Tag Archives: Electronic

Percussions: “Digital Arpeggios”

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Mais conhecido pelo trabalho à frente do Four Tet, de tempos em tempos, Kieran Hebden presenteia o público com alguma canção inédita sob o nome de Percussions. Ainda que exista uma semelhança com os demais trabalhos e composições assinadas pelo artista britânico, são as colagens ambientais, uso restrito de vozes e sintetizadores que orientam o trabalho do produtor dentro do projeto paralelo, há poucos meses oficialmente apresentado com a coletânea 2011 Until 2014.

Em Digital Arpeggios, uma natural continuação desse mesmo universo de texturas minimalistas. Dividida em dois atos distintos, a canção de quase 10 minutos revela nos instantes iniciais o completo interesse de Hebden pela obra de veteranos como Brian Eno, Kraftwerk e outros nomes de peso da Ambient Music. No restante da faixa, batidas e sintetizadores que se encaixam como um típico exemplar do som produzido pelo artista no Four Tet.

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Percussions – Digital Arpeggios

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Petite Noir: “MDR”

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Enquanto The King Of Anxiety EP (2015) acabou passando despercebido por muita gente, talvez efeito do caráter “experimental” de algumas faixas, La Vie Est Belle / Life Is Beautiful (2015) concentra todos os elementos para se transformar em uma das grandes estreias do ano. Prova disso está no acervo de canções melódicas, lentamente extraídas do álbum e apresentadas ao público. Faixas como a urgente Best, transformada em clipe há poucas semanas, além da recém-lançada MDR.

Tão dançante e provocativa quanto os últimos trabalhos de Petite Noir, a inédita composição talvez seja a faixa que mais aproxima o músico belga dos nova-iorquinos do TV On The Radio. A julgar pela forma como vozes e batidas se relacionam, é fácil perceber em MDR uma espécie de continuação de faixas como Crying e todo o material apresentado no clássico Dear Science (2008). A diferença está no caráter confessional do novato, capaz de transformar a recente faixa uma delicada e acessível canção de amor.

La Vie Est Belle / Life Is Beautiful (2015) será lançado no dia 11/09 pelo selo Domino.

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Petite Noir – MDR

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Small Black: “No One Wants It To Happen To You”

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Nunca antes os membros do Small Black produziram um som tão dançante e acessível quanto em No One Wants It To Happen To You. Nada contida em relação ao último single da banda, Boys Life, a canção dominada pelas batidas e sintetizadores crescentes reforça a transformação assumida pela banda em Best Blues (2015), terceiro álbum de inéditas do grupo e obra que parece dar sequência ao material apresentado no “pop” Limits Of Desire, de 2013.

Com quase quatro minutos de duração, a faixa incorpora quase três décadas de referências e elementos típicos de diferentes artistas. De veteranos como Depeche Mode e New Order ao trabalho de artistas que se destacaram na última década, como LCD Soundsystem e Hot Chip, diferentes retalhos instrumentais são costurados pelo som empoeirado do grupo nova-iorquino.

Best Blues (2015) será lançado no dia 16/10 pelo selo Jagjaguwar.

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Small Black – No One Wants It To Happen To You

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CHVRCHES: “Leave A Trace” (Four Tet Remix)

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Você não precisa ir além da capa de Every Open Eye (2015) – imagem acima – para perceber quais são as inspirações do segundo álbum da banda britânica CHVRCHES. Nitidamente inspirada no clássico Power, Corruption & Lies (1983), do New Order, a imagem funciona como pista para a busca por som nostálgico, carregado de sintetizadores e melodias típicas dos anos 1980, conceito que serve de base para a inédita Leave A Trace, primeiro single do novo registro em estúdio do trio de Glasgow.

De natureza melancólica, a faixa sustenta na voz doce de Lauren Mayberry uma típica peça de separação, encontrando no uso de melodias alongadas e batidas pontuais uma explícita relação com o R&B, marca que separa o novo (e ainda inédito) disco do antecessor The Bones of What You Believe (2013). Além da nova faixa, o grupo – completo com os produtores Iain Cook e Martin Doherty – ainda reserva uma sequência de 10 faixas inéditas, todas, como dito em entrevista, movidas pelo mesmo teor entristecido da presente composição.

Depois do clipe apresentado há poucos dias, Leave A Trace acaba de se transformar completamente nas mãos e batidas de Four Tet .

Every Open Eye (2015) será lançado no dia 25/09 pelo selo GlassNote.

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CHVRCHES – Leave A Trace (Four Tet Remix)

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Disco: “M3LL155X”, FKA Twigs

FKA Twigs
R&B/Electronic/Trip-Hop
http://fkatwi.gs/

Pouco mais de dois anos, esse foi o tempo necessário para que FKA Twigs se transformasse na nova queridinha da música pop. Destaque em capas revista, publicações especializadas e até novo “ícone da moda”, a cantora, compositora e produtora britânica parece longe de alcançar uma possível zona de conforto, reformulando a própria imagem a cada trabalho em estúdio. Prova disso está no lançamento de M3LL155X (2015, Young Turks), mais recente registro de inéditas e álbum em que somos apresentados ao novo “personagem” criado pela artista: Melissa.

Alter ego feminista da cantora, a personagem parece ser a forma encontrada por Twigs para discutir diferentes aspectos (e tormentos) do universo feminino. Um catálogo curto, cinco composições que, mesmo orquestradas por arranjos e batidas íntimas do R&B/Pop, mantém firme o discurso e a sobriedade da artista britânica, tão provocativa e comercial quanto no último registro de inéditas, LP1 (2014). Canções marcadas por abusos (I’m Your Doll), sexualidade (In Time) e abandono (Glass & Patron).

Talvez efeito da “máscara” utilizada pela cantora, M3LL155X curiosamente se articula como o trabalho mais intimista, confessional e acessível da curta trajetória de FKA Twigs. A cada nova faixa, uma sequência de sussurros amargurados, versos costurados pelo romantismo e a profunda melancolia da compositora. “Olhe nos meus olhos, nos meus olhos / Completa, estou aqui / Estou aqui, estou aqui / Olhe nos meus olhos / E diga que você também está aqui”, grita a desesperada personagem em I’m Your Doll, música que sintetiza todo o sofrimento explorado no decorrer da obra.

Não são apenas os versos que refletem a completa transformação de Twigs. Com assinatura do produtor norte-americano BOOTS – mesmo responsável pelo último disco da cantora Beyoncé -, M3LL155X é o trabalho em que o som incorporado de forma experimental pela artista britânica é delicadamente derrubado. Do encaixe límpido das vozes, passando pelo uso descomplicados das batidas e bases, diversos são os momentos da obra em que Twigs parece entregue ao grande público. Continue reading

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Boots: “AQUΛRIA” (ft. Deradoorian)

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Mais conhecido pela produção do último álbum de Beyoncé, apresentado em 2013, além do recém-lançado M3LL155X (2015), novo EP da britânica FKA Twigs, Boots acabou decepcionando muita gente quando, em 2014, entregou a mixtape WinterSpringSummerFall (2014). Demasiado experimental, o trabalho parecia uma colcha de retalhos e composições avulsas compiladas pelo produtor, conceito que também acabou prejudicando o rendimento do último EP do artista, o “esquecível” Motorcycle Jesus (2015), lançado há poucos meses.

Talvez correndo atrás do prejuízo, repetindo a boa forma ao lado de Beyoncé e FKA Twigs, o produtor norte-americano acaba de apresentar a inédita AQUΛRIA. Faixa-título do primeiro álbum de Boots em carreira solo, a canção dividida com Angel Deradoorian (ex-Dirty Projectors) reforça a completa versatilidade do artista, capaz de colidir elementos do Hip-Hop/R&B sem necessariamente perder o caráter experimental dos últimos inventos autorais.

AQUΛRIA (2015) será lançado no dia 13/11 pelo selo Columbia.

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Boots – AQUΛRIA (Ft. Deradoorian)

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Stefanini: “Eu Sei” (Prod. Pedrowl)

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Voz entristecida, batidas densas, sintetizadores limpos e arrastados, passagem para a chegada de um catálogo de versos marcados pela confissão. Basta uma única audição para que Eu Sei, mais recente single do cantor e compositor goiano Stefanini, grude sem dificuldade nos ouvidos. Na trilha melancólica do último trabalho do jovem músico, Quiçá, a nova faixa, composição produzida pelo paulistano Pedrowl, cresce, perturba e ainda joga com a ânsia do próprio artista: “São intensos meus desejos de você / A cada som da sua voz“.

A semelhança com o trabalho do capixaba Silva é inevitável, entretanto, enquanto o autor de Vista Pro Mar (2014) parte em busca de um material ensolarado, quase sorridente, Stefanini explora o oposto. Corrompido pela saudade, o cantor flutua em meio ao ondular de bases graves que Pedrowl espalha ao fundo da canção. Um labirinto de ruídos, batidas e temas que evocam com naturalidade o mesmo arsenal de referências lançadas por nomes como Cashmere Cat e Clams Casino.

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Stefanini – Eu Sei (Prod. Pedrowl)

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New Order: “Restless” (VÍDEO)

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Difícil não pensar em Restless como uma homenagem do New Order à própria carreira da banda. Do momento em que tem início o primeiro single de Music Complete (2015), décimo registro de inéditas do grupo de Manchester, cada acorde ou batida eletrônica serve de ponte para algum ponto específico dentro da discografia da banda. Do solo de guitarra, ainda apoiado na obra da extinta Joy Division, aos sintetizadores íntimos do clássico Power, Corruption & Lies (1983), toda a trajetória da banda parece resumida em pouco mais de quatro minutos de duração.

Autoplágio? De forma alguma. A julgar pelo completo estado de leveza que orienta a voz de Bernard Sumner, ou mesmo a sutil base atmosférica que cresce ao fundo da composição, poucas vezes o New Order pareceu tão criativo dentro do próprio cercado autoral. Dinâmica, a canção ainda abre passagem para a sequência de novas vozes que devem acompanhar o grupo no novo álbum. Representantes da cena atual – como Elly Jackson (La Roux) e Brandon Flowers -, artistas inspirados de forma confessa pela extensa discografia do grupo.

Music Complete (2015) será lançado no dia 25/09 pelo selo Mute.

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New Order – Restless

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Baio: “The Names”

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Quem está acompanhando o trabalho de Chris Baio para a divulgação do primeiro álbum em carreira solo, The Names (2015), já deve ter percebido o tom versátil que rege a obra. Música eletrônica (e tropical) em Brainwash yyrr Face, referências africanas em Sister Of Pearl e até uma boa dose de (Indie) Pop na adorável Endless Rhythm. Com o álbum encaminhado, é hora de ter acesso à faixa-título do trabalho, composição que mistura boa parte de todas essas referências.

Lembrando muito o trabalho apresentado por Baio nos primeiros EPs, a canção que estreita ainda mais a relação com os conterrâneos do Discovery soa tanto como uma peça típica do produtor, como um possível remix do Vampire Weekend. Vozes, batidas e sintetizadores que crescem lentamente, abrindo espaço para a inclusão de guitarras também brandas. Um último aperitivo antes do lançamento oficial do álbum, previsto para estrear no dia 18 de setembro.

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Baio – The Names

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Cozinhando Discografias: Hot Chip

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A seção Cozinhando Discografias consiste basicamente em analisar todos os álbuns de um artista, ignorando a ordem cronológica dos lançamentos. E qual o critério usado então? A resposta é simples, mas o método não: a qualidade. Dentro desse parâmetro temos uma série de fatores determinantes envolvidos, que vão da recepção crítica do disco no mercado fonográfico, além, claro, dentro da própria trajetória do grupo e seus anteriores projetos. Além da equipe do Miojo Indie, outros blogs parceiros foram convidados para suas específicas opiniões sobre cada um dos trabalhos, tornando o resultado muito mais democrático. No cardápio de hoje: Hot Chip. Continue reading

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