Tag Archives: Indie Pop

Shura: “Indecision”

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Com as ótimas TouchJust Once em mãos, a britânica Aleksandra Denton conseguiu transformar o Shura em uma das maiores apostas para o próximo ano. Arranjos íntimos da década de 1980, vozes agradáveis e toda aquela atmosfera românica que ocupa os discos de Haim e Sky Ferreira. Uma obra curta, nostálgica e deliciosamente pop. Bem recebida em boa parte dos veículos estrangeiros, a cantora/produtora prova que os holofotes em nada prejudicaram seu estilo de composição.

Em Indecision, mais recente e bem sucedido lançamento de Denton, todos os elementos que apresentaram ao público o trabalho da jovem artista parecem delicadamente reforçados. De um lado, vozes e versos melancólicos que parecem íntimos de Jessie Ware em Tough Love (2014), no outro, a mesma atmosfera empoeirada que Blood Orange conquistou com o amadurecimento em Cupid Deluxe (2013). Recém-lançada, a faixa é parte do single que será apresentado em breve pelo selo Polydor.

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Shura – Indecision

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Disco: “Lira Auriverde”, Onagra Claudique

Onagra Claudique
Indie/Alternative/Indie Pop
http://onagra.bandcamp.com/

Por: Cleber Facchi

Canções avulsas, versos prontos, obras descartáveis. Em um contexto sempre dinâmico de registros feitos para o compartilhamento imediato, avaliados apenas pelo número “likes” do usuário, a simples ideia de um disco que “exige tempo” ao ser apreciado parece causar um frio enorme na espinha do espectador. Como administrar composições que ultrapassam os limites do “radiofônico”, apelam para seis, sete, oito minutos de versos descritivos e nenhum refrão? Onde estão as rimas óbvias, o encaixe usual das vozes, além do solo rápido de guitarra? Detalhes plásticos, feitos para grudar como chiclete.

Longe de ser encarado como uma obra anti-comercial, hermética, este é exatamente o plano a ser desbravado pelo ouvinte em Lira Auriverde (2014, Independente), registro de estreia do grupo paulistano Onagra Claudique. Montado em um conjunto de faixas extensas, lírica não apelativa e temas que mergulham no existencialismo natural de jovens adultos, cada segundo do trabalho de dez faixas parece feito para ser explorado pelo espectador, durante todo o percurso da obra, afastado de respostas prontas e temas emergenciais.

Dentro desse enquadramento, não seria um erro interpretar o disco como uma obra “difícil”. Embora acessível em uma primeira audição – vide Poxa e Arrebol -, Lira Auriverde é um trabalho incapaz de entregar ao ouvinte mais afobado todas as respostas. Pelo menos em uma primeira audição. Trata-se de uma obra densa, volumosa e de lírica quase “textual”. De certa forma, um pequeno livro musicado, composição explícita ainda nas inaugurais Urtica Ardens e Teses Taxistas, faixas que parecem reforçar cada palavra como um fruto carnoso – feito para ser absorvido e saboreado lentamente.

Todavia, quem acompanha o trabalho de Roger Valença e Diego Scalada não poderia esperar nada diferente. Desde que as primeiras canções, como Umwelt e Mais Cinco Minutos, apareceram no EP de estreia, A Hora e a Vez de Onagra Claudique (2012), o óbvio, o imediato e a compreensão resumida nunca fizeram parte do trabalho da banda. Lira Auriverde, como qualquer invento prévio da dupla, é uma obra que convida o ouvinte a se perder dentro dela. Sem um refrão de apoio e letra carimbada, cabe ao espectador desvendar cada nuance lírica das canções. Faixas encorpadas por histórias, confissões e temas tão próximos dos próprios criadores, quanto do ouvinte. Continue reading

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Tei Shi: “Bassically”

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De toda a nova safra de artistas nova-iorquinos, Valerie Teicher ocupa um expressivo posto de destaque. Responsável pelas melodias e vozes etéreas que apresentaram o Tei Shi há dois anos, a cantora e compositora norte-americana parece cada vez mais interessada em provar de novas experiências musicais – grande parte delas com um pé nas pistas de dança. Além do flerte com o R&B, reforçado na ótima versão para No Angel, de Beyoncé, Teicher convida o ouvinte a mergulhar nos ritmos da década de 1980 com a recém-lançada Bassically.

Completamente distinta em relação ao som incorporado em Nevermind The End, quando ainda brincava com o Dream Pop, a nova música soa como uma faixa perdida de Blood Orange em Cupid Deluxe (2013) – a semelhança com a voz de Samantha Urbani é grande. Mais do que um novo single, a canção revela ao público o som desenvolvido pela cantora para o próximo trabalho de estúdio, registro ainda sem data de lançamento, mas que deve aparecer no primeiro semestre de 2015. De longe, uma das grandes apostas para o próximo ano.

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Tei Shi – Bassically

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Yumi Zouma: “Alena”

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Desde que os membros do Yumi Zouma ressuscitaram (temporariamente) a dupla Air France para uma versão de It Feels Good To Be Around You, a sonoridade proposta pela banda neozelandesa parece outra. Além da maior incorporação de elementos típicos da Balearic Beat e pequenas adaptações eletrônicas não testadas no EP de estreia, vozes, instrumentos e melodias solucionadas pela banda parecem dançar em um ambiente cada vez mais próximo do etéreo.

Aconchegante, a recém-lançada Alena talvez resuma com maior naturalidade toda essa transformação. Pianos mágicos, batida eletrônica e a voz doce de Kim Pflaum, fragmentos musicais completamente tímidos, porém, encaixados e apresentados de maneira precisa. Como uma adaptação dançante do trabalho lançado pela dupla jj durante os primeiros anos, o single ainda esbarra no mesmo universo do novo álbum da Mr. Twin Sister, pendendo vez ou outra para a década de 1970. Abaixo você encontra o novo single e o primeiro EP da banda.

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Yumi Zouma – Alena

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Yumi Zouma – Yumi Zouma EP

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Katie Rush: “Dangerous Luv” (feat. Samantha Urbani)

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Batidas carregadas de eco, vozes com efeitos, sintetizadores climáticos e quase onipresentes. Poderia ser a descrição de algum clássico do Synthpop na década de 1980, entretanto, trata-se apenas de Law Of Attraction EP (2014), o mais recente lançamento da cantora nova-iorquina  Kate Rush. Ao lado dos parceiros Zak Mering e Sam Mehran, a jovem musa assume os domínios vocais de cada uma das cinco faixas do recente projeto, trabalho que convence logo na inaugural faixa-título, mas desperta a curiosidade do ouvinte com a poderosa Dangerous Luv.

Soando como uma canção perdida de Charli XCX (ou seria Sky Ferreira?), a faixa em parceria com Samantha Urbani (Friends/Blood Orange) parece feita para hipnotizar. Entre guitarras que remetem ao trabalho de Ariel Rechtshaid e um fluxo que esbarra na obra do The Knife, Rush e a convidada criam uma faixa completamente intensa, capaz de seduzir o ouvinte sem grandes dificuldades. Para acompanhar o trabalho da cantora – que ainda deve aparecer com novidades até o final do ano -, basta seguir o perfil no Soundcloud ou mesmo a página de Katie no Facebook.

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Katie Rush – Dangerous Luv (feat. Samantha Urbani)

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Disco: “Mr. Twin Sister”, Mr. Twin Sister

Mr. Twin Sister
Indie Pop/Dream Pop/Electronic
http://mrtwinsister.com/

Por: Cleber Facchi

A mudança de nome do coletivo nova-iorquino Twin Sister para Mr. Twin Sister está longe de ser apenas “estética”. Basta regressar ao ambiente empoeirado de Daniel, Bad Street e demais faixas instaladas no debut In Heaven, de 2011, para perceber a completa alteração de estrutura em torno da autointitulada e mais recente obra do grupo. Orquestrada pelas voz doce de Andrea Estella, o grupo, antes instalado na década de 1980, agora brinca com todo um novo acervo musical, flutuando por entre décadas sem necessariamente assumir qualquer apego específico.

Tão voltado aos suspiros finais da Disco Music (In The House Of Yes), como de elementos típicos do Soft Rock (Sensitive), o álbum sustentado por apenas oito faixas é um emular constante de novas experiências. Um exercício lento de adaptação, como se cada nota, voz ou verso efêmero proclamado ao longo da obra fosse tratado com nítida parcimônia, convidando o ouvinte a saborear todas as sensações (agora) encaradas pela banda.

Ainda que instalado no mesmo ambiente temático de Kill For Love (2012) Chromatics, Anything In Return (2013) de Toro Y Moi e outras obras musicalmente próximas – todas consumidas pela nostalgia não vivenciada -, a reestreia do coletivo de Nova York segue de forma evidente em uma medida de tempo própria, desacelerada. Da mesma forma que cada porção do registro merece ser degustada pelo espectador, não diferente é o ritmo solucionado pelo quinteto, sereno mesmo nos instantes mais “acelerados” – vide a dançante Out Of Dark.

Dentro dessa estrutura ponderada, sóbria, é evidente como o colorido grupo montado por Gabe D’Amico hoje tenta esconder suas formas musicais. Um contínuo espalhar de experiências e peças, deixando que elas sejam montadas na cabeça do ouvinte. Canções como Sensitive e Twelve Angels, atos precisos de quase sete minutos e solucionados em um loop preciso, dançando em uma atmosfera de segredos e lentos encaixes instrumentais. A julgar pela explícita relação com a década de 1970, o novo álbum do Mr.TS talvez seja uma interpretação menos óbvia para o material lançado pelo Daft Punk em Random Access Memories (2013). Continue reading

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Puro Instinct: “6 Of Swords”

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Três anos desde o hipnótico lançamento de Headbangers In Ecstacy (2011), primeiro trabalho das irmãs Piper e Skylar Kaplan pelo Puro Instinct, é hora de ser transportado (mais uma vez) para o mundo dos sonhos com 6 Of Swords. Espécie de aperitivo para o material que a dupla de ascendência russa vem desenvolvendo nos últimos meses, a nova composição vai além do já transformado som de Dream Lover (lançada há dois anos), para revelar o conceito “pop” agora delineado pelo duo.

Com os dois pés na década de 1980, a convidativa criação se joga de cabeça no mesmo território de Ariel Pink e John Maus, antigos parceiros das irmãs Kaplan e principais influências para a presente faixa. Ainda assim, não já como contestar a maturidade e reforço autoral da canção, possivelmente o invento mais acolhedor e musicalmente bem resolvido já lançado pelo Puro Instinct. Recomendado para os apreciadores de artistas como Blood Orange e Mr. Twin Sister, a faixa pode ser ouvida na íntegra logo abaixo. No Soundcloud você encontra grande parte do material lançado pela dupla nos últimos meses.

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Puro Instinct – 6 Of Swords

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The Pains Of Being Pure At Heart: “Poison Touch”

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Das mudanças lançadas pelo The Pains of Being Pure at Heart em Days of Abandon (2014), a busca por melodias menos “agressivas”, como aquelas testadas em Belong (2011), talvez seja o elemento de maior acerto da banda. Com um pé na década de 1980, Kip Berman deixa de lado a relação com gigantes como My Bloody Valentine para explorar a lírica sentimental de forma honesta, esbarrando vez o outra na obra de The Smiths e demais influências explícitas.

Próximo de lançar a edição especial do novo disco – o terceiro desde que a banda estreou em 2009 -, Berman apresenta agora a mais nova composição do TPOBPAH: Poison Touch. Descomplicada, a música “escrita para Taylor Swift” sintetiza de forma encantadora a atual postura do grupo, trazendo nos vocais Jen Goma (A Sunny Day In Glasgow) o material mais acessível do grupo desde as canções adolescentes do primeiro disco. A edição deluxe de Days Of Abandon estreia no dia 22 de setembro.

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The Pains Of Being Pure At Heart – Poison Touch

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Disco: “How To Run Away”, Slow Magic

Slow Magic
Chillwave/Electronic/Synthpop
http://slowmagic.bandcamp.com/

Por: Cleber Facchi

Um dos aspectos mais sublimes na obra de Hayao Miyazaki não está no roteiro delicado ou mesmo nos cenários fantásticos produzidos a cada película, mas nos personagens que o diretor utiliza como ponte para esse universo mágico. Seja o gigante Totoro no filme de 1988, os diferentes espíritos na trama de Princesa Mononoke (1998) ou mesmo o jovem Haku em A Viagem de Chihiro (2002), há sempre uma criatura/estopim que aos poucos afasta a mente do espectador da realidade, convidado a experimentar o novo plano de cores, cenários e sensações detalhadas em cada história.

Ainda que atuante em um ambiente específico – o da música -, não é difícil perceber no novo álbum do californiano Slow Magic a mesma atmosfera fantástica que toma conta da poesia visual de Miyazaki. Mágico personagem da própria obra, o produtor mascarado é o grande responsável por apresentar ao público – representado pelos jovens na capa do álbum – o panorama delicado que se apodera de How To Run Awaym (2014, Downtown), segundo e mais recente obra de estúdio.

Coleção de temas limpos e essencialmente melódicos, o presente álbum é um passo além em relação ao que Magic já havia testado com acerto no disco anterior, Triangle, de 2012. Trata-se de uma interpretação menos “artesanal” da Chillwave que ocupou grande parte da Costa Oeste dos Estados Unidos no final da década passada, experiência agora detalhada no uso atento dos sintetizadores – a principal ferramenta de trabalho para a obra. Todavia, mais do que um projeto orientado por novas imposições técnicas/estéticas, How To Run Away é um desenvolvido para brincar com as sensações do ouvinte.

Da imagem fantasiosa que estampa a capa do disco – o “personagem” de Slow Magic -, ao conjunto de harmonias detalhadas em cada faixa, por onde passa o ouvinte é arrastado para um novo campo de experiências oníricas. Em uma estrutura musical progressiva (e mística), o produtor detalha pequenas referências, sobrepõem instrumentos e brinca com a voz em uma captação carregada de eco. Assim como nas histórias de Hayao Miyazaki, Magic está longe de fornecer as respostas ao público, pelo contrário, parece se divertir com as diferentes interpretações lançadas em cada música. Continue reading

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Mr. Twin Sister: “In the House of Yes”

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A mudança do nome de uma banda nem sempre é vista com bons olhos. Todavia, ao apresentar Out of the Dark no final de maio, o coletivo Mr. Twin Sister – ex-Twin Sister – provou não apenas ser capaz de repetir o acerto dos primeiros anos, como de ostentar a própria evolução. Com o primeiro álbum da nova fase reservado para o dia 23 de setembro, a banda de Long Island não apenas regressa ao território lançado no ótimo In Heaven, de 2011, como se mostra interessada a investir em toda uma nova carga de referências musicais, marca explícita na recém-lançada In the House of Yes.

Encaixada no mesmo Dream Pop/Indie Pop “oitentista” do registro passado, a nova faixa carrega na voz de Andrea Estella a passagem para um ambiente ainda mais grandioso, ora voltado ao Soft Rock dos anos 1980, ora inspirado pelos últimos suspiros da Disco Music. São quase sete minutos de duração, experiência detalhada em totalidade por batidas semi-dançantes, vocalizações crescentes e até mesmo a inclusão de metais, ampliando de forma nítida o teor nostálgico da criação. Das texturas sustentadas pela linha de baixo, passando pelas  bases de pianos, é preciso regressar uma centena de vezes ao ambiente detalhista da faixa de forma a isolar e se captar cada nuance da faixa.

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Mr. Twin Sister – In the House of Yes

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