Justin Vernon passou as últimas semanas preparando o terreno para o lançamento de 22, A Million (2016). Terceiro registro em estúdio do artista como Bon Iver, o álbum de apenas 10 faixas mostra a busca do cantor e compositor norte-americano por um som parcialmente transformado, íntimo de uma série de conceitos da música eletrônica, como uma fuga do material produzido há cinco anos durante o lançamento do elogiado segundo registro em estúdio.

Com três grandes composições já apresentadas ao público – 22 (OVER S∞∞N), 10 d E A T h b R E a s T ⊠ ⊠ (Extended Versions) e 33 God –, Vernon escolheu o programa da britânica Annie Mac para revelar mais uma das canções presentes no novo disco. Intitulada 8 (Circle), a canção que conta com pouco mais de cinco minutos talvez seja a faixa que mais se aproxima do antigo trabalho do cantor, efeito do uso contido dos vocais e temas eletrônicos que cercam a faixa.

22, A Million (2016) será lançado no dia 30/09 via Jagjaguwar.

 

Bon Iver – 8 (Circle)

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É difícil não se emocionar com o trabalho produzido por Natalie Mering. Cantora e compositora responsável pelo Weyes Blood, a artista norte-americana reserva para o meio de outubro a chegada do segundo álbum de inéditas da carreira, Front Row Seat To Earth (2016). Sucessor dos elogiados The Innocents (2014) e Cardamom Times EP, este último, lançado há pouco menos de um ano, o aguardado registro acaba de ter mais uma de suas canções reveladas ao público: Do You Need My Love.

Marcada pelos detalhes, a nova faixa confirma a travessia de Mering pelo som produzido no meio da década de 1970, proposta anunciada durante o lançamento deSeven Worlds, há poucas semanas, porém, reforçada com naturalidade dentro da presente faixa. Um ato extenso, íntimo dos trabalhos de Karen Dalton. Pouco mais de seis minutos em que a cantora explora de forma melancólica os próprios sentimentos, mergulha em um oceano de temas orquestrais e vozes em coro, revelando ao público uma de suas composições mais delicadas. O clipe da canção conta com direção de Natalie Mering.

Front Row Seat To Earth (2016) será lançado no dia 21/10 via Mexican Summer.

Weyes Blood – Do You Need My Love

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Artista: Devendra Banhart
Gênero: Folk, Indie, Alternativo
Acesse: http://www.devendrabanhart.com/

 

Poucas vezes antes Devendra Banhart pareceu tão acessível, íntimo do grande público, quanto nas canções de Mala (2013). Oitavo álbum de estúdio do cantor e compositor norte-americano, o trabalho de melodias doces e versos essencialmente românticos parecia indicar a busca do músico por um novo universo de possibilidades. Uma fuga declarada da atmosfera “hippie” de obras como Rejoicing in the Hands (2004) e passagem para um ambiente cada vez mais pop, por vezes comercial.

Nono registro de inéditas do cantor, Ape in Pink Marble (2016, Nonesuch) segue exatamente de onde Banhart parou há três anos. Mergulhado em uma atmosfera de sons enevoados, por vezes minimalistas, o cantor explora com leveza e plena coerência o uso da própria voz, costurando uma sequência de versos marcados pela saudade (Middle Names), calorosas confissões românticas (Souvenirs) e temas consumidos de forma explícita pela melancolia dos sentimentos (Saturday Night).

Discípulo confesso de Caetano Veloso, Banhart faz de Ape in Pink Marble um novo e precioso diálogo com a música brasileira. Acompanhado de perto pelos parceiros de produção Noah Georgeson (The Strokes, Joanna Newsom) e Josiah Steinbrick (Charlotte Gainsbourg, Rodrigo Amarante), o músico norte-americano delicadamente estreita a relação com a Bossa Nova, adaptando arranjos de violão (Good Time Charlie) e vozes sussurradas (Linda) típicos da obra de João Gilberto.

Em Theme for a Taiwanese Woman in Lime Green, sexta faixa do disco, uma perfeita representação do fascínio do músico pelo trabalho de gigantes da MPB. Enquanto um delicado tecido romântico cobre toda a sequência de versos lançados pelo cantor – “I wanna love you once more / Even though we’ve never loved before” –, musicalmente, Banhart e os parceiros de estúdio exploram as nuances do samba, detalhando fragmentos instrumentais e melodias minimalistas durante a construção de toda a faixa.

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Artista: Jack White
Gênero: Folk, Rock, Blues
Acesse: http://jackwhiteiii.com/

 

Em mais de duas década de carreira, não é difícil imaginar a imensa quantidade de registros caseiros, sobras e esboços acumulados por Jack White em estúdio. Composições que atravessam toda a sequência de obras produzidas em parceria com Meg White, no The White Stripes, trabalhos assinados de forma colaborativa com outros artistas, como The Raconteurs e The Dead Wheater, além, claro, da sequência de músicas compostas a partir de Blunderbuss (2012), primeiro trabalho do guitarrista em carreira solo.

Com a chegada da coletânea Acoustic Recordings 1998-2016 (2016, Third Man), mais recente lançamento do cantor e compositor norte-americano, uma coesa adaptação acústica, por vezes intimista, de grande desse material acumulado pelo músico nos últimos 20 anos. Entre violões, pianos, arranjos de cordas e vozes límpidas, White acaba estreitando ainda mais a própria relação com o Country/Blues, interpretando de forma delicada o arranjo de uma série de faixas tradicionalmente movidas pelo uso das guitarras.

Dividido em três blocos de canções, o álbum que conta com quase 1h30 minutos de duração começa com uma delicada visita de White ao passado, resgatando fragmentos da discografia do The White Stripes. Das 26 composições presentes no interior do disco, 14 pertencem ao projeto que apresentou o músico. São faixas como Hotel Yorba, originalmente gravada no clássico White Blood Cells (2001), além de músicas que passam por obras como Get Behind Me Satan (2005) e Icky Thump (2007).

Do material produzido em parceria com os integrantes do The Raconteurs, White resgata apenas duas canções do álbum Consolers of The Lonely (2008). Enquanto Top Yourself reforça o fascínio do artista pela música de raiz dos Estados Unidos, a crescente Carolina Drama surge parcialmente reformulada. Entre vozes em coro e temas orquestrais, White brinca com a utilização de pequenas melodias detalhistas, encaixando pianolas e arranjos capazes de prender a atenção do ouvinte em alta até o último instante.

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Aos 83 anos, Leonard Cohen se prepara para apresentar ao público o 14º registro de inéditas da carreira. Intitulado You Want It Darker (2016), o sucessor dos ótimos Old Ideas (2012) e Popular Problems (2014), mostra que o cantor e compositor canadense continua tão intimista, sedutor e provocativo quanto no início da carreira, sensação reforçada com a chegada da faixa-título do trabalho, uma canção tão intensa, quanto sutil, minimalista.

Em um ambiente enevoado, cercado pelo uso contido de vozes em coro, Cohen detalha uma letra quase narrativa, detalhando um universo sombrio, referências religiosas e diferentes personagens. Difícil não lembrar do mesmo som produzido pelo músico em Nevermind, um blues levemente orquestrado pelo uso de temas eletrônicos, composição escolhida como música de abertura da segunda temporada de True Detective.

You Want It Darker (2016) será lançado no dia 21/10 via Columbia.

 

Leonard Cohen – You Want It Darker

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Artista: Wilco
Gênero: Indie, Folk, Alternative
Acesse: http://wilcoworld.net/schmilco/

 

Em 2015, Jeff Tweedy e os parceiros de banda pegaram todo mundo de surpresa com o lançamento de Star Wars. Distribuído gratuitamente pelo site oficial do Wilco, o 9º álbum de estúdio do coletivo de Chicago, Illinois, apresentou ao público um som completamente renovado, leve e intimista, como um fuga do antecessor The Whole Love (2011). A busca declarada por um material cada vez menos complexo, porém, ainda assim provocativo, conceito que volta a se repetir com a chegada do inédito Schmilco (2016, dBpm).

Com título inspirado em um álbum do cantor e compositor Harry Nilsson — Nilsson Schmilsson, de 1971 —, e capa assinada pelo cartunista espanhol Joan Cornellà, o 10º registro de inéditas do grupo é uma obra que se projeta de maneira essencialmente segura, por vezes contida. Da forma como os instrumentos flutuam ao fundo do disco, passando pela voz limpa de Tweedy, exageros ou mesmo instantes de maior experimento são cuidadosamente evitados ao longo do trabalho.

Assim como o registro lançado há poucos meses, Schmilco parece acolher o ouvinte, efeito da explícita leveza instrumental e fino toque de melancolia que sustenta os versos. São composições em que Tweddy resgata com naturalidade uma série de memórias da própria infância (Normal American Kids), se aprofunda na construção de versos amargurados (Someone to Lose) e ainda detalha pequenas reflexões intimistas (Happiness).

Do momento em que tem início até o último sussurro do disco, um mundo de histórias, relacionamentos conturbados e medos que invadem a mente de qualquer indivíduo. A diferença em relação a outros trabalhos do gênero está na forma como Tweedy interpreta todo esse universo de emoções de forma sempre provocativa, forte, mesmo na delicada sobreposição das vozes e arranjos que marcam o registro. Uma lenta desconstrução de diferentes traumas, medos, personagens e suas relações.

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Inspirado em uma série de obras clássicas da música folk/country lançadas em meados da década de 1970, Kevin Morby deu vida a um dos trabalhos mais complexos dos últimos meses: Singing Saw (2016). Uma pequena coleção de faixas marcadas pela utilização de versos políticos, sentimentais e confissões essencialmente honestas, ponto de partida para a construção de músicas como I Have Been to the Mountain, Black Flowers e Water.

Mesmo deixada de fora do mesmo conjunto de faixas, a recém-lançada Tiny Fires reflete todo o potencial do novo trabalho de Morby. Como grande parte das canções produzidas para Singing Saw, a nova composição parece crescer sem pressa, detalhando uma seleção de vozes, sussurros intimistas e arranjos que se completam de forma delicada, reservando para os instantes finais a presença de vozes femininas e pequenos encaixes instrumentais.

 

Kevin Morby – Tiny Fires

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Com mais de duas décadas de carreira, não é difícil imaginar a quantidade de registros caseiros que Jack White deve ter acumulado. Composições que percorrem toda a sequência de obras produzidas em parceria com Meg White, no The White Stripes, trabalhos assinados de forma colaborativa com outros artistas, além, claro, da sequência de músicas compostas pós-Blunderbuss (2012), quando o músico deu início ao próprio trabalho em carreira solo.

Primeira grande coletânea do guitarrista, Jack White Acoustic Recordings 1998-2016passeia por diferentes fases da carreira do músico norte-americano e ainda resgata uma série de faixas que nunca antes foram apresentadas ao público. É o caso de City Lights, um delicado lamento do compositor que acaba encantando justamente pelo completo distanciamento do som produzido nos últimos anos. Um tímido movimento de voz e violão originalmente pensado para o álbum Get Behind Me Satan, de 2005. No clipe da canção, uma nova parceria com o cineasta Michel Gondry, velho colaborador de White.

Jack White Acoustic Recordings 1998-2016 foi lançado no dia 09/09 via Third Man/Columbia.

The White Stripes – City Lights

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Artista: Cass McCombs
Gênero: Indie, Folk, Alternativo
Acesse: http://cassmccombs.com/

 

Em mais de uma década de carreira, Cass McCombs sempre encontrou na força dos próprios sentimentos, medos e confissões os principais ingredientes para a construção de cada novo registro de inéditas. Trabalhos sempre intimistas, caso do inaugural A (2003), disco que apresentou o cantor e compositor californiano no começo da década passada, além dos maduros Catacombs (2009) e Wit’s End (2011), obras que acabaram elevando o som produzido pelo artista a um novo patamar.

Com a chegada de Mangy Love (2016, ANTI-), oitavo álbum em estúdio de McCombs, a sobriedade e nítida experiência do cantor se faz evidente em cada porção do trabalho. São composições em que o músico californiano se revela como um personagem real, em constante movimento, visitando diferentes cenários, seus habitantes e resgatando histórias acumuladas desde o lançamento do duplo Big Wheel and Others (2013), obra em que o artista parecia testar os próprios limites.

Musicalmente versátil, McCombs faz de cada uma das 12 faixas do registro um experimento isolado, testado novas sonoridades e resgatando fórmulas acumuladas desde o início da década passada. Canções como Switch e In a Chinese Valley que tanto poderiam ser encontradas no último álbum do The War On Drugs, Lost In The Dream (2014), como em clássicos da década de 1980, principalmente obras produzidas pelo R.E.M. e até registros que contam com a assinatura de Bruce Springsteen.

Mais do que um amontoado de temas românticos – base de grande parte da discografia do cantor –, Mangy Love mergulha em temas políticos e recentes. É o caso da faixa de abertura do trabalho, Bum Bum Bum. Enquanto os arranjos da canção flutuam com naturalidade, tamanha leveza das guitarras e batidas, nos versos, McCombs detalha um universo de temas urbanos, mergulha no debate sobre racismo e a pressão sofrida pelas minorias e marginalizados nos Estados Unidos.

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É difícil não se emocionar com o trabalho produzido por Natalie Mering. Cantora e compositora responsável pelo Weyes Blood, a artista norte-americana reserva para o meio de outubro a chegada do segundo álbum de inéditas da carreira, Front Row Seat To Earth (2016). Sucessor dos elogiados The Innocents (2014) e Cardamom Times EP, este último, lançado há pouco menos de um ano, o aguardado registro acaba de ter mais uma de suas canções reveladas ao público: Do You Need My Love.

Marcada pelos detalhes, a nova faixa confirma a travessia de Mering pelo som produzido no meio da década de 1970, proposta anunciada durante o lançamento de Seven Worlds, há poucas semanas, porém, reforçada com naturalidade dentro da presente faixa. Um ato extenso, íntimo dos trabalhos de Karen Dalton. Pouco mais de seis minutos em que a cantora explora de forma melancólica os próprios sentimentos, mergulha em um oceano de temas orquestrais e vozes em coro, revelando ao público uma de suas composições mais delicadas.

Front Row Seat To Earth (2016) será lançado no dia 21/10 via Mexican Summer.

 

Weyes Blood – Do You Need My Love

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