Tag Archives: Indie

Disco: “Days Of Abandon”, The Pains Of Being Pure At Heart

The Pains Of Being Pure At Heart
Shoegaze/Indie Pop/Dream Pop
http://thepainsofbeingpureatheart.com/

Por: Cleber Facchi

The Pains

Pode uma banda se manter confortável dentro de uma fórmula própria e ainda assim conseguir inovar? Basta ouvir o novo registro em estúdio do grupo nova-iorquino The Pains Of Being Pure At Heart para entender que sim. Em Days Of Abandon (2014, Yabo), todas as experiências ressaltadas pelo grupo desde o autointitulado debut, de 2009, continuam a se repetir sob doce exaltação. Uma construção que não distorce os ruídos inaugurais da banda, potencializa as melodias típicas do Dream Pop e apresenta o terceiro álbum do grupo em um cenário tão característico, quanto desconhecido.

Em um sentido de recolhimento quando próximo do disco anterior, Belong, de 2011, o novo álbum quebra a fluidez crua do shoegaze para reforçar o lado mais “doce” da banda. Lembra de todas as emanações lançadas por Young Adult Friction, A Teenager In Love e demais faixas entregues no debut? Basta a inaugural Art Smock ou mesmo a “sujinha” Simple and Sure para perceber que todas essas experiências estão de volta. Amor, melancolia e as experiências típicas de jovens adultos. Versos confessionais que crescem em cima de massas quase colhedoras de ruídos.

Como se estivesse em busca de novas possibilidades para o projeto, Kip Berman, vocalista, guitarrista e grande nome aos comandos do grupo, apresenta ao público um novo conjunto de referências. Ainda que a veterana The Pastels, grande influência da banda, seja a matéria-prima para o exercício seguido até The Asp In My Chest, cada passado dado ao longo da obra ecoa novas inspirações. Enquanto Kelly é praticamente uma música “clone” dos britânicos do The Smiths, a delicada (e crescente) Coral and Gold flui como uma herança típica da banda Galaxie 500. Mais uma ponte curiosa do grupo para o passado.

Em se tratando do registro de 2011, talvez o que tenha “sobrevivido” são as melodias de vozes aproveitadas agora com maior segurança. Basta a colagem vocal que ocupa todas as esferas de Eurydice ou mesmo Simple and Sure para ver isso, músicas que crescem como uma sequência ao resultado entregue em Heart in you Heartbreak e The Body, alguns dos exemplares mais acessíveis do último álbum. A mesma preferência se revela em outras como Life After Life e Beautiful You, faixas que usam dessa característica, porém, voltam os acordes para o novo catálogo de referências do grupo. Continue reading

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tUnE-yArDs: “Water Fountain”

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Tune-yards

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A percussão tribal, as vocalizações quebradas e guitarras repletas de suingue de Water Fountain não escondem: Nikki Nack (2014) chega como uma extensão do elogiado W h o k i l l (2011). Terceiro registro em estúdio da excêntrica Merrill Garbus à frente do tUnE-yArDs, o trabalho encontra na recém-lançada composição mais do que uma continuação do disco lançado há três anos, mas um ambiente de imposição estética da própria artista.

Praticamente uma faixa irmã de músicas como Bizness e Gangsta, Water Fountain encontra no cruzamento entre voz e percussão um imenso universo de possibilidades para Garbus. São experiências que abraçam a sonoridade africana, encontram a essência do Talking Heads e ainda emulam as mais variadas preferências de um típico achado pop. Com todo esse conjunto de possibilidades, Garbus parece ainda mais distante do cenário apresentado em 2009 com BiRd-BrAiNs, trazendo no disco previsto para seis de maio um ponto de consolidação. Abaixo você encontra o coloridíssimo clipe da canção, trabalho dirigido por Joel Kefali.

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tUnE-yArDs – Water Fountain

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Disco: “Loom”, Fear Of Men

Fear Of Men
Indie/Post-Punk/Dream Pop
https://www.facebook.com/fearofmen
http://www.fearofmen.co.uk/

Por: Cleber Facchi

Fear Of Men

Existe uma distância imensa e ao mesmo tempo certa dose de conforto em relação ao ambiente musical de Early Fragments, de 2013, e o recém-lançado Loom (2014, Kanine), “novo”/álbum de estreia do Fear Of Men. Enquanto o registro entregue há poucos meses parecia funcionar como uma coletânea de singles e espécie de estreia exclusiva em território europeu, o presente invento vai além de uma reaproveitada obra de apresentação mundial. Trata-se de um disco que transforma o parcialmente desvendado conjunto de emanações sombrias lançadas pela banda britânica, mergulhando o ouvinte em um cenário de pequenas incertezas.

A julgar pelo resgate de faixas como Green Sea e Seer, o recente invento se revela como uma explícita continuação do trabalho anterior, todavia, bastam os minutos iniciais da dobradinha Alta e Waterfall, além da comunicação amarga entre os arranjos para perceber que os rumos agora são outros. Ainda aos comandos de Jessica Weiss e Daniel Falvey, porém, acompanhados apenas por Michael Miles, a banda original de Brighton deixa de lado os temas típicos de pós-adolescentes para mergulhar com segurança na fase adulta.

Em uma comunicação atenta com tudo aquilo que a cena britânica proporcionou ao longo dos anos 1980 – principalmente The Smiths -, cada minuto do trabalho abraça a melancolia como uma forma de sustento. São versos enclausurados pela depressão, abandono e isolamento, ferramentas típicas de uma banda iniciante, mas que se transformam enquanto a banda acrescenta conceitos psicanalíticos (Sigmund Freud) e literários (Sylvia Plath, Anais Nin) em um esforço autêntico. Uma típica obra marcada pela colagem de influências, mas que em nenhum momento tropeça na falta de identidade.

Preso em um ambiente musical particular, porém livre em se tratando dos versos assumidos por Weiss, Loom – do inglês, agigantar, elevar – é um disco que força o existencialismo de sua autora como ferramenta própria de exorcização. Tratando a si mesma como personagem em um ambiente que parece artificial – experiência evidente em Vitrine e Descent -, a cantora estabelece um curioso laço com o ouvinte. Trata-se de uma obra de adaptação, de sobrevivência não apenas dentro do “mundo dos adultos”, mas de qualquer ambiente instável que possa corromper ou balançar a segurança emocional do ouvinte. Continue reading

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Damon Albarn: “Heavy Seas Of Love”

Damon Albarn

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Se existe um registro que conseguiu deixar o público nervoso/eufórico mesmo meses antes do lançamento, este é Everyday Robot (2014). Estreia definitiva de Damon Albarn em carreira solo, o trabalho apresentado em pequenas doses ao longo dos meses parece ser um objeto de distanciamento em relação aos inventos iniciais do músico. Nada do clima funkeado do Gorillaz, esqueça as guitarras explosivas e o pop despretensioso que moveu o Blur na década de 1990, Albarn, ao que tudo indica, está realmente interessado em construir um ambiente próprio.

Acompanhado de perto por Brian Eno, co-produtor do disco, e contando com a presença de outros nomes da música inglesa, caso de Natasha Khan (Bat For Lashes), Damon vem promovendo um trabalho a ser desvendado lentamente, algo que Heavy Seas Of Love trata como um propósito. Mais novo clipe/canção de trabalho do cantor, a faixa encontra na direção do próprio Albarn e na edição pontual de Matt Cronin um conjunto de imagens assertivas em se tratando das melodias tristes que definem a criação. Everyday Robots estreia oficialmente no dia 29 de abril, mas já circula gratuitamente pela rede.

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Damon Albarn – Heavy Seas Of Love

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Disco: “Drop”, Thee Oh Sees

Thee Oh Sees
Garage Rock/Psychedelic/Lo-Fi
http://www.theeohsees.com/

Por: Cleber Facchi

Thee Oh Sees

John Dwyer não sabe ficar mais do que alguns meses em hiato até investir em algum novo registro em estúdio. Ainda bem. Responsável pelos versos, arranjos (sujos) e grande parte das experiências que definem a sonoridade do Thee Oh Sees, o músico californiano prova que mesmo os anos à frente do projeto e a extensa produção de discos estão longe de afetar o comprometimento criativo do grupo. Maturidade e certa dose de ineditismo que automaticamente são reforçados no lançamento de Drop (2014, Castle Face).

Mais novo invento assinado por Dwyer e seus (hoje) quatro companheiros de banda, o nostálgico e ainda recente disco parece seguir a mesma fórmula proposta pelo músico de São Francisco há mais de uma década. São composições semi-artesanais diluídas entre as experiências lisérgicas do Rock Psicodélico e a linha suja das distorções, típicas do Garage Rock. Músicas conduzidas por uma poesia confessional, romântica por vezes, mas que em nenhum momento oculta a esquizofrenia (ou seriam os exageros?) de seu criador.

Em um sentido de continuidade e ao mesmo tempo ruptura com o trabalho anterior, Floating Coffin (2013), também lançado pelo selo Castle Face, Drop abandona a complexidade das guitarras para investir em uma estrutura “simples”. Espécie de diálogo com os projetos anteriores do grupo, principalmente Carrion Crawler/The Dream (2011), Putrifiers II (2012) e todos os grandes álbuns apresentados pelo selo In The Red, o novo disco quebra o exagero para brincar com uma composição específica, ainda que caótica.

Se por um lado a imposição crua de faixas como Penetrating Eye e Put Some Reverb On My Brother joga o disco para um ambiente típico dos anos 1960, em momentos específicos do álbum é possível tropeçar em canções orquestradas por guitarras de maior “requinte”, típicas dos anos 1970. Basta Savage Victory e o solo atento na segunda metade da faixa para perceber como boa parte das imposições conquistadas de forma quase límpida há poucos meses continuam a reverberam. Um efeito que se repete ainda nos instantes finais do álbum, como na psicodélica Transparent World ou mesmo na essencialmente detalhista The Kings Nose. Continue reading

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London Grammar: “Sights”

London Grammar

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Autores de um dos melhores clipes lançados em 2013 – Nightcall – e autores de um dos grandes registros visuais de 2014 – Hey Now -, os membros do London Grammar resolveram investir um pouco menos na produção do clipe de Sights, pelo menos criativamente. Com direção assinada por Giorgio Testi e imagens captadas no teatro londrino The Troxy, o trabalho se concentra em uma tímida apresentação ao vivo da banda, que usa da plateia (silenciosa) como uma ferramenta essencial para a manipulação das imagens.

Econômica, a canção reflete com acerto toda a orientação musical do trio Dominic ‘Dot’ Major, Hannah Reid e Dan Rothman. Da  mesma forma que os últimos lançamentos do grupo britânico, a canção é parte do bem recebido If You Wait, álbum de estreia da banda e trabalho apresentado oficialmente no último ano.

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London Grammar – Sights

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Disco: “The Space Project”, Vários Artistas

Vários Artistas
Experimental/Ambient/Psychedelic
http://www.lefserecords.com/

Por: Cleber Facchi

Em 1977, o governo dos Estados Unidos enviou ao espaço as sondas Voyager I e II com o objetivo de aprofundar o conhecimento sobre Júpiter, Saturno e o restante dos planetas que compõem o eixo final do sistema solar. Em quase quarenta anos de missão, as duas sondas coletaram informações técnicas, milhares de imagens e um efeito curioso: o “som” dos planetas. Resultado de variações eletromagnéticas de luas, planetas, asteróides e outros corpos celestes, os curiosos ruídos são agora trabalhados como música dentro do mágico Space Project (2014, Lefse), uma coletânea pensada para o Record Store Day e que apresenta um time de artistas brincando com os sons da fronteira final.

Longe de parecer uma ideia original – basta recuperar o eixo inicial de My Girls, do Animal Collective para reforçar a experiência -, o projeto tende ao ineditismo por conta do bem escalado grupo de artistas que definem cada canção da obra. Seja pela presença (quase óbvia) do “astronauta”/veterano Jason Pierce, do Spiritualized, ao conjunto de “novatos” como Youth Lagoon, Beach House e The Antlers, cada minuto do registro de 14 faixas se entrega ao esforço lisérgico das vozes, arranjos e temas com verdadeiro acerto. Viajantes espaciais que não precisam sair de terra firme para transportar a mente do público para longe.

Alimentado pela comunicação atenta dos sons, Space Project vai além de uma mera coletânea ou coleção de ideias avulsas. Partindo de uma mesma matéria-prima – os angustiantes ruídos eletromagnéticos -, cada um dos artistas, mesmo partindo de ideias particulares, encerram a jornada com proximidade, em um mesmo ambiente estético. São vocalizações sujas, sintetizadores ordenados de forma climática e todas uma massa ruidosa de elementos que fazem da inaugural Giove, do Porcelain Raft, e Sphere of lo, de Larry Gus, fragmentos de um mesmo universo. As possibilidades, tal qual o espaço, são infinitas.

Com um pé na psicodelia e outro na Ambient Music, cada instante do trabalho se fragmenta em diferentes essenciais musicais. É possível encontrar desde faixas orquestradas com firmeza pelo Blues – caso de Blues Danube, canção assinada pela dupla Blues Control -, até composições que interpretam a música Folk em uma linguagem mística – vide o esforço do norte-americano Mutual Benefit na delicada Terraform. A diversidade, explícita na eletrônica de Long Neglected Words (Benoit & Sergio) ou no Dream Pop de Saturn Song (Beach House), nunca ultrapassa um limite específico: o de produzir uma trilha sonora para um passeio pelo espaço. Continue reading

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Mazzy Star: “I’m Less Here”

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De todos os grandes retornos musicais de 2013, a volta do duo Mazzy Star é de longe uma das melhores e mais bem sucedidas. Com o lançamento de Seasons of Your Day, quarto registro em estúdio do casal David Roback e Hope Sandoval, todas as experiências armazenadas em Among My Swan (1996) não apenas foram resgatadas, como reforçaram a boa forma do projeto – capaz de seguir em um ambiente tão familiar quanto inédito aos novos e velhos ouvintes.

Entre as grandes composições que definem a recente fase da banda está I’m Less Here, faixa que parece seguir exatamente de onde a dupla parou há 18 anos, como assume um ponto isolado dentro da presente fase do Dream Pop estadunidense. Conduzida de forma simples, ao som de violões climáticos e a voz ecoada de Sandoval, a canção lançada especialmente para o Record Store Day flutua em emanações pacatas, trazendo melancólico que carrega um evidente objeto de complemento estético.

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Mazzy Star – I’m Less Here

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CHVRCHES: “We Sink” (The Range Remix)

Chvrches

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Se por um lado as canções lançadas pelo CHVRCHES em The Bones Of What You Believe, de 2013, reverberam boas melodias, letras fáceis e um cuidado típico da música pop, em se tratando dos remixes a sonoridade buscada é outra. Em busca de um resultado minimamente estranho, o trio já se relacionou com produtores como Tourist, KDA e Ikonika, deixando nas mãos de James Hinton, produtor aos comandos do The Range, a nova versão da música We Sink.

Segunda canção do álbum, a faixa originalmente rápida e crescente mergulha de vez na atmosfera lançada pelo norte-americano. Valorizando as batidas, camadas cíclicas e a voz Lauren Mayberry tratada como uma ferramenta, Hinton praticamente recria a música. Ainda que a abertura mantenha a tonalidade da música original, quanto mais cresce, mais a faixa parece com uma sobra (ou extensão) de Nonfication, estreia do artista. Estranha e ainda assim atrativa.

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CHVRCHES – We Sink (The Range Remix)

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Yuck: “Southern Skies”

Yuck

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Pelo visto os membros do Yuck não querem tirar férias tão cedo. Poucos meses depois de apresentar o segundo álbum de estúdio, Glow & Behold (2013), e provar que o grupo é capaz de seguir em frente mesmo sem o ex-vocalista Daniel Blumberg, chega a vez de conhecer mais um novo invento da banda. Trata-se do EP Southern Skies, um trabalho que passeia tanto pelas melodias sujas da década de 1990, marca da banda, como por caminhos raros dentro da estética original do projeto.

Exemplo eficaz disso está no interior da própria faixa-título do EP. Com mais de cinco minutos de duração, a música é uma representação de tudo aquilo que o Yuck nunca foi: uma banda pacata. Movida por guitarras tímidas e os vocais quase sussurrados de Max Bloom, a nova música usa da calmaria como uma passagem para pianos, versos tristes e uma bateria quase imperceptível. O melhor talvez seja perceber como isso funciona para o grupo. Abaixo você encontra o vídeo da canção, que conta com assinatura de Jacob Perlmutter.

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Yuck – Southern Skies

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