Depois de um longo período de hiato, Brian King e David Prowse anunciaram a chegada do terceiro álbum de inéditas do Japandroids: Near To The Wild Heart Of Life (2017). Primeiro disco de estúdio da dupla canadense desde o elogiado Celebration Rock – 8º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2012 –, o novo álbum fez da enérgica Near To The Wild Heart Of Life um estímulo para aguardado registro.

Em No Known Drink Or Drug, mais novo single da dupla de Vancouver, uma extensão segura da mesma sonoridade. Entre guitarras crescentes e batidas pontuais, vozes em coro servem de base para a construção de versos melódicos, mesmo ocultos em meio a pequenas camadas de ruídos. Pouco mais de três minutos em que King e Prowse estabelecem pequenos atos, resgatando uma série de elementos originalmente testados nos primeiros registros do Japandroids.

Near To The Wild Heart Of Life (2017) será lançado no dia 27/01 via Anti-.

 

Japandroids – No Known Drink Or Drug

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Estão prontos para um novo álbum do Japandroids? Quatro anos após o lançamento do ótimo Celebration Rock – 8º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2016 –, Brian King e David Prowse anunciam a chegada de um novo registro de inéditas, o terceiro na carreira da banda. Intitulado Near To The Wild Heart Of Life (2017), o disco previsto para janeiro do próximo ano conta com oito novas composições, incluindo a intensa faixa-título, primeiro exemplar do trabalho apresentado ao público.

Como tudo que o Japandroids vem produzindo desde o primeiro álbum de inéditas, Post-Nothing, de 2009, a nova composição mantém firme a crueza dos arranjos, detalhando vozes em coro, versos melódicos e o constante embate entre as guitarras de King e a bateria insana de Prowse. São quase cinco minutos de distorções, batidas e versos pegajosos, esbarrando na mesma atmosfera do hit The House That Heaven Built.

Near To The Wild Heart Of Life (2017) será lançado no dia 27/01 via Anti-.

 

Japandroids – Near To The Wild Heart Of Life

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. Com discos intensos de bandas como Cloud Nothings, St. Vincent e Perfect Pussy, o ano de 2014 chega carregado por grandes lançamentos com foco no Rock. Mais novo artista a fazer parte deste cardápio é a banda norte-americana Herzog. Original de Cleveland, Ohio, a banda é a mais nova interessada a revisitar o rock da década de 1990, sonoridade nostálgica, mas que em nenhum momento distancia o grupo de uma imposição original e musicalmente próxima do público médio. Em Mad Men, faixa que abre…Continue Reading “Herzog: “Mad Men””

Cloud Nothings
Indie Rock/Alternative Rock/Post-Hardcore
http://cloudnothings.com/

Cloud Nothings

Os ouvidos de Dylan Baldi e todas suas experiências parecem apontar para o passado, para os anos 1990. Depois de brincar com o Pop Punk no autointitulado registro de estreia, em 2011, e passear pelo Grunge no sombrio Attack on Memory, de 2012, o músico norte-americano traz de volta as velhas imposições estéticas para reforçar uma obra tão dele quanto de outros veteranos do rock alternativo. Em Here and Nowhere Else (2014, Carpark), mais do que ressuscitar experiências há tempos adormecidas, o uso calculados das guitarras faz crescer um território dominado em essência pelo jovem músico. É hora de visitar o passado (mais uma vez), sem necessariamente fugir do presente.

Emergencial e muito mais agressivo que o trabalho que o antecede, o presente registro encontra na crueza exposta por Dylan um natural princípio de condução. São pouco mais de 30 minutos de duração, efemeridade que se embaralha em meio ao uso de vocais ásperos do cantor e a guitarra esquizofrênica controlada por ele – ferramenta que se divide entre riffs tortos e bases poluídas de distorção. Sob a formação de um Power Trio – acompanham TJ Duke (baixo) e Jayson Gerycz (bateria) -, Dylan se esquiva de qualquer detalhismo abrangente, tratando do álbum como uma imensa massa de sons.

Em um sentido de afastamento ao esforço anunciado em músicas como No Future/No Past (pianos) e Stay Useless (guitarras detalhistas), o trio projeta um registro alimentado pelo esforço “minimalista” dos arranjos. Delineado por uma crueza imediata, o trabalho esbarra em diversos aspectos na mesma agitação proposta pelo Japandroids em Celebration Rock (2012): uma obra que indispõe de grandes significados ou maquinações subjetivas, precisa apenas existir. Dos acordes ascendentes em Now Here In ao brilho melódico que acompanha I’m Not Part Of Me, Here and Nowhere Else é um trabalho que sobrevive das próprias limitações – e parece lidar muito bem com isso.

Fazendo valer a estratégia referencial exposta desde o primeiro disco, com o atual projeto, Dylan encontra nas experiências do (pré e pós) Hardcore um objeto de sustento. Mais do que observar com atenção a obra de gigantes como Fugazi, o músico parece explorar pequenos desdobramentos do subgênero, o que acaba por conceder liberdade ao disco. Seja na imposição densa que orquestra músicas como Quieter Today ou mesmo a grandeza de Pattern Walks, vários aspectos do registro também passeiam por recortes musicais do cenário pós-Grunge. Um efeito que vai da herança escancarada do Foo Fighters (com Psychic Trauma) ao desespero do Sunny Day Real Estate (em Now Here In) ao em poucos segundos.

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. Mais de 20 anos se passaram desde que o primeiro registro em estúdio do Superchunk foi apresentado ao público, e a boa forma dos veteranos do Indie Rock se mantém em alta. Com I Hate Music (2013), décimo lançamento da banda, todos os elementos propostos no começo da década de 1990 regressam de forma ainda mais melódica e crua, efeito reforçado pela explosão de vozes e guitarras assumidas em Void. Mais novo single do novo disco, a canção esbarra nos mesmos acertos recentes de…Continue Reading “Superchunk: “Void””

. Nenhuma banda é boa o suficiente que não possa ser zoada pelo nova-iorquino Adam Horne. A convite do site Animal New York, o músico/produtor resolveu adaptar diversos “clássicos” musicais infantis de forma a esbarrar nos conceitos e na estética de uma série de outros artistas do cenário alternativo. Intitulado Indie Kidz Song, o divertidíssimo projeto vai desde Grimes cantando uma musiquinha sobre o alfabeto, até Danny Brown ensinando sobre a importância de comer vegetais ou mesmo os veteranos do The Cure adaptando o clássico…Continue Reading “Vários Artistas: “Indie Kidz Songs!””

No Age
Indie/Experimental/Noise Rock
http://noagela.org/

 

Por: Cleber Facchi

No Age

Quem acompanha o trabalho do No Age desde a estreia com Weirdo Rippers (2007) sabe: nada permanece estável nas mãos de Randy Randall e Dean Allen Spunt. Ainda que a dupla traga no Noise Rock um princípio de estabilidade e base natural para o projeto, a cada novo registro a busca por um cenário lírico/musical distinto se transforma em uma proposta criativa ao desenvolvimento da banda. Não diferente é o exercício sonoro que orienta conceitualmente An Object (2013, Sub Pop), quarto registro em estúdio dos californianos e possivelmente o exemplar mais “estranho” de toda a curta trajetória da dupla.

Há de se esperar que uma banda responsável por composições anárquicas como Eraser, Teen Creeps e Fever Dreaming mantenha durante toda a trajetória o mesmo esforço crescente das composições, correto? Errado. Ao pisarmos no território que define o presente disco, nada ecoa de forma aproximada àquilo que a dupla parecia sustentar até poucos tempo. Esqueça as distorções descontroladas do álbum de estreia, o teor Punk que consome cada faixa do clássico Nouns (2008), ou mesmo as melodias agressivas de Everything in Between (2010), An Object é um álbum de desconstrução.

Mais lento e instrumentalmente ponderado em relação aos demais lançamentos da dupla, o novo disco aproxima cada uma das 11 composições que o recheiam dentro de um ambiente musical pensado sob forte relação. Faixas que substituem o desespero intencional dos registros anteriores em prol de uma obra quase introspectiva, volta ao experimento em um esforço de incorporação climática. É como se a Ambient Noise de Weirdo Rippers voltasse a crescer, porém, em outro sentido. Se antes a sonoridade da dupla parecia explodir, fazendo de cada disco uma onda de ruídos, vozes berradas e sons estridentes, hoje ela implode, e de maneira quase silenciosa em alguns instantes.

Claro que algumas das composições espalhadas pela obra repetem a boa forma do trabalho anterior. É o caso da faixa de abertura, No Ground, que ao se livrar da carga de sujeira (típica dos lançamentos anteriores), soa como alguma música perdida do Liars ou quem sabe um Japandroids desanimado. Já C’mon, Stimmung e I Won’t Be Your Generator trazem no toque visível de Punk-Surf um novo horizonte para a banda. Seria de forma natural a salvação para todo o trabalho, se não fosse pela overdose de canções insossas e sons intelectualmente climáticos que ocupam grande parte da metade final do álbum.

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Superchunk
Indie Rock/Alternative/Rock
http://www.superchunk.com/

 

Por: Cleber Facchi

Superchunk

Em um cenário tomado por bandas e artistas cada vez mais interessados em reviver a década de 1990, é preciso observar que os melhores registros não estão nas mãos de nostálgicos iniciantes, mas de veteranos. Artistas que surgiram para o público há duas ou mais décadas e se mantém tão ou mais inventivos quanto em início de carreira. Do retorno épico do My Bloody Valentine com o primeiro álbum pós-Loveless (1991), ao sintoma de maturidade que ocupa a obra de pequenos gigantes como Yo La Tengo, Dinosaur Jr e Sebadoh, o misto de passado e presente soa naturalmente melhor nas mãos daqueles que acumulam experiência e ruídos dentro do panorama alternativo.

É dentro desse mesmo universo que cresce I Hate Music (2013, Merge), décimo álbum de estúdio do Superchunk e um esforço claro de maturidade na obra do grupo norte-americano. Dando sequência ao mesmo resultado cativante exposto em Majesty Shredding (2010), trabalho que rompeu com o hiato de nove anos que havia colocado a banda em silêncio, o novo álbum incorpora no uso de vocais e acordes velozes um reforço. Bases fundamentais não apenas dentro da discografia do grupo, mas de todo o movimento que vem ocupando a música estadunidense com esse olhar para o passado.

Cru, o registro deixa Mac McCaughan, vocalista e criador da banda, livre para passear por entre as faixas. São 11 inéditas composições que alternam entre instantes de plena destruição, e doses bem ministradas de melodias fáceis. Vocais que parecem amenizar a carga suja de sons que borbulham em faixas como Staying Home (um hardcore efêmero) ou Overflows, composições que estabelecem uma ponte com tudo aquilo que a banda conquistou no passado. Enquanto nova geração de artistas como Speedy Ortiz e Mikal Cronin fazem dos próprios trabalhos uma coletânea de sons caricatos, tingidos pela saudade, o Superchunk faz disso algo natural, uma sequência assertiva do que acumula duas décadas de invenção.

Sem tempo para autorizar respiros, I Hate Music cresce em uma estrutura frenética no que define os instrumentos. Enquanto McCaughan desenvolve verdadeiros muros de guitarras, a bateria de Jon Wurster vai além do óbvio, brilhando ao fundo de músicas como Trees of Barcelona, ou simplesmente ditando os rumos em canções ao estilo de Void. Há também espaço para sintetizadores nos momentos mais leves do trabalho, como a melancólica What Can We Do, e até apelos clichês, efeito claro nas guitarras de Me & You & Jackie Mittoo, faixa que parece ter saído da década de 1980 diretamente para o trabalho da banda.

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Mikal Cronin
Indie Rock/Garage Rock/Alternative
http://mikalcronin.bandcamp.com/

 

Por: Cleber Facchi

Mikal Cronin

Há dois anos quando Mikal Cronin apresentou ao público o primeiro registro em carreira solo, a cena californiana parecia lentamente esculpida pelo peso do Garage Rock. Parceiro de Ty Segall, Thee Oh Sees e outros artistas de enorme relevância dentro da nova safra norte-americana, Cronin fez do uso quase exaustivo de guitarras ruidosas e vozes caóticas um princípio para um trabalho que parece solucionado em totalidade agora. Intitulado MCII (2013, Merge), o recente projeto não é apenas o resultado de meses de preparação de seu criador, mas o ponto final de aprimoramento do que define boa parte do rock estadunidense atual.

Fazendo uso de uma sonoridade totalmente reformulada e em oposição ao que fora testado em 2011, Cronin parte do princípio de que guitarras saturadas de fuzz e batidas rápidas são aproveitados como meros complementos para um trabalho de se sustenta inteiro nas melodias. Contrariando o propósito agressivo que fora testado em músicas como Is It Alright e Slow Down, cada etapa do novo disco possibilita o aprimoramento dos sons e principalmente das vozes. Um tipo de tratamento evidente logo na abertura do álbum, em que as harmonias de piano espalhadas pela ensolarada Weight indicam o novo sustento instrumental do músico.

Entretanto, é preciso levar em conta que mesmo próximo de um som mais “brando”, Cronin em nenhum momento se distancia daquilo que propunha até pouco tempo. Responsável por auxiliar Ty Segall na construção cacofônica de Slaughterhouse (2011), o músico parte exatamente do que vinha construindo há alguns meses, sustentando no acréscimo de instrumentos e referências marcadas pelo detalhe a formatação de todo um novo contexto musical. São as mesmas guitarras, uma temática lírica que não foge do comum e os já tradicionais vocais ásperos, a diferença está nos mínimos pigmentos coloridos que ocupam o esboço acinzentado de outrora.


Como já havia revelado no decorrer do primeiro disco solo, Cronin é um confesso interessado em resgatar marcas específicas do rock alternativo. Ao passo de que centenas de músicos conterrâneos parecem cada vez mais influenciados pela essência de J Mascis e outros veteranos que definiram a música da década de 1990, Mikal parece ir além. São guitarras tingidas pela suavidade do Power Pop, vocais capazes de cobrir todas as prováveis lacunas da obra e letras que simplesmente dançam pelos ouvidos. Entre memórias instrumentais que apresentaram bandas como Big Star e até elementos vocais que remetem ao The Beach Boys, o músico consegue ir além do que impulsiona a quase totalidade do rock presente.

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. Definitivamente 2013 é o ano do retorno. Depois de David Bowie, My Bloody Valentine, Fleetwood Mac e uma sequência de retornos musicais, chega a vez dos veteranos do Black Flag voltarem à ativa. Grupo responsável por influenciar boa parte dos lançamentos recentes voltados ao rock alternativo – indo de Japandroids à California X -, o quarteto norte-americano faz da inédita Down In the Dirt um verdadeiro presente para quem não conta com um registro de inéditas desde 1985, quando a banda encerrou a carreira…Continue Reading “Black Flag: “Down In the Dirt””