Tag Archives: Electronic

CHVRCHES: “We Sink” (The Range Remix)

Chvrches

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Se por um lado as canções lançadas pelo CHVRCHES em The Bones Of What You Believe, de 2013, reverberam boas melodias, letras fáceis e um cuidado típico da música pop, em se tratando dos remixes a sonoridade buscada é outra. Em busca de um resultado minimamente estranho, o trio já se relacionou com produtores como Tourist, KDA e Ikonika, deixando nas mãos de James Hinton, produtor aos comandos do The Range, a nova versão da música We Sink.

Segunda canção do álbum, a faixa originalmente rápida e crescente mergulha de vez na atmosfera lançada pelo norte-americano. Valorizando as batidas, camadas cíclicas e a voz Lauren Mayberry tratada como uma ferramenta, Hinton praticamente recria a música. Ainda que a abertura mantenha a tonalidade da música original, quanto mais cresce, mais a faixa parece com uma sobra (ou extensão) de Nonfication, estreia do artista. Estranha e ainda assim atrativa.

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CHVRCHES – We Sink (The Range Remix)

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Fujiya & Miyagi: “Flaws”

Flaws

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Pelo visto não foram apenas os nova-iorquinos do Liars em Mess (2014) que resolveram apostar todas as ficas em um som dançante e ao mesmo tempo experimental. Para o quinto registro em estúdio, Artificial Sweeteners, o grupo britânico Fujiya & Miyagi parece investir (pesado) na mesma fórmula. Experiência já comprovada nos antigos discos do grupo e reforçada no lançamento do single Tetrahydrofolic Acid, o novo projeto encontra na recém-lançada Flaws uma continuação.

Apresentada há poucas semanas apenas em áudio, a música tem a própria sonoridade expandida por conta do vídeo dirigido por Alexander Peverett. Apostando no uso das cores e em um visual semi-psicodélico – se é que isso é possível -, o diretor converte o fluxo da canção em um abastecimento para as imagens, marcadas pela sujeira das cores e a colagem (tosca) dos integrantes da banda. Para quem se interessou, Artificial Sweeteners estreia no dia seis de maio.

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Fujiya & Miyagi – Flaws

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10 discos (recentes) para ouvir fazendo amor

10 discos para ouvir fazendo amor

A história da música está repleta de obras marcadas por gemidos, suspiros e composições pontuadas do começo ao fim pelo erotismo. Trabalhos que vão do soul de Marvin Gaye ao trip-hop do trio britânico Portishead em uma atmosfera de pura provocação e sensualidade evidente. Mas quais são os trabalhos recentes que conseguem mergulhar na mesma sonoridade? Obras que amenizam letras provocantes e arranjos lascivos em um mesmo cenário musical? Pensando nisso, a lista abaixo resgata 10 discos (recentes) para ouvir fazendo amor. São trabalhos lançados de 2010 até hoje e que cruzam as experiências do R&B, eletrônica, pop e rock em um catálogo de sons que funcionam de maneira ainda mais intrigante embaixo dos lençóis. Respire fundo, morda os lábios e prepare-se para fortes sensações. Continue reading

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Disclosure x Friend Within: “The Mechanism”

Disclosure

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O que acontece quando quatro artistas fanáticos pela eletrônica lançada no começo da década de 1990 se encontram? Ora, ouça The Mechanism e tire suas próprias conclusões. Parceria entre ninguém menos do que o duo britânico Disclosure e os conterrâneos do Friend Within, a canção é ao mesmo tempo uma grande homenagem aos sons lançados há duas décadas e uma atenta interpretação da nova safra da eletrônica inglesa.

Feita para as pistas, a canção dá um passo além em relação ao que Settle, estreia dos irmãos Lawrance, trouxe no último ano. São pouco mais de cinco minutos de duração em que as ambientações típicas da House Music abraçam o Future Garage, dividindo com exatidão as interferências lançadas pela música. Batidas orgânicas, sintetizadores funkeados e vocais que crescem como uma sobra de When a Fire Starts to Burn, ingredientes que ao serem colados em um só bloco de experiências praticamente obrigam o ouvinte a dançar.

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Disclosure x Friend Within – The Mechanism

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Charli XCX: “Boom Clap”

Charli XCX

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Todo ano algum filme teen se apodera de um catálogo invejável de artistas alternativos para apresentar uma trilha sonora bem abastecida. Um efeito propagado com a saga Crepúsculo, reforçado em As Vantagens de Ser Invisível (2012) e agora transportado para a trilha de The Fault In Our Stars, ou em português, A Culpa é das Estrelas. Com previsão de estreia para o dia cinco de junho, o trabalho dirigido por Josh Boone conta com ninguém menos do que Lykke Li, M83 e The Radio Dept. entre os convidados.

Outra presença garantida na trilha sonora do filme é a cantora britânica Charli XCX. Seguindo a linha dos inventos anunciados em True Romance, de 2013, Boom Clap entrega ao público o mesmo pop despretensioso lançado pela artista. Curtinha, são menos de três minutos, a canção entrega ao ouvinte versos fáceis, mas funcionais, estratégia natural dentro de cada single assinado por XCX. Para a felicidade do público, a trilha sonora do filme chega oficialmente no dia 19 de maio, menos de um mês antes da estreia da película.

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Charli XCX – Boom Clap

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Jacques Greene: “No Excuse”

Jacques Greene

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Jacques Greene perdeu, mais uma vez, a oportunidade de investir em um registro fechado para se concentrar novamente um novo EP. Tudo bem, em Phantom Vibrate, registro de três faixas previsto para o dia 28 de abril, o artista canadense não apenas se reinventa, como aprimora uma série de conceitos lançados em Concealer EP, de 2012. São pouco mais de 15 minutos de duração que buscam reformular os clichês da música House/R&B em um mesmo espaço criativo, posição assumida logo de cara pelo semi-hit No Excuse.

Comercial dentro de alguns limites naturais, a canção funde vozes e batidas em uma atmosfera abrangente, capaz de romper com os possíveis limites dos últimos trabalhos de Greene. Lançada agora em clipe – dirigido por TRUSST e Melissa Matos -, o projeto abusa das cores e do corpo humano, tratado como uma matéria-prima para as imagens ressaltadas ao longo do vídeo. O novo EP de Jacques Greene tem lançamento pelo selo LuckyMe Record.

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Jacques Greene – No Excuse

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Disco: “The Future’s Void”, EMA

EMA
Experimental/Indie/Female Vocalists
http://www.thefuturesvoid.net/

Por: Cleber Facchi

EMA

A música assinada por Erika M. Anderson está longe de ser absorvida de forma imediata. Na contramão de grande parte das cantoras que definem a presente cena norte-americana, o projeto defendido por EMA encontra no enclausuramento um efeito de grandeza, preferência que pode causar desconforto em uma primeira audição, mas continua a martelar a cabeça do ouvinte mesmo meses após uma rápida prova desse som. Em um sentido de continuidade natural ao debut Past Life Martyed Saints (2011), The Future’s Void (2014, Matador) entende o pop de forma particular, transportando a obra da cantora para um ambiente ainda mais denso e perturbador.

Em um esforço explícito de transformação, EMA deixa as histórias construídas em frente a tela de um computador – marca do álbum passado – para desvendar um novo universo. Como o próprio título logo entrega, The Future’s Void é uma obra que olha para frente, manipulando experiências futurísticas dentro do exagero particular da cantora. Não por acaso parte das composições carregam esse efeito conceitual nos versos e até arranjos, algo que Neuromancer – faixa inspirada no livro clássico de William Gibson, de 1984 – revela de maneira curiosa e ao mesmo tempo referencial.

Em se tratando dos versos, EMA lentamente apaga o cenário urbano e descritivo percorrido no trabalho de 2011, tudo para transformar o novo disco em um conjunto de experiências quase universais. O que antes era encarado por meio do lirismo particular da cantora, agora desemboca em uma série de conceitos literários e propositalmente sentimentais, o que faz do disco um imenso bloco de melancolia – experiência sempre próxima do ouvinte. Ainda que o esforço da cantora seja o de favorecer um ambiente de desordem logo nos primeiros acordes, a precisão de músicas como 3Jane e When She Comes logo rompe com esse efeito.

Musicalmente, o bloco de dez criações inéditas que recheiam o disco é uma evolução em se tratando do trabalho passado. Ao apostar em uma sonoridade menos caseira e próximas de melodias convencionais, EMA brinca com a mente do espectador de forma atrativa, sobriedade que faz crescer tanto as guitarras e vozes da faixa de abertura, Satellites, como as interferências eletrônicas das batidas aos moldes de Neuromancer. Mais do que uma continuação dos engenhos lançados há três anos, com o novo disco a cantora encara um típico exemplar de recomeço. Continue reading

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Jamie XX: “Sleep Sound”

Jamie XX

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Jamie XX vem dando sinais de que um novo projeto solo está por vir há bastante tempo. Depois da série de apresentações na BBC Radio, do trabalho em parceria com Four Tet e uma variedade de outras criações assinadas por ele, o artista britânico abre as portas de mais um novo single. Trata-se de Girl/Sleep Sound, projeto anunciado para o dia cinco de maio pelo selo Young Turks e o primeiro registro oficial do artista desde o lançamento do (ótimo) single Far Nearer/Beat For, em 2011.

Com uma sensação de proximidade em relação aos anteriores inventos do britânico, o primeiro ato do novo single, Sleep Sound, resgata com exatidão tudo aquilo que XX apresentou há três anos. Das batidas que caminham pelo mesmo território sombrio de Burial, aos experimentos testados ao lado do falecido Gil-Scott Heron, cada segundo da faixa – que ultrapassa os seis minutos de duração – carrega um pouco da essência de Jamie. Originalmente apresentada em uma mixtape entregue por Pional no último ano, a canção pode ser apreciada logo abaixo.

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Jamie XX – Sleep Sound

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Disco: “Tremors”, SOHN

SOHN
R&B/Electronic/Alternative
http://sohnmusic.com/

Por: Cleber Facchi

SOHN

Christopher Taylor é um artista em evidente crescimento. Desde que surgiu em meados de 2012, com os singles The Wheel e Red Lines, o produtor britânico responsável pelo SOHN parece ter expandido os próprios limites estéticos, ao mesmo tempo em que mantém firme a sonoridade reforçada desde o primeiro ruído sintetizado. Em um sentido de (re)aproveitamento da nova safra do R&B, o músico usa da tonalidade eletrônica como um palco criativo para as próprias confissões, proposta que invade a arquitetura de Tremors (2014, 4AD) e gerencia com evidente acerto a estreia do produtor.

Seguindo a trilha conceitual dos arranjos que orquestram a obra de How To Dress Well e Autre Ne Veut, Taylor ameniza bases nostálgicas e arranjos atuais em um trabalho marcado pelas confissões. Melancólico em um tratamento proposital, o disco caminha com firmeza em direção ao grande público, efeito que mesmo comercial não tinge com redundância os ainda inéditos inventos proclamados pelo produtor. Tremors é a materialização do que há de mais obscuro nos sentimentos recentes do britânico e, por consequência, a ferramenta mais correta para hipnotizar o ouvinte.

De onde havia parado no último ano, com os singles Bloodflows e Lessons, Tylor parece apenas projetar uma sequência. Batidas eletrônicas absorvidas de forma instável, samples fragmentados de vozes e uma base nunca orgânica de sintetizadores servem de abrigo para os versos lacrimosos do artista. Cópia? Não, apenas um evidente aprimoramento do que havia testado há poucos meses. Tremors, diferente dos projetos anteriores lançados pelo músico, é uma obra marcada pela completude. Faixas que abrem passagem para a canção seguinte e uma série de pequenos detalhes que mergulham o ouvinte em um só ambiente.

Ao partir o próprio coração e entregar ao ouvinte fragmentos de tais experiências, SOHN fixa o nascimento de uma obra que cresce como um convite inevitável. Por mais doloroso que seja o exercício abordado logo na inaugural Tempest, mergulhar (cada vez mais) nos versos amargos do compositor se revela uma necessidade. Enquanto as batidas tecem uma fina camada protetora, as bases funcionam como pequenos alicerces, transformando músicas como Fool e Lights em exemplares autênticos de pura confissão/confusão sentimental. Sim, Tremors é um disco de desamor, mas está longe de tropeçar em possíveis clichês. Continue reading

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Disco: “Enter The Slasher House”, Avey Tare’s Slasher Flicks

Avey Tare’s Slasher Flicks
Experimental/Psychedelic/Electronic
http://entertheslasherhouse.com/

Por: Cleber Facchi

Avey Tare

Os excessos assumidos por Dave Portner (Avey Tare) dentro de Centipede Hz (2012), último registro em estúdio do Animal Collective, estão longe de chegar ao fim. Mesmo distante do coletivo animal, o músico norte-americano (hoje) centrado em Los Angeles, Califórnia opta pela continua desconstrução dos arranjos, vozes e ritmos. Sonoridade instável incorporado com firmeza e certa dose de liberdade no interior de Enter The Slasher House (2014, Domino), obra que afasta o músico da “carreira solo” para apresentá-lo em uma nova banda.

Incorporando um sentido de proposital afastamento aos sons conquistados em Down There (2011), estreia solo do músico, o novo álbum deixa o terreno pantanoso para abraçar a esquizofrenia das formas eletrônicas. São 11 composições que equilibram a psicodelia, eletrônica rock e diferentes outros aspectos da musicalidade exposta por Tare para brincar com a mente do espectador. Se há três anos tudo o que o músico buscava pela formação de um som homogêneo, por vezes excessivamente sombrio, ao alcançar o novo projeto tudo parece fugir ao controle.

Mesmo que a “culpa” do som esquizofrênico dado ao registro seja apenas do músico, a presença de Angel Deradoorian (ex-Dirty Projectors) e Jeremy Hyman (ex-Ponytail) potencializa em excesso esse resultado. São acordes tortos de guitarra, sintetizadores que vão da década de 1970 ao presente, e toda uma série de atributos por vezes íntimos dos arranjos exaltados no álbum Strawberry Jam (2007), do próprio Animal Collective. Uma imensa geleia musical que busca tanto por condensar um som particular, como desestabilizar qualquer senso de ordem. Tare gosta mesmo é de provocar.

Longe de carregar o título e créditos da obra de forma solitária, Avey parece durante todo o tempo cutucado pelos novos parceiros de banda. Se por um lado as harmonias de Deradoorian alicerçam a base vocal e melodias lançadas pelo músico, em se tratando de Hyman, o uso quebrado da bateria força o álbum a mudar de direção. Se em instantes a calmaria desaba no mesmo som gelatinoso de Down There, logo em sequência o duo acerta um empurrão, fazendo do disco um catálogo de sons que crescem, diminuem, se arrastam e ecoam de forma dinâmica sem qualquer toque de previsibilidade. Continue reading

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