Roland Tings não poderia ter pensado em um título melhor para o novo EP de inéditas que vem produzindo há alguns meses: Each Moment A Diamond (2017). Original de Melbourne, na Austrália, porém, residente na cidade de Berlim, o produtor australiano anuncia para o começo de março a chegada de uma nova sequência de músicas inéditas pelo selo Cascine – casa de artistas como Yumi Zouma, Lemonade e Chad Valley.

Parte do novo EP, a dobradinha formada por Higher Ground e Garden Piano resume com naturalidade o som colorido do produtor. De um lado, o R&B-Dance-Tropical da parceria com a cantora Nylo, música que soa como uma criação remodelada do Disclosure. Em Garden Piano, uma obra entregue ao experimento. Pouco mais de seis minutos em que as batidas de Tings dialogam com diferentes fases da música Techno, brincando com a percepção do ouvinte.

Each Moment A Diamond EP (2017) será lançado no dia 10/03 via Cascine

 

Roland Tings – Higher Ground (feat. Nylo)

Roland Tings – Garden Piano

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New York 93 e Guap, esses são alguns dos principais trabalhos lançados pela sul-coreana Kathy Yaeji Lee nos últimos meses. Claramente influenciada pela música Techno/House do começo da década de 1990, a artista anuncia para o final de março a chegada do primeiro EP oficial. Autointitulado, o registro deve apresentar algumas das principais canções assinadas pela produtora, além, claro, de faixas inéditas, caso da recém-lançada Noonside.

Inspirada pela mudança de Lee para a cidade de Nova York, a nova faixa mostra a busca da produtora por um material que mesmo pop, acessível, em nenhum momento se esquiva das batidas e bases sujas lançadas pela artista. Entre versos trabalhados de forma cíclica, a faixa se espalha lentamente, detalhando um som que parece pronto para as pistas. No clipe dirigido por Yaeji, uma colcha de retalhos visuais e diferentes cenas gravadas na nova casa nos Estados Unidos.

Yaeji EP (2017) será lançado no dia 31/03 via Godmode.

 

Yaeji – Noonside

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Em fevereiro do último ano, Aaron Coyes e Indra Dunis, do Peaking Lights, foram convidados a participar de uma coletânea produzida pela marca de perfumes Régime des Fleurs. Em parceria com a atriz Chlöe Sevigny, o casal deu vida à tropical Little Flower, uma seleção de batidas quentes, sintetizadores marcados pela psicodelia e todo o universo de referências lisérgicas que há mais de uma década serve de estímulo para o trabalho da dupla.

Um ano após o lançamento da canção, o Peaking Lights está de volta com a versão completa do mesmo material. Além da já conhecida composição em parceria com Sevigny, o duo norte-americano aproveita para apresentar a inédita Congo Blue, música que soa como um possível encontro entre o Daft Punk e o som produzido pelo casal dentro do álbum Cosmic Logic (2014). Sobram ainda as duas versões instrumentais das mesmas faixas, um poderoso complemento ao trabalho.

 

Peaking Lights – Little Flower

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Todd Terje sempre escolheu muito bem os artistas que remixaram seus trabalhos. Conterrâneos da Space Disco, como Prins Thomas, além de outros produtores como Joakim, Eric Duncan e Pepe Bradock. Nada que se compare ao recente “experimento” do britânico Kieran Hebden, do Four Tet, no novo single do produtor norueguês. Em Jungelknugen, faixa que sequer foi lançada oficialmente por Terje, uma chuva de sintetizadores cobre todos os limites da canção.

Sem necessariamente descaracterizar o trabalho de Todd Terje, Hebden cria pequenos atos, explosões e curvas rítmicas que bagunçam a composição. O resultado está na construção de uma faixa que parece pronta para as pistas, como um convite sedutor que replica grande parte dos conceitos apresentados pelo norueguês no elogiado debut It’s Album Time, de 2014. A versão original da faixa segue sem previsão de lançamento.

 

Todd Terje – Jungelknugen (Four Tet Remix)

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Artista: Dirty Projectors
Gênero: Experimental, Indie, Alternativo
Acesse: http://dirtyprojectors.net/

 

Entre samples de Sheathed Wings, do produtor canadense Dan Deacon, e fragmentos da romântica Impregnable Question, parte do álbum Swing Lo Magellan, de 2012, variações claustrofóbicas na voz de David Longstreth detalham uma poesia angustiada, triste: “Eu não sei porque você me abandonou / Você era minha alma e minha parceira”. Ponto de partida para o sétimo álbum de estúdio do Dirty Projectors, a inaugural Keep Your Name indica o percurso amargo assumido pelo músico nova-iorquino durante toda a formação do melancólico registro.

Claramente influenciado pelo rompimento com a cantora, guitarrista e ex-integrante do Dirty Projectors Amber Coffman – embora Longstreth tenha reforçado em entrevistas que está “tudo bem” entre eles –, o registro flutua em meio a versos dolorosamente apaixonados e tentativas de reconciliação. Dono de grande parte dos instrumentos e responsável pela produção do disco, Longstreth se revela em sua forma honesta, fazendo de cada música ao longo da obra um fragmento essencialmente intimista.

Nosso amor está em uma espiral / Morte / Nosso amor é / Morte”, canta com frieza em Death Spiral, composição que utiliza de samples de Scene D’Amour, música composta por Bernard Hermann para o filme Um Corpo que Cai (1958), de Alfred Hitchcock, e um fino reflexo de qualquer relacionamento em decomposição. O mesmo aspecto se reflete ainda na saudosista Little Bubble, música que se espalha em meio a delírios românticos, memórias e cenas extraídas de um passado recente – “Nós tivemos nossa própria pequena bolha / Por um tempo”.

Tamanha melancolia na construção dos versos se reflete na forma como Longstreth detalha toda a base instrumental do disco. São batidas eletrônicas, ambientações densas e pequenos diálogos com o R&B. Um reflexo da própria colaboração do músico com o trabalho de artistas como Rihanna e Solange, essa última co-autora de Cool Your Heart, bem-sucedida parceria com Dawn Richard. A própria voz, maquiada pelo auto-tune, surge como um elemento fundamental para o crescimento da obra. Uma representação dos pequenos fluxos de pensamento na mente atormentada de Longstreth.

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Artista: Visible Cloaks
Gênero: Experimental, Electronic, Ambient
Acesse: http://www.visiblecloaks.com/

 

Imagine tudo que foi produzido em termos de experimentação com a música eletrônica na última década. Da chillwave de Neon Indian e Ford & Lopatin ao som torto explorado por Oneohtrix Point Never e Laurel Halo. Da vaporwave de 2 8 1 4, Macintosh Plus e Blank Banshee ao detalhamento atmosférico que escapa das composições de artistas como Julianna Barwick, Emeralds e Fennesz. Ideias, reciclagens e possibilidades que se agrupam de forma propositadamente instável em Reassemblage (2017, RVNG INTL), segundo registro de inéditas da dupla Visible Cloaks.

Inicialmente pensado como um trabalho solo do produtor Spencer Doran e batizado apenas como Cloaks, o projeto ganhou novos contornos com a chegada do músico e parceiro de estúdio Ryan Carlile. Do encontro, veio o primeiro álbum homônimo como Visible Clocks, um curioso ensaio para as canções que assumem nova formatação dentro do presente registro. Músicas essencialmente curtas, dinâmicas, porém, compostas por camadas de melodias eletrônicas, quebras e ritmos diferentes.

Obra de incertezas, Reassemblage parece mudar de direção a cada novo fragmento musical. Basta uma audição da atmosférica Screen, faixa de abertura do disco, para mergulhar no universo produzido pela dupla de Portland. Em um intervalo de apenas três minutos, tempo de duração da música, sintetizadores etéreos, pinceladas minimalistas e ruídos delicadamente se espalham ao fundo da canção, resultando em uma improvável encontro entre Killing Time de Nicolas Jaar e a trilha sonora de Vangelis para Blade Runner (1982).

Na contramão de outros projetos do gênero, em sua maioria centrados na força das batidas, o álbum de 11 canções – 15 na versão digital –, encontra nas melodias e bases eletrônicas o ponto de partida para grande parte das canções. Terceira faixa do disco, Bloodstream reflete com naturalidade esse conceito. Sintetizadores e entalhes minimalistas que se espalham durante toda a formação da faixa. Uma fina tapeçaria que cresce e ocupa todo a composição, completa pelo uso de vozes eletrônicas à la Daft Punk em The Game of Love.

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Depois de muita expectativa, Calvin Harris decidiu apresentar ao público a tão comentada parceria com Frank Ocean e os integrantes do coletivo Migos. Intitulada Slide, a canção segue o caminho oposto a grande parte dos trabalhos recentes do produtor britânico. Uma solução de batidas, sintetizadores, rimas e vozes exploradas de forma parcialmente contida, como uma versão adaptada, pop, do mesmo som produzido por Ocean no elogiado Blonde – 2º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2016.

Primeira composição do cantor e produtor californiano desde a dobradinha completa com Endless, também de 2016, Slide ainda conta com o suporte do Migos, coletivo responsável por um dos grandes discos de rap deste ano, Culture (2017). Mesmo com o último álbum de estúdio lançado em 2014, Motion, Calvin Harris segue com uma rica produção de faixas. Entre os destaques mais recentes, This Is What You Came For, com Rihanna e Hype, parceria com o rapper inglês Dizzee Rascal.

 

Calvin Harris – Slide (Feat. Frank Ocean & Migos)

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Em parceria com Daniel Lopatin (Oneohtrix Point Never) e Hudson Mohawke, ANOHNI deu vida ao doloroso HOPELESSNESS – 7º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2016. Uma coleção de temas eletrônicos, batidas sufocantes e versos que misturam amor e temas políticos de forma sempre provocativa. Longe de chegar ao fim, a parceria se completa em um novo registro colaborativo da cantora: PARADISE (2017).

Trata-se de um EP de seis faixas, provavelmente produzidas durante o processo de composição de HOPELESSNESS, mas que acabam garantindo novo fôlego ao trabalho da artista britânica. Faixa-título do registro, a canção de quase cinco minutos traz de volta toda toda a energia e força originalmente incorporada por ANOHNI no último álbum. Um explosivo jogo de sintetizadores, vozes e samples que acompanham o ouvinte até os últimos instantes da faixa. No clipe dirigido por Colin Whitaker, a modelo Eliza Douglas acaba assumindo o papel de ANOHNI.

PARADISE (2017) será lançado no dia 17/03 via Secretly Canadian/Rough Trade.

 

ANOHNI – Paradise

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Depois de se revelar um ótimo cantor na mixtape Entrañas, de 2016, Alejandro Ghersi anuncia a chegada de um novo registro de inéditas como Arca. Sucessor dos álbuns Xen (2014) e Mutant – este último, 35º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2015 –, o trabalho de 13 faixas deve preservar a essência experimental do produtor venezuelano, conceito que alimenta a recém-lançada Piel, primeiro single do novo disco do artista.

Claramente influenciado pela parceria com Björk em Vulnicura (2015), Ghersi acaba explorando a própria voz como uma espécie de instrumento. Um ponto de partida para a lenta e delicada inserção de outros elementos da canção. Entre ruídos estridentes e ambientações soturnas, o canto melancólico do produtor venezuelano, como uma espécie de convite hipnótico a provar de toda a sequência de faixas que sustentam o trabalho.

 

Arca

01 Piel
02 Anoche
03 Saunter
04 Urchin
05 Reverie
06 Castration
07 Sin Rumbo
08 Coraje
09 Whip
10 Desafío
11 Fugaces
12 Miel
13 Child

Arca (2017) será lançado no dia 07/04 via XL Recordings.

 

Arca – Piel

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Pop, colorido e pegajoso. Basta uma rápida audição para que o som produzido por Malli grude sem dificuldades na cabeça do ouvinte. Parte do primeiro álbum de estúdio da artista, previsto para estrear nos próximos meses, La Nave Va é um indie-axé-eletrônico que revela todas as nuances – sonoras e vocais – da jovem cantora. Um misto de Os Paralamas do Sucesso com Tulipa Ruiz, conceito temperado pelas guitarras e produção do músico Rafael Castro.

Enquanto os versos jogam com a temática do desapego, se livrando de um antigo (des)amor, musicalmente Malli e os parceiros de estúdio brincam com as possibilidades, detalhando batidas eletrônicas e arranjos levemente dançantes. No vídeo dirigido por Itaoâ Lara, uma mistura de cores, tendências e retalhos visuais. Sobram ainda pequenas coreografias, diferentes peças de roupas e um fino toque de bom humor que há tempos não se via no pop nacional.

 

MALLI – La Nave Va

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