Tag Archives: Indie

Disco: “Sleep Cycle”, Deakin

Artista: Daekin
Gênero: Experimental, Psychedelic, Folk
Acesse: http://myanimalhome.net/

 

De todos os trabalhos produzidos pelo Animal Collective na última década, o presente Painting With (2016) talvez seja o mais raso, fraco. Arranjos e versos que replicam de forma pouco inventiva grande parte do material apresentado pelo coletivo em Merriweather Post Pavilion (2009) e Centipede Hz (2012). Uma possível alternativa para o recente trabalho do grupo de Baltimore? Sleep Cycle (2016, My Animal Home), estreia solo de Josh Dibb como Deakin.

Mais conhecido pela série de obras produzidas em parceria com os demais integrantes do Animal Collective, Dibb aproveita o primeiro registro autoral para revisitar uma série de temas e conceitos instrumentais que apresentaram o grupo norte-americano há mais de uma década. O mesmo folk psicodélico, colorido e essencialmente detalhista que orienta as canções originalmente apresentadas em Sung Tongs (2004) e Feels (2005).

Em produção desde 2009, o trabalho de seis faixas – boa parte delas com mais de sete minutos de duração – delicadamente estabelece um curioso pano de fundo psicodélico. Captações atmosféricas que se encontram com violões tímidos, vozes serenas que mergulham em uma piscina de melodias cósmicas. Da abertura do disco, com Golden Chords, até a chegada de Good House, no encerramento do disco, um mundo de detalhes que se abre para a chegada do ouvinte.

De um lado, composições como Shadow Mine, um respiro experimental que flutua de maneira independente no interior da obra. No outro, músicas extensas, caso de Just Am e Footy, longos ensaios psicodélicos que incorporam referências vindas da década de 1970, resgatam aspectos típicos da discografia do AC e lentamente tecem a identidade musical de Deakin em carreira solo. Continue reading

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Resenha: “Everybody’s Heart Is Broken Now”, Niki and the Dove

Artista: Niki and the Dove
Gênero: Indie Pop, Alternative, Synthpop
Acessehttp://www.nikiandthedove.com/

É difícil não se encantar pelo som produzido pela dupla Niki and the Dove. Da eletrônica colorida que marca o primeiro álbum de estúdio do casal, Instinct, de 2012, passando pelos versos sentimentais, sempre pegajosos, cada música assinada pela dupla Malin Dahlström e Gustaf Karlöf parece polida de forma sempre detalhista, pop e acessível, cuidado que se repete, porém, sob outra ótica em Everybody’s Heart Is Broken Now (2016, TEN Music Group).
Segundo e mais recente álbum de estúdio do duo sueco, o registro de 13 composições inéditas encontra no som empoeirado da década de 1980 uma espécie de novo alicerce criativo. Se há quatro anos Dahlström e Karlöf apresentavam uma versão “descomplicada” do mesmo som produzido pelos conterrâneos do The Knife, com o novo trabalho, vozes, guitarras, batidas e sintetizadores apontam para um universo parcialmente renovado.
Ponto de partida para grande parte das canções que abastecem a obra, So Much It Hurts detalha a busca do casal por um som enevoado, nostálgico, como se parte do material produzido há mais de três décadas fosse replicado de forma atenta no interior da obra. Instantes que ainda passeiam pelo mesmo R&B entristecido de Michael Jackson e Lionel Richie, base para a formação de músicas aos moldes de Everybody Wants To Be You e Miami Beach, duas das peça mais tristes do trabalho.
Perto das canções apresentadas em Instinct, Everybody’s Heart Is Broken Now acaba se revelando um registro musicalmente lento, tímido em grande parte das canções. Salve a explosão controlada que marca faixas como You Stole My Heart Away e Coconut Kiss, parte expressiva do trabalho mantem firme a relação entre as canções, resultando em um material homogêneo e controlado, como se uma mesma peça servisse de base para toda a formação da obra.

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Yumi Zouma: “Barricade (Matter Of Fact)”

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Quem esperava por um som cada vez mais acelerado e dançante talvez encontre o completo oposto disso no primeiro álbum de estúdio do Yumi Zouma. Como indicado em Keep It Close To Me, faixa apresentada há poucas semanas, o quarteto neo-zelandês decidiu transformar o aguardado debut Yoncalla em um registro de vozes e melodias ambientais, tímidas, como a seleção de faixas exploradas como respiros dentro da sequência de EPs apresentada pelo grupo nos últimos anos.

Em Barricade (Matter Of Fact), mais recente canção de trabalho do grupo, uma continuação da mesma proposta. São sintetizadores comportados e a voz sempre delicada de Kim Pflaum, como se todos os elementos assentassem suavemente ao fundo da canção. Uma típica canção de grupos como Chromatics e Mr. Twin Sister, porém, em versão “miniatura”, como se todos elementos fossem encaixados de maneira sutil.

Yoncalla (2016) será lançado no dia 27/05 pelo selo Cascine.

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Yumi Zouma – Barricade (Matter Of Fact)

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Band of Horses: “Casual Party”

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Why Are You OK (2016), esse é o nome do quinto álbum de estúdio do Band of Horses. Sucessor do mediano Mirage Rock, de 2012, o trabalho reserva ao público 12 composições inéditas e produção dividida entre Jason Lytle, vocalista e líder do Grandaddy, além do veterano Rick Rubin, responsável pela produção executiva do disco. Musicalmente, uma extensão do material apresentado pelo grupo desde o terceiro registro de inéditas, o acelerado Infinite Arms (2010), sonoridade explícita na recém-lançada Casual Party.

Do vocal característico de Ben Bridwell, passando pelo uso de guitarras essencialmente melódicas e todo um material que remete à discografia da banda, pouco parece ter evoluído nos últimos três anos de hiato da banda. Um refrão explosivo, a letra marcada por versos confessionais e a interferência direta de arranjos tão melancólicos quanto raivosos. Uma fórmula pronta, mas que deve agradar a massa de seguidores que há mais de uma década acompanham o trabalho do grupo.

Why Are You OK (2016) será lançado em junho pelos selos Interscope/American Recordings.

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Band Of Horses – Casual Party

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Patience: “The Church” (VÍDEO)

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Mais conhecida pelo trabalho como vocalista e líder do grupo britânico Veronica Falls, em carreira solo, Roxanne Clifford parece assumir um som completamente distinto em relação ao indie rock produzido com os parceiros de banda. Trata-se do Patience, um projeto de Synthpop/Italo Disco que mergulha no mesmo universo de artistas como Desire, Glass Candy, Chromatics e grande parte dos projetos relacionados ao selo Italians Do It Better.

Em The Church, primeiro composição e clipe produzido por Clifford, um eficiente resumo do material que será entregue pela cantora nos próximos meses. Bases, batidas e vozes levemente dançantes, como um convite tímido para as pistas. Para o clipe da faixa – filmado em VHS –, uma delicada sobreposição de imagens nostálgicas, como um típico vídeo caseiro da década de 1990. Assista:

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Patience – The Church

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Resenha: “Singing Saw”, Kevin Morby

Artista: Kevin Morby
Gênero: Folk Rock, Indie, Singer-Songwriter
Acesse: https://www.facebook.com/kevinrobertmorby/

 

Kevin Morby está longe de parecer um iniciante. São quatro registros de peso como baixista do Woods – Songs of Shame (2009), At Echo Lake (2010), Sun and Shade (2011) e Bend Beyond (2012); dois trabalhos em parceria com Cassie Ramone (ex-Vivian Girls) pelo The Babies – The Babies (2011) e Our House on the Hill (2012) –, além de uma sequência de obras em carreira solo – Harlem River (2013) e Still Life (2014). Ainda assim, é com o recente Singing Saw  (2016, Dead Oceans) que o cantor e compositor norte-americano oficialmente se apresenta ao “grande público”.

Obra mais acessível e madura de toda a discografia de Morby – pelo menos em carreira solo –, o registro que conta com produção de Sam Cohen – músico que já trabalhou com artistas como Norah Jones e Shakira – dá um salto em relação ao material apresentado nos dois primeiros discos de inéditas do cantor. O mesmo folk rock nostálgico inaugurado em Harlem River, porém, encorpado por uma série de novas referências, grande parte delas ancoradas em elementos vindos dos anos 1960 e 1970.

Da relação com a música negra que cresce no canto gospel de Black Flowers e I Have Been to the Mountain, passando pelas guitarras e temas psicodélicos da extensa faixa-título, até alcançar o som intimista de Ferris Wheel, durante toda a construção da obra, Morby e o imenso time de colaboradores brincam com a música lançada há mais de quatro décadas. Um catálogo de ideias que esbarra na obra de Bob Dylan – Blood on the Tracks (1975) – e Neil Young – After the Gold Rush (1970) e Harvest (1972) –, porém, preservando a identidade musical do artista.

Com nove músicas e pouco mais de 40 minutos de duração, Singing Saw é uma obra marcada pelos instantes. Trata-se de um disco essencialmente dinâmico, típico do período que inspira Morby. O canto melancólico em Drunk and On a Star, arranjos e versos comerciais em Destroyer e Dorothy, e pequenos atos de experimento. A diferença está na riqueza dos detalhes – vozes, batidas, guitarras e sintetizadores – que se espalham ao fundo do trabalho e, principalmente, na forma como os versos dialogam com o presente. Continue reading

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The Clientele: “Since We Last Spoke”

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São mais de 20 anos de carreira, uma discografia riquíssima completa com obras como Suburban Light (2010), The Violet Hour (2003) e God Save The Clientele (2007), além de uma sequência de composições que nunca foram lançadas oficialmente pela banda. Em hiato desde 2010, o grupo britânico The Clientele está de volta para o relançamento do clássico Strange Geometry, obra originalmente apresentada em 2005, mas que reaparece agora com algumas “novidades”.

Junto da edição especial do disco, o coletivo inglês anuncia o lançamento de A Sense of Falling: Strange Geometry Outtakes (2006), um EP repleto de músicas que acabaram ficando de fora da edição final do trabalho lançado há mais de uma década. Entre as faixas que abastecem o pequeno registro “de inéditas”, Since We Last Spoke, um indie pop empoeirado, repleto de melodias acústicas e vozes brandas, íntimas do material produzido pelo grupo em grande parte dos anos 2000.

A nova edição de Strange Geometry e o EP A Sense of Falling: Strange Geometry Outtakes serão lançados no dia 06/05 pelo selo Merge.

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The Clientele – Since We Last Spoke

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Maria Usbeck: “Uno De Tus Ojos”

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Como não se apaixonar pelo trabalho de Maria Usbeck? Poucas semanas após o lançamento de Moai Y You, a cantora e compositora norte-americana está de volta com mais uma canção inédita. Em Uno De Tus Ojos, os arranjos, vozes e percussão crescem delicadamente, como se a artista de origem equatoriana montasse a canção em pequenas doses. Confissões que se encontram com a detalhista base da canção, típica dos trabalhos de Caroline Polachek (Chairlift), produtora do disco.

Assim como a faixa que a antecede, Uno De Tus Ojos é parte do primeiro álbum de estúdio de Usbeck, Amparo (2016). Gravado em diferentes locações pela Europa, além de cidades espalhadas pela Argentina, Equador, Chile, e Los Angeles, o registro traz de volta toda a atmosfera que deu vida à música folk no meio da década passada. Obras assinadas por veteranos como Devendra Banhart, Vashti Bunyan e demais nomes de peso do gênero.

Amparo (2016) será lançado no dia 27/05 pelo selo Cascine.

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Maria Usbeck – Uno De Tus Ojos

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Robin Pecknold: “Swimming”

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Cinco anos após o lançamento de Helplessness Blues (2011), o Fleet Foxes, grupo original da cidade de Seattle, parece longe de apresentar ao público um novo registro de inéditas. Vocalista e líder da banda, Robin Pecknold, por sua vez, passou os últimos meses envolvido em uma variedade de projetos, entre eles, o show de abertura para a última turnê de Joanna Newsom, além da trilha sonora do curta A Study In Time Travel, trabalho produzido e dirigido pelo irmão, Sean Pecknold.

É justamente desse mesmo material que chega a mais recente composição de Pecknold, Swimming. Trata-se de uma peça instrumental que acabou rejeitada da trilha sonora do curta. Uma coleção de ruídos atmosféricos e guitarras distorcidas que se afastam completamente do som produzido pelo músico norte-americano dentro da discografia do Fleet Foxes. Ainda assim, uma boa forma de passar o tempo enquanto um novo trabalho do músico não é apresentado ao público.

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Robin Pecknold – Swimming

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Vitor Brauer: “História do Brasil”

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Vitor Brauer não para. Mesmo com o fim temporário das atividades da Lupe de Lupe, o cantor e compositor mineiro acaba de apresentar ao público mais um novo projeto. Trata-se de História do Brasil, uma coletânea virtual com 52 versões para o trabalho de diferentes artistas da cena alternativa brasileira. Dividido em três partes – a segunda e terceira partes serão lançadas respectivamente em outubro de 2016 e abril de 2017 -, o registro acaba de ter a primeira sequência de faixas disponíveis para audição e download no Bandcamp.

São 13 músicas originalmente assinadas por artistas como Boogarins (Cuerdo), Baleia (Breu), Ventre (Pernas), Nvblado (Angústia) e até pela dupla Cadu Tenório e Márcio Bulk (Estela). Utilizando apenas voz, pianos e violão, um resumo de toda a rica produção nacional nos últimos anos. O projeto contou com o estímulo de um time de apoiadores pelo https://apoia.se/vitorbrauer. Ouça:

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Vitor Brauer – História do Brasil

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