Artista: Sleigh Bells
Gênero: Noise Pop, Alternativo, Rock
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O pop sempre fez parte do som produzido por Alexis Krauss e Derek E. Miller para o Sleigh Bells, porém, nunca de forma tão explícita (e talvez exagerada) quanto nas canções de Bitter Rivals. Terceiro álbum de inéditas da dupla nova-iorquina, o registro lançado em outubro de 2013 soa como o início de uma nova fase dentro da curta trajetória da banda. Uma fuga do conceito inicialmente testado em Treats (2010) e Reign of Terror (2012) e a base do recente Jessica Rabbit (2016, Torn Clean).

Menos “pegajoso” em relação ao trabalho lançado há três anos, o novo álbum traz de volta a fúria da dupla norte-americana. Guitarras e batidas firmes que se espalham em meio a bases melódicas, transformação explícita em cada uma das 14 composições que ocupam o intervalo de apenas 40 minutos do disco. Da abertura ao fechamento da obra, um registro essencialmente seguro, fruto da intensa colaboração entre as duas mentes da banda.

Dividido em dois grupos de composições, Jessica Rabbit concentra na primeira porção do álbum os instantes de maior explosão orquestrados pela dupla. Um bom exemplo disso está na própria faixa de abertura do trabalho, It’s Just Us Now, música que soa como um improvável encontro entre Taylor Swift e os integrantes do Metallica em estúdio. Um jogo de vozes, batidas e ruídos ensurdecedores que replica o mesmo peso de músicas como Comeback Kid e Infinity Guitars.

A mesma energia se revela ainda em I Can’t Stand You Anymore, música que mais se distancia do Noise Pop originalmente produzido pela dupla, aproximando o álbum da mesma atmosfera que marca os primeiros trabalhos do No Doubt. Em I Can Only Stare, sétima faixa do disco, versos essencialmente dramáticos se completam em meio a temas eletrônicos e ruídos, um estímulo para a ambientação caótica que detalha Throw Me Down The Stairs, composição que chega logo em sequência.

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. O lançamento de Bitter Rivals, em 2013, serviu para anunciar uma nova fase dentro da carreira do Sleigh Bells. Depois de dois discos essencialmente sujos, caóticos – Treats (2010) e Reign of Terror (2012) –, Alexis Krauss e o parceiro Derek E. Miller decidiram assumir um som cada vez mais pop. O resultado está na construção de faixas cada vez mais voltadas ao pop, sonoridade que se repete em Rule Number One, mais novo single da dupla nova-iorquina. Ao mesmo tempo em que o casal parece…Continue Reading “Sleigh Bells: “Rule Number One””

Yuck
Indie/Alternative/Rock
http://www.yuckband.com/

 

A originalidade nunca foi uma marca do Yuck. Do homônimo álbum de estreia, lançado em 2011, até a chegada de Glow & Behold (2013) e Southern Skies EP (2014), já sem o ex-vocalista Daniel Blumberg, visitar o passado de forma nostálgica sempre foi uma das principais características do grupo britânico. Um delicado exercício de “reinterpretação” que passeia por clássicos do rock alternativo e volta a se repetir com a chegada de Stranger Things (2016, Balaclava).

Tão enérgico e enfurecido quantos os dois últimos trabalhos do grupo, o presente álbum mostra a capacidade da banda – hoje formada por Max Bloom, Mariko Doi, Jonny Rogoff e Ed Hayes – em brincar com diferentes sonoridades e tendências sem necessariamente perder o controle. Guitarras sujas e vozes melódicas que poderiam facilmente ser encontradas em obras de veteranos como Dinosaur Jr., Built To Spill, Pavement, além de outros gigantes que continuam a servir de inspiração para a banda.

A principal diferença em relação aos últimos trabalhos do grupo? O som essencialmente pegajoso que orienta cada uma das 11 canções do disco. Da letra acessível que inaugura o disco com Hold Me Closer, passando pelas guitarras estridentes de Cannonball e o som dançante de Only Silence, difícil escapar das canções apresentadas em Stranger Things. De fato, esse talvez seja o trabalho que mais se aproxima do primeiro álbum de estúdio da banda, uma verdadeira coletânea de hits como Get Away e The Wall.

Mais do que uma obra de reverência, faixas como Down reforçam o quanto a banda parece em busca de um som autoral, particular. Longe do material que poderia ser de Kevin Shields ou Stephen Malkmus, são arranjos tímidos e pequenos encaixes detalhistas que transportam o ouvinte para um novo território. Swirling é outra que mostra o quarteto em um ambiente de novidades. Vozes e arranjos semi-acústicos que criam uma espécie de abrigo intimista no interior da obra.

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. A relação do grupo canadense Dilly Dally com a década de 1990 parece crescer a cada novo single. Depois da explosão de guitarras, gritos e homenagens ao Pixies na insana Desire, uma das melhores faixas apresentadas nos últimos meses, o grupo original de Toronto está de volta com mais uma composição inédita. Intitulada Purple Rage, a canção orientada pela mesma crueza do trabalho anterior mergulha a banda em vertentes distintas do rock alternativo. Enquanto a voz de Katie Monks incorpora elementos de PJ Harvey e Liz…Continue Reading “Dilly Dally: “Purple Rage””

. A íntima relação de Alice Glass com a banda californiana HEALTH parece ter influenciado diretamente no método de composição da artista. Agora em fase solo, livre do Crystal Castles, projeto em que esteve envolvida até outubro de 2014, a artista canadense lentamente prepara o terreno para a chegada do primeiro álbum autoral, obra que resume na caótica e suja Stillbirth um completo distanciamento do som explorado pela canadense desde o meio dos anos 2000. Intensa, a recém-lançada criação se afasta do Noise-Pop-Eletrônico testado com o ex-parceiro Ethan…Continue Reading “Alice Glass: “Stillbirth””

. Passado o anúncio do terceiro álbum de inéditas durante o lançamento do single/clipe New Coke, os membros do HEALTH continuam a colidir ruídos e melodias “acessíveis” de forma a preparar o terreno para o aguardado Death Magic (2015). Em Stonefist, segunda composição do trabalho e mais recente single apresentado pela banda californiana, um diálogo breve com toda a obra produzida pelo quarteto na década passada. Lembrando as composições em parceria com Crystal Castles, porém, ainda íntimos da nova sonoridade projetada para o terceiro registro, vozes…Continue Reading “HEALTH: “Stonefist””

. Em 2013 Derek E. Miller e Alexis Krauss resolveram mergulhar de vez na música pop. Ainda que os ruídos preencham toda a extensão do mediano Bitter Rivals, terceiro álbum de estúdio da dupla nova-iorquina, são os constantes diálogos com o público médio, melodias acessíveis e bases delicadas que realmente movimentam a obra. Acerto ou erro, não importa, ao lado da rapper Tink o duo apresenta a “sequência” That Did It, uma espécie de expansão do material apresentado há poucos meses. De um lado, os…Continue Reading “Sleigh Bells: “That Did It” (Feat. Tink)”

. Um dos grandes medos em se tratando da volta do Medicine – banda que permaneceu em hiato durante 10 anos -, não estava na possibilidade de Brad Laner ser incapaz de repetir o acerto dos primeiros discos do grupo, mas que passado o lançamento de To the Happy Few (2013) a banda californiana entrasse em um novo (e extenso) hiato. Para a felicidade do público, o quinto álbum do grupo de Los Angeles não apenas surpreende, como ainda serve de estímulo para o próximo…Continue Reading “Medicine: “Move Along – Down The Road””

. Desde que In Love With Useless anunciou o regresso do coletivo A Sunny Day In Glasgow, no começo de janeiro, que a expectativa em relação ao novo álbum do grupo é alta. Em hiato desde a estreia de Autumn, Again (2010), terceiro e último registro em estúdio, a banda norte-americana reserva para o dia 24 de junho o lançamento do esperado Sea When Absent (2014), novo trabalho de estúdio e uma possível sequência dos três registros entregues previamente. Depois da ótima Crushin’, lançada em…Continue Reading “A Sunny Day In Glasgow: “Bye Bye Big Ocean (The End)””

. Dois anos se passaram desde que Belong (2011), segundo registro em estúdio do The Pains Of Being Pure At Heart foi apresentado ao público. Um dos grandes exemplares da nova geração de bandas centradas no Noise Pop, o álbum traz logo na autointitulada faixa de abertura um exemplar atento de tudo o que preenche o restante da obra. A ótima composição, entretanto, nunca havia sido lançada em clipe, ou melhor, nunca liberada. Até agora. Assumida pelos diretores Brad e Brian Palmer, o trabalho transporta…Continue Reading “The Pains Of Being Pure At Heart: “Belong””