. Are You Serious (2016), esse é o nome do mais novo registro de inéditas do cantor e compositor norte-americano Andrew Bird. Dono de uma extensa carreira e clássicos como Andrew Bird & the Mysterious Production of Eggs (2005) e Armchair Apocrypha (2007), o músico estadunidense reserva ao público uma seleção de 11 novas faixas, ponto de partida para o terceiro álbum de estúdio do músico em um intervalo de três anos – os anteriores foram Things Are Really Great Here, Sort Of… (2014) e Echolocations: Canyon…Continue Reading “Andrew Bird: “Left Handed Kisses” (Ft. Fiona Apple)”

Sharon Van Etten
Indie/Folk/Female Vocalists
http://sharonvanetten.com/

 

Por: Cleber Facchi

Se existe uma certeza dentro da história da música – antiga, recente ou futura – é a de que jamais vão faltar obras alimentadas pelo aspecto triste do amor. Mesmo antes da consolidação da indústria da música, no começo do século XX, sofrer sempre foi encarado como uma fonte natural de inspiração para qualquer compositor. Um campo ilimitado de melodias e versos capazes de revisitar considerações simples, porém, necessárias de um pós-relacionamento. É justamente dentro desse ambiente cinza que Sharon Van Etten fez sua morada e parece extrair toda a base temática para cada disco lançado desde o debut Because I Was in Love, de 2009.

Em evidente crescimento poético, a cantora centrada na região do Brooklyn, Nova York, fez de cada álbum apresentado nos últimos cinco anos uma inteligente transposição das próprias recordações sentimentais. Discos como Epic (2010) e Tramp (2012), que mesmo afundados em temas há muito desgastados por diferentes artistas, conseguiram reforçar identidade e certa dose de ineditismo por conta do catálogo rico (e sofrido) de versos que carregam. Adaptações melancólicas do cotidiano da cantora e obras que servem de alicerce para o bem executado quarto disco de Van Etten, Are We There (2014, Jagjaguwar).

Eu canto sobre o meu medo e amor e o que eles trazem“, anuncia a cantora com timidez no interior de I Know, faixa que traduz parte das experiências que ocupam o novo disco. Longe de parecer repetitivo ou sustentado pela mesma fórmula dos álbuns passados, o presente trabalho usa da grandeza como um mecanismo de afirmação. É como se os três discos lançados anteriormente refletissem a mente perturbada da compositora, o que explica o hermetismo em torno dos arranjos e letras. Todavia, essa suposta reclusão parece extinta no interior de Are We There, álbum que funciona como uma explosão, um honesto ápice sentimental.

Não por acaso, grande parte das faixas refletem esse sentimento de “expansão”, como se Van Etten pela primeira vez cantasse para fora, exorcizando a melancolia acumulada ao longo dos anos. Proposital ou não, tal exercício acaba por revelar o lado mais comercial da cantora. Ainda que Taking Chances e a derradeira Every Time the Sun Comes Up sejam capazes de assumir esse caráter “facilitador”, por toda a obra a musicista espalha melodias e versos movidos por um controlado apelo “pop”. Do ambiente sombrio que cresce em Your Love Is Killing Me, aos lamentos de You Know Me Well, cada instante do registro aposta (com acerto) no grande público, semelhança que aproxima o disco de obras como You Are Free (2003) de Cat Power, ou mesmo The Idler Wheel… (2012), de Fiona Apple.

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. O amor está no ar. Depois do Vampire Weekend brincar de Andrea Bocelli na excelente versão de Con Te Partirò, e Jim James (My Morning Jacket) encarnar Bob Marley na apaixonada Turn Your Lights Down Low, chega a vez de Fiona Apple abrir o próprio coração na quase mística I’m In The Middle Of A Riddle. Seguindo um caminho oposto dos outros convidados da coletânea Sweetheart 2014 – feita especialmente para o dia dos namorados nos Estados Unidos -, a artista resolveu fugir de…Continue Reading “Fiona Apple: “I’m In The Middle Of A Riddle” (Anton Karas Cover)”

. “Nossos artistas favoritos, cantando suas músicas favoritas de amor”, essa é a proposta da coletânea anual Sweetheart. Organizada pela Starbucks como uma trilha sonora alternativa para o dia dos namorados nos Estados Unidos, o registro alcança a edição 2014 com um time invejável de artistas. Entre nomes como Fiona Apple, Beck e Phosphorescent, o quarteto nova-iorquino Vampire Weekend assume a mesma atmosfera intimista de Jim James em Turn Your Lights Down Low, de Bob Marley, para brincar agora com a obra de Andrea Bocelli….Continue Reading “Vampire Weekend: “Con Te Partirò” (Andrea Bocelli Cover)”

. Imagine uma coletânea em que diferentes artistas, vindos de diferentes gerações e gêneros musicais possam tocar apenas suas músicas românticas favoritas. Saiba que isso existe e atende pelo nome de Sweetheart. Projeto organizado pela Starbucks e que concentra nomes como Fiona Apple, Vampire Weekend e Phosphorescent, o registro de 13 faixas conta com previsão de lançamento para o dia quatro de Fevereiro, em preparação ao dia dos namorados nos Estados Unidos. Primeira mostra da edição 2014 do projeto, Turn Your Lights Down Low de…Continue Reading “Jim James: “Turn Your Lights Down Low” (Bob Marley Cover)”

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A seção Cozinhando Discografias consiste basicamente em falar de todos os álbuns de um artista, ignorando a ordem cronológica dos lançamentos. E qual o critério usado então? A resposta é simples, mas o método não: a qualidade. Dentro desse parâmetro temos uma série de fatores determinantes envolvidos, que vão da recepção crítica do disco no mercado fonográfico, além, claro, dentro da própria trajetória do grupo e seus anteriores projetos. Vale ressaltar que além da equipe do Miojo Indie, outros blogs parceiros foram convidados para suas específicas opiniões sobre cada um dos trabalhos, tornando o resultado da lista muito mais democrático e pontual.

Descoberta no meio da década de 1970 por David Gilmour (Pink Floyd), e pouco depois contratada pela EMI (a fim de manter a jovem artista aos seus “domínios”), Kate Bush não precisou de muito tempo para se transformar em um dos nomes mais importantes da história da música. Dona de um pop místico, a cantora e compositora britânica fez da boa fase nos anos 1980 um período marcado de forma natural pelo experimento. Base para a obra de cantoras como Grimes, Florence Welch, Fiona Apple e outros nomes de peso da cena alternativa, Bush fez da curta discografia um ponto constante de transformação, algo que Hounds Of Love e The Sensual World mantém com explícita novidade até hoje. Com dez obras de estúdio, a artista teve cada um dos trabalhos posicionados do “pior” para o melhor em mais um especial da seção Cozinhando Discografias.

Continue Reading "Cozinhando Discografias: Kate Bush"

Por: Cleber Facchi

Mark Romanek

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Quando aproximou Jay-Z do ambiente performático de Marina Abramović, em Picasso Baby, Mark Romanek não apenas amarrou dois pontos específicos do cenário artístico, como anunciou o próprio regresso à direção de videoclipes. Desde 2005 sem nenhum novo projeto do gênero – quando assinou Speed Of Sound, do Coldplay -, o diretor acabou se dedicando à produção/direção de filmes e outros projetos específicos. Com uma produção ativa que ocupa boa parte da década de 1990, o artista original da cidade de Chicago, Illinois fez das superproduções musicais uma assinatura involuntária ao longo de toda a carreira. Responsável por alguns dos clipes mais caros já produzidos até hoje – caso de Scream, de Michael Jackson e Bedtime Story, da cantora Madonna -, Romanek está longe de parecer um mero personagem ilustre (e bem pago) da industria do videoclipe, algo que a seção 10 Clipes busca revelar agora. Longe dos grandes orçamentos, selecionamos dez obras que bem representam toda a trajetória do cineasta, substituindo os luxos, por um conjunto de imagens dinâmicas e íntimas do propósito sonoro de cada canção.

Continue Reading "10 Clipes Para Conhecer: Mark Romanek"

. E se alguém misturasse as batidas marotas do Funk Carioca com toda a melancolia alcançada por Fiona Apple em The Idler Wheel (2012)? O resultado “irracional” em um primeiro pensamento parece superado com acerto na curiosa versão que o paulistano Viní trouxe para Every Single Night. Não se trata de um remix, mas uma complete perversão da faixa que marcou o retorno da cantora nova-iorquina no último ano. Valorizando o que a estrutura da composição traz de melhor – as batidas -, a “nova faixa”…Continue Reading “Viní: “Every Single Night””

. De um lado, a fluência atrativa da música pop, do outro, a tapeçaria cuidadosa de referências que definem com acerto a música alternativa. No meio desse concentrado de experiências tão diversas está Yellow Circles, mais novo invento da cantora britânica LAYLA. Espécie de Fiona Apple menos épica, ou quem sabe uma Florence Welch menos descartável, a jovem cantora faz do novo single a abertura para uma carreira que já acumula boas composições e um pequeno cenário de possibilidades ao longo dos últimos meses. Primeiro…Continue Reading “LAYLA: “Yellow Circles””

. É difícil não se emocionar com o trabalho atento de Benjamin Clementine. Na contramão de outros artistas britânicos que encontram nas batidas um salto criativo para orquestrar a música negra atual, o cantor e compositor londrino firmar no manuseio preciso dos pianos a base e a essência para transformar Cornerstone em um exemplar hipnótico de pura dor e confissão. Com vocais pontuados de forma natural pela grandeza, o artista se divide entre a comoção tímida de Antony and The Johnsons e o desespero épico…Continue Reading “Benjamin Clementine: “Cornerstone””