Criado no final dos anos 1980 na cidade de Reading, Inglaterra, o Slowdive é um dos principais e mais influentes grupos de Dream Pop/Shoegaze. No repertório da banda, três álbuns de estúdio – Just for a Day (1991), Souvlaki (1993) e Pygmalion (1995) – e algumas das composições mais icônicas da década de 1990, como Alison e Avalyn I. Depois de um longo período de hiato, o grupo retornou aos palcos em 2014, fazendo da inédita Star Roving o princípio de um novo registro de inéditas.

Em mais uma edição da seção Aperitivo – por onde passaram nomes como Radiohead, Wilco e Tortoise –, apresentamos uma seleção de 10 composições para entender (e gostar) do trabalho produzido pela banda inglesa. São músicas como Catch The Breeze, Machine Gun e Souvlaki Space Station. Composições que passam por diferentes fases, registros e sonoridades do Slowdive.

 

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Como vocalista e líder do The Antlers, Peter Silberman deu voz a uma sequência de registros marcados pela confissão e forte melancolia. Trabalhos como o doloroso Hospice (2009), obra-prima do grupo norte-americano, e outros registros também importantes, como Burst Apart (2011) e, o mais recente deles, Familiars (2014). Em carreira solo, a continuação desse projeto, ponto de partida para a recém-lançada New York.

Parte do primeiro álbum em carreira solo de Silberman, Impermanence (2017), a canção movida pelo uso de guitarras e vozes tímidas segue de forma acessível em relação aos experimentos testados pelo músico no EP Transcendless Summer, de 2016. Um ato curto, contido, porém, completo pela força dos sentimentos e versos assinados pelo compositor. No clipe da faixa, imagens em preto e branco que mostram o cotidiano da cidade Nova York há poucas décadas.

Impermanence (2017) será lançado no dia 24/02 via Anti-.

 

Peter Silberman – New York

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Com leveza e certa dose de melancolia, Julie Byrne passou as últimas semanas preparando o terreno para o inédito Not Even Happiness (2017). Mais recente trabalho de estúdio da cantora e compositora nova-iorquina, o sucessor de Rooms With Walls and Windows (2014) indica um claro amadurecimento por parte da artista, transformação explícita no detalhamento de músicas como Natural Blue, Follow My Voice e, mais recentemente, a delicada I Live Now As A Singer.

Flutuando em uma nuvem de melodias atmosféricas, Byrne não apenas reforça o diálogo com diferentes nomes do folk norte-americano, como Angel Olsen e Cat Power, como assume uma sonoridade própria, quase etérea. São arranjos acústicos que se espalham em meio a sintetizadores densos, por vezes íntimos do trabalho de Angelo Badelamenti na trilha sonora de Twin Peaks. Nos versos, a busca declarada pela libertação e um lugar para chamar de “casa”.

Not Even Happiness (2017) será lançado no dia 27/01 via Ba Da Bing.

 

Julie Byrne – I Live Now As A Singer

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A atmosfera acolhedora criada por Liz Harris em Ruins – 7º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2014 –, continua se espalhando delicadamente, sem pressa. Dois anos após o lançamento do bem-sucedido registro, a cantora e produtora norte-americana está de volta com um novo material. Trata-se da dobradinha Headache e I’m Clean Now, uma lenta sobreposição de vozes e guitarras ambientais que evidenciam o completo detalhismo da musicista.

Enquanto Headache cresce de forma hipnótica, sugando o ouvinte para dentro dela, em I’m Clean Now, Harris entrega uma canção que parece esfarelar nos ouvidos. Entre guitarras dedilhadas de forma tímida, uma manta ruidosa, sutil, parece cobrir os versos lançados pela cantora. Para divulgar o material, Grouper foi em busca do diretor Paul Clipson, responsável pelas imagens bucólicas que movimentam de forma sutil o clipe de Headache.

 

Grouper – Headache

Grouper – I’m Clean Now

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A voz forte, limpa, sobreposta em pequenas camadas e efeitos. Guitarras densas, pesando sobre o canto melancólico que se espalha como um instrumento. Batidas sempre contidas, econômicas, como uma fuga do som ondulado que cresce como um experimento hipnótico e (des)controlado. Em Peach, mais recente invento da cantora, compositora e produtora nova-iorquina Natasha Jacobs o ouvinte é sutilmente conduzido para dentro de um imenso labirinto de emoções e melodias obscuras.

Mesmo visitando no mesmo território criativo de artistas como Julia Holter e Beach House, efeito da densa massa sonora que se forma no interior da faixa, Jacobs dá um passo além em relação ao material apresentado há poucas semanas na inédita If You Let In, canção escolhida para apresentar o autointitulado registro de estreia da cantora. Um pequeno turbilhão poético e instrumental que conduz o trabalho de apenas sete faixas anunciado para o começo do próximo ano.

Thelma (2017) será lançado dia 24/02 via Tiny Engines.

 

Thelma – Peach

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Artista: Diana
Gênero: Synthpop, Dream Pop, Indie Pop
Acesse: https://soundcloud.com/dianasound

 

O passado ronda as canções do grupo canadense Diana. Em Familiar Touch (2016, Independente), segundo álbum de inéditas do trio de Toronto, todos os elementos testados no inaugural Perpetual Surrender (2013) são delicadamente resgatados e espalhados ao longo do trabalho. Uma nostálgica viagem em direção ao pop dos anos 1980 e começo da década de 1990, conceito explícito em cada uma das composições que abastecem o presente registro.

Produzido em um intervalo de quase dois anos, o trabalho de apenas dez faixas reflete o claro amadurecimento de cada integrante da banda. Um esforço coletivo que passa pela voz melancólica de Carmen Elle e chega até os instrumentos assumidos de forma coesa pelos parceiros de banda Joseph Shabason e Kieran Adams. Um precioso exercício de visitar o passado sem necessariamente fazer disso uma clara repetição de ideias e conceitos.

Composição escolhida para apresentar o trabalho, Confessions resume na programação eletrônica e sintetizadores caricatos a base de grande parte do registro. Enquanto os versos da canção se perdem em meio a declarações intimistas da vocalista – “Você mordeu sua língua / E o gosto que ele deixou em sua boca” –, musicalmente, a canção cresce, assume diferentes tonalidades e acaba apontando a direção seguida pelo grupo até a derradeira Take It Over.

Em Slipping Away, terceira faixa do disco, um instante de pura renovação. Ao mesmo tempo em que a essência “oitentista” do grupo se projeta ao fundo da canção, batidas e vozes íntimas do R&B/Soul indicam a busca do trio por uma nova sonoridade. O mesmo cuidado acaba se refletindo em Miharu, música que flutua em meio a vozes declamadas e arranjos sedutores, como se o trio resgatasse uma série de elementos típicos da música pop no começo dos anos 1990.

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Guitarras enevoadas se espalham sem pressa, detalhando um som típico de artistas como Real Estate e Toro Y Moi. Batidas eletrônicas e vozes sutilmente maquiadas pelo uso de efeitos se entrelaçam, destacando uma letra marcada pela leveza dos sentimentos. Em Férias, mais recente single do cantor e compositor gaúcho Victorino, o ouvinte é sutilmente transportado para dentro de um cenário de pequenos encaixes minimalistas, recordações e arranjos oníricos.

Parte do novo registro de Victorino, Mês de Maio, trabalho previsto para 2017, a canção que flutua entre o Dream Pop e o Trip-Hop nasce a partir de fragmentos coletados durante conversas entre a mãe e tias do cantor. Um catálogo de versos nostálgicos que cresce nas participações especiais dos músicos Rafael David (beat synth) e Geyer (backing vocal, violão nylon). No perfil do artista no soundcloud é possível encontrar outras composições, caso do single Só Que Não.

Victorino – Férias

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Com o lançamento de Ladies Don’t Play Guitar, em agosto deste ano, Alaina Moore e o parceiro Patrick Riley indicaram o conceito sensível que deve orientar as canções do novo álbum de inéditas do Tennis. Intitulado Yours Conditionally (2017), o sucessor do bom Ritual in Repeat (2014) parece reforçar o conceito sentimental há tempos presente nas canções da dupla norte-americana, proposta que volta a se repetir da inédita In The Morning I’ll Be Better.

Marcada pela temática da devoção e completa entrega dentro de qualquer relacionamento, a canção de batidas e arranjos lentos se espalha de forma lenta e sufocante. Pouco mais de três minutos em que guitarras, teclados e vozes se espalham em meio a versos intimistas, românticos e dolorosos. No clipe da canção, uma nova viagem em direção ao passado. Paisagens e roupas que parecem ter saído de algum catálogo de roupas da década de 1970.

Yours Conditionally (2017) será lançado no dia 10/03 via Mutually Detrimental.

 

Tennis – In The Morning I’ll Be Better

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Poucos dias após o lançamento da dobradinha formada pelo som cósmico de Dream e Ache, é chegada a hora de ter acesso ao primeiro disco da nova-iorquina DÆVA: Beta Persi (2016). Com distribuição pelo selo independente Furious Hooves, o trabalho de apenas dez faixas mostra todo o cuidado da jovem cantora e produtora na construção dos arranjos, melodias e vozes que se espalham durante toda a formação do delicado registro.

Além das duas canções já conhecidas, a estreia de Gigi Mead ainda reserva algumas surpresas. É caso de faixas como a econômica Drown, música que soa como uma adaptação pop do som produzido por artistas como Grouper e Julianna Barwick. Com referências ao seriado Arquivo X, o trabalho parece seguir a trilha dos primeiros inventos autorais da canadense Grimes, além, claro, de projetos como o Blue Hawaii e o som empoeirado do Houses.

 

DÆVA – Beta Persi

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Original da região do Brooklyn, em Nova York, Gigi Mead é a cantora e produtora responsável pelas canções do DÆVA. Trata-se de um projeto de Dream Pop que bebe da mesma fonte etérea de artistas como Blue Hawaii, Houses e outros representantes do gênero. Com o primeiro álbum de estúdio à caminho, Beta Persei (2016), trabalho que conta com distribuição pelo selo independente Furious Hooves, Mead decidiu apresentar ao público duas de suas canções.

De um lado, o pop acolhedor e sensível de Dream, música que passeia em meio a batidas e vozes contidas, sempre delicadas, flutuando com leveza na cabeça do ouvinte. Em Ache, o lado mais experimental do som produzido por Mead. São pequenas alterações no ritmo da faixa, sintetizadores atmosféricos e vozes “tocadas” como instrumentos, lembrando em alguns momentos os primeiros discos de Julia Holter ou mesmo a recente fase de Liz Harris, no Grouper.

Beta Persei (2016) será lançado dia 25/11 via Furious Hooves.

 

DÆVA – Dream

 

DÆVA – Ache

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