Tag Archives: Indie Rock

The Men: “Different Days”

The Men

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É quase assustador pensar que uma banda como a nova-iorquina The Men mudou tanto de direção ao longo dos anos. Do início de carreira totalmente hermético e ruidoso, ao apego cada vez maior com o rock clássico, cada trabalho lançado pelo (hoje) quinteto do Brooklyn parece reforçar uma característica específica do rock – seja ele Punk, Noise, Garage ou Psicodélico.

Dando sequência à série de composições que esculpem o quinto trabalho em estúdio do grupo, Tomorrow’s Hit, Different Days, mais novo single da banda, reforça a capacidade de cada integrante em brincar com o pop, sem necessariamente perder a própria sobriedade. Com ares de música perdida dos anos 1970, a canção abre em meio a uma linha de baixo volumosa, guitarras complementares e uma batida que apenas amplia o toque frenético da música. Possivelmente o registro mais “pop” já lançado pelo selo Sacred Bones, o álbum segue como um dos mais interessantes (e intensos) do ano.

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The Men – Different Days

 

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Sweet Apple: “Wish You Could Stay (A Little Longer)” (Feat. Mark Lanegan)

J Mascis

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Quatro anos depois de apresentar o fraco Love & Desperation (2010), álbum de estreia do Sweet Apple, J Mascis continua a investir no projeto paralelo. Longe dos parceiros do Dinosaur Jr e apostando em uma série de colaborações – incluem Mark Lenegan e Robert Pollard -, o músico norte-americano abre as portas do mais novo trabalho em estúdio do grupo: The Golden Age of Glitter (2014).

Seguindo a linha dos últimos inventos de Mascis com o Dinosaur Jr., o músico abre passagem para o novo projeto com a chegada de Wish You Could Stay (A Little Longer). Parceria com Mark Lenegan, a canção se apoia em uma série de conceitos dos clipes lançados na década de 1990, algo que as imagens trêmulas e o áudio sujo refletem na construção final do material.

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Sweet Apple – Wish You Could Stay (A Little Longer) (Feat. Mark Lanegan)

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Disco: “Say Yes To Love”, Perfect Pussy

Perfect Pussy
Punk/Noise/Indie Rock
http://prrfectpussy.bandcamp.com/

Por: Cleber Facchi

Perfect Pussy

Pouco mais de 23 minutos de duração, este é o tempo necessário para que o grupo norte-americano Perfect Pussy possa dar vazão aos sons caóticos que imperam em Say Yes To Love (2014, Captured Tracks). Abraçando o Punk “Alternativo” do Hüsker Dü, na década de 1980, mas sem fugir das melodias que guiaram o Sleater-Kinney e outros grupos próximos até o começo dos anos 2000, o quinteto de Syracuse, Nova York tranca o ouvinte em uma sequência de riffs crus e vozes essencialmente berradas. Um ambiente de desordem, mas que serve como ferramenta básica para o universo em plena desconstrução do grupo.

Com a desesperada Meredith Graves à frente dos vocais, Ray McAndrew (guitarra), Garrett Koloski (bateria), Greg Ambler (baixo) e Shaun Sutkus (sintetizadores) promovem um registro em que tudo parece fugir ao controle do espectador (e deles próprios). Vozes que batem desgovernadas nos acordes sujos, sintetizadores que edificam verdadeiros monumentos do noise pop e toda uma sequência de músicas que apostam na urgência sem qualquer chance de equilíbrio. A ordem aqui é perturbar, e qualquer tentativa de conforto é soterrada por avalanches anárquicas de distorção.

Caseiro, Say Yes To Love logo assume na inaugural Driver um senso de direção para o trabalho – pelo menos até a primeira metade do projeto. São acordes emergenciais, distorções guiadas pela voz intensa de Graves e uma colagem de gêneros que aos poucos firmam um curioso senso estético para a banda. Espécie de resposta ao que o Punk europeu trouxe com Iceage, Eagulls e, em menor escala, com as garotas do Savages, o disco implica na crueza íntima do hardcore e no distanciamento do Pós-Punk um ponto de originalidade. Diálogos com a cena californiana dos anos 1980, um explícito teor Lo-Fi (típico do Indie Rock de 1990) e todo um catálogo de pequenas esquizofrenias. Décadas de ruídos traduzidas em minutos.

Mesmo a imposição demasiado suja do trabalho, em nenhum momento serve como um possível bloqueio para o ouvinte médio. Pelo contrário, bastam os acordes nostálgicos de Big Stars ou a leveza emergencial de Dig para perceber como o quinteto aos poucos hipnotiza o ouvinte passageiro. Dentro do cenário claustrofóbico que cresce com a primeira faixa, acordes melódicos e vozes íntimas do espectador promovem um inevitável senso de aceitação. Uma furtividade que pula a calmaria de qualquer obra tradicional da (presente) cena alternativa e logo surpreende o público por meio da inquietação. Continue reading

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Herzog: “Mad Men”

Herzog

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Com discos intensos de bandas como Cloud Nothings, St. Vincent e Perfect Pussy, o ano de 2014 chega carregado por grandes lançamentos com foco no Rock. Mais novo artista a fazer parte deste cardápio é a banda norte-americana Herzog. Original de Cleveland, Ohio, a banda é a mais nova interessada a revisitar o rock da década de 1990, sonoridade nostálgica, mas que em nenhum momento distancia o grupo de uma imposição original e musicalmente próxima do público médio.

Em Mad Men, faixa que abre passagem para o debut Boys, guitarras que mais parecem sintetizadores dão conta de abastecer o propósito do grupo. São pouco mais de três minutos de duração que replicam todo o descompromisso de grupos como California X, Milk Music e até certa “dose” de Japandroids. Garage Rock, Punk, Rock Alternativo e um flerte com o Pop, tudo isso em um piscar de olhos.

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Herzog – Mad Men

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St. Vincent: “Digital Witness” (Darkside Remix)

St. Vincent

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As guitarras, vozes e pequenas distorções “limpas” promovidas por Annie Erin Clark encontram novo sentido nas mãos de Nicolas Jaar e o parceiro de criação Dave Harrington. Convidados a produzir o remix de Digital Witness, um dos hits que abastecem o quarto e mais novo álbum de St. Vincent, o duo norte-americano não apenas deu novo sentido à ensolarada criação, como transportou a obra de Clark para o mesmo universo de Psychic (2013), último álbum da dupla pelo Darkside.

Excêntrica, suja e maquiada pelos ruídos, a canção mantém o mesmo direcionamento da faixa original, porém, interpretada de acordo com as exigências dos produtores. Com um minuto a mais do que a versão original, o remix reforça todas as características do duo à frente do Darkside, como as vozes remodeladas, guitarras tratadas em um esforço sombrio e toda uma base de pequenas colisões sintéticas, palco para os quatro minutos e 20 segundos da “nova” composição.

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St. Vincent – Digital Witness (Darkside Remix)

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Mikal Cronin: “Soul In Motion”

Mikal Cronin

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Com o lançamento de MCII, no último ano, Mikal Cronin apresentou um registro que se difere da onda de obras psicodélicas da cena californiana. Emoldurado pelo uso de boas melodias, guitarras apoiadas na década de 1990 e uma visível herança do Power Pop clássico, o cantor transformou a obra em um catálogo de hits adoráveis. Em um sentido de continuidade ao último disco – 17º lugar na lista dos Melhores Discos de 2013 -, Cronin lança a inédita Soul In Motion.

Levemente afastada dos efeitos lançados no álbum passado, a canção abre passagem para o novo single do compositor, LAMC. Previsto para estrear oficialmente no dia 1º de abril, o vinil 7” já pode ser apreciado na íntegra no player abaixo. Com bateria eletrônica e uma composição Lo-Fi maior, típica do primeiro disco de Cronin, a canção repete as velhas experiências e ainda opta por um novo conjunto de novidades, base para o que pode vir a guiar um futuro lançamento do músico.

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Mikal Cronin – Soul In Motion

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Disco: “Here and Nowhere Else”, Cloud Nothings

Cloud Nothings
Indie Rock/Alternative Rock/Post-Hardcore
http://cloudnothings.com/

Por: Cleber Facchi

Cloud Nothings

Os ouvidos de Dylan Baldi e todas suas experiências parecem apontar para o passado, para os anos 1990. Depois de brincar com o Pop Punk no autointitulado registro de estreia, em 2011, e passear pelo Grunge no sombrio Attack on Memory, de 2012, o músico norte-americano traz de volta as velhas imposições estéticas para reforçar uma obra tão dele quanto de outros veteranos do rock alternativo. Em Here and Nowhere Else (2014, Carpark), mais do que ressuscitar experiências há tempos adormecidas, o uso calculados das guitarras faz crescer um território dominado em essência pelo jovem músico. É hora de visitar o passado (mais uma vez), sem necessariamente fugir do presente.

Emergencial e muito mais agressivo que o trabalho que o antecede, o presente registro encontra na crueza exposta por Dylan um natural princípio de condução. São pouco mais de 30 minutos de duração, efemeridade que se embaralha em meio ao uso de vocais ásperos do cantor e a guitarra esquizofrênica controlada por ele – ferramenta que se divide entre riffs tortos e bases poluídas de distorção. Sob a formação de um Power Trio – acompanham TJ Duke (baixo) e Jayson Gerycz (bateria) -, Dylan se esquiva de qualquer detalhismo abrangente, tratando do álbum como uma imensa massa de sons.

Em um sentido de afastamento ao esforço anunciado em músicas como No Future/No Past (pianos) e Stay Useless (guitarras detalhistas), o trio projeta um registro alimentado pelo esforço “minimalista” dos arranjos. Delineado por uma crueza imediata, o trabalho esbarra em diversos aspectos na mesma agitação proposta pelo Japandroids em Celebration Rock (2012): uma obra que indispõe de grandes significados ou maquinações subjetivas, precisa apenas existir. Dos acordes ascendentes em Now Here In ao brilho melódico que acompanha I’m Not Part Of Me, Here and Nowhere Else é um trabalho que sobrevive das próprias limitações – e parece lidar muito bem com isso.

Fazendo valer a estratégia referencial exposta desde o primeiro disco, com o atual projeto, Dylan encontra nas experiências do (pré e pós) Hardcore um objeto de sustento. Mais do que observar com atenção a obra de gigantes como Fugazi, o músico parece explorar pequenos desdobramentos do subgênero, o que acaba por conceder liberdade ao disco. Seja na imposição densa que orquestra músicas como Quieter Today ou mesmo a grandeza de Pattern Walks, vários aspectos do registro também passeiam por recortes musicais do cenário pós-Grunge. Um efeito que vai da herança escancarada do Foo Fighters (com Psychic Trauma) ao desespero do Sunny Day Real Estate (em Now Here In) ao em poucos segundos. Continue reading

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The Pains Of Being Pure At Heart: “Simple And Sure”

the

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Três anos se passaram desde que Belong (2011), último registro em estúdio do The Pains Of Being Pure At Heart foi oficialmente apresentado ao público. Natural evolução ao registro de estreia da banda nova-iorquina, apresentado em 2009, o trabalho conseguiu provar o que parecia seguro desde que os primeiros singles da banda foram apresentados, ainda na década passada: o manuseio atento de melodias de vozes em contraste ao uso de guitarras sempre distorcidas.

Com o anúncio de que Days Of Abandon (2014), terceiro registro em estúdio da banda, chega no dia 13 de maio, é hora do grupo preparar o terreno e abrir passagem para o novo disco, posto que o single Simple And Sure assume com natural segurança. Típico exemplar das preferências lançadas pelo grupo, a canção dança em uma medida confortável entre o Shoegaze e as vocalizações da década de 1960, proposta que entrega o pop em uma medida particular, dentro da linguagem da banda.

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The Pains Of Being Pure At Heart – Simple And Sure

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The Hold Steady: “Spinners”

The Hold Steady

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Dez anos se passaram desde que Almost Killed Me (2004), álbum de estreia do The Hold Steady foi apresentado ao público. Quem talvez pudesse pensar que o tempo viria a amenizar o trabalho da banda, só precisa da recém-lançada Spinners para perceber o quão intensa permanece a sonoridade do grupo. Batidas ascendentes, a voz pontual de Craig Finn e a capacidade em discutir temas simples do cotidiano em uma estrutura melódica que convence sem dificuldades.

A nova faixa chega para somar com a ainda fresquinha I Hope This Whole Thing Didn’t Frighten You, música apresentada há poucas semanas e faixa que inaugura o inédito Teeth Dreams (2014). Sexto registro em estúdio da banda nova-iorquina, o novo álbum parece resgatar o espírito cru dos primeiros discos, exercício sustentado na forma como as guitarras se mantém em alta durante toda a construção das faixas. O novo disco foi lançado oficialmente ontem, dia 25 de Março.

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The Hold Steady – Spinners

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Disco: “Eagulls”, Eagulls

Eagulls
Post-Punk/Garage Rock/Alternative
http://www.eagulls.co.uk/

Por: Cleber Facchi

Eaguls

A sujeira impera na obra do Eagulls. Seguindo a tradição de percorrer a herança sonora britânica do Punk/Pós-Punk dos anos 1970, o quinteto de Leeds, Inglaterra alcança o primeiro trabalho de estúdio em um sentido de construção da própria estética. Ainda que cada faixa do recém-lançado álbum pareça escorada nas emanações mais sombrias e agressivas de grupos como The Fall e The Clash (do primeiro disco), a manipulação inteligente dos ruídos ecoa uma obra que mesmo nostálgica, não exclui a própria autenticidade do grupo.

Em um cenário habitado por artistas como Iceage, Holograms e tantos nomes de relevância do novo panorama europeu, o grupo – Mark Goldsworthy, Henry Ruddel, Liam Matthews, Tom Kelly e George Mitchell – atravessa o disco em um exercício de testar as próprias possibilidades. São guitarras ascendentes que se enfileiram em uma sequência enérgica de ruídos e gritos, massa densa que percorre o álbum desde a inaugural Nerve Endings, até a firmeza sombria de Soulless Youth, canção que fecha de forma segura as imposições autorais do álbum.

Lembrando (em diversos aspectos) uma versão menos comercial do trabalho lançado pelo The Vaccines em What Did You Expect from The Vaccines?, de 2011, o debut de 10 faixas é um álbum que substitui a urgência pop dos arranjos e vozes por um resultado denso. Sem que exista as necessidade em parecer acessível ao ouvinte médio, cada composição do álbum se orienta dentro de uma atmosfera de pleno ruído, como se barrar o espectador fosse uma constante ao longo da obra. Dessa forma, distante e hermético, o disco se revela como um explícito “desafio” no interior de cada faixa.

Pensado como um agregado único de experiências líricas e instrumentais, o álbum faz de cada composição um complemento imediato para a música seguinte. Da forma como os ruídos se comunicam ao exercício provocativo dos vocais, elementos do Garage Rock se confundem com as massas intransponíveis do Shoegaze. Um alinhamento que escapa as limitações do Punk convencional, para autorizar a chegada em diferentes terrenos, gêneros e, naturalmente, possibilidades ao grupo britânico. Continue reading

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