Tag Archives: Indie

Disco: “Rips”, Ex Hex

Ex Hex
Indie Rock/Alternative/Punk
http://www.exhexband.com/

Por: Cleber Facchi

É difícil saber onde começa o trabalho de Mary Timony e as parcerias com outros artistas. Figura importante da cena de Washington, D.C., a cantora e guitarrista atravessou as últimas duas décadas colecionando passagens em diferentes coletivos ou mesmo projetos assinados individualmente. Obras acumuladas em grupos como Helium, Autoclave e Wild Flag, além de registros autorais lançados no começo dos anos 2000, mas que assumem sua melhor forma com a chegada de Rips (Merge Records, 2014), primeiro trabalho com as (novas) colaboradoras do Ex Hex.

Com título inspirado em um registro solo de Timony, lançado em 2005, a banda fez do som de Hot and Cold, no começo de 2014, a base para o material explorado em totalidade ao longo do presente disco. Vozes rápidas, guitarras sujas e versos pegajosos. Um meio termo entre o rock ensolarado da década de 1960, o Punk de 1977 e o som versátil incorporado pela veterana ao longo de toda a década de 1990.

Em um esforço emergencial, ainda que coeso, cada ato instrumental do disco funciona como uma espécie de resumo e nova interpretação do trabalho de Timony. Enquanto os arranjos de Beast e How You Got That Girl servem de ponte para os primeiros registros da guitarrista, peças como a inaugural Don’t Wanna Lose logo transportam o ouvinte para o presente, como se a guitarrista – ao lado das companheiras de banda Laura Harris (bateria) e Betsy Wright (baixo) -, projetasse um material (quase) inédito.

Ainda que a semelhança com o trabalho de Dum Dum Girls, Best Coast e demais coletivos de peso da cena californiana seja evidente ao longo da obra, basta se concentrar nos versos e vocais ao longo do disco para perceber a diferença no trabalho da veterana. Diferente de Bethany Cosentino, Dee Dee Penny e outras guitarristas/compositoras próximas, Timony brinca com o passado sem fazer disso o princípio para um material nostálgico. Apenas um resgate de experiências previamente incorporadas dentro ou fora de estúdio. Continue reading

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Belle & Sebastian: “The Party Line”

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Ainda que não exista uma ordem específica ou estrutura pré-determinada, de tempos em tempos parece comum ver o Belle and Sebastian assumir novo posicionamento em estúdio. Um esforço de renovação natural, base para toda uma nova sequência de registros autorais. Foi assim com If You Are Feeling Sinister (1996), The Life Pursuit (2006) e esta parece ser a base do aguardado Girls in Peacetime Want To Dance (2015), o nono projeto de estúdio do coletivo escocês.

Primeiro exemplar de inéditas desde o adorável Write About Love, de 2010, o registro sustenta na recém-lançada The Party Line um pouco do que o grupo parece reservar para os próximos lançamentos. Ou pelo menos para os próximos meses. Movida pelo uso de sintetizadores, arranjos dançantes e todo um arsenal de elementos parcialmente raros dentro do extenso material do grupo, a nova faixa sustenta mais de quatro minutos de melodias envolventes, prontas para as pistas, como uma versão aprimorada do material lançado no disco de 2006.

Produzido por Ben H. Allen – Animal Collective, Washed Out -, Girls in Peacetime Want To Dance conta com distribuição pelo selo Matador Records e estreia agendada para 19 de janeiro. Relembre a obra do grupo escocês no especial Cozinhando Discografias.

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Belle & Sebastian – The Party Line

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Sharon Van Etten: “Your Love Is Killing Me”

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Se existe uma certeza dentro da história da música - antiga, recente ou futura – é a de que jamais vão faltar obras alimentadas pelo aspecto triste do amor. Mesmo antes da consolidação da indústria da música, no começo do século XX, sofrer sempre foi encarado como uma fonte natural de inspiração para qualquer compositor. Um campo ilimitado de melodias e versos capazes de revisitar considerações simples, porém, necessárias de um pós-relacionamento. É justamente dentro desse ambiente cinza que Sharon Van Etten fez sua morada e parece extrair toda a base temática para cada disco lançado desde o debut Because I Was in Love, de 2009.

Em evidente crescimento poético, a cantora centrada na região do Brooklyn, Nova York, fez de cada álbum apresentado nos últimos cinco anos uma inteligente transposição das próprias recordações sentimentais. Discos como Epic (2010) e Tramp (2012), que mesmo afundados em temas há muito desgastados por diferentes artistas, conseguiram reforçar identidade e certa dose de ineditismo por conta do catálogo rico (e sofrido) de versos que carregam. Adaptações melancólicas do cotidiano da cantora e obras que servem de alicerce para o bem executado quarto disco de Van Etten, Are We There (2014, Jagjaguwar). Leia a resenha completa.

Assista ao clipe de Sean Durkin para Your Love Is Killing Me.

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Sharon Van Etten – Your Love Is Killing Me

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Hamilton Leithauser: “5 AM”

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A mudança de direção assumida em Heaven (2012), último trabalho em estúdio do grupo nova-iorquino The Walkmen, parece guiar a atuação do (ex-)vocalista Hamilton Leithauser em fase solo. Apostando em uma sonoridade menos soturna do que a lançada pelo grupo no debut Everyone Who Pretended to Like Me Is Gone, em 2002, o cantor usa do versátil Black Hours (2014, Ribbon Music) como uma ferramenta de expansão da própria herança. Sim, a relação com a antiga banda do músico é evidente, porém, os rumos agora assumidos são outros.

Apresentado há poucos meses durante o lançamento da intensa Alexandra, primeiro single do álbum, Black Hours é uma obra que usa de antigas interpretações do pop – nos anos 1960 ou na cena independente no começo dos anos 2000 – como uma ferramenta de estímulo. Enquanto ao lado dos antigos parceiros de banda a seriedade parecia guiar a voz e os temas cantados por Leithauser, hoje o resultado é diferente. “Tolo” em alguns aspectos, o debut do norte-americano é uma obra que sobrevive de emoções e temas simples, acertando justamente por conta dessa ferramenta de pura leveza. Leia a resenha completa.

Assista ao clipe de 5 AM, trabalho dirigido por Tristan Patterson.

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Hamilton Leithauser – 5 AM

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Miojo Indie Naïve Bar

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Estão prontos para mais uma invasão do Miojo Indie no Naïve Bar? Para a próxima edição da “festa”, Cleber Facchi recebe os convidados Thiago Araújo (Brasil Post) e Rodolfo Viana (Brasi Post) em uma noite de Halloween regada a cerveja, mojito e, claro, boa música. No cardápio, o melhor do R&B, Garage, Pop, Indie, Ambient, Glitch, Eletrônica, Witch House e Gótico em uma sequência de faixas que vão da década de 1970 ao cenário recente.

Durante toda a noite, nomes como Kendrick Lamar, How To Dress Well, Perfume Genius, Beyoncé, Jessie Ware, Flying Lotus, FKA Twigs e Caribou invadem a pista. Achou pouco? Que tal uma pitada de Charli XCX, Peaking Lights, Arcade Fire, Aphex Twin e The XX? Aproveitando a noite das bruxas, abaixo uma playlist de aquecimento com um pouco do que você vai encontrar por lá. Para mais informações, dê um pulo na página do Naïve Bar.

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First Aid Kit: “Stay Gold”

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Desde o primeiro álbum em estúdio, The Big Black and the Blue (2010), as irmãs Johanna e Klara Söderberg nunca pareceram se importar e promover um registro de fato transformador dentro do cenário em que estavam inseridas. Observadas atentamente, cada uma das canções lançadas pelo duo sueco sempre ecoaram de forma a reforçar os sentimentos da dupla, como se as faixas – confessionais, doces ou melancólicas – apenas precisassem existir. Longe de tropeçar em redundância, Stay Gold (2014, Columbia), terceiro álbum do First Aid Kit acerta justamente ao apostar nesse mesmo resultado.

Registro mais acessível da dupla até o momento, o novo disco segue a trilha Country-Folk do registro passado, The Lion’s Roar (2012), aproximando (mais uma vez) o duo dos conceitos lançados em solo norte-americano. Como um passeio pela música de raiz apresentada nos anos 1960/1970, o novo disco se acomoda em melodias simplistas, vozes delicadas e a saudade implícita nos versos de cada criação. Logo, as irmãs Söderberg estão mais uma vez em casa – e o ouvinte também. Leia a resenha completa.

Assista agora ao clipe de Stay Gold.

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First Aid Kit – Stay Gold

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Låpsey: “Falling Short”

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Depois de boas composições apresentadas nos últimos meses, Holly Fletcher reserva para o começo de 2015 o primeiro álbum como Låpsey. Agendado para o dia cinco de janeiro pelo selo XL – casa de The XX, Vampire Weekend e King Krule -, Understudy EP apresenta ao público quatro composições inéditas da artista, ainda inclinada em brincar com elementos do R&B e eletrônica de forma minimalista. Como assertivo resumo e aquecimento para o registro, a cantora apresentou a primeira canção de trabalho do material: Falling Short.

Acessível e ainda assim experimental, a peça melancolia soa como os primeiros inventos de James Blake dentro da música negra. Voz densa, sentimentos expostos e delicadeza na construção dos versos. Durante todo o percurso da faixa Låpsey brinca com as referências, soando tão próxima de Dean Blunt e FKA Twigs, quanto de Jai Paul, Jamie XX e outros conterrâneos de selo. Quem se interessar pelo trabalho da cantora pode ouvir outras músicas já publicadas no Soundcloud.

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Låpsey – Falling Short

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Cadu Tenório e Márcio Bulk: “Banquete”

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Depois dos esboço detalhista apresentado em Vozes (2014), há poucos meses, Cadu Tenório mostra que a incorporação de vocais dentro da própria obra está apenas começando. Ao lado do compositor Márcio Bulk, o músico/produtor carioca revela ao público o inédito Banquete (2014), peça colaborativa que mesmo íntima do recente acervo de Tenório, converte ruídos e experimentos antes “complexos” ao público médio em um material hipnótico, quase acessível.

Como explica no texto de apresentação, “Banquete é um projeto de Cadu Tenório e Marcio Bulk baseado na sonoridade característica explorada por Tenório sobre os poemas e letras de Bulk“. Para a construção das quatro faixas do álbum, nomes como Alice Caymmi, Bruno Cosentino, César Lacerda, Lívia Nestrovski e Michele Leal preenchem com delicadeza todas as lacunas de voz, atuando de forma a contrastar o som obscuro que orienta a atmosfera da obra. Abaixo, o trabalho na íntegra para audição. O álbum também está disponível para download gratuito no Banda Desenhada.

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Cadu Tenório e Márcio Bulk – Banquete

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The Pains Of Being Pure At Heart: “Kelly”

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Depois de investir em arranjos ainda mais pesados e sujos durante a construção de Belong (2011), os membros do The Pains Of Being Pure At Heart assumiram um novo percurso com o terceiro álbum de estúdio. Em Days Of Abandon (2011), o grupo nova-iorquino continua a brincar com o mesmo Dream Pop/Shoegaze apresentado nos primeiros anos, reforçando no uso de melodias delicadas um novo sentido para a banda.

Composição mais pegajosa do disco, Kelly resume com naturalidade o atual posicionamento do lider Kip Berman e demais parceiros de banda. Enquanto a convidada Jen Goma (A Sunny Day in Glasgow) assume a responsabilidade pelos vocais, guitarras delicados e sintetizadores visitam o mesmo cenário de bandas como The Smiths, The Pastels e demais veteranos da década de 1980. Sem exageros, o grupo apresenta agora o clipe da faixa. A direção é de Art Boonparn.

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The Pains Of Being Pure At Heart – Kelly

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Disco: “Shuffle”, André Paste

André Paste
Brazilian/Electronic/Alternative
https://soundcloud.com/andrepaste

Por: Cleber Facchi
Fotos: André Paste / Hick Duarte 

Aos domingos, casais lutando por sabonetes em uma banheira e ereções televisionadas. No rádio, a eletrônica curiosa das sete melhores da Jovem Pan, o domínio do Axé Bahia, além da lenta expansão do Funk Melody – posteriormente adaptado por Latino em sua fase “autoral”. Faustão, o Sushi Erótico e a completa inexistência (ou construção) do termo “politicamente incorreto”.

Quem deixou a década de 1990 acontecer?

Involuntariamente educado por todo esse acervo de referências sonoras e visuais – principalmente visuais -, talvez venha daí a resposta para o som bem-humorado e versátil do capixaba André Paste. Hábil na construção de músicas que aproximam Indie, Pop e até versículos bíblicos do Funk Carioca – caso da mixtape Cid Moreira On The Dancefloor -, Paste explora em Shuffle (2014), primeiro álbum de estúdio, um material distinto em relação aos primeiros trabalhos, brincando com as próprias referências, mas sem escapar de um projeto autoral.

De cara, uma surpresa. Os tradicionais mashups e remixes cômicos que apresentaram o produtor foram descartados do registro. Em um domínio próprio, Paste sustenta 11 peças originais e inéditas – três delas vinhetas. Músicas fragmentadas entre diferentes vozes, músicos e colaboradores, porém, incapazes de ocultar a essência debochada do produtor. Em um esboço de maturidade, Shuffle sintetiza o mesmo som irônico e dançante de mixtapes como Mezenga & Berdinazzi, Gangsta Brega e qualquer registro arquivado no soundcloud do capixaba.

Mesmo homogêneo, Shuffle se divide com naturalidade em dois grupos de canções. Na primeira metade, o acervo “eletrônico” do álbum. Um meio termo entre o ensaio lançado em OrKuT, ainda em 2012, e o som “tropical” de Cashmere Cat. Faixas como Island (parceria com We Are Pirates) e A Calma (com Fepaschoal) que não apenas reforçam o crescimento de Paste, como a expressiva interferência de SILVA, responsável por boa parte dos instrumentos do disco, além dos versos e temas sintéticos explorados na confessional Laura – quase uma sobre de Vista Pro Mar (2014). Continue reading

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