Tag Archives: Indie

Disco: “The Most Lamentable Tragedy”, Titus Andronicus

Titus Andronicus
Indie Rock/Punk Rock/Alternative
http://titusandronicus.net/

The Most Lamentable Tragedy (2015) é uma obra que espanta. São 29 composições, mais de uma hora de duração recheada por gritos agressivos, guitarras sujas e o mais completo desespero que define a primeira Ópera Rock do Titus Andronicus. O retrato (musicado) de um personagem atual, um “herói sem nome”, como aponta o vocalista Patrick Stickles, enquanto transforma o registro em um verdadeiro catálogo de versos sufocados, temas existencialistas e conceitos íntimos do universo de um maníaco depressivo.

Novidade dentro da carreira do grupo de Glen Rock, New Jersey? Possivelmente não. Quem acompanha o trabalho da banda desde a estreia com The Airing of Grievances (2008), sabe do interesse de Stickles em converter temas ou acontecimentos históricos em música. Basta voltar os ouvidos para o clássico The Monitor, de 2010, para perceber como diferentes acontecimentos da Guerra Civil dos Estados Unidos servem de estímulo para o ambiente caótico/metafórico da cada composição. Com a chegada do presente disco, apenas uma expansão da mesma proposta.

A principal diferença em relação aos últimos discos da banda está no caráter intimista dos versos. Ainda que o vocalista se mantenha “distante” do trabalho, representado apenas pelo eu lírico do protagonista Herói, difícil não perceber em faixas como Funny Feelings e I Lost My Mind uma inevitável abertura e imediata aproximação em relação ao trabalho. Comercialmente, este talvez seja o registro mais coeso e acessível de toda a discografia da banda, efeito não apenas dos versos descomplicados, mas da explícita transformação instrumental que orienta cada uma das faixas.

Mesmo que a essência musical do Titus Andronicus seja preservada – vide as guitarras de No Future Part IV : No Future Triumphant -, durante toda a obra, Stickles e os parceiros de banda se concentram na busca por novas possibilidades e arranjos. Longe do rock sujo, quase Shoegaze, testado desde a estreia com The Airing of Grievances, são melodias nostálgicas e bases encorpadas por pianos que alimentam grande parte das canções. Oposto ao material apresentado há três anos com Local Business (2012) – um álbum gravado ao vivo em estúdio -, detalhes e pequenos acréscimos instrumentais ampliam ainda mais o amplo conceito da obra.

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Mac DeMarco & Art Is Hard Records: “Some AIH Ones”

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Inspirado, no começo de julho, Mac DeMarco apresentou ao público o álbum Some Other Ones (2015), uma coleção de faixas instrumentais gravadas de forma caseira e que, possivelmente, acabaram ficando de fora do novo trabalho do músico, o mini-LP Another One (2015). Motivado pelo trabalho do artista canadense, o selo britânico Art Is Hard Records lançou um desafio aos próprios integrantes do coletivo: que diferentes bandas completassem as canções de DeMarco, apresentando versos e vozes para as faixas.

O resultado se transformou no disco virtual Some AIH Ones (2015). Das nove composições lançadas pelo norte-americano, apenas Peters Pickles acabou ficando sem letra. No restante do trabalho, composições ocupadas por nomes como  Shunkan, FVC, Georgeous Bully e Nai Harvest, este último, talvez o responsável pela melhor “adaptação” do disco. Com download gratuito, o álbum também pode ser apreciado na íntegra logo abaixo.

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Mac DeMarco & Art Is Hard Records – Some AIH Ones

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Disco: “All Possible Futures”, Miami Horror

Miami Horror
Electropop/Synthpop/Alternative
http://www.miamihorror.com/

Não existe palavra que melhor sintetize o trabalho da australiana Miami Horror do que “leveza”. Do bem-sucedido álbum de estreia, Illumination (2010), passando pela série de remixes e faixas assinadas em parceria com outros artistas – como Kimbra e Alan Palomo (Neon Indian) -, é fácil cair na armadilha ensolarada que cresce em cada composição do grupo de Melbourne, maduro e ainda mais próximo de um som comercial no melódico All Possible Futures (2015, Heaven Sounds / Dine Alone).

Segundo registro de inéditas da banda, o trabalho de 15 faixas e arranjos orientados pela sutileza das vozes e sintetizadores é uma obra que encanta logo na primeira audição. Quando próximo de outros discos apresentados por diferentes nomes do Synthpop – caso de Metronomy, Hot Chip e dos conterrâneos do Cut Copy -, um álbum que pouco inova. Entretanto, o acerto da banda não está na novidade, mas na completa reciclagem de referências exploradas desde o fim dos anos 1970.

Como ficar parado quando as guitarras funkeadas de Love Like Mine praticamente obrigam o ouvinte a dançar? E o que dizer da soma de sintetizadores que inauguram o disco na colorida American Dream? Mesmo quando a serenidade e melancolia tomam conta do trabalho em Stranger e Colours In The Sky, ficar parado é uma tarefa praticamente impossível. A mesma sonoridade nostálgica que tanto inspira Daft Punk, Toro Y Moi e Chromeo, porém, em uma ambientação serena, capaz de converter qualquer noite fria em uma ensolarada tarde de verão.

Menos contido em relação ao último disco da banda, All Possible Futures é uma obra em que o Miami Horror abraça de vez a música pop. Logo na abertura do trabalho, uma coleção de versos e arranjos essencialmente melódicos, dançantes e acessíveis, como um passeio pela Disco Music/Synthpop sem necessariamente abandonar as pitadas de Nu-Disco que apresentaram o grupo em 2010. Precisa de uma faixa para começar? Que tal a dançante Cellophane (So Cruel)? Pouco mais de quatro minutos em que vozes e instrumentos dialogam com perfeição. Continue reading

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Baio: “Endless Rhythm”

Baio

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De toda a série de composições apresentadas por Chris Baio nos últimos meses, Endless Rhythm talvez seja a faixa que mais se aproxima do trabalho do músico com o Vampire Weekend. Vocais contidos, a base de piano que abre e fecha a canção – no melhor estilo Rostam Batmanglij – e a linha de baixo volumosa, elementos que acompanha o grupo nova-iorquino desde a estreia, em 2008, porém, assumem novo enquadramento dentro da proposta ensolarada de Baio para o primeiro álbum em carreira solo: The Names (2015).

Distante da eletrônica testada em faixas como Brainwash yyrr Face e Sister Of Pearl, com a nova canção, Baio se concentra apenas nas melodias. Uma coleção de sintetizadores controlados, letra suave e batidas de bateria secas, lembrando muito o estilo do parceiro Chris Tomson. Uma curva leve em relação aos últimos trabalhos em carreira solo do multi-instrumentista, temporariamente próximo do mesmo universo de bandas como Ra Ra Riot, The Walkmen e, claro, do indie pop típico da cena sueca.

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Baio – Endless Rhythm

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Disco: “Another One”, Mac DeMarco

Mac Demarco
Indie/Alternative/Jangle Pop
https://www.facebook.com/Mac-DeMarco/

É o no mínimo curioso o sucesso em torno da obra de Mac DeMarco. Sem necessariamente romper com a mesma sonoridade testada desde a estreia, em 2012, com o álbum Rock and Roll Night Club, o cantor e compositor canadense conseguiu abraçar um número expressivo de fãs, excursionar em diferentes países – incluindo o Brasil – e ainda se transformar no novo queridinho da imprensa musical. Tudo isso em um intervalo de apenas três anos. Não se trata de um novo astro do rock, longe disso, entretanto, difícil encarar o jovem músico como um mero coadjuvante.

O segredo do sucesso? Letras descompromissadas, uma boa dose de romantismo escancarado e, claro, a contínua busca por um som tão íntimo da presente safra do rock estadunidense, como de clássicos da década de 1960 (The Beach Boys, The Beatles) e começo dos anos 1980 (R.E.M., Dire Straits). Perfeita representação desse resultado está gravada no curto acervo de Another One (2015, Captured Tracks), novo mini-LP apresentado pelo cantor e quarto registro de uma (boa) leva de composições inéditas.

Na trilha do antecessor, Salad Days (2014), o presente álbum é um trabalho para ser apreciada sem grandes expectativas. Da confissão romântica que inaugura o disco, com The Way You’d Love Her, passando pelos arranjos melancólicos de A Heart Like Hers – no melhor estilo Chamber of Reflection -, tudo gira em torno do universo particular do cantor. Um catálogo breve de sussurros apaixonados, delírios alcoólicos e pequenos desajustes pessoais.

A diferença em relação aos últimos discos do cantor está no completo estado de leveza e naturalidade que impulsiona o crescimento dos versos. É fácil se identificar com o mesmo sofrimento do compositor em faixas como Without Me ou se sentir representado nas declarações que marcam The Way You’d Love Her e I’ve Been Waiting For Her. DeMarco, longe de parecer um personagem fictício, utiliza da própria humanidade e tormentos cotidianos como um estímulo lírico, base e amarra para todo o acervo do presente disco. Continue reading

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MUNA: “Promise”

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Imagine se alguém conseguisse juntar o mesmo pop nostálgico de Caroline Polachek (Chairlift) com os sintetizadores quebrados do CHVRCHES e a voz forte de Florence Welch? A resposta talvez esteja nas mãos (e vozes) do trio norte-americano MUNA. Projeto de Dark Pop da cidade de Los Angeles, Califórnia, a banda formada por Katie Gavin (Voz, produção), Josette Maskin (Guitarras) e Naomi Mcpherson (Guitarras) resume na recém-lançada Promise um catálogo de acertos e referências que fazem do trio uma das grandes apostas de 2015.

Com referências como Robyn, R&B dos anos 1990, Björk e, claro nomes importantes da década de 1980, caso de Kate Bush e Cyndi Lauper, o grupo mantém firme a relação com a música pop, ao mesmo tempo em que aprece longe de possíveis tropeços e exageros típicos de outras cantoras do gênero. Uma interpretação talvez obscura do mesmo som leve de conterrâneas como Haim e Sky Ferreira, conceito também evidente em músicas como The Grave e So Special, no curto catálogo da banda publicado no Soundcloud. Experimente:

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MUNA – Promise

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Disco: “Nem Vamos Tocar Nesse Assunto”, Banda Gentileza

Banda Gentileza
Nacional/Indie/Alternative
http://www.bandagentileza.com.br/

O bom humor sempre foi encarado como um elemento fundamental dentro do trabalho da curitibana Banda Gentileza. Das primeiras composições publicadas no MySpace – quando o grupo ainda se chamava Heitor e Banda Gentileza -, ao lançamento do primeiro registro de estúdio, em 2009, os versos de Heitor Humberto, vocalista e líder da banda, encontraram no gracejo, descompromisso e sutil jogo de palavras um estímulo natural para cada composição. Conceito também presente no segundo álbum de inéditas do coletivo.

Longe de parecer um trabalho demasiado satírico, sufocado pelo mesmo “rockomédia” de outros representantes do gênero em solo nacional, com Nem Vamos Tocar Nesse Assunto (2015), o grupo paranaense entrega ao público um amplo e divertido recorte da atual sociedade brasileira. Uma espécie de passeio despretensioso que vai do romantismo brega, passa pelos novos agrupamentos familiares e amores fracassados, até estacionar em um catálogo de confissões marcadas pela ironia.

Oposto ao material entregue no último trabalho da banda, com o presente disco, Humberto deixa de ser encarado como um provável “protagonista” para que o grupo possa brincar com diferentes personagens, histórias e acontecimentos isolados. Mesmo longe de parecer uma novidade – basta voltar os ouvidos para a nonsense Sempre Quase ou a historieta nostálgica de O Indecifrável Mistério de Jorge Tadeu -, em NVTNA um cenário ainda maior é lentamente detalhado pelos curitibanos.

Perfeito resumo de todo o trabalho, Casa, terceira canção do álbum, sintetiza de forma bem-humorada a pluralidade de temas e personagens que ocupam cada uma das nove faixas do novo disco. “A minha sogra que é minha ex-namorada / Se mostrou entusiasmada da família aumentar / E o meu cunhado que também é meu sobrinho / Construiu um puxadinho que é pra mó deles morar”, brinca o vocalista em um repente versátil, ainda íntimo do mesmo material explorado no álbum anterior, porém, passagem para um novo universo de referências. Continue reading

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Disco: “A Year With 13 Moons”, Jefre Cantu-Ledesma

Jefre Cantu-Ledesma
Experimental/Ambient/Drone
https://jefrecantu-ledesma.bandcamp.com/
https://soundcloud.com/jefre-cantu-ledesma

A delicada ilustração que estampa a capa de A Year With 13 Moons (2015, Mexican Summer) traduz com acerto o trabalho do multi-instrumentista Jefre Cantu-Ledesma. Formas e arranjos coloridos, flutuando sem direção, passagem para um cenário marcado pela montagem abstrata dos temas. Pequenas pinceladas de ruídos que mesmo entregues em um contexto torto, sujo e experimental, aos poucos parece confortar o ouvinte, costurando temas como amor, separação e isolamento sem necessariamente fazer uso das palavras.

Original da cidade de São Francisco, Califórnia, Cantu-Ledesma passou as últimas duas décadas flertando e se envolvendo com diferentes projetos espalhados por todo o território norte-americano. Coletivos como a banda de Pós-Rock Tarentel – em atuação desde 1995 -, ou mesmo trabalhos assinados em parceria com diversos nomes da cena experimental – caso de Liz Harris (Grouper), Daniel Lopatin (Oneohtrix Point Never) e Keith Fullerton Whitman. Nada que sintetize tamanha beleza e melancolia quanto o presente registro do músico.

Inspirado pelo divórcio do artista, A Year With 13 Moons é uma coleção de faixas alimentadas pela tristeza. Ainda que a faixa de abertura, The Last Time I Saw Your Face, brinque com a colagem de ruídos de forma irregular, arremessando o ouvinte para diferentes direções, quanto mais passeamos pelo disco, mais Cantu-Ledesma detalha ao público o próprio sofrimento. Confissões que surgem como pequenas pistas no título de cada faixa – Love After Love, At the End of Spring, Dissapear – e crescem na manipulação amargurada das melodias.

Autor de uma coleção de contos sentimentais, Cantu-Ledesma assume um caminho isolado em relação ao trabalho de outros representantes da Ambient Music. Nada de atos extensos ou composições penosas, excessivamente longas. Salve a extensa canção de abertura – com mais de oito minutos de duração – A Year With 13 Moons mantém firme a busca do multi-instrumentista pela construção de faixas rápidas. Composições aos moldes de Interiors e Remembering, incapazes de ultrapassar os dois minutos de duração. Continue reading

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Pure Bathing Culture: “Pray For Rain”

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Com um pé na década de 1980 e outro no litoral, a dupla Sarah Versprille e Daniel Hindman mantém firme a mesma sonoridade empoeirada que em 2012 apresentou o projeto Pure Bathing Culture. Depois de apostar em um material marcado pela sobriedade e temas mais melancólicos em Moon Tides, de 2013, a banda original da cidade de Portland, Oregon encontra no uso de melodias e temas sorridentes a passagem para o terceiro registro de inéditas: Pray For Rain.

Faixa-título do novo álbum, a recém-lançada composição não apenas reforça a completa mudança dentro da nova fase da dupla, como também indica a busca do casal pelo uso de temas voltados para a música pop. Vocal pegajoso, guitarras sujas e uma letra que prende o ouvinte em pequenos ciclos. Pensar em veteranos como R.E.M. e Bruce Springsteen não seria um erro, afinal, da abertura ao fechamento da canção, a montagem de pequenas pontes para alguns dos maiores clássicos da música norte-americana no começo dos anos 1980.

Pray For Rain (2015) será lançado no dia 23/10 pelo selo Partisan.

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Deradoorian: “The Eye”

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Mesmo curta, a passagem de Angel Deradoorian pelo Dirty Projectors trouxe enormes benefícios e referências para a cantora e compositora norte-americana. Prova disso está na recém lançada The Eye. Segundo e mais recente single do novo trabalho solo da artista, a canção de batidas marcadas pode até seguir a trilha da antecessora A Beautiful Woman, entretanto, está nos coros de vozes e pequenos detalhes costurados pelas guitarras a explícita relação da artista com a fase mais criativa do antigo projeto em que estava envolvida.

Versão acelerada dos mesmos conceitos explorados no clássico moderno Bitte Orca (2009), The Eye vai do Post-Punk ao Chamber Pop em segundos, utilizando do vocal limpo de Deradoorian como uma espécie de amarra, garantindo movimento e um “instrumento extra” para a canção, tamanha a interferência e jogo de palavras que estimulam o crescimento da faixa. Praticamente uma fuga do mesmo ambiente criado no último álbum do Dirty Projectors, o sereno Swing Lo Magellan (2012).

The Expanding Flower Planet (2015) será lançado no dia 21/08 pelo selo Anticon.

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Deradoorian – The Eye

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