Tag Archives: Female Vocalists

Charlotte Day Wilson: “Work”

.

Com o lançamento de After All, em janeiro deste ano, a cantora e compositora canadense Charlotte Day Wilson conseguiu chamar a atenção de muita gente. Uma voz pesada, essencialmente densa, sempre acompanhada de versos melancólicos, conceito que muito se assemelha ao trabalho produzido por artistas como Blood Orange, Jessie Ware e Rhye, referências também claras dentro do mais recente trabalho do jovem artista, a inédita Work.

Mais uma vez cercada por sintetizadores arrastados, Wilson, também integrante do coletivo The Wayo, mostra um som que dialoga em poucos instantes com o ouvinte. Uma faixa que reflete o isolamento de dois personagens em meio a uma sociedade cada vez mais corrida, marcada pelos excessos. Ao fundo da canção, um amontoado de vozes melancólicas, tão íntimas do soul/jazz da década de 1970, quanto do canto reconfortante da música gospel.

.

Charlotte Day Wilson – Work

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , ,

Disco: “The Hope Six Demolition Project”, PJ Harvey

Artista: PJ Harvey
Gênero: Rock, Alternative, British
Acesse: http://www.pjharvey.net/

 

Durante grande parte da década de 1990, PJ Harvey interpretou a si mesma como a protagonista da própria obra. Basta observar as canções de clássicos como trabalhos como Dry (1992) e Rid of Me (1993) para perceber isso. Já outros como Stories from the City, Stories from the Sea (2000) e Uh Huh Her (2004), uma inversão, a passagem para um novo universo, muitas vezes descritivo e impessoal, como se a compositora britânica explorasse diferentes cidade, seus personagens e histórias.

Em The Hope Six Demolition Project (2016, Island / Vagrant), nono trabalho na discografia de Harvey, e primeiro registro de inéditas depois de um hiato de cinco anos, uma expansão dessa curiosa visão de mundo da guitarrista. Versos que passeiam por regiões, detalham o cotidianos de povos e comunidades de forma sempre política, atual. Conceitualmente, um resumo das viagens da musicista pelo Oriente Médio, Leste Europeu e diferentes pontos dos Estados Unidos.

No discurso político de Harvey, cada vez mais agressivo, uma expressiva continuação do material explorado nas canções de Let England Shake, de 2011. Basta observar a faixa de abertura do disco, The Community of Hope, para perceber isso. Trata-se de um ataque direto da cantora britânica aos políticos de Washington e o completo descaso com a população local. Um diálogo com uma comunidade específica, mas que se adapta aos mais diferentes cenários e governos.

Sétima faixa do disco, The Orange Monkey talvez seja a composição que melhor sintetize a importância das viagens de Harvey dentro da presente obra “Você deve voltar no tempo / Tomei um avião para uma terra estrangeira / E disse: ‘vou escrever sobre aquilo que eu encontrar’”, canta a artista enquanto descreve de forma subjetiva paisagens e personagens que encontrou pelo Afeganistão. Um resumo breve do mesmo conceito também explorado em músicas como A Line in the Sand e Near the Memorials to Vietnam and Lincoln. Continue reading

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , ,

Kristin Kontrol: “Show Me”

.

Poucas composições lançadas nos últimos quatro meses são tão divertidas e dançantes quanto X-Communicate. Faixa-título do primeiro álbum de Kristin Welchez como Kristin Kontrol, a canção dominada por sintetizadores e batidas dançantes mostra a líder do Dum Dum Girls em um universo completamente distinto em relação ao garage rock/dream pop produzido pela banda californiana nos últimos oito anos.

Parte do mesmo material, a recém-lançada Show Me talvez seja a faixa que mais se relaciona com os dois “opostos” no trabalho de Welchez. De um lado, os sintetizadores, batidas repletas de eco e até instrumentos de sopro. No outro, as guitarras carregadas de efeito e toda a atmosfera que marca o antigo projeto da cantora. Uma colisão ideias e referências que tanto se aproxima do som “brega” de artistas como Toto, como da sonoridade cultuada do Cocteau Twins.

X-Communicate (2016) será lançado no dia 27/05 pelo selo Sub Pop.

.

Kristin Kontrol – Show Me

 

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , ,

Julianna Barwick: “Same” (ft. Mas Ysa)

.

Ainda que a voz continue servindo como principal “instrumento” de atuação para Julianna Barwick, desde o lançamento de Nephente, em 2013, a cantora e compositora norte-americana vem buscando por novas possibilidades em estúdio. Prova disso está na apresentação de Nebula, primeiro single do novo álbum de estúdio da artista, Will (2016), e um evidente recomeço dentro da carreira de Barwick, cada vez mais íntima do som etéreo e experimentos que abasteceram a música ambiental dos anos 1970.

Em Same, composição também pensada para o novo álbum de inéditas, Barwick e o convidado Thomas Arsenault, do projeto canadense Mas Ysa, criam uma faixa que parece crescer lentamente, carregada de detalhes e nuances de vozes. Uma sobreposição de ruídos, bases atmosféricas e sintetizados que tentam delicadamente ocultar uma letra marcada por sentimentos obscuros e os tradicionais versos alongados que marcam a carreira da cantora.

Will (2016) será lançado no dia 06/05 pelo selo Dead Oceans.

.

Julianna Barwick – Same (ft. Mas Ysa)

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , ,

Disco: “Next Thing”, Frankie Cosmos

Artista: Frankie Cosmos
Gênero: Indie Rock, Alternative, Indie Pop
Acesse: https://ingridsuperstar.bandcamp.com/

 

Não é necessário muito esforço para perceber o quão ativa é a cantora e compositora nova-iorquina Greta Simone Kline. Em meia década de atuação, são mais de 20 discos lançados de forma independente como Frankie Cosmos, outra dezena de obras apresentadas sob o título de Ingrid Superstar, isso sem contar na infinidade de parcerias em estúdio, apresentações em diferentes festivais norte-americanos e colaborações com outros artistas locais – principalmente o Porches, projeto comandado pelo namorado e parceiro de composição Aaron Maine.

Em Next Thing (2016, Bayonet), mais recente registro de inéditas como Frankie Cosmos, uma madura continuação do som produzido pela musicista desde 2009, quando deu início à carreira. Trata-se de uma extensão melódica do mesmo material apresentado anteriormente em Zentropy, de 2014, além do EP Fit Me In, lançado no último ano. Versos e arranjos econômicos, mas que acabam ocultando (ou revelando) um mundo de detalhes que aprecem íntimos apenas da obra de Kline.

Assim como no trabalho apresentado há dois anos, cada faixa do registro se projeta como um fragmento de temas e acontecimentos cotidianos. Um catálogo de letras marcadas por um curioso existencialismo pós-adolescente e pensamentos aleatórios. “Quando você é jovem / Você é muito jovem / Quando você é velho / Você é muito velho para algumas ideias”, canta a jovem artista de apenas 22 anos em What If, uma delicada síntese da mente preocupada (e ao mesmo tempo divertida) da artista.

São versos essencialmente simples, curtos, o que acaba contribuindo para a rápida condução do trabalho. Mesmo recheado com 15 composições inéditas, Next Thing não alcança os 30 minutos de duração, uma espécie de marca dentro da extensa discografia da cantora. Em geral, Cosmos se apoia e letras semi-declamadas, como se estivesse descrevendo cenas e acontecimentos particulares (Sinister, If I had a dog), ou mesmo versos marcados por sentimentos honestos (Fool, Too Dark, On The Lips), sempre entristecidos. Continue reading

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , ,

Olga Bell: “Randomness” (VÍDEO)

.

Olga Bell parece seguir um caminho completamente distinto em relação ao material apresentado em Край, de 2014. Longe do experimentalismo restrito e versos cantados em idioma russo, a cantora, compositora e produtora que já trabalhou ao lado do Dirty Projectors parte agora em direção à música eletrônica. Conceito anteriormente durante o lançamento de Incitation EP, em 2015, mas que ecoa com maior naturalidade em Randomness, primeiro single do novo álbum de inéditas da artista, Tempo (2016).

Apresentada há poucas semanas, a canção de batidas e ritmo forte, íntima do material apresentado por Björk em obras como Debut (1993) e Post (1995), encontra no clipe dirigido e editado por Sef Akins uma tradução visual da sonoridade que acompanha a nova fase de Bell. Passos de dança, corpos em preto e branco e toda uma atmosfera que parece típica do começo da década de 1990, estímulo para o material que deve ocupar toda a extensão do novo álbum da cantora.

Tempo (2016) será lançado no dia 27/05 pelo selo One Little Indian.

.

Olga Bell – Randomness

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , ,

Disco: “Tropix”, Céu

Céu
Nacional/MPB/Electronic
http://www.ceumusic.com/

 

Batidas e vozes minimalistas, sintetizadores carregados de efeitos, o baixo volumoso e guitarras sempre precisas, levemente dançantes, como uma delicada ponte para diferentes épocas e tendências da música eletrônica. Quatro anos após o lançamento do psicodélico Caravana Sereia Bloom (2012), Céu se despede do som enevoado de composições como Retrovisor e Amor de Antigos para investir em pequenos experimentos e temas sintéticos, marca do quarto registro de inéditas da cantora, Tropix (2016, SLAP).

Precioso em cada sussurro, batida ou entalhe eletrônico, o álbum, uma parceria entre a cantora paulistana, Pupillo, baterista do Nação Zumbi, e o músico francês Hervé Salters, traz de volta a mesma atmosfera letárgica incorporada no clássico Vagarosa, de 2009. Uma obra de limites bem definidos, estratégica, conceito explícito na confessional e crescente Perfume do Invisível, música de abertura do disco, e uma espécie de trampolim criativo para o ondulado de beats que vai do Trip-Hop de Bristol ao som atmosférico dos anos 1970.

Sem pressa, criando respiros instrumentais, Tropix entrega cada canção em pequenas doses. A eletrônica tropical em Varanda Suspensa, o romantismo brega em Sangria, vozes cíclicas em Arrastar-Te-Ei, o rock levemente dançante em Pot-Pourri: Etílica/Interlúdio – parceria com Tulipa Ruiz. Longe do som homogêneo explorado no trabalho entregue há quatro anos, obra que flutua em uma mesma massa de guitarras e temas nostálgicos, Céu e o time de colaboradores exploram cada composição individualmente. Fragmentos que se encaixam de forma a revelar um imenso mosaico.

Nos versos, um vasto acervo de ideias que navega de forma atenta pelo universo particular da cantora, porém, mantém firme o diálogo com o ouvinte. Composições que visitam cenários paradisíacos (“Pés de manga, costela de Adão / Todos sentavam pra ver / Aquele quadro vivo mudar”), detalham inquietações (“Quando eu for em busca de mim”) ou simplesmente exploram o distanciamento entre os indivíduos, marca de faixas como Perfume do Invisível e Amor Pixelado, esta última, uma delicada análise sobre o amor em tempos de Whatsapp e outras redes sociais. Continue reading

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , , , ,

Chelsea Wolfe: “Hypnos” (VÍDEO)

.

Com o lançamento de Abyss (2015), Chelsea Wolfe deu vida ao melhor registro de toda sua carreira.  Acompanhada de John Congleton, produtor que já trabalhou com Swans, St. Vincent e Sigur Rós, a cantora e compositora norte-americana não apenas deu sequência ao universo de temas góticos ressaltados no antecessor Pain Is Beauty, de 2013, como conseguiu se reinventar, flertando com elementos do Shoegaze/Progressive Metal ao longo de toda a obra.

Em Hypnos, mais recente composição assinada por Wolfe, uma fuga desse mesmo universo. Ainda que os versos da cantora passeiem por um mundo de tormentos e desilusões, os arranjos semi-acústicos revelam o oposto do material apresentado há poucos meses. Uma espécie de refúgio, como se Wolfe visitasse a mesma sequência de obras produzidas de forma caseira no final da década passada, quando foi apresentada ao público oficialmente. Assista ao clipe da canção:

.

Chelsea Wolfe – Hypnos

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , ,

Disco: “Emily’s D+Evolution”, Esperanza Spalding

Esperanza Spalding
Jazz/Alternative/Soul
http://www.esperanzaspalding.com/

 

Da estreia com o intimista Junjo (2006), passando pelo lançamento de obras como Esperanza (2008), Chamber Music Society (2010) e até a tentativa de parecer “acessível” com a entrega do comercial Radio Music Society (2012), Esperanza Spalding passou a última década tentando encontrar a própria identidade musical. Curioso perceber nas canções do intenso Emily’s D+Evolution (2016, Concord), trabalho que mais se distancia da discografia da cantora, o explícito fortalecimento de uma criativa assinatura autoral.

Vozes e guitarras descontroladas em Good Lava, o suspiro romântico em Unconditional Love, arranjos que crescem e encolhem a todo minuto no interior de Earth to Heaven, a leveza que orienta arranjos e versos na doce Noble Nobles. Durante pouco mais de 45 minutos, tempo de duração da obra, Spalding não apenas derruba todas as pontes para os últimos trabalhos de estúdio, como perverte a essência do presente registro. Uma constante alteração que define os rumos da obra até o acorde final da instável I Want It Now.

De um lado, a voz flexível de Spalding, estímulo para o nascimento de composições como Rest In Pleasure e Elevate Or Operate; músicas que transformam o canto da norte-americana em um instrumento poderoso. No outro oposto, as guitarras. Nunca antes um registro da musicista valorizou tanto os acordes distorcidos como o presente trabalho. Perceba o ondulado crescente em Earth to Heaven ou a forma como o instrumento bagunça a cabeça do ouvinte no interior da nostálgica One, faixa que instantaneamente transporta o ouvinte para o passado.

Ancorado de forma explícita nos anos 1960/1970, Emily’s D+Evolution vai do experimentalismo jazzístico ao prog-funk em uma linguagem essencialmente acessível, pop como Unconditional Love e Judas indicam. Uma constante sensação de que PJ Harvey dos clássico Dry (1992) e Rid of Me (1993) esbarrou na obra de veteranos como Jimi Hendrix e Sly & the Family Stone. Se em Junjo Spalding parecia se esconder atrás do imenso contrabaixo utilizado nas apresentações ao vivo, hoje a cantora cresce, surge como uma gigante que ocupa todos os espaços da obra. Continue reading

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , , , , ,

Disco: “Varmints”, Anna Meredith

Anna Meredith
Experimental/Alternative/Indie
http://www.annameredith.com/

 

As ideias cobrem toda a extensão do curioso Varmints (2016, Moshi Moshi). Primeiro registro de estúdio da cantora, compositora e multi-instrumentista britânica Anna Meredith, o trabalho que flutua entre temas acústicos e ensaios eletrônicos delicadamente expande o rico catálogo de experimentos compilados pela artista nos dois últimos registros de inéditas, os bem-sucedidos Black Prince Fury EP (2012) e Jet Black Raider EP (2013).

Entre diálogos com a “música clássica” (Scrimshaw, Nautilus), experimentos que flertam abertamente com o Math Rock (Taken) e composições marcadas pela delicadeza das vozes e arranjos (Something Helpful, Dowager), Meredith cria um imenso conjunto de fórmulas pensadas para bagunçar a cabeça do ouvinte. Sintetizadores, arranjos de cordas, guitarras, vozes e batidas que vão de um ambiente introspectivo à explosão em poucos segundos.

Com Nautilus como faixa de abertura, Meredith indica a construção de obra essencialmente grandiosa, épica. Originalmente apresentada em Black Prince Fury EP, a canção de base orquestral encontra na continua repetição dos elementos um estímulo para prender a atenção do ouvinte. Um crescente turbilhão que em poucos minutos autoriza a inserção de batidas, ruídos sintéticos e toda uma avalanche de retalhos eletrônicos, ponte para grande parte da obra.

De fato, cada uma das 11 composições de Varmints sustenta na propositada repetição de ideias um inusitado ponto de partida. São versos cíclicos na delicada Something Helpful, guitarras e batidas no interior da crescente The Vapours, a programação eletrônica em Shill. Arranjos, vozes e batidas que se entrelaçam revelando pequenos turbilhões criativos. Uma extensão do material anteriormente explorado pela musicista nos dois primeiros EPs. Continue reading

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , ,