Tag Archives: Clipes

Disco: “Beauty Behind the Madness”, The Weeknd

The Weeknd
R&B/Soul/Pop
http://www.theweeknd.com/

Seja por pressão da gravadora ou dificuldade de adaptação, uma coisa é certa, perto da sequência de obras apresentadas por Abel Tesfaye em Trilogy (2012) – House of Balloons, Thursday e Echoes of Silence -, Kiss Land (2013) é um trabalho de qualidade inferior. Boas composições e letras fortes aparecem aqui e ali – caso de Live For, Wonderlust ou da própria faixa-título -, nada que se compare ao catálogo de versos e arranjos provocantes dos primeiros registros, elementos responsáveis por catapultar a obra do The Weeknd e sustentar músicas como Wicked Games, The Morning ou mesmo a poderosa The Fall.

Com a chegada de Beauty Behind the Madness (2015, XO / Republic), quinto registro de inéditas e segundo álbum lançado por uma grande gravador, uma grata surpresa. Ao mesmo tempo em Tesfaye que mantém firme a sonoridade explorada desde a estreia, em 2011, difícil não encarar o novo registro como um típico exemplar da música pop. Da estrutura descomplicada ao time de convidados – Lana Del Rey, Ed Sheeran e Kanye West -, o canadense conseguiu transformar o novo álbum em uma verdadeira metralhadora de hits.

Sem necessariamente buscar apoio em um tema ou conceito específico – marca do erótico Kiss Land -, Tesfaye encontra no presente disco um espaço para resolver os próprios conflitos. Faixas marcadas pelo completo desespero, relacionamentos fracassados, desilusões amorosas e boa dose de descrença, como se toda a base do registro fosse orquestrada pela vida amorosa e diferentes tormentos do cantor. “Quem é você para julgar, quem é você para julgar?”, questiona o Tesfaye no refrão de The Hills, uma espécie de resposta e precioso indicativo do aspecto confessional que orienta o trabalho.

De nada adiantaria uma obra tão expositiva se a base instrumental do trabalho não fosse capaz de transmitir o mesmo aspecto emocional dos versos. Não por acaso, grande parte das composições são recheadas de pianos entristecidos, guitarras íntimas do R&B dos anos 1980 e samples resgatados de diferentes campos da música negra. Exemplo do atento diálogo de Tesfaye com o passado está em The Hills. Enquanto a voz triste do canadense sufoca em meio a conflitos amorosos, ao fundo, Can’t Stop Loving You, música gravada em 1976 por Soul Dog serve de estímulo para o crescimento da faixa. Continue reading

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The Weeknd: “Tell Your Friends” (VÍDEO)

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Abel Tesfaye finalmente conseguiu. Dois anos após o lançamento do instável Kiss Land (2013), obra que apresentou o The Weeknd dentro de uma grande gravadora, o produtor, compositor e cantor canadense parece ter encontrado o equilíbrio, transformando o aguardado Beauty Behind the Madness (2015), segundo álbum de estúdio, em uma obra que abraça tanto o clima “experimental” dos primeiros trabalhos lançados de forma independente – House of Balloons, Thursday e Echoes Of Silence – como o som “pop” da estreia pelo selo Republic.

Um bom exemplo disso está em Tell Your Friends. Mais recente singles de Tasfaye, a canção parece seguir a trilha dos últimos lançamentos do artista, como The HillsCan’t Feel My Face, flutuando entre bases nostálgicas do R&B e versos íntimos do pop. Para a divulgação do trabalho, Tesfaye conta a parceria de Grant Singer, diretor que já trabalhou com nomes como Ariel Pink, Skrillex e com o próprio The Weeknd anteriormente.

Beauty Behind the Madness (2015) será lançado no dia 28/10 pelo selo Republic.

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The Weeknd – Tell Your Friends

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How To Dress Well: “Precious Love” (VÍDEO)

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Se você voltar para 2010, quando Tom Krell lançou Love Remains, o primeiro disco do How To Dress Well, encontrará dois artistas completamente distintos. Encoberto por uma nuvem de ruídos e sons caseiros essencialmente ambientais, o desconhecido músico/produtor tentava a todo custo revelar ao público suas amargas impressões. Uma preferência sustentada com acerto em músicas como Suicide Dream 2 e Ready for the World, pequenas evidências do lado mais acessível e melódico do trabalho, além de uma explícita base para o recém-lançado “What Is This Heart?” (2014, Domino/Weird World), a obra mais completa de Krell até o presente momento.

Dissolvido com leveza e encarado como o registro mais comercial do músico, o terceiro álbum solo do How To Dress Well é um exercício de completar as lacunas deixadas para trás no também funcional Total Loss, de 2012. Se há dois anos o músico conseguiu extrair limpidez da massa sorumbática de sons que o apresentaram em começo de carreira, com o novo registro todas as canções surgem ainda mais polidas, íntimas do lado pop do artista – sempre reforçado em suas versáteis mixtapes. Todavia, antes de parecer um registro pré-fabricado, pronto para as massas, o novo álbum mantém firme a postura “anti-The 20/20 Experience“, limando os excessos do (neo-)R&B para presentear o ouvinte com uma obra essencialmente minimalista e complexa – mesmo em toda sua acessibilidade. Leia o texto completo.

Para celebrar ano de lançamento do álbum “What Is This Heart?” (2014), Tom Krell acaba de apresentar o mais novo clipe do How To Dress Well: Precious Love. Assista:

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How To Dress Well – Precious Love

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Beirut: “Gibraltar” (VÍDEO)

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A busca por um som cada vez mais pop parece apontar a direção para o quarto álbum de estúdio do Beirut. Intitulado No No No (2015), o registro de apenas nove composições inéditas parece manter na leveza dos vocais, arranjos e até na própria capa – imagem acima – um completo distanciamento do som incorporado por Zach Condon no antecessor (e denso) The Rip Tide (2011). Prova expressiva disso está no lançamento da econômica Gibraltar.

Das batidas ao uso dos pianos, da voz “manhosa” de Condon ao uso de instrumentos percussivos, poucas vezes uma composição do Beirut pareceu tão adorável e serena. Longe do universo de sons e referências ancoradas na cultura do Leste Europeu, Condon parece mergulhar de cabeça nas melodias tímidas de gigantes como Peter Gabriel e Paul Simon, raspando de leve na obra do cantor sueco Jens Lekman, semelhança também nítida dentro da faixa-título do novo disco. Tão leve quanto a própria canção é o clipe assinado por Brother Willis.

No No No (2015) será lançado no dia 11/09 pelo selo 4AD.

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Beirut – Gibraltar

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New Order: “Restless” (VÍDEO)

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Difícil não pensar em Restless como uma homenagem do New Order à própria carreira da banda. Do momento em que tem início o primeiro single de Music Complete (2015), décimo registro de inéditas do grupo de Manchester, cada acorde ou batida eletrônica serve de ponte para algum ponto específico dentro da discografia da banda. Do solo de guitarra, ainda apoiado na obra da extinta Joy Division, aos sintetizadores íntimos do clássico Power, Corruption & Lies (1983), toda a trajetória da banda parece resumida em pouco mais de quatro minutos de duração.

Autoplágio? De forma alguma. A julgar pelo completo estado de leveza que orienta a voz de Bernard Sumner, ou mesmo a sutil base atmosférica que cresce ao fundo da composição, poucas vezes o New Order pareceu tão criativo dentro do próprio cercado autoral. Dinâmica, a canção ainda abre passagem para a sequência de novas vozes que devem acompanhar o grupo no novo álbum. Representantes da cena atual – como Elly Jackson (La Roux) e Brandon Flowers -, artistas inspirados de forma confessa pela extensa discografia do grupo.

Music Complete (2015) será lançado no dia 25/09 pelo selo Mute.

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New Order – Restless

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Tame Impala: “Let It Happen” (VÍDEO)

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Olhe para a capa de Currents. Uma sequência de linhas retas, paralelas perfeitamente alinhadas. De repente: um susto. A interferência de um estranho objeto esférico, algo que “não deveria estar ali”. Agitação, desordem, caos. Antes organizadas, perfeitamente posicionadas, as retas de cores sóbrias agora se desmancham em uma corredeira instável, psicodélica. Um tracejado irregular, cheio de curvas, novas cores e caminhos talvez indefinidos. Lembrou de alguma coisa?

Muito além do caráter técnico, um simples “ilustração”, a imagem assinada pelo artista gráfico e músico norte-americano Robert Beatty resume com naturalidade a curta trajetória do Tame Impala. Enquanto a psicodelia suja e forte relação entre Innerspeaker (2010) e Lonerism (2012) representa a linearidade assumida pela banda nos últimos anos, os quase oito minutos de experimentos eletrônicos, colagens e adaptações de Let It Happen, faixa de abertura do presente álbum, revela a passagem para um caminho sinuoso, propositadamente instável, turbulento, que o grupo australiano assume no presente registro. Leia o texto completo.

Com direção assinada por David Wilson e parte da faixa “editada”, Let It Happen é o mais novo clipe da banda. Assista:

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Tame Impala – Let It Happen

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CHVRCHES: “Leave A Trace” (VÍDEO)

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Você não precisa ir além da capa de Every Open Eye (2015) – imagem acima – para perceber quais são as inspirações do segundo álbum da banda britânica CHVRCHES. Nitidamente inspirada no clássico Power, Corruption & Lies (1983), do New Order, a imagem funciona como pista para a busca por som nostálgico, carregado de sintetizadores e melodias típicas dos anos 1980, conceito que serve de base para a inédita Leave A Trace, primeiro single do novo registro em estúdio do trio de Glasgow.

De natureza melancólica, a faixa sustenta na voz doce de Lauren Mayberry uma típica peça de separação, encontrando no uso de melodias alongadas e batidas pontuais uma explícita relação com o R&B, marca que separa o novo (e ainda inédito) disco do antecessor The Bones of What You Believe (2013). Além da nova faixa, o grupo – completo com os produtores Iain Cook e Martin Doherty – ainda reserva uma sequência de 10 faixas inéditas, todas, como dito em entrevista, movidas pelo mesmo teor entristecido da presente composição. Assista abaixo ao clipe da canção.

Every Open Eye (2015) será lançado no dia 25/09 pelo selo GlassNote.

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CHVRCHES – Leave A Trace

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The Chemical Brothers: “Sometimes I Feel So Deserted” (VÍDEO)

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É admirável que mesmo 20 anos após o lançamento de Exit Planet Dust (1995), primeiro álbum de estúdio do duo The Chemical Brothers, Tom Rowlands e o parceiro Ed Simons ainda sejam capazes de manter a mesma proposta que apresentou o projeto: fazer o público dançar. Oitavo disco de inéditas da dupla original de Manchester, Inglaterra, Born in the Echoes (2015, Virgin / EMI), não apenas preserva a essência dançante das antigas composições, como expande ainda mais a fluidez enérgica das melodias e batidas.

Com 52 minutos de batidas firmes e bases psicodélicas, Born In The Echoes é uma obra que prende o ouvinte sem dificuldades. Do momento em que tem início Sometimes I Feel So Deserted, hipnótica faixa de abertura, Rowlands e Simons criam um verdadeiro cercado de temas e arranjos sedutores, prendendo o espectador com naturalidade até a derradeira e “compacta”Wide Open. A mesma coerência ressaltada no antecessor Further (2010), como o presente disco, um álbum feito para ser apreciado do começo ao fim. Leia o texto completo.

Primeira canção de Born in the Echoes (2015) a ser apresentada ao público, Sometimes I Feel So Deserted acaba de se transformar em clipe nas mãos do diretor Ninian Doff. Assista:

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The Chemical Brothers – Sometimes I Feel So Deserted

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Lana del Rey: “High By The Beach” (VÍDEO)

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Há tempos Lana del Rey não presenteava o público com uma composição tão acessível e íntima do próprio universo de referências quanto High By The Beach. Drogas, romances fracassados, a letargia/lisergia explícita nos vocais, além, claro, da a busca por um cenário bucólico, real e ainda fictício, lar das pequenas confissões exaltadas pela cantora. Um conjunto de elementos talvez “esquecidos” desde o single West Coast, posteriormente resgatados na também eficiente Honeymoon, e agora explorados com maior naturalidade (e acerto) em cada traço de voz, em cada batida da presente canção.

Longe do cenário de formas enevoadas e guitarra lançadas no álbum Ultraviolence (2014), High By The Beach dialoga abertamente com o mundo criado por del Rey em Born To Die (2011). Uma coleção de sonhos despedaçados e sussurros românticos cobertos por batidas e temas eletrônicos, proposta que flerta involuntariamente com o Trip-Hop dos anos 1990, entretanto, nunca se afasta do cercado de elementos autorais da artista. Assim como o single anterior, a nova composição é parte do inédito Honeymoon (2015), quarto álbum solo da cantora.

Assista abaixo ao clipe da canção. Honeymoon (2015) deve ser lançado em setembro pelos selos Polydor e Interscope.

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Lana del Rey – High By The Beach

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Hot Chip: “Started Right” (VÍDEO)

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Depois de cinco álbuns de estúdio – Coming on Strong (2004), The Warning (2006), Made in the Dark (2008), One Life Stand (2010), In Our Heads (2012) -, apresentações agendadas pelos quatro cantos do planeta e um dos acervos mais criativos da música atual – Over and Over, Boy From School, Ready for the Floor, Take It In -, seria natural que o Hot Chip sufocasse pelo peso da própria obra. Entretanto, em um sentido oposto ao de grande parte da nova safra de artistas – músicos e produtores incapazes de mantar a coerência depois do segundo ou terceiro disco -, o coletivo britânico não apenas confirma a boa forma, como parece longe de errar o passo dentro ou mesmo fora das pistas de dança.

Bastam os cinco minutos de Huarache Lights, faixa de abertura do sexto e mais recente trabalho do grupo para que o ouvinte seja “seduzido”. Em Why Make Sense? (2015, Domino), obra lançado depois de um hiato de três anos desde o último disco – período mais longo até então -, Alexis Taylor, Joe Goddard e demais parceiros de banda ultrapassam os limites da própria maturidade, aproximando o Hot Chip de todo um novo mundo de possibilidades, ritmos e referências musicais. Leia o texto completo.

Dirigida por Rollo Jackson, Started Right é a mais nova composição de Why Make Sense? a ser transformada em clipe. Assista:

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Hot Chip – Started Right

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