Tag Archives: Indie Rock

Sleater-Kinney: “Bury Our Friends”

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Mesmo elogiado por grande parte da crítica e recebido com total adoração pelo público, o sucesso de The Woods (2005) não foi suficiente para impedir o hiato do Sleater-Kinney. Em junho de 2006, passada a turnê de divulgação do álbum – sétimo registro de inéditas na discografia do grupo -, Corin Tucker, Carrie Brownstein e Janet Weiss resolveram silenciar a banda, passando a investir em outros trabalhos e projetos paralelos, entre eles, o Wild Flag.

Depois de oito anos de “férias”, o grupo encerra o hiato, anuncia uma série de shows e ainda reserva para janeiro de 2015 um novo registro de estúdio: No Cities To Love (2015). Produzido por John Goodmanson, velho parceiro do trio, o álbum carrega dez composições inéditas e distribuição pelo selo Sub Pop. Como aquecimento, nada melhor do que a inédita Bury Our Friends, um resumo eficiente do som produzido pelo trio desde a década de 1990. Também lançada em clipe, a faixa conta com direção de Miranda July.

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Sleater-Kinney – Bury Our Friends

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Parkay Quarts: “Uncast Shadow Of A Southern Myth”

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Mesmo depois de apresentar um dos grandes discos do ano, o nostálgico Sunbathing Animal (2014), os membros do Parquet Courts já estão de volta com mais um registro de inéditas. Sob o nome de Parkay Quarts, o grupo nova-iorquino reserva para o dia 11 de novembro a chegada Content Nausea, obra lançada pelo selo What’s Your Rupture? e que, ao menos por enquanto, parece seguir em direção contrária ao último trabalho da banda.

Para apresentar o novo disco, o grupo resolveu começar pelo fim, entregando ao ouvinte a derradeira e sóbria Uncast Shadow Of A Southern Myth. Com quase sete minutos de versos extensos, confissões e arranjos lentos, a música esbarra na mesma composição incorporada pelo Television no Lado B de Marquee Moon (1977), reforçando o fascínio do grupo pela cena de Nova York no final dos anos 1970. Ainda que a banda já tenha brincado com o mesmo tipo de som em Sunbathing Animal, bastam os primeiros versos da nova música para perceber o completo distanciamento.

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Parquet Courts – Uncast Shadow Of A Southern Myth

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TV On The Radio: “Careful You”

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Batidas eletrônicas, ritmo eufórico e vozes sempre aceleradas, com o lançamento de Happy Idiot, há poucas semanas, o TV On The Radio conseguiu despertar o interesse do público. Primeiro single oficial de Seeds (2014), quinto álbum de estúdio da banda, a dinâmica criação está longe de orientar todo o conteúdo da obra. Em Careful You, segunda canção inédita do novo disco, o grupo desacelera e mergulha nos próprios sentimentos.

Embora instalada no mesmo plano eletrônico do último single, a faixa de cinco minutos parte de um contexto musical completamente distinto, entregando ao ouvinte um conjunto de vozes e arranjos sutis. Quase uma continuação do material lançado em Nine Types of Light (2011), Careful You vai acertar em cheio quem se encantou pelas melodias de Will Do, You e demais composições melancólicas do TVOTR. Com lançamento pelo selo Harvest, Seeds estreia no dia 18 de novembro.

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TV On The Radio – Careful You

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Wry: “Deeper In A Dream”

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Nascida em um cenário analógico, onde bandas independentes aprenderam a lidar com pouquíssimos recursos, espaço limitado para divulgação e muito ruído, a sorocabana Wry encarou a transição para o meio digital nos anos 2000 de forma bastante assertiva. Além do próprio site, sempre abastecido com boas novidades – conheça/baixe a discografia da banda aqui -, do perfil na extinta Trama Virtual ao conteúdo no MySpace, espaços (virtuais) para ouvir e baixar as canções do grupo nunca faltaram ao público.

Todavia, em Deeper In A Dream (2014), primeiro registro oficial desde o “hiato” anunciado em 2010, curiosamente a banda regressa ao mesmo “território analógico” do começo de carreira. São cinco composições – Deeper in a Dream, Everybody’s Dancing, Nossa História Começa Agora, Regresso e Waves -, faixas lançadas fisicamente apenas em fita cassete. Com distribuição pelo selo curitibano Terry Crew – casa da banda Subburbia -, o “EP” pode ser adquirido por apenas R$ 10,00, além, claro do frete. Abaixo você ouve uma das composições do trabalho.

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Wry – Nossa História Começa Agora

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Disco: “Tyranny”, Julian Casablancas + The Voidz

Julian Casablancas + The Voidz
Alternative/Indie/Synthpop
http://juliancasablancas.com/

Por: Cleber Facchi

“It’s hard to write good lyrics that are meaningful. It’s hard to not write bad lyrics and fake it and have a meaningless thing that sounds cool. That move you on a deep level and have a deep meaning but just sound good and you can enjoy lightly.”

Poucas vezes Julian Casablancas me pareceu tão sóbrio quanto no diálogo travestido de entrevista para a Time Out. Ao lado de Karen O, que na ocasião divulgava o recém-lançado Crush Songs (2014), o vocalista do Strokes ressaltou a dificuldade em escrever boas composições – “It’s the hardest thing” -, discutiu Thom Yorke e Radiohead, comentou de forma nostálgica a cena de Nova York nos anos 2000 e, acima de tudo, conseguiu transmitir ao público a própria maturidade – postura talvez esquecida pelo “rosto de bebê” que o músico ostenta desde a estreia de Is This It, há 13 anos.

Maturidade. Difícil não fazer uso de tal palavra quando falamos sobre o trabalho de Casablancas na última década e meia. Ataquem ou defendam seus favoritos, mas músico é autor (ou participante ativo) de pelo menos duas obras clássicas – Is This It (2001) e Room On Fire (2003) -, um bem resolvido trabalho solo – Phrazes for the Young (2009) -, três registro medianos - First Impressions of Earth (2006), Angles (2011) e Comedown Machine (2013) -, além de uma série de faixas em parceria – de Daft Punk a Sparklehorse. Nada que pareça “detestável” ou “inaudível” como tantos já foram capazes de revelar em um mesmo período de tempo.

Ma-tu-ri-da-de. Com tantos atributos positivos, vasta experiência em estúdio, apresentações nos quatro cantos do globo, contatos e a capacidade de esculpir a frase tocante que abre texto, pergunto: Qual o propósito de Julian Casblancas com Tyranny? Continue reading

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Charme Chulo: “Crucificados Pelo Sistema Bruto”

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No dia 14 de dezembro, grande parte dos veículos nacionais já devem ter fechado suas listas de melhores lançamentos do ano. Um erro. Quem assumir tal decisão vai ter deixado para trás um dos grandes trabalhos de 2014: Crucificados Pelo Sistema Bruto. Terceiro álbum de estúdio da banda curitibana Charme Chulo, o registro duplo é uma coleção de 20 faixas que resume um pouco do “hiato” da banda desde o lançamento de Nova Onda Caipira, em 2009. Com o financiamento do trabalho recém-confirmado pelo Catarse.me, a banda resolveu presentear o público com seis ótimas composições.

Trata-se de um aperitivo do novo álbum; um conjunto de seis composições inéditas que rechearão o mais abrangente ato do coletivo caipira. Além da parceria com Hélio Flanders em Fuzarca, o grupo comandado por Igor Filus e Leandro Delmonico entregou as ótimas Palhaço de Rodeio, É que às Vezes (Melhor é Morar na Fazenda), Dia de Matar Porco, Carcaça Sensacional e Multi Stillus. O nome do disco – uma brincadeira com o clássico Crucificados Pelo Sistema (1984), da banda Ratos de Porão e Sistema Bruto da dupla Chitãozinho & Xororó – resume parte do acervo que deve ser apresentado na íntegra em dezembro. Veja a agenda de shows da banda.

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Charme Chulo – Fuzarca (part. Hélio Flanders)

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Charme Chulo – Palhaço de Rodeio

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Charme Chulo – É que às vezes (melhor é morar na fazenda)

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Charme Chulo – Dia de Matar Porco

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Charme Chulo – Carcaça sensacional

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Charme Chulo – Multi stillus

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Speedy Ortiz: “Doomsday”

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Há poucas semanas comentamos sobre o lançamento de This Is Happening Now, novo single da banda Parquet Courts para atender a ONG Ariel Panero Memorial Fund. Agora é a vez de mais um artista integrar o mesmo projeto, intitulado LAMC Single Series, o Speedy Ortiz. Assumindo o Lado A do single split com o músico Chris Weisman, a banda norte-americana mergulha mais uma vez na década de 1990 para apresentar a inédita Doomsday.

Comandada pela voz limpa de Sadie Dupuis, a composição inicialmente silenciosa logo desemboca em uma sequência de ruídos típicos do material lançado em Major Arcana (2013). Míseros três minutos e 32 segundos em que referências como Liz Phair, Pavement e The Breeders logo são recuperados pela banda, acomodada em um oceano de distorções melódicas, sempre íntimas da voz segura de Dupuis. Bem sucedida, a canção segue a boa forma do EP Real Hair (2014) apresentado há poucos meses.

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Speedy Ortiz – Doomsday

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Bass Drum of Death: “Left For Dead”

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Peitinhos, esparadrapos e muitas guitarras. Esta é a proposta de Left For Dead, o mais novo clipe da dupla Bass Drum Of Death. Dirigido por Dick Thompson, o trabalho mostra os estranhos hábitos de um agressor/caçador e suas mulheres, todas iniciadas no misterioso ato em que a nova vítima acaba sempre anexada ao mesmo grupo. Três minutos de imagens empoeiradas, referências que parecem vindas de algum filme de Robert Rodriguez e a aura de mistério que acompanha o espectador até o último segundo.

Musicalmente limpa em relação aos primeiros inventos da dupla, a nova faixa prepara o terreno para a chegada de Rip This (2014), o mais novo álbum de estúdio do BDOD. Com lançamento pelo selo Innovative Leisure, o trabalho já teve algumas de suas composições divulgas nas últimas semanas, entretanto, nenhuma carrega a mesma energia e desapego que Left For Dead, música que carrega no próprio título uma espécie de resumo para o vídeo recém-lançado.

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Bass Drum of Death – Left For Dead

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Aperitivo: Real Estate

Um novo disco a caminho? Aquele artista que você tanto gosta vai lançar um projeto inédito nas próximas semanas? Então se delicie com o nosso Aperitivo. São 15 composições – autorais, remixes, mixtapes – ou mesmo versões criativas de faixas de outros artistas que resumem o trabalho daquela banda ou produtor que você tanto gosta. Nada de ordem, preferência ou classificação aparente. Apenas um conjunto de músicas capazes de resumir a proposta do artista selecionado.

Boas melodias, um punhado de versos honestos e a banda norte-americana Real Estate fez da curta discografia uma das peças mais importantes do rock atual. Com três obras de estúdio – Real Estate (2009), Days (2011) e Atlas (2014) -, o grupo formado em Ridgewood, New Jersey chega ao Brasil em novembro para uma série de apresentações. Ainda desconhece o trabalho do grupo? Ora, sem problemas, basta tocar cada uma das 15 faixas de nosso especial e ser lentamente seduzido pelas harmonias que Alex Bleeker e seus parceiros de banda projetaram em cada uma delas. Continue reading

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Disco: “LOSE”, Cymbals Eat Guitars

Cymbals Eat Guitars
Indie Rock/Alternative/Rock
http://cymbalseatguitars.com/

Por: Cleber Facchi

Da geração de bandas norte-americanas que nasceram na segunda metade da última década, poucas amadureceram tanto quanto a Cymbals Eat Guitars. Fruto da mesma safra de Titus Andronicus, The Pains of Being Pure at Heart e outros coletivos próximos, o grupo de Nova York carrega no peso das guitarras e melodias abertas a ponte que conecta o rock alternativo do fim dos anos 1990 ao presente. Referências tão próximas de Built to Spill, The Wrens e Modest Mouse, quanto do quarteto, hoje um comprovado veterano ao alcançar o terceiro álbum da carreira, LOSE (2014, Barsuk).

Obra mais segura (e ampla) já projetada por Joseph D’Agostino, Andrew Dole, Matt Whipple e Brian Hamilton, o presente álbum é um verdadeiro exercício de consolidação. Se há pouco menos de três anos as guitarras sujas de Lenses Alien (2011) revelavam “apenas” uma extensão aprimorada do som cru lançado em Why There Are Mountains (2009), hoje cada porção instrumental espalhada pela obra se movimenta em parcimônia, seduzindo o ouvinte pelos detalhes.

Em um cenário tão próximo do Indie Rock de 1990 como da essência do rock progressivo, LOSE é uma obra de arranjos extensos, a serem desbravados pelo ouvinte. Ainda que leve em seus 44 minutos e 45 segundos de duração – média aproximada dos últimos lançamentos da banda -, grande parte das canções espalhadas pelo disco ultrapassam os limites de uma faixa “comercial”. São atos acima dos seis minutos, como em Jackson e 2 Hip Soul, e até músicas aos moldes de Laramie, com mais de oito minutos de distorções, cantos e novos improvisos.

Longe de ser interpretado como uma obra “revival”, como os dois primeiros trabalhos da banda, o acerto do novo disco está na expressiva formação de uma identidade musical por parte do CEG. Da essência melódica (Built To Spill) e agressiva (Superchunk) de grandes veteranos da cena alternativa nasce apenas a estrutura da obra, esqueleto aos poucos encorpado por pianos sutis (Jackson), batidas firmes (Chambers) e uma delicadeza rara em se tratando do uso das guitarras distorcidas (Place Names).   Continue reading

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