Tag Archives: Indie Rock

Disco: “Is the Is Are”, DIIV

DIIV
Indie Rock/Dream Pop/Alternative
https://www.facebook.com/diivnyc/

 

Ouvir Is the Is Are (2016, Captured Tracks) é como ser arrastado para dentro de um imenso turbilhão de emoções, ruídos e sentimentos confessos. Guitarras crescem e encolhem a todo o instante, sempre replicando diferentes conceitos instrumentais explorados nas décadas de 1980 e 1990. Uma colisão de fórmulas, referências e pontes atmosféricas que sustentam na voz abafada do líder Zachary Cole Smith a base para o nascimento de letras marcados por temas pessoais (Out of Mind), delírios (Take Your Time) e conflitos amorosos (Dopamine).

Musicalmente amplo, livre do pós-punk hermético produzido durante o lançamento de Oshin (2012), álbum de estreia do DIIV, Is the Is Are é uma obra que lentamente brinca com as possibilidades. Ruídos ásperos que abraçam o shoegaze em Incarnate Devil, solos de guitarra essencialmente melódicos em Mire (Grant’s Song), a voz doce, por vezes pegajosa, de Smith em Dopamine e Under the Sun. Pouco mais de 60 minutos de duração em que o grupo nova-iorquino arremessa o ouvinte para todas as direções.

Verdadeiro mosaico de cores cinzentas, cada faixa do álbum parece buscar conforto em diferentes cenários, épocas e tendências instrumentais. Se em instantes o DIIV soa como o R.E.M. nos primeiros álbuns de estúdio – vide as guitarras da inaugural Out of Mind ou a crescente Yr Not Far -, em poucos segundos um novo catálogo de ideias e sonoridades parecem revisitadas. The Cure em Healthy Moon, The Raplacements nas guitarras de Under The Sun, Slowdive e Ride nos ruídos hipnóticos de Mire (Grant’s Song). Uma delicada expansão do rico acervo apresentado pelo grupo em Oshin.

Ambientado em um universo próprio de Zachary Cole Smith, Is The Is Are lentamente mergulha em um cenário marcado pela desordem, consumo excessivo de drogas e confissões alucinadas do músico. “You’re the sun and I was your cloud / Burning out, running in place / Got so high I finally felt like myself”, canta o vocalista em Dopamine, uma canção que cruza amor e lisergia de forma intensa, quente, um estímulo para o nascimento de faixas como Valentine (“Stuck inside of me / In tragedy i’m complete”) e Blue Boredom (“Thief for a chance / Kiss for a catch”), esta última, uma parceria entre Smith e a ex-namorada, a cantora Sky Ferreira. Continue reading

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Yuck: “Cannonball”

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Com Hold Me Closer e Hearts In Motion os integrantes do conseguiram atrair a atenção do público sem dificuldades para o terceiro registro de inéditas da banda. Batizado Stranger Things (2016), o sucessor de Glow & Behold (2013) carrega uma sonoridade tão suja e nostálgica quando o primeiro álbum do grupo britânico. Uma divertida visita ao passado que volta a se repetir no interior no mais novo single da banda: Cannonball.

Urgente, a faixa de 2 minutos e 25 segundos nasce como uma síntese das principais referências do Yuck. O vocal desesperado, a captação suja e o jogo de guitarras melódicas que poderiam facilmente abastecer o trabalho de bandas como Dinosaur Jr. e Superchunk no começo dos anos 1990. Além da canção inédita, há poucos dias o grupo presenteou o público com uma curiosa versão de Cashout, faixa de abertura do último registro de inéditas do Fugazi, The Argument (2001).

Stranger Things (2016) será lançado no dia 26/02.

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Yuck – Cannonball

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Disco: “Hymns”, Bloc Party

Bloc Party
British/Alternative/Rock
http://blocparty.com/

 

Há tempos o Bloc Party deixou de ser um projeto colaborativo para se transformar em uma extensão da carreira solo de Kele Okereke. Um meio termo entre o som incorporado pela banda nos ótimos Silent Alarm (2005) e A Weekend in the City (2007), mas que também passeia pela dobradinha autoral do vocalista em The Boxer (2010) e Trick (2014). Guitarras climáticas, versos cíclicos e temas eletrônicos que se movimentam de forma curiosa dentro do recém-lançado Hymns (2016, Vagrant / BMG / Infectious), quinto registro de inéditas do grupo britânico.

Entregue ao público dez anos após o lançamento do primeiro álbum do Bloc Party, Hymns inicialmente se projeta como uma obra de limites bem definidos. Longe dos experimentos que marcam as canções apresentadas em Intimacy (2008), ou mesmo da aceleração que movimenta o antecessor Four (2012), cada uma das 11 faixas do presente disco refletem o permanente controle da banda, hoje reformulada, com Justin Harris e Louise Bartle ocupando o lugar dos ex-integrantes Gordon Moakes e Matt Tong.

Ainda que carregue parte da essência eletrônica dos trabalhos de Okereke, vide a inaugural e dançante The Love Within, Hymns talvez seja o registro que melhor explora a essência do Bloc Party em tempos. São composições marcadas pela sensibilidade (Only He Can Heal Me) e conflitos pessoais de Okereke (So Real). Difícil ouvir a extensa Different Drugs e não ser arrastado pelo turbilhão emocional que sustenta a faixa. “Toda vez que eu volto para casa / Alguma coisa está errada, falta algo / Você está girando para longe de mim”, canta o vocalista naquela que é uma das melhores faixas já compostas pela banda.

Ao mesmo tempo em que encanta pela sutileza de determinadas músicas, não são poucos os momentos em que o Bloc Party tropeça em uma sequência de canções descartáveis. É o caso da balada Into The Earth e da “roqueira” The Good News. Enquanto a primeira apela para o mesmo sentimentalismo barato de grande parte dos grupos de pop-rock dos anos 1990 e 2000, com a segunda, Okereke e os parceiros de banda brincam de Arctic Monkeys, flertando com o mesmo som explorado pelo grupo inglês no álbum AM, de 2013. Continue reading

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Frankie Cosmos: “Sinister”

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Poucas vezes antes o trabalho de Frankie Cosmos pareceu tão acessível quanto em Sinister. Escolhida para apresentar o novo registro de inéditas da cantora e compositora norte-americana, Next Thing (2016), a canção mostra um completo aprimoramento em relação ao material produzido pela cantora desde o lançamento do álbum Zentropy, em 2014. Um delicado jogo de vozes e versos confessionais que exploram o universo particular da jovem artista.

Sometimes I get sinister“, canta Cosmos no pegajoso refrão da faixa. Parcialmente livre dos sintetizadores apresentados no curto acervo de Fit Me In EP (2015), a nova composição reforça o interesse da musicista em brincar com o Indie Pop dos anos 1990 e toda a carga de referências melódicas que abasteceram a década de 1980. Além de Sinister, o novo álbum conta com outras 14 faixas inéditas.

Next Thing (2016) será lançado no 01/04 pelo selo Bayonet.

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Frankie Cosmos – Sinister

 

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Disco: “New View”, Eleanor Friedberger

Eleanor Friedberger
Indie/Alternative/Female Vocalists
http://www.eleanorfriedberger.com/

A cada novo trabalho em carreira solo, Eleanor Friedberger reforça o distanciamento em relação ao som produzido com o irmão Matthew Friedberger, do The Fiery Furnaces. Livre dos experimentos, curvas bruscas e temas psicodélicos que abasteceram obras como Gallowsbird’s Bark (2003) e Blueberry Boat (2004), são os arranjos e versos delicados, quase sempre confessionais, que caracterizam a curta discografia particular da cantora.

Com o recém-lançadp New View (2016, Frenchkiss Records) não poderia ser diferente. Terceiro registro em estúdio de Friedberger, o álbum de 11 composições inéditas parece seguir exatamente de onde a cantora parou há três anos, durante o lançamento do bem-sucedido Personal Record (2013). Trata-se de uma obra que detalha o cotidiano da artista de forma bem-humorada (He Didn’t Mention His Mother), explora conflitos pessoais (Never Is a Long Time) e lentamente mergulha em elementos sentimentais íntimos de qualquer ouvinte (A Long Walk).

A diferença em relação aos dois últimos trabalhos da cantora está na forma como Friedberger parece manter o completo domínio sobre a obra. Seja na montagem dos versos ou na estrutura musical tecida para o álbum, New View, diferente dos antecessores Last Summer e Personal Record, nasce como uma registro em que cada composição serve de estímulo para a canção seguinte. Uma lenta sobreposição de ideias e temas instrumentais que acompanha o ouvinte até os últimos instantes da obra.

Musicalmente, New View se projeta como o trabalho em que Friedberger mais investe em novas possibilidades, arranjos e instrumentos, escapando do som “contido” que marca dos primeiros discos. São pianos elétricos no interior da psicodélica Cathy With the Curly Hair, guitarras carregadas de efeito em Two Versions of Tomorrow e até arranjos que flertam com elementos típicos da música country, marca de composições como Open Season e Your Word. Continue reading

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Flowers: “Bitter Pill”

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Everybody’s Dying To Meet You (2016), esse é o nome do segundo álbum em estúdio da banda britânica Flowers. Responsáveis por um bom registro de estreia em 2014, Do What You Want To, It’s What You Should Do, o trio inglês parece manter firme a essência nostálgica das primeiras canções, estreitando ainda mais a relação com o Indie Rock britânico do final dos anos 1980. Uma obra que passeia pelo trabalho de nomes como The Smiths, The Pastels e até pelo trabalho do My Bloody Valentine em começo de carreira.

Mais recente composição lançada pela banda, Bitter Pill mostra a capacidade do trio comandado pela guitarrista Rachel Kenedy em brincar com o passado. São pouco mais de três minutos em que o trio destila sentimentos em meio a uma avalanche de ruídos controlados, sonoridade anteriormente reforçada durante o lançamento de Pull My Arm e, em menor escala, a apaixonada Ego Loss, canções que também abastecem o novo disco.

Everybody’s Dying To Meet You (2016) será lançado no dia 12/02 pelo selo Fortuna POP.

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Flowers – Bitter Pill

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John Congleton and The Nighty Nite: “Until It Goes”

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St. Vincent, Swans, The War on Drugs, Sigur Rós e Modest Mouse. Esses são alguns dos artistas que trabalharam com o produtor e engenheiro de som John Congleton nos últimos anos. Um dos principais nomes da cena alternativa norte-americana, Congleton, um dos integrantes da banda The Paper Chase (1998 – 2010) reserva para o dia 1º de abril a chegada de Until the Horror Goes (2016), primeiro registro de inéditas dentro do projeto John Congleton and The Nighty Nite.

Primeira composição do novo álbum a ser apresentada ao público, a enérgica Until It Goes funciona como um verdadeiro resumo de toda a produção de Congleton nos últimos cinco anos. Estão lá as mesmas guitarras exploradas nos dois últimos trabalhos em estúdio de Anne Erin Clark, os ruídos de To Be Kind (2014), mais recente álbum do Swans, e até a vocal berrado, típico das canções assinadas por bandas como Modest Mouse e The Thermals.

Until the Horror Goes (2016) será lançado no dia 01/04 pelo selo Fat Possum.

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John Congleton and The Nighty Nite – Until It Goes

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DIIV: “Is The Is Are”

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É impressionante como diferentes sonoridades se amarram dentro do trabalho do DIIV. Enquanto DopamineMire (Grant’s Song) mergulharam de cabeça nas melodias sujas de grupos como Ride e Slowdive, com Bent (Roi’s Song)Under The Sun, a banda norte-americana resgata a essência de veteranos como R.E.M. e The Replacements, passeando por diferentes fases do rock alternativo na década de 1980. Com a chegada de Is The Is Are, faixa-título do segundo álbum do DIIV, um novo mundo de possibilidades.

Enquanto guitarras psicodélicas correm delicadamente ao fundo da composição, lembrando a base letárgica dos últimos discos do The War on Drugs, nítido é o diálogo do grupo com o pós-punk inglês dos anos 1980, conceito que toma conta da linha de baixo e batidas secas orientam a faixa. Uma espécie de ponte para o mesmo som do primeiro álbum em estúdio da banda comandada por Zachary Cole Smith, Oshin (2012).

Is the Is Are (2016) será lançado no dia 05/02 pelo selo Captured Tracks.

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DIIV – Is The Is Are

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Weezer: “King of The World”

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A boa forma do Weezer chega a assustar. Depois uma década de obras medianas e trabalhos detestáveis, Rivers Cuomo e os parceiros de banda decidiram assumir o mesmo caminho seguro do passado, convertendo guitarras melódicas e versos confessionais, por vezes cômicos, no estímulo para o nascimento de uma sequência de novas canções. Primeiro veio Thank God For The Girls, depois, a ótima Do You Wanna Get High?, e agora a também assertiva King of The World, ponte para o 10º álbum de inéditas do grupo, uma obra homônima, porém, carinhosamente batizada “White Album”.

Além das três últimas faixas apresentadas pela banda, o grupo reserva ao público um acervo de sete composições inéditas. Durante a conferência de anúncio do álbum, Cuomo afirma ter encontrado na cidade de Los Angeles diferentes personagens e histórias que devem servir de estímulo para o trabalho, proposta que se reflete com naturalidade nos últimos singles da banda.

Weezer (“White Album”) (2016) será lançado no dia 01/04.

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Weezer – King of The World

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Bilhão: “Atlântico Lunar”

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Bastam os instantes iniciais de Atlântico Lunar para perceber que direção aponta o trabalho do duo carioca Bilhão. Projeto em parceria entre Felipe Vellozo, baixista do Mahmundi, e o músico Gabriel Luz, a banda anuncia para as próximas semanas a chegada do primeiro registro de inéditas. Um EP de apenas sete faixas que parece navegar pelo mesmo oceano temático de nomes recentes do rock alternativo norte-americano – caso de Mac DeMarco, War on Drugs ou Real Estate -, e ainda preservar a própria identidade musical da dupla.

Difícil não lembrar de obras recentes como Days (2011) e Atlas (2014) enquanto o delicado tecido de guitarras melódicas se espalham ao fundo da recém-lançada composição. Uma faixa que chega até o ouvinte em pequenas ondas, reforçando o crescimento da letra repleta de metáforas, encaixes melancólicos e divagações sobre o tempo.

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Bilhão – Atlântico Lunar

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