Tag Archives: Electronic

Jessie Ware: “Want Your Feeling”

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Até o lançamento de Tough Love (2014), no dia seis de outubro, Jessie Ware vai ter muito tempo para seduzir o ouvinte, preparando o terreno para a chegada do novo álbum. Todavia, ainda que o sucessor de Devotion (2012) fosse apresentado hoje, “incompleto”, a cantora britânica já teria em mãos um dos maiores acervos de músicas lançados em todo o ano. Depois de Share It All e Say You Love Me, além da própria faixa-título, é a vez de Want Your Feeling reforçar a completa beleza do ainda inédito registro.

Quarto lançamento de Ware para o novo trabalho, a canção produzida pelo veterano James Ford (Simian Mobile Disco) é uma verdadeira colisão de acertos. Escrita em parceria com Dev Hynes, a canção abre sublime, cresce lentamente e aos poucos cruza informações lançadas tanto por Ware no álbum de estreia, como pelo parceiro de composição em Cupid Deluxe (2013). Comandado pela dupla de “japonesas adolescentes” BenZel – na verdade, o duo Benny Blanco e Two Inch Punch -, produtores de grande parte da obra, o trabalho ainda reserva faixas em parceria com Miguel e outros artistas atuais, prova de algumas surpresas ainda devem aparecer nos próximos meses.

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Jessie Ware – Want Your Feeling

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Kane West: “Western Beats”

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Comic Sans, sintetizadores galhofados e uma série de efeitos que parecem vindos do Virtual DJ. De todos os projetos lançados pelo selo PC Music até agora – e são muitos -, Kane West talvez seja o mais divertido e diferente de todos os colaboradores. Contrário do que o próprio título do projeto possa identificar, nada de Hip-Hop ou qualquer relação direta com Kanye West, apenas a mesma coleção de temas pop-plásticos das registros passados em um efeito muito mais “comercial”.

Com recortes e referências que parecem ter escapado dos anos 1980, 1990 e 2000, é possível encontrar na “mixtape” Western Beats – um compilado de sete faixas curtas – parte da essência do novo produtor – talvez o mesmo responsável por Hannah Diamond, Lipgloss Twins e demais projetos do selo. Além da audição gratuita (abaixo), no site de Kane West é possível baixar toda a seleção de faixas.

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Kane West – Western Beats

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Disco: “Angels & Devils”, The Bug

The Bug
Electronic/Hip-Hop/Dubstep
http://ninjatune.net/us/artist/the-bug

Por: Cleber Facchi

Poucos trabalhos resumem de forma tão expressiva a cena britânica da última década quanto London Zoo. Terceiro álbum de estúdio de Kevin Martin à frente do The Bug – um dos inúmeros projetos paralelos do artista -, o registro lançado em julho de 2008 se espalha como uma verdadeira colcha de retalhos instrumentais. Dub, dancehall, dubstep, grime e Hip-Hop; referências ainda presentes na assinatura musical do produtor, porém encaradas sob novo detalhamento no recente Angels & Devils (2014, Ninja Tune).

Natural continuação da sonoridade lançada por Martin em Filthy EP, de 2013, o novo álbum cresce como um registo voltado em essência no Hip-Hop, costurando aleatoriamente os temas ressaltados anteriormente pelo produtor. Trata-se de uma obra feita para desbravar territórios, capaz de dialogar com diferentes cenas/tendências urbanas ao redor do globo, porém, sem escapar das imposições autorais do próprio criador.

Parte dessa pluralidade reside na busca de Martin por colaboradores alheios à cena britânica – posição ressaltada no zoológico de espécies locais do trabalho passada. São representantes de peso da música norte-americana (Death Grips, Gonjasufi), germânica (Inga Copeland), além, claro, de parceiros que marcaram presença em grande parte do álbum de 2008 – caso específico de Warrior Queen e Flowdan. Curiosa também é a inclusão de nomes como Liz Herris (Grouper) e outros instrumentistas externos ao ambiente “natural” do artista, forçando ainda mais o aspecto amlpiado da obra.

Musicalmente ponderado em relação ao campo imenso explorado em London Zoo, Angels & Devils é uma obra que mantém sob controle toda a estrutura dos arranjos e bases assinadas por Martin – ou mesmo seus colaboradores. Grande parte das composições parecem impulsionadas por uma mesma concepção rítmica, sonoridade explícita no uso das texturas ainda mais densas, sobrepostas ao uso de batidas limpas, além do expressivo espaço para os vocais. Entretanto, como a dualidade do próprio título resume, dois espaços distintos crescem no interior do trabalho. Continue reading

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Disco: “Sobre Noites e Dias”, Lucas Santtana

Lucas Santtana
Alternative/Electronic/Indie
https://www.facebook.com/lucas.santtana.official

Por: Cleber Facchi

A mudança de direção a cada novo trabalho talvez seja a única constante dentro da obra de Lucas Santtana. Da colagem de ritmos nos dois primeiros discos – Eletro Ben Dodô (2000), Parada de Lucas (2003) -, passando pelo dub em 3 Sessions in a greenhouse (2006) e bossa nova em Sem Nostalgia (2009), há sempre renovação nos álbuns lançados pelo baiano – “confortável” apenas na melancolia sóbria de O deus que devasta, mas também cura (2012).

Em Sobre Noites e Dias (2014, Dignois), mais recente trabalho em estúdio de Santtana, curioso notar que a proposta do artista passa a ser outra. Ainda que álbum seja desenvolvido a partir de um novo tema/gênero específico – neste caso, a “música eletrônica” -, é evidente como grande parte da obra pode ser encarada como um atento resumo de toda a discografia do cantor.

Os arranjos de cordas na inaugural Human Time – típicos do álbum de 2012 -, o atmosfera pop de Funk dos bromânticos – com elementos resgatados de Parada de Lucas -, e até a travessia pelo dub em Let The Night Get High, cada canção amarra passado e presente com verdadeira naturalidade. Um imenso “remix” de cada porção instrumental lançada pelo artista nos últimos 14 anos.

Sutil, Santtana consegue reverenciar a própria obra sem necessariamente fazer disso o passagem para um disco nostálgico ou pouco inovador. Basta perceber a estrutura delineada para Alguém Assopre Ela, faixa que sintetiza toda a confissão do registro passado, incorpora vozes brandas – próprias do álbum lançado em 2009 – e ainda dissolve todos os elementos dentro de uma atmosfera eletrônica minimalista, inédita dentro dos conceitos do músico. Continue reading

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Disco: “Green Language”, Rustie

Rustie
Electronic/Wonky/Grime
https://www.facebook.com/rustie666

Por: Cleber Facchi

De todos os aspectos ressaltados no trabalho de Rustie em Glass Swords (2011), o mais interessante deles se concentra na imensa carga de referências dissolvidas pela obra. Da homenagem ao jogo The Legend of Zelda: Ocarina of Time em Hover Trap, passando pelos sintetizadores em Flash Back – típicos do Van Halen -, a estreia do artista escocês é mais do que uma coleção de gêneros sobrepostos – Dubstep, Hip-Hop, R&B, Pop, Techno e até Rock Progressivo -, mas uma obra a ser desvendada dentro e principalmente fora das pistas.

Com a apresentação de faixas como Raptor e Attak nos últimos meses, todas as evidências indicavam que Green Language (2014, Warp) seria conduzido sob o mesmo refinamento do antecessor. Batidas intensas, harmonias detalhadas de sintetizadores e até o uso coeso de vocais – assumidos pelo amigo/colaborador Danny Brown. Uma sensação de que os elementos e temas entregues no registro de estreia seriam não apenas expandidos, mas acrescidos por toda uma nova carga de experiências. Doce ilusão.

Entre músicas que refletem o completo domínio em relação à própria obra, Rustie tropeça ao investir em canções arrastadas (Tempest), redundantes (Lets Spiral) e capazes apenas de refletir a imagem de um artista “cansado”. A própria utilização de duas faixas climáticas e completamente similares – Workship e A Glimpse – logo na abertura do álbum resume a ausência de ritmo que define todo o trabalho. Sim, Green Language, como indicado durante o lançamento das primeiras músicas, é um trabalho marcado por algumas boas composições, porém, desorientado.

É compreensível que a grandeza de Glass Swords venha da completa dedicação de Rustie em testar ritmos, arranjos, samples e batidas ao longo de três anos de trabalho. Um tempo de produção quase integral, oposto da recente fase do produtor, dividido entre shows, remixes e projetos desenvolvidos ao lado de outros artistas. Entretanto, nada justifica a repetição de temas que ocupa grande parte do novo álbum. Mesmo a presença dos rappers D Double E (Up Down) e Redinho (Lost) ecoa de forma superficial e desnecessária, criando ruído em bases instrumentais possivelmente detalhadas – caso de Lost. Continue reading

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Julio Bashmore: “Simple Love” (Feat J’Danna)

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A composição minimalista incorporada por Julio Bashmore em Share It All, último lançamento da cantora Jessie Ware, parece ser um resumo da sonoridade que acompanha a presente fase do produtor. Em Simple Love, mais nova criação do artista britânico, toda a sutileza do trabalho anterior volta a ser projetada, porém, dentro de uma atmosfera muito mais dançante e até mesmo nostálgica.

Enquanto Bashmore assume toda a responsabilidade pela coleção de batidas, sintetizadores e o clima comportado da canção, é função da novata J’Danna preencher os vocais que temperam a faixa. Como se fosse convertida em um sample, a artista surge entre as brechas da canção, resumindo parte da estrutura pensada para o novo álbum do produtor, a ser lançado em fevereiro de 2015.

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Julio Bashmore – Simple Love (Feat J’Danna)

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Disco: “V”, jj

jj
Electronic/Dream Pop/Balearic
http://www.jjuniverse.com/

A colagem de sons instalada na abertura de V (2014, Sincerely Yours), terceiro e mais recente álbum de estúdio do jj serve como aviso sobre a extensa produção que acompanha o trabalho da dupla. Em uma atuação que se distancia de padrões ou possíveis exigências comerciais, o casal Joakim Benon e Elin Kastlander continua a atuar em uma medida de tempo própria, postura que explica os quatro anos de “hiato” desde o último trabalho oficial - jj n° 3 (2010) – e a completa (ou quase isso) mudança de direção no interior do novo álbum.

Ainda que letárgico e acomodado na mesma nuvem de sons “mágicos” do debut jj n° 2 (2009), bastam os minutos iniciais de Dynasti ou Dean & Me, para perceber o novo plano de atuação da dupla. Enquanto vozes e arranjos anteriormente flutuavam em uma atmosfera minimalista, marcada pela execução efêmera dos ruídos e bases, hoje todos os elementos se organizam em uma estrutura nítida de referências, quase previsível. Há planejamento, começo, meio e fim, postura que resume com acerto a proposta atual do duo sueco, porém, abandona aspectos importantes realçados dos primeiros anos do casal.

Com base na sutileza dos temas abordados em faixas como My Love e Ecstasy, tanto o álbum lançado em 2009 como o disco de 2010 apostavam em uma sonoridade efêmera, prendendo o ouvinte pela surpresa e delicadeza dos atos. Do momento em que Things Will Never Be the Same Again inaugura o debut, ou My Life no trabalho seguinte, há sempre a sensação de que os arranjos, vozes e melodias vão se “esfarelar” na cabeça do ouvinte, preso a cada ato sereno que Benon projeta para a voz de Kastlander.

Seja pelo uso de guitarras cruas (All Ways, Always) ou batidas densas (Hold Me), V é uma obra que rompe com o espaço místico dos primeiros discos de forma a percorrer um território muito mais urbano, quase “físico”. É visível como elementos do Rock e Hip-Hop, antes diluídos por entre as canções, agora ocupam um enquadramento de maior destaque ao longo de toda a obra. Mesmo a percussão tribal e uso aprimorado arranjos de cordas dos primeiros álbuns ecoa sob novo formato, visivelmente preciso e esquivo da lisergia natural da dupla. Continue reading

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QT: “Hey QT”

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A estrutura sempre inexata do trabalho de SOPHIE parece feita para perturbar os sentidos do ouvinte. Desde que foi “apresentado” no single BIPP, o produtor inglês assume em cada nova criação um espaço de desconstrução para o pop tradicional. Em constante produção – há poucos dias foi apresentado o single Lemonade / Hard – Sophie aparece agora ao lado do também estranho A. G. Cook – autor da ótima Beautiful – para apresentar mais um novo projeto e, consequentemente, uma nova música: QT.

Apresentado pelo selo XL – de FKA Twigs, Adele e SBTRKT -, a canção intitulada Hey QT é um resumo acessível de tudo aquilo que os dois produtores vem desenvolvendo há tempos. Ainda que encaixada no mesmo universo do selo PC Music e outros projetos locais, a canção usa do maior recheio instrumental como uma forma de distanciamento, sendo o trabalho mais “comercial” da dupla até o momento.

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QT – Hey QT

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Merely: “Princess Hervor”

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A sonoridade mágica da cantora Merely parece longe de se limitar ao exercício doce detalhado em Forever. Último lançamento da artista, a canção etéreo-eletrônica acaba de ter os mesmos elementos replicados no interior de Princess Hervor, mais novo invento inédito da sueca. Pouco mais de três minutos em que sintetizadores atmosféricos, batidas controladas e samples à la jj ecoam delicadamente por todas as partes, seduzindo o ouvinte.

Com lançamento pelo selo Sincerely Yours - Ceo e jj -, a canção desacelera em relação aos últimos inventos da cantora, antecipando parte da sonoridade reservada para Nirvana (2014), registro de estreia reservado para o dia três de setembro. Quem se interessou pela sonoridade de Merely pode buscar por outras músicas no soundcloud do selo, ou acompanhar o trabalho da artista no próprio Facebook.

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Merely – Princess Hervor

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Ellie Herring: “Gem Landing”

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Você já teve a sensação de que conseguiria passar dias ouvindo uma mesma música? Horas e mais horas dentro de uma mesma faixa sem que isso cause algum desconforto? Se a resposta for “não”, Gem Landing talvez seja capaz de despertar esse sentimento. Trabalho recente da produtora norte-americana Ellie Herring, a música escapa com leveza de um possível gênero ou cena específica, picotando referências ao longo de toda sua extensão.

Tão próxima do Cloud Rap de Clams Casino e Ryan Hemsworth, como da Ambient Music dos anos 1990, Herring encontra o próprio caminho ao explorar com sutileza diversos aspectos da música pop. Ainda que doce, a faixa causa “desconforto” ao se esquivar de uma possível letra. Durante todo o percurso a Herring instiga, brinca e até entrega pistas de que uma voz está por vir, finalizando a música em específico ato instrumental.

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Ellie Herring – Gem Landing

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