Poucos trabalhos lançados em 2015 continuam tão divertidos (e dançantes) quanto Prom King, de Skylar Spence. Responsável por um verdadeiro acervo de hits, como Can’t You See, I Can’t Be You Superman e Affairs, o produtor Ryan DeRobertis conseguiu amarrar as pontas entre a Disco Music dos anos 1970 e todo o universo de ambientações eletrônicas que deram vida à Chillwave/Vaporwave desde o final da década passada.

Em Faithfully, mais recente single do produtor norte-americano, uma clara extensão dessa mesma sonoridade. Em um intervalo de apenas três minutos, DeRobertis amarra costura fragmentos do clássico Wonderful, da cantora Aretha Franklin, se aprofunda no uso de sintetizadores e temas enevoados e ainda termina com a produção de uma composição que seduz o ouvinte lentamente, convidado a provar de diferentes experiências das pistas de dança.

 

Skylar Spence – Faithfully

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Artista: Toro Y Moi
Gênero: Alternative, Electronic, Psychedelic
Acesse: http://toroymoi.com/  

 

Poucos artistas tiveram um amadurecimento tão grande nos últimos anos quanto Chazwick Bundick. Oficialmente apresentado ao público durante o lançamento de Causers of This (2010), primeiro registro do Toro Y Moi em um selo de médio porte, o cantor, produtor e multi-instrumentista norte-americano fez de obras como Underneath the Pine (2011) e Anything in Return (2013) dois importantes registros para a nova geração do Funk/R&B estadunidense, abocanhando uma parcela ainda maior do público com a chegada do comercial What For?, trabalho apresentado ao público em abril do último ano.

Depois de uma sequência de grandes obras — incluindo as compilações June 2009 (2012) e Samantha (2015), além da série de EPs e do trabalho como Les Sins, Michael (2014) —, Bundick organiza a própria discografia e sintetiza parte das canções produzidas nesse intervalo dentro do especial Live From Trona (2016, Carpark records). Um registro ao vivo, gravado durante uma apresentação do músico nos Pináculos De Trona, no meio do deserto californiano.

Claramente inspirado no clássico Pink Floyd: Live at Pompeii, de 1973, e até em projetos recentes, como o especial Forever Still, do Beach House, gravado em um ambiente similar, o trabalho que contou com a direção Harry Israelson mostra a relação de proximidade entre Bundick e os companheiros de banda. Livre da presença do público, o coletivo se concentra na coesa execução dos arranjos e vozes, deixando para as imagens de Israelson a ativa interferência da própria equipe de filmagem, visível durante toda a execução da performance.

Por conta da ausência do público e da explícita limpidez das captações, Live From Trona é um trabalho que se distancia de outros registros gravados ao vivo, dependendo (e muito) do apoio das imagens. Qual o sentido de apreciar a obra e não observar o duelo entre os integrantes da banda e o cenário desértico que os cerca? Durante toda a apresentação, Israelson se concentra em mostrar a passagem do tempo, revelando a atuação do grupo em um cenário que vai do ensolarado início de tarde ao anoitecer.

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. Com o verão tomando conta de todo o Hemisfério Norte, Filip Nikolic e Jeff Paradise não poderiam deixar de presentear o público do Poolside com uma canção inédita. Entregue poucos meses após o lançamento da ótima Contact High (2016), mais recente mixtape produzida pela dupla californiana, a nova faixa revela ao público o que existe de melhor no trabalho dos dois produtores, flutuando em meio a vozes etéreas e batidas deliciosamente dançantes. Típica composição do Poolside, a canção de quase cinco minutos de duração parece estabelecer uma ponte…Continue Reading “Poolside: “And The Sea””

. Uma das principais atrações da tenda eletrônica do Lollapalooza Brasil 2016, o duo norte-americano Odesza está de volta com um novo clipe. Trata-se de It’s Only, composição montada em parceria com a cantora Zyra, uma das principais colaboradoras da dupla dentro do segundo álbum de inéditas, o ótimo In Return (2014). Transformada em clipe pelo diretor Dan Brown, a canção, uma delicada sobreposição de batidas, sintetizadores vozes sempre crescentes, serve de estímulo para um dos registros visuais mais poderosos já lançados pelo Odesza. Uma colagem de…Continue Reading “Odesza: “It’s Only” (feat. Zyra) [VÍDEO]”

2 8 1 4
Vaporwave/Ambient/Experimental
http://hkedream.bandcamp.com/

 

No oceano de referências nostálgicas, estética irônica e sons reciclados que caracterizam a Vaporwave, 新しい日の誕生 (2015, Dream Catalogue) talvez seja um principais ponto de apoio e renovação para o estilo. Fruto da parceria entre t e l e p a t h テレパシー能力者 e o produtor britânico Hong Kong Express, o registro de oito faixas utiliza da lenta sobreposição de batidas, ruídos e bases eletrônicas como o estímulo para a rica tapeçaria de sons atmosféricos que conduzem o ouvinte pelo interior do trabalho.

Segundo registro do 2 8 1 4 lançado pelo Dream Catalogue – selo comandado por HKE e um dos principais expositores do gênero -, 新しい日の誕生 – algo como “o nascimento de um novo dia”, em português -, em nenhum momento parece ultrapassar um específico cercado instrumental apontado pela dupla. São sintetizadores, acordes diminutos de guitarras, batidas e até samples de chuva ou diálogos abafados que se encaixam lentamente. Não fosse pelo fade out ao final de cada canção, seria fácil encarar o disco como um imenso bloco de sons enevoados, parte de uma mesma faixa.

Talvez venha daí o estranho fascínio que álbum exerce sobre o ouvinte. Do momento em que 恢复 tem início, passando por composições extensas, como 悲哀 e テレパシー, até a chegada de 新しい日の誕生, faixa de encerramento do disco, todos os elementos se encaixam de forma a capturar o público. Uma coleção de temas brandos que se movimentam com extrema delicadeza, cercando e confortando o ouvinte antes mesmo que os primeiros 15 minutos do trabalho tenham se passado.

Longe de parecer um registro original, 新しい日の誕生 dialoga de forma criativa com uma variedade de obras – antigas e recentes – da música eletrônica. Enquanto faixas como 恢复 e 遠くの愛好家 parecem flutuar no mesmo campo etéreo de Selected Ambient Works Volume II (1994), segundo álbum de estúdio do irlandês Aphex Twin, sintetizadores cósmicos e até mesmo o uso pontual da voz como instrumento aos poucos aproximam o presente álbum dos discos registros produzidos pela dupla Boards of Canada.

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Neon Indian
Electronic/Chillwave/Synthpop
http://www.neonindian.com/

 

O globo espelhado gira lentamente. Nas paredes, tiras de neon se espalham por todos as partes como setas, guiando o espectador por um caminho marcado pelo uso excessivo de drogas, passos descompassados de dança, vestidos de lantejoulas e declarações de amor que seguem até o letreiro colorido que ilumina a pista: VEGA INTL. Night School.

Quatro anos após o último álbum, Era Extraña (2011), o músico norte-americano Alan Palomo ultrapassa os limites de uma simples obra de estúdio, transformando o terceiro registro de inéditas do Neon Indian em uma verdadeira de discoteca conceitual. Em um exercício nostálgico que se estende desde a estreia com Psychic Chasms, de 2009, cada faixa do trabalho, mais do que um produto referencial, abraça os costumes, exageros e elementos típicos dos clubes de dança que explodiram entre o final dos anos 1980 e início da década de 1990. Kitsch, retrô, vintage ou mera cópia, não importa, do momento em que o som empoeirado de Hit Parade tem início, todo o colorido universo que marca a boa fase da New Wave/Italodisco é minuciosamente resgatado pelo produtor.

Escolhida para apresentar o trabalho, Annie, sintetiza com naturalidade o lado “pop” de todo o registro. São mais de quatro minutos em que vozes, guitarras e sintetizadores lançados pelo músico circulam em um cenário essencialmente radiofônico, perfumado pela essência tropical de artistas como Mr. President, Inner Circle e DJ Bobo. Sobram ainda pequenas doses da Disco Music e farelos de R&B, conceito que serve de estímulo para a formação de faixas como Smut! e The Glitzy Hive, representantes da obra de Michael Jackson e outros veteranos do período.

No restante da obra, uma explosão de cores, samples extraídos de diferentes décadas e artistas que parecem se encontrar em um cenário experimental, torto, como o resumo de uma noite turbulenta em uma discoteca atemporal. Giorgio Moroder e New Order em Techno Clique, Egyptian Lover e Prince no interior da crescente Baby’s Eyes e até um rápido passeio pela obra do The Police, além, claro, dos dois últimos álbuns de Neon Indian na trinca de encerramento do disco – C’est la vie (Say the Casualties!), 61 Cygni Ave e News From the Sun. Nada que se compare ao brilho e execução atenta de Slumlord.

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. Em maio deste ano, Alan Palomo entregou ao público a inédita Annie e, pouco tempo depois, simplesmente desapareceu. Inédita, a composições deixou o público do Neon Indian eufórico. Disco novo do Neon Indian a caminho? A resposta veio com o lançamento da também inédita Slumlord, segundo single do músico norte-americano e passagem direta para o terceiro álbum o primeiro registro de estúdio do artista desde o ótimo Era Extraña (2011): VEGA INTL. Night School (2015). Com a chegada da nova composição, Palomo (mais uma vez) reforça a busca por um…Continue Reading “Neon Indian: “Slumlord””

Skylar Spence
Electronic/Alternative/Disco Funk
https://www.facebook.com/drinkyoung

Quem acompanha o trabalho de Ryan DeRobertis desde os tempos do Saint Pepsi, provavelmente deve ter se espantado com a mudança de direção assumida pelo produtor em Can’t You See. Escolhida para apresentar o primeiro álbum de inéditas do artista nova-iorquino dentro do projeto Skylar Spence, Prom King (2015, Carpark Records), a faixa de ritmo acelerado e forte diálogo com a década de 1970 está longe de parecer apenas um novo ponto de partida para DeRobertis, mas a base de cada uma das 11 composições que recheiam o registro.

Vaporwave, Future Pop, Chillwave ou Dance Music: não importa. Independente dos rótulos que cercam a obra do produtor norte-americano desde o começo da presente década, DeRobertis assume como único objetivo em Prom King fazer o ouvinte dançar. Com Can’t You See e a curiosa faixa-título logo na abertura do álbum, diversos são os caminhos (e ritmos) assumidos pelo artista, tão íntimo da essência nostálgica do Daft Punk em Random Access Memories (2013), como do som empoeirado e referencial de Neon Indian, Washed Out e outros nomes ainda recentes da música estadunidense.

Em I Can’t Be Your Superman, quarta faixa do disco, a prova da capacidade de Skylar Spance em produzir uma boa faixa “comercial”, mas sem necessariamente perder o toque “Lo-Fi” do álbum. Guitarras e batidas que resgatam o que há de mais dançante nas últimas três décadas, preparando o terreno para o uso de versos marcados pelo romantismo e a honestidade de DeRobertis – “Você tem o peso do mundo sobre os ombros / Quando eu não estou por perto / Eu mergulhar nas profundezas do seu oceano / Mas você ainda poderia se afogar”.

Com a chegada de Ridiculos!, quinta música do disco, uma espécie de passeio por diferentes aspectos do som incorporado por DeRobertis nos últimos anos. Instantes de euforia e recolhimento que garantem dinamismo ao álbum. Enquanto Fall Harder e Affairs reforçam o caráter melancólico e intimista da obra, esbarrando em versos de natureza confessional, canções aos moldes de Bounce Is Back e Cash Wedensday mergulham de cabeça em experimentos típicos do trabalho apresentado pelo produtor com o Saint Pepsi.

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. Parece difícil escapar de cada nova canção apresentada por Skylar Spence nos últimos meses. Primeiro veio a “daftpunkniana” Can’t You See, uma explosão de vozes e arranjos pegajosos, acessíveis e dançantes, típicos de qualquer gigante da música pop. Em Affairs, a busca por um som levemente “contido”, típico do trabalho de Ryan DeRobertis – responsável pelo projeto – com o paralelo Saint Pepsi. Com a chegada de I Can’t Be Your Superman, uma espécie de encontro entre esses dois universos musicais que regem a obra do jovem músico….Continue Reading “Skylar Spence: “I Can’t Be Your Superman””

. Um dos principais acertos de Harrison Mills e Clayton Knight no último álbum do ODESZA, In Return (2014), está na constante interferência de cantores e produtores convidados durante toda a obra. Novatos como Shy Girls, Zyra, Py e Jenni Potts, artistas responsáveis por completar as pequenas lacunas deixadas ao longo da obra, oficialmente, o segundo registro de inéditas do duo original de Seattle desde a estreia com Summer’s Gone (2012). Agora, com o anúncio da edição Deluxe de In Return, Mills e Knight mais uma vez partem…Continue Reading “ODESZA: “Light” (Ft. Little Dragon)”