Tag Archives: Indie Rock

PCPC: “Fell Into The Wrong Crowd” (Parquet Courts & PC Worship)

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Se você acompanha o trabalho do Parquet Courts, não faltam motivos para celebrar. Como se não bastasse ao grupo a construção de um dos grandes discos de 2014, Sunbathing Animal, há poucas semanas os integrantes da banda nova-iorquina anunciaram o lançamento de um novo projeto paralelo, o Parkay Quarts, transformando a insana Uncast Shadow Of A Southern Myth em aperitivo para o trabalho de inéditas Content Nausea (2014).

Acha pouco? Tudo bem, o grupo ainda reserva algumas “surpresas” para os ouvintes. Além da série de novas composições apresentadas com a “banda gêmea”, os integrantes do Parquet Courts acabam de formar um novo projeto. Trata-se do PCPC, projeto colaborativo que ainda conta com a presença de membros do PC Worship. Como apresentação para o “supergrupo”, ouça a extensa (e estranha) Fell Into The Wrong Crowd.

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PCPC – Fell Into The Wrong Crowd (Parquet Courts + PC Worship)

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Disco: “Rips”, Ex Hex

Ex Hex
Indie Rock/Alternative/Punk
http://www.exhexband.com/

Por: Cleber Facchi

É difícil saber onde começa o trabalho de Mary Timony e as parcerias com outros artistas. Figura importante da cena de Washington, D.C., a cantora e guitarrista atravessou as últimas duas décadas colecionando passagens em diferentes coletivos ou mesmo projetos assinados individualmente. Obras acumuladas em grupos como Helium, Autoclave e Wild Flag, além de registros autorais lançados no começo dos anos 2000, mas que assumem sua melhor forma com a chegada de Rips (Merge Records, 2014), primeiro trabalho com as (novas) colaboradoras do Ex Hex.

Com título inspirado em um registro solo de Timony, lançado em 2005, a banda fez do som de Hot and Cold, no começo de 2014, a base para o material explorado em totalidade ao longo do presente disco. Vozes rápidas, guitarras sujas e versos pegajosos. Um meio termo entre o rock ensolarado da década de 1960, o Punk de 1977 e o som versátil incorporado pela veterana ao longo de toda a década de 1990.

Em um esforço emergencial, ainda que coeso, cada ato instrumental do disco funciona como uma espécie de resumo e nova interpretação do trabalho de Timony. Enquanto os arranjos de Beast e How You Got That Girl servem de ponte para os primeiros registros da guitarrista, peças como a inaugural Don’t Wanna Lose logo transportam o ouvinte para o presente, como se a guitarrista – ao lado das companheiras de banda Laura Harris (bateria) e Betsy Wright (baixo) -, projetasse um material (quase) inédito.

Ainda que a semelhança com o trabalho de Dum Dum Girls, Best Coast e demais coletivos de peso da cena californiana seja evidente ao longo da obra, basta se concentrar nos versos e vocais ao longo do disco para perceber a diferença no trabalho da veterana. Diferente de Bethany Cosentino, Dee Dee Penny e outras guitarristas/compositoras próximas, Timony brinca com o passado sem fazer disso o princípio para um material nostálgico. Apenas um resgate de experiências previamente incorporadas dentro ou fora de estúdio. Continue reading

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Sleater-Kinney: “Bury Our Friends”

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Mesmo elogiado por grande parte da crítica e recebido com total adoração pelo público, o sucesso de The Woods (2005) não foi suficiente para impedir o hiato do Sleater-Kinney. Em junho de 2006, passada a turnê de divulgação do álbum – sétimo registro de inéditas na discografia do grupo -, Corin Tucker, Carrie Brownstein e Janet Weiss resolveram silenciar a banda, passando a investir em outros trabalhos e projetos paralelos, entre eles, o Wild Flag.

Depois de oito anos de “férias”, o grupo encerra o hiato, anuncia uma série de shows e ainda reserva para janeiro de 2015 um novo registro de estúdio: No Cities To Love (2015). Produzido por John Goodmanson, velho parceiro do trio, o álbum carrega dez composições inéditas e distribuição pelo selo Sub Pop. Como aquecimento, nada melhor do que a inédita Bury Our Friends, um resumo eficiente do som produzido pelo trio desde a década de 1990. Também lançada em clipe, a faixa conta com direção de Miranda July.

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Sleater-Kinney – Bury Our Friends

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Parkay Quarts: “Uncast Shadow Of A Southern Myth”

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Mesmo depois de apresentar um dos grandes discos do ano, o nostálgico Sunbathing Animal (2014), os membros do Parquet Courts já estão de volta com mais um registro de inéditas. Sob o nome de Parkay Quarts, o grupo nova-iorquino reserva para o dia 11 de novembro a chegada Content Nausea, obra lançada pelo selo What’s Your Rupture? e que, ao menos por enquanto, parece seguir em direção contrária ao último trabalho da banda.

Para apresentar o novo disco, o grupo resolveu começar pelo fim, entregando ao ouvinte a derradeira e sóbria Uncast Shadow Of A Southern Myth. Com quase sete minutos de versos extensos, confissões e arranjos lentos, a música esbarra na mesma composição incorporada pelo Television no Lado B de Marquee Moon (1977), reforçando o fascínio do grupo pela cena de Nova York no final dos anos 1970. Ainda que a banda já tenha brincado com o mesmo tipo de som em Sunbathing Animal, bastam os primeiros versos da nova música para perceber o completo distanciamento.

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Parquet Courts – Uncast Shadow Of A Southern Myth

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TV On The Radio: “Careful You”

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Batidas eletrônicas, ritmo eufórico e vozes sempre aceleradas, com o lançamento de Happy Idiot, há poucas semanas, o TV On The Radio conseguiu despertar o interesse do público. Primeiro single oficial de Seeds (2014), quinto álbum de estúdio da banda, a dinâmica criação está longe de orientar todo o conteúdo da obra. Em Careful You, segunda canção inédita do novo disco, o grupo desacelera e mergulha nos próprios sentimentos.

Embora instalada no mesmo plano eletrônico do último single, a faixa de cinco minutos parte de um contexto musical completamente distinto, entregando ao ouvinte um conjunto de vozes e arranjos sutis. Quase uma continuação do material lançado em Nine Types of Light (2011), Careful You vai acertar em cheio quem se encantou pelas melodias de Will Do, You e demais composições melancólicas do TVOTR. Com lançamento pelo selo Harvest, Seeds estreia no dia 18 de novembro.

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TV On The Radio – Careful You

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Wry: “Deeper In A Dream”

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Nascida em um cenário analógico, onde bandas independentes aprenderam a lidar com pouquíssimos recursos, espaço limitado para divulgação e muito ruído, a sorocabana Wry encarou a transição para o meio digital nos anos 2000 de forma bastante assertiva. Além do próprio site, sempre abastecido com boas novidades – conheça/baixe a discografia da banda aqui -, do perfil na extinta Trama Virtual ao conteúdo no MySpace, espaços (virtuais) para ouvir e baixar as canções do grupo nunca faltaram ao público.

Todavia, em Deeper In A Dream (2014), primeiro registro oficial desde o “hiato” anunciado em 2010, curiosamente a banda regressa ao mesmo “território analógico” do começo de carreira. São cinco composições – Deeper in a Dream, Everybody’s Dancing, Nossa História Começa Agora, Regresso e Waves -, faixas lançadas fisicamente apenas em fita cassete. Com distribuição pelo selo curitibano Terry Crew – casa da banda Subburbia -, o “EP” pode ser adquirido por apenas R$ 10,00, além, claro do frete. Abaixo você ouve uma das composições do trabalho.

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Wry – Nossa História Começa Agora

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Disco: “Tyranny”, Julian Casablancas + The Voidz

Julian Casablancas + The Voidz
Alternative/Indie/Synthpop
http://juliancasablancas.com/

Por: Cleber Facchi

“It’s hard to write good lyrics that are meaningful. It’s hard to not write bad lyrics and fake it and have a meaningless thing that sounds cool. That move you on a deep level and have a deep meaning but just sound good and you can enjoy lightly.”

Poucas vezes Julian Casablancas me pareceu tão sóbrio quanto no diálogo travestido de entrevista para a Time Out. Ao lado de Karen O, que na ocasião divulgava o recém-lançado Crush Songs (2014), o vocalista do Strokes ressaltou a dificuldade em escrever boas composições – “It’s the hardest thing” -, discutiu Thom Yorke e Radiohead, comentou de forma nostálgica a cena de Nova York nos anos 2000 e, acima de tudo, conseguiu transmitir ao público a própria maturidade – postura talvez esquecida pelo “rosto de bebê” que o músico ostenta desde a estreia de Is This It, há 13 anos.

Maturidade. Difícil não fazer uso de tal palavra quando falamos sobre o trabalho de Casablancas na última década e meia. Ataquem ou defendam seus favoritos, mas músico é autor (ou participante ativo) de pelo menos duas obras clássicas – Is This It (2001) e Room On Fire (2003) -, um bem resolvido trabalho solo – Phrazes for the Young (2009) -, três registro medianos - First Impressions of Earth (2006), Angles (2011) e Comedown Machine (2013) -, além de uma série de faixas em parceria – de Daft Punk a Sparklehorse. Nada que pareça “detestável” ou “inaudível” como tantos já foram capazes de revelar em um mesmo período de tempo.

Ma-tu-ri-da-de. Com tantos atributos positivos, vasta experiência em estúdio, apresentações nos quatro cantos do globo, contatos e a capacidade de esculpir a frase tocante que abre texto, pergunto: Qual o propósito de Julian Casblancas com Tyranny? Continue reading

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Charme Chulo: “Crucificados Pelo Sistema Bruto”

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No dia 14 de dezembro, grande parte dos veículos nacionais já devem ter fechado suas listas de melhores lançamentos do ano. Um erro. Quem assumir tal decisão vai ter deixado para trás um dos grandes trabalhos de 2014: Crucificados Pelo Sistema Bruto. Terceiro álbum de estúdio da banda curitibana Charme Chulo, o registro duplo é uma coleção de 20 faixas que resume um pouco do “hiato” da banda desde o lançamento de Nova Onda Caipira, em 2009. Com o financiamento do trabalho recém-confirmado pelo Catarse.me, a banda resolveu presentear o público com seis ótimas composições.

Trata-se de um aperitivo do novo álbum; um conjunto de seis composições inéditas que rechearão o mais abrangente ato do coletivo caipira. Além da parceria com Hélio Flanders em Fuzarca, o grupo comandado por Igor Filus e Leandro Delmonico entregou as ótimas Palhaço de Rodeio, É que às Vezes (Melhor é Morar na Fazenda), Dia de Matar Porco, Carcaça Sensacional e Multi Stillus. O nome do disco – uma brincadeira com o clássico Crucificados Pelo Sistema (1984), da banda Ratos de Porão e Sistema Bruto da dupla Chitãozinho & Xororó – resume parte do acervo que deve ser apresentado na íntegra em dezembro. Veja a agenda de shows da banda.

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Charme Chulo – Fuzarca (part. Hélio Flanders)

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Charme Chulo – Palhaço de Rodeio

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Charme Chulo – É que às vezes (melhor é morar na fazenda)

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Charme Chulo – Dia de Matar Porco

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Charme Chulo – Carcaça sensacional

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Charme Chulo – Multi stillus

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Speedy Ortiz: “Doomsday”

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Há poucas semanas comentamos sobre o lançamento de This Is Happening Now, novo single da banda Parquet Courts para atender a ONG Ariel Panero Memorial Fund. Agora é a vez de mais um artista integrar o mesmo projeto, intitulado LAMC Single Series, o Speedy Ortiz. Assumindo o Lado A do single split com o músico Chris Weisman, a banda norte-americana mergulha mais uma vez na década de 1990 para apresentar a inédita Doomsday.

Comandada pela voz limpa de Sadie Dupuis, a composição inicialmente silenciosa logo desemboca em uma sequência de ruídos típicos do material lançado em Major Arcana (2013). Míseros três minutos e 32 segundos em que referências como Liz Phair, Pavement e The Breeders logo são recuperados pela banda, acomodada em um oceano de distorções melódicas, sempre íntimas da voz segura de Dupuis. Bem sucedida, a canção segue a boa forma do EP Real Hair (2014) apresentado há poucos meses.

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Speedy Ortiz – Doomsday

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Bass Drum of Death: “Left For Dead”

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Peitinhos, esparadrapos e muitas guitarras. Esta é a proposta de Left For Dead, o mais novo clipe da dupla Bass Drum Of Death. Dirigido por Dick Thompson, o trabalho mostra os estranhos hábitos de um agressor/caçador e suas mulheres, todas iniciadas no misterioso ato em que a nova vítima acaba sempre anexada ao mesmo grupo. Três minutos de imagens empoeiradas, referências que parecem vindas de algum filme de Robert Rodriguez e a aura de mistério que acompanha o espectador até o último segundo.

Musicalmente limpa em relação aos primeiros inventos da dupla, a nova faixa prepara o terreno para a chegada de Rip This (2014), o mais novo álbum de estúdio do BDOD. Com lançamento pelo selo Innovative Leisure, o trabalho já teve algumas de suas composições divulgas nas últimas semanas, entretanto, nenhuma carrega a mesma energia e desapego que Left For Dead, música que carrega no próprio título uma espécie de resumo para o vídeo recém-lançado.

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Bass Drum of Death – Left For Dead

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