Tag Archives: Folk

Loretta Lynn: “Who’s Gonna Miss Me?”

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Um dos principais nomes da música Country norte-americana, a cantora e compositora Loretta Lynn está de volta com um novo trabalho de estúdio. Intitulado Full Circle (2016), o registro previsto para o dia 04/03 é o primeiro álbum da cantora desde o excelente Van Lear Rose, de 2004, obra que conta com produção de Jack White e um dos registros mais importantes da última década. Para apresentar o novo álbum, Lynn entrega ao público a melancólica Who’s Gonna Miss Me?.

Livre das guitarras e temas elétricos incorporados por White há mais de uma década, a nova canção conforta Lynn em uma típica criação das décadas de 1960 e 1970. São arranjos de corda, pianos e batidas comportadas que acompanham de perto a voz forte da cantora. Nos versos, a dúvida perturbadora que acompanha a artista: “Quem vai sentir falta de mim quando eu morrer?“.

Full Circle (2016) será lançado no dia 04/03 pelo selo Legacy Recordings.

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Loretta Lynn – Who’s Gonna Miss Me?

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Whitney: “No Woman” (VÍDEO)

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Casa de artistas como Antony and The Johnsons, jj e The War On Drugs, o selo norte-americano Secretly Canadien reserva para os próximos meses a chegada do primeiro álbum de estúdio do coletivo Whitney. Original da cidade de Chicago, o projeto de Indie Folk soa como uma delicada adaptação do trabalho produzido por diferentes representantes da cena norte-americana. Nomes vindos de campos distintos como Neutral Milk Hotel, Beirut, The Shins ou mesmo Fleet Foxes.

Em No Woman, mais recente composição apresentado pelo grupo, um resumo das melodias delicadas que devem orientar o primeiro álbum de inéditas do septeto. Um rico catálogo de vozes tímidas, versos apaixonadas, metais, arranjos de cordas e uso sempre controlado dos instrumentos de percussão, como se todos os elementos fossem encaixados lentamente no interior da faixa.

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Whitney – No Woman

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Woods: “Sun City Creeps”

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Prontos para um novo álbum do Woods? Em uma sequência de grandes obras que teve início em At Echo Lake (2010) e segue com os ótimos Bend Beyond (2012) e With Light And With Love (2014), os integrantes do grupo nova-iorquino parecem não medir esforços para surpreender o próprio público a cada novo registro de inéditas. Uma seleção de obras assertivas que deve se estender até o inédito City Sun Eater In The River Of Light (2016).

Novo trabalho de inéditas da banda, o registro carrega na recém-lançada Sun City Creeps um leve distanciamento dos últimos projetos de estúdio. São pouco mais de cinco minutos em que o grupo abandona (temporariamente) o folk psicodélico dos anos 1960 para mergulhar no rock da década de 1970. Um conceito explorado com timidez nos dois últimos álbuns, mas que explode no jogo de temas “latinos” da presente canção.

City Sun Eater In The River Of Light (2016) será lançado no dia 08/04 pelo selo Woodsist.

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Woods – Sun City Creeps

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Sonto: “Sonto EP”

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Originalmente gravado em 2011 por César Lacerda, Pedro Carneiro (produtor do álbum Paralelos & Infinitos) e Luiza Brina (Graveola e o Lixo Polifônico), Sonto EP (2016) é uma obra de detalhes e experimentos tímidos. De um lado, as ambientações bucólicas/oníricas de Lacerda e Carneiro, cada vez mais íntimos do trabalho apresentado por gigantes dos anos 1970 – como Milton Nascimento e Nick Drake. No outro, a voz doce, essencialmente acolhedora de Brina, um contraponto romântico e realista, responsável pela sutil colisão de versos que se esbarram no interior da obra.

Entre “ansiolíticos, orixás e máquinas do tempo”, como bem descreve o trio no texto de apresentação da obra, a lenta formação de um mundo particular. Um catálogo curto, apenas seis composições. Faixas que exploram com os tormentos existencialistas de qualquer indivíduo (Da Gente) ou simplesmente mergulham em pequenos conflitos amorosos (De Um Porto). Confissões particulares, mas que poderiam facilmente ser encontrados na obra de Marcelo Jeneci ou mesmo no trabalho de grupos estrangeiros como Fleet Foxes e The Microphones.

Com distribuição gratuita – faça download do disco aqui -, Sonto EP também pode ser apreciado na íntegra pela página do trio no Youtube ou pelo soundcloud no player abaixo. A arte do álbum ficou por conta da mineira Sara Braga, do Sara Não Tem Nome. Quem assina a mixagem do disco é Tomás Alem.

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Sonto – Sonto EP

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Mutual Benefit: “Have Yourself A Merry Lil Xmas”

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É hora de se emocionar e ser soterrado pela avalanche de canções natalinas que tomam conta das últimas semanas de dezembro. Depois de The Killers e Phoenix apresentarem suas composições, chega a vez de Jordan Lee, cantor e compositor responsável pelo projeto de folk Mutal Benefit presentear público com a delicada e confessional Have Yourself A Merry Lil Xmas, um single natalino que conta com downlod gratuito na página do músico.

Pouco mais de um minuto em que Lee passeia pelo mesmo campo melancólico do álbum Love’s Crushing Diamond, de 2013, espalhando vozes e violões essencialmente tímidos. Além da nova canção, Lee reserva para os próximos meses a chegada de um novo trabalho de estúdio, previsto para meados de março, quando o cantor entra em turnê pelos Estados Unidos.

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Mutual Benefit – Have Yourself A Merry Lil Xmas

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Disco: “Natural Born Losers”, Nicole Dollanganger

Nicole Dollanganger
Indie/Dream Pop/Folk
https://nicoledollanganger.bandcamp.com/

 

A veste masoquista de Nicole Dollanganger na capa de Natural Born Losers (2015, Eerie Organization) parece dizer muito sobre o conteúdo das canções assinadas pela musicista canadense. Original da cidade de Stouffville, Ontario, e dona de uma sequência de obras “caseiras” publicadas no bandcamp, Dollanganger faz do primeiro registro oficial um passeio por temas melancólicos e canções de amor que refletem o que há de mais doloroso na vida sentimental da própria artista.

Com distribuição pelo selo Eerie Organization, da conterrânea Grimes, cada uma das faixas do delicado registro se projeta como um lamento musicado, essencialmente sensível e amargo. O mesmo ambiente melancólico compartilhado por Angel Olsen, Marissa Nadler, Jessica Pratt e outras “vizinhas” que atuam na cena estadunidense. Da abertura, com Poarcher’s Pride, ao fechamento, em You’re So Cool, a cantora transforma os próprios medos e tormentos em pequenos diálogos com o ouvinte.

A principal diferença em relação ao trabalho de outras representantes do folk norte-americano está na delicada tapeçaria instrumental que preenche o disco. Ainda que a base acústica de violões e vozes pareça direcionar o material apresentado pela cantora, são os pequenos encaixes de guitarras que brincam com a percepção do ouvinte. Bases e colagens sujas de distorção, como Alligator Blood e In The Land, que distanciam Dollanganger de um som predominantemente acústico e tímido.

Mais do que um objeto de destaque, os arranjos que cercam Natural Born Losers servem apenas de estímulo para o exuberante catálogo de versos que recheiam a obra. “Eu atirei em um anjo com rifle do meu pai / Eu deveria libertá-lo, mas o deixei sangrar”, canta Dollanganger na inaugural Poarcher’s Pride, síntese do lirismo perturbador, por vezes visceral, que abastece a obra da compositora. Uma coleção de temas entristecidos, íntimos de qualquer indivíduo sofredor. Continue reading

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Disco: “Divers”, Joanna Newsom

Joanna Newsom
Folk/Chamber Pop/Singer-Songwriter
http://www.joanna-newsom.com/

 

Se você procurar por Joanna Newsom no Google, dificilmente encontrará um site oficial atualizado ou mesmo contas em diferentes redes sociais. Músicas no Spotify? Somente raras parcerias assinadas ao lado de outros artistas – caso de Right On, do coletivo The Roots. Em entrevistas recentes, a cantora reforçou o completo desprezo pela plataforma e outros serviços de streaming. Salve a seção no site do selo Drag Music, também responsável pela publicação dos vídeos da artista no Youtube, Newsom parece viver isolada, distante da tecnologia, temas e tendências que movimentam o cenário atual.

Prova explícita desse “distanciamento” ecoa no peculiar jogo de palavras que cresce em cada novo trabalho da cantora. Termos arcaicos, não convencionais, como “hydrocephilitic”, “antediluvian” e “Tulgeywood” que acabaram se transformando em objeto de análise (ou piada) em diferentes publicações. Longe da rima fácil, do canto comercial e descomplicado, Newsom parece acomodada em um ambiente próprio, detalhando faixas que ultrapassam os 10 minutos de duração em uma montagem quase textual.

Curioso perceber que mesmo isolada, habitante de um universo tão intimista, poucos artistas atuais exercem um fascínio tão grande no público quanto Joanna Newsom. Basta perceber a infinidade de artigos, publicações e especiais lançados em diferentes veículos nos últimos meses. Se faltam caminhos “oficiais” para chegar até o trabalho da artista, sobram publicações no Reddit e vídeos (ao vivo) compartilhados pelos próprios ouvintes da cantora. Uma euforia coletiva que se sustenta na coesa execução do recém-lançado Divers (2015, Drag City).

Quarto registro de inéditas da cantora e primeiro álbum de estúdio desde o lançamento do triplo Have One On Me, de 2010, Divers sobrevive como uma obra de possibilidades. Ainda que Newsom tenha provado de arranjos experimentais no registro apresentada há cinco anos, poucas vezes antes um disco da cantora norte-americana pareceu tão instável, curioso, quanto o presente lançamento. Longe da habitual zona de conforto testada nos “florestais” The Milk-Eyed Mender (2004) e Ys (2006), Newsom parece testar os próprios limites, costurando ruídos, versos colossais e novos instrumentos em cada uma das 11 faixas da presente obra. Continue reading

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Disco: “Ômega III”, Sara Não Tem Nome

Sara Não Tem Nome
Nacional/Indie/Alternative
http://saranaotemnome.com/

 

É difícil não se identificar com o trabalho da mineira Sara Não Tem Nome. Em Ômega III (2015, Independente), primeiro registro de estúdio de Sara Braga, cantora e compositora original da cidade de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, temas como isolamento, tédio, medo e separação invadem o delicado conjunto de versos assinados pela jovem adulta. Uma coleção de recordações compostos durante a adolescência da artista, mas que permanecem atuais, dolorosas, durante toda a construção da obra.

Basta uma rápida passagem por composições como Água Viva (“Nessa grande piscina de mentiras / Eu não dou pé / Não dou pé / Vou me afogar”) e Páscoa de Noel (“Deus esqueceu de mim / Deus esqueceu de nós”) para que a identificação com o trabalho de Braga seja imediata. Salve o isolamento (quase nonsense) da faixa-título, nada é tão particular dentro do álbum que não possa ser absorvido pelo ouvinte, sempre íntimo do universo de conflitos detalhados no lento desenrolar dos versos.

É são dias difíceis de se viver / É são dias difíceis de se entender”, suspira a cantora na inaugural Dias Difíceis, um retrato tímido de qualquer jovem atormentado, mas também uma faixa que também parece dialogar com o mesmo cenário político, social e econômico do país nos últimos meses. De maneira involuntária, vozes e versos aos poucos se distanciam de um ambiente essencialmente claustrofóbico, estreitando de forma provocativa a relação com o ouvinte.  

Dosando entre instantes de euforia e completo recolhimento, Sara Não Tem Nome parece testar os próprios limites e possibilidades. Enquanto faixas como Ajuda-Me e Atemporal dançam em meio a arranjos de cordas e dedilhados tímidos de violão, composições aos moldes de Água Viva e Carne Vermelha autorizam a interferência direta de guitarras e arranjos fluidos, enérgicos. Um jogo contrastado que serve de estímulo para o ambiente de incertezas moldado pela cantora em grande parte do registro. Continue reading

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Disco: “Harmlessness”, The World Is a Beautiful Place & I Am No Longer Afraid to Die

The World Is a Beautiful Place & I Am No Longer Afraid to Die
Indie/Emo/Post-Rock
https://theworldis.bandcamp.com/

Você não precisa ter sido um adolescente emo ou vivido entre o final dos anos 1990 e início dos anos 2000 para entender todo esse universo de temas e obras tão características. Basta um passeio rápido pelas canções de Harmlessness (2015), segundo álbum de inéditas da banda norte-americana The World Is a Beautiful Place & I Am No Longer Afraid to Die para que todo esse universo nostálgico seja instantaneamente remontado na cabeça do ouvinte. Um convite para reviver a música explorada há uma ou mais décadas sem necessariamente fugir do presente.

Complexo em relação ao antecessor Whenever, If Ever, de 2013, o álbum de 13 faixas e mais de 50 minutos de duração soa como um reflexo do enorme time de instrumentistas que se revezam na construção de cada faixa. Nove integrantes fixos que assumem a produção em estúdio, vozes e bases instrumentais, longe da trinca baixo-guitarra-bateria completo com a utilização de arranjos de cordas, sintetizadores e percussão. Um criativo ponto de convergência que longe de parecer turbulento, ecoa delicadeza e plena concisão por parte de cada componente.   

Assim como no registro entregue há dois anos, em Harmlessness o coletivo de Willimantic, Connecticut continua a brincar com diferentes cenas e universos musicais distintos. Não se trata apenas de reverenciar o trabalho de veteranos como American Footbal, Sunny Day Real Estate e Braid, mas todo o universo de artistas (independentes) que definiram a cena norte-americana no início da década passada. Difícil passar pelas canções do disco e não lembrar de artistas como Death Cab For Cutie, Modest Mouse, Bright Eyes, Jimmy Eat World, Annuals e todo o catálogo de bandas que deram vida à trilha sonora do seriado The O.C.

Ao mesmo tempo em que o grupo estabelece uma espécie de ponte para o passado, com Harmlessness, pequenos traços de identidade definem a obra do TWIABP. São conflitos amorosos (January 10th, 2014), personagens (Willie [For Howard]) e confissões (The Word Lisa) que tingem o trabalho com um romantismo raro. Versos escancaradamente dolorosos, capazes de catapultar o ouvinte da primeira à última faixa, estreitando com naturalidade a relação entre público e banda. Afinal, quem é que não passou pelas mesmas experiências detalhadas em grande parte do disco? Continue reading

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Disco: “B’lieve I’m Goin Down…”, Kurt Vile

Kurt Vile
Indie/Folk/Singer-Songwriter
http://www.kurtvile.com/

A boa fase de Kurt Vile parece longe de chegar fim. Em um ascendente sequência de registros autorais, entre eles os recentes Smoke Ring for My Halo (2011) e Wakin on a Pretty Daze (2013), o compositor e cantor norte-americano encontra no sexto álbum de inéditas uma espécie de fuga da psicodelia bucólica testada nos últimos cinco anos. Versos e arranjos detalhados de forma sempre intimista, passagem para o catálogo de temas sombrios que define cada uma das composições de B’lieve I’m Goin Down… (2015, Matador).

Ainda que temas como abandono, isolamento e depressão sejam encarados com naturalidade dentro dos trabalhos de Vile, marca explícita desde o inaugural Constant Hitmaker (2008), poucas vezes antes o artista original da cidade de Filadélfia, Pensilvânia pareceu abraçar a (própria) tristeza com tamanha delicadeza e comoção quanto no presente disco. Da abertura com Pretty Pimpin – “Eu acordei esta manhã / E não reconheci o homem no espelho” – ao ato final de Wild Imagination – “Eu estou com medo de que estou sentindo muitos sentimentos”, difícil não ser arrastado pela lírica triste e solitária do cantor.

Canto uma canção triste quando estou só / Às vezes você precisa estar só para descobrir as coisas / Seja solitário, mesmo em uma multidão de amigos”, canta Vile na melancólica (e ainda sóbria) Wheelhouse. Quinta faixa do disco, a canção de versos lentos, quase declamados, parece apontar a direção assumida pelo músico em cada uma das 12 faixas que sustentam o disco. Um misto de pessimismo e clareza que destoa do personagem sonhador “interpretado” por Vile até o último disco. Não por acaso o álbum carrega o amargo título de B’lieve I’m Goin Down.

A forma como o disco parece musicalmente planejado tende a reforçar a atmosfera triste das canções. Livre dos temas ensolarados do antecessor Wakin on a Pretty Daze, Vile e o time de instrumentistas convidados para o álbum concentram na produção de bases cíclicas, sempre arrastadas e densas, montagem que parece “sufocar” o ouvinte lentamente. Uma constante sensação de que os temas delicados, por vezes oníricos de Smoke Ring for My Halo, foram agora retratados de forma torta, transformando os versos do compositor em pequenos pesadelos. Continue reading

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