Tag Archives: Indie Rock

Disco: “Get To Heaven”, Everything Everything

Everything Everything
Art Rock/Electronic/Alternative
http://www.everything-everything.co.uk/

Alguns trabalhos começam pela primeira faixa, outros, como Get To Heaven (2015, Sony RCA), pela capa. “Queríamos uma imagem impossível de ignorar, mesmo que ela fosse tão feia quanto o inferno“, disse o vocalista do Everything Everything, Jonathan Higgs, em entrevista ao site Creative Review. Produzida pelo artista gráfico neozelandês Andrew Archer, a colorida ilustração – bem como toda a identidade visual do álbum – cumpre com naturalidade sua função, atraindo de forma quase hipnótica a atenção do espectador desapercebido.

Muito além do atento jogo de cores fortes, psicodélicas, a imagem de um homem sendo atacado funciona como síntese do invasivo domínio político, religioso e até sentimental que define grande parte dos versos na presente obra. Mesmo que dialogue com essência “pop” dos antecessores Man Alive (2010) e Arc (2012), ao alcançar o terceiro álbum de inéditas, a amadurecimento explícito do quarteto de Manchester revela ao público todo um novo universo – sonoro e conceitual – a ser explorado.

Dramática, por vezes exagerada, a voz de Higgs serve de estímulo para o ambiente sombrio, caótico e essencialmente pessimista que se espalha ao longo das canções. Em um misto de passado e presente, faixas como Regret (“Alguma vez você viu sua vida escorrer pelas mãos?”) e Distant Past (“Leve-me para um passado distante / Eu quero voltar”) ironizam a suposta “evolução” do ser humano, discutem o crescente atuação de extremistas religiosos em toda a Europa e ainda apontam o completo isolamento dos indivíduos, cada vez mais frios, mecânicos, como robôs.

Tamanha seriedade das canções em nenhum momento distorce o caráter comercial do disco. Com produção assinada por Stuart Price – produtor que já trabalhou com Kylie Minogue, The Killers e Scissor Sisters -, Get To Heaven é uma obra marcada pelo rico acervo de faixas dançantes e acessíveis, como uma natural extensão da linguagem melódica alcançada no álbum de 2012. Nada de pausas ou mesmo espaço para o fortalecimento de composições “menores”. O esforço do quarteto prevalece mesmo na segunda metade do trabalho, postura evidente em músicas como Blast Doors e Zero Pharaoh.   Continue reading

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Wavves x Cloud Nothings: “No Life For Me”

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Surpresa! No Life For Me (2015), trabalho em pareceria entre Nathan Williams (Wavves) e Dylan Baldi (Cloud Nothings) acaba de ser apresentado ao público. Originalmente anunciado no começo da março, porém, sem data de lançamento prevista, o álbum de nove composições inéditas e produção assinada por Sweet Valley já pode ser apreciado na íntegra pelo Bandcamp da “dupla”.

Gravado em diferentes sessões entre março de 2014 e junho de 2015, o registro é uma divisão exata das experiências, ruídos e temas que inspiram as duas bandas. Um cruzamento perfeito entre o Garage Rock “litorâneo” de Nathan Williams no Wavves as guitarras distorcidas, típicas da década de 1990, que Baldi há tempos vem explorando dentro do Cloud Nothings.

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Wavves x Cloud Nothings – No Life For Me

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Disco: “How Big, How Blue, How Beautiful”, Florence and The Machine

Florence and The Machine
Indie Pop/Alternative/British
http://florenceandthemachine.net/

As guitarras “falam” mais alto em How Big, How Blue, How Beautiful (2015, Island). Terceiro registro de inéditas do Florence and The Machine, o novo álbum pode até seguir a trilha dos antecessores Lungs (2009) e Cerimonials (2011), entretanto, indica uma direção totalmente nova dentro da curta obra da artista britânica. Em um diálogo preciso com a música pop e o rock dos anos 1980, Florence Welch se despe de possíveis conceitos e temas complexos de forma a revelar um trabalho marcado pela coerência, rico acervo de composições melódicas e sentimentos nunca antes tão detalhadamente expostos.

Fuga dos atos cênicos e extensa duração do operístico álbum de 2011, com o novo disco, Welch e os parceiros de produção, Markus Dravs e Paul Epworth, trazem de volta o mesmo ritmo “acelerado” do inaugural Lungs. Enquanto Dravs – produtor responsável pelos últimos discos do Arcade Fire -, garante dinamismo ao trabalho, é responsabilidade de Epworth – com quem Florence vem colaborando desde o primeiro registro -, além de nomes como James Ford (Simian Mobile Disco), garantir maior polimento e delicada reprodução ao acervo de músicas comerciais que preenchem toda a obra.

Logo de cara, uma sequência de tirar o fôlego do ouvinte. Dosando entre a sonoridade grandiosa de Shake It Out e a urgência de Kiss With a Fist, a trinca composta por Ship To Wreck, What Kind Of Man e a própria faixa-título não apenas captura a atenção do ouvinte, como ainda serve de estímulo para a série de músicas que sustentam o eixo final do trabalho. Difícil não perceber a interferência de Dravs, aproximando o trabalho de Welch do mesmo universo de referências (nostálgicas) exaltadas pelo Arcade Fire desde o álbum The Suburbs, de 2010. A própria utilização de guitarras sombrias e arranjos orquestrais parece extraída da obra do coletivo canadense, referência presente em cada movimento de How Big, How Blue, How Beautiful.

Ao mesmo tempo em que abraça um catálogo de novas tendências musicais, curioso perceber como elementos reforçados desde o primeiro trabalho da cantora são enquadrados em uma estrutura jovial. Dos experimentos e conceitos “florestais” de Kate Bush, pouco parece ter sobrevivido; mesmo Siouxsie Sioux, confessa influência de Welch parece explorada de forma distinta, longe do som empoeirado que ecoa de forma explícita no disco anterior. PJ Harvey, Patti Smith e até mesmo Régine Chassagne (Arcade Fire) ecoam com naturalidade com o passar do álbum. Nada que interfira de fato na essência e, cada vez mais presente, sonoridade autoral da britânica. Continue reading

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Foals: “Whay When Down” (VÍDEO)

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Com o lançamento de Holy Fire, em 2013, os integrantes do Foals finalmente conseguiram atingir o ápice comercial. Responsável por um acervo de boas composições, a banda original de Oxford não custou a seduzir público e crítica com faixas como My Number e Ihaler, hits de peso e ferramentas que garantiram passagem ao grupo para circular por diferentes festivais e palcos pelos quatro cantos do globo, proposta que deve se manter com o quarto e ainda inédito disco da banda: What Went Down (2015).

Produzido pelo conterrâneo britânico James Ford, uma das metades do Simian Mobile Disco e responsável por alguns clássicos recentes como Myths of the Near Future (2007) do Klaxons e AM (2013) do Arctic Monkeys, o novo álbum parece reforçar o som pesado que há tempos abastece as canções do Foals. Prova disso está dissolvida nos quase seis minutos do single que garante título ao novo álbum. Uma sequência de acordes rápidos, batidas semi-dançantes e a voz forte de Yannis Philippakis, ainda mais raivoso do que nos últimos três discos da banda.

What Went Down (2015) será lançado no dia 28/08 pelo selo Warner Music.

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Foals – What When Down

 

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RATATAT: “Abrasive” (VÍDEO)

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Se você passou a adolescência nos anos 2000, em algum momento da sua vida tropeço na discografia do RATATAT. Comandado pela dupla Evan Mast e Mike Stroud, o projeto de “Experimental Rock” serviu de base para o nascimento de quatro bons registros em estúdio – Ratatat (2004), Classics (2006), LP3 (2008) e LP4 (2010) -, além de uma sequência de remixes e colaborações que se estendem da cena alternativa ao Hip-Hop. Depois disso? Um longo hiato de cinco anos, mas que será rompido em breve com o lançamento de Magnifique (2015).

Quinto registro de inéditas da dupla norte-americana, o trabalho parece repetir os mesmos conceitos “eletrônicos” dos últimos projetos da banda, sonoridade reforçada com o lançamento do single Abrasive. De um lado, as batidas eletrônicas, no outro, as guitarras que parecem ditar os versos fictícios da faixa. Originalmente entregue ao público há poucas semanas, a canção aparece agora transformada em clipe, revelando uma animação que acompanha o ritmo das guitarras. Assista:

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RATATAT – Abrasive

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Virada Cultural 2015: 17 shows que merecem a sua atenção

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Caetano Veloso ou o ex-guitarrista da banda The Smiths, Johnny Marr? O cantor romântico Fábio Jr. ou a colorida Elke Maravilha? Com a chegada da edição 2015 da Virada Cultural, é hora de se programar, rabiscar no bloquinho e se decidir: quais shows devo assistir? Para facilitar, uma lista com 17 atrações que merecem (e muito) a sua atenção.

São veteranos do rock nacional, novatos da cena independente e até mesmo artistas estrangeiros. Apresentações que vão do hip-hop ao carimbó, passam pelo trash metal, jazz, música pop, experimental, brega e música romântica. No site da Virada Cultural você encontra a programação completa do evento. Abaixo, uma seleção de shows “testados” pela redação e que dificilmente vão desagradar o público.

 

Mahmed: De um lado, as ambientações típicas do Dream Pop/Post-Rock. No outro oposto, uma carga de experimentos jazzísticos e pequenas colagens conceituais. No meio desse encontro de referências, o trabalho da potiguar Mahmed, banda responsável por um dos principais discos de 2015 – Sobre A Vida Em Comunidade – é responsável pela abertura do palco RazzMatzz, na Vila Madalena.

Local: Razzmatazz
Endereço: Rua Wisard, 271, São Paulo – SP
Data: sábado, 20 de junho de 2015
Horário: 15h

 

Herod: Em busca de um som experimental e soturno? Então talvez seja bom dar um passada pelo palco Morfeus. Escolhida para abrir a sequência de shows no espaço, a paulistana Herod deve apresentar ao público o repertório montado para o último álbum de estúdio, o pesado (e excelente) Umbra (2013), além, claro, de composições recentes, caso do single Disruption.

Local: Morfeus
Endereço: rua Ana Cintra, 110, São Paulo – SP
Data: sábado, 20 de junho de 2015
Horário: 20h

 

Dona Onete: Cantora e compositora paraense, a artista original de Cachoeira do Arari traz para a cidade de São Paulo um pouco da sonoridade quente que toma conta da música no Norte do Brasil – principalmente o carimbó. Para aqueles que pretendem virar a noite, dançando entre um palco e outro pelo centro da cidade, o show de Dona Onete é um verdadeiro incentivo. [+]

Local: palco Casper Líbero
Endereço: Avenida Cásper Líbero, alt. Nº 100
Data: sábado, 20 de junho de 2015
Horário: 21h

 

Odair José: Como não se apaixonar pela música de Odair José? Responsável por alguns dos maiores clássicos do romantismo brega – como Uma vida só (Pare de tomar a pílula) e Vou tirar você desse lugar -, o cantor é um dos principais destaques do palco Rio Branco, por onde também passam as bandas Far From Alaska e Cachorro Grande.

Local: palco Rio Branco
Endereço: Av. Duque de Caxias x Av. Rio Branco
Data: sábado, 20 de junho de 2015
Horário: 22:00

 

fabiojr

Fábio Jr.: Alma Gêmea, Pai, Só você, Esqueça, Pareça um menino… Com tantos sucessos e clássicos que embalaram os casais de todo o Brasil fica difícil ignorar a apresentação de Fábio Jr. São quase 50 anos de carreira e um dos acervos mais importantes da música nacional, repertório que deve embalar a apresentação do cantor, prevista para começar às 3h da manhã no principal palco do evento.

Local: palco Júlio Prestes
Endereço: praça Júlio Prestes s/n – são paulo – sp
Data: domingo, 21 de junho de 2015
Horário: 3h
Curumin: Hip hop, funk, Jazz, bossa nova, samba e eletrônica. Cruzando diferentes gêneros, sonoridades e ritmos que ultrapassam os limites da música brasileira, o projeto comandado por Luciano Nakata Albuquerque, o Curumin, é a melhor sugestão para aqueles que buscam por uma apresentação “eclética”. No repertório que move a apresentação, músicas lançadas nos discos Achados e Perdidos (2005), Japan Pop Show (2008) e Arrocha (2012).

Local: palco Barão de Limeira
Endereço: alameda Barão Limeira
Data: domingo, 21 de junho de 2015
Horário: 9h

 

Erasmo Carlos: Não é todo dia que você tem a oportunidade de ver um show do cantor Erasmo Carlos em uma manhã de domingo. Para aqueles quem acordar mais cedo (ou passar a noite entre um palco e outro), uma visita ao palco São João, onde o músico se apresenta às 10h, é mais do que obrigatória.

Local: palco São João
Endereço: Avenida São João, alt nº 1.100
Data: domingo, 21 de junho de 2015
Horário: 10h

 

Vitor Araújo: é um pianista pernambucano de 24 anos que toca piano desde os 9 no Conservatório Pernambucano de Música. Um dos talentos pouco conhecidos da música popular brasileira. Eclético como é, ouve desde Forró ao Rock. E é isso que faz em seus shows, mesclar e subverter seus gostos, usando bastante experimentalismo. [+]

Local: praça Dom José Gaspar
Endereço: praça Dom José Gaspar
Data: domingo, 21 de junho de 2015
Horário: 12:00

 

bits

Beatles para Crianças: Show Liderado pelo músico Fábio Freire, resgata as composições de um dos maiores grupos de rock da história da música mundial. Além das canções, as crianças são brindadas com contação de histórias e vídeos com animações. No palco, os músicos tocam clássicos que encantaram gerações, com os arranjos originais do grupo inglês. [+]

Local: (Viradinha) Biblioteca Infantojuvenil Monteiro Lobato – Palco
Endereço: rua General Jardim, 485, Vila Buarque
Data: domingo, 21 de junho de 2015
Horário: 14h

 

Carne Doce: Aos comandos do casal Salma Jô e Macloys Aquino, a banda original de Goiânia, Goiás apresenta ao público paulistano o repertório do primeiro álbum de estúdio – obra homônima lançada em 2014. Mesclando elementos do rock psicodélico com a música brasileira dos anos 1970, o grupo completo com João Victor Santana, Ricardo Machado e Aderson Maia é um dos destaques do palco que conta com a curadoria da produtora cultural Pamela Leme.

Local: palco Alexandre de Gusmão
Endereço: praça Alexandre de Gusmão, 0, São Paulo – SP
Data: domingo, 21 de junho de 2015
Horário: 14h20

 

Rico Dalasam: Um dos principais destaques do hip-hop brasileiro em 2015, o rapper Rico Dalasam é a principal atração do palco Leôncio de Carvalho, espaço comandado pelo produtor Dago Donato, da festa Peligro e do Neu Club. No mesmo palco também se apresentam nomes como The Soundscapes, Bumbo Caixa,

Local: palco Leôncio de Carvalho
Endereço: rua Leôncio de Carvalho, 50, São Paulo – SP
Data: domingo, 21 de junho de 2015
Horário: 15h10

 

rafael

Rafael Castro: Rafael Castro já foi Roberto Carlos – RC Canta RC (2011) -, brincou com a música brega nos primeiros álbuns de estúdio e até reforçou o diálogo com o rock (clássico) no álbum Lembra? (2012). Agora o músico paulistano apresenta ao público o repertório do dançante Um chopp e um sundae (2015), obra inspirada pelo som empoeirado e as cores neon da década de 1980. [+]Local: Centro Cultural da Penha
Endereço: Largo do Rosário, 20 Penha. 03634-020
Data: domingo, 21 de junho de 2015
Horário: 15h45

 

O Terno: Um dos principais nomes do novo rock brasileiro, o trio paulistano formado por Tim Bernardes, Guilherme D’Almeida e Gabriel Basile apresenta ao público parte do repertório montado para o segundo álbum de estúdio, obra homônima lançada em 2014. Inspirado por veteranos (The Beatles, Os Mutantes) e novatos (Tame Impala) do rock psicodélico, o grupo é responsável por faixas como O Cinza e 66.

Local: Centro Cultural da Penha
Endereço: Largo do Rosário, 20 Penha. 03634-020
Data: domingo, 21 de junho de 2015
Horário: 17h

 

TEST: Banda de Grindcore/Death Metal, a paulistana Test é responsável pelo palco homônimo que serve de espaço para a apresentação de 16 bandas de heavy metal. Responsável por um dos principais discos de 2012 – Arabe Macabre – a banda tem o show marcado para as 17h35, encerrando as atividades no espaço onde também se apresentam grupos como Terror e Sistema Sangria. [+]

Local: Palco Test (Heavy Metal)
Endereço: Av. Rio Branco, São Paulo
Data: domingo, 21 de junho de 2015
Horário: 17h35

 

Ira!: Depois do retorno aos palcos em 2014, Edgard Scandurra e Nasi mais uma vez assumem um lugar de destaque na Virada Cultural. Agora, a banda – completa com Daniel Scandurra, Johnny Boy e Evaristo Pádua – apresenta na íntegra o repertório do clássico Mudança de Comportamento. Lançado em 1985, o álbum é a casa de algumas das principais canções do grupo, como Núcleo Base e Tolices. [+]

Local: Theatro Municipal de São Paulo
Endereço: Pça Ramos de Azevedo, s/nº, Centro São Paulo
Data: domingo, 21 de junho de 2015
Horário: 18h

 

Johnny Marr ficou conhecido como ex-guitarrista e compositor do Smiths, uma das bandas mais importantes do rock britânico dos anos 80. Em 2013, lançou-se em carreira solo. Em seus shows ao vivo, Marr celebra sua carreira combinando o melhor de seu novo material com a seleção dos destaques do The Smiths. [+]

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Local: Memorial da América Latina
Endereço: Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664 – 01156-001 – Barra Funda – São Paulo SP
Data: domingo, 21 de junho de 2015
Horário: 19h
Ingresso: Gratuito – Veja como retirar seu ingresso.

 

caetano

Caetano Veloso: com cinco décadas de carreira e uma sequência de obras fundamentais para a música popular brasileira, o cantor e compositor baiano Caetano Veloso foi o escolhido para encerrar a edição 2015 da Virada Cultural. No repertório, composições memoráveis que atravessam as décadas 1960, 1970 e 1980 até alcançar os anos 2000, passagem para o lançamento de registros como (2006), Zii e Zie (2009) e o ainda recente Abraçaço (2012). [+]Local: Palco Júlio Prestes
Endereço: praça júlio prestes s/n – são paulo – sp
Data: domingo, 21 de junho de 2015
Horário: 18h

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Imagens | Fábio Jr. | The Beatles | Rafael Castro | Caetano Veloso | Reprodução
Informações em Box | Virada Cultural
Texto originalmente publicado no Brasil Post.

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Disco: “Multi-Love”, Unknown Mortal Orchestra

Unknown Mortal Orchestra
Psychedelic/Indie/Alternative
http://unknownmortalorchestra.com/

Com o lançamento do segundo trabalho em estúdio, II (2013), Ruban Nielson e os parceiros do Unknown Mortal Orchestra partiram em busca de um novo universo de referências musicais. Da sonoridade suja e naturalmente esquizofrênica lançada por gigantes como Captain Beefheart e toda a geração de artistas pós-1967, base do primeiro disco, pouco sobreviveu. Para ocupar essa “lacuna”, um diálogo aproximado com o mesmo R&B de Prince e outros veteranos da década de 1970, preferência que também conduz os arranjos e versos do terceiro álbum do grupo, Multi-Love (2015, Jagjaguwar).

Passo além em relação ao último lançamento da banda, com o presente registro, o coletivo original de Auckland, Nova Zelândia continua a investir no uso descomplicado das melodias, entretanto, encontra no experimento um mecanismo de transformação. São peças como a inaugural faixa-título, canção que mesmo sustentada pelo uso de arranjos e temas radiofônicos, jamais tende ao óbvio, brincando com a interpretação do ouvinte a cada novo ruído distorcido.

Em uma observação atenta, Multi-Love parece entregar ao ouvinte o mesmo cardápio de composições apresentadas no trabalho anterior, porém, hoje cobertas pelo granulado sujo e carga de distorções que marca o primeiro registro da banda, de 2011. Exemplo claro disso está nas melodias e vozes encaixadas no interior de Like Acid Rain e Ur Life One Night. Montadas de forma urgente, ambas as canções passeiam pela psicodelia caseira de 1960 sem necessariamente abandonar o diálogo com as referências lançadas na década seguinte.

Com a chegada de Can’t Keep Checking My Phone, quarta faixa do álbum, um breve distanciamento desse continuo jogo de experiências. Marcada pelas batidas e ritmo acelerado, a composição de abertura climática – como a trilha sonora de um filme de suspense – logo se entrega à dança, como um flerte rápido com a obra de Giorgio Moroder. A mesma proposta ainda se repete com Necessary Evil, porém, de forma controlada, interrompendo o ritmo frenético inicialmente proposto pelo grupo. Continue reading

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Disco: “Maravilhas da Vida Moderna”, Dingo Bells

Dingo Bells
Indie Rock/Alternative/Indie Pop
http://www.dingobells.com.br/

Quem rola a timeline do Facebook e bate o olho na imagem que estampa a capa de Maravilhas da Vida Moderna (2015, Independente), primeiro registro de estúdio da banda gaúcha Dingo Bells, talvez se espante com a sonoridade explorada no interior do trabalho. Longe do ambiente “cinza” reforçada na fotografia de Rodrigo Marroni – praticamente a capa de um álbum punk -, cada uma das composições que movimentam o disco apontam a construção do um som nitidamente pop, talvez sombrio em se tratando dos versos, mas não menos colorido.

Como o próprio título indica, Maravilhas da Vida Moderna utiliza de versos fáceis para reforçar tormentos típicos de um (jovem) adulto. Músicas ancoradas em conceitos existenciais (Dinossauros), maturidade (Mistério dos 30), a necessidade de conviver em sociedade (Eu Vim Passear) e até personagens (Funcionário do Mês) que cercam o universo irônico/realista do grupo – hoje composto por Rodrigo Fischmann (voz, bateria e percussão), Diogo Brochmann (Voz, guitarra e teclados) e Felipe Kautz (voz, baixo).

Cercado por diferentes colaboradores da cena de Porto Alegre – entre eles o produtor Gustavo Fruet (Chimarruts, Pública) e Felipe Zancaro (Apanhador Só) -, o debut está longe de ser encarado como um típico fragmento do “Rock Gaúcho”. Da abertura ao fechamento do disco, não é difícil perceber o movimento leve executado pela trio, sempre atento, desviando com naturalidade da sonoridade lançada por veteranos da década de 1980 (como Nenhum de Nós e Engenheiros do Hawaii), porém, ainda íntimos das melodias e canto sarcástico explorado há mais de uma década por artistas como Bidê ou Balde e Wonkavision.

De fato, a explícita relação do coletivo com a música (pop) lançada no começo dos anos 2000 está longe de parecer uma “coincidência”. Mesmo entregue ao público como o primeiro álbum oficial do grupo gaúcho, Maravilhas da Vida Moderna ultrapassa com naturalidade os limites do presente cercado temporal, crescendo e dialogando como o produto final da longa trajetória da banda, em atuação há mais de uma década.    Continue reading

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It Looks Sad: “Creature”

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Vocal “dramático”, no melhor estilo Sunny Day Real Estate e WU LYF, guitarras que crescem e encolhem a todo instante, emulando o pós-hardcore da década de 1990, isso sem esquecer da estranha atmosfera de “Indie-Rock-dos-anos-2000″ que invade a mente do ouvinte com nostalgia, sem grandes dificuldades. Em pouco mais de três minutos de duração, incontáveis são as referências que explodem e se espalham no interior de Creature, mais recente faixa lançada pelo quarteto da cidade de Charlotte, Carolina do Norte, It Looks Sad.

Uma das metades digital-single Kaiju, a canção de versos amargos vai muito além do grito de um jovem adulto, discutindo solidão e isolamento sem necessariamente parecer uma composição tola. Montada em cima de uma base muito mais complexa em relação ao single anterior do grupo, Ocean, a nova faixa reforça um claro amadurecimento do quarteto em um curto período de tempo.

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It Looks Sad – Creature

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Disco: “California Nights”, Best Coast

Best Coast
Indie Rock/Alternative/Garage Pop
http://www.bestcoast.net/

Poucos artistas atuais sabem como explorar tão bem as melodias quanto Bethany Cosentino. Seja no ambiente sujo que marca o álbum de estreia do Best Coast, Crazy for You (2012), ou na limpidez instrumental que preenche toda a estrutura do sucessor The Only Place (2012) – obra que conta com a produção do compositor Jon Brion -, ao visitar o cercado autoral da cantora e compositora californiana, vozes, arranjos e até mesmo as confissões mais amargas ecoam de forma acolhedora, em um ambiente sutil.

Quase uma continuação do material apresentado em Fade Away EP, de 2013, California Nights (2015, Harvest), terceiro álbum de estúdio da banda, cresce como uma obra que mesmo raivosa em diversos instantes, mantém firme o uso de harmonias brandas, típicas da artista. Enquanto a voz de Cosentino cresce (Fine Without You), explode (So Unaware) e até assume o tom dramático (Wasted Time), guitarras versáteis – em parte assumidas pelo parceiro Bobb Bruno – aos poucos preenchem todas as lacunas da obra, resgatando elementos característicos de veteranos como R.E.M. ou mesmo de artistas próximos, caso dos conterrâneos do Real Estate.

Mesmo montado em uma estrutura padronizada, alternando entre arranjos de temática litorânea, solos carimbados e refrão pronto, difícil não sucumbir aos encantos de Cosentino. Emulando um típico exemplar do Pop-Rock dos anos 1970 – ou seria 1990? -, faixas como When Will I Change, Feeling Ok e In My Eyes prendem o ouvinte sem dificuldades, padrão que em nenhum momento transforma o disco em uma obra cansativa ou previsível.

Verdadeira fábrica de hits, California Nights segue de forma intensa até o último acorde, ocupando todos os espaços da obra com música de forte apelo radiofônico. Da abertura com Feeling OK, passando pelas guitarras sujas de In My Eyes até alcançar os versos de apelo imediato em Sleep Won’t Ever Come e Wasted Time, no encerramento do disco, cada composição parece projetada de forma a grudar no cérebro do ouvinte. Uma clara evolução quando comparado ao antecessor The Only Place, um disco de fato inaugurado por boas canções, porém, arrastado nos instantes finais. Continue reading

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