Em parceria com a cantora/rapper Syd Tha Kyd, uma das integrantes do coletivo The Internet, Ezra Rubin apresentou ao público a inédita Nothin. Escolhida para apresentar o primeiro grande álbum do produtor norte-americano sob o título de Kingdom, a canção dominada pelo uso de temas eletrônicos e breve diálogo com o R&B indica a direção seguida pelo artista em grande parte do registro, Tears In The Club (2017), trabalho que acaba de ter a faixa-título da obra entregue ao público.

Típica composição de Rubin, Tears In The Club detalha o preciosismo do produtor na colagem de batidas e temas eletrônicos. Sintetizadores entristecidos que se espalham sem pressa, como se Kingdom preparasse o terreno para a inclusão de vozes ou mesmo rimas de antigos colaboradores. Com distribuição pelo selo Fade To Mind, o registro ainda conta com a presença de um time de vozes, entre elas, a cantora SZA, um dos destaques no último álbum de Rihanna.

Tears In The Club (2017) será lançado dia 24/02 via Fade To Mind.

 

Kingdom – Tears In The Club

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Kelela, Dawn Richard e Naomi Allen, essas foram algumas das artistas com quem o Ezra Rubin trabalhou nos últimos anos. Sob o título de Kingdom, o produtor norte-americano deu vida a alguns dos melhores projetos do R&B/Hip-Hop recente. Nas horas vagas, a construção de um delicado acervo e carreira solo. Um rico cardápio de faixas que se espalha em diferentes singles, remixes e três ótimos EPs – That Mystic (2010), Dreama (2011) e Vertical XL (2013).

Próximo de lançar o primeiro álbum da carreira, Tears In The Club (2017), Kingdom apresenta ao público a inédita Nothin. Trata-se de uma bem-sucedida parceria entre o produtor norte-americano e a cantora/rapper Syd Tha Kyd, uma dos integrantes do grupo The Internet. Nas batidas e bases, uma perfeita síntese de tudo aquilo que o artista vem produzindo nos últimos seis anos, passagem direta para o registro que conta com lançamento pelo selo Fade To Mind, do próprio produtor.

Tears In The Club (2017) será lançado dia 24/02 via Fade To Mind.

 

Kingdom – Nothin (Feat. Syd Tha Kyd)

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. Dawn Richard passou os últimos meses “brincando” com o ouvinte. Da mudança de nome em faixas Not Above That e Hollywould, passando pelo trabalho com a produtora britânica Et Aliae em Sober, Richard delicadamente parece ter expandido o universo apresentado há poucos meses em Blackheart (2015), seu melhor trabalho até aqui. Em Honest, mais recente lançamento da cantora, a passagem para um novo mundo de possibilidades. Primeiro exemplar da série de composições produzidas em parceria com o produtor nova-iorquino Kingdom, a canção de versos confessionais…Continue Reading “Dawn Richard: “Honest””

Kelela
R&B/Electronic/Alternative
https://soundcloud.com/kelelam

 

Poucos artistas atuais parecem entender tão bem o espírito da década de 1990 quanto Kelela. Mesmo antes de ser oficialmente apresentada com Cut 4 Me, trabalho lançado em 2013, todas as canções assinadas pela cantora – individualmente ou acompanhada por diferentes produtores – parecem dialogar com o som incorporada por veteranos da música negra que surgiram há duas (ou mais) décadas. Um curioso exercício de visita ao passado que volta a se repetir no melancólico Hallucinogen EP (2015, Warp / Cherry Coffee Music).

Produto final de uma sequência de composições planejadas desde o último ano – vide The High, lançada em fevereiro de 2014 -, Hallucinogen EP cresce como uma extensão aprimorada do trabalho entregue pela cantora há dois anos. São seis faixas, pouco mais de 20 minutos, tempo suficiente para que Kelela reforce o diálogo com velhos colaboradores – caso do produtor Kingdom -, ao mesmo tempo em que novos parceiros são encaixados no interior do trabalho.

Parte desse segundo grupo, o venezuelano Alejandro Ghersi assume a responsabilidade por duas canções do EP: A Message e a própria faixa-título. Mais conhecido pelo trabalho como Arca, Ghersi curiosamente transporta para dentro do disco a mesma sonoridade incorporada em carreira solo. Enquanto a faixa de abertura resgata parte do som explorado em parceria com FKA Twigs, esbarrando em elementos típicos do Trip-Hop, com Hallucinogen, cançnao que concede título ao registro, um labirinto de ruídos, batidas e bases instáveis parece orientar o caminho percorrido pela voz de Kelela.

No restante da obra, um cenário marcado pela tristeza e composições musicalmente divididas entre produtores como Kingdom, Nugget e a dupla Blessed & Gifted. Faixas como a sensual Gomenasai, dominada por sintetizadores enevoados, típicos do R&B/Soul do começo dos anos 1990. A própria All The Way We Down, produzida por DJ Dahi, parece buscar inspiração no mesmo universo, detalhando uma base leve, estímulo para o completo domínio vocal da cantora. Nada que se compare ao resultado apresentado em Rewind.

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. Nunca antes Kelela pareceu tão íntima dos anos 1990 quanto em Rewind. Meses após o lançamento de A Message, faixa produzida pelo requisitado Arca, a cantora e produtora norte-americana encontra na récem-lançada Rewind uma passagem direta para o R&B-House-Pop lançado há mais de duas décadas. Vozes, batidas e sentimentos delicadamente explorados em cada verso. Uma extensão sedutora do mesmo material entregue pela artista em Cut 4 Me (2013), porém, um trabalho de marcado pelo acabamento primoroso, atento em cada batida ou fragmento de voz. Produzida pela…Continue Reading “Kelela: “Rewind””

Kelela
Electronic/R&B/Female Vocalists
https://www.facebook.com/kelelamusic

Por: Cleber Facchi

Kelela

Nostálgico, sem necessariamente se prender ao passado, pop, mas longe de se afogar em conceitos de estética redundante, Cut 4 Me (2013, Fade To Mind), mixtape de estreia da norte-americana Kelela, é uma obra que dança pelas referências sem em nenhum momento perder a visível autenticidade. Voz de uma sequência de projetos que marcam com excentricidade a eletrônica recente, a cantora centrada em Los Angeles, Califórnia deixa o plano de fundo a que estava submetida para firmar no primeiro exemplar solo um exercício nítido de experimento – mesmo já sabendo exatamente onde quer chegar.

Na contramão da avalanche de artistas que mergulham sedentos na década de 1990 como um cenário amplo de novidade, Kelela e o time de produtores que a acompanham encontram no período apenas uma base inventiva, nunca o todo. São os mesmos traços de R&B, Trip-Hop e até da música Techno estabelecida durante o período, porém, em um esforço particular, como se mesmo posicionada no panorama estético tramado há duas décadas, a artista fosse capaz de avistar o futuro. Dessa forma, a cantora é Aaliyah, Janet Jackson ou qualquer outra artista de sucesso da época sem perder a própria identidade.

Fragmentada entre diferentes produtores com foco na eletrônica, R&B e Hip-Hop, a mixtape encontra nesse cenário natural de diversidade um ponto autêntico. Cercada por nomes ainda recentes como Nguzunguzu, Girl Unit, Kingdom e Jam City, Kelela se transforma em um instrumento para os convidados, manuseando os vocais de acordo com as batidas impostas por cada artista. Dentro desse resultado vasto, há desde instantes pontuados pela sutileza dos arranjos e vozes (Cherry Coffee), até canções em que o dinamismo da cantora é posto à prova com doses de amargura (Enemy). Independente dos rumos, Kelela mantém a firmeza até o fecho do disco, conduzindo o espectador por uma tapeçaria de sentimentos e gêneros expostos com sobriedade.

O mais curioso dentro desse cenário partilhado entre diferentes produtores talvez seja perceber o quanto a relação entre as músicas é constante. Da leveza ambiental instalada em Do It Again, aos beats letárgicos/eróticos de Send Me Out, cada faixa do registro, independente de seu criador, parece fruto de uma mente autoral única. Parte específica desse resultado vem como uma decisão criativa de Kelela, administrando um catálogo padrão de sintetizadores, samples e batidas por toda a obra. É preciso observar que mesmo convertida em um instrumento vocal na maior parte do tempo, é dela a responsabilidade em amarrar todas as pontas do registro, trazendo na construção lírica dos temas o princípio de relação para as músicas.

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. Uma ferramenta nas mãos de um time de produtores, assim é o trabalho da norte-americana Kelela em Cut 4 Me. Mixtape de estreia da cantora, o registro parece seguir na contramão do que decide os rumos do R&B e da música negra em solo estadunidense e britânico, substituindo a letargia por um efeito de novidade. São batidas essencialmente sintéticas, um olhar atento para os anos 1990, além, claro, de um campo aberto para que os sentimentos da cantora sejam derramados de forma precisa por…Continue Reading “Kelela: “Cut 4 Me””