Tag Archives: Female Vocalists

R&B 90′s: 12 Discos Essenciais

Por: Cleber Facchi

Em um cenário dominado por gigantes do Rock Alternativo – Nirvana, Pearl Jam – e pequenos duelos que abasteceram o Britpop – Oasis, Blur -, quem realmente conquistou o público na década de 1990 foram os entusiastas do R&B. Abastecidos pelas referências criadas por nomes como Marvin Gaye, Stevie Wonder, Prince e outros artistas influentes das décadas de 1970/1980, um time de novatos tomou o topo das principais paradas de sucesso, apresentando alguns dos principais exemplares da música negra do período.

Entre artistas cultuados como D’Angelo, Lauryn Hill e nomes comerciais como Mariah Carey, Aaliyah e TLC, voltamos duas décadas no tempo para resgatar 12 obras essenciais do R&B nos anos 90. Trabalhos que se entregam ao Pop, como The Writing’s on the Wall (1999), do Destiny’s Child, ou mesmo obras como Baduizm (1997), de Erykah Badu, capazes de referenciar o trabalho de veteranos e ainda assim manter o toque atual. Uma dúzia de obras marcadas pela sensualidade, versos confessionais e batidas que colam nos ouvidos em segundos.  Continue reading

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Jessie Ware: “Share It All”

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Diga com quem andas…

Poucas semanas após anunciar o segundo registro em carreira solo e apresentar a faixa-título do trabalho, Tough Love (2014), Jessie Ware aparece com mais uma comovente criação. Menos pulsante e sombreada por boas melodias, Share It All flutua como uma doce representação do Lado B de Devotion (2012), registro de estreia da britânica. Uma simples colisão de temas e referências que saltam da eletrônica/R&B dos anos 1990 diretamente para o presente.

Sutil e abastecida por pequenos suspiros, a faixa reforça a precisão de Julio Bashmore, velho parceiro de Ware, quanto produtor da música. Entretanto, foi a notícia de que Romy Madley-Croft (The XX) seria a co-autora do single que realmente chamou a atenção. Não por acaso Bashmore entrega uma composição limpa, costurando batidas e sintetizadores de forma a reforçar a voz de Ware. Mesmo sem data de lançamento, Tough Love está previsto para estrear ainda em 2014, contando com distribuição pelos selos Island e Cherrytree.

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Jessie Ware – Share It All

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Disco: “The Voyager”, Jenny Lewis

Jenny Lewis
Indie/Folk/Female Vocalists
http://www.jennylewis.com/

Por: Cleber Facchi

Durante os primeiros anos em carreira solo, tudo o que Jenny Lewis parecia interessada era em se distanciar musicalmente do Rilo Kiley, sua outra banda. Não por acaso em Rabbit Fur Coat (2006), estreia solo da cantora, Lewis abandonou a energia das guitarras para abraçar a acústica leve do Country Folk. Curiosamente depois de reciclar a mesma sonoridade em Acid Tongue (2008), a artista regressa agora ao território musical do antigo grupo, transformando o recém-lançado The Voyager (2014, Warner Bros.) em um inevitável regresso aos primeiros anos em estúdio.

Espécie de comunicação com os memoráveis The Execution of All Things (2002) e More Adventurous (2004), trabalhos mais comerciais do Rilo Kiley até aqui, o presente registro solo de Lewis é uma obra de reposicionamento. Longe da atmosfera empoeirada dos dois últimos trabalhos, a cantora investe em melodias acessíveis, acordes bem executados de guitarras e uma doce comunicação com o pop que há tempos parecia abandonada.

Basta perceber a energia que escapa de músicas como Love U Forever para que todo o “novo” universo da cantora seja desvendado. Por trás de uma linha de baixo consistente, guitarras firmes, crescentes e encaixadas de forma precisa servem de base para as confissões românticas da artista. Doses consideráveis de referências dos anos 1980 e 1970, batidas econômicas e a voz limpa: nada tende ao excesso. É dentro construção que Lewis planeja a arquitetura do álbum, um trabalho que aposta no descompromisso, mas soluciona de forma assertiva todas suas imposições.

Mesmo que tropece aqui e ali em elementos conquistados ao lado do parceiro Johnathan Rice – namorado e uma das metades do Jenny and Johnny -, todas as experiências da obra são típicas de sua autora. Nada mais inteligente da parte de Jenny do que convidar o amigo de longa data (e inspiração confessa) Ryan Adams para assumir a produção do registro. Conhecedor do trabalho de Lewis, o músico mantém o registro dentro de uma formatação homogênea, pinçando tanto elementos dos últimos discos da cantora, como referências da música Country que abasteceram toda a década de 1970. Continue reading

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Banks: “Beggin For Thread”

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Com lançamento previsto para o dia nove de novembro, Goddess (2014) não apenas é o registro escolhido para a estreia oficial da californiana Banks, como ainda parece seguir em uma direção contrária o resultado exposto em London EP (2013), lançado há poucos meses. Parcialmente distante do grupo de produtores britânicos que solucionaram a base do trabalho, a novata deixa de lado a comunicação com elementos do Future/Garage para abraçar o lado “comum” do R&B.

Em Beggin For Thread, novo single da cantora, toda essa transformação é visível. Nada de batidas minimalistas e toda a precisão que inicialmente apresentou a cantora. Em pouco mais de quatro minutos Banks se desprende de diversos aspectos para soar como “mais uma” dentro da safra norte-americana. Godess conta com lançamento pelo selo Harvest e já acumula faixas como Drowning e Brain entregues nos últimos meses.

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Banks – Beggin For Thread

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Disco: “Trouble in Paradise”, La Roux

La Roux
Electronic/Synthpop/Female Vocalists
http://www.laroux.co.uk/

Por: Cleber Facchi

La Roux

Elly Jackson não poderia ter assumido uma estratégia mais corajosa do que os quatro anos de hiato que antecedem Trouble in Paradise (2014, Polydor). Longe da euforia, sintetizadores chiclete e versos fáceis que se projetam de Bulletproof e I’m Not Your Toy – algumas das faixas mais comerciais do álbum de estreia, lançado em 2009 -, a cantora/produtora britânica alcança o segundo registro de estúdio reforçando uma postura rara em tempos de produções urgentes e obras que normalmente chegam cruas aos ouvintes.

Lento, mas não estático, o presente disco é um passo além em relação ao furor oitentista que organizou grande parte da produção musical na década passada. Ainda íntima da New Wave instalada no single de estreia Quicksand, de 2008, Jackson transforma o novo álbum em uma obra de transição. Por mais que a inaugural Uptight Downtown estenda o exercício projetado no disco de estreia, à medida que a cantora atravessa a obra, o teor nostálgico da década de 1980 se encontra com os anos 1990 e 1970, reforçando a base conceitual do La Roux. Onde antes reinavam projetos como Eurythmics, A-Ha e The Human League, agora surgem gigantes como Grace Jones e Donna Summer.

Apresentado em idos de maio pela extensa Let Me Down Gently, Trouble in Paradise logo foi encarado como uma obra de oposição ao exercício frenético exposto no debut de Jackson. Todavia, não é preciso muito esforço para perceber como a mesma música pop da britânica ainda permanece a mesma, apenas detalhada em uma nova estrutura. Mesmo que canções como Tropical Chancer ou a inaugural Uptight Downtown apostem em uma tonalidade calorosa e propositadamente letárgica, por todo o trabalho músicas como Kiss and Not Tell e Sexotheque resgatam a essência do álbum anterior, arrastando o ouvinte para a pista.

É dentro desse universo de colagens, resgates e pequenas adequações que reside o grande acerto do disco. Enquanto The Ting Tings, Ladyhawke e outros artistas que surgiram na mesma época se acomodaram em uma terrível zona de conforto, Elly Jackson foi além, investindo na transformação. Sim, Trouble in Paradise está longe de ser um álbum encarado como “clássico”, tampouco parece capaz de igualar o acervo de faixas pegajosas do álbum passado, todavia, longe da redundância imediata e do autoplágio autoral que sobrevive do fanatismo cego do público, Jackson evita a redundância e aposta no novo. Trata-se de uma obra de passagem, uma seta indicando os acertos, tropeços e novas possibilidades da cantora ao velho público. Continue reading

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Aperitivo: Zola Jesus

Zola Jesus

Um novo disco a caminho? Aquele artista que você tanto gosta vai lançar um projeto inédito nas próximas semanas? Então se delicie com o nosso Aperitivo. São 15 composições – autorais, remixes, mixtapes – ou mesmo versões criativas de faixas de outros artistas que resumem o trabalho daquela banda ou produtor que você tanto gosta. Nada de ordem, preferência ou classificação aparente. Apenas um conjunto de músicas capazes de resumir a proposta do artista selecionado.

Depois de três registros de inéditas - The Spoils (2009), Stridulum II (2010) e Conatus (2011) -, uma série de EPs e um trabalho de regravações, Nika Danilova reserva para o dia sete de outubro a chegada de Taiga (2014), o quarto álbum à frente do Zola Jesus. Passada a transformação exposta em Dangerous Days, primeiro single do novo álbum, nada melhor do que visitar a obra da cantora e resgatar algumas de suas criações mais significativas – pelo menos até agora. Singles, versões e até mixtapes (antigas ou recentes) que resumem a extensa produção de Danilova e ainda servem como aquecimento para o próximo disco. Continue reading

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Jessie Ware: “Tough Love”

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Há dois Jessie Ware apresentava (de fato) o primeiro álbum solo, Devotion (2012), com a dobradinha 110% e RunningWildest Moments só veio mais tarde. Próxima de entregar o segundo registro da carreira, ainda sem título, a cantora britânica prova que desacelerar trouxe benefícios ao próprio trabalho. Econômica e feita para gerar expectativa, Tough Love é um delicioso avisto de tudo o que deve orientar a carreira da artista pelos próximos meses.

Primeira mostra do registro que vem para suceder Devotion, a nova canção deixa o R&B à la Sade parcialmente de lado para abraçar com (boa dose de) suavidade a eletrônica abordada nos anos 1990. Na trilha da conterrânea e parceira Katy B, Ware deve solucionar um disco mais dançante, contrariando a antiga parceria com dupla japonesa BenZel, produtores do novo disco, no ótimo single/cover If You Love Me. Oficialmente Tough Love (o single) estreia no dia três de agosto, ou seja, o novo álbum não deve chegar tão cedo. Abaixo, o clipe da canção.

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Jessie Ware – Tough Love

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Jenny Lewis: “The Voyager”

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Como Just One Of The Guys já havia reforçado há poucos dias, o aspecto sofredor da música Country mais uma vez serve de base para as composições de Jenny Lewis. Preparando o terreno para o terceiro álbum em carreira solo – The Voyager (2014) -, a eterna vocalista do Rilo Killey abraça de vez a própria melancolia para apresentar a faixa-título do novo projeto.

Da mesma forma que a canção passada, a presente criação resgata de forma criativa todo a atmosfera de Rabbit Fur Coat (2006), estreia solo de Lewis e melhor trabalho da artista até aqui. Com produção do cantor Beck e previsão de lançamento para o dia 29 de setembro, o novo álbum chega pela Warner Bros.

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Jenny Lewis – The Voyager

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Disco: “1000 Forms of Fear”, Sia

Sia
Pop/Electronic/Female Vocalists
http://siamusic.net/

Por: Cleber Facchi

Sia

Não importa o gosto ou provável tendência musical do espectador: todo mundo já ouviu alguma música de Sia pelo menos uma vez na vida. De faixas lançadas por grandes nomes da música pop, como Britney Spears, Beyoncé e Rihanna, passando por artistas da cena alternativa, caso de Birdy, Oh Land e até o veterano Beck, basta olhar o encarte do trabalho para notar a assinatura da australiana – talvez a maior fabricante de hits da última década. Curioso perceber que em 1000 Forms of Fear (2014, RCA), sexto álbum solo da cantora, tudo o que Sia não quer é ser notada pelo público.

Reflexo de uma série de transtornos recentes na vida da compositora, incluindo problemas com remédios, depressão e constantes ataques de pânico, o presente disco é uma obra que sobrevive do isolamento de sua criadora. Real ou fabricada, não importa, a temática que recheia o disco – e cresce em faixas como Eye Of The Neddle (“E eu não estou pronta/ Eu aguentarei firme“) – é a passagem para um registro de honestidade evidente. Livre do sofrimento fabricado da música pop – incluindo o dela própria -, Sia se converte com acerto na matéria-prima do trabalho, trazendo nas próprias confissões um personagem cotidiano e melancólico, assimilável por qualquer ouvinte.

Tal qual Adele em 21 (2011) ou Lykke Li no recente I Never Lern (2014), 1000 Forms of Fear entrega em cada música um fragmento triste da voz que a representa. A diferença em relação ao novo trabalho da australiana está na forma esquizofrênica em que arranjos e vozes entram em atrito durante todo o tempo, pervertendo um possível caráter essencialmente comercial da obra. Trata-se do registro mais “experimental” da cantora, que abandona o colorido efusivo do álbum We Are Born (2010) para mergulhar em território sombrio. Uma representação natural da mente perturbada de Sia.

Ainda que convincente em se tratando dos versos e temas que o definem, 1000 Forms of Fear pouco inova em se tratando dos arranjos. Basta observar Free The Animal, uma reciclagem das bases lançadas por Ariel Rechtshaid nos últimos discos do Haim (Days Are Gone) e Sky Ferreira (Night Time, My Time), ou mesmo Elastic Heart, parceria com o canadense Abel Tesfaye (The Weeknd) e faixa que mais parece uma adaptação de Exodus, colaboração entre o próprio Tesfaye com a cantora M.I.A. em Matangi (2013). Mesmo a poderosíssima Chandelier, uma das candidatas a música do ano, falsifica inovação. Ouça XXX 88, da dinamarquesa Mø, para notar as pequenas doses de autoplágio assinadas por Diplo, produtor responsável pelas duas músicas. Continue reading

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Allie X: “Bitch”

Allie X

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De todas as artistas que chamaram a atenção no primeiro semestre de 2014, a estranha Allie X talvez seja a que mais se destaca. Perfeito exemplar da nova safra de artistas canadenses, a jovem que se divide entre Toronto e Los Angeles trouxe na versatilidade pop da faixa Bitch um resumo convincente do som que ela promove. Uma imensa colagem de referências capazes de agradar tanto ao público de Lana Del Rey, como o da conterrânea Grimes.

Inspirado pela estética “curiosa” da artista, o diretor Jungle George apresenta agora o clipe da canção. Coleção de imagens sujas, filtros que parecem vindos do Instagram e ruídos visuais que surgem por todas as partes, o vídeo parece ser a representação exata do universo da cantora. Quem se interessar pode baixar a música gratuitamente no player abaixo, ou conhecer outros trabalho da canadense no Soundcloud.

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Allie X – Bitch

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