Tag Archives: Indie

Resenha: “Pedro”, Ombu

Artista: Ombu
Gênero: Alternative Rock, Post-Hardcore, Pós-Rock
Acesse: https://www.facebook.com/bandaombu

 

Calma“. O verso sereno e levemente melancólico que abre a quarta faixa de Pedro EP (2016, Balaclava Records) parece dizer muito sobre a presente fase da banda paulistana Ombu. Três anos após o lançamento do primeiro registro de estúdio, o artesanal Caminho Das Pedras EP, João Viegas (baixo e voz), Santiago Mazzoli (guitarra e voz) e Thiago Barros (bateria) assumem uma postura sóbria e parcialmente renovada com o presente trabalho de inéditas, revelando ao público uma sequência de composições marcadas pela complexidade dos detalhes.

Passo além em relação ao trabalho apresentado há pouco mais de um ano em Mulher EP (2016), registro de seis faixas e uma espécie de recomeço dentro da curta trajetória do grupo, o novo álbum confirma o profundo esmero na construção de cada música produzida pelo grupo. Ideias que passeiam pelo mesmo cenário urbano apresentado no primeiro EP do trio, porém, encorpadas por um conjunto de novas ambientações, ruídos e temas etéreos.

Ainda que Calma, composição escolhida para anunciar o trabalho pareça sintetizar toda a transformação do grupo paulistano, sobrevive na dolorosa Sem Mais, faixa de abertura do disco, um conjunto de novos experimentos e colagens instrumentais que confirmam a completa evolução do trio. Enquanto os versos resgatam de forma angustiada as memórias de um passado ainda recente, musicalmente a canção cresce de forma a revelar um verdadeiro labirinto instrumental, mergulhando em diferentes cenários, solos arrastados de guitarra, texturas e até vozes assumidas por um grupo de crianças.

Observado em proximidade aos dois últimos registros da banda, Pedro – o nome é um misto de homenagem e brincadeira com um fã do grupo – se revela como o trabalho mais seguro da Ombu, fruto da profunda interação entre cada integrante da banda em estúdio. “No estúdio, eu estava me sentindo em casa. É importante respeitar o tempo de gestação de casa música”, confessou Mazzoli em entrevista ao site da Noisey. Continue reading

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Metronomy: “Hang Me Out to Dry” (ft. Robyn)

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Joseph Mount e os demais parceiros de banda não estão economizando esforços para o lançamento de Summer 08 (2016). A cada nova composição do quinto registro de inéditas do Metronomy, uma nova surpresa. Canções como a nostálgica Old Skool, parceria com Master Mike, um dos ex-integrantes do Beastie Boys, além de peças como Back Together e Night Owl, músicas que incorporam diferentes temas instrumentais dos anos 1970/1980.

Em Hang Me Out to Dry, mais recente criação do coletivo britânico, uma espécie de regresso ao mesmo ambiente acolhedor de The English Riviera (2011). Assinada em parceria com a cantora e produtora sueca Robyn, a faixa de quase quatro minutos parece crescer sem pressa, encaixando sintetizadores e vozes de forma a reproduzir um material essencialmente dançante, mesmo na timidez como cada componente da música é entregue ao público.

Summer 08 (2016) será lançado no dia 01/07.

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Metronomy – Hang Me Out to Dry (ft. Robyn)

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Hoops: “Cool 2”

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Original da cidade de Bloomington, Indiana, o Hoops é um quarteto de Dream Pop/Rock Psicodélico que parece seguir à risca grande parte dos “ensinamentos” deixados no final da década passada por diferentes nomes da cena alternativa norte-americana. Artistas como Real Estate e Ariel Pink, referências que ecoam de forma explícita dentro do mais recente trabalho do grupo, Cool 2, primeiro single do homônimo EP da banda que conta com distribuição pelo selo Fat Possum.

Com pouco menos de dois minutos de duração, Cool 2 esbanja melodias ensolaradas e reverberações nostálgicas que tanto dialogam com os nomes acima citados, como incorporam elementos lançados há mais de três décadas nos primeiros discos do R.E.M. e demais veteranos da época. Observado em proximidade aos últimos trabalhos do grupo, a nova faixa não apenas confirma a evolução do quarteto como parece indicar a busca do grupo por um som ainda mais “pop”.

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Hoops – Cool 2

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Devendra Banhart: “Middle Names”

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As melodias descomplicadas e versos apaixonados de Mala (2013) deram novo significado ao trabalho de Devendra Banhart. Longe do experimentalismo incorporado nos primeiros álbuns de estúdio, o cantor e compositor norte-americano fez do oitavo registro de inéditas um de seus trabalhos mais acessíveis, acolhedor como mostram composições como Mi NegritaFür Hildegard von Bingen, proposta que volta a se repetir com a chegada de Middle Names.

Movida pela leveza dos arranjos, ruídos caseiros e vozes que se aproximam do trabalho produzido pelo duo norueguês Kings of Convenience, a canção foi justamente a escolhida para apresentar o novo álbum de estúdio de Banhart: Ape In Pink Marble (2016). O registro conta com a co-produção de Noah Georgeson e Josiah Steinbrick, parceiros de longa data do músico estadunidense, além de outras 12 composições inéditas.

Ape In Pink Marble (2016) será lançado no dia 23/09 pelo selo Nonesuch.

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Devendra Banhart – Middle Names

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Resenha: “Case/Lang/Veirs”, Case/Lang/Veirs

Artista: Case/Lang/Veirs
Gênero: FolK, Indie, Alt. Country
Acesse: http://caselangveirs.com/

 

O que acontece quando você junta um time de grandes vozes femininas e uma sequência de composições marcadas pela completa melancolia dos versos? A resposta para essa pergunta pode ser encontrada com naturalidade no interior de Case/Lang/Veirs (2016, ANTI-), primeiro registro em estúdio da parceria entre as cantoras Neko Case, k.d. lang e Laura Veirs e um dos trabalhos mais dolorosos que floresceram na recente safra do cancioneiro norte-americano.

Movido pelos sentimentos e pequenas exposições intimistas de cada colaboradora, o álbum encanta justamente pela pluralidade de ideias que abastecem cada uma das 14 composições do registros. Uma obra que se divide claramente entre as melodias primorosas de Veirs, esbarra nos versos alcoolizados de Case – ainda íntima do material entregue em The Worse Things Get (2013) –, e cresce íntima do grande público, efeito das vocalizações dramáticas, sempre acessíveis da veterana lang.

No decorrer da obra, um catálogo versátil de versos e temas confessionais. Músicas sufocadas pela separação, como em Song for Judee; fragmentos que indicam pequenos sorrisos depois de um longo inverno sentimental, caso de Best Kept Secret, além de composições que mergulham em um oceano de versos angustiados, marca da densa Honey and Smoke. Uma obra que se distancia de possíveis protagonistas, fragmentando as canções em diferentes épocas e histórias isoladas.

Mesmo os arranjos do disco se partem de forma a incorporar diversas fases e tendências musicais. Enquanto Honey and Smoke soa como uma típica canção do começo dos anos 1960, esbarrando no romantismo de Roy Orbinson e outros veteranos da época, em Greens of June, sexta faixa do disco, o trio busca por um som essencialmente delicado, bucólico, bastante similar ao trabalho produzido pela cantora britânica Vashti Bunyan em Lookaftering, de 2005. Continue reading

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Parcels: “Anotherclock”

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A guitarra funkeada cresce lentamente. Vozes em coro se espalham sem pressa, suavemente, revelando um time de vozes costuradas de forma precisa ao fundo da composição. Pianos, batidas contidas e um delicioso clima de sedução que parece típico dos trabalhos do Rhye. Durante exatos quatro minutos, são esses os elementos que você encontra em Anotherclock, mais recente single do Parcels, coletivo original da cidade de Berlim, na Alemanha.

Menos “urgente” em relação ao trabalho produzido há poucos meses dentro da antecessora Herefore, a nova música se distancia do uso excessivo dos sintetizadores para se concentrar de forma explícita no detalhismo de cada instrumento. Perceba como cada elemento da música atua de forma independente dentro da faixa, preenchendo toda e qualquer lacuna instrumental. Da abertura ao fechamento, um convite tímido para dançar.

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Parcels – Anotherclock

 

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Teenage Fanclub: “I’m in Love”

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Já imaginou como seriam as canções de Brian Wilson em Pet Sounds (1967) com uma dose extra de guitarras? A resposta talvez esteja na delicada I’m In Love. Mais recente single do grupo escocês Teenage Fanclub, a composição que conta com pouco mais de dois minutos mostra a capacidade do time de veteranos em produzir boas melodias, arrastando o ouvinte para dentro de um cenário marcado pelo romantismo e arranjos sempre precisos.

Longo de parecer um ato isolado do grupo, a canção foi a escolhida para anunciar o novo registro de inéditas da banda: Here (2016). Gravado em parceria com o engenheiro de som David Henderson, o trabalho conta com 12 faixas inéditas, sendo o primeiro álbum de estúdio da banda desde o ótimo Shadows, registro entregue ao público em maio de 2010.

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Teenage Fanclub – I’m in Love

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Metronomy: “Night Owl”

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Com o lançamento de Old Skool e Back Together nas últimas semanas, os integrantes do Metronomy se concentraram em fazer o público dançar. Dos scratches de Master Mike, um dos integrantes do Beastie Boys, ao refrão pegajoso de ambas composições, mais uma vez o grupo britânico apontou em direção às pistas e acertou, preparando o terreno para a chegada de Summer 08 (2016), novo álbum de inéditas da banda.

Em Night Owl, oitava faixa do disco e mais recente single da banda, um novo caminho. Inicialmente serena, a canção escapa do jogo de batidas e versos fortes das duas últimas faixas da banda para revelar ao público um som marcado pelo uso de boas melodias. Uma fuga do som propositadamente instável de Back Together – faixa que replica uma série de conceitos inicialmente testados pelo Talking Heads –, e a passagem para uma espécie de refúgio dentro do novo disco.

Summer 08 (2016) será lançado no dia 07/01.

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Metronomy – Night Owl

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Omni: “Wednesday Wedding”

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Formado por Frankie Broyles (ex-Deerhunter), Philip Frobos (ex-Carnivores) e Billy Mitchell (ex-Carnivores), Omni é um projeto de Garage Rock que entregou ao público uma série de grandes composições nos últimos meses. Faixas como Afterlife e Wire, composições essencialmente curtas, mas que carregam um mundo de referências que vão do pós-punk norte-americano a clássicos do rock alternativo dos anos 1990.

Em Wednesday Wedding, mais recente lançamento do trio estadunidense, a busca declarada por um som de natureza pop, pegajoso. Uma versão desconstruída do mesmo som produzido pelo Deerhunter em Monomania (2013), além de uma série de guitarras que se aproximam com naturalidade da fase mais “ensolarada” do Wavves. Assim como as duas últimas faixas do grupo, a nova canção é parte do primeiro álbum da banda, Deluxe (2016).

Deluxe (2016) será lançado no dia 08/07 pelo selo Trouble In Mind.

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Omni – Wednesday Wedding

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Resenha: “Puberty 2”, Mitski

Artista: Mitski
Gênero: Indie Rock, Alternative, Rock
Acesse: http://mitski.com/

Em um intervalo de apenas três anos, Mitski Miyawaki deu vida a três registros completamente distintos. O inaugural Lush, em 2012, Retired from Sad. New Career in Business, de 2013 e Bury Me At Makeout Creek, entregue ao público em 2014. Uma coleção de faixas repletas de temas confessionais, discussões sobre a vida sentimental da cantora e tormentos existencialistas que se revelam de forma ainda mais complexa com a chegada de Puberty 2 (2016, Dead Oceans), quarto e mais recente álbum de inéditas da cantora.

Trabalho mais complexo de toda a discografia de Mitski, o registro de 11 faixas e pouco mais de 30 minutos de duração nasce como uma extensão madura do som desenvolvido em Bury Me at Makeout Creek. Guitarras que flertam com a produção ruidosa de diferentes álbuns produzidos no começo da década de 1990 – como Dry (1992) e Rid of Me (1993) da britânica PJ Harvey –, mas que a todo momento incorporam pequenos experimentos e colagens eletrônicas que afastam a artista de uma possível zona de conforto.

Um bom exemplo disso está na inaugural Happy. Enquanto os versos exploram o peso da felicidade na vida de qualquer indivíduo – “A alegria veio me visitar, ela comprou biscoitos no caminho / Eu lhe servi chá e ela me disse que tudo vai ficar bem”–, musicalmente, Mitski dá um salto. Da bateria eletrônica que abre e finaliza a canção, passando pelo jogo de guitarras dançantes, até alcançar o saxofone que orienta os instantes finais da música, uma chuva de pequenos detalhes delicadamente cobre toda a extensão da faixa, grandiosa a cada novo ruído ou encaixe eletrônico.

Movida pela mesma herança musical de artistas como Waxahatchee, Sharon Van Etten e Torres, a cantora acerta ao fazer de cada composição um ato isolado. Enquanto músicas como My Body’s Made of Crushed Little Stars e A Loving Feeling exploram o mesmo conceito “caseiro” dos dois primeiros álbuns da cantora, faixas como Crack Baby e Happy indicam um maior refinamento, flertando com novos estilos, como se mesmo segura da própria sonoridade, Mitski buscasse por novas sonoridades. Continue reading

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