Tag Archives: Experimental

Flying Lotus: “Coronus, The Terminator”

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Quem acompanha o trabalho de Steve Ellison há bastante tempo sabe que cada fragmento musical produzido pelo artista deve ser apreciado com atenção. Prestes a lançar o quarto álbum de estúdio à frente do Flying Lotus – You’re Dead! (2014) -, o produtor norte-americano mostra que não são apenas as faixas em parceria o único ponto de acerto da (ainda inédita) obra. Depois de desfilar ao lado de gigantes como Kendrick Lamar e Herbie Hankcook, Ellison convence agora o ouvinte de maneira solitária, brincando com os sentimentos e colagens na estreia de Coronus, The Terminator.

Delicada, a faixa de dois minutos e 40 segundos é uma continuação inteligente de grande parte dos conceitos jazzísticos da presente fase do produtor. Um agregado brando de vozes em coro, toques controlados de soul music e toda uma carga de referências eletrônicos vindos do trabalho de Ellison com o Cartoon Network. Segundos de confissão e dor costurados pela sutileza instrumental do californiano. Com lançamento pelo selo Warp, You’re Dead! estreia no dia sete de outubro.

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Flying Lotus – Coronus, The Terminator

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Disco: “Rainha dos Raios”, Alice Caymmi

Alice Caymmi
Alternative/Electronic/Female Vocalists
http://www.rainhadosraios.com/

Por: Cleber Facchi

O mar inquieto desbravado por Alice Caymmi durante o primeiro álbum de estúdio, de 2012, encontra agora seu estado de maior agitação. Em Rainha dos Raios (2014, Joia Moderna), segundo trabalho solo da cantora e compositora carioca, todas as experiências – líricas e musicais – arrastam agora o espectador para um cenário de plena incerteza e constante transformação. Instável e senhora do próprio domínio, Alice rompe de forma decisiva com os laços da própria herança, deixando de ser encarada apenas como a “neta de Dorival Caymmi” para governar um universo inteiro dentro das próprias imposições.

Imenso registro de possibilidades, a obra “em louvor” à Iansã – a orixá das tempestades – logo se converte em um registro de incorporação. Das vozes fortes tomadas pela androginia ao uso versos provocados pelo incerteza de gênero do eu-lírico, quem passeia com liberdade pelo disco não é Alice, mas as diferentes entidades que temporariamente invadem o corpo (e voz) da artista.

Contrariando a força autoral do primeiro disco – rompida apenas na regravações de Unravel de Björk e Sargaço Mar do próprio avô -, aqui Alice é Caetano Veloso (Homem), Maysa (Meu Mundo Caiu), MC Marcinho (Princesa) e até uma versão transformada dela mesma (Antes de Tudo). Mesmo quando se encontra com o hitmaker Michael Sullivan em Meu Recado, Caymmi está longe de repetir a mesma “personagem” exaltada no álbum de estreia. Rostos, vozes e papéis que se confundem sem deixar de ditar a direção (incerta) a ser seguida pelo ouvinte no decorrer do trabalho.

Ainda que encarado como uma obra de interpretações – das nove faixas do disco, sete contam com assinatura ou foram gravadas previamente por outros artistas -, Rainha dos Raios está longe de ser resumido como um simples “disco de versões”. Inclinado ao remodelar de cada faixa, Diogo Strausz, produtor do disco, brinca não apenas com a base experimental de cada canção, mas com a essência da própria cantora. Parceiros desde o experimento testado em Iansã, no último ano, Strausz e Caymmi testam referências (Sou Rebelde), forçam o uso da voz como instrumento (Meu Recado) e, principalmente, atravessam um oceano imenso de novos ritmos. Continue reading

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Holly Herndon: “Home”

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Quem acompanha o trabalho de Holly Herndon desde o álbum Movement, de 2012, sabe da estrutura complexa que invade cada criação da compositora/pesquisadora musical. Inclinada ao executar de peças complexas, diferentes métodos de gravação e uso experimental da voz, a artista californiana vem desde o começo do ano investindo na ativa relação entre som e imagem, preferência já reforçada durante a construção do clipe de Chorus, porém, aprimorada com o lançamento de Home.

Íntima das mesmas referências lançadas por Daniel Lopatin no último álbum do Oneohtrix Point Never, R Plus Seven (2013), a canção flutua em um mar de formas digitais e acústicas instáveis, porém, controladas. São mais de seis minutos de formas sobrepostas, imagens limpas e uma chuva de referências visuais capazes de completar as lacunas de voz deixadas pela cantora. A direção do vídeo conta com a assinatura do estúdio holandês Metahaven.

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Holly Herndon – Home

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SBTRKT: “Look Away” (ft. Caroline Polachek)

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Cada novo lançamento de Aaron Jerome nas últimas semanas tem sido uma verdadeira surpresa para o público que acompanha o trabalho do SBTRKT. Entre composições ao lado de Ezra Koenig (New Dorp, New York) e faixas desenvolvidas em parceria com rappers como Raury (Higher) e A$AP Ferg (Voices in My Head), todos os elementos apontam que Wonder Where We Land (2014), novo álbum do produtor britânico, tem tudo para se transformar em um dos trabalhos mais amplos e convincentes do ano.

Há poucos dias da estreia do disco – prevista para 23 de setembro -, SBTRKT lança o primeiro clipe oficial do registro e, ao mesmo tempo, mais uma assertiva parceria. Trata-se de Look Away, faixa mais experimental do novo disco (até agora) e uma assertiva parceria com Caroline Polachek, do Chairlift. Para o estranho vídeo interativo da canção – projeto desenvolvido pelo estúdio Resn -, a webcam do computador é utilizada para que a figura soturna do clipe desvie o olhar do próprio espectador. Ouça a faixa abaixo ou assista ao vídeo aqui.

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SBTRKT – Look Away (ft. Caroline Polachek)

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Panda Bear: “Mix Ticks”

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Passados três anos desde o lançamento de Tomboy (2011), último registro em estúdio do Panda Bear, Noah Lennox continua a criar expectativa em relação ao próximo disco do projeto: Panda Bear Meets the Grim Reaper. Ainda sem previsão de lançamento, o álbum co-produzido em parceria com Peter “Sonic Boom” Kember (ex-integrante do Spaceman 3) parece manter a linda psicodélica dos registros que o antecedem, porém, dentro de um novo conceito instrumental.

Em exercício de forte comunicação com música eletrônica, Lennox apresenta agora mais uma inédita mixtape: Mix Ticks. Trata-se de um curioso exercício criativo em visitar a House Music dos anos 1990, material já testado na mixtape Green Ray Mix, lançada no último ano, porém, melhor delineado agora. Com 40 minutos de duração e fragmentado em diferentes atos/variações, o trabalho pode ser apreciado na íntegra logo abaixo, ou no site de Panda Bear, onde você encontra uma perturbadora animação psicodélica.

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Panda Bear – Mix Ticks

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Arca: “Thievery”

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Em pouco menos de um ano o venezuelano/nova-iorquino Alejandro Ghersi deixou de ser apenas um nome estranho da cena norte-americana para se transformar em um dos produtores mais disputados da música recente. Mais conhecido pelo trabalho à frente do Arca, Ghersi passou os últimos meses entre produções para artistas como Kanye West e FKA Twigs, além de faixas e projetos visuais desenvolvidas ao lado do parceiro Jesse Kanda – com quem lançou Fluid Silhouettes no começo do ano.

Depois de uma ótima mixtape lançada em agosto do último ano – &&&&& (2013) -, é hora de sermos apresentados ao primeiro registro oficial do artista: Xen (2014). Previsto para estrear no dia quatro de novembro pelo selo Mute, o álbum resume na inédita Thievery não apenas um aperitivo das demais composições, mas também um curioso distanciamento do material lançado há poucos meses. Muito mais “controlado”, Ghersi testa agora ambientações, batidas e samples em um cenário quase convidativo para o ouvinte médio, esbarrando vez ou outras nas mesmas imposições de Clams Casino e até AraabMuzik durante o primeiro disco.

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Arca – Thievery

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Grouper: “Call Across Rooms”

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Há três anos, quando Liz Harris passou a dividir as composições do Grouper entre bases densas do Drone e melodias sublimes do Dream Pop, nascia não apenas o melhor álbum da compositora até presente momento – o duplo A I A: Dream Loss e Alien Observer (2011) -, mas a inspiração para os lançamentos seguintes da norte-americana. Ambientado no mesmo plano etéreo e seguindo a trilha do bem sucedido The Man Who Died In His Boat (2013), Harris abre as portas para o 10º álbum da carreira, Ruins (2014).

Previsto para estrear no dia 31 de outubro (Halloween) pelo selo Kranky, o novo álbum carrega na inédita Call Across Rooms uma pista sólida sobre os próximos lançamentos relacionados ao novo disco e, ao mesmo tempo, a composição mais doce já lançada pela musicista. São menos de três minutos em que vozes melancólicas, pianos e ruídos soturnos se materializam com leveza na mente do espectador, acomodando as percepções do ouvinte dentro de um cenário que parece desvendado apenas por Harris. Doce e triste.

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Grouper – Call Across Rooms

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How To Dress Well: “Repeat Pleasure” (A. G. Cook Remix)

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Por mais acessível que seja o material lançado por Tom Krell em “What Is This Heart?” (2014), terceiro álbum do How To Dress Well, é difícil pensar que alguém possa “ampliar” ainda mais a sonoridade do proposta pelo cantor norte-americano. Para o remix de Repear Pleasure, A. G. Cook conseguiu não apenas reforçar o apelo “pop” no trabalho de Krell, como ainda acrescentou toda uma carga de experimentos sintéticos, sonoridade típica do material conquistado dentro do selo PC Music.

Concentrando todos os esforços na voz doce de Krell, Cook deixa de lado o ritmo frenético dos últimos inventos em fase solo para sustentar uma obra essencialmente detalhista. Um movimento tímido de sintetizadores, ruídos e sobreposições, elementos capazes de encantar no centro da faixa, quando o britânico prende o ouvinte (e o refrão da faixa) em um loop crescente. Há poucos dias A. G. Cook apresentou seu novo projeto ao lado do conterrâneo SOPHIE, o QT, lançando a também excelente Hey QT.

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How To Dress Well – Repeat Pleasure (A. G. Cook Remix)

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BOOTS: “Mercy”

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Há poucos meses, quando o “misterioso” BOOTS anunciou o lançamento da primeira mixtape – WinterSpringSummerFall (2014) -, muita gente esperou por uma possível extensão do trabalho pensado pelo produtor para o último álbum de Beyoncé, de 2013. Ledo engano. Longe das batidas densas, do clima voltado ao R&B dos anos 1990 e toda a sonoridade abrangente que recheia a obra, a estreia solo de Jordy Asher trilha um caminho particular, de forma nenhuma decepcionante, apenas, “diferente”.

Com a chegada de Mercy, mais novo single do produtor, toda a mesma estranheza dos arranjos e temas musicais volta a se repetir. Inicialmente tímida, a faixa mantém firme os delírios sentimentais antes propostos por Asher, deixando para os instantes finais um espaço aberto ao experimento. Vozes em berro, guitarras distorcidas quase inaudíveis e uma estranha interpretação do pop, postura que mais uma vez revela o quão bom seria ver BOOTS trabalhando com Charli XCX, Sky Ferreira e outros nomes importantes do pop atual.

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BOOTS – Mercy

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Disco: “Mundotigre”, M. Takara

M. Takara
Electronic/Experimental/Ambient
https://soundcloud.com/mtakara

Por: Cleber Facchi
Foto: Rodrigo A Hara

Quem já experimentou qualquer registro em estúdio – ou apresentação ao vivo – de Maurício Takara sabe da “incerteza” que ronda o trabalho do músico/produtor. Seja na extensa discografia ao lado dos parceiros da Hurtmold, ou mesmo em projetos paralelos, caso do São Paulo Underground, a pluralidade de temas, gêneros e sonoridades sempre frescas prevalece como uma dinâmica ferramenta criativa para o artista, por ora voltado à sutileza eletrônica de Mundotigre (2014, Desmonta).

Mais recente projeto solo do músico, o álbum lançado pelo selo Desmonta é uma obra que se divide com naturalidade entre a expansão e o isolamento quando comparada com outros trabalhos de Takara. Ao mesmo tempo em que abraça o som jazzístico lançado há uma década no primeiro disco solo, grande parte dos ensaios sintéticos do novo álbum revelam uma sonoridade quase oculta na obra produtor, voltado à eletrônica apenas no ambiente hermético do disco Conta, de 2007.

Observado com bastante atenção, grande parte dos conceitos lançados em Mundotigre ainda são os mesmos do trabalho apresentado há sete anos. Ruídos eletrônicos aprisionados em loops tímidos (Portão), bases minimalistas acumuladas em pequenas doses de eco (Aaawww), além do uso detalhado e naturalmente incerto das batidas (Pra tnick poder dançar), preferência que reforça a completa maturidade e desafios autorais lançados pelo próprio Takara quanto baterista.

A principal diferença em relação ao disco de 2007 está na composição essencialmente sintética escolhida para o disco. São bases, batidas e até mesmo samples que parecem “esculpidos” artificialmente pelo produtor – único responsável pelas gravações, mixagem e masterização do álbum. Não por acaso o disco projeta com naturalidade a imagem de um artista isolado, sentado em frente a um MacBook pincelado virtualmente suas criações. Basta se concentrar na serena Te Chamando ou no encaixe tímidos das batidas de Linhas para sentir isso. Continue reading

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