Tag Archives: Dream Pop

Disco: “Loom”, Fear Of Men

Fear Of Men
Indie/Post-Punk/Dream Pop
https://www.facebook.com/fearofmen
http://www.fearofmen.co.uk/

Por: Cleber Facchi

Fear Of Men

Existe uma distância imensa e ao mesmo tempo certa dose de conforto em relação ao ambiente musical de Early Fragments, de 2013, e o recém-lançado Loom (2014, Kanine), “novo”/álbum de estreia do Fear Of Men. Enquanto o registro entregue há poucos meses parecia funcionar como uma coletânea de singles e espécie de estreia exclusiva em território europeu, o presente invento vai além de uma reaproveitada obra de apresentação mundial. Trata-se de um disco que transforma o parcialmente desvendado conjunto de emanações sombrias lançadas pela banda britânica, mergulhando o ouvinte em um cenário de pequenas incertezas.

A julgar pelo resgate de faixas como Green Sea e Seer, o recente invento se revela como uma explícita continuação do trabalho anterior, todavia, bastam os minutos iniciais da dobradinha Alta e Waterfall, além da comunicação amarga entre os arranjos para perceber que os rumos agora são outros. Ainda aos comandos de Jessica Weiss e Daniel Falvey, porém, acompanhados apenas por Michael Miles, a banda original de Brighton deixa de lado os temas típicos de pós-adolescentes para mergulhar com segurança na fase adulta.

Em uma comunicação atenta com tudo aquilo que a cena britânica proporcionou ao longo dos anos 1980 – principalmente The Smiths -, cada minuto do trabalho abraça a melancolia como uma forma de sustento. São versos enclausurados pela depressão, abandono e isolamento, ferramentas típicas de uma banda iniciante, mas que se transformam enquanto a banda acrescenta conceitos psicanalíticos (Sigmund Freud) e literários (Sylvia Plath, Anais Nin) em um esforço autêntico. Uma típica obra marcada pela colagem de influências, mas que em nenhum momento tropeça na falta de identidade.

Preso em um ambiente musical particular, porém livre em se tratando dos versos assumidos por Weiss, Loom – do inglês, agigantar, elevar – é um disco que força o existencialismo de sua autora como ferramenta própria de exorcização. Tratando a si mesma como personagem em um ambiente que parece artificial – experiência evidente em Vitrine e Descent -, a cantora estabelece um curioso laço com o ouvinte. Trata-se de uma obra de adaptação, de sobrevivência não apenas dentro do “mundo dos adultos”, mas de qualquer ambiente instável que possa corromper ou balançar a segurança emocional do ouvinte. Continue reading

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Disco: “The Space Project”, Vários Artistas

Vários Artistas
Experimental/Ambient/Psychedelic
http://www.lefserecords.com/

Por: Cleber Facchi

Em 1977, o governo dos Estados Unidos enviou ao espaço as sondas Voyager I e II com o objetivo de aprofundar o conhecimento sobre Júpiter, Saturno e o restante dos planetas que compõem o eixo final do sistema solar. Em quase quarenta anos de missão, as duas sondas coletaram informações técnicas, milhares de imagens e um efeito curioso: o “som” dos planetas. Resultado de variações eletromagnéticas de luas, planetas, asteróides e outros corpos celestes, os curiosos ruídos são agora trabalhados como música dentro do mágico Space Project (2014, Lefse), uma coletânea pensada para o Record Store Day e que apresenta um time de artistas brincando com os sons da fronteira final.

Longe de parecer uma ideia original – basta recuperar o eixo inicial de My Girls, do Animal Collective para reforçar a experiência -, o projeto tende ao ineditismo por conta do bem escalado grupo de artistas que definem cada canção da obra. Seja pela presença (quase óbvia) do “astronauta”/veterano Jason Pierce, do Spiritualized, ao conjunto de “novatos” como Youth Lagoon, Beach House e The Antlers, cada minuto do registro de 14 faixas se entrega ao esforço lisérgico das vozes, arranjos e temas com verdadeiro acerto. Viajantes espaciais que não precisam sair de terra firme para transportar a mente do público para longe.

Alimentado pela comunicação atenta dos sons, Space Project vai além de uma mera coletânea ou coleção de ideias avulsas. Partindo de uma mesma matéria-prima – os angustiantes ruídos eletromagnéticos -, cada um dos artistas, mesmo partindo de ideias particulares, encerram a jornada com proximidade, em um mesmo ambiente estético. São vocalizações sujas, sintetizadores ordenados de forma climática e todas uma massa ruidosa de elementos que fazem da inaugural Giove, do Porcelain Raft, e Sphere of lo, de Larry Gus, fragmentos de um mesmo universo. As possibilidades, tal qual o espaço, são infinitas.

Com um pé na psicodelia e outro na Ambient Music, cada instante do trabalho se fragmenta em diferentes essenciais musicais. É possível encontrar desde faixas orquestradas com firmeza pelo Blues – caso de Blues Danube, canção assinada pela dupla Blues Control -, até composições que interpretam a música Folk em uma linguagem mística – vide o esforço do norte-americano Mutual Benefit na delicada Terraform. A diversidade, explícita na eletrônica de Long Neglected Words (Benoit & Sergio) ou no Dream Pop de Saturn Song (Beach House), nunca ultrapassa um limite específico: o de produzir uma trilha sonora para um passeio pelo espaço. Continue reading

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Mazzy Star: “I’m Less Here”

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De todos os grandes retornos musicais de 2013, a volta do duo Mazzy Star é de longe uma das melhores e mais bem sucedidas. Com o lançamento de Seasons of Your Day, quarto registro em estúdio do casal David Roback e Hope Sandoval, todas as experiências armazenadas em Among My Swan (1996) não apenas foram resgatadas, como reforçaram a boa forma do projeto – capaz de seguir em um ambiente tão familiar quanto inédito aos novos e velhos ouvintes.

Entre as grandes composições que definem a recente fase da banda está I’m Less Here, faixa que parece seguir exatamente de onde a dupla parou há 18 anos, como assume um ponto isolado dentro da presente fase do Dream Pop estadunidense. Conduzida de forma simples, ao som de violões climáticos e a voz ecoada de Sandoval, a canção lançada especialmente para o Record Store Day flutua em emanações pacatas, trazendo melancólico que carrega um evidente objeto de complemento estético.

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Mazzy Star – I’m Less Here

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Cozinhando Discografias: Spiritualized

Por: Cleber Facchi

Spiritualized

A seção Cozinhando Discografias consiste basicamente em falar de todos os álbuns de um artista, ignorando a ordem cronológica dos lançamentos. E qual o critério usado então? A resposta é simples, mas o método não: a qualidade. Dentro desse parâmetro temos uma série de fatores determinantes envolvidos, que vão da recepção crítica do disco no mercado fonográfico, além, claro, dentro da própria trajetória do grupo e seus anteriores projetos. Vale ressaltar que além da equipe do Miojo Indie, outros blogs parceiros foram convidados para suas específicas opiniões sobre cada um dos trabalhos, tornando o resultado da lista muito mais democrático e pontual.

Entre o chão e o espaço, assim pode ser caracterizado o trabalho de Jason Pierce com o Spiritualized. Criado no começo dos anos 1990 como um resultado das experiências conquistadas pelo músico em sua extinta banda, a também influente Spacemen 3, o projeto cresce a partir da soma de um catálogo próprio de referências. Melodias que atravessam a psicodélico, absorvem a imposição sinfônica do rock progressivo e encontram nas vocalizações típicas da música gospel um ponto de identidade.

Adepto dos longos espaços entre um trabalho e outro, Pierce já atravessou três décadas de registros fundamentais para músicas. São obras clássicas como Ladies And Gentlemen We Are Floating In Space (1997) e Let It Come Down (2001), ou o ainda recente Sweet Heart Sweet Light, de 2012. Sempre mutável e, ainda assim, movido por uma fórmula própria, o músico e toda a obra do Spiritualized são os novos escolhidos a integrar a seção Cozinhando Discografias. Uma discografia curta, de sete obras fundamentais, mas que foram ordenadas do pior para o melhor registro. Continue reading

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Marissa Nadler: “Drive”

Marissa Nadler

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Há mais de uma década Marissa Nadler se divide entre as ambientações etéreas do Dream Pop e as confissões “simplistas” do Folk. Um cruzamento de experiências que fez nascer obras fundamentais da música norte-americana recente, como Songs III: Bird on the Water (2007) e Little Hells (2009). Com o novo lançamento da cantora, July (2014), não poderia ser diferente. Triste, o disco se acomoda em uma constelação de versos confessionais e sempre melódicos, movimento imposto nas transições acústicas de Drive.

Escolhida como a mais recente “música de trabalho” da artista, a faixa soluciona tanto os vocais operísticos de Nadler, como a base fina dos violões. Propositalmente lenta, a música cresce ainda mais por conta do clipe recém-lançado pela musicista. Com direção assinada pela inspiração confessa de Marisa, Naomi Yang, do grupo Galaxie 500, o trabalho se desenvolve com leveza, abraçando o mesmo tratamento lírico/instrumental da canção.

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Marissa Nadler – Drive

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Disco: “Angel”, Pure X

Pure X
Indie/Alternative/Dream Pop
http://purexmusic.com/

Por: Cleber Facchi

Pure X

Se você voltar os ouvidos para o ambiente sombrio Pleasure (2011), álbum de estreia do grupo texano Pure X, encontrará uma banda completamente distinta da que passeia pelas emanações doces de Angel (2014, Fat Possum). Em um sentido de reformulação da própria sonoridade, Nate Grace e os demais parceiros de banda deixam de lado a psicodelia suja do debut para alcançar de vez o romantismo escancarado das canções. Um exercício que quebra a essência dos primeiros álbuns, mas soluciona de vez o trabalho do grupo.

Em um sentido de reforço ao que Crawling Up The Stairs (2013), o segundo registro em estúdio da banda, trouxe há poucos meses, o novo disco concentra no uso de fórmulas melancólicas uma espécie de engrenagem para a banda. Tudo bem, até aí nada que Grace já não venha cantando desde o começo de carreira, a diferença está na forma como o grupo parece dar fim ao enclausuramento lançado desde as primeiras faixas. Uma tentativa de abraçar uma parcela maior do público, sem tropeçar em experiências há muito desgastadas por outros artistas.

Lidando com as confissões em um enquadramento que esbarra no “brega”, Angel abraça as mesmas sensações que há anos ocupam a obra do canadense Sean Nicholas Savage, ou mesmo os trabalhos de Ariel Pink depois das melodias acolhedoras de Before Today (2010). São músicas que reforçam a dependência romântica do eu lírico (Every Tomorrow), declarações escancaradas de amor (Fly Away with Me Woman) ou faixas essencialmente sorumbáticas (Make You Want Me). Um verdadeiro cardápio para o ouvinte sofredor/apaixonado.

Por conta da fluidez sentimental do álbum, cada composição do disco autoriza o reverberar de melodias vocais antes raras dentro da condução do Pure X. São enquadramentos nostálgicos, como em Valley of Tears e Livin’ the Dream, faixas que parecem saídas de algum registro esquecido da década de 1980. Já outras como Fly Away with Me Woman revelam um aspecto curioso dentro do projeto: a aproximação com o soul. Uma tendência que atravessa os domínios atmosféricos do Dream Pop – base instrumental do grupo – para desaguar em um lago quase pacato de essências. Continue reading

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The Pains Of Being Pure At Heart: “Eurydice”

The pains

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Não existe nada de realmente novo no trabalho do grupo nova-iorquino The Pains Of Being Pure At Heart, mas isso está longe de parecer um erro. Seguindo uma fórmula que resgata o Noise Pop/Shoegaze desde o primeiro álbum, a banda fez do segundo disco, Belong (2011), uma intensa continuação, algo que o novo Days Of Abandon expande com as mesmas preferências “originais” do grupo. Passada a apresentação do terceiro disco com Simple And Sure, chega a vez da banda entregar o segundo single do álbum: Eurydice.

Na linha da faixa que a antecede, a nova música cresce como um verdadeiro mergulho nas experiências sutis reveladas pelo grupo há cinco anos, em músicas como Young Adult Friction e A Teenager In Love. São vozes em dueto, guitarras econômicas e a volta dos sintetizadores, colisão doce de elementos que resgata o aspecto mais gracioso da banda. Days Of Abandon tem estreia anunciada para o dia 13 de maio pelo selo Yebo.

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The Pains Of Being Pure At Heart – Eurydice

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A Sunny Day in Glasgow: “Crushin’”

A Sunny Day In Glasgow

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Um misto de maturidade e doce composição juvenil toma conta da obra lançada pelo coletivo A Sunny Day in Glasgow. Com três bem resolvidos trabalhos em estúdio – Scribble Mural Comic Journal (2007), Ashes Grammar (2009) e Autumn, Again (2010) -, o grupo norte-americano reserva para o dia 24 de junho a estreia do aguardado Sea When Absent (2014), o quarto registro em estúdio da banda e o primeiro trabalho apresentado ao público depois de quatro anos em hiato. Depois da ótima In Love With Useless, apresentada em janeiro, é a vez de Crushin’ mostrar os “novos” rumos da banda.

Ainda apoiada em ambientações típicas do Dream Pop, marca desde o primeiro álbum da banda, o canção usa dos quase cinco minutos de duração como um convite para um cenário flutuante, quase místico. São vocais femininos sobrepostos, sintetizadores tratados de forma climática e batidas lentas que aos poucos tecem a capa enevoada da criação. Confessional, assim como a música passada, a canção entrega o que será entregue na íntegra com o novo álbum, apresentado pelo selo Lefse.

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A Sunny Day in Glasgow – Crushin’

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10 discos (recentes) para ouvir fazendo amor

10 discos para ouvir fazendo amor

A história da música está repleta de obras marcadas por gemidos, suspiros e composições pontuadas do começo ao fim pelo erotismo. Trabalhos que vão do soul de Marvin Gaye ao trip-hop do trio britânico Portishead em uma atmosfera de pura provocação e sensualidade evidente. Mas quais são os trabalhos recentes que conseguem mergulhar na mesma sonoridade? Obras que amenizam letras provocantes e arranjos lascivos em um mesmo cenário musical? Pensando nisso, a lista abaixo resgata 10 discos (recentes) para ouvir fazendo amor. São trabalhos lançados de 2010 até hoje e que cruzam as experiências do R&B, eletrônica, pop e rock em um catálogo de sons que funcionam de maneira ainda mais intrigante embaixo dos lençóis. Respire fundo, morda os lábios e prepare-se para fortes sensações. Continue reading

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Disco: “Z”, SZA

SZA
R&B/Alternative/Female Vocalists
https://www.facebook.com/justsza

Por: Cleber Facchi

SZA

Solana Rowe é um típico exemplar da recente safra de cantores do R&B estadunidense. Apaixonada pelas emanações densas que esculpiram o gênero na década de 1990, a artista dança pelo passado sem necessariamente abandonar aspectos específicos da produção recente – referência que escapa das fórmulas musicais e se aproxima de um conceito cultural abrangente, dissolvido em traços líricos, visuais e temáticos. Em Z (2013, Top Dawg Entertainment), estreia oficial da cantora, todas as experiências tratadas ao longo de décadas são aglutinadas em um só ponto, um meio termo entre as imposições empoeiradas da estética hipster e a tentativa em sustentar um ambiente próprio.

Letárgico, o disco segue o caminho enevoado dos últimos EPs da artista, See.SZA.Run (2012) e S (2013), trabalhos que são pontualmente continuados em se tratando das climatizações do disco. Cada batida, voz ou pequeno azulejo instrumental da obra parece encaixado de forma precisa, como se Rowe buscasse estabelecer conforto ao ouvinte. Dos versos românticos ao manuseio das bases eletrônicas, cada segundo do registro alcança uma capa conceitual específica, como se uma linha fosse proposta e nada fosse tratado além desse “limite”.

A segurança/limite dado ao trabalho potencializa a voz e a presença de SZA, que diferente dos outros registros deixa de ser uma “matéria-prima”  nas mãos dos produtores, para nascer como uma “cantora de verdade”, autêntica. Da melancolia explícita em UR, música de abertura, aos arranjos derradeiros de Omega, essencial canção de encerramento, cada música evoca um aspecto de grandeza, o insuficiente para transformar Rowe uma “nova” Beyoncé, mas o suficiente para que o ouvinte desenvolva um forte interesse pelo trabalho.

Imensa colcha de retalhos costurados por uma mesma experiência lírica/musical, Z encontra na interferência de cada colaborador um autêntico mecanismo de atrito criativo pra a obra. Por mais que as vozes de Chance The Rapper (Childs Play), Isaiah Rashad (Warm Winds) e Kendrick Lamar (Babylon) reverberem de forma explícita, são as bases lançadas pelas composições que escondem o verdadeiro tesouro do álbum. De Chaz Bundick (Toro Y Moi) em HiiiJack, ao velho colaborador Felix Snow em Julia, cada convidado funciona de maneira a testar as vozes e experiências de SZA – autêntica e concisa dentro de cada criação. Continue reading

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