Tag Archives: Folk

Marcelo Perdido: “Lição”

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Com o encerramento das atividades da dupla Hidrocor, não seria uma surpresa que Marcelo Perdido, vocalista e principal compositor do projeto, logo mergulhasse em um novo trabalho. Ainda que ambientado ao mesmo ambiente “artesanal” de Ed. Bambi (2012), último lançamento ao lado do velho parceiro Rodrigo Caldas, em Lenhador (2014), o cantor e compositor paulistano encontrou a passagem para um universo ainda mais intimista e naturalmente acolhedor.

Embora não faça parte do último álbum de perdido, difícil ouvir a melancólica Lição e não relacionar ao trabalho entregue há poucos meses pelo cantor. Produzida ao lado do velho parceiro Felipe Parra, a composição ganha ainda mais destaque por conta das imagens assinadas por Bruno Graziano e retiradas do filme O Acre Existe. Segundo o próprio músico: “A letra é uma viagem sabática interior e a eterna busca para se achar“.

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Marcelo Perdido – Lição

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Angel Olsen: “Windows”

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Mais de quatro décadas separam Blue (1971), obra-prima da compositora canadense Joni Mitchell, do recém-lançado Burn Your Fire for No Witness (2014, Jagjaguwar), segundo e mais recente trabalho de estúdio de Angel Olsen. Ainda que os caminhos assumidos pelas duas artistas sejam bastante particulares – e quase opositivos em determinados aspectos líricos -, o princípio de orquestração temática de cada obra permanece o mesmo: a melancolia escancarada de um coração partido.

Apoiada em elementos lançados há décadas pela veterana, Olsen, longe de se afundar no martírio alcoólico das palavras, tenta sobreviver a qualquer custo, ensaio pontuado nos gritos de desespero que percorrem toda a obra. Menos tímido que o exercício proposto há dois anos com Half Way Home (2012), trabalho de estreia da novata, o presente álbum é um projeto que encontra nos arranjos clássicos – principalmente o Folk da década de 1970 -, um instrumento atento de comunicação com as palavras. Bases convencionais e pequenas fagulhas Lo-Fi que apenas reforçam a grandeza sóbria dos versos impostos pela cantora. Leia a resenha completa.

No vídeo produzido para Windows, a natural sutileza de Rick Alverson, um dos principais diretores em atuação e responsável por obras visuais como Magic Chords, de Sharon Van Etten e Goshen ’97 do Strand Of Oaks.

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Angel Olsen – Windows

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Christopher Owens: “America”

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Em A New Testament, lançado há poucos meses, Christopher Owens resolveu assumir uma direção contrária em relação ao som explorado no debut solo Lysandre (2013). Entre elementos do Gospel, R&B e Country, o ex-vocalista do Girls reforçou o uso das guitarras, evitando a mesma sonoridade branda detalhada no álbum anterior.

Excluída do presente disco, a recém-lançada America talvez seja a melhor representação do som incorporado no álbum de 2013. Em uma estrutura sutil, Owens lentamente espalha acordes simples de violões, evitando qualquer traço de exagero. Nos versos confessionais, um relato da adolescência do músico, resgatando o momento em que o Owens abandonou o culto Children Of God para seguir a própria vida.

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Christopher Owens – America

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Disco: “…And Star Power”, Foxygen

Foxygen
Psychedelic/Indie/Rock
http://foxygentheband.com/

Por: Cleber Facchi

A julgar pelos conceitos incorporados desde a estreia do Foxygen com Take the Kids Off Broadway, de 2012, Sam France e Jonathan Rado encontraram no rock dos anos 1960 a base para um exercício de ambientação. Diferente de outros grupos recentes, caso de MGMT, Temples ou mesmo da gigante Tame Impala, o duo californiano pouco se interessa em adaptar o som letárgico incorporado há mais de quatro décadas. Pelo contrário, cada novo registro se transforma em uma obra de transposição.

Ponto alto dessa viagem nostálgica foi a passagem por We Are the 21st Century Ambassadors of Peace & Magic (2013), álbum que não apenas transportou a dupla norte-americana para o fim dos anos 1960, como ainda carregou o próprio ouvinte. Vocalizações suaves, versos marcados pela confissão, LSD e um passeio quase documental pelo “Verão do Amor”. Não fosse o anúncio da gravadora e a já conhecida identidade da banda, talvez o segundo álbum da Foxygen passasse despercebido como uma peça esquecida de 1967.

Em uma estrutura quase linear, como um passeio pela linha do tempo do rock clássico, France e Rado mergulham agora na década de 1970. Típico retrato do período em que busca inspiração, …And Star Power (2014, Jagjaguwar) abafa a suavidade do antecessor em meio a guitarras distorcidas, versos adornados pela crueza e declarados abusos lisérgicos. São 24 músicas inéditas, 82 minutos de duração e uma representação quase caricatural do cenário musical pré-Punk.

Misto de sátira e homenagem, cada música do registro se articula como a representação de uma vertente, cena ou sonoridade específica. Há um pouco de Pink Floyd nas harmonias de Cosmic Vibrations ou mesmo nos quatro atos de Star Power Suite; Lou Reed e David Bowie no pop experimental de I Don’t Have Anything/The Gate; Brooklyn Police Station soa como uma canção suja de Iggy Pop e até a dupla Suicide rasga temporariamente o disco na curtinha Hot Summer. Como dito, desenvolver um “som novo” nunca foi o propósito do Foxygen. Continue reading

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Jessica Pratt: “Back, Baby”

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Quem se encantou pelo trabalho de Jessica Pratt no autointitulado debut de 2012 será surpreendido com Back, Baby. Mesmo que as melodias econômicas, vocais quase sussurrados e temas acolhedores ainda sirvam de estímulo para o trabalho delicado da californiana, basta uma atenta audição para perceber a mudança no posicionamento estético de Pratt. Entre suspiros melancólicos e gracejos pueris, a artista lentamente acolhe o espectador, confortável em uma camada de versos românticos e sorridentes; encaixes vocais tão íntimos de Nico, quanto de Joni Mitchell na década de 1970.

Assim como as (novas) canções apresentadas ao vivo nos últimos meses, a presente criação faz parte do segundo registro solo de Pratt. Intitulado On Your Own Love Again, o álbum conta com distribuição pelo selo Drag City – casa de Ty Segall, White Fence e Bill Callahan -, tendo a estreia anunciada para o dia 27 de janeiro de 2015. Se você ainda desconhece o trabalho de Pratt, vale revisitar todo o material do primeiro disco.

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Jessica Pratt – Back, Baby

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José González: “Every Age”

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Voz, violões e um punhado de sentimentos. Desde a estreia em carreira solo com Veneer, em 2003, a beleza em relação ao som de José González sempre esteve relacionada ao detalhamento simples dos elementos incorporados pelo músico sueco. Sussurros melancólicos acompanhados de parcos ruídos acústicos. Passados sete anos desde que apresentou ao público o último registro solo, In Our Nature (2007), González regressa ao mesmo cenário aconchegante para desembrulhar Every Age, peça de apresentação do esperado Vestiges & Claws (2015).

Primeiro invento particular do músico depois de um longo hiato, a sutil composição mostra que mesmo os dois discos pela banda paralela Junip – Fields (2010) e Junip (2013) – não interferiram nos projetos individuais de González. Em um exercício de reapresentação, o cantor espalha acordes e vocais simples lentamente, acolhendo o ouvinte no interior da faixa. Tão coerente quanto a composição é o vídeo desenvolvido para ela e dirigido por Simon Morris e Chris Higham: o planeta Terra recriado pela lente de uma câmera enviada de balão ao espaço.

Com lançamento pelo selo Mute, Vestiges & Claw estreia oficialmente em 17 de fevereiro de 2015.

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José González – Every Age

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Disco: “Crucificados Pelo Sistema Bruto”, Charme Chulo

Charme Chulo
Indie/Rock/Alternative
http://charmechulo.com.br/

Por: Cleber Facchi

O som da viola caipira, personagens e paisagens bucólicas, um olhar detalhista (e cômico) sobre a vida no campo. Do universo temático que apresentou a banda curitibana Charme Chulo em 2007, pouco parece ter sobrevivido. Dentro de Crucificados Pelo Sistema Bruto (2014, Independente), terceiro álbum de estúdio do grupo paranaense, apenas solos de guitarra, correria, estrada e paisagens urbanas vistas da janela de um caminhão. Um espaço cinza, distante do mágico panorama esverdeado dos primeiros registros, mas que clama pelo “êxodo urbano”, vide a declarada É Que Às Vezes (Melhor É Morar na Fazenda).

Em um exercício nostálgico e atual, Igor Filus (voz), Leandro Delmonico (guitarra, viola caipira, vocais), Hudson Antunes (baixo) e Douglas Vicente (bateria) fazem do presente disco uma adaptação urbana (não intencional) de tudo aquilo que a banda trouxe como marca nos primeiros álbuns. Os filmes de Mazzaropi, o pós-punk de grupos como The Smiths e até mesmo o contraste entre o romantismo, de Chitãozinho & Xororó, com o punk rock, do Ratos de Porão – o próprio nome do disco é uma brincadeira com os clássicos Crucificados Pelo Sistema (1984), da banda paulistana e Sistema Bruto da dupla sertaneja.

Mesmo extenso – são 20 composições divididas em dois discos -, CPSB curiosamente ecoa de forma muito mais dinâmica e “comercial” em relação ao trabalho anterior da banda, Nova Onda Caipira (2009). Livre de um apelo conceitual como o título e determinadas faixas possam indicar, o grupo interpreta cada música como um ato isolado, a ser explorado sob maior “descompromisso” pelo espectador. Travessias por qualquer centro urbano (Novos Ricos), personagens (Meu Peito É Um Caminhão Desgovernado) e confissões (Palhaço de Rodeio): cada peça do álbum nasce como um leve crônica musicada.

Entre fragmentos autônomos e peças aleatória do imenso quebra-cabeça que sustenta o disco, basta uma audição atenta para isolar os dois atos específicos que movimentam a banda em CPSB. Partindo de Palhaço de Rodeio até a derradeira Caipirinha, no primeiro álbum, enquanto os arranjos de Delmonico abraçam (com leveza) o experimento – vide o funk em Ninguém Mandou Nascer Jacu -, a lírica assinada em parceria com Filus se entrega ao tom satírico. Do sertanejo universitário em Bruta Alegria - “Ô Ô ô Ô Aê Aê Êa” – aos versos de duplo sentido em Fuzarca – “mas tudo por você” / “masturbo por você” -, cada suspiro (lírico ou vocal) reflete uma proposta essencialmente bem-humorada. Continue reading

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Sharon Van Etten: “Your Love Is Killing Me”

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Se existe uma certeza dentro da história da música - antiga, recente ou futura – é a de que jamais vão faltar obras alimentadas pelo aspecto triste do amor. Mesmo antes da consolidação da indústria da música, no começo do século XX, sofrer sempre foi encarado como uma fonte natural de inspiração para qualquer compositor. Um campo ilimitado de melodias e versos capazes de revisitar considerações simples, porém, necessárias de um pós-relacionamento. É justamente dentro desse ambiente cinza que Sharon Van Etten fez sua morada e parece extrair toda a base temática para cada disco lançado desde o debut Because I Was in Love, de 2009.

Em evidente crescimento poético, a cantora centrada na região do Brooklyn, Nova York, fez de cada álbum apresentado nos últimos cinco anos uma inteligente transposição das próprias recordações sentimentais. Discos como Epic (2010) e Tramp (2012), que mesmo afundados em temas há muito desgastados por diferentes artistas, conseguiram reforçar identidade e certa dose de ineditismo por conta do catálogo rico (e sofrido) de versos que carregam. Adaptações melancólicas do cotidiano da cantora e obras que servem de alicerce para o bem executado quarto disco de Van Etten, Are We There (2014, Jagjaguwar). Leia a resenha completa.

Assista ao clipe de Sean Durkin para Your Love Is Killing Me.

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Sharon Van Etten – Your Love Is Killing Me

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First Aid Kit: “Stay Gold”

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Desde o primeiro álbum em estúdio, The Big Black and the Blue (2010), as irmãs Johanna e Klara Söderberg nunca pareceram se importar e promover um registro de fato transformador dentro do cenário em que estavam inseridas. Observadas atentamente, cada uma das canções lançadas pelo duo sueco sempre ecoaram de forma a reforçar os sentimentos da dupla, como se as faixas – confessionais, doces ou melancólicas – apenas precisassem existir. Longe de tropeçar em redundância, Stay Gold (2014, Columbia), terceiro álbum do First Aid Kit acerta justamente ao apostar nesse mesmo resultado.

Registro mais acessível da dupla até o momento, o novo disco segue a trilha Country-Folk do registro passado, The Lion’s Roar (2012), aproximando (mais uma vez) o duo dos conceitos lançados em solo norte-americano. Como um passeio pela música de raiz apresentada nos anos 1960/1970, o novo disco se acomoda em melodias simplistas, vozes delicadas e a saudade implícita nos versos de cada criação. Logo, as irmãs Söderberg estão mais uma vez em casa – e o ouvinte também. Leia a resenha completa.

Assista agora ao clipe de Stay Gold.

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First Aid Kit – Stay Gold

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Cult Of Youth: “Roses”

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Por mais que os trabalhos de Sean Ragen sejam marcados pela utilização de arranjos acústicos, a explícita relação do norte-americano com os temas e elementos típicos do Pós-Punk, naturalmente tendem a afastar o ouvinte de um material brando e cômodo. Como bem reforçou durante o lançamento de Empty Faction, há poucas semanas, grande parte das canções assinadas pelo músico para o Cult Of Youth quase sempre mergulham em uma estrutura rápida e crua, formação rompida parcialmente com a chegada de Roses.

Pouco mais extensa que a canção anterior, a nova música cresce lentamente, envolvendo o ouvinte em um jogo de vozes e violões quase acolhedores durante os minutos iniciais. Por vezes íntima do material apresentado por Michael Gira em The Seer, álbum de 2012 do Swans, a canção brinca com a desconstrução das melodias. Assim como o single anterior, a nova música é parte do aguardado Final Days (2014), terceiro disco do Cult Of Youth e obra agendada para 11/11 pelo selo Sacred Bones.

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Cult Of Youth – Roses

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