Por mais irregular que sejam os trabalhos do Empire of The Sun, uma coisa é certa: sempre haverá uma canção pegajosa dentro de cada registro produzido pela dupla australiana. Foi assim com a pegajosa faixa-título de Walking on a Dream (2008), música que apresentou a banda no final da década passada, Alive, canção entregue ao público no álbum Ice on the Dune (2013), e agora High & Low, faixa escolhida para anunciar o novo álbum dos parceiros Luke Steele e Nick Littlemore: Two Vines (2016).

Do refrão pegajoso que dança pela cabeça do ouvinte, passando pelas batidas prontas para as pistas, até alcançar os instantes em que o ritmo da canção diminui e o refrão cresce, todos os clichês testados pelo EOTS estão dentro da faixa. Um pop semi-psicodélico, íntimo de grande parte das ambientações e temas musicais que foram apresentados ao público em grande parte dos anos 2000. O primeiro fragmento da série de 15 faixas que a dupla reserva para o novo álbum.

Two Vines (2016) será lançado no dia 28/10 via Astralwerks.

Empire Of The Sun – High & Low

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A busca por um som cada vez mais pop fez com que Eric Berglund mergulhasse de cabeça em um universo de cores, batidas e melodias delicadas. Ex-integrante do coletivo The Tough Alliance, o produtor sueco transformou WONDERLAND, álbum lançado em fevereiro de 2014, em uma criativa fonte de inspiração para os futuros lançamentos, preferência que volta a se repetir dentro de Kill Count, mais recente criação do músico e a ponte para o novo álbum do Ceo.

Vozes carregadas de efeitos, batidas tribais, sintetizadores encaixados com perfeição e uma coleção de temas, ruídos e samples que crescem com liberdade dentro da cabeça do ouvinte. Uma completa fuga do uso de ambientações minimalistas e pequenos experimentos incorporados por Berglund dentro do primeiro álbum como Ceo, o também elogiado White Magic, de 2010.



Ceo – Kill Count

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As boas melodias tomam conta do novo álbum do Teenage Fanclub. Intitulado Here (2016), o trabalho é o primeiro registro de inéditas do coletivo escocês desde o bem-sucedido Shadows, de 2010. São 12 composições em que os veteranos se concentram na produção de versos essencialmente românticos, temas cotidianos e intimistas, criando uma espécie de ponte para a boa fase no começo da década de 1990, vide clássicos como Bandwagonesque (1991) e Grand Prix (1995).

Curiosamente, Thin Air, mais recente single do grupo parece ter saído exatamente desse mesmo período. Das guitarras rápidas que inauguram e fecham a composição, passando pelo delicado uso dos vocais, difícil ouvir a canção e não lembrar de toda a seleção de obras produzidas pelo grupo há mais de duas décadas. Harmonias que dançam na cabeça do ouvinte, resgatando uma série de temas íntimos de artistas como Big Star e Beach Boys.

Here (2016) será lançado no dia 09/09 pelo selo Merge Records.

Teenage Fanclub – Thin Air

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Artista: Of Montreal
Gênero: Indie, Eletrônica, Pop Psicodélico
Acesse: http://www.ofmontreal.net/

 

Em mais de duas décadas à frente do Of Montreal, Kevin Barnes não passou mais do que dois anos sem apresentar ao público um novo registro de inéditas. O resultado dessa produção constante está na composição de uma discografia marcada pela irregularidade. Obras que transbordam a criatividade do músico – vide o clássico Hissing Fauna, Are You the Destroyer? (2007) – e trabalhos que sufocam pela redundância – caso do recente Aureate Gloom (2015).

Novo álbum de inéditas do coletivo de Atlanta, Innocence Reaches (Polyvinyl), claramente se aproxima desse primeiro agrupamento de obras capazes de confirmar a força criativa de Barnes. Ancorado de forma explícita no mesmo pop psicodélico que a banda vem promovendo desde o final dos anos 1990, o trabalho de 12 faixas encanta não apenas pela essência nostálgica dos arranjos, mas pelos instantes em que a banda flerta com a música eletrônica.

Composição escolhida para inaugurar o disco, Let’s Relate sintetiza parte dos “experimentos” assumidos pelo grupo. Enquanto a voz robótica de Barnes explora a temática dos novos relacionamentos de forma cômica, sintetizadores e batidas dançantes aproximam a canção de um terreno essencialmente dançante, conceito também explorado em A Sport and Pastime, sexta música do disco. Difícil não lembrar de MGMT, Foster The People e outros nomes de peso da cena alternativa. Poucas vezes o Of Montreal pareceu tão pop, pegajoso.

O mesmo som grudento acaba se refletindo em It’s Different for Girls. Uma das melhores composições do músico norte-americano em tempos, a faixa que discute libertação sexual, machismo e a opressão sofrida diariamente pelas mulheres, transporte a temática do empoderamento para um ambiente que mesmo provocativo, mantém firme a mesma estrutura dançante e acessível que abre o trabalho. Impossível não ser arrastado pelas guitarras suingadas que costuram a canção do início ao fim.

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Melodias descomplicadas, versos marcados pela saudade e uma coleção de temas nostálgicos. Assim é o trabalho produzido pelo cantor e compositor mineiro JP Cardoso. Próximo de lançar o primeiro álbum de estúdio da carreira, trabalho que conta com a colaboração de Leonardo Marques, um dos integrantes da banda Transmissor, Cardoso apresenta ao público a delicada I Met My Best Friend Skipping Waves On The Beach, faixa de abertura do inédito Submarine Dreams (2016).

Perfumada por fragmentos poéticos de um jovem adulto e memórias construídas na infância do cantor – “I met my best friend riding waves on the street / Falling and grinding the skin left on our knees” –, a canção encanta pela completa leveza dos arranjos e vozes. Melodias que dialogam de forma natural com o trabalho de bandas como The Shins, Death Cab for Cutie e toda a frente de artistas que invadiram o cenário norte-americano no começo da década passada.

Submarine Dreams (2016) será lançado no dia 26/08 pelo selo La Femme Qui Roule.

JP Cardoso – I Met My Best Friend Skipping Waves On The Beach

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A pluralidade de conceitos talvez seja a principal marca do som produzido pelo Cymbals Eat Guitars. Não importa a canção, em poucos minutos, décadas de referências, mudanças bruscas de direção e novos desdobramentos indicam a versatilidade do coletivo norte-americano, transformação explícita no rico catálogo de experimentos que move faixas recentes como 4th Of July, Philadelphia (SANDY) e Wish, além, claro, da recente Heave a Heart.

Também parte do novo álbum de inéditas da banda, Pretty Years (2016), a nova faixa parece mostrar o lado “mais pop” do CEG, entretanto, isso não quer dizer que o grupo tenha se perdido em busca de uma canção possivelmente descartável. Trata-se de um detalhista jogo de pequenas melodias, vozes e sintetizadores que criam uma ponte diretamente para o último álbum de inéditas da banda, Lose – um dos 50 melhores discos internacionais de 2014.

Pretty Years (2016) será lançado no dia 02/10 pelo selo Sinderlyn.

Cymbals Eat Guitars – Heave a Heart

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Artista: Barro
Gênero: Alternativa, Indie, Pop
Acesse: http://barromusic.com/

 

Versos cantados em português, inglês, espanhol, francês e até em italiano. Arranjos que flertam com o pop nostálgico dos anos 1960, esbarram na música eletrônica, incorporam temas regionais e ainda encontram no rock um curioso alicerce. Versátil, assim pode ser encarado o som que abastece cada uma das canções de Miocárdio (2016, Independente), primeiro registro em carreira solo do músico Filipe Barros e uma das peças mas delicadas da recente safra da música pernambucana.

Mais conhecido pelo trabalho como integrante do Bande Dessinée, Barros, que aqui se apresenta como Barro, sem o “s”, parece costurar grande parte das experiências acumuladas em mais de uma década de atuação dentro da cena de Recife. Em cada uma das doze faixas do registro, fragmentos poéticos e instrumentais que mergulham em diferentes épocas, estilos e tendências musicais específicas. Um imenso jogo de experiências que dialoga diretamente com a colorida imagem de capa do álbum.

Acompanhado de perto pelo produtor Gui Amabis – artista que já trabalhou com nomes como Céu e Lucas Santtana –, Barro finaliza uma obra marcada em essência pelos detalhes. O arranjo de cordas em Despetalada e instrumentos de sopro na pegajosa Ficamos Assim. Sintetizadores e guitarras coerentemente encaixadas em Mata o Nego, a coleção de temas eletrônicos de Piso Em Chão de Estrelas. Da abertura ao fechamento do disco, um rico catálogo de texturas e colagens musicais.

Parte expressiva desse resultado vem da ativa interferência de um coletivo de artistas durante toda a formação da obra. Junto do músico, nomes como o baixista Dengue (Nação Zumbi), William Paiva, Rodrigo Samico, Jam da Silva, Gilú, Maurício Fleury e Ed Staudinger, este último, parceiro de Barros desde a Bande Dessinée e responsável pelos teclados que preenchem o disco. O resultado está na construção de um trabalho musicalmente diverso, inédito a cada nova composição.

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Em 2013, quando deu início ao processo de gravação do primeiro álbum em carreira solo, Black Hours (2014), Hamilton Leithauser, também integrante do The Walkmen, decidiu convidar Rostam Batmanglij, na época integrante do Vampire Weekend, para a produção do trabalho. O resultado está na construção de faixas essencialmente melódicas, íntimas do pop explorado entre os anos 1960 e 1970, base de A 1000 Times, canção escolhida para apresentar o primeiro álbum colaborativo da dupla: I Had A Dream That You Were Mine (2016)

Diferente do trabalho apresentado Alexandra, antiga parceria entre os músicos, a nova faixa parece crescer lentamente, esbarrando em conceitos típicos do Vampire Weekend. Da batida seca que se espalha ao fundo da composição, passando pelo uso dos sintetizadores íntimos de toda a série de canções recentes de Batmanglij, todos os elementos se agrupam de forma a dialogar com o trabalho do grupo nova-iorquino, se abrindo para a melancólica interferência vocal de Leithauser. Para o clipe da canção, dirigido por Josh Goleman e Batmanglij, o lento crescimento dos dois integrantes da banda, começando com a presença de duas crianças, passando pela aparição dos músicos reais e até a fase adulta assumida pelos pais dos artistas.

I Had A Dream That You Were Mine (2016) será lançado no dia 23/09 via Glassnote.

Hamilton Leithauser + Rostam – A 1000 Times

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Oficialmente, Alma e Coração, parceria entre Projota e Thiaguinho foi a canção escolhida como canção tema dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Mas isso não quer dizer que outros artistas não possam produzir suas próprias músicas para o evento esportivo. É o caso do grupo escocês Belle and Sebastian. Apaixonados por esportes, os integrantes da banda de uniram para produzir uma faixa inédita que celebra as olimpíadas: Olympic Village, 6AM.

Típica composição do grupo, a nova faixa parece seguir a trilha das canções produzidas pela banda no começo dos anos 2000, ignorando o som dançante que ocupou o nostálgico Girls in Peacetime Want to Dance, último registro de inéditas do coletivo de Glasgow. Junto da composição, um divertido ato instrumental com pouco mais de três minutos de duração, a banda compilou diversas imagens de esportistas para criar o clipe da faixa. Assista:

Belle and Sebastian – Olympic Village, 6AM

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Quem esperava pelo lançamento do aguardado Boys Don’t Cry na última sexta-feira (05) acabou mais uma vez sendo iludido(a) por Frank Ocean. Em busca de um consolo? Nada melhor do que a versão da cantora norueguesa MØ para o hit Lost. Originalmente lançada em 2012, como parte do excelente Channel, Orange, álbum de estreia do cantor, a faixa se transforma em uma apresentação ao vivo da artista pela série Box Upfront.

Íntima do som produzido pela cantora, a música acaba mergulhada em temas íntimos do reggae, expandindo o som anteriormente testado por Ocean. Há poucos meses, MØ deu vida ao excelente single Final Song, uma das canções mais pegajosas de 2016. O último álbum da cantora é o ótimo No Mythologies to Follow, trabalho entregue ao público em meados de 2014.

MØ – Lost (Frank Ocean Cover)

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