Tag Archives: Hip-Hop

Rustie: “Attak” (ft. Danny Brown)

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Em 2013, quando apresentou ao público o terceiro (e intenso) trabalho de estúdio, Old, Danny Brown apareceu cercado por um time de jovens produtores ao longo do toda a obra. Entre os destaques do trabalho, o britânico Rustie, responsável pelas bases de Side B (Dope Song), Break It (Go) e Way Up Here, algumas das melhores faixas do segundo lado do registro. Partindo do mesmo conceito, rapper e produtor se encontram mais uma vez para solucionar as bases e versos da inédita Attak.

Uma das composições que abastecem o ainda inédito Green Language (2014), segundo trabalho de estúdio do artista inglês, Attak é uma faixa que pode ser traduzida em uma só palavra: intensa. Carregada de sintetizadores pegajosos e tomada por uma atmosfera “veranil”, a faixa estende tudo aquilo que Rustie já havia testado no debut Glass Swords (2011), aproximando o produtor de uma sonoridade visivelmente comercial, próxima do ouvinte médio. Com lançamento pelo selo Warp, Green Language estreia no dia 26 de agosto.

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Rustie – Attak (ft. Danny Brown)

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Hudson Mohawke: “Chimes”

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Desde que o TNGHT teve o fim das atividades decretadas no final de 2013 em um sutil “hiato”, o jeito é acompanhar o trabalho individual de cada um de seus criadores. Não que ouvir os inventos isolados de Lunice e Hudson Mohawke seja algum tipo de problema, afinal, basta o mais novo lançamento do segundo em carreira solo para perceber isso. Saudades do som épico do TNGHT? Então é hora de ouvir Chimes.

Novo single de Mohawke, a fixa que garante título ao próximo EP do produtor é um passeio inevitável por tudo aquilo que o artista e o antigo parceiro conquistaram há poucos anos. Batidas pesadas, bases densas, alguns elementos sutis esporádicos e o uso carregado dos sintetizadores de forma quebrada. É difícil não ser impressionado nos mais de três minutos da criação – uma das melhores do produtor até aqui. Com lançamento pelo selo Warp, Chimes EP estreia no dia 30 de setembro.

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Hudson Mohawke – Chimes

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Disco: “Jungle”, Jungle

Jungle
Soul/R&B/Funk
https://www.facebook.com/jungle4eva

Por: Cleber Facchi

O passeio pelo Funk/Soul em Lucky I Got What I Want, o vídeo coreografado de Busy Earnin’ – no melhor estilo Hip-Hop 80′s -, ou mesmo o teor nostálgico do single de estreia – Platoon -, logo entregam a identidade musical do Jungle. Apresentado oficialmente em meados de 2013, o projeto comandado por Josh Lloyd-Watson (J) e Tom McFarland (T) é mais do que um novo exemplar do “Neo-Soul” britânico. Trata-se de um retrato delicado de tudo o que alimenta a Black Music em mais de cinco décadas de produção, transportando para o presente traços musicais há muito abandonados.

Versão descomplicada e até mesmo caricata de tudo aquilo que o TV On The Radio havia experimentado em Return to Cookie Mountain, de 2006, a autointitulada estreia do Jungle é uma obra que dança pelo tempo. Há espaço para a Disco Music em Julia e Accelerate, a busca pelo pop em Time, e até representações políticas da música negra em Son Of A Gun e Platoon. A diferença em relação ao trabalho do coletivo nova-iorquino ou mesmo de obras como St. Elsewhere (2006) do Gnarls Barkley está no caráter essencialmente acessível do registro.

Ainda que não apresente nenhuma faixa comercialmente grandiosa - vide a boa repercussão em cima de Crazy -, Jungle (o álbum) se distancia de prováveis bloqueios, trazendo na voz sutil de cada música uma evidente ferramenta de atração. Plástico, ainda que livre de exageros, complexo, porém tocante em se tratando das harmonias assinadas pelos produtores, o trabalho de 12 faixas rápidas se acomoda em quase 40 minutos de puro detalhamento e segurança para o ouvinte. Uma específica zona de conforto que não pretende e nem menos precisa ser provocada.

Quase minimalista em se tratando de outros exemplares recentes do Soul e R&B – como Electric Lady (2013), de Janelle Monáe -, a estreia do Jungle cresce justamente por conta do aspecto “diminuto” de cada canção. Salvo a inclusão de metais em Busy Earnin’ e outros instantes exaltados que se espalham pela obra, do início ao fim, o trabalho sustenta economia e atrativa homogeneidade. O proposital controle em relação aos arranjos força a dupla de produtores a investir de forma detalhada no uso dos vocais. O resultado está na construção de um álbum livre de possíveis lacunas, como se cada canto ou coro abrangente servisse de passagem para a canção seguinte. Continue reading

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Future: “Rock Star” (Feat. Nicki Minaj)

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Definitivamente tem sido um bom ano para Future. Autor de um dos grandes exemplares do Hip-Hop em 2014, o rapper aparece agora com mais uma nova e bem sucedida composição. Intitulada Rock Star, a faixa excluída do elogiado Honest não apenas repete as melodias, batidas e todos os acertos do registro, como ainda reforça o lado mais comercial do artista – sempre reservado para as canções em parceria com outros representantes do R&B, rap e pop estadunidense.

Ao lado da cantora/rapper Nicki Minaj, Future revela uma faixa que parece feita para as pistas, resgatando desde elementos das próprias mixtapes, como referências lançadas no último trabalho de estúdio da esposa, a cantora Ciara. Bem que ela poderia ter entrado em Honest, não?

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Future – Rock Star (Feat. Nicki Minaj)

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Samples & Noodles #12

Por: Rafael HysperSamples

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São Paulo vem revelando uma cena cada vez mais criativa, autêntica e que em nada deve ao panorama estrangeiro. Foi justamente essa transformação recente e preferências partilhadas entre produtores locais que fez nascer o Gop Tun. Naturalmente versátil, o coletivo vai além do próprio time de DJs, abraçando duas bandas – Hatchets e Schoolbell. Misturando toda essa “energia da pista” e ideias convergentes, o grupo deu vida ao Gop Towers, uma série de EPs virtuais que resumem parte do esforço coletivo de seus autores. Com a chegada do quarto e mais recente lançamento da série, o ouvinte encontra duas faixas autorais, além de duas versões para o trabalho de The National e Caribou. Gosta de nu-disco, deep house e techno? Então experimente.

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O produtor carioca Cybass está de volta. Depois de lançar o EP Hop It pelo selo Beatwise Recordings em julho de 2013, o artista aparece agora com o segundo e mais novo EP – desta vez entregue pelo selo britânico Lost Tribe Records. Mais complexo e volúvel do que o trabalho anterior, as cinco faixas do registro reverberam como um encontro entre elementos dos filmes de ficção cientifica com sons jamaicanos. O trabalho fica ainda mais atrativo com a participação de velhos colaboradores do artista, como CESRV, MJP e Sants. Longe do Drum & Bass das primeiras músicas, Cybass segue investindo cada vez mais no Future Beat.

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Castelan é um produtor nascido em Criciúma, Santa Catarina, mas que atualmente reside na cidade de Porto Alegre. Suas faixas seguem o mesmo clima do R&B “alternativo”, típico de nomes como XXYYXX, Giraffage e Zodiac, mas com pequenos acréscimos de Chillout. Fazendo valer o título do novo EP, Recycle (2014), Castelan usa do trabalho para reciclar uma série de demos e composições antigas. Pequenas ideias agrupadas em um trabalho de gente grande. Com lançamento pelo selo gaúcho NAS, o catarinense/gaúcho entrega um eficiente resumo de si próprio, reservando um novo álbum autoral pras próximas semanas.

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Também do Sul do país, mas agora na cidade de Joinville, o jovem produtor Rheg, membro do selo Winter Club Records, traz seu novo single. Jellyfish Hunt segue a identidade musical do produtor, que mistura e recria sons com base em estilos como Future Beat, Garage e Jersey Club. Apesar de novo, Rheg já lançou diversas musicas nos últimos meses, além de ter participado da ultima compilação do coletivo Brazilian Disco Club. Além do projeto solo, Rheg investe em outros projetos paralelos, como o animadíssimo ASShake, desenvolvido ao lado do amigo e produtor Mixdude.

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Rustie: “Rapor”

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Mesmo que tenham se passado três anos desde a estreia com Glass Swords (2011), poucos produtores aproveitaram os últimos anos com tamanho acerto quanto Rustie. Autor de uma sequência de remixes, faixas avulsas e canções em parceria – incluindo criações ao lado da dupla AlunaGeorge -, o artista escocês reserva a chegada de Green Language (2014), segundo álbum em carreira, e trabalho que será mais uma vez apresentado pelo selo Warp, antiga casa do produtor.

Como passagem para o novo registro – agendado oficialmente para o dia 26 de agosto -, Rustie reforça a própria relevância com a chegada da intensa (não há definição melhor) Rapor. Naturalmente fragmentada em pequenos atos – ascendentes e econômicos -, a canção segue a trilha do mesmo detalhamento encontrado em músicas como Surph e After Light do disco passado. Um cruzamento inteligente que perverte Grime, Hip-Hop e Dubstep dentro das harmonias características que solucionam a base do produtor.

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Rustie – Rapor

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Disco: “Noite Ilustrada”, Sants

Sants
Electronic/Instrumental Hip-Hop/Experimental
https://www.facebook.com/santsbeats

Por: Cleber Facchi

Sants

Um passeio pela Augusta. Festa em algum beco escuro da República. Discotecagem três da manhã em Pinheiros. Comer alguma coisa em qualquer boteco e depois esperar pela abertura do metrô, sentado na Paulista – de preferência, em algum canto próximo ao Center 3. A vida noturna em São Paulo, mesmo com suas particularidades, é como o ambiente musicalmente descrito por Sants em Noite Ilustrada (2014, Beatwise Recordings). Mais recente invento do produtor paulistano, o presente álbum é uma fina definição dos exageros, clichês e elementos típicos da cena que invade prédios e ocupa inferninhos na metrópole cinza.

Diferente dos dois últimos lançamentos de Sants – Soundies! e Low Moods -, o novo álbum revela o lado mais autoral e instrumentalmente versátil do produtor. Mais do que uma soma aleatória de samples e transições referenciais – capazes de unir Flying Lotus, AraabMuzik e Burial em um mesmo universo temático -, o registro autoriza com ineditismo a inclusão de elementos orgânicos, como guitarras (Comuna), cantos, monólogos (Augusta) e, principalmente, as rimas que se apoderam da assertiva Madrugada – parceria do produtor com a dupla Estranho & ElMandarim e a faixa mais versátil do artista até aqui.

Mesmo apontado conceitualmente para a cena estrangeira – seja ela de Los Angeles, Chicago ou Londres -, Noite Ilustrada, pela primeira vez, entrega o jovem Diego Santos em um terreno dominado por ele em essência. Das festas da Metanol (em Cardeal, 2096), ao passeio por cenários característicos da cidade de São Paulo (Paulista, Augusta),  cada instante do registro é como uma apresentação ao visitante sob o ponto de vista do próprio produtor. Um interpretação essencialmente noturna desse cenário, fazendo de Sants o guia temático da obra/cidade em cada uma das 10 faixas do registro.

Sants

Como a variedade de personagens que ocupam a noite paulistana, o álbum fragmentado em dois lados bem distintos se abre para a inclusão de novos colaboradores. Longe do isolamento estético entregue em Soundies!, Noite Ilustrada expande com natural sabedoria tudo aquilo que Low Mood já havia anunciado há poucos meses. Afinal, enquanto Gorky (Bonde do Rolê) e Cybass ocuparam parte do território sombrio lançado no último EP, com o recente projeto Sants amplia significativamente o mesmo resultado. Não por acaso em parte relevante das faixas o produtor aparece acompanhado por nomes como NeguimBeats, SLVDR, China e CESRV, reforçando toda a pluralidade de essências que naturalmente define o tema central da obra. Continue reading

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Disco: “Reality Testing”, Lone

Lone
Electronic/IDM/Hip-Hop
https://www.facebook.com/magicwirelone

Por: Cleber Facchi

Lone

O teor frenético encontrado por Matt Cutler há dois anos, em Galaxy Garden (2012), parece longe de orientar a presenta fase do produtor como Lone. Ainda que a relação do artista inglês permaneça sustentada pela eletrônica dos anos 1990 – House, Ambient ou os experimentos da IDM -, em Reality Testing (2014, R&S), mais recente invento do artista, o resultado passa a ser outro. Menos “conceitual”, o disco se manifesta como uma verdadeira colagem de essências, fórmula que está longe de fugir da precisão estética dos últimos álbuns.

Talvez com exceção da faixa de abertura, First Born Seconds, cada segundo dentro da obra se manifesta como uma readequação do Instrumental Hip-Hop. Ainda olhando para o passado – principalmente para o trabalho de J Dilla, Madlib e, de forma autoral, DJ Shadow -, Lone utiliza de cada criação do disco como uma doce adequação de velhas imposições. Nostálgico, mas não menos transformador – vide o diálogo com a cena Garage -, o novo catálogo de Cutler é uma obra de temas atmosféricos, abstratos, mas não menos desafiadores em relação aos antigos temas do produtor – ou mesmo suas influências.

Da mesma forma que o bem sucedido single Airglow Fires, de 2013, Reality Testing usa de sintetizadores atmosféricos (no melhor estilo Boards Of Canada) como uma delicada base instrumental para o restante do disco. Todavia, enquanto a canção apresentada há poucos meses alcançava o mesmo detalhamento entusiasmado do disco de 2012, abraçando as pistas em sua “segunda parte”, com o presente disco Lone mantém os beats densos, típicos do Hip-Hop.

Outro aspecto importante em relação ao novo cenário desenvolvido por Cutler, diz respeito ao uso de diálogos e vocalizações aleatórias no meio das faixas. Livre de qualquer caráter “gratuito” e dissolvidos ao longo do registro, os samples de vozes criam uma imposição ruidosa em proximidade ao efeito essencialmente límpido do álbum de 2012. Basta perceber como Restless City e Meeker Warm Energy gerenciam essa estrutura, expandindo o teor “urbano” que recheia o álbum. A medida parece vir como uma alternativa à ausência de rimas – instintivas em faixas como a arrastada 2 is 8. Continue reading

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Samples & Noodles #11

Por: Rafael Hysper

Samples & Noodles

► Pode parecer que você esteja ouvindo um disco do SBTRKT, do Jamie XX, ou até do Radiohead, mas o artista aqui em questão é carioca, e seu trabalho é bem autentico em certo ponto. Estamos falando do produtor Jose Hesse, mais conhecido como Kinkid, que traz seu primeiro álbum. Dividido em oito faixas cheias de melodias experimentais e vocais sombrios, o produtor mostra canções bem elaboradas, faixas que buscam contar uma historia ou um sonho. O produtor destaca-se neste trabalho, que, por sinal, foi muito produzindo com a ajuda do de outro produtor carioca, o Manara – ambos do selo Domina. Destaque para as faixas You Needy, Let It Go e Like This, ouça e baixe todas as canções no bandcamp do selo.

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► Já em São Paulo, recentemente foi lançado o novo clipe do Plano B, membro do grupo de hip-hop Hó Mon Tchain. No final do ano passado ele lançou o primeiro álbum solo, Montanha Russa, e na divulgação do disco ele lançou o clipe da faixa Esse é o Plano. O vídeo é conduzindo pelo mc Plano B, que mostra a cidade e algumas pessoas comuns, as quais cantam e tomam conta de alguns versos da musica, jogada simples, comum, nos molde tradicional do hip-hop, mas que ao ser tratado com uma edição bem feita, traduz o espírito da canção e do disco de forma notável.

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► O produtor inglês Lone, um dos preferidos aqui do blog, acabou de lançar seu novo álbum, trata-se do Reality Testing. Em seu novo disco Lone incorpora uma nova fase, cheios de influencias do hip-hop e do R&B dos 1990, mas com aquele toque já característico de seus trabalhos anteriores. Além disso, também traz o vídeo da faixa Aurora Northern Quarter, no qual Lone exibe um pouco do seu cotidiano, passeia de skate, e mostra sua nova onda mais descontraída, mas não menos inspirada e criativa.

 

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► Imagine uma mistura de Kelela, Jessy Lanza e Lana Del Rey, o resultado de forma inusitada (ou não) e surge lá na Dinamarca com a cantora e produtora Kwamie Liv. A mocinha, que já fez um belo cover do The Weeknd e promete ser a nova musa do R&B alternativo, lançou o clipe de Follow You. O enredo se passa nas ruas de Copenhague, em que Kwamie busca uma luz cada vez mais distante. Veja o vídeo e fique atento aos próximos lançamentos da artista.

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Disco: “Me. I Am Mariah… The Elusive Chanteuse”, Mariah Carey

Mariah Carey
R&B/Pop/Soul
http://www.mariahcarey.com/

Por: Cleber Facchi

A memória para no clipe de Through The Rain (2002), talvez meu primeiro contato com o trabalho de Mariah Carey – na época, o vídeo era um dos mais votados em um Top TVZ, no Multishow. Depois disso, apenas músicas avulsas e uma sessão pipoca (de filmes ruins) com os amigos para assistir Glitter, película estrelada pela cantora.

Não é preciso o comentário de um especialista no trabalho de Mariah Carey para alertar que comecei pela pior fase da artista. Charmbracelet, o disco que apresentou Through The Rain amarga uma nota 4.3 no Metacritic – 6.7 do público. Já a estreia da cantora nos cinemas sustenta uma nota 2.1 no IMDB, um baixíssimo 7% no Rotten Tomatos, e uma arrecadação fraca de US$ 5 milhões nas bilheterias norte-americanas. Vale lembrar que ele custou US$ 22 milhões. De fato, talvez tenha esbarrado na cantora em um péssimo momento, o que explica o completo desinteresse na busca por outros registros de Carey.

Contudo, ao tropeçar em #Beautiful, single lançado em maio de 2013, a cantora conseguiu despertar minha atenção. Mesmo que o apreço pelo trabalho do convidado Miguel seja o motivo para chegar até ela, ao ouvir a canção é difícil não ser seduzido. Produção coesa, versos grudentos e uma adaptação pop do “novo R&B” testado por Miguel em Kaleidoscope Dream (2012). Carey e seu time de produtores, letristas e músicos criaram o cenário perfeito, simples, ainda que detalhista, quando comparado com a obra de outras cantoras recentes do mesmo gênero. Nada mais satisfatório do que perceber o mesmo cuidado em Me. I Am Mariah… The Elusive Chanteuse, 14º e mais recente lançamento de estúdio da cantora.

Lançado em boa hora, o disco segue a trilha do Pop/R&B iniciado no álbum 4 (2011) de Beyoncé, ampliado por Frank Ocean em Channel, Orange (2012) e reforçado por cantoras como Cassie (RockaByeBaby), Kelly Rowland (Talk A Good Game) e Ciara no último ano. Em busca de um resultado particular, Carey transforma o registro um passeio por diferentes tonalidades da música negra, utilizando das batidas, rimas e elementos do Hip-Hop para movimentar o pop naturalmente doce que ela sustenta.

Parte substancial dessa relação com o Hip-Hop vem da passagem da cantora para o selo Def Jam, focado no gênero. Logo, nomes como Nas (Dedicated) e Wale (You Don’t Know What To Do) marcam assertiva presença pela obra, contrastando os versos melancólicos/apaixonados do grande parte do disco. Claro que isso não é nenhuma novidade dentro da discografia de Carey. Basta reservar alguns minutos para ouvir Butterfly (1997) e perceber essa natural proposta. A diferença em relação aos outros discos, principalmente The Emancipation of Mimi (2005), que compartilha os mesmos elementos, está na forma como a sonoridade do novo disco escapa do tradicional, experimenta (musicalmente) e estimula a voz da cantora. Continue reading

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