Tag Archives: Hip-Hop

Disco: “ANTI”, Rihanna

Rihanna
Pop/R&B/Hip-Hop
http://www.rihannanow.com/

 

O refrão explosivo de Bitch Better Have My Money, a melodia pop de FourFiveSeconds – parceria com Paul McCartney e Kanye West -, a base dançante de Only Girl (In The World) ou a pegajosa letra de We Found Love. Nada disso faz parte do arsenal que abastece ANTI (2016, Roc Nation / Westbury Road). De fato, é muito mais fácil montar uma lista com todas as canções, parcerias e temas que foram abandonadas por Rihanna nos últimos meses do que levantar todos os elementos que pareciam garantidos dentro do oitavo registro de inéditas da cantora – vide a série de colaborações previamente estabelecidas com Sia, Calvin Harris, Kiesza e Charli XCX.

ANTI, como o próprio título indica, é uma obra de ruptura e oposição. Da imagem de capa, um trabalho assinado pelo artista gráfico Roy Nachum, passando pela parcial ausência de hits e versos comerciais, além da fuga de temas descomplicados, típicos da EDM, Rihanna estabelece um trabalho em que busca perverter a própria imagem – mesmo que temporariamente. Nada parece acessível. Todas canções se movimentam de forma particular, como se a cantora (e o ouvinte) trocassem segredos em um cenário essencialmente restrito, intimista e sombrio.

Logo nos instantes iniciais, a batida seca, levemente distorcida de Consideration, um trampolim para um dos versos mais poderosos da obra: “Me deixe cobrir sua merda com glitter / Posso transformá-la em ouro”. Longe do catálogo de temas óbvios e bases acessíveis que abasteceram os ótimos Good Girl Gone Bad (2007) e Loud (2010), Rihanna e os parceiros de produção – entre eles, Timbaland, DJ Mustard, Hit-Boy e Travis Scott – criam uma obra tão frágil quanto complexa. Um turbilhão sentimental que arrasta o ouvinte para dentro de músicas como Desperado e a Work, esta última, parceria com o rapper Drake.

Principal componente do trabalho, a voz limpa da cantora parece apontar a direção melancólica seguida até a chegada da derradeira Close To You. Livre do som robótico e vozes carregadas de auto-tune que tanto marcam os antecessores Talk That Talk (2011) e Unapologetic (2012), Rihanna ocupa cada espaço da obra com extrema delicadeza. Ainda que faltem “hits”, sobram peças sensíveis como a psicodélica Same Ol’ Mistakes, uma adaptação de New Person, Same Old Mistakes do grupo australiano Tame Impala, ou mesmo a acústica Never Ending. Nada que se compare ao evidente cuidado da cantora em Higher. Continue reading

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Lushlife: “Hong Kong (Lady of Love)” [Ft. Ariel Pink]

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Com dois álbuns em mãos – Cassette City (2009) e Plateu Vision (2012) -, o rapper Lushlife reserva para o dia 19/02 o lançamento do terceiro registro de inéditas: Ritualize (2016). Trata-se de uma obra marcada pela interferência de diferentes colaboradores, uma das principais marcadas no trabalho do norte-americano. Depois de colaborar com integrantes da banda sueca I Break Horses, em The Waking World, e Killer Mike, na ótima This Ecstatic Cult, chega a vez de Ariel Pink fazer uma participação.

Parceiro de longa data do rapper, Pink, que em 2009 colaborou na faixa In Soft Focus, parece assumir o controle sobre a nova faixa. Da forma como os sintetizadores crescem lentamente ao refrão característico, Pink e Lushlife finalizam a construção de uma música tão íntima dos trabalhos do rapper, como do som versátil produzido pelo músico em obras como pom pom (2014). Uma perturbadora canção de amor que parece brincar com a interpretação do ouvinte.

Ritualize (2016) será lançado no dia 19/02 pelo selo Western Vinyl.

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Lushlife – Hong Kong (Lady of Love) [Ft. Ariel Pink]

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Rico Dalasam: “Riquíssima” (VÍDEO)

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Um dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2015, Modo Diverso EP, mais recente trabalho em estúdio do rapper paulistano Rico Dalasam continua rendendo bons frutos. Quarta faixa do álbum, Riquíssima foi a composição escolhida para se transformar no mais novo clipe de Dalasam. Um passeio luxuoso pela cidade de Londres, cenário onde o rapper se apresentou no último ano.

Seguindo a letra da música – repleta de referências ao universo LGBT -, Dalasam se diverte, visita e dança pela capital inglesa. O clipe conta com direção e animação de Oga Mendonça.

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Rico Dalasam – Riquíssima

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Disco: “Malibu”, Anderson .Paak

Anderson .Paak
Hip-Hop/R&B/Soul
http://www.andersonpaak.com/

 

A colorida capa de Malibu (2016) indica o caminho assumido por Anderson .Paak no segundo álbum de estúdio. Em um passeio atento pelo Hip-Hop, Soul, Jazz e R&B de diferentes épocas e tendências, o cantor/rapper norte-americano finaliza uma obra tão íntima do trabalho assinado por veteranos como D’Angelo (Brown Sugar), Outkast (Aquemini) e Dr. Dre (The Chronic), quanto de novos representantes da música negra estadunidense, principalmente Kendrick Lamar (To Pimp a Butterfly) e Chance The Rapper (Surf).

Ambientado no mesmo universo temático do antecessor Venice, de 2014, o presente álbum utiliza de um rico acervo de histórias pessoais, personagens e conflitos extraídos de diferentes pontos da cidade de Los Angeles como um instrumento de construção dos versos. Canções que amarram cenários e sentimentos (Parking Lot), reflexões sobre o passado e presente (The Bird) ou mesmo pequenas realizações de Paak (The Dreamer), sempre preservando o colorido (e imenso) cenário que cresce ao fundo da obra.

Musicalmente detalhista, Malibu parece montado para seduzir o ouvinte logo nos minutos iniciais. São orquestrações delicadas, metais, sintetizadores resgatados da década de 1970 e todo um arsenal de colagens que reforçam a sonoridade versátil do disco. Uma obra atual, capaz de dialogar com a mesma produção de To Pimp a Butterfly e toda a curta discografia de Thundercat. Flertes e pequenas adaptações, mas que em nenhum momento distorcem a base autoral explorada por Paak desde os tempos como Breezy Lovejoy.

Ao mesmo tempo em que Madlib (The Waters), Kaytranada (Lite Weight), DJ Khalil (Heart Don’t Stand a Chance) e um time imenso de produtores acompanham o cantor até os últimos instantes da obra, é responsabilidade de Paak amarrar todo o catálogo de faixas montadas para o disco0. Além de assumir a autoria dos versos de cada uma das 16 canções de Malibu, parte expressiva do material conta com a produção assinada individualmente pelo cantor. Faixas como a inaugural The Bird e a empoeirada Parking Lot. Continue reading

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Kanye West: “No More Parties In L.A.” (Ft. Kendrick Lamar)

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Mesmo “atrasado”, Kanye West continua dando sequência ao projeto G.O.O.D. Friday, apresentando ao público uma nova composição do inédito Swish (2016) por semana. Como previsto desde o lançamento da intimista Real Friends, música apresentada há duas semanas, chega a vez do público ter acesso à versão completa de No More Parties In L.A., composição assinada em parceria com Kendrick Lamar nas rimas e produção assinada pelo veterano Madlib.

Montada em cima de samples da música Suzie Thundertussy, composição originalmente lançada por Walter “Junie” Morrison em 1976, No More Parties In L.A. é a base para uma nova sequência de versos que encontram no universo particular do rapper um complemento para a formação das rimas. Ainda que a presença de Lamar dialogue de forma assertiva com a proposta de West, está no pleno domínio e lírica afiada do rapper de Atlanta o estímulo para os mais de seis minutos da canção, uma das peças mais particulares de West desde o debut The College Dropout, de 2004.

Swish (2016) será lançado no dia 11/02 pelo selo GOOD Music, Roc-A-Fella e Def Jam.

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Kanye West – No More Parties In L.A. (Feat. Kendrick Lamar)

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Disco: “Assim Que Nóis Trabalha”, Hó Mon Tchain

Hó Mon Tchain
Nacional/Hip-Hop/Rap
https://www.facebook.com/AgaEmeTe

 

Desde o lançamento de Malandrão, em setembro de 2015, que o som produzido pelo Hó Mon Tchain parece longe de repetir os conceitos aplicados do bem-sucedido Ascensão (2012). Da solução de batidas, bases e rimas ancoradas no hip-hop dos anos 1990, o coletivo paulistano dá um salto de pelo menos duas décadas, encontrando em temas que dialogam com o cotidiano do trabalhador brasileiro a matéria-prima para o segundo registros de inéditas, Assim Que Nóis Trabalha (2016, Independente).

Canção de abertura do disco, A.Q.N.T. não apenas reforça a temática conceitual que rege a obra, como resume a plena evolução do grupo em relação ao primeiro álbum de estúdio. Se em 2012 a produção assinada pelo produtor e também integrante Mud parecia dançar pelo mesmo universo de veteranos como Wu-Tang Clan, Madlib e outros gigantes da década de 1990, com a chegada do novo registro, cada elementos espalhado pelo disco dialoga de forma assertiva com o presente.

Difícil não lembrar de obras recentes do selo TDE, como Oxymoron (2014) do SchoolBoy Q ou mesmo Good Kid, M.A.A.D City (2012) de Kendrick Lamar. Mesmo a temática “eletrônica” de Cores & Valores (2014), último registro de inéditas do Racionais MC’s, parece replicada de forma autoral em composições como Gueto Árabe e Números não Mentem. Da mesma forma que em Ascensão, Mud, continua a brincar com fragmentos instrumentais de diferentes artistas, recortando, costurando e adaptando referências de forma a produzir um material próprio do HMT.

Nesse cenário de ondulações que vão do Trap ao R&B, o grupo se concentra em projetar uma verdadeira metralhadora de rimas versáteis. Composições que passeiam pelo universo caótico de cada integrante (Malandrão), criam paralelos entre diferentes periferias (Gueto Árabe) e ainda discutem com maturidade a conflituosa relação entre dinheiro e valores pessoais a cada nova curva do disco (Ostentação Interior, Por onde Voo e Amo os que Me Odeiam). Sobram até pequenos respiros intimistas dentro de faixas como Sessão da Tarde e Essa Noite. Continue reading

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Hó Mon Tchain: “Assim que Nóis Trabalha”

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Três anos após o lançamento do ótimo Ascensão, álbum de estreia do coletivo Hó Mon Tchain e um dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2013, Amiltex, Diham, Falcon Mc, Mud, JG‐Mano e Plano B estão de volta com mais um novo registro de estúdio: Assim que Nóis Trabalha (2016). São 13 composições inéditas, além da já conhecida Malandrão, música transformada em clipe no final de 2015 e uma espécie de resumo da lírica urbana que acompanha a produção assinada por Mud até os últimos segundos do disco.

Além do revezamento do time de rappers na construção de cada faixa, AQNT abre espaço para a chegada de um time de novos colaboradores. Nomes como D‐Cazz, Jimmy Luv e Yunei Rosa, responsáveis por Essa Noite, A.Q.N.T e Fim de Expediente, respectivamente. Sobra até para um sample de Björk na pesada Amo os que me Odeiam, 11ª faixa do disco. Disponível para audição pelo Youtube, AQNT também pode ser baixado gratuitamente.

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Hó Mon Tchain – Assim que Nóis Trabalha

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Aristophanes 貍貓: “Dreams of Cave”

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Parceira de Grimes em uma das melhores (e mais curiosas) composições de Art Angels (2015), SCREAM, a a rapper taiwanesa Aristophanes 貍貓 reserva para os próximos meses a chegada do primeiro EP / Mixtape de inéditas. Intitulado No Rush To Leave Dreams (2016), o registro deve seguir não apenas a sonoridade explorada pela artista dentro do próprio acervo no soundcloud, mas toda a sequência de composições recentes da rapper bem com o o trabalho com ao lado da cantora canadense.

Prova disso está na recém-lançada Dreams of Cave. Com produção do japonês Hamacide e vozes compartilhadas com a conterrânea Tien, a faixa de quase três minutos parece crescer dentro do mesmo universo de temas e conceitos “pop” explorados no último álbum de Grimes. Uma composição acessível, como uma espécie de fuga de músicas experimentais como Left and Right, da própria rapper. A arte do single ficou por conta do ilustrador Zihling. (Via)

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Aristophanes 貍貓 – Dreams of Cave

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Kanye West: “Real Friends”

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Poucas vezes antes Kanye West pareceu tão intimista e melancólico quanto em Real Friends. Mesmo as canções do sentimental 808s & Heartbreak, lançado em 2008, parecem não ecoar de forma tão sensível, honesta, tanto a récem-lançada composição. Produzida em parceria com Boi-1da, Frank Dukes e Havoc, a faixa que conta com a presença do colaborador Ty Dolla $ign discute amizade, família e amadurecimento com leveza, abrindo passagem para o sétimo registro de inéditas do rapper em carreira solo, o aguardado sucessor de Yeezus (2013), Swish (2016).

Com lançamento previsto para o dia 11 de fevereiro, o álbum parece seguir uma ambientação contida, essencialmente intimista, conceito reforçado desde o lançamento da curiosa parceria com Paul McCartney, One Day, e também na recente Real Friends. A própria seleção de imagens pessoais para a construção dos singles indica a transformação de West, temporariamente distante do jogo de sons ruidosos de obras ainda recentes como Yeezus ou Watch the Throne (2011), este último, parceria com Jay-Z.

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Kanye West – Real Friends (ft. Ty Dolla $ign)

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Aperitivo: 10 Músicas Para Gostar de Kendrick Lamar

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Com três álbuns de estúdio bem-sucedidos – Section.80 (2011), Good Kid, M.A.A.D City (2012) e To Pimp a Butterfly (2015) -, uma coleção de faixas avulsas, mixtapes e composições assinadas em parceria com diferentes artistas, Kendrick Lamar acumula um dos maiores acervos do Hip-Hop norte-americano na presente década. Em busca de um caminho para se aventurar pelas canções produzidas pelo artista original de Compton, Califórnia? Deseja apresentar o trabalho do rapper a um amigo, mas não sabe quais composições recomendar? Comece pela nossa playlist com 10 Músicas Para Gostar de Kendrick Lamar, um resumo dos principais trabalhos do artista nos últimos anos. Aproveite para ver outras listas da seção Aperitivo.

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