Recentemente, Michael Angelakos, vocalista e líder do Passion Pit, deu vida a uma plataforma intitulada The Wishart Group. Trata-se de um projeto de incentivo a jovens artistas que prestará auxílio educacional, jurídico e até tratamento de saúde a jovens músicos. Com um fundo de 250 milhões de dólares doados por diferentes nomes de peso do cenário musical, o coletivo visa proteger e estimular projetos independentes para que os artistas tenham mais chances de sobreviver no mercado.

Enquanto segue sem um lançamento oficial, Angelakos aproveitou o canal do Youtube do projeto para apresentar uma série de músicas inéditas do Passion Pit. São faixas como Inner Dialogue, I’m Perfect, Moonbeam, a grudenta Somewhere Up There e, mais recentemente, Hey K. Uma clara continuação do mesmo pop pegajoso e eletrônico que a banda original da cidade de Cambridge, Massachusetts vem desenvolvendo desde o primeiro álbum de estúdio, Manners (2009).

 

Passion Pit – Hey K

 

Passion Pit – Somewhere Up There

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A julgar pelas últimas canções apresentadas por James Mercer, caso de Dead Alive e Name For You, o novo álbum do The Shins está longe de ser um dos mais interessantes na discografia da banda. Intitulado Heartworms (2017), o registro chega até o público quatro anos após o lançamento do ótimo Port Of Morrow – 28º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2012 –, reciclando uma série de conceitos vindos de outros projetos do músico – como o Broken Bells.

Interessante perceber na recém-lançada Mildenhall um breve distanciamento de tudo aquilo que o Mercer vem desenvolvendo nos últimos trabalhos. Trata-se de uma típica canção do The Shins. Vozes e arranjos contidos, mas não menos interessantes. Um ato curto, centrado na vida do próprio artista, capaz de transportar o ouvinte para o mesmo universo apresentado no clássico Oh, Inverted World (2001), trabalho que apresentou o som da banda de Albuquerque a uma parcela maior do público.

Heartworms (2017) será lançado no dia 10/03 via Columbia.

 

The Shins – Mildenhall

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Do pouco que se ouviu de Sick Scenes (2017) já é possível ter uma boa noção do som produzido pelos integrantes do grupo britânico Los Campesinos!. Entre canções levemente explosivas, como I Broke Up in Amarante e atos de profunda leveza seguidos de versos políticos, como em 5 Flucloxacillin, o coletivo inglês parece ter encontrado na pluralidade dos elementos a fonte para um dos principais registros produzidos pela banda.

Em The Fall of Home, um novo e delicado capítulo dentro de Sick Scenes. Enquanto os versos refletem o desligamento das cidades que todas as pessoas deixam para trás em algum momento da vida, musicalmente, a faixa de arranjos contidos encanta pela profunda sutileza dos elementos detalhados do primeiro ao último instante. Sintetizadores, violinos, xilofones e outros elementos percussivos que se espalham em cima da base acústica da faixa.

Sick Scenes (2017) será lançado no dia 24/02 via Wichita.

 

Los Campesinos! – The Fall of Home

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Artista: G T’Aime
Gênero: Alternativo, Indie Pop, Pop Rock
Acesse: https://www.facebook.com/gtaimemusic/

 

Da abertura do disco em Said It All, passando pela libertação que cresce em Oh No, até a amargura explorada em False Love, difícil escapar do jogo de declarações românticas, delírios e arranjos enevoados que se espalham pelo interior do primeiro registro da dupla G T’Aime. Um esforço colaborativo entre a voz provocante e teclados da cantora Geanine Marques, também vocalista do Stop Play Moon, e a base instrumental delicadamente tecida pelo músico Rodrigo Bellotto.

Produzido em parceria com Maurício Takara (Hurtmold, São Paulo Underground), o trabalho gravado em junho de 2016 no estúdio El Rocha, em São Paulo, lentamente transporta o ouvinte para um cenário de emanações sutis e cores em preto e branco. Musicalmente, um registro que flutua entre o romantismo nostálgico da década de 1980 e o Trip-Hop, na composição dos versos, uma obra de sentimentos e temas universais, como se Geanine interpretasse diferentes histórias e personagens.

Na contramão de outros projetos recentes, como a homônima estreia de Mahmundi e demais registros influenciados pelo pop dançante dos anos 1980, cada uma das dez faixas de G T’aime encanta pela leveza e sofisticação dos arranjos. São melodias exploradas de forma doce, sedutora, ressaltando guitarras e sintetizadores que se espalham como um complemento aos vocais de Marques. Pouco mais de 30 minutos em que o ouvinte é conduzido para dentro de um ambiente marcado pelos detalhes.

Seja cantando em inglês, ou em português, Marques faz de cada fragmento um componente importante para o crescimento do trabalho. São canções de (des)amor que dialogam com os tormentos de qualquer indivíduo. Versos sensíveis, completos pelo folk-pop-empoeirado de Bellotto. Um bom exemplo disso está na crescente Nothing But Words, música que esbarra na mesma atmosfera de Escape From Evil (2015), último registro de inéditas do grupo norte-americano Lower Dens.

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A letra pegajosa, o clima tropical, melodias que parecem saídas do clássico Night Falls Over Kortedala (2007). Em What’s That Perfume That You Wear?, canção lançada pelo cantor e compositor Jens Lekman em janeiro deste ano, todos os elementos que apresentaram músico sueco no meio da década passada estão de volta. Canção escolhida para anunciar o novo álbum de inéditas do artista, Life Will See You Now (2017), a faixa de ritmo dançante orienta toda a sequência de composições produzidas pelo músico.

Mais recente lançamento de Lekman, Evening Prayer passeia pela música disco, esbarra no mesmo indie pop de artistas como Belle an Sebastian e ainda conta com a presença da cantora sueca LouLou Lamotte. Uma composição essencialmente acessível, pop e dançante, porém, completa por uma estranha narrativa. Nos versos, a história de um homem que decidiu fazer uma cópia de um tumor retirado do próprio corpo em uma impressora 3-D.

Life Will See You Now (2017) será lançado no dia 17/02 via Secretly Canadian.

 

Jens Lekman – Evening Prayer

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Quem acompanha o trabalho da banda norte-americana Tennis já deve ter percebido a mudança de direção por parte das letras da vocalista Alaina Moore. Longe do universo de sonhos e declarações de amor que apresentaram o grupo no debut Cape Dory, de 2011, são versos sóbrios, por vezes ácidos, que orientam o som produzido pela artista em parceria com o marido, o músico Patrick Riley. Um bom exemplo disso está na recém-lançada Modern Woman.

Parte do novo álbum de inéditas da dupla, Yours Conditionally (2017), a canção segue a trilha de outro lançamento recente da banda, Ladies Don’t Play Guitar, música que fala sobre libertação das mulheres dentro de uma sociedade machista e opressora. Assim como os últimos lançamentos do Tennis, Modern Woman chega acompanhada de um precioso clipe dirigido por Luca Venter e Kelia Anne. A imagem de Moore em um cenário do final dos anos 1960.

Yours Conditionally (2017) será lançado no dia 10/03 via Mutually Detrimental.

 

Tennis – Modern Woman

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Artista: Pratagy
Gênero: Indie, Pop, Alternativo
Acesse: https://pratagy.bandcamp.com/

 

Da mistura de ritmos (e cores) que marca o primeiro álbum de Jaloo, passando pela poesia política que se espalha entre as canções de Em cada verso um contra-ataque (2016), último registro de inéditas da cantora Aila, não faltam grandes exemplares da música pop paraense. Parte desse mesmo universo de artistas, o músico Leonardo Pratagy parece brincar com o uso de boas melodias, sentimentos e vozes, fazendo do recente Búfalo (2017, Independente) uma coleção de temas tão intimistas quanto ensolarados, sempre crescentes.

Primeiro registro de inéditas do cantor e compositor paraense desde o inaugural Pictures, trabalho de sete faixas entregue ao público em junho do último ano, Búfalo se projeta como uma obra essencialmente precisa, segura. São composições montadas a partir da lenta sobreposição de sintetizadores, guitarras e vozes, aproximando Pratagy de outros representantes da cena nacional, caso da carioca Mahmundi e do produtor capixaba Silva.

Assim como o trabalho lançado no último ano, o novo álbum se revela por completo logo nos primeiros minutos. Basta um rápido passeio pela ambientação serena de Tramas Sutis, faixa de abertura do disco, para perceber todo o cuidado no processo de composição da obra. Um precioso diálogo entre Pratagy e time de instrumentistas convidados para o trabalho. Instantes em que a voz do cantor flutua em meio a arranjos contidos e pequenos encaixes instrumentais, sempre delicados.

De essência colorida, tal qual a imagem de capa do disco, Búfalo faz de cada composição um improvável experimento com a música pop. Enquanto De Repente, segunda faixa do disco, mantém os dois pés bem firmes na década de 1980, são as batidas e temas eletrônicas que apontam a direção assumida pelo músico paraense na composição seguinte, faixa-título do álbum. Uma mudança de direção que delicadamente amplia a base instrumental do trabalho.

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Projeto de enfrentamento ao novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Our First 100 Days é uma coletânea (ainda em produção) que conta com a presença de diferentes nomes da música norte-americana. Atualizado diariamente, o trabalho busca captar fundos para diferentes entidades dos Estados Unidos focadas no auxílio a imigrantes, grupos de proteção à mulher e coletivos LGBTQIA+. Entre os artistas que já passaram pela série, nomes como Angel Olsen, Suuns e Avey Tare (Animal Collective).

Também integrante do projeto, o cantor, compositor e produtor Chaz Bundick, do Toro Y Moi, apresenta ao público sua contribuição inédita: Omaha. Trata-se de uma canção que brinca com o mesmo indie pop ensolarado que alimenta os últimos discos do músico – caso de What For? (2015) e Live From Trona (2016). Coros de vozes, sintetizadores posicionados cuidadosamente e um fino toque de melancólica que marca grande parte da composição.

 

Toro Y Moi – Omaha

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O que esperar de um novo álbum do Future Islands? A resposta talvez esteja em Ran, primeiro single do quinto registro de inéditas do grupo norte-americano, The Far Field (2017). Sucessor do elogiado Singles – 28º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2014 –, o disco parece seguir a mesma trilha dançante do trabalho lançado há três anos, proposta reforçada nos sintetizadores e toda a atmosfera que marca o novo single.

Livre das explosões controladas e improváveis mudanças de direção que marcam o trabalho da banda, Run segue de forma segura até o último instante, detalhando o som que parece vindo diretamente da década de 1980. Além da nova faixa, o trabalho ainda conta com outras 11 composições inéditas, entre elas, Shadows, uma parceria entre a banda e a cantora Debby Harry, do Blondie. A produção do trabalho ficou por conta do requisitado John Congleton.

 

The Far Field

01 Aladdin
02 Time On Her Side
03 Ran
04 Beauty Of The Road
05 Cave
06 Through The Roses
07 North Star
08 Ancient Water
09 Candles
10 Day Glow Fire
11 Shadows (Feat. Debby Harry)
12 Black Rose

The Far Field (2017) será lançado no dia 07/04 via 4AD.

 

Future Islands – Ran

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Um pop romântico, leve e marcado em essência pelos detalhes. Assim é o trabalho do músico paraense Leonardo Pratagy em Búfalo (2017). Produzido de forma independente, cercado de artistas e colaboradores da cena de Belém, o cantor e produtor parece brincar com as referências em cada uma das sete faixas que abastecem o registro. Melodias que poderiam ser encontradas em alguma obra do Toro Y Moi, Phoenix e Air, mas que se transformam dentro do presente álbum.

Sucessor do ainda recente Pictures, de 2016, o novo álbum brinca com diferentes tendências, flertando com a eletrônica local na própria faixa-título ou mesmo com todo o universo dos anos 1980 no romantismo pop de Tramas Sutis. Gravado de forma caseira, no quarto de Pratagy, o trabalho emana sensibilidade em cada uma das canções. Como indicado no texto de apresentação da obra, um disco que “imprime amor e boas relações humanas”.

 

Pratagy – Búfalo

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