Tag Archives: Noise Pop

Sleigh Bells: “Rule Number One”

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O lançamento de Bitter Rivals, em 2013, serviu para anunciar uma nova fase dentro da carreira do Sleigh Bells. Depois de dois discos essencialmente sujos, caóticos – Treats (2010) e Reign of Terror (2012) –, Alexis Krauss e o parceiro Derek E. Miller decidiram assumir um som cada vez mais pop. O resultado está na construção de faixas cada vez mais voltadas ao pop, sonoridade que se repete em Rule Number One, mais novo single da dupla nova-iorquina.

Ao mesmo tempo em que o casal parece seguir a trilha do trabalho apresentado há três anos, em poucos instantes, Miller assume o mesmo som explorado nas canções Reign of Terror. O resultado está na construção de uma faixa que mesmo acessível ao grande público, em nenhum momento tropeça no mesmo som descartável de Bitter Rivals, vide os 30 segundos finais da canção, completamente entregues ao uso de novos arranjos e experimentos controlados.

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Sleigh Bells – Rule Number One

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Disco: “Stranger Things”, Yuck

Yuck
Indie/Alternative/Rock
http://www.yuckband.com/

 

A originalidade nunca foi uma marca do Yuck. Do homônimo álbum de estreia, lançado em 2011, até a chegada de Glow & Behold (2013) e Southern Skies EP (2014), já sem o ex-vocalista Daniel Blumberg, visitar o passado de forma nostálgica sempre foi uma das principais características do grupo britânico. Um delicado exercício de “reinterpretação” que passeia por clássicos do rock alternativo e volta a se repetir com a chegada de Stranger Things (2016, Balaclava).

Tão enérgico e enfurecido quantos os dois últimos trabalhos do grupo, o presente álbum mostra a capacidade da banda – hoje formada por Max Bloom, Mariko Doi, Jonny Rogoff e Ed Hayes – em brincar com diferentes sonoridades e tendências sem necessariamente perder o controle. Guitarras sujas e vozes melódicas que poderiam facilmente ser encontradas em obras de veteranos como Dinosaur Jr., Built To Spill, Pavement, além de outros gigantes que continuam a servir de inspiração para a banda.

A principal diferença em relação aos últimos trabalhos do grupo? O som essencialmente pegajoso que orienta cada uma das 11 canções do disco. Da letra acessível que inaugura o disco com Hold Me Closer, passando pelas guitarras estridentes de Cannonball e o som dançante de Only Silence, difícil escapar das canções apresentadas em Stranger Things. De fato, esse talvez seja o trabalho que mais se aproxima do primeiro álbum de estúdio da banda, uma verdadeira coletânea de hits como Get Away e The Wall.

Mais do que uma obra de reverência, faixas como Down reforçam o quanto a banda parece em busca de um som autoral, particular. Longe do material que poderia ser de Kevin Shields ou Stephen Malkmus, são arranjos tímidos e pequenos encaixes detalhistas que transportam o ouvinte para um novo território. Swirling é outra que mostra o quarteto em um ambiente de novidades. Vozes e arranjos semi-acústicos que criam uma espécie de abrigo intimista no interior da obra. Continue reading

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Dilly Dally: “Purple Rage”

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A relação do grupo canadense Dilly Dally com a década de 1990 parece crescer a cada novo single. Depois da explosão de guitarras, gritos e homenagens ao Pixies na insana Desire, uma das melhores faixas apresentadas nos últimos meses, o grupo original de Toronto está de volta com mais uma composição inédita. Intitulada Purple Rage, a canção orientada pela mesma crueza do trabalho anterior mergulha a banda em vertentes distintas do rock alternativo.

Enquanto a voz de Katie Monks incorpora elementos de PJ Harvey e Liz Phair, a bateria pesada transporta a banda direto para a região de Seattle, resgatando as primeiras canções do Nirvana. Nas guitarras, um novo diálogo com a obra de Billy Corgan no The Smashing Pumpkins, base para os quase três minutos insanos da faixa, peça garantida no primeiro álbum de inéditas do grupo, o aguardado Sore (2015).

Sore (2015) será lançado no dia 09/10 pelos selos Buzz Records e Partisan Records.

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Dilly Dally – Purple Rage

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Alice Glass: “Stillbirth”

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A íntima relação de Alice Glass com a banda californiana HEALTH parece ter influenciado diretamente no método de composição da artista. Agora em fase solo, livre do Crystal Castles, projeto em que esteve envolvida até outubro de 2014, a artista canadense lentamente prepara o terreno para a chegada do primeiro álbum autoral, obra que resume na caótica e suja Stillbirth um completo distanciamento do som explorado pela canadense desde o meio dos anos 2000.

Intensa, a recém-lançada criação se afasta do Noise-Pop-Eletrônico testado com o ex-parceiro Ethan Kath para incorporar uma sonoridade ainda mais pesada, agora próxima do mesmo som Industrial de artistas como Nine Inch Nails e, claro, os parceiros de longa data do HEALTH. Contrariando a expectativa de quem torceu contra o projeto solo de Glass, a canção não apenas agrada, como ainda desperta a ânsia pelo primeiro disco de inéditas da cantora.

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Alice Glass – Stillbirth

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HEALTH: “Stonefist”

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Passado o anúncio do terceiro álbum de inéditas durante o lançamento do single/clipe New Coke, os membros do HEALTH continuam a colidir ruídos e melodias “acessíveis” de forma a preparar o terreno para o aguardado Death Magic (2015). Em Stonefist, segunda composição do trabalho e mais recente single apresentado pela banda californiana, um diálogo breve com toda a obra produzida pelo quarteto na década passada.

Lembrando as composições em parceria com Crystal Castles, porém, ainda íntimos da nova sonoridade projetada para o terceiro registro, vozes e arranjos sujos se movimentam de forma coesa, revelando o lado mais “pop” do grupo – se é que ele realmente existe. Uma sobreposição controlada de guitarras, batidas e sintetizadores que encaram o ouvinte de frente, reforçando (mais uma vez) a proposta “simples” que orienta o novo álbum.

Death Magic (2015) será lançado no dia 07/08 pelo selo Loma Vista.

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HEALTH – Stonefist

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Sleigh Bells: “That Did It” (Feat. Tink)

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Em 2013 Derek E. Miller e Alexis Krauss resolveram mergulhar de vez na música pop. Ainda que os ruídos preencham toda a extensão do mediano Bitter Rivals, terceiro álbum de estúdio da dupla nova-iorquina, são os constantes diálogos com o público médio, melodias acessíveis e bases delicadas que realmente movimentam a obra. Acerto ou erro, não importa, ao lado da rapper Tink o duo apresenta a “sequência” That Did It, uma espécie de expansão do material apresentado há poucos meses.

De um lado, os ruídos característicos da guitarra de Miller, no outro, a sutileza vocal de Krauss e Tink, esta última responsável pelos instantes mais acelerados que sustentam a composição. Construída a partir de retalhos de antigas músicas do SB, That Did It foi gravada em Nova York e apresentada pelo Red Bull Sound Select. Além do registro de 2010, a dupla ainda conta com dois ótimos álbuns, Treats (2010) e Reign of Terror (2012).

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Sleigh Bells – That Did It (Feat. Tink)

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Medicine: “Move Along – Down The Road”

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Um dos grandes medos em se tratando da volta do Medicine – banda que permaneceu em hiato durante 10 anos -, não estava na possibilidade de Brad Laner ser incapaz de repetir o acerto dos primeiros discos do grupo, mas que passado o lançamento de To the Happy Few (2013) a banda californiana entrasse em um novo (e extenso) hiato. Para a felicidade do público, o quinto álbum do grupo de Los Angeles não apenas surpreende, como ainda serve de estímulo para o próximo disco da banda: Home Everywhere (2014).

Ainda mais intenso do que no último ano, Laner e os parceiros de banda abraçam de vez o Noise Pop para apresentar a inédita Move Along – Down The Road, o primeiro exemplar do novo disco. Soando como uma típica criação do grupo no começo da década de 1990, a faixa ainda estreita a relação com a presente geração de bandas, dividindo o mesmo campo experimental do grupo A Sunny Day In Glasgow no ótimo Sea When Absent (2014). Com lançamento previsto para 28 de outubro, o novo disco estreia pelo selo Captured Tracks, o mesmo do trabalho anterior.

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Medicine – Move Along – Down The Road

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A Sunny Day In Glasgow: “Bye Bye Big Ocean (The End)”

A sunny day in Glasgow

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Desde que In Love With Useless anunciou o regresso do coletivo A Sunny Day In Glasgow, no começo de janeiro, que a expectativa em relação ao novo álbum do grupo é alta. Em hiato desde a estreia de Autumn, Again (2010), terceiro e último registro em estúdio, a banda norte-americana reserva para o dia 24 de junho o lançamento do esperado Sea When Absent (2014), novo trabalho de estúdio e uma possível sequência dos três registros entregues previamente.

Depois da ótima Crushin’, lançada em meados de abril, Bye Bye Big Ocean (The End) reforça a complexidade em torno do novo disco. Naturalmente assumida pela dupla de vocalistas mulheres, a canção usa dos vocais doces como um contraste para os arranjos de guitarras – sempre sujos e consumidos pela desordem. São quatro minutos de ruídos capazes de bagunçar a cabeça do espectador, arremessado para todos os lados por conta da massa de sintetizadores e distorções densas. Uma verdadeiro delírio para os interessados na obra do grupo.

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A Sunny Day In Glasgow – Bye Bye Big Ocean (The End)

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The Pains Of Being Pure At Heart: “Belong”

The Pains Of Being Pure At Heart

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Dois anos se passaram desde que Belong (2011), segundo registro em estúdio do The Pains Of Being Pure At Heart foi apresentado ao público. Um dos grandes exemplares da nova geração de bandas centradas no Noise Pop, o álbum traz logo na autointitulada faixa de abertura um exemplar atento de tudo o que preenche o restante da obra. A ótima composição, entretanto, nunca havia sido lançada em clipe, ou melhor, nunca liberada. Até agora. Assumida pelos diretores Brad e Brian Palmer, o trabalho transporta o grupo imediatamente para a década de 1990, abusando nas cores, vestes e maquiagens os mesmos efeitos conquistados pelo The Smashing Pumpkins da fase áurea. Gravado em uma espécie de programa de auditório, o vídeo apresenta suas próprias (e divertidíssimas) versões de James Iha e D’arcy Wretzky, com alguns dos membros da banda tendo seus gêneros trocados.

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The Pains Of Being Pure At Heart – Belong

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Disco: “You Wouldn’t Anyway”, Loomer

Loomer
Brazilian/Shoegaze/Alternative
https://www.facebook.com/loomerband

Por: Cleber Facchi

Loomer

Quatro anos separam a gaúcha Loomer, apresentada no EP Mind Drops, de 2009, do recém-lançado You Wouldn’t Anyway (2013, Midsummer Madness). Registro de estreia do quarteto gaúcho, o presente álbum passeia pelo tempo (e pelas referências) sem necessariamente se distanciar daquilo que a banda promove com acerto desde as primeiras canções: os ruídos. Intencionalmente voltado ao passado, o debut de dez faixas é uma típica obra de regresso. Um dos muitos trabalhos que se escoram na essência do My Bloody Valentine, mas que ainda assim estão longe de se perder em traços redundantes ou bases há muito reaproveitadas por outros artistas do gênero.

Fabricado como um bloco único de sons caóticos, praticamente intransponíveis, o trabalho assume no conjunto íntimo de canções a base para atrair sem grandes dificuldades qualquer ouvinte. É praticamente impossível atravessar as duas primeiras faixas do álbum sem se deixar conduzir até as composições finais do registro. O exercício, regido pelo manuseio hipnótico das guitarras, substitui o tratamento caseiro de outras obras próximas, efeito que praticamente traga o espectador para um cenário de emanações propositalmente empoeiradas, porém, capazes de se distanciar de possíveis sonorizações previsíveis.

Tratado em um propósito explícito de efemeridade, You Wouldn’t Anyway se esquiva das possíveis construções épicas, testadas nos dois primeiros EPs, para assumir um enquadramento cada vez mais acelerado e dinâmico. Com faixas entre três e quatro minutos de duração, a banda – composta por Richard La Rosa (guitarra), Guilherme F. (bateria), Fernanda Schabarum (baixo) e Stefano Fell (guitarra e voz) – usa dos poucos instantes de cada composição de forma a favorecer uma obra magra, mas não menos envolvente. A medida evita possíveis expansões climáticas ou instantes de maior redundância, assumindo um trabalho capaz de tirar o fôlego do espectador sem margem para o descanso.

Loomer

Ainda que a relação com os dois primeiros EPs seja constante – principalmente nas bases e referências -, ao assumir o presente disco os rumos da Loomer passam a ser outros. O melhor exemplo disso está na forma como os vocais são apresentados ao longo do projeto. Mais do que um complemento para os arranjos distorcidos, em faixas como Painkiller e Dark Star, as vocalizações melódicas praticamente servem como um chamariz para o ouvinte médio. São interpretações autorais das mesmas bases de vozes alcançadas em Loveless (1991) e outros clássicos da década de 1990, ao mesmo tempo em que elementos de grupos recentes, caso de Yuck e The Pains Of Being Pure At Heart, passam pelo mesmo filtro ruidoso dos gaúchos. Continue reading

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