Tag Archives: Dream Pop

The Pains Of Being Pure At Heart: “Kelly”

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Depois de investir em arranjos ainda mais pesados e sujos durante a construção de Belong (2011), os membros do The Pains Of Being Pure At Heart assumiram um novo percurso com o terceiro álbum de estúdio. Em Days Of Abandon (2011), o grupo nova-iorquino continua a brincar com o mesmo Dream Pop/Shoegaze apresentado nos primeiros anos, reforçando no uso de melodias delicadas um novo sentido para a banda.

Composição mais pegajosa do disco, Kelly resume com naturalidade o atual posicionamento do lider Kip Berman e demais parceiros de banda. Enquanto a convidada Jen Goma (A Sunny Day in Glasgow) assume a responsabilidade pelos vocais, guitarras delicados e sintetizadores visitam o mesmo cenário de bandas como The Smiths, The Pastels e demais veteranos da década de 1980. Sem exageros, o grupo apresenta agora o clipe da faixa. A direção é de Art Boonparn.

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The Pains Of Being Pure At Heart – Kelly

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Disco: “Mr. Twin Sister”, Mr. Twin Sister

Mr. Twin Sister
Indie Pop/Dream Pop/Electronic
http://mrtwinsister.com/

Por: Cleber Facchi

A mudança de nome do coletivo nova-iorquino Twin Sister para Mr. Twin Sister está longe de ser apenas “estética”. Basta regressar ao ambiente empoeirado de Daniel, Bad Street e demais faixas instaladas no debut In Heaven, de 2011, para perceber a completa alteração de estrutura em torno da autointitulada e mais recente obra do grupo. Orquestrada pelas voz doce de Andrea Estella, o grupo, antes instalado na década de 1980, agora brinca com todo um novo acervo musical, flutuando por entre décadas sem necessariamente assumir qualquer apego específico.

Tão voltado aos suspiros finais da Disco Music (In The House Of Yes), como de elementos típicos do Soft Rock (Sensitive), o álbum sustentado por apenas oito faixas é um emular constante de novas experiências. Um exercício lento de adaptação, como se cada nota, voz ou verso efêmero proclamado ao longo da obra fosse tratado com nítida parcimônia, convidando o ouvinte a saborear todas as sensações (agora) encaradas pela banda.

Ainda que instalado no mesmo ambiente temático de Kill For Love (2012) Chromatics, Anything In Return (2013) de Toro Y Moi e outras obras musicalmente próximas – todas consumidas pela nostalgia não vivenciada -, a reestreia do coletivo de Nova York segue de forma evidente em uma medida de tempo própria, desacelerada. Da mesma forma que cada porção do registro merece ser degustada pelo espectador, não diferente é o ritmo solucionado pelo quinteto, sereno mesmo nos instantes mais “acelerados” – vide a dançante Out Of Dark.

Dentro dessa estrutura ponderada, sóbria, é evidente como o colorido grupo montado por Gabe D’Amico hoje tenta esconder suas formas musicais. Um contínuo espalhar de experiências e peças, deixando que elas sejam montadas na cabeça do ouvinte. Canções como Sensitive e Twelve Angels, atos precisos de quase sete minutos e solucionados em um loop preciso, dançando em uma atmosfera de segredos e lentos encaixes instrumentais. A julgar pela explícita relação com a década de 1970, o novo álbum do Mr.TS talvez seja uma interpretação menos óbvia para o material lançado pelo Daft Punk em Random Access Memories (2013). Continue reading

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Puro Instinct: “6 Of Swords”

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Três anos desde o hipnótico lançamento de Headbangers In Ecstacy (2011), primeiro trabalho das irmãs Piper e Skylar Kaplan pelo Puro Instinct, é hora de ser transportado (mais uma vez) para o mundo dos sonhos com 6 Of Swords. Espécie de aperitivo para o material que a dupla de ascendência russa vem desenvolvendo nos últimos meses, a nova composição vai além do já transformado som de Dream Lover (lançada há dois anos), para revelar o conceito “pop” agora delineado pelo duo.

Com os dois pés na década de 1980, a convidativa criação se joga de cabeça no mesmo território de Ariel Pink e John Maus, antigos parceiros das irmãs Kaplan e principais influências para a presente faixa. Ainda assim, não já como contestar a maturidade e reforço autoral da canção, possivelmente o invento mais acolhedor e musicalmente bem resolvido já lançado pelo Puro Instinct. Recomendado para os apreciadores de artistas como Blood Orange e Mr. Twin Sister, a faixa pode ser ouvida na íntegra logo abaixo. No Soundcloud você encontra grande parte do material lançado pela dupla nos últimos meses.

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Puro Instinct – 6 Of Swords

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Andy Stott: “Violence”

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O lançamento de Anytime Soon, um dos fragmentos da coletânea Adult Swim Singles em 2013, foi apenas a abertura do universo sombrio concebido por Andy Stott pós-Luxury Problems (2012). Dois anos depois de abrir as portas do primeiro álbum de estúdio, o produtor britânico anuncia a chegada de Faith In Strangers (2014), trabalho que conta com distribuição pelo selo Modern Love (mesmo do disco anterior) e resume na inédita Violence parte da estrutura preparada para o novo catálogo do artista de Manchester.

Fazendo valer o próprio título, a canção em parceria com Alison Skidmore – responsável por parte das vozes lançadas no disco de 2012 – é a faixa mais intensa e possivelmente perturbadora de Stott nos últimos anos. Inicialmente serena, a criação de quase sete minutos logo parte para um ambiente ruidoso, claustrofóbico e sujo, cruzando tanto o lado místico do álbum lançado há dois anos, como parte das referências apresentadas nos EPs We Stay Together e Passed Me By, ambos de 2011.

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Andy Stott – Violence

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Itasca: “After Dawn” e “Nature’s Gift”

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Leonard Cohen, Joni Mitchell, Jessica Pratt, Grouper, Juliana Barwick e até Lana Del Rey. Bastam os primeiros segundos de After Dawn, mais recente lançamento da nova-iorquina Kayla Cohen para perceber o universo vasto de referências que definem o Itasca, projeto solo da musicista. Movido apenas pelo uso de voz e violão – além de alguns ruídos -, o trabalho é um passeio pelas confissões mais dolorosas e intimas da artista, personagem central da própria obra.

Dotada de voz rara e imponente – elemento que deve encantar os apaixonados pelo trabalho de Laura Marling -, Cohen revela nas primeiras criações a matéria-prima para primeiro grande álbum da carreira: Unmoored By The Wind (2014). Com lançamento prevista para o dia 14 de outubro pelo selo New Images, de Matt Mondanile (Ducktails, Real Estate), o registro deve manter a mesma singeleza e complexidade das primeiras criações,  entre elas a sóbria Nature’s Gift, apresentada logo abaixo.

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Itasca – After Dawn

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Itasca – Nature’s Gift

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Mr. Twin Sister: “In the House of Yes”

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A mudança do nome de uma banda nem sempre é vista com bons olhos. Todavia, ao apresentar Out of the Dark no final de maio, o coletivo Mr. Twin Sister – ex-Twin Sister – provou não apenas ser capaz de repetir o acerto dos primeiros anos, como de ostentar a própria evolução. Com o primeiro álbum da nova fase reservado para o dia 23 de setembro, a banda de Long Island não apenas regressa ao território lançado no ótimo In Heaven, de 2011, como se mostra interessada a investir em toda uma nova carga de referências musicais, marca explícita na recém-lançada In the House of Yes.

Encaixada no mesmo Dream Pop/Indie Pop “oitentista” do registro passado, a nova faixa carrega na voz de Andrea Estella a passagem para um ambiente ainda mais grandioso, ora voltado ao Soft Rock dos anos 1980, ora inspirado pelos últimos suspiros da Disco Music. São quase sete minutos de duração, experiência detalhada em totalidade por batidas semi-dançantes, vocalizações crescentes e até mesmo a inclusão de metais, ampliando de forma nítida o teor nostálgico da criação. Das texturas sustentadas pela linha de baixo, passando pelas  bases de pianos, é preciso regressar uma centena de vezes ao ambiente detalhista da faixa de forma a isolar e se captar cada nuance da faixa.

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Mr. Twin Sister – In the House of Yes

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Grouper: “Call Across Rooms”

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Há três anos, quando Liz Harris passou a dividir as composições do Grouper entre bases densas do Drone e melodias sublimes do Dream Pop, nascia não apenas o melhor álbum da compositora até presente momento – o duplo A I A: Dream Loss e Alien Observer (2011) -, mas a inspiração para os lançamentos seguintes da norte-americana. Ambientado no mesmo plano etéreo e seguindo a trilha do bem sucedido The Man Who Died In His Boat (2013), Harris abre as portas para o 10º álbum da carreira, Ruins (2014).

Previsto para estrear no dia 31 de outubro (Halloween) pelo selo Kranky, o novo álbum carrega na inédita Call Across Rooms uma pista sólida sobre os próximos lançamentos relacionados ao novo disco e, ao mesmo tempo, a composição mais doce já lançada pela musicista. São menos de três minutos em que vozes melancólicas, pianos e ruídos soturnos se materializam com leveza na mente do espectador, acomodando as percepções do ouvinte dentro de um cenário que parece desvendado apenas por Harris. Doce e triste.

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Grouper – Call Across Rooms

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Disco: “V”, jj

jj
Electronic/Dream Pop/Balearic
http://www.jjuniverse.com/

A colagem de sons instalada na abertura de V (2014, Sincerely Yours), terceiro e mais recente álbum de estúdio do jj serve como aviso sobre a extensa produção que acompanha o trabalho da dupla. Em uma atuação que se distancia de padrões ou possíveis exigências comerciais, o casal Joakim Benon e Elin Kastlander continua a atuar em uma medida de tempo própria, postura que explica os quatro anos de “hiato” desde o último trabalho oficial - jj n° 3 (2010) – e a completa (ou quase isso) mudança de direção no interior do novo álbum.

Ainda que letárgico e acomodado na mesma nuvem de sons “mágicos” do debut jj n° 2 (2009), bastam os minutos iniciais de Dynasti ou Dean & Me, para perceber o novo plano de atuação da dupla. Enquanto vozes e arranjos anteriormente flutuavam em uma atmosfera minimalista, marcada pela execução efêmera dos ruídos e bases, hoje todos os elementos se organizam em uma estrutura nítida de referências, quase previsível. Há planejamento, começo, meio e fim, postura que resume com acerto a proposta atual do duo sueco, porém, abandona aspectos importantes realçados dos primeiros anos do casal.

Com base na sutileza dos temas abordados em faixas como My Love e Ecstasy, tanto o álbum lançado em 2009 como o disco de 2010 apostavam em uma sonoridade efêmera, prendendo o ouvinte pela surpresa e delicadeza dos atos. Do momento em que Things Will Never Be the Same Again inaugura o debut, ou My Life no trabalho seguinte, há sempre a sensação de que os arranjos, vozes e melodias vão se “esfarelar” na cabeça do ouvinte, preso a cada ato sereno que Benon projeta para a voz de Kastlander.

Seja pelo uso de guitarras cruas (All Ways, Always) ou batidas densas (Hold Me), V é uma obra que rompe com o espaço místico dos primeiros discos de forma a percorrer um território muito mais urbano, quase “físico”. É visível como elementos do Rock e Hip-Hop, antes diluídos por entre as canções, agora ocupam um enquadramento de maior destaque ao longo de toda a obra. Mesmo a percussão tribal e uso aprimorado arranjos de cordas dos primeiros álbuns ecoa sob novo formato, visivelmente preciso e esquivo da lisergia natural da dupla. Continue reading

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Disco: “Meshes of Voice”, Susanna & Jenny Hval

Susanna / Jenny Hval
Experimental/Baroque Pop/Alternative
http://susannamagical.com/
http://jennyhval.com/

Por: Cleber Facchi

Quem acompanha a obra de Jenny Hval desde a estreia, com To Sing You Apple Trees (2006), ou a partir de Viscera (2011), quando descoberta por grande parte da imprensa internacional, sabe que o “óbvio” nunca fez parte do trabalho da norueguesa. Mesmo que tenha explorado um som muito mais “pop” em Innocence is Kinky, de 2013, o caráter provocativo – lírico ou sonoro - se mantém o mesmo, expandido e reforçado de maneira complexa a cada novo disco.

Imersa em um cenário tão perturbador quanto o exaltado nos primeiros discos, Hval aparece agora acompanhada pela musicista Susanna Wallumrød. Representante da mesma cena experimental que borbulha em solo norueguês, a artista, também integrante do Magical Orchestra, não apenas partilha dos mesmos conceitos estéticos da conterrânea, como parece estimular o som de Hval a encontrar um novo estágio. Um constante diálogo obscuro que dita as regras e distorce as canções de Meshes of Voice (2014, SusannaSonata), o primeiro álbum em parceria da dupla.

Bloco denso de ruídos, pianos e bases instrumentais sempre aproximadas, o registro parece sobreviver da explícita formatação oculta de suas 15 canções. Diferente da parcial abertura iniciada por Hval em Mephisto In The Water ou mesmo na faixa-título do último álbum, nada ecoa de maneira acessível no decorrer do presente trabalho. Mesmo Susanna, responsável por boas melodias em Wild Dog (2012) e The Forester (2013), parece ressaltar apenas a atmosfera fúnebre que recheia todo o álbum.

Ainda que próximas, inclinadas ao desenvolvimento de um mesmo ambiente musical, tanto Hval como Wallumrød assumem direções opostas e bases musicalmente isoladas ao longo de todo o percurso da obra. Enquanto Hval mantém firme a relação com o presente, confessando o próprio apego ao trabalho de Björk – ouça Medusa -, além de nomes como Joanna Newsom e Julia Holter, a parceira estaciona no passado. De formação erudita, Wallumrød explora desde temas barrocos ao uso de pianos soturnos, esbarrando com naturalidade na obra de Leonard Cohen e Nico, algumas de suas influências confessas. Continue reading

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Tei Shi: “No Angel” (Beyoncé Cover)

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Inclinada ao uso de melodias etéreas e arranjos sempre sutis, Tei Shi resolveu misturar elementos típicos do próprio universo com o trabalho de Beyoncé. Dentro dos mesmos conceitos pensados para o EP Saudade, de 2012, a artista nova-iorquina apresenta uma inusitada versão para No Angel, uma das melhores composições do trabalho de estúdio da diva pop.

A canção – co-autoria de Caroline Polachek (Chairlift), conterrânea de Tei Shi -, mantém firme a base R&B da versão original de No Angel, dosando com explícita delicadeza toda uma variedade de sintetizadores e arranjos de voz “místicos”.

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Tei Shi – No Angel (Beyoncé Cover)

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