Tag Archives: Electronic

Disco: “V”, jj

jj
Electronic/Dream Pop/Balearic
http://www.jjuniverse.com/

A colagem de sons instalada na abertura de V (2014, Sincerely Yours), terceiro e mais recente álbum de estúdio do jj serve como aviso sobre a extensa produção que acompanha o trabalho da dupla. Em uma atuação que se distancia de padrões ou possíveis exigências comerciais, o casal Joakim Benon e Elin Kastlander continua a atuar em uma medida de tempo própria, postura que explica os quatro anos de “hiato” desde o último trabalho oficial - jj n° 3 (2010) – e a completa (ou quase isso) mudança de direção no interior do novo álbum.

Ainda que letárgico e acomodado na mesma nuvem de sons “mágicos” do debut jj n° 2 (2009), bastam os minutos iniciais de Dynasti ou Dean & Me, para perceber o novo plano de atuação da dupla. Enquanto vozes e arranjos anteriormente flutuavam em uma atmosfera minimalista, marcada pela execução efêmera dos ruídos e bases, hoje todos os elementos se organizam em uma estrutura nítida de referências, quase previsível. Há planejamento, começo, meio e fim, postura que resume com acerto a proposta atual do duo sueco, porém, abandona aspectos importantes realçados dos primeiros anos do casal.

Com base na sutileza dos temas abordados em faixas como My Love e Ecstasy, tanto o álbum lançado em 2009 como o disco de 2010 apostavam em uma sonoridade efêmera, prendendo o ouvinte pela surpresa e delicadeza dos atos. Do momento em que Things Will Never Be the Same Again inaugura o debut, ou My Life no trabalho seguinte, há sempre a sensação de que os arranjos, vozes e melodias vão se “esfarelar” na cabeça do ouvinte, preso a cada ato sereno que Benon projeta para a voz de Kastlander.

Seja pelo uso de guitarras cruas (All Ways, Always) ou batidas densas (Hold Me), V é uma obra que rompe com o espaço místico dos primeiros discos de forma a percorrer um território muito mais urbano, quase “físico”. É visível como elementos do Rock e Hip-Hop, antes diluídos por entre as canções, agora ocupam um enquadramento de maior destaque ao longo de toda a obra. Mesmo a percussão tribal e uso aprimorado arranjos de cordas dos primeiros álbuns ecoa sob novo formato, visivelmente preciso e esquivo da lisergia natural da dupla. Continue reading

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QT: “Hey QT”

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A estrutura sempre inexata do trabalho de SOPHIE parece feita para perturbar os sentidos do ouvinte. Desde que foi “apresentado” no single BIPP, o produtor inglês assume em cada nova criação um espaço de desconstrução para o pop tradicional. Em constante produção – há poucos dias foi apresentado o single Lemonade / Hard – Sophie aparece agora ao lado do também estranho A. G. Cook – autor da ótima Beautiful – para apresentar mais um novo projeto e, consequentemente, uma nova música: QT.

Apresentado pelo selo XL – de FKA Twigs, Adele e SBTRKT -, a canção intitulada Hey QT é um resumo acessível de tudo aquilo que os dois produtores vem desenvolvendo há tempos. Ainda que encaixada no mesmo universo do selo PC Music e outros projetos locais, a canção usa do maior recheio instrumental como uma forma de distanciamento, sendo o trabalho mais “comercial” da dupla até o momento.

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QT – Hey QT

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Merely: “Princess Hervor”

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A sonoridade mágica da cantora Merely parece longe de se limitar ao exercício doce detalhado em Forever. Último lançamento da artista, a canção etéreo-eletrônica acaba de ter os mesmos elementos replicados no interior de Princess Hervor, mais novo invento inédito da sueca. Pouco mais de três minutos em que sintetizadores atmosféricos, batidas controladas e samples à la jj ecoam delicadamente por todas as partes, seduzindo o ouvinte.

Com lançamento pelo selo Sincerely Yours - Ceo e jj -, a canção desacelera em relação aos últimos inventos da cantora, antecipando parte da sonoridade reservada para Nirvana (2014), registro de estreia reservado para o dia três de setembro. Quem se interessou pela sonoridade de Merely pode buscar por outras músicas no soundcloud do selo, ou acompanhar o trabalho da artista no próprio Facebook.

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Merely – Princess Hervor

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Ellie Herring: “Gem Landing”

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Você já teve a sensação de que conseguiria passar dias ouvindo uma mesma música? Horas e mais horas dentro de uma mesma faixa sem que isso cause algum desconforto? Se a resposta for “não”, Gem Landing talvez seja capaz de despertar esse sentimento. Trabalho recente da produtora norte-americana Ellie Herring, a música escapa com leveza de um possível gênero ou cena específica, picotando referências ao longo de toda sua extensão.

Tão próxima do Cloud Rap de Clams Casino e Ryan Hemsworth, como da Ambient Music dos anos 1990, Herring encontra o próprio caminho ao explorar com sutileza diversos aspectos da música pop. Ainda que doce, a faixa causa “desconforto” ao se esquivar de uma possível letra. Durante todo o percurso a Herring instiga, brinca e até entrega pistas de que uma voz está por vir, finalizando a música em específico ato instrumental.

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Ellie Herring – Gem Landing

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Katy B: “Little Red Light”

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O lançamento de Little Red (2014) no começo de fevereiro confirmou apenas o óbvio: Katy B está cada vez mais interessada na música pop. Ainda que esse resultado já fosse expressivo na estreia da cantora, On a Mission (2011), ao alcançar o segundo disco, B e os produtores simplificaram ainda mais as batidas e arranjos, reforçando a formação de versos melódicos de forma a projetar músicas essencialmente comerciais – caso de Crying for No Reason.

Tão convincente quanto no primeiro disco, a artista britânica parece preparada para abraçar o grande público, posição que em nenhum momento a afasta da fase inicial. Em Little Red Light, faixa que acabou de fora do novo álbum, todos os elementos do disco de estreia voltam a se repetir. Íntima do pop ressaltado na presente, ao mesmo tempo em que resgata elementos do primeiro disco – como o dancehall -, a nova canção resume com acerto (e versos pegajosos) toda a natureza de B.

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Katy B – Little Red Light

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Les Sins: “Bother”

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Quem acompanha o obra de Chaz Bundick desde o fim da década passada sabe: o produtor é uma verdadeira máquina de fazer música. Mais conhecido pelo trabalho com o Toro Y Moi, o norte-americano está longe de concentrar seus esforços em um único projeto. Além dos três discos recentes lançados pela banda – Causers of This (2010), Underneath the Pine (2011) e Anything in Return (2013) -, Bundick ainda se envolveu na produção de diversos singles/álbuns, assinou remixes e ainda tira um tempo para o Les Sins, o principal projeto paralelo do músico.

Depois de despertar a curiosidade do público com algumas faixas avulsas, chega a hora de Bundick apresentar o primeiro álbum do projeto: Michael (2014). Previsto para o começo de dezembro, o trabalho carrega nas batidas e samples de Bother uma continuação dos últimos singles e espécie de preparativo para o material lançado em breve pela Carpark. Acima, a capa do disco, tradicional representação do “movimento artístico” paintshop e peça que já ocupa um lugar de destaque na nossa lista das piores artes de 2014.

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Les Sins – Bother

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Caribou: “Our Love”

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Com míseros três minutos de duração, Can’t Do Without You consegue ser mais expressiva do que muitos trabalhos inteiros lançados nos últimos oito meses. Primeira composição lançada pelo canadense Daniel Snaith para o novo álbum do Caribou – Our Love (2014) -, a quase transcendeste canção está longe de ser o único exemplar assertivo do disco que chega oficialmente em outubro.

Pouco mais extensa, a música que concede título ao sucessor de Swim (2010) mantém firme o caráter etéreo do single passado, confirmado a ambientação etérea do projeto. Em uma formatação similar, Our Love cresce lentamente, reservando para os últimos segundos todo um arsenal de ruídos sintéticos, samples e vozes tão acolhedoras quanto projetadas com eficácia para as pistas. Mais uma vez, sublime.

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Caribou – Our Love

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Moko: “With You”

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Meio termo entre o som pop exaltado por La Roux com Trouble In Paradise e a sobriedade que acompanha a presente fase de Jessie Ware, a londrina Moko busca conforto na versatilidade. Depois de passear pelo R&B de forma nostálgica em Honey Cocaine, a artista britânica reforça agora a relação com as pistas Gold EP, trabalho que chega no dia oito de setembro e parece ser a apresentação definitiva da cantora.

Exemplo eficiente do material que vem sendo preparado para registro, a inédita With You arrasta o público para a pista sem fugir do antigo território de Moko: os anos 1990. Produzida por Two Inch Punch, a faixa parece ter escapado do clássico Dreamland, registro de estreia do coletivo Black Box e um prato cheio para a presente fase da artista inglesa.

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Moko – With You

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Disco: “Vozes”, Cadu Tenório

Cadu Tenório
Experimental/Ambient/Electronic
http://victimnoise.bandcamp.com/
http://sinewave.com.br/

Por: Cleber Facchi

Desde o lançamento de Pulso, faixa mais “volátil” encontrada no álbum de 2012 do Sobre A Máquina, que a vontade de Cadu Tenório em diluir novas tendências “eletrônicas” parecia reforçada pelo músico. Não por acaso em Lua (2013), obra lançada pelo Ceticências logo no ano seguinte, Tenório e o parceiro Sávio de Queiroz aproveitaram do espaço para ampliar ainda mais esse aspecto “sintético” das canções – expressivo em cada faixa do álbum. É justamente dentro dessa atmosfera que nasce o recém-lançado Vozes (2014, Sinewave), mais novo invento solo do produtor carioca e base para a trama sutil lentamente exposta nos quatro atos do registro.

Mesmo acomodado em uma trama de experimentos eletrônicos, Vozes, como o próprio logo entrega, é um trabalho marcado pela expressiva colagem e manipulação de vocais. Seja na abertura, com a extensa Fragmentos, aos ruídos finais de Lamento e Bebê, Tenório aos poucos se esquiva do uso característico de bases experimentais – típicas do Drone / Dark Ambient – para investir em um contexto muito mais “humano”, sempre “orgânico” – premissa para o cenário de contraste que conduz a obra.

A diferença em relação ao exercício já proposto em músicas como Prematuro, do álbum Cassettes (2014), está no completo destaque aos retalhos de voz. Do loop etéreo na faixa de abertura, passando pelos gritos sussurrados de Procissão ao uso de palavras como “violência” e “bebê”, os vocais lentamente assumem o controle da “trama” imposta ao disco. Mais do que uma ferramenta de movimento – como no trabalho anterior -, Tenório encontra na voz um ponto de distanciamento do “personagem” sombrio antes ressaltado em projetos como Sobre a Máquina e VICTIM!. Trata-se da obra mais sutil e, naturalmente, acessível já lançada pelo músico.

Ao mesmo tempo em que reforça um conjunto de (novos) traços autorais, Vozes é um trabalho em que as influências de Tenório ecoam de forma expressiva. Entre pequenas reciclagens de conceitos, o músico vai além do hermetismo sombrio de The Haxan Cloak e Tim Hecker, mergulhando de cabeça no território de Richard David James e todo o abrangente catálogo lançado pelo Aphex Twin. De fato, bastam os primeiros minutos de Fragmentos para notar a ponte que leva o ouvinte até Cliff e todo o material entregue há duas décadas em Selected Ambient Works Volume II (1994), inspiração evidente em cada faixa do novo disco. Continue reading

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Kindness: “World Restart” (feat. Kelela & Ade)

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Do cenário concebido por Adam Bainbridge em World, You Need a Change of Mind, de 2012, pouco parece ter se modificado conceitualmente. Registro de estreia do produtor britânico pelo Kindness, o álbum carregado de boas melodias, groove e nostalgia parece ser a base para o segundo e ainda inédito Otherness (2014). Mais novo álbum de estúdio do artista, o registro anunciado para o dia 13 de outubro entrega na inicialmente controlada World Restart um eficiente resumo dos futuros (e anteriores) inventos assinados por Bainbridge.

Com lançamento pelos selos Female Energy e Mom + Pop, o álbum resgata nas parcerias parte do mesmo ambiente criativo apresentado há dois anos, proposta reforçada pela presença dos atuais colaboradores Kelela e Ade, donos das vozes que preenchem a canção. Além da dupla, nomes como Robyn e Devonté Hynes (Blood Orange) já foram confirmados para o trabalho, registro que carrega na imagem acima a própria arte de capa.

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Kindness – World Restart (feat. Kelela & Ade)

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