Tag Archives: Folk

Sharon Van Etten: “Your Love Is Killing Me”

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Se existe uma certeza dentro da história da música - antiga, recente ou futura – é a de que jamais vão faltar obras alimentadas pelo aspecto triste do amor. Mesmo antes da consolidação da indústria da música, no começo do século XX, sofrer sempre foi encarado como uma fonte natural de inspiração para qualquer compositor. Um campo ilimitado de melodias e versos capazes de revisitar considerações simples, porém, necessárias de um pós-relacionamento. É justamente dentro desse ambiente cinza que Sharon Van Etten fez sua morada e parece extrair toda a base temática para cada disco lançado desde o debut Because I Was in Love, de 2009.

Em evidente crescimento poético, a cantora centrada na região do Brooklyn, Nova York, fez de cada álbum apresentado nos últimos cinco anos uma inteligente transposição das próprias recordações sentimentais. Discos como Epic (2010) e Tramp (2012), que mesmo afundados em temas há muito desgastados por diferentes artistas, conseguiram reforçar identidade e certa dose de ineditismo por conta do catálogo rico (e sofrido) de versos que carregam. Adaptações melancólicas do cotidiano da cantora e obras que servem de alicerce para o bem executado quarto disco de Van Etten, Are We There (2014, Jagjaguwar). Leia a resenha completa.

Assista ao clipe de Sean Durkin para Your Love Is Killing Me.

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Sharon Van Etten – Your Love Is Killing Me

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First Aid Kit: “Stay Gold”

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Desde o primeiro álbum em estúdio, The Big Black and the Blue (2010), as irmãs Johanna e Klara Söderberg nunca pareceram se importar e promover um registro de fato transformador dentro do cenário em que estavam inseridas. Observadas atentamente, cada uma das canções lançadas pelo duo sueco sempre ecoaram de forma a reforçar os sentimentos da dupla, como se as faixas – confessionais, doces ou melancólicas – apenas precisassem existir. Longe de tropeçar em redundância, Stay Gold (2014, Columbia), terceiro álbum do First Aid Kit acerta justamente ao apostar nesse mesmo resultado.

Registro mais acessível da dupla até o momento, o novo disco segue a trilha Country-Folk do registro passado, The Lion’s Roar (2012), aproximando (mais uma vez) o duo dos conceitos lançados em solo norte-americano. Como um passeio pela música de raiz apresentada nos anos 1960/1970, o novo disco se acomoda em melodias simplistas, vozes delicadas e a saudade implícita nos versos de cada criação. Logo, as irmãs Söderberg estão mais uma vez em casa – e o ouvinte também. Leia a resenha completa.

Assista agora ao clipe de Stay Gold.

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First Aid Kit – Stay Gold

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Cult Of Youth: “Roses”

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Por mais que os trabalhos de Sean Ragen sejam marcados pela utilização de arranjos acústicos, a explícita relação do norte-americano com os temas e elementos típicos do Pós-Punk, naturalmente tendem a afastar o ouvinte de um material brando e cômodo. Como bem reforçou durante o lançamento de Empty Faction, há poucas semanas, grande parte das canções assinadas pelo músico para o Cult Of Youth quase sempre mergulham em uma estrutura rápida e crua, formação rompida parcialmente com a chegada de Roses.

Pouco mais extensa que a canção anterior, a nova música cresce lentamente, envolvendo o ouvinte em um jogo de vozes e violões quase acolhedores durante os minutos iniciais. Por vezes íntima do material apresentado por Michael Gira em The Seer, álbum de 2012 do Swans, a canção brinca com a desconstrução das melodias. Assim como o single anterior, a nova música é parte do aguardado Final Days (2014), terceiro disco do Cult Of Youth e obra agendada para 11/11 pelo selo Sacred Bones.

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Cult Of Youth – Roses

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Disco: “Lira Auriverde”, Onagra Claudique

Onagra Claudique
Indie/Alternative/Indie Pop
http://onagra.bandcamp.com/

Por: Cleber Facchi

Canções avulsas, versos prontos, obras descartáveis. Em um contexto sempre dinâmico de registros feitos para o compartilhamento imediato, avaliados apenas pelo número “likes” do usuário, a simples ideia de um disco que “exige tempo” ao ser apreciado parece causar um frio enorme na espinha do espectador. Como administrar composições que ultrapassam os limites do “radiofônico”, apelam para seis, sete, oito minutos de versos descritivos e nenhum refrão? Onde estão as rimas óbvias, o encaixe usual das vozes, além do solo rápido de guitarra? Detalhes plásticos, feitos para grudar como chiclete.

Longe de ser encarado como uma obra anti-comercial, hermética, este é exatamente o plano a ser desbravado pelo ouvinte em Lira Auriverde (2014, Independente), registro de estreia do grupo paulistano Onagra Claudique. Montado em um conjunto de faixas extensas, lírica não apelativa e temas que mergulham no existencialismo natural de jovens adultos, cada segundo do trabalho de dez faixas parece feito para ser explorado pelo espectador, durante todo o percurso da obra, afastado de respostas prontas e temas emergenciais.

Dentro desse enquadramento, não seria um erro interpretar o disco como uma obra “difícil”. Embora acessível em uma primeira audição – vide Poxa e Arrebol -, Lira Auriverde é um trabalho incapaz de entregar ao ouvinte mais afobado todas as respostas. Pelo menos em uma primeira audição. Trata-se de uma obra densa, volumosa e de lírica quase “textual”. De certa forma, um pequeno livro musicado, composição explícita ainda nas inaugurais Urtica Ardens e Teses Taxistas, faixas que parecem reforçar cada palavra como um fruto carnoso – feito para ser absorvido e saboreado lentamente.

Todavia, quem acompanha o trabalho de Roger Valença e Diego Scalada não poderia esperar nada diferente. Desde que as primeiras canções, como Umwelt e Mais Cinco Minutos, apareceram no EP de estreia, A Hora e a Vez de Onagra Claudique (2012), o óbvio, o imediato e a compreensão resumida nunca fizeram parte do trabalho da banda. Lira Auriverde, como qualquer invento prévio da dupla, é uma obra que convida o ouvinte a se perder dentro dela. Sem um refrão de apoio e letra carimbada, cabe ao espectador desvendar cada nuance lírica das canções. Faixas encorpadas por histórias, confissões e temas tão próximos dos próprios criadores, quanto do ouvinte. Continue reading

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Onagra Claudique: “Lira Auriverde”

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No começo de agosto, a banda paulistana Onagra Claudique deu início ao financiamento coletivo para a finalização do primeiro álbum de estúdio, Lira Auriverde (2014). Com a meta alcançada em poucas semanas, Roger Valença e Diego Scalada, além dos produtores Fabio Pinczowski e Mauro Motoki, trataram de dar acabamento ao esperado registro. Lançado com exclusividade aos apoiadores do projeto, o trabalho de dez faixas pode agora ser apreciado livremente.

Disponível para download gratuito pelo bandcamp, o registro de dez faixas ecoa como uma doce continuação do material inicialmente entregue pelo grupo. Com exceção de Arrebol, todo o acervo da obra é de faixas inéditas. Músicas como Urtica Ardens e Sagração, encaixadas no mesmo ambiente contemplativo que a banda desenvolve desde o primeiro EP, A Hora e a Vez de Onagra Claudique (2012). Ouça:

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Onagra Claudique – Lira Auriverde  

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Charme Chulo: “Crucificados Pelo Sistema Bruto”

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No dia 14 de dezembro, grande parte dos veículos nacionais já devem ter fechado suas listas de melhores lançamentos do ano. Um erro. Quem assumir tal decisão vai ter deixado para trás um dos grandes trabalhos de 2014: Crucificados Pelo Sistema Bruto. Terceiro álbum de estúdio da banda curitibana Charme Chulo, o registro duplo é uma coleção de 20 faixas que resume um pouco do “hiato” da banda desde o lançamento de Nova Onda Caipira, em 2009. Com o financiamento do trabalho recém-confirmado pelo Catarse.me, a banda resolveu presentear o público com seis ótimas composições.

Trata-se de um aperitivo do novo álbum; um conjunto de seis composições inéditas que rechearão o mais abrangente ato do coletivo caipira. Além da parceria com Hélio Flanders em Fuzarca, o grupo comandado por Igor Filus e Leandro Delmonico entregou as ótimas Palhaço de Rodeio, É que às Vezes (Melhor é Morar na Fazenda), Dia de Matar Porco, Carcaça Sensacional e Multi Stillus. O nome do disco – uma brincadeira com o clássico Crucificados Pelo Sistema (1984), da banda Ratos de Porão e Sistema Bruto da dupla Chitãozinho & Xororó – resume parte do acervo que deve ser apresentado na íntegra em dezembro. Veja a agenda de shows da banda.

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Charme Chulo – Fuzarca (part. Hélio Flanders)

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Charme Chulo – Palhaço de Rodeio

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Charme Chulo – É que às vezes (melhor é morar na fazenda)

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Charme Chulo – Dia de Matar Porco

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Charme Chulo – Carcaça sensacional

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Charme Chulo – Multi stillus

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Disco: “Too Bright”, Perfume Genius

Perfume Genius
Indie/Chamber Pop/Experimental
https://www.facebook.com/perfumegeniusofficial

Por: Cleber Facchi

Mike Hadreas é um especialista em brincar com os contrastes. Desde o primeiro álbum como Perfume Genius, Learning (2010), o enquadramento sutil dos arranjos segue em oposição ao lirismo grandioso, quase cênico, incorporado em cada verso. Não diferente é a estrutura abordada em Put Your Back N 2 It, obra entregue dois anos mais tarde e uma espécie de extensão (ainda mais) dolorosa do ambiente construído no disco de estreia. Contudo, ao abrir as cortinas do terceiro álbum da carreira, Too Bright (2014, Matador), o compositor revela ao ouvinte uma série de elementos surpresa.

Imenso palco iluminado pelo experimento, o presente registro é uma obra que se expande grandiosa, seduzindo com naturalidade o espectador, sem elementos opositivos. Ainda que marcado por sóbrios instantes de minimalismo, referências típicas do músico, grande parte das canções surgem de forma intensa, “brilhantes” e espalhafatosas,  fazendo valer o título do álbum. Mais uma vez acompanhado pelo produtor Ali Chant e Adrian Utley, do Portishead – responsável pelos sintetizadores do disco -, Hadreas soluciona uma obra em que arranjos e temas funcionam paralelamente, tratando na fluidez dos elementos uma espécie de espetáculo triste.

Parcialmente livre do Chamber Pop claustrofóbico dos dois primeiros álbuns, em Too Bright o compositor deixa de soar como um filho adorado de Antony Hegarty para flertar abertamente com a obra de David Bowie. Ainda que a capa plástica do disco sirva de referência imediata ao trabalho do músico britânico, o uso de arranjos sintéticos – típicos de Station to Station (1976) -, além da estrutura teatral – no melhor estilo Ziggy Stardust -, apenas reforçam a confessa devoção de Hadreas.

Personagem central de própria obra, o cantor regressa ao mesmo território melancólico do álbum de 2012, ressuscitando histórias particulares de seu último relacionamento fracassado. A diferença em relação ao material exposto em faixas como Hood e Dark Parts – todas focadas com amargura no ex-namorado -, está na forma como o cantor parece aos poucos seguir em frente, algo explícito na inaugural I Decline - “Eu posso ver por milhas / A mesma linha velha / Não, obrigado / Eu recuso“. Continue reading

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Sharon Van Etten: “Our Love” (The Juan MacLean Remix)

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De todas as sensações repassados por Sharon Van Etten em Are We There (2014), “dançar” talvez seja a que menos tem chances de passar pela cabeça do ouvinte ao longo da triste obra. Pelo menos até agora. Carregado de melancolia, o quarto álbum de estúdio da cantora norte-americana lentamente se aproxima das pistas graças ao delicado remix de John MacLean para Our Love, uma das mais tristes faixas do último trabalho da artista.

Ainda que pareça feita para promover a obra de Van Etten, a bem executada versão serve de aviso para a chegada de In A Dream (2014), mais recente álbum do produtor à frente do The Juan MacLean. Ainda que dividido com a vocalista Nancy Whang (ex-LCD Soundsystem), o mérito do remix é todo de MacLean, responsável por estender a base soturna da versão original da faixa, bem como os vocais precisos da cantora folk, tão convincente em seu formato original, quanto “eletrônico”.

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Sharon Van Etten – Our Love (The Juan MacLean Remix)

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Itasca: “After Dawn” e “Nature’s Gift”

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Leonard Cohen, Joni Mitchell, Jessica Pratt, Grouper, Juliana Barwick e até Lana Del Rey. Bastam os primeiros segundos de After Dawn, mais recente lançamento da nova-iorquina Kayla Cohen para perceber o universo vasto de referências que definem o Itasca, projeto solo da musicista. Movido apenas pelo uso de voz e violão – além de alguns ruídos -, o trabalho é um passeio pelas confissões mais dolorosas e intimas da artista, personagem central da própria obra.

Dotada de voz rara e imponente – elemento que deve encantar os apaixonados pelo trabalho de Laura Marling -, Cohen revela nas primeiras criações a matéria-prima para primeiro grande álbum da carreira: Unmoored By The Wind (2014). Com lançamento prevista para o dia 14 de outubro pelo selo New Images, de Matt Mondanile (Ducktails, Real Estate), o registro deve manter a mesma singeleza e complexidade das primeiras criações,  entre elas a sóbria Nature’s Gift, apresentada logo abaixo.

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Itasca – After Dawn

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Itasca – Nature’s Gift

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Cult Of Youth: “Empty Faction”

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É impressionante a sonoridade encontrada por Sean Ragon com o Cult Of Youth dar sobrevida ao tão desgastado Pós-Punk. Em uma direção contrária ao que Interpol e outros nomes mais comerciais do gênero insistem em projetar, o músico nova-iorquino faz de cada novo lançamento em estúdio um diálogo com a essência do estilo e, ao mesmo tempo, uma imposição renovada do gênero dentro da cena atual. Precisa de um exemplo? Que tal os três minutos de Empty Faction, mais recente lançamento do artista e passagem para o novo álbum do COY: Final Days (2014)

Soando como uma versão “resumida” de tudo aquilo o que Michael Gira vem desenvolvendo com o Swans desde The Seer (2012), a presente canção representa de forma assertiva o título de “post-industrial Pet Sounds” encontrado por Ragon para definir o novo trabalho. Recheado de parcerias, Final Days estreia no dia 11 de setembro e é o primeiro álbum da banda desde a estreia de Love Will Prevail, em 2012.

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Cult Of Youth – Empty Faction

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