Tag Archives: British

Disco: “Luminous”, The Horrors

The Horrors
Alternative/Psychedelic/Indie
http://www.thehorrors.co.uk/

Por: Cleber Facchi

The Horrors

Meia década vivendo nas sombras, e os membros do The Horrors transformaram Strange House (2007) e Primary Colours (2009) em dois dos exemplares mais interessantes da nova fase do Pós-Punk inglês. Na contramão de grande parte dos artistas próximos, Faris Badwan e os parceiros de banda deixaram de mergulhar na redundância para seguir uma fórmula própria – ora revelando personagens (Sheena Is a Parasite), ora contando histórias (Sea Within a Sea). Contudo, ao apresentar Skying (2011), os rumos do grupo se alteraram, obrigando a banda a deixar a década de 1980, para transformar o disco em uma ponte conceitual para um novo universo: o começo dos anos 1990.

A neo-psicodelia, o fascínio pela cena da Haçienda e a comunicação com veteranos como Primal Scream e Happy Mondays estão por todas as partes do trabalho, que ainda mantém um laço forte com a essência do grupo. Mas e o que dizer de Luminous (2014, XL), quarto e mais recente projeto dos britânicos? Na trilha do registro anterior, o novo álbum pode até sustentar uma série de conceitos transformados ou bem adaptados em relação ao disco passado, todavia, a incapacidade da banda em seguir adiante reforça o óbvio: a ponte construída pelo The Horrors está prestes a desmoronar.

Calma, não joguem suas pedras. Ainda. Longe de parecer um tropeço em totalidade, o quarto álbum da banda inglesa mantém firme os conceitos e pequenos acertos do grupo. A inaugural e naturalmente climática Chasing Shadows, por exemplo, reforça todo o domínio do grupo em desenvolver faixas extensas sem perder o equilíbrio. São quase sete minutos de referências que colidem de forma harmônica no decorrer da música, brincando com as sensações do espectador em um exercício não observado desde Mirror’s Image, do álbum de 2009. A mesma assertividade se repete ainda nas melodias de So Now You Know ou nos experimentos de I See You, músicas que alimentam e hipnotizam a mente do espectador na mesma proporção. O grande problema de Luminous é que tudo isso já foi visto anteriormente, em Skying.

Enquanto Strange House serviu para reforçar (e apresentar) a ferocidade do grupo, cruzando Pós-Punk e Garage Rock em uma medida tão caricata quanto autoral, Primary Colours deu um passo além. Era como se todos os erros assumidos pela avalanche de artistas do Revival Pós-Punk fossem resolvidos pela banda, que soube como nutrir versos fortes, sintetizadores detalhistas e uma carga extra de distorções. Uma verdadeira transformação em relação aos ensaios do primeiro disco. Entre Skying e Luminous a distância evolutiva é mínima, tornando o novo disco uma espécie de versão “pop” do álbum passado.  Continue reading

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Damon Albarn: “Heavy Seas Of Love”

Damon Albarn

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Se existe um registro que conseguiu deixar o público nervoso/eufórico mesmo meses antes do lançamento, este é Everyday Robot (2014). Estreia definitiva de Damon Albarn em carreira solo, o trabalho apresentado em pequenas doses ao longo dos meses parece ser um objeto de distanciamento em relação aos inventos iniciais do músico. Nada do clima funkeado do Gorillaz, esqueça as guitarras explosivas e o pop despretensioso que moveu o Blur na década de 1990, Albarn, ao que tudo indica, está realmente interessado em construir um ambiente próprio.

Acompanhado de perto por Brian Eno, co-produtor do disco, e contando com a presença de outros nomes da música inglesa, caso de Natasha Khan (Bat For Lashes), Damon vem promovendo um trabalho a ser desvendado lentamente, algo que Heavy Seas Of Love trata como um propósito. Mais novo clipe/canção de trabalho do cantor, a faixa encontra na direção do próprio Albarn e na edição pontual de Matt Cronin um conjunto de imagens assertivas em se tratando das melodias tristes que definem a criação. Everyday Robots estreia oficialmente no dia 29 de abril, mas já circula gratuitamente pela rede.

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Damon Albarn – Heavy Seas Of Love

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Fear Of Men: “Luna”

Loom

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A evolução se faz evidente dentro da recente proposta do grupo Fear Of Men. Depois de ser apresentado com um interessante registro no último ano – Early Fragments -, a banda londrina reserva para o segundo trabalho em estúdio uma série de possibilidades. Seguindo de onde a dobradinha Alta e Waterfall estacionaram há poucas semanas, Luna é a prova da evolução do grupo, sem necessariamente romper com as boas melodias do debut.

Ainda sustentada pela essência dos anos 1980, a canção arrasta o espectador para um espaço em que Dream Pop e Pós-Punk partilham das mesmas experiências. São guitarras sombrias em aproximação com os vocais atrativos da vocalista, fragmentos instrumentais que se movimento de forma inteligente até os últimos segundos da faixa, terceira composição a escapar de Loom, disco que estreia oficialmente no dia 21 de abril.

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Fear Of Men – Luna

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Disco: “Present Tense”, Wild Beasts

Wild Beasts
Indie/Alternative/Experimental
http://wild-beasts.co.uk/

Por: Cleber Facchi

A comodidade parece constantemente provocada dentro dos trabalhos da banda Wild Beasts. Incapaz de seguir a trilha programada do rock inglês, o quarteto de Kendal, Inglaterra vem desde a segunda metade dos anos 2000 em uma colagem instável de referências, sons e versos. Um mecanismo que se apresenta em meio a contornos formais, mas instável dentro de qualquer zona de conforto aparente. Depois de solucionar pontualmente as próprias experiências dentro da obra-prima Smother, de 2011, com a chegada do quarto trabalho de estúdio a banda parece se perguntar: qual direção seguir agora?

Invariavelmente orquestrado como uma continuação do álbum lançado há três anos, Present Tense (2014, Domino) é a construção de um novo universo dentro dos próprios limites do grupo. Valendo de um mesmo conjunto de preferências conceituais – como a música minimalista dos anos 1970, o existencialismo de Clarice Lispector e fragmentos da eletrônica atual -, a banda britânica fixa no reposicionamento das ideias um palco para as possibilidades. Uma estratégia inteligente em caminhar pelas sombras do disco passado, para revelar nuances antes inéditas dentro da obra do grupo.

Tão homogêneo quanto o disco que o antecede, o novo álbum usa da forte aproximação entre as músicas como um estimulo para a movimentação da obra. Tendo em Wanderlust, faixa de abertura, uma continuação de Smother e o caminho para o atual projeto, todas as bases e referências da banda são aos poucos alinhadas. A começar pelos sintetizadores, mais uma vez próximos da influencia declarada, a dupla Fuck Buttons, cada composição do disco se acomoda em meio a transições etéreas e ainda assim precisas. Um diálogo atípico que atravessa a essência de Steve Reich (já explorada no disco anterior) para mergulhar em aspectos específicos do novo Dream Pop. Depois de influenciar todo um time de artistas conterrâneos – entre eles Everything Everything e Alt-J -, a banda parece pronta para formar todo um novo conjunto de seguidores.

A julgar pelo catálogo crescente de singles – Wanderlust, Mecca, Sweet Spot e A Dog’s Life -, Present Tense talvez seja a obra mais descomplicada lançada pela banda. Cruzando a sensibilidade exposta em Two Dancers (2009), com a precisão instrumental do disco anterior, cada música cresce com liberdade em um cenário em que a dor é um mecanismo de atração. É difícil não se deixar conduzir pelo romantismo melancólico de Palace (“Você lembra a pessoa que eu queria ser”) ou o desespero em Mecca (“Nós nos movemos no medo, nós nos movemos no desejo/ Agora eu sei como você se sente”), faixas que ampliam a sensibilidade das primeiras canções lançadas pela banda. Continue reading

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Disco: “Love To Give”, Halls

Halls
Alternative/Indie/Singer-Songwriter
http://hallsmusic.net/

Por: Cleber Facchi

Halls

Quais são os limites da dor? Esta parece ser uma pergunta que o britânico Sam Howard busca responder no interior de Love To Give (2014, No Pain In Pop). Segundo trabalho em estúdio do cantor e compositor londrino, o álbum se apresenta como uma sequência e ao mesmo tempo uma completa reformulação do ambiente proposto há pouquíssimos meses com Ark (2013), obra que apresentou o jovem artista, e um universo completamente distante do que se revela em totalidade agora.

Denso, o disco é uma fina representação da amargura do compositor, que em virtude da própria melancolia e evidente abandono encontra a matéria-prima para a formatação do álbum. Pontuado por uma arquitetura sombria, o disco caminha em um enquadramento de forte aproximação entre as músicas. Tratadas em um ato único, cada faixa se relaciona de forma “amigável” com a composição seguinte, exercício que potencializa o teor de desespero anunciado na autointitulada faixa de abertura e seguido de forma honesta até o fim do disco.

Limitado e ainda assim amplo em relação ao tratamento musical exposto em Ark, Love To Give se esquiva de possíveis rupturas de forma a arrastar o espectador para um universo fechado de experiências. A base sombria de pianos, rasos fragmentos eletrônicos e voz predominante parece fluir de maneira satisfatória dentro do projeto do disco, que encara cada composição como um objeto de puro recolhimento. Mesmo quando se delicia com possíveis exaltações – caso de Waves e Aria -, Howard jamais rompe com o sombreado homogêneo do disco.

Por conta do recolhimento dado ao disco, diversas passagens de Love To Give esbarram na estética apresentada por Mike Hadreas para o Perfume Genius. Todavia, enquanto o cantor e compositor norte-americano assume na próxima homossexualidade um traço de dramaticidade e crescimento, marca evidente em Put Your Back N 2 It, de 2012, o cantor londrino se afunda cada vez mais no próprio sofrimento. São canções serenas, econômicas, e que em nenhum momento ultrapassam uma lógica previsível que parece instalada logo nos instante iniciais do disco. Continue reading

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Disco: “Sun Structures “, Temples

Temples
Psychedelic/Indie/Alternative
http://templestheband.com/

Por: Cleber Facchi

Temples

Mais de quatro décadas se passaram desde que as cores do verão de 1967 alteraram o curso do rock psicodélico. Entretanto, o caminho mágico percorrido e essência proposta há 40 anos está longe de ter fim, algo que o quarteto britânico Temples reforça em um evidente estágio de nostalgia com a chegada de Sun Structures (2014, Sun Structures). Primeiro registro em estúdio da banda de Kettering, Inglaterra, o álbum segue as pistas coloridas deixadas por veteranos como The Beatles e Love, matéria-prima para a formação de um conjunto de músicas melódicas e instrumentalmente amigáveis.

Longe de assumir a mesma posição revolucionária imposta pelos gigantes do Tame Impala em Lonerism (2012), o debut de 12 faixas se arma como uma fuga rápida e descompromissada. São canções de versos simples, tramas propositalmente redundantes, mas que agradam ao espectador sem qualquer dificuldade. Não se trata de uma obra que busca pela complexidade das formas, pelo contrário, utiliza de todos os atributos em seu interior para ocupar com leveza os ouvidos do público.

Mais do que uma (re)interpretação do cenário musical proposto há quatro décadas, Sun Structure é um disco que brinca com diversos exageros e marcas específicas do rock montado para a década de 1990. Novos queridinhos do ex-Oasis Noel Gallagher, a banda passeia pelo Britpop em uma composição empoeirada, como se camadas sobrepostas de nostalgia servissem de estímulo para a projeção das canções. A relação com o ambiente musical lançado há duas décadas é evidente na segunda metade do disco, quando músicas como Colours To Life controlam a psicodelia e se apegam ao pop.

Todavia, o grande acerto da obra está mesmo em mergulhar de vez nos anos 1960. As vozes ecoadas, arranjos distorcidos de forma lisérgica e versos que se perdem lentamente são os grandes atrativos do grupo. Ainda que a inaugural Shelter Song sirva para prender o ouvinte, é a partir de The Golden Throne e Shelter Song que a banda realmente mostra a que veio. Lidando com variações de um mesmo tema, o grupo soa como um Foxygen menos bucólico, ou mesmo um Quilt mais acelerado, estratégia que deve atingir em cheio o grande público. Continue reading

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Disco: “Little Red”, Katy B

Katy B
Electronic/Pop/Female Vocalists
http://www.katybofficial.com/

Por: Cleber Facchi

Katy B

A britânica Katy B partiu em uma verdadeira missão quando apresentou o primeiro trabalho de estúdio em 2011: dar novo acabamento aos conceitos redundantes da música pop. Orientada pela arquitetura dinâmica do Dubstep, UK Garage e demais variações da eletrônica inglesa, a artista fez do acessível On A Mission um dos cartões de visita mais interessantes da nova safra de cantoras estrangeiras. Sem medo de tropeçar, e avançando ainda mais na dança convidativa que vem promovendo desde o single Louder (2010), B usa do segundo álbum de estúdio como uma interpretação inteligente de todos os clichês que sufocam o pop atual.

Sob o título de Little Red (2014, Columbia), o novo disco é um mergulho atento na cada vez mais revisitada eletrônica dos anos 1990, exercício que em nenhum momento afasta a cantora do cenário e dos ritmos contemporâneos. Ora resgatando o R&B eletrônico de veteranas como Aaliyah – homenageada na parceria com a conterrânea Jessie Ware -, ora seguindo em uma musicalmente trilha particular, B consegue finalizar uma obra tão acessível quanto provocativa. A mesma interpretação de Beyoncé, Charli XCX e Sky Ferreira de que o pop não precisa ser raso para funcionar.

Acompanhada de perto pelo produtor e parceiro de longa data DJ Geeneus – criador da cultuada rádio londrina Rinse FM -, B vai além de um mero catálogo de faixas esculpidas de forma nostálgica. Capaz de brincar com as palavras em explícito detalhamento melódico, a cantora faz de todo o eixo inicial do trabalho um verdadeiro cardápio de hits. Da eletrônica frenética de Next Thing, passando pelo pop desconstruído de 5 AM, até alcançar a melancolia épica de Crying for No Reason, cada música entregue pela cantora recheia os ouvidos do espectador em uma estrutura acessível, nunca óbvia.

A aproximação constantes entre as bases, beats e sintetizadores ocasionais é parte natural do acerto que rege o disco. Assim como o exercício testado em On A Mission, Katy B entende cada criação do novo álbum como parte fundamental de um bloco único de experiências. Assim, Next Thing, na abertura do disco, como Still, no encerramento do álbum, partilham de uma mesma linha condutora. A proposta, longe de enclausurar a cantora em um ambiente hermético e imutável se desdobra em possibilidades. São variações letárgicas de um mesmo tema (Emotions), flertes com o R&B (Tumbling Down) ou apenas faixas remontadas para as pistas (I Like You), um conjunto de essências que ecoam aproximação e escapam da redundância. Continue reading

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The Wytches: “Gravedweller”

The Wytches

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Se estivéssemos em 2004, o trio britânico The Wytches provavelmente seria um desses nomes que você ouviria muita gente comentando. Com uma sonoridade que lembra de forma inevitável o trabalho solo de Jack White, ao mesmo tempo que diversas bandas falecidas na década passada voltam à tona, o grupo inglês não vai além da velha fórmula crua e despretensiosa que fez nascer grupos como Arctic Monkeys e principalmente a já extinta The Libertines.

Com Gravedweller, mais recente single do grupo, todas essas referências hoje nostálgicas voltam a se manifestar de forma assertiva. Além da tradicional imposição suja dos arranjos, típica do Garage Rock, ecos de Surf Music e flertes com o Pós-Punk recheiam os quase três minutos da faixa, que ainda lembra The Horrors e uma infinidade de outros grupos sustentados pelos ruídos. Direta e simplesmente viciante.

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The Wytches – Gravedweller

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Disco: “So Long, See You Tomorrow”, Bombay Bicycle Club

Bombay Bicycle Club
British/Indie/Alternative/
http://bombaybicycleclubmusic.com/

Por: Cleber Facchi

BBC

Se a maturidade um dia chega para qualquer banda, em se tratando da britânica Bombay Bicycle Club ela foi construída ao longo dos anos. Apresentada como apenas mais um grupo no cardápio crescente do rock inglês, os londrinos fizeram do debut I Had the Blues But I Shook Them Loose, de 2009, apenas um rascunho em relação ao que estava por vir. Na trilha de Foals, The Maccabees e outros grupos locais que não se acomodaram em uma fórmula estática e confortável, o quarteto chega ao quarto trabalho de estúdio, So Long, See You Tomorrow (2014, Island), não apenas reforçando a boa forma, como a capacidade em romper com os próprios limites originais.

De maneira expressiva em relação aos anteriores projetos da banda – somam Flaws (2010) e A Different Kind of Fix (2011) -, a versatilidade talvez seja o traço mais marcante da presente fase do grupo. Sem um ponto de apoio específico, e longe da morosidade “folk” das primeiras canções, cada música detalhada pelo projeto assume uma direção isolada, mobilidade que se encaixa na capa colorida do disco, flerta com novas tendências e muda completamente a arquitetura instrumental dos britânicos. Eletrônica, música barroca ou pop, nada parece ser encarado como um princípio limitador para o BBC.

A colagem atenta de referências faz nascer músicas bem resolvidas e ainda melódicas no decorrer da obra, caso de Home By Now e Feel. Enquanto a primeira utiliza de experimentos controlados de forma a provocar o espectador, a segunda absorve os ritmos da World Music em um sentido de reproduzir um típico composto acessível para as massas. Sintetizadores, colagens eletrônicas e até samples posicionados em um Loop matemático, algo muito próximo das primeiras composições do Foals, porém, orquestradas dentro do que parece ser uma atmosfera conceitual própria do quarteto inglês.

Por falar nesse ambiente específico que envolve as canções do grupo, curioso perceber que mesmo íntimos de todo um conjunto de novas experiências, a relação com os primeiros discos ainda é constante. O melhor exemplo disso talvez esteja na formações de músicas plásticas e liricamente comerciais, fluxo que acompanha toda a produção de hits como It’s Alright Now e Luna. Pontuadas pelo uso de um refrão ascendente e guitarras tratadas em melodias quase encaixáveis, a dobradinha parece ser o princípio de atração para os ouvintes menos “corajosos” da banda. Uma evidente proposta de inovar sem necessariamente se livrar de antigos acertos. Continue reading

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Wild Beasts: “Wanderlust”

WILD BEASTS

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Poucos grupos britânicos atuais parecem assumir a mesma estética provocativa que caracteriza o Wild Beasts. Depois de resgatar a música minimalista da década de 1970 e todo um catálogo de referências clássicas no ótimo Smother, de 2011, é hora de mudar a direção e encontrar um novo terreno para a chegada de Present Tense (2014). Quarto registro em estúdio do grupo de Kendal, o álbum encontra no uso soturno das harmonias uma continuação e ainda assim um distanciamento do projeto que o antecede, exercício que Wanderlust, primeiro single do inédito trabalho assina com um particular detalhamento. Marcada pelo uso de referências que esbarram no Pós-Rock (quem pensou Talk Talk acertou), a nova música condensa a amargura das canções anteriores da banda, porém, em um estágio de distanciamento, de forma quase hermética. Além das melodias, o vídeo produzido pelo coletivo de Barcelona, NYSU, reforça ainda mais a identidade complexa que define a curta trajetória da banda.

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Wild Beasts – Wanderlust

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