Artista: Stormzy
Gênero: Hip-Hop, Grime, Rap
Acesse: https://www.facebook.com/stormzyofficial/

 

Um dia após o lançamento de Gang Signs & Prayer (2017, Merky), em 25 de fevereiro, Austin Darbo, editor sênior do Spotify, fez uma inusitada publicação em sua conta Twitter: “Eu nunca vi nada assim. Todas as músicas do [primeiro] álbum de Stormy estão no Top 50 do Spotify. Estou sem palavras”. E não poderia ser diferente. Da abertura do disco, na minimalista First Things First, passando pela coleção de rimas e beats que se espalham ao longo da obra, cada fragmento do trabalho parece pensado de forma a atrair a atenção do público.

Autointitulado “uma criança do grime”, como resumiu em entrevista, Michael Omari, verdadeiro nome do rapper, passou os últimos anos se revezando em uma série de registros independentes e trabalhos assinados em parceria com diferentes representantes do Hip-Hop, pop e R&B. Composições como Shape of You, parceria recente com o conterrâneo Ed Sheeran, Ambition, da cantora Raye, além de uma série de remixes e rimas espalhadas em uma variedade de obras recentes.

Toda essa pluralidade de ideias, personagens e referências acaba se refletindo na forma como Stormzy e o produtor Fraser T Smith (Adele, Katy B) detalham cada uma das 16 composições de Gang Signs & Prayer. Recortes instrumentais, poéticos e visuais que começam na capa do álbum, uma interpretação sombria da Santa Ceia, de Leonardo da Vinci, passa pela rica tapeçaria orquestral e cresce em cada sample dissolvido pela obra. Retalhos, como Intro (Like Velvet), parte do primeiro álbum da cantora NAO, For All We Know (2016), ou mesmo versos que se conectam diretamente ao trabalho de outros artistas.

Claramente influenciado pelo trabalho de Kanye West, artista que convidou o rapper a participar da intensa performance de All Day, durante o BRIT Awards 2015, Stormzy se transforma no grande protagonista da própria obra. Canções marcadas por relacionamentos conturbados, caso de Cigarettes & Cush, parceria com Kehlani, ou mesmo versos centrados no crescimento do próprio artista, vide Big for Your Boots, música que catapultou o rapper para o topo das principais paradas de sucesso.

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Artista: Beyoncé
Gênero: R&B, Hip-Hop, Pop
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You mix that negro with that Creole make a Texas bama
I like my baby heir with baby hair and afros
I like my negro nose with Jackson Five nostrils“

Coreografias transformadas em atos de enfrentamento à violência policial, símbolos e fotografias reforçando a luta da comunidade negra, o cabelo crespo em oposição ao alisamento, New Orleans embaixo d’água. Em fevereiro deste ano, quando apresentou ao público o clipe de Formation, Beyoncé parecia revelar apenas a ponta do imenso iceberg de referências do novo registro de inéditas. Em Lemonade (2016, Parkwood / Columbia), sexto álbum de estúdio da cantora e compositora norte-americana, um mundo de detalhes, citações, personagens e histórias que dialogam diretamente com o passado e a cultura negra dos Estados Unidos.

Do título inspirado em uma fala da avó de Jay-Z – “eles me serviram limões, mas eu fiz uma limonada” –, passando pelo clássico discurso de Malcolm X – “quem te ensinou a se odiar?” – e versos assinados pela poetisa queniana Warsan Shire, Lemonade se projeta como uma obra a ser desvendada de forma atenta. Seja na estrutura musical que orienta o disco – repleta de bases extraídas de clássicos do soul, blues Hip-Hop e R&B –, até alcançar o registro visual que sustenta o trabalho – uma parceria entre a cantora e diretores como Jonas Åkerlund, Mark Romanek e Melina Matsoukas -, uma rica tapeçaria conceitual se desenrola da abertura do disco, com Pray You Catch Me, ao fechamento em Formation.

No time de produtores que assinam o trabalho, “novatos” como o britânico James Blake, responsável pela curtinha Forward, faixa que poderia facilmente ser encontrada no último álbum do produtor, Overgrown (2013). Em Hold On, uma espécie de síntese do imenso coletivo de artistas que cercam Beyoncé ao longo da obra. São 15 compositores, entre eles a dupla formada por Diplo e Ezra Koenig (Vampire Weekend), o cantor e compositor Father John Misty, a cantora Emile Haynie, o inglês MNEK e o trio Brian Chase, Karen Orzolek e Nick Zinner, do Yeah Yeah Yeahs, responsáveis pelo verso central da canção – “They don’t love you like I love you” –, originalmente apresentado em Maps, de 2003.

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. Com apenas 19 anos, Uzoechi Osisioma Emenike, ou simplesmente MNEK é um dos nomes de peso do Future-R&B britânico. Produtor responsável por uma sequência de (boas) canções lançadas recentemente por outros artistas – entre elas Rush de Roses Gabor -, o novato parece reservar as melhores composições para si próprio. É o caso de Wrote a Song About You, sucessora da ótima Every Little Word e uma representação ainda mais comercial do trabalho sustentado pelo jovem músico. Na trilha de Sam Smith e outros…Continue Reading “MNEK: “Wrote a Song About You””

. Se você acompanha o blog já deve ter percebido a invasão de jovens cantoras que vem dando nova cara ao Pop/R&B europeu. Seynabo Sey, Mapei, Ella Erye e Naomi Pilgrim são alguns dos nomes que vêm conquistando espaço lentamente, abraçando referências que vão da cena atual, além de experiências lançadas na década de 1990. Cruzando elementos da eletrônica e R&B, mas sem desprezar o brilho pop, Roses Gabor é mais uma das cantoras que entram na lista de grandes novidades da música estrangeira. Na…Continue Reading “Roses Gabor: “Rush””