. Justin Timberlake está de volta. Três anos após o lançamento do ótimo The 20/20 Experience (2016) – e do fraco The 20/20 Experience 2/2 –, o cantor, compositor e produtor norte-americano apresenta ao público a inédita Can’t Stop The Feeling. Trata-se de uma canção produzida especialmente para o filme Trolls (2016), mais recente animação dos estúdios da Dreamworks – casa de franquias como Shrek, Kung-Fu Panda e Como Treinar Seu Dragão. Com uma letra que gruda na cabeça logo na primeira audição, ritmo dançante…Continue Reading “Justin Timberlake: “Can’t Stop The Feeling””

Body Talk (2010) da sueca Robyn ou 1989 (2014) da norte-americana Taylor Swift? E•MO•TION (2015) de Carly Rae Jepsen ou Teenage Dream (2010) de Katy Perry? Qual é o melhor exemplar da música pop lançado na presente década? Nas últimas semanas perguntei a diversos amigos, blogueiros, jornalistas e até mesmo para os leitores pelo Twitter quais são os trabalhos mais importantes da música pop entregues ao público nos últimos seis anos. Obras lançadas entre 2010 e 2015 e que foram compiladas em uma lista de 10 discos essenciais – abaixo. Menções honrosasBorn This Way (2011) de Lady Gaga, 4 (2011) de Beyoncé, Days Are Gone (2013) do Haim, True Romance (2013) de Charli XCX e #1 (2015) do paraense Jaloo.

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Todo mundo tem que crescer uma hora, inclusive a Respect, que agora vai pra uma das casas de show mais famosas de São Paulo, o Cine Joia. Para nossa doce estreia, reservamos um especial ao Rei do Pop, Michael Jackson que tem hits inúmeros e que fazem todo mundo querer dançar com passinho ou não. Marque na agenda: sexta, 15 de maio, a noite vai ser quente no Cine Joia, logo ali ao lado do Metrô Liberdade. Nas pick-ups desta edição, o melhor dos oldies escolhidos…Continue Reading “RESPECT Especial Michael Jackson”

tUnE-yArDs
Indie/Experimental/Alternative
http://tune-yards.com/

Por: Cleber Facchi

Tune-Yards

O clipe colorido e esquizofrênico de Water Fountain, lançado há poucas semanas, é quase autoexplicativo: a mente de Merrill Garbus não faz parte da nossa realidade. Desde a estreia com BiRd-BrAiNs, em 2009, que a cantora e compositora norte-americana vem utilizando das próprias melodias quebradas e arranjos não óbvios como uma passagem para esse cenário perfeitamente instável. Um exercício expandido de forma inteligente no interior de W h o k i l l, obra-prima da artista lançada em 2011, mas que encontra contornos comerciais e íntimos do grande público no recém-lançado Nikki Nack (2014, 4AD).

Primeiro trabalho da cantora registrado em um estúdio profissional e cercada pelos mimos do selo 4AD – que vem investindo pesado no visual, divulgação e produção do disco -, o terceiro álbum de Garbus é a prova de que a aproximação com o pop está longe de prejudicar o rendimento criativo de sua autora. Naturalmente íntimos das experiências africanas (principalmente nas batidas) e inclinada ao uso de colagens variadas de gêneros, tendências e sons, a musicista facilita o caminho do ouvinte para dentro das próprias referências, utilizando do próprio domínio como uma forma de perversão contínua do óbvio.

Espécie de versão “polida” da sonoridade lançada em W h o k i l l, Nikki Nack é mais do que um diamante lapidado, trata-se de uma obra de adaptação. Da mesma forma que Lykke Li em I Never Learn (2014) e St. Vincent com o novo disco, a presente obra de Garbus cresce como uma pergunta, algo como: até onde eu posso ir? Meio termo entre o “alternativo” e o “pop”, o álbum é uma típica obra do tUnE-yArDs, apenas reforçada pelo apelo comercial de John Hill (Shakira, Rihanna) e Malay (Alicia Keys, Angel Haze), co-produtores do disco e figuras responsáveis pela parcial abertura do trabalho.

Prova do natural domínio de Garbus em relação ao próprio trabalho está na excentricidade dos versos e sons que ocupam todas as dimensões da obra. Onde mais seria possível encontrar uma faixa como Wait for a Minute, música que se entrega ao romantismo confessional do R&B, sem necessariamente perder a sonorização quebrada das bases? E o que dizer da própria faixa de apresentação do álbum, Water Fountain, canção que brinca com os desníveis de áudio sem perder a fluência acessível? É possível ir além, como a vinheta Why Do We Dine on the Tots?, Time of Dark e sua herança “talkingheadniana” ou a suja Sink-O, típicos exemplares do mundo colorido da cantora.

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. A estreia de Frank Ocean com Channel Orange, a sensualidade de Miguel em Kaleidoscope Dream e o domínio de Kandric Lamar com Good Kid M.A.A.D City. Definitivamente o ano de 2012 foi um dos mais produtivos e ricos para a música negra norte-americana. Entretanto, no meio desse universo de obras que praticamente se transformaram em pequenos clássicos modernos, um dos artistas que mais surpreendeu foi o veterano Usher e sua “obra-prima” Looking 4 Myself. Uma dos grandes registros do R&B recente e casa de…Continue Reading “Usher: “Good Kisser””

Marvin Gaye

Versátil e ainda assim comprometido com a própria estética, em mais de 20 anos de carreira, Marvin Gaye fez do extenso repertório um universo de possibilidades. Soul, funk, jazz, R&B e gospel, décadas de variações da música negra orquestradas dentro dos conceitos sensuais lançados pelo músico.

Dono de um bem servido cardápio de obras – são mais de 20 registros em estúdio, colaborações, obras ao vivo e singles -, Gaye completaria 75 de vida se estivesse vivo hoje. Morto em 1º de abril de 1984, um dia antes do próprio aniversário, o cantor deixou para o público (e para outros artistas) uma série de obras fundamentais para a história recente da música. Álbuns que atravessam décadas, gêneros e tendências, mas que foram resumidos em (apenas) cinco obras essências na lista abaixo.

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Beyoncé
R&B/Pop/Hip-Hop
http://beyonce.com/

Por: Cleber Facchi

Beyoncé

Dez anos separam o requebrado que apresentou Beyoncé em carreira solo, com Dangerously in Love (2003), da sobriedade expressa no quinto álbum da cantora. Seguindo na direção contrária ao ritmo que abriu passagem para uma das carreiras mais lucrativas da música recente, a artista alcança o presente disco reforçando uma postura há muito esquecida dentro do pop: a de se reinventar e provocar o próprio público. Consumido pela arquitetura densa dos arranjos e a completa desarticulação de faixas radiofônicas, o autointitulado projeto vai além da surpresas que envolvem sua inesperada estratégia de lançamento. Trata-se de uma explícita obra de desconstrução, mas acima de tudo, um disco que reforça a maturidade de sua criadora.

Embalada pelo ritmo soturno de Pretty Hurts, faixa de abertura do álbum, a cantora dá um passo seguro em relação ao que 4 (2011) trouxe com maior autoridade há poucos anos. As batidas involuntariamente dançantes de Countdown e Run The World (Girls), agora dão lugar ao clima soturno das vozes e sons. Traço previamente reforçado em músicas como 1+1 e I Miss You, do trabalho passado. A habitual tristeza que pontua a carreira da artista desde I Am… Sasha Fierce (2008), agora parece assumir maior organização e arranjos tratados de forma homogênea. Assim como o título logo reforça, Beyoncé é uma obra inteiramente centrada no universo da cantora, que ao explorar esse conceito usa das desilusões e conquistas como uma forma de aproximação do público.

Descrito pela artista como um Visual Album – todas as 14 faixas do disco foram apresentadas paralelamente em vídeo -, o registro consegue ir além de um mero projeto multimídia, afinal, pode ser observado de maneira isolada, ecoando coerência sem possíveis elementos externos/complementares. Distante dos erros que acompanham os App Albums de Lady Gaga e Björk, ou quem sabe o também “visual” (e incompleto) projeto de Jonna Lee (iamamiwhoami), Beyoncé entrega ao ouvinte uma obra em que o ponto central é a música, e qualquer componente além desse princípio ecoa como um natural acréscimo. O objetivo claro, lentamente amplia o hermetismo revelado em princípio, como se toda a carreira prévia da cantora fosse apagada, restando ao ouvinte apenas a presente obra.

Econômico quando observado em proximidade ao disco de 2011, o novo álbum deixa de lado o naipe de metais e o provável catálogo de vozes em prol de um tema eletrônico e enxuto. A medida, de forma alguma parece comprometer a grandeza da cantora, pelo contrário, força a atuação de Timbaland, Hit Boy e até Justin Timberlake quanto produtores das faixas. Parte desse equilíbrio e evidente crescimento está na presença do (quase) desconhecido Boots como principal arquiteto do disco. Presente em boa parte das canções, o produtor garante ao álbum um natural relação entre as músicas, como se tudo partisse de um mesmo cenário conceitual – um meio termo entre a firmeza épica do Hip-Hop e o isolamento letárgico do R&B dos anos 1990. O próprio catálogo de samples, boa parte deles recortes nostálgicos sobre diferentes fases da vida da cantora, auxiliam na construção atmosférica do disco. Se há uma década Beyoncé dançava por entre faixas avulsas e falhas, hoje ela pisa com firmeza em um palco fechado, desenvolvido de forma a favorecer todas as nuances e exigências de sua voz.

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. O lançamento de Acid Rap há alguns meses garantiu ao “novato” Chance The Rapper um lugar de destaque no Hip-Hop/R&B atual. A boa repercussão da obra garantiu ao artista as mais diversas parcerias durante todo o ano, indo da melancólica colaboração com James Blake (em Life Round Here), até travessias pela obra de Childish Gambino e nomes de destaque da música pop. Agora Chance volta com duas inéditas e bem resolvias parcerias. A primeira delas é Confident, faixa em parceria com ninguém menos do…Continue Reading “Chance The Rapper: “Confident” & “Suitcase””

Blood Orange
R&B/Indie/Alternative
http://bloodorangeforever.tumblr.com/

Por: Cleber Facchi

Não há gênero, ou possível cena que já não tenha abrigado o trabalho de Devonté Hynes. Da origem “Punk”, com o trio Test Icles, passando pelo lado pop do Lightspeed Champion, até alcançar o sucesso com os versos para Solange (Losing You) e Sky Ferreira (Everything Is Embarrassing), cada etapa conquistada pelo artista na última década parece surgir como um preparativo para o que surge sob nítida maturidade em Cupid Deluxe (2013, Domino). Segundo registro em estúdio pelo Blood Oranges, o álbum, mais do que apontar a evolução de seu criador, prova que todo conforto ou possível senso de estabilidade está longe de ser encontrado no trabalho do britânico – um dos personagens mais completos da música recente.

Livre da instabilidade que habitou os versos e arranjos de Coastal Grooves (2011), um típico trabalho de preparação, o músico deixa a timidez explícita para brincar de forma ilimitada com as canções. Posicionado de forma decisiva entre o fim dos anos 1970 e o início da década de 1980, Hynes encontra no romantismo da época o princípio para amarrar todas as composições do álbum. São resquícios da Soul Music de Prince, o R&B sintetizado de Michael Jackson e todo um conjunto de experiências iluminadas pelo neon que saltam os ouvidos a todo o instante. Blood Orange poderia apenas olhar para o passado, mas ele resolveu se transportar para lá.

Partindo exatamente de onde parou com Losing You – faixa escrita e produzida em parceria com Solange Knowles -, Hynes faz da inaugural Chamakay um princípio para o que define toda a composição da obra. Com os vocais divididos com Caroline Polachek (Chairlift), figura cada vez mais presente em outras colaborações do gênero, o britânico encontra na melancolia a base de sustento para todo o dueto. “Eu nunca vou deixar você, se você está pensando que é tudo a mesma coisa/ Eu nunca vou confiar em você se você está pensando que é apenas um jogo”, entrega o casal em um jogo de fragmentos sentimentais temperados pelo clima empoeirado dos instrumentos e vozes. Um mero aquecimento para o universo soturno que Dev Hynes desenvolve com visível cuidado e confissão.

Embora centrado no ambiente nostálgico dos anos 1980, Hynes curiosamente se esquiva de boa parte dos clichês que abastecem outros projetos do gênero. Partidário das mesmas experiências que envolvem a obra de Twin Shadow, Chad Valley e demais artistas próximos, o músico visita o passado não em um sentido de busca por um ponto em específico, mas como uma necessidade em percorrer diferentes cenários de uma mesma base temporal. Essa multiplicidade resulta tanto na composição de faixas mais dançantes, caso de You’re Not Good Enough, como de canções climáticas e extensas, vide Chosen. Uma espécie de imenso Greatest Hits, capaz olha para todas as direções de um mesmo período sem possíveis barreiras.

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. Quem conhece o trabalho do australiano Ta-Ku sabe do fascínio no produtor em transformar grandes (ou pequenos) exemplares da música pop/alternativa em um composto essencialmente particular. Depois de brincar recentemente com Empire Of The Sun, King Krule e até Justin Timberlake, chega a vez do artista botar as mãos em Best Be Believing. Mais novo single da dupla britânica AlunaGeorge, a canção surge completamente reformulada, substiuindo os já tradicionais (e pegajosos) vocais de Aluna Francis por um jogo de suspiros e pequenos fragmentos de…Continue Reading “AlunaGeorge: “Best Be Believing” (Ta-Ku Remix)”