Tag Archives: Experimental

How To Dress Well: “Words I Don’t Remember” (The Range Remix)

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Ainda emocionado com a delicadeza e melancolia de How To Dress Well em “What Is This Heart?”? Então saiba que Tom Krell, grande responsável pelo projeto, ainda reserva boas novidades para o próprio público em 2014. Além da turnê de divulgação do trabalho, o músico norte-americano reserva para o dia 27 de outubro o lançamento da coletânea/EP “What Is This Heart?” Remixes.

Com distribuição pelo selo Weird World, o registro apresenta diferentes versões para algumas das melhores faixas do recente álbum. Depois de A. G. Cook brincar de forma assertiva com a estrutura de Repeat Pleasure, lançada há poucas semanas, chega a vez de James Hinton (The Range) garantir novo acabamento à delicada Words I Don’t Remember. Mesmo próxima do som explorado pelo produtor em Nonfication (2013), a essência do HTDW permanece estável, prova de que Krell escolheu bem os colaboradores do novo projeto.

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How To Dress Well – Words I Don’t Remember (The Range Remix)

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Andy Stott: “Faith in Strangers”

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Andy Stott parece ter um mundo novo nas mãos. Ainda que Violence, faixa inédita apresentada há poucas semanas, tenha servido de aviso para essa “transformação” do produtor britânico, é com a chegada de Faith in Strangers que os horizontes se ampliam. Faixa-título do novo álbum de Stott, a canção encanta não apenas pela inclusão parcialmente límpida de vozes e versos, mas no completo reforço nas batidas que definem a criação.

Enquanto a voz de Alison Skidmore – também responsável pelos vocais de Violence e grande parte das canções de Luxury Problems (2012) -, segue de maneira precisa, batidas sobrepostas, diálogos com o Techno e um distanciamento dos elementos do Dub transportam o ouvinte para um cenário parcialmente novo. São quase sete minutos em que ecos da década de 1990 são adaptados ao presente contexto de Stott, cada vez mais afastado do som atmosférico e denso dos últimos discos e EPs. Com lançamento pelo selo Modern Lovers, Faith in Strangers estreia no dia 17 de novembro.

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Andy Stott – Faith in Strangers

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Mark McGuire: “Noctilucence”

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O fim das atividades do Emeralds em nada parece ter prejudicado o trabalho de Mark McGuire em carreira solo. Ainda que os projetos individuais do músico/produtor norte-americano sejam marcados pela sutileza e criatividade no desdobramento dos arranjos, poucas vezes McGuire parecei tão seguro quanto no lançamento de Along The Way (2014), há poucos meses. É justamente dentro desse mesmo universo que nasce Noctilulence, mais nova e extensa composição do guitarrista.

Na trilha de The Instinct, For The Friendship e demais composições longas da obra, a canção transporta o ouvinte para um cenário tão climático e doce, quanto psicodélico e marcado pela provocação natural de McGuire. São 12 minutos em que sintetizadores, batidas eletrônicas e efeitos abstratos servem de estimulo para as guitarras do compositor, tão inventivo quanto no restante do material apresentado para a obra. Espécie de extensão, a canção serve de passagem para o novo EP de cinco faixas do músico. Trabalho que estreia no dia 11/11 pelo selo Dead Oceans.

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Mark McGuire – Noctilucence

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Vários Artistas: “Red Hot + Arthur Russell”

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Grizzly Bear, Hot Chip, Sufjan Stevens, Foals, Jens Lekman, Dev Hynes, St. Vincent e Devendra Banhart. Basta uma entrevista ou pesquisa rápida para logo ver o nome de Arthur Russell como uma das principais influências de grande parte dos artistas nascidos nas últimas duas décadas. Com uma discografia curta que ocupa parte da década de 1980, além de obras compiladas a partir dos anos 1990, o cantor – morto em 1992 devido a complicações causadas pela Aids -, permanece como um nome ativo e influente em diferentes cenas, sendo a inspiração para a recém-lançada coletânea Red Hot + Arthur Russell (2014).

Apresentado pela organização de combate à Aids por meio da cultura Red Hot, o trabalho é um passeio pela obra de Russell a partir de grandes representantes da cena alternativa. Artistas como Glen Hansard, Cults, José González e Blood Orange que reviveram de forma particular as músicas do cantor e compositor. Abaixo você encontra a (ótima) versão de Sufjan Stevens para A Little Lost e também a adaptação dançante de Robyn para Tell You (Today), duas das canções que recheiam a obra. Para ouvir o trabalho na íntegra, basta uma visita ao site da NPR. Já quem pretende comprar a coletânea e colaborar com a Red Hot, pode fazer isso pelo site da entidade.

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Sufjan Stevens – A Little Lost

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Robyn – Tell You (Today)

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Disco: “Our Love”, Caribou

Caribou
Electronic/Experimental/Alternative
http://www.caribou.fm/

Por: Cleber Facchi

Quando Dan Snaith apresentou Odessa, em janeiro de 2010, as melodias hipnóticas e ritmo eufórico da canção apenas anunciavam: o som assinado pelo produtor já não era o mesmo dos últimos discos. Longe da folktrônica e experimentos encaixados em The Milk of Human Kindness (2005) e Andorra (2007), primeiros trabalhos como Caribou, Snaith parecia lidar com um material menos abstrato, harmônico, ainda que provocativo em se tratando da adaptação de temas psicodélicos. Apenas um fragmento do que seria apresentado em essência com Swim, naquele momento, o trabalho mais completo do canadense.

Interessado na constante desconstrução da própria obra, algo explícito desde o lançamento de Up in Flames (2003) – quando se apresentava como Manitoba -, Snaith volta a flertar com a ruptura. Em Our Love (2014, City Slang/Merge), novo registro do produtor à frente do Caribou, o ouvinte é mais uma vez convidado a explorar o território apresentado no álbum de 2010, todavia, as experiências, arranjos e principalmente sentimentos incorporados em cada canção agora são outros.

Como indicado na capa sutil e título, Our Love é um registro orquestrado pelos sentimentos. Partindo de uma exposição romântica que vai das melodias ao verso cíclico da inaugural Can’t Do Without You, Snaith revela ao público o trabalho mais confessional e sensível de toda a carreira. Mesmo que não seja um projeto conceitual, linear, difícil não encarar o “amor” e diferentes sentimentos próximos como as principais engrenagens do álbum. Dor, inveja, carinho e declaração; interpretações pessoais que interferem em cada peça da obra.

Não por acaso, toda essa “exposição sentimental” resulta no componente de maior encanto do disco: os versos. Ainda que músicas de peso como Can’t Do Without You e a própria faixa-título resgatem a mesma fórmula pronta de Snaith nos últimos discos – um verso simples trabalhado em loop -, letras extensas, delicadas e íntimas do público lentamente ocupam o interior do trabalho. Um reforço para o contexto doce da obra, algo explícito com naturalidade nos versos de All I Ever Need (“Ter você de volta é tudo que eu sempre precisei“) e demais peças líricas do canadense. Continue reading

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Disco: “Rasura”, ruído/mm

ruído/mm
Post-Rock/Experimental/Instrumental
http://www.ruidopormilimetro.com/

Por: Cleber Facchi

Grandes discos sempre vêm acompanhados de boas histórias. Um caso de amor não resolvido, a iminente separação entre os integrantes de uma banda, viagens e distúrbios lisérgicos ou apenas frágeis acontecimentos mundanos. Cenas vistas da janela de um apartamento ou mergulhadas no fundo de um copo de cerveja. Em Rasura (2014, Sinewave), quarto disco de estúdio da curitibana ruído/mm, de um jeito ou de outro, todas essas histórias parecem se encontrar.

Naturalmente esquivo de palavras, o grupo explora o mesmo artifício dos antecessores A Praia (2008) e Introdução à Cortina do Sótão (2011), dialogando com o ouvinte por meio dos arranjos e melodias sempre versáteis. Ainda que subjetivo em razão da lírica “imaginária” de cada composição, como a capa do álbum indica, Rasura é uma obra projetada em um ambiente épico, quase cênico. Uma donzela em apuros, naves espaciais, guerreiros, planetas e paisagens pós-apocalípticas. Um cenário delineado, porém, aberto à interpretação e complemento do próprio ouvinte.

Uma vez transportado para dentro esse universo de histórias e cenas marcadas, não é difícil perceber o alinhamento preciso dos instrumentos em cada canção. Trata-se do registro mais direto e menos contemplativo já apresentado pelo grupo paranaense. Ainda que a inaugural Bandon cresça em um borbulhar de distorções tímidas, todo o restante da obra segue em uma corredeira intensa. Guitarras loucas em Cromaqui, ruídos ascendentes na “pacata” Transibéria e a completa ausência de controle na fragmentada Filete. Se existem histórias ao fundo de cada faixa, a tensão é constante.

Ao mesmo tempo em que a urgência natural do trabalho move o espectador, empurrado até a faixa de encerramento, Rasura encanta pela sutileza e imensa carga de detalhes. Melhor exemplo disso são as texturas que se escondem ao fundo de Eletrostática. Dividida em dois atos ascendentes de guitarras, a eufórica canção carrega na própria base um acervo de ruídos e distorções minimalistas quase imperceptíveis; fragmentos também ocultos e partilhados em faixas rápidas como Cromaqui e Inconstantina. Continue reading

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Disco: “You’re Dead!”, Flying Lotus

Flying Lotus
Experimental/Electronic/Jazz
http://flying-lotus.com/youre-dead/

Por: Cleber Facchi

A experiência de ouvir milhares de discos dentro de um único trabalho. Esta talvez seja a melhor forma de resumir o som desenvolvido por Steve Ellison com o Flying Lotus. Adepto da constante transformação dos arranjos e fórmulas musicais, o produtor californiano encontra em You’re Dead! (2014, Warp), quinto registro de estúdio, sua obra mais instável e ainda assim linear. Um passeio curioso pelo Jazz herdado da própria família, ao mesmo tempo em que desenvolve um resgate do mesmo Hip-Hop místico projetado no primeiro álbum da carreira, o distante 1983 (2006).

Fuga dos plano onírico/conceitual lançado no antecessor Until the Quiet Comes (2012) – uma obra repleta de temas voltados ao “mundo dos sonhos” -, You’re Dead! sobrevive como um registro de improviso, etéreo, mas ainda capaz de manter os pés no chão. Sobrinho-neto de Alice Coltrane e John Coltrane, Ellsion assume no presente disco um evidente espaço de referência, resgatando os mesmos temas experimentais incorporados pelos familiares na década de 1960 e 1970, ao mesmo tempo em que esbarra na obra de outros veteranos dos gênero, principalmente Miles Davis, Sun Ra e Herbie Hancock.

Por falar em Hancock, pertencem ao músico as harmonias de pianos aplicadas em Tesla e Moment of Hesitation, composições que melhor resumem os traços de Jazz Fusion dissolvidos em toda a obra. Primeiro convidado a surgir pelo disco, o pianista parece ser a ponte para o ambiente atual/nostálgico que preenche todo o trabalho. Ora íntimo de obras como Universal Consciousness (1971) e Head Hunters (1973), ora inclinado a visitar o próprio universo, Ellison passeia pelo tempo, fazendo com que convidados como Kendrick Lamar (Never Catch Me) e Angel Deradoorian (Siren Song) permaneçam tão íntimos do presente, quanto do cenário “planejado” há quatro décadas

Com uma verdadeira colcha de retalhos nas mãos, Ellison mais uma vez segue a estrutura versátil projetada para o trabalho de 2010, Cosmogramma. São composições essencialmente curtas (quase vinhetas), encaixes abstratos de voz e todo um catálogo de bases instrumentais isoladas. Fragmentos aleatórios, mas que parecem vindos de uma mesma base temática. A diferença está no completo afastamento do produtor em relação ao uso de samples e pequenas colagens eletrônicas – componentes fundamentais nos quatro últimos discos de FL. Continue reading

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Objekt: “Second Witness”

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“Techno”, “Minimal”, “Ambient”, “Dubstep” e até “Crunkstep”. Rótulos não faltam ao trabalho versátil do produtor germânico Brit TJ Hertz. Há muito atuante na cena eletrônica de Berlim, o produtor reserva para o dia 20 de outubro a chegada do aguardado Flatland (2014), o primeiro registro oficial à frente do Objekt, principal projeto de Hertz. Distribuído pelo selo PAN, o vinil duplo de 11 faixas acaba de ter sua primeira peça apresentada ao público: Second Witness.

Perfeita representação da sonoridade arquitetada pelo artista, a música de apenas três minutos funciona como um resumo sedutor para ouvinte que ainda desconhece a obra de Objekt – sempre conciso mesmo na extensa duração de faixas como Agnes Demise. Movida pelo encaixe certeiro de bips robóticos e bases carregadas de efeito, Second Witness serve de aviso, afinal, em um ano de Aphex Twin e Lone, alguns trabalhos ainda podem impressionar.

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Objekt – Second Witness

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Maxo: “Not That Bad” (feat. GFOTY)

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Maxo é um produtor norte-americano que atua na região do Brooklyn, em Nova York, logo, está longe de ser encarado como um novo “personagem” do coletivo britânico PC Music. Todavia, bastam alguns minutos passeando pelo soundlcoud do artista para perceber o completo interesse e a estranha relação com o time de produtores que movimentam a cena britânica. Mesmo entre faixas grudentas (e estranhas) como Honeybell e Snow Other nas mãos, é com a recém-lançada Not That Bad que Maxo estreita de vez essa relação.

Em uma atmosfera pueril, evidente apego pop e todo um universo de referências pegajosas desconstruídas, a canção ainda encanta pelos vocais “da convidada” GFOTY. Responsável pela curtinha Don’t Wanna / Let’s Do It, além de outras composições espalhadas pelo Soundcloud da PC Music, a “produtora” transporta um pouco de excentricidade para o trabalho de Maxo, autor de uma faixa instável até o último segundo.

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Maxo – Not That Bad (feat. GFOTY)

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Disco: “Tomorrow’s Modern Boxes”, Thom Yorke

Thom Yorke
Electronic/Alternative/Indie
https://twitter.com/thomyorke

Por: Cleber Facchi

Em algum momento dos anos 2000, Thom Yorke parece ter estacionado criativamente. A natureza mutável dos arranjos e versos explorados desde o começo da década de 1990, encontraram na série de obras pós-The Eraser (2006) uma evidente zona de conforto. Mesmo que In Rainbows (2007), sétimo disco do Radiohead, tenha mais uma vez balançado a cena musical – muito pela forma como foi lançado -, em se tratando da estrutura das canções, o músico britânico parece perdido em um loop criado por ele próprio. Um ruído sujo entre o universo imenso descoberto em Kid A (2000) e os beats matemáticos do primeiro álbum solo.

Em Tomorrow’s Modern Boxes (2014, Independente), segundo e mais recente trabalho em carreira solo, Yorke parece incapaz de ir além do mesmo resultado auto-imposto. Encaixes minimalistas, batidas assíncronas e tradicional voz subaquáticas. A mesma estratégia que inaugura que álbum solo de 2006, orienta a direção de The King Of Limbs (do Radiohead) em 2011 e parece sair de fábrica no ambiente previsível de AMOK (2013), estreia do Atoms For Peace – a nova banda velha do músico britânico.

Estranho que mesmo em um ambiente tão similar, Thom Yorke consiga parecer diferente com o novo álbum. Como uma versão abortada desse mesmo universo de batidas e vozes sempre precisas, o presente disco – obra lançada via torrent – convence pela imperfeição. Cortes bruscos, ausência de linearidade e completa instabilidade na formação dos sons. Se há 14 anos o cantor se transformou em instrumento para emular as vozes e harmonias que ocupam faixas como Everything In Its Right Place e Idioteque, hoje pouco disso parece ter sobrevivido. Tudo é som.

Tão subjetivo quanto o primeiro disco solo do cantor, TMB é uma obra que lida durante todo o tempo com a urgência. Ainda que ponderado em se tratando do uso das vozes e colisão dos temas instrumentais, basta a inaugural A Brain In A Bottle para perceber o terreno conturbado que o ouvinte enfrente ao longo da obra. É como se Yorke acordasse de um pesadelo e imediatamente finalizasse o disco, ainda sonolento, deixando evidente cada rachadura ou forma torta que preenche o material. Não existem respostas, apenas a necessidade transportar o ouvinte para o mesmo cenário onírico há pouco rompido. Continue reading

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