Gente como eu não tem escolha“, martela a voz forte de Jair Naves em Inexorcizável (Um Zumbido Ensurdecedor). Primeira composição inédita do Ludovic em 11 anos, a canção dominada pelo uso de versos intimistas e honestos estabelece uma rápida conexão com o mesmo universo particular explorado pela banda paulistana no lançamento do derradeiro Idioma Morto (2006) – 43º lugar na nossa lista dos 100 Melhores Discos Nacionais dos anos 2000.

Essa música representou um enorme desafio para a gente. Lançar uma música nova do Ludovic a essa altura do campeonato é algo que eu sinceramente não planejava“, escreveu Naves no Facebook. Composta em parceria com Eduardo Praça e Zeek Underwood, e masterizada pelo músico Fernando Sanches no Estúdio El Rocha, a canção nasce como um poderoso complemento à série de shows que a Ludovic vem produzindo nos últimos meses.

 

Ludovic – Inexorcizável (Um Zumbido Ensurdecedor)

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. Descrença, solidão, medo e morte; temas corriqueiros dentro do acervo poético de Jair Naves enquanto vocalista da extinta Ludovic, porém, um catálogo de experiências cada vez menos significativas no universo autoral que define a carreira solo do cantor. Se em 2006, quando apresentou o derradeiro Idioma Morto, Naves gritava a plenos pulmões, exaltando sentimentos e toda sua raiva em relação ao mês de janeiro – “o pior dos meses” -, curioso perceber no mesmo mês, data escolhida para o lançamento do segundo disco solo do músico, Trovões a…Continue Reading “Jair Naves: “5/4 (Trovões Vêm Me Atingir)” [VÍDEO]”

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Qual é a sua capa de disco favorita de 2015? Art Angels da canadense Grimes ou #1 do cantora paraense Jaloo? As cores de Jamie XX ou o preto e branco de Oneohtrix Point Never? A psicodelia brega do Tame Impala ou o visual plástico do venezuelano Arca? Em um passeio por alguns dos trabalhos mais relevantes da música Pop, Hip-Hop e alternativa deste ano, preparamos uma seleção de 40 trabalhos que resumem a beleza da música lançadas nos últimos meses em imagens. Da composição delicada que ilustra a sonoridade de Jefre Cantu-Ledesma, passando pela fotografia emblemática na capa de To Pimp a Butterfly, do rapper Kendrick Lamar, veja abaixo nossa seleção com as melhores artes de 2015.

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. Lançado em janeiro deste ano, Trovões a Me Atingir (2015) mostra um Jair Naves bem diferente daquele apresentado em E Você Se Sente Numa Cela Escura… (2012) ou mesmo nas canções da temporariamente ressuscitada Ludovic. Embora dominado pela essência melancólica do cantor e compositor paulistano, cada uma das nove faixas do registro confirma a proposta melódica, acessível, da obra, agora completa com a recém-lançada coletânea de “sobras” Atirado ao Mar EP (2015). Com distribuição pelo Spotify, o trabalho de quatro faixas “inéditas” funciona como uma breve continuação…Continue Reading “Jair Naves: “Atirado ao Mar EP””

Chegamos ao meio de 2015 e o catálogo de grandes lançamentos musicais só aumenta. Seja em território nacional – Mahmed, Gal Costa, Siba, Cidadão Instigado – ou pela Europa – Björk, Jamie XX – e Estados Unidos – Kendrick Lamar, Sufjan Stevens, Tobias Jesso Jr. -, o que não falta são registros de peso e obras influentes que abasteceram os últimos meses. Seguindo a tradição, é hora de conhecer nossa lista com os 25 melhores discos da metade do ano. Trabalhos que passeiam pela música experimental, eletrônica, pop, rock e Hip-Hop, sempre apontando a direção para a lista definitiva, tradicionalmente publicada no mês de dezembro. Passou os últimos meses desligado da música? Aproveite a lista e veja o que você deixou passar.

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Jair Naves
Indie/Alternative/Brazilian
http://www.jairnaves.com.br/

Descrença, solidão, medo e morte; temas corriqueiros dentro do acervo poético de Jair Naves enquanto vocalista da extinta Ludovic, porém, um catálogo de experiências cada vez menos significativas no universo autoral que define a carreira solo do cantor. Se em 2006, quando apresentou o derradeiro Idioma Morto, Naves gritava a plenos pulmões, exaltando sentimentos e toda sua raiva em relação ao mês de janeiro – “o pior dos meses” -, curioso perceber no mesmo mês, data escolhida para o lançamento do segundo disco solo do músico, Trovões a Me Atingir (2015, Independente), uma completa oposição desse resultado.

Da capa iluminada aos arranjos suavizados, dos versos marcados pela esperança ao refrão vívido da faixa-título – “meu corpo volta a ter pulsação” -, difícil ignorar a transformação que define a presente obra do paulistano. Ainda que a melancolia tome conta de boa parte do trabalho, marca explícita nos instantes finais e respiros breves do registro, seria um erro não observar o conceito “sorridente” que sustenta a atual fase de Naves. As angústias e trovões – como indicado no título da obra -, ainda atingem o compositor, por todos os lados, entretanto o nítido senso de superação parece maior, raro quando voltamos os ouvidos para o contexto macambúzio do ainda recente E Você Se Sente Numa Cela Escura… (2012).

Diferente de outros registros individuais, ou mesmo da postura melancólica assumida desde a estreia com Servil (2004), quando atuava como vocalista/líder da Ludovic, durante todo o percurso, Naves se concentra na exaltação ao amor, crença e aspectos positivos da vida adulta. Doses amargas de sobriedade ainda são evidentes, contudo, ao buscar apoio em versos como “Minha solidão tem fim para mim, isso basta” e “Desejo assim eu nunca, nunca vi“, logo no começo do álbum, a direção assumida pelo artista passa a ser outra. Não seria um erro interpretar o novo trabalho de Naves como a obra mais esperançosa e feliz do cantor.

Tamanha alteração – lírica e principalmente instrumental – reforça um natural aspecto de renovação (ou ineditismo) quando comparado ao curto acervo do paulistano. Se em 2012 parecia fácil encaixar o primeiro registro solo de Naves em uma estrutura próxima ao trabalho de Joni Mitchell, The Walkmen e The Smiths, hoje, o senso de identidade e reforço criativo preenche toda a obra do músico. Ao lado de Renato Ribeiro (violão e guitarra), Thiago Babalu (bateria), Felipe Faraco (teclados) e Rafael Findans (baixo), Naves brinca com as possibilidades, conquistando um território musicalmente amplo, passagem livre para a interferência de convidados como Beto Mejía (Móveis Coloniais de Acaju), Camila Zamith (Sexy Fi) e Guizado.

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. É de responsabilidade de Jair Naves a construção de um dos registros mais sombrios do último ano: E Você Se Sente Numa Cela Escura, Planejando A Sua Fuga, Cavando O Chão Com As Próprias Unhas (2012). Primeiro álbum solo do ex-Ludovic, o registro é a manifestação sonora do pequeno universo do paulistano, que faz de No fim da ladeira, entre vielas tortuosas seu mais novo clipe. Segundo vídeo relacionado ao trabalho – o primeiro foi Pronto Pra Morrer (O Poder de Uma Mentira Dita…Continue Reading “Jair Naves: “No fim da ladeira, entre vielas tortuosas””