Tag Archives: Hip-Hop

Disco: “Lese Majesty”, Shabazz Palaces

Shabazz Palaces
Experimental/Hip-Hop/Psychedelic
http://www.shabazzpalaces.com/

Por: Cleber Facchi

A grande beleza de Black Up (2011), registro de estreia do Shabazz Palaces, sempre esteve na ausência de linearidade da obra. Da abertura, em Free Press And Curl, até alcançar a derradeira Swerve…, a corrupção de ideias lançadas por Ishmael Butler e Tendai Maraire forçaram o ouvinte a atravessar diferentes esferas musicais, sem que isso resultasse em uma experiência confusa. Ainda que o Hip-Hop seja a base do trabalho sustentado pela dupla, cada segundo dentro da obra revela mutação, proposta mantida em Lese Majesty (2014, Sub Pop), porém, parcialmente adaptada dentro de uma nova estrutura.

Desenvolvido em cima de 18 composições inéditas, o novo álbum reforça organização, rompendo com o caráter abstrato do trabalho anterior de forma a solucionar uma obra dividida em sete “suites” (ou blocos) diferentes. Entretanto, a principal mudança dentro do presente disco não está no efeito “ordenado” das canções, mas na temática que parece dissolvida de forma precisa ao longo de toda a obra.

Assim como em Black Up ou mesmo nos dois primeiros EPs da dupla – Shabazz Palaces e Of Light, ambos de 2009 -, as viagens pelo espaço e outros elementos típicos dos livros / filmes de Ficção Científica recheiam com liberdade o conteúdo da obra. São músicas como Solemn Swears e Harem Aria em que a rima soterrada de Butler atenta de forma decidida para a psicodelia. Um reforço para o caráter essencialmente etéreo que habita em grande parte das composições da dupla.

Como um passeio pelo cosmos, Lese Majesty, mais do que Black Up, é uma obra conduzida pela sutileza musical de Maraire. Tendo no “espaço” o ponto central do disco, o produtor resgata desde ruídos expostos em clássicos Sci-Fi na década de 1970, até homenagens ao trabalho de veteranos do Krautrock / Ambient Music, também lançados no mesmo período. Por todos os cantos da obra borbulham referências à obra de Brian Eno, Tangerine Dream e até figuras esquecidas da New Age. Logo, a julgar pelos sete “capítulos” do álbum, não seria errado afirmar que o Shabazz Palaces transformou o trabalho em uma lisérgica novela musicada, ou mesmo em um filme psicodélico de ficção científica, deixando que as imagens sejam projetadas na cabeça do espectador. Continue reading

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Samples & Noodles #13

Por: Rafael Hysper
Samples

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▶ Golden Kong é um produtor paulistano que mescla diferentes estilos da música eletrônica com o funk carioca “clássico”. As produções trazem batidas quebradas e dançantes, revelando desde sintetizadores futuristas a samples típicos do gênero do funk. Kong também é membro da dupla de Disco e French House Arcade Fighters, um dos integrantes do coletivo Brazilian Disco Club.

Dentro dessa sonoridade, recentemente o produtor lançou o primeiro EP solo. Intitulado Golden Legend, o trabalho é composto por cinco faixas envolventes, entre elas Não Para, Continua,  música que conta com a presença do conterrâneo Mc Gus. O EP foi lançado pelo selo de bass tropical Braza Music, e tem download gratuito.

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▶ Multitude EP, este é o nome do segundo e mais recente trabalho de estúdio do artista paulistano Formafluida. Composto por cinco faixas e 25 minutos de experimentos versáteis, o trabalho apresenta de forma particular diversos aspectos do atual cena eletrônica – tanto aqui, como lá fora. Lançado pelo selo/coletivo Fluxxx, o trabalho pode ser apreciado na íntegra no player abaixo. Para outras composições do produtor, basta um pulinho no soundcloud.

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R&B 90′s: 12 Discos Essenciais

Por: Cleber Facchi

Em um cenário dominado por gigantes do Rock Alternativo – Nirvana, Pearl Jam – e pequenos duelos que abasteceram o Britpop – Oasis, Blur -, quem realmente conquistou o público na década de 1990 foram os entusiastas do R&B. Abastecidos pelas referências criadas por nomes como Marvin Gaye, Stevie Wonder, Prince e outros artistas influentes das décadas de 1970/1980, um time de novatos tomou o topo das principais paradas de sucesso, apresentando alguns dos principais exemplares da música negra do período.

Entre artistas cultuados como D’Angelo, Lauryn Hill e nomes comerciais como Mariah Carey, Aaliyah e TLC, voltamos duas décadas no tempo para resgatar 12 obras essenciais do R&B nos anos 90. Trabalhos que se entregam ao Pop, como The Writing’s on the Wall (1999), do Destiny’s Child, ou mesmo obras como Baduizm (1997), de Erykah Badu, capazes de referenciar o trabalho de veteranos e ainda assim manter o toque atual. Uma dúzia de obras marcadas pela sensualidade, versos confessionais e batidas que colam nos ouvidos em segundos.  Continue reading

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Azealia Banks: “Heavy Metal And Reflective”

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Quase dois anos depois de ser convidada a ingressar ao catálogo da Interscope, selo que a demitiu há poucos dias, Azealia Banks aparece agora com o primeiro invento pós-libertação. Intensa e curtinha, Heavy Metal And Reflective, é tudo aquilo que a rapper já havia testado na primeira mixtape, colecionando rimas sujas e batidas pouco mergulham no teor comercial do primeiro single de sucesso, 212.

Urgente, a faixa foi lançada no Twitter de Azealia, que deve lançar o clipe da composição no ainda no começo de agosto. Para quem estava com saudades de Banks, a nova faixa segue a trilha de Luxury de demais singles lançados em 2012, reforçando o caráter complexo / acessível da rapper, que deve acompanhar a turnê do Interpol nos próximos meses. Eu não me surpreenderia com um registro na íntegra nos próximos meses.

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Azealia Banks – Heavy Metal And Reflective

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Rustie: “Attak” (ft. Danny Brown)

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Em 2013, quando apresentou ao público o terceiro (e intenso) trabalho de estúdio, Old, Danny Brown apareceu cercado por um time de jovens produtores ao longo do toda a obra. Entre os destaques do trabalho, o britânico Rustie, responsável pelas bases de Side B (Dope Song), Break It (Go) e Way Up Here, algumas das melhores faixas do segundo lado do registro. Partindo do mesmo conceito, rapper e produtor se encontram mais uma vez para solucionar as bases e versos da inédita Attak.

Uma das composições que abastecem o ainda inédito Green Language (2014), segundo trabalho de estúdio do artista inglês, Attak é uma faixa que pode ser traduzida em uma só palavra: intensa. Carregada de sintetizadores pegajosos e tomada por uma atmosfera “veranil”, a faixa estende tudo aquilo que Rustie já havia testado no debut Glass Swords (2011), aproximando o produtor de uma sonoridade visivelmente comercial, próxima do ouvinte médio. Com lançamento pelo selo Warp, Green Language estreia no dia 26 de agosto.

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Rustie – Attak (ft. Danny Brown)

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Hudson Mohawke: “Chimes”

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Desde que o TNGHT teve o fim das atividades decretadas no final de 2013 em um sutil “hiato”, o jeito é acompanhar o trabalho individual de cada um de seus criadores. Não que ouvir os inventos isolados de Lunice e Hudson Mohawke seja algum tipo de problema, afinal, basta o mais novo lançamento do segundo em carreira solo para perceber isso. Saudades do som épico do TNGHT? Então é hora de ouvir Chimes.

Novo single de Mohawke, a fixa que garante título ao próximo EP do produtor é um passeio inevitável por tudo aquilo que o artista e o antigo parceiro conquistaram há poucos anos. Batidas pesadas, bases densas, alguns elementos sutis esporádicos e o uso carregado dos sintetizadores de forma quebrada. É difícil não ser impressionado nos mais de três minutos da criação – uma das melhores do produtor até aqui. Com lançamento pelo selo Warp, Chimes EP estreia no dia 30 de setembro.

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Hudson Mohawke – Chimes

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Disco: “Jungle”, Jungle

Jungle
Soul/R&B/Funk
https://www.facebook.com/jungle4eva

Por: Cleber Facchi

O passeio pelo Funk/Soul em Lucky I Got What I Want, o vídeo coreografado de Busy Earnin’ – no melhor estilo Hip-Hop 80′s -, ou mesmo o teor nostálgico do single de estreia – Platoon -, logo entregam a identidade musical do Jungle. Apresentado oficialmente em meados de 2013, o projeto comandado por Josh Lloyd-Watson (J) e Tom McFarland (T) é mais do que um novo exemplar do “Neo-Soul” britânico. Trata-se de um retrato delicado de tudo o que alimenta a Black Music em mais de cinco décadas de produção, transportando para o presente traços musicais há muito abandonados.

Versão descomplicada e até mesmo caricata de tudo aquilo que o TV On The Radio havia experimentado em Return to Cookie Mountain, de 2006, a autointitulada estreia do Jungle é uma obra que dança pelo tempo. Há espaço para a Disco Music em Julia e Accelerate, a busca pelo pop em Time, e até representações políticas da música negra em Son Of A Gun e Platoon. A diferença em relação ao trabalho do coletivo nova-iorquino ou mesmo de obras como St. Elsewhere (2006) do Gnarls Barkley está no caráter essencialmente acessível do registro.

Ainda que não apresente nenhuma faixa comercialmente grandiosa - vide a boa repercussão em cima de Crazy -, Jungle (o álbum) se distancia de prováveis bloqueios, trazendo na voz sutil de cada música uma evidente ferramenta de atração. Plástico, ainda que livre de exageros, complexo, porém tocante em se tratando das harmonias assinadas pelos produtores, o trabalho de 12 faixas rápidas se acomoda em quase 40 minutos de puro detalhamento e segurança para o ouvinte. Uma específica zona de conforto que não pretende e nem menos precisa ser provocada.

Quase minimalista em se tratando de outros exemplares recentes do Soul e R&B – como Electric Lady (2013), de Janelle Monáe -, a estreia do Jungle cresce justamente por conta do aspecto “diminuto” de cada canção. Salvo a inclusão de metais em Busy Earnin’ e outros instantes exaltados que se espalham pela obra, do início ao fim, o trabalho sustenta economia e atrativa homogeneidade. O proposital controle em relação aos arranjos força a dupla de produtores a investir de forma detalhada no uso dos vocais. O resultado está na construção de um álbum livre de possíveis lacunas, como se cada canto ou coro abrangente servisse de passagem para a canção seguinte. Continue reading

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Future: “Rock Star” (Feat. Nicki Minaj)

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Definitivamente tem sido um bom ano para Future. Autor de um dos grandes exemplares do Hip-Hop em 2014, o rapper aparece agora com mais uma nova e bem sucedida composição. Intitulada Rock Star, a faixa excluída do elogiado Honest não apenas repete as melodias, batidas e todos os acertos do registro, como ainda reforça o lado mais comercial do artista – sempre reservado para as canções em parceria com outros representantes do R&B, rap e pop estadunidense.

Ao lado da cantora/rapper Nicki Minaj, Future revela uma faixa que parece feita para as pistas, resgatando desde elementos das próprias mixtapes, como referências lançadas no último trabalho de estúdio da esposa, a cantora Ciara. Bem que ela poderia ter entrado em Honest, não?

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Future – Rock Star (Feat. Nicki Minaj)

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Samples & Noodles #12

Por: Rafael HysperSamples

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São Paulo vem revelando uma cena cada vez mais criativa, autêntica e que em nada deve ao panorama estrangeiro. Foi justamente essa transformação recente e preferências partilhadas entre produtores locais que fez nascer o Gop Tun. Naturalmente versátil, o coletivo vai além do próprio time de DJs, abraçando duas bandas – Hatchets e Schoolbell. Misturando toda essa “energia da pista” e ideias convergentes, o grupo deu vida ao Gop Towers, uma série de EPs virtuais que resumem parte do esforço coletivo de seus autores. Com a chegada do quarto e mais recente lançamento da série, o ouvinte encontra duas faixas autorais, além de duas versões para o trabalho de The National e Caribou. Gosta de nu-disco, deep house e techno? Então experimente.

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O produtor carioca Cybass está de volta. Depois de lançar o EP Hop It pelo selo Beatwise Recordings em julho de 2013, o artista aparece agora com o segundo e mais novo EP – desta vez entregue pelo selo britânico Lost Tribe Records. Mais complexo e volúvel do que o trabalho anterior, as cinco faixas do registro reverberam como um encontro entre elementos dos filmes de ficção cientifica com sons jamaicanos. O trabalho fica ainda mais atrativo com a participação de velhos colaboradores do artista, como CESRV, MJP e Sants. Longe do Drum & Bass das primeiras músicas, Cybass segue investindo cada vez mais no Future Beat.

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Castelan é um produtor nascido em Criciúma, Santa Catarina, mas que atualmente reside na cidade de Porto Alegre. Suas faixas seguem o mesmo clima do R&B “alternativo”, típico de nomes como XXYYXX, Giraffage e Zodiac, mas com pequenos acréscimos de Chillout. Fazendo valer o título do novo EP, Recycle (2014), Castelan usa do trabalho para reciclar uma série de demos e composições antigas. Pequenas ideias agrupadas em um trabalho de gente grande. Com lançamento pelo selo gaúcho NAS, o catarinense/gaúcho entrega um eficiente resumo de si próprio, reservando um novo álbum autoral pras próximas semanas.

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Também do Sul do país, mas agora na cidade de Joinville, o jovem produtor Rheg, membro do selo Winter Club Records, traz seu novo single. Jellyfish Hunt segue a identidade musical do produtor, que mistura e recria sons com base em estilos como Future Beat, Garage e Jersey Club. Apesar de novo, Rheg já lançou diversas musicas nos últimos meses, além de ter participado da ultima compilação do coletivo Brazilian Disco Club. Além do projeto solo, Rheg investe em outros projetos paralelos, como o animadíssimo ASShake, desenvolvido ao lado do amigo e produtor Mixdude.

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Rustie: “Rapor”

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Mesmo que tenham se passado três anos desde a estreia com Glass Swords (2011), poucos produtores aproveitaram os últimos anos com tamanho acerto quanto Rustie. Autor de uma sequência de remixes, faixas avulsas e canções em parceria – incluindo criações ao lado da dupla AlunaGeorge -, o artista escocês reserva a chegada de Green Language (2014), segundo álbum em carreira, e trabalho que será mais uma vez apresentado pelo selo Warp, antiga casa do produtor.

Como passagem para o novo registro – agendado oficialmente para o dia 26 de agosto -, Rustie reforça a própria relevância com a chegada da intensa (não há definição melhor) Rapor. Naturalmente fragmentada em pequenos atos – ascendentes e econômicos -, a canção segue a trilha do mesmo detalhamento encontrado em músicas como Surph e After Light do disco passado. Um cruzamento inteligente que perverte Grime, Hip-Hop e Dubstep dentro das harmonias características que solucionam a base do produtor.

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Rustie – Rapor

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