Depois de se revelar um ótimo cantor na mixtape Entrañas, de 2016, Alejandro Ghersi anuncia a chegada de um novo registro de inéditas como Arca. Sucessor dos álbuns Xen (2014) e Mutant – este último, 35º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2015 –, o trabalho de 13 faixas deve preservar a essência experimental do produtor venezuelano, conceito que alimenta a recém-lançada Piel, primeiro single do novo disco do artista.

Claramente influenciado pela parceria com Björk em Vulnicura (2015), Ghersi acaba explorando a própria voz como uma espécie de instrumento. Um ponto de partida para a lenta e delicada inserção de outros elementos da canção. Entre ruídos estridentes e ambientações soturnas, o canto melancólico do produtor venezuelano, como uma espécie de convite hipnótico a provar de toda a sequência de faixas que sustentam o trabalho.

 

Arca

01 Piel
02 Anoche
03 Saunter
04 Urchin
05 Reverie
06 Castration
07 Sin Rumbo
08 Coraje
09 Whip
10 Desafío
11 Fugaces
12 Miel
13 Child

Arca (2017) será lançado no dia 07/04 via XL Recordings.

 

Arca – Piel

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Depois de muita expectativa e quatro composições excelentes – Keep Your Name, Little Bubble, Up in Hudson e Cool Your Heart, parceria com Dawn Richard –, o novo álbum de estúdio do Dirty Projectors está disponível para audição. Sucessor de Swing Lo Magellan – 22º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2012 –, o registro conta com nove composições inéditas e uma série de referências que passam por diversos aspectos da carreira do grupo.

Produzido ao longo de 2016 pelo próprio vocalista e líder da banda, Dave Longstreth, o autointitulado lançamento reflete o distanciamento entre o músico e Amber Coffman, ex-integrante do Dirty Projectors e antiga parceira de Longstreth. Repleto de curvas, manipulações vocais e flertes com o R&B, o novo disco talvez seja o registro mais revolucionário da banda desde o elogiado Bitte Orca (2009), obra responsável por catapultar o trabalho do coletivo nova-iorquino.

 



Dirty Projectors – Dirty Projectors

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Durante o lançamento de Sorrow – A Reimagining of Gorecki’s 3rd Symphony, em 2016, Colin Stetson assumiu parte expressiva de suas principais influências reinterpretando trechos da obra do compositor polonês Henryk Górecki. O resultado está na construção de um trabalho essencialmente complexo, íntimo da obra do saxofonista norte-americano, porém, completo pelo rico pano de fundo do registro. Em All This I Do For Glory (2017), Stetson parece repetir parcialmente o mesmo conceito.

Primeiro registro de inéditas do músico desde o sombrio New History Warfare Vol. 3: To See More Light, de 2013, o álbum previsto para dezembro encontra na obra de artistas como Aphex Twin e Autechre parte da inspiração de Stetson. São seis composições em que o ouvinte deve ser confrontado pelo jazz sujo do compositor, proposta que se reflete durante toda a execução de Spindrift, primeiro single do novo álbum. A canção chega acompanhada de um estranho clipe produzido pelo próprio saxofonista.

 

All This I Do For Glory

01 All This I Do For Glory
02 Like Wolves On The Fold
03 Between Water And Wind
04 Spindrift
05 In The Clinches
06 The Lure Of The Mine

All This I Do For Glory (2017) será lançado no dia 28/04 via 52Hz / Kartel Music Group.

 


Colin Stetson – Spindrift

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Mais conhecido pelo trabalho como Lee Bannon, Fred Warmsley decidiu dar vida a um novo projeto em meados do último ano. Sob o título de Dedekind Cut, o produtor responsável pelo som de artistas como Pro Era e Joey Bada$$ deu vida ao atmosférico $uccessor (ded004) – 49º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos de 2016. Um jogo de melodias, samples e ruídos controlados que volta a se repetir dentro do novo single do artista: Lil Puffy Coat.

Livre do conceito “etéreo” explorado no último disco, a faixa de quase cinco minutos parece feita para bagunçar a cabeça do ouvinte. São bases densas, captações sujas e sintetizadores marcados que transportam o ouvinte para dentro de um território ritmado, quase dançante. Uma espécie de remix anárquico dos últimos trabalhos de Oneohtrix Point Never e Tim Hecker, artistas que partilham dos mesmos conceitos de Warmsley.

 

Dedekind Cut – Lil Puffy Coat

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Artista: Kiko Dinucci
Gênero: Rock, Alternativo, Experimental
Acesse: http://kikodinucci.com.br/

 

“Ele é mais filme do que disco, ouça numa tacada só, ouça em volume alto se for possível”, escreveu Kiko Dinucci no texto de lançamento de Cortes Curtos (2017, Independente). Produzido em um intervalo de apenas quatro dias, em setembro do último ano, o primeiro registro em carreira solo do cantor e compositor paulistano cresce como um imenso bloco de ruídos, gritos, histórias e personagens. Uma versão caótica, naturalmente punk, do mesmo universo conceitual que Dinucci vem desbravando em projetos como Metá Metá e demais registros colaborativos na última década.

Pensado sob a ótica de uma película cinematográfica, Cortes Curtos se revela como uma verdadeira coleção de imagens sonoras. Fragmentos visuais, narrativos e acústicos que observam diferentes aspectos da cidade de São Paulo, seus habitantes e toda uma sequência de acontecimentos mundanos. Personagens como a musa romantizada em A Morena do Facebook (“Ela é mais bonita que a foto do perfil / Enquanto se aproxima / Com seu andar macio”), ou mesmo o conflito preconceituoso que explode na descritiva Uma Hora da Manhã (“O que você tá falando de nordestino? / Sou nordestina sim, com muito orgulho”).

“Eu fui criando as canções nessa São Paulo horrorosa, racista, reacionária, opressora, que faz as pessoas adoecerem e se deprimirem”, explicou Dinucci em entrevista à Noisey. De fato, quanto mais o trabalho avança, mais ou ouvinte é arrastado para dentro desse ambiente tomado pela desesperança e sorrisos curtos, quase inexistentes. Um cenário dominado pela atmosfera cinza dos prédios e a permanente relação de proximidade com a morte, proposta escancarada nos versos suicidas de Vazio da Morte — “Matias queria se jogar / Do alto do prédio do Banespa”.

Tamanha angústia acaba se refletindo na composição dos arranjos e curvas rítmicas que movimentam o trabalho. Parcialmente distante do samba sujo incorporado pelo Metá Metá, Elza Soares e outros projetos que contam com o pulso firme de Dinucci, Cortes Curtos estreita de forma explícita o diálogo do músico com o rock e suas variações. Logo na abertura do disco, em No Escuro, uma avalanche de sons distorcidos, batidas e vozes violentas, estímulo para toda a sequência de faixas que se espalham no decorrer da obra, entre elas, a insana Desmonto Sua CabeçaCrack Para Ninar.

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Em janeiro deste ano, Margaret Chardiet anunciou a chegada de um novo álbum de inéditas do Pharmakon. Intitulado Contact (2017), o trabalho indica a construção de um som parcialmente distinto em relação ao último registros de estúdio da artista, Bestil Burden – 46º colocado na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2014. A busca por um som cada vez mais próximo da música industrial, livre do conceito “orgânico” retratado no disco entregue há três anos.

Mais recente lançamento de Chardiet, a inédita No Natural Order joga com a manipulação dos ruídos, batidas metálicas, distorções e vozes berradas. O possível resultado de um encontro entre o Swans do álbum To Be Kind, lançado em 2014, e os instantes finais do clássico de horror O Exorcista (1973). Um som tão caótico quanto em Transmission, composição escolhida pela artista para anunciar a chegada do novo álbum.

Contact (2017) será lançado no dia 31/03 via Sacred Bones.

 

Pharmakon – No Natural Order

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Em 2016, David Longstreth foi convidado a participar da produção do excelente A Seat at The Table, terceiro e mais recente álbum de estúdio da cantora e compositora norte-americana Solange Knowles. Dessa parceria veio Cool Your Heart, música co-escrita por Knowles uma das nove composições que abastecem o novo (e aguardado) álbum do Dirty Projectors. Recém-lançada, a canção chega acompanhada de um precioso clipe dirigido pela dupla Noel Paul e Stefan Moore e com a parceria da cantora Dawn Richard.

Penúltima composição do autointitulado sucessor de Swing Lo Magellan – 22º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2012 –, Cool Your Heart joga com o uso de batidas, samples e temas eletrônicos durante toda sua execucão, costurando pequenos loops instrumentais e de voz que se comunicam diretamente com as imagens do trabalho. Um conceito levemente dançante, quase pop, como uma parcial fuga do som originalmente testado em Keep Your Name, Little Bubble e Up in Hudson.

Dirty Projectors (2017) será lançado no dia 24/02 via Domino.

 

Dirty Projectors – Cool Your Heart

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Poucos meses após o lançamento de MM3 (2016), terceiro e mais recente álbum de estúdio do Metá Metá, Kiko Dinucci, guitarrista e um dos integrantes do grupo paulistano anuncia a chegada do primeiro trabalho em carreira solo. Intitulado Cortes Curtos (2017), o registro, produzido e gravado pelo músico em setembro do último ano no Red Bull Station, em São Paulo, conta com 14 composições inéditas, uma regravação e download gratuito pelo site do cantor.

Depois de seis anos de gestação, chegou o Cortes Curtos. Ele é mais filme do que disco, ouça numa tacada só, ouça em volume alto se for possível“, escreveu Danucci no Facebook. No time de colaboradores da obra, parceiros de longa data. Tulipa Ruiz, em O Inferno Tem Sede, Ná Ozzetti em Inferno Particular, Juçara Marçal em Chorei, composição que leva a assinatura de Beto Villares. Cortes Curtos ainda se abre para a participação dos músicos Marcelo Cabral no baixo e Sérgio Machado na bateria. Ouça:

 

Kiko Dinucci – Cortes Curtos

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O conceito eletrônico assumido em The Road parece ser a base do novo álbum da cantora e produtora canadense Lydia Ainsworth. Lançada em janeiro deste ano, a faixa de abertura de Darling Of The Afterglow (2017) mostra a busca da artista de Toronto por um som marcado por ambientações atmosféricas e pequenos diálogos com o R&B, sonoridade reforçada nas batidas e vozes da provocativa Afterglow.

Sem necessariamente perder a própria identidade, Ainsworth abraça diversos conceitos originalmente incorporados por artistas como Björk, The Knife e, mais recentemente, FKA Twigs. São bases eletrônicas que se completam com a lenta inserção de um coro de vozes e outros elementos complementares, como batidas, sintetizadores e pequenas pinceladas instrumentais. Uma fuga do som anteriormente testado pela artista em Right from Real, de 2014.

Darling Of The Afterglow (2017) será lançado no dia 31/03 via Arbutus/Bella Union.

 

Lydia Ainsworth – Afterglow

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Artista: Felipe S.
Gênero: Indie, Alternativo, Experimental
Acesse: http://www.joiamoderna.com.br/

 

Mais conhecido pelo trabalho como vocalista da banda pernambucana Mombojó, Felipe S. passou os últimos dez anos pulando de um projeto para outro, sempre de forma curiosa, inventiva. O resultado desse permanente processo de mudança está na construção de coletivos como o Del Rey, centrado em reinterpretar a obra de Roberto Carlos, além de trabalhos assinados em parceria com artistas como Vitor Araújo, A Banda de Joseph Tourton e a francesa Lætitia Sadier (Stereolab).

Em Cabeça de Felipe (2017, Joia Moderna), primeiro registro em carreira solo do músico pernambucano, um espaço aberto à novidade. Produzido de forma caseira, em um estúdio montado pelo músico dentro do próprio apartamento, o trabalho de dez faixas se espalha em meio a experimentos controlados (Anedota Yanomami), sambas explorados de forma introspectiva (Santo Forte) e composições sufocadas pelo amor (Sabe Quando). Um passagem direta para a mente do próprio compositor.

Com título inspirado em uma pintura produzida em 1987 pelo artista plástico Maurício Silva, pai do cantor, Cabeça de Felipe joga diretamente com a colorida imagem assinada pelo pintor pernambucano. Longe de parecer um registro hermético, cada composição se articula de forma independente, transportando o ouvinte para dentro de um cenário marcado pela incerteza. A mesma ruptura assumida pelo artista no último álbum de inéditas das Mombojó, o explosivo Alexandre (2014).

Montado a partir de diversas colagens minimalistas, ritmos brasileiros e vozes picotadas que indicam a interferência de diferentes artistas, a estreia de Felipe S. segue em um ritmo próprio. Instantes em que o músico pernambucano convida o ouvinte a dançar (Santo Forte), para logo em seguida mergulhar em um cenário dominado pela leveza das melodias (Da Capoeira Pro Samba) ou mesmo ruídos eletrônicos (Nova Bandeira) que poderiam facilmente ser encontrados em qualquer trabalho da Mombojó.

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