Tag Archives: Female Vocalists

Resenha: “Strangers”, Marissa Nadler

Artista: Marissa Nadler
Gênero: Folk, Dream Pop, Alternative
Acesse: http://www.marissanadler.com/

 

Com mais de uma década de carreira, Marissa Nadler continua a produzir o mesmo tipo de som doloroso e intimista que foi apresentado no inaugural Ballads of Living and Dying (2004). Versos que passeiam pelo universo romântico/doloroso da musicista, sempre disposta a confessar os próprios tormentos e desilusões a cada novo registros de inéditas. Um delicado exercício de exposição sentimental que se reforça com a chegada de Strangers (2016, Sacred Bones / Bella Union), sétimo e mais recente álbum de estúdio da cantora norte-americana.

Sucessor do delicado July (2014), um dos trabalhos mais coesos de toda a discografia de Nadler, Strangers sustenta na temática da separação um assertivo componente para amarrar as diferentes fases e composições que se relacionam diretamente com elementos da vida pessoal da cantora. Um espaço onde personagens metafóricos (Katie I Know, Janie In Love) e relatos pessoais (Hungry Is The Ghost, All The Colors of The Dark) dançam de forma lenta e melancólica.

Inaugurado pela densa Divers of The Dust, o registro de 11 faixas lentas parece pensado para sufocar o ouvinte em poucos segundos. Pianos e vozes sempre profundas, tocantes, como se cada nota de Nadler fosse encarada como a última, a mais dolorosa. Arranjos e versos explorados como parte de um único componente orquestrado pela dor. Lamentos que não apenas se relacionam com o que há de mais triste na vida de qualquer indivíduo apaixonado, como perturbam de maneira propositada.

Assim como no álbum apresentado há dois anos, Nadler flutua com naturalidade entre a timidez da música folk, marca dos primeiros registros de estúdio, e o som enevoado, gótico, que tanto caracteriza a sequência de obras pós-Little Hells (2009). Uma extensão menos “raivosa” e polida do mesmo material entregue pela conterrânea Chelsea Wolfe em Abyss, de 2015. Duas frentes distintas de canções, mas que se abraçam em uma ambientação homogênea, por vezes claustrofóbica como Nothing Feels The Same e demais faixas no encerramento do disco indicam. Continue reading

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Resenha: “Oh No”, Jessy Lanza

Artista: Jessy Lanza
Gênero: Electronic, R&B, Synthpop
Acessehttp://jessylanza.com/

 

Jessy Lanza parece seguir um caminho completamente isolado em relação ao trabalho de grande parte das cantoras norte-americanas. Longe de um enquadramento óbvio, comercial, cada trabalho assinado pela produtora de Hamilton, Canadá, dança em meio a reverberações nostálgicas da década de 1980. Vozes e arranjos eletrônicos que replicam grande parte dos conceitos incorporados há mais de três décadas, base do recém-lançado Oh No (2016, Hyperdub), segundo e mais recente álbum de inéditas da artista.

Delicada continuação do material apresentado em Pull My Hair Back, de 2013, o novo registro mostra a evolução de Lanza em relação ao uso da própria voz. Longe do conceito “instrumental” do disco anterior, trabalho que explora os vocais como mero complemento para a base eletrônica das canções, em Oh No a voz da cantora se destacam. Da abertura, em New Ogi, passando por músicas como Never Enough e It Means I Love You, pela primeira vez Lanza soa como protagonista da própria obra.

Acompanhada de perto por Jeremy Greenspan, uma das metades do projeto canadense Junior Boys, Lanza encara o registro como uma obra de completa exposição. Em cada uma das 10 faixas do disco, um sussurro romântico da cantora, como se desilusões amorosas e conflitos recentes servissem de base para o trabalho da canadense. “Quando você olha nos meus olhos / Isso significa que eu te amo“, canta em It Means I Love You, um fino exemplo da temática confessional que invade o disco.

Longe de parecer uma novidade dentro do repertório de Lanza, vide composições como Strange Emotion e Keep Moving, do trabalho anterior, em Oh No, o amor e toda a base sentimental da compositora se destaca pela forma essencialmente honesta como os versos são explorados no interior de cada música. Músicas como Never Enough e Could Be U que mostram um aspecto “universal” do amor, preferência que dialoga diretamente com o trabalho de Kelela, FKA Twigs e outros nomes do novo R&B. Continue reading

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Maria Usbeck: “Jungla Inquieta”

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Mais conhecida pelo trabalho em parceria com a banda Selebrities, a cantora e compositora norte-americana Mair Usbeck segue divulgando o primeiro álbum em carreira solo: Amparo (2016). Com produção assinada por Caroline Polacheck (Chairlift, Ramona Lisa), o projeto parece seguir um caminho bem diferente do Dream Pop/Synthpop explorado com os antigos companheiros de banda, mudança evidente em faixas como Moai Y YoUno De Tus Ojos, lançadas há poucas semanas.

Entretanto, em Jungla Inquieta, mais recente criação de Usbeck, um delicado regresso ao mesmo material produzido com o Selebrities. Trata-se de um som levemente experimental, acolhedor na voz marcante da cantora, porém, distante do “folk” explorado nos últimos lançamentos da artista. Difícil não perceber a interferência de Polacheck, resgatando parte das batidas e ambientações testadas há dois anos no primeiro álbum como Ramona Lisa, Arcadia (2014).

Amparo (2016) será lançado no dia 27/05 pelo selo Cascine.

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Maria Usbeck – Jungla Inquieta

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Resenha: “Mahmundi”, Mahmundi

Artista: Mahmundi
Gênero: Synthpop, R&B, Pop
Acesse: https://www.facebook.com/mahmundionline/

 

Marcela Vale passou os últimos quatro anos colecionando hits. Do som empoeirado de Efeito das Cores, EP lançado em 2012, passando pelo R&B melancólico que cresce em Setembro, bem-sucedido registro de 2013, cada trabalho assinado pela cantora e compositora carioca parece estreitar a relação entre o pop nostálgico da década de 1980 e a som que marca o presente cenário. Uma colisão de ideias, melodias e vozes que acabou resultando em faixas como Calor do Amor e Sentimento – vencedora na categoria Nova Canção no Prêmio Multishow de 2014 –, base para a pequena “coletânea” que marca a homônima estreia da jovem artista.

Das dez composições entregues pela cantora, apenas cinco foram produzidas especialmente para o registro – que conta com distribuição pelo selo StereoMono, casa de artistas como Jaloo e Boogarins. Quase sempre, Calor do Amor e Desaguar, resgatadas de Efeito das Cores; Leve inicialmente apresentada no EP Setembro, enquanto Sentimento, faixa de encerramento do disco, foi originalmente lançada em 2014. Canções já conhecidas do público fiel da artista, porém, musicalmente reformuladas, íntimas da mesma ambientação límpida que orienta o restante do trabalho.

De essência melancólica, intimista, cada faixa cresce como um delicado exercício de exposição sentimental. “Quando tudo terminar enfim / Meu desejo transformado em saudade Te espero, te espero, te espero / Não vá”, desaba Mahmundi em Azul, uma síntese de toda a tristeza que corrompe a obra. Em Eterno Verão, primeiro single do trabalho, uma extensão “comercial” do mesmo tom confessional e amargo que rege o álbum. “E é tão fácil, tão mágico, se perder no coração”, canta Vale enquanto guitarras e sintetizadores dialogam com o mesmo som pegajoso de Guilherme Arantes.

Composição que mais se distancia do restante da trabalho, Meu Amor cria uma espécie de ponte inusitada para o R&B da década de 1990. “Meu amor por favor / A certeza vai habitar e a cabeça agradecer / Pela noite com você”, canta Mahmundi enquanto as batidas e sintetizadores crescem lentamente, revelando uma composição que poderia facilmente ocupar um espaço em qualquer trilha sonora de novela. Difícil não lembrar do trabalho produzido pela britânica Jessie Ware, influência confessa de Vale e um evidente alicerce em grande parte das canções que recheiam o disco. Continue reading

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Resenha: “Honey”, Katy B

Artista: Katy B
Gênero: Electronic, Pop, R&B
Acesse: http://www.katybofficial.com/

 

Katy B está longe de parecer a artista que debutou no começo da presente década com Katy on a Mission e a dançante Louder. Depois de dois álbuns de estúdio bem-sucedidos – On a Mission (2011) e Little Red (2014) –, a cantora e compositora britânica encara o terceiro registro de inéditas como o trabalho mais “complexo” de toda a carreira. Uma obra colaborativa, escrita em totalidade pela artista inglesa, porém, musicalmente fragmentada entre diferentes produtores.

Intitulado Honey (2016, Rinse / Virgin EMI), o trabalho de 13 faixas se projeta como uma continuação do material apresentado nos dois últimos trabalhos de Kathleen Brien – verdadeiro nome da artista inglesa. Músicas que passeiam pelo mesmo R&B melancólico testado em Little Red (Who Am I, Water Rising), esbarram nas batidas de On a Mission (Calm Down, Lose Your Head) e ainda replicam conceitos inicialmente incorporados nos primeiros singles da cantora (So Far Away).

Trata-se de uma obra essencialmente versátil. Enquanto a autointitulada faixa de abertura parece ancorada no meio da década de 1990, detalhando sintetizadores e vozes melódicas, típicas de artistas como Aaliyah, em Who Am I, segunda canção do disco e peça produzida pelo norte-americano Diplo, um diálogo com o mesmo pop de Rihanna e outros nomes recentes. Pouco mais de 50 minutos, tempo suficiente para que Brien e o time de parceiros sejam capazes de brincar com os arranjos e ritmos.

Em se tratando dos versos que recheiam a obra, a mesma base sentimental. São letras essencialmente confessionais, dolorosas, estímulo para grande parte da obra. “Quem sou eu se não estou te amando? / Quem sou se você não está me amando?”, questiona Brien em Who Am I, perfeita síntese de todo o romantismo que recheia o disco. “É tarde demais / Ele enterrou na minha alma / No fundo”, canta em Calm Down, faixa que ultrapassa o universo da cantora para explorar a relação turbulenta de um casal. Continue reading

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Marissa Nadler: “Katie I Know”

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Anunciado em fevereiro deste ano, Strangers (2015) é o nome do novo álbum de estúdio da cantora e compositora norte-americana Marissa Nadler. Sucessor do excelente July – um dos 50 melhores discos internacionais de 2014 –, o registro deve seguir a trilha melancólica explorada pela artista desde o começo de carreira, percepção reforçada durante o lançamento de Janie in Love All the Colors of the Dark, além da recém-lançada Katie I Know.

Em um fino exercício de exposição vocal, Nadler detalha uma coleção melancólicos, sempre intimistas, centrados no próprio cotidiano da artista. Ao fundo da canção, os arranjos de Eyvind Kang, parceiro de longa data da musicista e também colaborador em obras como Feels (2005), do Animal Collective, The Crane Wife (2006), do coletivo The Decemberists, além de outros artistas como Sun O))) e Six Organs Of Admittance.

Strangers (2016) será lançado no dia 20/05 pelo selo Sacred Bones.

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Marissa Nadler – Katie I Know

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Charlotte Day Wilson: “Work”

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Com o lançamento de After All, em janeiro deste ano, a cantora e compositora canadense Charlotte Day Wilson conseguiu chamar a atenção de muita gente. Uma voz pesada, essencialmente densa, sempre acompanhada de versos melancólicos, conceito que muito se assemelha ao trabalho produzido por artistas como Blood Orange, Jessie Ware e Rhye, referências também claras dentro do mais recente trabalho do jovem artista, a inédita Work.

Mais uma vez cercada por sintetizadores arrastados, Wilson, também integrante do coletivo The Wayo, mostra um som que dialoga em poucos instantes com o ouvinte. Uma faixa que reflete o isolamento de dois personagens em meio a uma sociedade cada vez mais corrida, marcada pelos excessos. Ao fundo da canção, um amontoado de vozes melancólicas, tão íntimas do soul/jazz da década de 1970, quanto do canto reconfortante da música gospel.

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Charlotte Day Wilson – Work

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Disco: “The Hope Six Demolition Project”, PJ Harvey

Artista: PJ Harvey
Gênero: Rock, Alternative, British
Acesse: http://www.pjharvey.net/

 

Durante grande parte da década de 1990, PJ Harvey interpretou a si mesma como a protagonista da própria obra. Basta observar as canções de clássicos como trabalhos como Dry (1992) e Rid of Me (1993) para perceber isso. Já outros como Stories from the City, Stories from the Sea (2000) e Uh Huh Her (2004), uma inversão, a passagem para um novo universo, muitas vezes descritivo e impessoal, como se a compositora britânica explorasse diferentes cidade, seus personagens e histórias.

Em The Hope Six Demolition Project (2016, Island / Vagrant), nono trabalho na discografia de Harvey, e primeiro registro de inéditas depois de um hiato de cinco anos, uma expansão dessa curiosa visão de mundo da guitarrista. Versos que passeiam por regiões, detalham o cotidianos de povos e comunidades de forma sempre política, atual. Conceitualmente, um resumo das viagens da musicista pelo Oriente Médio, Leste Europeu e diferentes pontos dos Estados Unidos.

No discurso político de Harvey, cada vez mais agressivo, uma expressiva continuação do material explorado nas canções de Let England Shake, de 2011. Basta observar a faixa de abertura do disco, The Community of Hope, para perceber isso. Trata-se de um ataque direto da cantora britânica aos políticos de Washington e o completo descaso com a população local. Um diálogo com uma comunidade específica, mas que se adapta aos mais diferentes cenários e governos.

Sétima faixa do disco, The Orange Monkey talvez seja a composição que melhor sintetize a importância das viagens de Harvey dentro da presente obra “Você deve voltar no tempo / Tomei um avião para uma terra estrangeira / E disse: ‘vou escrever sobre aquilo que eu encontrar’”, canta a artista enquanto descreve de forma subjetiva paisagens e personagens que encontrou pelo Afeganistão. Um resumo breve do mesmo conceito também explorado em músicas como A Line in the Sand e Near the Memorials to Vietnam and Lincoln. Continue reading

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Kristin Kontrol: “Show Me”

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Poucas composições lançadas nos últimos quatro meses são tão divertidas e dançantes quanto X-Communicate. Faixa-título do primeiro álbum de Kristin Welchez como Kristin Kontrol, a canção dominada por sintetizadores e batidas dançantes mostra a líder do Dum Dum Girls em um universo completamente distinto em relação ao garage rock/dream pop produzido pela banda californiana nos últimos oito anos.

Parte do mesmo material, a recém-lançada Show Me talvez seja a faixa que mais se relaciona com os dois “opostos” no trabalho de Welchez. De um lado, os sintetizadores, batidas repletas de eco e até instrumentos de sopro. No outro, as guitarras carregadas de efeito e toda a atmosfera que marca o antigo projeto da cantora. Uma colisão ideias e referências que tanto se aproxima do som “brega” de artistas como Toto, como da sonoridade cultuada do Cocteau Twins.

X-Communicate (2016) será lançado no dia 27/05 pelo selo Sub Pop.

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Kristin Kontrol – Show Me

 

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Julianna Barwick: “Same” (ft. Mas Ysa)

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Ainda que a voz continue servindo como principal “instrumento” de atuação para Julianna Barwick, desde o lançamento de Nephente, em 2013, a cantora e compositora norte-americana vem buscando por novas possibilidades em estúdio. Prova disso está na apresentação de Nebula, primeiro single do novo álbum de estúdio da artista, Will (2016), e um evidente recomeço dentro da carreira de Barwick, cada vez mais íntima do som etéreo e experimentos que abasteceram a música ambiental dos anos 1970.

Em Same, composição também pensada para o novo álbum de inéditas, Barwick e o convidado Thomas Arsenault, do projeto canadense Mas Ysa, criam uma faixa que parece crescer lentamente, carregada de detalhes e nuances de vozes. Uma sobreposição de ruídos, bases atmosféricas e sintetizados que tentam delicadamente ocultar uma letra marcada por sentimentos obscuros e os tradicionais versos alongados que marcam a carreira da cantora.

Will (2016) será lançado no dia 06/05 pelo selo Dead Oceans.

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Julianna Barwick – Same (ft. Mas Ysa)

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