Tag Archives: Indie Rock

Lower Dens: “To Die in L.A.”

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As formas coloridas que ilustram a capa do ainda inédito Escape From Evil (2015) funcionam apenas como um indicativo para transformação que orienta o (novo) trabalho do Lower Dens. Três anos depois de passear pelo Pós-Punk/Krautrock em Nootropics (2012), segundo álbum de estúdio, o quinteto de Baltimore, Maryland encontra no uso de vocais menos contidos e temas “coloridos” um maior distanciamento em relação aos temas incorporados desde a estreia com Twin-Hand Movement, em 2010.

Primeira composição do novo álbum – previsto para o dia 30 de março pelo selo Ribbon Music -, To Die in L.A. pode até manter a relação com veteranos como The Walkmen e (até) Interpol, entretanto, lentamente parece aproximar a banda comandada por Jana Hunter de um novo universo. Além de três integrantes originais, nomes como Chris Coady (Yeah Yeah Yeahs, Beach House), Ariel Rechtshaid (Vampire Weekend, Sky Ferreira, Haim) e John Congleton (Swans, St. Vincent, Cloud Nothings) trabalharam na produção do álbum.

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Lower Dens – To Die in L.A.

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Mikal Cronin: “Made My Mind Up”

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Em busca de boas melodias e guitarras levemente distorcidas? Então talvez seja hora de visitar o universo nostálgico de Mikal Cronin. Dois anos depois de transformar MCII (2013) em um clássico recente do Power Pop, o músico norte-americano está de volta, reservando para o dia três de maio a chegada do terceiro álbum da carreira: MCIII (2015). Como aperitivo para o material produzido e gravado pelo próprio Cronin, a Marge Records, distribuidora do álbum, apresentou o primeiro single do trabalho: Made My Mind Up.

Ainda acomodado em elementos do rock clássico lançado na década de 1970, ao mesmo tempo em que interpreta elementos típicos do rock alternativo dos anos 1980 e 1990, Cronin garante pouco mais de três minutos de vocais acessíveis e guitarras que chegam rapidamente aos ouvidos. Um misto de descompromisso e natural liberdade que apenas fortalece toda a carga de elementos reforçados pelo músico no último álbum. Acima, a capa do disco, trabalho que conta com 11 faixas inéditas.

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Mikal Cronin – Made My Mind Up

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Male Bonding: “A Kick To The Face”

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Cloud Nothings, Iceage, White Lung ou Eagulls, não importa a banda, poucos artistas dominam com tamanha habilidade o uso de ruídos e boas melodias quanto o trio britânico Male Bonding. Três anos depois de apresentar o segundo (e excelente) registro em estúdio, Endless Now (2011), o grupo londrino começa a desfazer o próprio hiato para investir em um novo trabalho de inéditas. Como mostra da presente fase da banda, a urgência de A Kick To The Face.

Como o nome da faixa logo indica – um chute na cara -, os pouco mais de dois minutos da criação são dominados por arranjos sujos, vozes berradas e a bateria de Robin Silas Christian, tão intenso e jovial quanto no primeiro álbum da banda, Nothing Hurts (2010). Esta é a primeira composição inédita da banda desde que dois terços dos integrantes deram início a um novo projeto, o Primitive Parts, responsáveis pela ótima Open Heads.

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Male Bonding – A Kick To The Face

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A Sunny Day In Glasgow: “Saturn Pulls Me Apart (Death Of The Unconquerable Night)”

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As boas experiências da banda A Sunny Day In Glasgow em 2014 parecem não se limitar apenas ao último registro em estúdio do grupo, o experimental Sea When Absent. Marcado pelo uso de temas inusitados, diálogos com o R&B e eletrônica, o presente álbum ainda serve como base para o novo single natalino Sketch For Winter I: New Christmas Classics (2014). Além de Shut Your Mouth, It’s Christmas, apresentada há poucas semanas, agora é hora de conhecer o Lado B do trabalho, Saturn Pulls Me Apart (Death Of The Unconquerable Night).

São apenas três minutos e 31 segundos, tempo suficiente para que pequenas distorções, efeitos de guitarras e sintetizadores transportem o ouvinte para um ambiente que parece próprio da banda. O destaque fica por conta dos vocais de Jen Goma e Annie Fredrickson, responsáveis pela leveza que preenche todas as lacunas da canção. Lançado em fita cassete e edição digital, o trabalho conta com distribuição pelo selo Geographic North, especialista em registros analógicos.

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A Sunny Day In Glasgow – Saturn Pulls Me Apart (Death Of The Unconquerable Night)

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California X: “Red Planet”

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Poucos artistas replicam com tamanho acerto (e certa dose de originalidade) o mesmo rock sujo lançado ao final dos anos 1980 quanto a banda California X. Responsável por um dos trabalhos mais intensos e divertidos de 2013, o grupo de Amherst, Massachusetts reserva para o começo do próximo ano a chegada de mais um novo álbum de estúdio: Nights In The Dark (2015). Ainda habitantes do mesmo cenário desenvolvido para o registro de estreia, o quarteto sustenta na recém-lançada Red Planet um aperitivo saboroso do material que chega completo no próximo mês.

Acelerada, a faixa de três minutos logo invade o território de Bob Mould, mergulha em arranjos típicos do Dinosaur Jr e ainda flerta com uma série de artistas veteranos sem necessariamente escapar do ambiente bêbado projetado pela banda. Riffs sujos, ruídos e vozes berradas: uma boa síntese do trabalho apresentado há poucos meses. Com lançamento previsto para o dia 13 de janeiro, Nights In The Dark conta com distribuição pelo selo Don Giovanni.

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California X – Red Planet

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Sleater-Kinney: “Surface Envy”

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As garotas do Sleater-Kinney andam inspiradas. Desde o regresso com Bury Our Friends, há poucas semanas, o caminho que vem sendo preparado para o inédito No Cities To Love (2015) revela uma banda tão intensa quanto aquela que resolveu entrar em hiato em meados de 2006. Dando sequência ao novo material, trabalho que conta com a produção do velho parceiro John Goodmanson, Corin Tucker, Carrie Brownstein e Janet Weiss pesam e aceleram ainda mais os instrumentos para impressionar com Surface Envy.

São apenas três minutos e 12 segundos, tempo mais do que o suficiente para guitarras tortas, batidas insanas e doses colossais de distorção cresçam ao fundo da composição. Em determinados momentos, arranjos tão complexos quanto aqueles ressaltados em The Woods (2005), em outros, a mesma jovialidade exaltada nos primeiros anos em estúdio do trio. Com 10 canções inéditas e lançamento pelo selo Sub Pop, No Cities To Love estreia oficialmente no dia 20 de janeiro.

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Sleater-Kinney – Surface Envy

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Disco: “Quarup”, Lupe de Lupe

Lupe de Lupe
Alternative Rock/Indie Rock/Shoegaze
http://lupedelupe.bandcamp.com/

Por: Cleber Facchi

Quarup (2014, Independente) é uma obra imensa. São 21 canções inéditas e estruturalmente sujas, quase artesanais. Fragmentos divididos em atos curtos de dois ou três minutos – PKA Prefácio, Minha Cidade Em Ruínas -, até blocos extensos de ruídos densos, longas formações distorcidas capazes de ultrapassar os dez minutos de duração – Jurupari, Carnaval. Todavia, não são os 110 minutos do (ambicioso) registro que fazem dele a peça mais grandiosa já projetada pela mineira Lupe de Lupe. Em um cenário torto, “podre” e caótico, talvez o mesmo Reino de Minas Gerais desconstruído em Sal Grosso (2012), o quarteto lentamente expande os limites do próprio universo, desenvolvendo um dos retratos mais honestos da música (e sociedade) brasileira recente.

Longe do romantismo melancólico que corrompe grande parte do rock nacional, cada segundo do álbum (duplo) ultrapassa os limites acolhedores do eu lírico de forma a explorar um cenário arquitetado em torno dos indivíduo – sejam eles personagens reais ou fictícios. Da declaração partidária/ideológico em O Futuro É Feminino (“Meu coração é brasileiro/ Pois o futuro é feminino/ Minha presidente é uma mulher“), ao descritivo ambiente desbravado no interior de Carnaval, Quarup é uma obra que se esquiva da comodidade óbvia do “amor” e “dor”, reforçando no uso de temas sociais um exercício provocativo, temperado pela crueza.

Ainda que esse mesmo conceito seja evidente desde o primeiro trabalho da banda, o curto Recreio, de 2011, parte substancial das composições nascem como fruto de uma transformação recente do quarteto. Desde o lançamento de Distância EP, no último ano, faixas como Os Dias Morrem e Areia Suja parecem reforçar o lado “crítico” da banda, hoje ampliado em canções amargas como Você é Fraco e Eu Já Venci – esta última, uma das melhores e, talvez, mais acessíveis faixas da Lupe de Lupe.

De fato, grande parte do conteúdo entregue no decorrer do presente registro cresce como uma extensão inteligente dos conceitos apresentados no último ano pelo grupo, postura evidente não apenas no discurso “social” imposto em boa parte das canções, mas principalmente no aspecto caótico que guia os sentimentos de cada um dos vocalistas – Renan Benini, Gustavo Scholz e Vitor Brauer, este último, também produtor do disco.

Mesmo nos instantes de maior delicadeza (Gaúcha) e humor (Esse Topper Foi Feito Para Andar), há sempre um tempero extra de desespero, condimento que aos poucos sufoca e perturba a mente do ouvinte – arremessado em todas as direções. Como uma bomba relógio, tensa, Quarup amarra desilusões, cacos aleatórios de um coração partido e fragmentos vindos de diversos relacionamentos fracassados. Um agregado de experiências amargas, base para faixas curtas como Moreninha (RJ) (“Por que tanta mágoa assim nesse mundo que é só seu?“) ou mesmo peças extensas aos moldes de Querubim (“Houve um tempo/ Em que o céu era azul pra mim também“). Continue reading

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St. Vincent: “Pieta” e “Sparrow”

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Enquanto o autointitulado quarto álbum de St. Vincent assume a liderança em diversas listas de melhores do ano, a cantora norte-americana aproveita da boa repercussão sobre o trabalho para investir em duas novas composições. Com lançamento exclusivo em vinil 10″ durante o Record Store Day da Black Friday, as inéditas Pieta e Sparrow mostram que os ruídos e bases melancólicas testadas há poucos meses pela cantora não devem chegar ao fim tão cedo.

Em Pieta, a direção de St. Vincent é guiada pelas batidas. Em um exercício lento, sintetizadores, vozes angelicais e toda uma estrutura sombria acompanham de perto o trabalho da artista, pressionada por sentimentos tão dolorosos quanto aqueles exaltados há poucos meses. Já em Sparrow, cada ação de Annie Erin Clark é orquestrada pelos guitarras, instrumento que se divide em duas direções opostas, mas que se encontram no eixo final da música, crescente, ainda que controlada.

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St. Vincent – Pieta

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St. Vincent – Sparrow

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Will Butler: “Take My Side”

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Com o encerramento da turnê de Reflektor (2013), último álbum do Arcade Fire, os integrantes do grupo canadense devem aproveitar o tempo livre para investir nos próprios projetos. Em se tratando de Will Butler, irmão caçula do vocalista Win, mesmo em um ambiente particular, a relação com o coletivo está longe de ser rompida. Em Take My Side, faixa de apresentação do primeiro trabalho solo do músico, Policy (2015), o diálogo com o último invento do grupo de Montreal é bastante nítido.

Guitarras sujas, voz acelerada e versos simples. Em pouco mais de três minutos todos os elementos reforçados em Normal Person, You Already Know e outas faixas rápidas de Reflektor são prontamente recuperados. Arranjos orquestrais? Baroque Pop? Por enquanto, o interesse de Butler é outro. Com distribuição pelo selo Marge Records, Policy conta com lançamento previsto para o dia 10 de março do próximo ano.

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Will Butler – Take My Side

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Jack White: “Parallel” (Dean Fertita Cover)

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O ruidoso cruzamento entre o Rock e Blues apresentado em 1999 por Jack White no primeiro álbum do The White Stripes ainda é a base para os (novos) inventos do compositor. Longe da crueza alcançada no repertório de Blunderbuss (2012), trabalho de estreia em carreira solo, o norte-americano usa da diversidade de formas instaladas em Lazaretto (2014, Third Man) como um objeto de expansão conceitual. Tal qual os dois álbuns lançados pelo The Raconteurs – Broken Boy Soldiers (2006) e Consolers of the Lonely (2008) -, o presente disco é uma viagem por diferentes épocas da música estadunidense sem fugir do presente.

Menos eufórico, mas não menos intenso que o registro passado, Lazaretto é uma obra que cresce dentro dos domínios e fórmulas próprias lançadas por White – o que não quer dizer que ele seja um trabalho redundante. Enquanto o disco entregue há dois anos trouxe no manuseio frio da guitarra um ponto de apoio para as canções, hoje o músico vai além. Pianos, violões e bateria abrangente distanciam o álbum do ar “garageiro” de outrora, movimentando a construção de uma obra essencialmente orgânica em suas imposições. Leia a resenha completa.

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Ouça agora a versão de Parallel, a versão de Jack White para o trabalho do parceiro de banda Dean Fertita. Lançada em 1999 sob o título de Hello=Fire, a canção aparece agora como B-Side do single Would You Fight For My Love?. Em turnê com o álbum Lazaretto (2014), Jack White é uma das principais atrações do Lollapalooza Brasil 2015.

Jack White – Parallel (Dean Fertita Cover)

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