. Enquanto os irmãos Liam e Noel Gallagher não fazem as pazes temporariamente e voltam com uma nova turnê do Oasis – segundo boatos, algo que pode acontecer no próximo ano -, o jeito é lidar com os projetos individuais de cada ex-integrante da banda britânica. Responsável pelo trabalho menos cômodo e musicalmente bem sucedido dessa divisão, o filho mais velho da família Gallagher está de volta com mais um novo lançamento à frente do Noel Gallagher’s High Flying Birds: In The Heat Of The…Continue Reading “Noel Gallagher’s High Flying Birds: “In The Heat Of The Moment””

. Enquanto os irmãos Liam e Noel Gallagher não fazem as pazes temporariamente e voltam com uma nova turnê do Oasis – segundo boatos, algo que pode acontecer no próximo ano -, o jeito é lidar com os projetos individuais de cada ex-integrante da banda britânica. Responsável pelo trabalho menos cômodo e musicalmente bem sucedido dessa divisão, o filho mais velho da família Gallagher está de volta com mais um novo lançamento à frente do Noel Gallagher’s High Flying Birds: In The Heat Of The…Continue Reading “Noel Gallagher’s High Flying Birds: “In The Heat Of The Moment””

Temples
Psychedelic/Indie/Alternative
http://templestheband.com/

Temples

Mais de quatro décadas se passaram desde que as cores do verão de 1967 alteraram o curso do rock psicodélico. Entretanto, o caminho mágico percorrido e essência proposta há 40 anos está longe de ter fim, algo que o quarteto britânico Temples reforça em um evidente estágio de nostalgia com a chegada de Sun Structures (2014, Sun Structures). Primeiro registro em estúdio da banda de Kettering, Inglaterra, o álbum segue as pistas coloridas deixadas por veteranos como The Beatles e Love, matéria-prima para a formação de um conjunto de músicas melódicas e instrumentalmente amigáveis.

Longe de assumir a mesma posição revolucionária imposta pelos gigantes do Tame Impala em Lonerism (2012), o debut de 12 faixas se arma como uma fuga rápida e descompromissada. São canções de versos simples, tramas propositalmente redundantes, mas que agradam ao espectador sem qualquer dificuldade. Não se trata de uma obra que busca pela complexidade das formas, pelo contrário, utiliza de todos os atributos em seu interior para ocupar com leveza os ouvidos do público.

Mais do que uma (re)interpretação do cenário musical proposto há quatro décadas, Sun Structure é um disco que brinca com diversos exageros e marcas específicas do rock montado para a década de 1990. Novos queridinhos do ex-Oasis Noel Gallagher, a banda passeia pelo Britpop em uma composição empoeirada, como se camadas sobrepostas de nostalgia servissem de estímulo para a projeção das canções. A relação com o ambiente musical lançado há duas décadas é evidente na segunda metade do disco, quando músicas como Colours To Life controlam a psicodelia e se apegam ao pop.

Todavia, o grande acerto da obra está mesmo em mergulhar de vez nos anos 1960. As vozes ecoadas, arranjos distorcidos de forma lisérgica e versos que se perdem lentamente são os grandes atrativos do grupo. Ainda que a inaugural Shelter Song sirva para prender o ouvinte, é a partir de The Golden Throne e Shelter Song que a banda realmente mostra a que veio. Lidando com variações de um mesmo tema, o grupo soa como um Foxygen menos bucólico, ou mesmo um Quilt mais acelerado, estratégia que deve atingir em cheio o grande público.

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Por: Cleber Facchi

10 Discos Para Gostar de Britpop

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Resposta britânica ao som assumido pelo rock estadunidense no fim dos anos 1980, o Britpop deixou a raiva do Grunge para fluir como uma representação do decadente estilo de vida inglês. Dotado de versos irônicos e arranjos instrumentais melódicos, típicos do rock imposto na década de 1960, o novo “gênero” em pouco tempo atraiu parte expressiva do público, da crítica e principalmente das rádios locais. Logo, o que parecia um movimento específico e regional, em pouco tempo ocupou os ouvidos de boa parte do planeta, se estendendo por toda a década de 1990 – e até além dela. Do duelo entre Blur e Oasis, passando pela consagração de grupos como Pulp e The Verve, até a avalanche de novas bandas que viriam em sequência, o Britpop talvez seja a maior movimentação (comercial) da cena inglesa desde o ápice dos Beatles. Nesse cenário marcado por obras de plena relevância, selecionamos apenas 10 álbuns íntimos de toda a estética que marca o estilo, o que fez com que obras como o debut do The Stone Roses (1989), Nowhere (1990) do Ride e The Bends (1994) do Radiohead ficassem de fora da seleção. Caso algum disco que você gosta tenha ficado de fora da lista, use os comentários para se manifestar – quem sabe a gente não faz um novo especial.

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Beady Eye
British/Rock/Britpop
http://beadyeyemusic.co.uk/

Por: Cleber Facchi

Beady Eye

O excesso sempre foi o maior problema dos irmãos Gallagher durante a carreira do Oasis. Sejam as aventuras lisérgicas que praticamente devastaram a dupla pós-Be Here Now (1997) ou o discurso excessivamente polêmico nos semanários ingleses, todo um jogo de pequenos exageros e desentendimentos contribuíram para o dissolvimento da banda em 2009. Curioso observar que ao partir em busca de novos projetos, tanto Liam (com o Beady Eye) quanto Noel (em carreira solo) souberam como dosar tal medida de exagero com verdadeira assertividade – o irmão mais velho de forma muito mais coerente do que o caçula, claro.

Ao alcançar o segundo registro com a nova banda, Liam parece assumir o mesmo posicionamento com nítida maturidade. Um esforço que naturalmente possibilita ao grupo ultrapassar os exageros firmados no decorrer de Different Gear, Still Speeding (2011), para materializar com acerto o álbum que os fãs do Oasis talvez estivessem esperando. Mais do que isso, com a chegada de BE (2013, Beady Eye/Columbia), presente álbum do grupo inglês, o trabalho parece finalmente desprovido das irregularidades de outrora, evitando a todo custo a multiplicidade de percursos em prol de um som comercialmente viável e, na medida do possível, atrativo.

Esforço claro para a construção de todo o disco, Dave Sitek (TV On The Radio) mostra onde esteve trabalhando nos últimos meses, o que explica (em partes) a “ausência” em relação ao desempenho precário de Planta (2013), último álbum do CSS. Fundamental para o estabelecimento de uma identidade sonora para o disco (e até para a banda), o músico e produtor norte-americano parece amarrar as guitarras sujas/psicodélicas de Andy Bell com a sonoridade sessentista que há tempos acompanha Gallagher. Um encontro necessário durante toda as etapas do primeiro disco da banda e um propósito que finalmente se concretiza com perceptível acerto na nova obra do Beady Eye.

Orquestrando arranjos de metais e sonorizações compactas que se aproximam de forma clara daquilo que o TV On The Radio conquistou com Nine Types Of Light (2011), BE encontra nos sons das década de 1960 e 1970 uma âncora natural para o trabalho. Enquanto Second Bite Of The Apple soa como uma continuação quase copiada daquilo que o The Zombies apresentou em Time Of The Season (as batidas e a linha de baixo são praticamente idênticas), Don’t Brother Me revive com limpidez aquilo que os Beatles sustentaram pós-Revolver (1966). Sobram ainda acréscimos de Bob Dylan, The Doors, The Kinks e toda uma variedade de referências que alimentam de forma confessa o trabalho de cada membro da banda.

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. Desde o desfecho do Oasis em Agosto de 2009 que Liam Gallagher vem transformando cada nova faixa do Beady Eye em uma espécie de extensão daquilo que o cantor promovia em sua antiga banda. Contrário do irmão, Noel, que até conseguiu um pouco de novidade com o lançamento do bem recebido Noel Gallagher’s High Flying Birds (2011), Liam continua repedindo o erro. Como se não bastasse dar vida a um dos piores discos daquele ano, Different Gear, Still Speeding, o artista britânico anuncia a…Continue Reading “Beady Eye: “Flick on The Finger””

Jake Bugg
British/Indie/Folk
http://jakebugg.com/

Por: Fernanda Blammer

Quando o Jake Bugg nasceu em princípios de 1994, Bob Dylan, inspiração maior do britânico não vivia sua melhor fase. Seguindo com a divulgação do álbum World Gone Wrong – lançado poucos meses antes, em 1993 -, o cantor e compositor norte-americano pouco evidenciava a boa fase de princípios da década de 1960, se apresentando como mera cópia de si próprio. Paralelo ao trabalho do músico veterano, os irmãos Gallagher se trancavam em estúdio para o lançamento de Definitely Maybe, estreia do Oasis que chegaria dali alguns meses e visivelmente a segunda maior fonte de influência do jovem Bugg.

Passados quase 20 anos desde o nascimento do músico inglês, o cenário musical que o cercava não apenas se transformou, como foi invertido em alguns pontos. O Oasis, antes um grupo iniciante, deixou de existir há um bom tempo, enquanto Dylan vez ou outra aparece com algum trabalho de relevância, esbanjando a boa forma que lhe garantiu destaque e rompendo com os pequenos erros do passado. A influência destes dois projetos, entretanto, permanece a mesma para Bugg, resultado óbvio nos quase 40 minutos do autointitulado primeiro disco do artista inglês que vem sendo apontado como o “maior herdeiro de Bob Dylan”.

Praticamente apadrinhado por veículos como NME, o cantor e compositor conduz grande parte do aclamado primeiro álbum em cima de acordes simples de violão e, naturalmente, os vocais rabiscados por doses de ruídos caseiros. A proposta, além de ampliar a conexão com a sonoridade artesanal dos primeiros álbuns de Dylan, serve para distanciar Bugg de grande parte do que guiou e ainda direciona a música britânica há mais de uma década. Acústico e agradável sem cair nos exageros pretensiosos do Mumford & Sons, o projeto até soaria atrativo se não fosse pelo excesso de referências copiosas que o definem.

Se na abertura do disco Lightning Bolt firma uma intensa conexão com Dylan – muito mais pelos vocais e pela sonoridade do que pela letra vaga em si -, Two Fingers, a canção seguinte arrasta Jake diretamente para a sonoridade travada em solo inglês na época em que o garoto nasceu. Melódica e acompanhada por um refrão pegajoso, a canção rompe com o folk e a acústica inicial, delineando em poucos minutos uma intensa relação com o britpop da década de 1990. A divisão garante incentivo para o restante do álbum, que se mantém até a última música dentro da mesma medida instrumental.

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. Condensando os clipes dos três primeiros singles de Noel Gallagher’s High Flying Birds, o filho mais velho da família Gallagher apresenta agora o resultado final da história que interliga os três vídeos. Com um visual tarantinesco e surgindo sob o nome de Ride The Tiger, o curta de quase 20 minutos amarra os clipes de The Death Of You And Me, If I Had A Gun e AKA… What A Life, todas composições que vieram para matar a saudade dos saudosistas seguidores do extinto…Continue Reading “Noel Gallagher: “Ride The Tiger””

Noel Gallagher
British/Rock/Britpop
http://www.noelgallagher.com/

Por: Cleber Facchi

Nenhum projeto que estreou em 2011 conseguiu ser tão pretensioso e mal desenvolvido quanto o trabalho de estreia do Beady Eye. Em cada uma das 13 faixas de Different Gear, Still Speeding vê-se claramente a figura de Liam Gallagher, um compositor fajuto, apoiado em velhos ganhos do passado – diga-se Definitely Maybe e (What’s the Story) Morning Glory? –, quando ainda atuava ao lado do Oasis. Estranho observar que fazendo uso das mesmas experiências musicais, seu irmão Noel consegue transitar por um caminho oposto, transformando Noel Gallagher’s High Flying Birds em um registro que mesmo apoiado em velhas experiências do passado – tais quais as experimentadas por seu irmão caçula – passa longe de soar como uma cópia.

Aqueles que realmente conhecem a história do Oasis talvez já esperassem isso quando a banda começou a se desmantelar ao final de 2009, afinal, desde o início do grupo Noel havia se prontificado em assumir tanto a sonoridade quanto os versos apresentados pela então recente banda. Entretanto, com o passar dos anos o nível das composições foi decaindo, ao mesmo tempoem que Liampassou a ter uma maior participação dentro do grupo. Era hora do irmão mais velho buscar por novos ares e mudar a direção de seu voo.

Quem ainda esperava que de alguma forma Noel traçasse um tipo de som diferente daquele proclamado por sua banda há duas décadas, talvez acabe decepcionado com o resultado proposto no primeiro registro solo do artista. Grande parte das canções presentes no disco remetem diretamente aos grandes sucessos do músico em seu período de glória, algo que obviamente deve agradar aos velhos seguidores do cantor, mas que de forma alguma conseguem transformar o álbum em um trabalho tão memorável e dono dos mesmos resultados propostos por ele no passado.

Noel Gallagher’s High Flying Birds é um álbum agradável de ouvir? É. O disco agrega boas composições? Sim. O registro merece todo o rebuliço criado em cima dele? De maneira alguma. Por mais que em seus minutos iniciais o álbum até consiga gerar uma boa aproximação com o ouvinte – tanto Everybody’s On The Run quanto The Death Of You And Me remetem aos grandes momentos criativos do músico -, nada do que se apresenta dentro do disco supera ou sequer consegue se distanciar dos antigos trabalhos do britânico, fazendo com que o registro repasse certa dose de similaridade entre suas composições.

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. Se em I’d Pick You Every Time, Lado B do single de If I Had a Gun Noel Gallagher havia apresentado uma sonoridade completamente distante daquele experimentada por sua antiga banda, o Oasis, em Alone On The Rope o músico britânico parte de encontro aos seus antigos lançamentos. Embora a faixa esteja fora de uma primeira edição do álbum High Flying Birds – estreia do músico em carreira solo -, a canção deve futuramente aparecer em uma edição especial do álbum ou mesmo como…Continue Reading “Noel Gallagher: “Alone On The Rope””