Tag Archives: Dream Pop

Disco: “Depression Cherry “, Beach House

Beach House
Dream Pop/Alternative/Indie
http://www.beachhousebaltimore.com/

Victoria Legrand e o parceiro Alex Scally passaram os últimos dez anos garimpando novidades dentro do mesmo cercado criativo que apresentou o Beach House. Da sonoridade obscura explorada em Devotion (2008), passando pelo ápice melódico em Teen Dream (2010) e o flerte com o pop em Bloom (2012), vozes, versos e arranjos partilham de um mesmo catálogo de referências ancorados no Dream Pop dos anos 1980/1990. Um instável zona de conforto, sempre trêmula e prestes a se romper no interior de Depression Cherry (2015, Sub Pop).

Quinto registro de inéditas da banda de Baltimore, Maryland, o álbum de apenas nove faixas levanta a questão: para onde vamos agora? Fruto da explícita repetição de ideias que abastece a obra do casal, cada faixa do novo disco incorpora e adapta o mesmo catálogo de elementos explorados desde a maturidade alcançada no começo da presente década. Uma rica tapeçaria de sintetizadores, guitarras maquiadas pela distorção, bateria eletrônica e a densa voz de Legrand, da abertura ao encerramento do disco, encarada como um poderoso instrumento.

Isso faz de Depression Cherry é um trabalho “repetitivo”? Muito pelo contrário. Ainda que o casal jogue com o mesmo arsenal de temas explorados desde a estreia, em 2006, difícil encarar o presente álbum como uma obra redundante, penosa. Prova disso está nas guitarras e experimentos que crescem no interior de Sparks. Ao mesmo tempo em que a essência da banda é preservada, nítida é a passagem criada por Scally para o começo dos anos 1990, transformando a canção em um fragmento íntimo de clássicos como Heaven or Las Vegas (1990) do Cocteau Twins ou Loveless do My Bloody Valentine (1991).

A própria base lançada por Legrand nos sintetizadores transporta o ouvinte para um cenário marcado pelo ineditismo. Enquanto a primeira metade do trabalho confirma a busca do casal por um som de natureza (ainda mais) pop – vide Space Song e 10:37 -, para o eixo final do disco, novos ritmos e ambientações nostálgicas alteram os rumos da obra. Tanto Wildflower como Bluebird investem no recolhimento dos vocais e arranjos, posicionando o registro em um meio termo entre o Soft Rock de artistas como The Carpenters e as confissões melancólicas do Mazzy Star. Continue reading

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Lana Del Rey: “Terrence Loves You”

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De todas as composições apresentadas por Lana Del Rey para o quarto álbum de inéditas, Honeymoon (2015), Terrence Loves You talvez seja a faixa que mais se assemelha ao material entregue pela cantora no antecessor Ultraviolence, de 2014. Guitarras enevoadas, pianos, clima jazzistico e a voz sempre arrastada da artista, como uma espécie de instrumento. Quase uma fuga das batidas expostas em High By The Beach ou mesmo do “clima de trilha sonora” reforçado na faixa-título do novo disco.

Em Terrence Loves You, o amor ainda funciona como principal componente para o trabalho de Del Rey. “I lost myself when I lost you/ But I still got jazz when I’ve got the blues”, suspira a cantora em um jogo de confissões melancólicas, base de toda a sequência de faixas apresentadas nas últimas semanas. Sobram guitarras densas, a interferência de um saxofone ao fundo da canção, além do uso apurado de melodias de piano sofisticadas, elemento que inevitavelmente dialoga com o trabalho de Angelo Badalamenti na trilha sonora de Twin Peaks.

Honeymoon (2015) será lançado no dia 18/09 pelos selos Polydor e Interscope.

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Lana Del Rey – Terrence Loves You

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Lana del Rey: “High By The Beach” (VÍDEO)

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Há tempos Lana del Rey não presenteava o público com uma composição tão acessível e íntima do próprio universo de referências quanto High By The Beach. Drogas, romances fracassados, a letargia/lisergia explícita nos vocais, além, claro, da a busca por um cenário bucólico, real e ainda fictício, lar das pequenas confissões exaltadas pela cantora. Um conjunto de elementos talvez “esquecidos” desde o single West Coast, posteriormente resgatados na também eficiente Honeymoon, e agora explorados com maior naturalidade (e acerto) em cada traço de voz, em cada batida da presente canção.

Longe do cenário de formas enevoadas e guitarra lançadas no álbum Ultraviolence (2014), High By The Beach dialoga abertamente com o mundo criado por del Rey em Born To Die (2011). Uma coleção de sonhos despedaçados e sussurros românticos cobertos por batidas e temas eletrônicos, proposta que flerta involuntariamente com o Trip-Hop dos anos 1990, entretanto, nunca se afasta do cercado de elementos autorais da artista. Assim como o single anterior, a nova composição é parte do inédito Honeymoon (2015), quarto álbum solo da cantora.

Assista abaixo ao clipe da canção. Honeymoon (2015) deve ser lançado em setembro pelos selos Polydor e Interscope.

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Lana del Rey – High By The Beach

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Disco: “Superfície”, P A R A T I

P A R A T I
Indie Pop/Dream Pop/Alternative
https://www.facebook.com/paratiduo
https://soundcloud.com/balaclavarecords/

Os sentimentos guiam o trabalho da dupla P A R A T I em Superfície (2015, Balaclava Records). Primeiro registro aos comandos de Rita Oliva e Zelino Lanfranchi, também integrantes do grupo Cabana Café, o projeto de emanações leves e arranjos ora orgânicos, ora eletrônicos brinca com a interpretação do ouvinte em uma montagem lenta e sedutora. Um espaço musicalmente construído em cima dos sonhos, desilusões e até mesmo tormentos extraídos do cotidiano de qualquer casal.

Curto, são apenas oito composições espalhadas em pouco mais de 30 minutos de duração, o álbum de sonoridade tímida cresce a cada sussurro emanado pela vocalista. Versos apaixonados, melancólicos ou apenas confissões dissolvidas em uma lírica costurada pela provocação. “Sente a cadência / Constante intrínseca / Descanso estímulo / Seu consolo faz sorrir”, entrega Oliva na delicada Suor, faixa que resume com naturalidade todo o conceito sentimental (e intimista) que alimenta a obra.

Flutuando em um ambiente próximo do onírico, repleto de vozes e arranjos encaixados delicadamente, sempre de maneira imprecisa, Superfície é um registro que chega até o ouvinte em pequenas doses. Mais do que garantir respostas, a beleza do trabalho está nos “segredos” e colagens que dançam ao fundo de cada composição. Um solo de guitarra entristecido, como em Fugaz, e até pequenos diálogos com a música pop, marca explícita no refrão de Tribor ou mesmo na montagem dançante que abre o disco com Besteira, faixa que parece extraída do primeiro disco do HAIM, Days Are Gone (2013).

Ainda que a relação com SILVA, Mahmundi e outros representantes da “eletrônica nacional” pareça clara no decorrer do disco, faixa após faixa, Oliva e Lanfranchi mantém firme a busca por um caminho isolado, íntimo apenas da cena estrangeira. É fácil lembrar de Blue Hawaii, Washed Out, Cashmere Cat e outros artistas partidários do mesmo Dream Pop “litorâneo” que movimenta as canções da dupla brasileira. Nomes que talvez nem sirvam de referência para o casal, entretanto, parecem confortáveis no mesmo ambiente timidamente iluminado pela luz do Sol à beira mar. Continue reading

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Lana del Rey: “High By The Beach”

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Há tempos Lana del Rey não presenteava o público com uma composição tão acessível e íntima do próprio universo de referências quanto High By The Beach. Drogas, romances fracassados, a letargia/lisergia explícita nos vocais, além, claro, da a busca por um cenário bucólico, real e ainda fictício, lar das pequenas confissões exaltadas pela cantora. Um conjunto de elementos talvez “esquecidos” desde o single West Coast, posteriormente resgatados na também eficiente Honeymoon, e agora explorados com maior naturalidade (e acerto) em cada traço de voz, em cada batida da presente canção.

Longe do cenário de formas enevoadas e guitarra lançadas no álbum Ultraviolence (2014), High By The Beach dialoga abertamente com o mundo criado por del Rey em Born To Die (2011). Uma coleção de sonhos despedaçados e sussurros românticos cobertos por batidas e temas eletrônicos, proposta que flerta involuntariamente com o Trip-Hop dos anos 1990, entretanto, nunca se afasta do cercado de elementos autorais da artista. Assim como o single anterior, a nova composição é parte do inédito Honeymoon (2015), quarto álbum solo da cantora.

Honeymoon (2015) deve ser lançado em setembro pelos selos Polydor e Interscope.

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Lana del Rey – High By The Beach

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Lana del Rey: “Honeymoon”

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A busca de Lana del Rey por um material de sonoridade densa e versos marcados pela separação, marca do último álbum de estúdio, Ultraviolence (2014), continua a servir de estímulo para o trabalho da cantora. Em Honeymoon, faixa que concede título ao quarto registro em carreira solo, um misto de tristeza e continua declaração preenche cada lacuna da faixa, uma coleção de versos melancólicos, apaixonados e ainda íntimos do mesmo universo de referências musicais impostas pela artista desde a “estreia” com Born To Die (2012).

Sempre contida, cercada por arranjos de cordas que parecem saídos de algum filme clássico dos anos 1950 ou 1960, del Rey passeia por um cenário totalmente descritivo, detalhando locações, acontecimentos e incontáveis desencontros, como uma típica narrativa cinematográfica. Um provável martírio para aqueles que desprezam o trabalho da cantora, porém, um novo universo romântico dedicado aos habitantes do mesmo campo sentimental da artista.

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Lana del Rey – Honeymoon

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Aperitivo: Beach House

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Mesmo depois de quatro álbuns de estúdio – Beach House (2006), Devotion (2008), Teen Dream (2010) e Bloom (2012) -, Victoria Legrand e Alex Scally ainda reservam algumas surpresas para o Beach House. Com a aproximação do lançamento de Depression Cherry (2015), quinto registro de inéditas da banda, nada melhor do que passear pela extensa discografia para pescar 10 composições essenciais. Uma seleção de faixas indicadas para aqueles que ainda desconhecem o trabalho da dupla. Continue reading

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Julia Holter: “Feel You” (VÍDEO)

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A busca por uma sonoridade cada vez mais acessível, “pop”, continua a servir de estímulo para a cantora e compositora norte-americana Julia Holter. Para o sucessor de Loud City Song (2013), último registro de inéditas da musicista californiana, o uso de novos arranjos, flertes com o cancioneiro estadunidense, além, claro, de diferentes adaptações do Dream Pop, o vocal desimpedido parece ser a base para o ainda inédito Have You In My Wilderness (2015), preferência resumida na recém-lançada Feel You.

Uma das canções mais doces já criadas por Holter, a presente composição lentamente se afasta do domínio etéreo e experimental testado em Ekstasis (2012), revelando ao público uma artista transformada. Como não lembrar de Belle and Sebastian ou Camera Obscura com tamanha overdose de gracejos e arranjos de cordas tão sorridentes? Outro grande acerto fica por conta do clipe da canção, trabalho dirigido por Jose Wolff e uma coleção de cenas divididas entre a cantora e seu cachorro.

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Julia Holter – Feel You

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Helen: “Motorcycle”

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Com o lançamento e boa recepção de Ruins (2014), Liz Harris acabou alcançando uma nova massa de ouvinte, foi descoberta por boa parte da imprensa e ainda estabeleceu nas melodias delicadas do trabalho uma espécie de ápice criativo dentro da própria carreira. E agora, qual sonoridade, tema ou conceito seguir? A resposta está novo novo projeto da artista, Helen, um coletivo de Dream Pop completo com Jed Bindeman (bateria) e Scott Simmons (guitarras, baixo).

Fuga das ambientações caseiras testadas pela artista até poucos meses, a nova banda sustenta na enérgica e recém-lançada Morotcycle um resumo natural da série de canções que vão abastecer The Original Faces (2015), primeiro registro oficial da banda. Um jogo sujo de vozes, guitarras e batidas velozes, como um indicativo de que por ora, o som etéreo projetado por Harris será conceitualmente abafado.

The Original Faces (2015) será lançado no dia 04/09 pelo selo Kranky.

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Helen – Motorciycle

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Beach House: “Sparks”

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A busca por um som cada vez menos complexo e de essência melódica continua a servir de base para os trabalhos assinados pela dupla Beach House. Na trilha segura do transformador Teen Dream, de 2010, em Depression Cherry (2015), quinto registro de inéditas, Victoria Legrand e Alex Scally dão um passo além em relação aos últimos discos, investindo de forma explícita uso sujo das guitarras, porém, sem necessariamente escapar do som angelical, etéreo, projetado desde o homônimo debut, de 2006, base para a recém-lançada Sparks.

Sobreposições de voz e guitarras, sintetizadores ruidosos e atos tão serenos quanto explosivos. Em mais de cinco minutos de composição, difícil não perceber o continuo cruzamento de temas e referências dentro da nova criação da dupla, cada vez mais próxima do rock alternativo dos anos 1990. Difícil não lembrar de gigantes como My Bloody Valentine, Rocketship e Slowdive, referências que lentamente distanciam o Beach House do alicerce sustentado por Galaxie 500 e outros representantes do Dream Pop nos anos 1980.

Em geral, esse registro mostra um retorno à simplicidade, com canções estruturadas em torno de uma melodia e alguns instrumentos… Aqui, nós continuamos a evoluir, ignorando completamente o contexto comercial em que estamos inseridos“, disse a vocalista no texto de apresentação da obra. Previsto para estrear no dia 28 de agosto pelo selo Sub Pop, Depression Cherry é o primeiro álbum de inéditas do casal desde o grandioso Bloom, obra apresentada em 2012 e um dos projetos mais “comerciais” já apresentados pela banda.

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Beach House – Sparks

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