Tag Archives: Hot Chip

Disco: “Why Make Sense?”, Hot Chip

Hot Chip
Electronic/Dance/Synthpop
http://www.hotchip.co.uk/

Depois de cinco álbuns de estúdio – Coming on Strong (2004), The Warning (2006), Made in the Dark (2008), One Life Stand (2010), In Our Heads (2012) -, apresentações agendadas pelos quatro cantos do planeta e um dos acervos mais criativos da música atual – Over and Over, Boy From School, Ready for the Floor, Take It In -, seria natural que o Hot Chip sufocasse pelo peso da própria obra. Entretanto, em um sentido oposto ao de grande parte da nova safra de artistas – músicos e produtores incapazes de mantar a coerência depois do segundo ou terceiro disco -, o coletivo britânico não apenas confirma a boa forma, como parece longe de errar o passo dentro ou mesmo fora das pistas de dança.

Bastam os cinco minutos de Huarache Lights, faixa de abertura do sexto e mais recente trabalho do grupo para que o ouvinte seja “seduzido”. Em Why Make Sense? (2015, Domino), obra lançado depois de um hiato de três anos desde o último disco – período mais longo até então -, Alexis Taylor, Joe Goddard e demais parceiros de banda ultrapassam os limites da própria maturidade, aproximando o Hot Chip de todo um novo mundo de possibilidades, ritmos e referências musicais.

Um pouco mais “lento” em relação ao som eufórico do antecessor In Our Heads, de 2012, Why Make Sense? assume de forma transformada boa parte da sonoridade incorporada no álbum de 2010, One Life Stand, encaminhando o ouvinte para o começo dos anos 1990. Ainda que a eletrônica pareça servir de alicerce para a obra, está no diálogo com o R&B, pop e Hip-Hop (do mesmo período) o real sustento das canções. Uma verdadeira coleção de temas adaptados, porém, incapazes de distorcer as habituais melodias e versos sempre limpos do grupo.

Longe de parecer novidade, mesmo a expressiva relação do Hot Chip com a música dos anos 1970 – principalmente o Funk e a Disco Music – aos poucos assume novo enquadramento dentro de Why Make Sense?. Do arranjo de cordas (sampleado) em Dark Night, passando pelo coro de vozes em Easy To Get, ao uso de guitarras comportadas em Started Right, toda a base dançante dos últimos registros desacelera, muda de direção e ainda serve como estímulo para os versos tristes que se estendem até o registro complementar Separate EP. Continue reading

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Hot Chip: “Burning Up”

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Para evitar o descarte de algumas das canções que acabaram de fora das gravações de Why Make Sense? (2015), os membros do Hot Chip tiveram uma ideia inteligente. Lançado paralelamente ao disco – previsto para o dia 18 de maio -, o também registro de inéditas Separate EP. A diferença em relação ao trabalho que o acompanha? A busca por um som menos acelerado, brando e naturalmente melancólico, indicação resumida no primeiro “single” do disco, a comportada Burning Up.

Com cara de faixa de encerramento dos trabalhos paralelos de Alexis Taylor e Joe Goddard, a música cresce em ritmo lento quando comparada ao direcionamento frenético de Huarache LightsNeed You Now, apresentadas nas últimas semanas e parte integrante do novo álbum oficial do grupo. Para lançar a nova criação, um Lyric Video dirigido por Joe Mortimer. Assista:

Hot Chip – Burning Up

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Hot Chip: “Need You Now” (VÍDEO)

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De onde vem tamanha inspiração? Mais de uma década de carreira, cinco registros de estúdio e o Hot Chip continua a surpreender a cada novo lançamento. Com Why Make Sense? (2015), sexto álbum de inéditas do coletivo se aproximando, Alexis Taylor, Joe Goddard e demais membros do grupo lentamente se despedem da década de 1980 que abasteceu grande parte dos primeiros disco, encontrando no início dos anos 1990 a base para todo um novo catálogo de referências e composições ainda mais pegajosas, totalmente renovadas.

Na trilha “House” de Huarache Lights, brincando de forma inteligente com o uso de samples e arranjos prontos para as pistas, Need You Now cresce como um reforço para o trabalho da banda. Menos climática e bem mais direta em relação ao single anterior, a faixa de quase cinco minutos, agora transformada em clipe, soa tão próxima do trabalho de veteranos como Black Box e Corona quanto do último álbum do grupo, o excelente In Our Heads (2012).

Why Make Sense? conta com lançamento previsto para 18/5 pelo selo Domino.

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Hot Chip – Need You Now

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Hot Chip: “Huarache Lights”

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Em constante produção desde a estreia de Coming on Strong, em 2004, com um novo álbum em mãos a cada dois anos, nunca antes o Hot Chip enfrentou um “hiato” tão grande quanto o reforçado nos último período. Três anos depois de apresentar (o excelente) In Our Heads (2012) e com um espaço aberto para o trabalho solo de boa parte dos integrantes, é chegada a hora de conhecer o tão esperado sexto registro em estúdio da banda londrina: Why Make Sense? (2015).

Segundo lançamento do coletivo pelo selo Domino Records, o álbum de dez composições inéditas – e um EP de “extras” – parece seguir uma abordagem diferente em relação ao último projeto da banda. Em Huarache Lights, faixa de abertura do novo trabalho, elementos típicos da Disco Music e traços da eletrônica pós-Disclosure convivem em perfeita harmonia, resultando em um material tão recente quanto marcado pela nostalgia dos arranjos. Lançada também em clipe, Huarache Lights (o vídeo) conta com direção de Andy Knowles e imagens captadas em uma instalação do artista plástico Robert Bell.

Why Make Sense? estreia oficialmente no dia 18 de maio.

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Hot Chip – Huarache Lights

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Disco: “The Feast of the Broken Heart”, Hercules and Love Affair

Hercules and Love Affair
Electronic/House/Disco
http://herculesandloveaffair.net/

Por: Cleber Facchi

Andy Butler

A última vez que Andy Butler abriu um álbum do Hercules and Love Affair com um Hercules Theme, o contexto assumido pelo produtor parecia ser muito diferente do atual. Longe da avalanche de artistas inclinados a reviver a década de 1990, o artista fez do primeiro álbum do coletivo nova-iorquino, em 2008, uma obra de redescoberta do período e suas tendências. Arranjos tímidos, sexualidade exposta, a voz densa de Antony Hegarty – elemento envolventes dentro de cada canção. Longe da mesma atmosfera, Butler abre agora as portas do terceiro álbum de estúdio, mantendo firme a estética inicial do projeto, porém, em busca de um novo universo de possibilidades.

Menos esparso que o antecessor Blue Songs, de 2011, The Feast of the Broken Heart (2014, Moshi Moshi) assume de vez o lado pop de seu idealizador, como um flerte com o grande público. Da faixa de abertura, Hercules Theme 2014, ao encerramento do disco, em The Key, cada minuto do trabalho aponta para a transformação, usando das melodias e versos fáceis como um princípio para o delineamento para o álbum. Todos os elementos da obra ainda são encarados de forma coletiva, mas o fechamento do disco se dá de outra forma.

Como uma trilha sonora para o verão – de 1991 ou atual -, Butler deixa de lado as tapeçarias detalhistas para reforçar um álbum simples, feito para o consumo imediato. Enquanto há seis anos o mesmo exercício era assumido de forma minuciosa, vide a coleção detalhista de arranjos em You Belong e This Is My Love , hoje pouco disso parece ter sobrevivido – o que está longe de parecer um erro. Como o disco de 2011 já havia identificado, Butler quer apenas arrastar o ouvinte para a pista, efeito que se reforça no ritmo de Do You Feel The Same? e demais faixas essencialmente comerciais do disco.

Ainda que seja encarado como o ponto central da obra, Butler segue a trilha dos dois últimos discos, entregando os versos de cada música para um novo time de vocalistas. Naturalmente imerso na cultura LGBT norte-americana, o álbum abre espaço para que Rouge Mary, Krystle Warren e o assertivo John Grant – todos homossexuais – assumam presença no decorrer da obra, fragmentando o universo do produtor em diferentes personagens. Sim, a ausência da voz marcante de Hegarty ainda minimiza o crescimento da presente obra, mas isso está longe de prejudicar o rendimento das canções. Continue reading

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Alexis Taylor: “Elvis Has Left The Building”

Hot Chip

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Distante das pistas e da euforia tradicional que orienta a obra do Hot Chip, Alexis Taylor parece ter optado pela melancolia para a construção do mais novo álbum em carreira solo: Await Barbarians (2014). Sucessor do fraco Nayim From The Halfway Line, lançado em 2012, o novo disco usa das vocalizações econômicas e sintetizadores sombrios como uma base para o artista, ou pelo menos é isso que Elvis Has Left The Building, primeiro single do trabalho, consegue reforçar.

Com ares de B-Side dos últimos discos do Hot Chip, a canção entrega toda a sensibilidade do autor de Ready for the Floor e Over and Over. São quase seis minutos de arranjos lentos e a voz marcante de Taylor – propositalmente marcada pelos efeitos eletrônicos. Previsto para o dia nove de junho, Await Barbarians será lançado pelo selo Domino, casa de todos os outros projetos do britânico.

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Alexis Taylor – Elvis Has Left The Building

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Todd Osborn: “5thep”

Blueberry

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Em meio a tantos lançamentos redundantes da música pop ou obras excessivamente voltadas a um público específico, Todd Osborn se dividir com exatidão entre as duas vertentes. Original da cidade de Ypsilanti, Michigan, o produtor parece lidar com todos os clichês da música comercial, porém, em uma arquitetura que se relaciona de forma dinâmica com uma parcela mais “exigente” dos ouvintes. Proposta bem representada na recém-lançada 5thep.

Lembrando muito uma canção que poderia ter sido lançada pelo Hot Chip, a faixa mergulha na década de 1990 sem desgrudar do pop atual. O resultado está na formação de uma música que funciona tanto dentro como fora das pistas de dança. Apresentada pelo selo nova-iorquino Blueberry Records, a canção é uma sequência dos anteriores inventos do produtor – todos orquestrados dentro da mesma atmosfera musical.

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Todd Osborn – 5thep

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Thief: “Closer”

Thief

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O trabalho do australiano PJ Wolf com o Thief pode muito bem ser traduzido em uma só palavra: sintetizadores. Brincando com a música pop em uma construção sempre inteligente das bases e vozes, o produtor original de Sydney fez do delicado jogo de harmonias e versos prontas a base para a recém-lançada Closer, mais novo single da carreira e o típico caso de uma música que gruda em segundos. Falsetes, texturas eletrônicas e uma aproximação direta com as pistas.

Com todo esse conjunto de referências Wolf produz uma canção versátil, dinamismo que circula de forma acessível pelos pouco mais dois minutos da canção. Feita para ser decorada em segundos, a canção até lembra uma versão simplista do Hot Chip, exercício que se completa com os toques de Disco Music e coros sintéticos. Agora o produtor lança o clipe da canção, que segue de forma tão colirda quanto as próprias melodias.

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Thief – Closer

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Thief: “Closer”

Thief

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O trabalho do australiano PJ Wolf com o Thief pode muito bem ser traduzido em uma só palavra: sintetizadores. Brincando com a música pop em uma construção sempre inteligente das bases e vozes, o produtor original de Sydney fez do delicado jogo de harmonias e versos prontas a base para a recém-lançada Closer, mais novo single da carreira e o típico caso de uma música que gruda em segundos.

Falsetes, texturas eletrônicas e uma aproximação direta com as pistas. Com todo esse conjunto de referências Wolf produz uma canção versátil, dinamismo que circula de forma acessível pelos pouco mais dois minutos da canção. Feita para ser decorada em segundos, a canção até lembra uma versão simplista do Hit Chip, exercício que se completa com os toques de Disco Music e coros sintéticos. Apenas ouça e dance.

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Thief – Closer

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Disco: “SUM/OM”, bEEdEEgEE

bEEdEEgEE
Experimental/Pyschedelic/Electronic
http://beedeegee.com/

Por: Fernanda Blammer

Brian DeGraw

Brian Degraw passou boa parte da última década brincando com os experimentos. Imenso playground para a aplicação de ensaios psicodélicos e colagens eletrônicas, o coletivo Gang Gang Dance, banda da qual faz parte, trouxe na constante mudança de rumo um princípio para o abastecimento de todo o catálogo de obras conquistadas ao longo da carreira. Tendo como ápice o curioso Eye Contact, de 2011, a banda acabou entrando em um pequeno hiato. Um rápido respiro criativo para que cada integrante possa buscar por novas influências, ou, no caso de Degraw, uma completa reformulação da própria essência.

Em SUM/OM (2013, 4AD), primeiro registro solo do nova-iorquino, todo o conjunto de referências conquistadas com o GGD são novamente postas em prática, porém, em um tratamento pontuado pela novidade. Intimamente relacionado com o pop, o músico faz de cada composição um catálogo aberto para o uso de colagens e pequenos ensaios tortos, mas que em nenhum momento se relacionam com distancia do ouvinte. É como se o teor de plena instabilidade, fixado até pouco tempo, brincasse agora de ser comercial, o que de forma alguma priva Degraw da invenção.

Durante todo o trabalho, décadas de referências parecem arremessadas para cima do ouvinte. São passagens pelo Krautrock, transições pela Ambient Music e uma explícita relação com a psicodelia nova-iorquina dos anos 2000. A diferença em relação ao tratamento dado aos discos do GGD está na possível “linearidade” encontrada pelo músico, como se nada fosse além de um determinado ponto. O limite nesse caso são as canções de tratamento “comercial”, algo evidente no conjunto de versos amigáveis de Empty Vases, o jogo pop de Flowers (com vocais de Lovefoxxx), ou quem sabe a eletrônica de (F.U.T.D.) Time of Waste, parceria com Alexis Taylor do Hot Chip.

Mesmo que a relação de proximidade com o ouvinte médio seja um mecanismo de fortalecimento para o disco, em nenhum instante Degraw prioriza a construção de faixas óbvias ou possivelmente descartáveis. Observada com atenção, Empty Vases, uma das músicas mais “fáceis” do registro, só alcança um estágio de real aproximação com o público depois de quatro minutos de ruídos preparatórios. A música pop existe e preenche grande parte do álbum, a diferença está no fato de que para chegar até ela, é preciso escavar (e muito) a cobertura esquizofrência de cada faixa. Continue reading

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