Artista: Luneta Mágica
Gênero: Psicodélico, Indie Pop, Alternativo
Acesse: https://lunetamagica.bandcamp.com/

 

Com o lançamento de No Meu Peito, em maio em 2015, os integrantes da banda amazonense Luneta Mágica encontraram um claro ponto de equilíbrio. De um lado, a psicodelia nostálgica inspirada pelo trabalho de veteranos como The Beach Boys e The Beatles, no outro oposto, a busca por um material essencialmente acessível, como um precioso diálogo com a música produzida por artistas como Skank, Los Hermanos e outros representantes de peso do pop-rock nacional.

Interessante perceber em NMP (2017, Independente), coleção de remixes e músicas adaptadas do trabalho entregue há dois anos, uma lenta desconstrução de todo esse som particular, pop, assumido pela banda. Ruídos eletrônicos, vozes ecoadas, efeitos e distorções que delicadamente conduzem o ouvinte para dentro do mesmo ambiente conceitual explorado no experimental Amanhã Vai Ser o Melhor Dia da Sua Vida (2012), álbum de estreia do grupo de Manaus.

Para a produção do disco, a banda – hoje formada por Pablo Araújo, Erick Omena, Eron Oliveira e Daniel Freire –, decidiu se cercar de amigos e demais representantes da presente safra do rock brasileira. No time de convidados, nomes como Benke Ferraz (Boogarins), Bonifrate (ex-Supercordas), Bike, os conterrâneos da Supercolisor e o músico carioca Jonas Sá. Nas mãos de cada artista, a possibilidade de desmontar e brincar com faixas como Tua Presença, Mantra, Rita e Acima Das Nuvens.

Sem ordem aparente, NMP faz de cada composição um ato isolado, curioso. Logo na abertura do disco, a introdutória No Meu Peito se converte em uma típica canção do Supercordas, esbarrando na mesma experimentação testada em Teceira Terra (2015), último álbum de estúdio da banda carioca. O mesmo som delirante se repete na construção de Preciso, 11ª faixa do disco e uma cósmica adaptação produzida pela banda paulista Bike.

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. Ângulos de câmera ousados, coreografias, imagens filmadas de trás para frente e até de cabeça para baixo. Para a montagem do primeiro videoclipe da carreira, a banda amazonense Luneta Mágica não poupou esforços. Em Lulu, composição escolhida para apresentar o melódico No Meu Peito (2015), segundo registro de inéditas do grupo original da cidade de Manaus, banda e diretor trabalharam em parceira durante quase oito meses, resultado explícito em cada passo de dança ou virada de câmera que passeia pelo centro da capital amazonense. De versos…Continue Reading “Luneta Mágica: “Lulu” (VÍDEO)”

Chegamos ao meio de 2015 e o catálogo de grandes lançamentos musicais só aumenta. Seja em território nacional – Mahmed, Gal Costa, Siba, Cidadão Instigado – ou pela Europa – Björk, Jamie XX – e Estados Unidos – Kendrick Lamar, Sufjan Stevens, Tobias Jesso Jr. -, o que não falta são registros de peso e obras influentes que abasteceram os últimos meses. Seguindo a tradição, é hora de conhecer nossa lista com os 25 melhores discos da metade do ano. Trabalhos que passeiam pela música experimental, eletrônica, pop, rock e Hip-Hop, sempre apontando a direção para a lista definitiva, tradicionalmente publicada no mês de dezembro. Passou os últimos meses desligado da música? Aproveite a lista e veja o que você deixou passar.

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Luneta Mágica
Indie/Alternative/Indie Pop
https://www.facebook.com/bandalunetamagica

“Experimental”, “Alternativo”, “Eletrônico”, “Indie” e “Folk”. Esses são alguns dos rótulos escolhidos pelos integrantes da Luneta Mágica para definir a sonoridade produzida pela banda. Curioso perceber no segundo registro de inéditas do coletivo amazonense, No Meu Peito (2015, Invern Records), uma obra esquiva de toda essa pluralidade “restritiva” de conceitos. Como uma fuga de possíveis experimentos e bloqueios estéticos lançados no inicial Amanhã vai ser o melhor dia da sua vida (2012), um caminho marcado pela leveza orienta de forma positiva os passos e referências do hoje renovado quarteto de Manaus.

Por vezes íntimo do pop “clássico”, o novo trabalho de Erick Omena, Pablo Araújo, Eron Oliveira, Isaac Guerreiro e Jefferson Santos borbulha em meio a bases melódicas, vocais tratados de forma polida e versos que se espalham descomplicados, ocupando sem esforços a mente do ouvinte. Em um explícito exercício de maturidade, toda a soma de argumentos complexos lançados no álbum de 2012 é logo derrubada na primeira composição, resultando em uma corredeira de emanações acolhedoras, acessíveis aos mais variados públicos. Beatles e The Beach Boys surgem de forma quase instintiva, como pilares, entretanto, é na formação de som próprio da Luneta Mágica que reside o grande acerto da obra.

Inaugurado pela timidez da reclusa faixa-título, No Meu Peito logo explode em cores, acordes e vozes marcadas pela euforia. Basta um passeio pela efetiva trinca de abertura da obra – Lulu, Acima das Nuvens e Mônica – para imediatamente cair na arapuca melódica que o quarteto reforça até o último ato do trabalho. Canções capazes de resgatar o hoje esquecido conceito de “música radiofônica”, preferência que involuntariamente mergulha no mesmo ambiente acessível de gigantes como Skank – em Maquinarama (2000) e (2001) Cosmotron (2003) – e Los Hermanos – Ventura (2003) -, mas sem necessariamente interferir na construção de uma sonoridade autoral.

Rico catálogo de hits, mesmo abastecida pelo pop e melodias radiantes, No Meu Peito é uma obra que assume dois caminhos distintos. Na primeira metade do registro, uma coleção de versos sentimentais e arranjos ensolarados, como um diálogo leve da banda com toda uma nova frente de ouvintes. A partir de Preciso, sexta composição da obra, um completo deslocamento desse mesmo propósito. A julgar pelo uso de vocais e bases “sujas”, uma extensão simplificada do arsenal temático lançado no disco anterior. Conceitos que mergulham na psicodelia (Mantra), remontam velhas bases eletrônicas (Sem Perceber) e, pela primeira vez, refletem de forma provocativa o rótulo de obra “experimental” que a banda defende.

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. No último ano, quando Malbec e Luneta Mágica puseram o rock amazonense em alta novamente, era apenas a premissa para que a veterana Mezatrio preparasse um possível retorno. Responsável por um dos registros mais instigantes do rock nacional da década passada, a banda sempre se apresentou como uma resposta criativa ao mar de projetos copiosos que insistiam em resgatar redundantemente a essência do Los Hermanos. Com um novo trabalho a caminho, o coletivo amazonense faz da melancólica Qualquer Um as bases para o que…Continue Reading “Mezatrio: “Qualquer Um””

Malbec
Brazilian/Indie Rock/Alternative
http://www.malbec.mus.br/

Por: Cleber Facchi

Malbec

Por mais experimental que seja uma obra, bastam os minutos iniciais da canção de abertura para estabelecer uma base e prever boa parte do que será encontrado no restante do álbum. Este não é o caso da banda amazonense Malbec. Apostando em rumos contraditórios, experimentos que brincam com o indie rock convencional e toda uma gama de percursos que corrompem a lógica, a banda de Manaus, Amazonas faz de Paranormal Songs (2012, Independente) um ponto distinto dentro do que ecoa no recente cenário musical. Seguindo os passos da conterrânea Luneta Mágica, o quinteto se apodera de formas instrumentais nunca fáceis, brincando com os rumos do disco e com compreensão do próprio ouvinte.

Com a produção caprichada de Ian Fonseca, que ainda assume os vocais, teclados e boa parte da instrumentação da obra, o disco cresce e soa atrativo aos ouvidos, muito em virtude da participação ativa de Victor Rice e Joe Lambert (que já trabalhou com Animal Collective), respectivamente encarregados da mixagem e masterização do álbum. Mais do que isso, vê-se no esforço individual de cada membro da banda – também composta por Zé Cardoso (guitarra e nos vocais), Silvio Romano (baixo e guitarra), Leo Garcia (guitarra) e Natan Fonseca (bateria e percussão) – a necessidade de fugir do básico, trabalhando cada instrumento de maneira única e individual.

Paranormal Songs é sem sombra de dúvida um aglutinado de ideias divergentes, talvez por isso seja tão difícil se situar com o passar da obra. Se a inicial (e excelente) Memórias do Subsolo pende de forma inevitável ao rock alternativo dos anos 1990, lembrando em alguma medida o pós-hardcore de bandas como The Dismemberment Plan, Relógio da Torre rompe de vez com a proposta, caindo em referências típicas do Los Hermanos do Bloco do Eu Sozinho (2001). Surgem ainda rápidas passagens pelo ska (Uptown), encaixes sombrios do Radiohead da fase OK Computer na faixa-título e até percursos de pura associação com a música pop, como bem se manifesta no decorrer da música Consaguíneo – faixa que explora as vozes de forma cuidadosa e inventiva.

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[youtube http://www.youtube.com/watch?v=w9ax2P-7Yck]

Contudo, ainda que rara a capacidade e a coragem da banda em se aventurar por percursos ilógicos e predisposições sempre renovadas, o excesso de rumos assumidos ao longo do álbum torna (por diversos momentos) cansativa a absorção do trabalho. Mesmo dotado de criativos enquadramentos não lineares e preferências que passam longe dos erros convencionais de bandas do gênero, fica parecendo que temos em mãos não uma, mas diversas bandas, todas concentradas em uma única coletânea. Dessa forma, apegar-se ao trabalho do quinteto é um exercício para poucos, visto que não sabemos exatamente qual é de fato a real face da banda: o ícone do rock alternativo, os herdeiros de Marcelo Camelo ou os discípulos de Thom Yorke.

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Luneta Mágica
Brazilian/Indie/Dream Pop
http://lunetamagica.bandcamp.com/

Por: Cleber Facchi

Simplício é um personagem curioso que sofre de dois tipos de miopia: a física e a moral. Depois de ser presenteado por um mágico com dois tipos diferentes de lentes – uma que o faz enxergar a maldade e outra apenas o lado bom das pessoas -, o pobre indivíduo resolve tomar uma decisão, incorporando um meio termo entre os dois objetos que o fazem ver e entender a real face do ser humano. Dentro desse universo mágico e fantasioso criado pelo escritor Joaquim Manuel de Macedo no livro A Luneta Mágico (1859) nasce o trabalho do homônimo trio manauense. Flutuando dentro de um cenário de ruídos, sons experimentais e realces sonoros que brincam com a imaginação, o grupo vai além dos sons regionais que parecem habitar a cultura amazonense, promovendo um trabalho rico em experiências que se relacionam abertamente com o que há de mais belo na música estrangeira.

Não é preciso ir além da primeira faixa de Amanhã vai ser o melhor dia da sua vida (2012, Independente) para entender como se estruturam e se expandem as raízes do trio nortista. Sublime, Astronauta manifesta as mesmas exigências experimentais e líricas que flutuam pela obra de grandes nomes do panorama norte-americano recente. Da nuvem de ruídos místicos que banham a obra do Beach House aos realces acolhedores da música folk que se estabelecem no trabalho de Sufjan Stevens, cada pequena manifestação no decorrer da doce faixa pende inevitavelmente para o que existe de mais grandioso na presente safra da música estadunidense. Contudo, longe de plágios e referências exageradamente similares, o grupo encontra nessa multiplicidade de experiências um tratado de acabamento próprio.

Sem qualquer tipo de relação com o clima tropical que define grande parte dos trabalhos brasileiros atuais – vide a expansão das cenas carioca e paraense -, a banda formada por Pablo Araújo, Chico Só e Diego Souza parece inclinada a construir um percurso místico e desvendado apenas por eles. Não poupando no uso de sintetizadores, batidas eletrônicas arquitetadas de forma não convencional e guitarras temperadas por uma carga extra de distorção, a banda cria as bases para produções sempre acompanhadas por versos melancólicos e nostálgicos. Dos anseios particulares que habitam Largo São Sebastião à necessidade de superação que reside nos versos de Embarcação, tudo soa como uma versão ruidosa e menos óbvia do que habita o trabalho de Cícero ou outros recentes nomes que parecem emoldurar a dor de forma quase apaixonada.

Lembrando por vezes uma versão mais abrasileirada do que a dupla My Midi Valentine promoveu no decorrer do álbum The Fall Of Mesbla (2011), o trio faz crescer um trabalho de fortíssima aproximação com o que bem alimentava as composições do duo alagoano: a década de 1990. Mantendo uma forte aproximação com o que bandas típicas do período, como My Bloody Valentine e Galaxie 500 promovem em sua curta discografia, a banda solidifica a construção de um disco doce e que se acomoda intencionalmente em um mar de espumas ambientais, sempre consumidas pelo uso de ruídos leves e atrativos. Dentro do mesmo oceano de experiências temporais, surgem ainda nítidas passagens por discos como The Soft Bulletin (The Flaming Lips) e OK Computer (Radiohead), trabalhos que se anunciam tanto nas melodias dolorosas como no uso assertivo de samples e recortes sonoros que estão por todo o álbum.

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