Tag Archives: Indie Rock

Boogarins: “Avalanche”

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A maior demonstração de propagação do ser é o eco / Com ele o meu grito tem forças pra derrubar todos os prédios“. Praticamente um mantra, um grito espirituoso ou um trecho extraído de algum livro de autoajuda, o verso que abre a inédita Avalanche – primeira canção do aguardado álbum Manual (2015), segundo disco da Boogarins -, indica um completo amadurecimento da banda goiana em relação ao antecessor As Plantas Que Cura (2013). Vozes, arranjos e pequenas doses de distorção harmonicas. Um som melódico, polido, livre do conceito “artesanal” que orienta músicas como Doce e Lucifernandes.

Escolhida para apresentar o novo álbum, Avalanche, uma das 11 faixas inéditas que abastecem o trabalho, revela de forma sutil que a essência da banda ainda permanece a mesma, porém, levemente remodelada. Nomes como Os Mutantes, Caetano Veloso, Clube da Esquina, The Beatles, Tame Impala e Unknown Mortal Orchestra ecoam por todas as partes. Referências fragmentadas, mais do que um alicerce, o estimulo para nascimento de um som autoral, marcado pelo frescor e naturalmente dominado pelas guitarras e pequenos embates melódicos de Fernando Almeida e Benke Ferraz.

Manual (2015) será lançado no dia 30/10 pelo selo Other Music.

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Boogarins – Avalanche

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Disco: “Paraleloplasmos”, Lê Almeida

Lê Almeida
Indie Rock/Lo-Fi/Alternative
https://lealmeida.bandcamp.com/

Versos descompromissados, melodias que dialogam com a década de 1990 e ruídos, doses colossais de ruídos. Cinco anos após o último grande trabalho em estúdio, Mono Maçã (2010), o carioca Lê Almeida mantém firme o domínio das guitarras e vozes, transformando o segundo registro em carreira solo, Paraleloplasmos (2015, Transfusão Noise Records), em uma obra marcada por ensaios psicodélicos e distorções que explodem a cada nova faixa.

Na trilha do antecessor Pré Ambulatório EP, de 2012, Almeida garante a construção de uma obra que mesmo densa e repleta de canções extensas, mantém firme o caráter dinâmico até o último acorde. Um acervo curto, doze composições inéditas, metade do número de músicas que abastecem o álbum de 2010, porém, um trabalho com o dobro do tempo de duração. Longe da efemeridade testada desde a estreia com REVI EP (2009), o guitarrista encontra em canções como Fuck The New School e Câncer dos Trópicos um espaço aberto para o experimento.

Na primeira faixa, um ato extenso, mais de 11 minutos de duração, tempo suficiente para que as guitarras de Almeida passeiem pela obra de Dinosaur Jr., Sonic Youth e até nomes recentes, caso de St. Vincent, sem necessariamente perder a própria identidade. Ruídos, curvas bruscas e versos entristecidos – “Eu juro eu tentei / Não machucar” – que mantém firme o caráter jovial do trabalho. Já em Câncer dos Trópicos, uma faixa afundada em delírios instrumentais. Distorções e encaixes lisérgicos que sustentam a porção mais criativa, talvez inédita, do guitarrista.

No restante da obra, um jogo de faixas cruas, estimuladas pelas guitarras de Almeida. Logo na abertura do disco, um eficiente resumo de todo o registro na curta duração de Desampar. Pouco mais de um minuto em que arranjos raivosos e a voz característica do músico carioca apontam a direção para o restante da obra. Versos e melodias rápidas, pro vezes nonsenses, como se Almeida, talvez inspirado pelas imagens de capa do próprios trabalho, colasse fragmentos extraídos de diferentes poemas em um mesmo bloco de ruídos. Continue reading

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Tame Impala: “Let It Happen” (VÍDEO)

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Olhe para a capa de Currents. Uma sequência de linhas retas, paralelas perfeitamente alinhadas. De repente: um susto. A interferência de um estranho objeto esférico, algo que “não deveria estar ali”. Agitação, desordem, caos. Antes organizadas, perfeitamente posicionadas, as retas de cores sóbrias agora se desmancham em uma corredeira instável, psicodélica. Um tracejado irregular, cheio de curvas, novas cores e caminhos talvez indefinidos. Lembrou de alguma coisa?

Muito além do caráter técnico, um simples “ilustração”, a imagem assinada pelo artista gráfico e músico norte-americano Robert Beatty resume com naturalidade a curta trajetória do Tame Impala. Enquanto a psicodelia suja e forte relação entre Innerspeaker (2010) e Lonerism (2012) representa a linearidade assumida pela banda nos últimos anos, os quase oito minutos de experimentos eletrônicos, colagens e adaptações de Let It Happen, faixa de abertura do presente álbum, revela a passagem para um caminho sinuoso, propositadamente instável, turbulento, que o grupo australiano assume no presente registro. Leia o texto completo.

Com direção assinada por David Wilson e parte da faixa “editada”, Let It Happen é o mais novo clipe da banda. Assista:

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Tame Impala – Let It Happen

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Deerhunter: “Snakeskin”

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As guitarras sujas e o som caótico testado em Monomania (2013) ficaram para trás. Essa parece ser a principal mensagem de Bradford Cox e dos parceiros do Deerhunter em Snakeskin. Primeira composição inédita do grupo de Atlanta em dois anos, a faixa repleta de guitarras leves, boa dose de suíngue e clima típico da década de 1970 não apenas serve de passagem para o sétimo álbum de estúdio da banda, Fading Frontier (2015), como ainda indica uma completa transformação dentro da extensa carreira do grupo.

Reflexo do completo fanatismo de Cox pelo trabalho dos Rolling Stones na década de 1970, a canção parece nascer do encontro entre os versos “sujos” de Exile On Main Street (1972) e o clima descompromissado do álbum Some Girls (1978). Ao fundo, principalmente nos instante finais da faixa, pequenas doses de distorção e ruídos, sonoridade que dialoga com o som testado pela banda desde o versátil Microcastle (2008).

Produzido por Ben H. Allen III (Animal Collective, Washed Out), Fading Frontier (2015) será lançado no dia 16/10 pelo selo 4AD.

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Deerhunter – Snakeskin

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Disco: “St. Catherine”, Ducktails

Ducktails
Indie/Lo-Fi/Psychedelic
https://www.facebook.com/Ducktails/

É difícil estabelecer com exatidão onde começa o trabalho de Matt Mondanile no Real Estate e tem início a relação com o Ducktails. Vozes letárgicas, captações Lo-Fi e toques precisos de música psicodélica, elementos partilhados com naturalidade entre o coletivo de New Jersey e o projeto solo do guitarrista norte-americano. Uma suposta divisão cada vez mais imperceptível, talvez desconstruída com a chegada de St. Catherine (2015, Domino).

Quinto registro autoral de Mondanile, o trabalho de 11 composições inéditas revela a busca do músico por um som cada vez menos experimental, distante do conceito sujo testado nos iniciais Ducktails e Landscapes, ambos de 2009. Arranjos, versos e até mesmo sentimentos que dialogam com o mesmo universo de harmonias doces inauguradas pelo Real Estate no álbum Days, de 2011. Um tema reforçado com a entrega Atlas, em 2014 e delicadamente reciclado dentro do universo torto que ocupa a mente do cantor no novo disco.

De natureza intimista, sereno, St. Catherine oculta nas guitarras a ponte para o álbum mais sofredor de toda a carreira de Mondanile. Ainda que o registro cresça livre de exageros, confortando o ouvinte em um cenário de fim de tarde, faixa após faixa, a melancolia corrói a essência do disco. Basta a instrumental canção de abertura, The Disney Afternoon, para perceber como a atmosfera ensolarada dos últimos trabalhos parece momentaneamente esquecida.

Dos versos que inauguram a obra, em Headbanging In The Mirror, passando por Into The Sky, Church e Reprise, tudo gira em torno da infância, adolescência e maturidade do artista. Canções que refletem a alma de um indivíduo adormentado, sempre solitário. Versos levemente embriagados, como se a sonoridade lisérgica que cresce ao fundo de cada canção lentamente fosse capaz de interferir na lírica sóbria do disco anterior, The Flower Lane (2013). Continue reading

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Wavves: “Heavy Metal Detox”

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É difícil de acreditar que o mesmo Nathan Williams de Heavy Metal Detox seja também o responsável por produzir os experimentais (e sujos) registros de estreia do Wavves. Cada vez mais distante do Noise “Pop” explorado na sequência Wavves (2008) e Wavvves (2009), o cantor e compositor norte-americano resume no novo single da banda de San Diego uma sonoridade ainda mais versátil, enérgica e pop do que aquela seguida desde a mudança em King of the Beach (2010).

Assim como os dois últimos singles apresentados pela banda, Way Too Much e Flamezesz, a voz de Williams continua buscando conforto em um amontoado de melodias descomplicadas, acessíveis aos mais variados públicos. Nas guitarras, uma relação cada vez mais estreita com a obra de veteranos como The Replacements, R.E.M. e toda a variedade de bandas que invadiram a cena estadunidense no começo dos anos 1980, referência que parece orientar toda a produção do aguardado V (2015).

V (2015) será lançado no dia 02/10.

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Wavves – Heavy Metal Detox

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Disco: “III”, Maglore

Maglore
Indie/Alternative/Rock
http://www.maglore.com.br/

Com o lançamento de Vamos Pra Rua, em 2013, a baiana Maglore deu um salto criativo. Catálogo frenético de vozes e melodias direcionadas com acerto aos mais variados públicos, o registro serviu para aproximar ainda mais o grupo original da cidade de Salvador de todo um novo universo de arranjos e tendências musicais. A busca declarada por uma sonoridade mais pop, radiofônica, conceito que ao esbarrar em diferentes ritmos (e cores) da década de 1970 serve de estímulo para o recém-lançado III (2015, Deck Disc).

Terceiro álbum de inéditas da banda – hoje composta por Teago Oliveira (voz e guitarra), Rodrigo Damati (baixo e voz) e Felipe Dieder (bateria) -, o trabalho produzido por Rafael Ramos é uma verdadeira colcha de retalhos. De um lado, a essência de veteranos como Caetano Veloso, Roberto Carlos, The Beatles e Los Hermanos. No outro, o expressivo reforço de grandes representantes do rock atual, caso de estrangeiros como Tame Impala e Arctic Monkeys, artistas dissolvidos em pequenas doses de psicodelia que borbulham ao fundo do disco.

Para quem acompanha o trabalho da banda desde a estreia, em 2011, com o álbum Veroz, nenhuma novidade de fato “espantosa”. A diferença em relação aos últimos lançamentos do grupo está na completa desenvoltura e dinamismo que rege o álbum até a última canção, a descritiva e cômica Vampiro da Rua XV. Faça o teste: do momento em que tem início a faixa de abertura do álbum, O Sol Chegou, apertar o botão de “pause” é uma tarefa praticamente impossível. Não existe tempo para descanso, fazendo com que hits e versos fáceis apareçam a cada nova curva.

Entre os principais elementos que forçam essa transformação está a escolha de Rafael Ramos quanto produtor do disco, além, claro da pontual troca de integrantes desde o último projeto de estúdio. Enquanto Ramos, personagem que já trabalhou com diversos nomes da cena brasileira, como Pitty, Titãs e Los Hermanos, aproxima o registro de diferentes cenas do rock nacional, a cada nova faixa, evidente é o fôlego renovado e ânsia exaltada por cada membro do grupo. Um contrastado choque de referências que garante movimento e leveza ao trabalho.

É esse mesmo efeito contrastado que amarra os versos e arranjos espalhados por toda a obra. Enquanto letras melancólicas e declarações entristecidas sustentam a lírica confessional do trabalho, em se tratando das melodias alavancadas pelas guitarras, a explícita busca por um som radiante, alegre e sempre entusiasmado. Mesmo nos instantes de maior tristeza do disco, caso de Se Você Fosse Minha, Tudo de Novo e Ai Ai, enquanto os versos sufocam amargurados, os arranjos crescem, explodem e praticamente obrigam o ouvinte a dançar.

Confortavelmente instalado no mesmo cercado criativo de obras lançadas por bandas como Luneta Mágica, Dingo Bells e Pousatigres, III é apenas mais uma prova de que é possível produzir (boa) música pop no Brasil sem necessariamente sufocar pelo excesso de rimas previsíveis e arranjos cobertos de poeira. Uma obra perfumada pelo passado, porém atual, capaz de dialogar com a presente safra de novos representantes (e públicos) da cena brasileira.

III (2015, Deck Disc)

Nota: 8.3
Para quem gosta de: Dingo Bells, Pélico e Luneta Mágia
Ouça: Invejosa, Ai Ai e Se Você Fosse Minha

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Disco: “The Most Lamentable Tragedy”, Titus Andronicus

Titus Andronicus
Indie Rock/Punk Rock/Alternative
http://titusandronicus.net/

The Most Lamentable Tragedy (2015) é uma obra que espanta. São 29 composições, mais de uma hora de duração recheada por gritos agressivos, guitarras sujas e o mais completo desespero que define a primeira Ópera Rock do Titus Andronicus. O retrato (musicado) de um personagem atual, um “herói sem nome”, como aponta o vocalista Patrick Stickles, enquanto transforma o registro em um verdadeiro catálogo de versos sufocados, temas existencialistas e conceitos íntimos do universo de um maníaco depressivo.

Novidade dentro da carreira do grupo de Glen Rock, New Jersey? Possivelmente não. Quem acompanha o trabalho da banda desde a estreia com The Airing of Grievances (2008), sabe do interesse de Stickles em converter temas ou acontecimentos históricos em música. Basta voltar os ouvidos para o clássico The Monitor, de 2010, para perceber como diferentes acontecimentos da Guerra Civil dos Estados Unidos servem de estímulo para o ambiente caótico/metafórico da cada composição. Com a chegada do presente disco, apenas uma expansão da mesma proposta.

A principal diferença em relação aos últimos discos da banda está no caráter intimista dos versos. Ainda que o vocalista se mantenha “distante” do trabalho, representado apenas pelo eu lírico do protagonista Herói, difícil não perceber em faixas como Funny Feelings e I Lost My Mind uma inevitável abertura e imediata aproximação em relação ao trabalho. Comercialmente, este talvez seja o registro mais coeso e acessível de toda a discografia da banda, efeito não apenas dos versos descomplicados, mas da explícita transformação instrumental que orienta cada uma das faixas.

Mesmo que a essência musical do Titus Andronicus seja preservada – vide as guitarras de No Future Part IV : No Future Triumphant -, durante toda a obra, Stickles e os parceiros de banda se concentram na busca por novas possibilidades e arranjos. Longe do rock sujo, quase Shoegaze, testado desde a estreia com The Airing of Grievances, são melodias nostálgicas e bases encorpadas por pianos que alimentam grande parte das canções. Oposto ao material apresentado há três anos com Local Business (2012) – um álbum gravado ao vivo em estúdio -, detalhes e pequenos acréscimos instrumentais ampliam ainda mais o amplo conceito da obra.

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Foals: “Mountain At My Gates” (VÍDEO)

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Aos poucos o novo álbum de inéditas do Foals começa a tomar forma. Depois das rajadas de guitarras que apresentaram What When Down (2015) ao público, em Mountain At My Gates, a banda de Oxford “desacelera”, entretanto, ainda mantém firme a mesma composição melódica testada nos antecessores Holy Fire (2013) e Total Life Forever (2010). Pouco mais de quatro minutos de guitarras ascendentes e vocal invasivo do vocalista e líder Yannis Philippakis.

Com uma guitarra suingada que muito lembra o Red Hot Chili Peppers do álbum Blood Sugar Sex Magik (1991), a canção vai do pós-punk ao math rock em segundos, resgatando momentaneamente elementos incorporados no debut Antidotes, de 2008 – caso da guitarra cíclica que cresce ao fundo da música. Assim como o single anterior, nítida é a variação de ritmos no interior de Mountain At My Gates, como uma pequena colcha de retalhos costurada de forma precisa, pop nos instante sem que o refrão explode com total naturalidade.

No clipe dirigido por Nabil Elderkin, parceiro da banda desde Holy Fire, o uso de uma câmera GoPro Spherical acaba ditando o rumos das imagens. What Went Down (2015) estreia no dia 28/08 pelo selo Warner Bros.

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Foals – Mountain At My Gates

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Ought: “Men For Miles”

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Quem chegou a ouvir Beautiful Blue Sky, último single do Ought, já deve ter percebido a urgência (e certa dose de raiva) que abastece a recente fase do grupo canadense. Além da habitual colagem de referências extraídas do final da década de 1970 – como Joy Division, Gang Of Four e Talking Heads -, vozes e arranjos típicos do quarteto de Montreal indicam a composição de um som ainda mais enérgico, por vezes cru, assumido pelo grupo.

Em Men For Miles, segundo single do álbum Sun Coming Down (2015), uma expansão desse resultado. Um pouco mais curta que a média de composições da banda, a faixa de quase seis minutos continua a investir no Punk e Post-Punk de 1977, colidindo de forma involuntária uma série de arranjos e vozes tão próximos de grupos como Cap’n Jazz, como do garage rock que apresentou os nova-iorquinos do Strokes no começo dos anos 2000. Os mesmos ingredientes do álbum More Than Any Other Day (2014), porém, em uma estrutura ainda mais explosiva.

Sun Coming Down (2015) será lançado no dia 18/09 pelo selo Constellation Records.

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Ought – Men For Miles

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