Tag Archives: Dream Pop

Blue Hawaii: “Agor Edits Mixtape”

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Raphaelle Standell não teve tempo para descanso nos últimos meses. Em turnê para a divulgação do álbum Flourish // Perish (2013), segundo registro em estúdio ao lado dos parceiros do Braids, a musicista canadense percorreu grande parte da América do Norte e Europa, reservando o (precioso) tempo livre para se aproximar de outros projetos, vide a delicada parceria com o produtor britânico Jon Hopkins em Form By Firelight. Mas e o trabalho com o Blue Hawaii?

Com o inevitável distanciamento de Standell, passada a divulgação do debut Untogether (2013), todos os esforços do projeto acabaram nas mãos de Alex “Agor” Cowan, essência da recém-lançada mixtape Agor Edits (2014). Em meio a pequenas adaptações de músicas lançadas pelo casal desde o começo da parceria, em 2010, Cowan aos  poucos ultrapassa a zona de conforto do Blue Hawaii, reforçando as bases eletrônicas para incorporar elementos do Hip-Hop e Balearic Beat.

Disponível para download gratuito, o material ainda conta com All Of My Heart, composição inédita da dupla.

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Blue Hawaii – Agor Edits Mixtape

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Disco: “Roupa Linda, Figura Fantasmagórica”, Séculos Apaixonados

Séculos Apaixonados
Indie/Lo-Fi/Experimental
https://soundcloud.com/seculos-apaixonados

Por: Cleber Facchi

Banda Séculos Apaixonados, a banda mais romântica do Rio“. Os versos que cortam o interior da faixa Um Totem do Amor Impossível são a base para o trabalho da carioca Séculos Apaixonados. Narrados por uma voz empostada, como um fragmento extraído de alguma rádio romântica da década de 1980, a cômica apresentação funciona como passagem para o refúgio caricato explorado pelo quinteto ao longo de todo o primeiro álbum de estúdio, o empoeirado Roupa Linda, Figura Fantasmagórica (2014, Balaclava).

Solos de saxofone facilmente encontrados nos primeiros discos do Kid Abelha, vocais indecifráveis e um estranho clima sensual que curiosamente prende o ouvinte. Ainda que seja impossível mergulhar e absorver cada fragmento lírico exaltado por Gabriel Guerra (ex-Dorgas; voz e guitarra), toda a estrutura montada pelos parceiros Lucas de Paiva (Pessoas que eu conheço; teclado e saxofone), Felipe Vellozo (ex-Mahmundi; baixo), Arthur Braganti (Letuce; Teclado e Voz) e João Pessanha (Baleia; bateria) encanta sem dificuldades. Como o estranho hábito de reviver o sofrimento de qualquer cantor romântico em busca da própria libertação sentimental, a estreia do coletivo é uma obra tomada por confissões tão particulares, quanto próprias do ouvinte.

Rima brega em Punhos Da Perseverança (“Abra os braços / feche os portões / esculacho aceito / mas conversa não“), Peixe Peixão e sua tragicômica carta de amor(“…eu ainda sou o suplente de seu afeto“), o desespero instalado em Só no Masoquismo (“Eu sou um trem atrás de você”). Quando disse buscar inspiração em Waldick Soriano e outros nomes do romantismo brega, Gabriel Guerra não poderia ter sido mais honesto. Todavia, longe adaptar estes mesmos conceitos do “gênero”, como Pélico em Que Isso Fique Entre Nós (2011) e outros românticos recentes, todos os esforços da banda estão em sugar e copiar referências, transportando com acerto o ouvinte para alguma transmissão de rádio perdida há três décadas.

Mesmo que a semelhança com o último trabalho do Dorgas também seja inevitável, considerar as oito canções do álbum como um (novo) experimento isolado de Gabriel Guerra seria um erro. Pela forma como Ralenti as batidas do coração entrega os sintetizadores e todo o acervo da temas nostálgicos espalhados pela obra, muito do que direciona o movimento disco parece fruto dos ensaios de Lucas de Paiva com o Mahmundi. De fato, grande parte do registro sobrevive das mesmas ambientações empoeiradas da década de 1980 antes testadas em Efeito das Cores, de 2012. Contudo, enquanto ao lado de Marcela Vale o músico buscava refúgio no pop caricato da época, em RLFF é o clima soturno que invade teclados e até mesmo o saxofone melancólico incorporados a cada nova faixa.   Continue reading

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Chromatics: “White Light”

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Quem segue o perfil Johnny Jewel no Soundcloud foi agraciado nas últimas semanas. Grande responsável pelo trabalho de bandas como Chromatics, Glass Candy e demais projetos relacionados ao selo Italians Do It Better, Jewel começou a publicar uma série de canções resgatadas do próprio acervo. Entre edições alternativas para músicas já conhecidas e até versões para o trabalho de outros artistas – vide o cover de Blue Moon -, são as canções inéditas que realmente despertam a atenção do público.

Além de The Last Dance, música assinada individualmente e publicada por Jewell há poucos dias, chega a hora de conhecer uma canção inédita do Chromatics: White Light. Naturalmente sutil, a econômica composição invade aos poucos o mesmo ambiente de Kill For Love (2012), último registro em estúdio do coletivo. Para ouvir os demais lançamentos de Jewell, basta uma visita ao soundcloud do músico.


Chromatics – White Light

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Hundred Waters: “Out Alee”

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Ouvir as canções do grupo norte-americano Hundred Waters é como ser transportado para o mundo dos sonhos. A voz doce de Nicole Miglis, guitarras e sintetizadores etéreos e um acervo imenso de melodias detalhadas de forma mágica, com extrema delicadeza. Em fase de divulgação do último álbum de estúdio, The Moon Rang Like A Bell (2014), a banda de Gainesville, Flórida, convida o espectador a viajar com o som harmônico e imagens que agora abastecem Out Alee.

Síntese dos temas lançados pelo grupo ao longo do novo álbum, a canção equilibra sintetizadores e batidas enquanto os vocais de Miglis crescem de forma intensa. Recomendado para quem acompanha o trabalho de artistas como Björk e Julia Holter, o vídeo dirigido por Michael Langan talvez seja a melhor forma de ser apresentado ao trabalho do grupo. Leia a resenha completa de The Moon Rang Like A Bell.

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Hundred Waters – Out Alee

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Tei Shi: “See Me”

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Há poucas semanas Tei Shi passou a incorporar uma nova sonoridade com o lançamento de Bassically. Uma das melhores composições apresentadas pela artista recentemente, a faixa cruza temas do Dream Pop com todo um acervo de referências típicos do R&B/Disco da década de 1980, no melhor estilo Blood Orange. Ainda dentro desse mesmo universo de tendências, porém, de forma controlada, a artista nova-iorquina lança sua nova criação inédita: See Me.

Lembrando (e muito) as primeiras canções apresentadas por Valerie Teicher em 2013, a peça de quase cinco minutos se arrasta em meio a vocalizações aconchegantes e arranjos econômicos. Um meio termo entre as faixas mais delicadas de Dev Hynes e o trabalho de Caroline Polachek em carreira solo. Parte do novo single de Tei Shi, a recente composição alimenta as expectativas para o primeiro álbum da cantora, previsto para o primeiro semestre de 2015.

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Tei Shi – See Me

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Disco: “Ruins”, Grouper

Grouper
Experimental/Ambient/Dream Pop
http://www.kranky.net/

Por: Cleber Facchi

O coaxar de sapos, bases atmosféricas e a constante interferência de ruídos ambientais. Ruins (2014, Kranky) não é apenas um disco, mas um refúgio. Abrigo detalhado de Liz Harris, a mais recente obra do Grouper nasce da desconstrução dos primeiros (e complexos) registros “de estúdio” da norte-americana. Voz doce, versos confessionais e um diálogo detalhado com o ouvinte. Ainda que isolada em uma floresta de sensações e experimentos próprios, cada brecha do álbum soa como um convite. A redescoberta de um espaço desbravado em totalidade pela musicista, porém, ainda curioso ao visitante.

Em um sentido de expansão do material apresentado em The Man Who Died In His Boat, de 2013, Harris detalha o presente invento como uma peça de possibilidades controladas. O experimento ainda é a base para a formação da obra, porém, diferente do alinhamento assumido em registros como A I A: Dream Loss e Alien Observer, ambos de 2011, formas harmônicas e versos “fáceis” interpretam o ouvinte como um convidado, e não um personagem a ser afastado pela obscuridade das canções.

A exemplo de Julianna Barwick em The Magic Place (2011), Ruins é uma obra detalhada pelo conforto e sutileza dos arranjos. Perceba como todos os elementos do álbum assentam lentamente, convidativos, como se Harris encontrasse um espaço exato para cada fragmento de voz ou tímida peça instrumental. Protagonista de uma história confidencial, Grouper detalha sussurros de forma linear, um conto breve, concepção talvez evidente no disco de 2013, porém, encarada de forma concisa dentro do bloco de formas harmônicas do presente invento.

Volátil, ao mesmo tempo em que preenche o interior da obra com detalhes sutis, límpidos, abraçando o ouvinte a seu próprio tempo, Harris em nenhum momento se distancia da gravação artesanal incorporada à própria discografia. Basta se concentrar na textura cinza de ruídos que cresce ao fundo das canções, ou no “bip” seco de microondas que rompe com a morosidade de Labyrinth. Um meio termo entre o cenário fantástico do disco e a inevitável aproximação da artista/espectador com o “mundo real”. Continue reading

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The Pains Of Being Pure At Heart: “Kelly”

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Depois de investir em arranjos ainda mais pesados e sujos durante a construção de Belong (2011), os membros do The Pains Of Being Pure At Heart assumiram um novo percurso com o terceiro álbum de estúdio. Em Days Of Abandon (2011), o grupo nova-iorquino continua a brincar com o mesmo Dream Pop/Shoegaze apresentado nos primeiros anos, reforçando no uso de melodias delicadas um novo sentido para a banda.

Composição mais pegajosa do disco, Kelly resume com naturalidade o atual posicionamento do lider Kip Berman e demais parceiros de banda. Enquanto a convidada Jen Goma (A Sunny Day in Glasgow) assume a responsabilidade pelos vocais, guitarras delicados e sintetizadores visitam o mesmo cenário de bandas como The Smiths, The Pastels e demais veteranos da década de 1980. Sem exageros, o grupo apresenta agora o clipe da faixa. A direção é de Art Boonparn.

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The Pains Of Being Pure At Heart – Kelly

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Disco: “Mr. Twin Sister”, Mr. Twin Sister

Mr. Twin Sister
Indie Pop/Dream Pop/Electronic
http://mrtwinsister.com/

Por: Cleber Facchi

A mudança de nome do coletivo nova-iorquino Twin Sister para Mr. Twin Sister está longe de ser apenas “estética”. Basta regressar ao ambiente empoeirado de Daniel, Bad Street e demais faixas instaladas no debut In Heaven, de 2011, para perceber a completa alteração de estrutura em torno da autointitulada e mais recente obra do grupo. Orquestrada pelas voz doce de Andrea Estella, o grupo, antes instalado na década de 1980, agora brinca com todo um novo acervo musical, flutuando por entre décadas sem necessariamente assumir qualquer apego específico.

Tão voltado aos suspiros finais da Disco Music (In The House Of Yes), como de elementos típicos do Soft Rock (Sensitive), o álbum sustentado por apenas oito faixas é um emular constante de novas experiências. Um exercício lento de adaptação, como se cada nota, voz ou verso efêmero proclamado ao longo da obra fosse tratado com nítida parcimônia, convidando o ouvinte a saborear todas as sensações (agora) encaradas pela banda.

Ainda que instalado no mesmo ambiente temático de Kill For Love (2012) Chromatics, Anything In Return (2013) de Toro Y Moi e outras obras musicalmente próximas – todas consumidas pela nostalgia não vivenciada -, a reestreia do coletivo de Nova York segue de forma evidente em uma medida de tempo própria, desacelerada. Da mesma forma que cada porção do registro merece ser degustada pelo espectador, não diferente é o ritmo solucionado pelo quinteto, sereno mesmo nos instantes mais “acelerados” – vide a dançante Out Of Dark.

Dentro dessa estrutura ponderada, sóbria, é evidente como o colorido grupo montado por Gabe D’Amico hoje tenta esconder suas formas musicais. Um contínuo espalhar de experiências e peças, deixando que elas sejam montadas na cabeça do ouvinte. Canções como Sensitive e Twelve Angels, atos precisos de quase sete minutos e solucionados em um loop preciso, dançando em uma atmosfera de segredos e lentos encaixes instrumentais. A julgar pela explícita relação com a década de 1970, o novo álbum do Mr.TS talvez seja uma interpretação menos óbvia para o material lançado pelo Daft Punk em Random Access Memories (2013). Continue reading

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Puro Instinct: “6 Of Swords”

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Três anos desde o hipnótico lançamento de Headbangers In Ecstacy (2011), primeiro trabalho das irmãs Piper e Skylar Kaplan pelo Puro Instinct, é hora de ser transportado (mais uma vez) para o mundo dos sonhos com 6 Of Swords. Espécie de aperitivo para o material que a dupla de ascendência russa vem desenvolvendo nos últimos meses, a nova composição vai além do já transformado som de Dream Lover (lançada há dois anos), para revelar o conceito “pop” agora delineado pelo duo.

Com os dois pés na década de 1980, a convidativa criação se joga de cabeça no mesmo território de Ariel Pink e John Maus, antigos parceiros das irmãs Kaplan e principais influências para a presente faixa. Ainda assim, não já como contestar a maturidade e reforço autoral da canção, possivelmente o invento mais acolhedor e musicalmente bem resolvido já lançado pelo Puro Instinct. Recomendado para os apreciadores de artistas como Blood Orange e Mr. Twin Sister, a faixa pode ser ouvida na íntegra logo abaixo. No Soundcloud você encontra grande parte do material lançado pela dupla nos últimos meses.

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Puro Instinct – 6 Of Swords

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Andy Stott: “Violence”

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O lançamento de Anytime Soon, um dos fragmentos da coletânea Adult Swim Singles em 2013, foi apenas a abertura do universo sombrio concebido por Andy Stott pós-Luxury Problems (2012). Dois anos depois de abrir as portas do primeiro álbum de estúdio, o produtor britânico anuncia a chegada de Faith In Strangers (2014), trabalho que conta com distribuição pelo selo Modern Love (mesmo do disco anterior) e resume na inédita Violence parte da estrutura preparada para o novo catálogo do artista de Manchester.

Fazendo valer o próprio título, a canção em parceria com Alison Skidmore – responsável por parte das vozes lançadas no disco de 2012 – é a faixa mais intensa e possivelmente perturbadora de Stott nos últimos anos. Inicialmente serena, a criação de quase sete minutos logo parte para um ambiente ruidoso, claustrofóbico e sujo, cruzando tanto o lado místico do álbum lançado há dois anos, como parte das referências apresentadas nos EPs We Stay Together e Passed Me By, ambos de 2011.

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Andy Stott – Violence

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