O sample minimalista, trabalhado em loop torto, ponte para a base instrumental da canção. Batidas secas que se espalham em uma ordem quase matemática. A voz “instrumental”, como um complemento ao jogo de pequenas sutilezas e ruídos eletrônicos. Em Mastaba, composição escolhida para anunciar o terceiro álbum de estúdio do grupo paulistano Aldo, The Band, todos os elementos são revelados aos poucos, em pequenas doses.

Menos enérgica em relação aos principais lançamentos da banda, vide Sunday Dust e 2nd Hand Chest, a nova faixa indica a busca do coletivo por um som cada vez mais experimental, estímulo para o sucessor do álbum Giant Flea (2015), trabalho que conta com distribuição prevista para o segundo semestre de 2017. Delicada e complexa, Mastaba ainda conta com um clipe dirigido pelo fotógrafo e cineasta Urso Morto (Fabricio Brambatti).

 

Aldo The Band – Mastaba

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Com Singing Saw – 29º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2016 –, o cantor e compositor Kevin Morby alcançou um novo estágio dentro da própria discografia. Casa de algumas das melhores composições já lançadas pelo músico estadunidense, caso de I Have Been to the Mountain, Black Flowers e Water, o registro apresentado no último ano deve receber uma preciosa “continuação” nos próximos meses.

Intitulado City Music (2017) e gravado durante as sessões que deram origem ao material de Singing Saw, o novo álbum de Morby deve reforçar um novo aspecto no som produzido pelo artista. Basta voltar os ouvidos para Come To Me Now, mais recente criação do músico e uma solução de versos entristecidos, arrastados, no melhor estilo Lou Reed. Um registro quase claustrofóbico, como uma fuga da leveza reforçada há poucos meses.

City Music (2017) será lançado no dia 16/06 via Dead Oceans.

 

Kevin Morby – Come To Me Now

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Quem esperava por uma possível continuação do som acústico e intimista do álbum Put Your Back N 2 It, de 2012, acabou encontrando em Too Bright – 27º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2014 –, uma obra de ruptura. Terceiro registro de inéditas de Mike Hadreas como Perfume Genius, o disco lançado há três anos serviu para aproximar o músico de um universo de temas eletrônicos e pequenos experimentos, proposta que deve se repetir No Shape (2017).

Quarto álbum de estúdio do cantor e compositor norte-americano, o registro de 13 faixa inéditas sintetiza na recém-lançada Slip Away parte do som produzido por Hadreas. Um som inicialmente claustrofóbico, minimalista, produzido a partir da lenta sobreposição dos elementos, mas que explode em uma nuvem de sons e vozes quase ensurdecedoras. Vozes e arranjos que se projetam de forma cênica, como um estímulo para o clipe teatral que leva a assinatura do diretor Andrew Thomas Huang.

 

No Shape

01 Otherside
02 Slip Away
03 Just Like Love
04 Go Ahead
05 Valley General
06 Wreath
07 Every Night
08 Choir
09 Die 4 You
10 Sides (Feat. Weyes Blood)
11 Braid
12 Run Me Through
13 Alan

No Shape (2017) será lançado dia 05/05 via Matador Records.

 

Perfume Genius – Slip Away

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Em meados do último ano, a cantora e compositora californiana Molly Burch presenteou o público com duas canções inéditas. De um lado, o romantismo de Downhearted, música que parece saída de algum clássico da década de 1950/1960. No outro oposto, o tempero litorâneo de Try, faixa ancorada em diversas referências do passado, mas que dialoga de forma natural com toda uma sequência de novos representantes da música norte-americana.

Essa mesma dualidade acaba decidindo o rumo das canções apresentadas em Please Be Mine (2017, Captured Tracks), primeiro álbum de estúdio de estúdio produzido por Burch. Acúmulo de ideias e referências que passeia por diferentes décadas e tendências, o registro de apenas dez faixas faz de conflitos da própria cantora um instrumento de comunicação com o público. Confissões amorosas, medos e tormentos que se espalham em meio a guitarras e vozes enevoadas. Leia o texto completo.

Faixa-título do primeiro álbum em carreira solo de Molly Burch, a dolorosa Please Be Mine foi a canção escolhida para se transformar no mais novo clipe da cantora. A direção da música ficou por conta de Jordan Moser.

 

Molly Burch – Please Be Mine

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Livre dos experimentos e da eletrônica torta explorada no primeiro registro de estúdio, em 2013, com o lançamento de Overgrown, James Blake abraçou de vez a relação com o soul/R&B. Do canto melancólico que cresce em músicas como Retrograde e Life Round Here ao uso delicado das batidas e vozes, cada faixa do segundo álbum de inéditas do cantor e produtor britânico confirma a busca por um som descomplicado, acessível aos mais variados públicos, preferência que se reforça com o terceiro e mais recente trabalho do produtor, o extenso The Colour in Anything (2016, 1-800 Dinosaur / Polydor).

Produzido em um intervalo de dois anos, entre 2014 e 2016, o registro de 17 faixas e quase 80 minutos de duração chega até o público como o trabalho mais sensível, maduro e intimista de Blake. A cada curva do trabalho, um novo lamento solitário. Versos que mergulham em conflitos sentimentais (Love Me in Whatever Way), declarações de amor (Always) e tormentos (My Willing Heart) que confirmam a versatilidade do jovem artista – possivelmente o maior soulman britânico da presente década. Leia o texto completo.

 

Parte do ótimo The Colour in Anything – 19º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2016 –, My Willing Heart é o novo clipe de James Blake. Estrelado pela atriz Natalie Portman, o vídeo conta com a direção de Anna Rose Holmer.

 

James Blake – My Willing Heart

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Aprontada por diferentes veículos como um dos grandes nomes da nova safra da música eletrônica, a britânica Kelly Lee Owens acaba de lançar o primeiro álbum da estúdio. São dez composições, parte delas já conhecidas do público, mas que devem reforçar techno-pop produzido pela artista desde os primeiros singles. Para promover o registro – que conta com distribuição pelo selo Smalltown Supersound –, Owens apresenta o clipe de Anxi.

Conduzida pela mesma atmosfera cinza de faixas como CBM, Oleic e outras composições recentes da produtora, Anxi. se destaca pela curiosa participação da cantora Jenny Hval. Em um intervalo de quase quatro minutos de duração, batidas minimalistas e sintetizadores se abrem para a rápida interferência da artista sueca. Um registro sufocante, claustrofóbico, por vezes íntimo do veterano Arthur Russell (1951 – 1992), uma das principais influências de Owens. A direção do clipe é de Kim Hiorthøy.

 

Kelly Lee Owens – Anxi

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Responsável por uma das melhores músicas da presente década, Bassically, a cantora e produtora Valerie Teicher anuncia a chegada do primeiro álbum como Tei Shi. Intitulado Crawl Space (2017), o registro deve ampliar ainda mais o som produzido pela artista nova-iorquina, reforçando o diálogo entre a música pop, o R&B e pequenos experimentos que há tempos acompanham o trabalho da musicista, em constante transformação dentro da recente How Far.

Mais recente single da cantora, a canção exige tempo até seduzir o ouvinte completamente. Um ato lento, deliciosamente provocante, como uma versão orgânica do mesmo R&B-Eletrônico produzido por FKA Twigs, Lydia Ainsworth outros nomes próximos. Transformada em clipe, trabalho que conta com a assinatura da produtora Dreamtiger, How Far mostra Tei Shi baleada e perseguida de carro por um assassino misterioso.

Crawl Space (2017) será lançado no dia 31/03 via Downtown/Interscope.

 



Tei Shi – How Far

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Com A Montanha Mágica e O Enigma dos Doze Sapos já é possível ter uma boa noção do material produzido pelos integrantes da banda paulistana BIKE para o segundo álbum da carreira. Intitulado Em Busca da Viagem Eterna (2017), o sucessor de 1943 – 17º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2015 –, revela a busca por um som delirante e etéreo, como uma extensão cósmica do som explorado há pouco mais de dois anos.

Em Do Caos ao Cosmos, mais recente single do grupo paulista, um som ainda mais complexo e louco. Inaugurada pela força das guitarras e vozes ásperas, a canção lentamente se transforma em um ato de pura lisergia e libertação. Um som reconfortante, quase espiritual, conceito que dialoga de forma explícita com o clipe produzido pela dupla Matias Borgström e Rodrigo Notari. A relação de proximidade entre homem e natureza a partir de ritual de meditação.

 

Bike – Do Caos ao Cosmos

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Dois anos após o lançamento de O Novato – 23º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2015 –, o cantor e compositor mineiro Luan Nobat está de volta com um novo projeto. Pelos próximos meses, o artista deve produzir um “conteúdo inédito e amplo que será publicado ao longo dos próximos meses no seu canal do YouTube“. Uma seleção de composições inéditas e versões adaptadas do trabalho de diferentes artistas.

Canção escolhida para apresentar esse novo projeto, Sudoeste, de Adriana Calcanhotto, se transforma em um pequeno experimento por parte do cantor e compositor mineiro. Originalmente produzida para o álbum A Fábrica do Poema, de 1994, a parceria entre a cantora e o compositor Jorge Salomão não é a primeira faixa já interpretada ao vivo por artista. Para a turnê do álbum Disco Arranhado, de 2012, Nobat decidiu interpretar a faixa Inverno.

 

Nobat – Sudoeste

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Original da cidade de Seattle, o Chastity Belt é um projeto de indie rock/dream pop comandado pelo quarteto Julia Shapiro (guitarra, vocal), Lydia Lund (guitarra), Annie Truscott (baixo) e Gretchen Grimm (bateria). Responsáveis por uma das melhores estreias de 2015 com Time to Go Home, o grupo anuncia anuncia a chegada do segundo álbum de estúdio. Um registro de dez faixas inéditas intitulado I Used to Spend So Much Time Alone (2017).

Música de abertura do novo disco, Different Now foi justamente a canção escolhida para apresentar o trabalho e se transformar no mais novo clipe da banda. Inaugurada pela construção de um precioso ato instrumental, batidas e guitarras que parecem vindas de algum disco do Sonic Youth, a nova faixa indica um claro amadurecimento quando comparado ao último trabalho da banda, percepção reforçada na letra intimista que cresce ao longo da canção.

I Used to Spend So Much Time Alone (2017), será lançado no dia 02/06 via Hardly Art.

 

Chastity Belt – Different Now

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