Tag Archives: Dance

Skylar Spence: “Affairs”

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Com o lançamento de Can’t You See, em meados de junho, Ryan DeRobertis conseguiu criar bastante expectativa para o projeto Skylar Spence. Novo pseudônimo escolhido pelo produtor nova-iorquino, também responsável pelo Saint Pepsi, o projeto que flerta com a música Disco, Chillwave e Future Pop deve ter o primeiro disco apresentado nos próximos meses, Prom King (2015), solucionando na recém-lançada Affairs uma eficiente continuação do single anterior.

Versão menos intensa do último trabalho do produtor, a nova faixa joga com elementos típicos da eletrônica empoeirada que tomou conta dos Estados Unidos desde o final da última década. Um meio termo entre o som dançante e os vocais enevoados de Washed Out, semelhança que ultrapassa a similaridade entre as vozes de Spence e Ernest Greene, solucionando uma música tão próxima das pistas, quanto relaxante, íntima de obras como Within and Without (2011).

Prom King (2015) será lançado no dia 18/09 pelo selo Carpark.

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Skylar Spence – Affairs

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CHVRCHES: “Leave A Trace”

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Você não precisa ir além da capa de Every Open Eye (2015) – imagem acima – para perceber quais são as inspirações do segundo álbum da banda britânica CHVRCHES. Nitidamente inspirada no clássico Power, Corruption & Lies (1983), do New Order, a imagem funciona como pista para a busca por som nostálgico, carregado de sintetizadores e melodias típicas dos anos 1980, conceito que serve de base para a inédita Leave A Trace, primeiro single do novo registro em estúdio do trio de Glasgow.

De natureza melancólica, a faixa sustenta na voz doce de Lauren Mayberry uma típica peça de separação, encontrando no uso de melodias alongadas e batidas pontuais uma explícita relação com o R&B, marca que separa o novo (e ainda inédito) disco do antecessor The Bones of What You Believe (2013). Além da nova faixa, o grupo – completo com os produtores Iain Cook e Martin Doherty – ainda reserva uma sequência de 10 faixas inéditas, todas, como dito em entrevista, movidas pelo mesmo teor entristecido da presente composição.

Every Open Eye (2015) será lançado no dia 25/09 pelo selo GlassNote.

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CHVRCHES – Leave A Trace

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Disco: “Emotion”, Carly Rae Jepsen

Carly Rae Jepsen
Pop/Synthpop/R&B
https://www.carlyraemusic.com/

Quem se deixou guiar apenas por Call Me Maybe ou, pelo mesmo motivo, torceu o nariz para o segundo álbum solo de Carly Rae Jepsen, talvez tenha deixado passar um dos grandes exemplares da música pop recente. Por trás do romantismo plástico de Kiss (2012), um time seleto de produtores e a confessa necessidade da artista em brincar com o gênero, adaptando referências espalhadas por toda a década de 1980. Exagero em torno de uma “simples cantora pop”? Então como explicar a coleção de acertos e composições também radiantes de Emotion?

Terceiro registro em estúdio da artista canadense, o novo trabalho segue a cartilha de um típico registro pop: um arrasa quarteirão para as pistas de dança (I Really Like You), uma dobradinha de composições capazes de estender a permanência da jovem nas paradas de sucesso (Gimmie Love, Your Type), além, claro, de uma melancólica balada romântica (All That). Faixas de natureza radiofônica, comerciais, porém, alicerçadas em cima de um abrangente catálogo de referências.

Em entrevista à revista Billboard, Jepsen apontou nomes como “Robyn, Kimbra, La Roux e Dragonette” entre as principais influências do novo álbum. Artistas de fato centradas na música pop, porém, alheias ao som fabricado em grande parte dos estúdios norte-americanos. Bastam os saxofones nostálgicos de Run Away With Me, música de abertura do presente disco, para perceber o quanto Jepsen mantém distância desse cenário, buscando em conceitos, temas instrumentais e disputados produtores da “cena alternativa” uma espécie de novo refúgio criativo.

Do time original de produtores que acompanharam Jepsen em Kiss, poucos sobreviveram. Para ocupar a lacuna, “novatos” como Ariel Rechtshaid (Haim, Sky Ferreira), Devonté Hynes (Blood Orange) e Rostam Batmanglij (Vampire Weekend, Discovery). Mesmo na construção das faixas mais pegajosas do disco, como I Really Like You e Your Type, a busca da cantora por produtores e compositores alheios ao cenário estadunidense serve de estímulo para o nítido toque de renovação da obra. São veteranos da música sueca – como Rami Yacoub, Carl Falk e Peter Svensson – e até conterrâneos da cena indie canadense – caso de Zachary Gray (The Zolas) e Ajay Bhattacharyya (Data Romance). Continue reading

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DJ-Kicks: 10 Discos Essenciais

Lançada em 1995 pelo selo germânico !K7 Records, a série DJ-KiCKS é de longe um dos projetos mais importantes (e versáteis) da música eletrônica atual. Originalmente pensada como um resumo da cena Techno/House que se espalhava pela Europa na década de 1990, a seleção de obras lentamente expandiu seus conceitos, absorvendo diferentes panoramas, gêneros e preferências musicais em mais de 20 anos de produção. Entre trabalhos assinadas por produtores (Four Tet, Carl Craig), músicos (Erlend Øye, Annie) e até mesmo bandas (Hot Chip, Chromeo), a série acaba ter o 50º registro apresentado ao público. Para celebrar a sequência de lançamentos, um resumo com 10 discos essenciais do catálogo DJ-KiCKS. Continue reading

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Santigold: “Radio”

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Master of My Make-Believe pode não ter repetido o mesmo sucesso e rico acervo de composições do inaugural Santogold (2008), entretanto, está longe de parecer um tropeço dentro da curta trajetória de Santi White. De fato, são as mesmas batidas e arranjos testados no álbum de 2012 que servem de base para o mais novo trabalho da artista nova-iorquina, a recém-lançada (e intensa) Radio.

Escolhida para integrar a trilha sonora de Cidades de Papel (Paper Town), filme inspirado na obra homônima do escritor John Green, a recente faixa curiosamente remete ao acervo de outra película baseada nos trabalhos de Green, A Culpa é das Estrelas (2014). Das batidas ao vocal pegajoso, difícil não lembrar de Boom Clap, da cantora britânica Charli XCX e uma clara referência para o novo trabalho de Santigold. Além da nova música, ao que tudo indica, a cantora deve apresentar um novo álbum pelos próximos meses.

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Santigold – Radio

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Disco: “Ratchet”, Shamir

Shamir
Electronic/Hip-Hop/Indie
https://www.facebook.com/Shamir

Shamir Bailey ainda não havia nascido quando a Disco Music ganhou nova roupagem no final dos anos 1980 com a explosão da Italo Disco e a House Music no começo da década seguinte. Nascido em 1994, o artista original da cidade de Las Vegas era apenas uma criança quando o “movimento” Nu-Disco tomou conta da cidade de Nova York no início dos anos 2000, sendo apresentado ao trabalho de artistas como Hercules and Love Afair, Scissor Sisters e Azari & III somente na adolescência.

Interessante perceber em Ratchet (2015, XL), primeiro registro em estúdio do cantor, uma espécie de síntese involuntária de todas essas cenas, reformulações e novos rumos que marcam diferentes fases da música eletrônica. Personagem central da própria obra, Shamir destila sentimentos (In For The Kill), estreita a relação com as pistas (Call it Off) e cria na estrutura flexível dos arranjos (On The Regular) uma obra tão vasta que é difícil encaixar o álbum em um cercado específico.

De vocal andrógino, ao finalizar o primeiro álbum de inéditas, o jovem de apenas 20 anos parece ir ainda mais longe em relação ao material e sonoridade curiosa explorada no single On the Regular. Primeiro grande sucesso de Shamir, a canção apresentada em 2014 parece servir de estímulo para todo o restante do álbum, fragmentando as (novas) composições entre o canto, a rima e o natural compromisso com as pistas. Recortes, colagens e pequenas apropriações conceituais que aos poucos revelam a identidade colorida do artista.

Em uma contínua mudança de direção, por vezes brusca, cada faixa de Ratchet se transforma em um plano isolado dentro da obra. Seguindo a mesma trilha de Azealia Banks em Broke With Expensive Taste (2014), Shamir parece testar os próprios limites, brincando com faixas de essência eletrônica, como Hot Mess e Make a Scene, até composições reclusas, de natureza romântica, caso de Demon e Darker, essa última um fino retrato da aproximação do jovem músico em relação ao R&B dos anos 1990. Até violões aparecem na derradeira KC, música exclusiva da edição virtual do disco. Continue reading

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Duran Duran: “Pressure Off” (Ft. Janelle Monáe & Nile Rodgers)

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Alguma vez você imaginou ver a banda britânica Duran Duran, o produtor Nile Rodgers e a cantora Janelle Monáe trabalhando juntos? Provavelmente não, certo? Verdadeira surpresa, o resultado dessa inusitada parceria está na assertiva Pressure Off. Primeiro single de Paper Gods (2015), aguardado 14º registro de inéditas dos veteranos da New Wave, a canção é apenas uma das faixas do novo álbum que será repleto de boas colaborações e convidados “inesperados” – entre eles, Mr Hudson, John Frusciante e Kieza.

Dançante, a recente faixa parece pronta para as pistas. Guitarra funkeada, a voz limpa de Simon Le Bon e a precisa colaboração de Monáe, elementos que resgatam a mesma sonoridade exaltada por gigantes como Michael Jackson na década de 1980 e ainda se “disfarça” de registro ao vivo por conta do coro de vozes e palmas que acompanham a faixa nos instantes finais. Difícil escapar da letra grudenta da composição, de longe, um dos melhores exemplares da música pop em 2015.

Paper God (2015) será lançado no dia 11/09 pelo selo Warner Bros.

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Duran Duran – Pressure Off (Ft. Janelle Monáe & Nile Rodgers)

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Robyn & La Bagatelle Magique: “Love Is Free” (Feat. Maluca)

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Robyn adora pegar o próprio público de surpresa. Prestes a se apresentar no Brasil pelos próximos meses, a cantora/produtora sueca acaba de anunciar o lançamento de mais um novo projeto: Robyn & La Bagatelle Magique. Passo além em relação ao trabalho desenvolvido com a dupla Röyksopp no mini-álbum Do It Again, de 2014, o novo projeto dividido o tecladista Markus Jägerstedt e o produtor Christian Falkcom mostra uma artista renovada, cada vez mais próxima da eletrônica concebida nos anos 1990 e tão dinâmica quanto nos últimos registros de estúdio.

Primeira composição desse novo projeto – definido simplesmente como “banda” em entrevista à produtora Annie Mac, na BBC Radio -, Love Is Free é um retrato do som (cada vez mais) jovial de Robyn, ativa desde a série Body Talk (2010). Aos comandos da dupla de produtores, a faixa dividida com Maluca esbarra em conceitos típicos da obra de M.I.A., preferência que em nenhum momento distorce a essência da obra da cantora sueca.

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Robyn & La Bagatelle Magique – Love Is Free (Feat. Maluca)

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Skylar Spence: “Can’t You See”

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Vaporwave, Disco Pop, Chillwave, Future Pop ou simplesmente Dance Music; não importa o estilo ou rótulo dado ao trabalho de Ryan DeRobertis: a busca por um som de natureza dançante sempre será a base do trabalho assinado pelo produtor nova-iorquino. Mais conhecido pelo trabalho “Lo-Fi” dentro do projeto Saint Pepsi, DeRobertis volta a investir em outro de seus principais projetos, Skylar Spence para lançar pelo selo Carpark Records o primeiro álbum “de verdade”: Prom King (2015).

Escolhida para apresentar o esperado registro, a enérgica Can’t You See abre passagem para o som descompromissado, leve e divertido do produtor. Logo nos primeiros segundos, a imediata lembrança da dupla Daft Punk no clássico Discovery (2001), estímulo que logo serve de passagem para o uso de arranjos e temas típicos de DeRobertis, ainda mais pop e capaz de se relacionar com o grande público do que dentro das ambientações do Saint Pepsi.

Prom King (2015) será lançado no dia 18/09 pelo selo Carpark Records.

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Skylar Spence – Can’t You See

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Disco: “Peace Is the Mission”, Major Lazer

Major Lazer
Electronic/Dancehall/Pop
http://majorlazer.com/

Há tempos Diplo não apresentava um trabalho tão coeso e versátil quanto o recém-lançado Peace Is the Mission (2015, Mad Decent). Passado o turbilhão instável que bagunçou as canções no antecessor Free the Universe (2012) – registro carregado de boas composições, porém, sufocado pelo excesso de faixas descartáveis e repetitivas -, o produtor se livra dos exageros , diminui o número de parceiros e encontra no pop uma ferramenta funcional, base para grande parte das canções no presente álbum.

Próximo e ao mesmo tempo distante do material apresentado em 2009 com Guns Don’t Kill People… Lazers Do, primeiro trabalho aos comandos do Major Lazer, Diplo ainda mantém o diálogo com diversos elementos do DanceHall/Reggae, porém, os rumos agora são outros. Confortado em temas e estruturas melódicas, o novo disco reflete ainda mais a face “comercial” do produtor, capaz de flertar com referências extraídas da EDM sem necessariamente fazer disso a base para um som penoso, íntimo dos exageros e tropeços de ouros artista próximos – como Skrillex e Calvin Harris.

Terceiro e mais curto registro do “coletivo” até aqui – são apenas 32 minutos de duração divididos em nove canções -, Peace Is the Mission faz de cada canção um hit imediato, radiofônico e acessível aos mais variados públicos. Cercado por novatos da cena alternativa – caso da dupla Wild Belle, Elliphant e MØ – e parceiros de longa data na produção, Diplo transporta para dentro do trabalho a mesma energia explorada nas apresentações ao vivo do projeto. Uma atuação rápida e carregada de faixas grudentas na medida certa.

Ainda na primeira metade do disco, uma metralhadora de versos fáceis e melodias essencialmente dançantes. Too Original, Be Together e Powerfull, músicas que repetem a mesma estrutura acessível do single Lean On – canção produzida em parceria com DJ Snake -, prendendo o ouvinte a atenção do ouvinte até o último segundo. Difícil se desvencilhar de elementos pontuais como a voz límpida de Jovi Rockwell (em Too Original) ou as referências tropicais que crescem as rimas/canto do convidado Chronixx em Blaze Up The Fire, faixa que mais se aproxima da proposta do Major Lazer com o primeiro disco. Continue reading

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