos os lados, entretanto o nítido senso de superação parece maior, raro quando voltamos os ouvidos para o contexto macambúzio do ainda recente E Você Se Sente Numa Cela Escura… (2012).

Diferente de outros registros individuais, ou mesmo da postura melancólica assumida desde a estreia com Servil (2004), quando atuava como vocalista/líder da Ludovic, durante todo o percurso, Naves se concentra na exaltação ao amor, crença e aspectos positivos da vida adulta. Doses amargas de sobriedade ainda são evidentes, contudo, ao buscar apoio em versos como “Minha solidão tem fim para mim, isso basta” e “Desejo assim eu nunca, nunca vi“, logo no começo do álbum, a direção assumida pelo artista passa a ser outra. Não seria um erro interpretar o novo trabalho de Naves como a obra mais esperançosa e feliz do cantor.

Tamanha alteração – lírica e principalmente instrumental – reforça um natural aspecto de renovação (ou ineditismo) quando comparado ao curto acervo do paulistano. Se em 2012 parecia fácil encaixar o primeiro registro solo de Naves em uma estrutura próxima ao trabalho de Joni Mitchell, The Walkmen e The Smiths, hoje, o senso de identidade e reforço criativo preenche toda a obra do músico. Ao lado de Renato Ribeiro (violão e guitarra), Thiago Babalu (bateria), Felipe Faraco (teclados) e Rafael Findans (baixo), Naves brinca com as possibilidades, conquistando um território musicalmente amplo, passagem livre para a interferência de convidados como Beto Mejía (Móveis Coloniais de Acaju), Camila Zamith (Sexy Fi) e Guizado. Continue reading

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