Em mais de um mês de atuação, a coletânea Our First 100 Days, projeto de enfrentamento à política retrógrada do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu vida a uma série de composições de peso. Entre os artistas que já passaram pelo trabalho, nomes como Angel Olsen, The Range, Dntel, Peter Silberman (The Antlers) e Toro Y Moi, este último, responsável por uma das melhores composições do projeto, a pop Omaha.

Convidados a integrar a série de lançamentos, o grupo norte-americano Speedy Ortiz apresenta ao público a inédita In My Way. Típica composição da banda, a faixa delineadas por versos e temas melódicos parece saída diretamente dos primeiros discos do coletivo, como o excelente Major Arcana – um dos grandes discos de rock lançados na presente década e 40º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2013.

 

Speedy Ortiz – In My Way

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Formado em 2004 na cidade de Baltimore, Maryland, o Beach House é um projeto de Dream Pop comandado pela dupla Victoria Legrand e Alex Scally. Entre referências ao trabalho de gigantes como This Mortal Coil, Cocteau Twins, The Zombies e The Beach Boys, a dupla faz de cada novo álbum de inéditas uma obra marcada pelos sentimentos, ponto de partida para a formação de músicas como Master of None, Walk In The Park e Myth. Apontado como um dos principais nomes do gênero, o duo acumula uma sequência de grandes obras como Devotion (2008), Teen Dream (2010) e Bloom (2012), trabalhos organizados do “pior” para melhor lançamento em mais uma edição da seção Cozinhando Discografias.

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Artista: Momo
Gênero: Indie, Samba, Folk
Acesse: https://www.facebook.com/momooficial/

 

Marcelo Frota é um cidadão do mundo. Nascido em Minas Gerais, filho de pai cearense e dono de uma longa trajetória no Rio de Janeiro, o cantor e compositor decidiu aportar em Portugal, fixando residência na região de Alfama, um dos bairros mais tradicionais da capital Lisboa. Dessa mudança vem o recém-lançado Voá (2017, Universal Music), primeiro registro de inéditas do cantor em quatro anos e a busca declarada por um som marcado pelas possibilidades.

Em um sentido oposto ao som melancólico e cinza de Cadafalso (2013), Momo traz de volta a mesma essência litorânea, intimista e levemente ensolarada de Serenade of a Sailor (2011). Um cenário montado de frente para o mar, coberto pelo Sol, amores e personagens reais que surgem e desaparecem a todo instante, a cada novo fragmento de voz. Memórias de um passado ainda recente, quente, como se o ouvinte pudesse tocar nas palavras e sentimentos lançados pelo cantor.

A principal diferença em relação aos últimos trabalhos de Momo está no aspecto “sorridente” que movimenta as canções. “Sem dor, com fé / Perdão, o meu destino não é solidão … Tempo é tão bonito sem partida“, canta na inaugural Esse Mar, um sopro leve, poderoso indicativo da lírica esperançosa que acompanha o ouvinte durante a obra. Uma fuga declarada do sabor amargo, quase tétrico, incorporado pelo músico em faixas como Sozinho, Recomeço e parte expressiva do último disco.

Dotado de um precioso romantismo, Voá se espalha em meio a histórias e recordações que dançam em torno de diferentes personagens. Em Pensando Nele, sem necessariamente parecer saudosista, Momo olha para a própria família de forma delicada — “Eu me peguei pensando / Eu me perdi pensando nele”. Entre arranjos e batidas cadenciadas, o doce afoxé de Meu Menino, um dos instantes de maior entrega do músico mineiro — “Uma boca que é linda / É linda / Eu bem beijei”.

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A julgar pelas últimas canções apresentadas por James Mercer, caso de Dead Alive e Name For You, o novo álbum do The Shins está longe de ser um dos mais interessantes na discografia da banda. Intitulado Heartworms (2017), o registro chega até o público quatro anos após o lançamento do ótimo Port Of Morrow – 28º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2012 –, reciclando uma série de conceitos vindos de outros projetos do músico – como o Broken Bells.

Interessante perceber na recém-lançada Mildenhall um breve distanciamento de tudo aquilo que o Mercer vem desenvolvendo nos últimos trabalhos. Trata-se de uma típica canção do The Shins. Vozes e arranjos contidos, mas não menos interessantes. Um ato curto, centrado na vida do próprio artista, capaz de transportar o ouvinte para o mesmo universo apresentado no clássico Oh, Inverted World (2001), trabalho que apresentou o som da banda de Albuquerque a uma parcela maior do público.

Heartworms (2017) será lançado no dia 10/03 via Columbia.

 

The Shins – Mildenhall

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You Tried (2017), esse é o título do primeiro álbum de estúdio da banda sueca Hater. Com uma sequência de boas composições em mãos, caso de Mental Heaven e, mais recentemente, Had It All, o grupo original da cidade de Malmö segue com a divulgação do ainda inédito lançamento. Em Cry Later, terceiro e mais novo single do grupo formado por Caroline Landahl, Måns Leonartsson, Adam Agace, e Lukas Thomasson, uma explosão de boas guitarras e melodias sujas.

Enquanto a voz doce de Landahl detalha o mesmo aspecto sofredor dos últimos dois singles, musicalmente, o quarteto se desdobra na construção de um som intenso, base de grande parte do trabalho produzido pela banda em diferentes singles e EPs apresentados nos últimos anos. O mesmo garage rock pegajoso de artistas como Best Coast, Alvvays e demais coletivos que encontraram em clássicos de diferentes décadas o estímulo para um som autoral.

You Tried (2017) será lançado no dia 10/03 via PNKSLM

 

Hater – Cry Later

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Pop, colorido e pegajoso. Basta uma rápida audição para que o som produzido por Malli grude sem dificuldades na cabeça do ouvinte. Parte do primeiro álbum de estúdio da artista, previsto para estrear nos próximos meses, La Nave Va é um indie-axé-eletrônico que revela todas as nuances – sonoras e vocais – da jovem cantora. Um misto de Os Paralamas do Sucesso com Tulipa Ruiz, conceito temperado pelas guitarras e produção do músico Rafael Castro.

Enquanto os versos jogam com a temática do desapego, se livrando de um antigo (des)amor, musicalmente Malli e os parceiros de estúdio brincam com as possibilidades, detalhando batidas eletrônicas e arranjos levemente dançantes. No vídeo dirigido por Itaoâ Lara, uma mistura de cores, tendências e retalhos visuais. Sobram ainda pequenas coreografias, diferentes peças de roupas e um fino toque de bom humor que há tempos não se via no pop nacional.

 

MALLI – La Nave Va

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Phil Elverum já havia emocionado o público durante o lançamento de Real Death, há poucas semanas, sensação que volta a se repetir logo nos primeiros segundos de Ravens. Parte do novo álbum de inéditas do cantor e compositor norte-americano, A Crow Looked At Me (2017), a canção mergulha ainda mais fundo no universo de memórias e referências tétricas em torno da recente morte da artista Geneviève Castrée, esposa do cantor.

Assim como no single anterior, a nova faixa mergulha no isolamento e pequenas tentativas de Elverum em se adaptar à ausência de Castrée. Uma seleção de versos essencialmente descritivos, quase documentais, como se o ouvinte seguisse o personagem (real) do cantor por diferentes cenários. Com quase sete minutos de duração, Ravens chega acompanhada de um registro caseiro de diferentes imagens gravadas por Elvrum ao lado de Castrée.

A Crow Looked At Me (2017) será lançado no dia 24/03 via P.W. Elverum & Sun.

Mount Eerie – Ravens

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Do pouco que se ouviu de Sick Scenes (2017) já é possível ter uma boa noção do som produzido pelos integrantes do grupo britânico Los Campesinos!. Entre canções levemente explosivas, como I Broke Up in Amarante e atos de profunda leveza seguidos de versos políticos, como em 5 Flucloxacillin, o coletivo inglês parece ter encontrado na pluralidade dos elementos a fonte para um dos principais registros produzidos pela banda.

Em The Fall of Home, um novo e delicado capítulo dentro de Sick Scenes. Enquanto os versos refletem o desligamento das cidades que todas as pessoas deixam para trás em algum momento da vida, musicalmente, a faixa de arranjos contidos encanta pela profunda sutileza dos elementos detalhados do primeiro ao último instante. Sintetizadores, violinos, xilofones e outros elementos percussivos que se espalham em cima da base acústica da faixa.

Sick Scenes (2017) será lançado no dia 24/02 via Wichita.

 

Los Campesinos! – The Fall of Home

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Artista: Ty Segall
Gênero: Rock, Garage Rock, Rock Alternativo
Acesse: https://tysegall.bandcamp.com/

 

Passado o lançamento de Manipulator, em 2014, Ty Segall decidiu revisitar uma série de composições esquecidas dentro do próprio repertório. O resultado dessa busca está na produção de uma bem-sucedida coletânea de singles — $INGLE$ 2 (2014) —, um trabalho em homenagem ao grupo inglês T. Rex, lançado em 2015, além de um registro ao vivo, Live in San Francisco, apresentado meses depois. No começo de 2016, a chegada de um novo álbum de inéditas, o mediano Emotional Mugger, e o início de um longo período de hiato — pelo menos para os padrões do músico.

Primeiro registro de inéditas do cantor e compositor californiano em meses, Ty Segall (2017, Drag City), autointitulado trabalho de dez faixas, segue em direção ao passado. Trata-se de um precioso resgate de temas e referências que passa pelo pop-rock da década de 1960 — principalmente The Beatles —, mergulha no som psicodélico produzido nos anos 1970 e cresce como uma reciclagem de diferentes estilos de forma sempre enérgica, crua, estímulo para grande parte da discografia do guitarrista.

A principal diferença em relação aos últimos lançamentos de Segall está na forma como cada composição ao longo do presente disco se revela de forma acessível ao grande público. Logo nos primeiros minutos do trabalho, a explosão das guitarras e vozes de Break A Guitar, música que passeia por algumas das principais referências do músico norte-americano – como Nirvana e T. Rex –, sem necessariamente fazer disso um som copioso ou pouco inventivo.

Quanto mais o disco avança, mais Segall brinca com as possibilidades. Em Freedom, segunda faixa do disco, o possível resultado de como seria um encontro entre The Beach Boys e Ramones. Nas guitarras de The Only One, uma clara reverência ao Hard Rock dos anos 1970, efeito da movimentação firme dos arranjos, no melhor estilo Led Zeppelin. Na curtinha e acústica Orange Color Queen, um breve instante de pura leveza e romantismo, como se o músico resgatasse as mesmas melodias originalmente testadas em obras como Twins (2012) e Sleeper (2013).

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Bastou ao The XX o primeiro álbum de estúdio para que a banda londrina fosse capaz de conquistar uma posição de destaque dentro da cena alternativa. Brincando com as referências e diferentes aspectos da música pop – como o Soul dos anos 1970 e o R&B da década de 1990 –, cada novo registro de inéditas do grupo formado por Romy Madley Croft, Oliver Sim e Jamie Smith joga com a emoção do público, se perdendo em meio a versos essencialmente dolorosos e intimistas.

Depois de flertar com a eletrônica e o Dream Pop em Coexist (2012), o trio abraça um som ainda mais pop dentro do terceiro e mais recente álbum de estúdio: I See You (2017). O registro é a base de uma extensa turnê que a banda vem promovendo ao redor do globo, reservando uma apresentação para o dia 25 de março em mais uma edição do Lollapalooza Brasil. Aproveitando a passagem do The XX pelo país, preparamos uma seleção com 10 músicas essenciais da banda.

Nos comentários, conta pra gente: qual é a sua música favorita do trio britânico?

 

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