Formado pelo casal Chuck Blazevic e Alice Hansen, o You’ll Never Get To Heaven é um projeto de Dream Pop com brinca com as referências e temas instrumentais vindos de diferentes épocas. Com um bom EP entregue ao público em 2014, Adorn, o duo canadense anuncia para o final de março a chegada do primeiro grande álbum da carreira. Intitulado Images (2017), o registro de 11 faixas deve expandir o som atmosférico e doce que a dupla vem produzindo desde os primeiros anos de carreira.

Faixa-título do trabalho, a nova canção revela um claro amadurecimento no processo de composição do casal. Enquanto os versos passeiam em meio a recordações, temas intimistas e versos sussurrados, sintetizadores e guitarras se espalham sem pressa, esbarrando na mesma ambientação assumida por artistas como Chromatics. São pequenos atos e curvas sutis que conduzem o ouvinte para dentro de um território marcado pela incerteza.

 

You’ll Never Get To Heaven – Images

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Lembra quando Best Coast, Real Estate e Smith Westerns surgiram no final da década passada? Se busca pelo mesmo indie pop sujo produzido por esse time de artistas, o trabalho produzido pela banda sueca Hater talvez seja o que mais se aproxima desse mesmo universo de referências. Melodias ensolaradas, versos confessionais e um fino tempero Lo-Fi que cresce nas guitarras e chega até os vocais. O mesmo som “caseiro” que abastece a recém-lançada Had it All.

Parte do primeiro álbum de estúdio do grupo, You Tried (2017), trabalho gravado em apenas 18 dias,Had it All mostra o completo domínio da banda na produção de faixas pegajosas, sempre sentimentais. Agridoce, a canção que flutua entre versos entristecidos e arranjos levemente ensolarados replica parte da sonoridade anteriormente testada pela banda na melancólica Mental Heaven, música apresentada ao público no final de 2016.

You Tried (2017) será lançado no dia 10/03 via PNKSLM

 

Hater – Had it All

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Artista: The Flaming Lips
Gênero: Neo-Psicodelia, Experimental, Alternativo
Acesse: http://flaminglips.warnerbrosrecords.com/

 

A leveza que marca os arranjos da instrumental faixa de abertura de Oczy Mlody (2017, Warner Bros.) resume com naturalidade a atmosfera onírica do 14º álbum de estúdio do The Flaming Lips. Primeiro registro de inéditas da banda de Oklahoma desde o melancólico The Terror, lançado em 2013, o trabalho que conta com produção de Dave Fridmann e Scott Booker mostra a força do coletivo norte-americano, fazendo do presente disco um precioso exercício melódico.

Coeso quando observado em proximidade aos últimos registros da banda, The Time Has Come to Shoot You Down… What a Sound (2013) e With a Little Help from My Fwends (2014), coletâneas que resgatam a obra das bandas Stone Roses e The Beatles, respectivamente, além, claro, do álbum assinado em parceria com Miley Cyrus, Miley Cyrus & Her Dead Petz (2015), Oczy Mlody encanta pela sutileza dos arranjos e vozes. Em um intervalo de quase 60 minutos de duração, todos os elementos se posicionam de forma homogênea, fazendo do trabalho uma peça única, inebriante.

Assim como em The Terror, cada canção do presente disco serve de passagem para a música seguinte. Arranjos enevoados e cantos de pássaros em How?? criam uma delicada ponte para o rock eletrônico de There Should Be Unicorns. Melodias tímidas em Sunrise (Eyes of the Young) se conectam diretamente ao som que escapa da entristecida Nigdy Nie (Never No). Sintetizadores e colagens atmosféricas de Galaxy I Sink e The Castle conduzem o ouvinte até os últimos instantes da obra.

Longe de parecer uma novidade dentro da extensa discografia da banda, parte dessa sonoridade se comunica de forma explícita com o mesmo material produzido pelo The Flaming Lips no interior de clássicos como The Soft Bulletin (1999) e Yoshimi Battles the Pink Robots (2002). Do uso cuidadoso das melodias em The Castle, passando pelo pop psicodélico que cresce da derradeira We a Famly, parceria com Miley Cyrus, grande parte das canções em Oczy Mlody revelam o lado mais acessível, doce e hipnótico do grupo norte-americano.

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Em novembro do último ano, os integrantes do coletivo britânico Los Campesinos! apresentaram ao público a intensa I Broke Up In Amarante. Canção escolhida para anunciar a chegada do novo registro de inéditas da banda, Sick Scenes (2017), a faixa dominada pelo uso de boas melodias e versos marcados pela profundidade indica um claro amadurecimento por parte do grupo, dando um passo além em relação ao som pop testado nas canções do ótimo No Blues (2013).

Parte do mesmo registro, 5 Flucloxacillin mantém firme o mesmo cuidado instrumental e, principalmente, poético. Enquanto as guitarras e vozes parecem saídas de algum disco do Belle and Sebastian no começo dos anos 1990, nos versos, temas como mentira e corrupção ditam os rumos da canção. “Eles dizem que se tivessem conseguido a vitória / Teriam agido com mais humildade“, entrega a letra da faixa enquanto um coro de vozes dançam na cabeça do ouvinte.

Sick Scenes (2017) será lançado no dia 24/02 via Wichita.

 

Los Campesinos! – 5 Flucloxacillin

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Original da cidade de Oslo, capital da Noruega, Hajk é um projeto de indie pop comandado pelos músicos Preben Andersen (guitarra, voz), Sigrid Aase (voz, percussão), Knut Olav Sandvik (baixo, voz), Einar Næss Haugseth (teclados) e  Johan Nord (bateria). Com boas composições em mãos, caso das pegajosas Medicine e Magazine, o quinteto anuncia para o começo de fevereiro a chegada do primeiro álbum de estúdio.

Mais recente single do grupo, Best Friend sintetiza todo o cuidado que emana do som produzido pela banda norueguesa. São melodias ensolaradas, vozes em coro e guitarras marcadas pela versatilidade, como um curioso encontro entre o Phoenix do álbum It’s Never Been Like That (2006) e toda a sequência de obras produzidas por Mac DeMarco nos últimos anos. No soundcloud da banda, um precioso acervo de faixas inéditas e remixes.

 

Hajk – Best Friend

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Ao lado da parceira de banda Harmony Tividad, Cleo Tucker deu vida a um dos registros mais preciosos do rock alternativo de 2015. Em Before the World Was Big, álbum de estreia do Girpool, arranjos tímidos de guitarra servem de base para os versos sempre intimistas da dupla. Canções marcadas por relacionamentos fracassados, conflitos típicos de um jovem adulto e até pequenas confissões românticas, estímulo para grande parte do trabalho.

Em carreira solo, Tucker mantém firme a mesma proposta, porém, de forma ainda mais intimista. Um bom exemplo disso está na inédita Minute In Your Mind. Mais recente invento em carreira solo, a composição ancorada em memórias recentes da própria artista mantém firme a estética lo-fi dos antigos trabalhos de Tucker, caso de Looking Pretty At The Wall e Call It Tie. Um ato curto, mas não menos delicado e sensível.

 

Cleo Tucker – Minute In Your Mind

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Heartworms (2017), esse é o título do quinto álbum de estúdio do grupo californiano The Shins. Primeiro registro de inéditas da banda desde o ótimo Port Of Morrow – 28º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2012 –, o trabalho conta com 11 faixas inéditas, entre elas, a já conhecida Dead Alive, composição apresentada ao público em outubro do último ano. Junto do anúncio, a banda aproveitou para revelar a capa do disco (imagem acima) e a inédita Name For You.

Assim como o single anterior, a nova faixa mantém firme a mesma atmosfera ensolarada, revelando ao público uma sequência de guitarras, vozes e pianos que poderiam facilmente ser encontrados no Broken Bells, projeto paralelo do vocalista e líder James Mercer. Além do novo álbum e do disco lançado em 2012, a banda original de Albuquerque, Novo México, ainda conta com os clássicos Oh, Inverted World (2001), Chutes Too Narrow (2003) e Wincing the Night Away (2007).

 

Heartworms

01 Name for You
02 Painting a Hole
03 Cherry Hearts
04 Fantasy Island
05 Mildenhall
06 Rubber Ballz
07 Half a Million
08 Dead Alive
09 Heartworms
10 So Now What
11 The Fear

Heartworms (2017) será lançado no dia 10/03 via Columbia.

 

The Shins – Name For You

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Dono de um dos melhores discos lançados na década passada, Night Falls Over Kortedala (2007), o cantor e compositor sueco Jens Lekman está de volta com um novo registro de inéditas. Intitulado Life Will See You Now (2017), o álbum de apenas dez faixas é o primeiro trabalho do músico desde o ótimo I Know What Love Isn’t, de 2012. Para anunciar o disco, Lekman apresenta What’s That Perfume You Wear?, faixa que indica a direção seguida no restante da obra.

Entre melodias descomplicadas, íntimas dos principais trabalhos produzidos pelo músico, a canção de quase quatro minutos lentamente se abre para a inclusão de batidas, guitarras ensolaradas e temas eletrônicos. A mesma atmosfera tropical, quente, originalmente testada por Lekman dentro do EP An Argument with Myself, lançado em 2011. Nos últimos anos, o cantor ainda apresentou uma série de composições avulsas e até uma mixtape intitulada MMJD, em 2014.

 

Life Will See You Now

01 To Know Your Mission
02 Evening Prayer
03 Hotwire the Ferris Wheel
04 What’s That Perfume You Wear?
05 Our First Fight
06 Wedding in Finistère
07 How We Met, The Long Version
08 How Can I Tell Him
09 Postcard #17
10 Dandelion Seed

Life Will See You Now (2017) será lançado no dia 17/02 via Secretly Canadian.

 

Jens Lekman – What’s That Perfume That You Wear?

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A ambientação melancólica incorporada pelo The XX nos dois primeiros álbuns de estúdio – XX (2009) e Coexist (2012) – parece ter ficado para trás. Poucos meses após o lançamento de On Hold, canção escolhida para apresentar o terceiro álbum de estúdio do grupo britânico, I See You (2017), Romy Madley Croft e Oliver Sim estão de volta em um novo dueto que conta com a produção do parceiro Jamie XX: Say Something Loving.

Mesmo contida em relação ao material apresentado há poucos meses, a nova faixa mostra a busca do trio inglês por uma nova sonoridade, cada vez mais pop, íntima do grande público. Entre guitarras compactas, retalhos eletrônicos e versos que se completam, o curioso resgate de Do You Feel It?, música originalmente lançada pela dupla Alessi Brothers em 1976. Junto de On Hold, Say Something Loving é uma das dez faixas que recheiam I See You.

I See You (2017) será lançado no dia 13/01 via Young Turks.

 

The XX – Say Something Loving

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Depois de um longo período de hiato, integrantes do London Grammar estão de volta com uma composição inédita. Em Rooting For You, primeiro single do trio formado por Dominic ‘Dot’ Major, Hannah Reid e Dan Rothman em quase três anos, todos os elementos originalmente incorporados dentro do debut If You Wait (2013) parecem delicadamente resgatados e apresentados ao público em um ato de pura leveza e melancolia.

Enquanto a voz espalha de forma sutil, revelando sentimentos e confissões durante toda a construção da faixa, arranjos de cordas, pianos, guitarras minimalistas e uma atmosfera densa parece dialogar com os versos da cantora. Junto da canção, o grupo aproveito para apresentar o clipe intimista de Rooting For You. Acompanhados por um time de instrumentistas, o grupo se apresenta em um palco escuro, reforçando o peso dos versos assinados por Reid.

 

London Grammar – Rooting For You

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