Tag Archives: Lo-Fi

Pure Bathing Culture: “Pray For Rain”

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Com um pé na década de 1980 e outro no litoral, a dupla Sarah Versprille e Daniel Hindman mantém firme a mesma sonoridade empoeirada que em 2012 apresentou o projeto Pure Bathing Culture. Depois de apostar em um material marcado pela sobriedade e temas mais melancólicos em Moon Tides, de 2013, a banda original da cidade de Portland, Oregon encontra no uso de melodias e temas sorridentes a passagem para o terceiro registro de inéditas: Pray For Rain.

Faixa-título do novo álbum, a recém-lançada composição não apenas reforça a completa mudança dentro da nova fase da dupla, como também indica a busca do casal pelo uso de temas voltados para a música pop. Vocal pegajoso, guitarras sujas e uma letra que prende o ouvinte em pequenos ciclos. Pensar em veteranos como R.E.M. e Bruce Springsteen não seria um erro, afinal, da abertura ao fechamento da canção, a montagem de pequenas pontes para alguns dos maiores clássicos da música norte-americana no começo dos anos 1980.

Pray For Rain (2015) será lançado no dia 23/10 pelo selo Partisan.

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The Cigarettes: “The Waste Land”

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Três anos se passaram desde que Marcelo Colares apresentou ao público o último e homônimo álbum da banda fluminense The Cigarettes. De lá para cá, o guitarrista se concentrou não apenas na divulgação do registro, um dos 50 melhores discos nacionais de 2012, como na produção do inédito The Waste Land (2015). Quarto trabalho de estúdio do grupo, o disco de nove composições e lançamento pelo selo Midsummer Madness confirma o mesmo som sujo assinado pelo músico desde o final da década de 1980.

Além da rara apresentação de uma faixa em português, Mantra da Espera, em The Waste Land, doses controladas de experimento transformam o álbum em uma obra que merece ser apreciada com total atenção, como um novo passo em relação ao som melódico, quase fácil, do disco passado. Mesmo com a mudança, difícil não ser seduzido pelo jogo de guitarras e versos rápidos de faixas como Mandy V2. Com lançamento em diferentes plataformas digitais – Deezer, Rdio, Spotify -, o trabalho pode ser apreciado (e baixado) gratuitamente pelo bandacamp. Ouça:

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The Cigarettes – The Waste Land

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Wilco: “Star Wars”

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As novas bandas ainda têm muito o que aprender com veteranos como Wilco. Em “tempos de internet“, o grupo de Chicago, Illinois não apenas entregou o novo álbum ao público de forma gratuita – baixe aqui -, como ainda decidiu brincar com a estrutura que define o registro. O que poderia ser mais atrativo do que uma capa com um gatinho? E que tal nomear o trabalho “Star Wars”, aproveitando o hype em torno do novo filmes da franquia, previsto para estrear em dezembro?

Em se tratando das canções, outro aspecto curioso. Com exatos 33 minutos e 47 minutos de duração dissolvidos em 11 faixas, este é o trabalho mais curto de toda a trajetória da banda. Uma coleção de faixas planejadas para não ultrapassar os dois ou três minutos de duração. Primeiro trabalho de inéditas do grupo desde o lançamento de The Whole Love (2011), Star Wars conta com produção assinada por Jeff Tweedy e Tom Schick

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Wilco – Star Wars

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Yuck: “Hold Me Closer”

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Vocês estão prontos para o novo álbum do Yuck? Dois anos após o lançamento de Glow & Behold (2013), a banda, que em 2014 entregou o EP Southern Skies, abre passagem para um novo registro de inéditas. Em Hold Me Closer, mais recente composição entregue pelo coletivo britânico, um resumo intenso e naturalmente sujo daquilo que a banda deve apresentar oficialmente pelos próximos meses.

Instalada dentro do mesmo ambiente nostálgico do debut de 2011, a canção de quase quatro minutos não apenas levanta imensos paredões de distorção, como ainda dissolve uma sequência de guitarras melódicas no melhor estilo Pavement. Dinosaur Jr e Sonic Youth são outros que “aparecem” nos instantes finais da canção, uma espécie de resumo (in)voltuntário de toda a cena alternativa no começo da década de 1990.

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Yuck – Hold Me Closer

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Helen: “Motorcycle”

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Com o lançamento e boa recepção de Ruins (2014), Liz Harris acabou alcançando uma nova massa de ouvinte, foi descoberta por boa parte da imprensa e ainda estabeleceu nas melodias delicadas do trabalho uma espécie de ápice criativo dentro da própria carreira. E agora, qual sonoridade, tema ou conceito seguir? A resposta está novo novo projeto da artista, Helen, um coletivo de Dream Pop completo com Jed Bindeman (bateria) e Scott Simmons (guitarras, baixo).

Fuga das ambientações caseiras testadas pela artista até poucos meses, a nova banda sustenta na enérgica e recém-lançada Morotcycle um resumo natural da série de canções que vão abastecer The Original Faces (2015), primeiro registro oficial da banda. Um jogo sujo de vozes, guitarras e batidas velozes, como um indicativo de que por ora, o som etéreo projetado por Harris será conceitualmente abafado.

The Original Faces (2015) será lançado no dia 04/09 pelo selo Kranky.

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Helen – Motorciycle

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Blood Orange: “Do You See My Skin Through The Flames?”

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Mais do que uma busca por novas sonoridades, com o lançamento de Cupid Deluxe, em 2013, Dev Hynes passou a brincar com os próprios limites como compositor. Não por acaso toda a sequência de faixas apresentadas pelo artista – em carreira solo ou de forma colaborativa – revelaram um artista ainda mais complexo e curioso, postura nitidamente reforçada com a entrega de Do You See My Skin Through The Flames?, mais novo trabalho de Hynes pelo Blood Orange.

Com quase 11 minutos de duração, a faixa que passeia pelo Jazz, Soul, Pop dos anos 1980 e até mensagens de telefone revelam o lado político do músico. São monólogos sombrios, discussões sobre racismo, a crescente onda de atentados contra negros nos Estados Unidos, além, claro, da origem do próprio nome do projeto Blood Orange.
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Blood Orange – Do You See My Skin Through The Flames?

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Disco: “O∆”, London O’Connor

London O’Connor
Hip-Hop/Psychedelic/Alternative
https://www.facebook.com/LondonOConnor

A música de London O’Connor é torta, estranha e, consequentemente, hipnótica. Personagem curioso da nova safra de representantes do Hip-Hop nova-iorquino, o artista de 24 anos encontra no primeiro álbum em carreira solo uma obra entregue ao experimento. Um passeio que começa pela mente (e versos) perturbados do compositor, segue de forma segura pelo Rap dos anos 1990 e só estaciona no final dos anos 1960, flertando com a mesma sonoridade de artista como The Velvet Undergound e outros gigantes que bagunçaram a música produzida no leste dos Estados Unidos.

Apresentado em pequenas “doses” no perfil de O’Connor no Soundcloud, O∆ (2015, Independente) é uma fuga de limites conceituais e bases previsíveis. Em um misto de canto, rima e lamentações, a formação de um registro de essência particular, isolado, como se diferentes tormentos sentimentais e existencialistas do jovem artista fossem essencialmente expostos e dissecados em cada instante sombrio que preenche o trabalho.

Interessante perceber que mesmo dentro de um cercado de versos e experiências particulares, O∆ está longe de parecer uma obra reclusa, pouco convincente. Em uma estrutura melódica, O’Connor revela ao público uma coleção de 10 faixas musicalmente atrativas, talvez não comerciais, porém, dificilmente ignoradas. Logo de cara, a dobradinha formada por OATMEAL e NATURAL, músicas que brincam com as mesmas melodias de vozes de grupos de músicas pop nos anos 1960, como das batidas minimalistas de Fever Ray e outros nomes recentes da música eletrônica.

Mesmo que o “pop” não seja a palavra certa para caracterizar o trabalho do rapper/cantor, escapar da armadilha de harmonias etéreas e versos pueris ressaltados em Nobody Hangs Out Anymore ou GUTS é uma tarefa quase impossível. São mais de cinco décadas de referências disformes, opositoras, mas que dialogam de forma segura até o encerramento da obra, sempre amarradas pela lírica sensível, pós-adolescente e particular de O’Connor. Continue reading

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Wavves x Cloud Nothings: “No Life For Me”

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Surpresa! No Life For Me (2015), trabalho em pareceria entre Nathan Williams (Wavves) e Dylan Baldi (Cloud Nothings) acaba de ser apresentado ao público. Originalmente anunciado no começo da março, porém, sem data de lançamento prevista, o álbum de nove composições inéditas e produção assinada por Sweet Valley já pode ser apreciado na íntegra pelo Bandcamp da “dupla”.

Gravado em diferentes sessões entre março de 2014 e junho de 2015, o registro é uma divisão exata das experiências, ruídos e temas que inspiram as duas bandas. Um cruzamento perfeito entre o Garage Rock “litorâneo” de Nathan Williams no Wavves as guitarras distorcidas, típicas da década de 1990, que Baldi há tempos vem explorando dentro do Cloud Nothings.

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Wavves x Cloud Nothings – No Life For Me

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Disco: “Multi-Love”, Unknown Mortal Orchestra

Unknown Mortal Orchestra
Psychedelic/Indie/Alternative
http://unknownmortalorchestra.com/

Com o lançamento do segundo trabalho em estúdio, II (2013), Ruban Nielson e os parceiros do Unknown Mortal Orchestra partiram em busca de um novo universo de referências musicais. Da sonoridade suja e naturalmente esquizofrênica lançada por gigantes como Captain Beefheart e toda a geração de artistas pós-1967, base do primeiro disco, pouco sobreviveu. Para ocupar essa “lacuna”, um diálogo aproximado com o mesmo R&B de Prince e outros veteranos da década de 1970, preferência que também conduz os arranjos e versos do terceiro álbum do grupo, Multi-Love (2015, Jagjaguwar).

Passo além em relação ao último lançamento da banda, com o presente registro, o coletivo original de Auckland, Nova Zelândia continua a investir no uso descomplicado das melodias, entretanto, encontra no experimento um mecanismo de transformação. São peças como a inaugural faixa-título, canção que mesmo sustentada pelo uso de arranjos e temas radiofônicos, jamais tende ao óbvio, brincando com a interpretação do ouvinte a cada novo ruído distorcido.

Em uma observação atenta, Multi-Love parece entregar ao ouvinte o mesmo cardápio de composições apresentadas no trabalho anterior, porém, hoje cobertas pelo granulado sujo e carga de distorções que marca o primeiro registro da banda, de 2011. Exemplo claro disso está nas melodias e vozes encaixadas no interior de Like Acid Rain e Ur Life One Night. Montadas de forma urgente, ambas as canções passeiam pela psicodelia caseira de 1960 sem necessariamente abandonar o diálogo com as referências lançadas na década seguinte.

Com a chegada de Can’t Keep Checking My Phone, quarta faixa do álbum, um breve distanciamento desse continuo jogo de experiências. Marcada pelas batidas e ritmo acelerado, a composição de abertura climática – como a trilha sonora de um filme de suspense – logo se entrega à dança, como um flerte rápido com a obra de Giorgio Moroder. A mesma proposta ainda se repete com Necessary Evil, porém, de forma controlada, interrompendo o ritmo frenético inicialmente proposto pelo grupo. Continue reading

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Leon Bridges: “Coming Home”

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Passados alguns meses desde o anúncio de lançamento, uma sequência de músicas entregues como aperitivo – Lisa Sawyer, River, Better Man – e até o empolgado registro em vídeo de Smooth Sailin’, Coming Home (2015), primeiro álbum solo do cantor e compositor Leon Bridges está entre nós. Com distribuição pela Columbia Records, o trabalho de 10 faixas e pouco mais de 30 minutos de duração nasce como um verdadeiro passeio pela música negra – R&B, Soul e Gospel – explorada entre os anos 1950 e 1960.

Personagem central da obra, Bridges se apresenta ao público como um romântico, espalhando canções de amor e faixas de puro sofrimento em cada lacuna do disco – conceitual e musicalmente planejado como um álbum “antigo”, envelhecido, possivelmente resgatado em algum sebo. Originalmente previsto para o dia 23 de junho, o álbum ancorado na obra de Otis Redding, Al Green, Sam Cooke e outros gigantes da época já pode ser apreciado na íntegra logo abaixo:

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Leon Bridges – Coming Home

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