Tag Archives: Folk

Sharon Van Etten: “Remembering Mountains” (Karen Dalton Cover)

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Marissa Nadler, Julia Holter, Laurel Halo, Isobel Campbell e Lucinda Williams. Essas são algumas das cantoras que integram a coletânea Remembering Mountains: Unheard Songs By Karen Dalton (2015), trabalho que resgata uma série de poemas nunca antes musicados da cantora e compositora Karen J. Dalton, entregando ao público uma versão particular sobre a obra da artista, em atuação entre os anos 1960 e 1990, porém, dona de um limitado acervo em estúdio.

Convidada para inaugurar a sequência de 11 faixas da obra, além de responsável por assumir arranjos e vozes da música que concede título ao álbum, Sharon Van Etten transforma a melancólica Remembering Mountains em uma canção tão íntima dos inventos de Karen Dalton, quanto de sua própria obra. A julgar pelos tormentos que ocupam os versos e se estendem até os pianos entristecidos da canção, não seria difícil “encaixar” a criação de Dalton dentro do último registro solo de Van Etten, Are We There (2014).

Remembering Mountains: Unheard Songs By Karen Dalton será lançado no dia 26/05 pelo selo Tompkins Square.

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Sharon Van Etten – Remembering Mountains (Karen Dalton Cover)

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Gouveia Phill: “Sol de Oro”

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Duas músicas pelo “preço” de uma. Essa parece ser a melhor definição para o trabalho do músico paraibano Gouveia Phill na recém lançada Sol de Oro. Mais recente criação do artista de João Pessoa – uma das mentes aos comandos do Glue Trip -, a composição de quase sete minutos assume um caminho particular em relação aos últimos lançamentos do guitarrista – Salvat’oria, Serena e Therd´ominia -, dosando emanações psicodélicas em meio a arranjos típicos do Folk e Alt. Country.

Na primeira metade, um dedilhado doce coberto por ruídos eletrônicos e sons “matutinos”, um pequeno suspiro antes da chuva (literal) que separa os dois blocos da mesma canção. Em uma montagem/divisão abrandada, o uso de sons “fechados”, melancólicos e quase próximos do obscuro marcam o segundo ato da faixa, transportando o ouvinte para dentro de uma trilha sonora involuntária ou música de fundo para qualquer clássico do Western norte-americano nos anos 1950 e 1960.

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Gouveia Phill – Sol de Oro

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Moses Sumney: “Seeds”

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Passar os últimos anos em turnê ao lado de Sufjan Stevens trouxe benefícios evidentes para o trabalho do iniciante Moses Sumney. Habitante do mesmo universo confessional de Stevens – principalmente quando observamos o recente álbum do cantora, Carrie & Lowell (2015) -, o músico de Los Angeles, California, começa a dar os primeiros passos em fase solo, transformando Seeds – lado A do single 7″ lançado pela Terrible Records – em uma fina mostra do trabalho que deve desenvolver pelos próximos anos.

Voz e violões tratados com leveza, versos melancólicos e uma estranha atmosfera de acolhimento. Como a imagem da planta que cresce na capa do single, Sumney, sem grandes dificuldades, logo invade e ocupa a mente do ouvinte, abastecido pela letra entristecida do jovem músico. Enquanto Pleas, lado B do mesmo single não é apresentada ao público, correr atrás de outras canções assinadas pelo músico parece ser a melhor solução. No Youtube, Replacable e Plastic refletem o mesmo detalhe e voz límpida encontrados em Seeds.

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Moses Sumney – Seeds

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Tobias Jesso Jr.: “Without You” (VÍDEO)

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Emoção“, “tristeza“, “sofrimento“. Palavras que invadem a mente do ouvinte tão logo a enxurrada sentimental de Goon (2015, True Panther) tem início em Can’t Stop Thinking About You. Harmonias tímidas de piano, uso controlado, quase imperceptível, de temas percussivos; vocal limpo, esculpido pela angústia do cantor; conceitos, personagens e pequenas confissões redundantes, há décadas desgastadas em diferentes campos da música. Os mesmos versos tristes de amor e separação, o mesmo coração partido, porém, retratado de forma honesta e estranhamente acolhedora por Tobias Jesso Jr.

Mary Ann, eu perdi você em um sonho / Em seguida, o sonho se tornou realidade“. Os versos que inauguram o primeiro registro solo do músico canadense apontam a direção triste que define o restante da obra. São quase 50 minutos em que tormentos pessoais, personagens (femininos) e incontáveis delírios alcoólicos brincam com a percepção amargurada de Jesso Jr, em poucos minutos, uma representação compatível de qualquer ouvinte sofredor. Ainda que vocais “sorridentes” tentem sobreviver ao longo do trabalho, é a tristeza que sustenta e ocupa as brechas de cada canção. Leia o texto completo.

Uma das composições mais tristes – e são muitas – de Goon (2015), estreia solo de Tobias Jesso Jr., Without You ganha agora um clipe dirigido por Seth Mendelson. Assista:

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Tobias Jesso Jr. – Without You

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Torres: “Cowboy Guilt”

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A leve mudança de direção apresentada por Torres em Sprinter, faixa-título do segundo álbum de estúdio da cantora está longe de parecer o ápice na recente fase da musicista. Em Cowboy Guilt, mais nova canção de Mackenzie Scott, pequenas doses de experimento pontuadas por guitarras irregulares apontam a direção do novo trabalho da cantora. Um meio termo entre o som cru de PJ Harvey nos anos 1990, St. Vincent pós-Strange Mercy (2011) e, claro, muito do homônimo álbum entregue por Torres em 2013.

São melodias quebradas, a voz quase oculta pelos efeitos e captação em baixa qualidade, elementos encaixados de forma curiosa, um complemento para os versos nostálgicos que exploram a infância da cantora no Sul dos Estados Unidos. Não chega a ser uma faixa de essência experimental, apenas uma doce manipulação de referências, conceitos particulares da vida de Torres, mas que, estranhamente, se adaptam de forma a resolver uma tímida canção pop.

Sprinter (2015) conta com lançamento previsto para 05/05 pelo selo Partisan.

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Torres – Cowboy Guilt

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Disco: “Carrie & Lowell”, Sufjan Stevens

Sufjan Stevens
Indie/Singer-Songwriter/Folk
http://sufjan.com/

 

Sufjan Stevens sempre me pareceu um grande contador de histórias. Por trás do inofensivo dedilhado de violão lançado pelo artista de Michigan, uma tapeçaria imensa de personagens, recortes fictícios, acontecimentos políticos que marcaram a história norte-americana ou mesmo contos transformados em música doces e envolventes. Basta voltar os ouvidos para o clássico Illinois, de 2005, onde a vida do palhaço/assassino serial John Wayne Gacy, Jr. foi explorada com sensibilidade única, constante temática na obra do músico, um habilidoso artesão no controle dos sentimentos, capaz de converter detalhes (e temas) tão particulares, em peças facilmente absorvidas por qualquer ouvinte.

Mas e as histórias do próprio Stevens, suas angústias, medos e desilusões: onde elas estão? Ainda que tenha atravessado os últimos 15 anos em meio a delicadas confissões românticas, tormentos e temas cotidianos, poucas vezes o universo particular do cantor estadunidense foi apresentado com tamanha clareza e sensibilidade quanto em Carrie & Lowell (2015, Asthmatic Kitty). Sétimo trabalho de inéditas do artista, o álbum vai além de um regresso aos planos acústicos que lançaram o instrumentista no começo dos anos 2000, revelando um mergulho soturno na conturbada estrutura familiar do cantor – a base temática que se espalha em cada faixa do registro.

Da imagem desgastada que estampa a capa do álbum – o casal (real) formado por Carrie e Lowell, mãe e padrastro de Stevens – passando pelos versos, sussurros e histórias entristecidas da obra, todas as peças do projeto se juntam para contar a história e, de certa forma, homenagear a mãe do cantor, Carrie, morta em 2012 depois de passar por meses de tratamento contra um câncer no estômago. Esquizofrênica, depressiva e alcoólatra, a “protagonista” deixou o filho e o ex-marido em meados dos anos 1970, voltando a revê-los anos mais tarde, quando se casou com Lowell, acolhendo o pequeno Stevens durante cinco férias de verão. Um história simples, porém, explorada de forma atenta, a matéria-prima para o retrato sorumbático que começa (pelo fim) em Death with Dignity e se estende até Blue Bucket Of Gold.

Ainda que esteja aberta a diferentes interpretações, a história que sustenta toda a estrutura de Carrie & Lowell é apresentada de forma clara, esquiva de possíveis bloqueios líricos. Trata-se de uma jogo de versos confessionais, puramente honestos, como o diário fragmentado de um indivíduo – a criança que habita a mente de Stevens – tentando encarar o mundo conturbado dos adultos em busca da própria aceitação. Como fica explícito nos primeiros minutos do álbum, em Death With Dignity – os últimos instantes de vida de Carrol -, com a presente obra, Stevens foge de uma estrutura linear, brincando com um roteiro quase cinematográfico instável; um misto de passado e presente tão próximo do cantor, quanto do próprio ouvinte, instantaneamente confortado nos versos descritivos da obra. Continue reading

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The Tallest Man On Earth: “Dark Bird Is Home”

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Ainda que tenha deixado o ambiente “caseiro” dos dois primeiros registros da carreira – Shallow Grave (2008) e The Wild Hunt (2010) -, os sentimentos e confissões exploradas por Kristian Matsson ainda são os mesmos dos primeiros anos em estúdio. Seguindo a trilha iniciada no álbum There’s No Leaving Now, de 2012, Matsson continua a explorar uma sonoridade cada vez mais límpida e arranjos aprimorados com o The Tallest Man On Earth, preferências que logo se transforma em emoção dentro da recém-lançada Dark Bird Is Home.

Faixa-título e também canção de encerramento do quarto LP do músico norte-americano, a nova música parece reforçar a relação de Matsson com o cancioneiro de raiz estadunidense, passeando em meio a elementos do Alt. Country, típico do começo dos anos 2000, como dos primeiros discos de Bob Dylan, influência explorada não apenas na voz característica do artista. Esta é a segunda música do novo álbum a ser apresentada, sendo a primeira a complexa Sagres, entregue ao público há poucas semanas.

Dark Bird Is Home (2015) conta com lançamento previsto para o dia 12/05 pelo selo Dead Oceans.

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The Tallest Man On Earth – Dark Bird Is Home

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Sufjan Stevens: “Exploding Whale”

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Quem acompanha o trabalho de Sufjan Stevens sabe que o cantor e compositor norte-americano não consegue descansar enquanto o ouvinte não for soterrado por uma avalanche de projetos e faixas inéditas. Mesmo depois de surpreender o público com as melodias tímidas e versos particulares que atravessam o delicado Carrie & Lowell (2015), Stevens ainda reserva aos ouvintes algumas novidades. Além do especial de natal que começa a ser gravado nos próximos meses, o músico de Detroit, Michigan, abada de apresentar mais uma composição inédita: Exploding Whale.

Praticamente uma sobra do trabalho anterior do músico, o “eletrônico” The Age of Adz (2010), a peça com quase seis minutos de duração, se acomoda em meio a vocais brandos, uso controlado de efeitos sintéticos, além do dedilhado permanente de violões. Difícil não lembrar da dupla Boards Of Canada a cada movimento preciso dos sintetizadores matutinos que preenchem a canção. Lançada como um vinil 7”, Exploding Whale vem sendo vendida nas apresentações ao vivo de Sufjan, e, para a sorte do público, acaba de ser digitalizada, disponível para audição logo abaixo.

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Sufjan Stevens – Exploding Whale

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Sufjan Stevens: “No Shade In The Shadow Of The Cross”

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O explícito reforço no uso de sintetizadores, batidas e arranjos eletrônicos incorporados em The Age of Adz (2010) pareciam afastar Sufjan Stevens do mesmo ambiente compacto, acústico, dos primeiros trabalhos de estúdio. A julgar pelo continuo reforço e maior aproveitamento de novas sonoridades a cada novo registro, a expectativa para o sétimo álbum do músico norte-americano seria a de um projeto ainda mais focado em elementos sintéticos, completamente livre da ambientação “orgânica” lançada em 2003 com Michigan.

Entretanto, com o anúncio do sétimo registro oficial do cantor, Carrie & Lowell (2015), a promessa de uma obra acústica, voltada aos primeiros anos de Stevens, serviu de estímulo para atrair a atenção do público. Prova dessa “visita” ao passado do músico está em No Shade In The Shadow Of The Cross, o primeiro single do novo álbum. Em uma estrutura econômica, inspirada pela história da própria mãe e padrasto – personagens centrais do disco -, Stevens lentamente transporta o ouvinte para o mesmo cenário criado pelo compositor no começo dos anos 2000.

Previsto para o dia 31 de março, Carrie & Lowell conta com distribuição pelo selo Asthmatic Kitty.

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Sufjan Stevens – No Shade In The Shadow Of The Cross

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Disco: “Natalie Prass”, Natalie Prass

Natalie Prass
Indie/Alt. Country/Chamber Pop
http://natalieprassmusic.com/

Do momento em que tem início My Baby Don’t Understand Me, até o movimento final de It Is You, a sensação de fragilidade que preenche a obra de Natalie Prass é clara, perturbadora e ainda capaz de acolher o ouvinte. Protagonista da própria obra, a cantora e compositora estadunidense transforma o autointitulado primeiro registro de estúdio em um mundo aberto para confissões amarguradas e lamentos tão íntimos, que até parecem moldados para o ouvinte.

Ativa em diferentes núcleos da cena norte-americana, Prass atravessou a última década em meio a parcerias com notáveis da produção alternativa, caso de Jenny Lewis e Matthew E. White, posteriormente fixando residência na cidade de Nashville – o epicentro da música country. Com naturalidade, todo esse catálogo de “referências” se faz visível em cada ato do recente trabalho da cantora, tão próxima dos primeiros registros da “ex-Rilo Kiley” – principalmente no debut Rabbit Fur Coat (2006) -, como do recente trabalho de White – Big Inner (2012) -, parceiro desde a adolescência e produtor do álbum ao lado de Trey Pollard.

De natureza melancólica, como um sussurro alcoólico em uma noite de abandono, cada uma das nove composições do disco borbulham os sentimentos mais dolorosos (e confessionais) de Prass. Recortes essencialmente sensíveis, como os de My Baby Don’t Understand Me (“Nosso amor é como um longo adeus“) ou mesmo raivosos, caso de Your Fool (“Todas as promessas que eu fiz / E você me abandonou“), em que a cantora imediatamente conversa com gigantes da música Country – talvez Dolly Parton e Dusty Springfield -, além de artistas recentes do mesmo cenário, vide a herança explícita de Neko Case e Gilian Welch durante todo o trabalho.

Mais do que uma peça referencial, centrada no diálogo com diferentes fases (e nomes) do cancioneiro norte-americano, a homônima obra de Prass aos poucos sustenta o próprio cenário conceitual. Longe da redundância de bases acústicas e versos penosos – arrastados em excesso -, durante toda a obra os produtores White e Pollard encaixam arranjos de cordas bem resolvidos, estruturas melódicas de composição minimalista e acordes suavizados que se relacionam de forma inteligente com a voz compacta da cantora. Continue reading

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