Tag Archives: Clipes

Arca: “Thievery”

Arca

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Em pouco menos de um ano o venezuelano/nova-iorquino Alejandro Ghersi deixou de ser apenas um nome estranho da cena norte-americana para se transformar em um dos produtores mais disputados da música recente. Mais conhecido pelo trabalho à frente do Arca, Ghersi passou os últimos meses entre produções para artistas como Kanye West e FKA Twigs, além de faixas e projetos visuais desenvolvidas ao lado do parceiro Jesse Kanda – com quem lançou Fluid Silhouettes no começo do ano.

Depois de uma ótima mixtape lançada em agosto do último ano – &&&&& (2013) -, é hora de sermos apresentados ao primeiro registro oficial do artista: Xen (2014). Previsto para estrear no dia quatro de novembro pelo selo Mute, o álbum resume na inédita Thievery não apenas um aperitivo das demais composições, mas também um curioso distanciamento do material lançado há poucos meses. Muito mais “controlado”, Ghersi testa agora ambientações, batidas e samples em um cenário quase convidativo para o ouvinte médio, esbarrando vez ou outras nas mesmas imposições de Clams Casino e até AraabMuzik durante o primeiro disco.

Como já era esperado, a direção do clipe de Thievery acabou nas mãos do parceiro Jesse Kanda, responsável pelo corpo misterioso que dança, rebola e perturba ao longo das imagens.

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Arca – Thievery

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Thiago Pethit: “ROMEO”

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A transformação assumida por Thiago Pethit em Estrela Decadente (2012) está longe de ser interrompida no terceiro álbum de estúdio do músico paulistano. Passo seguro em relação ao material apresentado há dois anos, Rock’n’Roll Sugar Darling (2014) reforça com naturalidade a comunicação do músico com o Pop/Rock de diferentes décadas, abandonando de vez o ambiente tímido esboçado no debut Berlin, Texas, de 2010. Previsto para estrear em novembro, o trabalho reflete nas melodias de ROMEO um pouco do que será explorado ao longo do novo disco. Muito mais acessível do que o registro anterior, Pethit investe no uso de falsetes, versos pegajosos e toda a uma estrutura cênica/romântica que o acompanha desde os primeiros EPs.

Ativo expoentes de bons videoclipes na cena brasileira, o cantor reforça no clipe de Rafaela Carvalho o mesmo esmero do grandioso Moon, um dos grandes vídeos nacionais lançados no último ano. Centrado em um casal problema – no melhor estilo Assassinos Por Natureza (1994) -, o trabalho estrelado por Lucas Veríssimo e Maria Laura Nogueira pode ser apreciado na íntegra logo abaixo. Interessados podem baixar o single gratuitamente no site do cantor.

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Thiago Pethit – ROMEO

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Volcano Choir: “Tiderays”

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O longo distanciamento entre um trabalho e outro, a plena compreensão sobre a própria obra e um domínio maduro dos versos garantiram a Justin Vernon um território isolado no cancioneiro norte-americano. Seja aos comandos do Bon Iver ou dentro das incontáveis colaborações que alicerçam o trabalho de outros artistas – entre os mais recentes Kanye West e Poliça -, cada verso sussurrado pelo cantor se encaminha para um teor de beleza irreplicável. Tratamento autoral para o que engrandece a construção de Repave (2013, Jagjaguwar), segundo e mais novo trabalho de Vernon com os parceiros do Volcano Choir.

Em um direcionamento contrário ao planejamento acústico que se estende por todo Unmap (2009), estreia do coletivo, o novo álbum eleva a mesma proposta que Vernon vem desenvolvendo desde o último disco do Bon Iver, agora, em um teor cada vez mais próximo do épico. Com um destaque ainda maior para as interferências sintéticas – principalmente as vozes consumidas pelo autotune e os sintetizadores eletrônicos -, a banda usa do registro em um projeto de escada, como se a cada passo dado, mais intensamente os elementos são aplicados. Leia a resenha completa.

Tão assertivo quanto o clipe de Byegone, o vídeo de Tiderays – trabalho dirigido por Kyle Buckley e Andi Woodward – usa a música do Volcano Choir como o pano de fundo para um balé visual.

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Volcano Choir – Tiderays

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SBTRKT: “New Dorp, New York” (feat. Ezra Koenig)

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Lançada no encerramento de julho, New Dorp, New York talvez seja a representação do lado mais “pop” e dançante do novo álbum de SBTRKT. Comandada pelos vocais cantados/declamados de Ezra Koenig, o segundo single de Wonder When We Land (2014) aponta a clara intenção do presente registro de Aaron Jerome: a constante adaptação de ritmos musicais. Neste caso, temas tropicais-jamaicanos, naturais aos esforços de Koenig em sua banda, o Vampire Weekend.

Para o clipe da faixa, entretanto, nada da mesma interpretação visual. Dirigido por Fons Schiedon, a animação parte da mesma criatura que listra a capa de Wonder When We Land. Em um movimento que acompanha o ritmo da canção, o “personagem” – uma representação animalesca do próprio SBTRKT – atravessa uma cidade desértica, estacionando na mesma mão que serve de cena para a arte do álbum.

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SBTRKT – New Dorp, New York (feat. Ezra Koenig)

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The Antlers: “Refuge”

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Toda banda – por mais versátil que ela possa parecer – um dia encontra uma fórmula e busca sobreviver dela. Com o The Antlers não poderia ser diferente. Depois de dois álbuns recebidos de forma tímida por público e crítica – Uprooted (2006) e In the Attic of the Universe (2007) -, a banda comandada por Peter Silberman encontrou no ambiente lírico e musicalmente complexo de Hospice (2009) um natural ponto de apoio. Nascia ali o tecido conceitual do grupo nova-iorquino e a base para o recém-lançado Familiars (2014, ANTI-).

Sequência ao bem explorado Burst Apart, de 2011, o novo álbum é ao mesmo tempo uma extensão do ambiente musical concebido pela banda – completa com Michael Lerner e Darby Cicci -, e um fino aprimoramento da estética levantada há cinco anos. Naturalmente denso e carregados por versos de pura melancolia e confissão, o disco foge da raiva pontual que se escondida nos dois últimos registros para mergulhar de vez em um cenário dominado pela aceitação – mesmo que dolorosa – de diversos temas existencialistas e sentimentais. Leia a resenha completa.

Assista abaixo ao clipe de Refuge.

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The Antlers – Refuge

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Ariel Pink: “Put Your Number In My Phone”

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Em mais de duas décadas de registros caseiros, fitas demo ou mesmo detalhados projetos em estúdio, Ariel Marcus Rosenberg, o Ariel Pink, em nenhum momento apresentou ao público um trabalho assinado individualmente, sob o próprio título. Entre projetos colaborativos, como o Jorge Elbrose – ao lado do músico Jorge Elbrecht -, além de bandas, caso do Ariel Pink’s Haunted Graffiti, a proposta “coletiva” atua de forma contrastada em relação aos versos confessionais e ambientações sensíveis há décadas solucionadas pelo artista. Bom, pelo menos até agora.

Depois de alguns conflitos com os antigos parceiros do Haunted Graffiti e inclinado ao lançamento de faixas autorais, Pink abre as portas do primeiro registro “em carreira solo”: Pom Pom (2014). Álbum duplo, o registro de 17 faixas e 69 minutos de duração traduz no Soft Rock nostálgico de Put Your Number In My Phone uma boa representação daquilo que a 4AD apresenta em totalidade no dia 18 de novembro.

Psicodelia controlada, guitarras que esbarram no Jangle Pop dos anos 1980, além de sintetizadores típicos do parceiro John Maus – referência presente em todas as partes da canção. Elementos doces, artesanais, mas que em nenhum momento distorcem a sonoridade aprazível alcançada em Before Today (2010).

Abaixo, o ótimo clipe de Grant Singer para a composição.

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Ariel Pink – Put Your Number In My Phone

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A Sunny Day In Glasgow: “Double Dutch”

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Por mais assertivo que tenha sido o regresso de Kevin Shields com M B V (2013) – o primeiro álbum do My Bloody Valentine após um hiato de 22 anos -, muito do que acompanha o veterano do Shoegaze / Dream Pop se acomoda em uma série de redundâncias naturais, típicas do gênero. Blocos colossais de ruídos, distorções tratadas de forma sobreposta e todo um catálogo de efeitos a serem dissolvidos com o passar da obra. Transformação do ponto de vista da música “comercial”, mas uma evidente continuação dentro da própria carreira de Shields – ainda mais se observarmos o detalhamento que acompanha a formação de Loveless (1991), a obra-prima do compositor.

Shields não é o único. Se você observar atentamente, muito do que orienta a formação ruidosa e os arranjos do gênero – salvo exceções -, cedo ou tarde se reconfigura em um trabalho marcado pela reciclagem de fórmulas. Do Deerhunter em Monomania (2013) – uma versão mais acelerada e crua de Microcastle (2008) -, ao Wild Nothing em Nocturne (2012) – uma nítida continuação deGemini (2010) -, veteranos e novatos acabam aos poucos atraídos pelo conforto. Curioso encontrar em Sea When Absent (2014, Lefse), novo álbum do A Sunny Day in Glasgow, uma obra que se distancia completamente desse princípio. Leia a resenha completa.

Com direção de Jen Goma e Luisa Conlon, o clipe (curtinho) de Double Dutch.

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A Sunny Day In Glasgow – Double Dutch

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Angel Olsen: “All Right Now” e “High & Wild”

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Repleto de referências aos sons incorporados no Country/Folk dos anos 1970, Burn Your Fire for No Witness (2014) é mais do que uma representação da essência musical de Angel Olsen, mas uma tradução amarga dos sentimentos da própria artista. Satisfatório em se tratando do conjunto de 11 faixas que definem a versão original do trabalho, o sucessor do satisfatório Half Way Home (2012) ganha no dia 18 de novembro uma edição especial abastecida por cinco composições inéditas.

Também com lançamento pelo selo Jagjaguwar, o “novo” álbum resume na singeleza de All Right Now uma mostra convincente do que Olsen reserva para os próximos meses. Adornada pelos mesmos elementos referenciais do restante da obra, a canção borbulha em um agregado de vocalizações sublimes e arranjos econômicos, um resumo de todo o material lançado no começo de fevereiro. Além da nova música, a cantora aproveitou para apresentar o clipe de High & Wild, registro caseiro que conta com o apoio do próprio público e membros da banda de apoio da artista.

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Angel Olsen – All Right Now

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Angel Olsen – High & Wild

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Holly Herndon: “Home”

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Quem acompanha o trabalho de Holly Herndon desde o álbum Movement, de 2012, sabe da estrutura complexa que invade cada criação da compositora/pesquisadora musical. Inclinada ao executar de peças complexas, diferentes métodos de gravação e uso experimental da voz, a artista californiana vem desde o começo do ano investindo na ativa relação entre som e imagem, preferência já reforçada durante a construção do clipe de Chorus, porém, aprimorada com o lançamento de Home.

Íntima das mesmas referências lançadas por Daniel Lopatin no último álbum do Oneohtrix Point Never, R Plus Seven (2013), a canção flutua em um mar de formas digitais e acústicas instáveis, porém, controladas. São mais de seis minutos de formas sobrepostas, imagens limpas e uma chuva de referências visuais capazes de completar as lacunas de voz deixadas pela cantora. A direção do vídeo conta com a assinatura do estúdio holandês Metahaven.

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Holly Herndon – Home

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Christopher Owens: “Never Wanna See That Look Again”

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Como Nothing More Than Everything To Me já havia comprovado há poucas semanas, Christopher Owens finalmente parece ter “se encontrado” desde o encerramento das atividades do Girls, sua antiga banda. Livre da sonoridade bucólica/tímida anunciada no primeiro registro solo – Lysandre (2013) -, o cantor e compositor norte-americano estreita novamente a relação com as guitarras, melodias pegajosas e versos carregados pelo romantismo exagerado que somente ele parece controlar, premissa para a recém-lançada Never Wanna See That Look Again.

Mais novo exemplar do ainda inédito A New Testament, a presente composição arrasta o ouvinte por efêmeros dois minutos de puro acerto e brilho pop. Na trilha das canções mais descompromissadas do clássico Album, de 2009, a faixa é a pista que faltava para que o cantor aumentar a expectativa e preparar de vez o terreno para o disco – previsto para o dia 30 de setembro.

Acima, a capa do single. Abaixo você encontra o vídeo da composição, quem quiser saber um pouco mais sobre a proposta do clipe pode ler a entrevista de Owens para o site Dazed Digital.

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Christopher Owens – Never Wanna See That Look Again

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