Tag Archives: Experimental

Panda Bear: “Boys Latin”

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Com o lançamento de Mr Noah EP (2014) há poucos meses, Noah Lennox revelou ao público parte dos conceitos que devem sustentar Panda Bear Meets the Grim Reaper (2015), o quinto registro solo do músico como Panda Bear. Em busca de novidade, Lennox, também integrante da banda Animal Collective, deixa de lado a sonoridade em “preto e branco” explorada em Tomboy (2011) para investir em uma série de ambientações eletrônicas, estrutura ampliada em cada uma das quatro composições do recente trabalho.

Em Boys Latin, uma das 13 faixas que abastecem o (ainda) inédito registro, Panda Bear não apenas reforça a base eletrônica que vem desenvolvendo nos últimos meses, como ainda flerta com o pop. Enquanto os vocais crescem como uma espécie de mantra, o uso de arranjos quase dançantes invadem o mesmo território de Doin’ it right, parceria com Daft Punk em Random Access Memories (2013). Para a divulgação do novo single, Lennox convidou os diretores Isaiah Saxon e Sean Hellfritsch, membros pela produtora Encyclopedia Pictura e responsáveis pela belíssima animação que acompanha o trabalho.

Agendado para o dia 13 de janeiro,Panda Bear Meets the Grim Reaper conta com distribuição pelo selo Domino Records.

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Panda Bear – Boys Latin

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Dan Deacon: “Feel The Lightning”

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Quem ainda não se recuperou da avalanche de sintetizadores, colagens eletrônicas e ruídos orquestrados no excelente America, de 2012, precisa tomar fôlego agora, afinal, o novo álbum do canadense Dan Deacon já está a caminho. Sob o título de Gliss Riffer (2015), o trabalho reservado para 24 de fevereiro do próximo ano deve seguir a trilha melódica e certa dose de “controle” reforçados no lançamento anterior, sensação reforçada durante os mais de cinco minutos da música Feel The Lightning, primeiro exemplar do novo disco.

Enquanto cria uma verdadeira muralha de sintetizadores e vozes robóticas, um canto doce corre ao fundo da canção, uma das mais acessíveis desde o material apresentado em Spiderman of the Rings, em 2007. Para dar vida ao som estranho da canção, Deacon convidou o diretor Andrew Jeffrey Wright, responsável pelas imagens coloridas, móveis dançantes e estranhos objetos que aparecem no decorrer do clipe. Gliss Riffer conta com lançamento pelo selo Domino, mesmo do último álbum do produtor.

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Dan Deacon – Feel The Lightning

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Shlohmo: “Emerge From Smoke”

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Foi um ano produtivo para Henry Laufer, o Shlohmo. Além do ótimo No More EP (2014), registro em parceria com o rapper Jeremih e Brain, single assinado de forma colaborativa com a cantora Banks, o artista californiano manteve uma agenda realmente lotada de apresentações, remixes esporádicos e faixas que naturalmente mergulham no ambiente de formas abstratas detalhadas pelo produtor. Para celebrar a passagem para o selo True Panther – casa de Tobias Jesso Jr. e Delorean, – Shlohmo apresentou a inédita Emerge From Smoke.

Sem fugir do ambiente conquistado no último ano com Laid Out EP (2013), Shlohmo continua a investir em faixas que se dividem entre as batidas lentas do R&B e o uso constante de sintetizadores sujos, emulando ruídos metálicos. Quase cinco minutos em que a essência do produtor se espalha confortavelmente, preparando o terreno para um novo álbum completo que deve aparecer nos próximos meses. Bad Vibes, o último disco oficial do produtor foi lançado em 2011.

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Shlohmo – Emerge From Smoke

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James Blake: “200 Press EP”

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Quem conheceu o trabalho de James Blake em Overgrown, álbum de 2013, talvez tenha deixado passar todo o acervo de EPs e singles lançados pelo produtor desde o fim da década passada. Em um inevitável exercício de regresso aos primeiros inventos em carreira solo, o artista britânico apresenta ao público o inédito 200 Press EP, trabalho que traz de volta todo o experimento, diálogo natural com o Dubstep e desconstrução do R&B testado desde o amadurecimento em CYMK (2010) e Love What Happened Here EP (2011).

São apenas 16 minutos, tempo suficiente para que as quatro faixas do trabalho – 200 Press, 200 Pressure, Building It Still e Words That We Both Know – tragam de volta toda a euforia e intensidade que sustentou os anos iniciais de Blake. Anunciado há poucos dias, o novo registro abre as portas para o terceiro álbum solo do produtor, registro que deve estrear em 2015. Com lançamento pelo selo 1-800-Dinosaur, do próprio Blake, 200 Press EP pode ser apreciado na íntegra logo abaixo.

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James Blake – 200 Press EP

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Death Grips: “Inanimate Sensation”

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O fim das atividades do Death Grips há poucos meses de forma alguma deve prejudicar o lançamento de Jenny Death. Segunda parte do duplo The Powers That B, registro duplo que teve a primeira metade – Niggas on the Moon – apresentada há poucos meses, o trabalho acaba de receber um novo estímulo antes de ser oficialmente entregue ao público. É hora de conhecer Inanimate Sensation, uma das composições do registro que ainda conta com os samples de voz da cantora Björk, além, claro, dos ruídos e rimas sujas que apresentaram o coletivo em 2010.

Tão insana quanto todo o material apresentado no registro anterior, a faixa de seis minutos parece concentrar todos os acertos do DG: a rima eletrônica de Stefan Burnett, batidas quebradas típicas de Zach Hill e os sintetizadores sujos de Andy Morin. Em ritmo acelerado, a música ainda conta com a nítida interferência de Björk. Além da nova música, o (falecido) grupo assina a direção da faixa em que Burnett aparece rimando em meio a estranhas imagens digitais.

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Death Grips – Inanimate Sensation

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Disco: “Quarup”, Lupe de Lupe

Lupe de Lupe
Alternative Rock/Indie Rock/Shoegaze
http://lupedelupe.bandcamp.com/

Por: Cleber Facchi

Quarup (2014, Independente) é uma obra imensa. São 21 canções inéditas e estruturalmente sujas, quase artesanais. Fragmentos divididos em atos curtos de dois ou três minutos – PKA Prefácio, Minha Cidade Em Ruínas -, até blocos extensos de ruídos densos, longas formações distorcidas capazes de ultrapassar os dez minutos de duração – Jurupari, Carnaval. Todavia, não são os 110 minutos do (ambicioso) registro que fazem dele a peça mais grandiosa já projetada pela mineira Lupe de Lupe. Em um cenário torto, “podre” e caótico, talvez o mesmo Reino de Minas Gerais desconstruído em Sal Grosso (2012), o quarteto lentamente expande os limites do próprio universo, desenvolvendo um dos retratos mais honestos da música (e sociedade) brasileira recente.

Longe do romantismo melancólico que corrompe grande parte do rock nacional, cada segundo do álbum (duplo) ultrapassa os limites acolhedores do eu lírico de forma a explorar um cenário arquitetado em torno dos indivíduo – sejam eles personagens reais ou fictícios. Da declaração partidária/ideológico em O Futuro É Feminino (“Meu coração é brasileiro/ Pois o futuro é feminino/ Minha presidente é uma mulher“), ao descritivo ambiente desbravado no interior de Carnaval, Quarup é uma obra que se esquiva da comodidade óbvia do “amor” e “dor”, reforçando no uso de temas sociais um exercício provocativo, temperado pela crueza.

Ainda que esse mesmo conceito seja evidente desde o primeiro trabalho da banda, o curto Recreio, de 2011, parte substancial das composições nascem como fruto de uma transformação recente do quarteto. Desde o lançamento de Distância EP, no último ano, faixas como Os Dias Morrem e Areia Suja parecem reforçar o lado “crítico” da banda, hoje ampliado em canções amargas como Você é Fraco e Eu Já Venci – esta última, uma das melhores e, talvez, mais acessíveis faixas da Lupe de Lupe.

De fato, grande parte do conteúdo entregue no decorrer do presente registro cresce como uma extensão inteligente dos conceitos apresentados no último ano pelo grupo, postura evidente não apenas no discurso “social” imposto em boa parte das canções, mas principalmente no aspecto caótico que guia os sentimentos de cada um dos vocalistas – Renan Benini, Gustavo Scholz e Vitor Brauer, este último, também produtor do disco.

Mesmo nos instantes de maior delicadeza (Gaúcha) e humor (Esse Topper Foi Feito Para Andar), há sempre um tempero extra de desespero, condimento que aos poucos sufoca e perturba a mente do ouvinte – arremessado em todas as direções. Como uma bomba relógio, tensa, Quarup amarra desilusões, cacos aleatórios de um coração partido e fragmentos vindos de diversos relacionamentos fracassados. Um agregado de experiências amargas, base para faixas curtas como Moreninha (RJ) (“Por que tanta mágoa assim nesse mundo que é só seu?“) ou mesmo peças extensas aos moldes de Querubim (“Houve um tempo/ Em que o céu era azul pra mim também“). Continue reading

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Disco: “Faith in Strangers”, Andy Stott

Andy Stott
Experimental/Electronic/Techno
https://soundcloud.com/modernlove/

Por: Cleber Facchi

A simples incorporação de vocais e novas estruturas melódicas durante o lançamento de Numb, em setembro de 2012, serviu como alerta para a mudança de direção no trabalho de Andy Stott. Em um intervalo de poucos meses, o produtor britânico havia abandonado a estrutura rústica incorporada em Passed Me By e We Stay Together, ambos de 2011, para mergulhar em um som reconfigurado, leve, princípio para os conceitos que seriam ampliados com a chegada de Luxury Problems, do mesmo ano. Ao apresentar Violence, há poucos meses, Stott – mais uma vez -, parecia anunciar uma nova direção.

Inicialmente branda, a faixa segue com as experiências lançadas no registro anterior, entretanto, basta que Alison Skidmore – colaboradora desde o álbum de 2012 – apareça para que toda a estrutura assinada pelo produtor desmorone. Enquanto regressa ao espaço autoral tecidos nos EPs de 2011, todo um novo jogo de referências confortam a canção, reforçando um palco de pequenas novidades. Ruídos metálicos, vozes sombrias e isolamento. Uma fração dos temas ampliados em essência com Faith in Strangers (2014, Modern Love).

Talvez reflexo de recentes inventos do artista, com o segundo registro oficial, Stott busca se esquivar da produção de um conteúdo homogêneo. Grande parte das experiências ampliadas pelo registro nascem como uma natural extensão do som entregue há poucos meses pelo Millie & Andrea, projeto paralelo dividido com Miles Whittaker, do selo Modern Love. Perceba a maior flexibilidade dos temas em Demage, uma representação do lado “comercial” do britânico.

Como explícito no interior de Science And Industry e demais faixas cortadas pela voz de Skidmore, em Faith in Strangers, pela primeira vez, Andy Stott ressalta a “mensagem” e não apenas o “som”. Mais do que levantar imensos paredões ambientais, como em Luxury Problems, com o presente álbum pequenas desilusões sentimentais são condensada no interior dos versos, completos pela rústica interferência de ruídos eletrônicos que parecem vindos de algum lugar no começo dos anos 1990. Continue reading

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Jamie XX, Four Tet, Koreless e John Talabot: “Continuum”

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Embora parceiros esporádicos há bastante tempo Jamie XX, Four Tet, Koreless e John Talabot nunca estiveram envolvidos em um mesmo projeto colaborativos. Pelo menos até agora. Parceira do baterista e principal produtor do The XX durante o clipe de Sleep Sound, Sofi Mattioli e a colaboradora Rebecca Salvadori acabam de apresentar um novo curta-metragem chamado Continuum. Para a trilha sonora do vídeo de quase nove minutos – assista via Nowness -, Sofi convidou o quarteto de produtores.

Originalmente, todo o extenso material se divide em quatro composições distintas. Sunrise de Jamie XX, Dew do veterano Kieran Hebden, Horizon de Koreless e Aim do espanhol Talabot. No site Stereogum você pode baixar cada uma das versões isoladas das faixas. Abaixo, a edição completa do material, também disponível para download.

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Jamie XX, Four Tet, Koreless e John Talabot – Continuum

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Disco: “pom pom”, Ariel Pink

Ariel Pink
Indie/Lo-Fi/Psychedelic Pop
http://ariel-pink.com/

Por: Cleber Facchi

Desde que abraçou um som mais acessível em Before Today (2010), Ariel Pink tem controlado a própria esquizofrenia musical. Diálogos com a década de 1980, diferentes tentativas em adaptar o Soft Rock ao cenário recente – como a versão para Baby de Donnie and Joe Emerson em Mature Themes (2012) – e toda uma variedade de temas psicodélicos extraídos de diversas obras clássicas. Depois de uma década de isolamento e incontáveis gravações caseiras, Pink finalmente encontrou a própria definição para a “música pop”.

Curioso perceber em pom pom (2014, 4AD) uma parcial ruptura desse conceito. Primeiro trabalho em “fase solo”, longe dos parceiros do Haunted Graffiti, o californiano interpreta o extenso “debut” como um misto regresso e desconstrução dos primeiros anos de produção. Ainda que continue a brincar com as principais referências conquistadas nos últimos discos – vide o romantismo aprimorado em Put Your Number In My Phone -, basta se concentrar no som fragmentado que rege o trabalho para perceber o leve descontrole do artista.

Em um sentido contrário ao detalhamento iniciado em Mature Themes – com sintetizadores, guitarras e vozes dentro de uma mesma estrutura -, Pink assume no presente álbum um constante ziguezaguear de tendências. Por vezes descontrolado, pom pom funciona como morada para faixas tão próximas da jovialidade exaltada em My Molly, parceria recente com Sky Ferreira, como para o ato confessional de Hang On to Life, dividida com Jorge Elbrecht; músicas interpretadas como atos aleatórios do músico nos últimos meses, porém, esboços e bases evidentes para os quase 70 minutos do novo projeto.

Ainda protagonista da própria obra, Pink continua a mergulhar em canções nonsenses (Plastic Raincoats in the Pig Parade), personagens distorcidos (Black Ballerina) e estranhos acontecimentos cotidianos (Picture Me Gone). Versos tão íntimos de uma mente corrompida pela lisergia, como habituada ao cenário de Los Angeles – cidade natal do compositor. Superficialmente, pom pom emula a limpidez aperfeiçoada em estúdio com o Haunted Graffiti; no interior, faixas caseiras, empoeiradas, como um resgate do acervo acumulado entre House Arrest (2002) e Scared Famous (2007).  Continue reading

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Disco: “Xen”, Arca

Arca
Experimental/Ambient/Electronic
http://www.arca1000000.com/

Por: Cleber Facchi

As criaturas estranhas que aparecem no encarte e até mesmo vídeos de Xen (2014, Mute) funcionam como uma representação do som assinado por Arca. Instalado em um campo aberto ao experimento, o produtor venezuelano Alejandro Ghersi, grande responsável pelo projeto, parece brincar com as pequenas possibilidades rítmicas, interpretando e ou mesmo encaixando elementos tão íntimos do Hip-Hop e Ambient, quanto peças extraídas de diferentes campos da eletrônica recente.

Naturalmente centrado na ruptura de conceitos, Ghersi assume no primeiro álbum oficial um som que parece flutuar entre o autoral e a específica desconstrução da própria essência. Quem esperava por um trabalho homogêneo ou possível continuação do material explorado no decorrer da mixtape &&&&&, de 2013, talvez se decepcione. Ainda que seja possível amarrar as pontas entre a canção de abertura do álbum e a derradeira Promise, cada peça do registro transporta ouvinte (e criador) para um cenário completamente novo, por vezes isolado.

Diferente do material apresentado há poucos meses, e até mesmo quando observamos faixas produzidas para FKA Twigs e Kanye West, o “debut” de Ghersi é um registro que encanta pelo curioso uso de instrumentos. Arranjos de cordas (sampleados) em Family Violence e Sad Bitch, pianos em Held Apart e até mesmo flautas em Now You Know. De fato, pouco parece ter sobrevivido da soma de manipulações eletrônicas e temas sintéticos apresentados nos vídeos de Jesse Kanda. Mesmo as pequenas “vinhetas” do registro reforçam o uso de inusitadas alterações instrumentais, aproximando Ghersi de um ambiente similar ao de Daniel Lopatin no último disco do Oneohtrix Point Never, R Plus Seven (2013).

Em se tratando do uso de batidas e diferentes ambientações eletrônicos, Xen é uma obra que segue e ao mesmo tempo distorce as pistas lançadas pelo produtor no último ano. Enquanto músicas como Thievery e Slit Thru se aproximam das pistas em um nítido exercício torto, outras como Fish revelam ao público o completo experimento de Arca. São composições rápidas, dois ou três minutos de duração, mas que carregam no próprio interior uma variedade de outras faixas e tendências compactadas. Continue reading

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