Tag Archives: Lo-Fi

Disco: “Paraleloplasmos”, Lê Almeida

Lê Almeida
Indie Rock/Lo-Fi/Alternative
https://lealmeida.bandcamp.com/

Versos descompromissados, melodias que dialogam com a década de 1990 e ruídos, doses colossais de ruídos. Cinco anos após o último grande trabalho em estúdio, Mono Maçã (2010), o carioca Lê Almeida mantém firme o domínio das guitarras e vozes, transformando o segundo registro em carreira solo, Paraleloplasmos (2015, Transfusão Noise Records), em uma obra marcada por ensaios psicodélicos e distorções que explodem a cada nova faixa.

Na trilha do antecessor Pré Ambulatório EP, de 2012, Almeida garante a construção de uma obra que mesmo densa e repleta de canções extensas, mantém firme o caráter dinâmico até o último acorde. Um acervo curto, doze composições inéditas, metade do número de músicas que abastecem o álbum de 2010, porém, um trabalho com o dobro do tempo de duração. Longe da efemeridade testada desde a estreia com REVI EP (2009), o guitarrista encontra em canções como Fuck The New School e Câncer dos Trópicos um espaço aberto para o experimento.

Na primeira faixa, um ato extenso, mais de 11 minutos de duração, tempo suficiente para que as guitarras de Almeida passeiem pela obra de Dinosaur Jr., Sonic Youth e até nomes recentes, caso de St. Vincent, sem necessariamente perder a própria identidade. Ruídos, curvas bruscas e versos entristecidos – “Eu juro eu tentei / Não machucar” – que mantém firme o caráter jovial do trabalho. Já em Câncer dos Trópicos, uma faixa afundada em delírios instrumentais. Distorções e encaixes lisérgicos que sustentam a porção mais criativa, talvez inédita, do guitarrista.

No restante da obra, um jogo de faixas cruas, estimuladas pelas guitarras de Almeida. Logo na abertura do disco, um eficiente resumo de todo o registro na curta duração de Desampar. Pouco mais de um minuto em que arranjos raivosos e a voz característica do músico carioca apontam a direção para o restante da obra. Versos e melodias rápidas, pro vezes nonsenses, como se Almeida, talvez inspirado pelas imagens de capa do próprios trabalho, colasse fragmentos extraídos de diferentes poemas em um mesmo bloco de ruídos. Continue reading

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SCRNS: “Lavender”

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O selo nova-iorquino Cascine anda bastante movimentado nos últimos meses. Como se não bastasse a série de trabalhos lançados por artistas já experientes, “veteranos” dentro do selo, como Yumi Zouma, uma sequência de novos produtores e bandas tiveram o primeiro pontapé inicial com a assinatura do selo. Nomes como Holly Waxwing, TVÅ e o mais recente deles, o produtor norte-americano Max Petrek, responsável pelo projeto SCRNS e o recém-lançado single Lavander.

Distante da presente soma de artistas relacionados ao selo, Petrek parece assumir um caminho marcado pelo uso de temas sujos, muito mais voltados ao R&B do que à eletrônica e Balearic Beat. Melhor prova disso está nas três canções que abastecem o presente trabalho do produtor. Uma coleção de vozes e bases etéreas, mas que se aproximam muito mais da obra de artistas como Giraffage do que jj, Air France e outros nomes sempre encarados como referências para o selo.

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SCRNS – Lavender

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Disco: “St. Catherine”, Ducktails

Ducktails
Indie/Lo-Fi/Psychedelic
https://www.facebook.com/Ducktails/

É difícil estabelecer com exatidão onde começa o trabalho de Matt Mondanile no Real Estate e tem início a relação com o Ducktails. Vozes letárgicas, captações Lo-Fi e toques precisos de música psicodélica, elementos partilhados com naturalidade entre o coletivo de New Jersey e o projeto solo do guitarrista norte-americano. Uma suposta divisão cada vez mais imperceptível, talvez desconstruída com a chegada de St. Catherine (2015, Domino).

Quinto registro autoral de Mondanile, o trabalho de 11 composições inéditas revela a busca do músico por um som cada vez menos experimental, distante do conceito sujo testado nos iniciais Ducktails e Landscapes, ambos de 2009. Arranjos, versos e até mesmo sentimentos que dialogam com o mesmo universo de harmonias doces inauguradas pelo Real Estate no álbum Days, de 2011. Um tema reforçado com a entrega Atlas, em 2014 e delicadamente reciclado dentro do universo torto que ocupa a mente do cantor no novo disco.

De natureza intimista, sereno, St. Catherine oculta nas guitarras a ponte para o álbum mais sofredor de toda a carreira de Mondanile. Ainda que o registro cresça livre de exageros, confortando o ouvinte em um cenário de fim de tarde, faixa após faixa, a melancolia corrói a essência do disco. Basta a instrumental canção de abertura, The Disney Afternoon, para perceber como a atmosfera ensolarada dos últimos trabalhos parece momentaneamente esquecida.

Dos versos que inauguram a obra, em Headbanging In The Mirror, passando por Into The Sky, Church e Reprise, tudo gira em torno da infância, adolescência e maturidade do artista. Canções que refletem a alma de um indivíduo adormentado, sempre solitário. Versos levemente embriagados, como se a sonoridade lisérgica que cresce ao fundo de cada canção lentamente fosse capaz de interferir na lírica sóbria do disco anterior, The Flower Lane (2013). Continue reading

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Mac DeMarco & Art Is Hard Records: “Some AIH Ones”

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Inspirado, no começo de julho, Mac DeMarco apresentou ao público o álbum Some Other Ones (2015), uma coleção de faixas instrumentais gravadas de forma caseira e que, possivelmente, acabaram ficando de fora do novo trabalho do músico, o mini-LP Another One (2015). Motivado pelo trabalho do artista canadense, o selo britânico Art Is Hard Records lançou um desafio aos próprios integrantes do coletivo: que diferentes bandas completassem as canções de DeMarco, apresentando versos e vozes para as faixas.

O resultado se transformou no disco virtual Some AIH Ones (2015). Das nove composições lançadas pelo norte-americano, apenas Peters Pickles acabou ficando sem letra. No restante do trabalho, composições ocupadas por nomes como  Shunkan, FVC, Georgeous Bully e Nai Harvest, este último, talvez o responsável pela melhor “adaptação” do disco. Com download gratuito, o álbum também pode ser apreciado na íntegra logo abaixo.

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Mac DeMarco & Art Is Hard Records – Some AIH Ones

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Pure Bathing Culture: “Pray For Rain”

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Com um pé na década de 1980 e outro no litoral, a dupla Sarah Versprille e Daniel Hindman mantém firme a mesma sonoridade empoeirada que em 2012 apresentou o projeto Pure Bathing Culture. Depois de apostar em um material marcado pela sobriedade e temas mais melancólicos em Moon Tides, de 2013, a banda original da cidade de Portland, Oregon encontra no uso de melodias e temas sorridentes a passagem para o terceiro registro de inéditas: Pray For Rain.

Faixa-título do novo álbum, a recém-lançada composição não apenas reforça a completa mudança dentro da nova fase da dupla, como também indica a busca do casal pelo uso de temas voltados para a música pop. Vocal pegajoso, guitarras sujas e uma letra que prende o ouvinte em pequenos ciclos. Pensar em veteranos como R.E.M. e Bruce Springsteen não seria um erro, afinal, da abertura ao fechamento da canção, a montagem de pequenas pontes para alguns dos maiores clássicos da música norte-americana no começo dos anos 1980.

Pray For Rain (2015) será lançado no dia 23/10 pelo selo Partisan.

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The Cigarettes: “The Waste Land”

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Três anos se passaram desde que Marcelo Colares apresentou ao público o último e homônimo álbum da banda fluminense The Cigarettes. De lá para cá, o guitarrista se concentrou não apenas na divulgação do registro, um dos 50 melhores discos nacionais de 2012, como na produção do inédito The Waste Land (2015). Quarto trabalho de estúdio do grupo, o disco de nove composições e lançamento pelo selo Midsummer Madness confirma o mesmo som sujo assinado pelo músico desde o final da década de 1980.

Além da rara apresentação de uma faixa em português, Mantra da Espera, em The Waste Land, doses controladas de experimento transformam o álbum em uma obra que merece ser apreciada com total atenção, como um novo passo em relação ao som melódico, quase fácil, do disco passado. Mesmo com a mudança, difícil não ser seduzido pelo jogo de guitarras e versos rápidos de faixas como Mandy V2. Com lançamento em diferentes plataformas digitais – Deezer, Rdio, Spotify -, o trabalho pode ser apreciado (e baixado) gratuitamente pelo bandacamp. Ouça:

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The Cigarettes – The Waste Land

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Wilco: “Star Wars”

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As novas bandas ainda têm muito o que aprender com veteranos como Wilco. Em “tempos de internet“, o grupo de Chicago, Illinois não apenas entregou o novo álbum ao público de forma gratuita – baixe aqui -, como ainda decidiu brincar com a estrutura que define o registro. O que poderia ser mais atrativo do que uma capa com um gatinho? E que tal nomear o trabalho “Star Wars”, aproveitando o hype em torno do novo filmes da franquia, previsto para estrear em dezembro?

Em se tratando das canções, outro aspecto curioso. Com exatos 33 minutos e 47 minutos de duração dissolvidos em 11 faixas, este é o trabalho mais curto de toda a trajetória da banda. Uma coleção de faixas planejadas para não ultrapassar os dois ou três minutos de duração. Primeiro trabalho de inéditas do grupo desde o lançamento de The Whole Love (2011), Star Wars conta com produção assinada por Jeff Tweedy e Tom Schick

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Wilco – Star Wars

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Yuck: “Hold Me Closer”

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Vocês estão prontos para o novo álbum do Yuck? Dois anos após o lançamento de Glow & Behold (2013), a banda, que em 2014 entregou o EP Southern Skies, abre passagem para um novo registro de inéditas. Em Hold Me Closer, mais recente composição entregue pelo coletivo britânico, um resumo intenso e naturalmente sujo daquilo que a banda deve apresentar oficialmente pelos próximos meses.

Instalada dentro do mesmo ambiente nostálgico do debut de 2011, a canção de quase quatro minutos não apenas levanta imensos paredões de distorção, como ainda dissolve uma sequência de guitarras melódicas no melhor estilo Pavement. Dinosaur Jr e Sonic Youth são outros que “aparecem” nos instantes finais da canção, uma espécie de resumo (in)voltuntário de toda a cena alternativa no começo da década de 1990.

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Yuck – Hold Me Closer

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Helen: “Motorcycle”

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Com o lançamento e boa recepção de Ruins (2014), Liz Harris acabou alcançando uma nova massa de ouvinte, foi descoberta por boa parte da imprensa e ainda estabeleceu nas melodias delicadas do trabalho uma espécie de ápice criativo dentro da própria carreira. E agora, qual sonoridade, tema ou conceito seguir? A resposta está novo novo projeto da artista, Helen, um coletivo de Dream Pop completo com Jed Bindeman (bateria) e Scott Simmons (guitarras, baixo).

Fuga das ambientações caseiras testadas pela artista até poucos meses, a nova banda sustenta na enérgica e recém-lançada Morotcycle um resumo natural da série de canções que vão abastecer The Original Faces (2015), primeiro registro oficial da banda. Um jogo sujo de vozes, guitarras e batidas velozes, como um indicativo de que por ora, o som etéreo projetado por Harris será conceitualmente abafado.

The Original Faces (2015) será lançado no dia 04/09 pelo selo Kranky.

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Helen – Motorciycle

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Blood Orange: “Do You See My Skin Through The Flames?”

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Mais do que uma busca por novas sonoridades, com o lançamento de Cupid Deluxe, em 2013, Dev Hynes passou a brincar com os próprios limites como compositor. Não por acaso toda a sequência de faixas apresentadas pelo artista – em carreira solo ou de forma colaborativa – revelaram um artista ainda mais complexo e curioso, postura nitidamente reforçada com a entrega de Do You See My Skin Through The Flames?, mais novo trabalho de Hynes pelo Blood Orange.

Com quase 11 minutos de duração, a faixa que passeia pelo Jazz, Soul, Pop dos anos 1980 e até mensagens de telefone revelam o lado político do músico. São monólogos sombrios, discussões sobre racismo, a crescente onda de atentados contra negros nos Estados Unidos, além, claro, da origem do próprio nome do projeto Blood Orange.
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Blood Orange – Do You See My Skin Through The Flames?

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