Tag Archives: Female Vocalists

Disco: “Mais um Pedaço Meu”, Pousatigres

Pousatigres
Brazilian/Indie Pop/Alternative
http://www.pousatigres.com.br/
https://www.facebook.com/Pousatigres/

Por: Cleber Facchi

De todos os elementos que separam a presente geração de artistas brasileiros daqueles que surgiram na última década, a interpretação do pop e a forma como as melodias hoje são estruturadas talvez seja a mais latente. Salvo o trabalho de nomes como Silva e Mahmundi, é evidente o “receio” e a maneira “truncada” como algumas bandas desenvolvem as próprias harmonias e versos. Uma sensação de medo em parecer acessível, feito “para as massas”, postura inexistente no som de veteranos como Ludov, Wonkavision, Video Hits e demais artistas centrados (de uma forma ou outra) em abraçar o grande público.

Nada poderia ser mais satisfatório do que encontrar em Mais um Pedaço Meu, novo registro da paulistana Pousatigres, o mesmo “compromisso” musical ressaltado na geração passada. Doce e carregado de referências tão presentes quanto nostálgicas, o trabalho curto engata em uma sucessão de vozes, arranjos e harmonias feitas para grudar no cérebro do ouvinte. Uma aproximação coerente entre pop e rock que há muito parecia abandonado (ou explorado de forma errada) em solo nacional.

Inaugurado pelo encontro sublime entre guitarras, vozes e violões de Telescópio, o catálogo de apenas seis faixas aos poucos resume todas as referências e interpretações que orientam o já experiente coletivo – Bruna Mariani (Condessa Safira), Rodrigo Palmieri (ex-Drosóphila), Elaine Jardim (ex-Drosóphila), Lucas Mello e Jobas Monteiro (ex- Kafka Show).

Com naturalidade, o pop empoeirado dos Beach Boys encontra Rumors (1977) do Fleetwood Mac (Vício e Virtude), vocalizações típicas da Jovem Guarda esbarram no rock alternativo dos anos 1990 (Banho & Tosa), e todo um universo de tendências aos poucos parecem dançar de acordo com o ritmo imposto pela banda. Cinco décadas de músicas, diferentes cenas e tendências condensadas, prensados e expostos dentro de um bloco único de composições. Continue reading

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Disco: “V”, jj

jj
Electronic/Dream Pop/Balearic
http://www.jjuniverse.com/

A colagem de sons instalada na abertura de V (2014, Sincerely Yours), terceiro e mais recente álbum de estúdio do jj serve como aviso sobre a extensa produção que acompanha o trabalho da dupla. Em uma atuação que se distancia de padrões ou possíveis exigências comerciais, o casal Joakim Benon e Elin Kastlander continua a atuar em uma medida de tempo própria, postura que explica os quatro anos de “hiato” desde o último trabalho oficial - jj n° 3 (2010) – e a completa (ou quase isso) mudança de direção no interior do novo álbum.

Ainda que letárgico e acomodado na mesma nuvem de sons “mágicos” do debut jj n° 2 (2009), bastam os minutos iniciais de Dynasti ou Dean & Me, para perceber o novo plano de atuação da dupla. Enquanto vozes e arranjos anteriormente flutuavam em uma atmosfera minimalista, marcada pela execução efêmera dos ruídos e bases, hoje todos os elementos se organizam em uma estrutura nítida de referências, quase previsível. Há planejamento, começo, meio e fim, postura que resume com acerto a proposta atual do duo sueco, porém, abandona aspectos importantes realçados dos primeiros anos do casal.

Com base na sutileza dos temas abordados em faixas como My Love e Ecstasy, tanto o álbum lançado em 2009 como o disco de 2010 apostavam em uma sonoridade efêmera, prendendo o ouvinte pela surpresa e delicadeza dos atos. Do momento em que Things Will Never Be the Same Again inaugura o debut, ou My Life no trabalho seguinte, há sempre a sensação de que os arranjos, vozes e melodias vão se “esfarelar” na cabeça do ouvinte, preso a cada ato sereno que Benon projeta para a voz de Kastlander.

Seja pelo uso de guitarras cruas (All Ways, Always) ou batidas densas (Hold Me), V é uma obra que rompe com o espaço místico dos primeiros discos de forma a percorrer um território muito mais urbano, quase “físico”. É visível como elementos do Rock e Hip-Hop, antes diluídos por entre as canções, agora ocupam um enquadramento de maior destaque ao longo de toda a obra. Mesmo a percussão tribal e uso aprimorado arranjos de cordas dos primeiros álbuns ecoa sob novo formato, visivelmente preciso e esquivo da lisergia natural da dupla. Continue reading

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Lowell: “LGBT”

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Desde que comentei pela primeira vez sobre o trabalho de Lowell no começo de junho, durante a divulgação do single 88, que as melodias lançadas pela artista canadense parecem ter amadurecido ainda mais. O que antes era encarado em um esforço cíclico e aprazíveis melodias pop, agora evolui a cada nova curva ou refrão pegajoso, postura ressaltada na temática séria (e ainda doce) da nova música da cantora: LGBT.

Ainda que o título da faixa seja encarado como uma criação destinado ao público homossexual, bastam os versos iniciais e o ritmo ascendente para perceber a grandeza da música. Em poucos versos Lowell fala sobre amor, respeito, inclusão e igualdade ao mesmo tempo em que cria morada nos ouvidos do espectador. Ruídos, vozes em coro e a versatilidade da artista em brincar com o pop. Como grande parte das músicas lançadas pela artista nos últimos meses, LGBT é parte do inédito We Loved Her Dearly, estreia da canadense e obra prevista para ser lançada no dia 16 de setembro.

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Lowell – LGBT

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Tinashe: “Pretend” (Feat. A$AP Rocky)

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Depois de três mixtapes – incluindo a ótima Black Water (2013) -, Tinashe reserva para o dia sete de outubro a chegada do primeiro registro oficial da carreira. Intitulado Aquarius (2014), o álbum de 18 faixas apresentado por 2 On – parceria com Schoolboy Q e DJ Mustard – segue com naturalidade a estrutura lançada pela cantora durante os primeiros registros, efeito comprovado na estreia de Pretend, colaboração com o rapper A$AP Rocky e uma das representações do lado mais pop do novo disco.

Tomada pela voz pueril de Tinashe, a canção é uma típica manifestação do som lançado pela cantora/rapper, conduzindo o ouvinte por entre versos e bases puramente românticas. Na trilha de outros inventos recentes do R&B e, ao mesmo tempo, íntima das melodias exaltadas por Rihanna e outros nomes do pop estadunidense, a canção é o motivo que faltava para ser completamente seduzido pelo debut, agendado para o dia sete de outubro pelo selo RCA.

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Tinashe – Pretend (Feat. A$AP Rocky)

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Disco: “Meshes of Voice”, Susanna & Jenny Hval

Susanna / Jenny Hval
Experimental/Baroque Pop/Alternative
http://susannamagical.com/
http://jennyhval.com/

Por: Cleber Facchi

Quem acompanha a obra de Jenny Hval desde a estreia, com To Sing You Apple Trees (2006), ou a partir de Viscera (2011), quando descoberta por grande parte da imprensa internacional, sabe que o “óbvio” nunca fez parte do trabalho da norueguesa. Mesmo que tenha explorado um som muito mais “pop” em Innocence is Kinky, de 2013, o caráter provocativo – lírico ou sonoro - se mantém o mesmo, expandido e reforçado de maneira complexa a cada novo disco.

Imersa em um cenário tão perturbador quanto o exaltado nos primeiros discos, Hval aparece agora acompanhada pela musicista Susanna Wallumrød. Representante da mesma cena experimental que borbulha em solo norueguês, a artista, também integrante do Magical Orchestra, não apenas partilha dos mesmos conceitos estéticos da conterrânea, como parece estimular o som de Hval a encontrar um novo estágio. Um constante diálogo obscuro que dita as regras e distorce as canções de Meshes of Voice (2014, SusannaSonata), o primeiro álbum em parceria da dupla.

Bloco denso de ruídos, pianos e bases instrumentais sempre aproximadas, o registro parece sobreviver da explícita formatação oculta de suas 15 canções. Diferente da parcial abertura iniciada por Hval em Mephisto In The Water ou mesmo na faixa-título do último álbum, nada ecoa de maneira acessível no decorrer do presente trabalho. Mesmo Susanna, responsável por boas melodias em Wild Dog (2012) e The Forester (2013), parece ressaltar apenas a atmosfera fúnebre que recheia todo o álbum.

Ainda que próximas, inclinadas ao desenvolvimento de um mesmo ambiente musical, tanto Hval como Wallumrød assumem direções opostas e bases musicalmente isoladas ao longo de todo o percurso da obra. Enquanto Hval mantém firme a relação com o presente, confessando o próprio apego ao trabalho de Björk – ouça Medusa -, além de nomes como Joanna Newsom e Julia Holter, a parceira estaciona no passado. De formação erudita, Wallumrød explora desde temas barrocos ao uso de pianos soturnos, esbarrando com naturalidade na obra de Leonard Cohen e Nico, algumas de suas influências confessas. Continue reading

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Katy B: “Little Red Light”

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O lançamento de Little Red (2014) no começo de fevereiro confirmou apenas o óbvio: Katy B está cada vez mais interessada na música pop. Ainda que esse resultado já fosse expressivo na estreia da cantora, On a Mission (2011), ao alcançar o segundo disco, B e os produtores simplificaram ainda mais as batidas e arranjos, reforçando a formação de versos melódicos de forma a projetar músicas essencialmente comerciais – caso de Crying for No Reason.

Tão convincente quanto no primeiro disco, a artista britânica parece preparada para abraçar o grande público, posição que em nenhum momento a afasta da fase inicial. Em Little Red Light, faixa que acabou de fora do novo álbum, todos os elementos do disco de estreia voltam a se repetir. Íntima do pop ressaltado na presente, ao mesmo tempo em que resgata elementos do primeiro disco – como o dancehall -, a nova canção resume com acerto (e versos pegajosos) toda a natureza de B.

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Katy B – Little Red Light

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Charli XCX: “Break The Rules”

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A boa recepção do clipe/single Fancy, parceria com a rapper Iggy Azalea, bem como a inclusão de Boom Clap na trilha sonora do filma A Culpa É Das Estrelas (2014) aproximaram ainda mais Charli XCX do grande público. Todavia, longe de parecer seduzida pelas fórmulas prontas e artifícios do pop “tradicional”, a artista britânica mantém firme a sonoridade proposta desde os primeiros trabalhos, estrutura que convence em toda a formatação da inédita Break The Rules.

Extensão natural do single Superlove e ainda capaz de refletir os mesmos conceitos lançados em True Romance (2013), a faixa chega para anunciar o novo disco solo da cantora: Sucker (2014). Agendado para o dia 21 de outubro e contando com distribuição pelos selos Neon Gold e Atlantic, Sucker tem tudo para se transformar em mais um dos grandes exemplares da música pop em 2014.

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Charli XCX – Break The Rules

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Peaking Lights: “Breakdown”

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Com 936 (2011) e Lucifer (2012) como obras mais recente, o casal Aaron Coyes e Indra Dunis conquistou um espaço definitivo dentro da recente cena psicodélica que ocupa a costa oeste dos Estados Unidos. Em processo de “refinamento pop” que teve início no trabalho de 2011, a dupla vinda de São Francisco, Califórnia reforça em cada criação uma sonoridade ainda mais acessível e melódico, marca evidente na recém-lançada Breakdown.

Peça mais comercial já apresentada pelo duo, a límpida canção aponta o caminho que será percorrido em Cosmic Logic (2014), novo e ainda inédito trabalho em estúdio da banda. Abastecida por vocalizações sutis e pequenas adaptações do reggae, dub e synthpop, a faixa partilha da mesma atmosfera de músicas como Beautiful Son, porém, dentro de uma estrutura harmônica muito mais acessível e naturalmente voltada ao pop. Lançado pelo selo Weird World, Cosmic Logic chega no dia sete de outubro.

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Peaking Lights – Breakdown

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Moko: “With You”

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Meio termo entre o som pop exaltado por La Roux com Trouble In Paradise e a sobriedade que acompanha a presente fase de Jessie Ware, a londrina Moko busca conforto na versatilidade. Depois de passear pelo R&B de forma nostálgica em Honey Cocaine, a artista britânica reforça agora a relação com as pistas Gold EP, trabalho que chega no dia oito de setembro e parece ser a apresentação definitiva da cantora.

Exemplo eficiente do material que vem sendo preparado para registro, a inédita With You arrasta o público para a pista sem fugir do antigo território de Moko: os anos 1990. Produzida por Two Inch Punch, a faixa parece ter escapado do clássico Dreamland, registro de estreia do coletivo Black Box e um prato cheio para a presente fase da artista inglesa.

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Moko – With You

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Jessie Ware: “Say You Love Me”

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Amplo é o território a ser explorado por Jessie Ware em Tough Love (2014). Depois de apostar em uma sonoridade minimalista durante a execução da faixa-títulodo novo disco, dividir o próprio trabalho com Julio Bashmore e Romy Madley-Croft (The XX) em Share It All, é hora da cantora britânica revelar o lado mais comercial do ainda inédito registro. Como Wildest Moments, no álbum anterior, Say You Love Me mostra a capacidade da artista em parecer acessível, sem necessariamente ecoar de forma descartável.

Íntima das mesmas emanações de Adele e outras cantoras próximas, a nova música confirma a plena interação de Ware com a dupla BenZel – velhas parceiras, principais produtoras do trabalho e também responsáveis por Wasted Love, apresentada há poucos dias. Comercial e ainda íntima da proposta do novo disco, Say You Love Me reforça a voz firme de Ware, por vezes contida em determinadas composições. Com lançamento via PMR / Island, Tough Love estreia no dia 29 de setembro.

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Jessie Ware – Say You Love Me

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