Tag Archives: Hip-Hop

Death Grips: “Inanimate Sensation”

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O fim das atividades do Death Grips há poucos meses de forma alguma deve prejudicar o lançamento de Jenny Death. Segunda parte do duplo The Powers That B, registro duplo que teve a primeira metade – Niggas on the Moon – apresentada há poucos meses, o trabalho acaba de receber um novo estímulo antes de ser oficialmente entregue ao público. É hora de conhecer Inanimate Sensation, uma das composições do registro que ainda conta com os samples de voz da cantora Björk, além, claro, dos ruídos e rimas sujas que apresentaram o coletivo em 2010.

Tão insana quanto todo o material apresentado no registro anterior, a faixa de seis minutos parece concentrar todos os acertos do DG: a rima eletrônica de Stefan Burnett, batidas quebradas típicas de Zach Hill e os sintetizadores sujos de Andy Morin. Em ritmo acelerado, a música ainda conta com a nítida interferência de Björk. Além da nova música, o (falecido) grupo assina a direção da faixa em que Burnett aparece rimando em meio a estranhas imagens digitais.

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Death Grips – Inanimate Sensation

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Disco: “Cores e Valores”, Racionais MC’s

Racionais MC’s
Hip-Hop/Rap/Rap Nacional
http://www.racionaisoficial.com.br/

Por: Cleber Facchi

A sensação de estranheza é inevitável durante as primeiras audições de Cores e Valores (2014, Cosa Nostra). Batidas eletrônicas secas, versos orientados em uma estrutura cíclica, por vezes limitada, e uma nítida atmosfera de distanciamento lírico fazem do sexto registro em estúdio do Racionais MC’s a obra mais particular (quase isolada) já composta pelo quarteto paulistano. A julgar pela base que representa a faixa de abertura, uma variação de Royals da cantora Lorde, não seria um erro afirmar que a essência projetada pelo grupo – Mano Brown, Edi Rock, Ice Blue e KL Jay – durante mais de duas décadas foi desconstruída.

Passados 12 anos desde o lançamento de Nada como um Dia após o Outro Dia, em outubro de 2002, é necessário perguntar: o que você esperava de um novo álbum do Racionais? Composições extensas discutindo os problemas da periferia? Emicida, Rael e Ogi investiram nos mesmos conceitos recentemente. Faixas discutindo criminalidade, drogas e racismo? Projota, Karol Conká, Rashid, Criolo e tantos outros assumiram essa “função”. Há uma década, quando o grupo entrou em hiato, não apenas o espaço concedido ao Hip-Hop era diferente, talvez limitado, como a própria situação econômica, social e cultural do país era completamente outra. Jogar com regras antigas é parte de uma obrigação natural para qualquer artista veterano? Não para os Racionais.

Longe de parecer uma transposição forçada, com o novo álbum os “quatro pretos mais perigosos do Brasil” adaptam o próprio discurso a presente geração de ouvintes. Há 12 anos os quase nove minutos de Vida Loka II talvez fizessem sentido para o ouvinte limitado ao alcance físico de um Micro System. Entretanto, para uma massa de espectadores imersos em smartphones e rápidas mudanças de tela, a curta duração dos temas e o diálogo rápido com os meios digitas nasce como uma coesa transformação por parte do grupo. Não por acaso Cores e Valores foi antes apresentado no Google Play e Youtube do que em formato físico.

Pode parecer uma comparação absurda, mas a cíclica “Somos O Que Somos / Somos O Que Somos / Somos O Que Somos” provavelmente cause um impacto maior do que um esperado (e talvez repetitivo) resgate dos mesmos extensos versos lançados pelo coletivo na década de 1990. Todavia, a inteligência do quarteto vai além de um mero mecanismo de adaptação de formato. Regresso inevitável aos primeiros anos de estúdio do grupo, caso de Holocausto Urbano (1990) ou mesmo antes, dentro da coletânea Consciência Black, Vol. I (1988), Cores e Valores é uma obra de dois lados bem definidos, como um analógico LP dividido em “Lado A” e “Lado B”. Continue reading

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Run The Jewels: “Oh My Darling (Don’t Cry)”

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Versos agressivos e politizados, produção concisa; diálogos com o Hip-Hop das décadas de 1980 e 1990, bases encorpadas por temas recentes, carregados de frescor. Quando a estreia do Run the Jewels foi apresentada ao público, em meados de 2013, tanto Killer Mike quanto EL-P pareciam inclinados a completar as pequenas lacunas estéticas, líricas e conceituais do parceiro. Uma extensão autoral do processo inaugurado na dobradinha R.A.P. Music. e Cancer For Cure, fragmentos individuais de cada rapper/produtor em 2012 e, ao mesmo tempo, a fagulha criativa do recente projeto colaborativo.

Em Run the Jewels 2 (2014, Mass Appeal), ainda que a essência do trabalho seja a mesma do disco anterior, a estrutura que movimenta as canções é encarada de forma distinta. Antes personagens autônomos em um processo de interação, Killer Mike e EL-P passam a atuar como uma mente única, convertendo cada ato do registro em um exercício coeso e intenso. Um misto de resgate e expansão do universo temático inaugurado há poucos meses. Leia a resenha completa.

Abaixo, o clipe de Oh My Darling (Don’t Cry), trabalho insano que conta com a direção de Timothy Saccenti.

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Run The Jewels – Oh My Darling (Don’t Cry)

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Frank Ocean: “Memrise”

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Ao lado dos veteranos Mick Jones e Paul Simonon, do The Clash, e do produtor Diplo, Frank Ocean transformou a inédita Hero – produzida para a Converse – em sua última grande criação. Mesmo que o sucessor de Channel, Orange (2012) estivesse previsto para estrear em 2014, todo o material produzido em parceria com Hit-Boy e Rodney Jenkins permaneceu em estúdio. Pelo menos até agora. No próprio Tumblr, o cantor resolveu abandonar o próprio hiato, apresentando ao público a inédita – e naturalmente sorumbática – Memrise.

“Sujinha”, como se fosse gravada em algum quarto escuro pelo cantor ou adaptada ao mesmo universo de How To Dress Well, a nova faixa traz de volta toda a beleza e confissão exaltada no primeiro grande trabalho de Ocean, a mixtape Nostalgia, Ultra (2011). Bases de piano, ruídos e sons de passos, um material típico dos primeiros anos do artista em fase solo. Por enquanto, nenhuma (nova) informação sobre o futuro álbum de Ocean.

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Frank Ocean – Memrise

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A$AP Ferg: “Talk It” (Prod. Clams Casino)

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A interpretação positiva de público e crítica em relação ao debut Trap Lord (2013) serviu para aproximar A$AP Ferg de uma série de novos colaboradores. Do encontro bem sucedido com as meninas do HAIM – na nova versão lançada para My Song 5 -, passando pela eletrônica densa (e perturbada) de Voices in My Head - no último álbum do SBTRKT -, quem acompanhou o trabalho do rapper nos últimos meses não teve do que reclamar.

Com o lançamento de Ferg Forever (2014), nova mixtape do artista nova-iorquino e sucessora da ótima Lords Never Worry (2012) – ainda com o A$AP MOB -, as parcerias de Ferg são reforçadas mais uma vez. Convidado para produzir a música, Clams Casino espalha sintetizadores lentos, batidas comportadas e toda uma atmosfera distinta quando comparada dentro da série Instrumental Mixtape. Ferg Forever conta com estreia agendada para o dia 28 de novembro, durante a Black Friday.

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A$AP Ferg – Talk It (Prod. Clams Casino)

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Beyoncé: “7/11″ e “Ring Off”

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Com o enorme sucesso do quinto álbum em carreira solo, Beyoncé decidiu não esperar muito tempo até produzir um novo material com composições inéditas. Ainda que o sucessor do homônimo disco de 2013 não seja apresentado tão cedo, com o relançamento do último álbum em versão deluxe, a cantora reserva algumas novidades para o ouvinte. Além do acervo original e remixes para faixas como Flawlles e Drunk In Love, duas músicas inéditas completam o trabalho lançado sob o título de Platinum Edition.

Mesmo ambientadas ao conceito da obra, tanto 7/11 como Ring Off assumem caminhos isolados quando comparadas ao restante das composições. Enquanto a primeira acelera, transformando as mesmas batidas densas do registro em um material pronto para as pistas, Ring Off consegue resgatar os elementos explorados em 4 (2011), trabalho anterior de Beyoncé. A julgar pela forma como as guitarras “tropicais” invadem a canção, não seria uma surpresa se ela realmente fosse uma sobra do registro passado. Com lançamento pelos selos Parkwood e Columbia, Beyoncé Platinum Edition estreia hoje.

Abaixo você encontra o clipe “caseiro” produzido para 7/11.

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Beyoncé – 7/11

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Beyoncé – Ring Off

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Tyler, The Creator: “Diaper”

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Sempre produtivo em estúdio, Tyler, The Creator diminuiu o ritmo nos últimos meses. Passado o lançamento de Wolf (2013), último registro em carreira solo, além da produção/participação em algumas faixas de Doris (2013), trabalho do parceiro Earl Sweatshirt, Tyler relaxou. Salvo a constante postagem na própria conta do Twitter e, claro, diversas apresentações ao vivo, nenhuma grande composição inédita foi apresentada pelo rapper. Até agora.

Para celebrar a nova temporada de shows pelos Estados Unidos, o “líder” do Odd Future revela ao público uma faixa retirada do próprio acervo: Diaper. Lançada no Twitter e disponível para audição pelo Tumblr do OFWGKTA, a música parece seguir com naturalidade o som proposto por Tyler no último ano. Seguindo a lógica dos últimos lançamentos do rapper, o ano de 2015 não deve passar sem um novo disco ou “mínima” mixtape.

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Tyler, The Creator – Diaper

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Sleigh Bells: “That Did It” (Feat. Tink)

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Em 2013 Derek E. Miller e Alexis Krauss resolveram mergulhar de vez na música pop. Ainda que os ruídos preencham toda a extensão do mediano Bitter Rivals, terceiro álbum de estúdio da dupla nova-iorquina, são os constantes diálogos com o público médio, melodias acessíveis e bases delicadas que realmente movimentam a obra. Acerto ou erro, não importa, ao lado da rapper Tink o duo apresenta a “sequência” That Did It, uma espécie de expansão do material apresentado há poucos meses.

De um lado, os ruídos característicos da guitarra de Miller, no outro, a sutileza vocal de Krauss e Tink, esta última responsável pelos instantes mais acelerados que sustentam a composição. Construída a partir de retalhos de antigas músicas do SB, That Did It foi gravada em Nova York e apresentada pelo Red Bull Sound Select. Além do registro de 2010, a dupla ainda conta com dois ótimos álbuns, Treats (2010) e Reign of Terror (2012).

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Sleigh Bells – That Did It (Feat. Tink)

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Kero Kero Bonito: “Build It Up”

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A divertida mixtape apresentada há poucos meses está longe de ser o único trabalho do trio Kero Kero Bonito em 2014. Ainda em busca de uma sonoridade própria, os parceiros Sarah, Jamie e Gus continuam a brincar com o pop, Hip-Hop e diferentes variações da eletrônica londrina, premissa para o som lançado em Build It Up, a faixa mais esquizofrênica e dançante já assinada pelo grupo até agora.

Como uma versão comercial de tudo aquilo que os membros do selo PC Music vêm desenvolvendo nos últimos meses, a enérgica criação garante mais de três minutos de batidas quebradas, versos bilíngues – inglês e japonês – e todo um acervo de pequenas colagens. Bateria louca, apitos e a voz doce de Sarah; quem ainda não conhece o trabalho do grupo vai encontrar na nova música um excelente resumo. Abaixo, a versão completa da faixa. Será que teremos o primeiro disco oficial do trio em 2015?

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Kero Kero Bonito – Build It Up

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Nicki Minaj: “Bed Of Lies” (Feat. Skylar Grey)

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Salve a produção de hits como Anaconda, em The Pinkprint (2014) Nicki Minaj parece assumir um caminho distinto em relação aos dois últimos álbuns de estúdio – Pink Friday (2010) e Pink Friday: Roman Reloaded (2012). Entre o Pop e o R&B, a rapper norte-americana volta a brincar com os mesmos conceitos lançados na inaugural Pills n Potions, base para a estrutura explorada no interior de Bed of Lies, quarto e mais recente single voltado ao novo registro de Minaj.

De um lado, a voz doce e temas melancólicos da cantora Skylar Grey, convidada especial da canção; no outro, as rimas secas da rapper, cada vez mais distante do som incorporado há poucos meses no último grande single. Embora ambientada em uma estrutura própria, difícil não lembrar da parceria entre Angel Haze e Sia em Battle Cry, espécie de matéria-prima para a recente criação de Minaj. Com lançamento pelos selos Young Money, Cash Money e Republic, The Pinkprint estreia oficialmente no dia 15 de dezembro.

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Nicki Minaj – Bed Of Lies (Feat. Skylar Grey)

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