Tag Archives: Disco

Disco: “It’s Album Time”, Todd Terje

Todd Terje
Space Disco/Electronic/Nu Disco
http://toddterje.com/

Por: Cleber Facchi

Todd Terje

Mulheres, drinks e Space Disco. Há mais de uma década o norueguês Todd Terje passeia pela cena eletrônica como um boêmio, se esquivando das palavras e investindo nos arranjos sintéticos para retratar de forma autoral a vida noturna. Mergulhado nas experiências que ocuparam a década de 1970, o produtor original de Mjøndalen, parece amarrar as pontas soltas entre a música que ocupou as pistas há quase quatro décadas e as emanações que detalham os excessos no presente. Entre lá e aqui, Terje abre as portas do primeiro álbum de estúdio, o aguardado It’s Album Time (2014, Olsen), um registro tão nostálgico e empoeirado, quanto voluptuoso e atual.

Descompromissado, mas não menos detalhista que os últimos inventos em estúdio do artista, o disco vai além de dançar pelas harmonias hipnóticas lançadas por Terje desde o começo dos anos 2000. Enquanto os primeiros singles ou mesmo o último EP do produtor, It’s the Arps (2012), pareciam reforçar experimentos musicais fragmentados, cada instante do presente álbum evoca uma tonalidade sequencial. É como se o norueguês contasse uma história, um tipo de desaventura romântica em um paraíso tropical que cresce ao som  dos sintetizadores.

Ao mesmo tempo em que caminha pela areia quente da história oculta ao fundo das harmonias, Terje fixa no registro uma forma de comunicação com a obra que já vinha desenvolvendo. Bastam as transições suingadas de Preben Goes to Acapulco ou a fluidez direta de Delorean Dynamite (faixa manipulada pela matemática das programações) para ver a relação do artista com velhos parceiros como Prins Thomas e Lindstrøm. De fato, parte dos arranjos encontrados por Todd crescem como uma sequência ao bem sucedido Smalhans (2012), em que foi colaborador, ao mesmo tempo em que parte dos tropeços dados por Lindstrøm em Six Cups of Rebel são pontualmente solucionados.

Se não fosse pelo histórico amigável de Terje com os outros nomes da cena norueguesa, não seira estranho suspeitar que It’s Album Time fosse lançado como uma autêntica provocação. Da música latina em Svensk Sås, ao toque litorâneo de Alfonso Muskedunder, cada música enquadrada no disco parece fugir do hermetismo típico da eletrônica que ocupa parte da produção europeia. Uma constante sensação de que o produtor busca abraçar o grande público por meio dos arranjos versáteis, abertura que em nenhum momento foge do cuidado técnico explícito desde os primeiros segundos. Continue reading

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Lana Del Rey: “Meet Me In The Pale Moonlight”

Lana Del Rey

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É de Lana Del Rey um dos registros mais aguardados do ano. Terceiro álbum de estúdio da cantora norte-americana, Ultraviolence deve abrir passagem para que a artista aposte em um conjunto de novas harmonias e arranjos, aspecto declarado na recém-lançada Meet Me In The Pale Moonlight. Mais novo single da autora de Born To Die, a nova faixa quebra completamente a morosidade dos primeiros Hits da artista, que agora aproveita para passear pela década de 1970.

Nitidamente inspirada pelo trabalho da dupla Daft Punk, em Random Access Memories (2013), a canção envereda para a música Disco sem grandes pretensões. São mais de três minutos de guitarras bem enquadradas, sintetizadores e a voz (pela primeira vez) tratada de forma menos maquiada possível. Passagem para o novo álbum – que conta com assinatura de Dan Auerbach (The Black Keys) como produtor -, a faixa reforça o completo distanciamento do último álbum, marcado de foram expressiva pela lentidão.

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Lana Del Rey – Meet Me In The Pale Moonlight

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Daft Punk: “Random Memories Access” Pôsteres

RAM

Lançado em maio de 2013, Random Access Memories não apenas rompeu com o hiato de oito anos da dupla Daft Punk, como serviu para aproximar o duo francês de um novo universo de possibilidades musicais. Com os dois pés na década de 1970, Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo conduziram o ouvinte por entre um conjunto de novas composições, apresentando um catálogo de faixas propositalmente nostálgicas, como Get Lucky e Lose Yourself to Dance. Mais do que voltar no tempo musicalmente, a dupla resolveu abraçar de vez a estética lançada há mais de três décadas, tratamento explícito na série de anúncios divulgados na loja oficial da dupla.

Para promover as camisetas, pôster e até mesmo a fivela oficial do novo álbum, cartazes inspirados em anúncios da década de 1970 foram transportados para o presente. São imagens propositalmente envelhecidas, fontes caricatas e todo um visual típico dos anúncios apresentados até o meio da década de 1980. Abaixo você encontra cada um dos anúncios e decide (ou não) se compra alguns dos produtos na loja da banda. Impressão minha, ou os cartazes parecem melhores do que os próprios produtos? Abaixo você encontra todos os cartazes. Continue reading

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Chromeo: “Jealous (I Ain’t With It)”

Chromeo

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Cada nova música lançada por David Macklovitch e Patrick Gemayel só reforçam o que parecia previsto desde Sexy Socialite: o Chromeo anda muito, muito inspirado. Passeando por uma série de conceitos que abasteceram a disco music no meio da década de 1970, além de um catálogo de possibilidades que guiaram a New Wave nos anos 1980, o duo canadense faz da cativante Jealous (I Ain’t With It) mais uma pista quente do que pode vir a orientar White Women, quarto e mais novo álbum da dupla.

Econômica, a canção utiliza dos pouco mais de quatro minutos de duração como um mecanismo de estímulo para as pistas. São falsetes, sintetizadores e a tradicional linha de baixo que há tempos dita a obra da dupla, tudo resolvido em um conjunto de referências comerciais, prontas para os diferentes públicos. Bem-humorados, os canadenses apresentam agora o clipe da canção, que firma na temática do casamento uma premissa para as imagens.

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Chromeo – Jealous (I Ain’t With It)

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Hercules and Love Affair: “Raid”

Andy Butler

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Incerto, assim é o caminho para o terceiro trabalho em estúdio do Hercules & Love Affair. Enquanto Do You Feel The Same?, primeiro single do trabalho e faixa apresentada há poucas semanas reforçou a busca de Andy Butler por uma sonoridade íntima do Pop e outras preferências lançadas na década de 1970, com a chegada de Raid, lado B do mesmo lançamento, a preferência do nova-iorquino alcança novos territórios.

Essencialmente eletrônica, a canção mergulha de vez na Nu-Disco, soando como uma sobra daquilo que o produtor trouxe na série DJ-Kicks, em 2012. Ainda que seja deixada de lado do novo disco, a canção serve para estreitar os laços com o criticado registro de 2011, Blue Songs, álbum que trouxe ao público o lado mais “sintético” do projeto. Anunciado para o dia 26 de maio, The Feast Of The Broken Heart chega ao público pelo selo Moshi Moshi, o mesmo do trabalho passado.

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Hercules and Love Affair – Raid

 

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Disco: “Aláfia”, Aláfia

Aláfia
Soul/Funk/Alternative
https://www.facebook.com/aifalaalafia

Por: Cleber Facchi

Aláfia

Música negra”. Este parece ser um rótulo automático, mas que inevitavelmente define a atuação do coletivo Aláfia no primeiro trabalho em estúdio do grupo. Autointitulado, o registro de 11 faixas atravessa qualquer estágio de aquietação em prol da versatilidade. Preferência assumida nas emanações que cruzam o Funk, bebem do Soul, caminham pelo Hip-Hop e ainda apresentam uma série de conceitos particulares ao longo das canções. Um verdadeiro bloco de experiências aglutinadas que borbulham no começo da década de 1950, com o brilho instável do jazz, e chegam ao presente cenário em um detalhamento que opta pela provocação.

Sem a necessidade em soar comercial ou minimamente aberto ao público médio, cada composição do disco encontra na perversão da própria essência um mecanismo de sustento e criativa transformação. Longe da redundância de outros projetos do gênero, inclinados a repetir a proposta de veteranos como Tim Maia, Gilberto Gil e tantos outros nomes que abasteceram a música brasileira nos anos 1970, ao pisar no presente disco o ouvinte é imediatamente transportado para um universo em plena (des)construção.

Movido pela coleção de ideias, resultado do time imenso de colaboradores que abastecem o disco – Xênia França (voz), Jairo Pereira (voz), Eduardo Brechó (voz e violão), Lucas Cirillo (gaita), Alysson Bruno (percussão), Pipo Pegoraro (guitarra), Gabriel Catanzaro (baixo) e Filipe Gomes (bateria) -, Aláfia (o álbum) é uma obra que brinca com as preferências. Enquanto faixas como Ela é favela e Dono da minha cabeça colidem referências em uma estética puramente instável, outras como Chicabum atentam para um resultado acessível, tratamento que não exclui a manipulação torta dos versos, arranjos e vozes.

Parte desse percurso torto do disco vem da própria essência dos integrantes, que assumem nos versos cotidianos de Mano Brown e na inquietação de Itamar Assumpção uma constante ferramenta para o disco. Exemplo mais eficaz desse labirinto de experiências está instalado de forma quebrada na arquitetura da música Em punga. Dividida entre as colisões sonoras da Vanguarda Paulista e o Hip-Hop dos anos 1990, a canção encontra nos versos ora cantados, ora rimados um constante senso de perturbação da ordem. A própria presença de Lurdez da Luz (Mamelo Sound System) funciona como um tempero extra para o teor ruidoso que ocupa versos e arranjos da canção. Continue reading

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Hercules And Love Affair: “Do You Feel The Same?”

Hercules and Love Affair

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Parece pouco provável que Andy Butler consiga repetir a mesma façanha alcançada no assertivo debut do Hercules And Love Affair, entretanto, ainda assim ele tenta. Três anos depois de experimentar novos domínios em Blue Songs (2011), segundo trabalho em estúdio do projeto nova-iorquino, chega a hora de mergulhar no universo de The Feast Of The Broken Heart, terceiro e ainda inédito trabalho da banda comandada por Butler.

Desenvolvido em cima de dez faixas, o projeto reserva para cada uma das canções um novo time de interpretes, expandindo ainda mais o resultado testado há três anos. Como uma forma de preparar terreno e anunciar ao público parte do que está por vir, Do You Feel The Same?, primeiro single do novo álbum reforça todos os condimentos sintéticos de Butler. São transições eletrônicas que ultrapassam os limites da Nu Disco, aterrissam na obra de Michael Jackson no final dos ano 1970 até finalizar um típico produto para as pistas. Apenas um aperitivo (satisfatório) de tudo o que deve ser revelado no dia 26 de maio.

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Hercules And Love Affair – Do You Feel The Same?

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Disco: “Brazilian Disco Club Compilation Vol. 2″, Vários Artistas

Vários Artistas
Brazilian/Electronic/Dance
https://soundcloud.com/braziliandiscoclub

Por: Cleber Facchi

Tropical

Luciano Huck passou a última década fazendo a “curadoria” de artistas estrangeiros para a coletânea Summer Electrohits. Não precisava ir tão longe. Compilando o trabalho de um time de produtores tão ou mais “tropicais” do que Kasino e Bob Sinclair, o selo paulistano Brazilian Disco Club entrega agora BDC Compilation Vol. 2. Registro de 13 canções inéditas que passeiam por diferentes pistas, estéticas e gêneros dentro da eletrônica nacional, o catálogo vai da French House aos inventos da Nu Disco sem romper com o único propósito: construir a trilha sonora perfeita para a estação.

O coro ascendente da faixa de abertura – “Ipanema/ Ipanema/ IPANEMA/ I-PA-NE-MA” -, autoria da dupla Arcade Fighters, parece ser o princípio para mergulhar de cabeça no restante da obra. Ainda que a influência venha da beira do mar (ou da borda da piscina), a composição quente do registro tem como objetivo claro movimentar as pistas. Faixa, após faixa, nomes como Palinolia (Deli) e Club Soda (Have Fun) assumem uma colagem de essências orquestradas com bom humor, mecanismo de ruptura quando próximo de outros trabalhos do gênero.

Sem se distanciar do pop – proposta evidente nos samples de Girls Just Wanna Have Fun, da cantora Cyndi Lauper, na música do paulistano Club Soda -, o registro traz na primeira metade um conjunto de músicas plenamente radiofônicas. Seja na nostalgia calorosa da faixa Soulove (de Beerlover), ou na sensualidade de Pray For You (de Real Deal), cada partícula do álbum dança com leveza por elementos que vão do Funk ao Hip-Hop tendo nos sons melódicos um ponto de apoio. A diversidade, longe de ecoar desequilíbrio, funciona como um impulso para o álbum, que se mantém em alta até a chegada da última faixa.

Tropical

Enquanto a metade inicial atende às exigências do público médio, revelando músicas de absorção imediata, para o “Lado B”, a coletânea reforça o lado mais “experimental” do projeto. Sem romper com a estética solar do disco, os cariocas Strausz (Real Art Comes From Inside Of Our Body) e DJ Guerrinha (Cheiro de Tinder na Prado Junior) assumem a responsabilidade de brincar com a mente do ouvinte. Como o ápice da embriaguez em uma festa, a dupla espalha (individualmente) batidas tortas, vozes e ruídos em uma composição que vai do lisérgico ao perturbador. Orientação que serve de respiro para o lado mais frenético do disco. Continue reading

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Chuck Inglish: “Legs” (feat. Chromeo)

Chuck Inglish

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Depois da volta do Cool Kids com duas novas canções, chega a vez de Chuck Inglish, uma das metades da dupla, preparar caminho para um novo invento solo. Intitulado Convertibles e com lançamento previsto para meados de Abril, o registro mais parece uma festa particular do rapper, que aparece cercado por um verdadeiro time de colaboradores em cada uma das 12 faixas do registro. Entre nomes como Chance the Rapper, Ab-Soul e Action Bronson, o destaque acaba ficando por conta da dupla Chromeo e o clima dançante de Legs.

Primeira canção do registro a ver a luz do dia – ou da noite -, a faixa migra diretamente para os anos 1970, solucionando no cruzamento das batidas, sintetizadores, cordas e da linha de baixo toda a avalanche de acertos. Íntima do clima Neo-Disco que a dupla canadense vem desenvolvendo para o novo álbum, White Women, a canção em poucos instantes atravessa as rimas de Inglish, caindo diretamente nas pistas.

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Chuck Inglish – Legs (feat. Chromeo)

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Fatnotronic: “Margarida”

Fatnotronic

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Passado e presente se confundem no universo particular da dupla Fatnotronic. Projeto formado por Gorky (Bonde do Rolê) e Phillip A (Killer On The Dancefloor), o duo encontra na nostalgia – do synthpop 80’s ou na Italo Disco 90’s – referências mais do que suficientes para abastecer o fluxo pop de Margarida. Primeiro grande single da dupla de produtores, a canção nada mais é do que uma versão curiosa da faixa Felicidade (Margarida) assinada pelo extinto Harmony Cats – grupo de cantoras que abasteceu a cena Disco nacional entre 1976 e 1986.

Bem humorada, a canção segue as pistas da canção original, substituindo a natural leveza do coletivo por uma interação muito maior com as pistas. Disponível para download e audição gratuita no perfil do Soundcloud da dupla, a canção abre espaço para o que deve se transformar em um projeto de dois EPs até o fim de 2014. Abaixo, além do remix, você encontra a versão original da música, lançada originalmente em 1980.

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Fatnotronic – Margarida

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Harmony Cats – Felicidade (Margarida)

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