O som empoeirado das guitarras de Chuck Blazevic, sintetizadores trabalhados de forma climática, sempre intimistas, um estímulo para a voz doce de Alice Hansen. Basta uma rápida audição para que qualquer faixa produzida pela dupla canadense You’ll Never Get To Heaven se transforme na passagem para um universo de sonhos e ambientações enevoadas, proposta detalhada com leveza em cada fragmento instrumental da recente Beyond The Clouds.

Terceiro e mais recente single do novo álbum de inéditas do duo canadense, Images (2017), Beyond The Clouds segue com naturalidade o mesmo som explorado pelo You’ll Never Get To Heaven durante o lançamento das etéreas To Be Fair e da própria faixa-título do novo disco. Um som marcado pela delicadeza dos arranjos e uso pontual da bateria eletrônica, aproximando material produzido pela dupla de outros veteranos do Dream Pop.

Images (2017) será lançado no dia 24/03 via Yellow K.

 

You’ll Never Get To Heaven – Beyond The Clouds

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Em fevereiro do último ano, Aaron Coyes e Indra Dunis, do Peaking Lights, foram convidados a participar de uma coletânea produzida pela marca de perfumes Régime des Fleurs. Em parceria com a atriz Chlöe Sevigny, o casal deu vida à tropical Little Flower, uma seleção de batidas quentes, sintetizadores marcados pela psicodelia e todo o universo de referências lisérgicas que há mais de uma década serve de estímulo para o trabalho da dupla.

Um ano após o lançamento da canção, o Peaking Lights está de volta com a versão completa do mesmo material. Além da já conhecida composição em parceria com Sevigny, o duo norte-americano aproveita para apresentar a inédita Congo Blue, música que soa como um possível encontro entre o Daft Punk e o som produzido pelo casal dentro do álbum Cosmic Logic (2014). Sobram ainda as duas versões instrumentais das mesmas faixas, um poderoso complemento ao trabalho.

 

Peaking Lights – Little Flower

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Formado em 2004 na cidade de Baltimore, Maryland, o Beach House é um projeto de Dream Pop comandado pela dupla Victoria Legrand e Alex Scally. Entre referências ao trabalho de gigantes como This Mortal Coil, Cocteau Twins, The Zombies e The Beach Boys, a dupla faz de cada novo álbum de inéditas uma obra marcada pelos sentimentos, ponto de partida para a formação de músicas como Master of None, Walk In The Park e Myth. Apontado como um dos principais nomes do gênero, o duo acumula uma sequência de grandes obras como Devotion (2008), Teen Dream (2010) e Bloom (2012), trabalhos organizados do “pior” para melhor lançamento em mais uma edição da seção Cozinhando Discografias.

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Dois anos após o lançamento do ótimo Honeymoon (2015), Lana Del Rey abre passagem para a chegada de um novo álbum de inéditas. Em Love, primeiro single desde a bem-sucedida parceria da artista com o cantor e produtor canadense The Weeknd, em Starboy (2016), Del Rey continua a flutuar em um território de sonhos e delírios românticos. Versos que falam sobre a juventude e o amor pelo próprio público, como comentou em uma série de publicações no Twitter.

Da capa do single, inspirada nos cartazes de antigos filmes de ficção científica, passando pelo rosto pálido da cantora, uma clara referência à imagem de Laura Palmer, em Twin Pekas, Del Rey continua a brincar com as referências, conceito que se reflete na base instrumental da canção. São arranjos densos, propositadamente arrastados e detalhistas, como uma tradução pop de tudo aquilo que bandas como Beach House e outros representantes do Dream Pop vêm produzindo nos últimos anos. Assista ao clipe da canção:

 

Lana Del Rey – Love

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Artista: G T’Aime
Gênero: Alternativo, Indie Pop, Pop Rock
Acesse: https://www.facebook.com/gtaimemusic/

 

Da abertura do disco em Said It All, passando pela libertação que cresce em Oh No, até a amargura explorada em False Love, difícil escapar do jogo de declarações românticas, delírios e arranjos enevoados que se espalham pelo interior do primeiro registro da dupla G T’Aime. Um esforço colaborativo entre a voz provocante e teclados da cantora Geanine Marques, também vocalista do Stop Play Moon, e a base instrumental delicadamente tecida pelo músico Rodrigo Bellotto.

Produzido em parceria com Maurício Takara (Hurtmold, São Paulo Underground), o trabalho gravado em junho de 2016 no estúdio El Rocha, em São Paulo, lentamente transporta o ouvinte para um cenário de emanações sutis e cores em preto e branco. Musicalmente, um registro que flutua entre o romantismo nostálgico da década de 1980 e o Trip-Hop, na composição dos versos, uma obra de sentimentos e temas universais, como se Geanine interpretasse diferentes histórias e personagens.

Na contramão de outros projetos recentes, como a homônima estreia de Mahmundi e demais registros influenciados pelo pop dançante dos anos 1980, cada uma das dez faixas de G T’aime encanta pela leveza e sofisticação dos arranjos. São melodias exploradas de forma doce, sedutora, ressaltando guitarras e sintetizadores que se espalham como um complemento aos vocais de Marques. Pouco mais de 30 minutos em que o ouvinte é conduzido para dentro de um ambiente marcado pelos detalhes.

Seja cantando em inglês, ou em português, Marques faz de cada fragmento um componente importante para o crescimento do trabalho. São canções de (des)amor que dialogam com os tormentos de qualquer indivíduo. Versos sensíveis, completos pelo folk-pop-empoeirado de Bellotto. Um bom exemplo disso está na crescente Nothing But Words, música que esbarra na mesma atmosfera de Escape From Evil (2015), último registro de inéditas do grupo norte-americano Lower Dens.

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Hipnótico, assim é o som produzido pela banda norte-americana You’ll Never Get To Heaven. Formado pelo casal Chuck Blazevic e Alice Hansen, o duo que já conta com um bom EP, Adorn, de 2014, reserva para o mês de março a chegada de um novo álbum de inéditas: Images (2017). Dias após o lançamento da faixa-título do disco, faixa que sintetiza a essência do projeto, dupla revela ao público mais uma delicada e inédita composição: To Be Fair.

Entre sintetizadores, batidas econômicas e vozes etéreas, Hansen e o parceiro de banda conduzem o ouvinte para dentro de um cenário dominado por formas enevoadas. São pouco mais de quatro minutos em que o casal brinca com a percepção do público, detalhando um universo de pequenas texturas, vozes instrumentais e detalhes precisos. Melodias empoeiradas que soam como um possível encontro entre as canções do Chromatics com os experimentos de Grouper. (Via)

Images (2017) será lançado no dia 24/03 via Yellow K.

 

You’ll Never Get To Heaven – To Be Fair

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Quem acompanha o trabalho de Melina Duterte sabe da capacidade da cantora e guitarrista em produzir um som caótico e doce na mesma medida. Melodias sujas que parecem saídas de algum lugar no começo da década de 1990. A mesma explosão de sons produzida por artistas como Mitski, Speedy Ortiz e outros nomes de peso da presente cena norte-americana. Próxima de lançar o primeiro álbum de estúdio sob o nome de Jay Som, a cantora apresenta a inédita 1 Billion Dogs.

Assim como grande parte das canções produzidas pela artista para Everybody Works (2017), como The Bus Song, a nova faixa parece montada em diferentes camadas. Instantes em que Duterte flutua entre a explosão das guitarras no melhor estilo The Breeders, passa pelo coros de vozes pegajosas à la Liz Phair e logo em seguida mergulha em um solo completamente instável, louco, princípio de grande parte do repertório acumulado pela artista desde o começo da carreira.

Everybody Works (2017) será lançado no dia 10/03 via Polyvinyl Records

 

Jay Som – 1 Billion Dogs

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Formado pelo casal Chuck Blazevic e Alice Hansen, o You’ll Never Get To Heaven é um projeto de Dream Pop com brinca com as referências e temas instrumentais vindos de diferentes épocas. Com um bom EP entregue ao público em 2014, Adorn, o duo canadense anuncia para o final de março a chegada do primeiro grande álbum da carreira. Intitulado Images (2017), o registro de 11 faixas deve expandir o som atmosférico e doce que a dupla vem produzindo desde os primeiros anos de carreira.

Faixa-título do trabalho, a nova canção revela um claro amadurecimento no processo de composição do casal. Enquanto os versos passeiam em meio a recordações, temas intimistas e versos sussurrados, sintetizadores e guitarras se espalham sem pressa, esbarrando na mesma ambientação assumida por artistas como Chromatics. São pequenos atos e curvas sutis que conduzem o ouvinte para dentro de um território marcado pela incerteza.

 

You’ll Never Get To Heaven – Images

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Artista: Julie Byrne
Gênero: Folk, Dream Pop, Indie
Acesse: https://juliembyrne.bandcamp.com/

 

 

“Siga minha voz
Estou bem aqui
Além dessa luz
Além de todo o medo”

Como um precioso convite, a inaugural Follow My Voice conduz o ouvinte para dentro do ambiente acolhedor que se espalha entre as canções de Not Even Happiness (2017, Ba Da Bing). Segundo e mais recente álbum de estúdio da cantora e compositora norte-americana Julie Byrne, o registro de apenas nove faixas amplia o conceito intimista apresentado no antecessor Rooms With Walls and Windows, de 2014, reforçando o folk sentimental e atmosférico que alimenta a obra da musicista.

Em ambiente enevoado, por vezes etéreo, efeito da voz marcada pelo som ecoado da captação e arranjos sutilmente espalhados ao longo do disco, Byrne convida o ouvinte a se perder. Como indicado durante o lançamento de Natural Blue, grande parte do registro flutua entre o folk melancólico da década de 1970 e o Dream Pop produzido nos anos 1990 e 2000. Instantes em que a obra da cantora nova-iorquina toca de forma referencial no trabalho de Joni Mitchell, Nico, Cat Power e Grouper, esta última, influência declarada na experimental Interlude.

De essência agridoce, Not Even Happiness se divide com naturalidade entre a melancolia dos versos e instantes de puro romantismo que crescem na voz de Byrne. “Caminhe em direção à ferida aberta / Viva em sonhos / Eu vou ficar para sempre / Dentro das cores que você mostrou”, canta em Natural Blue, uma canção que olha para o passado de forma honesta, resgatando fragmentos de um relacionamento que não deu certo, mas que continua a povoar a mente do eu lírico.

Posicionada no encerramento do disco, I Live Now As A Singer brinca de forma particular com a mesma temática. Enquanto os versos resgatam memórias recentes de Byrne (“E sim, eu fui ao chão, pedindo perdão / Quando eu não estava nem perto de me perdoar”), musicalmente, o ouvinte é conduzido para dentro de uma nuvem de sons inebriantes. Arranjos acústicos que se espalham em meio a sintetizadores densos, por vezes íntimos do som produzido por Angelo Badelamenti para a trilha sonora de Twin Peaks.

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Criado no final dos anos 1980 na cidade de Reading, Inglaterra, o Slowdive é um dos principais e mais influentes grupos de Dream Pop/Shoegaze. No repertório da banda, três álbuns de estúdio – Just for a Day (1991), Souvlaki (1993) e Pygmalion (1995) – e algumas das composições mais icônicas da década de 1990, como Alison e Avalyn I. Depois de um longo período de hiato, o grupo retornou aos palcos em 2014, fazendo da inédita Star Roving o princípio de um novo registro de inéditas.

Em mais uma edição da seção Aperitivo – por onde passaram nomes como Radiohead, Wilco e Tortoise –, apresentamos uma seleção de 10 composições para entender (e gostar) do trabalho produzido pela banda inglesa. São músicas como Catch The Breeze, Machine Gun e Souvlaki Space Station. Composições que passam por diferentes fases, registros e sonoridades do Slowdive.

 

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