Aos comandos de Nick Chaplin, Rachel Goswell, Neil Halstead, Christian Savill e Simon Scott, o Slowdive, grupo original da cidade de Reading, Inglaterra, fez da curta discografia o ponto de partida para a algumas das principais canções do Shoegaze/Dream Pop. Faixas como Alison, Machine Gun, Souvlaki Space Station e outros clássicos – veja nossa lista com 10 músicas para gostar de Slowdive –, que continuam a servir de inspiração para diferentes projetos.

Principal atração do Balaclava Fest 2017, a banda se apresenta no dia 14 de maio no Cine Joia, em São Paulo. Aproveitando o evento, organizamos os três álbuns de inéditas do grupo do pior para o melhor lançamento em mais uma edição da nossa seção Cozinhando Discografias – especial que já analisou projetos como Led Zeppelin, Beach House e Mogwai. Nos comentários, conta pra gente: qual é a sua música e disco favorito do Slowdive?

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O sample minimalista, trabalhado em loop torto, ponte para a base instrumental da canção. Batidas secas que se espalham em uma ordem quase matemática. A voz “instrumental”, como um complemento ao jogo de pequenas sutilezas e ruídos eletrônicos. Em Mastaba, composição escolhida para anunciar o terceiro álbum de estúdio do grupo paulistano Aldo, The Band, todos os elementos são revelados aos poucos, em pequenas doses.

Menos enérgica em relação aos principais lançamentos da banda, vide Sunday Dust e 2nd Hand Chest, a nova faixa indica a busca do coletivo por um som cada vez mais experimental, estímulo para o sucessor do álbum Giant Flea (2015), trabalho que conta com distribuição prevista para o segundo semestre de 2017. Delicada e complexa, Mastaba ainda conta com um clipe dirigido pelo fotógrafo e cineasta Urso Morto (Fabricio Brambatti).

 

Aldo The Band – Mastaba

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É hora de completar a trilogia iniciada em Beta EP (2014). Dois anos após o lançamento do último registro de inéditas, Malverde EP (2015), os integrantes da Alternadores estão de volta com um novo trabalho de estúdio. Em Wanderlust EP (2017), Carlos Eduardo Batista (Bidu), Igor Gadelha (Pepeu Guzman) e Gustavo Pozzobon se revezam na construção de um som propositadamente instável, produzido a partir da sobreposição de ruídos eletrônicos, samples e melodias detalhadas de forma cuidadosa.

Como indicado durante o lançamento das ótimas Glitched GamelevelPra onde corre o rio, dobradinha entregue ao público nas últimas semanas, cada faixa produzida pelo trio paraibano se abre de forma a revelar um mundo de pequenas possibilidades. São temas psicodélicos, fragmentos de vozes e melodias típicas da trilha sonora de jogos dos anos 1980. Na lista de referências da banda, nomes como Kraftwerk, Prodigy, Animal Collective e Battles. Ouça o disco completo:

 

Alternadores – Wanderlust EP

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Prolífico, o produtor mineiro João Carvalho passou grande parte do último ano se dividindo na composição de diferentes projetos – como Sentidor, El Toro Fuerte e Rio Sem Nome. Em 2017 não deve ser diferente, visto que o artista deve repetir a mesma dose. Além de assumir parte da produção de Filho do Meio (2017), novo álbum de inéditas do parceiro Jonathan Tadeu, Carvalho anuncia a chegada de um novo (e ainda mais experimental) projeto sob o título de Sentidor: Am_Par_Sis (2017).

Trata-se de uma obra montada a partir de fragmentos instrumentais, samples e vozes recortadas do álbum Passarim (1987), um dos últimos trabalhos do maestro e compositor brasileiro Tom Jobim (1927 – 1994). “O disco imagina o que aconteceria se Passarim fosse redescoberto numa versão futura do Rio de Janeiro“, explica o texto de apresentação do álbum. Uma desconstrução pós-apocalíptica que se revela de forma inteligente a faixa-título do disco, canção escolhida para anunciar o novo projeto.

 

Am_Par_Sis

1. Pedreira
2. Ruínas
3. Am_Par_Sis
4. Passarim
5. Incêndio
6. Erva
7. Oceano
8. Caminho do Pixo
9. Caminho do Pixo pt.2/Ritual
10. Ritual pt.2/Praia
11. O Pássaro Canta Parecido Com A Música Que Fizemos

Am_Par_Sis (2017) será lançado no dia 24/03 via Sounds and Colours / Geração Perdida.

 

Sentidor – Am_Par_Sis

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O minimalismo incorporado por Darren J. Cunningham em Ghettoville (2014) parece ter ficado para trás. Três anos após o lançamento do último álbum de inéditas como Actress, o produtor britânico anuncia a chegada de um novo trabalho. Intitulado AZD (2017) – pronuncia-se “Azid” –, o registro conta com 12 composições inéditas, estabelecendo uma espécie de regresso ao mesmo som produzido pelo artista inglês na dobradinha Splazsh (2010) e R.I.P (2012).

Primeira composição do disco a ser apresentada ao público, X22RME – pronuncia-se “extreme” –, traz de volta a mesma soma de experiências, ruídos e diálogos com a música techno que apresentaram o trabalho de Actress. Batidas secas e sujas, o uso controlado de sintetizadores e a lenta desconstrução de todo esse universo. Pouco mais de cinco minutos em que o som produzido por Cunningham vai provando de novas possibilidades e pequenas referências.

AZD (2017), será lançado no dia 14/04 via Ninja Tune.

 

Actress – X22RME

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Poucos dias após o lançamento de Glitched Gamelevel, composição escolhida para anunciar o novo registro de inéditas da Alternadores, Wanderlust EP (2017), os integrantes do grupo paraibano estão de volta com uma nova criação. Intitulada Pra onde corre o rio, a faixa de quase seis minutos de duração reflete com naturalidade o lado mais experimental do trio formado por Carlos Eduardo Batista (Bidu), Igor Gadelha (Pepeu Guzman) e Gustavo Pozzobon.

Inaugurada de forma segura pelo uso de sintetizadores, batidas e melodias nostálgicas que parecem resgatadas de algum videogame dos anos 1980, a faixa lentamente se perde em um universo de pequenos delírios e temas psicodélicos. Vozes sampleadas e arranjos ecoados que perturbam a interpretação do ouvinte, transportado para dentro de um universo completamente instável, como um indicativo do som produzido para Wanderlust.

Wanderlust EP (2017) será lançado no dia 21/03.

 

Alternadores – Pra onde corre o rio

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Artista: Blanck Mass
Gênero: Experimental, Eletrônica, Drone
Acesse: https://blanckmass.bandcamp.com/

 

A colisão de ideias, samples e ruídos sempre foi a base do som produzido pelo inglês Benjamin John Power. Mais conhecido pelo trabalho como uma das metades do Fuck Buttons, projeto dividido com o parceiro Andrew Hung, Power passou os últimos seis anos se aventurando na formação de uma obra ainda mais experimental e complexa em carreira solo. Um mundo de delírios e colagens instrumentais que cresce de maneira explícita nas canções de World Eater (2017, Sacred Bones).

Quarto e mais recente álbum de inéditas como Blanck Mass, o registro de sete faixas mostra a capacidade de Power em se adaptar e mudar de direção mesmo na curta duração de uma canção fechada. Em um intervalo de quase 50 minutos, o artista original de Worcester, Inglaterra, amarra diferentes ritmos – R&B, Pós-Rock, Hip-Hop, Techno e Noise – sem necessariamente perder o controle sobre a própria obra. Um imenso labirinto criativo.

Com John Doe’s Carnival of Error como faixa de abertura do disco, Power estabelece parte das regras que orientam o trabalho. Um sample explorado de forma cíclica, essencialmente climática, mas que acaba explodindo, como um convite a provar do restante da obra. Não por acaso, a canção acaba servindo de estímulo para a construção da extensa Rhesus Negative, música que dialoga com o mesmo som testado pelo Fuck Buttons durante a produção de Tarot Sport, em 2009.

De fato, parte expressiva de World Eater parece ancorada em conceitos originalmente testados pelo Fuck Buttons. Seja na reciclagem de samples e temas eletrônicos que marcam o excelente Slow Focus (2013) ou na desconstrução da inaugural Street Horrrsing (2008), delicadamente, Power colide velhos experimentos com a mesma ambientação versátil explorada no antecessor Dumb Flesh, de 2015. Um ziguezaguear de ideias que muda de direção a cada nova curva do disco.

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Desde o começo do ano, Lydia Ainsworth vem trabalhando na divulgação de Darling Of The Afterglow (2017). Segundo álbum de inéditas da cantora e compositora canadense, o registro deve seguir uma trilha ainda mais pop em relação ao antecessor Right from Real, de 2014. Uma mudança de direção reforçada durante o lançamento das inéditas The Road e Afterglow, porém, reforçada com a chegada de Into The Blue, novo single da artista.

Minimalista, Into The Blue segue a mesma estratégia de FKA Twigs e outros nomes de peso do novo R&B. Um jogo contrastado de batidas e vozes tratadas como instrumentos, sempre mutáveis. São encaixes sutis, como se o ouvinte fosse lentamente arrastado para dentro da faixa. Na composição dos versos, um misto de melancolia e aceitação, como se Ainsworth confortasse o ouvinte dentro desse cenário essencialmente claustrofóbico e intimista.

Darling Of The Afterglow (2017) será lançado no dia 31/03 via Arbutus/Bella Union.

 

Lydia Ainsworth – Into The Blue

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Artista: Grandaddy
Gênero: Indie, Alternativo, Experimental
Acesse: http://www.grandaddymusic.com/

 

“Hiato” é uma palavra que não se aplica ao longo período de silenciamento do Grandaddy. Mesmo que o grupo de Modesto, Califórnia, não tenha lançado nenhum novo disco desde Just Like the Fambly Cat, em 2006, não é difícil perceber a essência da banda dissolvida em diversas obras recentes. Seja em trabalhos produzidos pelo vocalista e líder Jason Lytle, como Why Are You OK (2016), do Band of Horses, ou mesmo na construção de diferentes projetos paralelos, caso do Modest Mouse, banda que conta com a colaboração do guitarrista Jim Fairchild.

Primeiro registro de inéditas do grupo em mais de uma década, Last Place (2017, 30th Century) traz de volta o mesmo cuidado na composição dos arranjos e vozes que apresentaram o Grandaddy em Under the Western Freeway (1997). Dos sintetizadores melódicos de Way We Won’t, passando pelas guitarras de Brush with the Wild ao fino experimento de A Lost Machine, o quinteto segue exatamente de onde parou no lançamento do último trabalho de estúdio.

Inspirado pelas desilusões e pequenos conflitos da vida adulta, Lytle faz de cada composição ao longo do trabalho uma amarga reflexão. Versos que se dividem entre a ironia e o profundo descontentamento do compositor, ponto de partida para faixas como I Don’t Wanna Live Here Anymore (“E eu não quero mais viver aqui … Tudo está fora do lugar e agora tenho problemas para lidar”) e Evermore (“Nada dura para sempre … Dias solitários, sem amor em suas folhas”).

Deslocado, o eu lírico de Lytle parece observar o mundo de forma desinteressante, fria, conceito anteriormente explorado em The Sophtware Slump (2000), obra que prenunciava os problemas causados pela internet e novas tecnologias. “Cada mulher, criança e homem na terra / Em um transe, vagando pela desfiladeiro … Tudo sobre nós é um sonho esquecido / Tudo sobre nós é uma máquina perdida”, canta na amarga Lost Machine, canção síntese do disco.

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Artista: Luneta Mágica
Gênero: Psicodélico, Indie Pop, Alternativo
Acesse: https://lunetamagica.bandcamp.com/

 

Com o lançamento de No Meu Peito, em maio em 2015, os integrantes da banda amazonense Luneta Mágica encontraram um claro ponto de equilíbrio. De um lado, a psicodelia nostálgica inspirada pelo trabalho de veteranos como The Beach Boys e The Beatles, no outro oposto, a busca por um material essencialmente acessível, como um precioso diálogo com a música produzida por artistas como Skank, Los Hermanos e outros representantes de peso do pop-rock nacional.

Interessante perceber em NMP (2017, Independente), coleção de remixes e músicas adaptadas do trabalho entregue há dois anos, uma lenta desconstrução de todo esse som particular, pop, assumido pela banda. Ruídos eletrônicos, vozes ecoadas, efeitos e distorções que delicadamente conduzem o ouvinte para dentro do mesmo ambiente conceitual explorado no experimental Amanhã Vai Ser o Melhor Dia da Sua Vida (2012), álbum de estreia do grupo de Manaus.

Para a produção do disco, a banda – hoje formada por Pablo Araújo, Erick Omena, Eron Oliveira e Daniel Freire –, decidiu se cercar de amigos e demais representantes da presente safra do rock brasileira. No time de convidados, nomes como Benke Ferraz (Boogarins), Bonifrate (ex-Supercordas), Bike, os conterrâneos da Supercolisor e o músico carioca Jonas Sá. Nas mãos de cada artista, a possibilidade de desmontar e brincar com faixas como Tua Presença, Mantra, Rita e Acima Das Nuvens.

Sem ordem aparente, NMP faz de cada composição um ato isolado, curioso. Logo na abertura do disco, a introdutória No Meu Peito se converte em uma típica canção do Supercordas, esbarrando na mesma experimentação testada em Teceira Terra (2015), último álbum de estúdio da banda carioca. O mesmo som delirante se repete na construção de Preciso, 11ª faixa do disco e uma cósmica adaptação produzida pela banda paulista Bike.

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