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Sónar São Paulo 2015: Os erros e acertos do festival

000000miojo01Créditos: Eduardo Magalhães 

No último sábado (28), a cidade de São Paulo recebeu o festival catalão Sónar, evento que nasceu em Barcelona e teve sua terceira edição em terras paulistanas. Depois de trazer sua versão menor, o Sonar Sound, em 2004, veio com sua versão ampliada em 2012, evento que aconteceu durante dois dias e trouxe nomes como Justice, James Blake, Kraftwerk, MF Doom, Flying Lotus, Totally Enormous Extinct Dinosaurs e mais uma variedade de artistas gringos e nacionais. Já a edição 2015 do evento passou longe do resultado apresentado há três anos – praticamente ou showcase ou festinha descompromissada.

Desde o anúncio das atrações, em 2014, já havia algo errado, afinal, depois de tanto alvoroço em cima da programação, a produção do evento acabou divulgando apenas sete atrações. Era o Sónar mesmo ou um festival evento no Sesc? Como headliners, a dupla The Chemical Brothers e o coletivo Hot Chip – ambos responsáveis por dois registros de peso lançados em 2015. O destaque também ficou por conta dos produtores Evian Christ e Pional, talvez os únicos que se caracterizam como música avançada. Completaram o line-up o francês Brodinski, a produtora chilena Valesuchi e o brasileiro Zopelar.

000000miojonosonarCréditos: Eduardo Magalhães 

Enfim chegou o grande dia do evento, que na verdade ocorreu durante toda a semana, com exibições de filmes, palestras e oficinas, mas o principal que era o dia dos shows, que foi apenas no sábado. O festival aconteceu no Espaço das Américas, casa de show famosa por shows de sertanejo e pagode, mas que por incrível que pareça, foi uma bela escolha para o festival – claro, isso de acordo com a proposta que foi oferecida pelo Sonar São Paulo. Bem localizado, ao lado de uma estação de metro e trem, táxis e ônibus espalhados pela região. Mesmo o som da casa também parecia adequado, atendimento e a limpeza foram bem feitos. Tudo organizado.

Já as apresentações, todas pontuais, mostram que os pouquíssimos artistas escalados, foram bem escolhidos, todos com sets e show incríveis. Destaque para o jovem Evian Christ, que fez um set impecável, cheio de graves e texturas. Sorte que o Evian é talentoso e segurou bem o público que ainda estava chegando ao evento. Na sequência o francês Brodinski começou animar o público que começava a encher o evento e disparou uma sequência de techno e house europeu, caindo por vezes nas batidas mais urbanas, como o trap.

Em seguida o grande nome da noite, a dupla Chemical Brothers, fazendo um show sem igual, pouco encontrado na música eletrônica atual. Tom Rowlands e Ed Simons subiram ao palco com seus sintetizadores analógicos, um monte de equipamento e fios, que foram “todos” usados e controlados durante de cerca de 90 minutos de puro êxtase. Houve boatos que Ed Simons não se apresentaria no festival, já que o produtor estava afastado dos palcos, interessado apenas produzir e dar aulas. Para a felicidade do público, lá estava ele em cima do palco.

O show começou com o clássico Hey Boy, Hey Girl, daí em diante, caiu uma chuva de clássicos e hits da dupla, misturado com faixas de seu novo disco, Born in the Echoes (2015). Todas as faixas foram tocadas ao vivo, muitas delas com versões um pouca mais rápidas e até mashups entre suas músicas, com acapella de uma e instrumental de outra. A cada introdução, assim que o público ouvia versos dos hits, uma verdadeira festa era montada. Com charme de rave Londrina e muita alegria por ambas as partes, eles encerraram uma das apresentações mais grandiosas que o público viu em São Paulo. E não podemos esquecer a  grande participação especial de dois robôs gigantes no fundo do palco, que tornou tudo ainda mais divertido.

O brasileiro Zopelar fez um esquenta para a próxima atração, os britânicos do Hot Chip. Uns gostaram, outros estavam com sono e tédio, mas logo o palco começou a ser montado e a pista indie dançante se formou. A banda subiu ao palco e já começou com a linda canção Huarache Lights, depois seguiu com One Life Stand e Night and Day. O hit Ready For The Floor e a ótima Need You Now, tornaram o show ainda melhor. Comparado com outras apresentações da banda, posso dizer que apesar de meio tímidos no palco do Sónar, foi o melhor show da banda em São Paulo. Rolou até uma pitada de All My Friends, do LCD Sounsystem.

Para fechar a noite, o produtor Pional fez um bom trabalho, mas o público já exausto, começavam a ir embora, enquanto os festeiros partiram para after party que rolava em um clube na mesma região.

000000miojo02Créditos: Eduardo Magalhães 

Por fim, o evento teve sim boas atrações, o lugar atendeu bem o público e a energia de festival sobressaiu, deixando tudo mais legal, apenas energia e não “experiência” de festival. Porém foi a pior edição do evento em São Paulo e talvez de toda sua história. Poucas atrações, enquanto suas edições irmãs na América do Sul tem quatro palcos. Ingressos superfaturados – 550 reais inteira e R$ 275 meia-entrada – ainda contavam com taxas abusivas nas compras pela internet.

Enquanto a cerveja e o energético saíram baratos, a água acabou custando seis reais, fora que a comida gourmetizada custava quase o valor dos ingressos oferecidos pelos cambista. Também não havia lugar para descanso e faltou ar-condicionado. Difícil aceitar que o festival contou com a mesma produção da edição anterior do evento.

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Sónar São Paulo volta em 2015 com música, cinema e festas extras pela cidade

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O Festival Sónar, evento catalão que acontece anualmente em Barcelona desde 1994 e com edições pontuais em outras regiões do planeta, volta a São Paulo para sua terceira edição.
Com apenas um dia de música e poucas atrações, a edição desse ano do Sónar São Paulo traz diversos eventos paralelos durantes os dias 24 e 28 de novembro, que atravessa a semana com o SónarCinema e finaliza suas atividade em grande estilo no sábado, com apresentações de nomes como Chemical Brothers, Hot Chip e o brasileiro Zopelar, somado a mais quatro atrações internacionais.

Nessa nova passagem por territórios tupiniquins, com mais uma tentativa de se estabelecer, o evento peca na falta de música avançada e experimental, além de poucas atrações (poderia ter mais artistas nacionais né?), mas vai para as cabeças com dois headliners de peso, ambos com discos lançados recentemente e entre os melhores do ano.

Já na parte de cinema, o festival In-Edit e o Sónar voltam a se encontrar no Brasil, a primeira vez foi em 2012. Desta vez, a parceria resultou em uma homenagem ao cineasta holandês Frank Scheffer. Os seus filmes retratam um universo musical muito distante das canções pop, das melodias pegadiças e dos sucessos radiofônicos.

As sessões rolam em dois ambientes, LabMIS e no auditório, variando o local em cada dia. Para assistir os filmes, basta retirar os ingressos no local, que serão distribuídos por ordem de chegada. Os horários das sessões são das 15h30 às 19h30 (nos dias 24, 25 e 26), às 13h30 e às 15h30 (no dia 27) e das 13h30 às 19h30 (no dia 28), sempre no Museu da Imagem e do Som.

Além dos eventos principais, rolam diversos eventos paralelos e festas extras, uma delas acontece nessa semana, com o consagrado DJ e produtor de hip-hop “DJ Premier” e os artistas nacionais Cia (RZO), Dubstrong (Chocolate) e Nuts (Marcelo D2), todos se apresentando no clube Superloft, em São Paulo. Os ingressos são gratuitos, nominais e intrasferíveis, serão distribuídos dias antes da festa. Fora tudo isso, também vai haver DJ sets de algumas atrações do Sonar Club em casas de shows e clubes da cidade durante a semana do festival.

Além de São Paulo, o Sónar estará presente em mais três cidades da América do Sul em 2015: Buenos Aires (3 de dezembro), Santiago (5 de dezembro) e Bogotá (7 de dezembro). Para mais informações sobre os eventos acessem:
https://sonarsaopaulo.com.br/pt/2015/

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Cozinhando Discografias: Hot Chip

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A seção Cozinhando Discografias consiste basicamente em analisar todos os álbuns de um artista, ignorando a ordem cronológica dos lançamentos. E qual o critério usado então? A resposta é simples, mas o método não: a qualidade. Dentro desse parâmetro temos uma série de fatores determinantes envolvidos, que vão da recepção crítica do disco no mercado fonográfico, além, claro, dentro da própria trajetória do grupo e seus anteriores projetos. Além da equipe do Miojo Indie, outros blogs parceiros foram convidados para suas específicas opiniões sobre cada um dos trabalhos, tornando o resultado muito mais democrático. No cardápio de hoje: Hot Chip. Continue reading

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Hot Chip: “Started Right” (VÍDEO)

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Depois de cinco álbuns de estúdio – Coming on Strong (2004), The Warning (2006), Made in the Dark (2008), One Life Stand (2010), In Our Heads (2012) -, apresentações agendadas pelos quatro cantos do planeta e um dos acervos mais criativos da música atual – Over and Over, Boy From School, Ready for the Floor, Take It In -, seria natural que o Hot Chip sufocasse pelo peso da própria obra. Entretanto, em um sentido oposto ao de grande parte da nova safra de artistas – músicos e produtores incapazes de mantar a coerência depois do segundo ou terceiro disco -, o coletivo britânico não apenas confirma a boa forma, como parece longe de errar o passo dentro ou mesmo fora das pistas de dança.

Bastam os cinco minutos de Huarache Lights, faixa de abertura do sexto e mais recente trabalho do grupo para que o ouvinte seja “seduzido”. Em Why Make Sense? (2015, Domino), obra lançado depois de um hiato de três anos desde o último disco – período mais longo até então -, Alexis Taylor, Joe Goddard e demais parceiros de banda ultrapassam os limites da própria maturidade, aproximando o Hot Chip de todo um novo mundo de possibilidades, ritmos e referências musicais. Leia o texto completo.

Dirigida por Rollo Jackson, Started Right é a mais nova composição de Why Make Sense? a ser transformada em clipe. Assista:

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Hot Chip – Started Right

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DJ-Kicks: 10 Discos Essenciais

Lançada em 1995 pelo selo germânico !K7 Records, a série DJ-KiCKS é de longe um dos projetos mais importantes (e versáteis) da música eletrônica atual. Originalmente pensada como um resumo da cena Techno/House que se espalhava pela Europa na década de 1990, a seleção de obras lentamente expandiu seus conceitos, absorvendo diferentes panoramas, gêneros e preferências musicais em mais de 20 anos de produção. Entre trabalhos assinadas por produtores (Four Tet, Carl Craig), músicos (Erlend Øye, Annie) e até mesmo bandas (Hot Chip, Chromeo), a série acaba ter o 50º registro apresentado ao público. Para celebrar a sequência de lançamentos, um resumo com 10 discos essenciais do catálogo DJ-KiCKS. Continue reading

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Disco: “Why Make Sense?”, Hot Chip

Hot Chip
Electronic/Dance/Synthpop
http://www.hotchip.co.uk/

Depois de cinco álbuns de estúdio – Coming on Strong (2004), The Warning (2006), Made in the Dark (2008), One Life Stand (2010), In Our Heads (2012) -, apresentações agendadas pelos quatro cantos do planeta e um dos acervos mais criativos da música atual – Over and Over, Boy From School, Ready for the Floor, Take It In -, seria natural que o Hot Chip sufocasse pelo peso da própria obra. Entretanto, em um sentido oposto ao de grande parte da nova safra de artistas – músicos e produtores incapazes de mantar a coerência depois do segundo ou terceiro disco -, o coletivo britânico não apenas confirma a boa forma, como parece longe de errar o passo dentro ou mesmo fora das pistas de dança.

Bastam os cinco minutos de Huarache Lights, faixa de abertura do sexto e mais recente trabalho do grupo para que o ouvinte seja “seduzido”. Em Why Make Sense? (2015, Domino), obra lançado depois de um hiato de três anos desde o último disco – período mais longo até então -, Alexis Taylor, Joe Goddard e demais parceiros de banda ultrapassam os limites da própria maturidade, aproximando o Hot Chip de todo um novo mundo de possibilidades, ritmos e referências musicais.

Um pouco mais “lento” em relação ao som eufórico do antecessor In Our Heads, de 2012, Why Make Sense? assume de forma transformada boa parte da sonoridade incorporada no álbum de 2010, One Life Stand, encaminhando o ouvinte para o começo dos anos 1990. Ainda que a eletrônica pareça servir de alicerce para a obra, está no diálogo com o R&B, pop e Hip-Hop (do mesmo período) o real sustento das canções. Uma verdadeira coleção de temas adaptados, porém, incapazes de distorcer as habituais melodias e versos sempre limpos do grupo.

Longe de parecer novidade, mesmo a expressiva relação do Hot Chip com a música dos anos 1970 – principalmente o Funk e a Disco Music – aos poucos assume novo enquadramento dentro de Why Make Sense?. Do arranjo de cordas (sampleado) em Dark Night, passando pelo coro de vozes em Easy To Get, ao uso de guitarras comportadas em Started Right, toda a base dançante dos últimos registros desacelera, muda de direção e ainda serve como estímulo para os versos tristes que se estendem até o registro complementar Separate EP. Continue reading

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Hot Chip: “Burning Up”

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Para evitar o descarte de algumas das canções que acabaram de fora das gravações de Why Make Sense? (2015), os membros do Hot Chip tiveram uma ideia inteligente. Lançado paralelamente ao disco – previsto para o dia 18 de maio -, o também registro de inéditas Separate EP. A diferença em relação ao trabalho que o acompanha? A busca por um som menos acelerado, brando e naturalmente melancólico, indicação resumida no primeiro “single” do disco, a comportada Burning Up.

Com cara de faixa de encerramento dos trabalhos paralelos de Alexis Taylor e Joe Goddard, a música cresce em ritmo lento quando comparada ao direcionamento frenético de Huarache LightsNeed You Now, apresentadas nas últimas semanas e parte integrante do novo álbum oficial do grupo. Para lançar a nova criação, um Lyric Video dirigido por Joe Mortimer. Assista:

Hot Chip – Burning Up

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Hot Chip: “Need You Now” (VÍDEO)

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De onde vem tamanha inspiração? Mais de uma década de carreira, cinco registros de estúdio e o Hot Chip continua a surpreender a cada novo lançamento. Com Why Make Sense? (2015), sexto álbum de inéditas do coletivo se aproximando, Alexis Taylor, Joe Goddard e demais membros do grupo lentamente se despedem da década de 1980 que abasteceu grande parte dos primeiros disco, encontrando no início dos anos 1990 a base para todo um novo catálogo de referências e composições ainda mais pegajosas, totalmente renovadas.

Na trilha “House” de Huarache Lights, brincando de forma inteligente com o uso de samples e arranjos prontos para as pistas, Need You Now cresce como um reforço para o trabalho da banda. Menos climática e bem mais direta em relação ao single anterior, a faixa de quase cinco minutos, agora transformada em clipe, soa tão próxima do trabalho de veteranos como Black Box e Corona quanto do último álbum do grupo, o excelente In Our Heads (2012).

Why Make Sense? conta com lançamento previsto para 18/5 pelo selo Domino.

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Hot Chip – Need You Now

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Hot Chip: “Huarache Lights”

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Em constante produção desde a estreia de Coming on Strong, em 2004, com um novo álbum em mãos a cada dois anos, nunca antes o Hot Chip enfrentou um “hiato” tão grande quanto o reforçado nos último período. Três anos depois de apresentar (o excelente) In Our Heads (2012) e com um espaço aberto para o trabalho solo de boa parte dos integrantes, é chegada a hora de conhecer o tão esperado sexto registro em estúdio da banda londrina: Why Make Sense? (2015).

Segundo lançamento do coletivo pelo selo Domino Records, o álbum de dez composições inéditas – e um EP de “extras” – parece seguir uma abordagem diferente em relação ao último projeto da banda. Em Huarache Lights, faixa de abertura do novo trabalho, elementos típicos da Disco Music e traços da eletrônica pós-Disclosure convivem em perfeita harmonia, resultando em um material tão recente quanto marcado pela nostalgia dos arranjos. Lançada também em clipe, Huarache Lights (o vídeo) conta com direção de Andy Knowles e imagens captadas em uma instalação do artista plástico Robert Bell.

Why Make Sense? estreia oficialmente no dia 18 de maio.

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Hot Chip – Huarache Lights

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Disco: “The Feast of the Broken Heart”, Hercules and Love Affair

Hercules and Love Affair
Electronic/House/Disco
http://herculesandloveaffair.net/

Por: Cleber Facchi

Andy Butler

A última vez que Andy Butler abriu um álbum do Hercules and Love Affair com um Hercules Theme, o contexto assumido pelo produtor parecia ser muito diferente do atual. Longe da avalanche de artistas inclinados a reviver a década de 1990, o artista fez do primeiro álbum do coletivo nova-iorquino, em 2008, uma obra de redescoberta do período e suas tendências. Arranjos tímidos, sexualidade exposta, a voz densa de Antony Hegarty – elemento envolventes dentro de cada canção. Longe da mesma atmosfera, Butler abre agora as portas do terceiro álbum de estúdio, mantendo firme a estética inicial do projeto, porém, em busca de um novo universo de possibilidades.

Menos esparso que o antecessor Blue Songs, de 2011, The Feast of the Broken Heart (2014, Moshi Moshi) assume de vez o lado pop de seu idealizador, como um flerte com o grande público. Da faixa de abertura, Hercules Theme 2014, ao encerramento do disco, em The Key, cada minuto do trabalho aponta para a transformação, usando das melodias e versos fáceis como um princípio para o delineamento para o álbum. Todos os elementos da obra ainda são encarados de forma coletiva, mas o fechamento do disco se dá de outra forma.

Como uma trilha sonora para o verão – de 1991 ou atual -, Butler deixa de lado as tapeçarias detalhistas para reforçar um álbum simples, feito para o consumo imediato. Enquanto há seis anos o mesmo exercício era assumido de forma minuciosa, vide a coleção detalhista de arranjos em You Belong e This Is My Love , hoje pouco disso parece ter sobrevivido – o que está longe de parecer um erro. Como o disco de 2011 já havia identificado, Butler quer apenas arrastar o ouvinte para a pista, efeito que se reforça no ritmo de Do You Feel The Same? e demais faixas essencialmente comerciais do disco.

Ainda que seja encarado como o ponto central da obra, Butler segue a trilha dos dois últimos discos, entregando os versos de cada música para um novo time de vocalistas. Naturalmente imerso na cultura LGBT norte-americana, o álbum abre espaço para que Rouge Mary, Krystle Warren e o assertivo John Grant – todos homossexuais – assumam presença no decorrer da obra, fragmentando o universo do produtor em diferentes personagens. Sim, a ausência da voz marcante de Hegarty ainda minimiza o crescimento da presente obra, mas isso está longe de prejudicar o rendimento das canções. Continue reading

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