Todd Terje sempre escolheu muito bem os artistas que remixaram seus trabalhos. Conterrâneos da Space Disco, como Prins Thomas, além de outros produtores como Joakim, Eric Duncan e Pepe Bradock. Nada que se compare ao recente “experimento” do britânico Kieran Hebden, do Four Tet, no novo single do produtor norueguês. Em Jungelknugen, faixa que sequer foi lançada oficialmente por Terje, uma chuva de sintetizadores cobre todos os limites da canção.

Sem necessariamente descaracterizar o trabalho de Todd Terje, Hebden cria pequenos atos, explosões e curvas rítmicas que bagunçam a composição. O resultado está na construção de uma faixa que parece pronta para as pistas, como um convite sedutor que replica grande parte dos conceitos apresentados pelo norueguês no elogiado debut It’s Album Time, de 2014. A versão original da faixa segue sem previsão de lançamento.

 

Todd Terje – Jungelknugen (Four Tet Remix)

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Poucos trabalhos lançados em 2015 continuam tão divertidos (e dançantes) quanto Prom King, de Skylar Spence. Responsável por um verdadeiro acervo de hits, como Can’t You See, I Can’t Be You Superman e Affairs, o produtor Ryan DeRobertis conseguiu amarrar as pontas entre a Disco Music dos anos 1970 e todo o universo de ambientações eletrônicas que deram vida à Chillwave/Vaporwave desde o final da década passada.

Em Faithfully, mais recente single do produtor norte-americano, uma clara extensão dessa mesma sonoridade. Em um intervalo de apenas três minutos, DeRobertis amarra costura fragmentos do clássico Wonderful, da cantora Aretha Franklin, se aprofunda no uso de sintetizadores e temas enevoados e ainda termina com a produção de uma composição que seduz o ouvinte lentamente, convidado a provar de diferentes experiências das pistas de dança.

 

Skylar Spence – Faithfully

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Cinco anos após a apresentação de Audio, Video, Disco (2011), Gaspard Augé e Xavier de Rosnay anunciam a chegada de um novo álbum de inéditas do Justice: Woman. Previsto para o dia 18 de novembro, o trabalho parece seguir exatamente de onde a dupla francesa parou no começo da presente década. Basta voltar os ouvidos para Safe and Sound, composição entregue ao público em julho deste ano e uma base para a recente Randy.

Sintetizadores emulando arranjo de cordas, o flerte com a música disco, diálogos (in)voluntários com o rock progressivo da década de 1970. Em pouco mais de três minutos, todas as referências que abastecem o trabalho da dupla desde o inaugural †, de 2007, são mais uma vez apresentadas ao público. A diferença está na forma como os vocais se projetam com limpidez do primeiro ao último instante da faixa, soando como um curioso remix de alguma canção produzida pelo Tame Impala em Currents (2015). Para o clipe da canção, uma instalação repleta de televisores com a letra da canção, trabalho dirigido e produzido por Thomas Jumin.

Woman (2016) será lançado no dia 18/11.

 

Justice – Randy

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Cinco anos após a apresentação de Audio, Video, Disco (2011), Gaspard Augé e Xavier de Rosnay anunciam a chegada de um novo álbum de inéditas do Justice: Woman. Ainda sem data de lançamento, o trabalho parece seguir exatamente de onde a dupla francesa parou no começo da presente década. Basta voltar os ouvidos para Safe and Sound, composição entregue ao público em julho deste ano e uma base para a recém-lançada Randy.

Sintetizadores emulando arranjo de cordas, o flerte com a música disco, diálogos (in)voluntários com o rock progressivo da década de 1970. Em pouco mais de três minutos, todas as referências que abastecem o trabalho da dupla desde o inaugural †, de 2007, são mais uma vez apresentadas ao público. A diferença está na forma como os vocais se projetam com limpidez do primeiro ao último instante da faixa, soando como um curioso remix de alguma canção produzida pelo Tame Impala em Currents (2015).

 

Justice – Randy

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. The Big Cover-Up (2016), esse é o nome do mais recente trabalho do produtor norueguês Todd Terje. Trata-se de um EP de versões para “clássicos” assinados por Yellow Magic Orchestra, Martin Circus, Boney M e Vangelis, mas que também serão remixados por outros produtores próximos de Terje, caso de Daniel Maloso, Dan Tyler, Prins Thomas e Øyvind Morken. Para apresentar o trabalho, nada melhor do que a dançante e divertida Baby Do You Wanna Bump. Originalmente lançada na década de 1970 pelo grupo alemão Boney M, Baby Do…Continue Reading “Todd Terje & The Olsens: “Baby Do You Wanna Bump” (Daniel Maloso Remix)”

. Mais conhecida pelo trabalho como vocalista e líder do grupo britânico Veronica Falls, em carreira solo, Roxanne Clifford parece assumir um som completamente distinto em relação ao indie rock produzido com os parceiros de banda. Trata-se do Patience, um projeto de Synthpop/Italo Disco que mergulha no mesmo universo de artistas como Desire, Glass Candy, Chromatics e grande parte dos projetos relacionados ao selo Italians Do It Better. Em The Church, primeiro composição e clipe produzido por Clifford, um eficiente resumo do material que será entregue pela cantora…Continue Reading “Patience: “The Church” (VÍDEO)”

Hoje, a partir das 15h, a produtora MAMA PRO traz pela primeira vez ao Brasil a dupla Detroit Swindle, que se apresenta em um jardim secreto localizado na Barra Funda, em São Paulo. Após encerrar 2015 trazendo John Talabot direto de Barcelona, a MAMAPRO abre os trabalhos do ano com a dupla mais quente do deep house holandês, formada em 2011 por Marteen Smeets e Lars Dales. A história da parceria se iniciou quando Lars, que trabalhava com a programação de alguns clubes de Amsterdã,…Continue Reading “MAMA PRO: Detroit Swindle”

A dupla Database acaba de lançar seu primeiro álbum, “Vivid Exposition”, pelo selo Life on Planes, do DJ White Shadow, produtor de nomes como Lady Gaga e Pitbull. O disco conta com participações nos vocais de Patrick Baker, Savoir Adore, French Horn Rebellion, Tidal Caves, B.Starr, Bogan Via e Aldo the Band. Formado por Lucio Morais e Yuri Chix em 2007, a Database já remixou oficialmente o artista Fatboy Slim, lançou em 2010 o single “Beach and Friends”, em parceria com os americanos do French Horn Rebellion,…Continue Reading “Database: “Vivid Exposition””

A dupla Database lançou essa semana seu mais novo EP “Another Love”, com participação de Savoir Adore, trazendo os vocais de Paul Hammer, além de três remixes, sendo dois da dupla carioca de House e Disco, Twelves e do produtor paulistano, parte do cast do selo da Kompakt, L_cio. O lançamento é pelo selo Life on Planes, do DJ White Shadow, produtor dos álbuns “Born This Way” e “Artpop” da Lady Gaga. Formado por Lucio Morais e Yuri Chix em 2007, o Database já remixou Fatboy…Continue Reading “Database: “Another Love””

Hó Mon Tchain
Nacional/Hip-Hop/Rap
https://www.facebook.com/AgaEmeTe

 

Desde o lançamento de Malandrão, em setembro de 2015, que o som produzido pelo Hó Mon Tchain parece longe de repetir os conceitos aplicados do bem-sucedido Ascensão (2012). Da solução de batidas, bases e rimas ancoradas no hip-hop dos anos 1990, o coletivo paulistano dá um salto de pelo menos duas décadas, encontrando em temas que dialogam com o cotidiano do trabalhador brasileiro a matéria-prima para o segundo registros de inéditas, Assim Que Nóis Trabalha (2016, Independente).

Canção de abertura do disco, A.Q.N.T. não apenas reforça a temática conceitual que rege a obra, como resume a plena evolução do grupo em relação ao primeiro álbum de estúdio. Se em 2012 a produção assinada pelo produtor e também integrante Mud parecia dançar pelo mesmo universo de veteranos como Wu-Tang Clan, Madlib e outros gigantes da década de 1990, com a chegada do novo registro, cada elementos espalhado pelo disco dialoga de forma assertiva com o presente.

Difícil não lembrar de obras recentes do selo TDE, como Oxymoron (2014) do SchoolBoy Q ou mesmo Good Kid, M.A.A.D City (2012) de Kendrick Lamar. Mesmo a temática “eletrônica” de Cores & Valores (2014), último registro de inéditas do Racionais MC’s, parece replicada de forma autoral em composições como Gueto Árabe e Números não Mentem. Da mesma forma que em Ascensão, Mud, continua a brincar com fragmentos instrumentais de diferentes artistas, recortando, costurando e adaptando referências de forma a produzir um material próprio do HMT.

Nesse cenário de ondulações que vão do Trap ao R&B, o grupo se concentra em projetar uma verdadeira metralhadora de rimas versáteis. Composições que passeiam pelo universo caótico de cada integrante (Malandrão), criam paralelos entre diferentes periferias (Gueto Árabe) e ainda discutem com maturidade a conflituosa relação entre dinheiro e valores pessoais a cada nova curva do disco (Ostentação Interior, Por onde Voo e Amo os que Me Odeiam). Sobram até pequenos respiros intimistas dentro de faixas como Sessão da Tarde e Essa Noite.

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