Tag Archives: Indie Rock

INKY: “Parallax”

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O peso das guitarras é claro dentro de Parallax. Mais recente composição do quarteto paulistano INKY – projeto formado por Luiza Pereira, Guilherme Silva, Stephan Feitsma e Luccas Villela –, a faixa que conta com pouco mais de quatro minutos pode até estimular o ouvinte a dançar, mergulhando no mesmo dance-rock-obscuro do álbum lançado há dois anos, Primal Swag (2014), entretanto, está no uso de pequenos encaixes experimentais o estímulo não apenas para a presente faixa, mas a base para o novo registro de inéditas do grupo.

Difícil não lembrar de Savages e outros grupos recentes de pós-punk quando o baixo se desmancha suavemente ao fundo da canção, estimulando o uso dos demais instrumentos ou mesmo a voz de Pereira, forte durante toda a construção da faixa. Parallax, assim como o novo álbum da INKY, conta com produção de Guilherme Kastrup, músico que trabalhou na construção do elogiado A Mulher do Fim do Mundo (2015). Em entrevista ao site da Red Bull, Pereira comenta o processo de gravação do novo disco, bem como a recém-lançada composição.

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INKY – Parallax

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Resenha: “Pedro”, Ombu

Artista: Ombu
Gênero: Alternative Rock, Post-Hardcore, Pós-Rock
Acesse: https://www.facebook.com/bandaombu

 

Calma“. O verso sereno e levemente melancólico que abre a quarta faixa de Pedro EP (2016, Balaclava Records) parece dizer muito sobre a presente fase da banda paulistana Ombu. Três anos após o lançamento do primeiro registro de estúdio, o artesanal Caminho Das Pedras EP, João Viegas (baixo e voz), Santiago Mazzoli (guitarra e voz) e Thiago Barros (bateria) assumem uma postura sóbria e parcialmente renovada com o presente trabalho de inéditas, revelando ao público uma sequência de composições marcadas pela complexidade dos detalhes.

Passo além em relação ao trabalho apresentado há pouco mais de um ano em Mulher EP (2016), registro de seis faixas e uma espécie de recomeço dentro da curta trajetória do grupo, o novo álbum confirma o profundo esmero na construção de cada música produzida pelo grupo. Ideias que passeiam pelo mesmo cenário urbano apresentado no primeiro EP do trio, porém, encorpadas por um conjunto de novas ambientações, ruídos e temas etéreos.

Ainda que Calma, composição escolhida para anunciar o trabalho pareça sintetizar toda a transformação do grupo paulistano, sobrevive na dolorosa Sem Mais, faixa de abertura do disco, um conjunto de novos experimentos e colagens instrumentais que confirmam a completa evolução do trio. Enquanto os versos resgatam de forma angustiada as memórias de um passado ainda recente, musicalmente a canção cresce de forma a revelar um verdadeiro labirinto instrumental, mergulhando em diferentes cenários, solos arrastados de guitarra, texturas e até vozes assumidas por um grupo de crianças.

Observado em proximidade aos dois últimos registros da banda, Pedro – o nome é um misto de homenagem e brincadeira com um fã do grupo – se revela como o trabalho mais seguro da Ombu, fruto da profunda interação entre cada integrante da banda em estúdio. “No estúdio, eu estava me sentindo em casa. É importante respeitar o tempo de gestação de casa música”, confessou Mazzoli em entrevista ao site da Noisey. Continue reading

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Cymbals Eat Guitars: “4th Of July, Philadelphia (SANDY)”

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A sonoridade ensolarada de LOSE (2014) definitivamente parece ter ficado para trás. Dois anos após o lançamento do terceiro álbum de estúdio, os integrantes do Cymbals Eat Guitars seguem um caminho completamente distinto, sombrio e marcado por referências que dialogam com a música dos anos 1970 e 1980. Passado o lançamento de Wish, composição que flerta com a obra de David Bowie e The Smiths, o grupo apresenta a inédita 4th Of July, Philadelphia (SANDY), mais uma vez buscando por novas possibilidades e influências.

Típica composição do CEG, a faixa de versos explosivos, respiros angustiados e guitarras marcadas pela distorção temporariamente explora um passado ainda recente, mergulhando de cabeça na primeira metade dos anos 2000. Da forma como os vocais em coro flutuam ao fundo da canção, passando pelas sobrecargas de ruídos, todos os elementos apontam para a obra de grupos como The Wrens, American Football e Modest Mouse, nomes de destaque da cena independente dos Estados Unidos no começo da década passada.

Pretty Years (2016) será lançado no dia 02/10 pelo selo Sinderlyn.

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Cymbals Eat Guitars – 4th Of July, Philadelphia (SANDY)

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Omni: “Wednesday Wedding”

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Formado por Frankie Broyles (ex-Deerhunter), Philip Frobos (ex-Carnivores) e Billy Mitchell (ex-Carnivores), Omni é um projeto de Garage Rock que entregou ao público uma série de grandes composições nos últimos meses. Faixas como Afterlife e Wire, composições essencialmente curtas, mas que carregam um mundo de referências que vão do pós-punk norte-americano a clássicos do rock alternativo dos anos 1990.

Em Wednesday Wedding, mais recente lançamento do trio estadunidense, a busca declarada por um som de natureza pop, pegajoso. Uma versão desconstruída do mesmo som produzido pelo Deerhunter em Monomania (2013), além de uma série de guitarras que se aproximam com naturalidade da fase mais “ensolarada” do Wavves. Assim como as duas últimas faixas do grupo, a nova canção é parte do primeiro álbum da banda, Deluxe (2016).

Deluxe (2016) será lançado no dia 08/07 pelo selo Trouble In Mind.

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Omni – Wednesday Wedding

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Resenha: “Puberty 2”, Mitski

Artista: Mitski
Gênero: Indie Rock, Alternative, Rock
Acesse: http://mitski.com/

Em um intervalo de apenas três anos, Mitski Miyawaki deu vida a três registros completamente distintos. O inaugural Lush, em 2012, Retired from Sad. New Career in Business, de 2013 e Bury Me At Makeout Creek, entregue ao público em 2014. Uma coleção de faixas repletas de temas confessionais, discussões sobre a vida sentimental da cantora e tormentos existencialistas que se revelam de forma ainda mais complexa com a chegada de Puberty 2 (2016, Dead Oceans), quarto e mais recente álbum de inéditas da cantora.

Trabalho mais complexo de toda a discografia de Mitski, o registro de 11 faixas e pouco mais de 30 minutos de duração nasce como uma extensão madura do som desenvolvido em Bury Me at Makeout Creek. Guitarras que flertam com a produção ruidosa de diferentes álbuns produzidos no começo da década de 1990 – como Dry (1992) e Rid of Me (1993) da britânica PJ Harvey –, mas que a todo momento incorporam pequenos experimentos e colagens eletrônicas que afastam a artista de uma possível zona de conforto.

Um bom exemplo disso está na inaugural Happy. Enquanto os versos exploram o peso da felicidade na vida de qualquer indivíduo – “A alegria veio me visitar, ela comprou biscoitos no caminho / Eu lhe servi chá e ela me disse que tudo vai ficar bem”–, musicalmente, Mitski dá um salto. Da bateria eletrônica que abre e finaliza a canção, passando pelo jogo de guitarras dançantes, até alcançar o saxofone que orienta os instantes finais da música, uma chuva de pequenos detalhes delicadamente cobre toda a extensão da faixa, grandiosa a cada novo ruído ou encaixe eletrônico.

Movida pela mesma herança musical de artistas como Waxahatchee, Sharon Van Etten e Torres, a cantora acerta ao fazer de cada composição um ato isolado. Enquanto músicas como My Body’s Made of Crushed Little Stars e A Loving Feeling exploram o mesmo conceito “caseiro” dos dois primeiros álbuns da cantora, faixas como Crack Baby e Happy indicam um maior refinamento, flertando com novos estilos, como se mesmo segura da própria sonoridade, Mitski buscasse por novas sonoridades. Continue reading

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Resenha: “Why Are You OK”, Band of Horses

Artista: Band of Horses
Gênero: Indie, Alternative, Folk
Acesse: http://www.bandofhorses.com/

 

Desde o lançamento de Infinite Arms, em maio de 2010, que Ben Bridwell e os demais integrantes do Band of Horses vêm buscando por um som cada vez mais comercial, íntimo do grande público. O resultado dessa “popularização” da banda de Seattle está no mediano Mirage Rock, de 2012, trabalho em que encerra a parceria com o veterano Phil Ek – colaborador desde o melancólico Everything All the Time (2006) – e reforça de maneira explícita a busca da banda pela construção de faixas cada vez menos complexas, dominadas pelo uso de melodias e versos fáceis.

Em Why Are You OK (2016, Interscope), quinto registro de inéditas do grupo norte-americano, o nascimento de uma obra marcada pelo equilíbrio. Com produção assumida por Jason Lytle, vocalista e líder do Grandaddy, além de um das principais influências criativas de Bridwell, o álbum de 11 faixas mostra a capacidade da banda em produzir um som que tanto se aproxima do público médio – vide a enérgica Casual Party –, como resgata temas e elementos que serviam de base para apresentar o trabalho do grupo há uma década.

Nona faixa do disco, a acústica Whatever, Whatever parece pensada para estimular esse parcial “regresso” do coletivo. Enquanto os versos conformam a sensibilidade e completo romantismo de Bridwell – “E eu te amo muito / Seja como você quiser / Onde quer que você esteja”–, musicalmente a canção se enche de detalhes, incorporando de maneira sutil o mesmo country “alternativo” explorado pela banda até o segundo álbum de estúdio, Cease to Begin (2007). A própria faixa de abertura do disco, Dull Times/The Moon, com mais de sete minutos, indica a busca do grupo por um som menos óbvio, denso.

Como um efeito direto desse material menos eufórico, além, claro, da constante interferência de Lytle, Why Are You OK se aproxima com naturalidade de diferentes obras produzidas pelo Grandaddy e outros coletivos norte-americanos no começo dos anos 2000. Canções como a aconchegante Lying Under Oak ou mesmo a crescente Solemn Oath; faixas que poderiam facilmente ocupar um espaço em obras como The Sophtware Slump (2000) e, em menor escala, It’s a Wonderful Life (2001), de Sparklehorse. Continue reading

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Preoccupations: “Anxiety” (VÍDEO)

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Pouco mais de um ano após o lançamento do primeiro álbum de estúdio, o “polêmico” Viet Cong – um dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2015 –, Matt Flegel (vocal/guitarra), Mike Wallace (baterista), Soctt Munro (guitarra) e Daniel Christiansen (baixo) estão de volta com um “novo” projeto. Trata-se do Preoccupations, um título alternativo para a banda do quarteto de pós-punk canadense depois da série de críticas e shows cancelados por conta de pressões do público estadunidense.

Em nova fase, o quarteto não apenas anuncia a chegada do segundo álbum de estúdio, um registro com nove faixas inéditas, como entrega ao público o primeiro exemplar desse novo projeto: Anxiety. Livre da urgência que move grande parte das canções lançadas no último ano, a canção dominada pelos ruídos e pela voz grave de Flagel parece transportar o ouvinte para um território sombrio, marcado pelo ineditismo. Um cenário dominado pela interferência de sons metálicos e melodias que dialogam com toda a soturna produção do começo dos anos 1980.

Preoccupations (2016), será lançado no dia 16/09 pelo selo Jagjaguwar.

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Preoccupations – Anixety

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Não Ao Futebol Moderno: “Saia”

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Com o lançamento de Janeiro e Cansado de Trampar, os integrantes do grupo gaúcho Não Ao Futebol Moderno conseguiram reforçar a busca por uma nova sonoridade, rompendo parcialmente com o material originalmente apresentado em Onde Anda Chico Flores? EP, de 2014. Entretanto, a caminho do primeiro álbum de inéditas, o quarteto de Porto Alegre faz da recém-lançada Saia, última canção antes da chegada do aguardado registro, uma espécie de regresso ao material apresentado há dois anos, deixando os recentes temas psicodélicos em segundo plano.

Marcada pela precisão das guitarras, a canção de apenas dois minutos parece seguir em uma sequência de vozes, batidas e sintetizadores que se amarram perfeitamente, quase matemáticos. Uma curiosa interpretação do mesmo som produzido por bandas como American Football e The Wrens no começo dos anos 2000, mas que acaba indo além, lembrando em alguns aspectos as primeiras canções de grupos como Weezer e até Yo La Tengo, no começo da década de 1990.

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Não Ao Futebol Moderno – Saia

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Sleigh Bells: “Rule Number One”

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O lançamento de Bitter Rivals, em 2013, serviu para anunciar uma nova fase dentro da carreira do Sleigh Bells. Depois de dois discos essencialmente sujos, caóticos – Treats (2010) e Reign of Terror (2012) –, Alexis Krauss e o parceiro Derek E. Miller decidiram assumir um som cada vez mais pop. O resultado está na construção de faixas cada vez mais voltadas ao pop, sonoridade que se repete em Rule Number One, mais novo single da dupla nova-iorquina.

Ao mesmo tempo em que o casal parece seguir a trilha do trabalho apresentado há três anos, em poucos instantes, Miller assume o mesmo som explorado nas canções Reign of Terror. O resultado está na construção de uma faixa que mesmo acessível ao grande público, em nenhum momento tropeça no mesmo som descartável de Bitter Rivals, vide os 30 segundos finais da canção, completamente entregues ao uso de novos arranjos e experimentos controlados.

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Sleigh Bells – Rule Number One

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The Strokes: “Drag Queen” (VÍDEO)

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Os integrantes do The Strokes conseguiram pegar todo mundo de surpresa com o inesperado lançamento de Future Present Past EP (2016). São apenas três faixas, pouco menos de 20 minutos de duração, tempo suficiente para que o quinteto nova-iorquino apresente ao público tão intenso e cru quanto os iniciais Is This It (2001) e Room on Fire (2003). Uma extensão anárquica do mesmo material apresentado pela banda em Comedown Machine, de 2013.

Um bom exemplo disso está na inaugural Drag Queen. Entre batidas secas, quase eletrônicas, e guitarras maquiadas pela distorção, a voz de Julian Casablancas busca por um espaço próprio, costurando as brechas no interior da composição. Naturalmente inspirada no rock nova-iorquino dos anos 1980, a canção estreita ainda mais a relação com o passado no nostálgico lyric video e imagens que acompanham a faixa, trabalho assumido pelo artista Kidmograh/Gustavo Torres.

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The Strokes – Drag Queen

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