Prontas para a primeira edição do Miojo Indie no Naïve Bar? Para a noite de abertura dos trabalhos na Rua Mato Grosso, 28, Cleber Facchi recebe os amigos Jorge Fofano e Lucas Guarnieri para uma noite marcada pela neo-psicodelia, R&B, pop e música eletrônica. Ao longo da noite, nomes como The XX, Run The Jewels, Kehlani, MØ, Bonobo, Sampha, Dirty Projectos e Arcade Fire abastecem a pista do sobradinho.

Em busca dos clássicos antigos e recentes? Prepare-se para ouvir David Boiwe, Beyoncé, The Smiths, Aaliyah, Mariah Carey, Björk e Cocteau Twins. Na dúvida, ouça a nossa playlist de aquecimento da festa com Tinashe, SZA, Los Campesinos!, Kelly Lee Owens, The Flaming Lips e um time de outros artistas que lançaram um novo álbum de inéditas no último mês. A entrada no Naïve é gratuita.

 

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Originalmente previsto para 2015, Joyride, segundo álbum de estúdio da cantora/rapper Tinashe segue sem data de lançamento. Barrado pela gravadora, sucessor do excelente Aquarius – 30º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2014 –, acabou fragmentado em diferentes lançamentos independentes, servindo de base para a mixtape Nightride, trabalho entregue ao público em novembro do último ano.

Convidada a participar do mais novo álbum do rapper britânico Tinie Tempah, Tinashe não apenas assume os versos da pegajosa Text From Your Ex, como faz da canção uma espécie de registro autoral. Difícil passear pelas batidas, sintetizadores e rimas da composição e não lembrar do som produzido pela cantora em músicas como Company. Um R&B levemente dançante, pronto para as mesmas coreografias de Slumber Party, parceria com Britney Spears.

 



Tinie Tempah – Text From Your Ex (ft. Tinashe)

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Três anos após o lançamento do primeiro álbum de estúdio, Z (2014), Solana Rowe está de volta com um novo trabalho como SZA. Intitulado CTRL (2017), o registro chega em meio a conflitos com a Top Dawg Entertainment, gravadora da artista e casa de rappers como Kendrick Lamar, SchoolBoy Q e Jay Rock. Primeira composição do registro a ser apresentada ao público, a inédita Drew Barrymore traz de volta toda a leveza que marca os registros da cantora.

Entre vozes sobrepostas e melodias que passeiam sutilmente pelo soul produzido nos anos 1970, a cantora finaliza uma de suas composições mais acessíveis em tempos. Difícil não lembrar dos instantes de maior melancolia em ANTI (2016), último registro de inéditas de Rihanna e obra que conta com a participação de SZA. Além da nova faixa, nos últimos meses a artista se revezou em uma série de obras colaborativas, incluindo parcerias com Schoolboy Q e Isaiah Rashad.

SZA – Drew Barrymore

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Mais conhecida pelo trabalho como vocalista do grupo The Internet – um dos braços do coletivo de Hip-Hop Odd Future –, a cantora/rapper Syd acaba de anunciar a chegada do primeiro álbum em carreira solo. Intitulado Fin (2017), o registro previsto para o começo de fevereiro deve reforçar o diálogo da cantora com o R&B/Soul, proposta reforçada pela artista desde o EP Raunchboots, de 2011, porém, conduzida de forma coesa dentro da inédita All About Me.

Íntima do mesmo R&B eletrônico de artistas como Kelela e Tinashe, a nova faixa mostra a capacidade de Syd em dialogar com o grande público, efeito da produção segura e versos descomplicados que orientam a presente faixa. Com 12 faixas inéditas, trabalho se abre para a chegada de um time de produtores, entre eles, o guitarrista Steve Lacy, um dos parceiros do The Internet. Em novembro do último ano, a cantora apresentou a inédita Nothin, parceira com o produtor Kingdom.

 

Fin

01 Shake ‘Em Off
02 Know
03 Nothin To Somethin
04 No Complaints
05 All About Me
06 Smile More
07 Got Her Own
08 Drown In It
09 Body
10 Dollar Bills
11 Over
12 Insecurities

Fin (2017) será lançado no dia 03/02 via Columbia.

 

Syd – All About Me

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Artista: Run The Jewels
Gênero: Hip-Hop, Rap, Alternativo
Acesse: https://runthejewels.com/

 

O ritmo frenético imposto em Talk To Me parece ser a chave para entender o som produzido em Run The Jewels 3 (2016, Mass Appeal / RED). Originalmente lançada como parte da coletânea Adult Swim Singles, em outubro do último ano, a composição lentamente aponta a direção seguida pelos parceiros El-P e Killer Mike em grande parte do presente registro. Uma extensão segura da mesma poesia política/ácida aprimorado pela dupla durante a construção do elogiado Run the Jewels 2 (2014).

Previsto para janeiro de 2017, porém, lançado de surpresa no último dia 24 de dezembro, véspera de Natal, RTJ3 mostra que a dupla norte-americana continua tão explosiva (e crítica) quanto nos dois primeiros registros de inédita. Ambientado em um cenário político que se despede de Barack Obama, cada faixa do registro se projeta de forma a detalhar diferentes cenas do cotidiano estadunidense, esbarrando com naturalidade em temas como racismo, violência e sexo.

Doctors of death / Curing our patients of breath / We are the pain you can trust / Crooked at workDelivered some hurt and despair / Used to have powder to push / Now I smoke pounds of the kush Holy, / I’m burnin’ a bush”, explode a letra de Legend Has It, uma perfeita síntese da poesia versátil e permanente uso de autorreferências durante toda a construção do trabalho. Versos que se dividem com naturalidade entre o bom humor, a raiva e a rima política, sempre provocativa.

A mesma intensidade presente nos versos se reflete na composição das batidas e bases durante toda a construção do trabalho. Seguindo de onde parou em Close Your Eyes (And Count to Fuck), parceria com Zack de la Rocha no álbum de 2014, El-P finaliza um registro intenso, marcado pela sobreposição frenética das batidas, samples e sintetizadores. Um bom exemplo disso está em Panther Like a Panther (Miracle Mix), música que faz das batidas e detalhes eletrônicos um estímulo para as rimas.

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Com uma boa mixtape em mãos – You Should Be Here (2015) –, além de um curto repertório de faixas e colaborações com diferentes artistas, a californiana Kehlani reserva para o final de janeiro a chegada do primeiro álbum em carreira solo. Intitulado SweetSexySavage (2017), o registro já teve parte de suas 17 faixas apresentadas ao público, caso de Advice, o hit Distraction e, a mais recente delas, a ótima Undercover, mais recente single da cantora.

Íntima do mesmo pop/R&B explorado por Tinashe no excelente Aquarius, de 2014, a nova faixa mostra Kehlani cada vez mais íntima do grande público, efeito da letra pegajosa e base que parece feita para grudar na cabeça do ouvinte logo em uma primeira audição. Repleto de segredos, SweetSexySavage é o primeiro grande trabalho da cantora, sendo apresentado pela Atlantic Records, casa de artistas como Janelle Monáe e Brunos Mars.

SweetSexySavage (2017) será lançado no dia 27/01 via Atlantic.

 

Kehlani – Undercover

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Original da cidade de Salvador, Bagum é um coletivo de Jazz, Hip-Hop, Funk e ritmos africanos que parece flutuar por entre diferentes gêneros musicais. Formado há poucos meses por Gabriel Burgos (bateria), Pedro Tourinho (baixo) e Pedro Leonelli (guitarra), o grupo que já conta com um EP em mãos – Dá um tapa e corre (2016) –, acaba de apresentar um novo trabalho de inéditas. Trata-se de É o que, registro de apenas quatro faixas que resume com naturalidade o som versátil do trio.

A julgar pelo som hipnótico que escapa de composições como Sopro e a inaugural Curto, trata-se de uma versão descomplicada do mesmo material produzido por outros coletivos de jazz/rock instrumental recentes. O possível resultado de um encontro entre os experimentos do grupo canadense BADBADNOTGOOD e o ritmo quente que escapa das canções produzidos pelo grupo paulistano Bixiga 70. Para ouvir os dois trabalhos da banda, basta uma visita ao Facebook ou Youtube do trio.

 

Bagum – É o que EP

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Artista: Mano Brown
Gênero: Hip-Hop, Soul, Funk
Acesse: https://www.facebook.com/manobrown/

 

Quem conhece um pouco da história dos Racionais MC’s sabe do peso da música negra produzida nos anos 1970 para formação do quarteto paulistano. Veteranos como Jorge Ben Jor, Tony Tornado e, principalmente, Tim Maia – vem do clássico Tim Maia Racional, Vol. 1 (1975) a inspiração para o nome do coletivo. Um time de artistas que acabou contribuindo para o fortalecimento das rimas e bases que há mais de duas décadas servem de estímulo para o grupo. Um permanente diálogo com o passado que cresce de forma autoral no primeiro álbum de Mano Brown em carreira solo.

Dividido entre leveza do soul, o groove e as rimas, o quente Boogie Naipe (2016) flutua de maneira nostálgica entre o som produzido há mais de quatro décadas e presente cenário. Um resgate da rica produção musical, personagens, ritmos e fórmulas instrumentais que ultrapassa o território brasileiro e esbarra com naturalidade na recente articulação da música negra dos Estados Unidos. Vozes, batidas e arranjos que funcionam como um estímulo para o ouvinte.

Produzido em um intervalo de quase dois anos, o registro de 22 faixas encontra no uso de versos descritivos um precioso componente de atuação. São fragmentos da noite paulistana (Boa Noite São Paulo), mulheres poderosas (Mulher Elétrica), memórias (Foi Num Baile Black) e desilusões amorosas (Mal de Amor). Mais do que uma coleção de músicas isoladas, uma espécie de ponto de encontro conceitual, atmosférico, uma casa noturna como anuncia o convidado Wilson Simoninha logo nos primeiros segundos de Sinta-se Bem Com Boogie Naipe.

Com produção assumida pelo cantor e produtor musical Lino Krizz, um dos responsáveis pelo clássico Senhorita e dono da voz em grande parte das canções do presente disco, Boogie Naipe é uma obra que investe no coletivo. Mesmo com o nome estampado na capa do disco, Brown está longe de ser o “protagonista” do trabalho, trata-se apenas de um elemento de conexão. No interior do álbum, nomes como Seu Jorge, destaque na dobradinha Louis Lane e Dance, Dance, Dance, Hyldon, Ellen Oléria, Max de Castro e o norte-americano Leon Ware, parceiro de gigantes como Quincy Jones e Marvin Gaye.

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Seis meses após o lançamento do primeiro álbum de estúdio, Orgunga (2016), Rico Dalasam está de volta com mais uma canção inédita. Em Procure, um jogo de rimas e versos rápidos que exploram pequenas conquistas e a temática da felicidade, conceito explícito em grande parte da letra que sustenta a canção. “Vim pagar sua covardia, por um bom trabalho / O vale otário tem valia, até um horário / Procure o que é sorrir assim no dicionário“, provoca o rapper.

Na trilha do material apresentado há poucos meses por Dalasam, vide faixas como Milimili e a nova versão de Riquíssima, Procure reforça o lado dançante do trabalho produzido pelo rapper. Batidas que flutuam entre a EDM e o pop, toques de percussão tribal e um leve tempero carnavalesco. Uma colisão de ritmos e fórmulas que parecem servir de estímulo para a construção dos versos, intensos do primeiro ao último instante da canção.

 

Rico Dalasam – Procure

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Artista: The Weeknd
Gênero: R&B, Hip-Hop, Pop
Acesse: https://www.theweeknd.com/

 

Quem ainda espera que Abel Tesfaye trabalhe em um novo álbum nos mesmos moldes da trilogia lançada em 2011 precisa se conformar: isso não vai acontecer tão cedo. Dono de uma posição de destaque dentro do Hip-Hop/R&B norte-americano atual, o cantor, compositor e produtor canadense mantém firme a busca por um som vez mais comercial, pop, base do sexto registro de inéditas como The Weeknd, Starboy (2016, XO / Republic).

Produzido “em segredo” e anunciado em setembro, durante o lançamento da faixa-título – uma confessa homenagem a David Bowie –, o novo álbum segue exatamente de onde o produtor parou no último disco, Beauty Behind the Madness (2015). São 18 composições inéditas, pouco mais de uma hora de duração, ponto de partida para a construção de um novo catálogo de hits pegajosos que flutuam entre a programação eletrônica, o pop e as rimas de Tesfaye.

A principal diferença em relação aos dois últimos trabalhos do cantor, incluindo o mediano Kiss Land (2013), está na parcial ausência de controle do artista sobre a obra. Produzido durante os intervalos da turnê de Beauty Behind the Madness, obra que aproximou Tesfaye do grande público, Starboy nasce como um registro da ativa interferência de diferentes compositores e produtores. Nomes como Doc McKinney, Cashmere Cat, Diplo e demais artistas espalhados pelo trabalho.

Personagens de destaque, Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo, da dupla Daft Punk, assumem a responsabilidade de abrir e fechar o disco. Na homônima canção de abertura, uma extensão da mesma atmosfera eletrônica montada em parceria com Kanye West para o álbum Yeezus, de 2013. Na derradeira I Feel It Coming, o toque nostálgico do duo francês, fazendo da canção uma peça esquecida do ótimo Random Access Memories, último registro de inéditas da dupla.

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