Tag Archives: Hip-Hop

Erykah Badu: “FEEL BETTER, WORLD!” Mixtape

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Quer entender melhor a essência musical de Erykah Badu? Então deixe que a própria cantora se apresente. Em um passeio atento por diferentes décadas e estilos como Jazz, Soul, Hip-Hop e R&B, a cantora e compositora norte-americana apresenta ao público a mixtape FEEL BETTER, WORLD! (2015). Trata-se de uma extensa coleção de clássicos da música negra, como um aquecimento para o sexto registro de inéditas da artista, sucessor do elogiado New Amerykah Part Two (2010), porém, ainda sem data de estreia prevista.

No catálogo de obras da nova mixtape, 18 composições que dialogam com a própria carreira musical de Badu. Faixas como When There Is No Sun do jazzista Sun Ra, Brazillian Rhyme do grupo Earth, Wind & Fire e Love In Need Of Love do cantor Stevie Wonder. Pouco mais de uma hora de duração em que diferentes traços da discografia de Badu são resumidos pelas vozes, rimas e arranjos de outros artistas. Erykah Badu integra nossa lista de 12 discos para entender o R&B dos anos 1990 com o álbum Baduizm (1997).

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FEEL BETTER, WORLD! … LOVE, MS.BADU by Erykah She Ill Badu on Mixcloud

 

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Rapper americano Talib Kweli se apresenta em São Paulo dia 07 de agosto

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A quinta edição da Jambox Music Experience, projeto dedicado ao turntablism, trará a apresentação única do rapper americano Talib Kweli, junto com o rapper brasileiro radicado na Flórida, NIKO IS, além de discotecagem dos DJs Sleep, integrante do grupo Haikaiss, E.B e do residente Nedu Lopes, na sexta-feira, dia 07 de agosto, a partir da 00h, no Superloft, em São Paulo.

Nascido no Brooklyn, com mais de 20 anos de carreira, Talib Kweli é considerado um dos melhores rappers do hip-hop americano, tendo sido homenageado por Jay-Z, na música “Moment of Clarity”. Sua arte ganhou notoriedade com a formação do duo Black Star com Yasiin Bey (Mos Def), onde juntos, produziram uma série de singles e o aclamado álbum “Mos Def & Talib Kweli Are Black Star”. Talib fez colaborações com artistas como Kanye West, Jay Z, Busta Rhymes, Common, Madlib, entre outros.

Além disso no dia 29 de julho, acontece o primeiro workshop de uma série, que nesta edição irá abordar “O atual cenário do lifestyle no Brasil”. O Workshop Series é um projeto aprovado pela Secretaria de Cultura de São Paulo e será apresentado pelo editor-chefe do The Hype BR, Lucas Penido, e após o bate-papo, haverá um “happy hour” com discotecagem de Nedu Lopes e Luisa Viscardi, com catering da The Dog Haus. As inscrições para participar do primeiro Workshop Series estão abertas, limitadas a 50 pessoas, que devem se inscrever por meio do link: http://thehypebr.com/workshop-series. Os interessados deverão enviar um formulário preenchido com nome, e-mail e respondendo a pergunta: “Porque você deseja participar da Workshop Series?”. As 50 melhores respostas serão convidadas para participar do evento.

A Jambox já trouxe artistas internacionais como Jazzy Jeff (EUA), Grandmaster Flash (EUA), DJ Angelo (UK), Skratch Bastid (CA) e Hedspin (CA). Os ingressos para o show já estão a venda e podem ser adquiridos pelo valor de R$ 50 (terceiro lote) através do link: http://www.jamboxme.com/ingressos/.

 

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Disco: “At. Long. Last. A$AP”, A$AP Rocky

A$AP Rocky
Hip-Hop/Rap/R&B
http://alla.asvpxrocky.com/

Parece difícil acreditar que o mesmo A$AP Rocky de At. Long. Last. A$AP (2015, RCA) seja também o responsável pela obscura mixtape Live. Love. A$AP, de 2011. Mutável, como um novo personagem a cada lançamento de estúdio, o artista nova-iorquino talvez tenha encontrado no segundo álbum de inéditas o projeto mais complexo e ainda comercialmente acessível de toda a carreira. Um jogo instável de rimas, batidas e bases tão tortas musicalmente, quanto polidas, moldadas para o publico médio.

Curva brusca em relação ao contexto “grandioso”, por vezes exagerado, do antecessor Long. Live. ASAP (2013), com o novo registro A$AP Rocky exibe uma colcha de retalhos perfeitamente alinhados. A cada nova composição, a explícita necessidade do artista em se reinventar, conceito que transporta o ouvinte para um cenário marcado pelo uso contínuo de debates raciais, abusos com drogas, amor e, claro, um detalhado passeio pelo universo de temas centrados na vida do próprio rapper.

Síntese coesa de toda a obra, L$D, quarta faixa do disco, traz de volta o mesmo catálogo de referências lisérgicas testadas pelo artista nova-iorquino desde as primeiras mixtapes. Em marcha lenta, como uma versão delicada (e psicodélica) de músicas como PMW (All I Really Need) e Purple Swag: Chapter 2, a canção aos poucos transporta o ouvinte para um cenário urbano, flutuando entre o romantismo confesso e a completa ausência de lucidez – “Eu procuro maneiras de dizer ‘eu te amo’ / Mas eu não estou em uma canção de amor / Baby, eu estou apenas fazendo rap para este LSD”.

Outro aspecto curioso de At. Long. Last. A$AP está no maior controle das rimas. Ainda que o uso dos versos seja visível, a estreita relação do artista com o R&B lentamente estimula a maior utilização do canto. Seja de forma tímida, como em Excuse Me, ou cercado de convidados, caso de Fine Whine, parceria com Future, M.I.A. e Joe Fox, o uso de vocais alongados, polidos pelo efeito do auto-tune se destaca. Mesmo a constante interferência do cantor e colaborador Joe Fox soa como um estímulo para esse resultado, ocupando possíveis lacunas em grande parte das faixas. Continue reading

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Emicida: “Mufete”

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As andanças de Emicida com o conterrâneo Criolo aproximaram ainda mais o rapper da própria essência africana. Em Mufete, inédita composição do segundo álbum de estúdio do paulistano, Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa (2015), um claro distanciamento dos temas urbanos reforçados em O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui (2013) e uma passagem – lírica e instrumental – para o continente africano.

Em meio a versos que aproximam São Paulo e o cenário além-mar, um jogo de palavras marcados pelo suingue e a crítica social. “Tá na cintura das mina de Cabo Verde / E nos olhares do povo em Luanda / Nem em sonho eu ia saber / Que cada lugar que eu pisasse daria um samba“, entrega o rapper em determinado momento da canção, faixa que ainda conta com um material em vídeo dirigido por Xuxa Levy e download gratuito pelo site da Natura Musical.

Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa (2015) será lançado em agosto.

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Emicida – Mufete

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Disco: “Surf”, Donnie Trumpet & the Social Experiment

Donnie Trumpet & the Social Experiment
Hip-Hop/Soul/Jazz
http://www.donnietrumpet.com/

Quantos artistas em carreira solo você conhece que seriam capazes de abandonar o próprio domínio autoral, nome e sonoridade para investir em um projeto coletivo? Poucos, correto? E se alterarmos o foco, apontando em direção o universo de egos e personagens reais que define o Hip-Hop norte-americano, quantos desses artistas teriam a coragem mudar a direção dos holofotes, atuando em segundo plano, como um possível “coadjuvante”?

A resposta é apenas uma: Chance The Rapper.

Depois de ser oficialmente apresentado ao mundo com a excelente mixtape Acid Rap, de 2013, o artista original da cidade de Chicago, Illinois, não apenas foi acolhido por parte da imprensa norte-americana, como partiu em direção ao grande público. Entre composições ao lado de James Blake, Lil Wayne, Skrillex e Madonna, o destaque acabou ficando por conta da parceria com Justin Bieber em Confident, uma das melhores criações do músico teen e a ponte para o imediato reconhecimento do rapper, cada vez mais disputado, cercado de colaboradores.

Em Surf (2015, Independente), primeiro álbum do artista dentro do projeto Donnie Trumpet & The Social Experiment, nada disso parece importar. Ainda que o nome do rapper seja utilizado para atrair a atenção do público, da abertura ao fechamento da obra, Chance assume apenas um “papel secundário”, como um coadjuvante funcional junto ao time de instrumentistas, cantores e outros responsáveis pelas rimas que interferem no processo criativo do trabalho.

Jogo de ritmos e fórmulas musicais propositadamente aleatórias, Surf vai do Soul ao Jazz, do Hip-Hop ao R&B romântico sem perder o controle. Ainda que o controle da obra esteja nas mãos do quinteto formado por Nico Segal (Donnie Trumpet), Chance The Rapper, Peter Cottontale, Greg Landfair Jr. e Nate Fox, a cada nova faixa, um time renovado de colaboradores. Interferências – líricas e instrumentais – que levam o disco até o Jazz de John Coltrane sem necessariamente cortar os laços com a recente cena montada por Flying Lotus e toda a soma de artistas da Costa Oeste dos Estados Unidos. Continue reading

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M.I.A.: “Matahdatah Scroll 01 Broader Than a Border” (VÍDEO)

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M.I.A. passou as últimas semanas publicando uma série de fotografias, retratos e imagens curiosas que apresentavam diferentes cidades espalhadas pela India, Africa e outras periferias ao redor do mundo na própria página do Facebook. Fragmentos visuais que anunciavam a chegada de Matahdatah Scroll 01 “Broader Than a Border”, projeto audiovisual da cantora em parceria com a Apple Music e passagem para o quinto registro de inéditas da artista, Matahdatah.

Trata-se de uma colagem de duas composições da rapper. A primeira, Swords, faixa que integra o novo (e ainda inédito) registro de M.I.A., sustentando no uso de samples de espada a própria base instrumental. Na segunda metade, uma reciclagem da já conhecida Warrior, música presente no último trabalho de estúdio da artista, Matangi, de 2013. Mesmo sem data de lançamento, a expectativa é a de que Matahdatah seja apresentado ao público ainda em 2015.

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M.I.A. – Matahdatah Scroll 01 Broader Than a Border

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Toro Y Moi: “Pitch Black” (Ft. Rome Fortune)

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Chaz Bundick não sabe a hora de parar – e o público agradece. Como se não bastasse o lançamento do quarto registro de inéditas do artista, What For? (2015), além da sequência de novas composições entregues ao público nas últimas, o produtor acaba de investir em mais uma bem-resolvida parceria com o rapper Rome Fortune: Pitch Back.

Enquanto Bundick passeia pelo soul/funk dos anos 1970 – e dos próprios discos – para construir as bases da canção, Fortune sustenta nas rimas o mesmo fluidez reforçada nas últimas mixtapes. A julgar pela forma como sintetizadores e batidas crescem lentamente, é fácil pensar em Pitch Back como uma possível sobra de estúdio de Anything in Return (2013), álbum em que Toro Y Moi se aproxima com naturalidade do Hip-Hop.

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Toro Y Moi – Pitch Black (Ft. Rome Fortune)

 

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Disco: “Summertime ’06”, Vince Staples

Vince Staples
Hip-Hop/Rap/Alternative
http://www.vincestaples.com/

Se Summertime ’06 (2015, Def Jam) fosse apresentado ao público como filme, seria impossível desviar o olhar da tela, mesmo que por alguns poucos segundos. Com quase uma hora de duração, o álbum duplo que marca a estreia do rapper Vince Staples não apenas prende a atenção como perturba, transportando sem dificuldades a mente do ouvintes para o mesmo cenário em preto e branco dominado por gangues, assassinatos e conflitos do personagem (real) vivido por Staples durante a adolescência nas ruas de Long Beach, Califórnia.

Na trilha de Kendrick Lamar em Good Kid, M.A.A.D City (2012) e Earl Sweatshirt em Doris (2013), álbum que conta com a participação do rapper na faixa Hive, Summertime ‘06 sustenta na rima precisa de Staples uma passagem descomplicado para a rápida aproximação do ouvinte. Como o protagonista de uma película, Staples é o personagem que acompanha o público pela narrativa cinza da obra, um retrato nostálgico (e amargo) do anunciado “Verão de 2006”, período em que Staples, aos 13 anos, fez parte de uma gangue composta apenas por adolescentes.

Ao mesmo tempo em que cria uma narrativa obscura da própria juventude, Staples, de forma talvez propositada, lentamente articula uma obra que reflete a passagem de qualquer indivíduo para a vida adulta. Medo da morte, desilusões amorosas, convivência e depressão; elementos que escapam do ambiente temático da obra, abraçando com naturalidade os tormentos de qualquer indivíduo. Difícil não se identificar com versos como “Eu odeio quando você mente / eu odeio a verdade também”, fragmento certeiro do acervo espalhado pela densa Jump Off the Roof.

Estímulo para a construção do ambiente sombrio que cresce ao longo da obra, tanto as batidas como bases espalhadas pelo disco refletem o completo alinhamento de Staples e do time de produtores convidados. Da abertura com Lift Me Up, passando por Señorita, Surf e Hang n’ Bang, Summertime ‘06 mantém a proximidade dos arranjos. Mesmo a utilização de samples parece restrita, solucionando no loop seco das batidas e pianos soturnos a linha instrumental que amarra todo o trabalho. É fácil lembrar de Earl Sweatshirt ou mesmo dos primeiros álbuns de Jay-Z, registros orientados pelo mesmo conceito melódico. Continue reading

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Kendrick Lamar: “Alright” (VÍDEO)

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Kunta Kinte, Wesley Snipes, escravidão, capitalismo, apropriação de cultura, preconceito racial e morte. Antes mesmo que a quarta faixa de To Pimp a Butterfly (2015, Interscope / Aftermath / Top Dawg) chegue ao final, Kendrick Lamar assume com o novo álbum de estúdio – o segundo sob o aval de uma grande gravadora, a Interscope -, um dos retratos mais honestos sobre o conceito de “dois pesos, duas medidas” que sufoca a comunidade negra dos Estados Unidos. Uma interpretação amarga, ainda que irônica, capaz de ultrapassar o território autoral do rapper de forma a colidir com o universo de Tupac Shakur, Michael Jackson, Alex Haley e outros “personagens” negros da cultura norte-americana.

Como explícito desde o último trabalho do rapper, o bem-sucedido good kid, m.A.A.d city (2012),To Pimp a Butterfly está longe de ser absorvido de forma imediata, em uma rápida audição. Trata-se de uma obra feita para ser degustada lentamente, talvez explorada, como um imenso jogo de referências e interpretações abertas ao ouvinte. Da inicial citação ao ator Wesley Snipes – preso entre 2010 e 2013 por conta de uma denúncia de fraude fiscal -, passando por referências ao cantor Michael Jackson, Malcom X, Nelson Mandela, exaltações à comunidade negra, além de trechos da obra do escritor Alex Haley –  Negras Raízes (1976) -, cada faixa se espalha em um acervo (quase) ilimitado de pistas, costurando décadas de segregação racial dentro e fora dos Estados Unidos. Leia o texto completo.

Dirigido por Colin Tilley e filmado em preto e branco, Alright é o mais novo clipe de Kendrick Lamar a ser extraído do álbum To Pimp a Butterfly (2015). Assista:

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Kendrick Lamar – Alright

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Disco: “O∆”, London O’Connor

London O’Connor
Hip-Hop/Psychedelic/Alternative
https://www.facebook.com/LondonOConnor

A música de London O’Connor é torta, estranha e, consequentemente, hipnótica. Personagem curioso da nova safra de representantes do Hip-Hop nova-iorquino, o artista de 24 anos encontra no primeiro álbum em carreira solo uma obra entregue ao experimento. Um passeio que começa pela mente (e versos) perturbados do compositor, segue de forma segura pelo Rap dos anos 1990 e só estaciona no final dos anos 1960, flertando com a mesma sonoridade de artista como The Velvet Undergound e outros gigantes que bagunçaram a música produzida no leste dos Estados Unidos.

Apresentado em pequenas “doses” no perfil de O’Connor no Soundcloud, O∆ (2015, Independente) é uma fuga de limites conceituais e bases previsíveis. Em um misto de canto, rima e lamentações, a formação de um registro de essência particular, isolado, como se diferentes tormentos sentimentais e existencialistas do jovem artista fossem essencialmente expostos e dissecados em cada instante sombrio que preenche o trabalho.

Interessante perceber que mesmo dentro de um cercado de versos e experiências particulares, O∆ está longe de parecer uma obra reclusa, pouco convincente. Em uma estrutura melódica, O’Connor revela ao público uma coleção de 10 faixas musicalmente atrativas, talvez não comerciais, porém, dificilmente ignoradas. Logo de cara, a dobradinha formada por OATMEAL e NATURAL, músicas que brincam com as mesmas melodias de vozes de grupos de músicas pop nos anos 1960, como das batidas minimalistas de Fever Ray e outros nomes recentes da música eletrônica.

Mesmo que o “pop” não seja a palavra certa para caracterizar o trabalho do rapper/cantor, escapar da armadilha de harmonias etéreas e versos pueris ressaltados em Nobody Hangs Out Anymore ou GUTS é uma tarefa quase impossível. São mais de cinco décadas de referências disformes, opositoras, mas que dialogam de forma segura até o encerramento da obra, sempre amarradas pela lírica sensível, pós-adolescente e particular de O’Connor. Continue reading

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