Tag Archives: Lo-Fi

TOPS: “Way to be Loved”

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Se você é um daqueles apaixonados pela reciclagem de ritmos da década de 1980, então o trabalho da TOPS é mais do que obrigatório. Um dos projetos mais interessantes da presente cena californiana, a banda de Montreal reserva para o dia dois de setembro a chegada de mais um novo registro de estúdio. Lançado pelo selo Arbutus Records, Picture You Staring teve as portas abertas com o lançamento de Way to be Loved, novo single da banda.

Perfumado pela música lançada há três décadas, a composição sujinha percorre a trilha dos últimos inventos do grupo – desde o começo de carreira focado na mesma sonoridade. Recomendada para quem já acompanha o trabalho de Sean Nicholas Savage, Ariel Pink e outros artistas do gênero, Way to be Loved conduz o ouvinte por quatro minutos de guitarras brandas, batidas comportadas e a voz doce de Jane Penny, vocalista do quarteto.

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TOPS – Way to be Loved

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Disco: “Vigília”, Terno Rei

Terno Rei
Dream Pop/Lo-Fi/Experimental
https://soundcloud.com/ternorei/

Por: Cleber Facchi
Fotos: Fabio Ayrosa

Vigília
s.f. Privação (voluntária ou involuntária) do sono durante a noite: longas noites de vigília prejudicam a saúde. / Estado de quem se conserva desperto durante a noite. / Véspera de dia festivo.

É preciso tempo até ser inteiramente seduzido pelo ambiente instável que a paulistana Terno Rei sustenta em Vigília (2014, Balaclava). E não é por menos. Do momento em que lisérgica Manga Rosa abre o registro, até a chegada de Saudade, composição escolhida para o encerramento da obra, cada faixa, voz, ritmo e sentimento expresso pelo quinteto – Bruno Rodrigues (Guitarra), Gregui Vinha (Guitarra), Luis Cardoso (Bateria), Victor Souza (Percussão) e Ale (Voz e Baixo) -, ecoa estranheza.

Como um labirinto instável que movimenta lentamente suas paredes, o trabalho de 10 faixas arrasta com o ouvinte para um universo de brandas, porém, constantes inquietações. Os vocais chegam como suspiros, as guitarras borbulham pequenos ruídos, deixando aos versos um flutuar proposital entre o nonsense e o sorumbático. Não seria errado deduzir que tudo o que os integrantes da banda procuram é o isolamento em relação ao público médio, efeito das maquinações preguiçosas (ainda que complexas) que sussurram a ordem do disco.

Todavia, longe de afastar o publico, Vigília aos poucos seduz e se apodera com cuidado a mente do espectador. Salvo o dinamismo (controlado) de faixas como Passagem, cada música do álbum cresce sob precisa timidez, como se estivesse prestes a se desfazer nos fones de ouvido. Mesmo que o caráter “Lo-Fi” da obra pareça bloquear tal aspecto, todas as composições do disco sobrevivem em essência do detalhe, acomodando acordes atmosféricos – típicos do Pós-Rock – com uma precisão rara dentro de outras obras recentes da cena nacional.

Regressar uma dezena de vezes ao território delicado do álbum é uma imposição que parte da banda, mas que merece ser seguida por qualquer espectador. Embaixo dos escombros sujos que as guitarras de Bruno Rodrigues e Gregui Vinha deixam pelo disco, há sempre um componente novo a ser filtrado. É o trompete que cria contraste em Salto da pedra da Gavea, a base doce que passeia ao fundo de Ela – no melhor estilo The Pastels – e até as vozes duplicadas de O Fogo Queimaria. Vigília. Livre de qualquer urgência natural, é uma obra que se entrega ao público, pronta para ser desvendada. Continue reading

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Foxes in Fiction: “Shadow’s Song” (Ft. Owen Pallett)

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Enquanto In Conflict (2014) revela ao público todo o cuidado de Owen Pallett na formação um registro límpido e coeso, ao lado do grupo canadense Foxes in Fiction o trabalho do músico é encarado de forma diferente. Convidado a tocar violino em grande parte do novo disco da banda de Ontário, Ontario Gothic (2014), Pallett deixa as ambientações tradicionais para mergulhar em um cenário novo, caseiro e a ser desvendado lentamente.

Previsto para o dia 23 de setembro, o novo álbum entrega na recém-lançada Shadow’s Song uma boa mostra de sua formação. Trata-se de uma homenagem do vocalista/líder Warren Hildebrand ao próprio irmão, morto em 2008. Sustentada por efeitos letárgicos, além, claro, dos violinos de Pallett, a canção ecoa referências que vão do Deerhunter em Halcyon Digest, ao último disco do Tame Impala, Lonerism (2012).

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Foxes in Fiction – Shadow’s Song (Ft. Owen Pallett)

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Spoon: “Do You”

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Melodias acessíveis, arranjos previsíveis e a tradicional gravação caseira. Passados 20 anos desde a estreia, o Spoon continua a promover o mesmo tipo de som simples, mas não menos convincente do que o responsável por apresentar o grupo nos anos 1990. Como Rent I Pay identificou com naturalidade há poucas semanas, a proposta em torno de They Want My Soul (2014), oitavo registro em estúdio da banda norte-americana, ainda é a mesma dos primeiros inventos – o que está muito longe de parecer um erro.

Com o novo álbum previsto para estrear no dia cinco de agosto, é hora de conhecer e ser surpreendido por mais um novo lançamento do grupo: Do You. Tão simples quanto a faixa que a antecede, a nova criação faz valer o lado melódico do Spoon, resgatando uma série de elementos antes testados no ótimo Ga Ga Ga Ga Ga, de 2007. Exatos três minutos e 33 segundos capazes de resumir toda a produção do grupo nas últimas duas décadas e ainda assim preparar o terreno para o novo álbum – um dos mais esperados dos próximos meses.

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Spoon – Do You

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Duplodeck: “Brisa”

Duplodeck

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Quando a banda mineira Duplodeck lançou o primeiro EP, há três anos, os versos em inglês e as guitarras carinhosamente sujas apenas reforçavam o fascínio do grupo pelo rock alternativo exposto no começo dos anos 1990.  Do Pavement no clássico Slanted And Enchanted (1992) ao Yo La Tengo no doce Painful (1993), cada instante do registro de curtas faixas olha com atenção para o passado, proposta que está longe de ser apagada em Brisa, mais novo single da banda de Juiz de Fora e a passagem para o primeiro álbum de estúdio, Verões (2010).

Curiosa e assertivamente cantada em português, a faixa usa da coerente mudança de idioma como uma ferramenta prática para (re)apresentar o trabalho do grupo. Com mais de cinco minutos de duração – e quase dois deles destinados à ótima abertura da música -, Brisa lentamente deixa a relação com a obra de outros artistas estrangeiros para ecoar a autenticidade do grupo. Versos que se equilibram em meio aos ruídos crescentes, ainda que acolhedores, de toda a faixa. Com lançamento pelo selo Pug Records, o disco (completo) deve aparecer pelos próximos meses. Abaixo a canção e o primeiro EP do grupo para quem ainda desconhece a Duplodeck.

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Duplodeck – Brisa

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Duplodeck – Duplodeck EP

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Disco: “Ultraviolence”, Lana Del Rey

Lana Del Rey
Alternative/Dream Pop/Female Vocalists
http://lanadelrey.com/

Por: Cleber Facchi

Lana Del Rey

Ultraviolence é o disco que Lana Del Rey deveria ter lançado há dois anos. Livre dos exageros testados no cênico Born To Die, de 2012, o presente álbum cresce como uma natural extensão dos sons letárgicos entregues em Video Games e Blue Jeans – faixas responsáveis por apresentar oficialmente o trabalho da cantora. Grandioso em essência, mas acolhedor em relação aos arranjos que o definem, o segundo álbum solo da jovem nova-iorquina é uma obra de reposicionamento. Uma evidente tentativa em ocupar espaço a partir de uma estrutura que busca ser “pop” e “alternativa” na mesma medida.

Livre das fragmentadas transições eletrônicas que ocuparam grande parte do álbum passado, Ultraviolence equilibra as (novas) canções dentro de um mesmo ambiente musical. Cercada por um versátil time de letristas e produtores – caso de Rick Nowels (Lykke Li, Madonna) e Paul Epworth (Adele, Azealia Banks) -, Del Rey encontra na direção segura de Dan Auerbach, principal produtor do disco, a “ferramenta” que faltava para o acerto de Born To Die. Com mão firme, o também vocalista do The Black Keys evita que o disco mergulhe nos exageros do antecessor, entregando uma obra homogênea da inaugural Cruel World, ao fechamento com The Other Woman.

Com o abandono de temas pré-fabricados – como a estranha aproximação entre Hip-Hop e a “América dos anos 1950″ -, Del Rey e Auerbach orquestram o disco dentro de um único gênero/limite: o Dream Pop. Amortecida por violinos, guitarras arrastadas e a voz maquiada por efeitos, a cantora flutua no mesmo ambiente lançado há três décadas por nomes como Galaxie 500, Cocteau Twins e, principalmente, Mazzy Star. Observado atentamente, muitos dos conceitos que ocupam Ultraviolence surgem como uma sequência do clássico So Tonight That I Might See (1993). Todavia, a habilidade de Auerbach evita o plágio, transformando o novo disco em uma obra no mínimo “referencial”.

Parte do acerto e parcial ineditismo do álbum vem da aproximação de Lana com a psicodelia lançada nos anos 1970. Fruto (mais uma vez) da presença de Auerbach e seu recente Turn Blue (2014), o gênero revela uma série de possibilidades para a cantora, que cresce (de maneira incontestável) em músicas como Shades Of Cool e Cruel World. Como um duelo controlado, as duas faixas equilibram vozes e guitarras em um mesmo ambiente hipnótico, concedendo à cantora uma liberdade antes limitada em músicas essencialmente sintéticas como Off to the Races e Summertime Sadness. Desde o single Blue Jeans, Del Rey não parecia tão segura quanto agora, dona de um ambiente quase particular. Continue reading

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Honeyblood: “Super Rat”

Honeyblood

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Honeyblood é uma banda comandada por Stina Tweeddale (guitarra e voz) e Shona McVicar (Bateria) e que está longe de produzir um som essencialmente doce como o título do projeto revela. Depois da ótima Kissing On Youque comentamos ainda em 2013 -, é hora de se preparar para o primeiro trabalho de estúdio da dupla. Autointitulado e previsto para o dia 15 de julho pelo selo FatCat, o álbum encontra na recém-lançada Super Rat uma boa síntese de tudo o que caracteriza o trabalho das garotas.

Lembrando uma versão (muito) mais suja de grupos como Best Coast e Dum Dum Girls, a faixa (e a banda) vão do Garage Rock ao Shoegeze sem necessariamente perder o tempero pop. Com a nova música o duo não apenas aprimora a própria fórmula como aumenta substancialmente a expectativa para o aguardado debut. Sem dúvidas uma das boas novidades reservadas para 2014.

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Honeyblood – Super Rat

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Summer Camp: “Beyond Clueless”

Summer Camp

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O segundo registro em estúdio de Jeremy Warmsley e Elizabeth Sankey ainda nem esfriou e a dupla responsável pelo Summer Camp já está com um novo trabalho engatilhado. Convidado a assumir a trilha sonora do documentário Beyond Clueless – uma análise sobre os filmes adolescentes de diferentes épocas -, o duo orienta musicalmente toda a condução da obra, que tem nos versos e arranjos da própria faixa-título o primeiro exemplar desse projeto paralelo do casal.

Parcialmente distante do clima encontrado no último disco da banda, a canção deixa de lado a relação com a década de 1970 para encarnar (novamente) o pop Lo-Fi dos anos 1980. Lembrando e muito a sonoridade do debut da banda, Welcome To Condale (2011), a canção não poupa em arranjos dinâmicos e a voz sempre presente de Sankey, principal ingrediente de todo o trabalho.

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Summer Camp – Beyond Clueless

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Cozinhando Discografias: Pavement

Por: Cleber Facchi

Pavement

A seção Cozinhando Discografias consiste basicamente em falar de todos os álbuns de um artista, ignorando a ordem cronológica dos lançamentos. E qual o critério usado então? A resposta é simples, mas o método não: a qualidade. Dentro desse parâmetro temos uma série de fatores determinantes envolvidos, que vão da recepção crítica do disco no mercado fonográfico, além, claro, dentro da própria trajetória do grupo e seus anteriores projetos. Vale ressaltar que além da equipe do Miojo Indie, outros blogs parceiros foram convidados para suas específicas opiniões sobre cada um dos trabalhos, tornando o resultado da lista muito mais democrático e pontual.

Formado ao final dos anos 1980 e atuante até o fim da década seguinte, o grupo californiano Pavement talvez seja a melhor representação do rock (alternativo) nos anos 1990. Adepta de gravações caseiras, arranjos sujos e versos marcados pela subjetividade, a banda comandada por Stephen Malkmus e Scott Kannberg fez da curta produção de cinco discos, o princípio para uma das discografias mais apreciadas e influentes do período. Da estreia com Slanted and Enchanted (1992), até o derradeiro Terror Twilight (1999), colocamos toda obra do grupo em ordem, do pior para o melhor disco em mais uma edição do nosso especial. Continue reading

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Lana Del Rey: “Ultraviolence”

Lana del Rey

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Depois de duas canções de fato interessantes lançadas nas últimas semanas – West Coast e a ótima Shades Of Cool -, é hora de conhecer a faixa-título do segundo álbum solo de Lana Del Rey: Ultraviolence. Na trilha das faixas que a antecedem, porém, capaz de regressar pontualmente aos exageros estados no debut Born To Die (2012), a nova música acomoda batidas, guitarras e vocais em um cenário de pura instabilidade, íntimo da sonoridade habitual da cantora.

Colisão intencional de ideias, a faixa parece resumir parte do que orienta o novo disco – uma verdadeira salada de (novas) referências. Obviamente inspirada no livro/filme Laranja Mecânica, a canção usa da relação entre o amor e a dor física como um princípio para os versos, acompanhados por um pequeno monólogo na segunda metade. Com produção assinada parcialmente por Dan Auerbach (The Black Keys), Ultraviolence estreia oficialmente no dia 13 de junho.

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Lana Del Rey – Ultraviolence

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