Tag Archives: Clipes

Panda Bear: “Come To Your Senses” (VÍDEO)

.

Vozes submersas em um lago de efeitos psicodélicos, colagens instrumentais e arranjos essencialmente excêntricos. Quem Noah Lennox está tentando enganar? Mesmo que fórmulas complexas e temas pouco “usuais” dentro dos padrões da música comercial sirvam de base para o trabalho do músico norte-americano, ao esbarrar no acervo colorido de Panda Bear Meets the Grim Reaper (2015, Domino), quinto álbum do também integrante do Animal Collective como Panda Bear, todos os esforços do artista residente em Portugal se concentram no explícito diálogo com melodias típicas do pop.

Seja no refrão ascendente de Mr. Noah – a faixa mais enérgica de Lennox em carreira solo – ou pela leveza mágica de Latin Boys, cada instante do presente registro confirma a imagem de um compositor livre, acessível, ainda que experimental em essência. A julgar pela overdose de efeitos eletrônicos e projeções instrumentais inspiradas no Hip-Hop da década de 1990 – principalmente Q-Tip e A Tribe Called Quest -, este talvez seja o trabalho que o público do Animal Collective tanto esperou depois do ápice criativo alcançado em Merriweather Post Pavilion (2009). Leia o texto completo.

Assista agora ao clipe de Come To Your Sense, novo vídeo de Panda Bear e trabalho dirigido por Sam Fleischner.

.

Panda Bear – Come To Tour Sense

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , ,

Everything Everything: “Regret” (VÍDEO)

.

A julgar pela sonoridade incorporada no último álbum do Everything Everything, Arc (2012), a busca por um som cada vez mais experimental parecia apontar a direção a ser seguida pelo grupo de Manchester. Ledo engano. Com o caminho livre para o terceiro álbum de inéditas, Get to Heaven (2015), o quarteto comandado pelo vocalista Jonathan Higgs se despede de qualquer elemento “complicador” do último disco para abraçar um som cada vez mais pop e simplificado.

Em uma trilha ainda menos complexa, sequência ao trabalho exposto em Distant Past, faixa lançada no começo de fevereiro pela banda, Regret mostra a utilização de vozes e arranjos limpos, como um diálogo com o primeiro disco do grupo. Quase nada dos tradicionais falsetes de Higgs ou colagens eletrônicas da banda, apenas uma montagem linear, orientada para o refrão cíclico da faixa. Novo single de Get to Heaven, a canção chega acompanhada de um divertido clipe. Uma passagem pelo cotidiano de uma “Glitch-Seita” e seu messias.

Get To Heaven (2015) será lançado no dia 15/05 pela Sony.

.

Everything Everything – Regret

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , ,

Alabama Shakes: “Sound & Color” (VÍDEO)

.

Quando foi a última vez que você se emocionou com um disco de rock? Se a resposta for “há muito tempo”, Sound & Color (2014, ATO), segundo e mais recente álbum de estúdio do Alabama Shakes, talvez seja capaz mudar esse resultado. Fuga do imediatismo quase enérgico testado em Boys & Girls, de 2012, Brittany Howard, Zac Cockrell, Heath Fogg e Steve Johnson encontram no novo registro de inéditas mais do que um aprofundamento do próprio universo de referências, mas uma completa desconstrução e particular montagem de diferentes gêneros lançadas em mais de cinco décadas de produção musical.

Blues, Soul, Indie, Country, Gospel e Garage Rock, não importa o estilo, cena ou caminho percorrido pelo quarteto ao longo do disco – o resultado final será comovente, único. Verdadeira prova de conceitos, cada faixa do álbum parece apagar qualquer traço de previsibilidade talvez anunciada dentro da estrutura montada para o debut de 2012, revelando mesmo em gêneros tão desgastados, como o “rock clássico”, uma série de passagens antes ocultas. Mais do que flertar com as décadas de 1950, 1960 ou 1970, em Sound & Color o grupo de Athens define a própria identidade. Leia o texto completo.

Faixa-título do novo álbum do Alabama Shakes, a inaugural Sound & Color tira a banda (e o ouvinte) da Terra, partindo em direção ao espaço no belíssimo clipe de James Frost.

.

Alabama Shakes – Sound & Color

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , ,

Carne Doce: “Dos Amores” (VÍDEO)

.

Sertão e cidade. Delicadeza e selvageria. Doce e salgado. No universo particular da banda Carne Doce, os contrastes vão muito além do nome/receita que representa o coletivo. Fruto da interação entre o casal Salma Jô e Macloys Aquino, o grupo nascido na cidade de Goiânia em 2012, há muito parece distante do tom confessional emoldurado nas canções do EP Dos Namorados(2013). Longe dos sussurros românticos e temas explorados no curto álbum, a dupla goiana, hoje acompanhada de João Victor Santana (guitarra e sintetizador), Ricardo Machado (bateria) e Aderson Maia (baixo), deixa de lado o próprio isolamento para tratar do primeiro álbum de estúdio como um mundo aberto. Um imenso cenário em que vozes, arranjos e temas dicotômicos se cruzam com naturalidade, prontos para seduzir o ouvinte.

Da mesma árvore que As Plantas Que Curam (2013), disco de estreia do grupo conterrâneo Boogarins, o homônimo álbum usa do passado como uma ferramenta de natural diálogo com o presente. Da voz instável de Salma Jô, íntima de Gal Costa no clássico Fa-Tal – Gal a Todo Vapor(1971), passando pelo acervo de fórmulas que ressuscitam Secos e Molhados (Passivo), Novos Baianos (Fruta Elétrica) e Clube da Esquina (Amigo dos Bichos), cada peça do registro é uma essencial brecha nostálgica. Velho e novo. Recortes e referências que em nada ocultam as próprias imposições da banda. Leia o texto completo.

Resgatada do primeiro EP da goiana Carne Doce, Dos Amores acaba de se transformar no mais novo clipe da banda. Curtinha, remodelada por Benke e Dinho da banda Boogarins, a “nova” canção surge em meio a imagens enevoadas, levemente psicodélicas, trabalho assinado por Larry Sullivan. Assista:

.

Carne Doce – Dos Amores

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , ,

Tobias Jesso Jr.: “Without You” (VÍDEO)

.

Emoção“, “tristeza“, “sofrimento“. Palavras que invadem a mente do ouvinte tão logo a enxurrada sentimental de Goon (2015, True Panther) tem início em Can’t Stop Thinking About You. Harmonias tímidas de piano, uso controlado, quase imperceptível, de temas percussivos; vocal limpo, esculpido pela angústia do cantor; conceitos, personagens e pequenas confissões redundantes, há décadas desgastadas em diferentes campos da música. Os mesmos versos tristes de amor e separação, o mesmo coração partido, porém, retratado de forma honesta e estranhamente acolhedora por Tobias Jesso Jr.

Mary Ann, eu perdi você em um sonho / Em seguida, o sonho se tornou realidade“. Os versos que inauguram o primeiro registro solo do músico canadense apontam a direção triste que define o restante da obra. São quase 50 minutos em que tormentos pessoais, personagens (femininos) e incontáveis delírios alcoólicos brincam com a percepção amargurada de Jesso Jr, em poucos minutos, uma representação compatível de qualquer ouvinte sofredor. Ainda que vocais “sorridentes” tentem sobreviver ao longo do trabalho, é a tristeza que sustenta e ocupa as brechas de cada canção. Leia o texto completo.

Uma das composições mais tristes – e são muitas – de Goon (2015), estreia solo de Tobias Jesso Jr., Without You ganha agora um clipe dirigido por Seth Mendelson. Assista:

.

Tobias Jesso Jr. – Without You

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , ,

Jamie XX: “Gosh” (VÍDEO)

.

A melancolia doce que invade Loud Places está longe de parecer o ponto central do primeiro álbum solo de Jamie XX. Produzida ao lado de Romy Madley-Croft, parceira de banda do produtor no The XX, a delicada canção parece surgir como um respiro breve dentro da totalidade do aguardado In Colour (2015), álbum que concentra uma série de faixas eletrônicas já conhecidas do artista inglês – caso de Sleep Sound e Girl -, mas que revela sua melhor forma dentro do universo de referências e pequenos experimentos testados em Gosh, mais recente single do projeto.

Sustentada por três elementos específicos – voz sampleada, batidas e sintetizadores planejados em uma estrutura ascendente -, a nova criação de Jamie Smith parece arrastar o ouvinte por um universo de experiências tão próximas do UK Garage, como dos remixes inicialmente testados em outros projetos do produtor – veja na seção Aperitivo. Um som tão íntimo das pistas quanto do espaço utilizado pelo diretor Erik Wernquist para retratar o recém-lançado clipe de Gosh.

In Colour (2015) estreia no dia 01/06 pelo selo Young Turks.

.


Jamie xx – Gosh

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , ,

Hot Chip: “Burning Up”

.

Para evitar o descarte de algumas das canções que acabaram de fora das gravações de Why Make Sense? (2015), os membros do Hot Chip tiveram uma ideia inteligente. Lançado paralelamente ao disco – previsto para o dia 18 de maio -, o também registro de inéditas Separate EP. A diferença em relação ao trabalho que o acompanha? A busca por um som menos acelerado, brando e naturalmente melancólico, indicação resumida no primeiro “single” do disco, a comportada Burning Up.

Com cara de faixa de encerramento dos trabalhos paralelos de Alexis Taylor e Joe Goddard, a música cresce em ritmo lento quando comparada ao direcionamento frenético de Huarache LightsNeed You Now, apresentadas nas últimas semanas e parte integrante do novo álbum oficial do grupo. Para lançar a nova criação, um Lyric Video dirigido por Joe Mortimer. Assista:

Hot Chip – Burning Up

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , ,

HEALTH: “New Coke” (VÍDEO)

.

Seis anos se passaram desde que Get Color (2009), último álbum de inéditas do HEALTH foi apresentado ao público. Salve a (tradicional) coletânea de remixes do mesmo disco apresentada no ano seguinte, pouco foi entregue pelo grupo de Los Angeles como novidade. Até agora. Em New Coke, mais recente composição do coletivo de Noise Rock, toda a relação com o Noise Rock em começo de carreira abre espaço para um som cada vez mais sintético, dançante e eletrônico, mas não menos barulhento.

Com guitarras e sintetizadores que poderiam facilmente ser encontradas no segundo álbum da dupla Sleigh Bells, a faixa de ritmo acelerado e voz lenta parece crescer em uma medida própria de tempo, preparando o terreno para o material que será apresentado em essência com Death Magic (2015), terceiro disco de inéditas do quinteto californiano. Além da nova faixa, a banda apresentou o clipe da canção, trabalho dirigido por John Famiglieti e um verdadeiro passeio pela noite de LA.

.

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , ,

Caribou: “Can’t Do Without You” (VÍDEO)

.

Quando Dan Snaith apresentou Odessa, em janeiro de 2010, as melodias hipnóticas e ritmo eufórico da canção apenas anunciavam: o som assinado pelo produtor já não era o mesmo dos últimos discos. Longe da folktrônica e experimentos encaixados em The Milk of Human Kindness (2005) e Andorra (2007), primeiros trabalhos como Caribou, Snaith parecia lidar com um material menos abstrato, harmônico, ainda que provocativo em se tratando da adaptação de temas psicodélicos. Apenas um fragmento do que seria apresentado em essência com Swim, naquele momento, o trabalho mais completo do canadense.

Interessado na constante desconstrução da própria obra, algo explícito desde o lançamento de Up in Flames (2003) – quando se apresentava como Manitoba -, Snaith volta a flertar com a ruptura. Em Our Love (2014, City Slang/Merge), novo registro do produtor à frente do Caribou, o ouvinte é mais uma vez convidado a explorar o território apresentado no álbum de 2010, todavia, as experiências, arranjos e principalmente sentimentos incorporados em cada canção agora são outros. Leia o texto completo.

Assista abaixo ao clipe de Can’t Do Without You,  trabalho dirigido por Lorenzo Fonda.

.

Caribou – Can’t Do Without You

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , ,

Owen Pallett: “The Sky Behind The Flag” (VÍDEO)

.

O trabalho de Owen Pallett sempre foi guiado pelas confissões. Desde que apareceu para o mundo com o onírico Final Fantasy – e seus dois discos, Has a Good Home (2005) e He Poos Clouds(2006) -, a obra do músico canadense borbulha com naturalidade as particularidades de seu criador, preferência por vezes oculta nas alegorias fantasiosas e arranjos mágicos que flutuam cuidadosamente por entre as faixas. Contudo, desde a chegada de Heartland (2010), primeiro álbum “solo” do músico, Pallett parece inclinado a perverter essa ordem, transformando o sofrimento confessional de cada composição na passagem para um universo realista, mas não menos encantador para o ouvinte.

Com o recém-lançado In Conflict (2014, Domino), segundo álbum dentro da “nova fase”, Pallett não apenas se revela por inteiro ao público, como usa das experiências confessionais de forma a converter realidade em ficção. Personagem central da própria trama, o músico se acomoda em canções pessimistas (I Am Not Afraid), mergulha no turbilhão da própria mente (Infernal Fantasy) e ainda derrama emanações amorosas (The Passions) sem parecer sufocado pela redundância. Owen é apenas um personagem corriqueiro, um indivíduo cercado por conflitos simples e adversidades diárias – talvez, por isso, seja tão incrível embarcar em sua aventura particular. Leia o texto completo.

Abaixo, o curioso clipe de The Sky Behind The Flag, uma animação dirigida por Eno Swinnen.

.

Owen Pallett – The Sky Behind The Flag

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , ,