Tag Archives: Hip-Hop

Disco: “Lemonade”, Beyoncé

Artista: Beyoncé
Gênero: R&B, Hip-Hop, Pop
Acessehttp://www.beyonce.com/ 

 

You mix that negro with that Creole make a Texas bama
I like my baby heir with baby hair and afros
I like my negro nose with Jackson Five nostrils“

Coreografias transformadas em atos de enfrentamento à violência policial, símbolos e fotografias reforçando a luta da comunidade negra, o cabelo crespo em oposição ao alisamento, New Orleans embaixo d’água. Em fevereiro deste ano, quando apresentou ao público o clipe de Formation, Beyoncé parecia revelar apenas a ponta do imenso iceberg de referências do novo registro de inéditas. Em Lemonade (2016, Parkwood / Columbia), sexto álbum de estúdio da cantora e compositora norte-americana, um mundo de detalhes, citações, personagens e histórias que dialogam diretamente com o passado e a cultura negra dos Estados Unidos.

Do título inspirado em uma fala da avó de Jay-Z – “eles me serviram limões, mas eu fiz uma limonada” –, passando pelo clássico discurso de Malcolm X – “quem te ensinou a se odiar?” – e versos assinados pela poetisa queniana Warsan Shire, Lemonade se projeta como uma obra a ser desvendada de forma atenta. Seja na estrutura musical que orienta o disco – repleta de bases extraídas de clássicos do soul, blues Hip-Hop e R&B –, até alcançar o registro visual que sustenta o trabalho – uma parceria entre a cantora e diretores como Jonas Åkerlund, Mark Romanek e Melina Matsoukas -, uma rica tapeçaria conceitual se desenrola da abertura do disco, com Pray You Catch Me, ao fechamento em Formation.

No time de produtores que assinam o trabalho, “novatos” como o britânico James Blake, responsável pela curtinha Forward, faixa que poderia facilmente ser encontrada no último álbum do produtor, Overgrown (2013). Em Hold On, uma espécie de síntese do imenso coletivo de artistas que cercam Beyoncé ao longo da obra. São 15 compositores, entre eles a dupla formada por Diplo e Ezra Koenig (Vampire Weekend), o cantor e compositor Father John Misty, a cantora Emile Haynie, o inglês MNEK e o trio Brian Chase, Karen Orzolek e Nick Zinner, do Yeah Yeah Yeahs, responsáveis pelo verso central da canção – “They don’t love you like I love you” –, originalmente apresentado em Maps, de 2003. Continue reading

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Anderson .Paak: “The Season / Carry Me / The Waters” (VÍDEO)

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A colorida capa de Malibu (2016) indica o caminho assumido por Anderson .Paak no segundo álbum de estúdio. Em um passeio atento pelo Hip-Hop, Soul, Jazz e R&B de diferentes épocas e tendências, o cantor/rapper norte-americano finaliza uma obra tão íntima do trabalho assinado por veteranos como D’Angelo (Brown Sugar), Outkast (Aquemini) e Dr. Dre (The Chronic), quanto de novos representantes da música negra estadunidense, principalmente Kendrick Lamar (To Pimp a Butterfly) e Chance The Rapper (Surf).

Ambientado no mesmo universo temático do antecessor Venice, de 2014, o presente álbum utiliza de um rico acervo de histórias pessoais, personagens e conflitos extraídos de diferentes pontos da cidade de Los Angeles como um instrumento de construção dos versos. Canções que amarram cenários e sentimentos (Parking Lot), reflexões sobre o passado e presente (The Bird) ou mesmo pequenas realizações de Paak (The Dreamer), sempre preservando o colorido (e imenso) cenário que cresce ao fundo da obra. Leia o texto completo.

Dono de um dos melhores discos de 2016, o excelente Malibu, Anderson. Paak decidiu juntar três faixas do trabalho – The Season, Carry Me e The Waters – para a construção de um clipe psicodélico e repleto de referências em parceria com o diretor Chris Le. Assista:

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Anderson .Paak – The Season / Carry Me / The Waters

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Resenha: “A Good Night In The Ghetto”, Kamaiyah

Artista: Kamaiyah
Gênero: Hip-Hop, Rap, R&B
Acessehttps://soundcloud.com/kamaiyah 

 

Original da cidade de Oakland, Califórnia, Kamaiyah havia acabado de nascer quando o Hip-Hop/R&B tomou conta das principais paradas de sucesso em meados da década de 1990. Todavia, curioso perceber em cada uma das canções que marcam a mixtape A Good Night In The Ghetto (2016, Independente), primeiro registro de inéditas da jovem estadunidense, a base para um trabalhos que melhor reflete conceitos, batidas e arranjos exploradas há duas décadas

Em uma linguagem atual, capaz de dialogar com o presente cenário, Kamaiyah e um time imenso de colaboradores visita de forma criativa diferentes aspectos da poesia e sonoridade que marca o rap norte-americano. Rimas e bases que mergulham na obra veteranos como o conterrâneo Too $hort, incorporam as vozes de personagens icônicos como Aaliyah e TLC, além de todo um vasto universo de referências por vezes nostálgicas.

Ao lado de Kamaiyah, um assertivo time de produtores formado por novatos e nomes pouco conhecidos da cena californiana. Artistas como CT Beats, Trackademicks, DJ Official, 1-O.A.K, WTF NonStop, Link Up, Drew Banga e P-Lo. Em parceria com a rapper, assumindo parte das rimas, nomes como Big Money Gang, a cantora local Netta Brielle e o rapper YG – possivelmente o artista “mais conhecido” de todo o trabalho.

Como o próprio título da obra indica – “uma boa noite no gueto”, em português –, grande parte das canções apresentadas no trabalho refletem aspectos típicos do cotidiano de Oakland. Nas rimas de How Does It Feel, por exemplo, diferentes personagens, cenários, drogas, encontros e desencontros que movimentam a vida da rapper. Em outras como I’m On, o mesmo conceito, porém, ancorado em referências pessoais e versos que focam na ascensão do eu lírico. Continue reading

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Ricky Eat Acid: “Triple Cup”

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Poucos artistas produzem um som tão lisérgico e dançante quanto Sam Ray. Responsável pelo Ricky Eat Acid, projeto de música eletrônica que flerta com elementos do Hip-Hop e música psicodélica, o artista norte-americano está de volta com uma nova criação inédita. Em Triple Cup, uma extensão inteligente do material apresentado há dois anos em Three Love Songs (2014), último grande álbum do produtor original de Maryland.

Sintetizadores e batidas dançantes, fragmentos de vozes sampleadas do rapper Waka Flocka, batidas que crescem e encolhem a todo segundo. A sensação de tomar um doce e se trancar no quarto para ouvir a trilha sonora de jogos clássicos da Nintendo. Um turbilhão de referências coloridas, quebras e mudanças bruscas de direção, como se o som originalmente atmosférico de Ray fosse remixado de forma propositadamente instável, louca.

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Ricky Eat Acid – Triple Cup

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DJ Shadow: “Nobody Speak” (ft. Run The Jewels)

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Cinco anos após o lançamento de The Less You Know, the Better (2011), Josh Davis está de volta com um novo álbum como DJ Shadow. Em The Mountain Will Fall (2016), quinto registro de inéditas do responsável pelo clássico Endtroducing….. (1996), o produtor original de San Jose, Califórnia, decidiu rechear parte das 12 canções que abastecem o disco com um time de convidados que vai do pianista alemão Nils Frahm ao duo de Hip-Hop Run The Jewels.

Passado o anúncio do novo álbum, que ainda contou com o lançamento da delicada faixa-título, DJ Shadow apresenta agora a inédita Nobody Speak. De um lado, as tradicionais batidas e samples sempre curiosos garimpados pelo produtor. No outro, a interferência direta dos convidados El-P e Killer Mike, assumindo um caminho que muito se assemelha ao segundo álbum de inéditas do Run The Jewels, lançado em 2014.

The Mountain Will Fall (2016) será lançado no dia 24/06 pelo selo Mass Appeal.

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DJ Shadow – Nobody Speak (ft. Run The Jewels)

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M.I.A.: “Rewear It” (VÍDEO)

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M.I.A. sempre manteve um forte discurso em relação a diferentes projetos sociais e causas humanitárias. Em parceria com a marca de roupas H&M, a rapper dá início a um novo projeto, o World Recycle Week, incentivando que peças antigas e fora de uso sejam recicladas, devolvidas às lojas. A ideia é que outras marcadas abracem a campanha, criando posts de coletas – outra alternativa são os projetos e campanhas para doação de roupas que você encontra em todo o Brasil.

Para promover a nova campanha, M.I.A. decidiu lançar a inédita Rewear It, música-tema do projeto que chega acompanhada de um curioso videoclipe. Em cima de pilhas de roupas, a rapper e um time de dançarinos montam suas coreografias, criando uma espécie de comparativo entre o lixo gerado pela ausência de reciclagem e edifícios enormes. Assista:

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M.I.A. – Rewear It

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Chance The Rapper: “Angels” (VÍDEO)

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Chance The Rapper não para. No último ano, enquanto integrava o projeto Donnie Trumpet & the Social Experiment, coletivo com quem lançou o ótimo Surf – um dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2015 -, o rapper norte-americano em nenhum momento esqueceu da própria carreira. Além da série de faixas assinadas em colaboração com outros artistas – como Tinashe e Kehlani -, Chance apresentou ao público a inédita Angels.

Parceria com o conterrâneo Saba, a canção de versos melódicos e batidas que resgatam elementos da música gospel nasce como uma espécie de ponte para o trabalho de Chance no ótimo Acid Rap, de 2013. Agora transformada em clipe, o trabalho dirigido pelo velho colaborador Austin Vesely mostra o rapper em uma série de voos pela cidade de Chicago, como um herói ou anjo como os versos e imagens do registro acabam indicando.

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Chance The Rapper – Angels

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Schoolboy Q: “Groovy Tony” (VÍDEO)

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Dois anos se passaram desde que Schoolboy Q apresentou ao público o último registro de inéditas da carreira: Oxymoron (2014). Longe dos holofotes que acabaram apontando para outros parceiros do selo Top Dawg Entertainment – como Kendrick Lamar, Jay Rock e Ab-Soul -, o rapper californiano decidiu se isolar, mantendo-se afastado do grande público e voltando somente agora com uma nova composição inédita, a agressiva Groovy Tony.

Inspirada no personagem Tony Montana, protagonista do filme Scarface (1984) interpretado pelo ator Al Pacino, Schoolboy Q faz da recém-lançada composição uma curiosa metáfora em relação à própria carreira como rapper. Versos que falam sobre drogas, sexo e criminalidade, proposta que ultrapassa o limite das rimas e chega até o clipe da canção, projeto que leva a assinatura do diretor Jack Begert.

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Schoolboy Q – Groovy Tony

 

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Disco: “A Coragem da Luz”, Rashid

Rashid
Nacional/Hip-Hop/Rap
http://rashid.com.br/

 

“Você já teve um sonho?”, pergunta Rashid logo nos minutos iniciais de A Coragem da Luz (2016, Independente). Obra de realizações, o primeiro álbum em estúdio do rapper paulistano indica uma completa transformação do artista em relação ao material produzido para as últimas três mixtapes – Dádiva e Dívida (2011), Que Assim Seja (2012) e Confundindo Sábios (2013). Rimas que discutem preconceito, cobiça, os excessos dentro das redes sociais e a convivência em uma sociedade cada vez mais caótica, raivosa, porém, alimentada por instantes breves de esperança.

O que fizemos aos senhores / Além de nascer com essa cor? / E de sorrir lindamente, diante / De nossa amiga dor?”. Tendo como ponto de partida a provocativa A Cena, composição entregue ao público em novembro do último ano, o trabalho de 15 faixas amarra passado e presente em uma estrutura que vai da escravidão (DNA) à horda de zumbis digitais (Laranja Mecânica). Conceitos anteriormente explorados por Criolo em Convoque Seu Buda (2014) e Emicida em O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui (2013), mas que encontram novo enquadramento nas rimas e referências lançadas por Rashid.

Breaking Bad, Pulp Fiction, Laranja Mecânica, Nausicaä do Vale do Vento, Angústia de Graciliano Ramos, citações ao falecido humorista Jorge Lafond e 1984 de George Orwell. Bastam os primeiros minutos de A Coragem da Luz para perceber o imenso catálogo de ideias, personagens e obras que preenchem as lacunas líricas do trabalho. Uma clara extensão do material apresentado há três anos, dentro da mixtape Confundindo Sábios, porém, agora completo com uma nova seleção de versos, sempre provocativos – “Seu elitismo é toxina / Com cinco reais ‘cê’ compra crack, já um livro é de 30 pra cima”.  

A mesma fluidez versátil que sustenta as rimas ecoa com naturalidade na manipulação dos arranjos e bases que abastecem o disco. De um lado, faixas como A Cena, Reis e Rainhas, Como Estamos e Cê Já Teve um Sonho, representantes do mesmo jazz/soul que serviu de base para o último álbum de Kendrick Lamar, To Pimp a Butterfly (2015). No outro oposto, o samba com pitadas de funk, estímulo para o nascimento de faixas aos moldes de DNA, Homem do Mundo e Groove do Violão. Sobram pontes para o rock, vide Futuro / No Meio do Caminho, além de passagens rápidas pelo R&B, base da autobiográfica Segunda-Feira. Continue reading

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Disco: “Potential”, The Range

The Range
Experimental/Electronic/Hip-Hop
http://www.therange.us/

 

O Hip-Hop sempre foi encarado com leveza nas canções de James Hinton. Basta voltar os ouvidos para Nonfication (2013), primeiro registro de inéditas do The Range, e logo perceber como o gênero sutilmente flutua em cada uma das 11 faixas apresentadas pelo produtor. Preferência que se destaca com a chegada de Potential (2016, Donkey Pitch), segundo álbum de inéditas do norte-americano e uma curiosa desconstrução de grande parte a base instrumental apresentada há três anos.

Passo além em relação ao trabalho produzido em Panasonic EP, de 2014, Potential não apenas confirma o interesse de Hinton pelo Hip-Hop/R&B, como apresenta ao público um conjunto de possibilidades e temas alavancados pelo uso delicado voz. Da curiosa abertura com Regular, passando por composições como Copper Wire, Skeptical e So, Hinton lentamente converte a voz em um ferramenta volátil, base de grande parte das faixas que conduzem a presente obra.

São versos cíclicos, trechos extraídos de clássicos do R&B na década de 1990, suspiros ou mesmo palavras que acabam servindo de estímulo para uma composição inteira. Em Florida, por exemplo, primeira música do trabalho a ser apresentada ao público, Hinton utiliza do vídeo de uma versão de You’ll Never Know, da cantora Ariana Grande, como base para sua própria criação. Fragmentos extraídos do Youtube e que ainda servem de estímulo para faixas como Five Four e Superimpose.

Mesmo a rica tapeçaria instrumental que se espalha ao longo do disco assume novo enquadramento. Enquanto Nonfication indicava a chegada de um artista inspirado pelo trabalho de gigantes da IDM – principalmente Aphex Twin nos anos 1990 -, em Potential vemos a busca de Hinton por um novo conjunto de ideias e referências. Perceba como os sintetizadores exploram novas texturas em Falling Out of Fase e Retune, ou mesmo a derradeira 1804 mergulha em uma inusitada ambientação dançante. Continue reading

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