Tag Archives: Experimental

Cozinhando Discografias: Mogwai

A seção Cozinhando Discografias consiste basicamente em falar de todos os álbuns de um artista, ignorando a ordem cronológica dos lançamentos. E qual o critério usado então? A resposta é simples, mas o método não: a qualidade. Dentro desse parâmetro temos uma série de fatores determinantes envolvidos, que vão da recepção crítica do disco no mercado fonográfico, além, claro, dentro da própria trajetória do grupo e seus anteriores projetos. Além da equipe do Miojo Indie, outros blogs parceiros foram convidados para suas específicas opiniões sobre cada um dos trabalhos, tornando o resultado muito mais democrático. No cardápio de hoje: MogwaiContinue reading

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Nicolas Jaar: “NYMPHS II”

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Com o fim temporário das atividades do Darkside em 2014 – projeto em parceria com o músico/produtor Dave Harrington -, Nicolas Jaar deve (finalmente) se dedicar ao trabalho e composições em carreira solo. Passados três anos desde a estreia do último registro autoral do produtor, o excelente Space Is Only Noise (2011), Jaar transforma o recém-lançado single NYMPHS II em uma travessia para o universo de faixas e recortes musicais acumuladas nos últimos anos.

Possível base para o novo álbum do artista, previsto para 2015, o single lançado em vinil 12″ se divide em dois lados bem distintos. Na primeira metade, The three sides of Audrey and why she’s all alone now, uma climática faixa com quase oito minutos de duração em que Jaar estende parte dos ruídos e experimentos testados no álbum Psychic, de 2013. No “Lado B” do mesmo material, No one is looking at U, parceria com a cantora Lorraine e uma típica composição do selo Other Music, casa dos trabalhos de Jaar.

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Nymphs II
01. The Three Sides of Audrey and Why She’s All Alone Now
02. No One is Looking at U

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Blanck Mass: “Dumb Flesh”

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Quem espera por um novo álbum da dupla Fuck Buttons não será atendido tão cedo. Passado o lançamento de Slow Focus, um dos grandes trabalhos de 2013, Andrew Hung e Benjamin John Power decidiram passar um tempo em seus próprios projetos autorais. O primeiro, Hung, deu vida ao recente EP Rave Cave (2015), obra lançada de forma independente e produzida apenas com o auxílio de um Game Boy como “instrumento”. Já o segundo, Power, deu continuidade ao projeto que vem desenvolvendo desde o começo dos anos 2010, o Blanck Mass.

Com dois trabalhos em mãos, o produtor de Bristol lança agora o terceiro capítulo da série de registros lançados paralelamente ao Fuck Buttons: Dumb Flesh. Com lançamento pelo selo Sacred Bones – casa de Jenny Hval, John Carpenter e Pharmakon -, o álbum se mantém dentro do já conhecido universo autoral de Power, naturalmente inclinado ao uso de experimentos eletrônicos, texturas drone e uma curiosa manipulação das vozes de forma instrumental. Com oito faixas, o disco que conta com lançamento físico no dia 12/05 já pode ser apreciado na íntegra logo abaixo:

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Blanck Mass – Dumb Flesh

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Disco: “Sobre a Vida em Comunidade”, Mahmed

Mahmed
Post-Rock/Instrumental/Experimental
https://www.facebook.com/mahmedmusica
https://mahmed.bandcamp.com/

Maturidade”, “crescimento” e “grandeza”. Palavras de significado forte, expressivas quando voltamos os ouvidos para o acervo sóbrio lançado pela potiguar Mahmed em Domínio das Águas e dos Céus EP (2013), porém, pequenas, quase insignificantes frente à grandeza de Sobre a Vida em Comunidade (2015, Balaclava). Em um assombroso traço de evolução, ao finalizar o primeiro álbum de estúdio, o quarteto do Rio Grande do Norte não apenas alcança um novo estágio dentro da própria sonoridade, como ainda prende o ouvinte em um labirinto de formas mutáveis; um álbum sedutor e provocativo a cada fragmento instrumental.

Montado em uma estrutura não-linear, pontuada por arranjos e texturas propositadamente instáveis, logo nos primeiros segundos dentro disco, a pergunta: estou sonhando? Como uma noite longa de sono embriagado, costurada por diferentes sonhos, passagens rápidas por pesadelos e até a tontura leve típica de exageros alcoólicos, SAVEC brinca com as interpretações do ouvinte. É difícil saber onde começa e acaba o álbum. Ondas leves de distorção arremessam, acolhem e mudam a direção das composições a todo o momento. Um constante cruzamento entre o onírico, o experimental e até o nonsense que corta em pedaços rótulos imediatos como “Jazz”, “Dream Pop” ou o inevitável “Post-Rock”. Todavia, mesmo a completa ausência de direção (ou previsibilidade) em nenhum momento distorce a sutileza e coerência da banda.

Da abertura letárgica em AaaaAAAaAaAaA ao som levemente acelerado que pontua o disco em Medo e Delírio, a coerência parece impregnada em cada nota lançada pela banda. Talvez seja um erro caracterizar SAVEC como uma obra de “limites bem definidos”, entretanto, mesmo nesse passeio pelo “mundo dos sonhos”, um linha imaginária, fina, parece direcionar o trabalho da banda – hoje composta por Walter Nazário (Guitarra, Samplers, Sintetizadores), Dimetrius Ferreira (Guitarra), Leandro Menezes (Baixo) e Ian Medeiros (Bateria). Curvas, quebras e mudanças (quase) bruscas de direção são nítidas em cada nova faixa, ainda assim, o controle é permanente.

Delicada representação desse resultado sobrevive de forma nítida na similaridade dos arranjos e distorções maquiadas das guitarras. Em um ambiente obscuro, um meio termo entre os clubes de Jazz e a cama de texturas assinadas por grupos como Portishead, cada composição serve de preparativo para a faixa seguinte; uma ativa troca de referências, estruturas e conceitos capazes de amarrar todas as canções em um bloco único de experiências. Mesmo a colagem de samples e ruídos instrumentais externos – como na “eletrônica” Ian Trip – mantém firme o senso de aproximação entre as músicas, como se as peças do quebra-cabeça criado ao longo do disco se encaixassem para formar uma única imagem. Continue reading

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Disco: “Jenny Death” & “Fashion Week”, Death Grips

Death Grips
Hip-Hop/Rap/Experimental
http://thirdworlds.net/

Ordem e caos, experiências opositoras, porém, articuladas de maneira precisa dentro do conceito caótico que rege a obra do Death Grips. Instável desde os primeiros minutos de vida – vide a estreia com a mixtape Exmilitary (2011) -, o projeto comandado por Stefan Burnett, Zach Hill e Andy Morin transformou os últimos meses em um natural tormento para o (próprio) público. Do encerramento (possivelmente planejado) das atividades da “banda”, ao atraso no lançamento da segunda metade de The Powers That B (2015), a incerteza logo se transformou em uma ferramenta criativa nas mãos do trio.

Primeiro, o registro de “sobras” intitulado Fashion Week (2015, Independente). Entregue ao público como uma “trilha sonora”, distribuído gratuitamente em uma publicação no Reddit, o registro parecia nascer como a explicita comprovação do encerramento das atividades do grupo, efeito da ausência dos vocais de MC Ride. Ainda assim, a disposição exata do título de cada faixa – “JENNY DEATH WHEN” – realçava a dúvida em torno da continuidade (ou não) do projeto.

Em se tratando da estrutura da obra, uma nítida continuação da eletrônica aplicada em Government Plates (2013). Ainda que a métrica específica das canções tropece (voluntariamente) na obra de Zach Hill com Hella, em se tratando do tecido instrumental que cobra o registro, o direcionamento é outro. Há desde composições “suavizadas”, como na dobradinha Runway N, até faixas construídas em cima de guitarras cruas e batidas quebradas, uma espécie de sequência ao mesmo detalhamento sujo explorado em NO LOVE DEEP WEB (2012).

Tamanha flexibilidade na utilização de texturas e (novos) ritmos parece servir de ensaio para material detalhado em Jenny Death (2015, Harvest). Mais do que uma continuação dos temas lançados em Niggas on the Moon (2014), a segunda parte de The Powers That B assume um rumo completamente distinto não apenas em relação ao último álbum do trio, mas em relação ao próprio universo do Death Grips. Uma ativa manipulação de vozes, rimas e instrumentos que tanto se aproxima do Industrial Rock de bandas como Nine Inch Nails – caso de Beyond Alive -, como também expande conceitos entregues em The Money Store (2012). Continue reading

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Crystal Castles: “Frail”

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Ethan Kath não poderia ter pensado em algo melhor para provocar a ex-parceira Alice Glass do que a recém-lançada Frail. Primeira composição inédita lançada pela “banda” desde a saída da cantora, em outubro do último ano, a faixa de poucos minutos carrega na similaridade dos vocais um ataque direto contra Glass. Além da composição – a dona da voz na faixa ainda não foi revelada -, Kath desejou “sorte” à antiga parceira em um comentário, posteriormente deletado do Soundcloud, onde denuncia a “ausência” de Glass em algumas das principais canções do projeto.

“I wish my former vocalist the best of luck in her future endeavors. i think it can be empowering for her to be in charge of her own project. it should be rewarding for her considering she didn’t appear on Crystal Castles’ best known songs. (she’s not on Untrust Us. Not In Love, Vanished, Crimewave, Vietnam, Magic Spells, Knights, Air War, Leni, Lovers Who Uncover, Violent Youth, Reckless, Year of Silence, Intimate, 1991, Good Time, Violent Dreams etc.). People often gave her credit for my lyrics and that was fine, I didn’t care”.

Em se tratando da estrutura montada para a recente faixa, uma espécie de regresso aos primeiros anos do Crystal Castles. Nada do flerte com o R&B testado em III, nem as melodias limpas de II, apenas a eletrônica suja, provocativa e, de certa forma, simplista do primeiro disco do projeto, lançado em 2008. Ao que tudo indica, Kath parece “sobreviver” longe da antiga parceria, resta esperar pelo primeiro disco solo de Glass.

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Crystal Castles – Frail

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Mahmed: “Sobre A Vida Em Comunidade”

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Quem dedicar um tempo para apreciar (e comparar) o trabalho da potiguar Mahmed em Domínio das Águas e dos Céus EP (2013) com o recente Sobre A Vida Em Comunidade (2015) vai encontrar duas bandas completamente distintas. Ao mesmo tempo em que a sutileza inteligente dos arranjos e pequenos experimentos controlados transportam o disco para um cenário mágico e abstrato, pontuado de forma controlada pela psicodelia, a estrutura “torta” de cada canção logo arremessa o público para um campo turbulento, por vezes caótico, como se uma acervo de peças fossem lentamente sendo montada na própria cabeça do ouvinte.

São nove composições autorais, algumas delas – caso de Vale Das rrRosas e Shuva -, já conhecidas do público, porém, inéditas, quando observadas dentro do contexto particular que sustenta o andamento da obra. A distribuição do trabalho fica por conta do selo Balaclava Records, casa de bandas como Séculos Apaixonados, Câmera, Terno Rei e alguns dos grandes trabalhos brasileiros apresentados em 2014. Abaixo você encontra o disco para audição na íntegra.

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Mahmed – Sobre A Vida Em Comunidade

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Actress: “Bird Matrix”

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Darren J. Cunningham não para. Em uma série de três grandes discos produzidos desde o começo da presente década – Splazsh (2010), R.I.P. (2012) e Ghettoville (2014) -, o produtor britânico aproveitou o (pouco) tempo livre para investir em mais um novo projeto pelo Actress. Por enquanto, nada de um novo registro de inéditas, mas uma sequência de remixes, adaptações e versões para o trabalho de diferentes produtores dentro da série DJ-Kicks – projeto lançado pelo selo !K7 Records por onde passaram nomes como Four Tet, Gold Pand e Annie.

Em meio a passagens pelo trabalho de Autechre, Lorenzo Senni e outros produtores de sonoridade “similar”, Cunningham aproveitou para apresentar uma extensa e inédita criação: Bird Matrix. Com mais de 13 minutos de duração, a nova faixa parece seguir a trilha do último trabalho do artista, flutuando em meio a loops abafados, sintetizadores melancólicos e batidas sempre brandas. Com um total de 20 composições, o registro conta com previsão de lançamento para o dia quatro de maio deste ano. Ouça a nova composição de Actress:

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Actress – Bird Matrix

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Disco: “Levon Vincent”, Levon Vincent

Levon Vincent
Electronic/Techno/Deep House
http://uzurirecordings.com/

 

Claustrofóbico e, ao mesmo tempo, libertador. Assim é o trabalho desenvolvido no homônimo álbum de estreia de Levon Vincent. Em um diálogo preciso com a eletrônica de Berlin, onde estabeleceu residência nos últimos anos, o artista original da cidade de Nova York encontra nos experimentos da Deep House e Minimal Techno um jogo de pequenas ambientações tão acolhedoras, quanto capazes de provocar a mente do ouvinte. Uma manobra sutil, entalhada em cima de loops reciclados, porém, montados de forma a hipnotizar o ouvinte, lentamente seduzido pelas colagens do produtor.

Feito para ser ouvido sem pressa, o registro que conta com quase duas horas de duração, parece ocultar segredos de qualquer ouvinte afobado. Salve exceções, caso de For Mona, My Beloved Cat. Rest in Peace e Her Light Goes Through Everything, grande parte das canções espalhadas pelo álbum ultrapassam os seis minutos de duração, arrastando o espectador para um cenário de maquinações robóticas, bases minimalistas e beats tão flexíveis, que parece impossível fixar o trabalho de Vincent dentro de um único gênero ou cena específica.

De maneira geral, o autointitulado registro pode ser dividido em dois grupos de canções. Mesmo livre de uma separação temática calculada específica, faixas como Junkies on Hermann Street, H Woman is an Angel e Her Light Goes Through Everything utilizam da continua manipulação de ruídos como um alicerce para o campo experimental da obra. Sintetizadores sobrepostos, bases ecoadas e articulações que tropeçam de forma involuntária no mesmo Techno Dub de Andy Stott – principalmente no álbum Faith in Strangers (2014) -, além das bases densas de Darren J. Cunningham nos dois últimos discos como Actress – R.I.P. (2012) e Ghettoville (2014).

Entretanto, a beleza no trabalho de Levon se esconde nos instantes de maior “limpidez” da obra. Logo na inicial The Beginning, um resumo funcional de toda a projeção minimalista que rege parte do disco. Batidas limpas, sutis; sintetizadores aplicados de forma isolada, sem interferir no alicerce matemático das batidas; sobreposição lenta dos arranjos, como se cada elemento encaixado encontrasse um espaço para “respirar”. A mesma aplicação desse resultado se faz visível em peças como Phantom Power e Black Arm w/Wolf, músicas que crescem sem pressa, como se Vincent cercasse lentamente o ouvinte, imediatamente preso, impossibilitado de possíveis fugas. Continue reading

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Disco: “Future Brown”, Future Brown

Future Brown
Electronic/Experimental/Hip-Hop
http://futurebrown.com/

 

Uma sonoridade ampla em referências, porém, concisa. Esta talvez seja a melhor interpretação sobre o conceito que rege o homônimo álbum de estreia do Future Brown. Coletivo formado pelo produtor J-Cush – responsável pelo selo Lil City Trax -, Asma Maroof e Daniel Pineda – da dupla Nguzunguzu – e, também, pela musicista Fatima Al Qadiri, o projeto é um mosaico de ideias tão vasto, instável e experimental que, curiosamente, encontra na própria flexibilidade e pluralidade de ideias a base para um alinhamento coeso.

Da colaboração entre Maroof e Pineda – como Nguzunguzu -, é montado todo o esqueleto da obra. Um alicerce de encaixes minimalistas, fruto da utilização de batidas secas, típicas do Grime e UK Garage, além costuras eletrônicas que flertam (sem pudor) com a música negra do final dos anos 1980. Do trabalho (recente) de Al Qadiri em Asiatisch, de 2014, nascem as bases delicadas e toda a ambientação movida por sintetizadores etéreos, estrutura reforçada pelo colaborador J-Cush, possivelmente, o principal responsável pelo convite e distribuição do time de artistas que ocupam o restante da obra.

Com estrutura típica de mixtape, o registro se esquiva da apropriação de um único gênero ou fórmula. Trata-se de uma coleção de fragmentos pinçados de diferentes décadas, cenas e experimentos. Um passeio que começa pelos ensaios climáticos da Ambient Music, ainda nos anos 1970, flerta com o Lado B do Synthpop/Eletrônica na década seguinte, até mergulhar no Hip-Hop, R&B, IDM e toda uma variedade de essências que detalharam os últimos anos da década de 1990. Ao final, uma amarra complexa, moderna e íntima de cada colaborador – seja ele parte do coletivo, ou músico convidado.

Ora detalhado com suavidade, ora intenso, como uma extensão dos temas dançantes do Nguzunguzu, Future Brown é um registro que utiliza da própria esquizofrenia como uma ferramenta de sedução e constante diálogo com o ouvinte. Na primeira metade do disco, uma escadaria marcada por pequenas subidas e quedas rítmicas. Ferramenta ativa para o reforça no diálogo do quarteto com a parceira de longa data Tink, logo na inaugural Room 302 e, ainda, base para as rimas lançadas por nomes como Sicko Mobb, Shawanna e Timberlee, esta última, responsável pelo acerto no dancehall de No Apology. Continue reading

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