Tag Archives: Indie Pop

Disco: “Girls in Peacetime Want to Dance”, Belle and Sebastian

Belle and Sebastian
Indie Pop/Alternative/Dance
http://www.belleandsebastian.com/

A capacidade de contar boas histórias talvez seja o principal instrumento de trabalho a cada novo álbum do Belle and Sebastian. Personagens fictícios esbarram nas histórias reais de Stuart Murdoch, dramas corriqueiros se escondem em meio a confissões intimistas e versos irônicos passeiam em meio a bases sutis, como se histórias tipicamente adultas fossem acomodadas em uma estrutura de composição pueril. Com o nono álbum de estúdio, Girls in Peacetime Want to Dance (2014, Matador), a essência da banda permanece a mesma, entretanto, a estrutura musical agora é outra, íntima das pistas de dança.

Longe de escapar do mesmo ambiente confortável (e pop) reforçado desde Dear Catastrophe Waitress (2003), cada instante do sucessor de Write About Love (2010) parece articulado em meio a tímidos passos de dança. Poderia ser um material perdido do ABBA – na fase Arrival (1976) – ou mesmo uma versão menos frenética do Cut Copy em In Ghost Colours (2008), mas é apenas um curioso exercício de criação, a tentativa de Murdoch em encaixar seus tradicionais temas humanos em cima de descompassadas coreografias.

Ainda que o globo espelhado e luzes coloridas sejam acionadas apenas na terceira faixa do disco, The Party Line, quando mais o ouvinte se aproxima do núcleo da obra, mais o ritmo acelera e os sintetizadores ditam o funcionamento dos vocais. Melodias acústicas no melhor estilo Tigermilk? Esqueça, o cenário desbravado pelo (hoje) sexteto transborda novidade, mesmo que a estrutura da obra confirme o interesse da banda pela década de 1970. Assim como a  abertura comercial lançada em The Life Pursuit (2006), GIPWTD talvez seja o indicativo de um novo caminho a ser percorrido pelo Belle and Sebastian.

Sem necessariamente parecer uma cópia, diversos aspectos do presente álbum parecem replicar conceitos antes explorados pelo Arcade Fire em Reflektor, de 2013. Incapaz de romper com a estrutura incorporada pela banda até o registro de 2010, Murdoch e Ben H. Allen, produtor do disco, flertam com o passado em um sentido tão nostálgico quanto presente, promovendo um trabalho próximo de uma linguagem atemporal. Temas autobiográficos e melancólicos que parecem prontos para aquecer as pistas e, ao mesmo tempo, confortar a mente do espectador. Continue reading

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Jens Lekman: “Postcard #1″

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Você também é apaixonado pelas melodias delicadas de Jens Lekman? Então é bom celebrar. Enquanto trabalha na produção do quarto registro em estúdio, o músico sueco resolveu presentear o público com uma série de canções semanais inéditas. Intitulada Postcards, a série deve presentear o ouvinte semanalmente com uma sequência de recortes melancólicos e harmonias instrumentais típicas de Lekman, ainda próximo do mesmo material lançado pelo compositor em I Know What Love Isn’t, de 2012.

Primeiro fragmento da série, Postcards #1 sobrevive a partir de pequenas melodias de piano, vozes comportadas e delicadeza, matéria típica do artista. Se tudo der certo, ao final do ano, os ouvintes devem contabilizar um material composto por 52 faixas inéditas. Como explicou no texto de apresentação do projeto, nenhuma das novas composições devem ultrapassar os dois ou três minutos de duração. “Pense nestas pequenas canções como cartões postais”, disse Lekman.

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Jens Lekman – Postcard #1

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MØ: “New Year’s Eve”

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A boa recepção do público e crítica em relação ao primeiro disco solo - No Mythologies to Follow (2014) -, músicas em parceria com Elliphant e Iggy Azalea, agenda lotada e apresentações nos quatro cantos do planeta. Sem dúvidas, o ano de 2014 foi extremamente positivo para a cantora dinamarquesa MØ. E qual a melhor forma de celebrar todas as realizações conquistadas e ainda preparar o terreno para 2015 se não apresentando uma nova composição?

Intitulada New Year’s Eve, a inédita criação pode até se afastar dos últimos inventos assinados pela artista, entretanto, reforça a mesma delicadeza e autoral interpretação do pop explorada desde as primeiras músicas de MØ. Acomodada em arranjos econômicos e vozes melancólicas, a cantora logo invade o mesmo território de nomes como Lykke Li e Lana Del Rey, reforçando uma sonoridade melódica, ainda que empoeirada e doce. Utilizando do recorte de diversos filmes e cenas em preto e branco, Anne Sofie Skaaring assina o vídeo que acompanha a canção.

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MØ – New Year’s Eve

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Camel Power Club: “Laïka”

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Batidas controladas, guitarras e arranjos “tropicais”, além de um coro infantil de vozes doces. Esta é a estrutura projetada para Laïka, mais novo lançamento da dupla francesa Camel Power Club. Embora tenha ficado de fora do último trabalho oficial dos produtores - Sputnik EP (2014) -, durante pouco mais de três minutos, toda a essência do projeto – inspirado por referências vindas das décadas de 1970 e 1990 – parece repetida e aperfeiçoada delicadamente.

Enquanto beats lentos e solos econômicos definem a estrutura da canção de forma precisa, esbarrando em referências extraídas da nova safra do Balearic Pop, um coro de 30 crianças acrescenta um tempero extra aos versos da composição. Lembra até a parceria do Passion Pit com o PS22 Chorus, não? Quem se interessou pelo trabalho, pode encontrar outras canções da dupla no soundcloud do CPC. (Via Pigeons and Planes)

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Camel Power Club – Laïka

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Diplo, Edward Droste & Rostam Batmanglij: “Long Way Home”

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Em novembro, Diplo e DJ Dahi assinaram a produção da faixa Stand For, um dos trabalhos mais recentes apresentados pelo rapper norte-americano Ty Dolla $ign. Aproveitando do material lançado pela dupla de produtores, os parceiros Edward Droste (do Grizzly Bear) e Rostam Batmanglij (do Vampire Weekend) resolveram brincar com a base da canção, acrescentando uma dose extra de experimento instrumentais e versos que flertam com o pop para desenvolver a curiosa Long Way Home.

Sem necessariamente fugir da versão original da música, Droste e Batmanglij trazem de volta toda a ambientação colorida testada em LP (2009), registro de estreia do Discovery, projeto paralelo do tecladista do Vampire Weekend em parceria com Wes Miles, da banda Ra Ra Riot. Mesmo divertida, a (curta) colaboração está longe de indicar um futuro registro assinado entre os dois músicos. O último álbum do Vampire Weekend foi o ótimo Modern Vampires of the City, de 2013, enquanto o último disco do Grizzly Bear foi o excelente Shields, em 2012.

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Diplo, Ed Droste, & Rostam Batmanglij – “Long Way Home”

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Belle & Sebastian: “Nobody’s Empire”

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Perto de completar os 20 anos de carreira, Stuart Murdoch e os parceiros do Belle & Sebastian continuam a promover o mesmo som melódico e assertivo lançado nos inaugurais Tigermilk (1996) e If You’re Feeling Sinister (1996). Com Girls in Peacetime Want to Dance (2015), o nono registro em estúdio, previsto para estrear no dia 19 de janeiro do próximo ano, o coletivo de Glasgow transforma a recém-lançada Nobody’s Empire em uma ponte para a boa fase na década de 1990 e a sequência de boas obras desenvolvidas desde a chegada de Dear Catastrophe Waitress (2003).

Faixa de abertura do novo disco, a delicada criação parece mergulhar em um cenário distinto em relação ao material “dançante” anteriormente exposto no single The Party Line. Com versos confessionais que atravessam a infância do próprio vocalista, a faixa aos poucos estabelece no vídeo dirigido entre Blair Young e Murdoch uma diálogo com a capa do registro. Produzido por Ben H. Allen (Animal Collective, Washed Out) Girls in Peacetime Want to Dance conta com distribuição pelo selo Matador.

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Belle & Sebastian – Nobody’s Empire

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The Decemberists: “Make You Better”

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Mais de uma década desde a estreia com Castaways and Cutouts (2002), obra que apresentou o som adorável do The Decemberists ao público, Colin Meloy prova que as melodias ainda são a base do coletivo norte-americano. Em Make You Better, instrumentos, vozes e toda a atmosfera da inédita composição parecem desenvolvidos com plena delicadeza e precisão, envolvendo o ouvinte em um ambiente de temas similares ao material utilizado no último registro em estúdio da banda, o ótimo The King Is Dead, de 2011.

Primeira faixa do sétimo registro de inéditas do grupo, What A Terrible World, What A Beautiful World (2015), a canção garante cinco minutos de vozes limpas, versos cantaroláveis e guitarras bem resolvidas, elementos ordenados de forma menos “orquestral” em relação aos primeiros anos da banda. Com distribuição pelos selos Rough Trade e Capitol, o novo álbum conta com lançamento previsto para o dia 19 de janeiro.

Abaixo, o clipe de Make You Better, um programa de entrevistas apresentado por Nick Offerman (Parks & Recreation). A direção do vídeo é de Bill Fishman.

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The Decemberists – Make You Better

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Hamilton Leithauser: “Room For Forgiveness”

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As boas melodias exploradas por Hamilton Leithauser em Black Hours (2014) funcionam como passagem para uma nova fase do cantor. Em uma extensão simples do material entregue no interior do primeiro registro solo, o músico apresenta agora a versão completa de Room For Forgiveness. Inédito, o single involuntariamente assume duas funções. A primeira delas, o reforço aos temas incorporados no recente debut do norte-americano; a segunda, o inevitável regresso e diálogo com o último trabalho ao lado dos parceiros do The Walkmen, Heaven (2012).

Letra acessível, vocais em coro e uma atmosfera simplesmente acolhedora. Em meio a arranjos nostálgicos e harmonias que visitam a década de 1960 – base para a obra final do The Walkmen -, Leithauser explora com acerto os limites da própria voz, tropeçando vez ou outra em elementos tão próprios, quanto íntimos de bandas como The Decemberists e The Shins no começo dos anos 2000.

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Hamilton Leithauser – Room For Forgiveness

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Belle & Sebastian: “The Party Line”

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Ainda que não exista uma ordem específica ou estrutura pré-determinada, de tempos em tempos parece comum ver o Belle and Sebastian assumir novo posicionamento em estúdio. Um esforço de renovação natural, base para toda uma nova sequência de registros autorais. Foi assim com If You Are Feeling Sinister (1996), The Life Pursuit (2006) e esta parece ser a base do aguardado Girls in Peacetime Want To Dance (2015), o nono projeto de estúdio do coletivo escocês.

Primeiro exemplar de inéditas desde o adorável Write About Love, de 2010, o registro sustenta na recém-lançada The Party Line um pouco do que o grupo parece reservar para os próximos lançamentos. Ou pelo menos para os próximos meses. Movida pelo uso de sintetizadores, arranjos dançantes e todo um arsenal de elementos parcialmente raros dentro do extenso material do grupo, a nova faixa sustenta mais de quatro minutos de melodias envolventes, prontas para as pistas, como uma versão aprimorada do material lançado no disco de 2006.

Produzido por Ben H. Allen – Animal Collective, Washed Out -, Girls in Peacetime Want To Dance conta com distribuição pelo selo Matador Records e estreia agendada para 19 de janeiro. Abaixo, o clipe coreografado por Robert Binet e dirigido pela dupla LeBlanc + Cudmore.

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Belle & Sebastian – The Party Line

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Mikky Ekko: “Mourning Doves”

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Com tamanho destaque em sites e revistas, faixas assinadas em parceria com David Guetta e Rihanna, além de boas composições autorais apresentadas ao longo de 2013, todos as pistas indicavam que o aguardado debut de Mikky Ekko seria entregue nos primeiros meses de 2014. Contrariando a expectativa do público, a cobiçada estreia do músico norte-americano atrasou, anunciada pela RCA para 20 de janeiro do próximo ano.

Intitulado Time, o álbum de 12 faixas deve reforçar o exercício de Ekko nos últimos singles e EPs, condensando elementos do Pop e da cena alternativa em um mesmo som. Como um assertivo convite para o trabalho, o cantor acaba de apresentar a inédita Mourning Doves, uma típica balada melancólica que dissolve a voz de Mikky em meio a batidas típicas do (novo) R&B.

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Mikky Ekko – Mourning Doves

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