Depois de mais uma década como vocalista do Mombojó, o cantor e compositor Felipe S. apresenta ao público o primeiro trabalho em carreira solo. Intitulado Cabeça de Felipe (2017), o registro de dez faixas e que conta com distribuição pelo selo Joia Moderna mostra a busca do músico por um som tão experimental (e curioso) quanto o material entregue ao público durante o lançamento do último disco de inéditas de sua principal banda, o ótimo Alexandre (2014).

De essência intimista, repleto de passagens que dialogam diretamente com o cotidiano do cantor, Cabeça de Felipe se espalha em meio a sambas (Santo Forte), canções que poderiam facilmente ser encontradas em algum disco da Mombojó (Vão) e faixas movidas pela completa serenidade dos arranjos e vozes (Trovador). Com capa produzida pelo artista plástico Maurício Silva, pai do cantor, o trabalho ainda conta com a participação de artistas como a atriz Juliana Didone e Ana Maria Maia, mulher de Felipe.

 

Felipe S. – Cabeça de Felipe

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Formado pelo casal Chuck Blazevic e Alice Hansen, o You’ll Never Get To Heaven é um projeto de Dream Pop com brinca com as referências e temas instrumentais vindos de diferentes épocas. Com um bom EP entregue ao público em 2014, Adorn, o duo canadense anuncia para o final de março a chegada do primeiro grande álbum da carreira. Intitulado Images (2017), o registro de 11 faixas deve expandir o som atmosférico e doce que a dupla vem produzindo desde os primeiros anos de carreira.

Faixa-título do trabalho, a nova canção revela um claro amadurecimento no processo de composição do casal. Enquanto os versos passeiam em meio a recordações, temas intimistas e versos sussurrados, sintetizadores e guitarras se espalham sem pressa, esbarrando na mesma ambientação assumida por artistas como Chromatics. São pequenos atos e curvas sutis que conduzem o ouvinte para dentro de um território marcado pela incerteza.

 

You’ll Never Get To Heaven – Images

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Artista: Julie Byrne
Gênero: Folk, Dream Pop, Indie
Acesse: https://juliembyrne.bandcamp.com/

 

 

“Siga minha voz
Estou bem aqui
Além dessa luz
Além de todo o medo”

Como um precioso convite, a inaugural Follow My Voice conduz o ouvinte para dentro do ambiente acolhedor que se espalha entre as canções de Not Even Happiness (2017, Ba Da Bing). Segundo e mais recente álbum de estúdio da cantora e compositora norte-americana Julie Byrne, o registro de apenas nove faixas amplia o conceito intimista apresentado no antecessor Rooms With Walls and Windows, de 2014, reforçando o folk sentimental e atmosférico que alimenta a obra da musicista.

Em ambiente enevoado, por vezes etéreo, efeito da voz marcada pelo som ecoado da captação e arranjos sutilmente espalhados ao longo do disco, Byrne convida o ouvinte a se perder. Como indicado durante o lançamento de Natural Blue, grande parte do registro flutua entre o folk melancólico da década de 1970 e o Dream Pop produzido nos anos 1990 e 2000. Instantes em que a obra da cantora nova-iorquina toca de forma referencial no trabalho de Joni Mitchell, Nico, Cat Power e Grouper, esta última, influência declarada na experimental Interlude.

De essência agridoce, Not Even Happiness se divide com naturalidade entre a melancolia dos versos e instantes de puro romantismo que crescem na voz de Byrne. “Caminhe em direção à ferida aberta / Viva em sonhos / Eu vou ficar para sempre / Dentro das cores que você mostrou”, canta em Natural Blue, uma canção que olha para o passado de forma honesta, resgatando fragmentos de um relacionamento que não deu certo, mas que continua a povoar a mente do eu lírico.

Posicionada no encerramento do disco, I Live Now As A Singer brinca de forma particular com a mesma temática. Enquanto os versos resgatam memórias recentes de Byrne (“E sim, eu fui ao chão, pedindo perdão / Quando eu não estava nem perto de me perdoar”), musicalmente, o ouvinte é conduzido para dentro de uma nuvem de sons inebriantes. Arranjos acústicos que se espalham em meio a sintetizadores densos, por vezes íntimos do som produzido por Angelo Badelamenti para a trilha sonora de Twin Peaks.

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Prontas para a primeira edição do Miojo Indie no Naïve Bar? Para a noite de abertura dos trabalhos na Rua Mato Grosso, 28, Cleber Facchi recebe os amigos Jorge Fofano e Lucas Guarnieri para uma noite marcada pela neo-psicodelia, R&B, pop e música eletrônica. Ao longo da noite, nomes como The XX, Run The Jewels, Kehlani, MØ, Bonobo, Sampha, Dirty Projectos e Arcade Fire abastecem a pista do sobradinho.

Em busca dos clássicos antigos e recentes? Prepare-se para ouvir David Boiwe, Beyoncé, The Smiths, Aaliyah, Mariah Carey, Björk e Cocteau Twins. Na dúvida, ouça a nossa playlist de aquecimento da festa com Tinashe, SZA, Los Campesinos!, Kelly Lee Owens, The Flaming Lips e um time de outros artistas que lançaram um novo álbum de inéditas no último mês. A entrada no Naïve é gratuita.

 

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Artista: Foxygen
Gênero: Psicodélico, Rock, Alternativo
Acesse: http://www.foxygentheband.com/

 

Em meio a conflitos declarados entre os membros da banda e uma suposta turnê de despedida, Sam France e Jonathan Rado conseguiram encontrar força para a produção de um novo registro de inéditas do Foxygen. Em Hang (2017, Jagjaguwar), quarto e mais recente álbum de estúdio da dupla californiana, todos os elementos testados no antecessor …And Star Power, de 2014, assumem um novo e delicado enquadramento, reforçando a psicodelia nostálgica que há tempos orienta os trabalhos do grupo.

Como indicado durante o lançamento de America, composição entregue ao público em outubro do último ano, grande parte do presente registro parece ancorada nos anos 1970. Melodias, vozes e arranjos que espelham o trabalho de artistas como The Rolling Stones, Lou Reed e, principalmente, David Bowie na fase Young Americans (1975), referência explícita no coro de vozes e toda a dramaticidade presente em músicas como Follow The Leader.

Distante da atmosfera “hippie” que apresentou o trabalho da banda em We Are the 21st Century Ambassadors of Peace & Magic (2013), Hang se projeta como um registro sóbrio, maduro pela forma como os arranjos são explorados ao longo do disco. Um bom exemplo disso está em Trauma, música que flutua em meio a arranjos orquestrais, versos entristecidos e vozes em coro que transitam com naturalidade pela música gospel – elemento presente em grande parte da obra.

Curtinha, Upon a Hill talvez seja a composição que mais se aproxima dos primeiros registros da banda. Pouco mais de um minuto em que a banda se revela por completo, criando pequenas curvas rítmicas que jogam com a percepção do ouvinte. Um fragmento isolado, independente, como uma fuga do detalhamento complexo explícito em músicas como Rise Up, faixa de encerramento do disco e um imenso quebra-cabeça instrumental que transporta o ouvinte para diferentes cenários.

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A viagem ao passado iniciada pelo Arcade Fire em Reflektor – 2º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2013 –, parece longe de chegar ao fim. Primeira composição inédita da banda em três anos, I Give You Power indica a busca do coletivo canadense por um material cada vez mais empoeirado, repleto de referências ao som produzido entre o final da década de 1970 e começo dos anos 1980. Um estímulo para a recém-lançada canção em parceria com a cantora e ativista norte-americana Mavis Staples.

Naturalmente íntima do mesmo incorporado pela banda em faixas como Porno, I Give You Power se espalha em meio a sintetizadores, vozes e batidas sujas, como uma canção abandonada em estúdio por algum grupo esquecido de pós-punk. Uma linha de baixo funkeada, ruídos, melodias crescentes e versos que poderiam facilmente ser encontrado em algum clássico do Hip-Hop – acertou quem lembrou de Fight The Power, do grupo Public Enemy.

 

Arcade Fire – I Give You Power (ft. Mavis Staples)

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Artista: The Flaming Lips
Gênero: Neo-Psicodelia, Experimental, Alternativo
Acesse: http://flaminglips.warnerbrosrecords.com/

 

A leveza que marca os arranjos da instrumental faixa de abertura de Oczy Mlody (2017, Warner Bros.) resume com naturalidade a atmosfera onírica do 14º álbum de estúdio do The Flaming Lips. Primeiro registro de inéditas da banda de Oklahoma desde o melancólico The Terror, lançado em 2013, o trabalho que conta com produção de Dave Fridmann e Scott Booker mostra a força do coletivo norte-americano, fazendo do presente disco um precioso exercício melódico.

Coeso quando observado em proximidade aos últimos registros da banda, The Time Has Come to Shoot You Down… What a Sound (2013) e With a Little Help from My Fwends (2014), coletâneas que resgatam a obra das bandas Stone Roses e The Beatles, respectivamente, além, claro, do álbum assinado em parceria com Miley Cyrus, Miley Cyrus & Her Dead Petz (2015), Oczy Mlody encanta pela sutileza dos arranjos e vozes. Em um intervalo de quase 60 minutos de duração, todos os elementos se posicionam de forma homogênea, fazendo do trabalho uma peça única, inebriante.

Assim como em The Terror, cada canção do presente disco serve de passagem para a música seguinte. Arranjos enevoados e cantos de pássaros em How?? criam uma delicada ponte para o rock eletrônico de There Should Be Unicorns. Melodias tímidas em Sunrise (Eyes of the Young) se conectam diretamente ao som que escapa da entristecida Nigdy Nie (Never No). Sintetizadores e colagens atmosféricas de Galaxy I Sink e The Castle conduzem o ouvinte até os últimos instantes da obra.

Longe de parecer uma novidade dentro da extensa discografia da banda, parte dessa sonoridade se comunica de forma explícita com o mesmo material produzido pelo The Flaming Lips no interior de clássicos como The Soft Bulletin (1999) e Yoshimi Battles the Pink Robots (2002). Do uso cuidadoso das melodias em The Castle, passando pelo pop psicodélico que cresce da derradeira We a Famly, parceria com Miley Cyrus, grande parte das canções em Oczy Mlody revelam o lado mais acessível, doce e hipnótico do grupo norte-americano.

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Quem esperava por um novo álbum de estúdio do Spoon foi pego de surpresa durante o lançamento da inédita I Ain’t The One. Apresentada ao público em dezembro do último ano, durante os créditos da série Shameless, a canção é apenas a ponta do pequeno iceberg intitulado Hot Thoughts (2017), primeiro grande álbum do trabalho do grupo texano em três anos e um retorno ao selo Matador Records, casa do grupo nos primeiros anos de carreira.

Parte do novo álbum de inéditas da banda, a homônima canção de abertura mostra a busca do Spoon por novas sonoridades. Enquanto os instantes iniciais da faixa mergulham no mesmo som melódico do álbum They Want My Soul – 21º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2014 –, a partir da segunda metade da canção, Britt Daniel e os demais parceiros de banda brincam com os experimentos, tornando incerto o caminho seguido pelo Spoon.

 

Hot Thoughts

01 Hot Thoughts
02 WhisperI’lllistentohearit
03 Do I Have to Talk You Into It
04 First Caress
05 Pink Up
06 Can I Sit Next to You
07 I Ain’t the One
08 Tear It Down
09 Shotgun
10 Us

Hot Thoughts (2017) será lançado no dia 17/03 via Matador.

 

Spoon – Hot Thoughts

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Em novembro do último ano, os integrantes do coletivo britânico Los Campesinos! apresentaram ao público a intensa I Broke Up In Amarante. Canção escolhida para anunciar a chegada do novo registro de inéditas da banda, Sick Scenes (2017), a faixa dominada pelo uso de boas melodias e versos marcados pela profundidade indica um claro amadurecimento por parte do grupo, dando um passo além em relação ao som pop testado nas canções do ótimo No Blues (2013).

Parte do mesmo registro, 5 Flucloxacillin mantém firme o mesmo cuidado instrumental e, principalmente, poético. Enquanto as guitarras e vozes parecem saídas de algum disco do Belle and Sebastian no começo dos anos 1990, nos versos, temas como mentira e corrupção ditam os rumos da canção. “Eles dizem que se tivessem conseguido a vitória / Teriam agido com mais humildade“, entrega a letra da faixa enquanto um coro de vozes dançam na cabeça do ouvinte.

Sick Scenes (2017) será lançado no dia 24/02 via Wichita.

 

Los Campesinos! – 5 Flucloxacillin

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Original da cidade de Oslo, capital da Noruega, Hajk é um projeto de indie pop comandado pelos músicos Preben Andersen (guitarra, voz), Sigrid Aase (voz, percussão), Knut Olav Sandvik (baixo, voz), Einar Næss Haugseth (teclados) e  Johan Nord (bateria). Com boas composições em mãos, caso das pegajosas Medicine e Magazine, o quinteto anuncia para o começo de fevereiro a chegada do primeiro álbum de estúdio.

Mais recente single do grupo, Best Friend sintetiza todo o cuidado que emana do som produzido pela banda norueguesa. São melodias ensolaradas, vozes em coro e guitarras marcadas pela versatilidade, como um curioso encontro entre o Phoenix do álbum It’s Never Been Like That (2006) e toda a sequência de obras produzidas por Mac DeMarco nos últimos anos. No soundcloud da banda, um precioso acervo de faixas inéditas e remixes.

 

Hajk – Best Friend

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