Tag Archives: Folk

Disco: “Too Bright”, Perfume Genius

Perfume Genius
Indie/Chamber Pop/Experimental
https://www.facebook.com/perfumegeniusofficial

Por: Cleber Facchi

Mike Hadreas é um especialista em brincar com os contrastes. Desde o primeiro álbum como Perfume Genius, Learning (2010), o enquadramento sutil dos arranjos segue em oposição ao lirismo grandioso, quase cênico, incorporado em cada verso. Não diferente é a estrutura abordada em Put Your Back N 2 It, obra entregue dois anos mais tarde e uma espécie de extensão (ainda mais) dolorosa do ambiente construído no disco de estreia. Contudo, ao abrir as cortinas do terceiro álbum da carreira, Too Bright (2014, Matador), o compositor revela ao ouvinte uma série de elementos surpresa.

Imenso palco iluminado pelo experimento, o presente registro é uma obra que se expande grandiosa, seduzindo com naturalidade o espectador, sem elementos opositivos. Ainda que marcado por sóbrios instantes de minimalismo, referências típicas do músico, grande parte das canções surgem de forma intensa, “brilhantes” e espalhafatosas,  fazendo valer o título do álbum. Mais uma vez acompanhado pelo produtor Ali Chant e Adrian Utley, do Portishead – responsável pelos sintetizadores do disco -, Hadreas soluciona uma obra em que arranjos e temas funcionam paralelamente, tratando na fluidez dos elementos uma espécie de espetáculo triste.

Parcialmente livre do Chamber Pop claustrofóbico dos dois primeiros álbuns, em Too Bright o compositor deixa de soar como um filho adorado de Antony Hegarty para flertar abertamente com a obra de David Bowie. Ainda que a capa plástica do disco sirva de referência imediata ao trabalho do músico britânico, o uso de arranjos sintéticos – típicos de Station to Station (1976) -, além da estrutura teatral – no melhor estilo Ziggy Stardust -, apenas reforçam a confessa devoção de Hadreas.

Personagem central de própria obra, o cantor regressa ao mesmo território melancólico do álbum de 2012, ressuscitando histórias particulares de seu último relacionamento fracassado. A diferença em relação ao material exposto em faixas como Hood e Dark Parts – todas focadas com amargura no ex-namorado -, está na forma como o cantor parece aos poucos seguir em frente, algo explícito na inaugural I Decline - “Eu posso ver por milhas / A mesma linha velha / Não, obrigado / Eu recuso“. Continue reading

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Sharon Van Etten: “Our Love” (The Juan MacLean Remix)

.

De todas as sensações repassados por Sharon Van Etten em Are We There (2014), “dançar” talvez seja a que menos tem chances de passar pela cabeça do ouvinte ao longo da triste obra. Pelo menos até agora. Carregado de melancolia, o quarto álbum de estúdio da cantora norte-americana lentamente se aproxima das pistas graças ao delicado remix de John MacLean para Our Love, uma das mais tristes faixas do último trabalho da artista.

Ainda que pareça feita para promover a obra de Van Etten, a bem executada versão serve de aviso para a chegada de In A Dream (2014), mais recente álbum do produtor à frente do The Juan MacLean. Ainda que dividido com a vocalista Nancy Whang (ex-LCD Soundsystem), o mérito do remix é todo de MacLean, responsável por estender a base soturna da versão original da faixa, bem como os vocais precisos da cantora folk, tão convincente em seu formato original, quanto “eletrônico”.

.

Sharon Van Etten – Our Love (The Juan MacLean Remix)

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , ,

Itasca: “After Dawn” e “Nature’s Gift”

.

Leonard Cohen, Joni Mitchell, Jessica Pratt, Grouper, Juliana Barwick e até Lana Del Rey. Bastam os primeiros segundos de After Dawn, mais recente lançamento da nova-iorquina Kayla Cohen para perceber o universo vasto de referências que definem o Itasca, projeto solo da musicista. Movido apenas pelo uso de voz e violão – além de alguns ruídos -, o trabalho é um passeio pelas confissões mais dolorosas e intimas da artista, personagem central da própria obra.

Dotada de voz rara e imponente – elemento que deve encantar os apaixonados pelo trabalho de Laura Marling -, Cohen revela nas primeiras criações a matéria-prima para primeiro grande álbum da carreira: Unmoored By The Wind (2014). Com lançamento prevista para o dia 14 de outubro pelo selo New Images, de Matt Mondanile (Ducktails, Real Estate), o registro deve manter a mesma singeleza e complexidade das primeiras criações,  entre elas a sóbria Nature’s Gift, apresentada logo abaixo.

.

Itasca – After Dawn

.

Itasca – Nature’s Gift

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , ,

Cult Of Youth: “Empty Faction”

.

É impressionante a sonoridade encontrada por Sean Ragon com o Cult Of Youth dar sobrevida ao tão desgastado Pós-Punk. Em uma direção contrária ao que Interpol e outros nomes mais comerciais do gênero insistem em projetar, o músico nova-iorquino faz de cada novo lançamento em estúdio um diálogo com a essência do estilo e, ao mesmo tempo, uma imposição renovada do gênero dentro da cena atual. Precisa de um exemplo? Que tal os três minutos de Empty Faction, mais recente lançamento do artista e passagem para o novo álbum do COY: Final Days (2014)

Soando como uma versão “resumida” de tudo aquilo o que Michael Gira vem desenvolvendo com o Swans desde The Seer (2012), a presente canção representa de forma assertiva o título de “post-industrial Pet Sounds” encontrado por Ragon para definir o novo trabalho. Recheado de parcerias, Final Days estreia no dia 11 de setembro e é o primeiro álbum da banda desde a estreia de Love Will Prevail, em 2012.

.

Cult Of Youth – Empty Faction

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , ,

Karen O: “Day Go By”

.

Se você assistiu ao filme Her (2013) e se encantou pela delicadeza da música The Moon Song, presente na trilha sonora da película, é bastante provável que tenha pensado: “Karen O bem que poderia gravar mais músicas assim”. Para a felicidade dos românticos ou daqueles que sempre se encantaram pelos inventos paralelos da cantora norte-americana – vocalista do Yeah Yeah Yeahs -, Karen reserva para nove de setembro a chegada de Crush Songs (2014).

Trata-se do primeiro álbum solo da cantora e uma coleção de temas apaixonados captados a partir de gravações caseiras – apenas voz e violão. Com lançamento pelo selo Cult, o trabalho apresentado pela sujinha Rapt acaba de ter mais uma doce composição apresentada: Day Go By. Míseros dois minutos e 18 segundos de pura confissão, premissa para o material que ocupa todo o registro

.

Karen O – Day Go By

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , ,

Foxygen: “Cosmic Vibrations”

.

Depois de alguns boatos correndo pela internet, possíveis desentendimentos entre os integrantes e até a possibilidade de encerramento das atividades da banda, Jonathan Rado e Sam France estão de volta para mais um novo álbum do Foxygen. Intitulado …And Star Power (2014), o projeto reservado para o dia 14 de outubro parece fluir como uma continuação do último e bem sucedido lançamento do duo, We Are the 21st Century Ambassadors of Peace & Magic (2014)

Passo além da atmosfera Folk do álbum apresentado há poucos meses, o registro distribuído pelo selo Jagjaguwar é um mergulho completo na psicodelia. Exemplo eficiente disso está em Cosmic Vibrations, faixa que transforma todos os erros acumulados nos últimos dois discos do MGMT em acertos claros. Cinco minutos de harmonias chapadas, vozes soturnas e um novo reforço para a ponte levantada pela dupla para o passado.

.

Foxygen – Cosmic Vibrations

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , , ,

Onagra Claudique: “Lira Auriverde”

.

As três canções lançadas pela Onagra Claudique no EP A Hora e Vez de Onagra Claudique, de 2012, foram mais do que suficientes para garantir ao grupo um lugar de destaque na nossa lista dos 50 Melhores Discos Nacionais daquele ano. Leve e recheado por composições que resumem aspectos sutis do Indie-Folk de diferentes fases, o trabalho parece ser a base para o universo (ainda) em construção de Lira Auriverde (2014), o primeiro álbum de estúdio da banda paulistana.

Aos comandos da dupla Roger Valença e Diego Scalada, responsáveis pela banda, o registro produzido por Fabio Pinczowski e Mauro Motoki (Ludov) se encontra agora em fase de finalização. Para os últimos acertos da obra, a banda iniciou um processo de financiamento coletivo pelo Catarse – campanha que busca arrecadar R$ 11.583 ao longo de 40 dias. Os interessados em colaborar com o grupo – e reservar o próprio exemplar do disco – já podem fazer a doação por este link. Se você ainda desconhece o trabalho da banda, a lista com o primeiro EP (acima) e o doce single Arrebol (logo abaixo) vão servir como um verdadeiro estímulo.

.

Onagra Claudique – Lira Auriverde

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , ,

Disco: “The Voyager”, Jenny Lewis

Jenny Lewis
Indie/Folk/Female Vocalists
http://www.jennylewis.com/

Por: Cleber Facchi

Durante os primeiros anos em carreira solo, tudo o que Jenny Lewis parecia interessada era em se distanciar musicalmente do Rilo Kiley, sua outra banda. Não por acaso em Rabbit Fur Coat (2006), estreia solo da cantora, Lewis abandonou a energia das guitarras para abraçar a acústica leve do Country Folk. Curiosamente depois de reciclar a mesma sonoridade em Acid Tongue (2008), a artista regressa agora ao território musical do antigo grupo, transformando o recém-lançado The Voyager (2014, Warner Bros.) em um inevitável regresso aos primeiros anos em estúdio.

Espécie de comunicação com os memoráveis The Execution of All Things (2002) e More Adventurous (2004), trabalhos mais comerciais do Rilo Kiley até aqui, o presente registro solo de Lewis é uma obra de reposicionamento. Longe da atmosfera empoeirada dos dois últimos trabalhos, a cantora investe em melodias acessíveis, acordes bem executados de guitarras e uma doce comunicação com o pop que há tempos parecia abandonada.

Basta perceber a energia que escapa de músicas como Love U Forever para que todo o “novo” universo da cantora seja desvendado. Por trás de uma linha de baixo consistente, guitarras firmes, crescentes e encaixadas de forma precisa servem de base para as confissões românticas da artista. Doses consideráveis de referências dos anos 1980 e 1970, batidas econômicas e a voz limpa: nada tende ao excesso. É dentro construção que Lewis planeja a arquitetura do álbum, um trabalho que aposta no descompromisso, mas soluciona de forma assertiva todas suas imposições.

Mesmo que tropece aqui e ali em elementos conquistados ao lado do parceiro Johnathan Rice – namorado e uma das metades do Jenny and Johnny -, todas as experiências da obra são típicas de sua autora. Nada mais inteligente da parte de Jenny do que convidar o amigo de longa data (e inspiração confessa) Ryan Adams para assumir a produção do registro. Conhecedor do trabalho de Lewis, o músico mantém o registro dentro de uma formatação homogênea, pinçando tanto elementos dos últimos discos da cantora, como referências da música Country que abasteceram toda a década de 1970. Continue reading

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , , , , , ,

Cozinhando Discografias: R.E.M.

A seção Cozinhando Discografias consiste basicamente em falar de todos os álbuns de um artista, ignorando a ordem cronológica dos lançamentos. E qual o critério usado então? A resposta é simples, mas o método não: a qualidade. Dentro desse parâmetro temos uma série de fatores determinantes envolvidos, que vão da recepção crítica do disco no mercado fonográfico, além, claro, dentro da própria trajetória do grupo e seus anteriores projetos. Além da equipe do Miojo Indie, outros blogs parceiros foram convidados para suas específicas opiniões sobre cada um dos trabalhos, tornando o resultado muito mais democrático.

Formado em 1980 por Bill Berry, Peter Buck, Mike Mills e Michael Stipe, o R.E.M. ocupa um lugar de destaque como uma das pioneiras do Rock Alternativo. Inspiração confessa para o trabalho de grupos como Pavement, Nirvana, Pearl Jam, Guided By Voices e outros gigantes da música, o quarteto original da cidade de Athens, Geórgia sustentou ao longo de três décadas – e três fases distintas – uma coleção de obras tão influentes, quanto referenciais.

Inicialmente voltado ao College Rock/Jangle Pop que homenageava bandas como Big Star e The Byrds, o grupo aos poucos dissolveu elementos do folk e country, flertou eletrônica e ainda brincou com uma série outros experimentos ocasionais. Com uma sonoridade diferente a cada novo álbum, o grupo que encerrou suas atividades em meados de 2011 é de longe o responsável pela discografia mais difícil de ser organizada que já passou pela seção. Continue reading

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Foxes in Fiction: “Shadow’s Song” (Ft. Owen Pallett)

.

Enquanto In Conflict (2014) revela ao público todo o cuidado de Owen Pallett na formação um registro límpido e coeso, ao lado do grupo canadense Foxes in Fiction o trabalho do músico é encarado de forma diferente. Convidado a tocar violino em grande parte do novo disco da banda de Ontário, Ontario Gothic (2014), Pallett deixa as ambientações tradicionais para mergulhar em um cenário novo, caseiro e a ser desvendado lentamente.

Previsto para o dia 23 de setembro, o novo álbum entrega na recém-lançada Shadow’s Song uma boa mostra de sua formação. Trata-se de uma homenagem do vocalista/líder Warren Hildebrand ao próprio irmão, morto em 2008. Sustentada por efeitos letárgicos, além, claro, dos violinos de Pallett, a canção ecoa referências que vão do Deerhunter em Halcyon Digest, ao último disco do Tame Impala, Lonerism (2012).

.

Foxes in Fiction – Shadow’s Song (Ft. Owen Pallett)

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , ,