Em junho deste ano, Kristin Welchez deu vida ao primeiro trabalho em carreira solo: X-Communicate (2016). Verdadeira coleção de hits, o registro produzido sob o título Kristin Kontrol traz de volta o que há de melhor no pop dos anos 1980 e 1990. Canções como a pegajosa faixa-título da obra, além de outras como Show Me e (Don’t) Wannabe que mostram a versatilidade da cantora, também integrante do grupo Dum Dum Girls.

Estranhamente deixada de fora do corte final do trabalho, Baby Are You In? acaba de ser “resgatada” por Kontrol, finalizada e entregue ao público. Trata-se de uma composição crescente, hipnótica, um dance pop que dialoga com a mesma sonoridade produzida por Madonna em meados da década de 1990 – vide as canções apresentadas em obras como Erotica (1992) e Ray of Light (1998).

 

Kristin Kontrol – Baby Are You In?

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Mesmo sem lançar um novo álbum em 2016, os integrantes do Major Lazer mantiveram uma produção bastante ativa nos últimos meses. Entre músicas como Cold Water – parceria com Justin Bieber e a cantora MØ – e remixes assinados para outros artistas, o projeto comandado por Diplo ainda apresentou ao público algumas composições curiosas, caso de Believer, parceria com Showtek, e a recém-lançada My Number.

Produzida em parceria com o quarteto caribenho Bad Royale, a canção montada em cima do clássico 54-46 Was My Number, do Toots and the Maytals, se espalha lentamente, jogando com as palavras e rimas atualizadas da canção. No segundo ato da canção, uma passagem direta para as pistas anfetaminadas da EDM, efeito da explícita quebra no ritmo da música e forte interferência das batidas, típicas dos trabalhos produzidos por Diplo.

Major Lazer & Bad Royale – My Number

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Artista: Justice
Gênero: Eletrônica, Dance, Alternativo
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Os primeiros minutos de Safe and Sound são fundamentais para entender o conceito desenvolvido pelo Justice em Woman (2016, Ed Banger / Because). A linha de baixo funkeada, hipnótica, sintetizadores emulando arranjos de cordas, batidas que replicam a mesma atmosfera nostálgica da Disco Music no começo dos anos 1970. Em um intervalo de apenas cinco minutos, tempo de duração da faixa, o ouvinte é sutilmente conduzido em direção ao passado.

Primeiro álbum de inéditas dos produtores Gaspard Augé e Xavier de Rosnay em cinco anos, o registro de apenas dez faixas segue exatamente de onde a dupla francesa parou em 2011, durante o lançamento do mediano Audio, Video, Disco. Composições montadas em uma arquitetura crescente, épica, ponto de partida para a constante interferência de vozes em coro, batidas fortes e versos que parecem feitos para grudar na cabeça do ouvinte logo em uma primeira audição.

Salve o curioso diálogo com o prog-rock, conceito explícito em diversos momentos ao longo do trabalho, pouco do material produzido para o disco se distancia do som incorporado anteriormente pela dupla. Trata-se de uma preguiçosa repetição de ideias, arranjos e bases, como se a fonte criativa inaugurada no maximalista Cross (2007), álbum de estreia do Justice, tivesse secado. Da abertura ao fechamento do álbum, uma material essencialmente previsível, morno.

Muito além da explícita reciclagem de conceitos autorais, Woman surge como um registro musicalmente datado. Perceba como grande parte das canções ao longo do disco soam como uma tentativa do Justice em emular o mesmo som produzido pelos conterrâneos do Daft Punk em Random Access Memories (2013). Um bom exemplo disso está na construção de Fire, faixa que mesmo divertida, utiliza de diversos elementos originalmente testados em hits como Get Lucky.

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Poucos dias após o lançamento de Randy, os parceiros Gaspard Augé e Xavier de Rosnay estão de volta com uma nova canção inédita do Justice. Intitulada Alazakam!, a faixa dominada pelo uso de sintetizadores, quebras bruscas, ruídos e melodias que dialogam com o primeiro álbum da dupla, o excelente † (2007), talvez seja a canção em que a mais estreite a relação com as pistas, se esquivando parcialmente do uso da voz para se concentrar apenas nas batidas.

Terceiro single do novo álbum de estúdio da dupla, o aguardado Woman (2016), Alakazam! reforça o interesse da dupla por uma série de temas e conceitos típicos da música disco/pop do começo dos anos 1970. Além de Randy e da presente faixa, em julho deste ano, o duo francês apresentou ao público a crescente Safe and Sound, canção escolhida para anunciar o novo álbum de inéditas. O último disco do Justice é o Audio, Video, Disco, de 2011.

Woman (2016) será lançado no dia 18/11 via Ed Banger/Because Music.

Justice – Alakazam!

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Artista: AlunaGeorge
Gênero: Pop, Eletrônica, Dance
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Batidas quentes, um refrão pegajoso, rimas de Popcaan e o explícito diálogo com a EDM. Lançada em março deste ano, I’m in Control parecia anunciar a mudança de direção assumida pela dupla inglesa AlunaGeorge. Longe do som intimista, flertes com o R&B e texturas eletrônicas de Body Music (2013), Aluna Francis e o parceiro George Reid decidiram ampliar os próprios limites, fazendo do segundo álbum de estúdio, I Remember (2016, Island), a passagem para um novo time de colaboradores.

Produzido em um intervalo de quase dois anos, o registro de 12 faixas nasce como uma fuga declarada do som produzido pela dupla britânica desde o primeiro EP, You Know You Like It, de 2012. Longe do minimalismo incorporado em músicas como Best Be Believing e Kaleidoscope Love, o álbum revela ao público uma coleção de batidas fortes, novos ritmos e até adaptações do mesmo som produzido por gigantes como Major Lazer, Skrillex e Justin Bieber.

Mas será que I Remember é tão diferente assim do material produzido anteriormente pela dupla? Da voz picotada que se transforma na base da faixa-título ao jogo atento das batidas em Full Swing, não há como negar que a essência de Body Music parece preservada. Ainda que em uma primeira audição seja difícil estabelecer uma conexão entre os dois trabalhos, faixa após faixa, Francis, Reid e o time de convidados do disco se concentram em ampliar de forma comercial o som produzido há três anos.

Distante dos holofotes, fotos de divulgação e até das apresentações ao vivo da dupla, Reid se concentra apenas na produção do material em estúdio. Ponto central da obra, é justamente o produtor que acaba evitando um possível desequilíbrio do disco. Mesmo cercado de novos colaboradores – como Flume e Zhu –, Raid em nenhum momento permite que o álbum fuja do controle, detalhando texturas eletrônicas e batidas que sustentam o disco até a derradeira Wanderlust.

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A colisão de ritmos continua sendo a base do som produzido pela banda de Seattle Beat Connection. Hip-Hop encontra o rock enquanto a música eletrônica passeia por décadas de referências. Gêneros distintos, mas que acabaram servindo de base para toda a discografia do grupo norte-americano, vide a dobradinha formada por Surf Noir (2011) e The Palace Garden (2012), além, claro, do ainda recente Product 3, entregue pelo quarteto no último ano.

É justamente desse mesmo trabalho que vem a essência para a construção do mais novo single do grupo: For The Record. Flutuando por entre décadas, a canção que explora os movimentos Balearic Beat e Chillwave chega até o cenário colecionando vozes, batidas levemente dançantes e experimentos controlados, esbarrando com naturalidade no trabalho de outros artistas locais, principalmente nomes como Lemonade e Toro Y Moi.

Beat Connection – For The Record

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Artista: Aphex Twin
Gênero: Electronic, IDM, Techno
Acesse: https://www.facebook.com/aphextwinafx/

 

Desde a década de 1990 que Richard D. James não vivia uma fase tão produtiva. Em um intervalo de apenas dois anos, o produtor irlandês não apenas deu fim ao longo período de hiato que silenciou o Aphex Twin por mais de uma década — lançando o excelente Syro em 2014 —, como deu vida a dois ótimos EPs — Computer Controlled Acoustic Instruments pt2 e Orphaned Deejay Selek 2006–08, ambos apresentados ao público em 2015 — e ainda despejou uma série de composições inéditas no soundcloud.

Em Cheetah EP (2016, Warp), mais recente trabalho de inéditas como Aphex Twin, James continua a resgatar a própria essência musical. Do título inspirado em Cheetah Marketing — companhia inglesa especializada em produzir softwares de música eletrônica nos anos 1980 —, passando pela atmosfera levemente dançante que orienta grande parte das canções, cada uma das sete músicas do registro estabelecem uma espécie de ponte para os primeiros anos do produtor.

Como em grande parte dos registros produzidos pelo artista irlandês há mais de duas décadas, Cheetah se fragmenta em pequenos blocos de canções com tempos e ambientações diferentes. Um bom exemplo disso está na própria faixa-título do registro. São quatro variações de um mesmo conceito instrumental — CHEETAHT2 [Ld spectrum], CHEETAHT7b, CHEETA1b ms800 e CHEETA2 ms800 —, como se James explorasse todas as possibilidades da própria obra.

Em CIRKLON3 [Колхозная mix] e CIRKLON 1, a representação do lado dançante do registro. São batidas quebradas, ruídos minimalistas, texturas, sintetizadores serenos e toda uma coleção de pequenos fragmentos eletrônicos que se encaixam de forma sutil no interior de cada faixa. A julgar pelo constante ziguezaguear das canções, uma clara continuação de do material produzido há pouco mais de dois anos em faixas como minipops 67 (source field mix), do álbum Syro.

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. O baixo nostálgico martelando na cabeça. Vozes em coro dando voltas simples em torno de uma mesma sequência de versos. Sintetizadores que parecem emular violinos e lentamente se desfazem, revelando um som “cósmico”. Cinco anos após o lançamento de Audio, Video, Disco (2011), último álbum de estúdio do Justice, os parceiros Gaspard Augé e Xavier de Rosnay estão de volta ao mesmo território apresentado no final da última década com o brilhante † (2007). Em Safe and Sound, primeiro single daquilo que deve se transformar no…Continue Reading “Justice: “Safe And Sound””

. Original da cidade de Melbourne, na Austrália, GL é um projeto de synthpop comandado pela dupla Graeme Pogson e Ella Thompson. Donos de um bem-sucedido catálogo de composições nostálgicas como Grip, Number One e todo o material distribuído nos últimos meses pelo selo local Plastic World, a dupla acaba de anunciar a chegada do primeiro álbum de estúdio, obra que chega até o público na segunda metade de julho. Para anunciar o registro, Pogson e Thompson decidiram presentear o público com uma de suas melhores faixas até aqui….Continue Reading “GL: “Hallucinate””

. Com o lançamento de Old Skool e Back Together nas últimas semanas, os integrantes do Metronomy se concentraram em fazer o público dançar. Dos scratches de Master Mike, um dos integrantes do Beastie Boys, ao refrão pegajoso de ambas composições, mais uma vez o grupo britânico apontou em direção às pistas e acertou, preparando o terreno para a chegada de Summer 08 (2016), novo álbum de inéditas da banda. Em Night Owl, oitava faixa do disco e mais recente single da banda, um novo caminho. Inicialmente serena,…Continue Reading “Metronomy: “Night Owl””