Tag Archives: Disco

Kindness: “This Is Not About Us”

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World Restart, com todos os clichês do mundo, é uma canção que pode ser facilmente chamada de “gostosa”. Dos arranjos organizados por Adam Bainbridge, passando pela voz de Kelela e Ade, até mergulhar na atmosfera de referências da música Disco/R&B dos anos 1970 e 1980, cada segundo dentro da canção parece projetado de forma a convencer o ouvinte. Para a felicidade de quem acompanha o trabalho do Kindness, não diferente é a inédita This Is Not About Us.

Ainda que “econômica” em relação a faixa que a antecede, a nova música carrega toda a mesma leveza dos elementos incorporados pelo produtor britânico. Com uma relação muito maior com a eletrônica, a nova música reforça uma das nuances de Otherness (2014), o segundo e ainda inédito álbum do Kindness. Com lançamento pelos selos Female Energy e Mom + Pop, o novo disco estreia dia 13 de outubro.

Com boas coreografias, o vídeo de This Is Not About Us é uma parceria entre Bainbridge e o diretor Daniel Brereton.

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Kindness – This Is Not About Us

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Disco: “Mr. Twin Sister”, Mr. Twin Sister

Mr. Twin Sister
Indie Pop/Dream Pop/Electronic
http://mrtwinsister.com/

Por: Cleber Facchi

A mudança de nome do coletivo nova-iorquino Twin Sister para Mr. Twin Sister está longe de ser apenas “estética”. Basta regressar ao ambiente empoeirado de Daniel, Bad Street e demais faixas instaladas no debut In Heaven, de 2011, para perceber a completa alteração de estrutura em torno da autointitulada e mais recente obra do grupo. Orquestrada pelas voz doce de Andrea Estella, o grupo, antes instalado na década de 1980, agora brinca com todo um novo acervo musical, flutuando por entre décadas sem necessariamente assumir qualquer apego específico.

Tão voltado aos suspiros finais da Disco Music (In The House Of Yes), como de elementos típicos do Soft Rock (Sensitive), o álbum sustentado por apenas oito faixas é um emular constante de novas experiências. Um exercício lento de adaptação, como se cada nota, voz ou verso efêmero proclamado ao longo da obra fosse tratado com nítida parcimônia, convidando o ouvinte a saborear todas as sensações (agora) encaradas pela banda.

Ainda que instalado no mesmo ambiente temático de Kill For Love (2012) Chromatics, Anything In Return (2013) de Toro Y Moi e outras obras musicalmente próximas – todas consumidas pela nostalgia não vivenciada -, a reestreia do coletivo de Nova York segue de forma evidente em uma medida de tempo própria, desacelerada. Da mesma forma que cada porção do registro merece ser degustada pelo espectador, não diferente é o ritmo solucionado pelo quinteto, sereno mesmo nos instantes mais “acelerados” – vide a dançante Out Of Dark.

Dentro dessa estrutura ponderada, sóbria, é evidente como o colorido grupo montado por Gabe D’Amico hoje tenta esconder suas formas musicais. Um contínuo espalhar de experiências e peças, deixando que elas sejam montadas na cabeça do ouvinte. Canções como Sensitive e Twelve Angels, atos precisos de quase sete minutos e solucionados em um loop preciso, dançando em uma atmosfera de segredos e lentos encaixes instrumentais. A julgar pela explícita relação com a década de 1970, o novo álbum do Mr.TS talvez seja uma interpretação menos óbvia para o material lançado pelo Daft Punk em Random Access Memories (2013). Continue reading

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Mr. Twin Sister: “In the House of Yes”

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A mudança do nome de uma banda nem sempre é vista com bons olhos. Todavia, ao apresentar Out of the Dark no final de maio, o coletivo Mr. Twin Sister – ex-Twin Sister – provou não apenas ser capaz de repetir o acerto dos primeiros anos, como de ostentar a própria evolução. Com o primeiro álbum da nova fase reservado para o dia 23 de setembro, a banda de Long Island não apenas regressa ao território lançado no ótimo In Heaven, de 2011, como se mostra interessada a investir em toda uma nova carga de referências musicais, marca explícita na recém-lançada In the House of Yes.

Encaixada no mesmo Dream Pop/Indie Pop “oitentista” do registro passado, a nova faixa carrega na voz de Andrea Estella a passagem para um ambiente ainda mais grandioso, ora voltado ao Soft Rock dos anos 1980, ora inspirado pelos últimos suspiros da Disco Music. São quase sete minutos de duração, experiência detalhada em totalidade por batidas semi-dançantes, vocalizações crescentes e até mesmo a inclusão de metais, ampliando de forma nítida o teor nostálgico da criação. Das texturas sustentadas pela linha de baixo, passando pelas  bases de pianos, é preciso regressar uma centena de vezes ao ambiente detalhista da faixa de forma a isolar e se captar cada nuance da faixa.

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Mr. Twin Sister – In the House of Yes

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Kindness: “This Is Not About Us”

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World Restart, com todos os clichês do mundo, é uma canção que pode ser facilmente chamada de “gostosa”. Dos arranjos organizados por Adam Bainbridge, passando pela voz de Kelela e Ade, até mergulhar na atmosfera de referências da música Disco/R&B dos anos 1970 e 1980, cada segundo dentro da canção parece projetado de forma a convencer o ouvinte. Para a felicidade de quem acompanha o trabalho do Kindness, não diferente é a inédita This Is Not About Us.

Ainda que “econômica” em relação a faixa que a antecede, a nova música carrega toda a mesma leveza dos elementos incorporados pelo produtor britânico. Com uma relação muito maior com a eletrônica, a nova música reforça uma das nuances de Otherness (2014), o segundo e ainda inédito álbum do Kindness. Com lançamento pelos selos Female Energy e Mom + Pop, o novo disco estreia dia 13 de outubro.

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Kindness – This Is Not About Us

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Disco: “Trouble in Paradise”, La Roux

La Roux
Electronic/Synthpop/Female Vocalists
http://www.laroux.co.uk/

Por: Cleber Facchi

La Roux

Elly Jackson não poderia ter assumido uma estratégia mais corajosa do que os quatro anos de hiato que antecedem Trouble in Paradise (2014, Polydor). Longe da euforia, sintetizadores chiclete e versos fáceis que se projetam de Bulletproof e I’m Not Your Toy – algumas das faixas mais comerciais do álbum de estreia, lançado em 2009 -, a cantora/produtora britânica alcança o segundo registro de estúdio reforçando uma postura rara em tempos de produções urgentes e obras que normalmente chegam cruas aos ouvintes.

Lento, mas não estático, o presente disco é um passo além em relação ao furor oitentista que organizou grande parte da produção musical na década passada. Ainda íntima da New Wave instalada no single de estreia Quicksand, de 2008, Jackson transforma o novo álbum em uma obra de transição. Por mais que a inaugural Uptight Downtown estenda o exercício projetado no disco de estreia, à medida que a cantora atravessa a obra, o teor nostálgico da década de 1980 se encontra com os anos 1990 e 1970, reforçando a base conceitual do La Roux. Onde antes reinavam projetos como Eurythmics, A-Ha e The Human League, agora surgem gigantes como Grace Jones e Donna Summer.

Apresentado em idos de maio pela extensa Let Me Down Gently, Trouble in Paradise logo foi encarado como uma obra de oposição ao exercício frenético exposto no debut de Jackson. Todavia, não é preciso muito esforço para perceber como a mesma música pop da britânica ainda permanece a mesma, apenas detalhada em uma nova estrutura. Mesmo que canções como Tropical Chancer ou a inaugural Uptight Downtown apostem em uma tonalidade calorosa e propositadamente letárgica, por todo o trabalho músicas como Kiss and Not Tell e Sexotheque resgatam a essência do álbum anterior, arrastando o ouvinte para a pista.

É dentro desse universo de colagens, resgates e pequenas adequações que reside o grande acerto do disco. Enquanto The Ting Tings, Ladyhawke e outros artistas que surgiram na mesma época se acomodaram em uma terrível zona de conforto, Elly Jackson foi além, investindo na transformação. Sim, Trouble in Paradise está longe de ser um álbum encarado como “clássico”, tampouco parece capaz de igualar o acervo de faixas pegajosas do álbum passado, todavia, longe da redundância imediata e do autoplágio autoral que sobrevive do fanatismo cego do público, Jackson evita a redundância e aposta no novo. Trata-se de uma obra de passagem, uma seta indicando os acertos, tropeços e novas possibilidades da cantora ao velho público. Continue reading

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Disco: “Jungle”, Jungle

Jungle
Soul/R&B/Funk
https://www.facebook.com/jungle4eva

Por: Cleber Facchi

O passeio pelo Funk/Soul em Lucky I Got What I Want, o vídeo coreografado de Busy Earnin’ – no melhor estilo Hip-Hop 80’s -, ou mesmo o teor nostálgico do single de estreia – Platoon -, logo entregam a identidade musical do Jungle. Apresentado oficialmente em meados de 2013, o projeto comandado por Josh Lloyd-Watson (J) e Tom McFarland (T) é mais do que um novo exemplar do “Neo-Soul” britânico. Trata-se de um retrato delicado de tudo o que alimenta a Black Music em mais de cinco décadas de produção, transportando para o presente traços musicais há muito abandonados.

Versão descomplicada e até mesmo caricata de tudo aquilo que o TV On The Radio havia experimentado em Return to Cookie Mountain, de 2006, a autointitulada estreia do Jungle é uma obra que dança pelo tempo. Há espaço para a Disco Music em Julia e Accelerate, a busca pelo pop em Time, e até representações políticas da música negra em Son Of A Gun e Platoon. A diferença em relação ao trabalho do coletivo nova-iorquino ou mesmo de obras como St. Elsewhere (2006) do Gnarls Barkley está no caráter essencialmente acessível do registro.

Ainda que não apresente nenhuma faixa comercialmente grandiosa – vide a boa repercussão em cima de Crazy -, Jungle (o álbum) se distancia de prováveis bloqueios, trazendo na voz sutil de cada música uma evidente ferramenta de atração. Plástico, ainda que livre de exageros, complexo, porém tocante em se tratando das harmonias assinadas pelos produtores, o trabalho de 12 faixas rápidas se acomoda em quase 40 minutos de puro detalhamento e segurança para o ouvinte. Uma específica zona de conforto que não pretende e nem menos precisa ser provocada.

Quase minimalista em se tratando de outros exemplares recentes do Soul e R&B – como Electric Lady (2013), de Janelle Monáe -, a estreia do Jungle cresce justamente por conta do aspecto “diminuto” de cada canção. Salvo a inclusão de metais em Busy Earnin’ e outros instantes exaltados que se espalham pela obra, do início ao fim, o trabalho sustenta economia e atrativa homogeneidade. O proposital controle em relação aos arranjos força a dupla de produtores a investir de forma detalhada no uso dos vocais. O resultado está na construção de um álbum livre de possíveis lacunas, como se cada canto ou coro abrangente servisse de passagem para a canção seguinte. Continue reading

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Giorgio Moroder: “Giorgio’s Theme”

Adult Swim

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Foi dada a largada para mais uma edição do projeto Adult Swim Singles, uma das melhores coletâneas da cena alternativa atual. Seguindo a trilha das edições anteriores, semanalmente um grande site de música norte-americano apresenta uma composição inédita relacionada ao projeto. Para a edição 2014 da série, foram escolhidos desde nomes de peso do Hip-Hop (Run The Jewels, Future), passando por gigantes do Metal (Deafheaven, Mastodon), até artistas centrados na música experimental (Fatima Al-Qadiri, Tim Hecker). Entretanto, para inaugurar a nova safra do projeto, a responsabilidade foi parar nas mãos do veteranos Giorgio Moroder.

Redescoberto pelo público desde a parceria com o Daft Punk em Random Access Memories (2013), o gênio da Italo-Disco usa da extensa Giorgio’s Theme como uma fina tradução de toda sua obra. Com mais de sete minutos de duração, a faixa atravessa os anos 1970 até alcançar o presente em um misto de nostalgia e novidade. Guiada até o fim pelos sintetizadores, a frenética canção funciona perfeitamente dentro e fora das pistas, reforçando (mais uma vez) a capacidade de Moroder em prender as atenções dos ouvintes.

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Giorgio Moroder – Giorgio’s Theme

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Disco: “White Women”, Chromeo

Chromeo
Electronic/Dance/Funk
http://chromeo.net/

Por: Cleber Facchi

Chromeo

O pop não precisa ser inteligente para fazer o ouvinte dançar, entretanto, David Macklovitch e Patrick Gemayel fazem questão de amarrar essas duas pontas dentro do universo de tendências que definem o Chromeo. Seguindo a maturidade assumida desde a passagem por Business Casual, em 2010, o duo canadense transforma o quatro álbum da carreira em uma obra de possibilidades. Sim, White Women (2014, Last Gang) ainda é uma fina representação do trabalho da dupla, porém, é possível ir um pouco mais além dentro desse mesmo cenário dançante.

Apresentado em boa hora, o presente álbum do Chromeo é uma continuação das experiências lançadas no último ano por Daft Punk (Random Access Memories), Blood Orange (Cupid Deluxe) e outros interessados nas tendências musicais/estéticas dos anos 1970. Base para o trabalho dos canadenses desde o debut She’s in Control, de 2004, a tonalidade gerada há quatro décadas deixa de ecoar como um mero pastiche, típico dos outros álbuns, adaptando conceitos nostálgicos ao presente de forma natural.

Obra mais romântica, mas não menos sacana e “quente” da dupla, o disco cresce como uma verdadeira sequência de hits. Praticamente um “The Best Of 70’s” abastecido apenas por faixas inéditas, White Women apresenta na abertura do álbum um cardápio de ritmos, fórmulas e arranjos que serão interrompidos apenas no último instante do trabalho. Linha de baixo funkeada, falsetes distribuídos aleatoriamente e porções exatas de sintetizadores. Do suingue em Jealous (I Ain’t With It), ao pontuar de Fall Back 2U, tudo ecoa aproximação e um doce descompromisso. É hora de mergulhar na noite, e o Chromeo tem a trilha sonora perfeita para isso.

Longe de repetir a funcionalidade dos trabalho passados – principalmente o último -, o quarto álbum do Chromeo é uma obra de evidente transformação para o banda. Como uma passagem lenta para a década de 1980 e as bases da New Wave, White Women migra suas fórmulas com louvor particular. Melhor exemplo dessa transição está no fluxo criativo de Sexy Socialite, faixa que lembra (e muito) a estética do Talking Heads em discos como Fear of Music (1979) e Remain in Light (1980). O mesmo exercício se repete ainda em Play To Fool e Somethingood, músicas que abraçam tanto o Synthpop da época, como o clima dançante de Michael Jackson pós-Off The Wall (1979). Continue reading

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Disco: “The Feast of the Broken Heart”, Hercules and Love Affair

Hercules and Love Affair
Electronic/House/Disco
http://herculesandloveaffair.net/

Por: Cleber Facchi

Andy Butler

A última vez que Andy Butler abriu um álbum do Hercules and Love Affair com um Hercules Theme, o contexto assumido pelo produtor parecia ser muito diferente do atual. Longe da avalanche de artistas inclinados a reviver a década de 1990, o artista fez do primeiro álbum do coletivo nova-iorquino, em 2008, uma obra de redescoberta do período e suas tendências. Arranjos tímidos, sexualidade exposta, a voz densa de Antony Hegarty – elemento envolventes dentro de cada canção. Longe da mesma atmosfera, Butler abre agora as portas do terceiro álbum de estúdio, mantendo firme a estética inicial do projeto, porém, em busca de um novo universo de possibilidades.

Menos esparso que o antecessor Blue Songs, de 2011, The Feast of the Broken Heart (2014, Moshi Moshi) assume de vez o lado pop de seu idealizador, como um flerte com o grande público. Da faixa de abertura, Hercules Theme 2014, ao encerramento do disco, em The Key, cada minuto do trabalho aponta para a transformação, usando das melodias e versos fáceis como um princípio para o delineamento para o álbum. Todos os elementos da obra ainda são encarados de forma coletiva, mas o fechamento do disco se dá de outra forma.

Como uma trilha sonora para o verão – de 1991 ou atual -, Butler deixa de lado as tapeçarias detalhistas para reforçar um álbum simples, feito para o consumo imediato. Enquanto há seis anos o mesmo exercício era assumido de forma minuciosa, vide a coleção detalhista de arranjos em You Belong e This Is My Love , hoje pouco disso parece ter sobrevivido – o que está longe de parecer um erro. Como o disco de 2011 já havia identificado, Butler quer apenas arrastar o ouvinte para a pista, efeito que se reforça no ritmo de Do You Feel The Same? e demais faixas essencialmente comerciais do disco.

Ainda que seja encarado como o ponto central da obra, Butler segue a trilha dos dois últimos discos, entregando os versos de cada música para um novo time de vocalistas. Naturalmente imerso na cultura LGBT norte-americana, o álbum abre espaço para que Rouge Mary, Krystle Warren e o assertivo John Grant – todos homossexuais – assumam presença no decorrer da obra, fragmentando o universo do produtor em diferentes personagens. Sim, a ausência da voz marcante de Hegarty ainda minimiza o crescimento da presente obra, mas isso está longe de prejudicar o rendimento das canções. Continue reading

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