Artista: Spoon
Gênero: Indie, Rock, Alternativa
Acesse: http://www.spoontheband.com/

 

Com o lançamento de They Want My Soul, em agosto de 2014, Britt Daniel e os parceiros Jim Eno, Rob Pope e Alex Fischel alcançaram um novo estágio dentro da extensa discografia do Spoon. Um trabalho marcado pelo uso de boas melodias e repleto de canções pegajosas, como uma versão delicada do mesmo som originalmente testado em obras como Kill the Moonlight (2002) e Ga Ga Ga Ga Ga (2007), dois dos registros mais acessíveis e bem-recebidos pelo público fiel da banda.

Interessante perceber em Hot Thoughts (2017), nono álbum de inéditas e o retorno do grupo texano ao selo Matador Records, uma espécie de recomeço. Sem necessariamente fugir do mesmo art pop testado há três anos, cada faixa do presente disco nasce como um curioso experimento. São ruídos eletrônicos, diálogos com o dance-punk do final da década de 1970 e todo o catálogo de melodias preciosas que a banda de Austin vem acumulando desde o começo dos anos 1990, quando formada.

Perfeita síntese do som produzido para o disco, Can I Sit Next to You flutua em meio a experimentos controlados que transportam o ouvinte para diferentes cenários, épocas e tendências. Um cuidadoso jogo de melodias funkeadas, a linha de baixo suculenta, batidas sempre precisas e entalhes eletrônicos que se espalham de forma sutil ao fundo da canção. Pouco menos de quatro minutos em que o quarteto norte-americano parece brincar com as possibilidades e arranjos dentro de estúdio.

“Possibilidades”. De fato, essa parece ser a palavra que orienta grande parte do presente álbum. Em um sentido oposto ao som homogêneo testado no disco de 2014, Hot Thoughts faz de cada composição um objeto curioso, por vezes incompleto. Perceba como diferentes fragmentos instrumentais se escondem ao fundo do trabalho. A própria faixa de encerramento do disco, a instrumental Us, nasce como uma colagem de experiências e temas jazzísticos, distanciando o Spoon de uma possível zona de conforto.

Continue Reading "Resenha: “Hot Thoughts”, Spoon"

Artista: Tennis
Gênero: Indie, Alternativa, Dream Pop
Acesse: http://www.tennis-music.com/

 

O conceito referencial das guitarras, versos românticos e captações caseiras fizeram do som produzido pelo Tennis a base para um projeto quase caricatural. Uma interpretação nostálgica de tudo aquilo que abasteceu o pop-rock dos anos 1970/1980. Registros de essência litorânea, como Cape Dory (2011), e melodias empoeiradas, caso de Young & Old (2012) e Ritual in Repeat (2014), que posicionam de forma quase deslocada o trabalho da dupla Alaina Moore e Patrick Riley.

Quarto álbum de estúdio da banda original de Denver, Colorado, Yours Conditionally (2017, Mutually Detrimental) mantém firme a mesma proposta explorada pelo casal nos três primeiros álbuns de estúdio. Uma coleção de músicas enevoadas, como fragmentos resgatados de uma antiga coletânea. Do primeiro ao último instante, o perfeito diálogo entre as guitarras cuidadosamente encaixadas por Riley e a voz doce, por vezes melancólica, de Moore.

Entretanto, a similaridade com os primeiros trabalhos da dupla não passa apenas de uma relação estética, produto da arquitetura musical do disco. Responsável pela composição dos versos, Moore se distancia do eu lírico romântico e sonhador de outrora para viver uma personagem real, provocativa. O resultado dessa mudança está na composição de faixas que dialogam o presente. Versos que falam sobre empoderamento, crises conjugais e o papel da mulher na sociedade.

Garotas não tocam guitarra / Garotas não descem, não descem até o chão com som delas / Talvez possamos fingir”, canta em Ladies Don’t Play Guitar, um reflexo sobre o protagonismo sufocado e o peso do machismo dentro da cena musical. Ao mesmo tempo em que dialoga com a década de 1970, efeito da sonoridade e visual adotado pela dupla para a divulgação do disco, Moore estabelece nos versos a ponte para o presente cenário, fazendo do álbum um registro necessário.

Continue Reading "Resenha: “Yours Conditionally”, Tennis"

. Formado no começo dos anos 1990 na cidade de Austin, Texas, o Spoon é uma das principais atração da edição 2015 do Popload Festival. Dividindo o palco com nomes como Belle and Sebastian, Iggy Pop, Todd Terje, Emicida e Cidadão Instigado, os veteranos do rock independente norte-americano acumula uma bem-sucedida obra com oito álbuns de estúdio, além de um rico acervo de vídeos, singles e EPs. Interessado no trabalho do grupo comandado por Britt Daniel e Jim Eno, mas não sabe por onde começar? Que tal pela…Continue Reading “Aperitivo: 10 Músicas para gostar de Spoon”

Spoon
Indie/Alternative/Indie Rock
http://www.spoontheband.com/

Por: Cleber Facchi

Com mais de duas décadas de carreira e uma produção quase homogênea de registros em estúdio, é fácil catalogar toda uma variedade de traços autorais dentro da extensa obra do Spoon. Da característica bateria seca de Jim Eno, aos acordes sujos de Britt Daniel – perfeitos para a voz rasgada do vocalista -, cada referência sonora ou lírica serve de base para uma inevitável zona de conforto. Um ambiente musicalmente previsível, porém, envolvente dentro da estética simples que o grupo assina desde a chegada do debut Telephono, em 1996.

Ao apresentar They Want My Soul (2014, Loma Vista), oitavo registro em estúdio, a proposta do grupo do Texas não poderia ser diferente. Seja pelo uso de acordes restritos em Rent I Pay, o romantismo leve de Let Me Be Mine e até mesmo a sonoridade pop-chiclete de hit Do You, cada elemento da obra tropeça em um cenário há muito desvendado e aperfeiçoado em álbuns referenciais como Kill the Moonlight (2002) e Ga Ga Ga Ga Ga (2007). Entretanto, ao investir em bases detalhistas e melodias carregadas de gracejos pop, típicos da década de 1960 e 1970, o ineditismo reforça a atuação do grupo, revelando uma obra tomada pela jovialidade.

Na trilha do álbum de 2007, o presente disco surge econômico, alimentado em essência por versos rápidos, faixas de curta duração e boa dose de urgência em se tratando do posicionamento das vozes. A diferença está na forma como o grupo preenche o trabalho com toda uma variedade de efeitos e arranjos complexos, íntimos do som aprimorado em Girls Can Tell, de 2001. Dessa forma, mesmo canções efêmeras como I Just Don’t Understand ecoam longevidade, garantindo ao grupo flertes psicodélicos em músicas como Inside Out – uma das melhores do álbum -, além do límpido desdobramento comercial em outras como Rainy Taxi e Do You.

A julgar pela variedade de músicas radiofônicas instaladas pelo disco, não seria errado afirmar que They Want My Soul é o trabalho mais acessível da carreira do Spoon. De fato, desde o lançamento de Gimme Fiction (2005) que a banda não apresentava um disco tão próximo do grande público quanto o atual. São faixas cuidadosamente planejadas como Rent I Pay e Outlier, capazes não apenas de invadir o território dos comerciais Foster The People, MGMT e Portugal. The Men, como capazes de resgatar a herança de veteranos, caso de Elvis Costello, Wire e The Beatles – influências explícitas dentro da sonoridade articulada para o álbum.

Continue Reading "Disco: “They Want My Soul”, Spoon"

. A atual proposta de Patrick Riley e Alaina Moore com o Tennis se manifesta de forma muito diferente daquela assumida no debut Cape Dory, de 2011, entretanto, a qualidade do projeto permanece a mesma. Longe das emanações litorâneas do registro de estreia e seguindo os arranjos de Young & Old, de 2012, o casal norte-americano anuncia para o dia nove de setembro a chegada do terceiro álbum da carreira: Ritual In Repeat (2014). Tendo no single Never Work For Free uma passagem para o…Continue Reading “Tennis: “Never Work For Free””