Tag Archives: Electronic

Crystal Castles: “Frail”

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Ethan Kath não poderia ter pensado em algo melhor para provocar a ex-parceira Alice Glass do que a recém-lançada Frail. Primeira composição inédita lançada pela “banda” desde a saída da cantora, em outubro do último ano, a faixa de poucos minutos carrega na similaridade dos vocais um ataque direto contra Glass. Além da composição – a dona da voz na faixa ainda não foi revelada -, Kath desejou “sorte” à antiga parceira em um comentário, posteriormente deletado do Soundcloud, onde denuncia a “ausência” de Glass em algumas das principais canções do projeto.

“I wish my former vocalist the best of luck in her future endeavors. i think it can be empowering for her to be in charge of her own project. it should be rewarding for her considering she didn’t appear on Crystal Castles’ best known songs. (she’s not on Untrust Us. Not In Love, Vanished, Crimewave, Vietnam, Magic Spells, Knights, Air War, Leni, Lovers Who Uncover, Violent Youth, Reckless, Year of Silence, Intimate, 1991, Good Time, Violent Dreams etc.). People often gave her credit for my lyrics and that was fine, I didn’t care”.

Em se tratando da estrutura montada para a recente faixa, uma espécie de regresso aos primeiros anos do Crystal Castles. Nada do flerte com o R&B testado em III, nem as melodias limpas de II, apenas a eletrônica suja, provocativa e, de certa forma, simplista do primeiro disco do projeto, lançado em 2008. Ao que tudo indica, Kath parece “sobreviver” longe da antiga parceria, resta esperar pelo primeiro disco solo de Glass.

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Crystal Castles – Frail

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Caribou: “Can’t Do Without You” (VÍDEO)

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Quando Dan Snaith apresentou Odessa, em janeiro de 2010, as melodias hipnóticas e ritmo eufórico da canção apenas anunciavam: o som assinado pelo produtor já não era o mesmo dos últimos discos. Longe da folktrônica e experimentos encaixados em The Milk of Human Kindness (2005) e Andorra (2007), primeiros trabalhos como Caribou, Snaith parecia lidar com um material menos abstrato, harmônico, ainda que provocativo em se tratando da adaptação de temas psicodélicos. Apenas um fragmento do que seria apresentado em essência com Swim, naquele momento, o trabalho mais completo do canadense.

Interessado na constante desconstrução da própria obra, algo explícito desde o lançamento de Up in Flames (2003) – quando se apresentava como Manitoba -, Snaith volta a flertar com a ruptura. Em Our Love (2014, City Slang/Merge), novo registro do produtor à frente do Caribou, o ouvinte é mais uma vez convidado a explorar o território apresentado no álbum de 2010, todavia, as experiências, arranjos e principalmente sentimentos incorporados em cada canção agora são outros. Leia o texto completo.

Assista abaixo ao clipe de Can’t Do Without You,  trabalho dirigido por Lorenzo Fonda.

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Caribou – Can’t Do Without You

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Owen Pallett: “The Sky Behind The Flag” (VÍDEO)

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O trabalho de Owen Pallett sempre foi guiado pelas confissões. Desde que apareceu para o mundo com o onírico Final Fantasy – e seus dois discos, Has a Good Home (2005) e He Poos Clouds(2006) -, a obra do músico canadense borbulha com naturalidade as particularidades de seu criador, preferência por vezes oculta nas alegorias fantasiosas e arranjos mágicos que flutuam cuidadosamente por entre as faixas. Contudo, desde a chegada de Heartland (2010), primeiro álbum “solo” do músico, Pallett parece inclinado a perverter essa ordem, transformando o sofrimento confessional de cada composição na passagem para um universo realista, mas não menos encantador para o ouvinte.

Com o recém-lançado In Conflict (2014, Domino), segundo álbum dentro da “nova fase”, Pallett não apenas se revela por inteiro ao público, como usa das experiências confessionais de forma a converter realidade em ficção. Personagem central da própria trama, o músico se acomoda em canções pessimistas (I Am Not Afraid), mergulha no turbilhão da própria mente (Infernal Fantasy) e ainda derrama emanações amorosas (The Passions) sem parecer sufocado pela redundância. Owen é apenas um personagem corriqueiro, um indivíduo cercado por conflitos simples e adversidades diárias – talvez, por isso, seja tão incrível embarcar em sua aventura particular. Leia o texto completo.

Abaixo, o curioso clipe de The Sky Behind The Flag, uma animação dirigida por Eno Swinnen.

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Owen Pallett – The Sky Behind The Flag

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Disco: “Adventure”, Madeon

Madeon
Electronic/Synthpop/Pop
http://www.madeon.fr/

Não existe benefício algum em manter o preconceito musical, entretanto, deixar um pé atrás a cada novo “garoto prodígio” da música pop funciona como a garantia de uma audição minimamente atenta, talvez esquiva da inevitável euforia para onde apontam os holofotes. Com Madeon não foi diferente. Passado o lançamento de The City EP, em idos de 2012, seguido da performance forjada do produtor francês no Lollpalooza Brasil de 2013 – um DJ-Set com direito a movimentos encenados e incontáveis poses para as fotos -, pouco do trabalho assinado por Hugo Pierre Leclercq despertou minha atenção. Pelo menos até o lançamento de You’re On.

Com os vocais aos comandos do também novato Kyan Kuatois, a faixa apresentada em dezembro do último ano segue em ritmo frenético, quente. Enquanto uma enxurrada de sintetizadores invade os ouvidos do espectador, a voz plastificada de Kuatois se transforma no principal componente do trabalho de Madeon, tão próximo da eletrônica dançante de conterrâneos como Justice () e Daft Punk (Human After All), como de gigantes do Indie Pop norte-americano – principalmente o Passion Pit de Michael Angelakos e o (hoje adormecido) Discovery da dupla Rostam Batmanglij (Vampire Weekend ) e Wesley Miles (Ra Ra Riot).

Surpresa encontrar em Adventure (2015, Columbia), primeiro registro oficial de Madeon, o mesmo cuidado e precisa manipulação das melodias pop aplicadas no single de apresentação do registro. Intenso, sem tempo para descanso, Leclercq garante ao ouvinte pouco mais de 40 minutos de batidas, vozes e sintetizadores movidos pelo dinamismo dos arranjos. Uma obra capaz de dialogar com diferentes pistas e campos da eletrônica – Eletro House, Indie ou Pop -, transformando os exageros característicos da EDM em um mecanismo funcional, capaz de invadir a mente do ouvinte sem dificuldade.

Cravejado de hits, Adventure resgata a nostálgica sensação de sintonizar uma rádio FM nas noites de sábado, cercando o espectador com um jogo de canções explicitamente comerciais. Salve a introdução climática de Isometric – quase uma sobra dos primeiros discos de Neon Indian e Com Truise -, além dos versos e ritmo lento de Innocence e Pixel Empire, no fechamento do disco, o toque acelerado do trabalho prevalece de forma constante. Um acervo de experiências que tropeça na obra de deadmau5, Zedd e Calvin Harris, porém, logo se levanta, acerta o passo – e as batidas – de forma a revelar um caminho próprio de Madeon. Continue reading

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Hudson Mohawke: “Ryrderz”

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Se a expectativa para o segundo álbum solo de Hudson Mohawke estava baixa, mesmo com a entrega da ótima Very Fisrt Breath, há poucas semanas, talvez a inédita Ryderz inverta esse resultado. Mais nova faixa do ainda inédito Lantern (2015) a ser apresentada, a composição talvez seja a mais distinta já apresentada pelo artista nos últimos anos, não apenas pela forma como o sample de Watch Out For The Riders, do cantor D.J. Rogers, direciona o movimento da canção, mas pelo ritmo envolvente, lento e “sedutor” que se apodera da faixa.

Longe das batidas intensas e ritmo eufórico previamente estabelecido com o parceiro Lunice, no TNGHT, Mohawke abraça o mesmo clima romântico explorado no dia dos namorados pela série anual Valentines Slowjams. Uma sobrecarga de confissão, nostalgia e  referência aos clássicos do R&B/Soul dos anos 1970 que se estende até o ato final da canção. Apresentada como parte da programação da Rinse.FM, infelizmente a música é cortada por vinhetas a todo o instante, o que não prejudica de fato o rendimento da pequena obra romântica.

Lantern (2015) conta com lançamento pelo selo Warp e estreia no dia 16/06.

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Hudson Mohawke – Ryderz

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Nosaj Thing: “Don’t Mind Me” (ft. Whoarei)

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As texturas, vozes e batidas minimalistas continuam a servir de base para o trabalho do produtor californiano Nosaj Thing. Passados dois anos desde a estreia de Home (2013), segundo e mais recente álbum de estúdio assinado por Jason Chung, é chegada a hora de conhecer um novo universo de experimentos eletrônicos produzidos pelo artista. Como esperado, depois de trabalhar com Kendrick Lamar e Chance the Rapper, o Hip-Hop e pequenos flertes com o R&B parecem apontar a direção do ainda inédito Fated (2015), terceiro álbum de estúdio de Chung.

Mais recente mostra do novo registro, previsto para cinco de maio, Don’t Mind Me reflete na melancolia dos sintetizadores e vozes maquiadas um dos projetos mais intimistas do produtor. Acompanhado do também produtor Whoarei, Nosaj Thing passeia por diferentes campos da música atual, tropeçando vez ou outra nos mesmos sintetizadores tristes utilizados por Owen Pallett no álbum In Conflict, de 2014.

Com lançamento previsto para 05/05, Fated (2015) conta com distribuição pelos selos Innovative Leisure e Timetable.

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Nosaj Thing – Don’t Mind Me (ft. Whoarei)

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Disco: “Another Eternity”, Purity Ring

Purity Ring
Pop/Electronic/Indie Pop
http://purityringthing.com/

 

Uma medida exata, dividida de forma (quase) matemática entre vocalizações e versos grudentos, típicos do pop, sobreposto pelas batidas, experimentos e arranjos focados no Hip-Hop “alternativo”. Esta parece ser a fórmula do trabalho assinado pela dupla Corin Roddick e Megan James, do Purity Ring. Uma divisão precisa, 50% para cada lado, a base para o acervo de canções complexas, porém, ainda melódicas apresentadas em Shrines (2012), primeiro álbum de estúdio do casal. Mas e como seria o resultado final de qualquer projeto do duo canadense se alguém modificasse essa “ordem”?

A resposta está no interior de Another Eternity (2015, 4AD), segundo e mais recente álbum de inéditas da dupla. Em uma alteração na medida temática proposta pelo casal, o pop passa a ser componente de maior grandeza dentro da obra, ainda íntima do registro entregue em 2012, porém, reformulado, próximo de uma parcela ainda maior do público. Um caminho livre, limpo, como se a curva iniciada em faixas como Obedear e Fineshrine, ainda no trabalho anterior, fosse agora ampliada.

Assim como no último discos, as funções do casal parecem bem divididas em cada faixa. Enquanto versos e vozes espalhados pela obra permanecem sob o comando de James, cada vez mais próxima de nomes de peso da música pop, como Taylor Swift e Rihanna, toda a base musical do disco continua nas mãos do parceiro. A diferença em relação ao trabalho anterior está na forma como Roddick segue de perto a companheira, montando uma estrutura essencialmente melódica, base para a formação de hits como Push Pull, Repetition e Begin Again.

Do momento em que Heartsigh tem início, todos os holofotes apontam a vocalista, o rosto por trás dos catálogo de versos tristes e sentimentos exageradamente detalhados no interior das canções. Como um instrumento, a voz de James se transforma na matéria-prima de todo o disco, preenchendo as lacunas e bases frias, inicialmente testadas em Shrines. Como complemento, a utilização constante de sintetizadores, colagens eletrônicas e ruídos – pequenos acréscimos harmônicos, presentes até o encerramento do trabalho. Continue reading

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SBTRKT: “Relics” (Feat. Tev’n)

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Como se não bastasse a seleção convincente de músicas apresentadas na última semana, Aaron Jerome ainda reserva algumas novidades sob a(s) máscara(s) de SBTRKT. Em um claro regresso ao primeiro álbum de estúdio, lançado em 2011, o produtor britânico se une ao novato Tev’n para uma de suas melhores colaborações desde a chegada de Wonder Where We Land (2014), segundo e mais recente registro de inéditas do artista.

Ainda que o vocal do convidado não iguale o mesmo acerto e emoção expresso por Sampha, ou mesmo outros colaboradores apresentados ao público no primeiro álbum de Jerome, graças ao aproveitamento seguro das vozes junto aos beats assinados pelo produtor, a faixa não custa a se revelar como uma composição de igual valor. Assim como Renegade, Roulette, No Less e demais canções recentes, o pequeno acervo de SBTRKT conta com lançamento exclusivo pelo soundcloud do produtor.


SBTRKT – Relics (Feat. Tev’n)

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Hot Chip: “Need You Now” (VÍDEO)

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De onde vem tamanha inspiração? Mais de uma década de carreira, cinco registros de estúdio e o Hot Chip continua a surpreender a cada novo lançamento. Com Why Make Sense? (2015), sexto álbum de inéditas do coletivo se aproximando, Alexis Taylor, Joe Goddard e demais membros do grupo lentamente se despedem da década de 1980 que abasteceu grande parte dos primeiros disco, encontrando no início dos anos 1990 a base para todo um novo catálogo de referências e composições ainda mais pegajosas, totalmente renovadas.

Na trilha “House” de Huarache Lights, brincando de forma inteligente com o uso de samples e arranjos prontos para as pistas, Need You Now cresce como um reforço para o trabalho da banda. Menos climática e bem mais direta em relação ao single anterior, a faixa de quase cinco minutos, agora transformada em clipe, soa tão próxima do trabalho de veteranos como Black Box e Corona quanto do último álbum do grupo, o excelente In Our Heads (2012).

Why Make Sense? conta com lançamento previsto para 18/5 pelo selo Domino.

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Hot Chip – Need You Now

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Disco: “Eclipse”, Twin Shadow

Twin Shadow
Alternative/Electronic/Electropop
http://www.twinshadow.net/

 

Poucos artistas parecem entender tão bem o som explorado na década de 1980 quanto George Lewis Jr. Aos comandos do Twin Shadow, o produtor de origem dominicana e residente em Nova York, fez do projeto de versos confessionais um passeio voluntário por diferentes campos da música lançada na época; marca explícita no pós-punk-eletrônico-e-sujo incorporado em Forget, registro de estreia apresentado em 2010, e, posteriormente, na imposição pegajosa/melancólica exaltada no synthpop de Confess, registro entregue ao público dois anos mais tarde.

Com a chegada de Eclipse (2015), terceiro e mais recente álbum solo do produtor, uma nova visita aos conceitos e temas incorporados há mais de três décadas. Diferente dos últimos registros, Lewis Jr. encontra no presente trabalho um mecanismo de transição. Longe das maquinações pop-chiclete ou mesmo ambientações densas típicas da referencial década, cada peça do trabalho encaminha o som de Twin Shadow para um novo cenário, proposta que sobrevive (e ainda tropeça) nas mesmas referências “brega” que apontaram a direção da música pós-1985.

Preferência indicado logo nos primeiros instantes do álbum, assim que os pianos e voz forte ocupam toda a extensão de Flatliners, em Eclipse, a busca de Lewis Jr. não se concentra apenas no uso de sintetizadores e temas de natureza pulsantes da New Wave, mas na melancolia (quase caricata) que sustenta o R&B há mais de duas décadas. Não por acaso o cantor parece flertar a todo o instante com a obra de veteranos como Lionel Richie, Michael Jackson e Prince, este último, referência explicita em faixas de forte apelo sentimental, caso dos singles To The Top e Turn Me Up.

A mesma aproximação com a música negra parece reforçar o inevitável florescimento de pequenos duetos e parcerias ao longo da obra, algo raro nos últimos trabalhos de Twin Shadow. Enquanto Old Love / New Love amplia a parceria de Lewis Jr. com o produtor D’Angelo Lacy – colaborador na faixa Lost You, lançada em 2014 pelo duo canadense Zeds Dead -, a delicada Alone cresce como um dos momentos mais comoventes do registro. Inicialmente inaugurada pela voz amarga do cantor, a canção que mais parece resgatada do álbum Confess logo cria espaço para a convidada Lily Elise, revelando um dos pontos de maior acerto do disco. Continue reading

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