Tag Archives: Hot Chip

Disco: “The Feast of the Broken Heart”, Hercules and Love Affair

Hercules and Love Affair
Electronic/House/Disco
http://herculesandloveaffair.net/

Por: Cleber Facchi

Andy Butler

A última vez que Andy Butler abriu um álbum do Hercules and Love Affair com um Hercules Theme, o contexto assumido pelo produtor parecia ser muito diferente do atual. Longe da avalanche de artistas inclinados a reviver a década de 1990, o artista fez do primeiro álbum do coletivo nova-iorquino, em 2008, uma obra de redescoberta do período e suas tendências. Arranjos tímidos, sexualidade exposta, a voz densa de Antony Hegarty – elemento envolventes dentro de cada canção. Longe da mesma atmosfera, Butler abre agora as portas do terceiro álbum de estúdio, mantendo firme a estética inicial do projeto, porém, em busca de um novo universo de possibilidades.

Menos esparso que o antecessor Blue Songs, de 2011, The Feast of the Broken Heart (2014, Moshi Moshi) assume de vez o lado pop de seu idealizador, como um flerte com o grande público. Da faixa de abertura, Hercules Theme 2014, ao encerramento do disco, em The Key, cada minuto do trabalho aponta para a transformação, usando das melodias e versos fáceis como um princípio para o delineamento para o álbum. Todos os elementos da obra ainda são encarados de forma coletiva, mas o fechamento do disco se dá de outra forma.

Como uma trilha sonora para o verão – de 1991 ou atual -, Butler deixa de lado as tapeçarias detalhistas para reforçar um álbum simples, feito para o consumo imediato. Enquanto há seis anos o mesmo exercício era assumido de forma minuciosa, vide a coleção detalhista de arranjos em You Belong e This Is My Love , hoje pouco disso parece ter sobrevivido – o que está longe de parecer um erro. Como o disco de 2011 já havia identificado, Butler quer apenas arrastar o ouvinte para a pista, efeito que se reforça no ritmo de Do You Feel The Same? e demais faixas essencialmente comerciais do disco.

Ainda que seja encarado como o ponto central da obra, Butler segue a trilha dos dois últimos discos, entregando os versos de cada música para um novo time de vocalistas. Naturalmente imerso na cultura LGBT norte-americana, o álbum abre espaço para que Rouge Mary, Krystle Warren e o assertivo John Grant – todos homossexuais – assumam presença no decorrer da obra, fragmentando o universo do produtor em diferentes personagens. Sim, a ausência da voz marcante de Hegarty ainda minimiza o crescimento da presente obra, mas isso está longe de prejudicar o rendimento das canções. Continue reading

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Alexis Taylor: “Elvis Has Left The Building”

Hot Chip

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Distante das pistas e da euforia tradicional que orienta a obra do Hot Chip, Alexis Taylor parece ter optado pela melancolia para a construção do mais novo álbum em carreira solo: Await Barbarians (2014). Sucessor do fraco Nayim From The Halfway Line, lançado em 2012, o novo disco usa das vocalizações econômicas e sintetizadores sombrios como uma base para o artista, ou pelo menos é isso que Elvis Has Left The Building, primeiro single do trabalho, consegue reforçar.

Com ares de B-Side dos últimos discos do Hot Chip, a canção entrega toda a sensibilidade do autor de Ready for the Floor e Over and Over. São quase seis minutos de arranjos lentos e a voz marcante de Taylor – propositalmente marcada pelos efeitos eletrônicos. Previsto para o dia nove de junho, Await Barbarians será lançado pelo selo Domino, casa de todos os outros projetos do britânico.

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Alexis Taylor – Elvis Has Left The Building

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Todd Osborn: “5thep”

Blueberry

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Em meio a tantos lançamentos redundantes da música pop ou obras excessivamente voltadas a um público específico, Todd Osborn se dividir com exatidão entre as duas vertentes. Original da cidade de Ypsilanti, Michigan, o produtor parece lidar com todos os clichês da música comercial, porém, em uma arquitetura que se relaciona de forma dinâmica com uma parcela mais “exigente” dos ouvintes. Proposta bem representada na recém-lançada 5thep.

Lembrando muito uma canção que poderia ter sido lançada pelo Hot Chip, a faixa mergulha na década de 1990 sem desgrudar do pop atual. O resultado está na formação de uma música que funciona tanto dentro como fora das pistas de dança. Apresentada pelo selo nova-iorquino Blueberry Records, a canção é uma sequência dos anteriores inventos do produtor – todos orquestrados dentro da mesma atmosfera musical.

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Todd Osborn – 5thep

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Thief: “Closer”

Thief

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O trabalho do australiano PJ Wolf com o Thief pode muito bem ser traduzido em uma só palavra: sintetizadores. Brincando com a música pop em uma construção sempre inteligente das bases e vozes, o produtor original de Sydney fez do delicado jogo de harmonias e versos prontas a base para a recém-lançada Closer, mais novo single da carreira e o típico caso de uma música que gruda em segundos. Falsetes, texturas eletrônicas e uma aproximação direta com as pistas.

Com todo esse conjunto de referências Wolf produz uma canção versátil, dinamismo que circula de forma acessível pelos pouco mais dois minutos da canção. Feita para ser decorada em segundos, a canção até lembra uma versão simplista do Hot Chip, exercício que se completa com os toques de Disco Music e coros sintéticos. Agora o produtor lança o clipe da canção, que segue de forma tão colirda quanto as próprias melodias.

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Thief – Closer

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Thief: “Closer”

Thief

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O trabalho do australiano PJ Wolf com o Thief pode muito bem ser traduzido em uma só palavra: sintetizadores. Brincando com a música pop em uma construção sempre inteligente das bases e vozes, o produtor original de Sydney fez do delicado jogo de harmonias e versos prontas a base para a recém-lançada Closer, mais novo single da carreira e o típico caso de uma música que gruda em segundos.

Falsetes, texturas eletrônicas e uma aproximação direta com as pistas. Com todo esse conjunto de referências Wolf produz uma canção versátil, dinamismo que circula de forma acessível pelos pouco mais dois minutos da canção. Feita para ser decorada em segundos, a canção até lembra uma versão simplista do Hit Chip, exercício que se completa com os toques de Disco Music e coros sintéticos. Apenas ouça e dance.

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Thief – Closer

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Disco: “SUM/OM”, bEEdEEgEE

bEEdEEgEE
Experimental/Pyschedelic/Electronic
http://beedeegee.com/

Por: Fernanda Blammer

Brian DeGraw

Brian Degraw passou boa parte da última década brincando com os experimentos. Imenso playground para a aplicação de ensaios psicodélicos e colagens eletrônicas, o coletivo Gang Gang Dance, banda da qual faz parte, trouxe na constante mudança de rumo um princípio para o abastecimento de todo o catálogo de obras conquistadas ao longo da carreira. Tendo como ápice o curioso Eye Contact, de 2011, a banda acabou entrando em um pequeno hiato. Um rápido respiro criativo para que cada integrante possa buscar por novas influências, ou, no caso de Degraw, uma completa reformulação da própria essência.

Em SUM/OM (2013, 4AD), primeiro registro solo do nova-iorquino, todo o conjunto de referências conquistadas com o GGD são novamente postas em prática, porém, em um tratamento pontuado pela novidade. Intimamente relacionado com o pop, o músico faz de cada composição um catálogo aberto para o uso de colagens e pequenos ensaios tortos, mas que em nenhum momento se relacionam com distancia do ouvinte. É como se o teor de plena instabilidade, fixado até pouco tempo, brincasse agora de ser comercial, o que de forma alguma priva Degraw da invenção.

Durante todo o trabalho, décadas de referências parecem arremessadas para cima do ouvinte. São passagens pelo Krautrock, transições pela Ambient Music e uma explícita relação com a psicodelia nova-iorquina dos anos 2000. A diferença em relação ao tratamento dado aos discos do GGD está na possível “linearidade” encontrada pelo músico, como se nada fosse além de um determinado ponto. O limite nesse caso são as canções de tratamento “comercial”, algo evidente no conjunto de versos amigáveis de Empty Vases, o jogo pop de Flowers (com vocais de Lovefoxxx), ou quem sabe a eletrônica de (F.U.T.D.) Time of Waste, parceria com Alexis Taylor do Hot Chip.

Mesmo que a relação de proximidade com o ouvinte médio seja um mecanismo de fortalecimento para o disco, em nenhum instante Degraw prioriza a construção de faixas óbvias ou possivelmente descartáveis. Observada com atenção, Empty Vases, uma das músicas mais “fáceis” do registro, só alcança um estágio de real aproximação com o público depois de quatro minutos de ruídos preparatórios. A música pop existe e preenche grande parte do álbum, a diferença está no fato de que para chegar até ela, é preciso escavar (e muito) a cobertura esquizofrência de cada faixa. Continue reading

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Disco: “Dynamics”, Holy Ghost!

Holy Ghost
Electronic/Dance/Alternative
https://www.facebook.com/HolyGhostNYC

Por: Fernanda Blammer

Holy Ghost

Nick Millhiser e Alex Frankel são os melhores filhos que James Murphy poderia ter. Desde o fim do LCD Soundsystem, em 2011, poucos tem sustentado de forma tão assertiva a mesma proposta do produtor nova-iorquino quanto os responsáveis pelo Holy Ghost. Disco-Punk, Dance, Electro, Nu-Disco ou Synthpop, não importa o rótulo, ir de encontro ao trabalho da dupla é como passear de forma nostálgica por uma playlist marcada por clássicos de diferentes décadas. Pop em essência, o projeto carrega na diversidade de colagens um princípio de funcionamento, marca que serviu de base para o disco de 2011 e volta a se repetir no convidativo Dynamics (2013, DFA).

Visivelmente menos acessível (ou talvez nada óbvio) em relação ao álbum passado, o novo registro se esquiva da explosão de cores proposta em Wait And See, Hold On e demais composições do trabalho. Um efeito claro de busca aprimoramento de identidade capaz de impulsionar grande parte das canções. Com um espaço maior para os vocais – preferência que afasta a dupla dos loops líricos, revelando letras um pouco mais extensas -, o disco talvez custe a impressionar durante as primeiras audições, mas é na completa imersão do ouvinte que ele realmente conquista.

Enquanto o álbum de 2011 era tratado de forma bastante clara em cima de argumentos sonoros rápidos, vozes encaixadas nas melodias e um efeito quase imediato, em Dynamics a dupla parece inclinada a brincar com o espectador. São pequenas tapeçarias musicais desenvolvidas com parcimônia, canções afastadas com cuidado das pistas e até mesmo a busca de músicas tratadas de forma ambiental. Mesmo os principais hits da obra, caso de Dumb Disco Ideas (sátira ao novo álbum do Daft Punk) e Don’t Look Down parecem longe de satisfazer o ouvinte imediatamente, armazenando sintetizadores, vozes e batidas em um efeito denso, quase arrastado.

Quem espera por uma continuação do disco passado, não tenha dúvida, vai se decepcionar. Cada espaço do presente álbum substitui a explosão pelo controle, revelando uma nova proposta no método de composição dupla. Não são poucas as vezes em que Dynamics esbarra em conceitos muito similares aos do Hot Chip em One Life Stand (2010). Entretanto, enquanto o grupo britânico usa dos vocais como um salto para os arranjos sintéticos não convencionais, para a dupla nova-iorquina o resultado é de oposição. Mesmo que as vozes assumam um papel significativo, o longo detalhamento instrumental arrasta o ouvinte por uma série de experiências musicais, introspectivas, efeito evidente em It Must Be The Weather e In The Red. Continue reading

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Donna Summer: “Love Is In Control” (Chromeo & Oliver Remix)

Donna Summer

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Desde o lançamento de Business Casual, em 2010, a dupla canadense Chromeo tem se mantido longe dos estúdios, aparecendo vez ou outra com alguma novidade ou possível remix. Agora David Macklovitch e Patrick Gemayel se unem aos também produtores da dupla Oliver para apresentar um excelente remix de Love Is In Control. Clássico de Donna Summer, a composição encontra a mesma medida acelerada que acompanha o trabalho do duo, impulsionado os vocais da diva da Disco Music e garantindo mais um verdadeiro achado para as pistas. A canção é parte da coletânea Love to Love You Donna, trabalho que será oficialmente lançado no dia 22 de Outubro e presta uma homenagem à cantora, morta no último ano em decorrência de um câncer no pulmão. Além do Chromeo, Hot Chip e o velho colaborador de Summer, Giorgio Moroder, garantem alguns remixes.

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Donna Summer – Love Is In Control (Chromeo & Oliver Remix)

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Joe Goddard: “She Burns” (Ft. Mara Carlyle)

Joe Goddard

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Se o lançamento de Harvest Festival em 2009 não conseguiu distanciar Joe Goddard das experiências alcançadas com o Hot Chip, ao entregar o single She Burns no final de Maio, o produtor inglês se apresentou mais do que apto a trabalhar em carreira solo de forma inventiva. Contando com a colaboração da conterrânea Mara Carlyle, a canção dança em uma mistura de House e R&B da década de 1990, pontuando vez ou outra elementos adquiridos por Goddard em sua antiga banda. Agora transformada em clipe, a canção traz a própria Carlyle sendo preparada para um velório, no caso, o dela mesma. Enquanto uma dupla prepara a morta para o último adeus, a composição e os versos crescem de forma expressiva, lembrando em alguns aspectos o universo criado na série Six Feet Under.

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Joe Goddard – She Burns (Ft. Mara Carlyle)

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Hot Chip: “Dark & Stormy”

Hot Chip

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Mesmo depois de dar vida a um dos grandes registros de 2012, In Our Heads, e entrar em uma bem sucedida turnê mundial que inclusive passou pelo Brasil, os britânicos do Hot Chip parecem longe de descansar. Brincando com a melancolia em uma medida dançante, o grupo apresenta agora o mais novo single da carreira: Dark & Stormy. Partidária de uma sonoridade muito próxima daquilo que a banda alcançou em 2010 com o álbum One Life Stand, a canção flui em um misto natural de eletrônica e sons orgânicos, exemplar típico dos trabalhos dos ingleses, mas que se altera na multiplicidade de vozes e novos percursos instrumentais. Com lançamento em formato físico previsto para o dia 22 de Julho, o single contará com uma série de remixes, incluindo nomes como Major Lazer e Daphni.

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[youtube http://www.youtube.com/watch?v=J4f2el1M-Pw]
Hot Chip – Dark & Stormy

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