Tag Archives: Folk

Disco: “Pageant Material”, Kacey Musgraves

Kacey Musgraves
Country/Female Vocalists/Folk
http://kaceymusgraves.com/

É difícil escapar da voz doce de Kacey Musgraves. Ainda que o interesse do ouvinte pela música Country seja limitado (ou talvez inexistente), basta um passeio pelo jogo de melodias delicadas tecidas pela cantora de Mineola, Texas para que a identificação seja imediata. Uma sensação explícita desde o lançamento de Same Trailer Different Park (2013), primeiro trabalho da jovem artista dentro de um grande gravadora, e marca reforçada com maior naturalidade nas confissões que movem Pageant Material (2015, Mercury Nashville).

Quinto álbum de inéditas da cantora e segundo trabalho com lançamento pelo selo Mercury Nashville – braço sertanejo da gigante Universal Music e casa de artistas como Shania Twain e Billy Currington -, Pageant Material é um álbum que encanta pelas melodias. Da voz doce que inaugura o disco em High Time, passando pelos violões de Die Fun ou temas melancólicos Family Is Family e Fine, cada segundo dentro da obra soa como uma tentativa de Musgraves em acolher e confortar o ouvinte.

Esboçando uma coerência talvez maior do que a montagem explícita no antecessor Same Trailer Different Park, cada música do presente disco serve de base para a faixa seguinte, preferência que seduz e acompanha o público até os instantes finais da obra. Pouco mais de 40 minutos de duração que se extinguem com uma leveza rara, espaço em que Musgraves colide arranjos típicos da década de 1960 sem necessariamente romper com a presente cena Country em todo o território norte-americano.

Dividida entre o mesmo som “alternativo” de Jenny Lewis e o country-pop de nomes como Miranda Lambert e Lady Antebellum – com quem a cantora vem excursionando nos últimos anos -, Musgraves parece trilhar um caminho particular. Ao mesmo tempo em que sustenta versos marcados pelo completo tempero comercial, difícil encarar o recente trabalho da cantora como uma obra “vazia”. Há uma honestidade rara nos versos descritivos de Dime Store Cowgirl e principalmente doce tristeza na forma como a artista orienta faixas aos moldes de Somebody To Love. Continue reading

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Marcelo Perdido: “Inverno”

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O frio chegou e com ele, Inverno (2015), novo álbum do cantor Marcelo Perdido. Segundo e mais recente trabalho de inéditas do músico paulistano, ex-integrante da Hidrocor, o presente registro segue a trilha do antecessor, Lenhador (2013), revelando ao público uma seleção de faixas de essência melancólica, sombrias e orquestradas pela leveza dos arranjos acústicos do artista.

São dez composições inéditas e produção assinada por João Erbetta, mesmo produtor do último álbum de Perdido. Entre os destaques do novo disco, a inaugural (e perturbadora) faixa-título, composição que não apenas prepara o terreno para o restante da obra, como sufoca a atmosfera pueril conquistada pelo músico no último álbum. Disponível para download gratuito, o álbum pode ser apreciado na íntegra logo abaixo:

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Marcelo Perdido – Inverno

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Aperitivo: Sharon Van Etten

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Dona de uma sequência de obras marcadas pelo sofrimento – como Because I Was in Love (2009), Epic (2010) e Tramp (2011) -, a cantora e compositora Sharon Van Etten chega ao Brasil pela primeira vez para apresentar o repertório do recente Are We There (2014) em dois shows – um no Rio de Janeiro, outro em São Paulo.

Aproveitando a rápida passagem da musicista, preparamos uma seleção com dez faixas que sintetizam parte da obra de Van Etten. São composições extraídas dos quatro trabalhos de estúdio da cantora, remixes e até mesmo colaborações com diferentes nomes da cena alternativa estadunidense – The National e The Antlers. Experimente: Continue reading

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Sharon Van Etten: “Remembering Mountains” (Karen Dalton Cover)

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Marissa Nadler, Julia Holter, Laurel Halo, Isobel Campbell e Lucinda Williams. Essas são algumas das cantoras que integram a coletânea Remembering Mountains: Unheard Songs By Karen Dalton (2015), trabalho que resgata uma série de poemas nunca antes musicados da cantora e compositora Karen J. Dalton, entregando ao público uma versão particular sobre a obra da artista, em atuação entre os anos 1960 e 1990, porém, dona de um limitado acervo em estúdio.

Convidada para inaugurar a sequência de 11 faixas da obra, além de responsável por assumir arranjos e vozes da música que concede título ao álbum, Sharon Van Etten transforma a melancólica Remembering Mountains em uma canção tão íntima dos inventos de Karen Dalton, quanto de sua própria obra. A julgar pelos tormentos que ocupam os versos e se estendem até os pianos entristecidos da canção, não seria difícil “encaixar” a criação de Dalton dentro do último registro solo de Van Etten, Are We There (2014).

Remembering Mountains: Unheard Songs By Karen Dalton será lançado no dia 26/05 pelo selo Tompkins Square.

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Sharon Van Etten – Remembering Mountains (Karen Dalton Cover)

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Gouveia Phill: “Sol de Oro”

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Duas músicas pelo “preço” de uma. Essa parece ser a melhor definição para o trabalho do músico paraibano Gouveia Phill na recém lançada Sol de Oro. Mais recente criação do artista de João Pessoa – uma das mentes aos comandos do Glue Trip -, a composição de quase sete minutos assume um caminho particular em relação aos últimos lançamentos do guitarrista – Salvat’oria, Serena e Therd´ominia -, dosando emanações psicodélicas em meio a arranjos típicos do Folk e Alt. Country.

Na primeira metade, um dedilhado doce coberto por ruídos eletrônicos e sons “matutinos”, um pequeno suspiro antes da chuva (literal) que separa os dois blocos da mesma canção. Em uma montagem/divisão abrandada, o uso de sons “fechados”, melancólicos e quase próximos do obscuro marcam o segundo ato da faixa, transportando o ouvinte para dentro de uma trilha sonora involuntária ou música de fundo para qualquer clássico do Western norte-americano nos anos 1950 e 1960.

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Gouveia Phill – Sol de Oro

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Moses Sumney: “Seeds”

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Passar os últimos anos em turnê ao lado de Sufjan Stevens trouxe benefícios evidentes para o trabalho do iniciante Moses Sumney. Habitante do mesmo universo confessional de Stevens – principalmente quando observamos o recente álbum do cantora, Carrie & Lowell (2015) -, o músico de Los Angeles, California, começa a dar os primeiros passos em fase solo, transformando Seeds – lado A do single 7″ lançado pela Terrible Records – em uma fina mostra do trabalho que deve desenvolver pelos próximos anos.

Voz e violões tratados com leveza, versos melancólicos e uma estranha atmosfera de acolhimento. Como a imagem da planta que cresce na capa do single, Sumney, sem grandes dificuldades, logo invade e ocupa a mente do ouvinte, abastecido pela letra entristecida do jovem músico. Enquanto Pleas, lado B do mesmo single não é apresentada ao público, correr atrás de outras canções assinadas pelo músico parece ser a melhor solução. No Youtube, Replacable e Plastic refletem o mesmo detalhe e voz límpida encontrados em Seeds.

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Moses Sumney – Seeds

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Tobias Jesso Jr.: “Without You” (VÍDEO)

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Emoção“, “tristeza“, “sofrimento“. Palavras que invadem a mente do ouvinte tão logo a enxurrada sentimental de Goon (2015, True Panther) tem início em Can’t Stop Thinking About You. Harmonias tímidas de piano, uso controlado, quase imperceptível, de temas percussivos; vocal limpo, esculpido pela angústia do cantor; conceitos, personagens e pequenas confissões redundantes, há décadas desgastadas em diferentes campos da música. Os mesmos versos tristes de amor e separação, o mesmo coração partido, porém, retratado de forma honesta e estranhamente acolhedora por Tobias Jesso Jr.

Mary Ann, eu perdi você em um sonho / Em seguida, o sonho se tornou realidade“. Os versos que inauguram o primeiro registro solo do músico canadense apontam a direção triste que define o restante da obra. São quase 50 minutos em que tormentos pessoais, personagens (femininos) e incontáveis delírios alcoólicos brincam com a percepção amargurada de Jesso Jr, em poucos minutos, uma representação compatível de qualquer ouvinte sofredor. Ainda que vocais “sorridentes” tentem sobreviver ao longo do trabalho, é a tristeza que sustenta e ocupa as brechas de cada canção. Leia o texto completo.

Uma das composições mais tristes – e são muitas – de Goon (2015), estreia solo de Tobias Jesso Jr., Without You ganha agora um clipe dirigido por Seth Mendelson. Assista:

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Tobias Jesso Jr. – Without You

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Torres: “Cowboy Guilt”

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A leve mudança de direção apresentada por Torres em Sprinter, faixa-título do segundo álbum de estúdio da cantora está longe de parecer o ápice na recente fase da musicista. Em Cowboy Guilt, mais nova canção de Mackenzie Scott, pequenas doses de experimento pontuadas por guitarras irregulares apontam a direção do novo trabalho da cantora. Um meio termo entre o som cru de PJ Harvey nos anos 1990, St. Vincent pós-Strange Mercy (2011) e, claro, muito do homônimo álbum entregue por Torres em 2013.

São melodias quebradas, a voz quase oculta pelos efeitos e captação em baixa qualidade, elementos encaixados de forma curiosa, um complemento para os versos nostálgicos que exploram a infância da cantora no Sul dos Estados Unidos. Não chega a ser uma faixa de essência experimental, apenas uma doce manipulação de referências, conceitos particulares da vida de Torres, mas que, estranhamente, se adaptam de forma a resolver uma tímida canção pop.

Sprinter (2015) conta com lançamento previsto para 05/05 pelo selo Partisan.

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Torres – Cowboy Guilt

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Disco: “Carrie & Lowell”, Sufjan Stevens

Sufjan Stevens
Indie/Singer-Songwriter/Folk
http://sufjan.com/

 

Sufjan Stevens sempre me pareceu um grande contador de histórias. Por trás do inofensivo dedilhado de violão lançado pelo artista de Michigan, uma tapeçaria imensa de personagens, recortes fictícios, acontecimentos políticos que marcaram a história norte-americana ou mesmo contos transformados em música doces e envolventes. Basta voltar os ouvidos para o clássico Illinois, de 2005, onde a vida do palhaço/assassino serial John Wayne Gacy, Jr. foi explorada com sensibilidade única, constante temática na obra do músico, um habilidoso artesão no controle dos sentimentos, capaz de converter detalhes (e temas) tão particulares, em peças facilmente absorvidas por qualquer ouvinte.

Mas e as histórias do próprio Stevens, suas angústias, medos e desilusões: onde elas estão? Ainda que tenha atravessado os últimos 15 anos em meio a delicadas confissões românticas, tormentos e temas cotidianos, poucas vezes o universo particular do cantor estadunidense foi apresentado com tamanha clareza e sensibilidade quanto em Carrie & Lowell (2015, Asthmatic Kitty). Sétimo trabalho de inéditas do artista, o álbum vai além de um regresso aos planos acústicos que lançaram o instrumentista no começo dos anos 2000, revelando um mergulho soturno na conturbada estrutura familiar do cantor – a base temática que se espalha em cada faixa do registro.

Da imagem desgastada que estampa a capa do álbum – o casal (real) formado por Carrie e Lowell, mãe e padrastro de Stevens – passando pelos versos, sussurros e histórias entristecidas da obra, todas as peças do projeto se juntam para contar a história e, de certa forma, homenagear a mãe do cantor, Carrie, morta em 2012 depois de passar por meses de tratamento contra um câncer no estômago. Esquizofrênica, depressiva e alcoólatra, a “protagonista” deixou o filho e o ex-marido em meados dos anos 1970, voltando a revê-los anos mais tarde, quando se casou com Lowell, acolhendo o pequeno Stevens durante cinco férias de verão. Um história simples, porém, explorada de forma atenta, a matéria-prima para o retrato sorumbático que começa (pelo fim) em Death with Dignity e se estende até Blue Bucket Of Gold.

Ainda que esteja aberta a diferentes interpretações, a história que sustenta toda a estrutura de Carrie & Lowell é apresentada de forma clara, esquiva de possíveis bloqueios líricos. Trata-se de uma jogo de versos confessionais, puramente honestos, como o diário fragmentado de um indivíduo – a criança que habita a mente de Stevens – tentando encarar o mundo conturbado dos adultos em busca da própria aceitação. Como fica explícito nos primeiros minutos do álbum, em Death With Dignity – os últimos instantes de vida de Carrol -, com a presente obra, Stevens foge de uma estrutura linear, brincando com um roteiro quase cinematográfico instável; um misto de passado e presente tão próximo do cantor, quanto do próprio ouvinte, instantaneamente confortado nos versos descritivos da obra. Continue reading

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The Tallest Man On Earth: “Dark Bird Is Home”

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Ainda que tenha deixado o ambiente “caseiro” dos dois primeiros registros da carreira – Shallow Grave (2008) e The Wild Hunt (2010) -, os sentimentos e confissões exploradas por Kristian Matsson ainda são os mesmos dos primeiros anos em estúdio. Seguindo a trilha iniciada no álbum There’s No Leaving Now, de 2012, Matsson continua a explorar uma sonoridade cada vez mais límpida e arranjos aprimorados com o The Tallest Man On Earth, preferências que logo se transforma em emoção dentro da recém-lançada Dark Bird Is Home.

Faixa-título e também canção de encerramento do quarto LP do músico norte-americano, a nova música parece reforçar a relação de Matsson com o cancioneiro de raiz estadunidense, passeando em meio a elementos do Alt. Country, típico do começo dos anos 2000, como dos primeiros discos de Bob Dylan, influência explorada não apenas na voz característica do artista. Esta é a segunda música do novo álbum a ser apresentada, sendo a primeira a complexa Sagres, entregue ao público há poucas semanas.

Dark Bird Is Home (2015) conta com lançamento previsto para o dia 12/05 pelo selo Dead Oceans.

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The Tallest Man On Earth – Dark Bird Is Home

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