Tag Archives: Female Vocalists

Zola Jesus: “Go (Blank Sea)”

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A transformação exercida nas melodias e vozes de Dangerous Days, último single de Zola Jesus, é apenas o princípio da sonoridade que deve acompanhar a artistas no próximo álbum de estúdio. Tão acessível e pop quanto a antecessora, Go (Blank Sea) é uma peça que revela Nika Roza Danilova em seu melhor estágio. A relação com a eletrônica em Conatus (2011), os vocais maduros de Stridullum II (2010) e o experimento acumulado desde os primeiros anos, referências autorais diluídas com segurança no interior da nova faixa.

Uma das 11 composições inéditas de Taiga (2014), Go (Blank Sea) é tanto uma composição marcada pelo frescor dos elementos, como um resumo autêntico de tudo o que Danilova conquistou nos últimos anos. Três atos distintos, porém, organizados dentro do ambiente assinado pela produtora, responsável (junto de Dean Hurley) pela condução do material que estreia em sete de outubro pela Mute Records.

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Zola Jesus – Go (Blank Sea)

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Disco: “Rainha dos Raios”, Alice Caymmi

Alice Caymmi
Alternative/Electronic/Female Vocalists
http://www.rainhadosraios.com/

Por: Cleber Facchi

O mar inquieto desbravado por Alice Caymmi durante o primeiro álbum de estúdio, de 2012, encontra agora seu estado de maior agitação. Em Rainha dos Raios (2014, Joia Moderna), segundo trabalho solo da cantora e compositora carioca, todas as experiências – líricas e musicais – arrastam agora o espectador para um cenário de plena incerteza e constante transformação. Instável e senhora do próprio domínio, Alice rompe de forma decisiva com os laços da própria herança, deixando de ser encarada apenas como a “neta de Dorival Caymmi” para governar um universo inteiro dentro das próprias imposições.

Imenso registro de possibilidades, a obra “em louvor” à Iansã – a orixá das tempestades – logo se converte em um registro de incorporação. Das vozes fortes tomadas pela androginia ao uso versos provocados pelo incerteza de gênero do eu-lírico, quem passeia com liberdade pelo disco não é Alice, mas as diferentes entidades que temporariamente invadem o corpo (e voz) da artista.

Contrariando a força autoral do primeiro disco – rompida apenas na regravações de Unravel de Björk e Sargaço Mar do próprio avô -, aqui Alice é Caetano Veloso (Homem), Maysa (Meu Mundo Caiu), MC Marcinho (Princesa) e até uma versão transformada dela mesma (Antes de Tudo). Mesmo quando se encontra com o hitmaker Michael Sullivan em Meu Recado, Caymmi está longe de repetir a mesma “personagem” exaltada no álbum de estreia. Rostos, vozes e papéis que se confundem sem deixar de ditar a direção (incerta) a ser seguida pelo ouvinte no decorrer do trabalho.

Ainda que encarado como uma obra de interpretações – das nove faixas do disco, sete contam com assinatura ou foram gravadas previamente por outros artistas -, Rainha dos Raios está longe de ser resumido como um simples “disco de versões”. Inclinado ao remodelar de cada faixa, Diogo Strausz, produtor do disco, brinca não apenas com a base experimental de cada canção, mas com a essência da própria cantora. Parceiros desde o experimento testado em Iansã, no último ano, Strausz e Caymmi testam referências (Sou Rebelde), forçam o uso da voz como instrumento (Meu Recado) e, principalmente, atravessam um oceano imenso de novos ritmos. Continue reading

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Angel Olsen: “All Right Now” e “High & Wild”

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Repleto de referências aos sons incorporados no Country/Folk dos anos 1970, Burn Your Fire for No Witness (2014) é mais do que uma representação da essência musical de Angel Olsen, mas uma tradução amarga dos sentimentos da própria artista. Satisfatório em se tratando do conjunto de 11 faixas que definem a versão original do trabalho, o sucessor do satisfatório Half Way Home (2012) ganha no dia 18 de novembro uma edição especial abastecida por cinco composições inéditas.

Também com lançamento pelo selo Jagjaguwar, o “novo” álbum resume na singeleza de All Right Now uma mostra convincente do que Olsen reserva para os próximos meses. Adornada pelos mesmos elementos referenciais do restante da obra, a canção borbulha em um agregado de vocalizações sublimes e arranjos econômicos, um resumo de todo o material lançado no começo de fevereiro. Além da nova música, a cantora aproveitou para apresentar o clipe de High & Wild, registro caseiro que conta com o apoio do próprio público e membros da banda de apoio da artista.

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Angel Olsen – All Right Now

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Angel Olsen – High & Wild

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Tinashe: “Feels Like Vegas”

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Se Pretend, parceria de Tinashe com A$AP Rocky apresentada no final de agosto, parecia refletir parte expressiva da sonoridade reservada para o aguardado álbum de estreia da cantora/rapper, bastam os minutos iniciais de Feels Like Vegas para perceber uma carga de novas nuances dentro do trabalho da artista de Los Angeles. Delicada e acessível, a nova música é a pista segura do lado pop que preenche Aquarius (2014), disco que chega no dia sete de outubro pelo selo RCA.

Meio termo entre o último álbum de Ciara e o mais recente álbum de Beyoncé, a canção parece ser a passagem direta para que Tinashe alcance o grande público, efeito das vocalizações melódicas e versos fáceis que acompanham o ouvinte até o último segundo. Com a presença confirmada de Devonté Hynes (Blood Orange), Future e Schoolboy Q, Aquarius (capa acima) tem tudo para se transformar em um dos grandes lançamentos do ano.

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Tinashe – Feels Like Vegas

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Alice Caymmi: “Rainha dos Raios”

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Em um ano de grandes lançamentos nacionais assumidos por vozes femininas – como Caravana Sereia Bloom de Céu e Tudo Tanto de Tulipa Ruiz -, Alice Caymmi conquistou o próprio espaço ao investir em uma obra complexa, carregada de referências autorais e pequenas adaptações. Conduzido pela voz forte da cantora, neta de Dorival Caymmi, o álbum é casa de faixas imponentes como Água Marinha e Sargaço Mar, referências distorcidas dentro do novo trabalho em estúdio da artista, Rainha dos Raios (2014).

Livre do ambiente “litorâneo” retratado no disco de estreia, Caymmi passeia agora por entre diferentes gêneros musicais e adaptações particulares de músicas assinadas por outros artistas – caso de Homem de Caetano Veloso e Como Vês do grupo Tono. São nove regravações, algumas delas já conhecidas do público da cantora, como Iansã, parceria de Alice com o músico/produtor Strausz. Com lançamento pelo selo Joia Moderna e distribuição pela Tratore, Rainha dos Raios pode ser apreciado na íntegra logo abaixo.

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Alice Caymmi – Rainha dos Raios

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Disco: “Crush Songs”, Karen O

Karen O
Indie/Lo-Fi/Alternative
http://www.karenomusic.com/

Por: Cleber Facchi

A raiva incontida em grande parte das canções do Yeah Yeah Yeahs, muitas vezes parece ocultar a poesia doce costurada por Karen O. Seja na melancolia escancarada em Maps – uma das mais belas e honestas canções de amor dos anos 2000 -, passando por Little Shadow em It’s Blitz! (2009) e Wedding Song no ainda recente Mosquito (2013), o amor sempre encontra uma brecha para sobreviver na voz da artista, completamente entregue ao sentimento no interior do primeiro disco solo, Crush Songs (2014, Cult).

Confessional em toda a extensão, o “debut” se movimenta entre emanações brandas e sons prestes a se esfarelar. Uma obra de versos sussurrados, captações caseiras e toda uma ambientação dividida apenas entre a cantora e o ouvinte. Livre de um possível acabamento detalhista em estúdio, o álbum de 15 curtas composições é um bloco que não esconde a própria singeleza, carregando nos versos a principal ferramenta da cantora.

Sempre falando de amor – como o próprio título da obra logo entrega -, Crush Songs revela ao público todos os limites e pequenas imposições ainda na faixa de abertura, a triste Ooo. Trata-se de um catálogo de fragmentos sentimentais colecionados por Karen O ao longo dos últimos anos. Faixas talvez “simplistas” ou “pequenas” dentro do contexto musical grandioso do YYYs, porém, assertivas quando organizadas em conjunto, amarradas pela mesma trama sorumbática da recente obra.

Ainda que instalado no mesmo ambiente tímido de The Moon Song, faixa concebida especialmente para a trilha sonora do filme Her (2013), Crush Songs está longe de ser encarado como um material sereno. Como toda obra detalhada pelos percepções humanas, principalmente aqueles impulsionados pelo amor, a estreia solo de Karen O consegue ao mesmo tempo confortar (Day Go By), como despertar a insanidade do espectador (Beast). O próprio texto de apresentação do álbum (acima) traduz bem isso. Da mesma forma que não há certeza alguma no amor, instável é o caminho percorrido ao longo do disco. Continue reading

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Grouper: “Call Across Rooms”

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Há três anos, quando Liz Harris passou a dividir as composições do Grouper entre bases densas do Drone e melodias sublimes do Dream Pop, nascia não apenas o melhor álbum da compositora até presente momento – o duplo A I A: Dream Loss e Alien Observer (2011) -, mas a inspiração para os lançamentos seguintes da norte-americana. Ambientado no mesmo plano etéreo e seguindo a trilha do bem sucedido The Man Who Died In His Boat (2013), Harris abre as portas para o 10º álbum da carreira, Ruins (2014).

Previsto para estrear no dia 31 de outubro (Halloween) pelo selo Kranky, o novo álbum carrega na inédita Call Across Rooms uma pista sólida sobre os próximos lançamentos relacionados ao novo disco e, ao mesmo tempo, a composição mais doce já lançada pela musicista. São menos de três minutos em que vozes melancólicas, pianos e ruídos soturnos se materializam com leveza na mente do espectador, acomodando as percepções do ouvinte dentro de um cenário que parece desvendado apenas por Harris. Doce e triste.

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Grouper – Call Across Rooms

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Disco: “Gana Pelo Bang”, Lurdez da Luz

Lurdez da Luz
Hip-Hop/Rap/Pop
http://www.lurdezdaluz.com/

Por: Cleber Facchi

Lurdez da Luz está longe de ser uma iniciante. Mesmo que o primeiro trabalho solo da rapper paulistana seja apresentado somente agora, Gana Pelo Bang (2014, YB Music), são quase duas décadas de projetos em parceria, colaborações e toda uma bagagem imensa de composições – experiência raramente igualada dentro do produção brasileira. Da parceria com Rodrigo Brandão no Mamelo Sound System, passando pela série de faixas ao lado de diferentes nomes do rap nacional – ou mesmo além dele, como Lucio Maia e Garotas Suecas -, maturidade é o que não falta para a presente “debutante”,  aspecto refletido na segurança do novo lançamento de estúdio.

Norteado pela mesma composição do EP homônimo de 2010, o trabalho de 10 faixas aos poucos se distancia da atmosfera inicial lançada por Da Luz, revelando ao público um material totalmente inédito. Mais do que um olhar atento sobre a periferia de São Paulo, Gana Pelo Bang dialoga de forma explícita com diferentes cenários, pessoas e principalmente ritmos nacionais. Uma espécie de passeio pela periferia brasileira sem necessariamente fugir do território urbano/cinza há décadas sustentado pela rapper – liricamente versátil em toda a construção do álbum.

Parte dessa carga de referências flutua com naturalidade na composição instrumental do disco. Funk carioca em Mente Aê, ritmos nordestinos no interior de Ping Pong e até passagens fragmentadas pela cultura nortista – como as variações de Technobrega na romântica Beijinho. Postura inédita para quem descobriu o trabalho da rapper no EP de 2010, grande parte dessa colagem de referências antecede a fase solo de Da Luz, esbarrando em temas e pequenas imposições musicais já alcançadas em Velha-Guarda 22 (2006), ainda com o Mamelo Sound System.

A diferença talvez esteja no ritmo (sempre) intenso dado ao disco, efeito reforçado pelo time de produtores que trabalham de forma cooperativa ao longo de toda a obra. Com Leo Justi, Nave e a dupla Stereodubs como produtores do álbum, Da Luz segue em ritmo frenético até o último instante do trabalho. Tão intenso (Fervo), quanto dançante (Poder), o disco cresce como uma colisão de temas, samples e batidas propositadamente instáveis, matéria volátil aos poucos amarrada pela rima firme e ainda melódica da rapper. Continue reading

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Disco: “Banda do Mar”, Banda do Mar

Banda do Mar
Indie/Alternative/Indie Pop
https://www.facebook.com/bandadomar

Por: Cleber Facchi

É difícil não ser convencido pelo primeiro álbum da Banda do Mar. Projeto paralelo do casal Mallu Magalhães e Marcelo Camelo, o disco lançado em parceria com o português Fred Ferreira cresce como uma tapeçaria de sons cantaroláveis, raros e capazes de cruzar o Atlântico com velocidade, invadindo a mente do ouvinte sem grandes bloqueios. Mesmo incapaz de lançar um material verdadeiramente novo – trata-se de uma adaptação do arsenal testado em Ventura (2003) do Los Hermanos, gracejos pop vindos de Pitanga (2011) com uma pitada de Surf Music -, cada curva do disco luso-brasileiro encanta pelo tratamento dos arranjos e a forma honesta dada aos versos, formato que se estende e acompanha o ouvinte até o ecoar da última faixa.

Composto e gravado em Portugal – país adotado por Camelo e Magalhães desde 2013 -, o trabalho de essência radiante não oculta a seriedade dos próprios temas, postura explícita no caráter “libertador” carimbado em cada canção. Da expressão declamada em Me Sinto Ótima – quase uma “faixa irmã” de Velha e Louca -, ao inaugurar do disco com Cidade Nova - “Eu não deixo o tempo parar” -, todas as dobras do álbum soam como uma resposta sorridente aos que não acreditavam na união do casal de músicos, no afastamento de Camelo do Los Hermanos, ou na capacidade da cantora em crescer além do Folk pueril dos primeiros anos. Nada de rancor, apenas sorrisos.

São estes mesmos sorrisos que preenchem parte da poesia da obra e ainda garantem ritmo ao trabalho. Entre declarações de amor (Mais Ninguém) e faixas de puro descompromisso (Muitos Chocolates), o debut é um disco que flui com leveza e ao mesmo tempo energia, atingindo em cheio o espectador. É possível afirmar que desde o grito final na faixa De Onde Vem A Calma que Marcelo Camelo não soava tão liberto. Mesmo Magalhães dança pelo disco entre vocalizações crescentes, postura delineada com acerto no último disco solo, de 2011, mas ainda mais fascinante no pop batucado de Mia e outras criações do álbum. Vozes sorridentes (Pode Ser), assovios (Me Sinto Ótima) e celebração (Vamo embora), como definiu o jornalista Thales de Menezes: este é o disco mais agradável do ano.

Delineado com simplicidade, o álbum carrega nas guitarras a principal ferramenta de movimento para as faixas. Da abertura, com Cidade Nova, passando por Mais Ninguém, Hey Nana e Faz Tempo, cada instante do trabalho abre espaço para o uso dos solos versáteis de Camelo – tão enérgico quanto no primeiro álbum do Los Hermanos. São rajadas eufóricas de distorção, como no eixo final de Muitos Chocolates, instantes brandos que explodem sob controle, vide Seja Como For, além de um suingue raro, posicionamento que rompe com a serenidade da fase solo do músico – principalmente em Sou (2008) – para encontrar a mesma desenvoltura do hermano Rodrigo Amarante na fase pré-Cavalo (2013). Continue reading

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Seinabo Sey: “Pistols At Dawn”

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Cada nova música lançada por Seinabo Sey é uma verdadeira surpresa. Da sutileza em Younger para a grandeza das vozes e arranjos em Hard Time, cada faixa sustenta com naturalidade o crescimento da cantora, pronta para abraçar o grande público sem necessariamente abandonar o público “alternativo” conquistado durante os primeiros lançamentos. Depois de duas canções bem sucedidas, é hora de ser presenteado por mais uma faixa de puro acerto da jovem cantora: Pistols At Down.

Equilibrando entre o Pop britânico, o R&B de Adele e ambientações experimentais, a recém-lançada criação parece desenvolvida de forma a valorizar cada nuance vocal da artista. Dos momentos de pura serenidade, passando pelos atos grandiosos do refrão, Sey cresce e encolhe de forma hipnótica, arrastando o ouvinte para todos os cantos da faixa. Com uma sonoridade que parece vinda do primeiro álbum do Alt-J, a música produzida por Magnus Lidehäll é uma pista consistente do que deve caracterizar o primeiro álbum solo da cantora, previsto para estrear em 2015.

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Seinabo Sey – Pistols At Dawn

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