Desde o último ano, os integrantes da Luziluzia vem trabalhando em uma série de três EPs marcados pela experimentação. Intitulado EP 1​/​3 (concerto pra caixas pequenas), o registro de quatro faixas – uma delas com mais de 11 minutos –, se espalha em meio a ruídos, vozes desconexas e ambientações caseiras, sujas, proposta que volta a se repetir dentro do segundo e mais recente trabalho da banda: EP 2​/​3 (autofarra – trilha pra uma festa boa) (2017).

Em um intervalo de apenas cinco faixas – Caverninha, Provador, Temporada 2014, Love co n5 e Rufião, à espera da festa boa –, a banda forma por integrantes do Boogarins e Carne Doce parece jogar com o uso de fragmentos musicais vindos de diferentes sessões. Retalhos musicais que se completam com o uso de temas eletrônicos. Assim como o trabalho lançado pela banda em 2016, o novo EP pode ser baixado gratuitamente no perfil da Luziluzia no Bandcamp.

 

Luziluzia – EP 2​/​3 (autofarra – trilha pra uma festa boa)

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Artista: David Bowie
Gênero: Rock, Alternativo, Art Rock
Acesse: http://legacy.davidbowie.com/

 

Repleta de alusões à morte, a poesia metafórica de Lazarus, música originalmente lançada como parte do derradeiro Blackstar (2016), último álbum solo de David Bowie, indica a direção seguida no póstumo No Plan EP (2017, Columbia / Sony). Produzido a partir de fragmentos do último registro de inéditas do cantor e compositor britânico, falecido em janeiro do último ano, o trabalho de apenas quatro faixas, três delas inéditas, mantém firme a mesma identidade do som produzido para o capítulo final do artista.

Com produção de Tony Visconti, parceiro de longa data do músico inglês, o trabalho que se apresenta ao público com a extensa Lazarus lentamente abre passagem para os arranjos minuciosos da inédita No Plan, faixa-título do EP. São pouco mais de três minutos em que a voz de Bowie se espalha em meio ao saxofone denso de Donny McCaslin e sintetizadores de Jason Lindner, ambos colaboradores em grande parte das canções lançadas em Blackstar.

Rompendo com a leveza contida na faixa-título, surgem as guitarras de Killing a Little Time, terceira canção do EP. Originalmente apresentada ao público em outubro do último ano, a música dominada pelo ritmo frenético das batidas e vozes talvez seja o registro mais intenso de Bowie desde o material apresentado ao público no álbum The Next Day, de 2013. Instantes em que as guitarras de Ben Monder esbarram no saxofone de McCaslin, resultando em uma composição instável, torta.

Curioso encontrar na confessional When I Met You uma parcial fuga desse mesmo resultado. Livre do jazz-rock que movimenta grande parte do registro, a faixa de encerramento do EP parece dialogar de forma explícita com o passado. Entre guitarras compactas e vozes duplicadas, Bowie passeia pelo mesmo som testado em obras como “Heroes” (1977). Um som decidido, firme, porém, claramente inferior quando observamos o cuidado e a rica produção que marca o restante da obra.

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Parceiros de longa data, Ariel Pink e Natalie Mering, artista responsável pelo Weyes Blood, estão de volta com um novo projeto de estúdio. Colaboradores desde o último álbum do Ariel Pink’s Haunted Graffiti, Mature Themes (2012), obra que contou com a voz de Mering em diversas composições, o casal se reencontra agora dentro do experimental Myths 002 (2017), um registro de quatro faixas que integra a série de obras colaborativas produzidas pelo selo Mexican Summer.

Assim como na primeira edição do projeto, obra que apresentou a parceria entre os músicos Dev Heynes (Blood Orange) e Connan Mockasin, o novo registro nasce como um curioso exercício criativo. Em Tears O Fire, primeiro exemplar do encontro entre Pink e Mering, melodias, arranjos e vozes que dialogam com a essência dos dois artistas. Um perfeito encontro entre os inventos lançados do músico californiano no álbum pom pom (2014) como nas canções do recente álbum do Weyes Blood, Front Row Seat to Earth (2016).

Myths 002 EP (2017) será lançado no dia 27/01 via Mexican Summer.

 

Ariel Pink & Weyes Blood – Tears On Fire

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Originalmente concebidas durante as sessões que resultaram no derradeiro Blackstar – 6º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2016 –, as inéditas No Plan, Killing A Little TimeWhen I Met You acabam de ser agrupadas em um novo trabalho de David Bowie: No Plan EP (2017). Com produção de Tony Visconti, parceiro de longa data do músico britânico, o registro ainda chega acompanhado de Lazarus, uma das principais canções do último álbum do camaleão do rock.

Como indicado durante o lançamento de Killing a Little Time, em outubro do último ano, as três “novas” composições seguem de perto a trilha deixada por Bowie e seus parceiros de estúdio. Um som essencialmente melancólico, intimista e recheado por ambientações típicas do jazz. Para a divulgação do trabalho, o diretor Tom Hingston, artista que já trabalhou com nomes como Massive Attack, foi convidado a produzir um lyric video para No Plan.

 

David Bowie – No Plan EP

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Em um ano de grandes lançamentos para o selo/coletivo mineiro Geração Perdida, caso de Queda Livre de Jonathan Tadeu e Andando sem olhar pra frente de Fernando Motta, o cantor e compositor Fábio de Carvalho é o mais novo artista a contribuir para esse rico catálogo de obras. Em Sonho de Cachorro (2016), mais recente trabalho do cantor e compositor de Belo Horizonte, declarações de amor (Deusa do Mar), memórias (Fogo) e temas existencialistas (Ver e ser visto) tomam conta do registro.

Ora cantado, o declamado, o primeiro grande projeto de Carvalho desde o álbum Tudo Em Vão, de 2015, mostra o esforço do artista em provar de novas sonoridades e reforçar velhas parcerias. Entre os colaboradores do EP, nomes como João Carvalho, da Sentidor, na inaugural Ver e Ser Visto, além da conterrânea Sara Braga, do Sara Não Tem Nome, responsável pelo vocal de apoio que se espalha ao fundo de Deusa do Mar. Seis composições em que o músico se revela em essência.

Fábio de Carvalho – Sonho de Cachorro

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Original da Suíça, porém, residente na cidade de Nova York, Alex Wirth é o nome por trás das composições do delicado Made of Gold EP (2016). Mais recente lançamento do cantor/produtor, o trabalho que conta com distribuição pelo selo brasileiro Fluxxx – Barulhista, Formafluida –nasce como um perfeito exemplar da presente fase de o R&B. Batidas lentas e sentimentos dolorosamente expostos do primeiro ao último ato do curto registro.

Junto de Wirth, Dylan Del Olmo, músico responsável pelas guitarras e efeitos do álbum, e Gianluca Girard, brasileiro que cuidou da produção do EP. Em uma atmosfera típica dos trabalhos de James Blake e Sampha, o registro ainda cria pequenas brechas para o passado, raspando com naturalidade no trabalho produzido por veteranos como TLC, Boyz II Men e toda a geração de artistas que transformaram o R&B da década de 1990.

Alex Wirth – Made of Gold EP

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A cantora canadense Charlotte Day Wilson passou os últimos meses colecionando uma verdadeira seleção de canções inéditas e colaborações. São faixas como a delicada After All, lançada em janeiro deste ano, o soul/jazz de Work, entregue ao público meses mais tarde, além, claro, de In Your Eyes, parceria com os conterrâneos do BADBADNOTGOOD e uma das faixas do novo álbum de inéditas do coletivo original de Toronto, o ótimo IV (2016).

Com esse pequeno arsenal em mãos, Wilson, também integrante do coletivo de jazz The Wayo, apresenta ao público o primeiro EP em carreira solo: CDW. São apenas seis faixas, quatro delas inéditas, caso da melancólica Where Do You Go, música que conta com a produção do também conterrâneo River Tiber – dono do ótimo Indigo (2016). Nas canções, a mesma atmosfera delicada que acompanha a cantora desde os primeiros trabalhos, como uma ponte para a obra de artistas como Sade, Rhye e Jessie Ware.

Charlotte Day Wilson – CDW

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Anunciado há poucos dias, durante o lançamento do single Seca, Japão EP (2016) é o nome do primeiro registro produzido pelo músico Ale Sater em carreira solo. Mais conhecido pelo trabalho como baixista e um dos vocalistas da banda Terno Rei, o cantor e compositor paulistano assume uma postura “experimental” dentro do presente álbum, colecionando vozes empoeiradas, ruídos climáticos e fragmentos distintos que se agrupam dentro de uma mesma canção.

São seis composições – Pipa, Seca, Shinkansen, Volte Para Casa, Filha do Dino e Saída Bangu – em que Sater se  concentra na produção de um material essencialmente melancólico, intimista, brincando com lembranças e acontecimentos da própria infância. Um bom exemplo disso está em Filha do Dino. Quinta faixa do disco, a canção marcada pela nostalgia ainda se abre para a lenta inserção de uma viola caipira, estreitando com naturalidade a relação entre Ale e o próprio primo, o músico Almir Sater.

Japão EP (2016) conta com lançamento pelo selo Balaclava Records.

Ale Sater – Japão

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. Seis anos após o lançamento do ótimo Breakdance (2010), os gaúchos da Walverdes estão de volta com mais um novo registro de inéditas. Intitulado Repuxo (2016), o trabalho que conta com sete composições e distribuição pelo selo Loop Records traz de volta o mesmo som cru produzido pela banda original de Porto Alegre desde o lançamento dos primeiros álbuns em estúdio, caso de clássicos como 90º (2000) e Anticontrole (2002). Aos comandos de Gustavo Mini (Guitarra e Voz), Marcos Rübenich (Bateria), Patrick Magalhães (Baixo e Voz) e Julio Porto…Continue Reading “Walverdes: “Repuxo””

Artista: Ombu
Gênero: Alternative Rock, Post-Hardcore, Pós-Rock
Acesse: https://www.facebook.com/bandaombu

 

Calma“. O verso sereno e levemente melancólico que abre a quarta faixa de Pedro EP (2016, Balaclava Records) parece dizer muito sobre a presente fase da banda paulistana Ombu. Três anos após o lançamento do primeiro registro de estúdio, o artesanal Caminho Das Pedras EP, João Viegas (baixo e voz), Santiago Mazzoli (guitarra e voz) e Thiago Barros (bateria) assumem uma postura sóbria e parcialmente renovada com o presente trabalho de inéditas, revelando ao público uma sequência de composições marcadas pela complexidade dos detalhes.

Passo além em relação ao trabalho apresentado há pouco mais de um ano em Mulher EP (2016), registro de seis faixas e uma espécie de recomeço dentro da curta trajetória do grupo, o novo álbum confirma o profundo esmero na construção de cada música produzida pelo grupo. Ideias que passeiam pelo mesmo cenário urbano apresentado no primeiro EP do trio, porém, encorpadas por um conjunto de novas ambientações, ruídos e temas etéreos.

Ainda que Calma, composição escolhida para anunciar o trabalho pareça sintetizar toda a transformação do grupo paulistano, sobrevive na dolorosa Sem Mais, faixa de abertura do disco, um conjunto de novos experimentos e colagens instrumentais que confirmam a completa evolução do trio. Enquanto os versos resgatam de forma angustiada as memórias de um passado ainda recente, musicalmente a canção cresce de forma a revelar um verdadeiro labirinto instrumental, mergulhando em diferentes cenários, solos arrastados de guitarra, texturas e até vozes assumidas por um grupo de crianças.

Observado em proximidade aos dois últimos registros da banda, Pedro – o nome é um misto de homenagem e brincadeira com um fã do grupo – se revela como o trabalho mais seguro da Ombu, fruto da profunda interação entre cada integrante da banda em estúdio. “No estúdio, eu estava me sentindo em casa. É importante respeitar o tempo de gestação de casa música”, confessou Mazzoli em entrevista ao site da Noisey.

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