Tag Archives: Experimental

Lushlife: “Hong Kong (Lady of Love)” [Ft. Ariel Pink]

.

Com dois álbuns em mãos – Cassette City (2009) e Plateu Vision (2012) -, o rapper Lushlife reserva para o dia 19/02 o lançamento do terceiro registro de inéditas: Ritualize (2016). Trata-se de uma obra marcada pela interferência de diferentes colaboradores, uma das principais marcadas no trabalho do norte-americano. Depois de colaborar com integrantes da banda sueca I Break Horses, em The Waking World, e Killer Mike, na ótima This Ecstatic Cult, chega a vez de Ariel Pink fazer uma participação.

Parceiro de longa data do rapper, Pink, que em 2009 colaborou na faixa In Soft Focus, parece assumir o controle sobre a nova faixa. Da forma como os sintetizadores crescem lentamente ao refrão característico, Pink e Lushlife finalizam a construção de uma música tão íntima dos trabalhos do rapper, como do som versátil produzido pelo músico em obras como pom pom (2014). Uma perturbadora canção de amor que parece brincar com a interpretação do ouvinte.

Ritualize (2016) será lançado no dia 19/02 pelo selo Western Vinyl.

.

Lushlife – Hong Kong (Lady of Love) [Ft. Ariel Pink]

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , ,

Animal Collective: “Lying In The Grass”

.

Vozes sobrepostas, sintetizadores e batidas loucas, uma pitada de experimentos jazzísticos e constantes quebras bruscas marcam o trabalho do Animal Collective em Lying In The Grass. Mais recente composição do aguardado Painting With (2016), obra que será apresentada no dia 19/02, a canção de versos abstratos traz de volta o mesmo brilhantismo que projetou o grupo norte-americano no fim a década passada, sonoridade já explícita na antecessora Floridada.

A diferença em relação ao material apresentado no último single está na forma como as vozes se transformam em um componente de sustentação para os instrumentos. O saxofone de Colin Stetson, um dos músicos convidados a colaborar dentro da obra é outro destaque notável. Inspirado em diferentes movimentos culturais do começo do século XX – como o dadaísmo e o cubismo -, Painting With também conta com a presença do veterano John Cale (The Velvet Underground).

Painting With (2016) será lançado no dia 19/02 pelo selo Domino.

.

Animal Collective – Lying In The Grass

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , ,

Disco: “The Catastrophist”, Tortoise

Tortoise
Experimental/Alternative/Electronic
http://www.trts.com/

São mais de duas décadas de carreira e um bem-sucedido catálogo de obras que passeia pelo jazz (T.N.T.), pós-rock (Millions Now Living Will Never Die) e música eletrônica (Beacons of Ancestorship) de forma sempre provocativa, curiosa. Um constante ziguezaguear de referências que faz de The Catastrophist (2016, Thrill Jockey), primeiro álbum do Tortoise depois de um intervalo de sete anos, a base para um possível novo universo de descobertas instrumentais.

Trabalho de “reencontro”, o disco de 11 composições inéditas, sétimo na discografia da banda, parece pensado como um resumo torto de todo o vasto acervo de canções produzidas nos últimos 20 anos. Uma propositada ausência de linearidade que faz com que o ouvinte se pergunte em diversos momentos: “O que está acontecendo? O que o Tortoise está tentando me mostrar?”.

Salve a linha de sintetizadores que amarra músicas como Gopher Island, Gesceap e a própria faixa-título, durante toda a audição, The Catastrophist reforça a sensação de que o grupo – hoje formado por Dan Bitney, Doug McCombs, Jeff Parker, John Herndon e John McEntire – aponta para todas as direções. Em faixas como a climática Shake Hands With Danger, um acerto, resgatando parte da essência musical da banda. Já outras como Rock On, a permanente sensação de desconforto, como se o grupo emulasse o trabalho de outros artistas.

Mesmo que toda a discografia da banda seja planejada em cima de ondulações instrumentais propositadamente instáveis, em The Catastrophist o grupo parece simplesmente perdido, sem saber exatamente que direção seguir. Isoladas, cada canção parece seguir um caminho próprio. Não existem amarras ou estímulos que orientem com segurança o ouvinte até os instantes finais do disco. Todos os elementos se perdem em diversas curvas bruscas que o quinteto assume ao longo do caminho. Continue reading

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , ,

Fatima Al Qadiri: “Battery”

.

Brute (2016), esse é o nome do segundo e mais recente trabalho em estúdio de Fatima Al Qadiri. Dona de um dos grandes trabalhos lançados em 2014, o curioso Asiatisch, e também colaboradora no primeiro álbum do quarteto Future Brown, apresentado em 2015, Qadiri parece seguir um caminho ainda mais “agressivo” em relação aos últimos projetos. Percepção que se reforça não apenas no título do novo álbum, mas principalmente nos sintetizadores, batidas e entalhes eletrônicos de Battery.

Primeiro single do novo registro de inéditas da produtora, a composição que passeia por elementos dos filmes de Western, experimentos da década de 1980 e todo um catálogo de referências mostra uma sonoridade bem diferente daquela produzida em Asiatisch. Uma espécie de regresso aos dois principais EPs assinados pela artista, Genre-Specific Xperience (2011) e Desert Strike (2012). Na capa do disco (imagem acima), uma escultura assinada pelo artista plástico Josh Kline com o personagem Po, da série infantil Teletubbies, vestido como um policial.

Brute (2016) será lançado no dia 04/03 pelo selo Hyperdub.

.

Fatima Al Qadiri – Battery

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , ,

Guerilla Toss: “Diamond Girls”

.

Quem acompanha o trabalho do Guerilla Toss há algum tempo sabe da sonoridade esquizofrênica que rege grande parte das composições da banda. Responsáveis por uma sequência de singles e EPs essencialmente versáteis – vide o ótimo Flood Dosed, lançado em 2015 -, a banda nova-iorquina anuncia para o dia quatro de março a chegada do primeiro álbum de inéditas, Eraser Stargazer (2016), um registro de oito faixas que mostra o som turbulento da banda.

Composição escolhida para apresentar o novo trabalho do grupo, Diamond Girls mostra todo o potencial da banda em três minutos de completa inanidade. Ecos da eletrônica dos anos 1990, noise rock e doses (des)controladas de psicodelia convidam o ouvinte a visitar o universo torto da banda. Uma espécie de resumo do mesmo som projetado por bandas como Deerhoof, The Rapture e Lightning Bolt no começo dos anos 2000.

Eraser Stargazer (2016) será lançado no dia 04/03 pelo selo DFA.

.

Guerilla Toss – Diamond Girls

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , ,

Explosions In the Sky: “Disintegration Anxiety”

.

Passado o intervalo de meia década desde o lançamento do álbum Take Care, Take Care, Take Care (2011), Chris Hrasky, Michael James, Munaf Rayani e Mark Smith estão de volta com um novo registro em estúdio do Explosions In The Sky. Batizado The Wilderness (2016), o trabalho conta com um acervo de nove composições inéditas. Escolhida para apresentar o sétimo álbum oficial da banda texana, a crescente Disintegration Anxiety.

Longe das ambientações climáticas que abasteceram grande parte dos trabalhos do grupo no começo dos anos 2000 – vide How Strange, Innocence (2000) e The Earth Is Not a Cold Dead Place (2003) -, a inédita canção mostra a que veio logo nos primeiros segundos. Um diálogo preciso entre guitarras eletrônicas e a bateria de Chris Hrasky, embora contida, fundamental para a sustentação da faixa que explode em detalhes nos minutos finais.

The Wilderness (2016) será lançado no dia 01/04 pelo selo Temporary Residence.

.

Explosions In the Sky – Disintegration Anxiety

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , ,

Disco: “Presença”, Cássio Figueiredo

Cássio Figueiredo
Experimental/Ambient/Drone
https://cassiofigueiredo.bandcamp.com/

 

Microfonias, sons de carros, ruídos abafados, vozes, arranjos lentos e o riso torto que se repete de forma cíclica. Basta uma audição detalhada para perceber que a música de Cássio Figueiredo se alimenta de instantes. Fragmentos instrumentais (e cotidianos) que se movimentam lentamente, sussurrando e crescendo sem exageros, efêmeros, como peças que se encaixam de forma a reproduzir o curto acervo do delicado Presença (2016, Independente).

Quarto e mais recente registro de inéditas do músico de Volta Redonda, o disco de 12 faixas curtas parece seguir a trilha anteriormente explorada pelo músico no álbum Diário, de 2015, dançando uma valsa lenta de sobreposições minimalistas, sempre enevoadas. A diferença em relação aos últimos trabalhos de Figueiredo está na curiosa sensação de “acolhimento” criada pelo disco, conceito que se reforça pelo uso atento de melodias tímidas – marca de composições como Retorno e Laura.

Mesmo a tapeçaria soturna de músicas como Rua e Trajeto – porções “fantasmagóricas” do registro – em nenhum momento interferem na montagem delicada que sustenta parte expressiva da obra. Presença, como um típico trabalho de Figueiredo, é um a obra entregue ao curioso experimento de seu criador. Exemplo disso sobrevive nas maquinações etéreas de Entre coisas, um dos fragmentos mais curiosos do disco e uma espécie de “diálogo” do artista com o mesmo som obscuro de nomes como Balam Acab.

Ao mesmo tempo em que parece “confortar” o ouvinte em um cenário de regras preestabelecidas, o músico lentamente cria pequenas brechas e curvas bruscas que provocam a interpretação do ouvinte. Composições como a cinzenta Trajeto, uma climática sequência de ruídos sobrepostos, inicialmente branda, mas que colide em uma instável parede de ruídos nos instantes finais. Continue reading

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , ,

Nevermen: “Mr. Mistake”

.

Nevermen, esse é o nome do projeto em parceria entre Tunde Adebimpe (TV On The Radio), Mike Patton (Faith No More) e o rapper Doseone. Com o autointitulado primeiro álbum de inéditas previsto para o dia 29 de janeiro de 2016, o trio norte-americano vem preparando o terreno para a chegada do disco, despejando lentamente uma sequência de faixas. Primeiro veio Tough Towns, em agosto deste ano, agora é a vez da delicada e também inédita Mr. Mistake.

Menos “sombria” em relação ao trabalho apresentado há poucos meses pelo trio, com a nova faixa a banda abraça a música pop. São vozes, rimas, batidas eletrônicas e arranjos delicadamente sobrepostos, proposta que se aproxima com naturalidade dos dois últimos álbuns do TV On The Radio, Nine Types of Light (2011) e Seeds (2014), e, curiosamente, resgata uma série de elementos típicos do clássico Hot Shots II (2001) do projeto The Beta Band.

Nevermen (2016) será lançado no dia 29/01 pelo selo Ipecac Recordings.

.

Nevermen – Mr. Mistake

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , ,

Disco: “新しい日の誕生”, 2 8 1 4

2 8 1 4
Vaporwave/Ambient/Experimental
http://hkedream.bandcamp.com/

 

No oceano de referências nostálgicas, estética irônica e sons reciclados que caracterizam a Vaporwave, 新しい日の誕生 (2015, Dream Catalogue) talvez seja um principais ponto de apoio e renovação para o estilo. Fruto da parceria entre t e l e p a t h テレパシー能力者 e o produtor britânico Hong Kong Express, o registro de oito faixas utiliza da lenta sobreposição de batidas, ruídos e bases eletrônicas como o estímulo para a rica tapeçaria de sons atmosféricos que conduzem o ouvinte pelo interior do trabalho.

Segundo registro do 2 8 1 4 lançado pelo Dream Catalogue – selo comandado por HKE e um dos principais expositores do gênero -, 新しい日の誕生 – algo como “o nascimento de um novo dia”, em português -, em nenhum momento parece ultrapassar um específico cercado instrumental apontado pela dupla. São sintetizadores, acordes diminutos de guitarras, batidas e até samples de chuva ou diálogos abafados que se encaixam lentamente. Não fosse pelo fade out ao final de cada canção, seria fácil encarar o disco como um imenso bloco de sons enevoados, parte de uma mesma faixa.

Talvez venha daí o estranho fascínio que álbum exerce sobre o ouvinte. Do momento em que 恢复 tem início, passando por composições extensas, como 悲哀 e テレパシー, até a chegada de 新しい日の誕生, faixa de encerramento do disco, todos os elementos se encaixam de forma a capturar o público. Uma coleção de temas brandos que se movimentam com extrema delicadeza, cercando e confortando o ouvinte antes mesmo que os primeiros 15 minutos do trabalho tenham se passado.

Longe de parecer um registro original, 新しい日の誕生 dialoga de forma criativa com uma variedade de obras – antigas e recentes – da música eletrônica. Enquanto faixas como 恢复 e 遠くの愛好家 parecem flutuar no mesmo campo etéreo de Selected Ambient Works Volume II (1994), segundo álbum de estúdio do irlandês Aphex Twin, sintetizadores cósmicos e até mesmo o uso pontual da voz como instrumento aos poucos aproximam o presente álbum dos discos registros produzidos pela dupla Boards of Canada. Continue reading

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , , , , , , ,