Artista: The Weeknd
Gênero: R&B, Hip-Hop, Pop
Acesse: https://www.theweeknd.com/

 

Quem ainda espera que Abel Tesfaye trabalhe em um novo álbum nos mesmos moldes da trilogia lançada em 2011 precisa se conformar: isso não vai acontecer tão cedo. Dono de uma posição de destaque dentro do Hip-Hop/R&B norte-americano atual, o cantor, compositor e produtor canadense mantém firme a busca por um som vez mais comercial, pop, base do sexto registro de inéditas como The Weeknd, Starboy (2016, XO / Republic).

Produzido “em segredo” e anunciado em setembro, durante o lançamento da faixa-título – uma confessa homenagem a David Bowie –, o novo álbum segue exatamente de onde o produtor parou no último disco, Beauty Behind the Madness (2015). São 18 composições inéditas, pouco mais de uma hora de duração, ponto de partida para a construção de um novo catálogo de hits pegajosos que flutuam entre a programação eletrônica, o pop e as rimas de Tesfaye.

A principal diferença em relação aos dois últimos trabalhos do cantor, incluindo o mediano Kiss Land (2013), está na parcial ausência de controle do artista sobre a obra. Produzido durante os intervalos da turnê de Beauty Behind the Madness, obra que aproximou Tesfaye do grande público, Starboy nasce como um registro da ativa interferência de diferentes compositores e produtores. Nomes como Doc McKinney, Cashmere Cat, Diplo e demais artistas espalhados pelo trabalho.

Personagens de destaque, Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo, da dupla Daft Punk, assumem a responsabilidade de abrir e fechar o disco. Na homônima canção de abertura, uma extensão da mesma atmosfera eletrônica montada em parceria com Kanye West para o álbum Yeezus, de 2013. Na derradeira I Feel It Coming, o toque nostálgico do duo francês, fazendo da canção uma peça esquecida do ótimo Random Access Memories, último registro de inéditas da dupla.

Continue Reading "Resenha: “Starboy”, The Weeknd"

 

Original da cidade de Oakland, Califórnia, Kamaiyah havia acabado de nascer quando o Hip-Hop/R&B tomou conta das principais paradas de sucesso em meados da década de 1990. Todavia, curioso perceber em cada uma das canções que marcam a mixtape A Good Night In The Ghetto (2016, Independente), primeiro registro de inéditas da jovem estadunidense, a base para um trabalhos que melhor reflete conceitos, batidas e arranjos exploradas há duas décadas

Em uma linguagem atual, capaz de dialogar com o presente cenário, Kamaiyah e um time imenso de colaboradores visita de forma criativa diferentes aspectos da poesia e sonoridade que marca o rap norte-americano. Rimas e bases que mergulham na obra veteranos como o conterrâneo Too $hort, incorporam as vozes de personagens icônicos como Aaliyah e TLC, além de todo um vasto universo de referências por vezes nostálgicas. Leia o texto completo.

Uma das canções mais pegajosas da primeira mixtape de Kamaiyah, A Good Night In The Ghetto (2016), I’m On foi a escolhida para se transformar no mais novo clipe da rapper, trabalho que parece saído do começo dos anos 1990.

 

Kamaiyah – I’m On

Continue Reading "Kamaiyah: “I’m On” (VÍDEO)"

 

De todas as canções apresentadas por Emicida em Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa… – 8º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2015 –, Mandume talvez seja a mais significativa. Distante da “MPB-Rap” incorporada pelo paulistano em grande parte do trabalho – vide faixas como Casa e Passarinho –, a faixa que conta com mais de oito minutos de duração cresce em meio ao uso preciso das rimas lançadas por um time de artistas convidados.

Junto de Emicida, os novatos Drik Barbosa, Amiri, Rico Dalasam, Muzzike e Raphão Alaafin, responsáveis pela construção das rimas que movimentam a canção e convidados a participar do extenso clipe da Mandume. Dirigido por Gabi Jacob, o trabalho apresenta um elenco completo apenas com modelos, atrizes e atores negros. Fragmentos visuais que escancaram diferentes aspectos do racismo, aceitação, derrotas e conquistas.

 

Emicida – Mandume (ft. Drik Barbosa, Amiri, Rico Dalasam, Muzzike, Raphão Alaafin)

Continue Reading "Emicida: “Mandume” (ft. Drik Barbosa, Amiri, Rico Dalasam, Muzzike, Raphão Alaafin)"

Artista: Nego E.
Gênero: Hip-Hop, Rap, R&B
Acesse: https://www.facebook.com/negoe.sp/

 

O oceano desbravado no segundo álbum de estúdio de Nego E. é imenso, turbulento e propositadamente instável. Navegando em uma embarcação resistente, segura, projetada a partir do uso preciso das rimas, o princípio de um constante embate contra ondas de preconceito, criminalidade, racismo e perseguição policial. Uma extensão madura do mesmo conceito caótico e urbano explorado pelo rapper há dois anos, durante a produção do primeiro álbum de inéditas, o ótimo Autorretrato (2014).

Anunciado durante o lançamento de Lua Negra, primeiro single do disco, Oceano (2016, Independente) joga com as rimas e referências dentro de uma atmosfera essencialmente densa, sombria. “Cadê a lei do ventre livre quando uma preta é estuprada? / A noite vi minha mãe com insônia / Por não saber se eu ia cair numa cena forjada”, questiona o rapper, preparando o terreno para ápice dramático da canção – “Eu não consigo respirar, ainda pareço suspeito? / Para de atirar, eu parecia suspeito?” –, uma delicada ponte para o movimento Vidas Negras Importam.

Matéria-prima do registro, o preconceito racial serve de base para grande parte das canções dissolvidas pela obra. Da abertura do disco, em Homem ao Mar, passando por músicas como Insônias e Melhor de Mim, não são poucos os momentos em que as rimas de Nego E. escancaram a opressão sofrida pela comunidade negra e outros grupos marginalizados. Um bom exemplo disso está em D M P a D Q P C, parceria com Rincon Sapiência que utiliza de uma cena do Big Brother Brasil – “Meu amor, tá aqui ó, sou preta, quer afrontar?” – como ponto de partida para a construção dos versos.

Em um constante diálogo com o presente, Oceano revela ao público uma série de faixas que detalham diferentes aspectos da nossa sociedade. Segunda canção do disco, Senhor Ninguém nasce como uma crítica atenta ao consumismo e suas novas formas de escravidão – “Marionetes com correntes ou cordas / Velhos engenhos, novos senhores”. Em, Valsalva, uma reflexão sobre os relacionamentos e identidades forjadas dentro das redes sociais – “Punho cerrado aqui não é só pelo close do Snapchat”.

Continue Reading "Resenha: “Oceano”, Nego E."

 

Rashid pegou muita gente de surpresa com o lançamento da inédita Primeira Diss na última semana. Seguindo a trilha de outras diss tracks – em português, “canções de insulto” –, a faixa se projeta como uma seleção de pequenas críticas e ataques diretos. A diferença em relação a outros lançamentos do gênero? O “alvo” dessa vez é o próprio rapper, bombardeado por uma sequência de rimas que bagunçaram a cabeça do público fiel do artista.

O que que cê fez pelo rap / Além de meia dúzia de camiseta e uns cap, hein? / Vive pagando de trabalhador / Mas arruma tempo pra Instagram e Snap, hein?“, questiona a letra da canção, tão direta e provocativa quanto as rimas lançadas pelo artista durante a construção de A Coragem da Luz (2016), lançado há poucos meses. Ao final da música, uma breve reflexão, já em outro tom: “Falar dos outros é fácil / Difícil é falar de si“.

 

Rashid – Primeira Diss

Continue Reading "Rashid: “Primeira Diss”"

Original da cidade de Oakland, Califórnia, Kamaiyah havia acabado de nascer quando o Hip-Hop/R&B tomou conta das principais paradas de sucesso em meados da década de 1990. Todavia, curioso perceber em cada uma das canções que marcam a mixtape A Good Night In The Ghetto (2016, Independente), primeiro registro de inéditas da jovem estadunidense, a base para um trabalhos que melhor reflete conceitos, batidas e arranjos exploradas há duas décadas

Em uma linguagem atual, capaz de dialogar com o presente cenário, Kamaiyah e um time imenso de colaboradores visita de forma criativa diferentes aspectos da poesia e sonoridade que marca o rap norte-americano. Rimas e bases que mergulham na obra veteranos como o conterrâneo Too $hort, incorporam as vozes de personagens icônicos como Aaliyah e TLC, além de todo um vasto universo de referências por vezes nostálgicas. Leia o texto completo.

Parte do ótimo A Good Night In The Ghetto (2016), um dos melhores discos de Hip-Hop do ano, Mo Money Mo Problems foi a canção escolhida para se transformar no mais novo e divertido clipe da rapper Kamaiyah.

Kamaiyah – Mo Money Mo Problems

Continue Reading "Kamaiyah: “Mo Money Mo Problems” (VÍDEOS)"

rp_The-Weeknd-Starboy-1474474721-compressed1-1474515866-compressed.jpg

 

Pouco mais de um ano após o lançamento do álbum  Beauty Behind the Madness – 43º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2015 –, Abel Tesfaye está de volta com um novo álbum do The Weeknd. Em Starboy (2016), o cantor e produtor canadense segue exatamente de onde parou há poucos meses, presenteando o público com uma verdadeira seleção hits. Versos românticos, sedutores e sombrios que se dividem entre o Pop e o R&B.

Entre as 18 composições do trabalho, nomes como Kendrick Lamar, Future, Lana del Rey e os franceses do Daft Punk, dupla responsável pela produção não apenas da faixa-título do disco, mas da ótima I Feel It Coming. Entre os produtores/letristas do disco, nomes como Cashmere Cat e Benny Blanco, em True Colors, vozes de Sam Smith em Sidewalk e a presença de veteranos, como Diplo, um dos responsáveis por Nothing Without You.

 

The Weeknd – Starboy

Continue Reading "The Weeknd: “Starboy”"

 

Uma das rappers mais injustiçadas e talvez esquecidas da cena norte-americana, Angel Haze segue com a produção de músicas de peso, mesmo esporádicas, cada vez mais raras. Dona do ótimo Dirty Gold, trabalho entregue ao público no final de 2013, a rapper acaba de apresentar ao público mais uma composição inédita. Trata-se de Resurection, música que dialoga com a própria carreira e conflitos vividos pela artista nos últimos anos.

Claustrofóbica e densa, a faixa traz de volta o mesmo clima de antigos trabalhos da rapper, caso de New York EP (2012). Entre batidas secas, sempre contidas, uma base montada a partir de violinos melancólicos, gritos, vozes dramáticas e toda uma atmosfera que parece cercar o ouvinte de forma sufocante. Nos versos, rimas que passeiam pela libertação de Hazel, analisam diversos conflitos dos últimos meses e ainda se abrem para o canto doloroso da rapper.

 

Angel Haze – Resurection

Continue Reading "Angel Haze: “Resurection”"

 

Ariel Pink pode não ter lançado nenhum novo álbum do último ano, mas vem trabalhando como se tivesse. Em um intervalo de poucos meses, o cantor e compositor californiano deu vida a uma série de trabalhos em parceria com outros artistas. Canções como Easy To Forget, parceria com o psicodélico Drugdealer, um cover ao lado das garotas do Puro Instinct, e até uma canção assinada em parceria com o rapper Lushlife, a curiosa Hong Kong (Lady of Love).

Ao lado do cantor/rapper Theophilus London, uma das crias de Kanye West, um novo invento autoral. Trata-se de Revenge, uma canção que se divide com naturalidade entre o som produzido por cada uma das mentes criativas por trás da composição. Enquanto Pink assume a base da faixa, detalhando sintetizadores psicodélicos e batidas abafadas, London toma conta dos vocais, resultando em um som empoeirado que parece ter saído do começo da década de 1990.

 

Theophilus London – Revenge (feat. Ariel Pink)

Continue Reading "Theophilus London: “Revenge” (feat. Ariel Pink)"

Artista: A Tribe Called Quest
Gênero: Hip-Hop, Rap, Alternative
Acesse: http://www.atribecalledquest.com/

 

Em um intervalo de apenas três anos, os integrantes do coletivo A Tribe Called Quest mudaram para sempre a história do Hip-Hop norte-americano. Nas batidas e rimas de Q-Tip, Ali Shaheed Muhammad, Phife Dawg e Jarobi White, obras fundamentais como People’s Instinctive Travels and the Paths of Rhythm (1990), The Low End Theory (1991) e Midnight Marauders (1993). Ponto de partida para uma nova fase do gênero e o estímulo criativo para toda uma sequência de produtores e obras pelas próximas duas décadas.

De gigantes da indústria, como The Black Eyed Peas e Kanye West, passando por nomes como Nas, DJ Shadow e Kendrick Lamar, difícil não encontrar alguém que não tenha se inspirado no som produzido pelo quarteto nova-iorquino. Tamanha influência e fascínio do público acabou servindo de estímulo para um retorno do grupo aos palcos depois de um hiato de oito anos, além, claro, da construção do recém-lançado We Got It from Here… Thank You 4 Your Service (2016, Epic / SME).

Sexto e último registro de inéditas do quarteto, o trabalho dividido em duas metades segue exatamente de onde o coletivo parou há quase duas décadas, durante o lançamento do álbum  The Love Movement (1998). Samples, ritmos e melodias que se entrelaçam de forma a servir de base para as rimas lançadas por cada integrante do projeto. O último suspiro poético do rapper Phife Dawg, morto em março deste ano, devido a complicações relacionadas com a diabetes.

Alimentado pelo uso de temas recentes, We Got It from Here… detalha o racismo sofrido pela comunidade negra, perseguição a grupos marginalizados, empoderamento feminino, conflitos religiosos e todo um universo de elementos que servem de estímulo para a construção de um recente panorama político/social dos Estados Unidos. Um chamado para a mudança que tem início na dobradinha formada por The Space Program e We the People…, mas que acaba se espalhando durante toda a construção do registro.

Continue Reading "Resenha: “We Got It from Here… Thank You 4 Your Service”, A Tribe Called Quest"