Tag Archives: Female Vocalists

Disco: “Sympathy”, GABI

GABI
Experimental/Chamber Pop/Ambient
https://www.facebook.com/officialGABI
http://www.gabi-music.com/

A voz parece ser o principal instrumento de Gabrielle Herbst. Mesmo com formação erudita em piano e clarinete, são os atentos coros de vozes, sobreposições delicadas e pequenas manipulações orquestrais que garantem vida, movimento e beleza ao ambiente criado para o primeiro disco solo da compositora nova-iorquina, Sympathy (2015, Software).

Filha do musicólogo Edward Herbst, interessada em ópera, dança balinesa e  profunda conhecedora da música de câmara, Herbst, aqui apresentada pelo nome de GABI, parece brincar com a própria formação musical – familiar ou acadêmia. Em uma montagem precisa, essencialmente detalhista, cada composição assume um conceito específico, revelando desde elementos da música sacra (Hymn), como referências extraídas do trabalho de Kate Bush (Falling), Björk (Da Void) e demais representantes do Art Pop .

Mesmo dominado pelas vozes e sentimentos entristecidos da musicista, Sympathy está longe de parecer uma obra hermética, fruto do total isolamento de Herbst. Com produção de Daniel Lopatin (Oneohtrix Point Never) e Paul Corley (Tim Hecker, Ben Frost), o álbum lentamente se entrega ao domínio e parcial interferência do seleto time de colaboradores formado por Matthew O’Koren (percussão), Rick Quantz (viola), Josh Henderson (violino) e Aaron Roche (guitarras, trombone).

Perceba como os sintetizadores de Lopatin crescem ao fundo da obra. Um fino tecido sonoro, quase imperceptível, porém, essencial para a composição do ambiente sombrio que define Sympathy. Aaron Roche é outro que interfere ativamente na formação do disco. Para ocupar as pequenas lacunas de voz deixadas pela cantora, o guitarrista espalha imensos blocos de ruídos, pilares para o fortalecimento de faixas extensas como Home. Continue reading

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Disco: “How Big, How Blue, How Beautiful”, Florence and The Machine

Florence and The Machine
Indie Pop/Alternative/British
http://florenceandthemachine.net/

As guitarras “falam” mais alto em How Big, How Blue, How Beautiful (2015, Island). Terceiro registro de inéditas do Florence and The Machine, o novo álbum pode até seguir a trilha dos antecessores Lungs (2009) e Cerimonials (2011), entretanto, indica uma direção totalmente nova dentro da curta obra da artista britânica. Em um diálogo preciso com a música pop e o rock dos anos 1980, Florence Welch se despe de possíveis conceitos e temas complexos de forma a revelar um trabalho marcado pela coerência, rico acervo de composições melódicas e sentimentos nunca antes tão detalhadamente expostos.

Fuga dos atos cênicos e extensa duração do operístico álbum de 2011, com o novo disco, Welch e os parceiros de produção, Markus Dravs e Paul Epworth, trazem de volta o mesmo ritmo “acelerado” do inaugural Lungs. Enquanto Dravs – produtor responsável pelos últimos discos do Arcade Fire -, garante dinamismo ao trabalho, é responsabilidade de Epworth – com quem Florence vem colaborando desde o primeiro registro -, além de nomes como James Ford (Simian Mobile Disco), garantir maior polimento e delicada reprodução ao acervo de músicas comerciais que preenchem toda a obra.

Logo de cara, uma sequência de tirar o fôlego do ouvinte. Dosando entre a sonoridade grandiosa de Shake It Out e a urgência de Kiss With a Fist, a trinca composta por Ship To Wreck, What Kind Of Man e a própria faixa-título não apenas captura a atenção do ouvinte, como ainda serve de estímulo para a série de músicas que sustentam o eixo final do trabalho. Difícil não perceber a interferência de Dravs, aproximando o trabalho de Welch do mesmo universo de referências (nostálgicas) exaltadas pelo Arcade Fire desde o álbum The Suburbs, de 2010. A própria utilização de guitarras sombrias e arranjos orquestrais parece extraída da obra do coletivo canadense, referência presente em cada movimento de How Big, How Blue, How Beautiful.

Ao mesmo tempo em que abraça um catálogo de novas tendências musicais, curioso perceber como elementos reforçados desde o primeiro trabalho da cantora são enquadrados em uma estrutura jovial. Dos experimentos e conceitos “florestais” de Kate Bush, pouco parece ter sobrevivido; mesmo Siouxsie Sioux, confessa influência de Welch parece explorada de forma distinta, longe do som empoeirado que ecoa de forma explícita no disco anterior. PJ Harvey, Patti Smith e até mesmo Régine Chassagne (Arcade Fire) ecoam com naturalidade com o passar do álbum. Nada que interfira de fato na essência e, cada vez mais presente, sonoridade autoral da britânica. Continue reading

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Disco: “Estratosférica”, Gal Costa

Gal Costa
MPB/Female Vocalists/Samba
http://www.galcosta.com.br/

A necessidade de ruptura e parcial transformação está longe de parecer uma novidade dentro da (extensa) obra de Gal Costa. Do habitual cruzamento de ritmos – Bossa Nova, Jazz, Samba, Rock, – ao constante diálogo com músicos, compositores e produtores vindos de diferentes gerações – Luiz Melodia, Djavan, Cazuza, Domenico Lancellotti -, de tempos em tempos, a cantora baiana entrega ao público um registro que parece não apenas indicar uma nova direção, mudando o curso da própria discografia, como ainda serve de síntese temática, revelando ao grande público o nascimento de novas cenas e pequenos coletivos musicais.

É o caso do recente Estratosférica (2015, Sony Music). Dando continuidade ao trabalho iniciado no álbum Hoje (2005) – obra marcada pela interferência de novos compositores como Nuno Ramos, Junio Barreto e Moreno Veloso -, dentro do trigésimo sexto registro em estúdio da cantora, é possível perceber o crescimento de uma obra que clama por novas referências, sonoridades e tendências, porém, mantém firme a experiência (e sobriedade) acumulada por Gal mais 50 anos de carreira.

Para aqueles que se assustaram com a curva brusca iniciada no experimental Recanto (2011) – obra de temas eletrônicos e versos assinados pelo parceiro de longa data, Caetano Veloso -, um respiro “aliviado”. Ainda que a essência do trabalho anterior seja preservada em instantes específicos do álbum – como nos arranjos de Você Me Deu e Por Baixo -, da abertura ao fechamento, a proposta do registro é completamente outra, muito mais intensa. Antes reclusa, confortada no “recanto” sintético das batidas e arranjos eletrônicos, Gal agora aparece grandiosa, para além dos limites da estratosfera, uma leoa como o cabelo volumoso parece indicar logo na capa do álbum.

Diálogo aberto com pequenos gigantes da atual geração – entre eles, Marcelo Camelo, Mallu Magalhães e José Paes Lira -, o registro produzido Alexandre Kassin e Moreno Veloso é um passeio pela essência versátil da cantora. Enquanto a inaugural Sem Medo Nem Esperança aponta para a boa fase no começo dos anos 1970, marca explícita na crueza das guitarras e o “solo de voz” típico do clássico Fa-Tal – Gal a Todo Vapor (1971), em minutos, o uso de temas eletrônicos (Muita Sorte) e até melodias mais “pop” (Quando Você Olha Pra Ela) confortam a artista no cenário plastificado dos anos 2000. Continue reading

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NAO: “Thinkin Bout You” (Frank Ocean) Cover

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Dona de um dos melhores EPs de 2015, Febuary 15, a cantora e compositora britânica NAO acaba de presentear o público com uma grata surpresa. Em passagem pelos estúdios da BBC Radio 1, em Londres, a jovem, acompanhada pelo produtor Mura Masa, decidiu dar novo enquadramento ao clássico recente Thinkin Bout You, uma das principais composições assinadas pelo norte-americano Frank Ocean no disco Channel Orange, de 2012.

Minimalista e comportada, a canção pode até ter perdido um pouco do sentimento de entrega causado por Ocean, entretanto, (re)nasce como um produto típico de NAO e sua voz compacta. Durante a passagem pela rádio, Mura Masa e a cantora ainda aproveitaram para apresentar uma nova versão da parceria gerada em Firefly, faixa originalmente entregue pelo casal há poucos meses e uma das grandes composições do pop inglês em 2015.

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NAO – Thinkin Bout You (Frank Ocean Cover)

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Aperitivo: Sharon Van Etten

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Dona de uma sequência de obras marcadas pelo sofrimento – como Because I Was in Love (2009), Epic (2010) e Tramp (2011) -, a cantora e compositora Sharon Van Etten chega ao Brasil pela primeira vez para apresentar o repertório do recente Are We There (2014) em dois shows – um no Rio de Janeiro, outro em São Paulo.

Aproveitando a rápida passagem da musicista, preparamos uma seleção com dez faixas que sintetizam parte da obra de Van Etten. São composições extraídas dos quatro trabalhos de estúdio da cantora, remixes e até mesmo colaborações com diferentes nomes da cena alternativa estadunidense – The National e The Antlers. Experimente: Continue reading

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jj: “Truce”

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Joakim Benon e a parceira Elin Kastlander não querem deixar que o último trabalho de estúdio esfrie. Passados poucos meses desde a apresentação do terceiro álbum de inéditas, V (2014) o duo sueco já está de volta com mais uma nova composição. Intitulada Truce, a faixa pode até dar continuidade ao diálogo do casal com o Hip-Hop – marca em todo último trabalho -, entretanto, aponta para uma direção completamente distinta.

Sombria e urbana, a canção sustentada pela voz de Kastlander parece bagunçar toda a atmosfera letárgica dos dois primeiros discos, transportando a obra do jj para um novo universo de experiências, menos etéreo. Não chega a parecer um registro “pop”, todavia, difícil não perceber a maior aproximação da dupla em relação o grande público na forma como arranjos e vozes são explorados. Com lançamento pelo selo Sincerely Yours, Truce (ainda) não faz parte de nenhum novo álbum ou EP.

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jj – Truce

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Metric: “Cascades”

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Pelo visto, a relação do Metric com os mesmo sintetizadores e arranjos eletrônicos testados no álbum de 2012, Synthetica, está longe do fim. Passados três anos desde o lançamento do último registro em estúdio, a banda canadense não apenas retorna ao território dançante do trabalho, como reforça de forma expressiva essa mesma sonoridade, reforçando no single Cascades um pouco do que será apresentado em essência no inédito Pagans In Vegas (2015).

Em uma dança lenta, sempre crescente, não somente os teclados, como a própria voz da líder Emily Haines parece cercada pela maquiagem eletrônica da canção. Sem necessariamente escapar do ambiente inaugurado no disco anterior, difícil não perceber a semelhança com a obra de Robyn em obras como Body Talk (2010), ou mesmo da norueguesa Annie nos instantes menos “coloridos” do debut Anniemal (2004).

Pagans In Vegas (2015) será lançado no dia 18/09 pelos selos MMI e Crystal Math.

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Metric – Cascades

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Disco: “California Nights”, Best Coast

Best Coast
Indie Rock/Alternative/Garage Pop
http://www.bestcoast.net/

Poucos artistas atuais sabem como explorar tão bem as melodias quanto Bethany Cosentino. Seja no ambiente sujo que marca o álbum de estreia do Best Coast, Crazy for You (2012), ou na limpidez instrumental que preenche toda a estrutura do sucessor The Only Place (2012) – obra que conta com a produção do compositor Jon Brion -, ao visitar o cercado autoral da cantora e compositora californiana, vozes, arranjos e até mesmo as confissões mais amargas ecoam de forma acolhedora, em um ambiente sutil.

Quase uma continuação do material apresentado em Fade Away EP, de 2013, California Nights (2015, Harvest), terceiro álbum de estúdio da banda, cresce como uma obra que mesmo raivosa em diversos instantes, mantém firme o uso de harmonias brandas, típicas da artista. Enquanto a voz de Cosentino cresce (Fine Without You), explode (So Unaware) e até assume o tom dramático (Wasted Time), guitarras versáteis – em parte assumidas pelo parceiro Bobb Bruno – aos poucos preenchem todas as lacunas da obra, resgatando elementos característicos de veteranos como R.E.M. ou mesmo de artistas próximos, caso dos conterrâneos do Real Estate.

Mesmo montado em uma estrutura padronizada, alternando entre arranjos de temática litorânea, solos carimbados e refrão pronto, difícil não sucumbir aos encantos de Cosentino. Emulando um típico exemplar do Pop-Rock dos anos 1970 – ou seria 1990? -, faixas como When Will I Change, Feeling Ok e In My Eyes prendem o ouvinte sem dificuldades, padrão que em nenhum momento transforma o disco em uma obra cansativa ou previsível.

Verdadeira fábrica de hits, California Nights segue de forma intensa até o último acorde, ocupando todos os espaços da obra com música de forte apelo radiofônico. Da abertura com Feeling OK, passando pelas guitarras sujas de In My Eyes até alcançar os versos de apelo imediato em Sleep Won’t Ever Come e Wasted Time, no encerramento do disco, cada composição parece projetada de forma a grudar no cérebro do ouvinte. Uma clara evolução quando comparado ao antecessor The Only Place, um disco de fato inaugurado por boas canções, porém, arrastado nos instantes finais. Continue reading

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Icona Pop: “Emergency”

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Caroline Hjelt e Aino Jawo estão pouco interessadas em repetir a mesma sonoridade frenética do primeiro álbum como Icona Pop, This Is… Icona Pop, de 2013. Longe das batidas aceleradas, gritos plásticos – “I Love It” – e toda a matemática comercial de hits como All Night, GirlfriendReady for the Weekend, em Emergency, mais recente lançamento do duo sueco depois do single Get Lost, a busca por novas possibilidades reforça o amadurecimento do projeto.

Acompanhadas do parceiro sueco Erik Hassle e sem medo de parecer “brega”, Hjelt e Jawo resgatam uma série de conceitos inspirados no pop dos anos 1980/1990, brincando com o uso de saxofones, colagens de ritmos e outros elementos inusitados dentro dos trabalhos iniciais do Icona Pop. Difícil não sentir a influência de artistas como Miley Cyrus e Katy Perry, com quem a dupla colaborou em diferentes turnês desde o último ano.

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Icona Pop – Emergency

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MXMS: “Rx”

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Pianos soturnos, vocal sempre preciso e um ritmo que cresce lentamente. Em RX, mais recente single da dupla MXMS, toda a temática obscura apresentada no single OMG não apenas ganha ritmo, como ainda transporta a sonoridade do casal para um novo ambiente, ainda mais intenso e sombrio. Lado B do novo single assinado por Ariel Levitan (voz) e Jeremy Dawson (pianos/produção), a canção reforça o amadurecimento na composição dos versos e arranjos, resultando em um dos projetos mais curiosos da nova safra estadunidense.

Soando como um encontro entre Lana del Rey e The XX – em versão acelerada, claro -, RX se afasta dos vícios da década de 1980 para dialogar de forma expressiva com o presente cenário – principalmente o norte-americano. Ainda que seja possível tropeçar em elementos típicos da obra de Owen Pallet e Chelsea Wolf – “culpa” dos pianos -, a sonoridade explorada na recente faixa comprova a identidade da dupla, hoje “representante” de gêneros curiosos (e divertidos) como o Funeral Pop e Dead Western… Só faltou o Gótico Suave.

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MXMS – RX

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