Desde o lançamento de Everlasting Sigh, em março deste ano, que o cantor e compositor norte-americano Moses Sumney vem assumindo uma sonoridade cada vez mais complexa, essencialmente experimental. São batidas e vozes maquiadas pelo uso de efeitos eletrônicos, ruídos atmosféricos e todo um catálogo de temas percussivos. Uma série de elementos que se agrupam dentro do mais “recente” lançamento do artista: Worth It.

Velha conhecida das apresentações ao vivo do cantor, a faixa dominada pelo uso do auto-tune reaparece agora finalizada. Vozes e batidas trabalhadas em uma ambientação minimalista,  proposta que acaba aproximando Sumney do som produzido por artistas como Bon Iver e, claro, Sufjan Stevens, velho colaborador do músico. Junto da canção, o delicado clipe de Allie Avital, registro que explora a transformação do corpo como instrumento.

 

Moses Sumney – Worth It

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Com uma peruca prateada na cabeça, Angel Olsen passou os últimos meses construindo a imagem de um suposto alter ego. Uma suposta personagem que tomou conta dos vídeos de InternShut Up Kiss Me, revelando não apenas uma nova postura por parte da artista, mas uma nova sonoridade. Em Sister, mais recente criação da musicista e uma das canções que abastecem o terceiro álbum de estúdio da cantora, My Woman (2016), uma espécie de regresso.

Da imagem “real”d a cantora à sonoridade que abraça de forma explícita a música Country, reforçando o som produzido em Burn Your Fire for No Witness, de 2014, tudo indica que Olsen “está de volta”. Junto da canção, um extenso ato que ultrapassa os sete minutos de duração, a artista se une ao diretor Conor Hagen para produzir o clipe de Sister. Um passeio pelas paisagens desérticas dos Estados Unidos, finalizando tudo em um mergulho da cantora em uma piscina.

My Woman (2016) será lançado no dia 02/09 pelo selo Jagjaguwar.

Angel Olsen – Sister

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Cinco anos após o lançamento de The Less You Know, the Better (2011), Josh Davis está de volta com um novo álbum como DJ Shadow. Em The Mountain Will Fall (2016), quinto registro de inéditas do responsável pelo clássico Endtroducing….. (1996), o produtor original de San Jose, Califórnia, decidiu rechear parte das 12 canções que abastecem o disco com um time de convidados que vai do pianista alemão Nils Frahm ao duo de Hip-Hop Run The Jewels.

Para a canção assinada em parceria com Killer Mike e El-P, Davis decidiu investir pesado. No clipe da canção, trabalho que conta com a direção de Sam Pilling, somos transportados para dentro de uma sala repleta de líderes globais. A diferença? No lugar do discurso, uma seleção de rimas e ataques verbais que acabam resultando em uma pancadaria generalizada, ponto de partida para um dos melhores clipes de 2016.

DJ Shadow – Nobody Speak (feat. Run The Jewels)

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Desde que deixei você / Eu encontrei um mundo novo”. Mais do que um inflamado grito de libertação, o verso central de Since I Left You, faixa-título do primeiro álbum de estúdio do The Avalanches, parece indicar o longo período de experimentação e novas sonoridades que viriam a ser exploradas pelo coletivo australiano. Em um longo intervalo que durou 16 anos, os parceiros Robbie Chater, James Dela Cruz e Tony Di Blasi se concentraram na busca por fragmentos esquecidos dos anos 1960, 1970 e 1980, presentearam o público com um delicado acervo de mixtapes e retornam agora com o colorido Wildflower (2016, Modular / Astralwerks), uma obra tão ampla e significativa quanto o trabalho apresentado no começo de 2000.

Tal qual o registro que o antecede, o novo álbum – uma seleção com 21 faixas e mais de 60 minutos de duração –, se revela como uma criativa colcha de retalhos, vozes e experimentos. São fragmentos que atravessam a década de 1960 – caso de Come Together dos Beatles, em The Noisy Eater –, exploram o som colorido dos anos 1980 – vide Subways da cantora Chandra –, além de um bem servido catálogo de rimas, trechos de filmes, vozes e ruídos que se espalham da abertura do disco, em Because I’m Me, à derradeira Saturday Night Inside Out. A própria capa do álbum  sintetiza as inspirações do grupo, uma reinterpretação do clássico There’s a Riot Goin’ On (1971) do grupo Sly & the Family Stone. Leia o texto completo.

Colorida, erótica e psicodélica, a animação produzida por Mrzyk & Moriceau para Subways é o mais novo clipe do The Avalanches. A canção é parte do excelente Wildflower (2016), primeiro trabalho do coletivo australiano após um hiato de 16 anos em estúdio.

The Avalanches – Subways

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De todos os trabalhos que devem ser lançados nos próximos meses, Redemptionheart (2016) – capítulo final da trilogia que teve início em Goldenheart (2013) e Blackheart (2015) –, talvez seja um dos mais aguardados. Mesmo com diferentes canções apresentadas nas últimas semanas, caso de Honest e Serpentine Fire, a cantora acaba sempre voltando ao território do novo disco, presenteando o próprio público com algum fragmento do aguardado registro.

É o caso de Cali Sun. Uma das canções mais acessíveis de toda a curta discografia da cantora, a nova faixa não apenas distancia Richard dos experimentos testados no registro apresentado em 2015, como mostra a capacidade da cantora, ex-integrante do coletivo feminino Danity Kane, em dialogar com o grande público. Uma seleção de batidas e vozes quentes, fuga do R&B convencional que sempre acompanhou a artista e uma ponte para o Pop/EDM. Junto da canção, o clipe dirigido por Robert Coin.

Dawn Richard – Cali Sun

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Um dos principais problemas de artistas como Interpol e outros gigantes do revival pós-punk no começo da década passada foi a busca precoce por um som cada vez mais limpo, plástico e “comercial”. Canções originalmente climáticas, densas, mas que acabaram se perdendo em um jogo rápido de rimas e refrão acessível. O tipo de sonoridade evitada pelos integrantes do Preoccupations durante o lançamento de Viet Cong – um dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2015 –, e que deve se repetir dentro da nova fase da banda canadense.

Semanas após o lançamento Anxiety, uma das melhores e mais sombrias composições apresentadas nos últimos meses, Degraded mostra que o grupo mantém firme a busca por um som cada vez mais complexo, sujo e intimo das experiências que abasteceram o final dos anos 1970. Dos sintetizadores que crescem lentamente, ao precioso ruído que escorre das guitarras, difícil não ser atraído pela atmosfera sombria produzida pela banda. Dirigido por Valentina Tapia, o clipe da canção segue uma trilha oposta ao conceito acinzentado da faixa, revelando uma coleção de texturas e retalhos de imagens.

Preoccupations (2016), será lançado no dia 16/09 pelo selo Jagjaguwar.

Preoccupations – Degraded

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O globo espelhado gira lentamente. Nas paredes, tiras de neon se espalham por todos as partes como setas, guiando o espectador por um caminho marcado pelo uso excessivo de drogas, passos descompassados de dança, vestidos de lantejoulas e declarações de amor que seguem até o letreiro colorido que ilumina a pista: VEGA INTL. Night School.

Quatro anos após o último álbum, Era Extraña (2011), o músico norte-americano Alan Palomo ultrapassa os limites de uma simples obra de estúdio, transformando o terceiro registro de inéditas do Neon Indian em uma verdadeira de discoteca conceitual. Em um exercício nostálgico que se estende desde a estreia com Psychic Chasms, de 2009, cada faixa do trabalho, mais do que um produto referencial, abraça os costumes, exageros e elementos típicos dos clubes de dança que explodiram entre o final dos anos 1980 e início da década de 1990. Kitsch, retrô, vintage ou mera cópia, não importa, do momento em que o som empoeirado de Hit Parade tem início, todo o colorido universo que marca a boa fase da New Wave/Italodisco é minuciosamente resgatado pelo produtor. Leia o texto completo.

Alan Palomo não vem economizando esforços para o novo álbum do Neon Indian, VEGA INTL. Night School (2015). Depois dos ótimos clipes de SlumlordTechno Clique, o produtor está de volta com o vídeo de Annie, uma divertida colagem de referências que mergulha de cabeça na estética dos anos 1980. A direção do trabalho é de Dustin Reid.

Neon Indian – Annie

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Há tempos que o Dinosaur Jr. não presenteava o público com uma faixa tão suja e “caseira” quanto a recém-lançada Goin Down. Parte do novo álbum de estúdio do grupo norte-americano, Give A Glimpse Of What Yer Not (2016) – leia a resenha –, a canção de quatro minutos cresce em meio ao jogo de guitarras de J Mascis, revelando uma sonoridade abafada, inicialmente contida, mas que explode nos instantes finais da faixa, efeito do poderoso solo que corta a composição.

Apresentada ao público poucas semanas após o lançamento do clipe de Tiny, trabalho que conta com a direção de Laurie Collyer e mostra até um buldogue andando de skate, a nova faixa mostra o conceito jovial que rege o 11º álbum de inéditas do grupo de Amherst, Massachusetts. Como skate nunca é demais nos clipes da banda, o novo vídeo do grupo, trabalho dirigido por Atiba Jefferson, mostra banda mais uma vez se apresentando em uma pista de skate.

Give A Glimpse Of What Yer Not (2016) foi lançado no dia 05/08 pelo selo Jagjaguwar.

Dinosaur Jr. – Goin Down

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Em 2013, com o lançamento de Heartthrob, as irmãs Tegan e Sara Quin assumiram de vez a busca por um som cada vez mais pop, dançante e íntimo das experiências musicais testadas ao longo de toda a década de 1980. Entre faixas como Closer e I Was a Fool, a explícita desconstrução do material intimista incorporado nos iniciais If It Was You (2002) e So Jealous (2004), conceito que se repete em cada uma das canções do recente Love You to Death (2016, Vapor / Warner Bros).

Oitavo álbum de estúdio da dupla canadense, o registro que conta com produção assinada pelo veterano Greg Kurstin (Lily Allen, Kelly Clarkson) faz de cada fragmento musical um componente pegajoso, acessível aos mais variados públicos. Da abertura do disco, em That Girl, passando por músicas como Stop Desire e Boyfriend – dois dos melhores exemplares da música pop em 2016 –, uma coleção de faixas capazes de “seduzir” em poucos instantes. Leia o texto completo.

Um dos trabalhos mais pegajosos do ano, Love You to Death (2016), novo álbum da dupla canadense Tegan and Sara acaba de ter mais uma de suas canções transformada em clipe. Dirigido por Lisa Hanawalt e animado por Nicole Stafford, o vídeo mostra a vida noturna de um cavalo gigante.

Tegan and Sara – Hang on to the Night

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Em 2013, quando deu início ao processo de gravação do primeiro álbum em carreira solo, Black Hours (2014), Hamilton Leithauser, também integrante do The Walkmen, decidiu convidar Rostam Batmanglij, na época integrante do Vampire Weekend, para a produção do trabalho. O resultado está na construção de faixas essencialmente melódicas, íntimas do pop explorado entre os anos 1960 e 1970, base de A 1000 Times, canção escolhida para apresentar o primeiro álbum colaborativo da dupla: I Had A Dream That You Were Mine (2016)

Diferente do trabalho apresentado Alexandra, antiga parceria entre os músicos, a nova faixa parece crescer lentamente, esbarrando em conceitos típicos do Vampire Weekend. Da batida seca que se espalha ao fundo da composição, passando pelo uso dos sintetizadores íntimos de toda a série de canções recentes de Batmanglij, todos os elementos se agrupam de forma a dialogar com o trabalho do grupo nova-iorquino, se abrindo para a melancólica interferência vocal de Leithauser. Para o clipe da canção, dirigido por Josh Goleman e Batmanglij, o lento crescimento dos dois integrantes da banda, começando com a presença de duas crianças, passando pela aparição dos músicos reais e até a fase adulta assumida pelos pais dos artistas.

I Had A Dream That You Were Mine (2016) será lançado no dia 23/09 via Glassnote.

Hamilton Leithauser + Rostam – A 1000 Times

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