Tag Archives: Hip-Hop

Arca: “Thievery”

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Em pouco menos de um ano o venezuelano/nova-iorquino Alejandro Ghersi deixou de ser apenas um nome estranho da cena norte-americana para se transformar em um dos produtores mais disputados da música recente. Mais conhecido pelo trabalho à frente do Arca, Ghersi passou os últimos meses entre produções para artistas como Kanye West e FKA Twigs, além de faixas e projetos visuais desenvolvidas ao lado do parceiro Jesse Kanda – com quem lançou Fluid Silhouettes no começo do ano.

Depois de uma ótima mixtape lançada em agosto do último ano – &&&&& (2013) -, é hora de sermos apresentados ao primeiro registro oficial do artista: Xen (2014). Previsto para estrear no dia quatro de novembro pelo selo Mute, o álbum resume na inédita Thievery não apenas um aperitivo das demais composições, mas também um curioso distanciamento do material lançado há poucos meses. Muito mais “controlado”, Ghersi testa agora ambientações, batidas e samples em um cenário quase convidativo para o ouvinte médio, esbarrando vez ou outras nas mesmas imposições de Clams Casino e até AraabMuzik durante o primeiro disco.

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Arca – Thievery

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Disco: “Gana Pelo Bang”, Lurdez da Luz

Lurdez da Luz
Hip-Hop/Rap/Pop
http://www.lurdezdaluz.com/

Por: Cleber Facchi

Lurdez da Luz está longe de ser uma iniciante. Mesmo que o primeiro trabalho solo da rapper paulistana seja apresentado somente agora, Gana Pelo Bang (2014, YB Music), são quase duas décadas de projetos em parceria, colaborações e toda uma bagagem imensa de composições – experiência raramente igualada dentro do produção brasileira. Da parceria com Rodrigo Brandão no Mamelo Sound System, passando pela série de faixas ao lado de diferentes nomes do rap nacional – ou mesmo além dele, como Lucio Maia e Garotas Suecas -, maturidade é o que não falta para a presente “debutante”,  aspecto refletido na segurança do novo lançamento de estúdio.

Norteado pela mesma composição do EP homônimo de 2010, o trabalho de 10 faixas aos poucos se distancia da atmosfera inicial lançada por Da Luz, revelando ao público um material totalmente inédito. Mais do que um olhar atento sobre a periferia de São Paulo, Gana Pelo Bang dialoga de forma explícita com diferentes cenários, pessoas e principalmente ritmos nacionais. Uma espécie de passeio pela periferia brasileira sem necessariamente fugir do território urbano/cinza há décadas sustentado pela rapper – liricamente versátil em toda a construção do álbum.

Parte dessa carga de referências flutua com naturalidade na composição instrumental do disco. Funk carioca em Mente Aê, ritmos nordestinos no interior de Ping Pong e até passagens fragmentadas pela cultura nortista – como as variações de Technobrega na romântica Beijinho. Postura inédita para quem descobriu o trabalho da rapper no EP de 2010, grande parte dessa colagem de referências antecede a fase solo de Da Luz, esbarrando em temas e pequenas imposições musicais já alcançadas em Velha-Guarda 22 (2006), ainda com o Mamelo Sound System.

A diferença talvez esteja no ritmo (sempre) intenso dado ao disco, efeito reforçado pelo time de produtores que trabalham de forma cooperativa ao longo de toda a obra. Com Leo Justi, Nave e a dupla Stereodubs como produtores do álbum, Da Luz segue em ritmo frenético até o último instante do trabalho. Tão intenso (Fervo), quanto dançante (Poder), o disco cresce como uma colisão de temas, samples e batidas propositadamente instáveis, matéria volátil aos poucos amarrada pela rima firme e ainda melódica da rapper. Continue reading

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Flying Lotus: “Never Catch Me” (ft. Kendrick Lamar)

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Herbie Hancock, Snoop Dogg, Thundercat e Angel Deradoorian (Dirty Projectors), estes são alguns dos diversos colaboradores que devem aparecer no aguardado You’re Dead! (2014). Quinto registro da carreira de Steven Ellison como Flying Lotus, o álbum agendado para o dia seis de outubro acaba de ter mais uma criação divulgada: Never Catch Me, parceria com ninguém menos do que Kendrick Lamar.

Assim como Moment Of Exitation, parceria com o pianista Herbie Hancock – apresentada em uma entrevista para a BBC Radio -, a nova música pouco entrega sobre o sucessor de Until the Quiet Comes (2012). Lançada com exclusividade pelo site L.A. Leakers – o que explica as vozes e constantes interferências de ruídos -, a canção entrega com exatidão as bases abstratas de Ellison enquanto Lamar passeia pelo mesmo efeito lírico incorporado em good kid, m.A.A.d city, de 2012. Update: ouça a versão completa abaixo.

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Flying Lotus – Never Catch Me (ft. Kendrick Lamar)

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Disco: “Angels & Devils”, The Bug

The Bug
Electronic/Hip-Hop/Dubstep
http://ninjatune.net/us/artist/the-bug

Por: Cleber Facchi

Poucos trabalhos resumem de forma tão expressiva a cena britânica da última década quanto London Zoo. Terceiro álbum de estúdio de Kevin Martin à frente do The Bug – um dos inúmeros projetos paralelos do artista -, o registro lançado em julho de 2008 se espalha como uma verdadeira colcha de retalhos instrumentais. Dub, dancehall, dubstep, grime e Hip-Hop; referências ainda presentes na assinatura musical do produtor, porém encaradas sob novo detalhamento no recente Angels & Devils (2014, Ninja Tune).

Natural continuação da sonoridade lançada por Martin em Filthy EP, de 2013, o novo álbum cresce como um registo voltado em essência no Hip-Hop, costurando aleatoriamente os temas ressaltados anteriormente pelo produtor. Trata-se de uma obra feita para desbravar territórios, capaz de dialogar com diferentes cenas/tendências urbanas ao redor do globo, porém, sem escapar das imposições autorais do próprio criador.

Parte dessa pluralidade reside na busca de Martin por colaboradores alheios à cena britânica – posição ressaltada no zoológico de espécies locais do trabalho passada. São representantes de peso da música norte-americana (Death Grips, Gonjasufi), germânica (Inga Copeland), além, claro, de parceiros que marcaram presença em grande parte do álbum de 2008 – caso específico de Warrior Queen e Flowdan. Curiosa também é a inclusão de nomes como Liz Herris (Grouper) e outros instrumentistas externos ao ambiente “natural” do artista, forçando ainda mais o aspecto amlpiado da obra.

Musicalmente ponderado em relação ao campo imenso explorado em London Zoo, Angels & Devils é uma obra que mantém sob controle toda a estrutura dos arranjos e bases assinadas por Martin – ou mesmo seus colaboradores. Grande parte das composições parecem impulsionadas por uma mesma concepção rítmica, sonoridade explícita no uso das texturas ainda mais densas, sobrepostas ao uso de batidas limpas, além do expressivo espaço para os vocais. Entretanto, como a dualidade do próprio título resume, dois espaços distintos crescem no interior do trabalho. Continue reading

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Kero Kero Bonito: “Intro Bonito Mixtape”

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Quem havia se encantado pelo trabalho do trio britânico Kero Kero Bonito em Sick Beat já pode celebrar. Todas as 15 faixas de Intro Bonito Mixtape, primeiro lançamento da banda formada por Sarah, Jamie e Gus, já podem ser apreciadas na íntegra. Na trilha dos primeiros inventos do trio, o álbum de 30 minutos é uma coleção de temas delicados, estranhos e capazes de resumir grande parte da cena eletrônica/pop atual.

Costurado por elementos diversos da cultura pop, Hip-Hop, J-Pop, GIFs e até Tomb Raider, o registro gruda sem dificuldades nos ouvidos. Parece The Go! Team, lembra M.I.A., Grimes, Ryan Hemsworth e toda a geração de artistas pós-Tumblr. Abaixo você encontra o (viciante) trabalho para audição.

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Kero Kero Bonito – Intro Bonito Mixtape

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Disco: “V”, jj

jj
Electronic/Dream Pop/Balearic
http://www.jjuniverse.com/

A colagem de sons instalada na abertura de V (2014, Sincerely Yours), terceiro e mais recente álbum de estúdio do jj serve como aviso sobre a extensa produção que acompanha o trabalho da dupla. Em uma atuação que se distancia de padrões ou possíveis exigências comerciais, o casal Joakim Benon e Elin Kastlander continua a atuar em uma medida de tempo própria, postura que explica os quatro anos de “hiato” desde o último trabalho oficial - jj n° 3 (2010) – e a completa (ou quase isso) mudança de direção no interior do novo álbum.

Ainda que letárgico e acomodado na mesma nuvem de sons “mágicos” do debut jj n° 2 (2009), bastam os minutos iniciais de Dynasti ou Dean & Me, para perceber o novo plano de atuação da dupla. Enquanto vozes e arranjos anteriormente flutuavam em uma atmosfera minimalista, marcada pela execução efêmera dos ruídos e bases, hoje todos os elementos se organizam em uma estrutura nítida de referências, quase previsível. Há planejamento, começo, meio e fim, postura que resume com acerto a proposta atual do duo sueco, porém, abandona aspectos importantes realçados dos primeiros anos do casal.

Com base na sutileza dos temas abordados em faixas como My Love e Ecstasy, tanto o álbum lançado em 2009 como o disco de 2010 apostavam em uma sonoridade efêmera, prendendo o ouvinte pela surpresa e delicadeza dos atos. Do momento em que Things Will Never Be the Same Again inaugura o debut, ou My Life no trabalho seguinte, há sempre a sensação de que os arranjos, vozes e melodias vão se “esfarelar” na cabeça do ouvinte, preso a cada ato sereno que Benon projeta para a voz de Kastlander.

Seja pelo uso de guitarras cruas (All Ways, Always) ou batidas densas (Hold Me), V é uma obra que rompe com o espaço místico dos primeiros discos de forma a percorrer um território muito mais urbano, quase “físico”. É visível como elementos do Rock e Hip-Hop, antes diluídos por entre as canções, agora ocupam um enquadramento de maior destaque ao longo de toda a obra. Mesmo a percussão tribal e uso aprimorado arranjos de cordas dos primeiros álbuns ecoa sob novo formato, visivelmente preciso e esquivo da lisergia natural da dupla. Continue reading

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Pearls Negras: “Make It Last”

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De todas as novidades da “música brasileira” em 2014, o trio carioca Pearls Negras talvez seja a mais importante e divertida. Formado por Alice Coelho, Mariana Alves e Jennifer Loiola, o grupo montado no Morro do Vidigal, no Rio de Janeiro começou foi oficialmente apresentado em dezembro do último ano com a mixtape Biggie Apple. Entretanto, foi com a chegada do clipe de Pensando em Você que as garotas realmente chamaram a atenção do público.

Prontas para repetir o sucesso do mesmo vídeo, o trio apresenta agora o registro de Make it Least. Uma das canções mais versáteis do trabalho, a faixa ganha um visual cômico graças ao vídeo assinado pelo diretor Ian Pons Jewell. Com direito a um velório, imagens em VHS e, claro, algumas coreografias da garota, o clipe é uma verdadeira viagem aos anos 1990, reflexo do visual, roupas e até efeitos utilizados na transição das cenas.

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Pearls Negras – Make It Last

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Only Real: “Pass The Pain”

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A mistura de versos ora cantados, ora rimados, arranjos veranis, além do delicioso apelo pop das canções garantiram ao britânico Niall Gavin um lugar de destaque com o Only Real. Um dos projetos mais interessantes da atual cena inglesa, a banda responsável pelos hits Get It On e Cadillac Girlconfirma a natureza assertiva dos próprios inventos e melodias com a chegada do single Pass The Pain.

Tão envolvente quanto qualquer um dos últimos lançamentos de Gavin, a nova faixa reforça o uso das rimas ao mesmo tempo em que o Surf Rock do single de estreia ecoa renovado. São pouco mais de três minutos em que vocalizações brandas e acordes psicodélicadas resumem parte da estrutura lançada pelo músico – uma espécie de versão “pop” do conterrâneo King Krule. Ainda que apresentada de forma individual, a nova música é parte do primeiro registro de estúdio do Only Real, a ser lançado ainda em 2014.

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Only Real – Pass The Pain

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Tinashe: “Pretend” (Feat. A$AP Rocky)

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Depois de três mixtapes – incluindo a ótima Black Water (2013) -, Tinashe reserva para o dia sete de outubro a chegada do primeiro registro oficial da carreira. Intitulado Aquarius (2014), o álbum de 18 faixas apresentado por 2 On – parceria com Schoolboy Q e DJ Mustard – segue com naturalidade a estrutura lançada pela cantora durante os primeiros registros, efeito comprovado na estreia de Pretend, colaboração com o rapper A$AP Rocky e uma das representações do lado mais pop do novo disco.

Tomada pela voz pueril de Tinashe, a canção é uma típica manifestação do som lançado pela cantora/rapper, conduzindo o ouvinte por entre versos e bases puramente românticas. Na trilha de outros inventos recentes do R&B e, ao mesmo tempo, íntima das melodias exaltadas por Rihanna e outros nomes do pop estadunidense, a canção é o motivo que faltava para ser completamente seduzido pelo debut, agendado para o dia sete de outubro pelo selo RCA.

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Tinashe – Pretend (Feat. A$AP Rocky)

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Kelela: “OICU” (Feat. Le1f)

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Ainda que pareçam atuar em direções opostas, a base para o trabalho de Kelela e Le1f sempre foi a mesma. Dos arranjos e batidas eletrônicas limpos – típicos dos anos 1990 -, ao uso comum de temas fragmentados entre o rap e o R&B, o duo norte-americano se encontra agora para dividir os próprios sentimentos na inédita OICU, um resumo coeso do som projetado pela dupla nos últimos dois anos.

Com produção assinada por P. Morris, a faixa parece movida pelos contrastes. De um lado, a rima lenta e suja do rapper nova-iorquino, no outro, as vocalizações densas, íntimas do som projetado pela cantora em Cut 4 Me (2013). Expressão vocal e lírica do que há de mais coeso no trabalho solo de cada artista, OICU bem poderia servir de passagem para um álbum/EP inteiro de faixas partilhadas entre a dupla.

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Kelela – OICU (Feat. Le1f)

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