Tag Archives: Indie

Destroyer: “Times Square” (VÍDEO)

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Não é preciso muito esforço para perceber que a direção assumida por Dan Bejar em Poison Season (2015) é completamente distinta em relação ao caminho percorrido com Kaputt (2011). Ainda que as guitarras explosivas e clima acelerado exposto em Dream Lover tenha servido como eficiente indicativo para essa transformação por parte da banda, são os arranjos descomplicados, melodias pop e a voz solta do músico canadense na recém-lançada Times Square que define ainda mais essa ruptura entre um trabalho e outro.

Oficialmente a terceira canção de Poison Season a ser apresentada ao público, Times Square é uma faixa que resume toda a complexidade e ainda leveza do Destroyer. Nos versos, as tradicionais alegorias e referências de Bejar, compositor capaz de colidir trechos da bíblia com uma fina dose de romantismo sem parecer exagerado. Nos arranjos, um clima sedutor, conceito orquestrado pelo uso “quente” das guitarras e batidas, instrumentos que lentamente começam a cercar o ouvinte.

Música mais “pop” de Poison Season (2015), álbum que será lançado no dia 28/08 pelos selos Merge/Dead Oceans, Times Square ganha um clipe metade stop motion, metade focado no vocalista e líder Dan Bejar. A direção do clipe ficou por conta do diretor David Carswell.

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Destroyer – Times Square

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Julia Holter: “Sea Calls Me Home”

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Poucas vezes antes Julia Holter pareceu ser capaz de produzir um som tão grandioso quanto em Sea Calls Me Home. Segunda canção de Have You In My Wilderness (2015) a ser apresentada ao público, a faixa recheada de arranjos de cordas, metais e vozes límpidas reforça a linha melódica assumida em Feel You, composição lançada há poucas semanas, ao mesmo tempo em que deixa o caminho livre para o acervo de 10 novas faixas que abastecem o quarto álbum de inéditas da cantora norte-americana.

Assim como em Feel YouSea Calls Me Home soa como uma versão “ensolarada” do Chamber-Pop-Jazzístico explorado por Holter no antecessor Loud City Song (2013). Batidas, pianos, assobios e o saxofone em eco no final da canção, tudo parece encaixado com perfeição e boa dose de sutileza, deixando o caminho livre para a entrada dos vocais de Holter, cada vez mais distante do som etéreo apresentado nos iniciais Tragedy (2011) e Ekstasis (2012).

Have You In My Wilderness (2015) será lançado no dia 25/09 pelo selo Domino.

Julia Holter – Sea Calls Me Home

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Petite Noir: “MDR”

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Enquanto The King Of Anxiety EP (2015) acabou passando despercebido por muita gente, talvez efeito do caráter “experimental” de algumas faixas, La Vie Est Belle / Life Is Beautiful (2015) concentra todos os elementos para se transformar em uma das grandes estreias do ano. Prova disso está no acervo de canções melódicas, lentamente extraídas do álbum e apresentadas ao público. Faixas como a urgente Best, transformada em clipe há poucas semanas, além da recém-lançada MDR.

Tão dançante e provocativa quanto os últimos trabalhos de Petite Noir, a inédita composição talvez seja a faixa que mais aproxima o músico belga dos nova-iorquinos do TV On The Radio. A julgar pela forma como vozes e batidas se relacionam, é fácil perceber em MDR uma espécie de continuação de faixas como Crying e todo o material apresentado no clássico Dear Science (2008). A diferença está no caráter confessional do novato, capaz de transformar a recente faixa uma delicada e acessível canção de amor.

La Vie Est Belle / Life Is Beautiful (2015) será lançado no dia 11/09 pelo selo Domino.

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Petite Noir – MDR

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Yumi Zouma: “Right, Off The Bridge”

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Poucos meses após o lançamento do segundo registro de inéditas, EP II (2015), os membros da banda neo-zelandesa Yumi Zouma estão de volta com alguns novidades. Enquanto o grupo não entrega de vez o primeiro trabalho em estúdio, o selo Cascine decidiu compilar todas as canções lançadas pela banda nos últimos anos em um único pack de singles em vinil. Além do material entregue nos dois primeiros EPs, o single It Feels Good To Be Around You, parceria com o Air France, e, claro, a inédita Right, Off The Bridge.

Ambientada no mesmo universo de sintetizadores e guitarras doces que apresentaram o grupo, a nova faixa cria um pequeno embate entre os dois vocalistas do grupo. Um contrastado diálogo que esbarra em declarações e conflitos típicos de qualquer casal. Essencialmente detalhista, a canção parece abrir passagem para uma nova fase dentro da carreira do grupo, em atuação desde 2013. No Youtube, além da nova faixa, você encontra todo o acervo de composições lançadas pela banda nos últimos anos.

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Yumi Zouma – Right, Off The Bridge

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Disco: “Depression Cherry “, Beach House

Beach House
Dream Pop/Alternative/Indie
http://www.beachhousebaltimore.com/

Victoria Legrand e o parceiro Alex Scally passaram os últimos dez anos garimpando novidades dentro do mesmo cercado criativo que apresentou o Beach House. Da sonoridade obscura explorada em Devotion (2008), passando pelo ápice melódico em Teen Dream (2010) e o flerte com o pop em Bloom (2012), vozes, versos e arranjos partilham de um mesmo catálogo de referências ancorados no Dream Pop dos anos 1980/1990. Um instável zona de conforto, sempre trêmula e prestes a se romper no interior de Depression Cherry (2015, Sub Pop).

Quinto registro de inéditas da banda de Baltimore, Maryland, o álbum de apenas nove faixas levanta a questão: para onde vamos agora? Fruto da explícita repetição de ideias que abastece a obra do casal, cada faixa do novo disco incorpora e adapta o mesmo catálogo de elementos explorados desde a maturidade alcançada no começo da presente década. Uma rica tapeçaria de sintetizadores, guitarras maquiadas pela distorção, bateria eletrônica e a densa voz de Legrand, da abertura ao encerramento do disco, encarada como um poderoso instrumento.

Isso faz de Depression Cherry é um trabalho “repetitivo”? Muito pelo contrário. Ainda que o casal jogue com o mesmo arsenal de temas explorados desde a estreia, em 2006, difícil encarar o presente álbum como uma obra redundante, penosa. Prova disso está nas guitarras e experimentos que crescem no interior de Sparks. Ao mesmo tempo em que a essência da banda é preservada, nítida é a passagem criada por Scally para o começo dos anos 1990, transformando a canção em um fragmento íntimo de clássicos como Heaven or Las Vegas (1990) do Cocteau Twins ou Loveless do My Bloody Valentine (1991).

A própria base lançada por Legrand nos sintetizadores transporta o ouvinte para um cenário marcado pelo ineditismo. Enquanto a primeira metade do trabalho confirma a busca do casal por um som de natureza (ainda mais) pop – vide Space Song e 10:37 -, para o eixo final do disco, novos ritmos e ambientações nostálgicas alteram os rumos da obra. Tanto Wildflower como Bluebird investem no recolhimento dos vocais e arranjos, posicionando o registro em um meio termo entre o Soft Rock de artistas como The Carpenters e as confissões melancólicas do Mazzy Star. Continue reading

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SEXWITCH: “Helelyos”

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Quem estava torcendo pelo anúncio de um novo álbum do Bat For Lashes vai ter que esperar um pouco. Três anos após o lançamento do último registro de inéditas da banda, o excelente The Haunted Man (2012), Natasha Khan deixa de lado o som sereno incorporado desde a estreia com Fur and Gold (2006) para investir em um novo projeto, o SEXWITCH. Uma parceria entre Khan, o produtor Dan Carey e os britânicos do TOY, banda que já havia trabalhado com a cantora no single The Bride, de 2013.

Para o autointitulado primeiro álbum do coletivo, Khan e os parceiros montaram uma seleção com seis faixas “esquecidas” da cena Folk, Psicodélica e World Music dos anos 1970. Canções vindas de diferentes países e adaptadas ao som obscuro do grupo. É o caso de Helelyos. Faixa escolha para apresentar o novo projeto, a composição de origem iraniana sustenta quase cinco minutos de gritos, vocais sobrepostos e batidas tribais, reforçando o caráter ritualístico do SEXWITCH.

Sexwitch (2015) será lançado no dia 25/09 pelos selos Echo/BMG.

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SEXWITCH – Helelyos

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Disco: “Paraleloplasmos”, Lê Almeida

Lê Almeida
Indie Rock/Lo-Fi/Alternative
https://lealmeida.bandcamp.com/

Versos descompromissados, melodias que dialogam com a década de 1990 e ruídos, doses colossais de ruídos. Cinco anos após o último grande trabalho em estúdio, Mono Maçã (2010), o carioca Lê Almeida mantém firme o domínio das guitarras e vozes, transformando o segundo registro em carreira solo, Paraleloplasmos (2015, Transfusão Noise Records), em uma obra marcada por ensaios psicodélicos e distorções que explodem a cada nova faixa.

Na trilha do antecessor Pré Ambulatório EP, de 2012, Almeida garante a construção de uma obra que mesmo densa e repleta de canções extensas, mantém firme o caráter dinâmico até o último acorde. Um acervo curto, doze composições inéditas, metade do número de músicas que abastecem o álbum de 2010, porém, um trabalho com o dobro do tempo de duração. Longe da efemeridade testada desde a estreia com REVI EP (2009), o guitarrista encontra em canções como Fuck The New School e Câncer dos Trópicos um espaço aberto para o experimento.

Na primeira faixa, um ato extenso, mais de 11 minutos de duração, tempo suficiente para que as guitarras de Almeida passeiem pela obra de Dinosaur Jr., Sonic Youth e até nomes recentes, caso de St. Vincent, sem necessariamente perder a própria identidade. Ruídos, curvas bruscas e versos entristecidos – “Eu juro eu tentei / Não machucar” – que mantém firme o caráter jovial do trabalho. Já em Câncer dos Trópicos, uma faixa afundada em delírios instrumentais. Distorções e encaixes lisérgicos que sustentam a porção mais criativa, talvez inédita, do guitarrista.

No restante da obra, um jogo de faixas cruas, estimuladas pelas guitarras de Almeida. Logo na abertura do disco, um eficiente resumo de todo o registro na curta duração de Desampar. Pouco mais de um minuto em que arranjos raivosos e a voz característica do músico carioca apontam a direção para o restante da obra. Versos e melodias rápidas, pro vezes nonsenses, como se Almeida, talvez inspirado pelas imagens de capa do próprios trabalho, colasse fragmentos extraídos de diferentes poemas em um mesmo bloco de ruídos. Continue reading

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Boots: “AQUΛRIA” (ft. Deradoorian)

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Mais conhecido pela produção do último álbum de Beyoncé, apresentado em 2013, além do recém-lançado M3LL155X (2015), novo EP da britânica FKA Twigs, Boots acabou decepcionando muita gente quando, em 2014, entregou a mixtape WinterSpringSummerFall (2014). Demasiado experimental, o trabalho parecia uma colcha de retalhos e composições avulsas compiladas pelo produtor, conceito que também acabou prejudicando o rendimento do último EP do artista, o “esquecível” Motorcycle Jesus (2015), lançado há poucos meses.

Talvez correndo atrás do prejuízo, repetindo a boa forma ao lado de Beyoncé e FKA Twigs, o produtor norte-americano acaba de apresentar a inédita AQUΛRIA. Faixa-título do primeiro álbum de Boots em carreira solo, a canção dividida com Angel Deradoorian (ex-Dirty Projectors) reforça a completa versatilidade do artista, capaz de colidir elementos do Hip-Hop/R&B sem necessariamente perder o caráter experimental dos últimos inventos autorais.

AQUΛRIA (2015) será lançado no dia 13/11 pelo selo Columbia.

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Boots – AQUΛRIA (Ft. Deradoorian)

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How To Dress Well: “Precious Love” (VÍDEO)

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Se você voltar para 2010, quando Tom Krell lançou Love Remains, o primeiro disco do How To Dress Well, encontrará dois artistas completamente distintos. Encoberto por uma nuvem de ruídos e sons caseiros essencialmente ambientais, o desconhecido músico/produtor tentava a todo custo revelar ao público suas amargas impressões. Uma preferência sustentada com acerto em músicas como Suicide Dream 2 e Ready for the World, pequenas evidências do lado mais acessível e melódico do trabalho, além de uma explícita base para o recém-lançado “What Is This Heart?” (2014, Domino/Weird World), a obra mais completa de Krell até o presente momento.

Dissolvido com leveza e encarado como o registro mais comercial do músico, o terceiro álbum solo do How To Dress Well é um exercício de completar as lacunas deixadas para trás no também funcional Total Loss, de 2012. Se há dois anos o músico conseguiu extrair limpidez da massa sorumbática de sons que o apresentaram em começo de carreira, com o novo registro todas as canções surgem ainda mais polidas, íntimas do lado pop do artista – sempre reforçado em suas versáteis mixtapes. Todavia, antes de parecer um registro pré-fabricado, pronto para as massas, o novo álbum mantém firme a postura “anti-The 20/20 Experience“, limando os excessos do (neo-)R&B para presentear o ouvinte com uma obra essencialmente minimalista e complexa – mesmo em toda sua acessibilidade. Leia o texto completo.

Para celebrar ano de lançamento do álbum “What Is This Heart?” (2014), Tom Krell acaba de apresentar o mais novo clipe do How To Dress Well: Precious Love. Assista:

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How To Dress Well – Precious Love

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Stefanini: “Eu Sei” (Prod. Pedrowl)

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Voz entristecida, batidas densas, sintetizadores limpos e arrastados, passagem para a chegada de um catálogo de versos marcados pela confissão. Basta uma única audição para que Eu Sei, mais recente single do cantor e compositor goiano Stefanini, grude sem dificuldade nos ouvidos. Na trilha melancólica do último trabalho do jovem músico, Quiçá, a nova faixa, composição produzida pelo paulistano Pedrowl, cresce, perturba e ainda joga com a ânsia do próprio artista: “São intensos meus desejos de você / A cada som da sua voz“.

A semelhança com o trabalho do capixaba Silva é inevitável, entretanto, enquanto o autor de Vista Pro Mar (2014) parte em busca de um material ensolarado, quase sorridente, Stefanini explora o oposto. Corrompido pela saudade, o cantor flutua em meio ao ondular de bases graves que Pedrowl espalha ao fundo da canção. Um labirinto de ruídos, batidas e temas que evocam com naturalidade o mesmo arsenal de referências lançadas por nomes como Cashmere Cat e Clams Casino.

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Stefanini – Eu Sei (Prod. Pedrowl)

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