Tag Archives: Hip-Hop

YG: “Why You Always Hatin?” (Ft. Drake, Kamaiyah)

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Responsável por um dos melhores discos de rap lançados em 2014 – My Krazy Life –, o californiano YG anuncia para o mês de junho a chegada de um novo registro de inéditas. Intitulado Still Crazy, o registro parece seguir a trilha deixada pelo rapper há dois anos, sonoridade evidente em músicas como Twist My Fingaz e I Wanna Benz, apresentadas ao público nos últimos meses, mas que se reforça com o lançamento da inédita Why You Always Hatin?.

Típica criação de YG, a faixa marcada pelo uso de rimas colaborativas se abre para a chegada de dois colaboradores. De um lado, o canadense Drake, parceiro na ótima Who Do You Love?, do álbum apresentado há dois anos. No outros, o misto de rima e canto da novata Kamaiyah, artista que caminha em um terreno musicalmente próximo do material entregue ao público na mixtape A Good Night In The Ghetto (2016).

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YG – Why You Always Hatin? (Ft. Drake, Kamaiyah)

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Clams Casino: “Blast”

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FKA Twigs, Lana del Rey, A$ap Rocky, The Weeknd e Danny Brown, esses são alguns dos artistas com quem Michael Volpe, vulgo Clams Casino, trabalhou nos últimos anos. São produções, remixes ou simples adaptações dos trabalhos de diferentes nomes do Hip-Hop/Pop recente. Trabalhos normalmente resumidos dentro da série Instrumentals – apresentada ao público entre 2011 e 2013. Mas e os inventos de Volpe em carreira solo, quando serão apresentados?

A resposta chega com o anúncio do esperado 32 Levels (2016), primeiro álbum oficial do produtor de New Jersey desde o excelente EP Rainforest, lançado em 2011. Escolhida para anunciar o trabalho, a psicodélica Blast dança em um mundo de fórmulas abstratas, vozes recortadas de diferentes composições, ruídos e sintetizadores típicos do trabalho de Clams Casino. Junto do clipe produzido por David Wexler, a passagem direta para um universo completamente mágico, misterioso e repleto de detalhes.

32 Levels (2016) será lançado no dia 15/07 pelo selo Columbia Records.

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Clams Casino – Blast

 

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Resenha: “Coloring Book”, Chance The Rapper

Artista: Chance The Rapper
Gênero: Hip-Hop, Rap, R&B
Acesse: http://chanceraps.com/

 

A grande beleza no trabalho de Chance The Rapper sempre esteve na proximidade entre o artista e o coletivo de vozes, produtores e instrumentistas convidados a atuar dentro de cada registro de estúdio. Da bem-sucedida apresentação em Acid Rap, de 2013, passando pelo colaborativo Surf, álbum lançado em parceria com o grupo Donnie Trumpet & The Social Experiment, em 2015, cada projeto assumido pelo rapper de Chicago, Illinois parte da criativa interferência de ideias e nomes vindos de diferentes campos da música negra.

Em Coloring Book (2016, Independente), terceira e mais recente mixtape de Chance, uma detalhada continuação desse mesmo conceito colaborativo explorado nos últimos trabalhos do rapper. Mais do que um registro assinado individualmente, um espaço que se abre para a completa interferência, canto e colagem de rimas assinadas por diferentes artistas. São 14 composições que autorizam a passagem de nomes como Kanye West, Lil Wayne, Future, Justin Bieber, Young Thug e Ty Dolla $ign.

Menos “hermético” em relação ao material apresentado em 2013, Coloring Book parte exatamente de onde Chance parou há poucos meses, durante o lançamento de Angels. Produzida em parceria com os integrantes do The Social Experiment, a canção que ainda conta com a presença do rapper Saba mostra a busca do Chance por um som cada vez mais abrangente, tão íntimo do Hip-Hop produzido nos anos 1980/1980, como de todo o catálogo de ideias que abasteceram a soul music nas últimas duas décadas. Um indicativo seguro da base instrumental e poética que rege o trabalho.

Inaugurado pelo clima “religioso” de All We Got, Coloring Book inicialmente se projeta como uma versão descomplicada do mesmo material produzido por Kanye West em The Life of Pablo (2016). Composições que discutem crenças religiosas e políticas (Blessings), mergulham em transformações recentes na vida do rapper (Summer Friends, All Night) ou simplesmente focam em aspectos melancólicos do artista (Smoke Break). Tormentos típicos na vida de um jovem adulto, como se Chance fosse capaz de dialogar com o ouvinte em cada fragmento lírico do registro. Continue reading

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Chance The Rapper: “Coloring Book”

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Chance The Rapper está de volta. Três anos após o lançamento do excelente Acid Rap – um dos 50 melhores discos internacionais de 2013 –, além, claro, do colaborativo Surf (2015), trabalho apresentado ao público como parte do coletivo do Hip-Hop-Jazz-Soul Donnie Trumpet & The Social Experiment, Chance The Rapper entrega ao público mais um novo registro de inéditas, a aguardada mixtape Coloring Book (2016).

São 14 composições, grande parte delas já conhecidas do público fiel do rapper, como Angels, além do time imenso de colaboradores que inclui Kanye West, Lil Wayne, Justin Bieber, Jeremih, Young Thug, Jay Electronica, 2 Chainz, Future e outros gigantes do Hip-Hop norte-americano. Disponível para download gratuito, o álbum parece seguir a trilha da última mixtape do artista, costurando elementos do R&B, Soul e música pop dentro das batidas e rimas do trabalho. Ouça:

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Chance The Rapper – Coloring Book

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Resenha: “99.9%”, Kaytranada

Artista: Kaytranada
Gênero: Electronic, Experimental, Hip-Hop
Acesse: https://soundcloud.com/kaytranada

 

De composições feitas sob encomenda para Katy B (Honey) e Azealia Banks (Along the Coast), passando pela série de remixes para nomes como M.I.A. (Bad Girls), Disclosure (January) e até Janet Jackson (Alright), Louis Kevin Celestin passou a última meia década explorando diferentes campos da música eletrônica, pop e Hip-Hop. Produtor responsável pelo projeto Kaytranada, o artista de origem haitiana encontra no primeiro álbum de estúdio a possibilidade de expandir a própria sonoridade.

Com faixas produzidas entre 2014 e 2016, 99.9% (2016, XL) mostra a capacidade de Celestin em brincar com diferentes gêneros e até mesmo cenas musicais sem necessariamente perder o controle da própria obra. Em cada uma das 15 músicas que preenchem o disco, um curioso ziguezaguear de experiências, como se o produtor testasse os próprios limites. Canções que brincam com as rimas (Drive Me Crazy), vozes (Together) e arranjos (Weight Off) de forma sempre volátil, curiosa.

Frequentemente comparado com nomes como Flying Lotus, Teebs e outros produtores de peso do atual cenário norte-americano, Kaytranada usa do trabalho como uma ferramenta inteligente de construção da própria identidade musical. Em um sentido oposto ao som abstrato/etéreo produzido por diferentes representantes do estilo – principalmente Steven Ellison –, Celestin abraça de forma explícita a construção de um som linear, preciso, como se o disco todo fosse pensado como base para a voz de outros artistas.

Não por acaso, grande parte do disco se abre para a interferência direta de um time imenso de convidados. Nomes como AlunaGeorge (Together), Vic Mensa (Drive Me Crazy), Anderson .Paak (Glowed Up) e o grupo sueco Little Dragon (Bullets). Difícil escapar da assertiva colaboração entre Kaytranada e a novata Shay Lia em Leave Me Alone. Enquanto o produtor testa referências, indo de beats experimentais ao uso de temas dançantes, íntimos da cena britânica, a convidada parece ocupar todas as brechas da canção, espalhando um canto limpo, sedutor. Continue reading

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London O’Connor: “Time To Go”

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Responsável por uma das melhores estreias de 2015, o cantor, compositor e rapper London O’Connor está de volta com mais uma criação inédita. Em Time To Go, mais recente single do artista nova-iorquino, vozes e rimas dialogam suavemente, transportando o ouvinte para o mesmo cenário apresentado pelo artista em O∆, álbum de 10 faixas lançado de forma independente e que serviu para apresentar o trabalho de O’Connor a grande parte da imprensa.

Assim como em Nobody Hangs Out Anymore, OATMEAL e parte das canções apresentadas no último ano, O’Connor caminha em um cenário dominado por sintetizadores tímidos, detalhando versos que exploram o próprio cotidiano. Em Time To Go, a diferença está na forma como as batidas ganham ainda mais destaque, posicionando as melodias em um segundo plano, como uma base complementar, melancólica em grande parte do tempo.

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London O’Connor – Time To Go

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Disco: “Lemonade”, Beyoncé

Artista: Beyoncé
Gênero: R&B, Hip-Hop, Pop
Acessehttp://www.beyonce.com/ 

 

You mix that negro with that Creole make a Texas bama
I like my baby heir with baby hair and afros
I like my negro nose with Jackson Five nostrils“

Coreografias transformadas em atos de enfrentamento à violência policial, símbolos e fotografias reforçando a luta da comunidade negra, o cabelo crespo em oposição ao alisamento, New Orleans embaixo d’água. Em fevereiro deste ano, quando apresentou ao público o clipe de Formation, Beyoncé parecia revelar apenas a ponta do imenso iceberg de referências do novo registro de inéditas. Em Lemonade (2016, Parkwood / Columbia), sexto álbum de estúdio da cantora e compositora norte-americana, um mundo de detalhes, citações, personagens e histórias que dialogam diretamente com o passado e a cultura negra dos Estados Unidos.

Do título inspirado em uma fala da avó de Jay-Z – “eles me serviram limões, mas eu fiz uma limonada” –, passando pelo clássico discurso de Malcolm X – “quem te ensinou a se odiar?” – e versos assinados pela poetisa queniana Warsan Shire, Lemonade se projeta como uma obra a ser desvendada de forma atenta. Seja na estrutura musical que orienta o disco – repleta de bases extraídas de clássicos do soul, blues Hip-Hop e R&B –, até alcançar o registro visual que sustenta o trabalho – uma parceria entre a cantora e diretores como Jonas Åkerlund, Mark Romanek e Melina Matsoukas -, uma rica tapeçaria conceitual se desenrola da abertura do disco, com Pray You Catch Me, ao fechamento em Formation.

No time de produtores que assinam o trabalho, “novatos” como o britânico James Blake, responsável pela curtinha Forward, faixa que poderia facilmente ser encontrada no último álbum do produtor, Overgrown (2013). Em Hold On, uma espécie de síntese do imenso coletivo de artistas que cercam Beyoncé ao longo da obra. São 15 compositores, entre eles a dupla formada por Diplo e Ezra Koenig (Vampire Weekend), o cantor e compositor Father John Misty, a cantora Emile Haynie, o inglês MNEK e o trio Brian Chase, Karen Orzolek e Nick Zinner, do Yeah Yeah Yeahs, responsáveis pelo verso central da canção – “They don’t love you like I love you” –, originalmente apresentado em Maps, de 2003. Continue reading

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Anderson .Paak: “The Season / Carry Me / The Waters” (VÍDEO)

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A colorida capa de Malibu (2016) indica o caminho assumido por Anderson .Paak no segundo álbum de estúdio. Em um passeio atento pelo Hip-Hop, Soul, Jazz e R&B de diferentes épocas e tendências, o cantor/rapper norte-americano finaliza uma obra tão íntima do trabalho assinado por veteranos como D’Angelo (Brown Sugar), Outkast (Aquemini) e Dr. Dre (The Chronic), quanto de novos representantes da música negra estadunidense, principalmente Kendrick Lamar (To Pimp a Butterfly) e Chance The Rapper (Surf).

Ambientado no mesmo universo temático do antecessor Venice, de 2014, o presente álbum utiliza de um rico acervo de histórias pessoais, personagens e conflitos extraídos de diferentes pontos da cidade de Los Angeles como um instrumento de construção dos versos. Canções que amarram cenários e sentimentos (Parking Lot), reflexões sobre o passado e presente (The Bird) ou mesmo pequenas realizações de Paak (The Dreamer), sempre preservando o colorido (e imenso) cenário que cresce ao fundo da obra. Leia o texto completo.

Dono de um dos melhores discos de 2016, o excelente Malibu, Anderson. Paak decidiu juntar três faixas do trabalho – The Season, Carry Me e The Waters – para a construção de um clipe psicodélico e repleto de referências em parceria com o diretor Chris Le. Assista:

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Anderson .Paak – The Season / Carry Me / The Waters

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Resenha: “A Good Night In The Ghetto”, Kamaiyah

Artista: Kamaiyah
Gênero: Hip-Hop, Rap, R&B
Acessehttps://soundcloud.com/kamaiyah 

 

Original da cidade de Oakland, Califórnia, Kamaiyah havia acabado de nascer quando o Hip-Hop/R&B tomou conta das principais paradas de sucesso em meados da década de 1990. Todavia, curioso perceber em cada uma das canções que marcam a mixtape A Good Night In The Ghetto (2016, Independente), primeiro registro de inéditas da jovem estadunidense, a base para um trabalhos que melhor reflete conceitos, batidas e arranjos exploradas há duas décadas

Em uma linguagem atual, capaz de dialogar com o presente cenário, Kamaiyah e um time imenso de colaboradores visita de forma criativa diferentes aspectos da poesia e sonoridade que marca o rap norte-americano. Rimas e bases que mergulham na obra veteranos como o conterrâneo Too $hort, incorporam as vozes de personagens icônicos como Aaliyah e TLC, além de todo um vasto universo de referências por vezes nostálgicas.

Ao lado de Kamaiyah, um assertivo time de produtores formado por novatos e nomes pouco conhecidos da cena californiana. Artistas como CT Beats, Trackademicks, DJ Official, 1-O.A.K, WTF NonStop, Link Up, Drew Banga e P-Lo. Em parceria com a rapper, assumindo parte das rimas, nomes como Big Money Gang, a cantora local Netta Brielle e o rapper YG – possivelmente o artista “mais conhecido” de todo o trabalho.

Como o próprio título da obra indica – “uma boa noite no gueto”, em português –, grande parte das canções apresentadas no trabalho refletem aspectos típicos do cotidiano de Oakland. Nas rimas de How Does It Feel, por exemplo, diferentes personagens, cenários, drogas, encontros e desencontros que movimentam a vida da rapper. Em outras como I’m On, o mesmo conceito, porém, ancorado em referências pessoais e versos que focam na ascensão do eu lírico. Continue reading

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Ricky Eat Acid: “Triple Cup”

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Poucos artistas produzem um som tão lisérgico e dançante quanto Sam Ray. Responsável pelo Ricky Eat Acid, projeto de música eletrônica que flerta com elementos do Hip-Hop e música psicodélica, o artista norte-americano está de volta com uma nova criação inédita. Em Triple Cup, uma extensão inteligente do material apresentado há dois anos em Three Love Songs (2014), último grande álbum do produtor original de Maryland.

Sintetizadores e batidas dançantes, fragmentos de vozes sampleadas do rapper Waka Flocka, batidas que crescem e encolhem a todo segundo. A sensação de tomar um doce e se trancar no quarto para ouvir a trilha sonora de jogos clássicos da Nintendo. Um turbilhão de referências coloridas, quebras e mudanças bruscas de direção, como se o som originalmente atmosférico de Ray fosse remixado de forma propositadamente instável, louca.

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Ricky Eat Acid – Triple Cup

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