Originalmente lançado em setembro de 2001, Fahrenheit Fair Enough é o nome do primeiro álbum de estúdio da dupla norte-americana Telefon Tel Aviv. Na época formada por Joshua Eustis e Charles Cooper, este último, morto em 2009 por conta de uma overdose de remédios e álcool, o projeto original da cidade de New Orleans fez do registro lançado no começo do século um novo respiro para a IDM, seguindo a trilha eletrônica deixada no final da década de 1990 por Aphex Twin e outros gigantes do gênero.

Prestes a ser relançado, a nova edição do álbum chega até o público repleta de novidades. Além das nove faixas originais que abastecem o disco, Eustis resgatou outras oito composições inéditas gravadas durante o processo de construção da obra, mas que acabaram ficando de fora no corte final do trabalho. É o caso da minimalista Reak What, a primeira composição originalmente gravada pela dupla e um ato de pura leveza, íntimo dos futuros registros assinados pelos produtores.

Fahrenheit Fair Enough (2016) será lançado dia 02/12 via Ghostly.

 

Telefon Tel Aviv – Reak What

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Artista: Psilosamples
Gênero: Electronic, Techno, IDM
Acesse: https://psilosamples.bandcamp.com/

 

A mudança para a cidade de São Paulo parece ter impactado diretamente nas composições assinadas pelo produtor Zé Rolê em Biohack Banana (2016, UIVO Records). Original da cidade de Pouso Alegre, interior de Minas Gerais, o artista responsável pelos experimentos e sobreposições delicadas do Psilosamples revela uma nova postura em relação ao trabalho apresentado há quatro anos. Um pequeno acervo de faixas que evidenciam a fuga do som colorido que se espalha entre as canções do antecessor Mental Surf (2012).

Primeiro grande trabalho do produtor mineiro desde o EP Cobra Coral, de 2015, o novo álbum sustenta nas batidas o grande destaque da obra de Rolê. São mosaicos eletrônicos construídos a partir de fragmentos minimalistas, quebras, costuras e pequenas alterações rítmicas. A curiosa sensação de adentrar um imenso labirinto eletrônico, onde cada curva do registro apresenta ao ouvinte um espaço completamente novo, reformulado, conceito explícito logo na inaugural faixa-título.

Parcialmente distante do rico catálogo de samples e ritmos regionais que abasteceram o disco entregue há quatro anos – vide músicas como Ovelha Negra e Bom Dia Menina Pelada –, Rolê encara Biohack Banana como uma obra fechada, como se cada canção fizesse parte de um mesmo conjunto de ideias. “Começo a compor como uma história. As músicas vão fluindo como mantra e muitas vezes interagindo com diversos tipos de sonoridades, da música popular à eletroacústica”, explicou em entrevista ao site Music Non Stop.

O resultado dessa transformação está na produção de um registro homogêneo, por vezes contido, mas não menos inventivo. Um bom exemplo disso está na montagem de Copo de Leite Hortelã Pimenta, terceira música do disco. Entre sintetizadores tortos e melodias abstratas, a contida adaptação de diferentes ritmos tipicamente brasileiros, como se Zé Rolê provasse dos mesmos experimentos testados por artistas como Hrvatski, Four Tet e outros nomes de peso da eletrônica estrangeira.

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Artista: Nuven
Gênero: Eletrônica, IDM, Experimental
Acesse: https://soundcloud.com/nuven

Fotos: Andre Peniche

Pouco menos de um ano após o lançamento de Choice of a Fiction, EP de cinco faixas apresentado ao público em meados de 2015, o produtor paulistano Gustavo Teixeira decidiu dar vida ao primeiro registro completo do Nuven. Em Partir (2016, Balaclava Records), batidas minimalistas, fragmentos de vozes, samples e ambientações hipnóticas crescem com destaque ao fundo do disco, resultando em trabalho tão íntimo das pistas, quanto de um ambiente essencialmente onírico.

Com Vista e Escape como músicas de abertura do álbum, Teixeira estabelece um verdadeiro catálogo de regras e toda a base que serve de sustentação para o trabalho. Décadas de referências que atravessam a obra de gigantes da IDM — como Four Tet e Aphex Twin —, dialogam com o som produzido por uma série de artistas recentes — caso de The Range, Floating Points e Ryan Hemsworth —, e ainda esbarram em ambientações e temas eletrônicos que vão do R&B e Hip-Hop norte-americano.  

O mesmo som detalhista acaba se repetindo na melancólica Claro. São pouco menos de três minutos em que Teixeira amarra sintetizadores, batidas e guitarras psicodélicas dentro de um mesmo ambiente. Melodias inebriantes que dialogam de forma sutil com o trabalho de artistas como Boards of Canadá, porém, mantendo firme a essência do som produzido pelo paulistano. Um verdadeiro aquecimento para as texturas, colagens e vozes picotadas que chegam logo em seguida na delicada Hold.

Em Trago e Estalo, um jogo de pequenos contrastes. Enquanto a primeira canção mergulha em um ambiente enevoado, contido, logo em seguida, são as batidas e temas coloridos que acabam tomando conta do disco. Um labirinto de sons abstratos, como se a atmosfera densa de Clams Casino e a lisergia de Flying Lotus se encontram dentro de um mesmo ambiente criativo. A mesma colagem de ideias anteriormente testada pelo produtor em músicas como Cute Face e In a Dream, ambas de Choice of a Fiction.

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Poucos meses após o lançamento do EP Choice of a Fiction (2015), Gustavo Teixeira está de volta não apenas com um novo registro de inéditas, mas o primeiro grande álbum como Nuven. Além de faixas como a já conhecida Escape, música apresentada ao público em agosto deste ano, o registro que conta com distribuição pelo selo Balaclava Records (Terno Rei, Séculos Apaixonados) ainda reserva ao público outras sete canções inéditas.

Claramente inspirado pelo trabalho de gigantes da IDM – como Four Tet, Caribou e Aphex Twin –, Teixeira ainda conta com a participação de dois colaboradores ao longo do disco. É o caso de Ale Sater, vocalista do Terno Rei na faixa Entre Águas, além de Santiago Mazzoli, um dos integrantes da banda Ombu, em Remoto. No perfil da Balaclava Records no Soundcloud você encontra este e outros lançamentos do selo para audição.

 

Nuven – Partir

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Mesmo com dois trabalhos de peso em mãos – Dive (2011) e Awake (2014) –, a grande beleza da música de Scott Hansen como Tycho está na construção de uma série de faixas independentes. É o caso da climática Division, composição apresentada há poucos meses pelo produtor californiano e uma perfeita representação do diálogo entre a eletrônica e o pós-rock que Hansen vem desenvolvendo desde o começo da presente década.

Em Epoch, mais recente single do artista, um novo mundo de possibilidades. Trata-se de um delicado experimento eletrônico, repleto de texturas, pequenas alterações e quebras rítmicas, como se Hansen provasse de diferentes sonoridades dentro de uma mesma canção. Guitarras e batidas eletrônicas que se fragmentam em pequenos atos, dialogando de forma natural com o som produzido por veteranos como Aphex Twin e Four Tet.

 

Tycho – Epoch

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Um mundo de texturas eletrônicas, batidas e vozes se revela ao público tão logo Escape tem início. Mais recente invento do produtor Gustavo Teixeira como parte do projeto Nuven – assim mesmo, com “n” –, a canção marcada pelo uso de vozes cíclicas e sintetizadores detalhistas mostra a evolução do artista em relação ao material apresentado no ótimo Choice of a Fiction, um EP de cinco faixas apresentado ao público em meados de 2015.

Organizada em dois blocos específicos de vozes e colagens eletrônicas, Escape abre serena, cresce, cria instantes que buscam por um som atmosférico e, por fim, acaba na construção de um material pronto para as pistas. Sobram ainda instantes breves de puro experimentalismo, proposta que aproxima o trabalho produzido por Teixeira do som assinado por gigantes como Kieran Hebden (Four Tete) e, principalmente, Dan Snaith (Caribou/Daphni).

 

Nuven – Escape

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. Cheetah (2016), esse é o nome do mais novo projeto de Richard D. James como Aphex Twin – veja o Cozinhando Discografias do artista. Trata-se de um EP de sete faixas – duas delas são vinhetas –, sucessor do ótimo Computer Controlled Acoustic Instruments pt2, de 2015. Livre dos temas acústicos do registro entregue há pouco mais de um ano, o novo registro deve seguir a trilha do álbum de 2014, SYRO, obra que deu fim ao longo hiato do produtor escocês e um dos…Continue Reading “Aphex Twin: “CIRKLON3 [ Колхозная mix ]””

. Poucos dias após o lançamento da delicada How It Feel, música que sintetiza com naturalidade o som produzido por Ryan Hemsworth, o produtor canadense está de volta com mais uma criação inédita. Em Burying The Sun, música que conta com pouco menos de quatro minutos de duração, Hemsworth continua a brincar com a mesma colagem de sons explorada nos primeiros trabalhos oficiais, principalmente Still Awake, de 2013. Marcada pelo uso de sintetizadores, a canção não apenas se esquiva do uso exagerado do grave e…Continue Reading “Ryan Hemsworth: “Burying The Sun””

. Kieran Hebden passou os últimos seis anos produzindo alguma das obras mais significativas da eletrônica britânica. Trabalhos como There Is Love in You (2010), Pink (2012) e Beautiful Rewind (2013). Em 2015, mesmo “errando”, o produtor inglês deu vida ao álbum Morning/Evening, uma de seus registros mais curiosos. Em busca de novidade, Hebden aparece agora ao lado do produtor australiano Designer, dividindo a responsabilidade pela construção da extensa Mothers, mais recente trabalho do produtor. Se ao final de 2015, Hebden e os parceiros Floating Points e Katy…Continue Reading “Four Tet & Designer: “Mothers””

. Diferente dos primeiros trabalhos, em que parecia produzir um som essencialmente abstrato, particular, a cada novo álbum de inéditas, o canadense Ryan Hemsworth transforma a própria música em um instrumento de diálogo com a obra de outros produtores, músicos e cantores. Basta voltar os ouvidos para o último registro de estúdio do artista, Alone for The First Time (2014), uma coleção de peças eletrônicas que servem de base para o vocal de um time de convidados. Sexta faixa do disco, Surrounded resume com naturalidade esse…Continue Reading “Ryan Hemsworth: “Surrounded” (VÍDEO)”