Tag Archives: Clipes

Angel Olsen: “Windows”

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Mais de quatro décadas separam Blue (1971), obra-prima da compositora canadense Joni Mitchell, do recém-lançado Burn Your Fire for No Witness (2014, Jagjaguwar), segundo e mais recente trabalho de estúdio de Angel Olsen. Ainda que os caminhos assumidos pelas duas artistas sejam bastante particulares – e quase opositivos em determinados aspectos líricos -, o princípio de orquestração temática de cada obra permanece o mesmo: a melancolia escancarada de um coração partido.

Apoiada em elementos lançados há décadas pela veterana, Olsen, longe de se afundar no martírio alcoólico das palavras, tenta sobreviver a qualquer custo, ensaio pontuado nos gritos de desespero que percorrem toda a obra. Menos tímido que o exercício proposto há dois anos com Half Way Home (2012), trabalho de estreia da novata, o presente álbum é um projeto que encontra nos arranjos clássicos – principalmente o Folk da década de 1970 -, um instrumento atento de comunicação com as palavras. Bases convencionais e pequenas fagulhas Lo-Fi que apenas reforçam a grandeza sóbria dos versos impostos pela cantora. Leia a resenha completa.

No vídeo produzido para Windows, a natural sutileza de Rick Alverson, um dos principais diretores em atuação e responsável por obras visuais como Magic Chords, de Sharon Van Etten e Goshen ’97 do Strand Of Oaks.

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Angel Olsen – Windows

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Belle & Sebastian: “The Party Line”

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Ainda que não exista uma ordem específica ou estrutura pré-determinada, de tempos em tempos parece comum ver o Belle and Sebastian assumir novo posicionamento em estúdio. Um esforço de renovação natural, base para toda uma nova sequência de registros autorais. Foi assim com If You Are Feeling Sinister (1996), The Life Pursuit (2006) e esta parece ser a base do aguardado Girls in Peacetime Want To Dance (2015), o nono projeto de estúdio do coletivo escocês.

Primeiro exemplar de inéditas desde o adorável Write About Love, de 2010, o registro sustenta na recém-lançada The Party Line um pouco do que o grupo parece reservar para os próximos lançamentos. Ou pelo menos para os próximos meses. Movida pelo uso de sintetizadores, arranjos dançantes e todo um arsenal de elementos parcialmente raros dentro do extenso material do grupo, a nova faixa sustenta mais de quatro minutos de melodias envolventes, prontas para as pistas, como uma versão aprimorada do material lançado no disco de 2006.

Produzido por Ben H. Allen – Animal Collective, Washed Out -, Girls in Peacetime Want To Dance conta com distribuição pelo selo Matador Records e estreia agendada para 19 de janeiro. Abaixo, o clipe coreografado por Robert Binet e dirigido pela dupla LeBlanc + Cudmore.

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Belle & Sebastian – The Party Line

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Arca: “Xen”

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As criaturas estranhas que aparecem no encarte e até mesmo vídeos de Xen (2014, Mute) funcionam como uma representação do som assinado por Arca. Instalado em um campo aberto ao experimento, o produtor venezuelano Alejandro Ghersi, grande responsável pelo projeto, parece brincar com as pequenas possibilidades rítmicas, interpretando e ou mesmo encaixando elementos tão íntimos do Hip-Hop e Ambient, quanto peças extraídas de diferentes campos da eletrônica recente.

Naturalmente centrado na ruptura de conceitos, Ghersi assume no primeiro álbum oficial um som que parece flutuar entre o autoral e a específica desconstrução da própria essência. Quem esperava por um trabalho homogêneo ou possível continuação do material explorado no decorrer da mixtape &&&&&, de 2013, talvez se decepcione. Ainda que seja possível amarrar as pontas entre a canção de abertura do álbum e a derradeira Promise, cada peça do registro transporta ouvinte (e criador) para um cenário completamente novo, por vezes isolado. Leia a resenha completa.

Assista agora ao vídeo de Xen, trabalho dirigido pelo velho parceiro de Arca, Jesse Kanda, e continuação do clipe produzido para Thievery.

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Arca – Xen

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Tereza: “Calçada da Batalha”

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Das músicas que abastecem Vem Ser Artista Aqui Fora (2012), registro de estreia da banda carioca Tereza, Calçada da Batalha talvez seja a que melhor represente a (nova) sonoridade pop incorporada pelo grupo. Longe das guitarras aceleradas, versos crescentes e atmosfera “rock” de Onça EP (2011), a colorida canção se espalha em meio ao uso de batidas e sintetizadores tropicais, princípio para o visual explorado no novo clipe do quinteto.

Exageradamente colorido, o vídeo funciona como uma propaganda para o fictício Galada Glass. Misto de Google Glass, Tinder e Lulu, o gadget promete “experiências incríveis” e “sensações quentes” ao usuário, sendo altamente recomendado para você que “não pega ninguém” – este não é um post patrocinado. Abaixo, o vídeo com o invador produto testado pela própria banda.

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Tereza – Calçada da Batalha

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Rustie: “Lost” (ft. Redinho)

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De todos os aspectos ressaltados no trabalho de Rustie em Glass Swords (2011), o mais interessante deles se concentra na imensa carga de referências dissolvidas pela obra. Da homenagem ao jogo The Legend of Zelda: Ocarina of Time em Hover Trap, passando pelos sintetizadores em Flash Back – típicos do Van Halen -, a estreia do artista escocês é mais do que uma coleção de gêneros sobrepostos – Dubstep, Hip-Hop, R&B, Pop, Techno e até Rock Progressivo -, mas uma obra a ser desvendada dentro e principalmente fora das pistas.

Com a apresentação de faixas como Raptor e Attak nos últimos meses, todas as evidências indicavam que Green Language (2014, Warp) seria conduzido sob o mesmo refinamento do antecessor. Batidas intensas, harmonias detalhadas de sintetizadores e até o uso coeso de vocais – assumidos pelo amigo/colaborador Danny Brown. Uma sensação de que os elementos e temas entregues no registro de estreia seriam não apenas expandidos, mas acrescidos por toda uma nova carga de experiências. Doce ilusão. Leia a resenha completa.

Assista abaixo ao clipe de Lost, trabalho dirigido por A-Rock.

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Rustie – Lost (ft. Redinho)

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Hundred Waters: “Out Alee”

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Ouvir as canções do grupo norte-americano Hundred Waters é como ser transportado para o mundo dos sonhos. A voz doce de Nicole Miglis, guitarras e sintetizadores etéreos e um acervo imenso de melodias detalhadas de forma mágica, com extrema delicadeza. Em fase de divulgação do último álbum de estúdio, The Moon Rang Like A Bell (2014), a banda de Gainesville, Flórida, convida o espectador a viajar com o som harmônico e imagens que agora abastecem Out Alee.

Síntese dos temas lançados pelo grupo ao longo do novo álbum, a canção equilibra sintetizadores e batidas enquanto os vocais de Miglis crescem de forma intensa. Recomendado para quem acompanha o trabalho de artistas como Björk e Julia Holter, o vídeo dirigido por Michael Langan talvez seja a melhor forma de ser apresentado ao trabalho do grupo. Leia a resenha completa de The Moon Rang Like A Bell.

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Hundred Waters – Out Alee

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José González: “Every Age”

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Voz, violões e um punhado de sentimentos. Desde a estreia em carreira solo com Veneer, em 2003, a beleza em relação ao som de José González sempre esteve relacionada ao detalhamento simples dos elementos incorporados pelo músico sueco. Sussurros melancólicos acompanhados de parcos ruídos acústicos. Passados sete anos desde que apresentou ao público o último registro solo, In Our Nature (2007), González regressa ao mesmo cenário aconchegante para desembrulhar Every Age, peça de apresentação do esperado Vestiges & Claws (2015).

Primeiro invento particular do músico depois de um longo hiato, a sutil composição mostra que mesmo os dois discos pela banda paralela Junip – Fields (2010) e Junip (2013) – não interferiram nos projetos individuais de González. Em um exercício de reapresentação, o cantor espalha acordes e vocais simples lentamente, acolhendo o ouvinte no interior da faixa. Tão coerente quanto a composição é o vídeo desenvolvido para ela e dirigido por Simon Morris e Chris Higham: o planeta Terra recriado pela lente de uma câmera enviada de balão ao espaço.

Com lançamento pelo selo Mute, Vestiges & Claw estreia oficialmente em 17 de fevereiro de 2015.

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José González – Every Age

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Metronomy: “The Upsetter”

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A busca por um conceito diferente a cada novo trabalho em estúdio parece guiar com sabedoria a proposta do Metronomy. Fugindo da solução redundante que parecia anunciada no primeiro álbum da banda, Pip Paine (Pay the £5000 You Owe), de 2006, a preferência por arranjos minimalistas e vocalizações melódicas parece ter dado um salto desde a chegada de The English Riviera (2011), álbum que encontra no recém-lançado Love Letters (2014, Because Music) não apenas uma continuação, mas um recheio para o conjunto de experiências controladas que abasteceram as anteriores criações do grupo.

Menos econômico, mas ainda assim sutil em relação ao disco de 2011, o novo trabalho foge das reverberações praianas da década de 1960 para abraçar de vez o espírito dos anos 1970. Da Soul Music imposta por David Bowie no clássico Young Americans (1975), aos versos românticos despejados por Stevie Wonder em sua melhor fase, cada minuto do novo álbum mantém letras, instrumentos e vozes apontados para o passado. Um direcionamento que beira a nostalgia, mas funciona com novidade nas mãos dos britânicos. Leia a resenha completa.

Abaixo, mais um ótimo clipe da banda. A escolhida foi The Upsetter e a direção é de Daren Rabinovitch.

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Metronomy – The Upsetter

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Lucas Santtana: “Partículas de Amor”

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A mudança de direção a cada novo trabalho talvez seja a única constante dentro da obra de Lucas Santtana. Da colagem de ritmos nos dois primeiros discos – Eletro Ben Dodô (2000), Parada de Lucas (2003) -, passando pelo dub em 3 Sessions in a greenhouse (2006) e bossa nova em Sem Nostalgia (2009), há sempre renovação nos álbuns lançados pelo baiano – “confortável” apenas na melancolia sóbria de O deus que devasta, mas também cura (2012).

Em Sobre Noites e Dias (2014, Dignois), mais recente trabalho em estúdio de Santtana, curioso notar que a proposta do artista passa a ser outra. Ainda que álbum seja desenvolvido a partir de um novo tema/gênero específico – neste caso, a “música eletrônica” -, é evidente como grande parte da obra pode ser encarada como um atento resumo de toda a discografia do cantor. Leia a resenha completa.

Gravado no Rio de Janeiro, Bariloche e Deserto do Atacama, no Chile, abaixo você encontra o clipe de Partículas do Amor, trabalho dirigido por Julio Secchin.

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Lucas Santtana – Partículas de Amor

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Ariel Pink: “Picture Me Gone”

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A julgar pelo esforço de Ariel Pink em Black Ballerina e Put Your Number In My Phone, mesmo que pom pom (2015) fosse apresentado como EP, já teríamos um dos grandes registros de 2014. Melodias sujas, diálogos com os primeiros trabalhos em estúdio do músico norte-americano e toda uma avalanche de referências empoeiradas. Pink não apenas desvendou o pop à sua maneira, como ainda desenvolveu um universo de experiências musicais próprias, proposta evidente na recém-lançada Picture Me Gone.

Sintetizadores densos, voz transformada em instrumento e uma curiosa interpretação dos próprios sentimentos. Cada segundo dentro da melancólica composição é como ser transportado para diferentes cenários e sensações. Um mergulho nas trilhas sonoras dos anos 1970, um passeio por 1980 e um rápido tropeço no som desvendado em Before Today (2010). Hipnótica, a canção prende ainda mais o espectador graças ao vídeo (bizarro) do diretor Grant Singer. Com distribuição pelo selo 4AD, pom pom estreia no dia 17 de novembro.

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Ariel Pink – Picture Me Gone

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