Há tempos que o Dinosaur Jr. não presenteava o público com uma faixa tão suja e “caseira” quanto a recém-lançada Goin Down. Parte do novo álbum de estúdio do grupo norte-americano, Give A Glimpse Of What Yer Not (2016) – leia a resenha –, a canção de quatro minutos cresce em meio ao jogo de guitarras de J Mascis, revelando uma sonoridade abafada, inicialmente contida, mas que explode nos instantes finais da faixa, efeito do poderoso solo que corta a composição.

Apresentada ao público poucas semanas após o lançamento do clipe de Tiny, trabalho que conta com a direção de Laurie Collyer e mostra até um buldogue andando de skate, a nova faixa mostra o conceito jovial que rege o 11º álbum de inéditas do grupo de Amherst, Massachusetts. Como skate nunca é demais nos clipes da banda, o novo vídeo do grupo, trabalho dirigido por Atiba Jefferson, mostra banda mais uma vez se apresentando em uma pista de skate.

Give A Glimpse Of What Yer Not (2016) foi lançado no dia 05/08 pelo selo Jagjaguwar.

Dinosaur Jr. – Goin Down

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Artista: Dinosaur Jr.
Gênero: Alternative Rock, Indie, Rock
Acesse: http://www.dinosaurjr.com/

 

De todos os artistas que decidiram entrar em hiato no final da década de 1990 – como Weezer, Soundgarden e The Smashing Pumpins –, o Dinosaur Jr. talvez seja a banda que fez o melhor retorno aos palcos e estúdios. Uma década após o lançamento de Hand It Over (1997), o trio de Amherst, Massachusetts, estava de volta com o intenso Beyond (2007), uma continuação do mesmo som urgente que apresentou a banda no final dos anos 1980 e a base de toda a sequência de obras que viriam a ser produzidas pelo grupo nos próximos anos.

Em Give a Glimpse of What Yer Not (2016, Jagjaguwar), quarto registro de inéditas desde o regresso há nove anos, J Mascis (guitarra e voz), Lou Barlow (baixo e voz) e o baterista Murph se concentram na produção de um material essencialmente cru, raivoso. Uma propositada fuga da sonoridade densa que acabou orientando os dois últimos trabalhos produzidos pela banda – Farm (2009) e I Bet on Sky (2012).

São pouco mais de 40 minutos de duração. Um total de 11 faixas em que a banda norte-americana se reveza na construção de faixas que dialogam com o rock dos anos 1970 (I Walk For Miles), investem na aceleração das vozes e batidas (Tiny), além de presentear o público com alguns dos melhores solos já produzidos por Mascis (Goin Down). De fato, para a divulgação do trabalho, o guitarrista concentrou todos os solos de guitarra do álbum em uma única playlist no Spotify, indicando a fúria do registro.

Inaugurado pela urgência de Goind Down, Give a Glimpse of What Yer Not segue em uma estrutura dinâmica até o último instante. Uma colisão de vozes berradas e arranjos que confirmam a boa fase do trio de veteranos. Um bom exemplo disso está na construção de Good To Know. Sexta faixa do disco, a canção dominada pelas guitarras de Mascis instantaneamente transporta o ouvinte para o final da década de 1980, como uma extensão do som produzido para clássicos como You’re Living All Over Me (1987) e Bug (1988).

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. Há tempos que o Dinosaur Jr. não presenteava o público com uma faixa tão suja e “caseira” quanto a recém-lançada Goin Down. Parte do novo álbum de estúdio do grupo norte-americano, o aguardado Give A Glimpse Of What Yer Not (2016), a canção de quatro minutos cresce em meio ao jogo de guitarras de J Mascis, revelando uma sonoridade abafada, inicialmente contida, mas que explode nos instantes finais da faixa, efeito do poderoso solo que corta a composição. Apresentada ao público poucas semanas após o lançamento do…Continue Reading “Dinosaur Jr.: “Goin Down””

. Desde o retorno aos palcos com Beyond, em 2007, que os veteranos do Dinosaur Jr. seguem com a produção de uma sequência de grandes obras. Registros como o denso Farm (2009), possivelmente um dos melhores discos lançados na década passada, além de obras ainda recentes, caso do pegajoso I Bet on Sky (2012), um dos trabalhos mais acessíveis de toda a discografia da banda original de Amherst, Massachusetts. Quatro anos após o último registro de inéditas, o trio norte-americano está de volta com Give a Glimpse of What Yer Not (2016)….Continue Reading “Dinosaur Jr.: “Tiny” (VÍDEO)”

. Damian Abraham e os colegas de banda do Fucked Up definitivamente estão em busca de novidade para o quarto registro em estúdio do grupo. Intitulado Glass Boys (2014), o novo álbum parece seguir na direção contrária ao que o anterior David Comes to Life (2011) trouxe com uma composição melódica e conceitual, resultado da história de (des)amor que costurou todos os limites do trabalho. Depois de soterrar os ouvidos do público com ruídos em Paper The House, é a vez de Led By Hand…Continue Reading “Fucked Up: “Led By Hand” (ft. J Mascis)”

. Como I’m Not Part Of Me conseguiu anunciar de forma significativa há poucas semanas, Here And Nowhere Else (2014), terceiro e ainda inédito trabalho em estúdio do Cloud Nothings prossegue com o passeio de Dylan Baldi pela década de 1990. São guitarras versáteis, capazes de percorrer desde o Rock Alternativo da época até emanações típicas do pós-Hardcore, preferências que parecem diluídas de forma ainda mais inteligente no decorrer de Psychic Trauma. Mais novo single da banda norte-americana, a canção reforça toda a imposição de…Continue Reading “Cloud Nothings: “Psychic Trauma””

. Enquanto Ex-Teenager transportou a banda sueca Disco Doom para um território de psicodelia soturna, ruídos e caos (des)controlado, Rice & Bones, mais novo lançamento do grupo europeu, parece seguir por um caminho contrário. Essencialmente branda, a canção encontra no manuseio específico das vozes e guitarras um espaço de aconchego, um meio termo entre as canções mais brandas do Dinosaur Jr e a leveza do Flaming Lips. Pontuada pelas vozes em um teor de recolhimento, a canção ocupa os mais de cinco minutos de duração…Continue Reading “Disco Doom: “Rice & Bones””

. Arctic Monkeys? Queens Of The Stone Age? Não, não, um dos melhores discos de rock lançados em 2013 foi do Milk Music. Intitulado Cruise Your Illusion, o mais recente álbum da banda de Washington foi de volta ao cenário conquistado entre as décadas de 1970 e 1990, cruzando elementos do rock clássico com a cena alternativa. O resultado está em uma obra que soa ao mesmo tempo um disco esquecido do Guns N’ Roses e uma bem sucedida obra do Dinosaur Jr. Íntimo da…Continue Reading “Milk Music: “No, Nothing, My Shelter””

Loomer
Brazilian/Shoegaze/Alternative
https://www.facebook.com/loomerband

Por: Cleber Facchi

Loomer

Quatro anos separam a gaúcha Loomer, apresentada no EP Mind Drops, de 2009, do recém-lançado You Wouldn’t Anyway (2013, Midsummer Madness). Registro de estreia do quarteto gaúcho, o presente álbum passeia pelo tempo (e pelas referências) sem necessariamente se distanciar daquilo que a banda promove com acerto desde as primeiras canções: os ruídos. Intencionalmente voltado ao passado, o debut de dez faixas é uma típica obra de regresso. Um dos muitos trabalhos que se escoram na essência do My Bloody Valentine, mas que ainda assim estão longe de se perder em traços redundantes ou bases há muito reaproveitadas por outros artistas do gênero.

Fabricado como um bloco único de sons caóticos, praticamente intransponíveis, o trabalho assume no conjunto íntimo de canções a base para atrair sem grandes dificuldades qualquer ouvinte. É praticamente impossível atravessar as duas primeiras faixas do álbum sem se deixar conduzir até as composições finais do registro. O exercício, regido pelo manuseio hipnótico das guitarras, substitui o tratamento caseiro de outras obras próximas, efeito que praticamente traga o espectador para um cenário de emanações propositalmente empoeiradas, porém, capazes de se distanciar de possíveis sonorizações previsíveis.

Tratado em um propósito explícito de efemeridade, You Wouldn’t Anyway se esquiva das possíveis construções épicas, testadas nos dois primeiros EPs, para assumir um enquadramento cada vez mais acelerado e dinâmico. Com faixas entre três e quatro minutos de duração, a banda – composta por Richard La Rosa (guitarra), Guilherme F. (bateria), Fernanda Schabarum (baixo) e Stefano Fell (guitarra e voz) – usa dos poucos instantes de cada composição de forma a favorecer uma obra magra, mas não menos envolvente. A medida evita possíveis expansões climáticas ou instantes de maior redundância, assumindo um trabalho capaz de tirar o fôlego do espectador sem margem para o descanso.

Loomer

Ainda que a relação com os dois primeiros EPs seja constante – principalmente nas bases e referências -, ao assumir o presente disco os rumos da Loomer passam a ser outros. O melhor exemplo disso está na forma como os vocais são apresentados ao longo do projeto. Mais do que um complemento para os arranjos distorcidos, em faixas como Painkiller e Dark Star, as vocalizações melódicas praticamente servem como um chamariz para o ouvinte médio. São interpretações autorais das mesmas bases de vozes alcançadas em Loveless (1991) e outros clássicos da década de 1990, ao mesmo tempo em que elementos de grupos recentes, caso de Yuck e The Pains Of Being Pure At Heart, passam pelo mesmo filtro ruidoso dos gaúchos.

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. Cinco anos se passaram desde que a gaúcha Loomer deu início aos primeiros inventos em estúdio. Imersos com naturalidade em um cenário de ruídos e vozes parcialmente ocultas, os músicos Richard La Rosa (guitarra), Guilherme F. (bateria), Fernanda Schabarum (baixo) e Stefano Fell (guitarra e voz) fizeram dos dois primeiros EPs – Mind Drops (2009) e Coward Soul (2010) – um aquecimento para o que se confirma agora com a chegada de You Wouldn’t Anyway. Estreia oficial da banda, o álbum segue a mesma…Continue Reading “Loomer: “You Wouldn’t Anyway””