Tag Archives: Experimental

CHVRCHES: “We Sink” (The Range Remix)

Chvrches

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Se por um lado as canções lançadas pelo CHVRCHES em The Bones Of What You Believe, de 2013, reverberam boas melodias, letras fáceis e um cuidado típico da música pop, em se tratando dos remixes a sonoridade buscada é outra. Em busca de um resultado minimamente estranho, o trio já se relacionou com produtores como Tourist, KDA e Ikonika, deixando nas mãos de James Hinton, produtor aos comandos do The Range, a nova versão da música We Sink.

Segunda canção do álbum, a faixa originalmente rápida e crescente mergulha de vez na atmosfera lançada pelo norte-americano. Valorizando as batidas, camadas cíclicas e a voz Lauren Mayberry tratada como uma ferramenta, Hinton praticamente recria a música. Ainda que a abertura mantenha a tonalidade da música original, quanto mais cresce, mais a faixa parece com uma sobra (ou extensão) de Nonfication, estreia do artista. Estranha e ainda assim atrativa.

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CHVRCHES – We Sink (The Range Remix)

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Disco: “The Future’s Void”, EMA

EMA
Experimental/Indie/Female Vocalists
http://www.thefuturesvoid.net/

Por: Cleber Facchi

EMA

A música assinada por Erika M. Anderson está longe de ser absorvida de forma imediata. Na contramão de grande parte das cantoras que definem a presente cena norte-americana, o projeto defendido por EMA encontra no enclausuramento um efeito de grandeza, preferência que pode causar desconforto em uma primeira audição, mas continua a martelar a cabeça do ouvinte mesmo meses após uma rápida prova desse som. Em um sentido de continuidade natural ao debut Past Life Martyed Saints (2011), The Future’s Void (2014, Matador) entende o pop de forma particular, transportando a obra da cantora para um ambiente ainda mais denso e perturbador.

Em um esforço explícito de transformação, EMA deixa as histórias construídas em frente a tela de um computador – marca do álbum passado – para desvendar um novo universo. Como o próprio título logo entrega, The Future’s Void é uma obra que olha para frente, manipulando experiências futurísticas dentro do exagero particular da cantora. Não por acaso parte das composições carregam esse efeito conceitual nos versos e até arranjos, algo que Neuromancer – faixa inspirada no livro clássico de William Gibson, de 1984 – revela de maneira curiosa e ao mesmo tempo referencial.

Em se tratando dos versos, EMA lentamente apaga o cenário urbano e descritivo percorrido no trabalho de 2011, tudo para transformar o novo disco em um conjunto de experiências quase universais. O que antes era encarado por meio do lirismo particular da cantora, agora desemboca em uma série de conceitos literários e propositalmente sentimentais, o que faz do disco um imenso bloco de melancolia – experiência sempre próxima do ouvinte. Ainda que o esforço da cantora seja o de favorecer um ambiente de desordem logo nos primeiros acordes, a precisão de músicas como 3Jane e When She Comes logo rompe com esse efeito.

Musicalmente, o bloco de dez criações inéditas que recheiam o disco é uma evolução em se tratando do trabalho passado. Ao apostar em uma sonoridade menos caseira e próximas de melodias convencionais, EMA brinca com a mente do espectador de forma atrativa, sobriedade que faz crescer tanto as guitarras e vozes da faixa de abertura, Satellites, como as interferências eletrônicas das batidas aos moldes de Neuromancer. Mais do que uma continuação dos engenhos lançados há três anos, com o novo disco a cantora encara um típico exemplar de recomeço. Continue reading

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Disco: “Enter The Slasher House”, Avey Tare’s Slasher Flicks

Avey Tare’s Slasher Flicks
Experimental/Psychedelic/Electronic
http://entertheslasherhouse.com/

Por: Cleber Facchi

Avey Tare

Os excessos assumidos por Dave Portner (Avey Tare) dentro de Centipede Hz (2012), último registro em estúdio do Animal Collective, estão longe de chegar ao fim. Mesmo distante do coletivo animal, o músico norte-americano (hoje) centrado em Los Angeles, Califórnia opta pela continua desconstrução dos arranjos, vozes e ritmos. Sonoridade instável incorporado com firmeza e certa dose de liberdade no interior de Enter The Slasher House (2014, Domino), obra que afasta o músico da “carreira solo” para apresentá-lo em uma nova banda.

Incorporando um sentido de proposital afastamento aos sons conquistados em Down There (2011), estreia solo do músico, o novo álbum deixa o terreno pantanoso para abraçar a esquizofrenia das formas eletrônicas. São 11 composições que equilibram a psicodelia, eletrônica rock e diferentes outros aspectos da musicalidade exposta por Tare para brincar com a mente do espectador. Se há três anos tudo o que o músico buscava pela formação de um som homogêneo, por vezes excessivamente sombrio, ao alcançar o novo projeto tudo parece fugir ao controle.

Mesmo que a “culpa” do som esquizofrênico dado ao registro seja apenas do músico, a presença de Angel Deradoorian (ex-Dirty Projectors) e Jeremy Hyman (ex-Ponytail) potencializa em excesso esse resultado. São acordes tortos de guitarra, sintetizadores que vão da década de 1970 ao presente, e toda uma série de atributos por vezes íntimos dos arranjos exaltados no álbum Strawberry Jam (2007), do próprio Animal Collective. Uma imensa geleia musical que busca tanto por condensar um som particular, como desestabilizar qualquer senso de ordem. Tare gosta mesmo é de provocar.

Longe de carregar o título e créditos da obra de forma solitária, Avey parece durante todo o tempo cutucado pelos novos parceiros de banda. Se por um lado as harmonias de Deradoorian alicerçam a base vocal e melodias lançadas pelo músico, em se tratando de Hyman, o uso quebrado da bateria força o álbum a mudar de direção. Se em instantes a calmaria desaba no mesmo som gelatinoso de Down There, logo em sequência o duo acerta um empurrão, fazendo do disco um catálogo de sons que crescem, diminuem, se arrastam e ecoam de forma dinâmica sem qualquer toque de previsibilidade. Continue reading

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Disco: “E S T A R A”, Teebs

Teebs
Electronic/Instrumental Hip-Hop/Experimental
http://teebs.bigcartel.com/

Por: Cleber Facchi

Teebs

Mtendere Mandowa é um verdadeiro colecionador de ruídos. Herdeiro das experiências jazzísticas que orquestram o Instrumental Hip-Hop há mais de duas décadas, o produtor responsável pelo Teebs prova que a sonoridade autêntica produzida por ele desde o fim da década passada está longe de ser silenciada. Passo tímido, ainda que corajoso em relação aos inventos testados em Ardour, de 2010, E S T A R A (2014, Brainfeeder), novo álbum do californiano, aproxima as experiências lançadas pelo artista de um ambiente propositalmente místico e libertador.

Quebrando de vez a ponte que aproximava (em excesso) a obra de Teebs dos inventos lançados por Flying Lotus, parceiro do produtor, cada minuto do novo álbum opta pela densidade dos arranjos como um ponto de formação estética. Ruídos atmosféricos, batidas abafadas e uma série de experimentos testados por Mandowa há quatro anos, porém, explorados a partir de traços particulares de harmonias, trazendo no decorrer do novo disco um efeito declarado de ineditismo.

Enquanto Ardour sustentava um catálogo amplo de batidas matemáticas e uma espécie de equilíbrio constante no decorrer das faixas, em E S T A R A Teebs opta pela desconstrução. São pequenas colagens de bases climáticas, vocais transformados em instrumentos e uma constante sensação de que tudo se movimenta dentro de um mesmo universo conceitual. Da abertura, em The Endless, ao fechamento, com Grattitude, cada minuto do registro flutua, se contorce e dança de forma torta, um enquadramento que está longe de parecer seguro ao espectador.

Teebs

Ainda que livre e essencialmente experimental, com o novo disco Mandowa aproveita para mostrar ao público quais são suas grandes influências. Enquanto músicas como Piano Months reverberam a essência matutina do Boards Of Canada, na fase Music Has the Right to Children (1998), outras como SOTM transmitem nas batidas quebradas a herança do Prefuse 73. Sobram passagens aleatórias pela IDM dos anos 1990 e uma excêntrica interpretação da cena Chillout, construída no mesmo período. Instantes que nunca rompem com a autenticidade do produtor. Continue reading

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Klaxons: “Atom To Atom”

Klaxons

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Não existem certezas em se tratando do terceiro álbum de estúdio do Klaxons. Enquanto There Is No Other Time transportou de vez o grupo britânico para as pistas e inventos lançados na década de 1970, Children Of The Sun, entregue logo em sequência, mergulhou a banda em um som muito mais experimental, ainda que próximo dos antigos seguidores. Mas e o que dizer de Atom to Atom, terceiro single do aguardado Love Frequency e uma espécie de colagem das heranças da banda?

Delineada pelo uso de sintetizadores, batidas frenéticas (meio 90′s) e uma série de atributos inéditos, a canção é ao mesmo tempo uma sequência do disco Myths of the Near Future, de 2007, e uma completa desconstrução em se tratando da obra do grupo. Pop, mas não acessível, excêntrica e ainda assim controlada, a música só reforça o mistério em relação ao que será encontrado no dia nove de junho, data de lançamento do sucessor de Surfing the Void (2010).

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Klaxons – Atom To Atom

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Fennesz: “Static Kings”

Fennesz

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Ainda que tenha se aventurado em uma série de registros colaborativos e outros inventos autorais, Black Sea, último grande lançamento do austríaco Christian Fennesz foi lançado há mais de meia década, em novembro de 2008. Inspiração para grande parte dos produtores e grandes instrumentistas da ambient music atual – entre eles Daniel Lopatin (Oneohtrix Point Never) e Mark McGuire (ex-Emeralds), o criador da obra-prima Endless Summer (2001) retorna ao selo Editions Mego, para apresentar o mais novo trabalho de sua carreira: Bécs.

Em formação desde o último ano, e apresentado há poucas semanas, com o lançamento da faixa The Liar, o trabalho encontra na recém-lançada Static Kings um ponto de aprimoramento e natural continuação da obra do produtor. Menos sombria que a canção anterior, a nova faixa embarca nas mesmas colisões ensolaradas que lançaram o trabalho de Fennesz há mais de uma década. São guitarras pontuais, pequenos acréscimos eletrônicos e distorções orquestradas com calmaria, premissa para o que deve abastecer na íntegra o novo álbum do artista – anunciado oficialmente para o dia 29 de abril.

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Fennesz – Static Kings

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St. Vincent: “Digital Witness” (Darkside Remix)

St. Vincent

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As guitarras, vozes e pequenas distorções “limpas” promovidas por Annie Erin Clark encontram novo sentido nas mãos de Nicolas Jaar e o parceiro de criação Dave Harrington. Convidados a produzir o remix de Digital Witness, um dos hits que abastecem o quarto e mais novo álbum de St. Vincent, o duo norte-americano não apenas deu novo sentido à ensolarada criação, como transportou a obra de Clark para o mesmo universo de Psychic (2013), último álbum da dupla pelo Darkside.

Excêntrica, suja e maquiada pelos ruídos, a canção mantém o mesmo direcionamento da faixa original, porém, interpretada de acordo com as exigências dos produtores. Com um minuto a mais do que a versão original, o remix reforça todas as características do duo à frente do Darkside, como as vozes remodeladas, guitarras tratadas em um esforço sombrio e toda uma base de pequenas colisões sintéticas, palco para os quatro minutos e 20 segundos da “nova” composição.

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St. Vincent – Digital Witness (Darkside Remix)

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Friendly Fires & The Asphodells: “Velo”

Friendly Fires

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Quem espera por uma possível continuação do universo festivo instalado em Pala (2011), último trabalho em estúdio do Friendly Fires, vai ter de esperar um pouco mais. Três anos depois de apresentado o registro, é ao lado da dupla The Asphodells (Andrew Weatherall e Timothy J Fairplay) que o trio britânico aparece de fato. Dando sequência ao single Before Your Eyes, chega a vez da inédita Velo reforçar toda a particularidade do single colaborativo – que segue em uma completa oposição aos inventos prévios do grupo.

Assim como o lançamento anterior, a nova faixa se esquiva completamente de arranjos dançantes e possíveis encaixes abertos ao grande público. Trata-se de uma faixa essencialmente instrumental, quase 10 minutos de duração que se acomodam entre o rock da década de 1980 e pequenas travessias pelo kraturock nos anos 1970. Guitarras, sintetizadores e batidas em um sentido de redescoberta para a banda.

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Friendly Fires & The Asphodells – Velo

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Ema: “3Jane”

EMA

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Para o último ato antes da chegada de The Future’s Void (2014), terceiro registro em estúdio da cantora e compositora EMA, 3Jane alerta para o lado mais “introspectivo” da artista. Quebrando a fluidez pop que banha o (quase) hit So Blonde, ou mesmo os ruídos claustrofóbicos que imperam na densa Satellites, apresentada há alguns meses, a nova composição brinca com os exageros melancólicos de uma canção romântica sem perder a estranheza que orquestra o trabalho da cantora.

Movida pelo uso de pianos e guitarras sombrias, a canção abraça o que há de mais caricato em uma faixa do gênero, como se o ambiente sujo de Past Life Martyred Saints (2011) fosse posto de lado. São quase cinco minutos de recolhimento, confissão e dor, proposta que até lembra St. Vincent nos momentos mais sorumbáticos, mas resgata mesmo é a essência de PJ Harvey e outras veteranas. Previsto para estrear no dia oito de abril, The Future’s Void chega oficialmente pelo selo Matador.

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Ema – 3Jane

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Disco: “Mess”, Liars

Liars
Electronic/Experimental/Alternative
http://liarsliarsliars.com/

Por: Cleber Facchi

Liars

Previsibilidade é uma palavra que está longe de rechear o dicionário da banda nova-iorquina Liars. Há mais de uma década em constante transformação sonora, o projeto comandado por Angus Andrew, Aaron Hemphill e Julian Gross encontra no recém-lançado Mess (2014, Mute) um novo cenário de possibilidades. Quebrando a herança sombria do antecessor WIXIW, de 2012, o novo projeto abraça a eletrônica em um sentido naturalmente experimental, mas também de forte configuração “pop”. Um salto que encontra as pistas, mas consegue ir além de um mero registro para as massas.

Fazendo valer o próprio título – em português, “bagunça” -, o disco usa do cruzamento de ideias como um palco para possíveis novidades. São 11 composições ascendentes que comprovam (mais uma vez) a versatilidade de seus autores. Tendo na fluidez eletrônica um princípio, o trio investe com firmeza na colagem de arranjos e diferentes suplementos instrumentais, um sentido de continuação quando próximo do álbum de 2012, porém, uma obra que busca aproximar a banda de todo um novo conjunto de experiências.

Quem conheceu a trio no começo dos anos 2000, ou mais especificamente a partir de Drum’s Not Dead, registro que apresentou oficialmente o grupo em 2006, talvez encontre no novo disco uma obra de completo afastamento. Esqueça as guitarras sujas, o desespero e o flerte constante com o Art Rock. Cada vez mais distante do noise invasivo que acompanhou a banda até o lançamento de Sisterworld, em 2010, o novo álbum busca se aproximar com acerto de uma massa de abertos ao público médio. Pelo menos durante a primeira metade do trabalho.

Enquanto Mask Maker, Vox Tuned D.E.D. e I’m No Gold, no começo do álbum, abraçam com certa dose de nostalgia o Dance Punk dos anos 2000, a partir de Darkslide os rumos se alteram. Sétima faixa do disco, a canção encontra na colagem de sons eletrônicos e completo experimento um efeito de expansão para a obra. Uma sensação de que quanto mais o trio se concentra nas experiências sintéticas da obra, mais o labirinto de sons por eles projetados se amplia. Se há uma década as guitarras guiavam as experiências do grupo, hoje são os teclados, laptops e pequenas colagens minimalistas que apontam a direção. Continue reading

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