Com o lançamento de Ladies Don’t Play Guitar, em agosto deste ano, Alaina Moore e o parceiro Patrick Riley indicaram o conceito sensível que deve orientar as canções do novo álbum de inéditas do Tennis. Intitulado Yours Conditionally (2017), o sucessor do bom Ritual in Repeat (2014) parece reforçar o conceito sentimental há tempos presente nas canções da dupla norte-americana, proposta que volta a se repetir da inédita In The Morning I’ll Be Better.

Marcada pela temática da devoção e completa entrega dentro de qualquer relacionamento, a canção de batidas e arranjos lentos se espalha de forma lenta e sufocante. Pouco mais de três minutos em que guitarras, teclados e vozes se espalham em meio a versos intimistas, românticos e dolorosos. No clipe da canção, uma nova viagem em direção ao passado. Paisagens e roupas que parecem ter saído de algum catálogo de roupas da década de 1970.

Yours Conditionally (2017) será lançado no dia 10/03 via Mutually Detrimental.

 

Tennis – In The Morning I’ll Be Better

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Dois anos após o lançamento do último registro de inéditas – um álbum homônimo, 49º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2014 –, os integrantes da banda nova-iorquina Mr. Twin Sister estão de volta com uma nova canção inédita. Intitulada Poor Relations, a composição nasce como uma espécie de apoio aos índios da tribo Standing Rock Sioux, em embate para evitar que um oleoduto ameace as terras sagradas do grupo.

Marcada pelo uso de versos políticos, a canção segue a trilha dos últimos trabalhos do grupo norte-americano, mergulhando em uma sequência de guitarras funkeadas, batidas e melodias nostálgicas, vindas diretamente do começo dos anos 1980. Difícil não lembrar dos primeiros anos do Talking Heads, referência explícita logo nos primeiros minutos da canção. Na bandcamp do grupo, todo o dinheiro arrecadado com a faixa será revertido à tribo indígena.

 

Mr. Twin Sister – Poor Relations

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O Sol toma brilha forte dentro do mais novo clipe/single de Marcelo Perdido. Um ano após o lançamento do melancólico Inverno (2015), segundo álbum em carreira solo, o ex-integrante da Hidrocor apresenta ao público o primeiro fragmento do novo registro de inéditas: Muda. Trata-se de uma canção essencialmente leve, acolhedora, íntima do material produzido pelo músico paulistano durante a construção do bucólico Lenhador, de 2013.

Gravado nas ilhas Berlengas, em Portugal, o delicado vídeo da composição funciona como uma espécie de passagem para o som intimista e levemente ensolarado do terceiro álbum de estúdio do cantor, o inédito Bicho (2016). Produzido em Lisboa, o registro que tem lançamento previsto para o dia 09 de dezembro ainda conta com uma belíssima ilustração de capa, trabalho produzido pelo artista gráfico Diego Sanches.

 

Marcelo Perdido – Muda

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Com a aproximação do Natal, é hora de ter acesso a um vasto acervo de faixas inéditas marcadas por temas natalinos, reflexivos e inspiracionais. Convidados a integrar a coletânea An American Girl Story — Maryellen 1955: Extraordinary Christmas, projeto que será lançado pela Amazon nos Estados Unidos, Bethany Cosentino e Bobb Bruno, as mentes criativas no comando do Best Coast, apresentam ao público a inédita Christmas and Everyday.

Trata-se de uma canção que dialoga com a mesma sonoridade pop assumida pela dupla em California Nights, trabalho entregue ao público em meados de 2015. Batidas, vozes em coro e guitarras confortavelmente posicionadas, resultando em uma canção leve, quase a trilha sonora de um filme da Disney. Difícil não lembrar de artistas como Pet Sounds e outros veteranos da década de 1960 e canções, também natalinas, como Little Saint Nick.

 



Best Coast – Christmas and Everyday

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Original da região do Brooklyn, em Nova York, Gigi Mead é a cantora e produtora responsável pelas canções do DÆVA. Trata-se de um projeto de Dream Pop que bebe da mesma fonte etérea de artistas como Blue Hawaii, Houses e outros representantes do gênero. Com o primeiro álbum de estúdio à caminho, Beta Persei (2016), trabalho que conta com distribuição pelo selo independente Furious Hooves, Mead decidiu apresentar ao público duas de suas canções.

De um lado, o pop acolhedor e sensível de Dream, música que passeia em meio a batidas e vozes contidas, sempre delicadas, flutuando com leveza na cabeça do ouvinte. Em Ache, o lado mais experimental do som produzido por Mead. São pequenas alterações no ritmo da faixa, sintetizadores atmosféricos e vozes “tocadas” como instrumentos, lembrando em alguns momentos os primeiros discos de Julia Holter ou mesmo a recente fase de Liz Harris, no Grouper.

Beta Persei (2016) será lançado dia 25/11 via Furious Hooves.

 

DÆVA – Dream

 

DÆVA – Ache

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Artista: Silva
Gênero: Pop, Eletrônica, R&B
Acesse: http://www.silva.tv/

 

Em setembro de 2015, Silva deu início a um novo e inusitado projeto. Durante duas noites no SESC Vila Mariana, em São Paulo, uma homenagem à cantora e compositora carioca Marisa Monte. No repertório, músicas como Beija Eu e Não É Fácil, fragmentos do lado pop da artista, conceito explícito em obras como o Mais (1991) e Memórias, Crônicas e Declarações de Amor (2000). Delicada continuação desse trabalho, o recém-lançado Silva Canta Marisa (2016, Slap) lentamente sintetiza toda a admiração do músico capixaba em relação à obra da veterana da MPB.

Quarto álbum de estúdio de Silva, o sucessor do mediano Júpiter (2015) mostra a busca do artista em produzir um som cada vez mais comercial, pop, íntimo do grande público. Entre peças radiofônicas, como Ainda Lembro e Não Vá Embora, a particular adaptação de quase três décadas da rica trajetória de Monte. Composições que vão do clássico Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão, de 1994, até o recente O Que Você Quer Saber de Verdade (2011), último registro de inéditas da cantora.

Em um jogo de batidas e bases minimalistas, versos que detalham a poesia envolvente de Monte. Estão lá canções pegajosas e comercialmente bem-recebidas, caso de Eu Sei e Não Vá Embora, além, claro, de outras pouco conhecidas, mas não menos significativas. Um bom exemplo disso é a melancólica Pecado É Lhe Deixar De Molho, música originalmente gravada em parceria com Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown para o álbum dos Tribalistas, mas que se transforma na ambientação serena e sintetizadores econômicos da remodelada composição.

De fato, a economia dos arranjos, por vezes íntimos do R&B/Soul, acaba se revelando como o grande charme da obra. Difícil não lembrar de artistas como The XX e James Blake ao passear pelas batidas de Infinito Particular. Décima faixa do disco, Verdade, Uma Ilusão encanta pelo som empoeirado que escapa das guitarras e vozes de Silva. No samba O Bonde do Dom, originalmente gravado em Universo ao Meu Redor, de 2006, sintetizadores e batidas secas que se dobram de forma a cercar os versos tímidos da canção.

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Poucos artistas têm administrado tão bem a própria carreira quanto a norueguesa MØ. Passado o lançamento do primeiro álbum de estúdio, o ótimo No Mythologies to Follow (2014), a cantora acabou contribuindo com o Major Lazer em duas canções essencialmente pegajosas – Lean On  e Cold Water –, fez do single Kamikaze uma das melhores composições de 2016, abrindo espaço para a também coesa (e grudenta) Final Song.

Em Drum, mais recente lançamento da cantora, um novo acerto. Tal qual o single que a antecede, a faixa marcada pelo uso de versos sentimentais cresce sem pressa, detalhando sintetizadores, batidas e vozes essencialmente limpas. Um preparativo para o refrão que parece grudar na cabeça do ouvinte logo na primeira audição. Composta em parceria com Charli XCX e Noonie Bao, a canção conta com produção assumida por BloodPop, velho parceiro de Grimes. Assista ao clipe da faixa:

 

MØ – Drum

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O passado ronda os trabalhos de Molly Burch. Intima da mesma temática litorânea que abastece os trabalhos de artistas como Tennis, Cults e todo o universo de artistas que foram apresentados ao público no começo da presente década, a cantora e compositora norte-americana reserva para o começo do próximo ano um trabalho marcado pela nostalgia e sentimentos, proposta explícita na melodia empoeirada e versos que se espalham dentro da recém-lançada Try.

Parte do primeiro álbum de estúdio da jovem artista, Please Be Mine (2017), trabalho que conta com distribuição pelo selo Captured Tracks – casa de bandas como DIIV, Mac DeMarco e Craft Spells –, o delicado single se espalha sem pressa, detalhando os sentimentos, medos e confissões mais honestas da cantora. Ao fundo da canção, um jogo de guitarras versáteis, sempre detalhistas, costurando os versos e vozes melancólicas despejadas por Burch.

Please Be Mine (2017) será lançado no dia 17/02 via Captured Tracks

 

Molly Burch – Try

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Artista: Beto Mejía
Gênero: Indie Pop, Alternativo, Indie
Acesse: http://www.betomejia.com.br/

 

Os últimos 18 anos de Beto Mejía foram dedicados quase que exclusivamente ao trabalho como um dos integrantes do grupo Móveis Coloniais de Acaju. Em parceria com um time de compositores e músicos, a produção de registros fundamentais, caso do elogiado Idem (2005), álbum de estreia do coletivo brasiliense, além, claro, de uma sequência de composições avulsas, clipes, faixas divididas com diferentes artistas e apresentações espalhadas pelos mais diversos cantos do país.

Com o recente encerramento das atividades da banda, a busca declarada por um som autoral, particular. Quatro anos após o pequeno ensaio que marca as canções apresentadas em Abraço EP, trabalho de sete faixas entregue ao público em meados de 2012, o cantor e compositor brasiliense finaliza o ensolarado Wahyoob (2016, Independente), primeiro grande álbum em carreira solo e um curioso exercício em provar de todas as possibilidades da música pop.

Inspirado de forma confessa no trabalho produzido pelo músico islandês Jónsi, também vocalista do Sigur Rós, Mejía e o parceiro de produção, o músico Kelton Gomes, fazem de cada faixa no interior do disco um ato de pura leveza e minúcia. São melodias radiantes, versos que parecem aconchegar o ouvinte e pequenos sussurros intimistas. Canções que nascem serenas, por vezes contidas, mas que acabam revelando diferentes tonalidades, arranjos e referências instrumentais.

Do material produzido com os antigos parceiros de banda, pouco parece ter sobrevivido. Salve as guitarras festivas e metais que inauguram o disco em Kaningawa, primeiro single do trabalho, Mejía segue um caminho próprio. Entre pianos melancólicos e sintetizadores coloridos, a voz do cantor lentamente se aprofunda na construção de versos existencialistas, crônicas musicadas, temas espirituais e familiares, caso de Amora, uma homenagem do artista à própria filha.

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Quatro anos após o lançamento do primeiro trabalho em carreira solo, o EP Abraço (2012), Beto Mejía, ex-integrante do Móveis Coloniais de Acajú, está de volta com um novo álbum de inéditas. Estreia defintiva do músico, o trabalho de 12 faixas intitulado Wahyoob (2016) mostra a busca do artista por um som cada vez mais pop, acessível. Composições marcadas pela completa leveza dos arranjos e vozes, porém, adornadas pelo uso de diversos elementos da cultura Maia.

Com influência direta dos trabalhos em carreira solo de Jónsi, um dos integrantes do Sigur Rós, o álbum conta com produção dividida entre Mejía e Kelton Gomes. Junto do músico, um time limitado de colaboradores formado por Gustavo Bertoni (Scalene), Victor Meira e André Whoong. No site de Mejía, você encontra o link para o download gratuito do disco, além, claro, de outras informações sobre o processo de construção da obra.

 

Beto Mejía – Wahyoob

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