Tag Archives: Electronic

Les Sins: “Talk About”

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É difícil acreditar que as melodias brandas, clima preguiçoso e arranjos letárgicos do Toro Y Moi sejam fruto do mesmo responsável pelo material frenético do Les Sins. Ainda que tenha desacelerado durante a construção de Why, faixa apresentada há poucas semanas, em Talk About Chaz Bundick regressa de maneira expressiva ao ambiente intenso da inaugural Bother, reforçando ainda mais o som que será explorada em Michael (2014).

Primeiro álbum de Bundick pelo Les Sins, o projeto soa como uma completa desconstrução de todo o inicial acervo do produtor. Uma interpretação curiosa da mesma composição lançada por Four Tet em Pink (2012), ou mesmo o próprio amigo Dan Snaith no último álbum do Daphni. Com lançamento pelo selo Carpark, mesmo do Toro Y Moi, Michael estreia oficialmente no dia quatro de novembro.

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Les Sins – Talk About

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Disco: “Shuffle”, André Paste

André Paste
Brazilian/Electronic/Alternative
https://soundcloud.com/andrepaste

Por: Cleber Facchi
Fotos: André Paste / Hick Duarte 

Aos domingos, casais lutando por sabonetes em uma banheira e ereções televisionadas. No rádio, a eletrônica curiosa das sete melhores da Jovem Pan, o domínio do Axé Bahia, além da lenta expansão do Funk Melody – posteriormente adaptado por Latino em sua fase “autoral”. Faustão, o Sushi Erótico e a completa inexistência (ou construção) do termo “politicamente incorreto”.

Quem deixou a década de 1990 acontecer?

Involuntariamente educado por todo esse acervo de referências sonoras e visuais – principalmente visuais -, talvez venha daí a resposta para o som bem-humorado e versátil do capixaba André Paste. Hábil na construção de músicas que aproximam Indie, Pop e até versículos bíblicos do Funk Carioca – caso da mixtape Cid Moreira On The Dancefloor -, Paste explora em Shuffle (2014), primeiro álbum de estúdio, um material distinto em relação aos primeiros trabalhos, brincando com as próprias referências, mas sem escapar de um projeto autoral.

De cara, uma surpresa. Os tradicionais mashups e remixes cômicos que apresentaram o produtor foram descartados do registro. Em um domínio próprio, Paste sustenta 11 peças originais e inéditas – três delas vinhetas. Músicas fragmentadas entre diferentes vozes, músicos e colaboradores, porém, incapazes de ocultar a essência debochada do produtor. Em um esboço de maturidade, Shuffle sintetiza o mesmo som irônico e dançante de mixtapes como Mezenga & Berdinazzi, Gangsta Brega e qualquer registro arquivado no soundcloud do capixaba.

Mesmo homogêneo, Shuffle se divide com naturalidade em dois grupos de canções. Na primeira metade, o acervo “eletrônico” do álbum. Um meio termo entre o ensaio lançado em OrKuT, ainda em 2012, e o som “tropical” de Cashmere Cat. Faixas como Island (parceria com We Are Pirates) e A Calma (com Fepaschoal) que não apenas reforçam o crescimento de Paste, como a expressiva interferência de SILVA, responsável por boa parte dos instrumentos do disco, além dos versos e temas sintéticos explorados na confessional Laura – quase uma sobre de Vista Pro Mar (2014). Continue reading

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Panda Bear: “Mr Noah”

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Noah Lennox andava bastante inquieto. Desde que começou a desenterrar canções avulsas e mixtapes aleatórias, ainda em 2013, que o cantor parecia indicar a chegada de um novo álbum à frente do Panda Bear. Depois de muita expectativa, Panda Bear Meets the Grim Reaper, o aguardado sucessor de Tomboy (2011) não apenas é confirmado pelo músico, como ainda conta com data de lançamento – 15 de janeiro pelo selo Domino -, um EP de aquecimento, além, claro de um primeiro single e clipe que vão deixar o público eufórico: Mr Noah.

Intensa, a primeira mostra oficial do novo disco e canção-título do récem-lançado EP é uma verdadeira surpresa. Ainda que Lennox, também integrante do Animal Collective, tenha revelado ao público uma série de pistas com a mixtape Mix Ticks (2014), pouco do que orienta a canção parece esbarrar nos antigos projetos do músico. Voz desgovernada, sintetizadores completamente loucos e guitarras que logo tropeçam no trabalho de Peter “Sonic Boom” Kember (Spaceman 3), também produtor do disco. Tão assertivo quanto a própria música é o clipe dirigido por AB/CD/CD. Uma sequência frenética de luzes e câmera instável que parecem moldadas para causar enjoo.

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Panda Bear – Mr Noah

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Baauer: “One Touch” (Feat. AlunaGeorge)

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As batidas ditam as regras de One Touche, intensa parceria entre o estadunidense Baauer e a dupla britânica AlunaGeorge. Escolhida pelo público a partir de uma lista de canções inéditas publicadas no Facebook do produtor, recentemente a canção foi apresentada durante o programa da DJ Annie Mac, na BBC Radio 1. Naturalmente imersa nos mesmos conceitos assinados pelo criador de Harlem Shake, a música de quase quatro minutos está longe de economizar na quentura dos arranjos e beats.

Enquanto Baauer define base da faixa, esbarrando em elementos típicos do Major Lazer e rápidos “assovios”, George Reid brinca com as possibilidades vocais de Aluna Francis, equilibrando efeitos e distorções de forma a ocupar as pequenas brechas da faixa. Esta não é o primeiro encontro do trio. Em 2013, Baauer lançou um remix para Attracting Flies, uma das principais canções de Body Music, álbum de estreia do duo inglês.

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Baauer – One Touch (Feat. AlunaGeorge)

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How To Dress Well: “Words I Don’t Remember” (The Range Remix)

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Ainda emocionado com a delicadeza e melancolia de How To Dress Well em “What Is This Heart?”? Então saiba que Tom Krell, grande responsável pelo projeto, ainda reserva boas novidades para o próprio público em 2014. Além da turnê de divulgação do trabalho, o músico norte-americano reserva para o dia 27 de outubro o lançamento da coletânea/EP “What Is This Heart?” Remixes.

Com distribuição pelo selo Weird World, o registro apresenta diferentes versões para algumas das melhores faixas do recente álbum. Depois de A. G. Cook brincar de forma assertiva com a estrutura de Repeat Pleasure, lançada há poucas semanas, chega a vez de James Hinton (The Range) garantir novo acabamento à delicada Words I Don’t Remember. Mesmo próxima do som explorado pelo produtor em Nonfication (2013), a essência do HTDW permanece estável, prova de que Krell escolheu bem os colaboradores do novo projeto.

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How To Dress Well – Words I Don’t Remember (The Range Remix)

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Caribou: “Essential Mix”

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Em processo de divulgação do ótimo Our Love (2014), novo álbum do Caribou, o produtor Dan Snaith fez da passagem pela BBC Radio 1 uma verdadeira exposição de composições inéditas. Ao longo de duas horas, tempo médio de duração do programa Essencial Mix, o canadense não apenas explorou o próprio acervo de composição, apresentando duas faixas novas do Daphni – Carry On e Tin -, como ainda tocou músicas inéditas de Les Sins (Past, Call), Boddika & Joy Orbison, Anthony Naples (Miles) e Pearson Sound (Rubber Tree).

Para ouvir o material na íntegra, basta uma visita ao site da própria estação. Esta não é a primeira vez que Snaith passou pela BBC Radio. Além do rico material de faixas autorais, no soundcloud do produtor é possível encontrar outros trabalhos e diferentes mixtapes lançadas com exclusividade para a rádio britânica. Abaixo, a faixa-título do novo álbum de Caribou.

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Caribou – Our Love

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Disco: “Taiga”, Zola Jesus

Zola Jesus
Alternative/Electronic/Art Pop
http://www.zolajesus.com/

Por: Cleber Facchi

O grande problema de qualquer artista que lida com uma sonoridade restrita, específica em demasia, se encontra na incapacidade de ruptura. No caso de Nika Danilova e o material incorporado pelo Zola Jesus, adaptações eletrônica de temas e referências góticas. Instalada em um ambiente hermético desde o primeiro álbum de estúdio, The Spoils (2009), a cantora alcança o quinto registro de estúdio de forma a reproduzir canções ainda atrativas, porém, marcadas pela comodidade.

Desde a limpidez assumida nos arranjos de Conatus, de 2011, a cantora continua a dar voltas e mais voltas dentro de um mesmo cenário lírico-instrumental. Ausência de inspiração, preguiça ou pressão da gravadora em manter um mesmo formato – a artista agora faz parte do selo Mute, braço da EMI -, a resposta ainda não parece clara, porém, ao revisitar as próprias canções em Versions (2012), Danilova apenas confirmou o quanto parece pouco interessada em ultrapassar os próprios limites.

Em Taiga (2014, Mute), a particular voz pesada e fúnebre, arranjos sombrios e aparatos eletrônicos mais uma vez servem de estímulo para os versos românticos/melancólicos da cantora. Confissões que começam na inaugural faixa-título, cortejam o pop em Go (Blank Sea), brincam com a eletrônica em Hunger, mas em nada acrescentam se observarmos a composição precisa lançada em Stridulum II (2010), até o momento, a grande obra de Danilova e matéria-prima para o presente disco.

Todo esse estágio de conforto faz de Taiga um trabalho fraco? Pelo contrário, poucos registros de Zola Jesus parecem tão envolventes quanto o atual. Mesmo incapaz de projetar canções emocionais e fortes como Night e I Can’t Stand, a fluidez dinâmica do presente álbum parece seduzir o ouvinte sem grandes dificuldades. Enérgica, Danilova passeia madura durante toda a construção do disco, transformando músicas como Dangerous Days e Dust em peças completamente hipnóticas. Continue reading

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Andy Stott: “Faith in Strangers”

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Andy Stott parece ter um mundo novo nas mãos. Ainda que Violence, faixa inédita apresentada há poucas semanas, tenha servido de aviso para essa “transformação” do produtor britânico, é com a chegada de Faith in Strangers que os horizontes se ampliam. Faixa-título do novo álbum de Stott, a canção encanta não apenas pela inclusão parcialmente límpida de vozes e versos, mas no completo reforço nas batidas que definem a criação.

Enquanto a voz de Alison Skidmore – também responsável pelos vocais de Violence e grande parte das canções de Luxury Problems (2012) -, segue de maneira precisa, batidas sobrepostas, diálogos com o Techno e um distanciamento dos elementos do Dub transportam o ouvinte para um cenário parcialmente novo. São quase sete minutos em que ecos da década de 1990 são adaptados ao presente contexto de Stott, cada vez mais afastado do som atmosférico e denso dos últimos discos e EPs. Com lançamento pelo selo Modern Lovers, Faith in Strangers estreia no dia 17 de novembro.

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Andy Stott – Faith in Strangers

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Aperitivo: Crystal Castles

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Um novo disco a caminho? Aquele artista que você tanto gosta vai lançar um projeto inédito nas próximas semanas? Quer apenas relembrar o trabalho de uma banda? Então se delicie com o nosso Aperitivo. São 15 composições – autorais, remixes, mixtapes – ou mesmo versões criativas de faixas de outros artistas que resumem o trabalho daquela banda ou produtor que você tanto gosta. Nada de ordem, preferência ou classificação aparente. Apenas um conjunto de músicas capazes de resumir a proposta do artista selecionado.

Três registros bem sucedidos, algumas das melhores (e mais insanas) composições da última década e um fim precoce. Ainda que a saída de Alice Glass do Crystal Castles não seja traduzida como um encerramento nas atividades da banda, parece estranho imaginar um novo lançamento de Ethan Kath sem a ex-parceira como responsável pelas vozes das canções. Depois de organizar os três álbuns de estúdio da (falecida) dupla canadense na seção Cozinhando Discografias, é hora de relembrar 15 composições essenciais do duo. Um acervo que vai da inaugural Alice Practice e se estende até o material lançado no disco de 2012. Continue reading

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André Paste: “Shuffle”

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Responsável por algumas das melhores Mixtapes – como Mezenga & Berdinazzi e Cid Moreira On The Dancefloor – e mashups/remixes apresentados nos últimos anos – caso de The XX Baile Funk -, o produtor André Paste (finalmente) apresente ao público o primeiro álbum da carreira: Shuffle. Desenvolvido ao longo de dois anos, o registro de 11 faixas inéditas parece seguir em uma direção contrária aos últimos trabalhos avulsos do artista, chamando a atenção pela carga enorme de convidados.

Entre vinhetas solitárias/melancólicas e faixas levemente dançantes, nomes como Silva, Waldo Squash (Gang do Eletro), Holger, João Brasil e We Are Pirates surgem para ocupar os vocais do disco. Com download gratuito neste divertido endereço, o álbum também pode ser apreciado na íntegra no player logo abaixo abaixo. Se você (ainda) desconhece o trabalho de André Paste, aproveite para ouvir outros trabalhos do produtor no soundcloud.

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André Paste – Shuffle

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