Tag Archives: Dance

Disco: “Quack”, Duck Sauce

Duck Sauce
Electronic/Disco House/Dance
https://soundcloud.com/ducksaucenyc

Por: Cleber Facchi

Duck Sauce

Se existisse um tipo de separação territorial entre a “eletrônica inteligente” e a “eletrônica para as massas”, Armand Van Helden e A-Trak estariam exatamente no encontro entre estes dois opostos conceituais. Atentos ao que impera como exigência dentro das esferas mais comerciais da música, porém, vindos de uma escola madura de experimentos sintéticos, o duo norte-americano fez do Duck Sauce um verdadeiro cruzamento de essências. Um efeito que o hit Barbra Streisand trouxe em um raro desprendimento pop-cult, Big Bad Wolf exagerou em de forma escrachada em som e imagens, mas Quack (2014, Fool’s Gold), aguardada estreia do duo, transmite em um dinamismo natural.

Distante de possíveis surpresas, o cobiçado debut se revela como uma verdadeira coleção de pequenos sucessos conquistados ao longo dos anos. Estão lá músicas como a funkeada aNYway, lançada em 2009, as nostálgicas Radio Stereo e It’s You, entregues em 2013, além, claro, da “homenagem” feita especialmente para Streisand. Preguiça? Pelo contrário, apenas uma cola necessária para o catálogo de pequenas novidades dissolvidas no decorrer da obra. Faixas que brincam com a inicial estética da dupla e aos poucos rumam para um cenário de evidente novidade. Ou quase isso.

Com ares de mixtape nostálgica ou programa de rádio abastecido por clássicos dos anos 1970 – tamanha a carga de interferências vocais e colagens bruscas dentro de cada faixa -, Quack mantém firme o principal componente na obra do Duck Sauce: o descompromisso. Por todos os lados do disco, músicas essencialmente comerciais e íntimas da Disco House emulam referências tão empoeiradas quanto dançantes. Um caminho direto para a dupla alcançar o grande público, se não fosse a comicidade aleatória que reforça o parcial hermetismo da dupla transmitido nos diálogos do álbum. Não chega a ser uma piada interna, mas limita, de forma quase proposital, o crescimento do registro.

Em um exercício de continuação ao que Daft Punk (Random Access Memories), Blood Orange (Cupid Deluxe), Toro Y Moi (Anything In Return) e tantos outros artistas proclamaram no último ano, Quack é um passeio pela música concebida há quase quatro décadas. Todavia, enquanto a seriedade e o esforço referencial parecem guiar o trabalho de boa parte dos artistas, como um mergulho na década de 1970, a estreia do Duck Sauce jamais se distancia do presente. Basta um passeio pela fluência acelerada de Spandex ou da pop Goody Two Shoes (com um perfume de Chromeo) para perceber a relação entre a Disco Music e a EDM – presentes em essência ao longo da obra. Continue reading

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Fujiya & Miyagi: “Flaws”

Flaws

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Pelo visto não foram apenas os nova-iorquinos do Liars em Mess (2014) que resolveram apostar todas as ficas em um som dançante e ao mesmo tempo experimental. Para o quinto registro em estúdio, Artificial Sweeteners, o grupo britânico Fujiya & Miyagi parece investir (pesado) na mesma fórmula. Experiência já comprovada nos antigos discos do grupo e reforçada no lançamento do single Tetrahydrofolic Acid, o novo projeto encontra na recém-lançada Flaws uma continuação.

Apresentada há poucas semanas apenas em áudio, a música tem a própria sonoridade expandida por conta do vídeo dirigido por Alexander Peverett. Apostando no uso das cores e em um visual semi-psicodélico – se é que isso é possível -, o diretor converte o fluxo da canção em um abastecimento para as imagens, marcadas pela sujeira das cores e a colagem (tosca) dos integrantes da banda. Para quem se interessou, Artificial Sweeteners estreia no dia seis de maio.

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Fujiya & Miyagi – Flaws

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Lana Del Rey: “Meet Me In The Pale Moonlight”

Lana Del Rey

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É de Lana Del Rey um dos registros mais aguardados do ano. Terceiro álbum de estúdio da cantora norte-americana, Ultraviolence deve abrir passagem para que a artista aposte em um conjunto de novas harmonias e arranjos, aspecto declarado na recém-lançada Meet Me In The Pale Moonlight. Mais novo single da autora de Born To Die, a nova faixa quebra completamente a morosidade dos primeiros Hits da artista, que agora aproveita para passear pela década de 1970.

Nitidamente inspirada pelo trabalho da dupla Daft Punk, em Random Access Memories (2013), a canção envereda para a música Disco sem grandes pretensões. São mais de três minutos de guitarras bem enquadradas, sintetizadores e a voz (pela primeira vez) tratada de forma menos maquiada possível. Passagem para o novo álbum – que conta com assinatura de Dan Auerbach (The Black Keys) como produtor -, a faixa reforça o completo distanciamento do último álbum, marcado de foram expressiva pela lentidão.

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Lana Del Rey – Meet Me In The Pale Moonlight

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Disco: “Mess”, Liars

Liars
Electronic/Experimental/Alternative
http://liarsliarsliars.com/

Por: Cleber Facchi

Liars

Previsibilidade é uma palavra que está longe de rechear o dicionário da banda nova-iorquina Liars. Há mais de uma década em constante transformação sonora, o projeto comandado por Angus Andrew, Aaron Hemphill e Julian Gross encontra no recém-lançado Mess (2014, Mute) um novo cenário de possibilidades. Quebrando a herança sombria do antecessor WIXIW, de 2012, o novo projeto abraça a eletrônica em um sentido naturalmente experimental, mas também de forte configuração “pop”. Um salto que encontra as pistas, mas consegue ir além de um mero registro para as massas.

Fazendo valer o próprio título – em português, “bagunça” -, o disco usa do cruzamento de ideias como um palco para possíveis novidades. São 11 composições ascendentes que comprovam (mais uma vez) a versatilidade de seus autores. Tendo na fluidez eletrônica um princípio, o trio investe com firmeza na colagem de arranjos e diferentes suplementos instrumentais, um sentido de continuação quando próximo do álbum de 2012, porém, uma obra que busca aproximar a banda de todo um novo conjunto de experiências.

Quem conheceu a trio no começo dos anos 2000, ou mais especificamente a partir de Drum’s Not Dead, registro que apresentou oficialmente o grupo em 2006, talvez encontre no novo disco uma obra de completo afastamento. Esqueça as guitarras sujas, o desespero e o flerte constante com o Art Rock. Cada vez mais distante do noise invasivo que acompanhou a banda até o lançamento de Sisterworld, em 2010, o novo álbum busca se aproximar com acerto de uma massa de abertos ao público médio. Pelo menos durante a primeira metade do trabalho.

Enquanto Mask Maker, Vox Tuned D.E.D. e I’m No Gold, no começo do álbum, abraçam com certa dose de nostalgia o Dance Punk dos anos 2000, a partir de Darkslide os rumos se alteram. Sétima faixa do disco, a canção encontra na colagem de sons eletrônicos e completo experimento um efeito de expansão para a obra. Uma sensação de que quanto mais o trio se concentra nas experiências sintéticas da obra, mais o labirinto de sons por eles projetados se amplia. Se há uma década as guitarras guiavam as experiências do grupo, hoje são os teclados, laptops e pequenas colagens minimalistas que apontam a direção. Continue reading

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Cozinhando Discografias: New Order

Por: Cleber Facchi

New Order

A seção Cozinhando Discografias consiste basicamente em falar de todos os álbuns de um artista, ignorando a ordem cronológica dos lançamentos. E qual o critério usado então? A resposta é simples, mas o método não: a qualidade. Dentro desse parâmetro temos uma série de fatores determinantes envolvidos, que vão da recepção crítica do disco no mercado fonográfico, além, claro, dentro da própria trajetória do grupo e seus anteriores projetos. Vale ressaltar que além da equipe do Miojo Indie, outros blogs parceiros foram convidados para suas específicas opiniões sobre cada um dos trabalhos, tornando o resultado da lista muito mais democrático e pontual.

Nascido das cinzas ainda recentes do Joy Division, o New Order é mais do que uma sequência daquilo que Bernard Sumner, Stephen Morris e Peter Hook haviam testado na década de 1970, mas a base para um dos projetos mais transformadores da cena musical dos anos 1980. Com um catálogo de obras adoradas pelo público e crítica – caso de Technique, Power, Corruption & Lies e Movement -, a banda britânica conseguiu aproximar pós-punk, eletrônica e uma série de outros conceitos dentro de um só universo. Uma seleção inteligente de obras que se estende por mais de três décadas e chega agora em mais um Cozinhando Discografias especial com as bandas que integram o Lollapalooza Brasil 2014. Continue reading

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Chromeo: “Jealous (I Ain’t With It)”

Chromeo

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Cada nova música lançada por David Macklovitch e Patrick Gemayel só reforçam o que parecia previsto desde Sexy Socialite: o Chromeo anda muito, muito inspirado. Passeando por uma série de conceitos que abasteceram a disco music no meio da década de 1970, além de um catálogo de possibilidades que guiaram a New Wave nos anos 1980, o duo canadense faz da cativante Jealous (I Ain’t With It) mais uma pista quente do que pode vir a orientar White Women, quarto e mais novo álbum da dupla.

Econômica, a canção utiliza dos pouco mais de quatro minutos de duração como um mecanismo de estímulo para as pistas. São falsetes, sintetizadores e a tradicional linha de baixo que há tempos dita a obra da dupla, tudo resolvido em um conjunto de referências comerciais, prontas para os diferentes públicos. Bem-humorados, os canadenses apresentam agora o clipe da canção, que firma na temática do casamento uma premissa para as imagens.

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Chromeo – Jealous (I Ain’t With It)

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Architecture In Helsinki: “I Might Survive”

Indie

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O pop é parte substancial da presente fase do coletivo Architecture In Helsinki. Dando sequência aos inventos coloridos de Moment Bends, álbum de 2011, a banda australiana reserva para o dia 1º de abril a chegada de NOW + 4EVA, quinto trabalho de estúdio do grupo e um catálogo de boas melodias. Assim como em Dream a Little Crazy, lançada ao final de janeiro, em I Might Survive, novo single do inédito disco, as boas reverberações orientam a atuação da banda.

Soando como uma canção perdida dos anos 2000, a nova música resgata todas as experiências de grupos como I’m From Barcelona, Of Montreal e demais grupos da época. Uma coleção de referências que atravessa a Disco Music, cai no pop fofinho do Belle and Sebastian até aparecer em uma estrutura típica do grupo de Fitzroy. Com lançamento pelo selo Casual Workout, NOW + 4EVA é facilmente um dos registros mais aguardados do primeiro semestre.

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Architecture In Helsinki – I Might Survive

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Florrie: “Seashells”

Florrie

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A britânica Florrie parece bastante confortável em aparecer vez ou outra seguida de um EP breve. Depois de três projetos bem recebidos pelo público – Introduction (2010), Experiments (2011) e Late (2012) -, a artista original de Bristol abre as portas do quarto projeto de estúdio: Sirens. Previsto para abril, o novo EP parece seguir a trilha dos trabalhos que o antecedem, marca explícita na formação melódica da grudenta Seashells.

Cruzando referências que vão da eletrônica dos anos 1980 ao pop atual em questão de segundos, a nova música é tudo aquilo que os fãs da cantora vêm experimentando desde os primeiros singles. Com um refrão essencialmente pegajoso, Florrie entrega um achado musical que funciona tanto dentro como fora das pistas, proposta que mantém a canção em alta até o eultimo segundo.

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Florrie – Seashells

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Major Lazer: “Lose Yourself” (Feat. RDX & Moska)

Major Lazer

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Quando quer fazer o público dançar, Diplo sabe muito bem por que fazer. Depois do mediano Free the Universe, lançado no último ano, o produtor norte-americano reserva para o dia 25 de fevereiro a chegada de mais um novo EP: Apocalypse Soon. Lançado pelos selos Mad Decent e Secretly Canadian, o novo projeto reforça a constante relação de Diplo com os ritmos do verão, efeito evidente na recém-lançada Lose Yourself.

Uma das canções que abastecem o novo trabalho, a música utiliza dos mais de três minutos de duração como um instrumento de aquecimento para o ouvinte. Frenética, a faixa segue até o último instante em meio a batidas crescentes, quase anfetaminadas, um palco para as vocalizações de RDX e Moska, convidados de Diplo. Curtinha e com ares de composição ao vivo, a faixa é tudo o que o produtor não conseguiu sustentar no último ano, mas volta a acertar agora.

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Major Lazer – Lose Yourself (Feat. RDX & Moska)

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Chuck Inglish: “Legs” (feat. Chromeo)

Chuck Inglish

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Depois da volta do Cool Kids com duas novas canções, chega a vez de Chuck Inglish, uma das metades da dupla, preparar caminho para um novo invento solo. Intitulado Convertibles e com lançamento previsto para meados de Abril, o registro mais parece uma festa particular do rapper, que aparece cercado por um verdadeiro time de colaboradores em cada uma das 12 faixas do registro. Entre nomes como Chance the Rapper, Ab-Soul e Action Bronson, o destaque acaba ficando por conta da dupla Chromeo e o clima dançante de Legs.

Primeira canção do registro a ver a luz do dia – ou da noite -, a faixa migra diretamente para os anos 1970, solucionando no cruzamento das batidas, sintetizadores, cordas e da linha de baixo toda a avalanche de acertos. Íntima do clima Neo-Disco que a dupla canadense vem desenvolvendo para o novo álbum, White Women, a canção em poucos instantes atravessa as rimas de Inglish, caindo diretamente nas pistas.

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Chuck Inglish – Legs (feat. Chromeo)

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