Tag Archives: Indie Pop

Belle & Sebastian: “The Party Line”

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Ainda que não exista uma ordem específica ou estrutura pré-determinada, de tempos em tempos parece comum ver o Belle and Sebastian assumir novo posicionamento em estúdio. Um esforço de renovação natural, base para toda uma nova sequência de registros autorais. Foi assim com If You Are Feeling Sinister (1996), The Life Pursuit (2006) e esta parece ser a base do aguardado Girls in Peacetime Want To Dance (2015), o nono projeto de estúdio do coletivo escocês.

Primeiro exemplar de inéditas desde o adorável Write About Love, de 2010, o registro sustenta na recém-lançada The Party Line um pouco do que o grupo parece reservar para os próximos lançamentos. Ou pelo menos para os próximos meses. Movida pelo uso de sintetizadores, arranjos dançantes e todo um arsenal de elementos parcialmente raros dentro do extenso material do grupo, a nova faixa sustenta mais de quatro minutos de melodias envolventes, prontas para as pistas, como uma versão aprimorada do material lançado no disco de 2006.

Produzido por Ben H. Allen – Animal Collective, Washed Out -, Girls in Peacetime Want To Dance conta com distribuição pelo selo Matador Records e estreia agendada para 19 de janeiro. Relembre a obra do grupo escocês no especial Cozinhando Discografias.

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Belle & Sebastian – The Party Line

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First Aid Kit: “Stay Gold”

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Desde o primeiro álbum em estúdio, The Big Black and the Blue (2010), as irmãs Johanna e Klara Söderberg nunca pareceram se importar e promover um registro de fato transformador dentro do cenário em que estavam inseridas. Observadas atentamente, cada uma das canções lançadas pelo duo sueco sempre ecoaram de forma a reforçar os sentimentos da dupla, como se as faixas – confessionais, doces ou melancólicas – apenas precisassem existir. Longe de tropeçar em redundância, Stay Gold (2014, Columbia), terceiro álbum do First Aid Kit acerta justamente ao apostar nesse mesmo resultado.

Registro mais acessível da dupla até o momento, o novo disco segue a trilha Country-Folk do registro passado, The Lion’s Roar (2012), aproximando (mais uma vez) o duo dos conceitos lançados em solo norte-americano. Como um passeio pela música de raiz apresentada nos anos 1960/1970, o novo disco se acomoda em melodias simplistas, vozes delicadas e a saudade implícita nos versos de cada criação. Logo, as irmãs Söderberg estão mais uma vez em casa – e o ouvinte também. Leia a resenha completa.

Assista agora ao clipe de Stay Gold.

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First Aid Kit – Stay Gold

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HAERTS: “No One Needs To Know”

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É difícil não se apaixonar pelo som da banda nova-iorquina HAERTS. Letras fáceis e adultas, uma interpretação agradável do pop tradicional em se tratando das melodias, além, claro, da voz limpa de Nini Fabi, envolvente desde as primeiras composições. Com todo esse conjunto de acertos e boas referências, o grupo formado em 2010, logo foi contratado por um grande selo – a Columbia Records -, reservando para 27 de outubro a estreia do primeiro álbum de estúdio.

Em um direcionamento contrário ao som grandioso de Giving Up, música lançada há poucas semanas, No One Needs To Know ecoa suavidade, como um mergulho na essência nostálgica do próprio HAERTS. Com um pé na década de 1970 e outro no início de 1980, a faixa de arranjos enevoados e voz doce esbanja delicadeza, esbarrando vez ou outra nas canções de Stevie Nicks dentro do clássico Rumours (1977). Ao público não iniciado, uma boa forma conhecer o trabalho do grupo.

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HAERTS – No One Needs To Know

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Misun: “Superstitions”

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É difícil resumir o som produzido pelo trio norte-americano Misun. Depois de brincar com o Pop e até mesmo o “Funk Carioca” em Travel With Me – uma das melhores faixas de 2014 -, a banda (hoje) centrada na cidade de Los Angeles diminuiu o próprio ritmo, viajou para a década de 1960 e trouxe ao público a nostálgica Goodbye Summer. Mesmo em busca da própria identidade, o grupo encabeçado por Misun Wojcik anuncia que já está pronto para o desafio do primeiro álbum de estúdio.

Com previsão de lançamento para 11/11, o trabalho que carrega o título da própria banda reforça na inédita Superstitions um pouco do som versátil incorporado pelo trio nos últimos meses. Entre sintetizadores psicodélicos, batidas típicas do Hip-Hop e vozes sempre orientadas por melodias nostálgicas, a canção parece grudar com facilidade nos ouvidos. Uma mostra da capacidade do grupo em manipular o pop.

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Misun – Superstitions

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Shura: “Indecision”

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Com as ótimas TouchJust Once em mãos, a britânica Aleksandra Denton conseguiu transformar o Shura em uma das maiores apostas para o próximo ano. Arranjos íntimos da década de 1980, vozes agradáveis e toda aquela atmosfera românica que ocupa os discos de Haim e Sky Ferreira. Uma obra curta, nostálgica e deliciosamente pop. Bem recebida em boa parte dos veículos estrangeiros, a cantora/produtora prova que os holofotes em nada prejudicaram seu estilo de composição.

Em Indecision, mais recente e bem sucedido lançamento de Denton, todos os elementos que apresentaram ao público o trabalho da jovem artista parecem delicadamente reforçados. De um lado, vozes e versos melancólicos que parecem íntimos de Jessie Ware em Tough Love (2014), no outro, a mesma atmosfera empoeirada que Blood Orange conquistou com o amadurecimento em Cupid Deluxe (2013). Recém-lançada, a faixa é parte do single que será apresentado em breve pelo selo Polydor.

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Shura – Indecision

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Disco: “Lira Auriverde”, Onagra Claudique

Onagra Claudique
Indie/Alternative/Indie Pop
http://onagra.bandcamp.com/

Por: Cleber Facchi

Canções avulsas, versos prontos, obras descartáveis. Em um contexto sempre dinâmico de registros feitos para o compartilhamento imediato, avaliados apenas pelo número “likes” do usuário, a simples ideia de um disco que “exige tempo” ao ser apreciado parece causar um frio enorme na espinha do espectador. Como administrar composições que ultrapassam os limites do “radiofônico”, apelam para seis, sete, oito minutos de versos descritivos e nenhum refrão? Onde estão as rimas óbvias, o encaixe usual das vozes, além do solo rápido de guitarra? Detalhes plásticos, feitos para grudar como chiclete.

Longe de ser encarado como uma obra anti-comercial, hermética, este é exatamente o plano a ser desbravado pelo ouvinte em Lira Auriverde (2014, Independente), registro de estreia do grupo paulistano Onagra Claudique. Montado em um conjunto de faixas extensas, lírica não apelativa e temas que mergulham no existencialismo natural de jovens adultos, cada segundo do trabalho de dez faixas parece feito para ser explorado pelo espectador, durante todo o percurso da obra, afastado de respostas prontas e temas emergenciais.

Dentro desse enquadramento, não seria um erro interpretar o disco como uma obra “difícil”. Embora acessível em uma primeira audição – vide Poxa e Arrebol -, Lira Auriverde é um trabalho incapaz de entregar ao ouvinte mais afobado todas as respostas. Pelo menos em uma primeira audição. Trata-se de uma obra densa, volumosa e de lírica quase “textual”. De certa forma, um pequeno livro musicado, composição explícita ainda nas inaugurais Urtica Ardens e Teses Taxistas, faixas que parecem reforçar cada palavra como um fruto carnoso – feito para ser absorvido e saboreado lentamente.

Todavia, quem acompanha o trabalho de Roger Valença e Diego Scalada não poderia esperar nada diferente. Desde que as primeiras canções, como Umwelt e Mais Cinco Minutos, apareceram no EP de estreia, A Hora e a Vez de Onagra Claudique (2012), o óbvio, o imediato e a compreensão resumida nunca fizeram parte do trabalho da banda. Lira Auriverde, como qualquer invento prévio da dupla, é uma obra que convida o ouvinte a se perder dentro dela. Sem um refrão de apoio e letra carimbada, cabe ao espectador desvendar cada nuance lírica das canções. Faixas encorpadas por histórias, confissões e temas tão próximos dos próprios criadores, quanto do ouvinte. Continue reading

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Tei Shi: “Bassically”

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De toda a nova safra de artistas nova-iorquinos, Valerie Teicher ocupa um expressivo posto de destaque. Responsável pelas melodias e vozes etéreas que apresentaram o Tei Shi há dois anos, a cantora e compositora norte-americana parece cada vez mais interessada em provar de novas experiências musicais – grande parte delas com um pé nas pistas de dança. Além do flerte com o R&B, reforçado na ótima versão para No Angel, de Beyoncé, Teicher convida o ouvinte a mergulhar nos ritmos da década de 1980 com a recém-lançada Bassically.

Completamente distinta em relação ao som incorporado em Nevermind The End, quando ainda brincava com o Dream Pop, a nova música soa como uma faixa perdida de Blood Orange em Cupid Deluxe (2013) – a semelhança com a voz de Samantha Urbani é grande. Mais do que um novo single, a canção revela ao público o som desenvolvido pela cantora para o próximo trabalho de estúdio, registro ainda sem data de lançamento, mas que deve aparecer no primeiro semestre de 2015. De longe, uma das grandes apostas para o próximo ano.

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Tei Shi – Bassically

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Yumi Zouma: “Alena”

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Desde que os membros do Yumi Zouma ressuscitaram (temporariamente) a dupla Air France para uma versão de It Feels Good To Be Around You, a sonoridade proposta pela banda neozelandesa parece outra. Além da maior incorporação de elementos típicos da Balearic Beat e pequenas adaptações eletrônicas não testadas no EP de estreia, vozes, instrumentos e melodias solucionadas pela banda parecem dançar em um ambiente cada vez mais próximo do etéreo.

Aconchegante, a recém-lançada Alena talvez resuma com maior naturalidade toda essa transformação. Pianos mágicos, batida eletrônica e a voz doce de Kim Pflaum, fragmentos musicais completamente tímidos, porém, encaixados e apresentados de maneira precisa. Como uma adaptação dançante do trabalho lançado pela dupla jj durante os primeiros anos, o single ainda esbarra no mesmo universo do novo álbum da Mr. Twin Sister, pendendo vez ou outra para a década de 1970. Abaixo você encontra o novo single e o primeiro EP da banda.

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Yumi Zouma – Alena

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Yumi Zouma – Yumi Zouma EP

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Katie Rush: “Dangerous Luv” (feat. Samantha Urbani)

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Batidas carregadas de eco, vozes com efeitos, sintetizadores climáticos e quase onipresentes. Poderia ser a descrição de algum clássico do Synthpop na década de 1980, entretanto, trata-se apenas de Law Of Attraction EP (2014), o mais recente lançamento da cantora nova-iorquina  Kate Rush. Ao lado dos parceiros Zak Mering e Sam Mehran, a jovem musa assume os domínios vocais de cada uma das cinco faixas do recente projeto, trabalho que convence logo na inaugural faixa-título, mas desperta a curiosidade do ouvinte com a poderosa Dangerous Luv.

Soando como uma canção perdida de Charli XCX (ou seria Sky Ferreira?), a faixa em parceria com Samantha Urbani (Friends/Blood Orange) parece feita para hipnotizar. Entre guitarras que remetem ao trabalho de Ariel Rechtshaid e um fluxo que esbarra na obra do The Knife, Rush e a convidada criam uma faixa completamente intensa, capaz de seduzir o ouvinte sem grandes dificuldades. Para acompanhar o trabalho da cantora – que ainda deve aparecer com novidades até o final do ano -, basta seguir o perfil no Soundcloud ou mesmo a página de Katie no Facebook.

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Katie Rush – Dangerous Luv (feat. Samantha Urbani)

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Disco: “Mr. Twin Sister”, Mr. Twin Sister

Mr. Twin Sister
Indie Pop/Dream Pop/Electronic
http://mrtwinsister.com/

Por: Cleber Facchi

A mudança de nome do coletivo nova-iorquino Twin Sister para Mr. Twin Sister está longe de ser apenas “estética”. Basta regressar ao ambiente empoeirado de Daniel, Bad Street e demais faixas instaladas no debut In Heaven, de 2011, para perceber a completa alteração de estrutura em torno da autointitulada e mais recente obra do grupo. Orquestrada pelas voz doce de Andrea Estella, o grupo, antes instalado na década de 1980, agora brinca com todo um novo acervo musical, flutuando por entre décadas sem necessariamente assumir qualquer apego específico.

Tão voltado aos suspiros finais da Disco Music (In The House Of Yes), como de elementos típicos do Soft Rock (Sensitive), o álbum sustentado por apenas oito faixas é um emular constante de novas experiências. Um exercício lento de adaptação, como se cada nota, voz ou verso efêmero proclamado ao longo da obra fosse tratado com nítida parcimônia, convidando o ouvinte a saborear todas as sensações (agora) encaradas pela banda.

Ainda que instalado no mesmo ambiente temático de Kill For Love (2012) Chromatics, Anything In Return (2013) de Toro Y Moi e outras obras musicalmente próximas – todas consumidas pela nostalgia não vivenciada -, a reestreia do coletivo de Nova York segue de forma evidente em uma medida de tempo própria, desacelerada. Da mesma forma que cada porção do registro merece ser degustada pelo espectador, não diferente é o ritmo solucionado pelo quinteto, sereno mesmo nos instantes mais “acelerados” – vide a dançante Out Of Dark.

Dentro dessa estrutura ponderada, sóbria, é evidente como o colorido grupo montado por Gabe D’Amico hoje tenta esconder suas formas musicais. Um contínuo espalhar de experiências e peças, deixando que elas sejam montadas na cabeça do ouvinte. Canções como Sensitive e Twelve Angels, atos precisos de quase sete minutos e solucionados em um loop preciso, dançando em uma atmosfera de segredos e lentos encaixes instrumentais. A julgar pela explícita relação com a década de 1970, o novo álbum do Mr.TS talvez seja uma interpretação menos óbvia para o material lançado pelo Daft Punk em Random Access Memories (2013). Continue reading

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