Artista: Dirty Projectors
Gênero: Experimental, Indie, Alternativo
Acesse: http://dirtyprojectors.net/

 

Entre samples de Sheathed Wings, do produtor canadense Dan Deacon, e fragmentos da romântica Impregnable Question, parte do álbum Swing Lo Magellan, de 2012, variações claustrofóbicas na voz de David Longstreth detalham uma poesia angustiada, triste: “Eu não sei porque você me abandonou / Você era minha alma e minha parceira”. Ponto de partida para o sétimo álbum de estúdio do Dirty Projectors, a inaugural Keep Your Name indica o percurso amargo assumido pelo músico nova-iorquino durante toda a formação do melancólico registro.

Claramente influenciado pelo rompimento com a cantora, guitarrista e ex-integrante do Dirty Projectors Amber Coffman – embora Longstreth tenha reforçado em entrevistas que está “tudo bem” entre eles –, o registro flutua em meio a versos dolorosamente apaixonados e tentativas de reconciliação. Dono de grande parte dos instrumentos e responsável pela produção do disco, Longstreth se revela em sua forma honesta, fazendo de cada música ao longo da obra um fragmento essencialmente intimista.

Nosso amor está em uma espiral / Morte / Nosso amor é / Morte”, canta com frieza em Death Spiral, composição que utiliza de samples de Scene D’Amour, música composta por Bernard Hermann para o filme Um Corpo que Cai (1958), de Alfred Hitchcock, e um fino reflexo de qualquer relacionamento em decomposição. O mesmo aspecto se reflete ainda na saudosista Little Bubble, música que se espalha em meio a delírios românticos, memórias e cenas extraídas de um passado recente – “Nós tivemos nossa própria pequena bolha / Por um tempo”.

Tamanha melancolia na construção dos versos se reflete na forma como Longstreth detalha toda a base instrumental do disco. São batidas eletrônicas, ambientações densas e pequenos diálogos com o R&B. Um reflexo da própria colaboração do músico com o trabalho de artistas como Rihanna e Solange, essa última co-autora de Cool Your Heart, bem-sucedida parceria com Dawn Richard. A própria voz, maquiada pelo auto-tune, surge como um elemento fundamental para o crescimento da obra. Uma representação dos pequenos fluxos de pensamento na mente atormentada de Longstreth.

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Em 2016, David Longstreth foi convidado a participar da produção do excelente A Seat at The Table, terceiro e mais recente álbum de estúdio da cantora e compositora norte-americana Solange Knowles. Dessa parceria veio Cool Your Heart, música co-escrita por Knowles uma das nove composições que abastecem o novo (e aguardado) álbum do Dirty Projectors. Recém-lançada, a canção chega acompanhada de um precioso clipe dirigido pela dupla Noel Paul e Stefan Moore e com a parceria da cantora Dawn Richard.

Penúltima composição do autointitulado sucessor de Swing Lo Magellan – 22º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2012 –, Cool Your Heart joga com o uso de batidas, samples e temas eletrônicos durante toda sua execucão, costurando pequenos loops instrumentais e de voz que se comunicam diretamente com as imagens do trabalho. Um conceito levemente dançante, quase pop, como uma parcial fuga do som originalmente testado em Keep Your Name, Little Bubble e Up in Hudson.

Dirty Projectors (2017) será lançado no dia 24/02 via Domino.

 

Dirty Projectors – Cool Your Heart

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Artista: Dawn Richard
Gênero: Eletrônica, R&B, Alternativa
Acesse: http://www.dawnrichard.net/

 

Com o lançamento de Blackheart, em janeiro do último ano, Dawn Richard conseguiu atrair a atenção do público para a trilogia iniciada dois anos antes dentro do mediano Goldenheart (2013). Batidas e vozes frenéticas, versos melancólicos, o delicado flerte com o R&B, ambientações típicas da música eletrônica no começo dos anos 1990. Um imenso catálogo de ideias e referências que se completa com a chegada do novo registro de inéditas da cantora, o intenso Redemption (2016, Our Dawn Entertainment).

Terceiro e último capítulo da trilogia que explora diferentes aspectos do amor, separação e redenção, o álbum que conta com produção dividida entre Machinedrum e Noisecastle III talvez seja o trabalho mais acessível, pop, de toda a curta trajetória da cantora em carreira solo. Uma constante sensação de que todo o material produzido por Richard dentro do extinto coletivo Danity Kane foi resgatado e detalhado de forma coesa dentro do presente álbum.

A julgar pelo cuidado explícito na manipulação dos vocais e bases de Renegades e Love Under Lights, não seria um erro comparar o trabalho de Richard aos últimos lançamentos de Rihanna e Beyoncé. São temas eletrônicos que se dobram de forma a atender aos vocais da cantora, versátil durante a construção de cada fragmento de voz. Um tempero radiofônico que não apenas aproxima a artista das pistas, como de outros representantes de peso da música pop.

Interessante perceber que mesmo em busca de um som cada vez menos experimental, Richard e os parceiros de produção criam pequenas brechas, estabelecendo breves instantes de puro ineditismo. Produzida em parceria com o instrumentista Trombone Shorty, LA, quinta faixa do disco, talvez seja o melhor exemplo disso. Uma composição crescente, ponto de partida para a complexa interferência de sintetizadores tortos, além, claro, do inusitado uso de guitarras, instrumento sempre contido dentro da discografia de Richard.

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Em Renegades, composição apresentada ao público em outubro deste ano, Dawn Richard indicou a sonoridade acessível que deve orientar o terceiro e último capítulo da trilogia “The Black Era”, o aguardado Redemption (2016). Um misto de R&B, pop e pitadas consideráveis House Music, conceito que volta a se repetir com a chegada do mais recente lançamento da artista norte-americana, a inédita (e curtinha) Vines.

Planejada como um interlúdio, a composição de apenas dois minutos parece seguir o mesmo conceito de diversas faixas similares que abastecem o álbum lançado no último ano, Blackheart – 41º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2015. Vozes sobrepostas, arranjos minimalistas e pequenos detalhes eletrônicos que ainda contam com a interferência de PJ Morton, um dos grandes nomes da cena R&B de Nova Orleães.

Redemption (2016) será lançado dia 18/11 via Local Action/Our Dawn Entertainment.

Dawn Richard – Vines (ft. PJ Morton)

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Depois de meses de espera e incontáveis projetos paralelos – como a parceria com Machinedrum, uma canção para a série Adult Swim, e singles como Hollywould –, Dawn Richard finalmente decidiu anunciar a data de lançamento do aguardado Redemption (2016), último capítulo da trilogia intitulada “The Black Era”. Com distribuição prevista para novembro, o sucessor do elogiado Blackheart – 41º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2015 –, resume na inédita Renegades parte do material produzido pela cantora.

Crescente, a composição de quase quatro minutos mostra o peso das batidas e vozes dentro do trabalho de Richard. Uma solução de temas eletrônicos que passeiam pelo R&B dos anos 1980, usa de elementos da House Music, Hip-Hop e até conceitos típicos da eletrônica britânica para alavancar a voz da artista. Uma espécie de remix do mesmo material entregue pela cantora há poucos meses e, ao mesmo tempo, um curioso diálogo com o trabalho de Rihanna e outros nomes fortes da música pop.

Redemption (2016) será lançado dia 18/11 via Local Action/Our Dawn Entertainment.

 

Dawn Richard – Renegades

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Em constante produção desde o começo dos anos 2000, Travis Stewart já passou por diferentes projetos – como Sepalcure e Syndrone –, nada que se compare ao trabalho produzido como Machinedrum. Dono de um enorme catálogo de obras, o produtor anuncia para as próximas semanas um novo registro de inéditas. Trata-se de Human Energy (2016), uma extensão do som produzido em obras como Hot Flush (2011) e Vapor City (2013), e um ponto de encontro para um time formado por diferentes colaboradores.

Em Do It 4 U, primeiro exemplar do trabalho que ainda conta com nomes como Rochelle Jordan, Kevin Hussein e MeLo-X, Stewart abre passagem para a interferência vocal de Dawn Richard – ou apenas D∆WN, como a cantora vem se apresentando. Ora íntima do Juke/Glitch inglês, ora próxima do som produzido por Richard em carreira solo, a canção se quebra em pequenos atos, crescendo e encolhendo a todo instante, sempre de forma a detalhar a voz semi-robótica da convidada.

Human Energy (2016) será lançado no dia 30/09 via Ninja Tune.

 

Machinedrum – Do It 4 U (Feat. Dawn Richard)

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De todos os trabalhos que devem ser lançados nos próximos meses, Redemptionheart (2016) – capítulo final da trilogia que teve início em Goldenheart (2013) e Blackheart (2015) –, talvez seja um dos mais aguardados. Mesmo com diferentes canções apresentadas nas últimas semanas, caso de Honest e Serpentine Fire, a cantora acaba sempre voltando ao território do novo disco, presenteando o próprio público com algum fragmento do aguardado registro.

É o caso de Cali Sun. Uma das canções mais acessíveis de toda a curta discografia da cantora, a nova faixa não apenas distancia Richard dos experimentos testados no registro apresentado em 2015, como mostra a capacidade da cantora, ex-integrante do coletivo feminino Danity Kane, em dialogar com o grande público. Uma seleção de batidas e vozes quentes, fuga do R&B convencional que sempre acompanhou a artista e uma ponte para o Pop/EDM. Junto da canção, o clipe dirigido por Robert Coin.

Dawn Richard – Cali Sun

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. Começou a temporada 2016 de singles produzidos pelo canal norte-americano Adult Swim. Depois de uma sequência de grandes lançamentos no último ano – incluindo composições assinadas por artistas como Chromatics, Shabazz Palaces, Sia e Run The Jewels –, pelas próximas semanas, representantes de peso da cena alternativa dos Estados Unidos devem apresentar uma série de faixas inéditas. Nomes como DJ Paypal, VHÖL e Dawn Richard com a recém-lançada Serpentine Fire. Também escalada na última edição do projeto, a cantora reaparece com uma composição tão frenética…Continue Reading “Dawn Richard: “Serpentine Fire””

. Dawn Richard passou os últimos meses “brincando” com o ouvinte. Da mudança de nome em faixas Not Above That e Hollywould, passando pelo trabalho com a produtora britânica Et Aliae em Sober, Richard delicadamente parece ter expandido o universo apresentado há poucos meses em Blackheart (2015), seu melhor trabalho até aqui. Em Honest, mais recente lançamento da cantora, a passagem para um novo mundo de possibilidades. Primeiro exemplar da série de composições produzidas em parceria com o produtor nova-iorquino Kingdom, a canção de versos confessionais…Continue Reading “Dawn Richard: “Honest””

. Rose EP (2016), esse é o nome do mais novo trabalho da produtora britânica et aliae. Anunciado há poucas semanas, durante o lançamento da melancólica Closer Still Closer, o registro que conta com distribuição pelo selo Cascine – casa de artistas como Yumi Zouma e Morly -, acaba de ter mais uma de suas faixas entregues ao público. Trata-se de Sober, uma composição que desacelera a batidas e temas eletrônicos do single anterior para investir em arranjos tímidos e no vocal doloroso da convidada, a…Continue Reading “et aliae: “Sober” (feat. D∆WN)”