Poucos meses após o lançamento do EP Choice of a Fiction (2015), Gustavo Teixeira está de volta não apenas com um novo registro de inéditas, mas o primeiro grande álbum como Nuven. Além de faixas como a já conhecida Escape, música apresentada ao público em agosto deste ano, o registro que conta com distribuição pelo selo Balaclava Records (Terno Rei, Séculos Apaixonados) ainda reserva ao público outras sete canções inéditas.

Claramente inspirado pelo trabalho de gigantes da IDM – como Four Tet, Caribou e Aphex Twin –, Teixeira ainda conta com a participação de dois colaboradores ao longo do disco. É o caso de Ale Sater, vocalista do Terno Rei na faixa Entre Águas, além de Santiago Mazzoli, um dos integrantes da banda Ombu, em Remoto. No perfil da Balaclava Records no Soundcloud você encontra este e outros lançamentos do selo para audição.

 

Nuven – Partir

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Dois anos após o lançamento de Vigília (2014, Balaclava Records) – 27º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2014 –, os integrantes da banda paulistana Terno Rei anunciam a chegada de um novo álbum de inéditas. Sucessor do single Trem Leva Minhas Pernas, de 2015 o novo álbum mostra que desilusões, memórias da infância, medos e reflexões intimistas continuam a servir de base para o trabalho do grupo formado por Ale Sater (voz e baixo), Bruno Paschoal (guitarra), Greg Vinha (guitarra), Luis Cardoso (bateria) e Victor Souza (percussão).

Composição escolhida para apresentar o trabalho, Sinais delicadamente incorpora parte da sonoridade que caracteriza a presente fase da banda. Entre versos marcados pela solidão – “Conheço bem a madrugada / Ela é minha sina” – e sussurros angustiados – “Outro dia me encontrei sentado / na esquina do tempo“–, guitarras, vozes e batidas lentas não apenas cercam, como parecem confortar o ouvinte. Instantes que traduzem com naturalidade a melancolia e isolamento que sufoca de qualquer indivíduo.

 

Terno Rei – Sinais

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Every fucking piece of art is incomplete”. A frase que inaugura Liquid Sky, uma das metades do duplo Rimming Compilation (2016, Brava / Sinewave), parece dizer muito sobre o som produzido pelo carioca Cadu Tenório. Em mais de uma década de atuação, o produtor que já colaborou com nomes como Juçara Marçal — no caóticoAnganga (2015) — e esteve à frente do coletivo Sobre a Máquina, acabou encontrando no uso de pequenos fragmentos experimentais, ruídos e texturas abstratas a base para uma das discografias mais complexas da presente safra da música brasileira.

Primeiro registro solo de Tenório após uma sequência de obras colaborativas — caso do elogiado Banquete (2014), com Márcio Bulk —, o sucessor do atmosférico Vozes —12º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2014 —, mostra o esforço do artista carioca em se reinventar. Duas metades completamente distintas de uma mesma obra, como se o produtor testasse diferentes fórmulas e possibilidades a cada nova composição.

Uma das principais canções de Rimming Compilation (2016) novo álbum do produtor carioca Cadu Tenório, Nozsa Wars acaba de ser transformada em clipe. Fragmentos visuais que muito se aproximam da estética vaporwave.

Cadu Tenório – Nozsa Wars

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Com exceção da voz de Olavo Rocha, pouco do material produzido pelo Lestics em mais de uma década de carreira parece ter sobrevivido no interior de A Matilha. Movida pelo peso e urgência das guitarras, a canção de versos descritivos, urbanos, revela ao público um som completamente distinto em relação ao material produzido nos últimos seis discos de inéditas da banda – 9 Sonhos (2007), Les Tics (2007), Aos Abutres (2010), História Universal do Esquecimento (2012) e Seis (2014).

Dominada pelo uso de versos que dialogam com o presente cenário político do país, A Matilha foi a composição escolhida para anunciar a chegada do novo registro de inéditas da banda: Torto (2016). Em entrevista ao site da Noisey, Rocha comentou o processo de construção da faixa – “É uma letra mais direta do que eu costumo escrever, menos sutil” –, e ainda entregou uma série de pistas sobre a sonoridade que orienta a presente fase do grupo.

 

Lestics – A Matilha

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A melancolia toma conta de Laura Lavieri em Quando alguém vai embora. Primeiro registro em carreira solo da cantora, compositora e parceira de longa data do músico Marcelo Jeneci, a faixa de versos entristecidos – “Quando alguém vai embora e não diz a razão / A saudade devora tudo do meu coração” –, lentamente parece indicar o caminho assumido pela artista dentro do primeiro álbum de estúdio, ainda sem data de lançamento, porém, previsto para estrear no próximo ano.

Originalmente composta por Ciro Monteiro e Dias da Cruz, em 1942, a composição marcada pelo uso de pequenas confissões e sussurros poéticos, pouco a pouco se transforma a partir do encontro entre Lavieri e o produtor Diogo Strausz. Enquanto a cantora paulistana sufoca pela saudade, detalhando um universo de temas sensíveis, Strausz brinca com os arranjos, transportando a parceria para o mesmo cenário da música romântica que invadiu as rádios brasileiras entre os anos 1960 e 1970.

 

Laura Lavieri – Quando Alguém Vai Embora

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Como escapar de um álbum cuja faixa de abertura já nasce como um convite? Impossível. “Ah! Vem pra cá / Balançar / Se acabar / Sente o som / Tudo é bom”, entrega o cantor e produtor paraense Jaloo na inaugural Vem. Escolhida para apresentar o primeiro registro de inéditas do artista original da cidade de Castanhal, região metropolitana de Belém, a faixa adornada por sintetizadores e vozes crescentes, mais do que um eficiente cartão de visita, indica a direção festiva, lisérgica e sempre colorida que orienta cada uma das 12 composições do debut #1 (2015, MonoStereo).

Björk, tumblr, anime, GIFs e tecnobrega. Nascido da reciclagem de temas e referências que cercam o cotidiano do artista, a obra que conta com direção artística de Carlos Eduardo Miranda (Raimundos, Nevilton) cresce como um assertivo jogo de exageros. Da imagem plastificada que estampa a capa do disco – similar ao trabalho de Jesse Kanda ao lado de artistas como FKA Twigs e Arca -, passando pelo encaixe cíclico dos versos, sempre pegajosos, Jaloo finaliza um disco que resume as últimas três décadas da música pop sem necessariamente perder a própria identidade. Leia o texto completo.

Filmado na região serrana de Campos do Jordão, no interior de São Paulo, Chuva é o mais novo clipe do cantor, compositor e produtor paraense Jaloo. A direção do trabalho é do próprio artista que também interpreta uma sequência de movimentos delicados ao longo das imagens. Assista:

Jaloo – Chuva

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Artista: Cadu Tenório
Gênero: Experimental, Ambient, Eletrônica
Acesse: http://cadutenorio.bandcamp.com/

 

Every fucking piece of art is incomplete”. A frase que inaugura Liquid Sky, uma das metades do duplo Rimming Compilation (2016, Brava / Sinewave), parece dizer muito sobre o som produzido pelo carioca Cadu Tenório. Em mais de uma década de atuação, o produtor que já colaborou com nomes como Juçara Marçal — no caótico Anganga (2015) — e esteve à frente do coletivo Sobre a Máquina, acabou encontrando no uso de pequenos fragmentos experimentais, ruídos e texturas abstratas a base para uma das discografias mais complexas da presente safra da música brasileira.

Primeiro registro solo de Tenório após uma sequência de obras colaborativas — caso do elogiado Banquete (2014), com Márcio Bulk —, o sucessor do atmosférico Vozes —12º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2014 —, mostra o esforço do artista carioca em se reinventar. Duas metades completamente distintas de uma mesma obra, como se o produtor testasse diferentes fórmulas e possibilidades a cada nova composição.

Em Liquid Sky, Tenório apresenta ao público uma verdadeira colcha de retalhos e atos soltos. São fragmentos de vozes, ambientações serenas e todo um conjunto de peças avulsas. Uma seleção de 12 faixas que transportam o ouvinte para um universo de temas marcados pela ausência de sentido. O coro de vozes em Nozsa Wars, ruídos atmosféricos captados por Mallu Laet em Enter The Void, sons de objetos que se espalham ao fundo de 2300 AD.

De forma propositadamente irregular, Tenório brinca com a manipulação dos vocais — em 玄野 計 —, explora diferentes melodias de forma sempre contida — vide Star —, e ainda cria pequenos conexões com o trabalho de gigantes da ambient music — Death In Midsummer. Instantes que vão da calmaria (Enter The Void) ao caos (Nozsa Wars), fazendo do registro uma extensão alucinada e curiosamente colorida de tudo aquilo que o produtor vem desenvolvendo nos últimos dez anos.

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Artista: Labirinto
Gênero: Pós-Rock, Pós-Metal, Experimental
Acesse: https://labirinto.bandcamp.com/

Foto: Bianca Paixão

A atmosfera outonal que parecia envolver as composições de Anatema (2010), álbum de estreia da banda paulistana Labirinto, está longe de ser encontrada no obscuro Gehenna (2016, Dissenso). Infernal, caótico e denso, o novo registro de inéditas da banda formada por Muriel Curi, Erick Cruxen, Luis Naressi, Francisco Bueno e Ricardo Pereira cresce de forma sufocante, sempre intenso. Na ausência de palavras, histórias e temas épicos narrados pelas guitarras e batidas fortes que se projetam do primeiro ao último instante da obra.

Com mais de uma hora de duração, o álbum que conta com produção assinada pelo norte-americano Billy Anderson — artista que já trabalhou com nomes como Swans, Red House Painters e Melvins —, mostra o esforço da banda em provar de novas sonoridades, porém, mantendo firme a própria essência musical. Uma madura adaptação de toda a sequência de EPs, singles e obras colaborativas produzidos pelo coletivo nos últimos seis anos.

Como indicado logo no título do trabalho, Gehenna — região localizada no entorno da antiga cidade de Jerusalém e uma das representações bíblicas do inferno católico e judeu — é o ponto de partida para a ambientação caótica e temas soturnos que se cruzam no interior do álbum. Ruídos crescentes, diálogos com a obra de veteranos do sludge/pós-metal — como Isis e Neurosis —, e uma clara tradução instrumental da imagem produzida por Manuel Augusto Dischinger Moura para a capa do disco.

Inaugurado pelo turbilhão de Mal Sacré, uma das composições mais intensas já criadas pelo grupo, o registro de apenas dez faixas lentamente se quebra em uma variedade de novos caminhos e temas instrumentais. São composições montadas de forma a sufocar o ouvinte pelo uso de ruídos e distorções abafadas (Enoch), instantes que esbarram na mesma sonoridade atmosférica do trabalho lançado em 2010 (Locrus), além de faixas que se entregam ao mais completo experimento (Qumran).

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Batidas tortas, vozes corroídas pelo uso de efeitos, ruídos densos e interferências eletrônicas. Com o lançamento de Canto n.3, há poucas semanas, o músico pernambucano Vitor Araujo conseguiu apresentar ao público um novo universo de referências e temas instrumentais. Diálogos com a obra de artistas como Radiohead e The Knife, além, claro, de indicar a base do aguardado Levaguiã Terê (2016), mais novo registro de inéditas do pianista.

Entretanto, mesmo a explícita busca por novas sonoridades em nada parece ter afetado a produção de faixas marcadas pela completa leveza das melodias. É o caso de Toque n.4. Mais recente single de Araujo, a composição de temas minimalistas cresce sem pressa, vagarosa, encaixando notas delicadas, arranjos de cordas e pequenos respiros silenciosos. Com orquestração escrita por Mateus Alves, a música pode ser ouvida e baixada gratuitamente aqui.

Levaguiã Terê (2016) será lançado em setembro pelo selo Natura Musical.

 

Vitor Araujo – Toque n.4

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Quem rola a timeline do Facebook e bate o olho na imagem que estampa a capa de Maravilhas da Vida Moderna (2015, Independente), primeiro registro de estúdio da banda gaúcha Dingo Bells, talvez se espante com a sonoridade explorada no interior do trabalho. Longe do ambiente “cinza” reforçada na fotografia de Rodrigo Marroni – praticamente a capa de um álbum punk -, cada uma das composições que movimentam o disco apontam a construção do um som nitidamente pop, talvez sombrio em se tratando dos versos, mas não menos colorido.

Como o próprio título indica, Maravilhas da Vida Moderna utiliza de versos fáceis para reforçar tormentos típicos de um (jovem) adulto. Músicas ancoradas em conceitos existenciais (Dinossauros), maturidade (Mistério dos 30), a necessidade de conviver em sociedade (Eu Vim Passear) e até personagens (Funcionário do Mês) que cercam o universo irônico/realista do grupo – hoje composto por Rodrigo Fischmann (voz, bateria e percussão), Diogo Brochmann (Voz, guitarra e teclados) e Felipe Kautz (voz, baixo). Leia o texto completo.

Uma das melhores composições de Maravilhas da Vida Moderna – 29º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2015 –, Dinossauros foi a escolhida para se transformar no mais novo clipe do grupo gaúcho Dingo Bells. A direção e animação do vídeo leva a assinatura de Daniel Eizirik.

Dingo Bells – Dinossauros

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