Tag Archives: Hélio Flanders

Disco: “Muito Mais Que O Amor”, Vanguart

Vanguart
Brazilian/Folk/Indie
http://www.vanguart.com.br/

 

Por: Cleber Facchi
Foto: Ariel Martini

vanguart_credito-Ariel_Martini (1)

Há dois anos, quando lançava Parte de Mim Vai Embora (2011), a proposta do Vanguart parecia ser clara e simples: soar acessível. Longe da poesia complexa que ocupa os versos trilíngues do autointitulado debut, de 2007, o quinteto cuiabano parecia cada vez mais interessado em buscar pelo grande público – um percurso de quase oposição ao hermetismo testado em início de carreira. Sustentando com acerto uma lírica melódica – que abastece faixas como Mi Vida Eres Tu e demais composições do trabalho -, a banda deu um passo seguro para o domínio de uma soma ainda maior de ouvintes, merecida sequência de prêmios no VMB de 2012 e, claro, a base para o que se revela em um efeito amplo na construção do terceiro registro em estúdio.

Intencionalmente dramático, Muito Mais Que O Amor (2013, DeckDisc) se aproveita do mesmo teor amargo dos trabalhos anteriores, porém, em um sentido intenso de confissão. O que antes era proposto de forma existencial e melancólica – principalmente em faixas como Semáforo, Para Abrir os Olhos e Cachaça -, agora dá lugar ao drama pintado de saudade e expectativa. Boa parte das faixas espalhadas pela obra refletem a carência do eu-lírico em um sentido vulnerável. Seja na antecipação por um novo amor (Sempre Que Eu Estou Lá), ou mesmo em um cenário recente e que aos poucos começa a se esfarelar (Pra Onde Eu Devo Ir?), a dor ainda é a principal constante para a banda.

Mesmo em um alinhamento de confissão, Hélio Flanders, principal letrista da obra, parece fugir a todo o custo de um resultado subjetivo, amenizando nos versos de cada faixa uma interpretação exageradamente acessível, até rasa em alguns aspectos. Por vezes falta beleza aos versos instalados de forma monotemática, caso de Meu Sol (o que é isso, Armandinho?), Mesmo De Longe e parte expressiva do eixo final do registro. Entretanto, nenhuma composição parece capaz de superar a redundância da O Que Seria de Nós, sétima canção do disco. “O que seria de você sem mim/ O que seria de Mim sem você/ O que seria de nós dois sem nós?”, arrasta a canção em (felizmente) pouco menos de um minuto de duração. Seria ironia ou apenas vontade de encher o disco com mais uma faixa? Onde estão os responsáveis por Enquanto Isso Na Lanchonete e demais canções dos primeiros discos?

Mesmo os exageros e a lírica falha em algumas das composições não subtraem a presença de boas faixas no decorrer da obra. A melhor delas talvez seja Pra Onde Eu Devo Ir?, canção que se esquiva das melodias programadas para fluir em um cenário de intensidade e dor real. Trabalhada em uma estética Country honesta, a música esbarra em vozes que curiosamente remetem ao trabalho de Chitãozinho e Xororó – entenda isso como um elogio sincero. Um aspecto caricato que não apenas potencializa o crescimento da faixa, como traduz de maneira eficaz a saudade que se acumula em doses pela obra. A mesma relação com o cancioneiro de raiz flutua de maneira coerente em Estive e Eu Sei Onde Você Está, faixas acessíveis, de versos duráveis e que não se perdem nos mesmos exageros e banalidades de outras canções do disco. Continue reading

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Disco: “Valsa e Vapor EP”, Phill Veras

Phill Veras
Brazilian/Indie/Singer-Songwriter
https://www.facebook.com/PhillVeras

Por: Allan Assis

Phill Veras

Maranhense de vinte e poucos anos, representante de uma MPB que admira The Strokes, Phill Veras anuncia sua carreira solo após o fim de sua banda Nova Bossa, com o lançamento do EP Valsa e Vapor (2013, Independente). Composto por cinco músicas que polvilham açúcar sob uma atmosfera calma e delicada, o registro faz uma ponte com uma sonoridade conhecida por quem tem acompanhado os álbuns nacionais: cuidadosos acordes de violão e uma voz sem sobressaltos – sutilmente versando sobre amor e melancolia.

Abre o registro Dia Dois, canção com cara de surf music, pronta para com sons de uma guitarra havaiana e dedilhados de banjo que levam o ouvinte a se espreguiçar numa rede em fim de tarde, o tipo de música incapaz de se desgostar. Como nos meus sonhos tem letra abstrata e a voz do compositor se sobrepõem aos arranjos mais discretos, permitindo que se evidencie a estranha semelhança entre o timbre de Veras e Hélio Flanders (Vanguart), com a diferença das notas de agressividade e catarse presentes na do segundo. Vício é candidata a melhor do EP. A composição toma emprestado algumas das experimentações quase fofas testadas por grupos como Pato Fu nos anos 90, reforço que abraça a melancólica letra de Phill e o aproxima de outro compositor que se deu bem louvando o abandono: Cícero.

 Phill Veras

É justamente nas referências que moram os acertos e também os pontos fracos do trabalho. Ao se aproximar de uma sonoridade leve que embala a tristeza de Cícero e um Marcelo Camelo, só declarações de amor em sua fase pós-Los Hermanos, Phill se curva demais ao ressaltar seus elementos calmo, impedindo que se crie uma identidade musical para seu trabalho, em suma, o doce disco fica com gosto de mais do mesmo em alguns instantes. Depois de escancarar as portas das confessas declarações de amor Camelo, Mallu Magalhães e Marcelo Jeneci, abriram caminho para que outros artistas, com menos talento no campo das composições, se integrassem a essa MPB de fácil assimilação – o mesmo tipo que lota unidades do SESC ao redor da capital paulistana. Como sempre, o tempo trata de fazer a triagem entre os músicos que apenas acompanham uma cena musical em crescimento e artistas que conseguem se sobressair em meio às vozes que fazem o popular coro de fim de faixa. Phill Veras se apresenta tocando seu violão afinado e cantarolando amor e melancolia muito bem, mas ainda não consegue se tornar essencial dentro dessa estética. Continue reading

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