Tag Archives: Dream Pop

Jenny Hval: “Conceptual Romance”

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Poucos meses após o lançamento do ótimo Apocalypse, girl (2015), Jenny Hval está de volta com um novo registro em estúdio. Intitulado Blood Bitch (2016), o trabalho parece seguir a mesma trilha experimental inaugurada em obras como Viscera (2011) e Innocence is Kinky (2013), transportando a cantora sueca para dentro de um cenário obscuro, essencialmente mutável, conceito também explorado por Julia Holter em Loud City Song, de 2013.

Anunciado durante o lançamento de Female Vampire, o novo álbum acaba de ter mais uma de suas peças apresentadas ao público. Trata-se de Conceptual Romance, música em que a voz de Hval claramente se converte em um instrumento, flutuando em meio a vocalizações etéreas, batidas minimalistas e sintetizadores densos, por vezes íntimo das ambientações incorporadas por nomes como Tim Hecker e Oneohtrix Point Never.

Blood Bitch (2016) será lançado no dia 30/09 pelo selo Sacred Bones.

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Jenny Hval – Conceptual Romance

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Resenha: “Vida Que Segue”, Não Ao Futebol Moderno

Artista: Não Ao Futebol Moderno
Gênero: Indie Rock, Alternative, Dream Pop
Acesse: https://umbadubarecords.bandcamp.com/

Foto: Tuany Areze

Dois anos após o lançamento do EP Onde Anda Chico Flores? (2014), obra que apresentou ao público o trabalho da Não Ao Futebol Moderno, pouco parece ter sobrevivido da essência triste que marca a sequência de seis canções produzidas pela banda gaúcha. Em Vida Que Segue (2016, Umbaduba), primeiro álbum de estúdio do coletivo de Porto Alegre, guitarras empoeiradas flutuam em meio a versos marcadas por relacionamentos tediosos, fracassos, personagens e conflitos típicos de jovens adultos.

Como indicado durante o lançamento de Cansado de Trampar, faixa escolhida para anunciar o novo disco, todos os elementos do trabalho parecem pensados de forma a emular um som parcialmente nostálgico. Se há dois anos o quarteto – formado por Felipe, Kílary, Pedro e Marco – apontava para clássicos do real emo – como a estreia do American Football e EndSerenading (1998), do Mineral –, hoje, a proposta é outra. Temas que resgatam o Jangle Pop/Pós-Punk dos anos 1980, porém, mantém firme o diálogo com o presente cenário, explorando a obra de Mac DeMarco, Real Estate e outros nomes fortes da cena norte-americana.

Um bom exemplo disso está em Janeiro. Sétima faixa do disco, a canção de guitarras e vozes arrastadas delicadamente parece confortar o ouvinte, transportado para o mesmo universo de obras recentes como Salad Days e Atlas – ambos lançados em 2014. “Olhar pra cama e ver você me faz enlouquecer / Viajar pra dentro de você / Para te conhecer melhor”, sussurra a letra enquanto a base “litorânea” da composição se espalha sem pressa, proposta também incorporada em Laços de Família.

Claro que a “mudança de direção” por parte da banda em nenhum momento interfere na construção de pequenos atos criativos que apontam para o registro apresentado há dois anos. Basta se concentrar na quinta faixa do disco, a dolorosa Saia. Enquanto os versos sufocam pela temática existencialista – “Eu sei que o que eu vou fazer vocês já fizeram antes de eu nascer / Eu só quero tentar” –, musicalmente a canção parece romper com a trilha psicodélica que inaugura o álbum, apontando de maneira explícita para o rock alternativo do final dos anos 1990. Continue reading

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Jefre Cantu-Ledesma: “Love’s Refrain”

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Dono de uma extensa obra marcada pelo uso de experimentos atmosféricos, Jefre Cantu-Ledesma fez do delicado A Year With 13 Moons, de 2015, uma de suas obras mais acessíveis. Entre ruídos e ambientações drone, Love After Love, At the End of Spring e The Last Time I Saw Your Face reforçaram o peso das melodias dentro do trabalho assinado pelo produtor, sonoridade que se reforça dentro da mais nova criação do artista, Love’s Refrain.

São pouco mais de sete minutos em que guitarras contidas, sintetizadores brandos e ruídos se espalham ao fundo da composição, presenteando o público com um ato tão experimental e torto quanto acolhedor. Uma clara extensão do material apresentado no último ano pelo norte-americano, porém, detalhado de forma ainda mais complexa, hipnótica. A canção foi a escolhida para anunciar o novo álbum de inéditas de Cantu-Ledesma, In Summer (2016).

In Summer (2016) será lançado no dia 07/08 pelo selo Geographic North.

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Jefre Cantu-Ledesma – Love’s Refrain

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Opala: “The Noise”

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A voz ecoada de Maria Luiza Jobim mais uma vez se encontra com os sintetizadores climáticos e batidas sempre econômicas de Lucas de Paiva. Em The Noise, primeira composição inédita da dupla carioca Opala desde o delicado primeiro EP, lançado há mais de três anos, vozes e arranjos flutuam em uma melancólica nuvem de confissões românticas, base da letra triste que orienta a construção da recém-lançada faixa até o último suspiro.

You say you love it / When I sing you lullabies“, canta Jobim enquanto uma delicada chuva de sintetizadores cai ao fundo da faixa, sempre acompanhada pelo baixo e sintetizadores complementares de Roberto Polo. Uma clara continuação do som originalmente testado em músicas como Two Moons, Absence To Excess e Shibuya, porém, agora marcado pelo uso de novos encaixes minimalistas, vide as melodias etéreas que invadem todo o segundo ato da canção.

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Opala – The Noise

 

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Kelsey Lu: “Empathy”

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Desde que apareceu com o delicado clipe de Dreams, há poucos meses, Kelsey Lu vem se revelando como um das artistas mais complexas da presente cena nova-iorquina. Da voz forte que se mistura ao uso de arranjos orquestrais, passando pela pequena desconstrução de ruídos e outros elementos abstratos no interior de cada faixa, lentamente a cantora parece construir um mundo próprio, proposta que se repete mesmo na “simplicidade” de Empathy.

Parte do mais novo EP da cantora, Church, obra de seis faixas que conta com lançamento pelo selo True Panther Sounds, a canção de apenas três minutos mostra o completo domínio vocal de Lu dentro da própria obra. Um lamento arrastado, triste, pontuado pelo uso de cordas e encaixes sempre minimalistas. Junto da canção, um curioso clipe assinado por Griffin Frazen, trabalho que tanto reflete a estética da cantora, como esbarra na obra de gigantes como Björk.

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Kelsey Lu – Empathy

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Cole M.G.N.: “If U Let Me”

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Mais conhecido pela série de obras que marcam a boa fase do Ariel Pink’s Haunted Graffiti – como Before Today (2010) –, Cole M.G.N. passou os últimos anos envolvido em uma série de nomes importantes da cena californiana. Trabalhos lançados em parceria com Julia Holter, Charlotte Gainsbourg e, principalmente, ao lado de Ramona Gonzalez do Nite Jewel – com quem é casado. Em fase solo, o músico estadunidense apresenta ao público a curiosa If U Let Me.

Trata-se de um imenso mosaico de vozes, samples e sintetizadores recortados de diferentes composições lançadas na década de 1990. Fragmentos que vão do pop ao R&B e se transformam nas mãos de Cole, acompanhado pela esposa no refrão que costura a faixa. Longe de parecer um ato isolado, a canção – bastante similar as trabalhos da dupla Ford & Lopatin – nasce como parte do primeiro EP homônimo do artista.

Cole M.G.N. EP (2016) será lançado no dia 22/07 pelo selo Gloriette Records.

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Cole M.G.N. – If U Let Me

 

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Resenha: “The Bride”, Bat For Lashes

Artista: Bat For Lashes
Gênero: Baroque Pop, Dream Pop, Alternative
Acesse: http://www.batforlashes.com/

 

Prescilla e Sarah em Fur and Gold (2006), o romantismo pueril de Daniel no delicado Two Suns (2009), a completa melancolia de Laura em The Haunted Man (2012). Reais ou metafóricos, diferentes personagens e histórias sempre povoaram a obra de Natasha Khan dentro da discografia do Bat For Lashes. Delírios românticos, confissões amarguradas, tormentos e versos marcados pela subjetividade, proposta que ressurge de maneira ampliada dentro do quarto álbum de estúdio da cantora e compositora britânica, o conceitual The Bride (2016, Parlophone).

Centrado no melancólico relato de uma jovem noiva que vê o futuro marido (“Joe”) morrer a caminho da igreja e decide partir sozinha para a lua de mel, o álbum produzido em parceria com Ben Christophers, Dan Carey e Simon Felice Head talvez seja o registro em que Khan mais se distancia de uma possível zona de conforto. Trata-se de uma obra fechada, capítulos de uma pequena narrativa musical em que a cantora não apenas interpreta cenas e acontecimentos da sofredora personagem, como se aprofunda em diferentes debates sentimentais.

Liricamente orquestrado por um roteiro quase cinematográfico, The Bride nasce da profunda exposição do amor logo na faixa de abertura do disco, I Do. Um efusivo (e apaixonante) grito de “eu aceito”, ponto de partida para o arco dramático que tem início na terceira faixa do disco, In God’s House – “Através deste véu eles não podem ver / A névoa da morte me envolveu”. A partir desse ponto, Khan se entrega ao completo sofrimento do eu lírico, abraça a solidão em Honeymooning Alone, e segue até a libertação na delicada I Will Love Again – “Um dia desses / Eu amarei novamente”.

Muito além dos versos, a própria base instrumental montada para o trabalho parece dialogar com a temática de um casamento. São ambientações marcadas pelo uso constante de pianos, harpas, sinos e vozes em coro, como se a música de uma celebração religiosa fosse lentamente desconstruída. À medida que o álbum avança, faixas como Never Forgive the Angels e Close Encounters indicam a construção de um som cada vez mais denso, por vezes sufocante. Uma coleção de ruídos acinzentados, estímulo para a triste narrativa composta por Khan. Continue reading

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Still Corners: “Lost Boys”

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Meses após o lançamento da inédita Horses at Night, a banda londrina Still Corners está de volta com algumas novidades. Trata-se de Dead Blue (2016), primeiro registro de inéditas do grupo desde o elogiado Strange Pleasures, álbum de 2013 e uma das obras mais complexas já apresentadas pela banda desde o início da carreira. Para apresentar o novo registro de forma definitiva, o grupo apresenta ao público a recém-lançada Lost Boys.

Típica canção do Still Corners, a faixa dominada pelo uso de sintetizadores – principal marca do trabalho da banda – vai de encontro ao final da década de 1980, incorporando uma série de referências e temas instrumentais que surgiram na época. Sobram ainda pequenas ambientações climáticas, bastante similares aos trabalhos de John Carpenter, como se Lost Boys tivesse acabado de sair da trilha sonora de algum filme de terror, conceito reforçado pelo clipe da canção.

Dead Blue (2016) será lançado no dia 16/09 pelo selo Wrecking Light.

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Still Corners – Lost Boys

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Resenha: “Autodrama”, Puro Instinct

Artista: Puro Instinct
Gênero: Synthpop, Dream Pop, Alternative
Acesse: https://www.facebook.com/puroinstinct/

 

Cinco anos. Esse é o tempo que as irmãs Piper e Sky Kaplan levaram para finalizar o nostálgico Autodrama (2016, Manifesto). Segundo álbum de estúdio da dupla como Puro Instinct, o registro de apenas 10 faixas parece seguir um caminho parcialmente distinto em relação ao antecessor Headbangers In Ecstacy, de 2011. Longe dos temas psicodélicos e da explícita influência de Ariel Pink, colaborador em grande parte do trabalho, são os sintetizadores e referências dançantes que indicam a nova direção assumida pelo duo californiano.

Entregue em pequenas doses, o trabalho teve grande parte das faixas apresentadas ao público nos últimos meses. Composições como as já conhecidas Tell Me, Peccavi e What You See que serviram para indicar a base dançante que abastece o disco. Entretanto, sobrevive está audição fechada do registro, faixa após faixa, o grande charme do segundo registro de inéditas da dupla. Canções que partilham da mesma base instrumental, mergulhando em arranjos e elementos típicos da década de 1980.  

Comercialmente bem resolvido, Autodrama se apoia no uso de versos fáceis, guitarras e sintetizadores dançantes, além de sentimentos e confissões românticas capazes de dialogar com qualquer indivíduo. Da mesma forma que o duo nova-iorquino Chairlift em Something (2012) ou a dupla sueca Niki and the Dove no ainda recente Everybody’s Heart Is Broken Now (2016), cada faixa do presente disco se projeta de forma a emular temas e referências radiofônicas originalmente apresentadas há mais de três décadas.

Em um sentido oposto ao material letárgico apresentado há seis anos, trabalho em que as irmãs Kaplan pareciam flutuar em uma nuvem de sons enevoados, Autodrama mantém os dois pés bem fixos no chão. De fato, grande parte do registro parece pensado para funcionar em qualquer pista. Batidas e vozes que tanto dialogam com o trabalho de artistas recentes – caso de Sky Ferreira e Twin Shadow –, como resgatam a essência de veteranos do synthpop norte-americano. Continue reading

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Hoops: “Cool 2”

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Original da cidade de Bloomington, Indiana, o Hoops é um quarteto de Dream Pop/Rock Psicodélico que parece seguir à risca grande parte dos “ensinamentos” deixados no final da década passada por diferentes nomes da cena alternativa norte-americana. Artistas como Real Estate e Ariel Pink, referências que ecoam de forma explícita dentro do mais recente trabalho do grupo, Cool 2, primeiro single do homônimo EP da banda que conta com distribuição pelo selo Fat Possum.

Com pouco menos de dois minutos de duração, Cool 2 esbanja melodias ensolaradas e reverberações nostálgicas que tanto dialogam com os nomes acima citados, como incorporam elementos lançados há mais de três décadas nos primeiros discos do R.E.M. e demais veteranos da época. Observado em proximidade aos últimos trabalhos do grupo, a nova faixa não apenas confirma a evolução do quarteto como parece indicar a busca do grupo por um som ainda mais “pop”.

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Hoops – Cool 2

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