Artista: Vários Artistas
Gênero: Pop, Eletrônica, Alternativo
Acesse: http://pcmusic.info/

 

Ouvir as canções do coletivo PC Music é como ser instantaneamente transportado para o passado. Vozes plastificadas, por vezes robóticas, melodias que vão do pop dos anos 1990 ao som produzido por gigantes da Eurodisco. Batidas pulsantes, sempre crescentes, prontas para as pistas. Uma coleção de pequenos exageros, clichês, cores e rimas fáceis que invadem a cabeça do ouvinte, grudando com naturalidade logo em uma primeira audição.

Em PC Music, Vol. 2 (2016), segundo registro da coletânea organizada pelo selo britânico, um novo resgate do material produzido por diferentes membros do coletivo nos últimos meses. Sucessor do bem-recebido catálogo entregue em 2015, obra que contou com músicas assinadas por Hannah Diamond, QT e GFOTY, o novo álbum cresce em meio a canções que brindam o ouvinte com uma interpretação esquizofrênica do pop tradicional.

Personagem central do trabalho, a cantora e produtora Hannah Diamond é quem “dita as regras” seguidas pelos demais parceiros de selo. Responsável por duas das melhores canções do disco, Fade Away e Hi, a artista britânica acaba assumindo uma posição de destaque em outras composições ao longo da obra. É o caso de Broken Flowers, música de Danny L Harle que utiliza da voz doce da Diamond, dançando em meio a batidas e sintetizadores enevoados, quase oníricos.

Outro claro destaque do trabalho está na presença de um time de artistas externos ao selo. Ainda que a canadense Carly Rae Jepsen seja o principal nome do álbum, assumindo os versos da já conhecida Supernatural, música produzida por Danny L Harle, sobrevive em Monopoly, parceria entre EasyFUN e a sueca Noonie Bao, uma das principais canções do disco. Sintetizadores frenéticos, vozes carregadas de efeitos e batidas que traduzem com naturalidade a essência da PC Music.

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Em junho deste ano, Kristin Welchez deu vida ao primeiro trabalho em carreira solo: X-Communicate (2016). Verdadeira coleção de hits, o registro produzido sob o título Kristin Kontrol traz de volta o que há de melhor no pop dos anos 1980 e 1990. Canções como a pegajosa faixa-título da obra, além de outras como Show Me e (Don’t) Wannabe que mostram a versatilidade da cantora, também integrante do grupo Dum Dum Girls.

Estranhamente deixada de fora do corte final do trabalho, Baby Are You In? acaba de ser “resgatada” por Kontrol, finalizada e entregue ao público. Trata-se de uma composição crescente, hipnótica, um dance pop que dialoga com a mesma sonoridade produzida por Madonna em meados da década de 1990 – vide as canções apresentadas em obras como Erotica (1992) e Ray of Light (1998).

 

Kristin Kontrol – Baby Are You In?

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Mesmo sem lançar um novo álbum em 2016, os integrantes do Major Lazer mantiveram uma produção bastante ativa nos últimos meses. Entre músicas como Cold Water – parceria com Justin Bieber e a cantora MØ – e remixes assinados para outros artistas, o projeto comandado por Diplo ainda apresentou ao público algumas composições curiosas, caso de Believer, parceria com Showtek, e a recém-lançada My Number.

Produzida em parceria com o quarteto caribenho Bad Royale, a canção montada em cima do clássico 54-46 Was My Number, do Toots and the Maytals, se espalha lentamente, jogando com as palavras e rimas atualizadas da canção. No segundo ato da canção, uma passagem direta para as pistas anfetaminadas da EDM, efeito da explícita quebra no ritmo da música e forte interferência das batidas, típicas dos trabalhos produzidos por Diplo.

Major Lazer & Bad Royale – My Number

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A voz limpa que se projeta em um precioso dueto entre Romy Madley Croft e Oliver Sim. Uma base minimalista que se abre para a precisa interferência do clássico I Can’t Go For That (No Can Do), canção assinada pela dupla Hall & Oates. Batidas e guitarras crescentes, íntimas das pistas. Em um intervalo de poucos minutos, a inédita On Hold não apenas anuncia o terceiro álbum de estúdio do The XX, I See You (2017), como aproxima o trio britânico de um novo universo de possibilidades.

Quase uma sobra de estúdio do material apresentado por Jamie XX no excelente In Colour (2015), primeiro álbum em carreira solo, a nova faixa encanta pela flexibilidade dos elementos – vozes, batidas e samples. Experimentos contidos que indicam a direção assumida pelo trio passado o lançamento do delicado Coexist (2012), último registro de inéditas da banda. No clipe da canção, trabalho dirigido por Alasdair McLellan, as histórias de diferentes personagens em uma cidade no interior dos Estados Unidos.

I See You (2017) será lançado no dia 13/01 via Young Turks.

The XX – On Hold

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Artista: Dawn Richard
Gênero: Eletrônica, R&B, Alternativa
Acesse: http://www.dawnrichard.net/

 

Com o lançamento de Blackheart, em janeiro do último ano, Dawn Richard conseguiu atrair a atenção do público para a trilogia iniciada dois anos antes dentro do mediano Goldenheart (2013). Batidas e vozes frenéticas, versos melancólicos, o delicado flerte com o R&B, ambientações típicas da música eletrônica no começo dos anos 1990. Um imenso catálogo de ideias e referências que se completa com a chegada do novo registro de inéditas da cantora, o intenso Redemption (2016, Our Dawn Entertainment).

Terceiro e último capítulo da trilogia que explora diferentes aspectos do amor, separação e redenção, o álbum que conta com produção dividida entre Machinedrum e Noisecastle III talvez seja o trabalho mais acessível, pop, de toda a curta trajetória da cantora em carreira solo. Uma constante sensação de que todo o material produzido por Richard dentro do extinto coletivo Danity Kane foi resgatado e detalhado de forma coesa dentro do presente álbum.

A julgar pelo cuidado explícito na manipulação dos vocais e bases de Renegades e Love Under Lights, não seria um erro comparar o trabalho de Richard aos últimos lançamentos de Rihanna e Beyoncé. São temas eletrônicos que se dobram de forma a atender aos vocais da cantora, versátil durante a construção de cada fragmento de voz. Um tempero radiofônico que não apenas aproxima a artista das pistas, como de outros representantes de peso da música pop.

Interessante perceber que mesmo em busca de um som cada vez menos experimental, Richard e os parceiros de produção criam pequenas brechas, estabelecendo breves instantes de puro ineditismo. Produzida em parceria com o instrumentista Trombone Shorty, LA, quinta faixa do disco, talvez seja o melhor exemplo disso. Uma composição crescente, ponto de partida para a complexa interferência de sintetizadores tortos, além, claro, do inusitado uso de guitarras, instrumento sempre contido dentro da discografia de Richard.

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Três anos após o último EP, Rival Dealer (2013), William Bevan está de volta com um novo registro de inéditas: Young Death / Nightmarket. Posto à venda “sem querer” durante a última Black Friday, o álbum de apenas duas faixas segue uma trilha parcialmente distinta em relação aos últimos lançamentos do produtor inglês – principalmente os intensos Kindred (2012) e Truant / Rough Sleeper (2012). Duas canções, pouco mais de 13 minutos em que vozes picotadas, ruídos e samples urbanos dançam com leveza na cabeça do ouvinte.

Com as batidas em segundo plano, subvertendo a lógica dos principais trabalhos de Bevan, Young Death / Nightmarket encanta pela delicada tapeçaria instrumental montada pelo produtor. São batidas minimalistas, sussurradas, ruídos eletrônicos e samples que funcionam como pequenos instrumentos dentro de cada composição. Instantes em que o artista britânico amplia o território criativo apresentado dentro do clássico Untrue, obra que completa dez anos de lançamento em 2017.

 

Burial – Young Death / Nightmarket

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Originalmente lançado em setembro de 2001, Fahrenheit Fair Enough é o nome do primeiro álbum de estúdio da dupla norte-americana Telefon Tel Aviv. Na época formada por Joshua Eustis e Charles Cooper, este último, morto em 2009 por conta de uma overdose de remédios e álcool, o projeto original da cidade de New Orleans fez do registro lançado no começo do século um novo respiro para a IDM, seguindo a trilha eletrônica deixada no final da década de 1990 por Aphex Twin e outros gigantes do gênero.

Prestes a ser relançado, a nova edição do álbum chega até o público repleta de novidades. Além das nove faixas originais que abastecem o disco, Eustis resgatou outras oito composições inéditas gravadas durante o processo de construção da obra, mas que acabaram ficando de fora no corte final do trabalho. É o caso da minimalista Reak What, a primeira composição originalmente gravada pela dupla e um ato de pura leveza, íntimo dos futuros registros assinados pelos produtores.

Fahrenheit Fair Enough (2016) será lançado dia 02/12 via Ghostly.

 

Telefon Tel Aviv – Reak What

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Artista: Dedekind Cut
Gênero: Experimental, Ambient, Eletrônica
Acesse: https://leebannon.bandcamp.com/

 

Um ruído minimalista que se esconde em meio a melodias enevoadas de sintetizadores. O canto etéreo que se espalha ao fundo de cada composição, como um instrumento. Samples, colagens e batidas que se entrelaçam de forma sutil, sempre misteriosa. A música de Fred Warmsley parece montada a partir de detalhes, segredos e pequenas descobertas. Um universo próprio, estímulo para as canções hipnóticas de $uccessor (ded004) (2016, Non / Hospital), primeiro trabalho do produtor como Dedekind Cut.

Mais conhecido pelos experimentos abstratos lançados sob o título de Lee Bannon, além, claro, de músicas produzidas para diferentes artistas, como Pro Era e Joey Bada$$, Warmsley faz de cada composição dentro do presente álbum um ato de plena descoberta. Trata-se de uma versão minimalista, mas não menos inventiva do mesmo som produzido pelo norte-americano há poucos mais de um ano, durante o lançamento do também climático Pattern of Excel (2015).

Em um sentido próprio, embora íntimo de veteranos (William Basinski, Keith Fullerton Whitman) e “novatos” (Jefre Cantu-Ledesma, Huerco S.) da música ambiente, Warmsley encara cada faixa ao longo do disco como um objeto isolado, precioso. São pinceladas atmosféricas que se espalham sem pressa, como um convite, conduzindo o ouvinte a provar de cada fragmento dissolvido pelo artista. Um cuidado que se estende da abertura do álbum, em Descend From Now até a derradeira 46:50.

Captações sujas e vozes quebradas em Fear In Reverse, sintetizadores emulando arranjos de cordas na delicada Maxine, uma densa massa sonora que abastece ☯. Assim como nas canções que levam a assinatura de Lee Bannon, cada faixa de $uccessor (ded004) transporta o ouvinte para um cenário completamente novo, inusitado. Instantes em que o ouvinte flutua entre nuvens de melodias eletrônicas, despencando lentamente em direção a um oceano de ruídos e detalhes minuciosos.

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Artista: Justice
Gênero: Eletrônica, Dance, Alternativo
Acesse: https://www.facebook.com/etjusticepourtous/

 

Os primeiros minutos de Safe and Sound são fundamentais para entender o conceito desenvolvido pelo Justice em Woman (2016, Ed Banger / Because). A linha de baixo funkeada, hipnótica, sintetizadores emulando arranjos de cordas, batidas que replicam a mesma atmosfera nostálgica da Disco Music no começo dos anos 1970. Em um intervalo de apenas cinco minutos, tempo de duração da faixa, o ouvinte é sutilmente conduzido em direção ao passado.

Primeiro álbum de inéditas dos produtores Gaspard Augé e Xavier de Rosnay em cinco anos, o registro de apenas dez faixas segue exatamente de onde a dupla francesa parou em 2011, durante o lançamento do mediano Audio, Video, Disco. Composições montadas em uma arquitetura crescente, épica, ponto de partida para a constante interferência de vozes em coro, batidas fortes e versos que parecem feitos para grudar na cabeça do ouvinte logo em uma primeira audição.

Salve o curioso diálogo com o prog-rock, conceito explícito em diversos momentos ao longo do trabalho, pouco do material produzido para o disco se distancia do som incorporado anteriormente pela dupla. Trata-se de uma preguiçosa repetição de ideias, arranjos e bases, como se a fonte criativa inaugurada no maximalista Cross (2007), álbum de estreia do Justice, tivesse secado. Da abertura ao fechamento do álbum, uma material essencialmente previsível, morno.

Muito além da explícita reciclagem de conceitos autorais, Woman surge como um registro musicalmente datado. Perceba como grande parte das canções ao longo do disco soam como uma tentativa do Justice em emular o mesmo som produzido pelos conterrâneos do Daft Punk em Random Access Memories (2013). Um bom exemplo disso está na construção de Fire, faixa que mesmo divertida, utiliza de diversos elementos originalmente testados em hits como Get Lucky.

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Se existe uma coisa que Danny L Harle produz como ninguém é um bom remix. Basta um rápido passeio pela conta do produtor inglês no Soundcloud para encontrar pérolas como Come To Your Senses, do Panda Bear, e Shine, dos conterrâneos do Years and Years. Parceiro de longa data da cantora Charli XCX, Harle foi convidado a produzir um remix para a recém-lançada After The Afterparty, mais recente single da artista. O resultado? Uma música completamente insana.

Enquanto a voz de XCX corre com o pitch acelerado, Harle detalha um novo conjunto de batidas eletrônicas, melodias sujas e até guitarras – vide os instantes finais da faixa. São pouco mais de três minutos em que todos os elementos da composição flutuam de maneira completamente instável no decorrer da canção. Até Lil Yatchy, rapper convidado para a versão original da música, surge reformulado dentro do curioso remix.

 

Charli XCX – After The Afterparty (Danny L Harle Remix)

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