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Disco: “Mergulhar, Mergulhei”, Pipo Pegoraro

Pipo Pegoraro
Brazilian/Alternative/Indie
http://pipopegoraro.com/

Por: Cleber Facchi

Difícil encarar Mergulhar, Mergulhei (2014, YB) como um registro solo de Pipo Pegoraro. Terceiro e mais recente invento “individual” do músico paulistano, o trabalho de 10 faixas rápidas cresce como um constante cruzar de referências autorais e emprestadas. Coluna vertebral do registro, o também autor de Intro (2008) e Taxi Imã (2011) faz do trabalho um amplo espaço criativo; um território em que diferentes épocas, gêneros e nomes ativos da música brasileira possam borbulhar pelas composições – peças tão próprias do cantor, quanto partilhadas entre os diferentes convidados.

Em uma sequência exata ao material lançado há três anos, Pegoraro assume logo na inaugural Aiye a coesa relação entre os sons nacionais e arranjos emprestados da música africana. Instrumental, a música de cinco minutos funciona como um coeso resumo de toda a composição do álbum – sempre marcado por improvisos, bruscas adaptações orquestrais e a constante leveza no andamento das melodias. Uma sensação de olhar para o mesmo material de Taxi Imã, porém, em um ângulo totalmente inédito.

Dentro de um ambiente segundo, Pegoraro transporta para dentro de estúdio a mesma banda de apoio que o acompanha durante as apresentações ao vivo – Décio 7 (bateria), Gustavo Cék (percussão), Marcelo Dworecki (baixo), Cuca Ferreira (saxofone e flauta), Fernando TRZ (piano) e Lucas Cirillo (gaita). A estrutura musicalmente familiar funciona como um sustento evidente para a voz do cantor, ainda mais convincente do que no trabalho anterior e agora gigante no desenrolar de faixas como O Que Cabe Em Nós e Sabão de Coco.

Sob direção artística de músico Romulo Fróes, o álbum flutua com nitidez entre os gracejos pop explorados no registro anterior e doses consideráveis de experimento. Parte dessa procura por uma sonoridade menos “óbvia”, quase jazzística em faixas como Nos Olhos de Henri, vem do confesso interesse de Pegoraro pela obra de Steve Reich. Um dos nomes mais importantes da música minimalista, o autor de Music for 18 Musicians (1978) e outras peças da música de Avant-Garde sobrevive nas lacunas da obra, autorizando o paulistano a espalhar complementos sutis, adaptações instrumentais e pequenas desconstruções acústicas que vão do samba ao Afrobeat. Continue reading

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ruído/mm: “Transibéria”

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Passada a euforia encontrada em Cromaqui, primeiro exemplar de Rasura (2014), novo álbum da banda curitibana ruído/mm, Transibéria traz de volta um pouco da essência do grupo. Na trilha do material conquistado pela banda em A Praia (2006) e Introdução à Cortina do Sotão (2011), o recente lançamento surpreende pela capacidade de provocar os sentimentos do espectador. Sem dizer uma só palavra, os quatro minutos e quarenta segundos da canção resumem com maestria a capacidade rara da banda em contar histórias com os arranjos.

Timidamente psicodélica, a faixa caminha entre ruídos, harmonias de pianos e toda uma tapeçaria melódica capaz de envolver o espectador. Mesmo íntima do trabalho de gigantes como Sigur Rós, a delicada peça em nenhum momento se distancia do território autoral dos paranaenses, expressivos em cada singelo manuseio da criação. Previsto para estrear no dia 27 de setembro, o novo álbum chega para completar a série de bons lançamentos instrumentais em solo nacional, caso de Pluvero da Kalouv e Pelicano do grupo Constantina.

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ruído/mm – Transibéria

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Thiago Pethit: “ROMEO”

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A transformação assumida por Thiago Pethit em Estrela Decadente (2012) está longe de ser interrompida no terceiro álbum de estúdio do músico paulistano. Passo seguro em relação ao material apresentado há dois anos, Rock’n’Roll Sugar Darling (2014) reforça com naturalidade a comunicação do músico com o Pop/Rock de diferentes décadas, abandonando de vez o ambiente tímido esboçado no debut Berlin, Texas, de 2010. Previsto para estrear em novembro, o trabalho reflete nas melodias de ROMEO um pouco do que será explorado ao longo do novo disco. Muito mais acessível do que o registro anterior, Pethit investe no uso de falsetes, versos pegajosos e toda a uma estrutura cênica/romântica que o acompanha desde os primeiros EPs.

Ativo expoentes de bons videoclipes na cena brasileira, o cantor reforça no clipe de Rafaela Carvalho o mesmo esmero do grandioso Moon, um dos grandes vídeos nacionais lançados no último ano. Centrado em um casal problema – no melhor estilo Assassinos Por Natureza (1994) -, o trabalho estrelado por Lucas Veríssimo e Maria Laura Nogueira pode ser apreciado na íntegra logo abaixo. Interessados podem baixar o single gratuitamente no site do cantor.

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Thiago Pethit – ROMEO

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Pedrowl: “What A Girl Wants”

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Há poucos meses falamos sobre o ótimo remix – eu diria nova versão – para You Like It, faixa originalmente lançada pelo rapper Omarion no começo do ano, porém, completamente transformada nas mãos do produtor paulistano Pedrowl. Agora é hora de ser mais uma vez surpreendido pelo jovem artista. Tendo em mãos What A Girl Wants, um dos bons exemplares de Christina Aguilera nos anos 1990, o produtor mais uma vez deixa de lado a base original da canção, remodelando completamente a versão original da faixa.

O resultado está em uma faixa carregada de referências do Hip-Hop/Cloud Rap, toda uma sobrecarga de palminhas do single anterior e a voz (agora) robotizada, quase pueril, de Aguilera. Altamente recomendada para quem vem acompanhando o trabalho dos britânicos SOPHIE, A. G. Cook e toda a “equipe” do selo PC Music. Aproveite para ouvir outras composições e remixes lançados no Soundcloud de Pedrowl.

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Pedrowl – What A Girl Wants

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Rollinos: “From Mars”

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Alguns anos atrás eu resolvi começar a fazer música. Há um ano eu fiz uma música. Um ano depois eu resolvi lançar da mesma forma que compus, melhor soltar do que guardar“.

O curto texto de apresentação de From Mars, mais recente invento do paulistano Gabriel Rolim, parece dizer muito sobre a leveza que define a “recente” criação. Novo lançamento do produtor dentro do projeto Rollinos, a faixa de seis minutos e 24 segundos é um verdadeiro passeio pelo cosmos sem que o ouvinte necessariamente tire os pés do chão.

Climática, porém, nunca arrastada, a extensa faixa é um encontro entre pequenos fragmentos de voz do astrônomo Carl Sagan e bases atmosféricas típicas da Ambient/IDM dos anos 1990. Um meio termo entre o Boards Of Canada do álbum Music Has the Right to Children (1997) e Aphex Twin no clássico Selected Ambient Works Volume II (1994), mas ainda assim, uma composição essencialmente autoral. Disponível para download gratuito, a faixa pode ser apreciada na íntegra logo abaixo.

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Rollinos – From Mars

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ruído/mm: “Cromaqui”

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Quem acompanha a paranaense ruído/mm desde o álbum/EP Série Cinza, de 2004, talvez fique espantado com a ferocidade que invade o interior de Cromaqui. Mais recente invento do coletivo de Curitiba, a efêmera criação de dois minutos talvez seja a faixa mais distinta já lançada pela banda desde a estreia definitiva com o álbum A Praia, em 2008. Urgente, suja e até mesmo “pop” em alguns instantes, a nova música resume com naturalidade o material que o grupo reserva para o próximo registros de estúdio, o esperado Rasura.

Primeira composição inédita da banda desde o álbum de 2011, Introdução à Cortina do Sotão, Cromaqui rompe com a expectativa de quem esperava por um som delicado, na linha de Índios, interpretação da banda para o clássico de 1986 da Legião Urbana. Parte de uma compilação montada pela banda Labirinto e lançada no soundcloud da Brasil Music Exchange, a recente canção é parte do disco que estreia oficialmente no dia 27 deste mês.

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ruído/mm – Cromaqui

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Alice Caymmi: “Rainha dos Raios”

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Em um ano de grandes lançamentos nacionais assumidos por vozes femininas – como Caravana Sereia Bloom de Céu e Tudo Tanto de Tulipa Ruiz -, Alice Caymmi conquistou o próprio espaço ao investir em uma obra complexa, carregada de referências autorais e pequenas adaptações. Conduzido pela voz forte da cantora, neta de Dorival Caymmi, o álbum é casa de faixas imponentes como Água Marinha e Sargaço Mar, referências distorcidas dentro do novo trabalho em estúdio da artista, Rainha dos Raios (2014).

Livre do ambiente “litorâneo” retratado no disco de estreia, Caymmi passeia agora por entre diferentes gêneros musicais e adaptações particulares de músicas assinadas por outros artistas – caso de Homem de Caetano Veloso e Como Vês do grupo Tono. São nove regravações, algumas delas já conhecidas do público da cantora, como Iansã, parceria de Alice com o músico/produtor Strausz. Com lançamento pelo selo Joia Moderna e distribuição pela Tratore, Rainha dos Raios pode ser apreciado na íntegra logo abaixo.

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Alice Caymmi – Rainha dos Raios

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Adriano Cintra: “Animal”

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Se você está em busca de respostas sobre “a vida o universo e tudo mais”, desculpe, mas talvez seja melhor passar longe do trabalho de Adriano Cintra. Todavia, se a sua vontade é a de ouvir um som divertido, carregado de versos pegajosos e arranjos fáceis, então não perca mais tempo: Animal é a música certa para você. Faixa-título do primeiro álbum solo do ex-Cansei de Ser Sexy, a composição não apenas segue a trilha da antecessora Duda, lançada há poucas semanas, como reforça o contexto acessível do novo trabalho do multi-instrumentista.

Grudenta e carregada de sintetizadores, a faixa é uma bem sucedida parceria entre Cintra e o músico paulistano Marcelo Segreto, um dos integrantes da banda Filarmônica de Pasárgada. Como um complemento para a faixa, Cintra convidou a curitibana Marina Penny (Subburbia) para produzir o lyric video da canção, resultado explícito na soma de imagens tão atuais, como carregadas de referências e efeitos visuais das décadas de 1980 e 1990.  Com lançamento pela Deck Disc, Animal (o disco) estreia em outubro. Acima, a perturbadora capa do álbum.

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Adriano Cintra – Animal

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Carne Doce: “Passivo”

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A intimidade do casal Salma Jô e Macloys Aquino sempre foi a base do Carne Doce. Basta voltar os ouvidos para as primeiras canções da dupla e todo o material lançado em Dos Namorados EP, de 2013, para perceber isso. Todavia, ao visitar o território sujo-psicodélico desbravado em Passivo, mais recente composição da coletivo goiana, toda essa intimidade inicial se exalta de forma evidente, escapando do ambiente confessional inicialmente sustentado pela dupla, para mergulhar em um plano quente, provocante e profundamente erótico.

Como a própria banda apresentou em release, a nova música serve como uma representação de toda a sexualidade exposta no trabalho das principais cantoras de Funk Carioca no Brasil. Parte da faixa também serve como uma interpretação musical do acervo visual registrado em Erotica Universalis, livro do historiador Gilles Néret que reúne imagens eróticas lançadas desde a antiguidade até a idade moderna. É este mesmo material que inspira o vídeo da provocante composição, trabalho que conta com a edição assinada por Moisés Costa.

Assim como a intensa Sertão Urbano, apresentada há poucos meses, Passivo é uma das faixas que integram o álbum de estreia do Carne Doce, registro de 10 composições e que deve aparecer até o fim de outubro.

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Carne Doce – Passivo 

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Jaloo: “Downtown”

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Três anos se passaram desde que falamos pela primeira vez sobre o trabalho de Jaloo – na seção Experimente. Se naquela época Jaime Melo parecia em busca de uma sonoridade autoral, cruzando referências tão íntimas do pop quanto do Technobrega concentrado na cena de Belém, ao se deparar com a inédita Downtown, mais novo invento do paraense, nada poderia ser mais satisfatório do que perceber que essa mesma curiosidade e busca constante do produtor ainda se faz presente, talvez até realçada.

Imensa colcha de retalhos temáticos, o novo lançamento ecoa tão próximo do trabalho apresentado em Couve EP, de 2013, como da fase “embrionária” do produtor, retratada com acerto na coletânea de remixes/versões Female & Brega, de 2012. Sobram transições honestas pela obra de Grimes – homenageada no cover de Oblivion – e toda a presente cena de artistas canadenses, além de um regresso ao ambiente pop do single Bai Bai, (hoje) um evidente aquecimento para o material lançado em Downtown.

Lançada pelo selo Braza no Bandcamp, a faixa ganha ainda mais destaque por conta das imagens de Fernando Moraes, diretor responsável pelo clipe da canção. Acima, a excelente capa do single, inspirada em Slave to the Rhythm da cantora Grace Jones.

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Jaloo – Downtown

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