Parceiros de longa data, Ariel Pink e Natalie Mering, artista responsável pelo Weyes Blood, estão de volta com um novo projeto de estúdio. Colaboradores desde o último álbum do Ariel Pink’s Haunted Graffiti, Mature Themes (2012), obra que contou com a voz de Mering em diversas composições, o casal se reencontra agora dentro do experimental Myths 002 (2017), um registro de quatro faixas que integra a série de obras colaborativas produzidas pelo selo Mexican Summer.

Assim como na primeira edição do projeto, obra que apresentou a parceria entre os músicos Dev Heynes (Blood Orange) e Connan Mockasin, o novo registro nasce como um curioso exercício criativo. Em Tears O Fire, primeiro exemplar do encontro entre Pink e Mering, melodias, arranjos e vozes que dialogam com a essência dos dois artistas. Um perfeito encontro entre os inventos lançados do músico californiano no álbum pom pom (2014) como nas canções do recente álbum do Weyes Blood, Front Row Seat to Earth (2016).

Myths 002 EP (2017) será lançado no dia 27/01 via Mexican Summer.

 

Ariel Pink & Weyes Blood – Tears On Fire

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Ao lado da parceira de banda Harmony Tividad, Cleo Tucker deu vida a um dos registros mais preciosos do rock alternativo de 2015. Em Before the World Was Big, álbum de estreia do Girpool, arranjos tímidos de guitarra servem de base para os versos sempre intimistas da dupla. Canções marcadas por relacionamentos fracassados, conflitos típicos de um jovem adulto e até pequenas confissões românticas, estímulo para grande parte do trabalho.

Em carreira solo, Tucker mantém firme a mesma proposta, porém, de forma ainda mais intimista. Um bom exemplo disso está na inédita Minute In Your Mind. Mais recente invento em carreira solo, a composição ancorada em memórias recentes da própria artista mantém firme a estética lo-fi dos antigos trabalhos de Tucker, caso de Looking Pretty At The Wall e Call It Tie. Um ato curto, mas não menos delicado e sensível.

 

Cleo Tucker – Minute In Your Mind

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Reverenciar o passado deu a Will Toledo a possibilidade de produzir um clássico recente do rock norte-americano. Em Teens of Denial – 14º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2016 –, o guitarrista e líder do Car Seat headrest faz de cada composição presente no registro um diálogo nostálgico com a música produzida por diferentes artistas da década de 1990. Um som empoeirado que se repete em New Religion, canção inédita do Gold Connections, mas que leva a assinatura de Toledo.

Comandada por Will Marsh, parceiro de longa data do músico, a banda anuncia para o mês de março a chegada do primeiro EP pelo selo Fat Possum Records. Em New Religion, canção escolhida para apresentar o trabalho, Marsh e Toledo finalizam uma composição sensível e crescente, produzida a partir da lenta sobreposição de guitarras, vozes e distorções semi-psicodélicas. Um bom aperitivo enquanto o Car Seat Headrest não aparece com um novo álbum de inéditas.

 

Gold Connections – New Religion

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A atmosfera acolhedora criada por Liz Harris em Ruins – 7º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2014 –, continua se espalhando delicadamente, sem pressa. Dois anos após o lançamento do bem-sucedido registro, a cantora e produtora norte-americana está de volta com um novo material. Trata-se da dobradinha Headache e I’m Clean Now, uma lenta sobreposição de vozes e guitarras ambientais que evidenciam o completo detalhismo da musicista.

Enquanto Headache cresce de forma hipnótica, sugando o ouvinte para dentro dela, em I’m Clean Now, Harris entrega uma canção que parece esfarelar nos ouvidos. Entre guitarras dedilhadas de forma tímida, uma manta ruidosa, sutil, parece cobrir os versos lançados pela cantora. Para divulgar o material, Grouper foi em busca do diretor Paul Clipson, responsável pelas imagens bucólicas que movimentam de forma sutil o clipe de Headache.

 

Grouper – Headache

Grouper – I’m Clean Now

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Romântico, cafona, sensível. Em Beijos (2016, Pug Records), primeiro álbum de inéditas em três anos, o cantor e compositor mineiro Filipe Alvim faz de cada composição ao longo do registro um fragmento marcado pela confissão. Entre sussurros melancólicos (“Você pensa que está bom / Mas podia estar melhor”) e versos essencialmente intimistas (“Você tem / O poder / Sobre mim”), a construção de um trabalho que parece feito para grudar na cabeça do ouvinte.

Inaugurado pelos dramas e versos atormentados de Vida Sem Sentido, faixa de abertura do disco, o sucessor de Zero EP (2013) mais uma vez posiciona Alvim como personagem central de uma obra marcada pela desilusão. Enquanto os arranjos de guitarra se desmancham lentamente, revelando um som empoeirado, íntimo dos trabalhos de Mac DeMarco e outros românticos do rock atual, uma solução de versos amargos aponta a direção seguida em grande parte do trabalho. Leia o texto completo.

Com produção de Lauro Müller, Super Suco é o mais novo (e divertido) clipe do cantor e compositor mineiro Filipe Alvim. A canção faz parte do primeiro álbum “de estúdio” do músico, o romântico Beijos – 40º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2016.

Filipe Alvim – Super Suco

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Sob o título de The Microphones, o cantor e compositor Phil Elvrum, hoje responsável pelo Mount Eerie, deu vida a um vasto imenso de obras caseiras. Trabalhos como os clássicos It Was Hot, We Stayed in the Water (2000) e The Glow Pt. 2 (2001), registros significativos para o amadurecimento da cena independente dos Estados Unidos e, ao mesmo tempo, a principal inspiração para o trabalho de uma variedade de bandas e projetos posteriores.

Para a alegria do público, Elvrum decidiu vasculhar o próprio arquivo, resgatando uma série de faixas inéditas que devem abastecer o “novo” álbum do The Microfones: Early Tapes, 1996 – 1998 (2016). Trata-se de uma coletânea com 16 registros caseiros. São composições de pouquíssimos segundos, até faixas um pouco mais extensas e finalizadas, caso da recém-lançada Compressor, um registro caseiro do músico e seus parceiros de banda dentro de um estúdio caseiro.

 

The Microphones – Compressor

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Artista: Filipe Alvim
Gênero: Indie, Lo-Fi, Alternativo
Acesse: https://filipealvim.bandcamp.com/

Foto: Tamires Orlando

Romântico, cafona, sensível. Em Beijos (2016, Pug Records), primeiro álbum de inéditas em três anos, o cantor e compositor mineiro Filipe Alvim faz de cada composição ao longo do registro um fragmento marcado pela confissão. Entre sussurros melancólicos (“Você pensa que está bom / Mas podia estar melhor”) e versos essencialmente intimistas (“Você tem / O poder / Sobre mim”), a construção de um trabalho que parece feito para grudar na cabeça do ouvinte.

Inaugurado pelos dramas e versos atormentados de Vida Sem Sentido, faixa de abertura do disco, o sucessor de Zero EP (2013) mais uma vez posiciona Alvim como personagem central de uma obra marcada pela desilusão. Enquanto os arranjos de guitarra se desmancham lentamente, revelando um som empoeirado, íntimo dos trabalhos de Mac DeMarco e outros românticos do rock atual, uma solução de versos amargos aponta a direção seguida em grande parte do trabalho.

Dividido entre músicas rápidas e versos arrastados, sempre dolorosos, Alvim joga com os sentimentos – dele e do próprio ouvinte. São versos curtos, sequências de duas ou três palavras, como se o cantor brincasse com o significado oculto em cada uma das canções. Declarações de amor, medos e delírios que se entrelaçam em meio ao movimento rápido das guitarras, tão íntimas do pop rock dos anos 1980, quanto de novatos como Connan Mockasin e Séculos Apaixonados.

Ela é poderosa / Me fascina / Ela é poderosa / Me deixa ficar”, desaba em Poderosa, música que flutua entre a submissão e a libertação do eu lírico. Em Jaula, sexta faixa do disco, retalhos poéticos e pequenas indecisões – “Não perde / Não volta / Não cola / Amassa / Abafa / Sufoca”. Na rápida Cama Redonda, uma letra que se divide entre o tédio (“Nesse bode de hoje eu fiquei”) e a melancolia (“Perdi o gosto das coisas”). Diferentes conflitos de um mesmo personagem.

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Prolífico, Ty Segall já começou a preparar o terreno para um novo álbum de inéditas (capa acima). Sucessor do mediano Emotional Mugger (2016), trabalho entregue ao público em janeiro deste ano, o novo trabalho de estúdio do músico californiano parece seguir a trilha psicodélica que o músico vem percorrendo nos últimos álbuns. São dez composições inéditas, entre elas, a recém-lançada Orange Color Queen, primeiro single do novo trabalho.

Montada a partir de arranjos acústicos e vozes brandas, a melancólica composição de apenas três minutos mostra Segall fora da própria zona de conforto. Difícil não lembrar do som produzido pelos conterrâneos do Foxygen no ótimo We Are the 21st Century Ambassadors of Peace & Magic (2013) e até mesmo de alguns dos trabalhos lançados pelos Beatles no começo da década de 1960, efeito do coro de vozes e versos duplicados ao longo da faixa.

Ty Segall (2016) será lançado no dia 27/01 via Drag City

 

Ty Segall – Orange Color Queen

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Filipe Alvim passou os últimos meses preparando o terreno para a chegada do primeiro registro de inéditas da carreira, o romântico Beijos (2016). Entre faixas de essência melancólica, como Vida Sem Sentido Poderosaalém de músicas levemente ensolaradas, caso de Miragem, a lenta construção de uma obra marcada pela utilização de versos e melodias sempre intimistas, percpção reforçada dentro das oito canções que abastecem a estreia do cantor e compositor mineiro.

Além das três músicas apresentadas por Alvim nos últimos meses, Beijos reserva ao público um pequeno catálogo de faixas movidas pela poesia descomplicada do músico. Composições que mergulham em temas existenciais (“O erro pode ser o acerto / De quem procura se encontrar“) e pequenos tormentos melancólicos (“Nessa cama redonda eu bodei / Eu não sei O que será de mim“). Com distribuição pelo selo Pug Records, o trabalho pode ser apreciado e baixado gratuitamente pelo Bandcamp do artista.

 

Filipe Alvim – Beijos

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Filipe Alvim parece jogar com os próprios sentimentos. A cada nova composição que antecipa o aguardado Beijos (2016), primeiro álbum do cantor e obra que conta com lançamento pelo selo Pug Records, versos e melodias que flutuam entre temas existencialistas, tormentos e confissões românticas. Conceito reforçado durante o lançamento de Vida Sem Sentido e Poderosa, porém, encarado com leveza e certa dose de libertação em Miragem, mais recente criação do músico mineiro.

Consumida pelo uso de ruídos eletrônicos e guitarras crescentes, a nova composição talvez seja o registro mais acessível, pop, de todo o pequeno acervo de Alvim. Um jogo de guitarras e vozes ensolaradas, como um alicerce para a letra da canção – “O que eu preciso é de uma estrada quente / Pra quem sabe que correr é / Tanto faz se eu não parar / Tanto faz“. Para ouvir outras músicas ou saber um pouco mais sobre o trabalho do cantor basta uma visita ao bandcamp ou database.

Beijos (2016) será lançado no dia 08/11 via Pug Records.

 

Filipe Alvim – Miragem

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