Tag Archives: Noise Pop

The Pains Of Being Pure At Heart: “Belong”

The Pains Of Being Pure At Heart

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Dois anos se passaram desde que Belong (2011), segundo registro em estúdio do The Pains Of Being Pure At Heart foi apresentado ao público. Um dos grandes exemplares da nova geração de bandas centradas no Noise Pop, o álbum traz logo na autointitulada faixa de abertura um exemplar atento de tudo o que preenche o restante da obra. A ótima composição, entretanto, nunca havia sido lançada em clipe, ou melhor, nunca liberada. Até agora. Assumida pelos diretores Brad e Brian Palmer, o trabalho transporta o grupo imediatamente para a década de 1990, abusando nas cores, vestes e maquiagens os mesmos efeitos conquistados pelo The Smashing Pumpkins da fase áurea. Gravado em uma espécie de programa de auditório, o vídeo apresenta suas próprias (e divertidíssimas) versões de James Iha e D’arcy Wretzky, com alguns dos membros da banda tendo seus gêneros trocados.

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The Pains Of Being Pure At Heart – Belong

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Disco: “You Wouldn’t Anyway”, Loomer

Loomer
Brazilian/Shoegaze/Alternative
https://www.facebook.com/loomerband

Por: Cleber Facchi

Loomer

Quatro anos separam a gaúcha Loomer, apresentada no EP Mind Drops, de 2009, do recém-lançado You Wouldn’t Anyway (2013, Midsummer Madness). Registro de estreia do quarteto gaúcho, o presente álbum passeia pelo tempo (e pelas referências) sem necessariamente se distanciar daquilo que a banda promove com acerto desde as primeiras canções: os ruídos. Intencionalmente voltado ao passado, o debut de dez faixas é uma típica obra de regresso. Um dos muitos trabalhos que se escoram na essência do My Bloody Valentine, mas que ainda assim estão longe de se perder em traços redundantes ou bases há muito reaproveitadas por outros artistas do gênero.

Fabricado como um bloco único de sons caóticos, praticamente intransponíveis, o trabalho assume no conjunto íntimo de canções a base para atrair sem grandes dificuldades qualquer ouvinte. É praticamente impossível atravessar as duas primeiras faixas do álbum sem se deixar conduzir até as composições finais do registro. O exercício, regido pelo manuseio hipnótico das guitarras, substitui o tratamento caseiro de outras obras próximas, efeito que praticamente traga o espectador para um cenário de emanações propositalmente empoeiradas, porém, capazes de se distanciar de possíveis sonorizações previsíveis.

Tratado em um propósito explícito de efemeridade, You Wouldn’t Anyway se esquiva das possíveis construções épicas, testadas nos dois primeiros EPs, para assumir um enquadramento cada vez mais acelerado e dinâmico. Com faixas entre três e quatro minutos de duração, a banda – composta por Richard La Rosa (guitarra), Guilherme F. (bateria), Fernanda Schabarum (baixo) e Stefano Fell (guitarra e voz) – usa dos poucos instantes de cada composição de forma a favorecer uma obra magra, mas não menos envolvente. A medida evita possíveis expansões climáticas ou instantes de maior redundância, assumindo um trabalho capaz de tirar o fôlego do espectador sem margem para o descanso.

Loomer

Ainda que a relação com os dois primeiros EPs seja constante – principalmente nas bases e referências -, ao assumir o presente disco os rumos da Loomer passam a ser outros. O melhor exemplo disso está na forma como os vocais são apresentados ao longo do projeto. Mais do que um complemento para os arranjos distorcidos, em faixas como Painkiller e Dark Star, as vocalizações melódicas praticamente servem como um chamariz para o ouvinte médio. São interpretações autorais das mesmas bases de vozes alcançadas em Loveless (1991) e outros clássicos da década de 1990, ao mesmo tempo em que elementos de grupos recentes, caso de Yuck e The Pains Of Being Pure At Heart, passam pelo mesmo filtro ruidoso dos gaúchos. Continue reading

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Disco: “Distância EP”, Lupe De Lupe

Lupe de Lupe
Indie Rock/Noise Pop/Shoegaze
http://lupedelupe.bandcamp.com/

Por: Cleber Facchi

Lupe de Lupe

O ruído sempre foi a base para o trabalho da mineira Lupe de Lupe. Basta um mergulho no universo soturno instalado em Sal Grosso (2012), obra de estreia do grupo, para perceber o quanto as cargas imensas de distorções flutuam com liberdade e crueza pelas faixas. Entretanto, mesmo o cenário acinzentado que define Alameda das Orquídeas ou Enquanto Pensa no Futuro, algumas das composições mais fortes da toda a obra, estão longe de igualar o mesmo esforço de desconstrução que cresce de forma incerta no recém-lançado Distância EP (2013, PopFuzz).

Sequência imediata ao jogo de experiências sujas que fecharam o último disco, o EP de seis inéditas canções encontra na imensa parede de ruídos um efeito de renovação para a estética da banda. Cada vez mais distante do senso de controle que crescia no inaugural Recreio, trabalho de 2011, o novo registro assume na fúria de seus integrantes um princípio para soterrar o espectador. São pouco mais de 20 minutos em que vozes consumidas pela melancolia amenizam a overdose escancarada de acordes invasivos, como se o ambiente soturno do disco passado fosse chacoalhado e mais uma vez posto em desordem.

Princípio para a composição da obra, À Distância da Palma da Mão, faixa de abertura do disco, traz nos vocais descompassados e guitarras inquietas a base para o estágio caótico que se expande com desigualdade por todo o álbum. Com quase cinco minutos de duração, a crua composição deixa de lado a proximidade com o Noise Pop/Shoegaze, tão explícita no disco passado, para se aproximar de forma declarada do Punk. Um cruzamento instável entre as guitarras e bateria que acelera ao fim da música, discute relacionamento com pesar e amargura que segue até a derradeira Os Dias Morrem.

Desprovido do mesmo estágio de linearidade exposto em Sal Grosso, Distância encontra em cada composição um caminho isolado a ser percorrido. Basta observar o misto de Dinosaur Jr com Nirvana em Tainá Müller, ainda na abertura da obra. Uma passeia pelos ruídos em um estádio natural perversão da própria obra da banda. Homenagem/declaração de amor à artista gaúcha de mesmo nome, a canção faz de tudo para que versos como “Faz bem saber que você é tão/ Mas tão bela que até os anjos/ Tem de ver pra crer que sua feição”, sejam ocultos pela distorção. Um afastamento em relação ao cenário proposto no último ano, quando mesmo as faixas mais sujas assumiam os vocais com limpidez – na medida do possível, claro. Continue reading

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Lupe de Lupe: “Distância EP”

Sal Grosso

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O cenário obscuro e o catálogo de ruídos expostos em Sal Grosso, último registro em estúdio apresentado pela mineira Lupe de Lupe, não parece limitado apenas ao conjunto de 11 faixas que ele carrega. Em Distância EP, mais novo lançamento do grupo, a preferência pelo Noise Pop e a incorporação de doses ainda mais densas de distorção ditam as regras e o fluxo do trabalho da banda, que atinge sem grandes dificuldades um resultado ainda mais anárquico que o exposto até pouco tempo. Seis inéditas composições que passeiam abertamente entre as múltiplas vertentes do rock alternativo no começo dos anos 1990, sem necessariamente perder a identidade do grupo – conquistada pelo posicionamento amargo dos versos em português. Com produção da própria banda e a imagem de capa assinada pelo fotógrafo dinamarquês Jacob Aue Sobol, Distância concentra no curto conjunto de faixas uma obra talvez maior do que muitos registros “inteiros” lançados em 2013.

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Lupe de Lupe – Distância EP

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Disco: ” Bitter Rivals”, Sleigh Bells

Sleigh Bells
Noise Pop/Alternative/Lo-Fi
http://www.bitterrivals.us/

Por: Fernanda Blammer

Sleigh Bells

Não se deixe enganar: o pop sempre foi a principal escolha da dupla Derek E. Miller e Alexis Krauss para o trabalho do Sleigh Bells. Ainda que a avalanche de ruídos arquitetada pelo guitarrista, o passeio pelo Noise Pop e fuga lo-fi dos vocais direcionem um novo significado ao projeto, basta regressar ao alicerce de Treats (2010), estreia da banda, para perceber como todas as pistas estão lá. Dos vocais cantaroláveis de Rill Rill ao ritmo envolvente de Infinity Guitars, do riff (quase) plástico de Crown on the Ground, ao efeito grandioso de Tell ‘Em, cada música do registro faz de Krauss uma típica diva pop, apenas oculta sob cargas imensas de distorção.

Ao alcançar Bitter Rivals (2013, Mom + Pop), entretanto, toda essa barreira até então imposta pela dupla cai por terra. A opção acaba por revelar ao público o que parece ser o exemplar mais acessível e, por que não, pegajoso da recente obra do casal. Indicação que serve como arquitetura até o último instante da ainda obra. O Hip-Hop, mais uma vez, encontra os solos do Metallica, Britney Spears bate de frente com o Industrial Rock e as melodias, em um efeito nítido de expansão, ecoam audíveis e claras, sem necessariamente perder o caráter desafiador dos arranjos.

Em um encaminhamento de completa oposição ao resultado exposto no último ano, em Reign of Terror, o novo álbum foge da sombra e busca de forma assumida pelas cores. As guitarras sempre predominantes de Miller agora abrem espaço para as batidas, o que contribui de forma natural para a construção de um efeito mais dançante e comercial do projeto. Basta observar os pequenos atos crescentes da faixa-título, ou quem sabe as vozes mais abertas de Krauss, em Sugarcane e Minnie, para entender qual a real proposta da dupla com o novo disco.

Talvez para os velhos seguidores do casal, Bitter Rivals nada mais é do que uma resposta aos recentes holofotes voltados ao trabalho da banda. Uma versão plástica do que o duo conquistou desde que Crown on the Ground ganhou destaque na trilha sonora de The Bling Ring (2013), ou mesmo a própria dupla nas páginas da Rolling Stone norte-americana – como os responsáveis por um dos melhores shows da atualidade. Se esse efeito “pop” do casal incomoda, então volte ao território proposto no último disco. Mesmo os ruídos ascendentes de Comeback Kid não conseguem ocultar a busca da dupla por uma obra acessível, algo que End of the Line e You Lost Me reforçam em uma composição ainda mais clara desse efeito. Continue reading

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Lupe de Lupe: “Os Dias Morrem”

Lupe de Lupe

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Banda responsável por um dos melhores registros em estúdio do último ano, a mineira Lupe de Lupe prova de que está longe de encontrar conforto ou uma sonoridade amena para as próprias guitarras. Exemplo mais recente disso está na chegada da ensurdecedora Os Dias Morrem. Partidária dos mesmos efeitos, versos e ruídos que caracterizam toda a extensão de Sal Grosso, último trabalho de estúdio da banda, a canção faz do uso de versos melódicos um salto em relação ao cenário proposto até então, amenizando a overdose de ruídos, tão típica do grupo, com versos que (quase) ecoam de forma acessível nos ouvidos. A canção é parte do próximo EP da banda, Distância, trabalho que conta com lançamento agendado para o dia quatro de novembro pelo selo PopFuzz Records. Lançada em vídeo, a faixa conta com direção de Paola Rodrigues e Vitor Brauer.

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Lupe de Lupe – Os Dias Morrem

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Sleigh Bells: “Bitter Rivals”

Sleigh Bells

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Quem esperava que depois do lançamento de Reign Of Terror, no último ano, a dupla norte-americana Sleigh Bells fosse descansar, acabou enganado. Sem tempo para descanso e com uma turnê lotada, o casal Derek E. Miller e Alexis Krauss volta ao mesmo território barulhento dos dois primeiros discos, transformando Bitter Rivals em mais uma sequência suja de vozes, guitarras e principalmente batidas. Com uma maior aproximação com o pop – o que transporta a dupla de volta ao debut Treats (2010) -, a obra finaliza dez inéditas canções essencialmente caóticas, algo que a faixa-título e You Don’t Get Me Twice apresentaram previamente. Embora conte com lançamento oficial agendado para o dia oito de outubro, o disco acaba de ser disponibilizado para audição na página da Rolling Stone norte-americana. Abaixo, como aperitivo, você fica com o vídeo da faixa que inaugura o álbum e garante título à ele.

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Sleigh Bells – Bitter Rivals

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Sleigh Bells: “You Don’t Get Me Twice”

Sleigh Bells

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O pop, de um jeito ou de outro, sempre esteve impregnado no trabalho da dupla Sleigh Bells. Basta escavar com atenção no meio dos escombros ruidosos que acompanham o trabalho da banda para perceber isso. Mesmo coberta de sujeira, vocais distorcidos e batidas inaudíveis, a essência Alexis Krauss e Derek Miller desde o debut de 2010 está concentrada em cima de versos radiofônicos e sons plásticos. Entretanto, mesmo a leveza vez ou outra abordada não corresponde ao mesmo teor comercial de  You Don’t Get Me Twice, mais novo lançamento da banda. Sequência ao que o casal revelou em Bitter Rivals, faixa que dá título ao novo álbum do projeto, a canção ameniza as vozes de Krauss em um misto de Hip-Hop, pop e rock sem parecer difícil. A proposta é a base para o que vai guiar o lançamento previsto para nove de outubro, trabalho que ainda acumula oito inéditas canções.

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Sleigh Bells – You Don’t Get Me Twice

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Sleigh Bells: “Bitter Rivals”

Sleigh Bells

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O caos parece longe de encontrar descanso nas mãos da dupla Sleigh Bells. Depois de repetir mais uma sequência de ruídos ensurdecedores, batidas distorcidas e vozes curiosamente melódicas em Reign Of Terror (2012), Alexis Krauss e o parceiro Derick E. Miller estão de volta para mais uma sequência dos mesmos elementos – agora muito mais próximos da música pop. Em Bitter Rivals, mais novo single do casal, todos os tradicionais elementos da banda se encontram no mesmo cenário de desordem, com a diferença de que todos os arranjos parecem próximos de tocar o grande público. Influência da trilha sonora de The Bling Ring ou não, a canção abre espaço para a chegada do terceiro registro em estúdio da banda, trabalho que será oficialmente lançado no dia oito de outubro pelo selo Mom+Pop.

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Sleigh Bells – Bitter Rivals

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White Poppy: “White Poppy”

White Poppy

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Guitarras carregadas de leveza, vozes que praticamente flutuam pelos ouvidos, cores, sons e texturas, tudo parece se agrupar de forma tímida no interior do primeiro registro em estúdio do White Poppy. Encabeçado pela guitarrista/vocalista canadense Crystal Dorval, o projeto tem o autointitulado primeiro disco anunciado para o dia três de Setembro, mas acaba de ter a obra disponibilizada na íntegra para audição no Soundcloud. Trata-se de um registro acolchoado pelo Dream Pop, psicodelia e toda uma carga açucarada de ruídos que parecem confortavelmente assentados pela artista. Dez pequenas composições que parecem cruzar a instrumentação do Beach House dos primeiros discos com os vocais etéreos de Grimes, efeito que preenche cada uma da canções. O registro conta com lançamento oficial pelo selo Not Not Fun e é altamente indicado para quem se interessou pelo trabalho das garotas do No Joy ou qualquer obra recente calcada no Noise Pop.

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White Poppy – White Poppy

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