Tag Archives: Dream Pop

Still Corners: “Lost Boys”

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Meses após o lançamento da inédita Horses at Night, a banda londrina Still Corners está de volta com algumas novidades. Trata-se de Dead Blue (2016), primeiro registro de inéditas do grupo desde o elogiado Strange Pleasures, álbum de 2013 e uma das obras mais complexas já apresentadas pela banda desde o início da carreira. Para apresentar o novo registro de forma definitiva, o grupo apresenta ao público a recém-lançada Lost Boys.

Típica canção do Still Corners, a faixa dominada pelo uso de sintetizadores – principal marca do trabalho da banda – vai de encontro ao final da década de 1980, incorporando uma série de referências e temas instrumentais que surgiram na época. Sobram ainda pequenas ambientações climáticas, bastante similares aos trabalhos de John Carpenter, como se Lost Boys tivesse acabado de sair da trilha sonora de algum filme de terror, conceito reforçado pelo clipe da canção.

Dead Blue (2016) será lançado no dia 16/09 pelo selo Wrecking Light.

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Still Corners – Lost Boys

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Resenha: “Autodrama”, Puro Instinct

Artista: Puro Instinct
Gênero: Synthpop, Dream Pop, Alternative
Acesse: https://www.facebook.com/puroinstinct/

 

Cinco anos. Esse é o tempo que as irmãs Piper e Sky Kaplan levaram para finalizar o nostálgico Autodrama (2016, Manifesto). Segundo álbum de estúdio da dupla como Puro Instinct, o registro de apenas 10 faixas parece seguir um caminho parcialmente distinto em relação ao antecessor Headbangers In Ecstacy, de 2011. Longe dos temas psicodélicos e da explícita influência de Ariel Pink, colaborador em grande parte do trabalho, são os sintetizadores e referências dançantes que indicam a nova direção assumida pelo duo californiano.

Entregue em pequenas doses, o trabalho teve grande parte das faixas apresentadas ao público nos últimos meses. Composições como as já conhecidas Tell Me, Peccavi e What You See que serviram para indicar a base dançante que abastece o disco. Entretanto, sobrevive está audição fechada do registro, faixa após faixa, o grande charme do segundo registro de inéditas da dupla. Canções que partilham da mesma base instrumental, mergulhando em arranjos e elementos típicos da década de 1980.  

Comercialmente bem resolvido, Autodrama se apoia no uso de versos fáceis, guitarras e sintetizadores dançantes, além de sentimentos e confissões românticas capazes de dialogar com qualquer indivíduo. Da mesma forma que o duo nova-iorquino Chairlift em Something (2012) ou a dupla sueca Niki and the Dove no ainda recente Everybody’s Heart Is Broken Now (2016), cada faixa do presente disco se projeta de forma a emular temas e referências radiofônicas originalmente apresentadas há mais de três décadas.

Em um sentido oposto ao material letárgico apresentado há seis anos, trabalho em que as irmãs Kaplan pareciam flutuar em uma nuvem de sons enevoados, Autodrama mantém os dois pés bem fixos no chão. De fato, grande parte do registro parece pensado para funcionar em qualquer pista. Batidas e vozes que tanto dialogam com o trabalho de artistas recentes – caso de Sky Ferreira e Twin Shadow –, como resgatam a essência de veteranos do synthpop norte-americano. Continue reading

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Hoops: “Cool 2”

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Original da cidade de Bloomington, Indiana, o Hoops é um quarteto de Dream Pop/Rock Psicodélico que parece seguir à risca grande parte dos “ensinamentos” deixados no final da década passada por diferentes nomes da cena alternativa norte-americana. Artistas como Real Estate e Ariel Pink, referências que ecoam de forma explícita dentro do mais recente trabalho do grupo, Cool 2, primeiro single do homônimo EP da banda que conta com distribuição pelo selo Fat Possum.

Com pouco menos de dois minutos de duração, Cool 2 esbanja melodias ensolaradas e reverberações nostálgicas que tanto dialogam com os nomes acima citados, como incorporam elementos lançados há mais de três décadas nos primeiros discos do R.E.M. e demais veteranos da época. Observado em proximidade aos últimos trabalhos do grupo, a nova faixa não apenas confirma a evolução do quarteto como parece indicar a busca do grupo por um som ainda mais “pop”.

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Hoops – Cool 2

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Puro Instinct: “What You See”

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Piper e Sky Kaplan seguem com a divulgação do segundo álbum de estúdio do Puro Instinct, Autodrama (2016). Depois de sutilmente arrastar os ouvintes para as pistas em Tell Me, canção que incorpora o espírito da década de 1980, além de brincar com as referências em Peccavi – difícil não lembrar dos primeiros anos de Madonna –, a dupla norte-americana está de volta com mais uma canção inédita: What You See.

Menos frenética do que as faixas que a antecedem, com a nova faixa, as irmãs Kaplan trazem de volta o mesmo Dream Pop “estranho” que marca o primeiro álbum de estúdio da dupla, Headbangers In Ecstacy (2011). São vozes, batidas e sintetizadores sempre empoeirados, como se as garotas flutuassem em um mundo de sonhos e detalhes etéreos, resgatando parte da sonoridade explorada pelo antigo parceiro Ariel Pink, colaborador ativo no disco lançado há cinco anos.

Autodrama (2016) será lançado no dia 24/06 pelo selo Manifesto.

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Puro Instinct – What You See

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Puro Instinct: “Peccavi”

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Com o lançamento de Tell Me, há poucas semanas, Piper e Sky Kaplan reforçaram de forma natural o diálogo com a música produzida na década de 1980. Do uso de batidas ecoadas ao toque dançante dos sintetizadores, todos os fragmentos da canção se agrupam de forma a revelar um material típico da música produzida há mais de três décadas, preferência que se repete de forma “transformada” dentro da nova canção da dupla: Peccavi.

Ao mesmo tempo em que dialoga com o passado, efeito da instrumentação empoeirada e sintetizadores que se espalham do primeiro ao último ato da canção, o vocal límpido das duas irmãs indica a inevitável aproximação com o presente. Uma fuga não apenas de grande parte das referências da dupla, mas do próprio som caseiro que marca Headbangers In Ecstacy, álbum de estreia do Puro Instinct lançado em 2011.

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Puro Instinct – Peccavi

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Bat For Lashes: “Joe’s Dream”

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Do momento em que disse “sim”, ao apresentar a delicada I Do, Natasha Khan apresentou ao público o conceito que move o quarto álbum de estúdio do Bat For Lashes. Em The Bride (2016), sucessor do ótimo The Haunted Man (2012), a cantora e compositora britânica explora a temática do casamento sob um novo ponto de vista, detalhando a história de uma noiva que perder o amado em um acidente de carro a caminho da celebração.

Depois de uma sequência de canções densas como Sunday Love e In God’s House, Khan está de volta com mais uma canção inédita. Em Joe’s Dream, assim como nas demais composições entregues pela artista, a beleza do material fica por conta da delicada manipulação dos sintetizadores e instrumentos sóbrios, sempre ao fundo da canção, destacando de forma explícita a voz forte da cantora, marcada pela tristeza do primeiro ao último verso.

The Bride (2016) será lançado no dia 01/07 pelo selo Parlophone.

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Bat For Lashes – Joe’s Dream

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Resenha: “X-Communicate”, Kristen Kontrol

Artista: Kristin Kontrol
Gênero: Synthpop, Pop, Dream Pop
Acesse: http://www.kristinkontrol.com/

 

Kristin Welchez passou os últimos oito anos se aprofundando nas melodias sujas do Dum Dum Girls. Sob o pseudônimo de Dee Dee, a cantora e compositora californiana entregou ao público três grandes registros de inéditas – I Will Be (2010), Only in Dreams (2011) e Too True (2014) –, uma bem-sucedida sequência de EPs – como He Gets Me High (2011) e End of Daze (2012) –, além de uma coleção de faixas melancólicas, íntimas de uma série de referências musicais vindas da década de 1980.

Em X-Communicate (2016, Sub Pop), primeiro álbum em carreira solo, Welchez não apenas assume uma nova identidade, se apresentando como Kristin Kontrol, como passa a explorar um conjunto de ideias e temas instrumentais renovadas. Em um diálogo explícito com o trabalho de gigantes como Cocteau Twins, Kate Bush, Madonna e Siouxsie and the Banshees, a cantora delicadamente expande os próprios limites, produzindo um som que abraça o passado, porém, mantém firme a relação com o presente.

Da abertura do disco, com Show Me, passando por faixas como White Street, (Don’t) Wannabe e Smoke Rings, Kontrol finaliza um trabalho de essência pop, pegajoso em cada melodia sintetizada, batida ou uso assertivo da voz. Trata-se de uma verdadeira coleção de hits, como se diferentes composições lançadas há mais de três décadas fossem resgatados, polidos, e delicadamente encaixados dentro do presente disco. Uma verdadeira homenagem da cantora aos clássicos do Synthpop/New Wave.

Movida pelos sentimentos e histórias de relacionamentos fracassados, Kontrol cria uma obra marcada pela dor. Basta mergulhar e composições como What Is Love, Goinh Thru the Motions e (Don’t) Wannabe para perceber a completa exposição da cantora, honesta e dolorosamente apaixonada em cada fragmento de voz que preenche o registro. Observado de forma atenta, X-Communicate nasce como uma extensão do material produzido em faixas como Bedroom Eyes e Lord Knows, com o Dum Dum Girls. Continue reading

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Puro Instinct: “Tell Me” (VÍDEO)

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Com o lançamento de Lake Como e M.Y.L., em 2015, as irmãs Piper e Sky Kaplan pareciam indicar o caminho para um novo álbum de estúdio. Com atras de quase um ano, Tell Me foi a composição escolhida para anunciar a chegada de Autodrama (2016). Trata-se do primeiro álbum de inéditas da dupla norte-americana desde o lançamento do ótimo Headbangers In Ecstacy, trabalho de 2011 que contou com a presença do veterano Ariel Pink.

Longe do som psicodélico testado há cinco anos, em Tell Me as irmãs Kaplan investem em uma sonoridade cada vez mais nostálgica, íntima da música pop dos anos 1980. Vozes abafadas, sintetizadores que dançam lentamente e toda uma coleção de referências produzidas há mais de três décadas. Um fuga declarada do som experimental de 2011, como se a dupla buscasse indicar o fortalecimento da própria identidade musical.

Autodrama (2016) será lançado no dia 24/06 pelo selo Manifesto.

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Puro Instinct – Tell Me

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Resenha: “Strangers”, Marissa Nadler

Artista: Marissa Nadler
Gênero: Folk, Dream Pop, Alternative
Acesse: http://www.marissanadler.com/

 

Com mais de uma década de carreira, Marissa Nadler continua a produzir o mesmo tipo de som doloroso e intimista que foi apresentado no inaugural Ballads of Living and Dying (2004). Versos que passeiam pelo universo romântico/doloroso da musicista, sempre disposta a confessar os próprios tormentos e desilusões a cada novo registros de inéditas. Um delicado exercício de exposição sentimental que se reforça com a chegada de Strangers (2016, Sacred Bones / Bella Union), sétimo e mais recente álbum de estúdio da cantora norte-americana.

Sucessor do delicado July (2014), um dos trabalhos mais coesos de toda a discografia de Nadler, Strangers sustenta na temática da separação um assertivo componente para amarrar as diferentes fases e composições que se relacionam diretamente com elementos da vida pessoal da cantora. Um espaço onde personagens metafóricos (Katie I Know, Janie In Love) e relatos pessoais (Hungry Is The Ghost, All The Colors of The Dark) dançam de forma lenta e melancólica.

Inaugurado pela densa Divers of The Dust, o registro de 11 faixas lentas parece pensado para sufocar o ouvinte em poucos segundos. Pianos e vozes sempre profundas, tocantes, como se cada nota de Nadler fosse encarada como a última, a mais dolorosa. Arranjos e versos explorados como parte de um único componente orquestrado pela dor. Lamentos que não apenas se relacionam com o que há de mais triste na vida de qualquer indivíduo apaixonado, como perturbam de maneira propositada.

Assim como no álbum apresentado há dois anos, Nadler flutua com naturalidade entre a timidez da música folk, marca dos primeiros registros de estúdio, e o som enevoado, gótico, que tanto caracteriza a sequência de obras pós-Little Hells (2009). Uma extensão menos “raivosa” e polida do mesmo material entregue pela conterrânea Chelsea Wolfe em Abyss, de 2015. Duas frentes distintas de canções, mas que se abraçam em uma ambientação homogênea, por vezes claustrofóbica como Nothing Feels The Same e demais faixas no encerramento do disco indicam. Continue reading

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Vogue Dots: “If You Stay”

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Original da cidade canadense de Halifax, o Vogue Dots é um projeto de Dream Pop comandado pela dupla Babette Hayward e Tynan Dunfield. Com uma sequência de EPs e singles nas mãos, o duo acaba de alcançar uma de suas canções mais dolorosas e sombrias: If You Stay. Uma delicada colisão entre batidas, sintetizadores e vozes, conceito que tanto se aproxima do trabalho da neo-zelandesa Lorde como do som produzido pela dupla norte-americana Beach House.

Lançada isoladamente, como single, a canção parece seguir um caminho bem diferente em relação aos últimos trabalhos do casal. Longe da ambientação “pop” de faixas como Way With Silence e Thunder, o desespero parece tomar conta de cada instante da canção. Uma constante sensação de abandono, conceito que se reflete também na imagem que ilustra o trabalho – a fotografia escura de um telefone em cima de uma mesa.

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Vogue Dots – If You Stay

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