Em dezembro do último ano, os membros do Ride anunciaram a chegada de um novo álbum de estúdio. Sucessor do derradeiro Tarantula, de 1996, o registro que conta com produção de Erol Alkan (Franz Ferdinand, Bloc Party) deve jogar com a mesma sonoridade explorada pela banda no começo dos anos 1990. Um meio termo entre Motörhead e William Basinski, como apontaram os próprios integrantes do grupo britânico.

Primeiro fragmento desse novo álbum, Charm Assault prova que o Ride continua tão intenso e jovial quanto em obras como Going Blank Again (1992) e Carnival of Light (1994). Trabalhada em cima de um som “limpo” quando voltamos os ouvidos para o clássico Nowhere (1990), a nova faixa segue de forma eufórica até o último segundo, detalhando uma sequência de guitarras, batidas e vozes que arrastam

 

Ride – Charm Assault

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. Já imaginou como seriam as canções de Brian Wilson em Pet Sounds (1967) com uma dose extra de guitarras? A resposta talvez esteja na delicada I’m In Love. Mais recente single do grupo escocês Teenage Fanclub, a composição que conta com pouco mais de dois minutos mostra a capacidade do time de veteranos em produzir boas melodias, arrastando o ouvinte para dentro de um cenário marcado pelo romantismo e arranjos sempre precisos. Longo de parecer um ato isolado do grupo, a canção foi a escolhida para…Continue Reading “Teenage Fanclub: “I’m in Love””

. Poucas semanas após o lançamento da pegajosa All For One, primeira composição do grupo britânico The Stone Roses em 22 anos, Ian Brown e os parceiros John Squire, Mani e Ren estão de volta com mais uma inédita composição. Intitulada Beautiful Thing, a nova faixa aposta na clássica repetição de versos da banda banda inglesa, uma espécie de mantra que dialoga diretamente com a extensa base psicodélica que corre ao fundo da faixa. Entre batidas precisas e a voz limpa de Brown, um mundo de guitarras lisérgicas, solos…Continue Reading “The Stone Roses: “Beautiful Thing””

. Já imaginou ter de esperar duas décadas para ouvir uma canção inédita de uma das suas bandas favoritas? Os fãs do grupo britânico The Stone Roses sim. Com dois trabalhos de peso nas mãos – The Stone Roses (1989) e Second Coming (1994) –, o quarteto de Manchester – hoje formado por Ian Brown, John Squire, Mani e Reni – não apenas volta aos palcos, como confirma a chegada de um novo álbum de estúdio com a inédita All For One, a primeira cação inédita da…Continue Reading “The Stone Roses: “All For One””

. As pistas deixadas pelo Blur em Go Out parecem servir de base para todo o restante do novo trabalho da banda britânica. Assim como no primeiro single de The Magic Whip (2015) – oitavo álbum de estúdio do grupo e primeiro lançamento de inéditas desde o “derradeiro” Think Tank(2003) -, com a inédita Lonesome Street o quarteto londrino encontra no uso das guitarras sujas e pequenos encaixes melódicos a inspiração, reforço e natural movimento para os versos. Faixa de abertura do novo disco, a recém-lançada composição passeia…Continue Reading “Blur: “Lonesome Street” (VÍDEO)”

. As pistas deixadas pelo Blur em Go Out parecem servir de base para todo o restante do novo trabalho da banda britânica. Assim como no primeiro single de The Magic Whip (2015) – oitavo álbum de estúdio do grupo e primeiro lançamento de inéditas desde o “derradeiro” Think Tank (2003) -, com a inédita Lonesome Street o quarteto londrino encontra no uso das guitarras sujas e pequenos encaixes melódicos a inspiração, reforço e natural movimento para os versos. Faixa de abertura do novo disco, a recém-lançada composição…Continue Reading “Blur: “Lonesome Street””

. Enquanto os irmãos Liam e Noel Gallagher não fazem as pazes temporariamente e voltam com uma nova turnê do Oasis – segundo boatos, algo que pode acontecer no próximo ano -, o jeito é lidar com os projetos individuais de cada ex-integrante da banda britânica. Responsável pelo trabalho menos cômodo e musicalmente bem sucedido dessa divisão, o filho mais velho da família Gallagher está de volta com mais um novo lançamento à frente do Noel Gallagher’s High Flying Birds: In The Heat Of The…Continue Reading “Noel Gallagher’s High Flying Birds: “In The Heat Of The Moment””

. Enquanto os irmãos Liam e Noel Gallagher não fazem as pazes temporariamente e voltam com uma nova turnê do Oasis – segundo boatos, algo que pode acontecer no próximo ano -, o jeito é lidar com os projetos individuais de cada ex-integrante da banda britânica. Responsável pelo trabalho menos cômodo e musicalmente bem sucedido dessa divisão, o filho mais velho da família Gallagher está de volta com mais um novo lançamento à frente do Noel Gallagher’s High Flying Birds: In The Heat Of The…Continue Reading “Noel Gallagher’s High Flying Birds: “In The Heat Of The Moment””

Coldplay

A seção Cozinhando Discografias consiste basicamente em falar de todos os álbuns de um artista, ignorando a ordem cronológica dos lançamentos. E qual o critério usado então? A resposta é simples, mas o método não: a qualidade. Dentro desse parâmetro temos uma série de fatores determinantes envolvidos, que vão da recepção crítica do disco no mercado fonográfico, além, claro, dentro da própria trajetória do grupo e seus anteriores projetos. Além da equipe do Miojo Indie, outros blogs parceiros foram convidados para suas específicas opiniões sobre cada um dos trabalhos, tornando o resultado muito mais democrático.

Com uma discografia sustentada pela dor, além de versos que se relacionam com o sofrimento de qualquer ouvinte, não é difícil entender como o Coldplay se transformou em um projeto musical bem sucedido. Formado na segunda metade dos anos 1990 e hoje completo com Chris Martin, Jonny Buckland, Guy Berryman e Will Champion, a banda londrina é uma coesa representação dos efeitos que abasteceram o Britpop nos anos 2000. Com seis trabalhos em estúdio e algumas das faixas mais tristes (The Scientist), românticas (Yellow) e pegajosas já feitas (In My Place), o Coldplay é a escolhida da vez em mais um especial.

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Coldplay
British/Pop/Electronic
http://www.coldplay.com/

Por: Cleber Facchi

Coldplay

Não existe melhor forma de movimentar a carreira de um artista – ainda mais se ele for veterano – do que um bom e amargurado término de relacionamento. De Fleetwood Mac em Rumors (1977) a Kanye West com 808s and Heartbreak (2008); da melancolia de Bob Dylan em Blood on the Tracks (1975) ao desespero de Fiona Apple com The Idler Wheel… (2012), cada registro sustentado pela separação parece capaz de perverter o óbvio, utilizando dos versos e arranjos clichês como um princípio de honestidade. Exercício (criativo) há décadas funcional para qualquer artista, mas consumido pelo erro dentro da proposta “econômica” de Chris Martin e o meloso Ghost Stories (2014, Parlophone).

Ainda que assinado coletivamente pelo quarteto britânico, o sexto álbum “do Coldplay” nada mais é do que uma tradução da recente fase de Martin – vocalista e principal compositor da banda. Efeito da separação recente de Gwyneth Paltrow, além da crise que acompanha o (ex) casal há mais de dois anos (talvez mais), Ghost Stories é uma coleção de temas arrastados, versos que abraçam de forma plástica a tristeza, mas, que ao final da obra, apenas emulam aquilo que o grupo há tempos provou ser capaz de produzir: honestas canções de separação.

Não é preciso nem escapar da discografia do grupo ou buscar pelo trabalho do outros artistas para provar o presente tropeço do Coldplay – seria até pior. Volte os ouvidos para o começo dos anos 2000, quando Parachutes (2000) e A Rush of Blood to the Head (2002), mesmo tímidos e (excessivamente) melancólicos deram conta de reforçar o brilho de Chris Martin na hora de converter os próprios sentimentos em melodias. Shiver, The Scientist, Trouble e até os hinos In My Place e Yellow dão conta de reforçar o habilidoso domínio do compositor e a trinca de instrumentistas, algo que o novo disco sustenta como uma massa de sons frios e pré-fabricados em determinados momentos.

Longe do cenário criativo de Viva la Vida or Death and All His Friends (2008) e distante do apelo pop de Mylo Xyloto (2011), Ghost Stories é um regresso ao cenário “paumolecente” de X&Y (2005), até então, o registro mais fraco do grupo. Mesmo longe de Brian Eno – parceiro atento no álbum de 2008 -, tudo o que Chris Martin e os demais integrantes da banda buscam é forçar as experiências lançadas há décadas pelo veterano. Bastam os arranjos climáticos de Midnight ou a atmosfera acolhedora de Always In My Head para perceber o caráter copioso do novo disco. Apenas uma tentativa (falha) em se apoderar de conceitos lançados com Before and After Science (1977) e outras obras clássicas de Eno na década de 1970.

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