Tag Archives: Female Vocalists

Disco: “California Nights”, Best Coast

Best Coast
Indie Rock/Alternative/Garage Pop
http://www.bestcoast.net/

Poucos artistas atuais sabem como explorar tão bem as melodias quanto Bethany Cosentino. Seja no ambiente sujo que marca o álbum de estreia do Best Coast, Crazy for You (2012), ou na limpidez instrumental que preenche toda a estrutura do sucessor The Only Place (2012) – obra que conta com a produção do compositor Jon Brion -, ao visitar o cercado autoral da cantora e compositora californiana, vozes, arranjos e até mesmo as confissões mais amargas ecoam de forma acolhedora, em um ambiente sutil.

Quase uma continuação do material apresentado em Fade Away EP, de 2013, California Nights (2015, Harvest), terceiro álbum de estúdio da banda, cresce como uma obra que mesmo raivosa em diversos instantes, mantém firme o uso de harmonias brandas, típicas da artista. Enquanto a voz de Cosentino cresce (Fine Without You), explode (So Unaware) e até assume o tom dramático (Wasted Time), guitarras versáteis – em parte assumidas pelo parceiro Bobb Bruno – aos poucos preenchem todas as lacunas da obra, resgatando elementos característicos de veteranos como R.E.M. ou mesmo de artistas próximos, caso dos conterrâneos do Real Estate.

Mesmo montado em uma estrutura padronizada, alternando entre arranjos de temática litorânea, solos carimbados e refrão pronto, difícil não sucumbir aos encantos de Cosentino. Emulando um típico exemplar do Pop-Rock dos anos 1970 – ou seria 1990? -, faixas como When Will I Change, Feeling Ok e In My Eyes prendem o ouvinte sem dificuldades, padrão que em nenhum momento transforma o disco em uma obra cansativa ou previsível.

Verdadeira fábrica de hits, California Nights segue de forma intensa até o último acorde, ocupando todos os espaços da obra com música de forte apelo radiofônico. Da abertura com Feeling OK, passando pelas guitarras sujas de In My Eyes até alcançar os versos de apelo imediato em Sleep Won’t Ever Come e Wasted Time, no encerramento do disco, cada composição parece projetada de forma a grudar no cérebro do ouvinte. Uma clara evolução quando comparado ao antecessor The Only Place, um disco de fato inaugurado por boas canções, porém, arrastado nos instantes finais. Continue reading

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Icona Pop: “Emergency”

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Caroline Hjelt e Aino Jawo estão pouco interessadas em repetir a mesma sonoridade frenética do primeiro álbum como Icona Pop, This Is… Icona Pop, de 2013. Longe das batidas aceleradas, gritos plásticos – “I Love It” – e toda a matemática comercial de hits como All Night, GirlfriendReady for the Weekend, em Emergency, mais recente lançamento do duo sueco depois do single Get Lost, a busca por novas possibilidades reforça o amadurecimento do projeto.

Acompanhadas do parceiro sueco Erik Hassle e sem medo de parecer “brega”, Hjelt e Jawo resgatam uma série de conceitos inspirados no pop dos anos 1980/1990, brincando com o uso de saxofones, colagens de ritmos e outros elementos inusitados dentro dos trabalhos iniciais do Icona Pop. Difícil não sentir a influência de artistas como Miley Cyrus e Katy Perry, com quem a dupla colaborou em diferentes turnês desde o último ano.

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Icona Pop – Emergency

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MXMS: “Rx”

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Pianos soturnos, vocal sempre preciso e um ritmo que cresce lentamente. Em RX, mais recente single da dupla MXMS, toda a temática obscura apresentada no single OMG não apenas ganha ritmo, como ainda transporta a sonoridade do casal para um novo ambiente, ainda mais intenso e sombrio. Lado B do novo single assinado por Ariel Levitan (voz) e Jeremy Dawson (pianos/produção), a canção reforça o amadurecimento na composição dos versos e arranjos, resultando em um dos projetos mais curiosos da nova safra estadunidense.

Soando como um encontro entre Lana del Rey e The XX – em versão acelerada, claro -, RX se afasta dos vícios da década de 1980 para dialogar de forma expressiva com o presente cenário – principalmente o norte-americano. Ainda que seja possível tropeçar em elementos típicos da obra de Owen Pallet e Chelsea Wolf – “culpa” dos pianos -, a sonoridade explorada na recente faixa comprova a identidade da dupla, hoje “representante” de gêneros curiosos (e divertidos) como o Funeral Pop e Dead Western… Só faltou o Gótico Suave.

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MXMS – RX

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Disco: “Ivy Tripp”, Waxahatchee

Waxahatchee
Indie/Singer-Songwriter/Alternative
http://www.waxahatcheemusic.com/

No universo criado por Katie Crutchfield não existem brechas para a construção de personagens, atos fantasiosos ou distorções poéticas capazes de ocultar a presença da cantora, guitarrista e personagem central da obra. Tudo gira em torno da mente perturbada e memórias nostálgicas da musicista, autora e protagonista de uma obra ampla, em pleno processo de montagem, mas que encontra em Ivy Tripp (2015, Wichita Recordings / Merge Records) um respiro leve, como um novo ponto de partida.

Para aqueles que acompanham o trabalho do Waxahatchee desde a estreia com American Weekend, em 2012, basta um passeio rápido pelo disco para perceber Ivy Tripp como um diálogo ainda mais expressivo com os sons, temas e referências explorados na década de 1990. Salve o reforço na utilização de arranjos mais “lentos”, quebrando a base enérgica do disco anterior, Cerulean Salt (2013), Crutchfield continua a brincar com a essência de Liz Phair, Kim Deal e outras veteranas de forma criativa, utilizando dessa temporária “desaceleração” como um estímulo para expandir ainda mais os próprios conceitos.

Dos versos iniciais, em Breathless – “Você olha para mim como se eu fosse uma rosa / Cantando uma canção que você não conhece” -, ao último suspiro da obra, com Bonfire – “Ele disse vá em frente / Eu digo vá em frente” -, Crutchfield não apenas reforça o papel de protagonista do trabalho, como ainda utiliza de cada canção espalhada como uma perturbadora ferramenta de confissão e exposição sentimental, detalhando desilusões amorosas, medos e tormentos recentes.

A julgar pela expressiva ausência de “linearidade” do disco, não seria um erro interpretar o presente álbum de Waxahatchee como uma coletânea de faixas ancoradas em toda uma variedade de pesadelos típicos de jovens adultos. Assim como em Cerulean Salt, obra também marcado pelo relato pessoal de Crutchfield, nada que ecoe de forma dramática. Mesmo nos instantes mais confusos e densos da obra, o apelo melódico das guitarras mantém a atenção do ouvinte em alta, sempre preso aos versos e arranjos acessíveis de cada canção. Continue reading

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Puro Instinct: “Lake Como”

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Pelo visto, Grimes e os conterrâneos do Purity Ring não foram os únicos a perceber o diálogo natural entre o Dream Pop e as batidas densas do Hip-Hop/R&B. Em Lake Como, mais recente canção da dupla Puro Instinct – projeto comandado pelas irmãs Piper e Sky Kaplan -, todo o catálogo de ambientações etéreas testadas no álbum Headbangers in Ecstasy (2011) é encarado de forma distinta, resultando em uma faixa que escapa temporariamente do conceito “celestial” das irmãs Kaplan.

Parte expressiva dessa transformação nasce da interferência direta da dupla de produtores formada por Kehinde e Taiwo. Sob o nome de Christian Rich, o duo de original da cidade de Chicago transporta parte do som letárgico do Puro Instinct para o mesmo universo de Earl Sweatshirt, Vince Staples e outros nomes de peso do Hip-Hop atual; artistas – novatos ou experientes – que também contam com músicas produzidas pela dupla.

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Puro Instinct – Lake Como

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Gal Costa: “Quando Você Olha Pra Ela”

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Ao que tudo indica, a sonoridade “eletrônica” e minimalista explorada por Gal Costa em Recanto (2011) parece ter ficado definitivamente para trás. É o que aponta a recém-lançada Quando Você Olha Pra Ela. Primeira composição de Estratosférica (2015), novo álbum de Gal a ser entregue ao público, a criação de versos melancólicos/românticos assinados por Mallu Magalhães transporta a veterana da MPB de volta aos anos 1970, brincando com emanações acolhedoras e vozes suavizadas, doces.

Para a produção do 36º álbum de estúdio, Gal conta com a presença de Moreno Veloso e Kassin, músicos que dividem a base da recente criação com Armando Marçal (percussão), Guilherme Monteiro (guitarra) Pupillo (bateria) e André Lima (teclados). Além de Mallu Magalhães, Marcelo Camelo e artistas como Milton Nascimento, Criolo e Artur Nogueira assumem a responsabilidade de parte dos versos da obra, registro que apresenta como faixa-título uma canção assinada por ninguém menos do que Céu e o parceiro de longa data de Gal Costa, Junio Berretto. Músicas de Caetano Veloso, Tom Zé, Jonas Sá, Arnaldo Antunes, Marisa Monte, Guilherme Arantes e Domenico Lancellotti estão no disco – já em pré-venda.

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Gal Costa – Quando Você Olha Pra Ela

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Disco: “Dancê”, Tulipa Ruiz

Tulipa Ruiz
Pop/Female Vocalists/Alternative
www.tuliparuiz.com.br/

Aos gritos de “Começou! Começou!”, Tulipa Ruiz anuncia: o acesso à pista de dança foi liberado. Fuga evidente do “pop florestal” que apresentou a cantora paulistana em Efêmera, de 2010, Dancê (2015, Natura Musical) não apenas reforça o caráter urbano que orienta o trabalho da artista desde o último álbum de estúdio, Tudo Tanto (2012), como entrega ao público uma cantora renovada, mais uma vez atenta ao som pop dos primeiros registros, porém, descomplicada e, claro, dançante.

Quem esperava pela produção de um som “regional” por parte de Ruiz, marca explícita no ritmo carnavalesco de Megalomania ou na recente colaboração com o paraense Felipe Cordeiro, em Virou, encontrará o oposto. Da flexibilidade das guitarras ao posicionamento enérgico dos vocais, dos versos que discutem temas cotidiano ao transparente véu eletrônico que cobra parte do trabalho, Ruiz caminha pelas pistas da capital paulista de forma a produzir um som homogêneo, quase acizentado, como uma fuga da atmosfera “hippie” lançada em faixas como A ordem das árvores ou Efêmera. Curioso pensar que parte expressiva do recente trabalho foi concebido no isolamento de uma casa de campo, no interior de São Paulo.

Contrário ao efeito causado pelo próprio título, Dancê está longe de parecer um arrasa-quarteirões das pistas de dança, pronto para ser tocado em qualquer balada. Ainda que músicas como inaugural Prumo e Físico praticamente obriguem o ouvinte a balançar o esqueleto, do primeiro ao último ato, o terceiro álbum de Tulipa parece feito para dançar com calma, livre de excessos ou diálogos exagerados com a eletrônica. Trata-se de um passeio por diferentes décadas e campos da música “dançante”; uma extensão controlada (e nada caricata) do mesmo som pop produzido pelo amigo Rafael Castro em Um Chopp e um Sundae, obra também apresentada em 2015.

Longe de parecer um trabalho de ruptura, ineditismo e profunda transformação dentro da carreira da cantora, Dancê soa muito mais como uma reciclagem de conceitos. A julgar pela estrutura montada (principalmente) para os vocais e versos rápidos do disco, muito do que sustenta a obra descende de faixas como Às Vezes, do primeiro álbum, além de Quando Eu Achar e É, do segundo disco. Músicas regidas pelo espírito das apresentações ao vivo da cantora, preferência que alimenta mesmo as canções mais tímidas do novo disco, caso da jazzística Tafetá ou mesmo a macambúzia Oldboy, penúltima faixa do registro. Continue reading

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Disco: “Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit”, Courtney Barnett

Courtney Barnett
Indie Rock/Alternative/Singer-Songriter
http://courtneybarnett.com.au/

O ano é 1995. No campo da música, o grunge dá seus últimos suspiros, deixando o caminho livre para o duelo “pomposo” do Britpop entre Blur e Oasis. Depois de meia década de “domínio masculino” dentro das rádios, programação da MTV e revistas de música, um time de vozes femininas – inspiradas por PJ Harvey, Kim Deal e Liz Phair – começaram a ocupar território. De Alanis Morissette ao trabalho da islandesa (e já veterana) Björk, dos gritos de Gwen Stefani no No Doubt aos berros de Shirley Manson na estreia do Garbage, há 20 anos, todos os holofotes se voltaram para elas.

Curioso perceber que mesmo passadas duas décadas desde a explosão de novos representantes do “rock feminino”, Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit, estreia solo da australiana Courtney Barnett, ainda preserva parte da mesma essência de músicas lançadas durante o período. Versos temperados com sarcasmo, guitarras tratadas com euforia, além de um universo de temas tão joviais e descomplicados, que Barnett parece até cantar sobre o cotidiano do espectador.

Passo além em relação ao material apresentado em The Double EP: A Sea of Split Peas, de 2013, a estreia solo de Courtney Barnett se liberta de possíveis amarras para flutuar em um plano leve, como uma transcrição de pensamentos recentes da artista. Em se tratando dos arranjos, a maior liberdade na construção das bases, com guitarras potencialmente dinâmicas, quase dançantes, além da exposição de vocais limpos, como se a cantora buscasse se aproximar de toda uma nova parcela do público. Não por acaso o ambiente “Lo-Fi” de músicas já conhecidas como Out of the Woodwork e Avant Gardener parece esquecido, aproximando o disco de todo um novo jogo de essências.

Habitante do mesmo ambiente temático de Katie Crutchfield (Waxahatchee), Sadie Dupuis (Speedy Ortiz), Mackenzie Scott (Torres) e diferentes “herdeiras” da música lançada no meio dos anos 1990, Barnett, está longe de produzir um som referencial e copioso. Musicalmente, a semelhança com a obra de Liz Phair, Pavement e outros gigantes do rock alternativo é inevitável, entretanto, basta se concentrar nos versos da cantora, capaz de brincar com a própria timidez (Nobody Really Cares If You Don’t Go to the Party) e metáforas sobre a morte (Dead Fox), para perceber que ela não depende de nenhum nome ou ponto específico de referência. Continue reading

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Meredith Graves: “Took The Ghost To The Movies”

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Longe dos parceiros de banda, Meredith Graves parece pouco interessada em reproduzir o mesmo som raivoso e urgente conquistado com os membros do Perfect Pussy. Convidada a dividir um vinil/single com o músico nova-iorquino Kevin Devine – dentro da série Devinyl Splits -, Graves não apenas desacelera em relação ao material lançado no último ano, como ainda transporta a própria voz para um ambiente de ineditismos em Took The Ghost To The Movies.

Inaugurada pelo movimento simples de violões, a faixa logo é coberta por uma massa densa de guitarras e bateria, instrumento que tentam a todo custo “soterrar” a voz de Graves. Lembrando algum clássico perdido do Shoegaze / Indie Rock dos anos 1990, a canção poderia facilmente servir de base para algum registro solo da cantora, também integrante da banda Shoppers.

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Meredith Graves – Took The Ghost To The Movies

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Made In Heights: “Slow Burn”


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Voz doce, sintetizadores tímidos e batidas crescentes, como se convidassem o ouvinte para dançar de forma lenta, despretensiosa. Assim é o trabalho da dupla Made In Heights, projeto norte-americano de “Pop Fiction“, “West Coast Gothic” e outros (sub)gêneros marcados pela ironia e gracejo dos integrantes. De um lado, a estrutura musical montada pelo DJ/produtor Sabzi, no outro oposto, o vocal delicado de Kelsey Bulkin, artista que parece dialogar de forma natural com a essência comportada de Goldfrapp e demais representantes do Trip-Hop etéreo dos anos 1990.

Em Slow Burn, mais novo lançamento da dupla, uma pequena mostra daquilo que será lançado em essência dentro do debut Without My Enemy What Would I Do (2015). Montada em uma estrutura econômica, a canção segue a linha dos últimos lançamentos da dupla nos últimos três anos, reforçando o toque “sensual” já previsto em outras criações do casal.

Without My Enemy What Would I Do (2015) será lançado de forma independente no dia 26 de maio pelo iTunes.

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Made In Heights – Slow Burn

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