Tag Archives: Electronic

James Blake: “200 Press”

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Ainda que tenha reforçado a estrutura apresentada no primeiro álbum solo, de 2011, em Overgrown (2013) o britânico James Blake conseguiu apontar uma nova direção do próprio trabalho em um futuro próximo. Seja pela interferência de RZA em Take a Fall For Me, ou pela posterior adaptação de Life Round Here, já com a presença do norte-americano Chance The Rapper, as pistas espalhadas pelo produtor são claras: o diálogo com o Hip-Hop deve ser ainda maior dentro dos futuros lançamentos de estúdio.

Com a chegada de 200 Press, mais novo lançamento de Blake, todas as experiências reforçadas pelo artista encontram melhor aproveitamento. Enquanto recicla versos de um poema utilizado dentro da série Essential Mix, da BBC Radio, bases eletrônicas, vozes negras, rimas e beats típicas do Hip-Hop ampliam os domínios do produtor. Apresentada pelo próprio selo do britânico, o 1-800-Dinosaur, a peça reforça mesmo na edição resumida a direção do músico em 2015. Como anunciado há poucos dias, o sucessor de Overgrown deve chegar em “menos de cinco meses”.

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James Blake – 200 Press

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Hannah Diamond: “Every Night”

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De todos os (estranhos) artistas que abastecem o selo PC Music, Hannah Diamond talvez seja a única capaz de produzir um som minimamente comercial. Responsável pela construção de uma das melhores faixas lançadas em 2014, Attachment, a produtora britânica segue em busca de uma particular interpretação do pop, abandonando temporariamente os temas melancólicos ressaltados na última criação para abraçar um conceito “dançante” no novo single.

Vocal robótico, sintetizadores plásticos e batidas dinâmicas: seja bem vindo ao ambiente eletrônico de Every Night. Entre variações do mesmo trabalho apresentado anteriormente pelos parceiros Lipgloss Twins e QT, Diamond mais uma vez tropeça no pop caricato dos anos 1990, adaptando os principais clichês, acertos e exageros da época ao próprio material. Um som estranho, porém, grudento.

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Hannah Diamond – Every Night

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Disco: “Seeds”, TV On The Radio

TV On The Radio
Indie Rock/Alternative
http://www.tvontheradioband.com/

Por: Cleber Facchi

Passado o lançamento de Dear Science, seguido do hiato breve que silenciou a banda em 2009, não é difícil imaginar que grande questionamento perturbava os integrantes do TV On The Radio: “para onde vamos agora?”. Em uma sequência crescente de obras cada vez mais complexas e ainda acessíveis ao público, o grupo nova-iorquino parecia ter alcançado o último estágio do exercício iniciado no debut Desperate Youth, Blood Thirsty Babes (2002), explorando toda e qualquer lacuna criativa dentro do próprio trabalho.

Mesmo sem uma direção definida e hoje sobrevivendo da constante reciclagem dos próprios conceitos, em Seeds (2014, Harvest) a banda mostra que está longe de parecer acomodada. A julgar pelas batidas rápidas e ritmo frenético imposto em grande parte das canções, é possível afirmar que o grupo corre desperto, sem tempo para descanso. O destino ainda parece incerto, mas o material apresentado ao longo do percurso agrada com naturalidade.

Em uma manobra sutil, o quarteto resume no próprio título da obra – em português, “sementes” – o explícito desejo de renovação. Semeando novas referências e preparando o terreno para os futuros lançamentos, cada música apresentado no decorrer do disco se transforma em um nítido ato de experimento. Não por acaso, Seeds é o disco em que a banda mais se afasta do som consolidado em Return to Cookie Mountain (2006) e estendido até Nine Types of Light (2011), último trabalho antes da morte de Gerard Smith, baixista do grupo.

Com experimental Quartz instalada na abertura do disco, uma estranha sensação de conforto invade a mente do ouvinte. Mais uma vez somos convidados a explorar o ambiente particular do TV On The Radio. Mesmo que tal percepção seja mantida no decorrer do registro, ao atravessar os arranjos sorumbáticos de Careful You – um híbrido de Will Do e You, do álbum anterior – e bater nas guitarras de Could You, a direção do coletivo muda bruscamente. Continue reading

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Jacques Greene: “After Life After Party EP”

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Enquanto o esperado debut de Jacques Greene não é apresentado ao público, os constantes EPs prevalecem como a principal fonte com novidades sobre produtor. Terceiro e mais recente trabalho do artista canadense em 2014, After Life, After Party segue a trilha dos antecessores On Your Side EP e Phantom Vibrate EP, transportando o ouvinte para um cenário musical tão recente, quanto característico da década de 1990.

Além da versão original e dois remixes para a faixa-título, o presente trabalho de Green conta ainda com a inédita 1 4 Me. Na primeira canção, um típico diálogo do canadense com os elementos do Future Garage e Techno. Na faixa seguinte, um trabalho atento do produtor em adaptar diferentes conceitos, batidas e vocais íntimos do R&B ao material desenvolvido desde o último ano. Com lançamento pelo selo LuckyMe Records, o registro pode ser apreciado na íntegra logo abaixo.

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Jacques Greene – After Life After Party

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Mauricio Avila: “Glass” e “Swell”

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As canções de Mauricio Avila crescem dentro de uma medida própria de tempo. Batidas comportadas, sintetizadores vagarosos e toda uma atmosfera litorânea, quase “preguiçosa”, invade os fragmento sonoro assinado pelo jovem produtor. Original de Franca, interior de São Paulo, Avila pode até viver longe do litoral paulistano, entretanto, basta um mergulho nas melodias de Glass e Swell, duas de suas composições mais recentes, para que artista e ouvinte sejam logo transportados para algum cenário à beira-mar.

Ainda que “Lone, Machinedrum e Disclosure” sejam apresentados como alguns dos artistas que mais influenciam o trabalho de Avila atualmente, uma rápida visita ao soundcloud do produtor entrega com naturalidade outras referências talvez mais importantes. Com remixes para músicas de Metronomy e Vampire Weekend, não é difícil perceber de onde vem a inspiração para o som tropical incorporado em cada recente criação. Recomendado para quem já acompanha o trabalho do também brasileiro Rico ou mesmo estrangeiros a exemplo de Cashmere Cat.

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Mauricio Avila – Glass

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Mauricio Avila –  Swell

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Giorgio Moroder: “74 is the New 24″

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Primeiro Giorgio Moroder desfilou ao lado do Daft Punk em Random Access Memories (2013). Depois, foi a vez do produtor remixar o trabalho do Haim na dançante versão de Falling e até presentar velhos ou mesmo novos seguidores com a inédita Giorgio’s Theme, uma das composições da série 2014 do Adult Swim Singles. Com tamanha euforia e destaque em cima do trabalho do artista italiano – um dos pioneiros da música eletrônica -, era natural que Moroder logo surgisse com um novo registro de inéditas.

Anunciado para 2015 pelo selo RCA, o primeiro registro solo do produtor em mais de 30 anos conta com lançamento previsto para o outono brasileiro e um time variado de colaboradores. De um lado, nomes de peso da música pop como Sia, Britney Spears e Kylie Minogue, no outro, artistas em ascensão como Charli XCX e Mykki Ekko. Para apresentar o novo registro, Moroder entregou ao público a “inédita” 74 is the New 24, uma natural variação do último single lançado dentro da compilação do Adult Swim.

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Giorgio Moroder – 74 is the New 24

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Kero Kero Bonito: “Build It Up”

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A divertida mixtape apresentada há poucos meses está longe de ser o único trabalho do trio Kero Kero Bonito em 2014. Ainda em busca de uma sonoridade própria, os parceiros Sarah, Jamie e Gus continuam a brincar com o pop, Hip-Hop e diferentes variações da eletrônica londrina, premissa para o som lançado em Build It Up, a faixa mais esquizofrênica e dançante já assinada pelo grupo até agora.

Como uma versão comercial de tudo aquilo que os membros do selo PC Music vêm desenvolvendo nos últimos meses, a enérgica criação garante mais de três minutos de batidas quebradas, versos bilíngues – inglês e japonês – e todo um acervo de pequenas colagens. Bateria louca, apitos e a voz doce de Sarah; quem ainda não conhece o trabalho do grupo vai encontrar na nova música um excelente resumo. Abaixo, a versão completa da faixa. Será que teremos o primeiro disco oficial do trio em 2015?

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Kero Kero Bonito – Build It Up

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Disco: “Xen”, Arca

Arca
Experimental/Ambient/Electronic
http://www.arca1000000.com/

Por: Cleber Facchi

As criaturas estranhas que aparecem no encarte e até mesmo vídeos de Xen (2014, Mute) funcionam como uma representação do som assinado por Arca. Instalado em um campo aberto ao experimento, o produtor venezuelano Alejandro Ghersi, grande responsável pelo projeto, parece brincar com as pequenas possibilidades rítmicas, interpretando e ou mesmo encaixando elementos tão íntimos do Hip-Hop e Ambient, quanto peças extraídas de diferentes campos da eletrônica recente.

Naturalmente centrado na ruptura de conceitos, Ghersi assume no primeiro álbum oficial um som que parece flutuar entre o autoral e a específica desconstrução da própria essência. Quem esperava por um trabalho homogêneo ou possível continuação do material explorado no decorrer da mixtape &&&&&, de 2013, talvez se decepcione. Ainda que seja possível amarrar as pontas entre a canção de abertura do álbum e a derradeira Promise, cada peça do registro transporta ouvinte (e criador) para um cenário completamente novo, por vezes isolado.

Diferente do material apresentado há poucos meses, e até mesmo quando observamos faixas produzidas para FKA Twigs e Kanye West, o “debut” de Ghersi é um registro que encanta pelo curioso uso de instrumentos. Arranjos de cordas (sampleados) em Family Violence e Sad Bitch, pianos em Held Apart e até mesmo flautas em Now You Know. De fato, pouco parece ter sobrevivido da soma de manipulações eletrônicas e temas sintéticos apresentados nos vídeos de Jesse Kanda. Mesmo as pequenas “vinhetas” do registro reforçam o uso de inusitadas alterações instrumentais, aproximando Ghersi de um ambiente similar ao de Daniel Lopatin no último disco do Oneohtrix Point Never, R Plus Seven (2013).

Em se tratando do uso de batidas e diferentes ambientações eletrônicos, Xen é uma obra que segue e ao mesmo tempo distorce as pistas lançadas pelo produtor no último ano. Enquanto músicas como Thievery e Slit Thru se aproximam das pistas em um nítido exercício torto, outras como Fish revelam ao público o completo experimento de Arca. São composições rápidas, dois ou três minutos de duração, mas que carregam no próprio interior uma variedade de outras faixas e tendências compactadas. Continue reading

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Disco: “Broke With Expensive Taste”, Azealia Banks

Azelia Banks
Hip-Hop/Rap/Electronic
http://www.azealiabanks.com/

Por: Cleber Facchi

As batidas, versos rápidos e ritmo crescente de 212 servem como um aviso: Azealia Banks é uma artista movida pela pressa. Em um intervalo de poucos meses desde a estreia com o primeiro single oficial, a rapper nova-iorquina despejou um bem sucedido EP – 1991 (2012) -, quase 20 composições inéditas dentro da mixtape Fantasea e toda uma avalanche de músicas avulsas, parcerias e remixes em diferentes plataformas da web. O motivo para tamanha euforia? Preparar o terreno e deixar o público aquecido antes do debut Broke With Expensive Taste.

Mesmo a ânsia de Banks e explícito desejo do público seriam insuficientes para atender às exigências do selo Interscope, antiga casa da rapper. Insatisfeita com o resultado do trabalho, a gravadora fez com que o disco inicialmente previsto para setembro de 2012 fosse constantemente alterado em estúdio, tendo a data de lançamento adiada por diversas vezes. Enfurecida, no Twitter a artista não economizou nos ataques ao selo, implorando publicamente para que fosse demitida ou contratada pela concorrente Sony. O resultado não poderia ser outro: a rapper acabou demitida da Interscope.

Naturalmente apressada, Banks resolveu não esperar até janeiro de 2015 – prazo divulgado pela nova distribuidora, a Prospect Park -, antecipando sem aviso prévio (e sob o próprio selo) a entrega do trabalho para o último dia seis de novembro. Fim da novela, é hora de apreciar na íntegra o catálogo de 16 faixas desenvolvidas pela rapper (além do time vasto de produtores) desde 2011. Todavia, com tamanho atraso e diversas (re)adequações em estúdio, não teria esgotado o “prazo de validade” do registro?

A resposta é clara: não. Broke With Expensive Taste é exatamente o registro de Banks batalhou para lançar em 2012, porém, acabou vetado pela Interscope em razão do caráter “anárquico” de suas composições. Ainda que Chasing Time, Soda e demais faixas do registro sejam capazes de adaptar o trabalho da rapper ao grande público – alvo óbvio da gravadora -, parte expressiva do material esbarra em arranjos, temas e vozes pouco usuais para os padrões comerciais. Observado com atenção, BWET é muito mais uma nova mixtape de Banks do que um homogêneo registro de estúdio em si. Continue reading

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Aphex Twin: “Unrelesed Tracks”

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Há poucos dias Richard D. James presenteou o público com uma série de demos e faixas inéditas. Entre composições que acabaram de fora do mais recente álbum de estúdio, SYRO (2014), e experimentos descartados dos últimos discos, no começo dos anos 2000, o destaque ficou por conta da série de músicas em parceria com o filho de apenas seis anos. Para a felicidade dos ouvintes que acompanham o trabalho do produtor, James acaba de despejar mais um acarvo enorme de peças raras.

Assim como a sequência anterior, grande parte das “músicas” lançadas pelo artista escocês não passam de ruídos aleatórios, esboços e pequenas migalhas de estúdio. Faixas de poucos segundos, experimentos com sintetizadores e até mesmo fragmentos descartados de uma composição maior. Abaixo, uma pequena seleção com o material apresentado pelo produtor. Para ouvir e baixar toda a sequência de músicas, faça uma visita ao rico acervo de James no Soundcloud. Ouça também a ótima Rhubarb Orc. 19.53 Rev, uma das melhores faixas recentemente disponibilizadas pelo produtor.

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Aphex Twin – Unrelesed Tracks

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Aphex Twin – Rhubarb Orc. 19.53 Rev

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