Tag Archives: Female Vocalists

Torres: “Cowboy Guilt”

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A leve mudança de direção apresentada por Torres em Sprinter, faixa-título do segundo álbum de estúdio da cantora está longe de parecer o ápice na recente fase da musicista. Em Cowboy Guilt, mais nova canção de Mackenzie Scott, pequenas doses de experimento pontuadas por guitarras irregulares apontam a direção do novo trabalho da cantora. Um meio termo entre o som cru de PJ Harvey nos anos 1990, St. Vincent pós-Strange Mercy (2011) e, claro, muito do homônimo álbum entregue por Torres em 2013.

São melodias quebradas, a voz quase oculta pelos efeitos e captação em baixa qualidade, elementos encaixados de forma curiosa, um complemento para os versos nostálgicos que exploram a infância da cantora no Sul dos Estados Unidos. Não chega a ser uma faixa de essência experimental, apenas uma doce manipulação de referências, conceitos particulares da vida de Torres, mas que, estranhamente, se adaptam de forma a resolver uma tímida canção pop.

Sprinter (2015) conta com lançamento previsto para 05/05 pelo selo Partisan.

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Torres – Cowboy Guilt

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Lianne La Havas: “Unstoppable”

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Voz impecável, arranjos temperados de leve pelo experimento e um delicioso passeio pelo Soul/R&B de diferentes décadas. Com quase seis minutos de duração e diferentes atos instrumentais, escapar dos versos apaixonados de Unstoppable é uma tarefa praticamente impossível. Você pode nunca ter ouvido falar da britânica Lianne La Havas, mas não é preciso muito esforço para se apaixonar pelo trabalho da jovem cantora, ainda tão sutil e provocativa quanto no primeiro álbum de estúdio, o ótimo Is Your Love Big Enough? (2012).

Agora acompanhada de uma pequena orquestra, a artista abre passagem para o segundo registro da carreira: Blood (2015). Sequência madura da obra apresentada há dois anos, o aguardado trabalho aos poucos se despede do Folk-Soul compacto que apresentou La Havas, transportando o ouvinte para um cenário ainda mais comovente e detalhista, evidência estampada em cada nota e vocal exposto em Unstoppable.

Previsto para o dia 31/07, Blood conta com lançamento pelo selo Warner Bros.

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Lianne La Havas – Unstoppable

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Samantha Urbani: “1 2 3 4″

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A paixão de Samantha Urbani pela década de 1980 nunca foi um segredo para ninguém. Seja ao lado dos parceiros do Friends – com quem lançou o ótimo Manifest!, em 2012 – ou mesmo em parceira com outros colaboradores, caso do último álbum do Blood Orange, Cupid Deluxe (2013), comandado pelo namorado e parceiro frequente de composição, Devonté Hynes, a artista nova-iorquina sempre encontrou na música lançada há três décadas uma fonte inesgotável de produção. Entretanto, nunca antes essa “preferência” se revelou de maneira tão explícita quanto em 1 2 3 4.

Mais recente single de Urbani em carreira solo, a faixa romantica (e melancólica) soa como um hit perdido de Madonna, Cyndi Lauper ou qualquer outro nome de peso da música neon. Produzida por Sam Mehran (Test Icicles) em parceria com a própria cantora, 1 2 3 4 não oculta a nítida interferência de Hynes no processo de composição, afinal, pianos e arranjos escondidos pela faixa são de responsabilidade do músico – atualmente em processo de produção do novo álbum como Blood Orange. Lançada no soundcloud da cantora, a canção pode ser apreciada na íntegra logo abaixo. Será que teremos um disco solo de Urbani em breve?

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Samantha Urbani – 1 2 3 4

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Tulipa Ruiz: “Proporcional”

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Tulipa Ruiz quer ver você dançar. Longe do “pop florestal” incorporado no primeiro álbum da carreira, Efêmera (2010), a cantora e compositora paulistana parece seguir a trilha “comercial” iniciada no ótimo Tudo Tanto (2012), substituindo o compromisso com a nova-MPB para mergulhar em uma sonoridade cada vez mais descompromissada, pop, mas não menos atraente e ainda íntima da proposta inicial da artista. Este é justamente o conceito que rege a estrutura, vozes e versos de Proporcional, o divertido (e naturalmente dançante) primeiro single de Dancê (2015), terceiro álbum solo da cantora.

Com uma letra bem-humorada e que discute os diferentes “formatos” e proporções das pessoas – “Visto GG, você P. Você P, eu GG / Redondo, quadrado e reto / Cada um tem seu formato / Apertado, colado, justo ” -,  a faixa indica um completo distanciamento em relação ao som regional que movimentou a última música da artista, a carnavalesca Megalomania. Composta em parceria com o músico Gustavo Ruiz – irmão e produtor dos trabalhos de Tulipa -, a nova faixa ainda conta com a participação de Dudu Tsuda (sintetizadores), Stephane San Juan (afoxé, pandeirolas), Cuca Ferreira (sax alto), Daniel Nogueira (sax tenor), Amilcar Rodrigues (trompete), Odirlei Machado (trombone) e Mário Rocha (trompa).

Com lançamento pelo selo Natura Musical, Dancê estreia no dia 05/05. Com audição gratuita (abaixo), Proporcional também pode ser baixada gratuitamente.

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Tulipa Ruiz – Proporcional

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Janelle Monáe & Jidenna: “Yoga” (VÍDEO)

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Como seria o trabalho de Janelle Monáe livre de todos os conceitos e referências temáticas de seus álbuns retrô-futurísticos? A resposta está no pop pegajosos de Yoga. Mais novo lançamento da cantora e compositora norte-americana, a faixa em parceria com o rapper/cantor Jidennaparece completamente distinta em relação ao trabalho da artista nos últimos cinco anos. Esqueça a música negra dos anos 1960/1970, com o novo single, Monáe prova ser capaz de replicar o mesmo som comercial de Beyoncé, Rihanna e todos os nomes de peso do R&B.

Batida quente, versos provocativos e refrão grudento, estes são os principais componentes da canção que parece pronta para as pistas. Infelizmente a nova faixa não faz parte de nenhum novo disco de Monáe. Trata-se de um dos fragmentos da coletânea Eephus (2015), um compilado de novos artistas (da música negra) apresentados pelo próprio selo da cantora, o Wondaland Arts Society.

Abaixo, o clipe da canção, trabalho que praticamente transforma Monáe em uma nova Nicki Minaj, com um pouco menos de “atributos físicos”, claro
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Janelle Monáe & Jidenna – Yoga

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Disco: “EarthEE”, THEESatisfaction

THEESatisfaction
Soul/Electronic/R&B
http://www.theesatisfaction.com/

É difícil não interpretar o trabalho da dupla THEESatisfaction como uma “sucursal feminina” dos mesmos conceitos e experimentos testados pelo duo Shabazz Palaces. Parceiras e colaboradoras frequentes de Ishmael Butler e Tendai Maraire, Catherine Harris-White e Stasia Irons assumem desde o primeiro álbum de estúdio, awE NaturalE (2012), uma extensão do mesmo som retro-futurista dos produtores de Seattle. A diferença? Enquanto Butler e Maraire avançam em direção ao espaço, Harris-White e Irons encontram um ambiente de conforto criativo aqui mesmo, na própria Terra.

Com a chegada de EarthEE (2015, Sub Pop), segundo e mais recente trabalho de inéditas da dupla, elementos típicos da cultura africana, bases que vão do R&B/Soul dos anos 1970 ao Hip-Hop de 1990 se espalham com naturalidade em meio a versos que abraçam a marginalidade. Temas centrado no universo LGBT, preconceito racial e feminismo que dividem o mesmo espaço de versos sufocados pela saudade e melancolia; sussurros pessoais de pura sensibilidade romântica.

Menos “pessoal” em relação ao conceito intimista que abastece grande parte do álbum apresentado há três anos, EarthEE, como o título resume, é uma obra ampla – seja nos arranjos, como na própria estrutura lírica que movimenta as canções. Disfarçadas, como dois extraterrestres habitando nosso planeta, Harris-White e Irons exploram o presente registro como uma obra atual, debatendo ecologia, consumo e a interação entre os próprios humanos em composições como Planet For Sale e Universal Perspective.

Tamanha imposição “política” por parte da dupla, não apenas afasta o antigo diálogo “etéreo” com o Shabazz Places – ainda parceiros na faixa-título do disco -, como revela um acervo de novas (ou velhas) referências incorporadas pelas duas cantoras/rappers. A julgar pelo cruzamento continuo entre rima e canto, romantismo e temas urbanos, o álbum segue em divisão exata entre Erykah Badu (da série New Amerykah) e Missy Elliot (no clássico Supa Dupa Fly, de 1997). Sobram diálogos com a obra de Lauryn Hill, além de outras veteranas do Hip-Hop “feminino”. Continue reading

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St. Vincent: “Teenage Talk”

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Dona de uma das melhores performances do Lollpalooza Brasil 2015 – mesmo com o som prejudicado -, além de responsável por um dos grandes lançamentos de 2014, St. Vincent resolveu desacelerar para apresentar sua mais recente criação: Teenage Talk. Originalmente apresentada no final de um capítulo da recente temporada de Girl, e deixada de fora do homônimo registro da cantora, apresentado no começo do ano anterior, a delicada composição estabelece um breve diálogo com os primeiros inventos de estúdio da artista, principalmente entre os discos Marry Me (2007) e Actor (2009).

Sintetizadores e guitarras comportadas, bateria tímida e a voz de Annie Erin Clark completamente esquiva do som cru desenvolvido nos dois últimos discos. Não por acaso os versos da composição refletem um toque ainda mais intimista da cantora, personagem central da canção, curiosamente apresentada por uma foto de St. Vincent ainda adolescente. Ouça:

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St. Vincent – Teenage Talk

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Disco: “Another Eternity”, Purity Ring

Purity Ring
Pop/Electronic/Indie Pop
http://purityringthing.com/

 

Uma medida exata, dividida de forma (quase) matemática entre vocalizações e versos grudentos, típicos do pop, sobreposto pelas batidas, experimentos e arranjos focados no Hip-Hop “alternativo”. Esta parece ser a fórmula do trabalho assinado pela dupla Corin Roddick e Megan James, do Purity Ring. Uma divisão precisa, 50% para cada lado, a base para o acervo de canções complexas, porém, ainda melódicas apresentadas em Shrines (2012), primeiro álbum de estúdio do casal. Mas e como seria o resultado final de qualquer projeto do duo canadense se alguém modificasse essa “ordem”?

A resposta está no interior de Another Eternity (2015, 4AD), segundo e mais recente álbum de inéditas da dupla. Em uma alteração na medida temática proposta pelo casal, o pop passa a ser componente de maior grandeza dentro da obra, ainda íntima do registro entregue em 2012, porém, reformulado, próximo de uma parcela ainda maior do público. Um caminho livre, limpo, como se a curva iniciada em faixas como Obedear e Fineshrine, ainda no trabalho anterior, fosse agora ampliada.

Assim como no último discos, as funções do casal parecem bem divididas em cada faixa. Enquanto versos e vozes espalhados pela obra permanecem sob o comando de James, cada vez mais próxima de nomes de peso da música pop, como Taylor Swift e Rihanna, toda a base musical do disco continua nas mãos do parceiro. A diferença em relação ao trabalho anterior está na forma como Roddick segue de perto a companheira, montando uma estrutura essencialmente melódica, base para a formação de hits como Push Pull, Repetition e Begin Again.

Do momento em que Heartsigh tem início, todos os holofotes apontam a vocalista, o rosto por trás dos catálogo de versos tristes e sentimentos exageradamente detalhados no interior das canções. Como um instrumento, a voz de James se transforma na matéria-prima de todo o disco, preenchendo as lacunas e bases frias, inicialmente testadas em Shrines. Como complemento, a utilização constante de sintetizadores, colagens eletrônicas e ruídos – pequenos acréscimos harmônicos, presentes até o encerramento do trabalho. Continue reading

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Janelle Monáe & Jidenna: “Yoga”

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Como seria o trabalho de Janelle Monáe livre de todos os conceitos e referências temáticas de seus álbuns retrô-futurísticos? A resposta está no pop pegajosos de Yoga. Mais novo lançamento da cantora e compositora norte-americana, a faixa em parceria com o rapper/cantor Jidenna parece completamente distinta em relação ao trabalho da artista nos últimos cinco anos. Esqueça a música negra dos anos 1960/1970, com o novo single, Monáe prova ser capaz de replicar o mesmo som comercial de Beyoncé, Rihanna e todos os nomes de peso do R&B.

Batida quente, versos provocativos e refrão grudento, estes são os principais componentes da canção que parece pronta para as pistas. Infelizmente a nova faixa não faz parte de nenhum novo disco de Monáe. Trata-se de um dos fragmentos da coletânea Eephus (2015), um compilado de novos artistas (da música negra) apresentados pelo próprio selo da cantora, o Wondaland Arts Society.

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Janelle Monáe & Jidenna – Yoga

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Tei Shi: “Go Slow”

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A passagem de Valerie Teicher para um ambiente típico do R&B/Soul dos anos 1980 em Bassicaly parece servir de estímulo para todo o recente arsenal da cantora nova-iorquina. Com o novo trabalho do Tei Shi a caminho, Verde EP (2015), a jovem não apenas garante continuidade ao som produzido nos últimos meses, como ainda encontra uma passagem segura para o material desenvolvido no (ótimo) primeiro EP da carreira, Saudade, lançado ainda em 2012.

Fragmento mais recente a escapar do novo registro, Go Slow revela todo o arsenal de referências da artista – sejam elas atuais ou resgatadas dos primeiros anos dentro do Tei Shi. Esculpida pelos vocais de Teicher, a composição parece se encaminhar para um terreno etéreo, entretanto, logo é puxada de volta pela cantora, para “o chão”. Um tecido delicado de pianos, guitarras que tropeçam na obra de Blood Orange, mas sem escapar da confessa influência da musicista pelo trabalho de St. Vincent – principalmente nos últimos discos.

Verde EP conta com lançamento previsto para o dia 14 de abril.

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Tei Shi – Go Slow

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