Pouco menos de um ano após o lançamento de Queda Livre – 7º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2016 –, o cantor e compositor mineiro Jonathan Tadeu está de volta com um novo álbum de inéditas. Intitulado Filho do Meio (2017), o trabalho que conta com distribuição pelo selo/coletivo Geração Perdida de Minas Gerais “aponta para uma ruptura na sonoridade do músico”, como indica o texto de apresentação do single Fantasmas, composição escolhida para anunciar o novo registro.

Com produção dividida entre Tadeu e o músico João Carvalho (Sentidor, El Toro Fuerte e Rio Sem Nome), Fantasmas encanta pela leveza dos arranjos, ruídos e temas eletrônicos que delicadamente se espalham ao fundo da composição. Um precioso lamento musicado que ultrapassa os limites do “rock triste” para flertar com o pós-rock e conceitos originalmente testados por artistas como Sparklehorse e The Postal Service. A canção ainda chegada acompanhada de um clipe dirigido pelo fotógrafo e videomaker mineiro Flávio Charchar.

 

Filho do Meio

1. Fantasmas
2. Sorriso Amarelo
3. Deus Sempre Mata Os Saudosistas Primeiro
4. Lupe de Lupe
5. Questão de Classe
6. Festa de Despedida
7. Araxá 500
8. Alicerce

Filho do Meio (2017) será lançado no dia 04/04 via Geração Perdida de Minas Gerais.

 



Jonathan Tadeu – Fantasmas

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Do pop político de Beyoncé ao último disco de David Bowie, do som nostálgico de Mahmundi ao Hip-Hop de Rashid, completamos o primeiro semestre de 2016 com uma sequência de grandes lançamentos musicais. Seja na cena estrangeira – com nomes como Kanye West, James Blake, Radiohead e ANOHNI – ou em território nacional – acompanhado de Céu, Metá Metá, Jonathan Tadeu e Raça –, sobram obras de peso e trabalhos que se relacionam com diferentes gêneros e tendências. Com a chegada do mês de junho, apresentamos nossa tradicional lista com os 25 melhores discos lançados nos últimos seis meses. Obras nacionais e estrangeiras que passeiam por diferentes estilos como jazz (A Cosmic Rhythm With Each Stroke), Folk (Light Upon The Lake), rap (Coloring Book), indie (Teens of Denial) e pop (Lemonade). Sentiu falta de algum álbum? Use os comentários para montar a sua lista com os melhores lançamentos de 2016 (até agora).

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Artista: Jonathan Tadeu
Gênero: Indie, Alternative, Sadcore
Acesse: https://jonathantadeu.bandcamp.com/

 

Eu juro por Deus / Que eu me esforço / Mas não posso deixar você / Esperando a saudade nascer em mim”. A angústia toma conta de grande parte dos versos de Queda Livre (2016, Independente). Segundo e mais recente álbum de inéditas do cantor e compositor mineiro Jonathan Tadeu, o sucessor do entristecido Casa Vazia (2015) mostra a evolução do artista em relação ao trabalho apresentado há poucos meses. Versos que traduzem a amargura do próprio compositor, mas que acabam criando uma espécie de relação e intimidade com o ouvinte.

Talvez seja melhor / Aprender a lidar/  Com a própria solidão / Antes de viver a dos outros”, canta em Ninguém se Importa, um sadcore econômico, típico dos trabalhos de Elliott Smith, e que parece servir de base para toda a sequência de apenas 10 composições que recheiam o disco. Um som angustiado, intimista, proposta que acompanha o ouvinte até os últimos instantes do trabalho, vide a derradeira O mundo é um lugar bonito e eu não tenho mais medo de morrer – “Quanto mais me impediam de ser, mais eu ia sendo tudo aquilo que eu não podia ser”.

Eu não preciso de nenhuma desculpa pra voltar / Mas me deixa uma pista quando precisar de mim”, entrega na poderosa faixa-título do disco, um retrato melancólico de qualquer indivíduo apaixonado, em busca de uma resposta que nunca chega. Letras que parecem atravessar uma corda bamba sentimental, sempre prontas para cair em um mundo sombrio, consumido pelas desilusões de Tadeu. Mais do que uma continuação do trabalho apresentado há poucos meses, um exercício de completa exposição do músico, honesto em cada fragmento de voz que flutua no interior do disco.

Longe de parecer uma obra sufocada pela saudade, abandono e todos os tormentos que invadem a cabeça do compositor, em Queda Livre, pequenas brechas ensolaradas garantem novo significado ao trabalho do músico mineiro. São declarações de amor, como na apaixonada Sorriso Besta – “Feito qualquer pisciano / Eu pensei que aquilo fosse um sinal Você me falou / E eu me apaixonei” –, ou mesmo pequenos fragmentos românticos, caso da efêmera Amour – “Mesmo que eu nunca acorde desse sonho ruim / Eu te amo até o fim / E eu nunca vou desistir”.

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