As boas melodias tomam conta do novo álbum do Teenage Fanclub. Intitulado Here (2016), o trabalho é o primeiro registro de inéditas do coletivo escocês desde o bem-sucedido Shadows, de 2010. São 12 composições em que os veteranos se concentram na produção de versos essencialmente românticos, temas cotidianos e intimistas, criando uma espécie de ponte para a boa fase no começo da década de 1990, vide clássicos como Bandwagonesque (1991) e Grand Prix (1995).

Curiosamente, Thin Air, mais recente single do grupo parece ter saído exatamente desse mesmo período. Das guitarras rápidas que inauguram e fecham a composição, passando pelo delicado uso dos vocais, difícil ouvir a canção e não lembrar de toda a seleção de obras produzidas pelo grupo há mais de duas décadas. Harmonias que dançam na cabeça do ouvinte, resgatando uma série de temas íntimos de artistas como Big Star e Beach Boys.

Here (2016) será lançado no dia 09/09 pelo selo Merge Records.

Teenage Fanclub – Thin Air

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Artista: Catavento
Gênero: Psicodélico, Garage Rock, Experimental
Acesse: http://www.honeybombrecords.com.br/catavento/ 

 

Ruídos, distorções e vozes maquiadas pelo uso de efeitos. Dois anos após o lançamento do primeiro álbum de estúdio, Lost Youth Against The Rush (2014), o coletivo gaúcho Catavento está de volta com um novo (e barulhento) registro de inéditas. Entre versos cantados em inglês e português, CHA (2016, Honey Bomb Records) indica a direção experimental assumida pela banda — hoje formada por Leo Rech (guitarra/vocal) Leo Lucena (guitarra/baixo/vocal), Du Panozzo (baixo/guitarra/vocal), Johnny Boaventura (teclados/vocal), Lucas Bustince (bateria) e Francisco Maffei (efeitos/teclados/vocal).

Por vezes íntimo da mesma psicodelia explorada nos últimos trabalhos de bandas como Boogarins e Bike, pouco a pouco, o presente álbum se distancia de outros exemplares da cena nacional por conta da forte carga de ruídos e ambientações etéreas que se espalham no interior da obra. Da abertura do disco, em Little Fishes, passando pelas melodias tortas de faixas como City’s Angels e The Sky, um turbilhão de cores e distorções sujas se chocam de forma a bagunçar a mente do ouvinte.

Claramente inspirado pelo trabalho de artistas como Ty Segall, Sonic Youth e Tame Impala, CHA é um registro em que as ideias convergem a todo instante. São apenas nove faixas, pouco menos de 40 minutos de duração, entretanto, parece difícil prever qualquer movimento da banda. Guitarras e vozes duelam a todo instante, paredões imensos de ruídos são levantados e destruídos sem ordem aparente, fazendo desse constante choque criativo a base de cada composição do registro.

Ainda que a poesia do disco esteja ancorados nas “dores e as delícias de entrar no mundo adulto”, como aponta o texto de apresentação do trabalho, mais do que um alicerce, as letras do álbum se revelam como um poderoso complemento musical. Ruídos abafados e cantos ecoados que atravessam os acordes sujos da obra, transportando o ouvinte para um cenário essencialmente onírico, subjetivo, conceito explícito no canto irregular de faixas como Red Lagoa e Thanks a Lot.

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A pluralidade de conceitos talvez seja a principal marca do som produzido pelo Cymbals Eat Guitars. Não importa a canção, em poucos minutos, décadas de referências, mudanças bruscas de direção e novos desdobramentos indicam a versatilidade do coletivo norte-americano, transformação explícita no rico catálogo de experimentos que move faixas recentes como 4th Of July, Philadelphia (SANDY) e Wish, além, claro, da recente Heave a Heart.

Também parte do novo álbum de inéditas da banda, Pretty Years (2016), a nova faixa parece mostrar o lado “mais pop” do CEG, entretanto, isso não quer dizer que o grupo tenha se perdido em busca de uma canção possivelmente descartável. Trata-se de um detalhista jogo de pequenas melodias, vozes e sintetizadores que criam uma ponte diretamente para o último álbum de inéditas da banda, Lose – um dos 50 melhores discos internacionais de 2014.

Pretty Years (2016) será lançado no dia 02/10 pelo selo Sinderlyn.

Cymbals Eat Guitars – Heave a Heart

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Artista: Dinosaur Jr.
Gênero: Alternative Rock, Indie, Rock
Acesse: http://www.dinosaurjr.com/

 

De todos os artistas que decidiram entrar em hiato no final da década de 1990 – como Weezer, Soundgarden e The Smashing Pumpins –, o Dinosaur Jr. talvez seja a banda que fez o melhor retorno aos palcos e estúdios. Uma década após o lançamento de Hand It Over (1997), o trio de Amherst, Massachusetts, estava de volta com o intenso Beyond (2007), uma continuação do mesmo som urgente que apresentou a banda no final dos anos 1980 e a base de toda a sequência de obras que viriam a ser produzidas pelo grupo nos próximos anos.

Em Give a Glimpse of What Yer Not (2016, Jagjaguwar), quarto registro de inéditas desde o regresso há nove anos, J Mascis (guitarra e voz), Lou Barlow (baixo e voz) e o baterista Murph se concentram na produção de um material essencialmente cru, raivoso. Uma propositada fuga da sonoridade densa que acabou orientando os dois últimos trabalhos produzidos pela banda – Farm (2009) e I Bet on Sky (2012).

São pouco mais de 40 minutos de duração. Um total de 11 faixas em que a banda norte-americana se reveza na construção de faixas que dialogam com o rock dos anos 1970 (I Walk For Miles), investem na aceleração das vozes e batidas (Tiny), além de presentear o público com alguns dos melhores solos já produzidos por Mascis (Goin Down). De fato, para a divulgação do trabalho, o guitarrista concentrou todos os solos de guitarra do álbum em uma única playlist no Spotify, indicando a fúria do registro.

Inaugurado pela urgência de Goind Down, Give a Glimpse of What Yer Not segue em uma estrutura dinâmica até o último instante. Uma colisão de vozes berradas e arranjos que confirmam a boa fase do trio de veteranos. Um bom exemplo disso está na construção de Good To Know. Sexta faixa do disco, a canção dominada pelas guitarras de Mascis instantaneamente transporta o ouvinte para o final da década de 1980, como uma extensão do som produzido para clássicos como You’re Living All Over Me (1987) e Bug (1988).

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Artista: SLVDR
Gênero: Pós-Rock, Math-Rock, Experimental
Acesse: https://slvdrmsc.bandcamp.com/

 

A colorida ilustração que estampa a capa de Presença (2016, Independente) — trabalho assinado por Lucas Santos — parece dizer muito sobre o som produzido pelo grupo carioca SLVDR. Produzido em um intervalo de dois anos em diversos estúdios do Rio de Janeiro, o álbum mostra o esforço do trio formado por Bruno Flores, Hugo Noguchi e Gabriel Barbosa em explorar diferentes décadas, ritmos e possibilidades de forma a produzir um registro musicalmente amplo.

Com Não há mais esperança escolhida como faixa de abertura do disco, o trio, em parceria com o músico Gabriel Ventura, vocalista e guitarrista da banda carioca Ventre, cria uma espécie de resumo do som pensado para o registro. São pouco menos de seis minutos em que guitarras e batidas apontam para todas as direções, criando pequenos atos de euforia e instantes de recolhimento. Um estímulo claro para o som produzido logo em sequência com Dark Mansa, música que parece ter saído do final dos anos 1990.

Terceira faixa do álbum, a curtinha Bouken vai da serenidade ao caos em poucos instantes. Difícil não lembrar do trabalho de artistas como Fugazi e Polvo enquanto as guitarras, bateria e baixo da composição estabelecem um diálogo preciso, por vezes raivoso, revelando ao público o uso de pequenas curvas rítmicas. Quase um aquecimento para os versos urbanos que surgem em sequência com Um brevíssimo conto sobre a humanidade dos dias, um dos raros instantes em que a voz assume uma posição de destaque no disco.

Segunda canção em parceria com Ventura, Forum talvez seja a faixa mais versátil de toda a obra. São pouco mais de cinco minutos em que o grupo joga com as possibilidades, mergulhando em uma atmosfera de sons abstratos, temas jazzísticos e elementos que dialogam de forma particular com a música eletrônica. Fragmentos que parecem abraçar diferentes temáticas e épocas, como se o trabalho de grupos como Slint, The Dismemberment Plan e Tortoise fosse remontado de forma autoral.

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As guitarras e temas psicodélicos mais uma vez tomam conta do som produzido por Thee Oh Sees. Um ano após o lançamento do ótimo Mutilator Defeated At Last (2015), John Dwyer e seus parceiros de banda estão de volta com um novo registro de estúdio: A Weird Exits (2016). São oito composições inéditas, incluindo a já conhecida The Axis, canção com mais de seis minutos de duração apresentada pela banda em meados de julho.

Entre os destaques do disco, faixas como Dead Man’s GunTicklish Warrior, verdadeiros paredões de ruídos. Assim como o álbum apresentado em 2015, o novo trabalho conta com distribuição pelo selo Castle Face, ponto de partida de alguns dos principais exemplares do garage rock norte-americano. Quem assina a imagem de capa do registro é Robert Beatty, artista gráfico que já trabalhou com nomes como Neon Indian, Tame Impala e Oneohtrix Point Never.

 

Thee Oh Sees – A Weird Exits

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Artista: Não Ao Futebol Moderno
Gênero: Indie Rock, Alternative, Dream Pop
Acesse: https://umbadubarecords.bandcamp.com/

Foto: Tuany Areze

Dois anos após o lançamento do EP Onde Anda Chico Flores? (2014), obra que apresentou ao público o trabalho da Não Ao Futebol Moderno, pouco parece ter sobrevivido da essência triste que marca a sequência de seis canções produzidas pela banda gaúcha. Em Vida Que Segue (2016, Umbaduba), primeiro álbum de estúdio do coletivo de Porto Alegre, guitarras empoeiradas flutuam em meio a versos marcadas por relacionamentos tediosos, fracassos, personagens e conflitos típicos de jovens adultos.

Como indicado durante o lançamento de Cansado de Trampar, faixa escolhida para anunciar o novo disco, todos os elementos do trabalho parecem pensados de forma a emular um som parcialmente nostálgico. Se há dois anos o quarteto – formado por Felipe, Kílary, Pedro e Marco – apontava para clássicos do real emo – como a estreia do American Football e EndSerenading (1998), do Mineral –, hoje, a proposta é outra. Temas que resgatam o Jangle Pop/Pós-Punk dos anos 1980, porém, mantém firme o diálogo com o presente cenário, explorando a obra de Mac DeMarco, Real Estate e outros nomes fortes da cena norte-americana.

Um bom exemplo disso está em Janeiro. Sétima faixa do disco, a canção de guitarras e vozes arrastadas delicadamente parece confortar o ouvinte, transportado para o mesmo universo de obras recentes como Salad Days e Atlas – ambos lançados em 2014. “Olhar pra cama e ver você me faz enlouquecer / Viajar pra dentro de você / Para te conhecer melhor”, sussurra a letra enquanto a base “litorânea” da composição se espalha sem pressa, proposta também incorporada em Laços de Família.

Claro que a “mudança de direção” por parte da banda em nenhum momento interfere na construção de pequenos atos criativos que apontam para o registro apresentado há dois anos. Basta se concentrar na quinta faixa do disco, a dolorosa Saia. Enquanto os versos sufocam pela temática existencialista – “Eu sei que o que eu vou fazer vocês já fizeram antes de eu nascer / Eu só quero tentar” –, musicalmente a canção parece romper com a trilha psicodélica que inaugura o álbum, apontando de maneira explícita para o rock alternativo do final dos anos 1990.

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No próximo sábado (16) acontece a primeira edição do Midsummer Nights, evento comandado por Rodrigo Lariú, do selo Midsummer Madness. Além da apresentação do grupo Tom Gangue, o evento ainda conta com a discotecagem de Jp Cardoso (Shake Shake), Cleber Facchi (Miojo Indie) e Rafael Genu Faria (PELVs). Na pista, clássicos do rock alternativo dos anos 1990 – Pavement, Built To Spill –, 2000 – Cymbals Eat Guitars, Real Estate – e 2010 – Alvvays, Parquet Courts, Car Seat Headrest. Ouça a playlist de aquecimento da festa:…Continue Reading “Midsummer Nights convida: Miojo Indie / Tom Gangue”

. Guitarras barulhentas, a voz poderosa de Sarah Persephona, batidas e arranjos que vão do Surf Music dos anos 1960 ao punk pop da década de 1990. Assim é o som produzido pela banda angelic milk (em caixa baixa mesmo) para Tie Me Up. Mais recente single do grupo de origem russa (!), a canção de apenas três minutos parece feita para grudar nos ouvidos. Uma explosão de vozes e ruídos controlados que imediatamente transportam o ouvinte para os primeiros discos do No Doubt. Tie Me Up foi…Continue Reading “angelic milk: “Tie Me Up””

. Dois anos após o lançamento de Lost Youth Against The Rush (2014), obra que apresentou o trabalho do grupo gaúcho Catavento, a inédita City’s Angel anuncia a chegada de um novo registro de inéditas. Intitulado CHA (2016), o registro que conta com distribuição prevista para agosto não apenas parece seguir a trilha psicodélica deixada pela banda, como indica a busca por um novo universo de fórmulas, ruídos e experimentos musicais. Em City’s Angel, canção escolhida para anunciar o segundo registro de estúdio da banda, vozes e instrumentos…Continue Reading “Catavento: “City’s Angel” (VÍDEO)”