O Sol toma brilha forte dentro do mais novo clipe/single de Marcelo Perdido. Um ano após o lançamento do melancólico Inverno (2015), segundo álbum em carreira solo, o ex-integrante da Hidrocor apresenta ao público o primeiro fragmento do novo registro de inéditas: Muda. Trata-se de uma canção essencialmente leve, acolhedora, íntima do material produzido pelo músico paulistano durante a construção do bucólico Lenhador, de 2013.

Gravado nas ilhas Berlengas, em Portugal, o delicado vídeo da composição funciona como uma espécie de passagem para o som intimista e levemente ensolarado do terceiro álbum de estúdio do cantor, o inédito Bicho (2016). Produzido em Lisboa, o registro que tem lançamento previsto para o dia 09 de dezembro ainda conta com uma belíssima ilustração de capa, trabalho produzido pelo artista gráfico Diego Sanches.

 

Marcelo Perdido – Muda

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Sob o título de The Microphones, o cantor e compositor Phil Elvrum, hoje responsável pelo Mount Eerie, deu vida a um vasto imenso de obras caseiras. Trabalhos como os clássicos It Was Hot, We Stayed in the Water (2000) e The Glow Pt. 2 (2001), registros significativos para o amadurecimento da cena independente dos Estados Unidos e, ao mesmo tempo, a principal inspiração para o trabalho de uma variedade de bandas e projetos posteriores.

Para a alegria do público, Elvrum decidiu vasculhar o próprio arquivo, resgatando uma série de faixas inéditas que devem abastecer o “novo” álbum do The Microfones: Early Tapes, 1996 – 1998 (2016). Trata-se de uma coletânea com 16 registros caseiros. São composições de pouquíssimos segundos, até faixas um pouco mais extensas e finalizadas, caso da recém-lançada Compressor, um registro caseiro do músico e seus parceiros de banda dentro de um estúdio caseiro.

 

The Microphones – Compressor

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Arranjos acústicos de um violoncelo se espalham lentamente, sempre minimalistas. Pinceladas de um órgão minucioso, correm ao fundo. Versos límpidos crescem sem pressa, detalhando sentimentos e melancolias de um mesmo personagem. Basta uma rápida audição para que o trabalho produzido pelo músico Justin Carter se revele por inteiro. Um chamber pop hipnótico, naturalmente inimista, estímulo para a construção do single Know It All.

Composição escolhida para apresentar o primeiro álbum de inéditas do músico, The Leaves Fall (2017), Know It All sintetiza parte das influências e conceitos que alimentam o trabalho do jovem artista. Um curioso encontro entre as melodias e vozes testadas pelo Fleet Foxes com a mesma atmosfera minimalista que se espalha entre as canções do último registro de estúdio da cantora Fiona Apple, o elogiado The Idler Wheel… (2012).

The Leaves Fall (2017) será lançado no dia 24/02 via Mister Saturday Night.

 

Justin Carter – Know It All

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Poucas semanas após o lançamento do single Belo Horizonte, o cantor e compositor Pedro Flores entrega ao público o primeiro grande álbum da carreira. Autointitulado, o registro que conta com distribuição pelo selo/coletivo Geração Perdida – casa de artistas como Lupe de Lupe, Jonathan Tadeu e Rio Sem Nome –, mostra a relação do artistas mineiro com a música caipira de raiz, conceito explícito em cada uma das oito faixas do trabalho.

Claramente influenciado pelo som do grupo paranaense Charme Chulo, além, claro, de grandes nomes do folk norte-americano da década de 1960, Flores faz de cada canção ao longo do disco um olhar detalhado sobre o presente. Versos meio cantados, meio declamados que exploram diferentes aspectos da cultura brasileira (Sangue Brasileiro), mergulham em temas existencialistas (Tempo que Passa) e canções intimistas (Eu Nunca Quis).

Pedro Flores – Pedro Flores

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Artista: César Lacerda e Romulo Fróes
Gênero: Indie, Folk, Alternativo
Acesse: http://omeunomeequalquerum.blogspot.com.br/

 

Equilíbrio. Não existe palavra que melhor sintetiza o trabalho da dupla César Lacerda e Romulo Fróes em O Meu Nome é Qualquer Um (2016, Circus / YB). Primeiro registro da parceria entre o cantor mineiro e o músico paulistano, o álbum de arranjos minimalistas e versos ancorados em temas políticos cresce de forma sutil, detalhando uma coleção de versos descritivos, angústias, reflexões e cenários urbanos que servem como pano de fundo para um mesmo personagem.

No disco, uma espécie de anti-herói contemporâneo percorre o Brasil de agora tentando compreender a complexa miríade de assuntos à sua volta. O problema racial, o terceiro sexo, as redes sociais, o assassinato de crianças negras na favela, o amor, a morte“, resume o texto de apresentação da obra. São composições produzidas e gravadas em um intervalo de apenas seis meses, urgência que em nenhum momento se reflete na completa delicadeza do álbum.

Dividido entre as melodias ensolaradas de Lacerda e o tom sóbrio de Fróes, o disco soa como uma extensão adaptada dos dois últimos trabalhos de cada um dos músicos em carreira solo. Vozes, versos e arranjos conceitualmente opostos, mas que acabam se completando no interior do álbum. De um lado, a leveza e o romantismo sonhador que se espalha pelas canções de Paralelos & Infinitos (2015), no outro, a atmosfera cinza que corrói Barulho Feio (2014).

Um bom exemplo disso está na construção de O Homem Que Sumiu, música em que a voz de Fróes ganha destaque, mergulhando em uma coleção de arranjos e temas acústicos, típicos da obra de Lacerda. Uma completa fuga de tudo aquilo que artista paulistano vem produzindo nos últimos anos. No samba Tique Taque, uma inversão. Sempre radiante, a voz do músico mineiro parece encolher, passeia por entre versos declamados e acaba flertando com a obra do parceiro.

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Dias após o lançamento de America, primeiro grande lançamento do Foxygen desde o duplo …And Star Power (2014), Sam France e o parceiro Jonathan Rado estão de volta com uma nova canção inédita. Em Follow The Leader, arranjos orquestrais que dialogam com o clássico Young Americans (1975), de David Bowie se espalham a todo instante, duelando de forma curiosa com a voz de France, tão intenso quanto do ótimo We Are the 21st Century Ambassadors of Peace & Magic, de 2013.

A canção – que chega acompanhada pelo clipe de Cameron Dutra –, anuncia a chegada do quarto álbum de estúdio da dupla californiana. Intitulado Hang, o trabalho de apenas oito faixas indica uma maior coerência por parte dos integrantes da banda, como uma fuga dos excessos cometidos no último registro de inéditas. Junto da dupla, uma orquestra formada por 40 instrumentistas e arranjos que contam com a assinatura do músico Matthew E. White.

Hang (2017) será lançado no dia 20/01 via Jagjaguwar.

 

Foxygen – Follow The Leader

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Artista: Lestics
Gênero: Indie, Folk, Alternativa
Acesse:  http://www.lestics.com.br/

 

Quem acompanha a Lestics desde os dois primeiros álbuns de estúdio, 9 Sonhos e Les Tics, ambos de 2007, há muito deve ter percebido a mudança de sonoridade nos registros produzidos pela banda. Seja pela saída de Umberto Serpieri, grande responsável pelos arranjos dos primeiros discos, ou pela busca do vocalista Olavo Rocha por um mundo de novas possibilidades, a cada trabalho de inéditas, o peso das guitarras e versos se intensifica de maneira explícita.

Em Torto (2016, Independente), sétimo registro de inéditas do grupo paulistano, versos consumidos por uma poesia urbana, temas políticos e pequenas crises existenciais se espalham de forma enérgica em meio a guitarras e batidas densas, por vezes sufocantes. Uma interpretação naturalmente acelerada, crua, da mesma atmosfera cinzenta que deu vida ao excelente Aos Abutres, de 2010, casa de composições como Dorme Que Passa e Tudo É Memória.

Com a faixa-título encaixada logo na abertura do disco, Rocha e os parceiros de banda – Caio Monfort (guitarra), Marcelo Patu (baixo) e Rodrigo Saldanha (bateria) – apontam a direção seguida em grande parte da obra. “Bem vindo ao desconforto / Você que acabou de chegar / Por aqui, quanto mais torto / bem-vindo alguém será”, canta o vocalista enquanto uma solução de guitarras e batidas rápidas se espalham ao fundo da composição, ponto de partida para o restante do álbum.

Na dobradinha formada por Dezembro e Luz da Manhã, o mesmo direcionamento, porém, encarado de forma detalhista, essencialmente sensível. Enquanto os versos seguem amargos, musicalmente, o trabalho da banda cresce e invade a mente do ouvinte. Arranjos levemente empoeirados, carregados de efeitos e guitarras que vão da boa fase do R.E.M., no começo da década de 1980, ao clássico The Queen Is Dead (1986) do grupo britânico The Smiths, principalmente na segunda composição.

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Artista: M O O N S
Gênero: Indie, Folk, Alternativa
Acesse: https://listentomoons.bandcamp.com/

 

Songs of Wood & Fire (2016, La Femme Qui Roule) é um disco que se revela em essência antes mesmo que a primeira música, a instrumental Hunting You, tenha início. Do título bucólico – “canções de madeira e fogo”, em português –, passando pelo trabalho do artista gráfico Jade Marra para a capa do álbum – um momento de afeto e proximidade de um casal –, cada fragmento da obra serve de indicativo para a poesia doce e arranjos sempre delicados de André Travassos na estreia como M O O N S.

Mais conhecido pelo trabalho com o temporariamente extinto grupo Câmera, coletivo responsável por registros como o ótimo Mountain Tops (2014), Travassos faz de cada uma das canções dentro do presente álbum um registro de pura intimidade, leveza e melancolia. Composições marcadas pela dor, saudade ou mesmo ensolarados sussurros românticos, como se o cantor e compositor mineiro fosse capaz de interpretar diferentes personagens e suas histórias ao longo da obra.

“Estávamos frente a frente, tentamos dizer ‘oi’ / Foram os minutos mais longos da minha vida / O silêncio se manteve, mesmo ensurdecedor / Todo o local parecia vazio”, canta na descritiva The Best Thoughts About You, faixa que detalha o reencontro de um casal de forma leve, como se Travassos convidasse o público a provar de diferentes histórias, tormentos e casos de amor. Uma poesia quase narrativa, completa pelo minimalismo dos instrumentos que se espalham ao fundo do álbum.

O dedilhado limpo e os arranjos de cordas em Golden Sun, no melhor estilo Mutual Benefit, guitarras e texturas acústicas em Good Luck Baby, o violão solitário que se espalha e cresce dentro da faixa título do disco, uma atmosfera típica dos trabalhos de Elliott Smith. São pouco mais de 40 minutos em que Travassos e um time de instrumentistas da cena mineira, entre eles Jennifer Souza e o produtor Leonardo Marques, integrantes da Transmissor, ocupam todos as brechas do trabalho.

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Dias após o lançamento da encantadora Golden Sun, é chegada a hora de ter acesso ao primeiro álbum em carreira solo do cantor e compositor mineiro André Travassos: Songs of Wood & Fire (2016). Sob o título de M O O N S, o artista, também integrante do Câmera – grupo responsável pelo ótimo Mountain Tops (2014) –, faz de cada uma das dez composições do disco um ato de puro preciosismo, detalhando melodias aconchegantes e vozes sempre serenas, costuradas por versos intimistas.

Com lançamento pelo La Femme Qui Roule – casa de artistas como Jennifer Souza e JP Cardoso –, o trabalho ainda conta com a participação do músico Leonardo Marques, um dos integrantes da banda mineira Transmissor, além de um time de instrumentistas mineiros. O resultado está na construção de um registro marcado pela leveza dos arranjos, vozes e versos, íntimo do mesmo som produzido por artistas como Iron & Wine, Mutual Benefit, Fleet Foxes e outros nomes fortes da cena estrangeira.

 

M O O N S – Songs of Wood & Fire

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Artista: Weyes Blood
Gênero: Chamber Pop, Indie, Folk
Acesse: https://weyesblood.bandcamp.com/

 

Natalie Mering passou por um lento processo de amadurecimento nos últimos cinco anos. Do lançamento do primeiro disco como Weyes Blood, o obscuro The Outside Room (2011), passando pela produção de obras como The Innocents (2014) e até o EP Cardamom Times (2015), cada trabalho apresentado pela cantora e compositora nova-iorquina parece aproximar o público de um novo universo de possibilidades e temas instrumentais, proposta que se reforça com a chegada do doloroso Front Row Seat to Earth (2016, Mexican Summer).

Movida pela solidão, medos e saudade, Mering faz de cada composição ao longo do registro um claro exercício de exposição do próprio sofrimento. “Você precisa de mim do jeito que eu preciso de você? / Vamos ser sinceros para uma mudança / Você precisa de alguém? / Você precisa do meu amor?”, questiona em Do You Need My Love, um atormentado delírio confessional que resume com naturalidade a dor que abastece grande parte das canções do trabalho.

Em Seven Words, sétima faixa do disco, confissões românticas e versos marcados pelo sofrimento do eu lírico dançam sem pressa no interior da canção. “Com o tempo, ambos estaremos livres dessa bola com correntes … Quando a poeira baixar / E você esquecer que eu estava aqui / Esperando / Pendurada”, canta enquanto uma delicada cortina instrumental desce e cobre toda a base da canção, reforçando a temática dolorosa que Mering usa para dialogar com o ouvinte.

Nos poucos instantes em que a poesia romântica do trabalho deixa de ser um objeto de destaque, a cantora se concentra na produção de faixas que dialogam com o presente. É o caso de Generation Why, música que a artista discute a artificialidade da vida digital e os excessos da geração Y – os Millennials. “Leve-me através das ondas de mudança / Eu sei o meu lugar / É uma coisa bonita / Y-O-L-O, por quê? / Y-O-L-O, por quê? / Y-O-L-O, por quê?”, entrega a letra da canção.

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