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Banda Gentileza: “Nem vamos tocar nesse assunto”

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Segundo álbum de estúdio da curitibana Banda Gentileza, Nem vamos tocar nesse assunto (2015) já pode ser apreciado (e baixado) na íntegra. Entregue ao público seis anos após o último registro de inéditas do coletivo paranaense, a obra de versos bem-humorados, sonoridade versátil e referências que vão do brega ao indie rock está longe de decepcionar os antigos seguidores da banda, pelo contrário, agrada em cada nova composição.

Encaixado na mesma temática cotidiana de Casa e Espiões, algumas das primeiros canções apresentadas ao público, cada uma das nove composições do álbum partem do jogo cômico das palavras para brincar, provocar, seduzir e até emocionar o ouvinte. Disponível para audição pelo Youtube e Bandcamp, o disco pode ser baixado gratuitamente no site do grupo.

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Banda Gentileza – Nem vamos tocar nesse assunto

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Disco: “Piacó″, Iconili

Iconili
Nacional/Afrobeat/Instrumental
http://iconili.com.br/

A pluralidade de conceitos retratados em Tupi Novo Mundo EP (2013) parece ser apenas a ponta do iceberg colorido que sustenta o trabalho da Iconili em Piacó (2015, Independente). Partindo de uma mistura frenética de ritmos e diferentes temas instrumentais, ao abrir as portas do novo registro de inéditas do grupo mineiro, o ouvinte é instantaneamente soterrado por uma avalanche de temas e essências musicais. Referências que vão da música brasileira ao jazz norte-americano, sem necessariamente abandonar os laços cada vez mais estreitos com a cultura africana.

São 11 integrantes – André Orandi (Órgão e Sax Alto), Rafael Mandacaru (Guitarra), Gustavo Cunha (Guitarra), Victor Magalhães (Trompete), João Gabriel Machala (Trombone), Henrique Staino (Sax Tenor), Lucas Freitas (Sax Barítono), Willian Rosa (Baixo), Caio Plínio (Bateria), Rafa Nunes (Percussões) e Nara Torres (Percussões) -, artistas que não apenas atuam de forma complementar, movimentando os mais de 50 minutos do registro, como assumem posições de destaque no interior da obra, interferindo diretamente no crescimento do álbum.

Em Gentil, o nítido domínio das guitarras, instrumento que cria pequenas brechas momentâneas para a completa interferência dos metais, quase carnavalescos, dançantes. As batidas ganham ainda mais destaque em faixas como Vinicius, composição que aponta os holofotes para o time de percussionistas do coletivo. Sobram ainda faixas em que o domínio dos instrumentos de sopro prevalece, caso de Odaniô, além de músicas como Preta de Tataqui, música montada em cima de pequenos solos isolados, como diálogos (ou duelos) entre os próprios integrantes.

Tamanha interferência de ritmos e essências musicais acaba dividindo o álbum em duas frentes específicas. Como explícito logo em Jorge Botafogo, canção e abertura do trabalho, a busca por um som festivo, quente e dançante. Preferência que não apenas segue a trilha do trabalho anterior do grupo, como ainda estreita a relação da banda com os paulistanos da Bixiga 70. A diferença está na forma como o grupo mineiro mantém firme a relação com os arranjos explorados em diferentes campos da música africana, escapando sutilmente do mesmo soul/funk reforçado pelo grupo de São Paulo – principalmente no último disco de inéditas, lançado há poucos meses. Continue reading

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Disco: “Euforia”, Pélico

Pélico
Nacional/Indie/Alternative
http://www.pelico.com.br/

Daryan Dornelles

Pélico respira aliviado. Quatro anos depois de juntar os cacos do próprio coração e colecionar versos entristecidos no segundo álbum de estúdio, Que Isso Fique Entre Nós (2011), o cantor e compositor paulistano finalmente parece ter encontrado um espaço (ou alguém) para sorrir. Caminho seguro para a continua exposição dos próprios sentimentos, Euforia (2015, Independente) revela um compositor que mesmo íntimo das experiências mais dolorosas, típicas de uma separação recente, acerta o passo, muda de direção e aposta no recomeço.

De ritmo eufórico, como o próprio título indica, o novo álbum lentamente resgata a mesma combinação melódica incorporada pelo músico no primeiro trabalho de inéditas, O último dia de um homem sem juízo (2008). Uma coleção de temas apaixonados (Sobrenatural), declarações de amor (O meu amor mora no rio) e leve carga dramática (Sozinhar-me). Referências e sonoridades temporariamente extintas por conta do clima denso e ambientação cinza do disco de 2011.

Observado de forma atenta, este talvez seja o trabalho mais comercial, pop, já lançado por Pélico. Da abertura descomplicada com Sobrenatural, uma típica “música tema de novela”, passando por outras como Olha só, Overdose ou mesmo a própria faixa-título, raros são os instantes de completo isolamento do músico, acessível a cada novo acorde ou vocal apaixonado do disco. Como escapar da guitarra “sertaneja” que corta O meu amor mora no rio ou o jogo de palavras que cresce em Sozinhar-me, canção inspirada no livro Terra Sonâmbula, do escritor moçambicano Mia Couto e um diálogo breve com a música africana.

Mesmo nos momentos mais “reclusos” da obra, caso de Vaidoso e Meu Amigo Zé, há sempre um tempero lírico ou instrumental que pesca o ouvinte com naturalidade, conduzido de forma dinâmica até o último verso do registro. A seriedade de Pélico ainda é a mesma de Que Isso Fique Entre Nós, a diferença está na forma como o cantor assume uma postura ainda mais dinâmica, íntima dos mais variados públicos. Continue reading

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Mahmed: “AaaaAAAaAaAaA” (VÍDEO)

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Maturidade”, “crescimento” e “grandeza”. Palavras de significado forte, expressivas quando voltamos os ouvidos para o acervo sóbrio lançado pela potiguar Mahmed em Domínio das Águas e dos Céus EP (2013), porém, pequenas, quase insignificantes frente à grandeza de Sobre a Vida em Comunidade (2015, Balaclava). Em um assombroso traço de evolução, ao finalizar o primeiro álbum de estúdio, o quarteto do Rio Grande do Norte não apenas alcança um novo estágio dentro da própria sonoridade, como ainda prende o ouvinte em um labirinto de formas mutáveis; um álbum sedutor e provocativo a cada fragmento instrumental.

Montado em uma estrutura não-linear, pontuada por arranjos e texturas propositadamente instáveis, logo nos primeiros segundos dentro disco, a pergunta: estou sonhando? Como uma noite longa de sono embriagado, costurada por diferentes sonhos, passagens rápidas por pesadelos e até a tontura leve típica de exageros alcoólicos, SAVEC brinca com as interpretações do ouvinte. É difícil saber onde começa e acaba o álbum. Ondas leves de distorção arremessam, acolhem e mudam a direção das composições a todo o momento. Um constante cruzamento entre o onírico, o experimental e até o nonsense que corta em pedaços rótulos imediatos como “Jazz”, “Dream Pop” ou o inevitável “Post-Rock”. Todavia, mesmo a completa ausência de direção (ou previsibilidade) em nenhum momento distorce a sutileza e coerência da banda. Leia o texto completo.

Melancólico, AaaaAAAaAaAaA é o mais novo clipe apresentado pela banda potiguar Mahmed. Com direção e roteiro de Pedro Galiza e ilustrações de Flavio Grão, o vídeo observa o isolamento de um grupo de idosos do Lar Vila Vicentina Júlia Freire, em João Pessoa, na Paraíba.

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Mahmed – AaaaAAAaAaAaA

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Marcelo Perdido: “Inverno”

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O frio chegou e com ele, Inverno (2015), novo álbum do cantor Marcelo Perdido. Segundo e mais recente trabalho de inéditas do músico paulistano, ex-integrante da Hidrocor, o presente registro segue a trilha do antecessor, Lenhador (2013), revelando ao público uma seleção de faixas de essência melancólica, sombrias e orquestradas pela leveza dos arranjos acústicos do artista.

São dez composições inéditas e produção assinada por João Erbetta, mesmo produtor do último álbum de Perdido. Entre os destaques do novo disco, a inaugural (e perturbadora) faixa-título, composição que não apenas prepara o terreno para o restante da obra, como sufoca a atmosfera pueril conquistada pelo músico no último álbum. Disponível para download gratuito, o álbum pode ser apreciado na íntegra logo abaixo:

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Marcelo Perdido – Inverno

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Banda Gentileza: “Espiões”

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Relacionamentos conflituosos, desilusões amorosas e pequenas relações pessoais parecem servir de base para o segundo álbum de inéditas do grupo curitibano Banda Gentileza. Depois da confusão “familiar” que sustenta (e bagunça) os versos de Casa, primeiro single de Nem vamos tocar nesse assunto (2015), chega a vez de Heitor Humberto, acompanhado dos parceiros Diego Perin, Tuna Castilho e Jota Borgonhoni, brincar com a temática da traição na recém-lançada Espiões.

Movida em essência pela distorção das guitarras, a canção de ritmo circense estreita com naturalidade a relação com o disco passado da banda, conceito replicado não apenas nos arranjos, mas, principalmente, nos versos, sempre íntimos de personagens reais. “De todos meus deslizes / Você só soube do menor“, despeja o vocalista, abrindo passagem para uma das faixas mais divertidas e trágicas já lançadas pela banda.

Nem vamos tocar nesse assunto (2015) será lançado no dia 06/07 de forma independente.

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Banda Gentileza – Espiões

 

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Os 25 Melhores Discos de 2015 (Até Agora)

Chegamos ao meio de 2015 e o catálogo de grandes lançamentos musicais só aumenta. Seja em território nacional – Mahmed, Gal Costa, Siba, Cidadão Instigado – ou pela Europa – Björk, Jamie XX – e Estados Unidos – Kendrick Lamar, Sufjan Stevens, Tobias Jesso Jr. -, o que não falta são registros de peso e obras influentes que abasteceram os últimos meses. Seguindo a tradição, é hora de conhecer nossa lista com os 25 melhores discos da metade do ano. Trabalhos que passeiam pela música experimental, eletrônica, pop, rock e Hip-Hop, sempre apontando a direção para a lista definitiva, tradicionalmente publicada no mês de dezembro. Passou os últimos meses desligado da música? Aproveite a lista e veja o que você deixou passar.
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Disco: “De Baile Solto”, Siba

Siba
Nacional/Alternative/Rock
http://www.mundosiba.com.br/

Conhecida como a “capital estadual do Maracatu”, em 2014, Nazaré da Mata, município localizado na região da Mata Norte, em Pernambuco, se dividiu. De um lado, músicos, foliões e representantes da cultura local, coletivos que se uniram para defender as tradições (musicais) da região, mantendo as apresentações de Maracatu de Baque Solto até o amanhecer. No outro lado, a Polícia Militar e membros do governo municipal, oposição de defendia o encerramento precoce dos festejos e apresentações do gênero, forçadas a acabar no começo da madrugada.

Um dos defensores do primeiro grupo – frente que conquistou na justiça o direito de manter as tradições, estendendo os festejos até as 5:00 da manhã -, Siba transporta para o interior do segundo álbum solo parte desse conflito e desrespeito pelas tradições locais. Misto de regresso aos sons regionais explorados desde os primeiros trabalhos com a extinta Mestre Ambrósio, em De Baile Solto (2015, YB), mais do que um retrato isolado da cena nordestina, o compositor pernambucano entrega ao público uma síntese do instável panorama político e social de todo o Brasil.

Conceitualmente amplo, com versos entregues à interpretação do ouvinte, músicas como Gavião, Três Carmelitas e O Inimigo Dorme, se acomodam em meio a temas políticos, discussões sobre abuso de poder, embates e a continua relação entre governantes e a população. Referências e relatos metafóricos que tanto se encaixam no contexto bucólico de Nazaré da Mata, como em qualquer grande cidade. Debates que escapam das redes sociais e cercam o congresso nacional. Da ironia fina que cresce nos versos Marcha Macia ao grito final em Meu Balão Vai Voar, diferentes histórias, temas e cenários sustentam o universo cada vez menos particular criado por Siba.

Em se tratando da estrutura musical montada para o disco, uma obra que busca apoio em duas bases distintas. De um lado, a continua interferência das guitarras, instrumento que não apenas reforça o diálogo de Siba com a própria obra, resgatando temas e arranjos explorados no antecessor Avante, de 2012, com garante novo encaminhamento ao mesmo som enquadrado em obras de apelo “regional”, caso de Toda vez que eu dou um passo o mundo sai do lugar (2008). No outro oposto, o inevitável passeio pela música pernambucana, tema explorado de forma cênica na curiosa faixa-título, uma cômica interpretação das típicas performances típicas da região a mata, mas que mantém firme o contexto político do disco. Continue reading

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Disco: “Estratosférica”, Gal Costa

Gal Costa
MPB/Female Vocalists/Samba
http://www.galcosta.com.br/

A necessidade de ruptura e parcial transformação está longe de parecer uma novidade dentro da (extensa) obra de Gal Costa. Do habitual cruzamento de ritmos – Bossa Nova, Jazz, Samba, Rock, – ao constante diálogo com músicos, compositores e produtores vindos de diferentes gerações – Luiz Melodia, Djavan, Cazuza, Domenico Lancellotti -, de tempos em tempos, a cantora baiana entrega ao público um registro que parece não apenas indicar uma nova direção, mudando o curso da própria discografia, como ainda serve de síntese temática, revelando ao grande público o nascimento de novas cenas e pequenos coletivos musicais.

É o caso do recente Estratosférica (2015, Sony Music). Dando continuidade ao trabalho iniciado no álbum Hoje (2005) – obra marcada pela interferência de novos compositores como Nuno Ramos, Junio Barreto e Moreno Veloso -, dentro do trigésimo sexto registro em estúdio da cantora, é possível perceber o crescimento de uma obra que clama por novas referências, sonoridades e tendências, porém, mantém firme a experiência (e sobriedade) acumulada por Gal mais 50 anos de carreira.

Para aqueles que se assustaram com a curva brusca iniciada no experimental Recanto (2011) – obra de temas eletrônicos e versos assinados pelo parceiro de longa data, Caetano Veloso -, um respiro “aliviado”. Ainda que a essência do trabalho anterior seja preservada em instantes específicos do álbum – como nos arranjos de Você Me Deu e Por Baixo -, da abertura ao fechamento, a proposta do registro é completamente outra, muito mais intensa. Antes reclusa, confortada no “recanto” sintético das batidas e arranjos eletrônicos, Gal agora aparece grandiosa, para além dos limites da estratosfera, uma leoa como o cabelo volumoso parece indicar logo na capa do álbum.

Diálogo aberto com pequenos gigantes da atual geração – entre eles, Marcelo Camelo, Mallu Magalhães e José Paes Lira -, o registro produzido Alexandre Kassin e Moreno Veloso é um passeio pela essência versátil da cantora. Enquanto a inaugural Sem Medo Nem Esperança aponta para a boa fase no começo dos anos 1970, marca explícita na crueza das guitarras e o “solo de voz” típico do clássico Fa-Tal – Gal a Todo Vapor (1971), em minutos, o uso de temas eletrônicos (Muita Sorte) e até melodias mais “pop” (Quando Você Olha Pra Ela) confortam a artista no cenário plastificado dos anos 2000. Continue reading

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Disco: “Maravilhas da Vida Moderna”, Dingo Bells

Dingo Bells
Indie Rock/Alternative/Indie Pop
http://www.dingobells.com.br/

Quem rola a timeline do Facebook e bate o olho na imagem que estampa a capa de Maravilhas da Vida Moderna (2015, Independente), primeiro registro de estúdio da banda gaúcha Dingo Bells, talvez se espante com a sonoridade explorada no interior do trabalho. Longe do ambiente “cinza” reforçada na fotografia de Rodrigo Marroni – praticamente a capa de um álbum punk -, cada uma das composições que movimentam o disco apontam a construção do um som nitidamente pop, talvez sombrio em se tratando dos versos, mas não menos colorido.

Como o próprio título indica, Maravilhas da Vida Moderna utiliza de versos fáceis para reforçar tormentos típicos de um (jovem) adulto. Músicas ancoradas em conceitos existenciais (Dinossauros), maturidade (Mistério dos 30), a necessidade de conviver em sociedade (Eu Vim Passear) e até personagens (Funcionário do Mês) que cercam o universo irônico/realista do grupo – hoje composto por Rodrigo Fischmann (voz, bateria e percussão), Diogo Brochmann (Voz, guitarra e teclados) e Felipe Kautz (voz, baixo).

Cercado por diferentes colaboradores da cena de Porto Alegre – entre eles o produtor Gustavo Fruet (Chimarruts, Pública) e Felipe Zancaro (Apanhador Só) -, o debut está longe de ser encarado como um típico fragmento do “Rock Gaúcho”. Da abertura ao fechamento do disco, não é difícil perceber o movimento leve executado pela trio, sempre atento, desviando com naturalidade da sonoridade lançada por veteranos da década de 1980 (como Nenhum de Nós e Engenheiros do Hawaii), porém, ainda íntimos das melodias e canto sarcástico explorado há mais de uma década por artistas como Bidê ou Balde e Wonkavision.

De fato, a explícita relação do coletivo com a música (pop) lançada no começo dos anos 2000 está longe de parecer uma “coincidência”. Mesmo entregue ao público como o primeiro álbum oficial do grupo gaúcho, Maravilhas da Vida Moderna ultrapassa com naturalidade os limites do presente cercado temporal, crescendo e dialogando como o produto final da longa trajetória da banda, em atuação há mais de uma década.    Continue reading

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