Tag Archives: Folk

Cass McCombs: “Opposite House”

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Com 12 faixas inéditas, Mangy Love (2016) é o novo álbum de estúdio de Cass McCombs. Sucessor de Big Wheel and Others (2013), último registro de inéditas antes da compilação A Folk Set Apart: Rarities, B-Sides & Space Junk, ETC., de 2015, o registro parece seguir a linha dos últimos inventos do cantor e compositor Californiano. Um jogo de rimas apaixonadas, sempre dolorosas, estímulo para a fina tapeçaria acústica que cobre grande parte dos trabalhos do músico.

Mergulhada nesse mesmo universo de reverberações acolhedoras, Opposite House, canção escolhida para apresentar o disco, mostra uma nova faceta do trabalho de McCombs. São movimentos tímidos de guitarra, arranjos de cordas sempre contidos e a voz sussurrada de Angel Olsen, convidada a ocupar os espaços entre o canto triste do músico. Uma completa fuga do desespero inicialmente explorado em obras como Catacombs (2009) e Wit’s End (2011).

Mangy Love (2016) será lançado no dia 26/08 pelo selo ANTI-.

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Cass McCombs – Oposite House

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Whitney: “No Matter Where We Go” (VÍDEO)

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Aos poucos o coletivo Whitney se transforma em um dos projetos mais graciosos e interessantes da presente cena dos Estados Unidos. Comandada por Max Kakacek (ex-integrante do Smith Westerns) e Julien Ehrlich (baterista do Unknown Mortal Orchestra), a banda que nos últimos meses presenteou o público com as delicadas Golden Days e No Woman, acaba de revelar uma de suas canções mais pegajosas até aqui: No Matter Where We Go.

Trata-se de uma encantadora declaração de amor que se estende do primeiro ao último verso. Um jogo seguro de guitarras íntimas dos anos 1970, vozes marcadas pela sutileza e sentimentos sempre confessos. Uma típica composição do UMO, porém, livre da base psicodélica que orienta o trabalho do grupo neo-zelandês. Junto da canção, o grupo aproveita para lançar o clipe da faixa, trabalho dirigido por Alan Del Rio Oritz.

Light Upon The Lake (2016) será lançado no dia 03/06 pelo selo Secretly Canadian.

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Whitney – No Matter Where We Go

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Resenha: “Strangers”, Marissa Nadler

Artista: Marissa Nadler
Gênero: Folk, Dream Pop, Alternative
Acesse: http://www.marissanadler.com/

 

Com mais de uma década de carreira, Marissa Nadler continua a produzir o mesmo tipo de som doloroso e intimista que foi apresentado no inaugural Ballads of Living and Dying (2004). Versos que passeiam pelo universo romântico/doloroso da musicista, sempre disposta a confessar os próprios tormentos e desilusões a cada novo registros de inéditas. Um delicado exercício de exposição sentimental que se reforça com a chegada de Strangers (2016, Sacred Bones / Bella Union), sétimo e mais recente álbum de estúdio da cantora norte-americana.

Sucessor do delicado July (2014), um dos trabalhos mais coesos de toda a discografia de Nadler, Strangers sustenta na temática da separação um assertivo componente para amarrar as diferentes fases e composições que se relacionam diretamente com elementos da vida pessoal da cantora. Um espaço onde personagens metafóricos (Katie I Know, Janie In Love) e relatos pessoais (Hungry Is The Ghost, All The Colors of The Dark) dançam de forma lenta e melancólica.

Inaugurado pela densa Divers of The Dust, o registro de 11 faixas lentas parece pensado para sufocar o ouvinte em poucos segundos. Pianos e vozes sempre profundas, tocantes, como se cada nota de Nadler fosse encarada como a última, a mais dolorosa. Arranjos e versos explorados como parte de um único componente orquestrado pela dor. Lamentos que não apenas se relacionam com o que há de mais triste na vida de qualquer indivíduo apaixonado, como perturbam de maneira propositada.

Assim como no álbum apresentado há dois anos, Nadler flutua com naturalidade entre a timidez da música folk, marca dos primeiros registros de estúdio, e o som enevoado, gótico, que tanto caracteriza a sequência de obras pós-Little Hells (2009). Uma extensão menos “raivosa” e polida do mesmo material entregue pela conterrânea Chelsea Wolfe em Abyss, de 2015. Duas frentes distintas de canções, mas que se abraçam em uma ambientação homogênea, por vezes claustrofóbica como Nothing Feels The Same e demais faixas no encerramento do disco indicam. Continue reading

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Resenha: “Skip a Sinking Stone”, Mutual Benefit

Artista: Mutual Benefit
Gênero: Folk, Indie, Singer-Songwriter
Acesse: http://www.mutualbenef.it/

 

Muito embora tivesse acumulado uma sequência de obras “caseiras” e discos produzidos desde o fim da década passada, foi com o lançamento de Love’s Crushing Diamond, em 2013, que Jordan Lee teve o primeiro álbum do Mutual Benefit oficialmente apresentado ao público. Marcado pelo uso dos detalhes e composições como Advanced Falconry e Golden Wake, o registro continua a servir de base criativa para o norte-americano, percepção reforçada na manipulação sereno dos vocais e arranjos que recheiam o novo trabalho do músico: Skip a Sinking Stone (2016, Mom + Pop).

Tão delicado quanto o registro entregue há três anos, cada faixa do presente disco se orienta de forma a revelar um mundo detalhes e encaixes sempre minimalistas. Não é difícil se perder no interior de cada canção, como se arranjos tímidos fossem ocultos e sutilmente revelados em cada manobra instrumental. Ainda que a curtinha Madrugada, música de abertura do disco, pareça indicar o som arquitetado para o disco, está em Lost Dreamers, quarta faixa do álbum a perfeita representação do som sustenta a obra.

Arranjos de cordas atmosféricos, violões e vozes serenas, batidas sempre controladas, como se um delicioso clima matutino tomasse conta da canção, ponto de partida para todo o restante da obra. Um material que comunga com a mesma proposta de artistas como The Shins, Sufjan Stevens e Fleet Foxes, mas sustenta na plena comunicação entre as faixas um som que parece íntimo apenas dos trabalhos de Mutual Benefit. Em Skip a Sinking Stone, cada composição serve de base para a música seguinte.

De proposta intimista, mais do que uma continuação do trabalho apresentado há três anos, lentamente o registro escancara os sentimentos mais profundos de Lee. “Leve-nos de volta para o passado / E eu não quero que esse amor / Torne-se uma memória”, desaba em Not For Nothing, música que sintetiza toda a paixão (e melancolia) presente no disco. A mesma tristeza volta a se repetir em The Hereafter, canção que transporta o trabalho para o mesmo universo de artistas como Elliott Smith e Jeff Buckley, tamanha confissão que escapa dos versos. Continue reading

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William Tyler: “Sunken Garden”

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Os detalhes estão por todas as partes dentro do novo álbum de William Tyler, Modern Country (2016). Das melodias psicodélicas de Gone Clear, canção escolhida para anunciar o registro, passando pela acústica Kingdom of Jones, composição que mais se aproxima dos primeiros trabalhos do instrumentista, faixa após faixa, Tyler brinca com a colisão de pequenas fórmulas instrumentais e nuances que transportam a mente do ouvinte em poucos segundos.

Prova disso está na ensolarada Sunken Garden. Muito além das guitarras e violões que sempre acompanharam o músico norte-americano, a canção de apenas quatro minutos se aconchega em meio a batidas tímidas, sintetizadores e toda uma colcha de retalhos instrumentais que se espalham ao fundo da composição. Uma base essencialmente delicada, efeito da colaboração entre Tyler e seus parceiros de estúdio – entre eles Glenn Kotche, baterista do Wilco.

Modern Country (2016) será lançado no dia 03/06 pelo selo Merge.

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William Tyler – Sunken Garden

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Band of Horses: “In A Drawer” (Feat. J Mascis)

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Da zona de conforto apresentada em Casual Party para o ambiente parcialmente renovado da recém-lançada In A Drawer, o Band of Horses parece ter dado um verdadeiro salto criativo. Poucas semanas após o lançamento do primeiro single de Why Are You OK (2016), quinto registro de inéditas, uma parceria com o cantor e compositor norte-americano J Mascis (Dinosaur Jr.) faz despertar o interesse pelo novo som do grupo de Seattle.

Composição que melhor reflete a produção de Jason Lytle (Grandaddy) – vide a inserção de uma bateria eletrônica ao fundo da canção e seus pequenos atos instrumentais –, In A Drawer mostra uma banda curiosa. Do duelo vocal entre Ben Bridwell e Mascis, passando pelo uso seguro das guitarras até o instante final da canção, crescente e emocional, parece difícil escapar do som produzido pelo Band of Horses, em evidente declínio desde o álbum Infinite Arms, de 2010.

Why Are You OK (2016) será lançado em junho pelos selos Interscope/American Recordings.

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Band of Horses – In A Drawer (Feat. J Mascis)

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Mutual Benefit: “The Hereafter”

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É impossível não se sentir acolhido pela música de Jordan Lee. Do rico acervo de faixas que marcam o inaugural Love’s Crushing Diamond (2013), passando por faixas recentes como Lost Dreamers e até o single natalino lançado em dezembro do último ano, Have Yourself A Merry Lil Xmas, todas as canções apresentadas pelo cantor e compositor norte-americano parecem dançar com leveza na mente do ouvinte. Em The Hereafter não poderia ser diferente.

Uma das canções que abastecem o esperado Skip A Sinking Stone, novo álbum de estúdio do Mutual Benefit, a faixa de quase cinco minutos precisa de tempo até ser totalmente absorvida pelo ouvinte. Pianos, sintetizadores pueris, vozes brandas, xilofones, arranjos de cordas e toda uma imensa base acústica que cresce como delicado pano de fundo. Um curioso diálogo entre a melancolia de Jeff Buckley e o rico catalogo de melodias exploradas por Sufjan Stevens em clássicos como Michigan (2003), Seven Swans (2004) e Illinois (2005).

Skip A Sinking Stone (2016) será lançado no dia 20/05 pelos selos Mom+Pop/Transgressive/Spunk.

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Mutual Benefit – The Hereafter

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William Tyler: “Kingdom of Jones”

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Com o lançamento de Gone Clear, há poucas semanas, William Tyler parecia seguir um caminho completamente distinto em relação ao material apresentado há três anos com Impossible Truth (2013). Arranjos cada vez mais complexos, carregados de efeitos e texturas instrumentais que apontam para uma direção quase oposta ao conceito originalmente apresentado pelo músico norte-americano. Mudança completa de sonoridade? A resposta chega em Kingdom of Jones.

São pouco mais de três minutos em que o violão de Tyler traz de volta o que há de mais bucólico e sutil no cancioneiro norte-americano. Um dedilhado nostálgico, íntimo dos primeiros registros de inéditas do músico, quase uma fuga do som “psicodélico” testado pelo artista no single anterior. Além de Tyler, Modern Country (2016), novo disco do músico conta com a participação de integrantes do Wilco e do grupo de folk Hiss Golden Messenger.

Modern Country (2016) será lançado no dia 03/06 pelo selo Merge.

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William Tyler – Kingdom of Jones

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Disco: “Sleep Cycle”, Deakin

Artista: Daekin
Gênero: Experimental, Psychedelic, Folk
Acesse: http://myanimalhome.net/

 

De todos os trabalhos produzidos pelo Animal Collective na última década, o presente Painting With (2016) talvez seja o mais raso, fraco. Arranjos e versos que replicam de forma pouco inventiva grande parte do material apresentado pelo coletivo em Merriweather Post Pavilion (2009) e Centipede Hz (2012). Uma possível alternativa para o recente trabalho do grupo de Baltimore? Sleep Cycle (2016, My Animal Home), estreia solo de Josh Dibb como Deakin.

Mais conhecido pela série de obras produzidas em parceria com os demais integrantes do Animal Collective, Dibb aproveita o primeiro registro autoral para revisitar uma série de temas e conceitos instrumentais que apresentaram o grupo norte-americano há mais de uma década. O mesmo folk psicodélico, colorido e essencialmente detalhista que orienta as canções originalmente apresentadas em Sung Tongs (2004) e Feels (2005).

Em produção desde 2009, o trabalho de seis faixas – boa parte delas com mais de sete minutos de duração – delicadamente estabelece um curioso pano de fundo psicodélico. Captações atmosféricas que se encontram com violões tímidos, vozes serenas que mergulham em uma piscina de melodias cósmicas. Da abertura do disco, com Golden Chords, até a chegada de Good House, no encerramento do disco, um mundo de detalhes que se abre para a chegada do ouvinte.

De um lado, composições como Shadow Mine, um respiro experimental que flutua de maneira independente no interior da obra. No outro, músicas extensas, caso de Just Am e Footy, longos ensaios psicodélicos que incorporam referências vindas da década de 1970, resgatam aspectos típicos da discografia do AC e lentamente tecem a identidade musical de Deakin em carreira solo. Continue reading

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Resenha: “Singing Saw”, Kevin Morby

Artista: Kevin Morby
Gênero: Folk Rock, Indie, Singer-Songwriter
Acesse: https://www.facebook.com/kevinrobertmorby/

 

Kevin Morby está longe de parecer um iniciante. São quatro registros de peso como baixista do Woods – Songs of Shame (2009), At Echo Lake (2010), Sun and Shade (2011) e Bend Beyond (2012); dois trabalhos em parceria com Cassie Ramone (ex-Vivian Girls) pelo The Babies – The Babies (2011) e Our House on the Hill (2012) –, além de uma sequência de obras em carreira solo – Harlem River (2013) e Still Life (2014). Ainda assim, é com o recente Singing Saw  (2016, Dead Oceans) que o cantor e compositor norte-americano oficialmente se apresenta ao “grande público”.

Obra mais acessível e madura de toda a discografia de Morby – pelo menos em carreira solo –, o registro que conta com produção de Sam Cohen – músico que já trabalhou com artistas como Norah Jones e Shakira – dá um salto em relação ao material apresentado nos dois primeiros discos de inéditas do cantor. O mesmo folk rock nostálgico inaugurado em Harlem River, porém, encorpado por uma série de novas referências, grande parte delas ancoradas em elementos vindos dos anos 1960 e 1970.

Da relação com a música negra que cresce no canto gospel de Black Flowers e I Have Been to the Mountain, passando pelas guitarras e temas psicodélicos da extensa faixa-título, até alcançar o som intimista de Ferris Wheel, durante toda a construção da obra, Morby e o imenso time de colaboradores brincam com a música lançada há mais de quatro décadas. Um catálogo de ideias que esbarra na obra de Bob Dylan – Blood on the Tracks (1975) – e Neil Young – After the Gold Rush (1970) e Harvest (1972) –, porém, preservando a identidade musical do artista.

Com nove músicas e pouco mais de 40 minutos de duração, Singing Saw é uma obra marcada pelos instantes. Trata-se de um disco essencialmente dinâmico, típico do período que inspira Morby. O canto melancólico em Drunk and On a Star, arranjos e versos comerciais em Destroyer e Dorothy, e pequenos atos de experimento. A diferença está na riqueza dos detalhes – vozes, batidas, guitarras e sintetizadores – que se espalham ao fundo do trabalho e, principalmente, na forma como os versos dialogam com o presente. Continue reading

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