Original da cidade Montreal, no Canadá, Helena Deland (guitarra, voz) é uma cantora de Dream Pop/Folk responsável por algumas das canções mais dolorosas da recente safra da música canadense. Acompanhada de perto pelos parceiros de banda Mathieu Bérubé (guitarras), Francis Ledoux (bateria) e Alexandre Larin (baixo), a artista apresenta ao público mais um novo registro de inéditas, o EP de apenas quatro faixas Drawing Room (2016).

Entre as canções já apresentadas pela cantora, a dobradinha formada por Baby e Axis. Exemplares do romantismo doloroso que caracteriza o trabalho da cantora. Duas composições completamente distintas, afinal, enquanto Baby se espalha dramática, revelando a mesma melancolia de artistas como Sharon van Etten e Cat Power, Axis surge quase sorridente, mergulhando em uma sequência de guitarras rápidas, quase ensolaradas.

Helena Deland – Baby

Helena Deland – Axis

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Anunciado há poucos dias, durante o lançamento do single Seca, Japão EP (2016) é o nome do primeiro registro produzido pelo músico Ale Sater em carreira solo. Mais conhecido pelo trabalho como baixista e um dos vocalistas da banda Terno Rei, o cantor e compositor paulistano assume uma postura “experimental” dentro do presente álbum, colecionando vozes empoeiradas, ruídos climáticos e fragmentos distintos que se agrupam dentro de uma mesma canção.

São seis composições – Pipa, Seca, Shinkansen, Volte Para Casa, Filha do Dino e Saída Bangu – em que Sater se  concentra na produção de um material essencialmente melancólico, intimista, brincando com lembranças e acontecimentos da própria infância. Um bom exemplo disso está em Filha do Dino. Quinta faixa do disco, a canção marcada pela nostalgia ainda se abre para a lenta inserção de uma viola caipira, estreitando com naturalidade a relação entre Ale e o próprio primo, o músico Almir Sater.

Japão EP (2016) conta com lançamento pelo selo Balaclava Records.

Ale Sater – Japão

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Ladies don’t play guitar/ Ladies don’t get down, down to the sound of it/ Maybe we can play pretend“, canta Alaina Moore em Ladies Don’t Play Guitar. Mais recente composição da cantora em parceria com o marido Patrick Riley, a faixa marcada pela temática do empoderamento feminino mostra a disparidade entre os gêneros mesmo dentro do processo de composição musical. Como explicou em entrevista, o ponto de partida para a construção de uma nova fase na carreira da banda.

Primeira composição inédita do casal em dois anos, a nova faixa separa o material produzido em 2014 com Ritual in Repeat do som que deve abastecer o novo registro de inéditas do Tennis – ainda sem título e previsão de lançamento. Formado no começo da presente década, o projeto já conta com três ótimos trabalhos, entre eles Young & Old, de 2012, e o delicado Cape Dory, álbum de 2011 que detalha o completo romantismo do casal.

Tennis – Ladies Don’t Play Guitar

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Se cada um fizer o que quiser, você vai fazer o quê?”, pergunta o vocalista Gabriel Guerra na letra de Dedo em Riste. Segundo fragmento do novo álbum de estúdio da Séculos Apaixonados, O Ministério da Colocação (2016), a faixa que esbarra em temas existencialistas e questionamentos típicos de jovens adultos parece seguir uma trilha parcialmente distinta em relação ao material apresentado há poucas semanas durante o lançamento da eufórica Origem das Espécies.

Composição que mais se aproxima do material produzido pela banda em Roupa Linda, Figura Fantasmagórica – 8º lugar em nossa lista dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2014 –, a faixa dominada pelo uso de sintetizadores e vozes abafadas parece crescer sem pressa, curiosa, espalhando um pequeno catálogo de vozes de forma a complementar a letra subjetiva de Guerra. Uma overdose de temas nostálgicos, como se Roxy Music, Pulp e Roupa Nova acabassem se encontrando em estúdio.

 

Séculos Apaixonados – Dedo em Riste

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O som enevoado de composições como Love Is To Die, Drive e Hi que as garotas do Warpaint abraçaram no disco de 2014 parecia indicar a busca de cada integrante por um som cada vez mais complexo e experimental. Ambientações que mergulhavam no Dream Pop, flertavam de forma natural com elementos do Dub e fizeram do segundo álbum de estúdio do quarteto de Los Angeles um dos projetos mais interessantes daquele ano.

Em New Song, canção escolhida para apresentar o terceiro registro de estúdio da banda, Heads Up (2016), a busca por um som completamente renovado. Versos acessíveis, a guitarra levemente dançante, batidas “eletrônicas” e o pegajoso solo de sintetizar que parece grudar no ouvido logo na primeira audição. Nunca antes o grupo norte-americano pareceu tão íntimo do grande do grande público, indicando o caminho de deve ser seguido ao longo do novo álbum.

Heads Up (2016) será lançado no dia 23/09 via Rough Trade.

Warpaint – New Song

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. Poucos meses após o lançamento do ótimo Apocalypse, girl (2015), Jenny Hval está de volta com um novo registro em estúdio. Intitulado Blood Bitch (2016), o trabalho parece seguir a mesma trilha experimental inaugurada em obras como Viscera (2011) e Innocence is Kinky (2013), transportando a cantora sueca para dentro de um cenário obscuro, essencialmente mutável, conceito também explorado por Julia Holter em Loud City Song, de 2013. Anunciado durante o lançamento de Female Vampire, o novo álbum acaba de ter mais uma de suas peças apresentadas…Continue Reading “Jenny Hval: “Conceptual Romance””

Artista: Não Ao Futebol Moderno
Gênero: Indie Rock, Alternative, Dream Pop
Acesse: https://umbadubarecords.bandcamp.com/

Foto: Tuany Areze

Dois anos após o lançamento do EP Onde Anda Chico Flores? (2014), obra que apresentou ao público o trabalho da Não Ao Futebol Moderno, pouco parece ter sobrevivido da essência triste que marca a sequência de seis canções produzidas pela banda gaúcha. Em Vida Que Segue (2016, Umbaduba), primeiro álbum de estúdio do coletivo de Porto Alegre, guitarras empoeiradas flutuam em meio a versos marcadas por relacionamentos tediosos, fracassos, personagens e conflitos típicos de jovens adultos.

Como indicado durante o lançamento de Cansado de Trampar, faixa escolhida para anunciar o novo disco, todos os elementos do trabalho parecem pensados de forma a emular um som parcialmente nostálgico. Se há dois anos o quarteto – formado por Felipe, Kílary, Pedro e Marco – apontava para clássicos do real emo – como a estreia do American Football e EndSerenading (1998), do Mineral –, hoje, a proposta é outra. Temas que resgatam o Jangle Pop/Pós-Punk dos anos 1980, porém, mantém firme o diálogo com o presente cenário, explorando a obra de Mac DeMarco, Real Estate e outros nomes fortes da cena norte-americana.

Um bom exemplo disso está em Janeiro. Sétima faixa do disco, a canção de guitarras e vozes arrastadas delicadamente parece confortar o ouvinte, transportado para o mesmo universo de obras recentes como Salad Days e Atlas – ambos lançados em 2014. “Olhar pra cama e ver você me faz enlouquecer / Viajar pra dentro de você / Para te conhecer melhor”, sussurra a letra enquanto a base “litorânea” da composição se espalha sem pressa, proposta também incorporada em Laços de Família.

Claro que a “mudança de direção” por parte da banda em nenhum momento interfere na construção de pequenos atos criativos que apontam para o registro apresentado há dois anos. Basta se concentrar na quinta faixa do disco, a dolorosa Saia. Enquanto os versos sufocam pela temática existencialista – “Eu sei que o que eu vou fazer vocês já fizeram antes de eu nascer / Eu só quero tentar” –, musicalmente a canção parece romper com a trilha psicodélica que inaugura o álbum, apontando de maneira explícita para o rock alternativo do final dos anos 1990.

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. Dono de uma extensa obra marcada pelo uso de experimentos atmosféricos, Jefre Cantu-Ledesma fez do delicado A Year With 13 Moons, de 2015, uma de suas obras mais acessíveis. Entre ruídos e ambientações drone, Love After Love, At the End of Spring e The Last Time I Saw Your Face reforçaram o peso das melodias dentro do trabalho assinado pelo produtor, sonoridade que se reforça dentro da mais nova criação do artista, Love’s Refrain. São pouco mais de sete minutos em que guitarras contidas, sintetizadores brandos…Continue Reading “Jefre Cantu-Ledesma: “Love’s Refrain””

. A voz ecoada de Maria Luiza Jobim mais uma vez se encontra com os sintetizadores climáticos e batidas sempre econômicas de Lucas de Paiva. Em The Noise, primeira composição inédita da dupla carioca Opala desde o delicado primeiro EP, lançado há mais de três anos, vozes e arranjos flutuam em uma melancólica nuvem de confissões românticas, base da letra triste que orienta a construção da recém-lançada faixa até o último suspiro. “You say you love it / When I sing you lullabies“, canta Jobim enquanto uma delicada…Continue Reading “Opala: “The Noise””

. Desde que apareceu com o delicado clipe de Dreams, há poucos meses, Kelsey Lu vem se revelando como um das artistas mais complexas da presente cena nova-iorquina. Da voz forte que se mistura ao uso de arranjos orquestrais, passando pela pequena desconstrução de ruídos e outros elementos abstratos no interior de cada faixa, lentamente a cantora parece construir um mundo próprio, proposta que se repete mesmo na “simplicidade” de Empathy. Parte do mais novo EP da cantora, Church, obra de seis faixas que conta…Continue Reading “Kelsey Lu: “Empathy””