Tag Archives: Indie Pop

Lowell: “LGBT”

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Desde que comentei pela primeira vez sobre o trabalho de Lowell no começo de junho, durante a divulgação do single 88, que as melodias lançadas pela artista canadense parecem ter amadurecido ainda mais. O que antes era encarado em um esforço cíclico e aprazíveis melodias pop, agora evolui a cada nova curva ou refrão pegajoso, postura ressaltada na temática séria (e ainda doce) da nova música da cantora: LGBT.

Ainda que o título da faixa seja encarado como uma criação destinado ao público homossexual, bastam os versos iniciais e o ritmo ascendente para perceber a grandeza da música. Em poucos versos Lowell fala sobre amor, respeito, inclusão e igualdade ao mesmo tempo em que cria morada nos ouvidos do espectador. Ruídos, vozes em coro e a versatilidade da artista em brincar com o pop. Como grande parte das músicas lançadas pela artista nos últimos meses, LGBT é parte do inédito We Loved Her Dearly, estreia da canadense e obra prevista para ser lançada no dia 16 de setembro.

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Lowell – LGBT

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Banda do Mar: “Mais Ninguém”

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No começo de agosto da Banda do Mar – projeto encabeçado por Marcelo Camelo, Mallu Magalhães e Fred Ferreira – entregou ao público os primeiros fragmentos do registro de estreia da parceria: Hey Nana e Mais Ninguém. Fração mais pop desse resultado, a segunda composição foi justamente a escolhida para se transformar no primeiro clipe do registro – já disponível para aquisição no iTunes.

Resumo coeso das melodias e vozes que preenchem a canção, o trabalho desenvolvido pela Controle Remoto Filmes chama atenção pelas “coreografias”. Além do dançarino Fezinho Patatyy, um dos nomes da Batalha do Passinho, o trio de músicos – e principalmente Marcelo Camelo – arrisca na dança. Quem é que não lembrou a segunda versão de O Vencedor, do Los Hermanos, com Bruno Medina revelando seu talento para além dos teclados.

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Banda do Mar – Mais Ninguém

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Disco: “Alvvays”, Alvvays

Alvvays
Indie Pop/Alternative/Female Vocalists
https://www.facebook.com/ALVVAYS
http://alvvays.com/

Por: Cleber Facchi

A julgar pela forte relação musical de Grimes, Purity Ring e toda a nova geração de artistas canadenses, não seria estranho se a presente safra de projetos locais fosse guiada pelo mesmo caráter experimental / etéreo do “coletivo”. Entretanto, ao esbarrar na estreia do Alvvays – lê-se always -, curioso observar como as referências do grupo de Toronto não apenas se revelam contrárias ao atual panorama canadense, como ainda assumem elementos há muito apagados do rock norte-americano.

De evidente imposição nostálgica, o autointitulado debut se esquiva de fórmulas complexas para encantar pela suavidade. Diminuto – são apenas nove canções -, o disco abre de forma enérgica com as guitarras de Adult Diversion, assume os próprios sentimentos em One Who Loves You e só estaciona (de forma sutil) na derradeira Red Planet. Pouco mais de 30 minutos em que sonhos e desilusões de jovens adultos são delicadamente partilhados com o público.

Confortado em uma atmosfera caseira, explícita logo na voz rústica, ainda que doce, de Molly Rankin, o álbum é uma romântica travessia pelo tempo. Com referências (sentimentais) que vão dos Beach Boys ao Indie Pop britânico da década 1980, cada instante do registro se entrega – lírica e musicalmente – ao amor. Como a banda já confirmou em entrevista, grande parte das canções do disco refletem a vida sentimental de cada integrante, base autobiográfica que aos poucos se revela íntima do próprio ouvinte.

Dentro deste contexto não é difícil comparar a estreia do Alvvays ao trabalho já proclamado por outros veteranos. Nomes como Camera Obscura, The Pastels e até mesmo figuras recentes da música, como a californiana Best Coast, sobrevivem e ainda servem de estímulo para diversos arranjos e temas reforçados ao longo da obra. Porém, ao investir em versos que se entregam às próprias confissões, o grupo canadense rompe de forma assertiva com qualquer aspecto “copioso”, cercando o debut em um nítido espaço autoral. Continue reading

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Disco: “The Voyager”, Jenny Lewis

Jenny Lewis
Indie/Folk/Female Vocalists
http://www.jennylewis.com/

Por: Cleber Facchi

Durante os primeiros anos em carreira solo, tudo o que Jenny Lewis parecia interessada era em se distanciar musicalmente do Rilo Kiley, sua outra banda. Não por acaso em Rabbit Fur Coat (2006), estreia solo da cantora, Lewis abandonou a energia das guitarras para abraçar a acústica leve do Country Folk. Curiosamente depois de reciclar a mesma sonoridade em Acid Tongue (2008), a artista regressa agora ao território musical do antigo grupo, transformando o recém-lançado The Voyager (2014, Warner Bros.) em um inevitável regresso aos primeiros anos em estúdio.

Espécie de comunicação com os memoráveis The Execution of All Things (2002) e More Adventurous (2004), trabalhos mais comerciais do Rilo Kiley até aqui, o presente registro solo de Lewis é uma obra de reposicionamento. Longe da atmosfera empoeirada dos dois últimos trabalhos, a cantora investe em melodias acessíveis, acordes bem executados de guitarras e uma doce comunicação com o pop que há tempos parecia abandonada.

Basta perceber a energia que escapa de músicas como Love U Forever para que todo o “novo” universo da cantora seja desvendado. Por trás de uma linha de baixo consistente, guitarras firmes, crescentes e encaixadas de forma precisa servem de base para as confissões românticas da artista. Doses consideráveis de referências dos anos 1980 e 1970, batidas econômicas e a voz limpa: nada tende ao excesso. É dentro construção que Lewis planeja a arquitetura do álbum, um trabalho que aposta no descompromisso, mas soluciona de forma assertiva todas suas imposições.

Mesmo que tropece aqui e ali em elementos conquistados ao lado do parceiro Johnathan Rice – namorado e uma das metades do Jenny and Johnny -, todas as experiências da obra são típicas de sua autora. Nada mais inteligente da parte de Jenny do que convidar o amigo de longa data (e inspiração confessa) Ryan Adams para assumir a produção do registro. Conhecedor do trabalho de Lewis, o músico mantém o registro dentro de uma formatação homogênea, pinçando tanto elementos dos últimos discos da cantora, como referências da música Country que abasteceram toda a década de 1970. Continue reading

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Broods: “L.A.F.”

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O lançamento de Mother & Father, há poucos dias, serviu apenas para reforçar o óbvio: o duo Broods está em busca de uma fórmula própria, muito mais íntima da música Pop. Cada vez menos “experimental” quando próximos das primeiras criações do duo, os irmãos Georgia e Caleb Nott não apenas se distanciam das comparações que os aproximam de Lorde, como ainda vem desenvolvendo uma série de melodias acessíveis, ainda mais evidentes com a chegada de L.A.F.

Reforçando de forma evidente a audível relação com o CHVRCHES e outros exemplares do synthpop moderno, a nova criação potencializa a voz de Georgia, deixando para Caleb uma evidente valorização das harmonias e uso versátil das batidas. Assim como a faixa lançada há poucos dias, a nova música entrega pistas sobre os rumos da dupla em relação ao primeiro álbum de estúdio, previsto para estrear ainda em 2014.

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Broods – L.A.F.

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Disco: “Stay Gold”, First Aid Kit

First Aid Kit
Folk/Female Vocalists/Indie
http://www.thisisfirstaidkit.com/

Por: Cleber Facchi

Desde o primeiro álbum em estúdio, The Big Black and the Blue (2010), as irmãs Johanna e Klara Söderberg nunca pareceram se importar e promover um registro de fato transformador dentro do cenário em que estavam inseridas. Observadas atentamente, cada uma das canções lançadas pelo duo sueco sempre ecoaram de forma a reforçar os sentimentos da dupla, como se as faixas – confessionais, doces ou melancólicas – apenas precisassem existir. Longe de tropeçar em redundância, Stay Gold (2014, Columbia), terceiro álbum do First Aid Kit acerta justamente ao apostar nesse mesmo resultado.

Registro mais acessível da dupla até o momento, o novo disco segue a trilha Country-Folk do registro passado, The Lion’s Roar (2012), aproximando (mais uma vez) o duo dos conceitos lançados em solo norte-americano. Como um passeio pela música de raiz apresentada nos anos 1960/1970, o novo disco se acomoda em melodias simplistas, vozes delicadas e a saudade implícita nos versos de cada criação. Logo, as irmãs Söderberg estão mais uma vez em casa – e o ouvinte também.

Herdeiras da obra de Joni Mitchell e Judy Collins, além de todo o acervo de cantoras da vindas da cena musical de Nashville, Johanna e Klara utilizam do novo álbum como algo a mais do que uma simples homenagem ao passado. Trata-se de uma fina obra de criação, um exercício de amarrar as pontas com a sonoridade lançada há quatro décadas, sem necessariamente perder o senso autoral assumido no último disco. Dentro desse propósito, Stay Gold é uma obra de incontestável beleza nostálgica, mas que, ainda assim, segue de forma independente – exatamente de onde a dupla parou no disco passado.

Mais uma vez acompanhadas de Mike Mogis – produtor que atuou em obras como Rabbit Fur Coat (2006) de Jenny Lewis, além de álbuns do She & Him e Bright Eyes -, a dupla sueca encontra no novo álbum o cenário perfeito para o crescimento de cada composição. Livre da plasticidade que ecoa de forma artificial nas mãos de grupos como Mumford and Sons e Of Monsters and Men, Stay Gold brilha por soar justamente como um produto típico da década de 1970. Percepção reforçada nos vocais levemente empoeirados e arranjos acústicos que ecoam de forma artesanal – mesmo dentro da limpidez típica de um trabalho de estúdio. Continue reading

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Disco: “Sea When Absent”, A Sunny Day In Glasgow

A Sunny Day In Glasgow
Shoegaze/Dream Pop/Experimental
http://asunnydayinglasgow.com/

Por: Cleber Facchi

Por mais assertivo que tenha sido o regresso de Kevin Shields com M B V (2013) – o primeiro álbum do My Bloody Valentine após um hiato de 22 anos -, muito do que acompanha o veterano do Shoegaze / Dream Pop se acomoda em uma série de redundâncias naturais, típicas do gênero. Blocos colossais de ruídos, distorções tratadas de forma sobreposta e todo um catálogo de efeitos a serem dissolvidos com o passar da obra. Transformação do ponto de vista da música “comercial”, mas uma evidente continuação dentro da própria carreira de Shields – ainda mais se observarmos o detalhamento que acompanha a formação de Loveless (1991), a obra-prima do compositor.

Shields não é o único. Se você observar atentamente, muito do que orienta a formação ruidosa e os arranjos do gênero – salvo exceções -, cedo ou tarde se reconfigura em um trabalho marcado pela reciclagem de fórmulas. Do Deerhunter em Monomania (2013) – uma versão mais acelerada e crua de Microcastle (2008) -, ao Wild Nothing em Nocturne (2012) – uma nítida continuação de Gemini (2010) -, veteranos e novatos acabam aos poucos atraídos pelo conforto. Curioso encontrar em Sea When Absent (2014, Lefse), novo álbum do A Sunny Day in Glasgow, uma obra que se distancia completamente desse princípio.

Quarto registro em estúdio do grupo norte-americano, o sucessor do confortável Autumn, Again (2010) é uma obra de plena ruptura – para o grupo, ou para o gênero que ele representa. Brincando de forma aleatória com os blocos de ruídos agrupados por outros artistas nas últimas duas décadas, o presente álbum usa da constante transformação estética como um ponto de crescimento. Se Bye Bye, Big Ocean (The End), na abertura do disco, revela um som marcado pela continuação de antigos exageros e efeitos, até alcançar Golden Waves, no encerramento do disco, tanto o trabalho como a própria banda já se modificaram tanto, que classificar Sea When Absent como um simples discos de “Shoegaze” ou “Dream Pop” seria um erro.

Em um sentido contrário ao esforços de grande parte dos artistas de mesmo estilo, com o novo disco a banda não apenas tenta parecer acessível ao público médio, como incorpora livremente instantes mais “comerciais” lírica e musicalmente. Basta perceber as vocalizações típicas do R&B/Soul em Golden Waves ou os versos doces em Crushin’ para esbarrar no teor “pop” da obra. Mesmo ao limar a “complexidade” do trabalho, Sea When Absent não oculta as pequenas doses experimentais do registro. Um mergulho na psicodelia de The Things They Do to Me ou uma passagem pelas guitarras de Oh, I’m a Wrecker (What to Say to Crazy People) revelam que a arquitetura básica de qualquer trabalho do estilo se faz presente e ativa, apenas curiosa. Jeff Zeigler (The War on Drugs, Kurt Vile), produtor do disco, parece ter encontrado uma nova forma de organizar todas essas impressões. Continue reading

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Disco: “Ultraviolence”, Lana Del Rey

Lana Del Rey
Alternative/Dream Pop/Female Vocalists
http://lanadelrey.com/

Por: Cleber Facchi

Lana Del Rey

Ultraviolence é o disco que Lana Del Rey deveria ter lançado há dois anos. Livre dos exageros testados no cênico Born To Die, de 2012, o presente álbum cresce como uma natural extensão dos sons letárgicos entregues em Video Games e Blue Jeans – faixas responsáveis por apresentar oficialmente o trabalho da cantora. Grandioso em essência, mas acolhedor em relação aos arranjos que o definem, o segundo álbum solo da jovem nova-iorquina é uma obra de reposicionamento. Uma evidente tentativa em ocupar espaço a partir de uma estrutura que busca ser “pop” e “alternativa” na mesma medida.

Livre das fragmentadas transições eletrônicas que ocuparam grande parte do álbum passado, Ultraviolence equilibra as (novas) canções dentro de um mesmo ambiente musical. Cercada por um versátil time de letristas e produtores – caso de Rick Nowels (Lykke Li, Madonna) e Paul Epworth (Adele, Azealia Banks) -, Del Rey encontra na direção segura de Dan Auerbach, principal produtor do disco, a “ferramenta” que faltava para o acerto de Born To Die. Com mão firme, o também vocalista do The Black Keys evita que o disco mergulhe nos exageros do antecessor, entregando uma obra homogênea da inaugural Cruel World, ao fechamento com The Other Woman.

Com o abandono de temas pré-fabricados – como a estranha aproximação entre Hip-Hop e a “América dos anos 1950″ -, Del Rey e Auerbach orquestram o disco dentro de um único gênero/limite: o Dream Pop. Amortecida por violinos, guitarras arrastadas e a voz maquiada por efeitos, a cantora flutua no mesmo ambiente lançado há três décadas por nomes como Galaxie 500, Cocteau Twins e, principalmente, Mazzy Star. Observado atentamente, muitos dos conceitos que ocupam Ultraviolence surgem como uma sequência do clássico So Tonight That I Might See (1993). Todavia, a habilidade de Auerbach evita o plágio, transformando o novo disco em uma obra no mínimo “referencial”.

Parte do acerto e parcial ineditismo do álbum vem da aproximação de Lana com a psicodelia lançada nos anos 1970. Fruto (mais uma vez) da presença de Auerbach e seu recente Turn Blue (2014), o gênero revela uma série de possibilidades para a cantora, que cresce (de maneira incontestável) em músicas como Shades Of Cool e Cruel World. Como um duelo controlado, as duas faixas equilibram vozes e guitarras em um mesmo ambiente hipnótico, concedendo à cantora uma liberdade antes limitada em músicas essencialmente sintéticas como Off to the Races e Summertime Sadness. Desde o single Blue Jeans, Del Rey não parecia tão segura quanto agora, dona de um ambiente quase particular. Continue reading

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MØ: “Walk This Way”

Mø

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É curioso como MØ, mesmo sem grandes investimentos e exageros visuais, parece ter encontrado uma assertiva direção dentro dos próprios clipes. Assim como no vídeo de XXX 88, faixa produzida pelo norte-americano Diplo, a cantora dinamarquesa parece atuar com liberdade, fazendo valer o ritmo da canção. Em Walk This Way não é diferente. Dirigido por Emile Rafael, o trabalho usa da própria cantora, um time pequeno de dançarinas e uma coreografia convincente para movimentar as cenas.

Parte do bem recebido No Mythologies to Follow (2014), trabalho de estreia da jovem cantora, o novo single/clipe é uma eficiente representação da música de MØ. Cruzando referências que vão do Hip-Hop ao Pop-Eletrônico, a novata parece ter conquistado um espaço dele ao longo dos meses, distanciando as possíveis comparações com Lykke Li ou qualquer outras voz do pop europeu.

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MØ – Walk This Way

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Disco: “Nausea”, Craft Spells

Craft Spells
Indie/Alternative/Dream Pop
https://www.facebook.com/CraftSpells

Por: Cleber Facchi

Craft Spells

A estreia do Craft Spells com Idle Labor, serviu para reforçar a capacidade de Justin Paul Vallesteros em lidar com temas obscuros sem romper com o brilho pop das melodias. Manifestação dos principais distúrbios sentimentais que guiavam o músico na época, o registro de 2011 parece sobreviver mesmo além de seu próprio cercado estrutural. Em Nausea (2014, Captured Tracks), mais novo registro do grupo, as mesmas imposições lançadas há três anos voltam a se repetir, reforçando a capacidade de Vallesteros e seus parceiros em promover novos conceitos dentro da mesma composição acolhedora.

Ainda que orientado de forma explícita pela melancolia dos temas – boa parte do disco foca em um término recente de relacionamento -, Nausea é uma obra que não se permite corromper por exageros ou possíveis deslizes sentimentais do próprio criador. Como a autointitulada faixa de abertura logo entrega, a tristeza é dissolvida em pequenas doses, distribuídas suavemente ao longo de todo o trabalho.

Tendo na relação com o Dream Pop mais uma vez o ponto principal da obra, Vallesteros transporta o ouvinte para um cenário musicalmente abastecido por sonhos e pesadelos. Nada contido em relação ao debut, o novo álbum é uma obra carregada pela detalhe, principalmente na forma como as guitarras ocupam todas as lacunas do disco. Enquanto o debut parecia seguir uma métrica simples de três acordes, hoje pouco disso parece ter sobrevivido, esforço ressaltado em composições mais extensas, caso da apaixonante Komorebi e da lisérgica Changing Faces.

Mais do que uma extensão (musical) do disco passado, Nausea é uma obra de pequenas, porém, criativas possibilidades para o Craft Spells. Além do claro regresso aos sons espalhados pela década de 1980, a relação do grupo com a música psicodélica dos anos 1960 e 1970 preenche todo o registro. Basta perceber o andamento encontrado na ensolarada Twirl ou mesmo o fluxo sonoro de Laughing for My Life para perceber isso. A mudança, mesmo controlada, impera na formação do álbum. Continue reading

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