Artista: Jay Som
Gênero: Indie, Alternativa, Dream Pop
Acesse: https://jaysom.bandcamp.com/

 

Se você observar a ficha técnica ou encarte de qualquer trabalho recente produzido por Melina Duterte vai encontrar uma assinatura padrão: “Gravado, mixado e masterizado no quarto de Melina”. Inspirada pelo trabalho de veteranos da cena independente dos Estados Unidos, como Yo La Tengo e Pixies, a cantora e compositora original de Oakland, Califórnia, decidiu não perder tempo, assumindo ela mesma o total controle e produção de cada trabalho lançado sob o título de Jay Som nos últimos anos.

Em Everybody Works (2017, Polyvinil / Doble Denim), segundo trabalho de Duterte com distribuição em um selo de médio porte, a mesma atmosfera “caseira” na composição dos arranjos e vozes. Um som deliciosamente artesanal, particular, porém, polido pela forma como a cantora e produtora detalha cada elemento no interior do disco. Guitarras, sintetizadores, batidas e vozes que escapam do som Lo-Fi de clássicos recentes do bedroom-pop para um terreno marcado pela limpidez e refinamento.

Uma explosão das guitarras e vozes em 1 Billion Dogs, música que lembra o Dinosaur Jr. no final dos anos 1980. A melancolia doce em The Bus Song, um passeio breve pelo rock psicodélico. O som melódico, quase pop, de Baybee, possivelmente a canção mais acessível de todo o trabalho. Ruídos de um celular e pequenas interferências em Take It. Batidas tropicais em One More Time, Please. De forma curiosa, sempre atenta, Duterte faz de cada composição um objeto precioso, grudento, como uma típica canção radiofônica.

Parte desse cuidado na formação de Everybody Works vem do confesso interesse da musicista pelo último trabalho da cantora canadense Carly Rae Jepsen. “Eu estava ouvindo muito Carly Rae Jepsen para ser honesta. E • MO • TION (2015) realmente inspirou muitas composições em Everybody Works”, respondeu no texto de lançamento do trabalho. Da abertura ao fechamento do disco, a busca declarada por um som cada vez mais acessível, conceito anteriormente explorado pela artista durante o lançamento do antecessor Turn Into (2016).

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Artista: Vários Artistas
Gênero: Pop, Eletrônica, Alternativo
Acesse: http://pcmusic.info/

 

Ouvir as canções do coletivo PC Music é como ser instantaneamente transportado para o passado. Vozes plastificadas, por vezes robóticas, melodias que vão do pop dos anos 1990 ao som produzido por gigantes da Eurodisco. Batidas pulsantes, sempre crescentes, prontas para as pistas. Uma coleção de pequenos exageros, clichês, cores e rimas fáceis que invadem a cabeça do ouvinte, grudando com naturalidade logo em uma primeira audição.

Em PC Music, Vol. 2 (2016), segundo registro da coletânea organizada pelo selo britânico, um novo resgate do material produzido por diferentes membros do coletivo nos últimos meses. Sucessor do bem-recebido catálogo entregue em 2015, obra que contou com músicas assinadas por Hannah Diamond, QT e GFOTY, o novo álbum cresce em meio a canções que brindam o ouvinte com uma interpretação esquizofrênica do pop tradicional.

Personagem central do trabalho, a cantora e produtora Hannah Diamond é quem “dita as regras” seguidas pelos demais parceiros de selo. Responsável por duas das melhores canções do disco, Fade Away e Hi, a artista britânica acaba assumindo uma posição de destaque em outras composições ao longo da obra. É o caso de Broken Flowers, música de Danny L Harle que utiliza da voz doce da Diamond, dançando em meio a batidas e sintetizadores enevoados, quase oníricos.

Outro claro destaque do trabalho está na presença de um time de artistas externos ao selo. Ainda que a canadense Carly Rae Jepsen seja o principal nome do álbum, assumindo os versos da já conhecida Supernatural, música produzida por Danny L Harle, sobrevive em Monopoly, parceria entre EasyFUN e a sueca Noonie Bao, uma das principais canções do disco. Sintetizadores frenéticos, vozes carregadas de efeitos e batidas que traduzem com naturalidade a essência da PC Music.

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Artista: Blood Orange
Gênero: R&B, Soul, Alternative
Acesse: http://bloodorange.nyc/

 

Inspirado pela série de acontecimentos que levaram à morte trágica da norte-americana Sandra Bland dentro de uma prisão, em outubro de 2015, Dev Hynes deu vida a uma de suas composições mais tocantes: Sandra’s Smile. “Fechamos os olhos por um tempo / mas eu ainda vejo o sorriso de Sandra”, canta o músico britânico enquanto detalha uma sequência de versos que dialogam com a temática do racismo, os abusos cometidos pela polícia estadunidense e a opressão sofrida pela população negra nos Estados Unidos. Um suspiro melancólico, talvez isolado na época em que foi lançado, mas que acaba servindo de base para o terceiro álbum de estúdio do Blood Orange, Freetown Sound (2016, Domino).

Sucessor do elogiado Cupid Deluxe (2013), trabalho em que Hynes explora o cotidiano de diferentes marginalizados da cidade de Nova York – como desabrigados e membros da comunidade LGBT –, com o presente álbum, o cantor, compositor e produtor inglês amplia ainda mais o campo de alcance da própria obra. São músicas que analisam diferentes aspectos da comunidade negra, dialogam com referências da cultura africana, resgatam conceitos do R&B dos anos 1980/1990, além de estreitar a relação com o universo feminino, efeito da ativa interferência de um time de mulheres durante a construção do álbum.

Longe de parecer o protagonista do disco, Hynes atua apenas como um condutor para que um grupo de vozes e compositoras femininas se encontrem no interior do trabalho. Responsável por uma série de canções produzidas para nomes como Solange (Losing You), Sky Ferreira (Everything Is Embarrassing) e, mais recentemente, Carly Rae Jepsen (All That), Hynes faz do presente disco um ponto de encontro para diferentes vozes, ampliando o conceito anteriormente testado em em Cupid Deluxe, trabalho em que firmou uma série de parcerias com Caroline Polachek (Chairlift) e Samantha Urbani (ex-Friends).

Do pop pegajoso de Best of You, bem-sucedida parceria com Empress Of, passando pela melancólica Hadron Collider, já conhecida colaboração com a cantora Nelly Furtado, Hynes cria pequenas brechas para que representantes de diferentes campos da música brilhem com destaque no interior da obra. Nomes como Debbie Harry (E.V.P.), Kelsey Lu (Chance) e Carly Rae Jepsen (Better Than Me). Entretanto, o destaque acaba ficando por conta da ativa interferência da novata Ava Raiin. Cantora e compositora nova-iorquina, a jovem artista se revela como uma espécie de protagonista da obra, assumindo os versos de faixas como By Ourselves, Augustine, Juicy 1-4 e Thank You.

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Body Talk (2010) da sueca Robyn ou 1989 (2014) da norte-americana Taylor Swift? E•MO•TION (2015) de Carly Rae Jepsen ou Teenage Dream (2010) de Katy Perry? Qual é o melhor exemplar da música pop lançado na presente década? Nas últimas semanas perguntei a diversos amigos, blogueiros, jornalistas e até mesmo para os leitores pelo Twitter quais são os trabalhos mais importantes da música pop entregues ao público nos últimos seis anos. Obras lançadas entre 2010 e 2015 e que foram compiladas em uma lista de 10 discos essenciais – abaixo. Menções honrosasBorn This Way (2011) de Lady Gaga, 4 (2011) de Beyoncé, Days Are Gone (2013) do Haim, True Romance (2013) de Charli XCX e #1 (2015) do paraense Jaloo.

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Um ano repleto de grandes lançamentos musicais sempre vem acompanhado de clipes impactantes. Em 2015 não poderia ser diferente. Do Hip-Hop de Kendrick Lamar (Alright) e Vince Staples (Señorita), passando pelo pop de Anitta (Bang) e Rihanna (Bitch Better Have My Money) até o rock de bandas como Blur (Lonesome Street) e os experimentos eletrônicos de Oneohtrix Point Never (Sticky Drama), sobram grandes produções que exploraram de forma assertiva a relação entre som e imagem.

São vídeos dirigidos por veteranos como Katia Lund e Johan Renck, e até mesmo trabalhos assinados por artistas novatos como FKA Twigs e Grimes. Abaixo, nossa seleção com os 32 melhores clipes lançados nos últimos meses.

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