Tag Archives: Folk

Marissa Nadler: “Drive”

Marissa Nadler

.

Há mais de uma década Marissa Nadler se divide entre as ambientações etéreas do Dream Pop e as confissões “simplistas” do Folk. Um cruzamento de experiências que fez nascer obras fundamentais da música norte-americana recente, como Songs III: Bird on the Water (2007) e Little Hells (2009). Com o novo lançamento da cantora, July (2014), não poderia ser diferente. Triste, o disco se acomoda em uma constelação de versos confessionais e sempre melódicos, movimento imposto nas transições acústicas de Drive.

Escolhida como a mais recente “música de trabalho” da artista, a faixa soluciona tanto os vocais operísticos de Nadler, como a base fina dos violões. Propositalmente lenta, a música cresce ainda mais por conta do clipe recém-lançado pela musicista. Com direção assinada pela inspiração confessa de Marisa, Naomi Yang, do grupo Galaxie 500, o trabalho se desenvolve com leveza, abraçando o mesmo tratamento lírico/instrumental da canção.

.


Marissa Nadler – Drive

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , , , ,

Disco: “With Light And With Love”, Woods

Woods
Folk/Psychedelic/Indie
http://www.woodsist.com/woods/

Por: Cleber Facchi

Woods

Desde a estreia, há quase uma década, cada trabalho lançado pelo quarteto nova-iorquino Woods funciona dentro de uma atmosfera de conforto e emanações típicas de uma fórmula própria. Seja na estrutura irregular de At Rear House (2007), um belo exemplar do movimento Freak Folk, ou dentro das emanações litorâneas de Bend Beyond, lançado em 2012, os inventos assinados pelo grupo norte-americano jamais rompem com um proposital limite estético. Um efeito que reverbera de forma continuada no recente With Light And With Love (2014, Woodsist), mas que curiosamente ecoa como novidade a cada doce melodia.

Ainda apontado para as décadas de 1960 e 1970, o oitavo registro em estúdio de Jeremy Earl, Jarvis Taveniere, Aaron Neveu e John Andrews usa da limpidez das formas instrumentais como um ponto de novidade. Rompendo com a produção continua do grupo, que desde 2009 vem lançando um novo álbum por ano, o registro de 10 faixas usa dos dois anos de produção como uma ferramenta transformadora. Sim, temos em mãos as mesmas experiências sonoras retratadas desde How to Survive In (2006), estreia do grupo, porém, a ausência de ruídos e a quebra das emanações caseiras entregam ao ouvinte um projeto renovado.

Na trilha de novatos, como o duo Foxygen, a banda nova-iorquina abraça a psicodelia sem romper os laços com o pop. Seja em canções efêmeras, caso de New Light, ou atos extensos como o da faixa título – com mais de nove minutos de duração -, cada composição explorada pela obra dança em um habitat sereno, a ser desvendado com parcimônia. De caráter homogêneo, o disco se movimenta em um senso de completude, como se a chave para cada canção fosse explorada na faixa que a antecede, e assim por diante. Trata-se de uma obra marcada pelas melodias – uma experiência que aprimora toda a essência da banda.

Como Size Meets the Sound, Cali In a Cup e demais faixas comerciais do trabalho passado já haviam anunciado, a busca do Woods em conquistar uma parcela ainda maior de ouvintes se revela de forma natural e cada vez mais frequente. Se em começo de carreira o interesse dos integrantes era o de “parecer estranho”, hoje pouco disso parece ter sobrevivido. Basta observar músicas como Full Moon e Moving to the Left, faixas que se adornam de pequenos clichês do folk/rock clássico em um linguagem hipnótica, quase fabricada para as massas. Uma exposição que mesmo evidente não distorce o tecido cuidadoso que se esparrama pelo álbum. Continue reading

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , ,

Walter Martin: “We Like The Zoo (‘Cause We’re Animals Too)” (Ft. Matt Berninger)

The Walkmen

.

Pelo visto o anúncio de que o The Walkmen entraria em hiato para que seus integrantes investissem em projetos paralelos não era mentira. Depois de Hamilton Leithauser, vocalista do grupo nova-iorquino abrir passagem para o primeiro disco em carreira solo, o esperadíssimo Black Hours (2014), chega a vez de outro integrante da (extinta) banda apresentar as próprias criações. Trata-se do baixista e um dos criadores do grupo Walter Martin, músico que transformou a recém-lançada We Like The Zoo (‘Cause We’re Animals Too) em uma completa fuga de suas antigas faixas.

Pacata, excêntrica e estranhamente pueril, a canção é parte do disco We’re All Young Together (2014), estreia solo de Martin e um disco para… Crianças. O mais curioso disso tudo talvez seja ver o beberrão Matt Berninger, vocalista do The National, como um dos convidados da faixa. Com lançamento anunciado para o dia 13 de maio pelo selo Family Jukebox, o álbum ainda conta com a presença de Karen O (Yeah Yeah Yeahs), convidada para a música Sing To Me, também disponível abaixo.

.

Walter Martin – We Like The Zoo (‘Cause We’re Animals Too) (Feat. Matt Berninger)

.

Walter Martin – Sing To Me (feat. Karen O)

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , , , , , , ,

Disco: “Range of Light”, S. Carey

S. Carey
Folk/Indie/Singer-Songwriter
http://scarey.org/

Por: Cleber Facchi

S. Carey

Desde que Justin Vernon apresentou ao público o segundo registro em estúdio pelo Bon Iver, em 2011, parte expressiva da cena folk estadunidense seguiu a trilha melancólica deixada pelo cantor. Guitarras acústicas, efeitos eletrônicos e a constante manipulação das vozes. Imposição que esbarra na obra solo de Jim James (My Morning Jacket), reverbera de forma precisa no último álbum de James Vincent McMorrow (Post Tropical), mas que funciona de forma ainda mais assertiva no interior de Range of Light (2014, Jagjaguwar), novo álbum do velho parceiro de Vernon, S. Carey.

Sucessor do autêntico All We Grow (2010) e quase uma continuação dos inventos testados em Hoyas EP (2012), o novo disco é uma plena expansão do universo do compositor. Ainda que a sonoridade absorvida seja a mesma de Vernon, cada passo dado no interior do novo registro ecoa presença e incontestável identidade, marca que vai da inaugural Glass / Film, ao fechamento sublime que pontua Neverending Fountain, ato final daquela que é a obra mais concisa do norte-americano.

Brincando com o Folk em uma estrutura particular, Carey deixa de lado o experimentalismo torto para reforçar o uso de melodias sempre precisas, ainda que leves. Minimalista em essência, o registro funde tanto a tonalidade sorumbática de Elliott Smith, como o lirismo quase místico de Nick Drake, um cruzamento que funciona de maneira particular, sem que para isso transforme o álbum em um registro copioso ou pouco abrangente. Há confissão, presença vocal e a construção de pequenos cenários bucólicos, estratégia que dança de forma sempre aproximada no interior do disco.

Talvez o aspecto mais curioso do álbum não esteja na forma como vozes e arranjos se comportam no decorrer das faixas, mas na maneira como a percussão orquestra com singeleza a composição do disco. Baterista de longa data, Carey atravessa o disco posicionando acréscimos minimalistas de batidas e ruídos percussivos, ferramenta que garante real sentido ao álbum, ao mesmo tempo em que distancia o músico de grande parte dos cantores do gênero. Uma essência branda que vai do Pós-Rock do Talk Talk aos contornos sintéticos de Björk no álbum Vespertine (2001). Continue reading

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Sharon Van Etten: “Taking Chances”

Sharon

.

Com a chegada do melancólico Tramp, há dois anos, Sharon Van Etten conseguiu dar novo acabamento ao projeto que vinha desenvolvendo desde o fim da última década. Brincando com as próprias confissões, a artista atravessou os limites do folk, encontrando nas transições pelo rock alternativo um mecanismo de consistência para os próprios versos. Agora é chegada a hora da cantora reforçar ainda mais esse cenário, fazendo da música Taking Chances uma passagem para o inédito Are We There.

Quarto registro solo da musicista, o álbum previsto para 27 de maio parece seguir as mesmas pistas de Torres, Angel Olsen e demais compositoras recentes. São quase quatro minutos em que a voz de Van Etten dança equilibrada pelas guitarras, fazendo do encontro um ponto de sustento para a formação precisa dos versos. Brincando com as cartas do Tarô, Sharon e o diretor Michael Palmieri apresentam agora o clipe da canção.

.


Sharon Van Etten – Taking Chances

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , ,

First Aid Kit: “My Silver Lining”

First Aid Kit

.

A timidez que acompanhou os primeiros anos da dupla Johanna e Klara Söderberg dentro do First Aid Kit está longe de ser replicada. Em um sentido de afastamento ao que The Big Black & The Blue, registro de estreia da dupla sueca trouxe em 2010, My Silver Lining, novo single do duo, reforça uma intensa relação com o disco anterior, o elogiado The Lion’s Roar, lançado oficialmente em janeiro de 2012.

Com um pé no Folk dos anos 1970 e outro na psicodelia do mesmo período, a canção dança com liberdade por entre as referências. São toques de música Country, pitadas de Baroque Pop e um efeito típico do Chamber Pop que ocupa todos os instantes da música. Intensa, a música abre passagem para o terceiro registro em estúdio das duas irmãs, Stay Gold (2014), álbum que será apresentado oficialmente no dia 10 de junho pela Columbia Records.

.


First Aid Kit – My Silver Lining

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , , , ,

Woods: “With Light And With Love”

Woods

.

Como Leaves Like Glass e Moving To The Left bem conseguiram representar, a busca pelo folk dos anos 1960 parece guiar em totalidade a presente fase do Woods. Em constante produção desde o meio da década passada, quando o grupo nova-iorquino apareceu oficialmente com At Rear House (2007), cada novo registro em estúdio da banda parece movido por uma estética nostálgica, imposição que deve orientar com certa dose de novidade o novo projeto do grupo: With Light And With Love (2014).

Com lançamento anunciado para o dia 15 de abril pelo selo Woodsist, da própria banda, o novo registro deve ampliar as preferências já reveladas em Sun and Shade (2011) e Bend Beyond (2012), dois últimos lançamentos da banda. Recém-lançada, a faixa-título mostra toda a versatilidade do grupo, que além de esbarrar no folk e em outras preferências antigas, traz na massa de sons psicodélicos um estímulo natural. São nove minutos que resumem décadas de experiências musicais, além, claro, da própria sonoridade da banda.

.


Woods – With Light And With Love

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , ,

Disco: “Lenhador”, Marcelo Perdido

Marcelo Perdido
Indie/Folk/Alternative
http://marceloperdido.com.br/

Por: Cleber Facchi

Marcelo Perdido

Mais do que ser apresentado como um artista, Marcelo Perdido deve ser observado como um trabalhador. Tendo nas experiências musicais um complemento ao esforço cotidiano – que está longe de se relacionar exclusivamente com a música -, o músico “paulistano” encontra no uso de pequenas melodias e versos brandos um refúgio. Não por acaso a busca por uma clareira criativa parece dar título e movimento lírico ao primeiro invento solo do músico, Lenhador (2014, Independente). Um registro pontuado pela singeleza dos arranjos, mas alimentado em essência pelo esforço dos sentimentos, temas e toques amargurados de desamor.

Em um sentido de oposição e ao mesmo tempo proximidade ao trabalho anunciado em sua antiga banda, a falecida Hidrocor, Perdido usa do presente álbum como um objeto de experimento. Ainda que as melodias doces e vozes tímidas sejam capazes de se comunicar naturalmente com o som exposto há dois anos – em Edifício Bambi (2012) -, cada música do presente álbum abraça a descoberta como uma ferramenta de sofisticação. Um cenário dividido entre a limpidez e o artesanal, dualidades que estimulam ainda mais um mergulho involuntário no isolamento do próprio autor.

Perturbado sem deixar de convencer musicalmente, o presente disco se acomoda em meio a um conjunto de temas sempre subjetivos e versáteis. São canções capazes de brincar com personagens (Vincent, William e José), cenários (Paquetá) e sentimentos (Aritimética) ao mesmo tempo em que reforçam as particularidades do cantor – direcionamento exposto logo na inaugural faixa-título. Assim como no exercício testado em Edifício Bambi, Perdido continua a cantar sobre si próprio e o universo que o rodeia, esforço que em nenhum instante esbarra no hermetismo típico de obras do gênero.

Enquanto trilha um catálogo de faixas propositalmente simples, vide Meu maravilhoso amigo meu ou a encantadora Sacolé (parceria com Laura Lavieri), Perdido esculpe com parcimônia um detalhista infinito particular. São histórias ambientadas em um cenário urbano, movido por temas recentes e que aos poucos firmam nessa desenvoltura um abrigo inevitável para confortar o visitante. A poesia que abastece as faixas não dá voltas, pelo contrário, simplifica, fala sobre amor, sobre tomar sorvete ou apenas caminhar na rua com naturalidade. Sim, Perdido canta sobre ele, mas isso não quer dizer que o ouvinte acabe de fora desse cenário. Continue reading

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , , , , , , ,

Marcelo Perdido: “Lenhador”

Marcelo Perdido

.

O fim das atividades da Hidrocor, em 2013, de forma alguma pôs fim ao folk confortável proposto pelo cantor e compositor Marcelo Perdido. Em um sentido de continuidade e ainda assim transformação em relação ao som conquistado ao lado do velho parceiro Rodrigo Caldas, Perdido abre as portas do delicado Lenhador (2014), primeiro registro em carreira e a continua busca por um universo universo de composições abrandas, movidas pela serenidade das confissões e o uso atento dos acordes.

Dissolvido em 14 composições – boa parte delas apresentadas ao longo dos meses -, o cantor assume no decorrer do presente álbum um cuidado talvez maior do que o anterior Edifício Bambi (2012), registro concebido com a extinta banda. Músicas como Aritimética, É Pimenta e Sacolé (parceria com Laura Lavieri) que brincam com a atmosfera compacta lançada pelo músico. Apresentado oficialmente hoje (24), Lenhador pode ser apreciado na íntegra logo abaixo ou baixado gratuitamente na página do músico. O show de lançamento do álbum está previsto para o próximo domingo (30) na Casa do Mancha, em São Paulo.

.

Marcelo Perdido – Lenhador

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , , , ,

Disco: “Lost in the Dream”, The War On Drugs

The War On Drugs
Indie/Alternative/Psychedelic
http://www.thewarondrugs.net/

Por: Cleber Facchi

The War On Drugs

As melodias aprimoradas que abasteceram Future Weather EP (2010) e Slave Ambient (2011) são apenas ensaios perante o catálogo de possibilidades anunciadas com o novo álbum do The War On Drugs. Intitulado Lost in the Dream (2014, Secretly Canadian), o terceiro registro em estúdio da banda de Philadelphia, Pennsylvania, vai além das melodias detalhistas assinadas por Adam Granduciel – letrista, compositor e grande mente aos comandos do projeto. Trata-se de uma obra em expansão, um terreno instrumental/lírico que busca revelar a própria essência da banda, mas que ainda mantém íntima a aproximação com os sons lançados há quatro ou cinco décadas por um arsenal de velhos artistas.

Muito mais abrangente e curioso do que o trabalho que o antecede, o novo álbum mostra que Granduciel assume na plena expansão dos instrumentos – guitarras, sintetizadores e bateria – um estágio de natural provocação. É como se toda a calmaria proclamada no disco de 2011 fosse posta em xeque, como se uma pedra fosse atirada no lago de emanações serenas, quase bucólicas, exaltadas pela banda. No meio desse conjunto de experiências onduladas, o Country esbarra na psicodelia, o Folk dança pelo Dream Pop e a mente do espectador, como as canções, flutua livremente.

Naturalmente particular – proposta que esculpe não apenas os temas do disco, mas a presença de Granduciel quanto mente única da obra -, Lost in the Dream aos poucos se manifesta como um passeio pela mente de seu criador. Ainda que sejam necessários os versos intimistas (e amargos) de Suffering, terceira faixa do disco, para perceber o grau de isolamento do trabalho, bastam os instantes iniciais de Under the Pressure para que o músico assuma toda a confissão triste que banha o álbum. Mais do que um registro corrompido pelas experiências erradas do amor, o presente disco é uma obra que encara a velhice, o isolamento e o próprio crescimento como uma preferência constante.

Assumindo uma série de conceitos lançados por Bruce Springsteen há três décadas – principalmente em álbuns como The River (1980) e Nebraska (1982) -, Granduciel encontra no novo disco marcas que exploram a efemeridade dos sentimentos. São composições como Red Eyes, An Ocean in Between the Waves e Eyes to the Wind que fundem a aquietação sentimental do músico com elementos típicos da natureza, tratamento que tinge o disco com uma atmosfera constante de despedida e natural liberdade. Faixas que seguem a melancolia da estrada ou encontram no isolamento de um dia chuvoso a base para o existencialismo que se apoderem da obra. Mais do que sofrer, Lost In The Dream é uma obra que busca interpretar as percepções humanas. Continue reading

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,