Guitarras sujas, maquiadas pelo uso controlado das distorções, vozes em coro e aquela atmosfera típica da década de 1990. Quem acompanha toda a frente de artistas inspirados pelo som produzido há mais de duas décadas precisa conhecer o trabalho da cantora Stef Chura. Na trilha de coletivos como Speedy Ortiz, LVL UP e Waxahatchee, a guitarrista de Michigan reserva para o começo do próximo ano a chegada do primeiro álbum de estúdio: Messes (2017).

Meses após o lançamento da ótima Slow Motion, canção entregue ao público em janeiro deste ano, Chura está de volta com uma nova (e pegajosa) composição. Em Spotted Gold, versos marcados pelo sarcasmo servem de base para a instrumentação descompromissada da artista. Guitarras e batidas leves que dialogam ao fundo com o som litorâneo dos anos 1960. Junto da canção, um divertido clipe que conta com a direção de Fidel Ruiz-Healy e Ambar Navarro.

Messes (2017) será lançado no dia 27/01 via Urinal Cake Records.

 

Stef Chura – Spotted Gold

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Formada por Cinty Murph (vocal e teclado), Priscila Lopes (baixo), Camila Ribeiro (bateria) e Rodrigo Lima (guitarra), In Venus é uma banda de pós-punk/rock alternativo que se divide entre o som sujo da década de 1980 e um discurso bastante atual. Original da cidade de São Paulo, o quarteto acaba de lançar o primeiro single da carreira, Mother Nature, uma perfeita síntese de todo o universo de referências (instrumentais e poéticas) que abastecem o trabalho do grupo.

Com distribuição por três selos diferentes – Efusiva, PWR e Howlin Records –, a canção de apenas três minutos confirma toda a versatilidade do grupo. Enquanto os versos exaltam Gaia, a Mãe Natureza, musicalmente, a canção se espalha em meio a ruídos, quebras bruscas e doses consideráveis de distorções. Arranjos e vozes que dialogam com o som produzido por estrangeiros como Savages e Preoccupations, porém, mantém firme a essência do quarteto paulistano.

 

In Venus – Mother Nature

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Com o lançamento de Life Without Sound (2017) previsto para janeiro do próximo ano, Dylan Baldi e os parceiros de banda do Cloud Nothings seguem com a divulgação do novo álbum de inéditas. Dias após a chegada de Modern Act, primeiro single do sucessor de Here and Nowhere Else (2014), uma nova viagem ao passado toma conta da enérgica Internal World, uma passagem direta para o rock alternativo do final dos anos 1990.

Naturalmente íntima do som produzido por artistas como American Football, Weezer, Sunny Day Real Estate e outros nomes de peso do período, a composição segue explosiva do primeiro ao último instante. Enquanto a letra angustiada de Baldi segue a trilha dos últimos trabalhos produzidos pelo músico dentro de estúdio, em se tratando das guitarras e batidas, uma nova carga de intensidade, como se o guitarrista desse um passo além em relação ao disco lançado em 2014.

Life Without Sound (2017) será lançado dia 27/01 via Carpark/Wichita.

 

Cloud Nothings – Internal World

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Artista: Filipe Alvim
Gênero: Indie, Lo-Fi, Alternativo
Acesse: https://filipealvim.bandcamp.com/

Foto: Tamires Orlando

Romântico, cafona, sensível. Em Beijos (2016, Pug Records), primeiro álbum de inéditas em três anos, o cantor e compositor mineiro Filipe Alvim faz de cada composição ao longo do registro um fragmento marcado pela confissão. Entre sussurros melancólicos (“Você pensa que está bom / Mas podia estar melhor”) e versos essencialmente intimistas (“Você tem / O poder / Sobre mim”), a construção de um trabalho que parece feito para grudar na cabeça do ouvinte.

Inaugurado pelos dramas e versos atormentados de Vida Sem Sentido, faixa de abertura do disco, o sucessor de Zero EP (2013) mais uma vez posiciona Alvim como personagem central de uma obra marcada pela desilusão. Enquanto os arranjos de guitarra se desmancham lentamente, revelando um som empoeirado, íntimo dos trabalhos de Mac DeMarco e outros românticos do rock atual, uma solução de versos amargos aponta a direção seguida em grande parte do trabalho.

Dividido entre músicas rápidas e versos arrastados, sempre dolorosos, Alvim joga com os sentimentos – dele e do próprio ouvinte. São versos curtos, sequências de duas ou três palavras, como se o cantor brincasse com o significado oculto em cada uma das canções. Declarações de amor, medos e delírios que se entrelaçam em meio ao movimento rápido das guitarras, tão íntimas do pop rock dos anos 1980, quanto de novatos como Connan Mockasin e Séculos Apaixonados.

Ela é poderosa / Me fascina / Ela é poderosa / Me deixa ficar”, desaba em Poderosa, música que flutua entre a submissão e a libertação do eu lírico. Em Jaula, sexta faixa do disco, retalhos poéticos e pequenas indecisões – “Não perde / Não volta / Não cola / Amassa / Abafa / Sufoca”. Na rápida Cama Redonda, uma letra que se divide entre o tédio (“Nesse bode de hoje eu fiquei”) e a melancolia (“Perdi o gosto das coisas”). Diferentes conflitos de um mesmo personagem.

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Os últimos dois anos foram bastante produtivos para o quarteto dinamarquês Communions. Banda responsável por um limitado acervo de faixas, como o pegajoso single Don’t Hold Anything Back e um EP homônimo lançado em meados de 2015, o grupo reserva para o começo do próximo ano a chegada do primeiro álbum de estúdio. Um registro de 11 faixas intitulado Blue (2016) e a morada da recém-lançada Come On, I’m Waiting.

Na trilha dos últimos trabalhos da banda, caso do single Got To Be Free, composição escolhida para aunciar o primeiro álbum do Communions, a nova faixa joga com o passado sem necessariamente se distanciar do presente. Guitarras marcadas que provam da obra de veteranos como The Replacements e outros gigantes do rock alternativo dos anos 1980. Junto da nova canção, um registro em vídeo que conta com a direção de Lasse Dearman.

Blue (2016) será lançado no dia 03/02 via Fat Possum.

 

Communions – Come On, I’m Waiting

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Filipe Alvim passou os últimos meses preparando o terreno para a chegada do primeiro registro de inéditas da carreira, o romântico Beijos (2016). Entre faixas de essência melancólica, como Vida Sem Sentido Poderosaalém de músicas levemente ensolaradas, caso de Miragem, a lenta construção de uma obra marcada pela utilização de versos e melodias sempre intimistas, percpção reforçada dentro das oito canções que abastecem a estreia do cantor e compositor mineiro.

Além das três músicas apresentadas por Alvim nos últimos meses, Beijos reserva ao público um pequeno catálogo de faixas movidas pela poesia descomplicada do músico. Composições que mergulham em temas existenciais (“O erro pode ser o acerto / De quem procura se encontrar“) e pequenos tormentos melancólicos (“Nessa cama redonda eu bodei / Eu não sei O que será de mim“). Com distribuição pelo selo Pug Records, o trabalho pode ser apreciado e baixado gratuitamente pelo Bandcamp do artista.

 

Filipe Alvim – Beijos

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Filipe Alvim parece jogar com os próprios sentimentos. A cada nova composição que antecipa o aguardado Beijos (2016), primeiro álbum do cantor e obra que conta com lançamento pelo selo Pug Records, versos e melodias que flutuam entre temas existencialistas, tormentos e confissões românticas. Conceito reforçado durante o lançamento de Vida Sem Sentido e Poderosa, porém, encarado com leveza e certa dose de libertação em Miragem, mais recente criação do músico mineiro.

Consumida pelo uso de ruídos eletrônicos e guitarras crescentes, a nova composição talvez seja o registro mais acessível, pop, de todo o pequeno acervo de Alvim. Um jogo de guitarras e vozes ensolaradas, como um alicerce para a letra da canção – “O que eu preciso é de uma estrada quente / Pra quem sabe que correr é / Tanto faz se eu não parar / Tanto faz“. Para ouvir outras músicas ou saber um pouco mais sobre o trabalho do cantor basta uma visita ao bandcamp ou database.

Beijos (2016) será lançado no dia 08/11 via Pug Records.

 

Filipe Alvim – Miragem

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A parceria gerada entre Chaz Bundick e os gêmeos Jared e Jonathan Mattson dentro de Live From Trona (2016), trabalho gravado ao vivo e mais recente álbum do Toro Y Moi, está longe de chegar ao fim. Para o começo do próximo ano, o trio de múcicos anuncia a chegada do colaborativo Chaz Bundick Meets The Mattson 2 (2017), um registro de apenas oito composições que mostra a completa interação dos músicos em estúdio.

Quarta faixa do disco, a crescente Star Stuff acabou sendo a escolhida para apresentar o trabalho ao público. Musicalmente próxima do último registro de inéditas do Toro Y Moi, What For? (2015), a canção nasce como um passeio atento pela música produzida no começo da década de 1970. Um misto de psicodelia, soul e funk, como se todas as referências de Bundick fossem sentetizadas dentro de uma única composição.

Chaz Bundick Meets The Mattson 2 (2017) será lançado no dia 31/03 via Bundick’s Company Records.

 

Chaz Bundick Meets The Mattson 2 – Star Stuff

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Artista: Tagore
Gênero: Rock Psicodélico, Alternativo, Rock
Acesse: https://www.facebook.com/tagorebanda/

 

Pineal (2016, Sony Music) é uma viagem que começa antes mesmo que a primeira música do disco, a introdutória Mudo, tenha início. Basta observar a cósmica imagem de capa do álbum, trabalho que conta com a assinatura de Caramurú Baumgartner, para perceber a essência colorida do segundo registro de inéditas da banda comandada por Tagore Suassuna. Guitarras, vozes e versos que bebem de diferentes fontes psicodélicas, fazendo do registro um verdadeiro delírio musical.

Sucessor do álbum Movido a Vapor, de 2014, o novo disco do grupo pernambucano dialoga com o presente da música psicodélica. Composições que visitam diferentes cenas e referências de forma atenta, ampliando o terreno criativo da banda – completa com Julio Castilho (baixo, guitarra e teclados), Caramurú Baumgartner (percussão e teclados), Emerson Calado (bateria), João Cavalcanti (baixo, guitarra e teclados) e Diego Dornelles (baixo, guitarra e teclados).

Claramente influenciado pelas texturas instrumentais e experimentos incorporados por Kevin Parker no Tame Impala, Tagore e os parceiros de banda fazem de cada faixa ao longo do disco um precioso exercício de reverência. Difícil não lembrar de obras como Lonerism (2012) e Currents (2015) ao esbarrar nas guitarras e distorções de faixas como Camelo. A própria Apocalipse Jeans, 11ª canção do disco, nasce como uma referência direta à também lisérgica Apocalypse Dreams.

É justamente essa forte similaridade com o trabalho do grupo australiano, além de outros nomes recentes, como Unknown Mortal Orchestra e Pond, que acaba prejudicando o crescimento de Pineal. Uma constante sensação de que tudo não passa de uma “versão brasileira” do som produzido lá fora, semelhança corrompida na cuidadosa colagem de ritmos pelos goianos da Boogarins e o completo experimento de grupos como Bike e Catavento, também inspirados pelo mesma sonoridade.

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Estão prontos para um novo álbum do Japandroids? Quatro anos após o lançamento do ótimo Celebration Rock – 8º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2016 –, Brian King e David Prowse anunciam a chegada de um novo registro de inéditas, o terceiro na carreira da banda. Intitulado Near To The Wild Heart Of Life (2017), o disco previsto para janeiro do próximo ano conta com oito novas composições, incluindo a intensa faixa-título, primeiro exemplar do trabalho apresentado ao público.

Como tudo que o Japandroids vem produzindo desde o primeiro álbum de inéditas, Post-Nothing, de 2009, a nova composição mantém firme a crueza dos arranjos, detalhando vozes em coro, versos melódicos e o constante embate entre as guitarras de King e a bateria insana de Prowse. São quase cinco minutos de distorções, batidas e versos pegajosos, esbarrando na mesma atmosfera do hit The House That Heaven Built.

Near To The Wild Heart Of Life (2017) será lançado no dia 27/01 via Anti-.

 

Japandroids – Near To The Wild Heart Of Life

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