Tag Archives: Female Vocalists

SZA: “Sobriety

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Mesmo que Solana Rowe tenha explorado uma sonoridade menos complexa ao longo do primeiro álbum de estúdio como SZA, Z (2014), encarar o trabalho da artista norte-americana como “comercial” seria um erro. Pelo menos até agora. Passados alguns meses desde o lançamento do disco pelo mesmo selo de Kendrick Lamar e Schoolboy Q, o Top Dawg Entertainment, Rowe está de volta com a inédita Sobriety, uma de suas composições mais sensíveis e, pela primeira vez, talvez próxima de alcançar o grande público.

Cercada por um assertivo time de produtores, incluindo Stephen Bruner (Thundercat), responsável pelas linhas de baixo e toda a ambientação nostálgica da faixa, Rowe cresce com naturalidade. Em um universo que poderia ser de Beyoncé no álbum 4 (2011), ou mesmo Portishead no clássico Dummy (1994), SZA espalha confissões, testa os limites da própria voz e ainda seduz com facilidade o ouvinte, hipnotizado até os últimos segundos da faixa.

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SZA – Sobriety

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Sleigh Bells: “That Did It” (Feat. Tink)

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Em 2013 Derek E. Miller e Alexis Krauss resolveram mergulhar de vez na música pop. Ainda que os ruídos preencham toda a extensão do mediano Bitter Rivals, terceiro álbum de estúdio da dupla nova-iorquina, são os constantes diálogos com o público médio, melodias acessíveis e bases delicadas que realmente movimentam a obra. Acerto ou erro, não importa, ao lado da rapper Tink o duo apresenta a “sequência” That Did It, uma espécie de expansão do material apresentado há poucos meses.

De um lado, os ruídos característicos da guitarra de Miller, no outro, a sutileza vocal de Krauss e Tink, esta última responsável pelos instantes mais acelerados que sustentam a composição. Construída a partir de retalhos de antigas músicas do SB, That Did It foi gravada em Nova York e apresentada pelo Red Bull Sound Select. Além do registro de 2010, a dupla ainda conta com dois ótimos álbuns, Treats (2010) e Reign of Terror (2012).

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Sleigh Bells – That Did It (Feat. Tink)

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Charli XCX: “Gold Coins”

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Embora cercada por nomes como Cashmere Cat, Ariel Rechtshaid e Rostam Batmanglij (Vampire Weekend), grande parte do material desenvolvido por Charli XCX para Sucker (2014) conta com a produção e interferência do músico sueco Patrik Berger. Velho conhecido de veteranas como Robyn ou mesmo de artistas recentes, caso de Icona Pop e Lana Del Rey, Berger vem colaborando com XCX desde a breve parceria em You’re the One de True Romance (2013), sendo o principal parceiro da cantora na recém-lançada Gold Coins.

Perfeita representação das guitarras que acompanham a artista desde o primeiro álbum, a nova faixa soa tão íntima do último trabalho de XCX como do ainda quente Night Time, My Time (2013) de Sky Ferreira. Com previsão de lançamento para o dia 16 de dezembro, Sucker conta com lançamento pelos selos Asylum, Atlantic e Neon Gold. Ouça a nova música:

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Charli XCX – Gold Coins 

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Disco: “Broke With Expensive Taste”, Azealia Banks

Azelia Banks
Hip-Hop/Rap/Electronic
http://www.azealiabanks.com/

Por: Cleber Facchi

As batidas, versos rápidos e ritmo crescente de 212 servem como um aviso: Azealia Banks é uma artista movida pela pressa. Em um intervalo de poucos meses desde a estreia com o primeiro single oficial, a rapper nova-iorquina despejou um bem sucedido EP – 1991 (2012) -, quase 20 composições inéditas dentro da mixtape Fantasea e toda uma avalanche de músicas avulsas, parcerias e remixes em diferentes plataformas da web. O motivo para tamanha euforia? Preparar o terreno e deixar o público aquecido antes do debut Broke With Expensive Taste.

Mesmo a ânsia de Banks e explícito desejo do público seriam insuficientes para atender às exigências do selo Interscope, antiga casa da rapper. Insatisfeita com o resultado do trabalho, a gravadora fez com que o disco inicialmente previsto para setembro de 2012 fosse constantemente alterado em estúdio, tendo a data de lançamento adiada por diversas vezes. Enfurecida, no Twitter a artista não economizou nos ataques ao selo, implorando publicamente para que fosse demitida ou contratada pela concorrente Sony. O resultado não poderia ser outro: a rapper acabou demitida da Interscope.

Naturalmente apressada, Banks resolveu não esperar até janeiro de 2015 – prazo divulgado pela nova distribuidora, a Prospect Park -, antecipando sem aviso prévio (e sob o próprio selo) a entrega do trabalho para o último dia seis de novembro. Fim da novela, é hora de apreciar na íntegra o catálogo de 16 faixas desenvolvidas pela rapper (além do time vasto de produtores) desde 2011. Todavia, com tamanho atraso e diversas (re)adequações em estúdio, não teria esgotado o “prazo de validade” do registro?

A resposta é clara: não. Broke With Expensive Taste é exatamente o registro de Banks batalhou para lançar em 2012, porém, acabou vetado pela Interscope em razão do caráter “anárquico” de suas composições. Ainda que Chasing Time, Soda e demais faixas do registro sejam capazes de adaptar o trabalho da rapper ao grande público – alvo óbvio da gravadora -, parte expressiva do material esbarra em arranjos, temas e vozes pouco usuais para os padrões comerciais. Observado com atenção, BWET é muito mais uma nova mixtape de Banks do que um homogêneo registro de estúdio em si. Continue reading

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Azealia Banks: “Broke with Expensive Taste”

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É hora de celebrar: Broke with Expensive Taste (2014), o esperado (e quase mitológico) álbum de estreia da rapper Azealia Banks está entre nós. Originalmente agendado para setembro de 2012, engavetado pela Universal (antigo selo da artista) e, nos últimos meses, anunciado para o começo de 2015 pelo selo Prospect Park (nova casa de Banks), o trabalho pode finalmente ser apreciado na íntegra pelo público fiel da jovem nova-iorquina.

Disponível para download pelo iTunes e audição pelo Spotify, o registro chega para saciar o público com um bem servido acervo de 16 composições. Entre músicas já conhecidas e lançadas nos últimos EPs/mixtapes da rapper – caso de 212 e Luxury -, a atenção acaba mesmo voltada para o catálogo de músicas inéditas do registro. Faixas como Miss Amore, assinada pelo britânico Lone, ou mesmo Nude Beach A-Go-Go, música produzida pelo estranho Ariel Pink.

Abaixo, um resumo do disco com a ótima Luxury.

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Azealia Banks – Luxury

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Lorde: “Yellow Flicker Beat”

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Instantes de serenidade dosados por pequenas explosões. Seja em estúdio, com Pure Heroine (2013), ou nos palcos, vide a apresentação no Lollapalooza Brasil, Lorde parece ter encontrado uma fórmula natural para o próprio trabalho. Lidando com os contrastes, a artista neozelandesa aos poucos parece ampliar o território musical que vem desenvolvendo, postura explícita na formação da inédita Yellow Flicker Beat e curadoria da nova trilha sonora de jogos vorazes.

Com previsão de lançamento para o dia 18 de novembro – um dia antes da estreia de Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1 no Brasil -, o álbum “organizado” por Lorde conta com uma boa seleção do Indie, Pop e Hip-Hop “alternativo”. Nomes como Bat For Lashes, Tinashe, Charli XCX e CHVRCHES que acompanham a jovem cantora entre faixas inéditas e versões. Para celebrar o aniversário de 18 anos – hoje, sete de novembro -, Lorde apresentou o clipe de Yellow Flicker Beat, trabalho assinado pela diretora Emily Kai Bock.

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Lorde – Yellow Flicker Beat

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Jessica Pratt: “Back, Baby”

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Quem se encantou pelo trabalho de Jessica Pratt no autointitulado debut de 2012 será surpreendido com Back, Baby. Mesmo que as melodias econômicas, vocais quase sussurrados e temas acolhedores ainda sirvam de estímulo para o trabalho delicado da californiana, basta uma atenta audição para perceber a mudança no posicionamento estético de Pratt. Entre suspiros melancólicos e gracejos pueris, a artista lentamente acolhe o espectador, confortável em uma camada de versos românticos e sorridentes; encaixes vocais tão íntimos de Nico, quanto de Joni Mitchell na década de 1970.

Assim como as (novas) canções apresentadas ao vivo nos últimos meses, a presente criação faz parte do segundo registro solo de Pratt. Intitulado On Your Own Love Again, o álbum conta com distribuição pelo selo Drag City – casa de Ty Segall, White Fence e Bill Callahan -, tendo a estreia anunciada para o dia 27 de janeiro de 2015. Se você ainda desconhece o trabalho de Pratt, vale revisitar todo o material do primeiro disco.

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Jessica Pratt – Back, Baby

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Tei Shi: “See Me”

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Há poucas semanas Tei Shi passou a incorporar uma nova sonoridade com o lançamento de Bassically. Uma das melhores composições apresentadas pela artista recentemente, a faixa cruza temas do Dream Pop com todo um acervo de referências típicos do R&B/Disco da década de 1980, no melhor estilo Blood Orange. Ainda dentro desse mesmo universo de tendências, porém, de forma controlada, a artista nova-iorquina lança sua nova criação inédita: See Me.

Lembrando (e muito) as primeiras canções apresentadas por Valerie Teicher em 2013, a peça de quase cinco minutos se arrasta em meio a vocalizações aconchegantes e arranjos econômicos. Um meio termo entre as faixas mais delicadas de Dev Hynes e o trabalho de Caroline Polachek em carreira solo. Parte do novo single de Tei Shi, a recente composição alimenta as expectativas para o primeiro álbum da cantora, previsto para o primeiro semestre de 2015.

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Tei Shi – See Me

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Disco: “Ruins”, Grouper

Grouper
Experimental/Ambient/Dream Pop
http://www.kranky.net/

Por: Cleber Facchi

O coaxar de sapos, bases atmosféricas e a constante interferência de ruídos ambientais. Ruins (2014, Kranky) não é apenas um disco, mas um refúgio. Abrigo detalhado de Liz Harris, a mais recente obra do Grouper nasce da desconstrução dos primeiros (e complexos) registros “de estúdio” da norte-americana. Voz doce, versos confessionais e um diálogo detalhado com o ouvinte. Ainda que isolada em uma floresta de sensações e experimentos próprios, cada brecha do álbum soa como um convite. A redescoberta de um espaço desbravado em totalidade pela musicista, porém, ainda curioso ao visitante.

Em um sentido de expansão do material apresentado em The Man Who Died In His Boat, de 2013, Harris detalha o presente invento como uma peça de possibilidades controladas. O experimento ainda é a base para a formação da obra, porém, diferente do alinhamento assumido em registros como A I A: Dream Loss e Alien Observer, ambos de 2011, formas harmônicas e versos “fáceis” interpretam o ouvinte como um convidado, e não um personagem a ser afastado pela obscuridade das canções.

A exemplo de Julianna Barwick em The Magic Place (2011), Ruins é uma obra detalhada pelo conforto e sutileza dos arranjos. Perceba como todos os elementos do álbum assentam lentamente, convidativos, como se Harris encontrasse um espaço exato para cada fragmento de voz ou tímida peça instrumental. Protagonista de uma história confidencial, Grouper detalha sussurros de forma linear, um conto breve, concepção talvez evidente no disco de 2013, porém, encarada de forma concisa dentro do bloco de formas harmônicas do presente invento.

Volátil, ao mesmo tempo em que preenche o interior da obra com detalhes sutis, límpidos, abraçando o ouvinte a seu próprio tempo, Harris em nenhum momento se distancia da gravação artesanal incorporada à própria discografia. Basta se concentrar na textura cinza de ruídos que cresce ao fundo das canções, ou no “bip” seco de microondas que rompe com a morosidade de Labyrinth. Um meio termo entre o cenário fantástico do disco e a inevitável aproximação da artista/espectador com o “mundo real”. Continue reading

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FKA Twigs: “Video Girl”

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Não importa o quanto você ouve: FKA Twigs sempre reserva uma surpresa no interior de LP1 (2014). Forte candidato a disco do ano, a estreia de Tahliah Barnett seduziu a crítica, encantou o público e transformou a artista britânica em uma personagem a ser observada de perto. Principalmente nos clipes. Depois de perturbar o espectador nos vídeos de Papi Pacify, Water Me e demais registros apresentados nos últimos meses, Twigs aparece comportada no recém-lançado Video Girl.

Mesmo “ponderado” em relação aos últimos projetos (visuais) da cantora, o trabalho assinado pelo diretor Kahlil Joseph lentamente desperta a curiosidade do espectador. De um lado, o corpo volátil de Twigs, adaptada a cada ato instrumental da própria canção. No outro, um homem condenado à pena de morte por injeção letal, a passagem para a interferência da artista. Além de Twigs, o diretor já trabalhou com outros nomes importantes da música recente, como Flying Lotus e Shabazz Palaces.

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FKA Twigs – Video Girl

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