Tag Archives: Indie

Cass McCombs: “Opposite House”

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Com 12 faixas inéditas, Mangy Love (2016) é o novo álbum de estúdio de Cass McCombs. Sucessor de Big Wheel and Others (2013), último registro de inéditas antes da compilação A Folk Set Apart: Rarities, B-Sides & Space Junk, ETC., de 2015, o registro parece seguir a linha dos últimos inventos do cantor e compositor Californiano. Um jogo de rimas apaixonadas, sempre dolorosas, estímulo para a fina tapeçaria acústica que cobre grande parte dos trabalhos do músico.

Mergulhada nesse mesmo universo de reverberações acolhedoras, Opposite House, canção escolhida para apresentar o disco, mostra uma nova faceta do trabalho de McCombs. São movimentos tímidos de guitarra, arranjos de cordas sempre contidos e a voz sussurrada de Angel Olsen, convidada a ocupar os espaços entre o canto triste do músico. Uma completa fuga do desespero inicialmente explorado em obras como Catacombs (2009) e Wit’s End (2011).

Mangy Love (2016) será lançado no dia 26/08 pelo selo ANTI-.

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Cass McCombs – Oposite House

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Wild Beasts: “Get My Bang” (VÍDEO)

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Poucos artistas do atual catálogo de bandas britânicas parecem donas de um som tão maduro quanto o Wild Beasts. Com dois trabalhos de peso lançados nos últimos cinco anos – Smother (2011) e Present Tense (2014) –, o grupo de Kendal, Inglaterra coleciona referências e ritmos, indo da literatura brasileira à música minimalista dos anos 1970, conceito que parece ampliado em Get My Bang, primeira faixa do novo álbum de inéditas da banda: Boy King (2016).

Inaugurada pelo uso de batidas e arranjos tímidos, a composição parece crescer lentamente, sem pressa, detalhando um universo de ruídos eletrônicos, samples e elementos que revelam o lado mais “dançante” do quarteto britânico. Quarta faixa do disco, Get My Bang é apenas a primeira das 10 canções inéditas que o grupo reserva para o trabalho. A produção do álbum ficou por conta do concorrido John Congleton, produtor que já trabalhou com nomes como Franz Ferdinand, St. Vincent e Swans.

Boy King (2016) será lançado no dia 05/08 pelo selo Domino.

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Wild Beasts – Get My Bang

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Fernando Temporão: “Paraíso”

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Paraíso (2016), esse é o nome do segundo e mais recente álbum do cantor e compositor Fernando Temporão. Sucessor do ótimo De dentro da gaveta da alma da gente – um dos 50 melhores discos nacionais de 2013 –, o registro que conta com 11 faixas inéditas e ilustrações de Elisa Arruda apresenta ao público uma série de colaborações com nomes de peso da música nacional, caso da cantora Ava Rocha, o cantor e compositor César Lacerda, além de Filipe Catto.

Com produção de Kassin, parceiro de Temporão desde o último álbum, Paraíso ainda conta com a presença de músicos como Marcelo Jeneci, Domenico Lancellotti e um time de instrumentistas que acompanham o cantor até os últimos instantes da obra. Disponível para download gratuito pela página de Temporão, o trabalho também pode ser apreciado em diferentes serviços como Spotify, Youtube ou pelo Soundcloud. Ouça:

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Fernando Temporão – Paraíso

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Popload Festival 2016: Primeiras atrações

poploadfestival2016

A quarta edição do POPLOAD FESTIVAL, que ficou maior e ganhou um espaço novo – Urban Stage – uma arena de shows ao ar livre. As primeiras atrações do lineup incluem as bandas WILCO, de Chicago, o grupo novaiorquino BATTLES e a cantora brasileira AVA ROCHA. Pela primeira vez a comunicação visual será dirigida por artistas internacionais: o duo alemão Low Bros, formado pelos irmãos Christoph e Florin Schmidt, com passagens em diversas galerias, museus e projetos pelo mundo e exibições solo de Los Angeles a Londres. Outras atrações e novidades serão anunciadas em breve.

Há mais de dez anos sem tocar no Brasil, WILCO sempre foi a banda mais requisitada pelo os leitores do Popload. Finalmente o grupo liderado pelo cantor, compositor e guitarrista Jeff Tweedy volta ao país para uma apresentação única. Formada no início dos anos 90, Wilco sempre transitou com naturalidade entre o alt-country e o indie-rock, entre as baladas melancólicas e o pop enérgico.

O BATTLES é normalmente definido como “uma banda de math-rock”, título do qual o trio novaiorquino, formado em 2002, vem tentando se desvencilhar há anos. O rótulo se deve à falta de uma definição que compreenda a sonoridade “esquisita”, experimental e complexa do grupo, que pode ir do free-jazz ao eletrônico em minutos. “Mirrored” é o primeiro álbum do Battles e também o mais conhecido, considerado um dos melhores de 2007, quando foi lançado.

AVA ROCHA é a grande revelação da atual música brasileira. Com uma voz grave marcante, Ava já lançou dois discos (o primeiro com sua então banda, Ava). Seu trabalho mais recente é “Ava Patrya Yndia Yracema”, lançado no ano passado e produzido pelo músico Jonas Sá (que participou do disco “Cê”, de Caetano Veloso). Com momentos experimentais e um clima tropicalista, é um disco pop e acessível, na melhor definição do termo.

POPLOAD FESTIVAL 2016 – Especial Popload 10 Anos

Data: 08 de outubro (sábado)
Local: Urban Stage (Rua Voluntários da Pátria, 498 – Santana – SP)
Abertura das portas: 15h
Classificação Etária: 18 anos (proibida a entrada de menores de 18 anos)
Capacidade: 8.000 pessoas
Ingressos:
Pista Premium: R$250,00 (meia-entrada) e R$500,00 (inteira)
Pista 1º Lote: R$150,00 (meia-entrada) e R$300,00 (inteira)
Camarote: R$350,00 (meia-entrada) e R$700,00 (inteira)
Vendas: www.poploadfestival.com

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Resenha: “Queda Livre”, Jonathan Tadeu

Artista: Jonathan Tadeu
Gênero: Indie, Alternative, Sadcore
Acesse: https://jonathantadeu.bandcamp.com/

 

Eu juro por Deus / Que eu me esforço / Mas não posso deixar você / Esperando a saudade nascer em mim”. A angústia toma conta de grande parte dos versos de Queda Livre (2016, Independente). Segundo e mais recente álbum de inéditas do cantor e compositor mineiro Jonathan Tadeu, o sucessor do entristecido Casa Vazia (2015) mostra a evolução do artista em relação ao trabalho apresentado há poucos meses. Versos que traduzem a amargura do próprio compositor, mas que acabam criando uma espécie de relação e intimidade com o ouvinte.

Talvez seja melhor / Aprender a lidar/  Com a própria solidão / Antes de viver a dos outros”, canta em Ninguém se Importa, um sadcore econômico, típico dos trabalhos de Elliott Smith, e que parece servir de base para toda a sequência de apenas 10 composições que recheiam o disco. Um som angustiado, intimista, proposta que acompanha o ouvinte até os últimos instantes do trabalho, vide a derradeira O mundo é um lugar bonito e eu não tenho mais medo de morrer – “Quanto mais me impediam de ser, mais eu ia sendo tudo aquilo que eu não podia ser”.

Eu não preciso de nenhuma desculpa pra voltar / Mas me deixa uma pista quando precisar de mim”, entrega na poderosa faixa-título do disco, um retrato melancólico de qualquer indivíduo apaixonado, em busca de uma resposta que nunca chega. Letras que parecem atravessar uma corda bamba sentimental, sempre prontas para cair em um mundo sombrio, consumido pelas desilusões de Tadeu. Mais do que uma continuação do trabalho apresentado há poucos meses, um exercício de completa exposição do músico, honesto em cada fragmento de voz que flutua no interior do disco.

Longe de parecer uma obra sufocada pela saudade, abandono e todos os tormentos que invadem a cabeça do compositor, em Queda Livre, pequenas brechas ensolaradas garantem novo significado ao trabalho do músico mineiro. São declarações de amor, como na apaixonada Sorriso Besta – “Feito qualquer pisciano / Eu pensei que aquilo fosse um sinal Você me falou / E eu me apaixonei” –, ou mesmo pequenos fragmentos românticos, caso da efêmera Amour – “Mesmo que eu nunca acorde desse sonho ruim / Eu te amo até o fim / E eu nunca vou desistir”. Continue reading

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Resenha: “Skip a Sinking Stone”, Mutual Benefit

Artista: Mutual Benefit
Gênero: Folk, Indie, Singer-Songwriter
Acesse: http://www.mutualbenef.it/

 

Muito embora tivesse acumulado uma sequência de obras “caseiras” e discos produzidos desde o fim da década passada, foi com o lançamento de Love’s Crushing Diamond, em 2013, que Jordan Lee teve o primeiro álbum do Mutual Benefit oficialmente apresentado ao público. Marcado pelo uso dos detalhes e composições como Advanced Falconry e Golden Wake, o registro continua a servir de base criativa para o norte-americano, percepção reforçada na manipulação sereno dos vocais e arranjos que recheiam o novo trabalho do músico: Skip a Sinking Stone (2016, Mom + Pop).

Tão delicado quanto o registro entregue há três anos, cada faixa do presente disco se orienta de forma a revelar um mundo detalhes e encaixes sempre minimalistas. Não é difícil se perder no interior de cada canção, como se arranjos tímidos fossem ocultos e sutilmente revelados em cada manobra instrumental. Ainda que a curtinha Madrugada, música de abertura do disco, pareça indicar o som arquitetado para o disco, está em Lost Dreamers, quarta faixa do álbum a perfeita representação do som sustenta a obra.

Arranjos de cordas atmosféricos, violões e vozes serenas, batidas sempre controladas, como se um delicioso clima matutino tomasse conta da canção, ponto de partida para todo o restante da obra. Um material que comunga com a mesma proposta de artistas como The Shins, Sufjan Stevens e Fleet Foxes, mas sustenta na plena comunicação entre as faixas um som que parece íntimo apenas dos trabalhos de Mutual Benefit. Em Skip a Sinking Stone, cada composição serve de base para a música seguinte.

De proposta intimista, mais do que uma continuação do trabalho apresentado há três anos, lentamente o registro escancara os sentimentos mais profundos de Lee. “Leve-nos de volta para o passado / E eu não quero que esse amor / Torne-se uma memória”, desaba em Not For Nothing, música que sintetiza toda a paixão (e melancolia) presente no disco. A mesma tristeza volta a se repetir em The Hereafter, canção que transporta o trabalho para o mesmo universo de artistas como Elliott Smith e Jeff Buckley, tamanha confissão que escapa dos versos. Continue reading

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Laure Briard: “Toi et Moi” (VÍDEO)

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Versos em francês divididos entre o amor e a melancolia, batidas, vozes e arranjos sempre contidos, deliciosamente sedutores. Quem conheceu o trabalho de Laure Briard em Révélation, álbum apresentado em 2015, sabe do caráter nostálgico que move o trabalho da cantora e compositora de Toulouse. Um passeio delicado pela música francesa dos anos 1960/1970, preferência que volta a se repetir no novo registro de inéditas da jovem artista: Sur la Piste de Danse (2016).

Canção escolhida por Briard para anunciar o novo disco, Toi et Moi segue um ritmo ainda mais lento em relação aos últimos lançamentos da cantora. Pianos e guitarras que funcionam como um delicado pano de fundo para a voz da artista francesa. Junto da canção, curtinha, apaixonada, o clipe assumido por Michelle Blades, trabalho que foca no isolamento da cantora.

Sur la Piste de Danse (2016) será lançado no dia 24/06 pelo selo Midnight Special.

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Laure Briard – Toi et Moi

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William Tyler: “Sunken Garden”

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Os detalhes estão por todas as partes dentro do novo álbum de William Tyler, Modern Country (2016). Das melodias psicodélicas de Gone Clear, canção escolhida para anunciar o registro, passando pela acústica Kingdom of Jones, composição que mais se aproxima dos primeiros trabalhos do instrumentista, faixa após faixa, Tyler brinca com a colisão de pequenas fórmulas instrumentais e nuances que transportam a mente do ouvinte em poucos segundos.

Prova disso está na ensolarada Sunken Garden. Muito além das guitarras e violões que sempre acompanharam o músico norte-americano, a canção de apenas quatro minutos se aconchega em meio a batidas tímidas, sintetizadores e toda uma colcha de retalhos instrumentais que se espalham ao fundo da composição. Uma base essencialmente delicada, efeito da colaboração entre Tyler e seus parceiros de estúdio – entre eles Glenn Kotche, baterista do Wilco.

Modern Country (2016) será lançado no dia 03/06 pelo selo Merge.

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William Tyler – Sunken Garden

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De Bolso: “Envelhecer”

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Envelhecer (2016), esse é o nome do primeiro álbum de estúdio do grupo paulistano De Bolso. São oito composições que flutuam com delicadeza entre a MPB dos anos 1970 e o folk. Um material essencialmente delicado, preciso, efeito da colaboração entre os integrantes Diego Bravo (percussão e backing vocals), Fred Rocha (voz, violão, baixo e cavaco), Karin Hueck (voz, teclado e caixinha de música) e Tiago Van Deursen (voz, violão, gaita e cavaco).

Uma tímida coleção de versos marcados por temas cotidianos (Diálogo de Dois Amigos) e declarações de amor (Gaiola, Cantar de Pássaro) que se espalham do primeiro ao último instante da obra. Para apresentar o registro – que pode ser apreciado gratuitamente no Youtube ou Soundcloud –, a banda entrega ao público o clipe de Esquina, faixa de abertura do disco e uma animação que conta com a assinatura do mineiro Alisson Lima.

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De Bolso – Esquina

De Bolso – Envelhecer

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Fernando Temporão: “Dança”

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Em Paraíso (2016), o cantor e compositor Fernando Temporão parece seguir um caminho completamente distinto em relação ao som produzido no inaugural De dentro da gaveta da alma da gente (2013) – um dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2013. Longe dos versos e arranjos coloridos que marcam o trabalho apresentado há três anos, um explícito amadurecimento, estímulo para a série de colaborações com nomes como Ava Rocha, César Lacerda, Filipe Catto e o velho parceiro de produção, o músico Kassin.

Escolhida para apresentar o novo disco – previsto para o final de maio –, a inédita Dança, faixa em parceria com o cantor e compositor Marcelo Jeneci, mostra a veia política de Temporão. “Tira a cabeça daí / Olha de frente pro perigo … Não, eu não vou saber dizer / Pra vocês não vou dizer / Sim“, canta suavemente, discutindo a situação política do país, enquanto o acordeom do convidado se espalha lentamente ao fundo da canção. Acima, a imagem de capa do álbum, trabalho que leva a assinatura de Elisa Arruda.

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Fernando Temporão – Dança

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