Tag Archives: Indie Pop

Shura: “White Light” (VÍDEO)

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De toda a nova safra de artistas, Shura parece ser a que mais brinca com as referências. De um lado, o confesso fascínio pelo R&B de Mariah Carey, Whitney Houston e Janet Jackson. No outro oposto, a relação com o som experimental e empoeirado que se estende de novatos como Ariel Pink e Blood Orange, até veteranos como Portishead e Massive Attack. Fragmentos expostos com naturalidade no interior de White Light, mais recente single apresentado pela cantora britânica.

Fuga da sonoridade contida exposta por Shura em faixas como Touch, Just Once e 2Shy, a composição lentamente abre passagem para que a cantora/produtora de Manchester se aproxime das pistas. Difícil não lembrar do trabalho de Blood Orange em Cupid Deluxe (2013) ou mesmo dos primeiros trabalhos de Sky Ferreira. Agora transformada em clipe, a faixa entrega na direção de Noel Paul o encontro de duas criaturas místicas.

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Shura – White Light

 

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Disco: “How Big, How Blue, How Beautiful”, Florence and The Machine

Florence and The Machine
Indie Pop/Alternative/British
http://florenceandthemachine.net/

As guitarras “falam” mais alto em How Big, How Blue, How Beautiful (2015, Island). Terceiro registro de inéditas do Florence and The Machine, o novo álbum pode até seguir a trilha dos antecessores Lungs (2009) e Cerimonials (2011), entretanto, indica uma direção totalmente nova dentro da curta obra da artista britânica. Em um diálogo preciso com a música pop e o rock dos anos 1980, Florence Welch se despe de possíveis conceitos e temas complexos de forma a revelar um trabalho marcado pela coerência, rico acervo de composições melódicas e sentimentos nunca antes tão detalhadamente expostos.

Fuga dos atos cênicos e extensa duração do operístico álbum de 2011, com o novo disco, Welch e os parceiros de produção, Markus Dravs e Paul Epworth, trazem de volta o mesmo ritmo “acelerado” do inaugural Lungs. Enquanto Dravs – produtor responsável pelos últimos discos do Arcade Fire -, garante dinamismo ao trabalho, é responsabilidade de Epworth – com quem Florence vem colaborando desde o primeiro registro -, além de nomes como James Ford (Simian Mobile Disco), garantir maior polimento e delicada reprodução ao acervo de músicas comerciais que preenchem toda a obra.

Logo de cara, uma sequência de tirar o fôlego do ouvinte. Dosando entre a sonoridade grandiosa de Shake It Out e a urgência de Kiss With a Fist, a trinca composta por Ship To Wreck, What Kind Of Man e a própria faixa-título não apenas captura a atenção do ouvinte, como ainda serve de estímulo para a série de músicas que sustentam o eixo final do trabalho. Difícil não perceber a interferência de Dravs, aproximando o trabalho de Welch do mesmo universo de referências (nostálgicas) exaltadas pelo Arcade Fire desde o álbum The Suburbs, de 2010. A própria utilização de guitarras sombrias e arranjos orquestrais parece extraída da obra do coletivo canadense, referência presente em cada movimento de How Big, How Blue, How Beautiful.

Ao mesmo tempo em que abraça um catálogo de novas tendências musicais, curioso perceber como elementos reforçados desde o primeiro trabalho da cantora são enquadrados em uma estrutura jovial. Dos experimentos e conceitos “florestais” de Kate Bush, pouco parece ter sobrevivido; mesmo Siouxsie Sioux, confessa influência de Welch parece explorada de forma distinta, longe do som empoeirado que ecoa de forma explícita no disco anterior. PJ Harvey, Patti Smith e até mesmo Régine Chassagne (Arcade Fire) ecoam com naturalidade com o passar do álbum. Nada que interfira de fato na essência e, cada vez mais presente, sonoridade autoral da britânica. Continue reading

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Banda Gentileza: “Espiões”

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Relacionamentos conflituosos, desilusões amorosas e pequenas relações pessoais parecem servir de base para o segundo álbum de inéditas do grupo curitibano Banda Gentileza. Depois da confusão “familiar” que sustenta (e bagunça) os versos de Casa, primeiro single de Nem vamos tocar nesse assunto (2015), chega a vez de Heitor Humberto, acompanhado dos parceiros Diego Perin, Tuna Castilho e Jota Borgonhoni, brincar com a temática da traição na recém-lançada Espiões.

Movida em essência pela distorção das guitarras, a canção de ritmo circense estreita com naturalidade a relação com o disco passado da banda, conceito replicado não apenas nos arranjos, mas, principalmente, nos versos, sempre íntimos de personagens reais. “De todos meus deslizes / Você só soube do menor“, despeja o vocalista, abrindo passagem para uma das faixas mais divertidas e trágicas já lançadas pela banda.

Nem vamos tocar nesse assunto (2015) será lançado no dia 06/07 de forma independente.

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Banda Gentileza – Espiões

 

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Duran Duran: “Pressure Off” (Ft. Janelle Monáe & Nile Rodgers)

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Alguma vez você imaginou ver a banda britânica Duran Duran, o produtor Nile Rodgers e a cantora Janelle Monáe trabalhando juntos? Provavelmente não, certo? Verdadeira surpresa, o resultado dessa inusitada parceria está na assertiva Pressure Off. Primeiro single de Paper Gods (2015), aguardado 14º registro de inéditas dos veteranos da New Wave, a canção é apenas uma das faixas do novo álbum que será repleto de boas colaborações e convidados “inesperados” – entre eles, Mr Hudson, John Frusciante e Kieza.

Dançante, a recente faixa parece pronta para as pistas. Guitarra funkeada, a voz limpa de Simon Le Bon e a precisa colaboração de Monáe, elementos que resgatam a mesma sonoridade exaltada por gigantes como Michael Jackson na década de 1980 e ainda se “disfarça” de registro ao vivo por conta do coro de vozes e palmas que acompanham a faixa nos instantes finais. Difícil escapar da letra grudenta da composição, de longe, um dos melhores exemplares da música pop em 2015.

Paper God (2015) será lançado no dia 11/09 pelo selo Warner Bros.

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Duran Duran – Pressure Off (Ft. Janelle Monáe & Nile Rodgers)

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Mercury Rev: “The Queen Of Swans”

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Se alguém estava sentindo falta de um novo álbum do Mercury Rev, talvez seja hora de celebrar. Sete anos depois do último trabalho em estúdio, Snowflake Midnight (2008), a banda de Buffalo, Nova York está de volta com um novo registro de inéditas: The Light In You (2015). Para anunciar o novo disco e preparar o caminha para a sequência de canções que devem ser apresentadas até o começo de setembro – com o lançamento oficial do disco -, a entrega da inédita The Queen Of Swans.

Delicada, a faixa escolhida para representar o trabalho não apenas reflete não apenas os arranjos sutis explorados pela banda desde a boa fase nos anos 1990, como ainda demonstra um reforço no uso das melodias – de voz ou instrumentais. Quatro minutos em que pianos, sintetizadores, temperos percussivos e o uma voz doce invadem a mente do ouvinte, imediatamente transportado para o mesmo cenário psicodélico de clássicos como Deserter’s Songs (1998) e All Is Dream (2001).

The Light In You (2015) será lançado no dia 18/09 pelo selo Bella Union.

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Mercury Rev – The Queen Of Swans

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Beirut: “No No No”

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Já estava na hora de Zach Condon aparecer com alguma novidade do Beirut. Passados seis anos desde as transições eletrônicas iniciadas nos EPs March of the Zapotec/Holland (2009) e seguidas dentro do terceiro registro de inéditas do compositor, The Rip Tide (2011), a inédita No No No não apenas garante passagem para o quarto álbum de estúdio da banda do Novo México, como ainda reforça as preferências “sintéticas” em torno do projeto.

Enquanto a inicial programação eletrônica aponta a direção da faixa, a sequência de sintetizadores e metais logo transporta o ouvinte para o mesmo “cenário de Leste Europeu” explorado com detalhismo nos dois primeiros discos da banda – Gulag Orkestar (2006) e The Flying Club Cup(2007). Escolhida para apresentar o novo álbum, No No No é a primeira das nove canções que recheiam o trabalho. A sutileza da faixa também se repete na imagem escolhida como capa para o disco (imagem acima).

No No No (2015) conta com lançamento previsto para o dia 11/09 pelo selo 4AD.

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Beirut – No No No

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Baio: “Sister Of Pearl”

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Quer entender de onde vêm as referências “tropicais” e diálogos com a World Music que acompanham o Vampire Weekend desde o primeiro disco? Ora, da cabeça de Chris Baio. Pelo menos é isso que o produtor nova-iorquino vem reforçando desde que deu inicio a série de registros em fase solo, passagem para o material que deve ser resolvido em essência com o primeiro álbum de estúdio, The Names (2015), estreia solo depois de uma coleção de pequenos EPs e singles.

Distante dos conceitos “eletrônicos” que inspiraram as primeiras canções do projeto – caso do single Brainwash yyrr Face -, a inédita Sister Of Pearl serve de passagem para a essência “africana” que há tempos sustenta o principal projeto do músico. Além do uso da voz, tanto as guitarras como os pianos reforçam a influência de nomes como Paul Simon – uma das grandes influências de Baio e também do Vampire Weekend.

The Names será lançado no dia 18/09 pelo selo Glassnote.

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Baio – Sister Of Pearl

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TVÅ: “Always Be” / “Keep Me A Secret”

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Batidas lentas, sintetizadores crescendo ao fundo e a voz doce de Lara Andersson encaixada ao fundo, levemente maquiada pelo uso de distorções eletrônicas, talvez robóticas. Essa parece ser a base de cada composição do projeto TVÅ, duo sueco encabeçado pela já citada senhorita Andersson e o parceiro de produção Marcus. Original da capital Estocolmo, a dupla acaba de apresentar o primeiro single dentro do selo Casine (Yumi Zouma, Koralleraven): Always Be / Keep Me A Secret.

São duas composições nitidamente inspiradas pelos anos finais da década de 1980; um cruzamento de referências que desconstrói o Synthpop e encaminha o trabalho da dupla para junto de elementos vindos do R&B e até Trip-Hop. Lembra um pouco o trabalho do The XX em Coexist (2012), ao mesmo tempo em que o uso contido de sintetizadores remete aos movimentos ambientais do Chromatics no ótimo Kill For Love (2012). Um pop contido, tímido e romântico, mas não menos sedutor.

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TVÅ – Always Be / Keep Me A Secret

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Delorean: “Crystal”

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A busca por uma sonoridade mais pop desde o lançamento do álbum Subiza, em 2010, parece apontar a direção para os futuros lançamentos do Delorean. Brincando com o uso de vozes, sintetizadores aprazíveis e arranjos que incorporam desde temas dançantes até bases que evocam o mais completo recolhimento sentimental do ouvinte, o grupo de Zarautz, Espanha, faz uma curva ainda mais fechada dentro da própria carreira, transformando o single Crystal em uma de suas canções mais comerciais até aqui.

Passo além em relação ao som (ainda mais) acessível explorado no disco Apar, trabalho lançado em 2013, a nova composição cresce livre dos tradicionais experimentos incorporados quarteto, garantindo ao ouvinte quase quatro minutos de vozes e melodias acolhedoras e totalmente descomplicadas. Um registro dançante e ensolarado, perfeito para indicar a lenta aproximação do verão no Hemisfério Norte.

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Delorean – Crystal

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Disco: “Maravilhas da Vida Moderna”, Dingo Bells

Dingo Bells
Indie Rock/Alternative/Indie Pop
http://www.dingobells.com.br/

Quem rola a timeline do Facebook e bate o olho na imagem que estampa a capa de Maravilhas da Vida Moderna (2015, Independente), primeiro registro de estúdio da banda gaúcha Dingo Bells, talvez se espante com a sonoridade explorada no interior do trabalho. Longe do ambiente “cinza” reforçada na fotografia de Rodrigo Marroni – praticamente a capa de um álbum punk -, cada uma das composições que movimentam o disco apontam a construção do um som nitidamente pop, talvez sombrio em se tratando dos versos, mas não menos colorido.

Como o próprio título indica, Maravilhas da Vida Moderna utiliza de versos fáceis para reforçar tormentos típicos de um (jovem) adulto. Músicas ancoradas em conceitos existenciais (Dinossauros), maturidade (Mistério dos 30), a necessidade de conviver em sociedade (Eu Vim Passear) e até personagens (Funcionário do Mês) que cercam o universo irônico/realista do grupo – hoje composto por Rodrigo Fischmann (voz, bateria e percussão), Diogo Brochmann (Voz, guitarra e teclados) e Felipe Kautz (voz, baixo).

Cercado por diferentes colaboradores da cena de Porto Alegre – entre eles o produtor Gustavo Fruet (Chimarruts, Pública) e Felipe Zancaro (Apanhador Só) -, o debut está longe de ser encarado como um típico fragmento do “Rock Gaúcho”. Da abertura ao fechamento do disco, não é difícil perceber o movimento leve executado pela trio, sempre atento, desviando com naturalidade da sonoridade lançada por veteranos da década de 1980 (como Nenhum de Nós e Engenheiros do Hawaii), porém, ainda íntimos das melodias e canto sarcástico explorado há mais de uma década por artistas como Bidê ou Balde e Wonkavision.

De fato, a explícita relação do coletivo com a música (pop) lançada no começo dos anos 2000 está longe de parecer uma “coincidência”. Mesmo entregue ao público como o primeiro álbum oficial do grupo gaúcho, Maravilhas da Vida Moderna ultrapassa com naturalidade os limites do presente cercado temporal, crescendo e dialogando como o produto final da longa trajetória da banda, em atuação há mais de uma década.    Continue reading

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