. A assertiva parceria entre Silva e o diretor carioca Julio Secchin parece ir além do bem resolvido clipe de Imergir. Lançado no começo de janeiro, o projeto trouxe uma abertura para o cenário subjetivo que aproxima os arranjos e imagens da dupla. Abrindo as portas do mais novo trabalho em estúdio do músico capixaba, Vista Pro Mar (2014), Secchin transporta o espectador para o cenário em preto e branco de É Preciso Dizer. Filmado na área litorânea de Sintra, Portugal, o projeto transforma a…Continue Reading “Silva: “É Preciso Dizer””

Silva
Indie/Synthpop/Electronic
http://silva.tv/

Por: Cleber Facchi

Silva

Bastam os instantes iniciais de Vista Pro Mar (2014, Slap), segundo álbum de estúdio do capixaba Silva, para perceber que os rumos do artista agora são outros. “Eu sou de remar/ Sou de insistir/ Mesmo que sozinho”. Como bem entregam os versos da autointitulada faixa de abertura, o cantor e compositor contorna a própria timidez do álbum de estreia, Claridão (2012), em busca de uma sonoridade abrangente, ainda que intimista e naturalmente particular. Um eco entre a melancolia (agora ensolarada) e o constante diálogo com o público, exercício que ultrapassa os limites da poesia sorumbática, mergulha nos arranjos versáteis e cresce como um genuíno cardápio da música pop.

Como já havia confessado em entrevista, “Vista Pro Mar foi feito num momento diferente”, trata-se de um trabalho que nasceu na “Flórida com dias ensolarados, numa piscina, de férias, vendo gente bonita, ouvindo Poolside, João Donato, Cashmere Cat e Frank Ocean”. Dentro desse novo conjunto de referências, Silva apresenta ao público um álbum que emula sensações litorâneas, premissa instalada nos samples de ondas e ruídos praianos que preenchem todo o álbum. Veranil, o disco usa dessa mesma sensação nostálgica como um mecanismo de composição para as faixas. Um estágio permanente que se divide entre a calmaria atual e a sensação de despedida que aos poucos se aproxima e rege a ambientação lírica das faixas.

Por vezes contradizendo o estágio de euforia anunciado pelo próprio criador, o novo álbum se apresenta como um mosaico de delicadas sensações – algumas felizes, outras naturalmente tristes. Um trabalho que sorri de forma evidente, mas amarga (de maneira quase inevitável) a futura separação. A julgar pelo detalhamento de faixas como Entardecer e É Preciso Dizer, Vista Pro Mar se faz como um trabalho marcado de forma expressiva pelo isolamento do músico. Gravado em Portugal, o disco não esconde a sensação de “última semana de férias”, como se o músico desfrutasse de todas as mordomias – sentimentais e físicas -, mas avistasse de perto o fim desse ambiente sabático.

Silva

Ainda que entristecido em diversos aspectos instrumentais e líricos, o presente álbum mantém firme o toque esperançoso que orquestra os sentimentos do cantor. Enquanto Claridão se revelava como um trabalho consumido pela saudade (Moletom), descrença (Cansei) e até uma estranha aceitação da morte (2012), Vista Pro Mar contorna a melancolia e suspira doces percepções. Basta a carga de sentimentos entusiasmados no interior de Janeiro (“A gente pode sem medo/ Se pertencer/ O amor é cego, mas hoje/ Eu posso ver tão bem”) para perceber que os rumos aqui são outros. Há tristeza (Volta) e constante amargura (É Preciso Dizer), mas a vontade de seguir em frente parece ainda maior.

Continue Reading "Disco: “Vista Pro Mar”, Silva"

. Ato final antes da chegada do esperado Vista Pro Mar, Okinawa, mais nova música do capixaba Silva, reforça a completa capacidade do músico em dialogar com o grande público. Parceria com a cantora Fernanda Takai (Pato Fu), a nova composição ultrapassa os limites estéticos do artista sem necessariamente romper com a base conceitual do músico, tratamento que vai das vozes aos sintetizadores até o último segundo da canção. Seguindo a trilha das três outras músicas lançadas pelo cantor – Universo, Janeiro e É Preciso…Continue Reading “SILVA: “Okinawa” (feat. Fernanda Takai)”

. Definitivamente o uso de arranjos delicados em aproximação com o pop dos anos1980 parece ser a chave para desvendar o universo de Vista Pro Mar (2014). Segundo trabalho em estúdio do capixaba Silva, o novo disco ultrapassa o cenário de descoberta imposto em Claridão (2012), trazendo no uso de reverberações nostálgicas um catálogo amplo de possibilidades. Depois de Janeiro inaugurar o novo disco em uma construção quase “tropical”, É Preciso Dizer reforça o lado mais intimista do músico, ao mesmo tempo em que transporta…Continue Reading “Silva: “É Preciso Dizer””

Por: Cleber Facchi

Souza, Costa, Santos e Silva. Em meio a tantos nomes pomposos da música nacional, o cantor Lúcio Silva Souza, de Vitória, Espirito Santo, resolveu escolher justamente o nome mais comum deles para intitular o projeto que vem desenvolvendo desde o começo de 2011. A “simplicidade” do título, entretanto, desaparece por completo tão logo as melodias delicadas do músico ganham formas.

Dono de um dos grandes lançamentos musicais de 2012, o agradável Claridão (Slap), o jovem artista conseguiu em pouco tempo um lugar de destaque dentro da presente cena nacional. Pervertendo as redundâncias da MPB e se aproximando da eletrônica de forma pacata, Silva conseguiu amarrar as pontas entre o Indie e o Pop, resultado que deve se repetir com a chegada de Vista Pro Mar, segundo e ainda inédito trabalho de estúdio do cantor.

Com lançamento previsto para o dia 17 de março, o disco de 11 faixas e participação da cantora Fernanda Takai (Pato Fu) inaugura um novo caminho para o músico. Com apresentação agendada para a edição 2014 do Lollapalooza Brasil, e depois de ter música escalada em trilha sonora de novela da Globo – Além do Horizonte -, conversamos com Silva por e-mail para saber o que esperar do novo álbum, a transição entre o independente e o mainstream, além, claro, da boa repercussão do músico em Portugal.

Continue Reading "Entrevista: Silva"

. As melodias ocupam um lugar de destaque dentro da sonoridade assinada pelo capixaba Silva. Em busca de arranjos ainda mais acessíveis que os expostos no melancólico Claridão, de 2012, o jovem músico revela na singeleza do recém-lançado single Janeiro, a base para o que deve orientar o aguardado Vista Pro Mar (2014). Segundo registro em estúdio do músico, o disco previsto para o dia 17 de março aos poucos ganha formas acessíveis para se aproximar do grande público, tratamento autentico na leveza constante da…Continue Reading “Silva: “Janeiro””

. Originalmente apresentada em 2011, como parte do EP homônimo do capixaba Silva, Imergir é uma assertiva representação do universo melancólico que cerca o jovem artista. Também parte do registro de estreia do cantor, Claridão, de 2012, a canção orientada pelo uso de sintetizadores climáticos encontra nas imagens do produtor/diretor Julio Secchin uma natural extensão. Seguindo a atmosfera subjetiva que orienta as imagens do carioca – autor de vídeos com Maria Luiza Jobim, Léo Justi e Apollo -, o novo projeto transporta o espectador para…Continue Reading “Silva: “Imergir””

Vários Artistas
Brazilian/Indie/Alternative
http://www.joiamoderna.com.br/
https://soundcloud.com/projetoagenor

Por: Cleber Facchi

Cazuza

Não há quem já não tenha brincado com a obra de Cazuza em uma centena de registros em estúdio, shows e colaborações em um sentido claro de manter viva a obra do cantor e compositor carioca. Dos vários tributos lançados na década de 1990, às regravações de quem partilha por diferentes gêneros as canções do artista, anualmente uma avalanche de músicos fazem de tudo para resgatar a essência de Agenor de Miranda Araújo Neto – grande parte deles acomodados em um exercício copioso e limitado. Longe de assumir o mesmo esforço redundante, chega ao público a coletânea Agenor (2013, Joia Moderna), obra que entrega faixas “obscuras” do repertório do cantor à toda uma nova safra de artistas nacionais.

Assim como testado no tributo à Ângela Ro Ro (Coitadinha Bem Feito) e em outros projetos que visitam a obra de Guilherme Arantes e Péricles Cavalcanti, o trabalho idealizado por DJ Zé Pedro e com curadoria da jornalista Lorena Calábria passeia pelo Lado B do cantor em um sentido de buscar pela novidade. São 17 composições que dançam por diferentes gêneros, temáticas e nomes em um sentido atento de invenção. Faixas que parecem fugir da ótica comum de quem chega pela primeira vez ao trabalho de Cazuza, mas que garantem um esforço criativo tão, ou talvez até mais rico, quanto o de outras composições clássicas do artista.

Longe de se perder entre as particularidades de cada convidado, o trabalho mantém na atmosfera semi-experimental um exercício curioso para o ouvinte, e principalmente para seus realizadores. São composições adornadas pelo acerto leve da eletrônica, guitarras distantes do som típico da década de 1980, e vozes que permitem brincar com os mesmos exageros cênicos que marcaram a atuação do cantor – morto em Julho de 1990, em decorrência da Aids. Agenor é um olhar curioso de nomes como Silva, China, Mombojó e Wado para um artista tão massacrado pelas regravações, mas que ainda entrega um catálogo curioso de faixas a serem desvendadas.

Cazuza

Embora desenvolvido em uma atmosfera musical partilhada, o registro assume de forma clara dois tipos de composições. O primeiro diz respeito ao tratamento de plena aproximação com a obra prévia de Cazuza. É o caso de músicas como Sorte e Azar, interpretada pelo carioca Qinho, ou Ritual, assumida por Botika. Canções que trazem no instrumental e no manuseio das vozes uma relação de extrema proximidade com a obra do cantor, como se o resultado conquistado há duas ou mais décadas fosse apenas repetido em um tratamento instrumental límpido e atual. As mesmas velhas composições, com um fundo leve de novidade.

Continue Reading "Disco: “Agenor”, Vários Artistas"

. A sonoridade imposta em Claridão (2012), registro estrei de SILVA, cresce para além dos limites da própria obra. Em Amor Pra Depois, mais novo single do músico capixaba, as harmonias suavizadas de teclados e encaixes eletrônicos servem como reforço natural para a voz acolhedora do músico. Já conhecida do público que acompanha as apresentações de Silva, a faixa encontra na tonalidade pueril dos sons um princípio para uma seleção de versos apaixonados. Com ares de música tema da novela das sete, a canção se…Continue Reading “SILVA: “Amor Pra Depois””

. . Desenvolvido em cima de uma trama assertiva de sintetizadores, vocais pegajosos e letras cotidianas, Claridão (2012), registro de estreia do capixaba Silva não custou a encantar uma boa parcela do público. Eleito pelo Miojo Indie como o Melhor Disco Nacional do último ano, o trabalho encontra no conforto sintetizado de Moletom um dos inventos mais atrativos do álbum. Com letra fácil e uma tapeçaria de teclados que reforçam o lado mais pop da obra, a canção aparece agora em sua versão clipe. Com…Continue Reading “Silva: “Moletom””