A colisão de ritmos continua sendo a base do som produzido pela banda de Seattle Beat Connection. Hip-Hop encontra o rock enquanto a música eletrônica passeia por décadas de referências. Gêneros distintos, mas que acabaram servindo de base para toda a discografia do grupo norte-americano, vide a dobradinha formada por Surf Noir (2011) e The Palace Garden (2012), além, claro, do ainda recente Product 3, entregue pelo quarteto no último ano.

É justamente desse mesmo trabalho que vem a essência para a construção do mais novo single do grupo: For The Record. Flutuando por entre décadas, a canção que explora os movimentos Balearic Beat e Chillwave chega até o cenário colecionando vozes, batidas levemente dançantes e experimentos controlados, esbarrando com naturalidade no trabalho de outros artistas locais, principalmente nomes como Lemonade e Toro Y Moi.

Beat Connection – For The Record

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Artista: Aphex Twin
Gênero: Electronic, IDM, Techno
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Desde a década de 1990 que Richard D. James não vivia uma fase tão produtiva. Em um intervalo de apenas dois anos, o produtor irlandês não apenas deu fim ao longo período de hiato que silenciou o Aphex Twin por mais de uma década — lançando o excelente Syro em 2014 —, como deu vida a dois ótimos EPs — Computer Controlled Acoustic Instruments pt2 e Orphaned Deejay Selek 2006–08, ambos apresentados ao público em 2015 — e ainda despejou uma série de composições inéditas no soundcloud.

Em Cheetah EP (2016, Warp), mais recente trabalho de inéditas como Aphex Twin, James continua a resgatar a própria essência musical. Do título inspirado em Cheetah Marketing — companhia inglesa especializada em produzir softwares de música eletrônica nos anos 1980 —, passando pela atmosfera levemente dançante que orienta grande parte das canções, cada uma das sete músicas do registro estabelecem uma espécie de ponte para os primeiros anos do produtor.

Como em grande parte dos registros produzidos pelo artista irlandês há mais de duas décadas, Cheetah se fragmenta em pequenos blocos de canções com tempos e ambientações diferentes. Um bom exemplo disso está na própria faixa-título do registro. São quatro variações de um mesmo conceito instrumental — CHEETAHT2 [Ld spectrum], CHEETAHT7b, CHEETA1b ms800 e CHEETA2 ms800 —, como se James explorasse todas as possibilidades da própria obra.

Em CIRKLON3 [Колхозная mix] e CIRKLON 1, a representação do lado dançante do registro. São batidas quebradas, ruídos minimalistas, texturas, sintetizadores serenos e toda uma coleção de pequenos fragmentos eletrônicos que se encaixam de forma sutil no interior de cada faixa. A julgar pelo constante ziguezaguear das canções, uma clara continuação de do material produzido há pouco mais de dois anos em faixas como minipops 67 (source field mix), do álbum Syro.

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. O baixo nostálgico martelando na cabeça. Vozes em coro dando voltas simples em torno de uma mesma sequência de versos. Sintetizadores que parecem emular violinos e lentamente se desfazem, revelando um som “cósmico”. Cinco anos após o lançamento de Audio, Video, Disco (2011), último álbum de estúdio do Justice, os parceiros Gaspard Augé e Xavier de Rosnay estão de volta ao mesmo território apresentado no final da última década com o brilhante † (2007). Em Safe and Sound, primeiro single daquilo que deve se transformar no…Continue Reading “Justice: “Safe And Sound””

. Original da cidade de Melbourne, na Austrália, GL é um projeto de synthpop comandado pela dupla Graeme Pogson e Ella Thompson. Donos de um bem-sucedido catálogo de composições nostálgicas como Grip, Number One e todo o material distribuído nos últimos meses pelo selo local Plastic World, a dupla acaba de anunciar a chegada do primeiro álbum de estúdio, obra que chega até o público na segunda metade de julho. Para anunciar o registro, Pogson e Thompson decidiram presentear o público com uma de suas melhores faixas até aqui….Continue Reading “GL: “Hallucinate””

. Com o lançamento de Old Skool e Back Together nas últimas semanas, os integrantes do Metronomy se concentraram em fazer o público dançar. Dos scratches de Master Mike, um dos integrantes do Beastie Boys, ao refrão pegajoso de ambas composições, mais uma vez o grupo britânico apontou em direção às pistas e acertou, preparando o terreno para a chegada de Summer 08 (2016), novo álbum de inéditas da banda. Em Night Owl, oitava faixa do disco e mais recente single da banda, um novo caminho. Inicialmente serena,…Continue Reading “Metronomy: “Night Owl””

Artista: Delorean
Gênero: Electronic, Alternative, Dance
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Com o lançamento de Apar, em 2013, os integrantes do Delorean pareciam decididos a explorar um som cada vez mais pop, comercial, como uma nova interpretação da mesma eletrônica autoral explorada nos essenciais Ayrton Senna EP (2009) e Subiza (2010). Entretanto, interessante encontrar no recém-lançado Muzik (2016, Phlex), sexto álbum de estúdio do quarteto espanhol, uma espécie de regresso ao mesmo universo de temas e referências incorporadas há meia década.

Livre de canções pegajosas e possíveis participações – como Caroline Polachek, vocalista do Chairlift e colaboradora de duas composições no álbum entregue há três anos –, Muzik se concentra na ativa relação entre os integrante da banda. Trata-se de uma obra coesa, como se cada faixa servisse de base para a canção seguinte, proposta que se reforça na forte similaridade dos sintetizadores e vozes que flutuam da abertura do disco, em Epic, até a chegada derradeira Parrhesia.

Faixa-título do disco e canção escolhida para anunciar o trabalho há poucos meses, Muzik inicialmente dança em meio a sintetizadores contidos e batidas limpas, porém, cresce lentamente, revelando ao público um segundo ato marcado pelo uso dançante dos arranjos. A mesma estrutura acaba servindo de base para outras canções ao longo da obra. Músicas como a inaugural Epic e Closer que preparam o caminho para uma explosão de sons e cores.

Levemente nostálgico, o registro de nove faixas talvez seja a trabalho em que a herança musical do grupo espanhol se revela com maior naturalidade. Difícil não lembrar da boa fase do New Order em faixas como Both e Push, composições que dialogam diretamente com a música produzida na segunda metade dos anos 1980. Um jogo de sintetizadores pulsantes, levemente embriagado pelas emanações da cena Balearic, outra grande influência dentro dos trabalhos do Delorean.

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. Com o lançamento de Caracal no último ano, os irmãos Guy e Howard Lawrence pareciam em busca de um som cada vez mais comercial, pop e, consequentemente, óbvio. Uma fuga da eletrônica essencialmente detalhista do elogiado Settle, obra que apresentou o trabalho da dupla britânica e um dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2013. Curioso encontrar no recém-lançado Moog For Love EP (2016) o mesmo cuidado que marca as canções originalmente produzidas pela dupla há três anos. São apenas três composições – BOSS, Feel Like I Do…Continue Reading “Disclosure: “Moog For Love EP””

Artista: Classixx
Gênero: Electronic, Dance, Alternative
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Três anos após o lançamento do primeiro álbum de estúdio, Hanging Gardens (2013), Michael David e o parceiro de produção Tyler Blake continuam a produzir o mesmo som pegajoso que originalmente apresentou o trabalho do Classixx. Em Faraway Reach (2016, Innovative Leisure), segundo e mais novo registro de inéditas da dupla californiana, batidas, vozes e sintetizadores se projetam de forma a arrastar o ouvinte para as pistas, despejando uma sequência de composições essencialmente dançantes.

Anunciado em novembro do último ano, durante o lançamento de Whatever I Want, Faraway Reach parece seguir a trilha da canção produzida em pareceria com o rapper T-Pain. Da construção das batidas ao toque ensolarado que caracteriza toda a base instrumental do disco, David e Blake finalizam um registro quente, uma espécie de trilha sonora para o verão estadunidense, atualizando o bem-sucedido catálogo de hits entregue pela dupla em 2013.

Menos frenético em relação ao trabalho executado em Hanging Gardens, com o novo álbum, a dupla californiana se esquiva de faixas como All You’re Waiting For, bem-sucedida colaboração com Nancy Whang, para focar na produção de músicas que mesmo dançantes, assumem um conceito leve, deliciosamente pop. Uma constante sensação de Long Lost, canção assinada em parceria com Patrick Grossi, do Active Child, parece serve de base para grande parte das canções em Faraway Reach.

Obra de colaborações, o álbum se abre para a chegada de um novo time de artistas. Em Safe Inside, terceira faixa do disco, a produção de um som doce, levemente melancólico, como se a dupla californiana buscasse confortar o convidado Michael Angelakos, vocalista e líder do Passion Pit. O mesmo conceito volta a se repetir em Just Let Go, parceria com o cantor/produtor Tom Krell e uma composição que poderia facilmente ser encontrada no último álbum de inéditas do How to Dress Well, “What Is This Heart?”, de 2014.

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. O que acontece quando você une o trio escocês CHVRCHES com a cantora norte-americana Hayley Williams, do Paramore? A resposta está em Bury It. Mais recente criação do grupo de Glasgow, a canção foi produzida especialmente para a reedição de Every Open Eye, segundo registro de estúdio da banda e obra originalmente lançada em setembro do último ano, mas que conta com uma edição especial prevista para os próximos meses. Na canção, Williams e Lauren Mayberry, vocalista do CHVRCHES se completam, duelando contra a sequência de sintetizadores lançados…Continue Reading “CHVRCHES: “Bury It” (ft. Hayley Williams)”

. É difícil não ser atraído pelo trabalho da banda Savoy Motel. Original da cidade de Nashville, capital mundial da Country Music, o grupo norte-americano parece seguir um caminho contrário em relação ao material produzido por grante parte das bandas e artistas locais. Com um ótimo single em mãos, Hot One, faixa lançada em abril deste ano, o quarteto reforça a própria sonoridade dançante e nostálgica com a entrega de mais uma criação inédita: Souvenir Shop Rock. Guitarras repletas de groove, metais, vozes equilibradas e…Continue Reading “Savoy Motel: “Souvenir Shop Rock””