Tag Archives: Indie

The Drums: “Magic Mountain”

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Quando o The Drums apareceu com o EP Summertime!, em 2009, o clima litorâneo parecia ser a chave para entender o trabalho da banda comandada por Jonathan Pierce. Passados dois registros em estúdio – The Drums (2010) e Portamento (2011) – e uma busca por novas experiências musicais – entre elas o Pós-Punk -, hoje o “grupo” nova-iorquino tenta se (re)encontrar. Melhor exemplo disso está em Magic Mountain, o primeiro single de Encyclopedia (2014), o terceiro álbum da banda atualmente sustentada por Pierce e Jacob Graham.

Carregada de misticismo, sintetizadores psicodélicos e uma estranha relação com a New Wave, a nova música apaga de vez o passado da banda, como se indicasse os novos rumos da dupla. Vozes, batidas e arranjos: nada aqui soa de forma ensolarada, como em Let’s Go Surfing. A faixa, que já foi lançada há poucos dias, aparece agora como clipe, soando ainda mais perturbadora nas imagens assinadas por Gorjan Lauseger. Encyclopedia estreia no dia 24 de setembro pelo selo Minor Records.

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The Drums – Magic Mountain

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Disco: “The Voyager”, Jenny Lewis

Jenny Lewis
Indie/Folk/Female Vocalists
http://www.jennylewis.com/

Por: Cleber Facchi

Durante os primeiros anos em carreira solo, tudo o que Jenny Lewis parecia interessada era em se distanciar musicalmente do Rilo Kiley, sua outra banda. Não por acaso em Rabbit Fur Coat (2006), estreia solo da cantora, Lewis abandonou a energia das guitarras para abraçar a acústica leve do Country Folk. Curiosamente depois de reciclar a mesma sonoridade em Acid Tongue (2008), a artista regressa agora ao território musical do antigo grupo, transformando o recém-lançado The Voyager (2014, Warner Bros.) em um inevitável regresso aos primeiros anos em estúdio.

Espécie de comunicação com os memoráveis The Execution of All Things (2002) e More Adventurous (2004), trabalhos mais comerciais do Rilo Kiley até aqui, o presente registro solo de Lewis é uma obra de reposicionamento. Longe da atmosfera empoeirada dos dois últimos trabalhos, a cantora investe em melodias acessíveis, acordes bem executados de guitarras e uma doce comunicação com o pop que há tempos parecia abandonada.

Basta perceber a energia que escapa de músicas como Love U Forever para que todo o “novo” universo da cantora seja desvendado. Por trás de uma linha de baixo consistente, guitarras firmes, crescentes e encaixadas de forma precisa servem de base para as confissões românticas da artista. Doses consideráveis de referências dos anos 1980 e 1970, batidas econômicas e a voz limpa: nada tende ao excesso. É dentro construção que Lewis planeja a arquitetura do álbum, um trabalho que aposta no descompromisso, mas soluciona de forma assertiva todas suas imposições.

Mesmo que tropece aqui e ali em elementos conquistados ao lado do parceiro Johnathan Rice – namorado e uma das metades do Jenny and Johnny -, todas as experiências da obra são típicas de sua autora. Nada mais inteligente da parte de Jenny do que convidar o amigo de longa data (e inspiração confessa) Ryan Adams para assumir a produção do registro. Conhecedor do trabalho de Lewis, o músico mantém o registro dentro de uma formatação homogênea, pinçando tanto elementos dos últimos discos da cantora, como referências da música Country que abasteceram toda a década de 1970. Continue reading

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Absolutely Free: “Beneath The Air”

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Dona de uma das melhores faixas lançadas em 2012 – UFO -, a banda canadense Absolutely Free finalmente reserva para o dia 14 de outubro a chegada do primeiro álbum de estúdio. Autointitulado, o trabalho que conta com lançamento pelo selo Lefse e produção de Mike Haliechuk, da banda Fucked Up, parece estender os inventos psicodélicos do grupo. Na trilha do que o grupo apresentou há dois anos, é hora de ouvir ser hipnotizado por Beneath The Air, novo single da banda e passagem para o esperado debut.

Lembrando (mais do que nunca) o trabalho da veterana Flaming Lips, a canção desacelera na mesma proporção que algumas das faixas do Tame Impala em Lonerism (2012). Guitarras levemente distorcidas, vozes subaquáticas e pequenas porções de sintetizadores, tudo aquilo que o primeiro grande single da banda já havia revelado de forma assertiva, porém, dentro de um estágio quase místico. Para quem ainda desconhece o trabalho do grupo, não há melhor forma de ser surpreendido.

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Absolutely Free – Beneath The Air

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TOPS: “Way to be Loved”

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Se você é um daqueles apaixonados pela reciclagem de ritmos da década de 1980, então o trabalho da TOPS é mais do que obrigatório. Um dos projetos mais interessantes da presente cena californiana, a banda de Montreal reserva para o dia dois de setembro a chegada de mais um novo registro de estúdio. Lançado pelo selo Arbutus Records, Picture You Staring teve as portas abertas com o lançamento de Way to be Loved, novo single da banda.

Perfumado pela música lançada há três décadas, a composição sujinha percorre a trilha dos últimos inventos do grupo – desde o começo de carreira focado na mesma sonoridade. Recomendada para quem já acompanha o trabalho de Sean Nicholas Savage, Ariel Pink e outros artistas do gênero, Way to be Loved conduz o ouvinte por quatro minutos de guitarras brandas, batidas comportadas e a voz doce de Jane Penny, vocalista do quarteto.

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TOPS – Way to be Loved

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Slow Magic: “Hold Still”

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Dono de um rico acervo de faixas, o misterioso / mascarado Slow Magic reserva para o dia nove de setembro a chegada de How To Run Away (2014). Mais novo trabalho do produtor e primeiro registro apresentado por um selo de médio porte – Downtown Records -, o registro parece seguir a trilha do primeiro grande invento do produtor, ainda de 2012, proposta reforçada no lançamento de Hold Still, single que inaugura o ainda inédito disco.

Fragmentada em pequenos atos, a faixa apresenta tanto o lado mágico do produtor na primeira metade, como os sintetizadores pegajosos (no melhor estilo Passion Pit) na segunda parte. Para quem já havia se surpreendido com faixas como Youth Group, a nova música prepara com acerto o território do trabalho. Acima, a belíssima capa do disco, seguindo a linha dos últimos singles apresentados pelo produtor.

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Slow Magic – Hold Still

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Disco: “Vigília”, Terno Rei

Terno Rei
Dream Pop/Lo-Fi/Experimental
https://soundcloud.com/ternorei/

Por: Cleber Facchi
Fotos: Fabio Ayrosa

Vigília
s.f. Privação (voluntária ou involuntária) do sono durante a noite: longas noites de vigília prejudicam a saúde. / Estado de quem se conserva desperto durante a noite. / Véspera de dia festivo.

É preciso tempo até ser inteiramente seduzido pelo ambiente instável que a paulistana Terno Rei sustenta em Vigília (2014, Balaclava). E não é por menos. Do momento em que lisérgica Manga Rosa abre o registro, até a chegada de Saudade, composição escolhida para o encerramento da obra, cada faixa, voz, ritmo e sentimento expresso pelo quinteto – Bruno Rodrigues (Guitarra), Gregui Vinha (Guitarra), Luis Cardoso (Bateria), Victor Souza (Percussão) e Ale (Voz e Baixo) -, ecoa estranheza.

Como um labirinto instável que movimenta lentamente suas paredes, o trabalho de 10 faixas arrasta com o ouvinte para um universo de brandas, porém, constantes inquietações. Os vocais chegam como suspiros, as guitarras borbulham pequenos ruídos, deixando aos versos um flutuar proposital entre o nonsense e o sorumbático. Não seria errado deduzir que tudo o que os integrantes da banda procuram é o isolamento em relação ao público médio, efeito das maquinações preguiçosas (ainda que complexas) que sussurram a ordem do disco.

Todavia, longe de afastar o publico, Vigília aos poucos seduz e se apodera com cuidado a mente do espectador. Salvo o dinamismo (controlado) de faixas como Passagem, cada música do álbum cresce sob precisa timidez, como se estivesse prestes a se desfazer nos fones de ouvido. Mesmo que o caráter “Lo-Fi” da obra pareça bloquear tal aspecto, todas as composições do disco sobrevivem em essência do detalhe, acomodando acordes atmosféricos – típicos do Pós-Rock – com uma precisão rara dentro de outras obras recentes da cena nacional.

Regressar uma dezena de vezes ao território delicado do álbum é uma imposição que parte da banda, mas que merece ser seguida por qualquer espectador. Embaixo dos escombros sujos que as guitarras de Bruno Rodrigues e Gregui Vinha deixam pelo disco, há sempre um componente novo a ser filtrado. É o trompete que cria contraste em Salto da pedra da Gavea, a base doce que passeia ao fundo de Ela – no melhor estilo The Pastels – e até as vozes duplicadas de O Fogo Queimaria. Vigília. Livre de qualquer urgência natural, é uma obra que se entrega ao público, pronta para ser desvendada. Continue reading

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Shura: “Just Once”

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Você só precisa esperar algumas semanas – às vezes dias – até que algum artista novato ou veterano passeie musicalmente pela década de 1980. Enquanto alguns sufocam de forma óbvia pela redundância dos temas e tendências, outros surpreendem com naturalidade. Este é o caso de Just Once, mais novo lançamento da britânica Shura – já responsável pela ótima Touch – e um convite doce para regressar (mais uma vez) ao passado.

Lembrando uma versão “feminina” de Blood Orange, a produtora/cantora investe na mesma timidez ressaltada em Cupid Deluxe, tropeçando involuntariamente no mesmo território de Sky Ferreira na também nostálgica Everything Is Embarrassing. Com quase cinco minutos de duração, Aleksandra Denton, a responsável pelo projeto, acomoda vocais, sintetizadores e batidas quase imperceptíveis, cercando o ouvinte com acerto. Uma audição e, pronto, vai ser difícil escapar.

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Shura – Just Once

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Spoon: “Inside Out”

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Os ouvintes do Spoon não tem mesmo do que reclamar. Faltando algumas semanas para o lançamento de They Want My Soul (2014), oitavo registro em estúdio do grupo norte-americano, cada nova faixa apresentada por Britt Daniel e Jim Eno apenas reforça a expectativa em relação ao novo álbum. Primeiro veio a urgente (e econômica) Rent I Pay, deixando para a leve Do You o lado mais sutil do grupo, tonalidade reforçada dentro do ambiente essencialmente melódico de Inside Out, novo e hipnótico single dos veteranos do Indie Rock.

Abastecida por sintetizadores, além, claro, da dobradinha entre a guitarra de Daniel e a bateria de Eno, a presente faixa serve como um reforço para o lado mais pop da banda, além de um inevitável regresso ao ambiente solucionado no começo dos anos 2000. Além da nova música, o grupo aproveitou para divulgar o clipe da pegajosa Do You, trabalho que conta com a direção assinada por Hiro Murai. Com lançamento pelo selo Loma Vista, They Want My Soul estreia oficialmente no dia cinco de agosto.

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Spoon – Inside Out

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Spoon – Do You

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Christopher Owens: “Nothing More Than Everything To Me”

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Desde o encerramento das atividades do Girls, no começo de 2012, Christopher Owens parece em busca de um novo território musical. Depois de apresentar o tímido Lysandre, em meados de 2013, o cantor e compositor norte-americano finalmente parece ter “se encontrado”. Ou pelo menos é isso que Nothing More Than Everything To Me, mais novo single do artista, parece reforçar de forma quase caricata.

Encaixada no mesmo cenário de Stephen, apresentada há poucas semanas, a nova criação de Owens concentra tanto elementos de sua extinta banda, como passagens pelo Gospel, Country e outras referências religiosas/místicas típicas do cantor. Também apresentada como clipe – trabalho dirigido por Max Minghella -, a faixa é a passagem para o novo álbum do músico, A New Testament, registro que será lançado oficialmente no dia 30 de setembro. Acima, a “curiosa” capa do disco.

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Christopher Owens – Nothing More Than Everything To Me

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Disco: “1000 Forms of Fear”, Sia

Sia
Pop/Electronic/Female Vocalists
http://siamusic.net/

Por: Cleber Facchi

Sia

Não importa o gosto ou provável tendência musical do espectador: todo mundo já ouviu alguma música de Sia pelo menos uma vez na vida. De faixas lançadas por grandes nomes da música pop, como Britney Spears, Beyoncé e Rihanna, passando por artistas da cena alternativa, caso de Birdy, Oh Land e até o veterano Beck, basta olhar o encarte do trabalho para notar a assinatura da australiana – talvez a maior fabricante de hits da última década. Curioso perceber que em 1000 Forms of Fear (2014, RCA), sexto álbum solo da cantora, tudo o que Sia não quer é ser notada pelo público.

Reflexo de uma série de transtornos recentes na vida da compositora, incluindo problemas com remédios, depressão e constantes ataques de pânico, o presente disco é uma obra que sobrevive do isolamento de sua criadora. Real ou fabricada, não importa, a temática que recheia o disco – e cresce em faixas como Eye Of The Neddle (“E eu não estou pronta/ Eu aguentarei firme“) – é a passagem para um registro de honestidade evidente. Livre do sofrimento fabricado da música pop – incluindo o dela própria -, Sia se converte com acerto na matéria-prima do trabalho, trazendo nas próprias confissões um personagem cotidiano e melancólico, assimilável por qualquer ouvinte.

Tal qual Adele em 21 (2011) ou Lykke Li no recente I Never Lern (2014), 1000 Forms of Fear entrega em cada música um fragmento triste da voz que a representa. A diferença em relação ao novo trabalho da australiana está na forma esquizofrênica em que arranjos e vozes entram em atrito durante todo o tempo, pervertendo um possível caráter essencialmente comercial da obra. Trata-se do registro mais “experimental” da cantora, que abandona o colorido efusivo do álbum We Are Born (2010) para mergulhar em território sombrio. Uma representação natural da mente perturbada de Sia.

Ainda que convincente em se tratando dos versos e temas que o definem, 1000 Forms of Fear pouco inova em se tratando dos arranjos. Basta observar Free The Animal, uma reciclagem das bases lançadas por Ariel Rechtshaid nos últimos discos do Haim (Days Are Gone) e Sky Ferreira (Night Time, My Time), ou mesmo Elastic Heart, parceria com o canadense Abel Tesfaye (The Weeknd) e faixa que mais parece uma adaptação de Exodus, colaboração entre o próprio Tesfaye com a cantora M.I.A. em Matangi (2013). Mesmo a poderosíssima Chandelier, uma das candidatas a música do ano, falsifica inovação. Ouça XXX 88, da dinamarquesa Mø, para notar as pequenas doses de autoplágio assinadas por Diplo, produtor responsável pelas duas músicas. Continue reading

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