Tag Archives: Hip-Hop

Tyler, The Creator: “Diaper”

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Sempre produtivo em estúdio, Tyler, The Creator diminuiu o ritmo nos últimos meses. Passado o lançamento de Wolf (2013), último registro em carreira solo, além da produção/participação em algumas faixas de Doris (2013), trabalho do parceiro Earl Sweatshirt, Tyler relaxou. Salvo a constante postagem na própria conta do Twitter e, claro, diversas apresentações ao vivo, nenhuma grande composição inédita foi apresentada pelo rapper. Até agora.

Para celebrar a nova temporada de shows pelos Estados Unidos, o “líder” do Odd Future revela ao público uma faixa retirada do próprio acervo: Diaper. Lançada no Twitter e disponível para audição pelo Tumblr do OFWGKTA, a música parece seguir com naturalidade o som proposto por Tyler no último ano. Seguindo a lógica dos últimos lançamentos do rapper, o ano de 2015 não deve passar sem um novo disco ou “mínima” mixtape.

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Tyler, The Creator – Diaper

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Sleigh Bells: “That Did It” (Feat. Tink)

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Em 2013 Derek E. Miller e Alexis Krauss resolveram mergulhar de vez na música pop. Ainda que os ruídos preencham toda a extensão do mediano Bitter Rivals, terceiro álbum de estúdio da dupla nova-iorquina, são os constantes diálogos com o público médio, melodias acessíveis e bases delicadas que realmente movimentam a obra. Acerto ou erro, não importa, ao lado da rapper Tink o duo apresenta a “sequência” That Did It, uma espécie de expansão do material apresentado há poucos meses.

De um lado, os ruídos característicos da guitarra de Miller, no outro, a sutileza vocal de Krauss e Tink, esta última responsável pelos instantes mais acelerados que sustentam a composição. Construída a partir de retalhos de antigas músicas do SB, That Did It foi gravada em Nova York e apresentada pelo Red Bull Sound Select. Além do registro de 2010, a dupla ainda conta com dois ótimos álbuns, Treats (2010) e Reign of Terror (2012).

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Sleigh Bells – That Did It (Feat. Tink)

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Kero Kero Bonito: “Build It Up”

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A divertida mixtape apresentada há poucos meses está longe de ser o único trabalho do trio Kero Kero Bonito em 2014. Ainda em busca de uma sonoridade própria, os parceiros Sarah, Jamie e Gus continuam a brincar com o pop, Hip-Hop e diferentes variações da eletrônica londrina, premissa para o som lançado em Build It Up, a faixa mais esquizofrênica e dançante já assinada pelo grupo até agora.

Como uma versão comercial de tudo aquilo que os membros do selo PC Music vêm desenvolvendo nos últimos meses, a enérgica criação garante mais de três minutos de batidas quebradas, versos bilíngues – inglês e japonês – e todo um acervo de pequenas colagens. Bateria louca, apitos e a voz doce de Sarah; quem ainda não conhece o trabalho do grupo vai encontrar na nova música um excelente resumo. Abaixo, a versão completa da faixa. Será que teremos o primeiro disco oficial do trio em 2015?

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Kero Kero Bonito – Build It Up

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Nicki Minaj: “Bed Of Lies” (Feat. Skylar Grey)

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Salve a produção de hits como Anaconda, em The Pinkprint (2014) Nicki Minaj parece assumir um caminho distinto em relação aos dois últimos álbuns de estúdio – Pink Friday (2010) e Pink Friday: Roman Reloaded (2012). Entre o Pop e o R&B, a rapper norte-americana volta a brincar com os mesmos conceitos lançados na inaugural Pills n Potions, base para a estrutura explorada no interior de Bed of Lies, quarto e mais recente single voltado ao novo registro de Minaj.

De um lado, a voz doce e temas melancólicos da cantora Skylar Grey, convidada especial da canção; no outro, as rimas secas da rapper, cada vez mais distante do som incorporado há poucos meses no último grande single. Embora ambientada em uma estrutura própria, difícil não lembrar da parceria entre Angel Haze e Sia em Battle Cry, espécie de matéria-prima para a recente criação de Minaj. Com lançamento pelos selos Young Money, Cash Money e Republic, The Pinkprint estreia oficialmente no dia 15 de dezembro.

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Nicki Minaj – Bed Of Lies (Feat. Skylar Grey)

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Disco: “Broke With Expensive Taste”, Azealia Banks

Azelia Banks
Hip-Hop/Rap/Electronic
http://www.azealiabanks.com/

Por: Cleber Facchi

As batidas, versos rápidos e ritmo crescente de 212 servem como um aviso: Azealia Banks é uma artista movida pela pressa. Em um intervalo de poucos meses desde a estreia com o primeiro single oficial, a rapper nova-iorquina despejou um bem sucedido EP – 1991 (2012) -, quase 20 composições inéditas dentro da mixtape Fantasea e toda uma avalanche de músicas avulsas, parcerias e remixes em diferentes plataformas da web. O motivo para tamanha euforia? Preparar o terreno e deixar o público aquecido antes do debut Broke With Expensive Taste.

Mesmo a ânsia de Banks e explícito desejo do público seriam insuficientes para atender às exigências do selo Interscope, antiga casa da rapper. Insatisfeita com o resultado do trabalho, a gravadora fez com que o disco inicialmente previsto para setembro de 2012 fosse constantemente alterado em estúdio, tendo a data de lançamento adiada por diversas vezes. Enfurecida, no Twitter a artista não economizou nos ataques ao selo, implorando publicamente para que fosse demitida ou contratada pela concorrente Sony. O resultado não poderia ser outro: a rapper acabou demitida da Interscope.

Naturalmente apressada, Banks resolveu não esperar até janeiro de 2015 – prazo divulgado pela nova distribuidora, a Prospect Park -, antecipando sem aviso prévio (e sob o próprio selo) a entrega do trabalho para o último dia seis de novembro. Fim da novela, é hora de apreciar na íntegra o catálogo de 16 faixas desenvolvidas pela rapper (além do time vasto de produtores) desde 2011. Todavia, com tamanho atraso e diversas (re)adequações em estúdio, não teria esgotado o “prazo de validade” do registro?

A resposta é clara: não. Broke With Expensive Taste é exatamente o registro de Banks batalhou para lançar em 2012, porém, acabou vetado pela Interscope em razão do caráter “anárquico” de suas composições. Ainda que Chasing Time, Soda e demais faixas do registro sejam capazes de adaptar o trabalho da rapper ao grande público – alvo óbvio da gravadora -, parte expressiva do material esbarra em arranjos, temas e vozes pouco usuais para os padrões comerciais. Observado com atenção, BWET é muito mais uma nova mixtape de Banks do que um homogêneo registro de estúdio em si. Continue reading

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Disco: “Convoque Seu Buda”, Criolo

Criolo
Hip-Hop/Alternative/Rap
http://www.criolo.net/

Por: Cleber Facchi

O som de uma corredeira dissolvido em meio ao canto dos pássaros. Instantes de serenidade. Em um ruído crescente, a interferência de passos acelerados. Pausa. Acompanhado do som metálico de uma espada, explode o agressivo grito de um guerreiro. Caos.

Em uma representação precisa, quase visual, a “cena” que ocupa os segundos iniciais de Convoque Seu Buda (2014, Oloko) parece resumir todo o cenário turbulento que Kleber Cavalcante Gomes, o Criolo, desenvolve ao longo da presente obra.

Terceiro álbum de estúdio do rapper paulistano – o segundo desde que abandonou o título de “Doido” -, Convoque Seu Buda pode até seguir a trilha do antecessor, o elogiado Nó Na Orelha (2011), porém, está longe parecer uma cópia ou provável sequência. Do diálogo reformulado com a MPB de Gil e Caetano – vide o canto rimado em Pegue Pra Ela e arranjos de Plano de Voo -, passando pelo samba “político” em Fermento Pra Massa, Criolo parece redescobrir a própria essência. Musicalmente, um trabalho que esbarra em conceitos do disco anterior; em se tratando das rimas e temas explorados, um universo completamente novo.

Do Grajaú ao bairro nobre de Jardins, Criolo passeia descritivo pela cidade de São Paulo. Longe de ser o personagem central da própria obra, conceito explorado no álbum anterior, o rapper assume agora o papel de observador, mergulhando em temas cotidianos. O que antes era lançado com nostalgia nas memórias de Subirusdoistiozin, ou mesmo confissões na melancolia de Não Existe Amor Em SP, hoje cresce em meio a pequenos recortes urbanos. Incêndios criminosos nas favelas, desocupações, consumismo, dinheiro e ostentação; gravado logo após a Copa do Mundo, Convoque Seu Buda é um diálogo atento com o presente.

Em se tratando das batidas, arranjos e bases instrumentais, quando próximo ao disco de 2011 o novo álbum é uma clara evolução. Fruto da constante interferência e detalhada produção da dupla Marcelo Cabral e Daniel Ganjaman, também responsáveis pelo construção do trabalho anterior, cada peça do registro reflete grandeza. São guitarras psicodélicas em Plano de Voo, referências tropicalistas em Pegue Pra Ela, além da expansão de temas orquestrais, uma espécie de complemento natural para as rimas e crescente utilização de versos cantados – vide Esquiva da Esgrima. Continue reading

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Azealia Banks: “Broke with Expensive Taste”

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É hora de celebrar: Broke with Expensive Taste (2014), o esperado (e quase mitológico) álbum de estreia da rapper Azealia Banks está entre nós. Originalmente agendado para setembro de 2012, engavetado pela Universal (antigo selo da artista) e, nos últimos meses, anunciado para o começo de 2015 pelo selo Prospect Park (nova casa de Banks), o trabalho pode finalmente ser apreciado na íntegra pelo público fiel da jovem nova-iorquina.

Disponível para download pelo iTunes e audição pelo Spotify, o registro chega para saciar o público com um bem servido acervo de 16 composições. Entre músicas já conhecidas e lançadas nos últimos EPs/mixtapes da rapper – caso de 212 e Luxury -, a atenção acaba mesmo voltada para o catálogo de músicas inéditas do registro. Faixas como Miss Amore, assinada pelo britânico Lone, ou mesmo Nude Beach A-Go-Go, música produzida pelo estranho Ariel Pink.

Abaixo, um resumo do disco com a ótima Luxury.

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Azealia Banks – Luxury

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Earl Sweatshirt: “45”

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Mesmo ativo em estúdio, dono de um vasto acervo de mixtapes, singles, trabalhos com o Odd Future, além de um bem sucedido registro de estreia – Earl (2010) -, não há como negar que Earl Sweatshirt só foi “descoberto” pela imprensa e público há poucos meses. Com o lançamento de Doris (2013), o jovem rapper ocupou espaço em diferentes listas de melhores discos, reforçando um som muito mais adulto em relação aos últimos projetos.

Enquanto não anuncia um novo EP ou provável mixtape, o jeito é se contentar com os pequenos retalhos produzidos pelo rapper. Depois de uma série de faixas avulsas lançadas nos últimos meses, Sweatshirt entrega ao público a inédita 45. Versos chapados, produção assinada por Alchemist e uma fuga rápida do material apresentado no último ano.

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Earl Sweatshirt – 45

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Future: “Never Satisfied” (Ft. Drake)

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O que acontece quando a participação de um convidado é reduzida ou alterada dentro do trabalho do artista “anfitrião”? Na certa, algum comentário rancoroso no Twitter ou Facebook, correto? Em se tratando do canadense Drake, a possibilidade de se apoderar da canção. Não satisfeito com o resultado da faixa Never Satisfied, parceria de míseros um minuto e 56 segundos com o rapper Future em Honest (2014), o artista lança agora a versão “estendida” da (ótima) composição.

Ao lado de Mike WiLL Made-It, produtor original da música, Drake acrescenta uma sequência de novos versos e deixa a música crescer por mais de quatro minutos. Finalmente completa, a nova edição de Never Satisfied poderia ser naturalmente encaixada em uma futura versão do trabalho, de longe, uma das grandes obras do Hip-Hop em 2014.

Future – Never Satisfied (Ft. Drake)

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Disco: “Run The Jewels 2″, Run The Jewels

Run The Jewels
Hip-Hop/Rap/Alternative
http://www.runthejewels.net/

Por: Cleber Facchi

Versos agressivos e politizados, produção concisa; diálogos com o Hip-Hop das décadas de 1980 e 1990, bases encorpadas por temas recentes, carregados de frescor. Quando a estreia do Run the Jewels foi apresentada ao público, em meados de 2013, tanto Killer Mike quanto EL-P pareciam inclinados a completar as pequenas lacunas estéticas, líricas e conceituais do parceiro. Uma extensão autoral do processo inaugurado na dobradinha R.A.P. Music. e Cancer For Cure, fragmentos individuais de cada rapper/produtor em 2012 e, ao mesmo tempo, a fagulha criativa do recente projeto colaborativo.

Em Run the Jewels 2 (2014, Mass Appeal), ainda que a essência do trabalho seja a mesma do disco anterior, a estrutura que movimenta as canções é encarada de forma distinta. Antes personagens autônomos em um processo de interação, Killer Mike e EL-P passam a atuar como uma mente única, convertendo cada ato do registro em um exercício coeso e intenso. Um misto de resgate e expansão do universo temático inaugurado há poucos meses.

Violência, misoginia (“She want that dick in her mouth all day“), drogas, autoafirmação e insanidade (“I’m putting pistols in places at random places“). RTJ2 é uma colisão imensa de versos rápidos e sujos, tropeços em pessoas (Phillip Seymour Hoffman) e personagens (Scarface) moldados em uma atmosfera estranhamente melódica e perturbadora. Dentro dos limites de EL-P e Killer Milke, uma adaptação do mesmo plano caótico de Kanye West em Yeezus (2013), ou dos conceitos urbanos do Death Grips na dobradinha The Money Store e NO LOVE DEEP WEB, de 2012.

Naturalmente preciso, o álbum se sustenta em cima de 11 peças rápidas e musicalmente íntimas. Recortes cotidianos que visitam liricamente as periferias de Mike, o alinhamento irônico/cru do parceiro, além, claro de uma maior imposição comercial – traço que preenche versos e também arranjos do disco. Delineado de forma límpida, aberto ao grande público, RTJ2 é uma sequência de temas tão  agressivos quanto melódicos, preferências capaz de distorcer a atmosfera de “mixtape” instalada no primeiro álbum, garantindo ao ouvinte um cenário amplo, a ser explorado com atenção. Continue reading

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