Tag Archives: Indie

Disco: “LOSE”, Cymbals Eat Guitars

Cymbals Eat Guitars
Indie Rock/Alternative/Rock
http://cymbalseatguitars.com/

Por: Cleber Facchi

Da geração de bandas norte-americanas que nasceram na segunda metade da última década, poucas amadureceram tanto quanto a Cymbals Eat Guitars. Fruto da mesma safra de Titus Andronicus, The Pains of Being Pure at Heart e outros coletivos próximos, o grupo de Nova York carrega no peso das guitarras e melodias abertas a ponte que conecta o rock alternativo do fim dos anos 1990 ao presente. Referências tão próximas de Built to Spill, The Wrens e Modest Mouse, quanto do quarteto, hoje um comprovado veterano ao alcançar o terceiro álbum da carreira, LOSE (2014, Barsuk).

Obra mais segura (e ampla) já projetada por Joseph D’Agostino, Andrew Dole, Matt Whipple e Brian Hamilton, o presente álbum é um verdadeiro exercício de consolidação. Se há pouco menos de três anos as guitarras sujas de Lenses Alien (2011) revelavam “apenas” uma extensão aprimorada do som cru lançado em Why There Are Mountains (2009), hoje cada porção instrumental espalhada pela obra se movimenta em parcimônia, seduzindo o ouvinte pelos detalhes.

Em um cenário tão próximo do Indie Rock de 1990 como da essência do rock progressivo, LOSE é uma obra de arranjos extensos, a serem desbravados pelo ouvinte. Ainda que leve em seus 44 minutos e 45 segundos de duração – média aproximada dos últimos lançamentos da banda -, grande parte das canções espalhadas pelo disco ultrapassam os limites de uma faixa “comercial”. São atos acima dos seis minutos, como em Jackson e 2 Hip Soul, e até músicas aos moldes de Laramie, com mais de oito minutos de distorções, cantos e novos improvisos.

Longe de ser interpretado como uma obra “revival”, como os dois primeiros trabalhos da banda, o acerto do novo disco está na expressiva formação de uma identidade musical por parte do CEG. Da essência melódica (Built To Spill) e agressiva (Superchunk) de grandes veteranos da cena alternativa nasce apenas a estrutura da obra, esqueleto aos poucos encorpado por pianos sutis (Jackson), batidas firmes (Chambers) e uma delicadeza rara em se tratando do uso das guitarras distorcidas (Place Names).   Continue reading

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Sharon Van Etten: “Our Love” (The Juan MacLean Remix)

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De todas as sensações repassados por Sharon Van Etten em Are We There (2014), “dançar” talvez seja a que menos tem chances de passar pela cabeça do ouvinte ao longo da triste obra. Pelo menos até agora. Carregado de melancolia, o quarto álbum de estúdio da cantora norte-americana lentamente se aproxima das pistas graças ao delicado remix de John MacLean para Our Love, uma das mais tristes faixas do último trabalho da artista.

Ainda que pareça feita para promover a obra de Van Etten, a bem executada versão serve de aviso para a chegada de In A Dream (2014), mais recente álbum do produtor à frente do The Juan MacLean. Ainda que dividido com a vocalista Nancy Whang (ex-LCD Soundsystem), o mérito do remix é todo de MacLean, responsável por estender a base soturna da versão original da faixa, bem como os vocais precisos da cantora folk, tão convincente em seu formato original, quanto “eletrônico”.

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Sharon Van Etten – Our Love (The Juan MacLean Remix)

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Disco: “Rainha dos Raios”, Alice Caymmi

Alice Caymmi
Alternative/Electronic/Female Vocalists
http://www.rainhadosraios.com/

Por: Cleber Facchi

O mar inquieto desbravado por Alice Caymmi durante o primeiro álbum de estúdio, de 2012, encontra agora seu estado de maior agitação. Em Rainha dos Raios (2014, Joia Moderna), segundo trabalho solo da cantora e compositora carioca, todas as experiências – líricas e musicais – arrastam agora o espectador para um cenário de plena incerteza e constante transformação. Instável e senhora do próprio domínio, Alice rompe de forma decisiva com os laços da própria herança, deixando de ser encarada apenas como a “neta de Dorival Caymmi” para governar um universo inteiro dentro das próprias imposições.

Imenso registro de possibilidades, a obra “em louvor” à Iansã – a orixá das tempestades – logo se converte em um registro de incorporação. Das vozes fortes tomadas pela androginia ao uso versos provocados pelo incerteza de gênero do eu-lírico, quem passeia com liberdade pelo disco não é Alice, mas as diferentes entidades que temporariamente invadem o corpo (e voz) da artista.

Contrariando a força autoral do primeiro disco – rompida apenas na regravações de Unravel de Björk e Sargaço Mar do próprio avô -, aqui Alice é Caetano Veloso (Homem), Maysa (Meu Mundo Caiu), MC Marcinho (Princesa) e até uma versão transformada dela mesma (Antes de Tudo). Mesmo quando se encontra com o hitmaker Michael Sullivan em Meu Recado, Caymmi está longe de repetir a mesma “personagem” exaltada no álbum de estreia. Rostos, vozes e papéis que se confundem sem deixar de ditar a direção (incerta) a ser seguida pelo ouvinte no decorrer do trabalho.

Ainda que encarado como uma obra de interpretações – das nove faixas do disco, sete contam com assinatura ou foram gravadas previamente por outros artistas -, Rainha dos Raios está longe de ser resumido como um simples “disco de versões”. Inclinado ao remodelar de cada faixa, Diogo Strausz, produtor do disco, brinca não apenas com a base experimental de cada canção, mas com a essência da própria cantora. Parceiros desde o experimento testado em Iansã, no último ano, Strausz e Caymmi testam referências (Sou Rebelde), forçam o uso da voz como instrumento (Meu Recado) e, principalmente, atravessam um oceano imenso de novos ritmos. Continue reading

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Angel Olsen: “All Right Now” e “High & Wild”

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Repleto de referências aos sons incorporados no Country/Folk dos anos 1970, Burn Your Fire for No Witness (2014) é mais do que uma representação da essência musical de Angel Olsen, mas uma tradução amarga dos sentimentos da própria artista. Satisfatório em se tratando do conjunto de 11 faixas que definem a versão original do trabalho, o sucessor do satisfatório Half Way Home (2012) ganha no dia 18 de novembro uma edição especial abastecida por cinco composições inéditas.

Também com lançamento pelo selo Jagjaguwar, o “novo” álbum resume na singeleza de All Right Now uma mostra convincente do que Olsen reserva para os próximos meses. Adornada pelos mesmos elementos referenciais do restante da obra, a canção borbulha em um agregado de vocalizações sublimes e arranjos econômicos, um resumo de todo o material lançado no começo de fevereiro. Além da nova música, a cantora aproveitou para apresentar o clipe de High & Wild, registro caseiro que conta com o apoio do próprio público e membros da banda de apoio da artista.

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Angel Olsen – All Right Now

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Angel Olsen – High & Wild

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ruído/mm: “Cromaqui”

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Quem acompanha a paranaense ruído/mm desde o álbum/EP Série Cinza, de 2004, talvez fique espantado com a ferocidade que invade o interior de Cromaqui. Mais recente invento do coletivo de Curitiba, a efêmera criação de dois minutos talvez seja a faixa mais distinta já lançada pela banda desde a estreia definitiva com o álbum A Praia, em 2008. Urgente, suja e até mesmo “pop” em alguns instantes, a nova música resume com naturalidade o material que o grupo reserva para o próximo registros de estúdio, o esperado Rasura.

Primeira composição inédita da banda desde o álbum de 2011, Introdução à Cortina do Sotão, Cromaqui rompe com a expectativa de quem esperava por um som delicado, na linha de Índios, interpretação da banda para o clássico de 1986 da Legião Urbana. Parte de uma compilação montada pela banda Labirinto e lançada no soundcloud da Brasil Music Exchange, a recente canção é parte do disco que estreia oficialmente no dia 27 deste mês.

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ruído/mm – Cromaqui

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Dream Police: “Hypnotized”

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A resposta para a constante mudança de sonoridade dentro da discografia do The Men está em seus próprios criadores, Mark Perro e Nick Chiericozzi. Únicos membros remanescentes da formação original do grupo nova-iorquino, o duo não quer esperar até o próximo álbum da banda para encarar um novo acervo de referências musicais. Poucos meses depois de apresentar o ótimo Tomorrow’s Hits (2013), a dupla lança agora sua nova invenção: Hypnotized.

Trata-se da faixa título do primeiro álbum assinado pelo novo projeto da dupla, o Dream Police, uma interpretação eletrônica do mesmo som explorado pelo The Men desde o psicodélico/punk álbum de 2012, Open Your Heart (2012). Imenso catálogo de referências, a nova banda concentra tanto as guitarras características da década de 1970, com os sintetizadores dançantes lançados nos anos 1980. Uma colisão de temas que vão do Rock Clássico ao pós-punk do período sem necessariamente fugir da presente cena. Com lançamento pelo selo Sacred Bones, Hypnotized (o disco) estreia no dia 11 de novembro.

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Dream Police – Hypnotized

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Disco: “This Is All Yours”, Alt-J

Alt-J
British/Indie/Alternative
http://www.altjband.com/

Por: Cleber Facchi

Em um sentido oposto ao da homogenia ressaltada no começo dos anos 2000, durante a expansão do Revival Pós-Punk, nítida é a transformação imposta por todo um novo cercado de artistas que ocupam a cena inglesa. Coletivos como Everything Everything, Egyptian Hip Hop e Django Django; grupos motivados pelo mesmo “pop complexo” assinado por Foals, Wild Beasts e outros responsáveis pela transição de conceitos ainda na segunda metade da última década, mas que parecem em busca de um som cada vez mais particular.

Fruto explícito desse novo “movimento”, o grupo de Leeds Alt-J talvez seja o mais querido do público dentro de toda a nova safra de artistas britânicos. Com uma massa de ouvintes fiéis (e em expansão) desde a chegada do debut An Awesome Wave (2012) – verdadeira coletânea pop embalada de forma “experimental” -, o (hoje) trio resume no lançamento do segundo álbum de estúdio uma obra centrada na autoafirmação e, ao mesmo tempo, carregada de novas experiências.

Esculpido de forma menos “comercial” que o antecessor, This Is All Yours (2014, Infectious) é um trabalho que pode até escapar de faixas imediatas, como Breezeblocks e Tessellate, mas que surpreende pela delicadeza de seus (extensos) atos. Exemplo expressivo disso está em Hunger of the Pine. Escolhida para apresentar o disco, a lenta composição cresce como um ressaltar harmônico das nuances do Art Rock – de grupos como These New Puritans -, mas sem deixar de flertar com desconstrução do pop recente – vide a inclusão de trechos da música 4X4 de Miley Cyrus, “I’m a Female Rebel“. Todavia, assim como o álbum de 2012, o grande erro do Alt-J não está no acumulo e uso amplo de referências, mas na forma como grande parte desses elementos são encaixados de maneira “inexata” ao longo da obra.

Por mais comovente que seja o material apresentado em Hunger Of The Pine, mesmo que a música de Left Hand Free pareça comercialmente viável ou que o som de The Gospel of John Hurt ecoe de forma curiosa, falta coerência ou uma possível linha temática capaz de amarrar o imenso material do disco. É nítida a tentativa do grupo em iniciar um planejamento conceitual com a “trilogia Nara” – Arrival in Nara, Nara e Leaving Nara -, entretanto, a hiperatividade sobrepõe o controle, levando o trio a tropeçar no mesmo catálogo de sons avulsos de An Awesome Wave. Ideias, colagens, referências que tornam a experiência de apreciar o álbum confusa – vide o corte brusco que separa Every Other Freckle de Left Hand Free, esta última, música que parece incluída apenas por pressão da gravadora. Continue reading

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Indieoteque Miojo Indie

É hora de mais uma Indieoteque ao som e tempero do Miojo Indie! Durante toda a noite, clássicos antigos e recentes do Indie rock, eletrônica, rock alternativo e Hip-Hop comandam a festa. Para a nova edição da festa, Cleber Facchi (Miojo Indie) recebe os amigos Thiago Araújo (Brasil Post), Nani Rodrigues e Gustavo Assumpção (CineClick) para uma noite abastecida por clássicos antigos e recentes. Abaixo, a mixtape de aquecimento da festa:

Você vai ouvir: Vampire Weekend, Arcade Fire, HAIM, Disclosure, Blood Orange, Phoenix, Queens Of The Stone Age, Daft Punk, Arctic Monkeys, Lykke Li, Chromatics, Icona Pop, Hot Chip, CHVRCHES, Young Galaxy, The Strokes, Charli XCX, Tame Impala, Friendly Fires, Silva, Pixies, Grimes, The XX, Silva, Jessie Ware, Animal Collective, Talking Heads, Radiohead, Dirty Projectors, Björk, The Rapture, Interpol, Kanye West, Deerhunter, Alt-J, Baths, Amy Winehouse, Savages, Yeah Yeah Yeahs, Janelle Monáe, She & Him, !!!, Purity Ring, Real Estate, Toro Y Moi, Crystal Castles, The Killers, The Kinfe, Tyler The Creator, Best Coast, Chairlift, Foals, Everything Everything, Frank Ocean, Holy Ghost!, Justin Timberlake, Mac DeMarco, La Roux, Kendrick Lamar, MGMT, Lily Allen, Twin Shadow, Solange, Passion Pit, Spoon, The New Pornographers, Wavves, Chloe Howl, Ducktails, Unknown Mortal Orchestra, Franz Ferdinand, Azealia Banks, Japandroids, Two Door Cinema Club, e mais. ♩♬♪♩♫

:::: LINE UP ::::

Cleber Facchi (Miojo Indie)
Thiago Araújo (Brasil Post)
Nani Rodrigues
Gustavo Assumpção (CineClick)

:::: QUANTO ::::

Entrada gratuita até as 22h!
Confirme presença no Facebook AQUI.
Preço após as 22h: Com nome na lista -> R$40 consuma ou R$20 de entrada
Sem nome na lista -> R$60 consuma ou R$30 de entrada
Lista de desconto no site: http://bit.ly/SetembroMiojoIndie 

::: ANIVERSÁRIOS :::

Quer comemorar seu aniversário na Funhouse? Você ganha VIPs, pode girar a nossa roleta e mais! Confira as vantagens no site: http://bit.ly/HVkjYO

:::: ESQUENTA ::::

Novidade na Funhouse! Abrimos nossas portas às 20h para happy hour e esquenta! A entrada não é cobrada e ainda tem promo de cerveja: compre 4, leve 5! +infos: http://bit.ly/17dbmUk

ATENÇÃO: Só é permitida a entrada de maiores de 18 anos na casa e todos devem portar um documento oficial com foto recente.

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Medicine: “Move Along – Down The Road”

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Um dos grandes medos em se tratando da volta do Medicine – banda que permaneceu em hiato durante 10 anos -, não estava na possibilidade de Brad Laner ser incapaz de repetir o acerto dos primeiros discos do grupo, mas que passado o lançamento de To the Happy Few (2013) a banda californiana entrasse em um novo (e extenso) hiato. Para a felicidade do público, o quinto álbum do grupo de Los Angeles não apenas surpreende, como ainda serve de estímulo para o próximo disco da banda: Home Everywhere (2014).

Ainda mais intenso do que no último ano, Laner e os parceiros de banda abraçam de vez o Noise Pop para apresentar a inédita Move Along – Down The Road, o primeiro exemplar do novo disco. Soando como uma típica criação do grupo no começo da década de 1990, a faixa ainda estreita a relação com a presente geração de bandas, dividindo o mesmo campo experimental do grupo A Sunny Day In Glasgow no ótimo Sea When Absent (2014). Com lançamento previsto para 28 de outubro, o novo disco estreia pelo selo Captured Tracks, o mesmo do trabalho anterior.

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Medicine – Move Along – Down The Road

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Cozinhando Discografias: The National

A seção Cozinhando Discografias consiste basicamente em falar de todos os álbuns de um artista, ignorando a ordem cronológica dos lançamentos. E qual o critério usado então? A resposta é simples, mas o método não: a qualidade. Dentro desse parâmetro temos uma série de fatores determinantes envolvidos, que vão da recepção crítica do disco no mercado fonográfico, além, claro, dentro da própria trajetória do grupo e seus anteriores projetos. Além da equipe do Miojo Indie, outros blogs parceiros foram convidados para suas específicas opiniões sobre cada um dos trabalhos, tornando o resultado muito mais democrático.

Das bandas norte-americanas que surgiram no começo dos anos 2000, poucas cresceram tanto e ainda foram capazes de manter a própria essência quanto o The National. Nascido no final dos anos 1990 na cidade de Cincinnati, Ohio, o quinteto formado por Matt Berninger, Aaron e Bryce Dessner e Bryan e Scott Devendorf carrega na própria discografia um dos acervos mais dolorosos e honestos da música recente. São versos embebidos em álcool, declarações de amor e tormentos claustrofóbicos, temas fundamentais para a construção de obras tão íntimas da banda, quanto do próprio ouvinte. Continue reading

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