Artista: Vagabon
Gênero: Indie Rock, Alternativo, Indie Pop
Acesse: https://vagabon.bandcamp.com/

 

 

Torres com o experimental Sprinter (2015), Sadie Dupuis e os parceiros do Speedy Ortiz na dobradinha Major Arcana (2013) e Foil Deer (2015), Waxahatchee e as canções do referencial Cerulean Salt (2013), Frankie Cosmos no ainda recente Next Thing (2016). Basta uma rápida pesquisa para perceber como a mesma sonoridade explorada há mais de duas décadas na cena alternativa dos Estados Unidos continua a reverberar de forma explícita no trabalho de diferentes artistas.

Uma reciclagem sonora e estética que se revela de forma parcialmente renovada dentro do primeiro trabalho da cantora e multi-instrumentista Lætitia Tamko. Mesmo inspirada pelo som produzido por veteranos como Modest Mouse, Liz Phair e Built To Spill, a artista original de Nova York faz do recém-lançado Infinite Worlds (2017, Father/Daughter), álbum de estreia como Vagabon, um experimento controlado, curioso. Uma obra que muda de direção a todo instante.

Embora cercada por um time de instrumentistas, é Tamko que produz e grava grande parte do material. Do som climático que escapa das guitarras em Cold Apartment, ao ritmo eufórico da bateria em Minneapolis, cada fragmento do presente registro se projeta de acordo com as orientações da musicista. Vem daí a necessidade de transformar cada faixa em um objeto isolado, como um registro independente, ora íntimo do R&B de Erykah Badu, vide Fear & Force, ora consumido pelos ruídos, caso de 100 Years.

Interessante perceber na composição sensível dos versos uma forte aproximação entre grande parte das faixas. “Eu me sinto tão pequena / Meus pés mal tocam o chão / No ônibus, onde todo mundo é alto … Corra e diga a todos que Lætitia é / É apenas um pequeno peixe”, canta em The Embers, música de abertura do disco e um perfeito indicativo da poesia particular, sempre intimista, que se espalha com naturalidade ao longo da obra.

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