Com o lançamento de Ladies Don’t Play Guitar, em agosto deste ano, Alaina Moore e o parceiro Patrick Riley indicaram o conceito sensível que deve orientar as canções do novo álbum de inéditas do Tennis. Intitulado Yours Conditionally (2017), o sucessor do bom Ritual in Repeat (2014) parece reforçar o conceito sentimental há tempos presente nas canções da dupla norte-americana, proposta que volta a se repetir da inédita In The Morning I’ll Be Better.

Marcada pela temática da devoção e completa entrega dentro de qualquer relacionamento, a canção de batidas e arranjos lentos se espalha de forma lenta e sufocante. Pouco mais de três minutos em que guitarras, teclados e vozes se espalham em meio a versos intimistas, românticos e dolorosos. No clipe da canção, uma nova viagem em direção ao passado. Paisagens e roupas que parecem ter saído de algum catálogo de roupas da década de 1970.

Yours Conditionally (2017) será lançado no dia 10/03 via Mutually Detrimental.

 

Tennis – In The Morning I’ll Be Better

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Poucos dias após o lançamento da dobradinha formada pelo som cósmico de Dream e Ache, é chegada a hora de ter acesso ao primeiro disco da nova-iorquina DÆVA: Beta Persi (2016). Com distribuição pelo selo independente Furious Hooves, o trabalho de apenas dez faixas mostra todo o cuidado da jovem cantora e produtora na construção dos arranjos, melodias e vozes que se espalham durante toda a formação do delicado registro.

Além das duas canções já conhecidas, a estreia de Gigi Mead ainda reserva algumas surpresas. É caso de faixas como a econômica Drown, música que soa como uma adaptação pop do som produzido por artistas como Grouper e Julianna Barwick. Com referências ao seriado Arquivo X, o trabalho parece seguir a trilha dos primeiros inventos autorais da canadense Grimes, além, claro, de projetos como o Blue Hawaii e o som empoeirado do Houses.

 

DÆVA – Beta Persi

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Original da região do Brooklyn, em Nova York, Gigi Mead é a cantora e produtora responsável pelas canções do DÆVA. Trata-se de um projeto de Dream Pop que bebe da mesma fonte etérea de artistas como Blue Hawaii, Houses e outros representantes do gênero. Com o primeiro álbum de estúdio à caminho, Beta Persei (2016), trabalho que conta com distribuição pelo selo independente Furious Hooves, Mead decidiu apresentar ao público duas de suas canções.

De um lado, o pop acolhedor e sensível de Dream, música que passeia em meio a batidas e vozes contidas, sempre delicadas, flutuando com leveza na cabeça do ouvinte. Em Ache, o lado mais experimental do som produzido por Mead. São pequenas alterações no ritmo da faixa, sintetizadores atmosféricos e vozes “tocadas” como instrumentos, lembrando em alguns momentos os primeiros discos de Julia Holter ou mesmo a recente fase de Liz Harris, no Grouper.

Beta Persei (2016) será lançado dia 25/11 via Furious Hooves.

 

DÆVA – Dream

 

DÆVA – Ache

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O passado ronda os trabalhos de Molly Burch. Intima da mesma temática litorânea que abastece os trabalhos de artistas como Tennis, Cults e todo o universo de artistas que foram apresentados ao público no começo da presente década, a cantora e compositora norte-americana reserva para o começo do próximo ano um trabalho marcado pela nostalgia e sentimentos, proposta explícita na melodia empoeirada e versos que se espalham dentro da recém-lançada Try.

Parte do primeiro álbum de estúdio da jovem artista, Please Be Mine (2017), trabalho que conta com distribuição pelo selo Captured Tracks – casa de bandas como DIIV, Mac DeMarco e Craft Spells –, o delicado single se espalha sem pressa, detalhando os sentimentos, medos e confissões mais honestas da cantora. Ao fundo da canção, um jogo de guitarras versáteis, sempre detalhistas, costurando os versos e vozes melancólicas despejadas por Burch.

Please Be Mine (2017) será lançado no dia 17/02 via Captured Tracks

 

Molly Burch – Try

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Artista: Terno Rei
Gênero: Dream Pop, Indie, Alternativo
Acesse: http://ternorei.com.br/

 

Um sussurro angustiado entre os versos de Criança – “As coisas que eu perdi / Nunca voltam” –, e a essência melancólica da Terno Rei se revela por completo em Essa Noite Bateu Com Um Sonho (2016, Balaclava Records). Sucessor do delicado Vigília (2014), o segundo álbum de estúdio do quinteto paulistano nasce como uma extensão madura do som intimista que há tempos orienta a obra de Ale Sater (voz e baixo), Bruno Paschoal (guitarra), Greg Vinha (guitarra), Luis Cardoso (bateria) e Victor Souza (percussão).

Produzido em um intervalo de quase dois anos, o registro que conta com produção assumida pelo músico Guilherme Chiappetta, parceiro do grupo desde o primeiro álbum de estúdio, mostra a busca do quinteto pela construção de um material cada vez mais complexo, soturno e alimentado de forma explícita pelos detalhes. Memórias de um passado ainda recente, confissões e delírios psicodélicos. Composições em que a poesia sorumbática do grupo dialoga diretamente com o ouvinte.

A letra cíclica em Sinais (“Sina, sina, sina, sina / Espero te encontrar”), um labirinto de guitarras e cores em Circulares, a poesia descomplicada que se espalha entre os ruídos de Para o Centro. São versos, melodias e estilhaços instrumentais que servem de estímulo para atrair a atenção do público, convidado a provar de cada momento, detalhe ou verso subjetivo que se espalha ao fundo do disco. Uma clara evolução quando observamos a ambientação tímida do antecessor Vigília.

Entre versos marcados pela saudade (“Solidão se põe / no fundo da janela”), temas existencialistas (“Eu era ele / Ou era eu mesmo / Desde o começo”) ou mesmo reflexões típicas de jovens adultos (“Conheço bem a madrugada / Ela é minha sina”), a nítida interferência de cada integrante da banda. São melodias encorpadas por arranjos minuciosos, sempre nostálgicos e empoeiradas. Ruídos e distorções climáticas dançam pelo tempo, incorporando diferentes aspectos do Dream Pop e até instantes em que o grupo flerta com a psicodelia.

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De fora mística, a essência de Rita Oliva se espalha sem pressa entre as canções do primeiro registro sob o título de Papisa. Autointitulado, o registro de apenas três músicas segue exatamente de onde a musicista parou há poucos dias, durante o lançamento do single/clipe Instinto. São versos intimistas, maquiados por nuances subjetivas e efeitos enevoados de guitarras e sintetizadores. Uma parcial fuga de tudo aquilo que a artista vem desenvolvendo como integrante dos projetos P A R A T I e Cabana Café.

Além da já conhecida Intinto, música que chega acompanhada do precioso clipe de Aline Belfort, Oliva reserva ao público outras duas composições inéditas. De um lado, os versos em inglês e a atmosfera “caseira” de Delusional. No outro, a psicodelia melancólica e guitarras crescentes de Intuição, música que flerta com o rock produzido na década de 1970 de forma autoral e renovada. Um estímulo para o primeiro álbum de inédita da Papisa, previsto para estrear no próximo ano.



Papisa – Papisa EP

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Filipe Alvim passou os últimos meses preparando o terreno para a chegada do primeiro registro de inéditas da carreira, o romântico Beijos (2016). Entre faixas de essência melancólica, como Vida Sem Sentido Poderosaalém de músicas levemente ensolaradas, caso de Miragem, a lenta construção de uma obra marcada pela utilização de versos e melodias sempre intimistas, percpção reforçada dentro das oito canções que abastecem a estreia do cantor e compositor mineiro.

Além das três músicas apresentadas por Alvim nos últimos meses, Beijos reserva ao público um pequeno catálogo de faixas movidas pela poesia descomplicada do músico. Composições que mergulham em temas existenciais (“O erro pode ser o acerto / De quem procura se encontrar“) e pequenos tormentos melancólicos (“Nessa cama redonda eu bodei / Eu não sei O que será de mim“). Com distribuição pelo selo Pug Records, o trabalho pode ser apreciado e baixado gratuitamente pelo Bandcamp do artista.

 

Filipe Alvim – Beijos

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Sucessor do letárgico Vigília – 27º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2014 –, Essa Noite Bateu Com Um Sonho (2016) é o nome do novo registro de inéditas da banda paulistana Terno Rei. Produzido em um intervalo de mais de um ano, o trabalho confirma o amadurecimento do grupo formado pelos músicos Ale Sater (voz e baixo), Bruno Paschoal (guitarra), Greg Vinha (guitarra), Luis Cardoso (bateria) e Victor Souza (percussão).

Último singles a ser apresentado ao público antes do lançamento oficial do trabalho, a densa Circulares confirma a atmosfera melancólica que orienta grande parte das canções da banda. Uma clara continuação da mesma poesia intimista explorada pelo quinteto durante a divulgação de Sinais e Criança, esta última, faixa que chega acompanhada de um delicado clipe da Muto – coletivo responsável pelos vídeos de Artemísia, da banda goiana Carne Doce, e Shuva, do grupo Mahmed.

Essa Noite Bateu Com Um Sonho (2016) será lançado no dia 11/11 via Balaclava Records.

 

Terno Rei – Circulares

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Artista: The Radio Dept.
Gênero: Indie Pop, Dream Pop, Alternativa
Acesse: http://www.theradiodept.com/

 

Perto de completar duas décadas de carreira, os integrantes do grupo sueco The Radio Dept. continuam seguindo a mesma lógica e compromisso dos primeiros registros autorais. Em estúdio, a produção de um limitado acervo de obras conceitualmente seguras, porém, abertas ao uso de novas sonoridades e experimentos improváveis. Trabalhos construídos de forma sempre espaçada, entregues ao público depois de longos e necessários intervalos criativos.

Primeiro trabalho da dupla Johan Duncanson e Martin Larsson em seis anos, Running Out of Love (2016, Labrador), sucessor do elogiado Clinging to a Scheme (2010), mostra que a banda original da cidade de Lund continua a investir pesado em novas possibilidades e ritmos sempre “inusitados”. Versos intimistas que dançam em meio a melodias eletrônicas, sobreposições que flertam com o reggae/dub, além de todo um universo de pequenos experimentos delicados.

Como tudo que a banda vem desenvolvendo desde o inaugural Lesser Matters, trabalho lançado em março de 2003, o novo álbum se apoia na clara na repetição de vozes e arranjos. São bases cíclicas, hipnóticas, sempre carregadas de efeito. Uma complexa manipulação dos instrumentos dentro de estúdio, percepção reforçadas logo nos primeiros instantes do trabalho, dentro do jogo de vozes e batidas tribais de Sloboda Narodu, curiosa faixa de abertura do álbum.

Seja na rápida execução de Thieves of State, com pouco mais de um minuto de duração, ou mesmo na lenta montagem de Swedish Guns, música que dialoga abertamente com o reggae, cada faixa no interior do álbum parece crescer com naturalidade, sem pressa. Guitarras que engatam com leveza nos vocais, flutuam em meio a nuvens de distorção e sintetizadores, fazendo com que o ouvinte seja delicadamente transportado para o interior do disco.

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Em setembro deste ano, Hope Sandoval pegou muita gente de surpresa. Sete anos após o lançamento do melancólico Through the Devil Softly (2009), segundo álbum de estúdio junto do coletivo The Warm Inventions – projeto que conta com o baterista do My Bloody Valentine, Colm Ó Cíosóig –, a cantora e compositora norte-americana, também integrante do Mazzy Star, anunciou um novo registro de inéditas: Until The Hunter (2016).

Poucas semanas após o lançamento de Let Me Get There, faixa escolhida para apresentar o disco e uma delicada parceria com o cantor e compositor Kurt Vile, Sandoval está de volta com uma nova composição inédita. Em A Wonderful Seed, o dedilhado tímido do violão transporta o ouvinte para o mesmo universo de artistas como Joanna Newsom e Vashti Bunyan, efeito da atmosfera serena, acolhedora, que se espalha entre o primeiro e o último verso da canção.

Until The Hunter (2016) será lançado no dia 04/11 via Tendril Tales.

 

Hope Sandoval and The Warm Inventions – A Wonderful Seed

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