Originalmente lançada em 2015, como parte do álbum Real, obra que contou com distribuição pelos selos Balaclava Records e Midsummer Madness, Em Vão foi a canção escolhida para se transformar no mais novo single/clipe do cantor e compositor Frabin. Um dream pop psicodélico e empoeirado que se perde em meio a delírios românticos do jovem músico – “Fecho a porta e não te vejo / Tranco e logo nem percebo / Aquele sim que virou não / Tão real pra ser ilusão“.

Com imagens captadas em VHS por Rafaela Valmorbida, o vídeo transforma a própria gravação em uma espécie de complemento ao som produzido por Frabin. São cortes rápidos e closes lentos que se desenvolvem à medida que os arranjos e vozes da faixa ocupam o fundo da canção. Filmado no interior de Santa Catarina, Em Vão reflete “a vontade de construir algo mesmo que no final seja em vão ou apenas pela beleza de ter existido”, explicou o músico no texto de apresentação do clipe.

 

Frabin – Em Vão

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Sempre Femina (2017) tem tudo para se transformar em um novo clássico dentro da curta discografia de Laura Marling. Dois anos após o lançamento de Short Movie (2015), trabalho embalado por temas e referências ao cinema, a cantora e compositora britânica vem presenteando o próprio público com uma série de canções marcadas pela leveza dos versos e arranjos. Faixas como Soothing, Wild Fire e, mais recentemente, Next Time.

Enquanto a voz da artista se espalha em meio a versos essencialmente intimistas, centrados na vida da própria cantora, nos arranjos, Marling detalha uma de suas principais composições. São temas orquestrais que distanciam o folk minimalista dos últimos discos para aproximar a artista do mesmo pop de câmara de artistas como Vashti Bunyan, Nico e outros nomes de peso do estilo. Next Time ainda chega acompanha de um clipe dirigido pela própria musicista.

Semper Femina (2017) será lançado no dia 10/03 via More Alarming Records.

 

Laura Marling – Next Time

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Pop, colorido e pegajoso. Basta uma rápida audição para que o som produzido por Malli grude sem dificuldades na cabeça do ouvinte. Parte do primeiro álbum de estúdio da artista, previsto para estrear nos próximos meses, La Nave Va é um indie-axé-eletrônico que revela todas as nuances – sonoras e vocais – da jovem cantora. Um misto de Os Paralamas do Sucesso com Tulipa Ruiz, conceito temperado pelas guitarras e produção do músico Rafael Castro.

Enquanto os versos jogam com a temática do desapego, se livrando de um antigo (des)amor, musicalmente Malli e os parceiros de estúdio brincam com as possibilidades, detalhando batidas eletrônicas e arranjos levemente dançantes. No vídeo dirigido por Itaoâ Lara, uma mistura de cores, tendências e retalhos visuais. Sobram ainda pequenas coreografias, diferentes peças de roupas e um fino toque de bom humor que há tempos não se via no pop nacional.

 

MALLI – La Nave Va

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Phil Elverum já havia emocionado o público durante o lançamento de Real Death, há poucas semanas, sensação que volta a se repetir logo nos primeiros segundos de Ravens. Parte do novo álbum de inéditas do cantor e compositor norte-americano, A Crow Looked At Me (2017), a canção mergulha ainda mais fundo no universo de memórias e referências tétricas em torno da recente morte da artista Geneviève Castrée, esposa do cantor.

Assim como no single anterior, a nova faixa mergulha no isolamento e pequenas tentativas de Elverum em se adaptar à ausência de Castrée. Uma seleção de versos essencialmente descritivos, quase documentais, como se o ouvinte seguisse o personagem (real) do cantor por diferentes cenários. Com quase sete minutos de duração, Ravens chega acompanhada de um registro caseiro de diferentes imagens gravadas por Elvrum ao lado de Castrée.

A Crow Looked At Me (2017) será lançado no dia 24/03 via P.W. Elverum & Sun.

Mount Eerie – Ravens

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Dias após o lançamento do vídeo intimista de Eu Te Odeio, os integrantes do Carne Doce estão de volta com um novo clipe. A música escolhida foi Falo, uma das composições que abastecem o elogiado Princesa – 2º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2016. Marcada pela temática feminista, a canção de versos fortes trasporta o mesmo conceito para as imagens do trabalho. “Falo é sobre uma indignação legítima, um acúmulo de pequenas injustiças cotidianas”, explicou Salma Jô, vocalista e co-autora do roteiro.

Com produção assinada pela Muto e direção de Bruno Alves, também responsável pelo provocativo vídeo de Artemísia, trabalho lançado pela banda no último ano e um dos Melhores Clipes de 2016, Falo ressalta a força do coletivo. “Conseguimos, de certa forma, aprofundar num universo em que meninas, unidas, são a manifestação do pior medo que um homem poderia ter”, explicou o diretor do trabalho. Marcado pelo peso das imagens, o vídeo foi gravado em outubro do último ano na Fazenda Santa Esther, em Amparo, interior de São Paulo.

 

Carne Doce – Falo

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Cada novo clipe de Sevdaliza se transforma em um objeto de destaque. Foi assim com o provocante vídeo de Human – um dos Melhores Clipes de 2016 –, That Other Girl e qualquer outro registro produzido pela artista iraniana/alemã. Em Amandine Insensible, mais recente criação da cantora e produtora, um novo e delicado exercício criativo. Flutuando em um fundo branco, a artista se transforma nas diferentes mulheres ao redor do globo.

São executivas, modelos, atendentes de telemarketing, sedutoras ou apenas interessadas em malhar o próprio corpo. Personagens reais, retratadas em diversos bancos de imagens, mas que surgem à medida que Sevdaliza amplia o discurso da canção, detalhando o cotidiano de diferentes personagens diariamente subjugadas em uma sociedade machista. A canção faz parte do aguardado ISON (2017), primeiro álbum de estúdio da cantora.

 

Sevdaliza – Amandine Insensible

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O conceito eletrônico assumido em The Road parece ser a base do novo álbum da cantora e produtora canadense Lydia Ainsworth. Lançada em janeiro deste ano, a faixa de abertura de Darling Of The Afterglow (2017) mostra a busca da artista de Toronto por um som marcado por ambientações atmosféricas e pequenos diálogos com o R&B, sonoridade reforçada nas batidas e vozes da provocativa Afterglow.

Sem necessariamente perder a própria identidade, Ainsworth abraça diversos conceitos originalmente incorporados por artistas como Björk, The Knife e, mais recentemente, FKA Twigs. São bases eletrônicas que se completam com a lenta inserção de um coro de vozes e outros elementos complementares, como batidas, sintetizadores e pequenas pinceladas instrumentais. Uma fuga do som anteriormente testado pela artista em Right from Real, de 2014.

Darling Of The Afterglow (2017) será lançado no dia 31/03 via Arbutus/Bella Union.

 

Lydia Ainsworth – Afterglow

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Em 2014, com o lançamento de Despertador, o cantor e compositor paulistano Leo Cavalcanti abraçou de vez a música pop. O resultado dessa transformação está na montagem de faixas levemente dançantes como Só Digo Sim, Leve, além, claro, da própria faixa-título do disco. Curioso perceber na recém-lançada O Mundo Que Se Deseja, música que ainda conta com um clipe de Cecília Lucchesi, um som tão acessível quanto material apresentado há três anos, porém, orientado de forma sutil, contida.

Adaptação para o português da música El Mundo Que Quisiera, de Juanito el Cantor, a composição de temas acústicos, arranjos de cordas e voz doce lentamente invade a cabeça do ouvinte, lembrando alguma canção perdida de Caetano Veloso. “O mundo, sempre esse mundo, sempre uma desculpa certeira / Transpassa a vida inteira como se nada / Um pássaro abre suas asas, e ensaia um voo sem certezas / E mesmo assim, tenta esse mundo que deseja“, canta Cavalcanti em um misto de descrença e necessidade de mudança.

 

Leo Cavalcanti – O Mundo Que Se Deseja

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A grande beleza no trabalho de Chance The Rapper sempre esteve na proximidade entre o artista e o coletivo de vozes, produtores e instrumentistas convidados a atuar dentro de cada registro de estúdio. Da bem-sucedida apresentação em Acid Rap, de 2013, passando pelo colaborativo Surf, álbum lançado em parceria com o grupo Donnie Trumpet & The Social Experiment, em 2015, cada projeto assumido pelo rapper de Chicago, Illinois parte da criativa interferência de ideias e nomes vindos de diferentes campos da música negra.

Em Coloring Book (Independente), terceira e mais recente mixtape de Chance, uma detalhada continuação desse mesmo conceito colaborativo explorado nos últimos trabalhos do rapper. Mais do que um registro assinado individualmente, um espaço que se abre para a completa interferência, canto e colagem de rimas assinadas por diferentes artistas. São 14 composições que autorizam a passagem de nomes como Kanye West, Lil Wayne, Future, Justin Bieber, Young Thug e Ty Dolla $ign. Leia o texto completo.

Versão alternativa de Same Drugs – faixa que conta com as vozes de John Legend, Eryn Allen Kane, Yebba, Francis Starlite e Macie Stewart –, o vídeo dirigido por Jake Schreier mostra Chance The Rapper acompanhado de um boneco gigante. A canção é parte do último álbum do rapper, Coloring Book – 10º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2016.

 

Chance The Rapper – Same Drugs

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Quem acompanha o trabalho da banda norte-americana Tennis já deve ter percebido a mudança de direção por parte das letras da vocalista Alaina Moore. Longe do universo de sonhos e declarações de amor que apresentaram o grupo no debut Cape Dory, de 2011, são versos sóbrios, por vezes ácidos, que orientam o som produzido pela artista em parceria com o marido, o músico Patrick Riley. Um bom exemplo disso está na recém-lançada Modern Woman.

Parte do novo álbum de inéditas da dupla, Yours Conditionally (2017), a canção segue a trilha de outro lançamento recente da banda, Ladies Don’t Play Guitar, música que fala sobre libertação das mulheres dentro de uma sociedade machista e opressora. Assim como os últimos lançamentos do Tennis, Modern Woman chega acompanhada de um precioso clipe dirigido por Luca Venter e Kelia Anne. A imagem de Moore em um cenário do final dos anos 1960.

Yours Conditionally (2017) será lançado no dia 10/03 via Mutually Detrimental.

 

Tennis – Modern Woman

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