Sob o título de The Microphones, o cantor e compositor Phil Elvrum, hoje responsável pelo Mount Eerie, deu vida a um vasto imenso de obras caseiras. Trabalhos como os clássicos It Was Hot, We Stayed in the Water (2000) e The Glow Pt. 2 (2001), registros significativos para o amadurecimento da cena independente dos Estados Unidos e, ao mesmo tempo, a principal inspiração para o trabalho de uma variedade de bandas e projetos posteriores.

Para a alegria do público, Elvrum decidiu vasculhar o próprio arquivo, resgatando uma série de faixas inéditas que devem abastecer o “novo” álbum do The Microfones: Early Tapes, 1996 – 1998 (2016). Trata-se de uma coletânea com 16 registros caseiros. São composições de pouquíssimos segundos, até faixas um pouco mais extensas e finalizadas, caso da recém-lançada Compressor, um registro caseiro do músico e seus parceiros de banda dentro de um estúdio caseiro.

 

The Microphones – Compressor

Continue Reading "The Microphones: “Compressor”"

Artista: Filipe Alvim
Gênero: Indie, Lo-Fi, Alternativo
Acesse: https://filipealvim.bandcamp.com/

Foto: Tamires Orlando

Romântico, cafona, sensível. Em Beijos (2016, Pug Records), primeiro álbum de inéditas em três anos, o cantor e compositor mineiro Filipe Alvim faz de cada composição ao longo do registro um fragmento marcado pela confissão. Entre sussurros melancólicos (“Você pensa que está bom / Mas podia estar melhor”) e versos essencialmente intimistas (“Você tem / O poder / Sobre mim”), a construção de um trabalho que parece feito para grudar na cabeça do ouvinte.

Inaugurado pelos dramas e versos atormentados de Vida Sem Sentido, faixa de abertura do disco, o sucessor de Zero EP (2013) mais uma vez posiciona Alvim como personagem central de uma obra marcada pela desilusão. Enquanto os arranjos de guitarra se desmancham lentamente, revelando um som empoeirado, íntimo dos trabalhos de Mac DeMarco e outros românticos do rock atual, uma solução de versos amargos aponta a direção seguida em grande parte do trabalho.

Dividido entre músicas rápidas e versos arrastados, sempre dolorosos, Alvim joga com os sentimentos – dele e do próprio ouvinte. São versos curtos, sequências de duas ou três palavras, como se o cantor brincasse com o significado oculto em cada uma das canções. Declarações de amor, medos e delírios que se entrelaçam em meio ao movimento rápido das guitarras, tão íntimas do pop rock dos anos 1980, quanto de novatos como Connan Mockasin e Séculos Apaixonados.

Ela é poderosa / Me fascina / Ela é poderosa / Me deixa ficar”, desaba em Poderosa, música que flutua entre a submissão e a libertação do eu lírico. Em Jaula, sexta faixa do disco, retalhos poéticos e pequenas indecisões – “Não perde / Não volta / Não cola / Amassa / Abafa / Sufoca”. Na rápida Cama Redonda, uma letra que se divide entre o tédio (“Nesse bode de hoje eu fiquei”) e a melancolia (“Perdi o gosto das coisas”). Diferentes conflitos de um mesmo personagem.

Continue Reading "Resenha: “Beijos”, Filipe Alvim"

 

Prolífico, Ty Segall já começou a preparar o terreno para um novo álbum de inéditas (capa acima). Sucessor do mediano Emotional Mugger (2016), trabalho entregue ao público em janeiro deste ano, o novo trabalho de estúdio do músico californiano parece seguir a trilha psicodélica que o músico vem percorrendo nos últimos álbuns. São dez composições inéditas, entre elas, a recém-lançada Orange Color Queen, primeiro single do novo trabalho.

Montada a partir de arranjos acústicos e vozes brandas, a melancólica composição de apenas três minutos mostra Segall fora da própria zona de conforto. Difícil não lembrar do som produzido pelos conterrâneos do Foxygen no ótimo We Are the 21st Century Ambassadors of Peace & Magic (2013) e até mesmo de alguns dos trabalhos lançados pelos Beatles no começo da década de 1960, efeito do coro de vozes e versos duplicados ao longo da faixa.

Ty Segall (2016) será lançado no dia 27/01 via Drag City

 

Ty Segall – Orange Color Queen

Continue Reading "Ty Segall: “Orange Color Queen”"

rp_a3341801496_10-700x700.jpg

 

Filipe Alvim passou os últimos meses preparando o terreno para a chegada do primeiro registro de inéditas da carreira, o romântico Beijos (2016). Entre faixas de essência melancólica, como Vida Sem Sentido Poderosaalém de músicas levemente ensolaradas, caso de Miragem, a lenta construção de uma obra marcada pela utilização de versos e melodias sempre intimistas, percpção reforçada dentro das oito canções que abastecem a estreia do cantor e compositor mineiro.

Além das três músicas apresentadas por Alvim nos últimos meses, Beijos reserva ao público um pequeno catálogo de faixas movidas pela poesia descomplicada do músico. Composições que mergulham em temas existenciais (“O erro pode ser o acerto / De quem procura se encontrar“) e pequenos tormentos melancólicos (“Nessa cama redonda eu bodei / Eu não sei O que será de mim“). Com distribuição pelo selo Pug Records, o trabalho pode ser apreciado e baixado gratuitamente pelo Bandcamp do artista.

 

Filipe Alvim – Beijos

Continue Reading "Filipe Alvim: “Beijos”"

rp_a3341801496_10.jpg

 

Filipe Alvim parece jogar com os próprios sentimentos. A cada nova composição que antecipa o aguardado Beijos (2016), primeiro álbum do cantor e obra que conta com lançamento pelo selo Pug Records, versos e melodias que flutuam entre temas existencialistas, tormentos e confissões românticas. Conceito reforçado durante o lançamento de Vida Sem Sentido e Poderosa, porém, encarado com leveza e certa dose de libertação em Miragem, mais recente criação do músico mineiro.

Consumida pelo uso de ruídos eletrônicos e guitarras crescentes, a nova composição talvez seja o registro mais acessível, pop, de todo o pequeno acervo de Alvim. Um jogo de guitarras e vozes ensolaradas, como um alicerce para a letra da canção – “O que eu preciso é de uma estrada quente / Pra quem sabe que correr é / Tanto faz se eu não parar / Tanto faz“. Para ouvir outras músicas ou saber um pouco mais sobre o trabalho do cantor basta uma visita ao bandcamp ou database.

Beijos (2016) será lançado no dia 08/11 via Pug Records.

 

Filipe Alvim – Miragem

Continue Reading "Filipe Alvim: “Miragem”"

 

 

Basta um olhar atento para perceber uma série de referências e pequenas citações ao universo de animes e mangás dentro da extensa obra de Cadu Tenório – como na capa de Vozes (2014) e nas composições de Rimming Compilation (2016). Nada que se compare ao recém-lançado Lzana, primeiro registro da parceria entre o músico carioca e a conterrânea Melissa Daher, produtora responsável pelos improvisos que movem o projeto Salisme.

Do título do trabalho, uma alteração entre as letras “i” e “l” no nome de Izana, da série Knights of Sidonia, passando por Claudette (de Queen’s Blade) e Envy (de Full Metal Alchemist), todas personagens sem gênero, Tenório e Daher fazem de cada composição do trabalho uma curiosa “homenagem”. São ambientações minimalistas, ruídos e sobreposições produzidas de forma caseira durante uma rápida sessão da dupla que durou apenas duas horas.

 

Lzana – Lzana

Continue Reading "Lzana: “Lzana”"

Poucos meses após o lançamento da melancólica Vida Sem Sentido, Filipe Alvim está de volta com uma nova composição inédita. Em Poderosa, mais recente criação do cantor e compositor mineiro, versos curtos e guitarras rápidas apontam a direção seguida pelo artista. Um curioso exercício criativo que passeia pela confissão romântica, detalha instantes de submissão e, lentamente, encontra na fuga do eu lírico um desfecho para o pequeno ato musicado de Alvim.

Você tem / O poder / Sobre mim … Ela é poderosa / Me fascina / Ela é poderosa / Me deixa ficar“, canta a voz empoeirada pela gravação enquanto guitarras e batidas ocupam todos os espaços da faixa. Assim como Vida Sem Sentido, a nova composição faz parte do primeiro álbum de inéditas do cantor. Um registro abastecido por oito faixas e o primeiro grande lançamento de Alvim desde o EP Zero, entregue ao público em meados de 2013.

Beijos (2016) será lançado no dia 08/11 via Pug Records.

Filipe Alvim – Poderosa

Continue Reading "Filipe Alvim: “Poderosa”"

No dia seis de novembro, acontece o Secret Fest, evento que acontece em um lugar secreto e que conta com a presença de diferentes nomes da cena nacional e estrangeira. Artistas como a banda goiana Carne Doce, a cantora e compositora carioca Mahmundi, e os paulistanos da Terno Rei e Lumen Craft. Entre as atrações estrangeiras, o inglês Charly Coombes e, claro, o coletivo canadense TOPS, parceiros de nomes como Mac DeMarco e um dos grandes representantes do selo Arbutus Records.

Com a passagem da banda, nada melhor do que o nosso especial com 10 músicas para conhecer o trabalho do TOPS. Além de canções vindas dos dois primeiros álbuns do grupo – Tender Opposites (2012) e o ótimo Picture You Staring (2014) –, separamos alguns singles, caso da excelente Hollow Sound Of The Morning Chimes, composição apresentada ao público em meados de 2015 e um curioso momento de transformação na carreira dos canadenses.

Continue Reading "Aperitivo: 10 Músicas Para Gostar de TOPS"

Artista: Lê Almeida
Gênero: Indie Rock, Lo-Fi, Rock Psicodélico
Acesse: https://lealmeida.bandcamp.com/

 

Em março deste ano, com o lançamento de Mantra Happening (2016), Lê Almeida assumiu de vez a mudança de direção iniciada com o antecessor Paraleloplasmos (2015). Entre composições extensas – como Oração de Noite Cheia, com mais de 15 minutos de duração –, a busca declarada do músico fluminense (e seus parceiros de banda) pela construção de um som cada vez mais complexo, por vezes experimental, e movido em essência pela psicodelia.

Poucos meses após o lançamento do trabalho, o cantor e compositor está de volta com um novo álbum de inéditas. Em Todas As Brisas (2016, Transfusão Noise Records) – também título de uma exposição com as colagens de Almeida –, um claro aperfeiçoamento das melodias e ambientações cósmicas exploradas no último registro do músico. Dez faixas levemente empoeiradas que oscilam entre delírios psicodélicos, ruídos e versos orientados por uma poesia descomplicada.

Menos “denso” em relação ao som produzido há poucos meses, o novo trabalho mostra a busca de Almeida e os parceiros João Casaes (guitarra), Bigú Medine (baixo) e Joab Régis (bateria e voz) pela construção de um material essencialmente leve, hipnótico – pelo menos nos momentos iniciais. São pouco mais de 40 minutos em que guitarras e batidas compactas passeiam sem pressa ao fundo do disco, criando um delicado pano de fundo para a voz “instrumental”, sempre contida do vocalista.

Com Rolezin como faixa de abertura do disco, o quarteto aponta a direção seguida em grande parte da obra. São pouco mais de sete minutos de duração em que melodias nostálgicas, inserções lisérgicas e pequenas doses de distorção se moldam de forma a atender as exigências da banda. Uma constante sensação de que Almeida decidiu prender fatias aleatórias de diferentes canções dentro de uma única composição, proposta anteriormente incorporada em Mantra Happening.

Continue Reading "Resenha: “Todas As Brisas”, Lê Almeida"

 

Em abril deste ano, o mineiro Vitor Brauer apareceu com um projeto ousado. Revisitar de forma particular grande parte dos pequenos clássicos do novo rock nacional dentro de uma extensa coletânea intitulada História do Brasil. No repertório do músico, mais conhecido pelo trabalho com o grupo Lupe de Lupe, adaptações “caseiras” do som produzido por artistas como como Boogarins (Cuerdo), Baleia (Breu), Ventre (Pernas) e Nvblado (Angústia).

Para a segunda parte do registro, Brauer decidiu “desacelerar”. Entre as músicas que abastecem a obra, canções intimistas, como Terminal Alvorada, uma das melhores canções do carioca Cícero; Luz do Bem, faixa produzida para o primeiro álbum da banda paulistana Terno Rei, além de músicas assinadas por artistas goianos, como Amigo dos Bichos, extraída do primeiro álbum do Carne Doce e Falta Ar, parte da recente estreia de Bruna Mendez. (Via AltNewsPaper)

 

Vitor Brauer – História do Brasil

Continue Reading "Vitor Brauer: “História do Brasil Pt. II”"