Tag Archives: Electronic

Hannah Diamond: “Attachment”

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Morada de um número ainda pequeno de artistas e produtores britânicos, o selo/coletivo londrino PC Music parece amarrar as pontas soltas entre o que há de mais doce e experimental tanto na música pop, como em se tratando da presente safra da eletrônica alternativa. Comandado pela cantora e produtora Hannah Diamond, o projeto acaba de ser apresentado oficialmente por conta de uma única (e assertiva) composição, Attachment, mais recente invento da artista e uma das músicas mais provocantes lançadas nos últimos meses.

Seguindo a trilha de Grimes, Jerome LOL e toda a recente safra de artistas de artistas “estranhos” que ocupam a música estrangeira, Diamond usa de toda a formação da música como um objeto de confissão e experimento. São versos essencialmente amargurados, típicos de qualquer pós-relacionamento, mas que encontram nas batidas fragmentadas e vozes sintéticas um ambiente que transita entre o acolhedor e o excêntrico. Mais de quatro minutos de pura hipnose convertida em música.

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Hannah Diamond – Attachment

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Neneh Cherry: “Everything”

Neneh Cherry

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Desde que alcançou os ouvidos do público com o single Blank Project, no último ano, Neneh Cherry fez do quarto álbum solo uma das obras mais aguardadas de 2014. Produzido ao lado de Kieran Hebden (Four Tet), o trabalho é o primeiro grande invento particular da artista sueca desde Man, de 1996. Ainda atenta ao cruzamento de ritmos – Eletrônica, Hip-Hop, Soul e Trip-Hop -, a cantora faz de Everything mais uma representação de tudo o que se esconde nas emanações do novo álbum. Com mais de sete minutos de duração, a nova faixa segue de perto toda a atmosfera dos canções irmãs.

Um pouco mais “tímida”, mas não menos atraente, a canção dança por entre colagens experimentais, vozes que transitam por diferentes esferas, até aportar em um conjunto de reverberações essencialmente hipnóticas e quentes ao final da música. Agora transformada em clipe, a canção usa das imagens em preto e branco assinadas por Jean-Baptiste Mondino como uma extensão da capa do álbum. Abaixo, o extenso vídeo, que usa das danças de Cherry como um estímulo para as imagens.

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Neneh Cherry – Everything

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Duck Sauce: “NRG”

NRG

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Depois de muita expectativa e alguns (bons) anos de espera, chega ao público o primeiro registro em estúdio da dupla norte-americana Duck Sauce: Quack (2014). Mais conhecidos pelo single/clipe Barbra Streisand, Armand Van Helden e A-Trak conseguiram transformar o registro de estreia em uma obra para além de um Hit específico, condensando em músicas como Radio Stereo, Radio Stereo e Ring Me referências que vão da década de 1970 ao presente cenário da música eletrônica.

Naturalmente atentos ao cruzamento entre som e imagem, a dupla está de volta com mais um clipe tão humorado quanto os registros passados. Não tão escrachado quanto a proposta de Big Bad Wolf, o vídeo de NRG transporta a dupla de produtores para um daqueles irritantes comerciais de produtos milagrosos que você encontra na TV. Dirigido por Dugan O’Neal, o cômico vídeo faz de tudo para vender o líquido energético NRG, produto que usa da música do duo como uma ferramenta de estímulo natural. Já comprou?

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Duck Sauce – NRG

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Doss: “Here Tonight”

Doss

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Ainda é pequeno o catálogo de composições lançadas pelo norte-americano Doss, mas ainda assim já é possível perceber uma série de características e emanações próprias dentro da (curta) obra do artista. Em um exercício de continuação ao trabalho exposto em The Way I Feel, lançada há poucas semanas, Here Tonight, mais novo single do produtor, se acomoda na mesma massa de efeitos futurísticos e ainda assim atuais que gerenciam o caminho para o autointitulado primeiro EP.

Ora tratada como uma trilha sonora para um filme de ficção científica, ora íntima das marcas que conduziram a eletrônica dos anos 1990, Here Tonight é uma música de pequenas referências. De Aphex Twin ao ápice da cena Downtempo, cada minuto da canção se divide entre instantes de pura nostalgia, o que não afasta as comparações com o trabalho de Ryan Hemsworth, um dos amigos próximos do produtor. Com lançamento pelo selo Acéphale, o EP de quatro faixas chega na próxima semana.

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Doss – Here Tonight

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Ramona Lisa: “Arcadia”

Ramona Lisa

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Como tirar maior proveito de uma viagem para a Europa? Ora, grave um disco. Aproveitando as pequenas férias de sua banda, o Chairlift, Caroline Polachek resolveu transformar suas experiências pessoais em um novo projeto. Sob o nome de Ramona Lisa, a cantora/produtora norte-americana deu um passo além em relação ao synthpop dançante que a tornou conhecida, fazendo do recém-lançado Arcadia (2014) um olhar para os elementos mais sombrios e confessionais da década de 1980.

Gravado e produzido inteiramente em um laptop, o trabalho emula arranjos sintetizados e efeitos eletrônicos em um ambiente tão acolhedor quanto claustrofóbico. Orquestrado pelos vocais robóticos da artista, o álbum expande aquilo que Backwards And Upwards ou mesmo a própria faixa-título já haviam anunciado há poucas semanas. Instantes capazes de reviver a obra de Kate Bush ou Cocteau Twins sem perder a atmosfera MIDI que escorre pelas harmonias do disco. Abaixo você encontra cada uma das canções do álbum, anunciado oficialmente para o dia 29 de abril.

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Ramona Lisa – Arcadia

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Little Dragon: “Let Go”

Little Dragon

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Há poucos dias Yukimi Nagano e os parceiros de banda do Little Dragon entregaram ao público uma pequena mostra do que está por vir com o quarto registro em estúdio do grupo, Nabuma Rubberband (2014). Em Paris, os suecos não apenas resgataram as experiências musicais proporcionadas em Ritual Union, de 2011, como foram ainda mais longe, brincando com pequenas colagens eletrônicas que devem decidir os rumos do novo e ainda inédito álbum.

Agora é a vez de conhecer Let Go, mais recente single da banda. Tão atrativo quanto a faixa passada, a nova música deixa o pop de lado para investir em um toque sombrio das experiências. Brincando com elementos do Trip Hop e até do R&B, a canção cria o cenário musical perfeito para que a voz de Nagano possa crescer com liberdade, exaltando desde vocalizações densas, até falsetes encantadores. Segura, a canção reforça as experiências que devem abastecer na íntegra o trabalho agendado para o dia 13 de maio.

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Little Dragon – Let Go

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Disco: “Quack”, Duck Sauce

Duck Sauce
Electronic/Disco House/Dance
https://soundcloud.com/ducksaucenyc

Por: Cleber Facchi

Duck Sauce

Se existisse um tipo de separação territorial entre a “eletrônica inteligente” e a “eletrônica para as massas”, Armand Van Helden e A-Trak estariam exatamente no encontro entre estes dois opostos conceituais. Atentos ao que impera como exigência dentro das esferas mais comerciais da música, porém, vindos de uma escola madura de experimentos sintéticos, o duo norte-americano fez do Duck Sauce um verdadeiro cruzamento de essências. Um efeito que o hit Barbra Streisand trouxe em um raro desprendimento pop-cult, Big Bad Wolf exagerou em de forma escrachada em som e imagens, mas Quack (2014, Fool’s Gold), aguardada estreia do duo, transmite em um dinamismo natural.

Distante de possíveis surpresas, o cobiçado debut se revela como uma verdadeira coleção de pequenos sucessos conquistados ao longo dos anos. Estão lá músicas como a funkeada aNYway, lançada em 2009, as nostálgicas Radio Stereo e It’s You, entregues em 2013, além, claro, da “homenagem” feita especialmente para Streisand. Preguiça? Pelo contrário, apenas uma cola necessária para o catálogo de pequenas novidades dissolvidas no decorrer da obra. Faixas que brincam com a inicial estética da dupla e aos poucos rumam para um cenário de evidente novidade. Ou quase isso.

Com ares de mixtape nostálgica ou programa de rádio abastecido por clássicos dos anos 1970 – tamanha a carga de interferências vocais e colagens bruscas dentro de cada faixa -, Quack mantém firme o principal componente na obra do Duck Sauce: o descompromisso. Por todos os lados do disco, músicas essencialmente comerciais e íntimas da Disco House emulam referências tão empoeiradas quanto dançantes. Um caminho direto para a dupla alcançar o grande público, se não fosse a comicidade aleatória que reforça o parcial hermetismo da dupla transmitido nos diálogos do álbum. Não chega a ser uma piada interna, mas limita, de forma quase proposital, o crescimento do registro.

Em um exercício de continuação ao que Daft Punk (Random Access Memories), Blood Orange (Cupid Deluxe), Toro Y Moi (Anything In Return) e tantos outros artistas proclamaram no último ano, Quack é um passeio pela música concebida há quase quatro décadas. Todavia, enquanto a seriedade e o esforço referencial parecem guiar o trabalho de boa parte dos artistas, como um mergulho na década de 1970, a estreia do Duck Sauce jamais se distancia do presente. Basta um passeio pela fluência acelerada de Spandex ou da pop Goody Two Shoes (com um perfume de Chromeo) para perceber a relação entre a Disco Music e a EDM – presentes em essência ao longo da obra. Continue reading

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Tourist: “Patterns” (ft. Lianne La Havas)

Tourist

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Dono de uma das grandes composições lançadas no último ano, Together, e autor de um bem sucedido remix da faixa Lies do CHVRCHES, o britânico William Phillips continua a investir em boas parcerias. Para o lançamento de Tonight EP, mais novo trabalho do produtor pelo Tourist, a presença da conterrânea Lianne La Havas acrescenta um tempero especial ao som naturalmente sedutor/melancólico entregue pelo artista.

Com os dois pés no R&B, mas sem cair nas emanações exaltadas ao longo dos anos 1990, a canção surge como um verdadeiro ponto de novidade para o gênero. Dançante em uma medida ponderada, a faixa aos poucos acrescenta sintetizadores, estabelece batidas concisas e funciona como uma espécie de hit perdido de Jessie Ware – culpa dos vocais e dos coros de vozes. Capaz de esboçar o lado mais comercial de Phillips, a faixa segue até o último segundo em uma estrutura grandiosa, abertura para o que conduz as três outras canções do álbum.

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Tourist – Patterns (ft. Lianne La Havas)

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Jamie XX: “Girl”

Jamie XX

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Jamie XX continua a promover um universo particular e ainda assim íntimo do The XX em sua carreira paralela como produtor. Em um sentido de oposição e ao mesmo tempo continuidade ao que Sleep Sound trouxe de forma bem sucedida há poucas semanas, o Lado B do mesmo single é um objeto de experimento. Soando como um remix de alguma faixa menos tímida do catálogo registrado em Coexist (2012), a nova música se espalha em um ambiente essencialmente climático, mas capaz de convidar para a dança.

Apresentada por James Blake em sua última passagem pela BBC Radio, a canção – que será lançada oficialmente no dia cinco de maio – fragmenta vozes e bases em um mesmo cenário. Enquanto a faixa anterior parecia seguir as pistas dos single de 2011, Far Nearer/Beat For, a nova canção quebra o comodismo, mas, por enquanto, nada de exageros. São quase quatro minutos de emanações melancólicas, matéria-prima que se estende para além dos inventos autorais de Smith, mergulham na obra de Gil-Scott Heron e sustentam a nova faixa até o último segundo.

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Jamie XX – Girl

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CHVRCHES: “We Sink” (The Range Remix)

Chvrches

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Se por um lado as canções lançadas pelo CHVRCHES em The Bones Of What You Believe, de 2013, reverberam boas melodias, letras fáceis e um cuidado típico da música pop, em se tratando dos remixes a sonoridade buscada é outra. Em busca de um resultado minimamente estranho, o trio já se relacionou com produtores como Tourist, KDA e Ikonika, deixando nas mãos de James Hinton, produtor aos comandos do The Range, a nova versão da música We Sink.

Segunda canção do álbum, a faixa originalmente rápida e crescente mergulha de vez na atmosfera lançada pelo norte-americano. Valorizando as batidas, camadas cíclicas e a voz Lauren Mayberry tratada como uma ferramenta, Hinton praticamente recria a música. Ainda que a abertura mantenha a tonalidade da música original, quanto mais cresce, mais a faixa parece com uma sobra (ou extensão) de Nonfication, estreia do artista. Estranha e ainda assim atrativa.

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CHVRCHES – We Sink (The Range Remix)

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