Tag Archives: Indie

Parquet Courts: “Dust”

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Lentamente os integrantes do Parquet Courts se afastam do material essencialmente simplista, cru, apresentado pela banda dentro do debut Light Up Gold (2012). Ocupando essa lacuna, uma sonoridade cada vez mais complexa, recheada por novos instrumentos e íntima do Post-Punk – inglês ou nova-iorquino – apresentado no começo da década de 1980. A base de todo o terceiro registro de estúdio produzido pela banda, Human Performance (2016).

Em Dust, primeira composição que marca a chegada do álbum que sucede Sunbathing Animal – um dos 50 melhores discos internacionais de 2014 -, o claro amadurecimento da banda. Enquanto os versos nonsenses da faixa divagam de forma metafórica sobre problemas cotidianos, uma base de guitarras e sintetizadores cíclicos, típicos do krautrock, arrastam o ouvinte para dentro de um ambiente claustrofóbico, sujo e que cresce em pequenas doses. Uma explícita continuação da mesma “fórmula” aplicada pelo grupo há dois anos.

Human Performance (2016) será lançado no dia 08/04 pelo selo Rough Trade.

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Parquet Courts – Dust

 

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Disco: “Is the Is Are”, DIIV

DIIV
Indie Rock/Dream Pop/Alternative
https://www.facebook.com/diivnyc/

 

Ouvir Is the Is Are (2016, Captured Tracks) é como ser arrastado para dentro de um imenso turbilhão de emoções, ruídos e sentimentos confessos. Guitarras crescem e encolhem a todo o instante, sempre replicando diferentes conceitos instrumentais explorados nas décadas de 1980 e 1990. Uma colisão de fórmulas, referências e pontes atmosféricas que sustentam na voz abafada do líder Zachary Cole Smith a base para o nascimento de letras marcados por temas pessoais (Out of Mind), delírios (Take Your Time) e conflitos amorosos (Dopamine).

Musicalmente amplo, livre do pós-punk hermético produzido durante o lançamento de Oshin (2012), álbum de estreia do DIIV, Is the Is Are é uma obra que lentamente brinca com as possibilidades. Ruídos ásperos que abraçam o shoegaze em Incarnate Devil, solos de guitarra essencialmente melódicos em Mire (Grant’s Song), a voz doce, por vezes pegajosa, de Smith em Dopamine e Under the Sun. Pouco mais de 60 minutos de duração em que o grupo nova-iorquino arremessa o ouvinte para todas as direções.

Verdadeiro mosaico de cores cinzentas, cada faixa do álbum parece buscar conforto em diferentes cenários, épocas e tendências instrumentais. Se em instantes o DIIV soa como o R.E.M. nos primeiros álbuns de estúdio – vide as guitarras da inaugural Out of Mind ou a crescente Yr Not Far -, em poucos segundos um novo catálogo de ideias e sonoridades parecem revisitadas. The Cure em Healthy Moon, The Raplacements nas guitarras de Under The Sun, Slowdive e Ride nos ruídos hipnóticos de Mire (Grant’s Song). Uma delicada expansão do rico acervo apresentado pelo grupo em Oshin.

Ambientado em um universo próprio de Zachary Cole Smith, Is The Is Are lentamente mergulha em um cenário marcado pela desordem, consumo excessivo de drogas e confissões alucinadas do músico. “You’re the sun and I was your cloud / Burning out, running in place / Got so high I finally felt like myself”, canta o vocalista em Dopamine, uma canção que cruza amor e lisergia de forma intensa, quente, um estímulo para o nascimento de faixas como Valentine (“Stuck inside of me / In tragedy i’m complete”) e Blue Boredom (“Thief for a chance / Kiss for a catch”), esta última, uma parceria entre Smith e a ex-namorada, a cantora Sky Ferreira. Continue reading

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Cavern of Anti Matter: “Liquid Gate” (ft. Bradford Cox)

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Em mais de duas décadas de atuação dentro do Stereolab, Tim Gane e os parceiros de banda deram vida a um valioso acervo de obras. Clássicos como Mars Audiac Quintet (1994), Emperor Tomato Ketchup (1996) e Dots and Loops (1997). Com o grupo temporariamente em hiato, o músico britânico decidiu aproveitar o tempo livre investindo em um novo projeto “em carreira solo”. Trata-se do curioso Cavern of Anti Matter, projeto que conta com o primeiro álbum de inéditas, Void Beats / Invocation (2016), previsto para o dia 19 de fevereiro.

Entre as canções que abastecem o esperado registro, Liquid Gate, uma parceria entre Gane e Bradford Cox, vocalista do Deerhunter e um confesso apreciador da obra do Stereolab. Além de Cox, Sonic Boom, ex-integrante do Spaceman 3 e produtor do ótimo Panda Bear Meets The Grim Reaper, último registro de inéditas do Panda Bear, é um dos artistas confirmados para o disco.

Void Beats / Invocation (2016) será lançado no dia 19/02 pelo selo Duophinic.

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Cavern of Anti Matter – Liquid Gate (ft. Bradford Cox)

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Cat’s Eyes: “Chameleon Queen”

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Mais conhecido pelo trabalho produzido com o The Horrors, o cantor e compositor britânico Faris Badwan apresentou em 2011 o primeiro álbum como parte do projeto Cat’s Eyes. Produzido ao lado da musicista canadense Rachel Zeffira, o delicado registro funciona como um passeio pela música gótica de diferentes épocas, conceito que volta a se repetir dentro do segundo trabalho de inéditas construído pela dupla: Treasure House (2016).

Primeira das 11 faixas que integram o novo registro, a canção de versos lentos delicadamente resgata todos os elementos lançados pela dupla há cinco anos. O vocal sóbrio de Faris, os apoios vocais de Zeffira, a instrumentação precisa, adornada por elementos tão íntimos da década de 1980, quanto de obras clássicas do Chamber Pop produzidas nos anos 1960 e 1970.

Treasure House (2016) será lançado no dia 03/06 pelo selo RAF.

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Cat’s Eyes – Chameleon

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Cullen Omori: “Sour Silk”

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Ainda que pareça explorar uma sonoridade distinta em relação ao trabalho produzido com os ex-parceiros de banda do Smith Westerns, em carreira solo, Culen Omori parece manter firme a essência de obras como Dye It Blonde (2011) e Soft Will (2013). Uma colisão de temas instrumentais marcados pela delicadeza, guitarras sujas, vozes sempre acessíveis e acompanhadas de um canto melódico que sustenta os versos confessionais lançados pelo músico.

Em Sour Silk não poderia ser diferente. Mergulhada em uma solução de vozes em coro, alternações na voz de Omori e um conjunto de instrumentos arrastados, crescentes, a nova faixa parece seguir um caminho distinto em relação ao material apresentado em Cinnamon, seduzindo o público lentamente. São pouco mais de três minutos em que o ouvinte é arrastado para dentro do universo particular de Omori, tão íntimo do som produzido pelo Smith Westerns como de obras recentes assinadas por Ariel Pink e Ducktails

New Misery (2016) será lançado no dia 18/04 pelo selo Sub Pop.

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Cullen Omori – Sour Silk

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Yuck: “Cannonball”

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Com Hold Me Closer e Hearts In Motion os integrantes do conseguiram atrair a atenção do público sem dificuldades para o terceiro registro de inéditas da banda. Batizado Stranger Things (2016), o sucessor de Glow & Behold (2013) carrega uma sonoridade tão suja e nostálgica quando o primeiro álbum do grupo britânico. Uma divertida visita ao passado que volta a se repetir no interior no mais novo single da banda: Cannonball.

Urgente, a faixa de 2 minutos e 25 segundos nasce como uma síntese das principais referências do Yuck. O vocal desesperado, a captação suja e o jogo de guitarras melódicas que poderiam facilmente abastecer o trabalho de bandas como Dinosaur Jr. e Superchunk no começo dos anos 1990. Além da canção inédita, há poucos dias o grupo presenteou o público com uma curiosa versão de Cashout, faixa de abertura do último registro de inéditas do Fugazi, The Argument (2001).

Stranger Things (2016) será lançado no dia 26/02.

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Yuck – Cannonball

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Animal Collective: “Lying In The Grass”

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Vozes sobrepostas, sintetizadores e batidas loucas, uma pitada de experimentos jazzísticos e constantes quebras bruscas marcam o trabalho do Animal Collective em Lying In The Grass. Mais recente composição do aguardado Painting With (2016), obra que será apresentada no dia 19/02, a canção de versos abstratos traz de volta o mesmo brilhantismo que projetou o grupo norte-americano no fim a década passada, sonoridade já explícita na antecessora Floridada.

A diferença em relação ao material apresentado no último single está na forma como as vozes se transformam em um componente de sustentação para os instrumentos. O saxofone de Colin Stetson, um dos músicos convidados a colaborar dentro da obra é outro destaque notável. Inspirado em diferentes movimentos culturais do começo do século XX – como o dadaísmo e o cubismo -, Painting With também conta com a presença do veterano John Cale (The Velvet Underground).

Painting With (2016) será lançado no dia 19/02 pelo selo Domino.

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Animal Collective – Lying In The Grass

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Frankie Cosmos: “Sinister”

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Poucas vezes antes o trabalho de Frankie Cosmos pareceu tão acessível quanto em Sinister. Escolhida para apresentar o novo registro de inéditas da cantora e compositora norte-americana, Next Thing (2016), a canção mostra um completo aprimoramento em relação ao material produzido pela cantora desde o lançamento do álbum Zentropy, em 2014. Um delicado jogo de vozes e versos confessionais que exploram o universo particular da jovem artista.

Sometimes I get sinister“, canta Cosmos no pegajoso refrão da faixa. Parcialmente livre dos sintetizadores apresentados no curto acervo de Fit Me In EP (2015), a nova composição reforça o interesse da musicista em brincar com o Indie Pop dos anos 1990 e toda a carga de referências melódicas que abasteceram a década de 1980. Além de Sinister, o novo álbum conta com outras 14 faixas inéditas.

Next Thing (2016) será lançado no 01/04 pelo selo Bayonet.

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Frankie Cosmos – Sinister

 

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Disco: “Assume Que Gosta”, Matheus Brant

Matheus Brant
Nacional/Indie/Alternative
http://matheusbrant.com.br/

 

Assume que gosta de mim assim / Assim como gosta de um pagodinho / Me beija / Me deita, me cheira, me olha assim / Assim como se fosse até o fim me leva”. É impossível ouvir as canções de Assume Que Gosta (2016, Independente) e não sentir vontade de dançar. Segundo registro de inéditas do cantor e compositor mineiro Matheus Brant, o trabalho que conta com produção assinada por Fábio Pinczowski e Mauro Motoki – também integrantes da Ludov -, cresce, dança e provoca, como um convite para o ambiente de versos sedutores, batidas e arranjos quentes que delicadamente cercam o ouvinte.

Inspirado pelo clima do Carnaval, Brant, um dos criadores do popular bloco mineiro Me Beija que Eu Sou Pagodeiro, assume um caminho completamente distinto em relação ao som promovido no álbum anterior, A Semana (2011). Trata-se de um registro de versos e fórmulas descomplicadas. Uma coleção de faixas marcadas pelo romantismo (Me Namorar), instantes de confissões dramáticas (Abandonado) e versos que nascem a partir de diálogos típicos qualquer casal (Do Prazer).

Círculo sem parar no giro do pedal / Pela perna é ela a tração tropical / Minha cabeça girando seguindo a dela / A bicicleta me leva pra ela afinal”, canta Brant na delicada #Magrela, um afoxé repleto de metáforas que resume com naturalidade a lírica versátil do disco. Do Prazer, música em parceria com a paraense Luê, é outra que explora a mesma temática. “Ah, meu amor, você me deu muita vontade de fazer / Será que você fala fala e não me pega pra valer”, duela o casal no interior da faixa. Uma típica canção de novela, grudenta e radiofônica na medida exata.

Apreciador confesso da obra dos Novos Baianos, Brant, que em 2011 regravou o clássico Mistério do Planeta, aos poucos estabeleces pequenas pontes criativas para o trabalho do coletivo baiano. Basta uma rápida passagem pela enérgica Me Namorar, composição que brinca com a mesma sonoridade montada por Pepeu Gomes no clássico Acabou Chorare (1972). Um assertivo encontro entre o samba e o rock que se repete na dobradinha Carnaval e Sereia, esta última, parceria com a cantora mineira Juliana Perdigão. Continue reading

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Disco: “New View”, Eleanor Friedberger

Eleanor Friedberger
Indie/Alternative/Female Vocalists
http://www.eleanorfriedberger.com/

A cada novo trabalho em carreira solo, Eleanor Friedberger reforça o distanciamento em relação ao som produzido com o irmão Matthew Friedberger, do The Fiery Furnaces. Livre dos experimentos, curvas bruscas e temas psicodélicos que abasteceram obras como Gallowsbird’s Bark (2003) e Blueberry Boat (2004), são os arranjos e versos delicados, quase sempre confessionais, que caracterizam a curta discografia particular da cantora.

Com o recém-lançadp New View (2016, Frenchkiss Records) não poderia ser diferente. Terceiro registro em estúdio de Friedberger, o álbum de 11 composições inéditas parece seguir exatamente de onde a cantora parou há três anos, durante o lançamento do bem-sucedido Personal Record (2013). Trata-se de uma obra que detalha o cotidiano da artista de forma bem-humorada (He Didn’t Mention His Mother), explora conflitos pessoais (Never Is a Long Time) e lentamente mergulha em elementos sentimentais íntimos de qualquer ouvinte (A Long Walk).

A diferença em relação aos dois últimos trabalhos da cantora está na forma como Friedberger parece manter o completo domínio sobre a obra. Seja na montagem dos versos ou na estrutura musical tecida para o álbum, New View, diferente dos antecessores Last Summer e Personal Record, nasce como uma registro em que cada composição serve de estímulo para a canção seguinte. Uma lenta sobreposição de ideias e temas instrumentais que acompanha o ouvinte até os últimos instantes da obra.

Musicalmente, New View se projeta como o trabalho em que Friedberger mais investe em novas possibilidades, arranjos e instrumentos, escapando do som “contido” que marca dos primeiros discos. São pianos elétricos no interior da psicodélica Cathy With the Curly Hair, guitarras carregadas de efeito em Two Versions of Tomorrow e até arranjos que flertam com elementos típicos da música country, marca de composições como Open Season e Your Word. Continue reading

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