Tag Archives: Danny Brown

Disco: “CLPPNG”, Clipping.

Clipping.
Hip-Hop/Electronic/R&B
https://www.facebook.com/clppng

Por: Cleber Facchi

O grande problema de qualquer artista novato que invade o território dominado por um veterano está na inevitável comparação. Com três integrantes “misteriosos”, estética anárquica e uma proposta que une musicalmente Hip-Hop, Noise e boas doses de experimentos eletrônicos, o trio californiano Clipping. não tardou a ver o próprio trabalho comparado com os vizinhos do Death Grips. Contudo, ainda que a relação com o trio de Sacramento, na California, seja inevitável, a proposta lançada pela trinca de Los Angeles partilha de uma orientação completamente oposta.

Imensa colcha de retalhos sintéticos, CLPPNG (2014, Sub Pop) – estreia do rapper Daveed Diggs em parceria com a dupla de produtores Jonathan Snipes e William Hutson – é uma tentativa bem resolvida em assumir a própria identidade. Sim, a comunicação com a proposta lançada há poucos anos por Zach Hill, Andy Morin e MC Ride está por todos os lados, mas a sonoridade que vai da abertura ao fechamento do presente álbum pouco (ou nada) se assemelha ao mesmo universo. Se o Death Grips trouxe o caos, então o Clipping. veio como um registro comercial, uma espécie de tentativa em estabelecer um mínimo estágio de ordem dentro desse (suposto) estranho cenário aproximado.

Muito mais íntimo da proposta do duo Run the Jewels ou Danny Brown no ainda recente Old (2013), CLPPNG é uma obra que usa da forte comunicação com a eletrônica para resolver musicalmente seus versos. Basta ouvir com atenção faixas em que os arranjos ocupam mais espaço do que o canto/rima para perceber isso. Em Work Work, por exemplo, se os versos de Diggs ou da convidada Cocc Pistol Cree fossem deixadas de lado, teríamos em mãos um delicioso exemplar da nova IDM, talvez uma sobra dos últimos discos de Flying Lotus.

Observado com atenção, a rima é a parcela menor de CLPPNG, que durante toda a formação das músicas reforça a posição do duo Snipes e Hutson em um estágio de plena libertação criativa. Não por acaso músicas como a delicada Dream ou Summertime revelam detalhistas bases melódicas, manipulando o rapper e seus convidados como “instrumentos”. De forma matemática ou orgânica, Diggs é orquestrado com precisão ao longo de todo o trabalho, o que está longe de ser encarado como um erro, afinal, é aí que reside a verdadeira identidade do grupo. Continue reading

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Danny Brown: “25 Bucks” (ft. Purity Ring)

Purity Ring

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De todos os trabalhos lançados no último ano, Old do rapper Danny Brown é um dos que parecem evoluir a cada nova audição. Dividido em dois atos bem projetados, o registro absorve desde composições intensas, típicas do repertório lançado em XXX, de 2011, até canções banhadas pela leveza dos arranjos e rimas. Uma sonoridade tratada de forma coesa no interior de 25 Bucks, parceria entre o rapper e o duo canadense Purity Ring.

Enquanto as batidas lançadas por Corin Roddick crescem em uma atmosfera minimalista e etérea, Brown tenta encontrar equilíbrio em um espaço que rompe com a aceleração de suas criações. Mediando a fluidez do rapper, Megan James, uma das metades do duo canadense, dança pela música como uma espécie de sample, construindo um delicioso contraste no decorrer da canção. Lançada agora como clipe, a canção traz de volta as boas experiências do álbum, um dos 10 melhores discos de 2013.

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Danny Brown – 25 Bucks (ft. Purity Ring)

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Disco: “Piñata”, Freddie Gibbs and Madlib

Freddie Gibbs and Madlib
Hip-Hop/Rap/Alternative
http://www.rappcats.com/

Por: Cleber Facchi

Freddie Gibbs and Madlib

Quando Otis Jackson Jr. deu vida aos primeiros inventos sob a alcunha de Madlib, em 1993, o jovem Freddie Gibbs era apenas um garoto de 11 anos que havia recém-descoberto o Hip-Hop. A diferença de idades e “regiões de atuação” quase opostas – Madlib é californiano, enquanto Gibbs é original de Gary, Indiana – não impediu que a dupla se encontrasse musicalmente no EP Thuggin’, de 2011. Registro que serve como abertura para a sequência de obras entregues pela dupla e a base para o bem resolvido encontro em Piñata (2014, Madlib Invazion), mais novo (e bem sucedido) projeto assinado em parceria.

Propositalmente nostálgico, o registro de 60 minutos de duração amarra o que cada uma das metades vem promovendo com acerto ao longo dos últimos anos. Enquanto as batidas, samples e interferências musicais reforçam todo o dinamismo de Madlib – capaz de ir do Jazz ao G-Funk em pouquíssimos segundos -, as rimas atentas entregam a firmeza de Gibbs, habilitado a brincar com temas como drogas, sexo e certa dose de melancolia sem escapar da fluidez letárgica que esculpe os arranjos.

Por vezes encarado como uma coletânea das recentes invenções lançada pela dupla – músicas como Thuggin’, Shame e Deeper já são velhas conhecidas do público -, Piñata mantém na homogeneidade um caráter explícito de ineditismo. Passeando por referências como a Bossa Nova, Jazz e todo um acervo de melodias da década de 1970, Madlib aproxima todas as canções do registro em um cenário único, fórmula que em diversos momentos esbarra no mesmo contorno criativo de Madvillainy (2004) – obra-prima do produtor concebida ao lado de MF DOOM.

Em busca de um flow melódico, capaz de dialogar com o público médio, Gibbs encara o mesmo tratamento dinâmico enquadrado em Baby Face Killa, álbum solo lançado em 2012. Trata-se de um catálogo de rimas particulares, mas não menos distantes do ouvinte, leveza que percorre a inaugural Scarface, abraça o passado em Deeper e segue com maturidade até o ato final do trabalho. Contornando o descompromisso envolvente do produtor, o rapper fixa nas rimas um toque de sobriedade, trazendo ao disco uma tintura sombria e, consequentemente, marcada pelo contraste. Continue reading

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Tyga, Lil Wayne & Nicki Minaj: “Senile”

Senile

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Um dos (muitos) braços da gigante Universal Music, o selo Young Money, criado e presidido por Lil Wayne, reserva para o dia 11 de março a chegada de mais uma nova coletânea: Young Money: Rise Of An Empire. Com faixas assinadas por Drake, Nicki Minaj, além, claro, do próprio Wayne, o registro de 12 faixas deve servir como um verdadeiro cartão de visita da marca, em atuação desde 2005 com boas novidades reservadas para 2014.

Primeiro exemplar da coletânea, Senile aproxima ninguém menos do que Wayne, o rapper Tyga e Nicki Minaj em uma mesma composição. Lembrando muito alguma composição esquecida de Danny Brown, a canção se apresenta em meio ao uso de tramas densas e climáticas, cenário perfeito para que a trinca de colaboradores despejem um catálogo de rimas que fazem valer a proposta nada lúcida anunciada no título da faixa. Vale ouvir olhando para a capa-gif do single.

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Tyga, Lil Wayne & Nicki Minaj – Senile

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30 Discos Para ouvir Chapado

30 Discos Para Ouvir Chapado

Drogas e música. Desde o princípio da música clássica à ascensão do rock no século XX, boa parte das obras que abasteceram os ouvidos do público vieram pontuadas por doces doses de exageros lisérgicos. Dos Beatles ao rapper Danny Brown, do Pink Floyd ao grupo Animal Collective, o que não faltam são traços explícitos de drogas como maconha, LSD, cocaína ou “apenas” álcool. Expandindo o cardápio de um dos nossos especias mais lidos até hoje, apresentamos nossa nova lista: 30 discos para ouvir chapado. Álbuns que atravessam a psicodelia, caem no Hip-Hop, encontram a eletrônica até brincar com os ritmos tropicais da Chillwave. Ainda que outras obras possam completar a seleção, os discos escolhidos tem um propósito único: fazer você viajar.

Aviso: Conteúdo não recomendado para menores de 18 anos. Continue reading

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Disco: “Dirty Gold”, Angel Haze

Angel Haze
Hip-Hop/Rap/R&B
http://www.angelhazemusic.com/

Por: Cleber Facchi

Angel Haze

Ser absorvida pela indústria da música se transformou em uma benção e ao mesmo tempo uma maldição para Angel Haze. Se por um lado a entrada no catálogo dos selos Republic e Island – parte da gigante Universal -, garantiu ao primeiro álbum da rapper o acesso ilimitado a grandes estúdios, produtores e todo um conjunto de elementos restritos para boa parte dos artistas independentes, por outro lado, os grilhões de uma grande gravadora tiraram de Haze o domínio da própria obra. Controlada pelas linhas de um contrato, a rapper viu o aguardado Dirty Gold (2013, Republic/Island) ser adiado por diversas vezes ao longo de 2013, encontrando uma data de lançamento somente no dia 30 de Dezembro – um dos períodos mais ingratos para a estreia de qualquer disco.

O atraso, o descaso da gravadora e a angústia da própria rapper estão longe de sufocar a autonomia do registro, que independente do formato ou qualquer outro bloqueio específico, se sustenta de forma assertiva em totalidade. Naturalmente distante da composição estética anunciada por Haze em seus primeiros lançamentos – caso de New York EP ou das mixtapes Reservation e Classik -, Dirty Gold é uma típica obra remodelada para atender as exigências grande público, o que não quer dizer que a rima particular da norte-americana tenha perdido sua autenticidade, apenas encontrou um nova caminho para brilhar.

Como Echelon (It’s My Way) e A Tribe Called Red conseguiram antecipar há poucos meses, cada instante do registro se divide entre a crueza urbana das rimas e as melodias plásticas das bases. Soando como versões encorpadas daquilo que a rapper trouxe em Werkin Girls, No Bueno e parte das primeiras composições, o disco curiosamente parece assumir a mesma curva radiofônica da rival Azealia Banks, substituindo a proposital mutabilidade da rapper nova-iorquina por um conjunto de referências aproximadas. Assim, da particular Sing About Me, na abertura do álbum, até a chegada da homônima faixa de encerramento, cada música do disco partilha a mesma estrutura, garantindo ao registro um evidente tratamento homogêneo e coerência.

Mais do que costurar uma mesma composição instrumental para o registro, Haze encontra na sobriedade do discurso um inevitável caráter conceitual para a obra. Boa parte das canções projetadas pelo disco carregam monólogos, entrevistas e opiniões amargas lançadas pela rapper, que entre faixas como Black Dahlia, White Lilies / White Lies e Black Synagogue aprofunda com detalhe a composição de um universo particular. O melhor recorte da obra talvez esteja na abertura de A Tribe Called Red, quando Haze define de maneira atenta todo o propósito do trabalho, a temática que ocupa as composições, bem como a própria vida – “Minha identidade é a música, tudo o que você precisa saber sobre mim é a música, a minha casa é a música, é onde eu nasci“. Continue reading

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Ryan Hemsworth: “☺RYANPACKv.1☺”

Ryan hemsworth

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Se existe alguém que trabalhou muito em 2013, este foi Ryan Hemsworth. Dono do ótimo Still Awake EP e do climático Guilt Trips, o produtor canadense fez do catálogo de remixes, versões e pequenos recortes instrumentais, a abertura para uma das obras mais extensas e versáteis do ano. Mesmo apresentando tudo em sua movimentada página no Soundcloud, Hemsworth reservou algumas surpresinhas especialmente para presentear o público que o acompanha. Trata-se da coletânea ☺RYANPACKv.1☺, trabalho que concentra dez músicas inéditas produzidas recentemente e que seguem a mesma trilha inventiva do produtor. Além dos (ótimos) remixes para Lorde, Danny Brown, Beyoncé e Disclosure, Hemsworth preparou uma mensagem de agradecimento ao público e um pequeno compilado de fotos tiradas por/com alguns fãs. Para baixar todo o trabalho de forma gratuita, basta clicar na capa logo em sequência. Abaixo você também pode ouvir e baixar o ótimo Still Awake EP.

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Ryan Hemsworth

Ryan Hemsworth - ☺RYANPACKv.1☺

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Ryan Hemwsorth – Still Awake EP

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Rustie: “Terra Star”

Rustie

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Rustie parece flutuar entre pequenos hiatos próprios e instantes de inventiva produção. Desde a dobradinha Triadzz/Slasherr, lançada há alguns meses, o produtor britânico ajudou na construção de Old, do rapper Danny Brown, e até colaborou com uma faixa para a coletânea organizada pela ONG Everything Is New, Boatsss. Agora Rustie está de volta, não para anunciar um novo single ou possível disco (previsto para 2014), mas para entregar a sua colaboração de fim de ano para o selo LuckyMe Records. Com a proposta de apresentar uma música nova por dia, até o natal, o selo britânico apresenta agora a intensa Terra Star. Menos fragmentada que os anteriores inventos do produtor, a canção encontra na arquitetura linear um exercício atento de construção. São as tradicionais batidas épicas de Rustie, apenas confortadas em um cenário em que o detalhe fala um pouco mais alto.

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Rustie – Terra Star

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Bob Dylan: “Like A Rolling Stone”

Bob Dylan

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Lançada oficialmente em Julho de 1965 e depois apresentada como parte do álbum Highway 61 Revisited, no mesmo ano, Like A Rolling Stone, de Bob Dylan, está facilmente entre as músicas mais importantes de toda a história da música. Eleita diversas vezes a melhor canção de todos os tempos, a faixa já conquistou inúmeras versões e até vídeos assinados por outros artistas – caso da clássica interpretação dos britânicos do Rolling Stones e com direção de Michel Gondry. Entretanto, oficialmente a música nunca teve seu próprio clipe. Pelo menos até agora.

Construído para “celebrar” o lançamento do absurdo The Complete Album Collection Vol. 1, box que conta com 43 discos oficiais do cantor, além de uma série de outros complementos, o vídeo oficial da faixa rompe com o básico, se transformando em um insano vídeo interativo. Com a presença de diversos atores e do querido Danny Brown, o trabalho se transforma em uma imensa TV à cabo, onde todos os canais cantam… Bob Dylan. Para participar da brincadeira, basta clicar na capa do single oficial, logo abaixo.

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Bob Dylan

Bob Dylan – Like A Rolling Stone

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