Tag Archives: Brasil

Metá Metá: “Corpo Vão” / “Mano Légua”

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Quatro anos após o lançamento de Metal Metal (2012), a colisão de ideias continua sendo a base do material produzido por Thiago França, Kiko Dinucci e Juçara Marçal. Das apresentações ao vivo, sempre intensas, aos desdobramentos em carreira solo e projetos paralelos de cada integrante da banda – como Encarnado (2014), Passo Torto (2015) e a Charanga do França (2016) –, referências, vozes e sonoridades costuram cada movimento do trio paulistano.

Primeiro exemplares do novo álbum de estúdio do grupo, MM3 (2016) – obra prevista para o segundo semestre –, Corpo Vão e Mano Légua carregam na leveza dos arranjos um mundo de novas possibilidades para o trabalho da banda. A bateria de Sergio Machado, o baixo pontual de Marcelo Cabral, instrumentos sempre complementares ao embate gerado entre a voz, saxofone e guitarras do trio. Em entrevista ao site da Red Bull, onde as canções foram lançadas, França conta alguns “segredos” sobre a gravação do novo álbum.

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Metá Metá – Corpo Vão

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Metá Metá – Mano Légua

 

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Fernando Temporão: “Paraíso”

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Paraíso (2016), esse é o nome do segundo e mais recente álbum do cantor e compositor Fernando Temporão. Sucessor do ótimo De dentro da gaveta da alma da gente – um dos 50 melhores discos nacionais de 2013 –, o registro que conta com 11 faixas inéditas e ilustrações de Elisa Arruda apresenta ao público uma série de colaborações com nomes de peso da música nacional, caso da cantora Ava Rocha, o cantor e compositor César Lacerda, além de Filipe Catto.

Com produção de Kassin, parceiro de Temporão desde o último álbum, Paraíso ainda conta com a presença de músicos como Marcelo Jeneci, Domenico Lancellotti e um time de instrumentistas que acompanham o cantor até os últimos instantes da obra. Disponível para download gratuito pela página de Temporão, o trabalho também pode ser apreciado em diferentes serviços como Spotify, Youtube ou pelo Soundcloud. Ouça:

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Fernando Temporão – Paraíso

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Resenha: “Queda Livre”, Jonathan Tadeu

Artista: Jonathan Tadeu
Gênero: Indie, Alternative, Sadcore
Acesse: https://jonathantadeu.bandcamp.com/

 

Eu juro por Deus / Que eu me esforço / Mas não posso deixar você / Esperando a saudade nascer em mim”. A angústia toma conta de grande parte dos versos de Queda Livre (2016, Independente). Segundo e mais recente álbum de inéditas do cantor e compositor mineiro Jonathan Tadeu, o sucessor do entristecido Casa Vazia (2015) mostra a evolução do artista em relação ao trabalho apresentado há poucos meses. Versos que traduzem a amargura do próprio compositor, mas que acabam criando uma espécie de relação e intimidade com o ouvinte.

Talvez seja melhor / Aprender a lidar/  Com a própria solidão / Antes de viver a dos outros”, canta em Ninguém se Importa, um sadcore econômico, típico dos trabalhos de Elliott Smith, e que parece servir de base para toda a sequência de apenas 10 composições que recheiam o disco. Um som angustiado, intimista, proposta que acompanha o ouvinte até os últimos instantes do trabalho, vide a derradeira O mundo é um lugar bonito e eu não tenho mais medo de morrer – “Quanto mais me impediam de ser, mais eu ia sendo tudo aquilo que eu não podia ser”.

Eu não preciso de nenhuma desculpa pra voltar / Mas me deixa uma pista quando precisar de mim”, entrega na poderosa faixa-título do disco, um retrato melancólico de qualquer indivíduo apaixonado, em busca de uma resposta que nunca chega. Letras que parecem atravessar uma corda bamba sentimental, sempre prontas para cair em um mundo sombrio, consumido pelas desilusões de Tadeu. Mais do que uma continuação do trabalho apresentado há poucos meses, um exercício de completa exposição do músico, honesto em cada fragmento de voz que flutua no interior do disco.

Longe de parecer uma obra sufocada pela saudade, abandono e todos os tormentos que invadem a cabeça do compositor, em Queda Livre, pequenas brechas ensolaradas garantem novo significado ao trabalho do músico mineiro. São declarações de amor, como na apaixonada Sorriso Besta – “Feito qualquer pisciano / Eu pensei que aquilo fosse um sinal Você me falou / E eu me apaixonei” –, ou mesmo pequenos fragmentos românticos, caso da efêmera Amour – “Mesmo que eu nunca acorde desse sonho ruim / Eu te amo até o fim / E eu nunca vou desistir”. Continue reading

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Boogarins: “Benzin” (VÍDEO)

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Leve. Dois anos após o jogo de cores e exageros lisérgicos que marcam o inaugural As Plantas que Curam (2013), estreia do grupo goiano Boogarins, Dinho Almeida, Benke Ferraz e os parceiros Raphael Vaz e Ynaiã Benthroldo mergulham de cabeça no plano onírico para encorpar as canções do recém-lançado Manual (2015, StereoMono). Uma coleção de vozes delicadas e arranjos tingidos pela nostalgia da música psicodélica, mas que encontram no descompromisso sorridente da banda um poderoso traço de identidade.

Em um nítido distanciamento da herança deixada por veteranos (Os Mutantes, The Kinks) e novatos (Tame Impala, Foxygen) do rock psicodélico, cada faixa do presente disco reforça a capacidade do grupo brasileiro em brincar com a própria essência musical. Instantes, quebras e colagens descomplicadas em que o grupo passeia pelo minimalismo da bossa nova (Cuerdo), autoriza a explosão das guitarras (Avalanche) ou simplesmente colide fórmulas (Mario de Andrade / Selvagem) sempre em busca de um som não linear. Leia o texto completo.

Originalmente apresentada no álbum de estreia do grupo goiano Carne Doce, Benzin foi a escolhida para se transformar no primeiro clipe de Manual (2015), segundo registro de inéditas da Boogarins. Gravado na Chapada dos Veadeiros, o vídeo conta com a presença de Salma Jo, vocalista do Carne Doce. A direção do material leva a assinatura de Cléver Cardoso. Assista:

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Boogarins – Benzin

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De Bolso: “Envelhecer”

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Envelhecer (2016), esse é o nome do primeiro álbum de estúdio do grupo paulistano De Bolso. São oito composições que flutuam com delicadeza entre a MPB dos anos 1970 e o folk. Um material essencialmente delicado, preciso, efeito da colaboração entre os integrantes Diego Bravo (percussão e backing vocals), Fred Rocha (voz, violão, baixo e cavaco), Karin Hueck (voz, teclado e caixinha de música) e Tiago Van Deursen (voz, violão, gaita e cavaco).

Uma tímida coleção de versos marcados por temas cotidianos (Diálogo de Dois Amigos) e declarações de amor (Gaiola, Cantar de Pássaro) que se espalham do primeiro ao último instante da obra. Para apresentar o registro – que pode ser apreciado gratuitamente no Youtube ou Soundcloud –, a banda entrega ao público o clipe de Esquina, faixa de abertura do disco e uma animação que conta com a assinatura do mineiro Alisson Lima.

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De Bolso – Esquina

De Bolso – Envelhecer

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Fernando Temporão: “Dança”

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Em Paraíso (2016), o cantor e compositor Fernando Temporão parece seguir um caminho completamente distinto em relação ao som produzido no inaugural De dentro da gaveta da alma da gente (2013) – um dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2013. Longe dos versos e arranjos coloridos que marcam o trabalho apresentado há três anos, um explícito amadurecimento, estímulo para a série de colaborações com nomes como Ava Rocha, César Lacerda, Filipe Catto e o velho parceiro de produção, o músico Kassin.

Escolhida para apresentar o novo disco – previsto para o final de maio –, a inédita Dança, faixa em parceria com o cantor e compositor Marcelo Jeneci, mostra a veia política de Temporão. “Tira a cabeça daí / Olha de frente pro perigo … Não, eu não vou saber dizer / Pra vocês não vou dizer / Sim“, canta suavemente, discutindo a situação política do país, enquanto o acordeom do convidado se espalha lentamente ao fundo da canção. Acima, a imagem de capa do álbum, trabalho que leva a assinatura de Elisa Arruda.

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Fernando Temporão – Dança

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Aba j ou r: “ʌ z v l”

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Vozes ecoadas que se esfarelam na cabeça do ouvintes, sintetizadores e efeitos psicodélicos, sempre controlados, batidas essencialmente tímidas, como se apenas criassem um delicado pano de fundo para as canções. Em ʌ z v l, mais recente composição da dupla mineira Aba j ou r – projeto comandado por Silvia Helena e Vítor Gabriel –, todos os elementos se encaixam em uma medida própria de tempos, como se o duo original de Belo Horizonte flutuasse lentamente.

Música mais polida de todo o material acumulado pela banda nas últimas semanas – veja outras composições no soundcloud do Aba j ou r –, ʌ z v l parece crescer sem pressa, fragmentando a voz de Helena em versos melancólicos, marcados pela despedida. Ao fundo da canção, uma colisão de fórmulas semi-psicodélicas, ruídos e efeitos delicados, como um diálogo com o vocal leve que detalha a letra da canção.

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Aba j ou r – ʌ z v l

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Aba j ou r – ʌ vǝe ss o

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Mahmed: “Ciao, Inércia”

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É impressionante como a potiguar Mahmed consegue estabelecer um mundo de detalhes e elementos sempre complexos mesmo revelando composições tão curtas. Em Ciao, Inércia, faixa-título do novo EP da banda de Natal, Rio Grande do Norte, guitarras, batidas e sintetizadores crescem com leveza, ocupando os quase dois minutos da canção com o mesmo refinamento que deu vida ao último grande trabalho da banda, Sobre a Vida em Comunidade – 1º colocado na nossa lista dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2015.

Lançada como parte de um pacote dentro do Catarse, site de financiamento coletivo, a canção que ainda conta com duas faixas irmãs deve em breve se transformar em um vinil 7 polegadas gravado em Cantilena, “lar da Mahmed”. O material também serve para apresentar/comemorar a ida do grupo ao festival Primavera Sound, evento que acontece na cidade de Barcelona, Espanha, nos dias 01 e 05 de junho deste ano. Ouça Ciao, Inércia:

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Mahmed – Ciao, Inércia

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Resenha: “Mahmundi”, Mahmundi

Artista: Mahmundi
Gênero: Synthpop, R&B, Pop
Acesse: https://www.facebook.com/mahmundionline/

 

Marcela Vale passou os últimos quatro anos colecionando hits. Do som empoeirado de Efeito das Cores, EP lançado em 2012, passando pelo R&B melancólico que cresce em Setembro, bem-sucedido registro de 2013, cada trabalho assinado pela cantora e compositora carioca parece estreitar a relação entre o pop nostálgico da década de 1980 e a som que marca o presente cenário. Uma colisão de ideias, melodias e vozes que acabou resultando em faixas como Calor do Amor e Sentimento – vencedora na categoria Nova Canção no Prêmio Multishow de 2014 –, base para a pequena “coletânea” que marca a homônima estreia da jovem artista.

Das dez composições entregues pela cantora, apenas cinco foram produzidas especialmente para o registro – que conta com distribuição pelo selo StereoMono, casa de artistas como Jaloo e Boogarins. Quase sempre, Calor do Amor e Desaguar, resgatadas de Efeito das Cores; Leve inicialmente apresentada no EP Setembro, enquanto Sentimento, faixa de encerramento do disco, foi originalmente lançada em 2014. Canções já conhecidas do público fiel da artista, porém, musicalmente reformuladas, íntimas da mesma ambientação límpida que orienta o restante do trabalho.

De essência melancólica, intimista, cada faixa cresce como um delicado exercício de exposição sentimental. “Quando tudo terminar enfim / Meu desejo transformado em saudade Te espero, te espero, te espero / Não vá”, desaba Mahmundi em Azul, uma síntese de toda a tristeza que corrompe a obra. Em Eterno Verão, primeiro single do trabalho, uma extensão “comercial” do mesmo tom confessional e amargo que rege o álbum. “E é tão fácil, tão mágico, se perder no coração”, canta Vale enquanto guitarras e sintetizadores dialogam com o mesmo som pegajoso de Guilherme Arantes.

Composição que mais se distancia do restante da trabalho, Meu Amor cria uma espécie de ponte inusitada para o R&B da década de 1990. “Meu amor por favor / A certeza vai habitar e a cabeça agradecer / Pela noite com você”, canta Mahmundi enquanto as batidas e sintetizadores crescem lentamente, revelando uma composição que poderia facilmente ocupar um espaço em qualquer trilha sonora de novela. Difícil não lembrar do trabalho produzido pela britânica Jessie Ware, influência confessa de Vale e um evidente alicerce em grande parte das canções que recheiam o disco. Continue reading

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Resenha: “Lua Degradê”, Supervão

Artista: Supervão
Gênero: Indie, Dream Pop, Electronic
Acesse: https://www.facebook.com/supervao/

 

Versos apaixonados que se dissolvem na voz abafada e sintetizadores cósmicos de Mario Arruda. Uma coleção de guitarras essencialmente sujas, por vezes climáticas, trabalho do músico Leonardo Serafini, responsável por ocupar as pequenas lacunas deixadas pela programação eletrônica do parceiro de banda. Em Lua Degradê (2016, Honey Bomb Records / Lezma Records), EP de estreia da dupla gaúcha Supervão, cada uma das cinco composições do registro sobrevivem da colisão de pequenos detalhes.

Inaugurado pelo som enevoado de Vitória Pós-Humana, o trabalho de apenas 20 minutos cresce sem pressa, em pequenas doses. São distorções leves que replicam os instantes iniciais de Is This It, da banda nova-iorquinos The Strokes, a letra ambientada em um cenário claramente particular, batidas e bases abafadas, como se todos os elementos da obra fossem organizados em um ambiente desvendado em essência apenas pela dupla.

Faixa mais “pop” do disco, Lua em Gêmeos, segunda canção do álbum, acaba se revelando como a peça mais curiosa e musicalmente versátil do curto acervo de canções. Enquanto as guitarras de Serafini se espalham lentamente, explorando o mesmo dream pop sóbrio de artistas como Terno Rei, Raça e outros coletivos próximos, batidas e vozes aceleram lentamente, revelando uma inusitada combinação de ritmos. Um funk soturno, claustrofóbico, oposto do material apresentado em sequência com Cadilac Ollodum.

Da forma como as vozes crescem delicadamente ao uso etéreo das guitarras, todos os elementos se organizam de forma a conduzir o mesmo som letárgico e provocante de gigantes como Portishead ou mesmo outros veteranos do Trip-Hop inglês. Versos arrastados, sussurros – “câmera de zoom, câmera de zoom” – e efeitos tecidos como leveza. Velha conhecida do público da banda, a canção apresentada no último ano surge retrabalhada de forma sutil, reforçando o peso das batidas. Continue reading

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