Tag Archives: Experimental

Disco: “Vulnicura”, Björk

Björk
Electronic/Experimental/Female Vocalists
http://bjork.com/

O sofrimento sempre esteve diluído em cada novo registro de Björk. Seja de forma maquiada, dentro dos limites anárquicos do KUKL, ou de maneira explícita, na melancolia confessional de Unravel e All Is Full Of Love, mergulhar nos trabalhos da artista islandesa é o mesmo que sufocar em meio a tormentos sentimentais tão centrados na vida da compositora, como íntimos do próprio ouvinte. Todavia, mesmo a completa previsibilidade dos atos e emoções parece corrompida ao esbarrar nos versos amargos de Vulnicura (2014, One Little Indian). Uma peça ainda marcada pelo mesmo caráter conceitual/temático dos grandes álbuns de Björk, porém, tão honesta e liricamente explícita, que mais parece uma curva isolada dentro da trajetória da cantora.

Como um espinho doloroso, incômodo e que precisa ser arrancado, o nono álbum de estúdio de Björk foi posto para fora em pouquíssimos meses. Do anúncio (não oficial), em setembro de 2014, até o lançamento da obra, em janeiro de 2015 – forçado pelo vazamento precoce do trabalho na internet -, foram pouco mais de quatro meses, um prazo curto dentro dos padrões da cantora – em extensa turnê desde o álbum Biophilia, em 2011. O motivo de tamanha urgência? A separação de Björk e Matthew Barney, parceiro da cantora na última década e o principal tempero para a matéria-prima que explode em soluços angustiados por todo o registro.

Longe das batidas tribais lançadas em Volta (2007) ou do minimalismo eletrônico apresentado em Biophilia (2011), Vulnicura se projeta como um trabalho denso e sensível. A julgar pelo arranjo de cordas que abre o disco em Stonemilker, todo o esforço de Arca, produtor central da obra, se concentra em resgatar o mesmo clima doloroso aprimorado pela cantora a partir do clássico Post, em 1995. Batidas arrastadas, bases orquestrais e arranjos eletrônicos corroídos pela tristeza; mais do que uma simples obra de separação, Björk assume ao longo do trabalho o exorcismo dos próprios sentimentos. Uma continua extração de cada farpa, dor e tormento acumulado nos últimos anos.

Todo esse efeito doloroso resulta em uma obra hermética, como se um mesmo tema – a separação de Björk e Matthew Barney – fosse fragmentado em detalhados atos específicos. Não por acaso, diversas canções ao longo do álbum ultrapassam os limites típicos de uma música “comercial”. Faixas como Atom Dance e Family – esta última, produzida por The Haxan Cloak -, com mais de oito minutos de duração, ou mesmo a extensa Black Lake, dez instáveis minutos em que os vocais de Björk são moldados lentamente dentro do vasto campo eletrônico da composição. Continue reading

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Disco: “Panda Bear Meets the Grim Reaper”, Panda Bear

Panda Bear
Psychedelic/Experimental/Alternative
http://www.pbvsgr.com/

Vozes submersas em um lago de efeitos psicodélicos, colagens instrumentais e arranjos essencialmente excêntricos. Quem Noah Lennox está tentando enganar? Mesmo que fórmulas complexas e temas pouco “usuais” dentro dos padrões da música comercial sirvam de base para o trabalho do músico norte-americano, ao esbarrar no acervo colorido de Panda Bear Meets the Grim Reaper (2015, Domino), quinto álbum do também integrante do Animal Collective como Panda Bear, todos os esforços do artista residente em Portugal se concentram no explícito diálogo com melodias típicas do pop.

Seja no refrão ascendente de Mr. Noah – a faixa mais enérgica de Lennox em carreira solo – ou pela leveza mágica de Latin Boys, cada instante do presente registro confirma a imagem de um compositor livre, acessível, ainda que experimental em essência. A julgar pela overdose de efeitos eletrônicos e projeções instrumentais inspiradas no Hip-Hop da década de 1990 – principalmente Q-Tip e A Tribe Called Quest -, este talvez seja o trabalho que o público do Animal Collective tanto esperou depois do ápice criativo alcançado em Merriweather Post Pavilion (2009).

Em construção desde o lançamento de Centipede Hz, de 2012, Panda Bear Meets the Grim Reaper – o nome é uma brincadeira com os discos de dub em parceria lançados na década de 1970 – soa como uma completa oposição aos temas propostos pelo músico em Tomboy (2011), então, último trabalho de Lennox em carreira solo. Da capa cinza – agora colorida -, passando pelo abandono de bases drone, ruídos opacos e fórmulas sóbrias, cada instante do novo trabalho se transforma em um passeio por um cenário onírico/lisérgico, talvez uma versão menos “caseira” do mesmo Panda Bear oficialmente apresentado em Person Pitch (2007).

Embora irônico, o conceito de parceria – entre “Panda Bear e a Morte” – que rege todo o disco está longe de parecer uma brincadeira. Tão presente quanto o próprio Lennox, Peter “Sonic Boom” Kember ultrapassa a função de produtor da obra, garantindo o movimento e presença necessária para o crescimento das canções. Colaborador desde o álbum de 2011, o ex-Spacemen 3 aos poucos afasta Panda Bear da zona de conforto criada ao lado dos parceiros do Animal Collective, invadindo o território da música negra – vide o sample de Ashley’s Roachclip em Crosswords -, além do constante reciclar de elementos da música clássica em faixas como a delicada Tropic Of Cancer. Continue reading

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Purity Ring: “Begin Again”

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Com o lançamento da inédita Push Pull, em dezembro do último ano, Corin Roddick e Megan James entregaram ao público as primeiras pistas em relação ao sucessor de Shrines (2012), elogiado registro de estreia da dupla como Purity Ring. Poucas semanas depois, a também inédita Begin Again reforça o novo compromisso do casal canadense, cada vez mais inclinado ao uso de melodias pop, porém, ainda imersos no ambiente onírico de vozes e batidas flutuantes testadas durante o primeiro disco.

Ao mesmo tempo em que a voz de James se espalha confortável em meio a arranjos típicos do R&B e pop dos anos 1990, Roddick continua a explorar diferentes fórmulas, esbarrando vez ou outra no mesmo ambiente de Clams Casino e outros artistas próximos da mesma cena Instrumental Hip-Hop. Instantes de leveza alternados com beats grandiosos, premissa testada no single anterior, porém, aprimorada somente agora.

Assim como o último lançamento, Begin Again é parte do novo álbum de estúdio da dupla, Another Eternity (2015), registro de 10 faixas que conta com distribuição pelo selo 4AD e lançamento previsto para o dia três de março.

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Purity Ring – Begin Again

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Panda Bear: “Boys Latin”

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Com o lançamento de Mr Noah EP (2014) há poucos meses, Noah Lennox revelou ao público parte dos conceitos que devem sustentar Panda Bear Meets the Grim Reaper (2015), o quinto registro solo do músico como Panda Bear. Em busca de novidade, Lennox, também integrante da banda Animal Collective, deixa de lado a sonoridade em “preto e branco” explorada em Tomboy (2011) para investir em uma série de ambientações eletrônicas, estrutura ampliada em cada uma das quatro composições do recente trabalho.

Em Boys Latin, uma das 13 faixas que abastecem o (ainda) inédito registro, Panda Bear não apenas reforça a base eletrônica que vem desenvolvendo nos últimos meses, como ainda flerta com o pop. Enquanto os vocais crescem como uma espécie de mantra, o uso de arranjos quase dançantes invadem o mesmo território de Doin’ it right, parceria com Daft Punk em Random Access Memories (2013). Para a divulgação do novo single, Lennox convidou os diretores Isaiah Saxon e Sean Hellfritsch, membros pela produtora Encyclopedia Pictura e responsáveis pela belíssima animação que acompanha o trabalho.

Agendado para o dia 13 de janeiro,Panda Bear Meets the Grim Reaper conta com distribuição pelo selo Domino Records.

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Panda Bear – Boys Latin

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Dan Deacon: “Feel The Lightning”

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Quem ainda não se recuperou da avalanche de sintetizadores, colagens eletrônicas e ruídos orquestrados no excelente America, de 2012, precisa tomar fôlego agora, afinal, o novo álbum do canadense Dan Deacon já está a caminho. Sob o título de Gliss Riffer (2015), o trabalho reservado para 24 de fevereiro do próximo ano deve seguir a trilha melódica e certa dose de “controle” reforçados no lançamento anterior, sensação reforçada durante os mais de cinco minutos da música Feel The Lightning, primeiro exemplar do novo disco.

Enquanto cria uma verdadeira muralha de sintetizadores e vozes robóticas, um canto doce corre ao fundo da canção, uma das mais acessíveis desde o material apresentado em Spiderman of the Rings, em 2007. Para dar vida ao som estranho da canção, Deacon convidou o diretor Andrew Jeffrey Wright, responsável pelas imagens coloridas, móveis dançantes e estranhos objetos que aparecem no decorrer do clipe. Gliss Riffer conta com lançamento pelo selo Domino, mesmo do último álbum do produtor.

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Dan Deacon – Feel The Lightning

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Shlohmo: “Emerge From Smoke”

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Foi um ano produtivo para Henry Laufer, o Shlohmo. Além do ótimo No More EP (2014), registro em parceria com o rapper Jeremih e Brain, single assinado de forma colaborativa com a cantora Banks, o artista californiano manteve uma agenda realmente lotada de apresentações, remixes esporádicos e faixas que naturalmente mergulham no ambiente de formas abstratas detalhadas pelo produtor. Para celebrar a passagem para o selo True Panther – casa de Tobias Jesso Jr. e Delorean, – Shlohmo apresentou a inédita Emerge From Smoke.

Sem fugir do ambiente conquistado no último ano com Laid Out EP (2013), Shlohmo continua a investir em faixas que se dividem entre as batidas lentas do R&B e o uso constante de sintetizadores sujos, emulando ruídos metálicos. Quase cinco minutos em que a essência do produtor se espalha confortavelmente, preparando o terreno para um novo álbum completo que deve aparecer nos próximos meses. Bad Vibes, o último disco oficial do produtor foi lançado em 2011.

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Shlohmo – Emerge From Smoke

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James Blake: “200 Press EP”

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Quem conheceu o trabalho de James Blake em Overgrown, álbum de 2013, talvez tenha deixado passar todo o acervo de EPs e singles lançados pelo produtor desde o fim da década passada. Em um inevitável exercício de regresso aos primeiros inventos em carreira solo, o artista britânico apresenta ao público o inédito 200 Press EP, trabalho que traz de volta todo o experimento, diálogo natural com o Dubstep e desconstrução do R&B testado desde o amadurecimento em CYMK (2010) e Love What Happened Here EP (2011).

São apenas 16 minutos, tempo suficiente para que as quatro faixas do trabalho – 200 Press, 200 Pressure, Building It Still e Words That We Both Know – tragam de volta toda a euforia e intensidade que sustentou os anos iniciais de Blake. Anunciado há poucos dias, o novo registro abre as portas para o terceiro álbum solo do produtor, registro que deve estrear em 2015. Com lançamento pelo selo 1-800-Dinosaur, do próprio Blake, 200 Press EP pode ser apreciado na íntegra logo abaixo.

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James Blake – 200 Press EP

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Death Grips: “Inanimate Sensation”

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O fim das atividades do Death Grips há poucos meses de forma alguma deve prejudicar o lançamento de Jenny Death. Segunda parte do duplo The Powers That B, registro duplo que teve a primeira metade – Niggas on the Moon – apresentada há poucos meses, o trabalho acaba de receber um novo estímulo antes de ser oficialmente entregue ao público. É hora de conhecer Inanimate Sensation, uma das composições do registro que ainda conta com os samples de voz da cantora Björk, além, claro, dos ruídos e rimas sujas que apresentaram o coletivo em 2010.

Tão insana quanto todo o material apresentado no registro anterior, a faixa de seis minutos parece concentrar todos os acertos do DG: a rima eletrônica de Stefan Burnett, batidas quebradas típicas de Zach Hill e os sintetizadores sujos de Andy Morin. Em ritmo acelerado, a música ainda conta com a nítida interferência de Björk. Além da nova música, o (falecido) grupo assina a direção da faixa em que Burnett aparece rimando em meio a estranhas imagens digitais.

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Death Grips – Inanimate Sensation

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Disco: “Quarup”, Lupe de Lupe

Lupe de Lupe
Alternative Rock/Indie Rock/Shoegaze
http://lupedelupe.bandcamp.com/

Por: Cleber Facchi

Quarup (2014, Independente) é uma obra imensa. São 21 canções inéditas e estruturalmente sujas, quase artesanais. Fragmentos divididos em atos curtos de dois ou três minutos – PKA Prefácio, Minha Cidade Em Ruínas -, até blocos extensos de ruídos densos, longas formações distorcidas capazes de ultrapassar os dez minutos de duração – Jurupari, Carnaval. Todavia, não são os 110 minutos do (ambicioso) registro que fazem dele a peça mais grandiosa já projetada pela mineira Lupe de Lupe. Em um cenário torto, “podre” e caótico, talvez o mesmo Reino de Minas Gerais desconstruído em Sal Grosso (2012), o quarteto lentamente expande os limites do próprio universo, desenvolvendo um dos retratos mais honestos da música (e sociedade) brasileira recente.

Longe do romantismo melancólico que corrompe grande parte do rock nacional, cada segundo do álbum (duplo) ultrapassa os limites acolhedores do eu lírico de forma a explorar um cenário arquitetado em torno dos indivíduo – sejam eles personagens reais ou fictícios. Da declaração partidária/ideológico em O Futuro É Feminino (“Meu coração é brasileiro/ Pois o futuro é feminino/ Minha presidente é uma mulher“), ao descritivo ambiente desbravado no interior de Carnaval, Quarup é uma obra que se esquiva da comodidade óbvia do “amor” e “dor”, reforçando no uso de temas sociais um exercício provocativo, temperado pela crueza.

Ainda que esse mesmo conceito seja evidente desde o primeiro trabalho da banda, o curto Recreio, de 2011, parte substancial das composições nascem como fruto de uma transformação recente do quarteto. Desde o lançamento de Distância EP, no último ano, faixas como Os Dias Morrem e Areia Suja parecem reforçar o lado “crítico” da banda, hoje ampliado em canções amargas como Você é Fraco e Eu Já Venci – esta última, uma das melhores e, talvez, mais acessíveis faixas da Lupe de Lupe.

De fato, grande parte do conteúdo entregue no decorrer do presente registro cresce como uma extensão inteligente dos conceitos apresentados no último ano pelo grupo, postura evidente não apenas no discurso “social” imposto em boa parte das canções, mas principalmente no aspecto caótico que guia os sentimentos de cada um dos vocalistas – Renan Benini, Gustavo Scholz e Vitor Brauer, este último, também produtor do disco.

Mesmo nos instantes de maior delicadeza (Gaúcha) e humor (Esse Topper Foi Feito Para Andar), há sempre um tempero extra de desespero, condimento que aos poucos sufoca e perturba a mente do ouvinte – arremessado em todas as direções. Como uma bomba relógio, tensa, Quarup amarra desilusões, cacos aleatórios de um coração partido e fragmentos vindos de diversos relacionamentos fracassados. Um agregado de experiências amargas, base para faixas curtas como Moreninha (RJ) (“Por que tanta mágoa assim nesse mundo que é só seu?“) ou mesmo peças extensas aos moldes de Querubim (“Houve um tempo/ Em que o céu era azul pra mim também“). Continue reading

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Disco: “Faith in Strangers”, Andy Stott

Andy Stott
Experimental/Electronic/Techno
https://soundcloud.com/modernlove/

Por: Cleber Facchi

A simples incorporação de vocais e novas estruturas melódicas durante o lançamento de Numb, em setembro de 2012, serviu como alerta para a mudança de direção no trabalho de Andy Stott. Em um intervalo de poucos meses, o produtor britânico havia abandonado a estrutura rústica incorporada em Passed Me By e We Stay Together, ambos de 2011, para mergulhar em um som reconfigurado, leve, princípio para os conceitos que seriam ampliados com a chegada de Luxury Problems, do mesmo ano. Ao apresentar Violence, há poucos meses, Stott – mais uma vez -, parecia anunciar uma nova direção.

Inicialmente branda, a faixa segue com as experiências lançadas no registro anterior, entretanto, basta que Alison Skidmore – colaboradora desde o álbum de 2012 – apareça para que toda a estrutura assinada pelo produtor desmorone. Enquanto regressa ao espaço autoral tecidos nos EPs de 2011, todo um novo jogo de referências confortam a canção, reforçando um palco de pequenas novidades. Ruídos metálicos, vozes sombrias e isolamento. Uma fração dos temas ampliados em essência com Faith in Strangers (2014, Modern Love).

Talvez reflexo de recentes inventos do artista, com o segundo registro oficial, Stott busca se esquivar da produção de um conteúdo homogêneo. Grande parte das experiências ampliadas pelo registro nascem como uma natural extensão do som entregue há poucos meses pelo Millie & Andrea, projeto paralelo dividido com Miles Whittaker, do selo Modern Love. Perceba a maior flexibilidade dos temas em Demage, uma representação do lado “comercial” do britânico.

Como explícito no interior de Science And Industry e demais faixas cortadas pela voz de Skidmore, em Faith in Strangers, pela primeira vez, Andy Stott ressalta a “mensagem” e não apenas o “som”. Mais do que levantar imensos paredões ambientais, como em Luxury Problems, com o presente álbum pequenas desilusões sentimentais são condensada no interior dos versos, completos pela rústica interferência de ruídos eletrônicos que parecem vindos de algum lugar no começo dos anos 1990. Continue reading

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