A cantora canadense Charlotte Day Wilson passou os últimos meses colecionando uma verdadeira seleção de canções inéditas e colaborações. São faixas como a delicada After All, lançada em janeiro deste ano, o soul/jazz de Work, entregue ao público meses mais tarde, além, claro, de In Your Eyes, parceria com os conterrâneos do BADBADNOTGOOD e uma das faixas do novo álbum de inéditas do coletivo original de Toronto, o ótimo IV (2016).

Com esse pequeno arsenal em mãos, Wilson, também integrante do coletivo de jazz The Wayo, apresenta ao público o primeiro EP em carreira solo: CDW. São apenas seis faixas, quatro delas inéditas, caso da melancólica Where Do You Go, música que conta com a produção do também conterrâneo River Tiber – dono do ótimo Indigo (2016). Nas canções, a mesma atmosfera delicada que acompanha a cantora desde os primeiros trabalhos, como uma ponte para a obra de artistas como Sade, Rhye e Jessie Ware.

Charlotte Day Wilson – CDW

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Dois anos após o lançamento de Primal Swag (2014), os paulistanos da INKY estão de volta com um novo registro de inéditas. Intitulado Animania (2016), o álbum que conta com produção de Guilherme Kastrup, – artista que trabalhou na construção do elogiado A Mulher do Fim do Mundo (2015), de Elza Soares –, mostra a transformação do quarteto, focado em explorar novas sonoridades e temas orgânicos, expandindo conceitos inicialmente testados no primeiro disco de inéditas.

Além de Parallax, música escolhida para anunciar o disco há poucas semanas e uma das criações mais intensas do rock (inter)nacional nos últimos meses, o grupo reserva ao público outras oito faixas. Canções como a experimental Devil`s Mark, faixa que conta com a presença dos músicos da Bixiga 70, e a derradeira In The Middle Of A Rising, uma colagem de vozes, ruídos controlados e batidas que parecem de algum terreiro.

INKY – Animania

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Endless (2016), esse é o título do segundo e mais recente álbum de Frank Ocean. Trata-se de um registro visual, uma seleção com 18 composições entregues ao público dentro do mesmo ambiente em preto e branco que o cantor apresentou na capa do próprio site oficial há poucos dias – boysdontcry.co. Entre as músicas que abastecem o disco, a já conhecida At Your Best (You Are Love), uma adaptação da faixa de mesmo nome composta pelo coletivo The Isley Brothers.

No time de convidados que surgem ao longo do disco, nomes como James Blake, Jonny Greenwood, London Contemporary Orchestra – orquestra que colaborou no último álbum do Radiohead, A Moon Shaped Pool (2016) –, Sampha, Jazmine Sullivan e até canções que contam com a produção de Arca. Segundo informações publicadas na Rolling Stone, este não é o único trabalho que será apresentado por Ocean este ano. Nos próximos dias um novo registro deve ser entregue ao público. Atualização: o vídeo foi retirado do ar. Veja pelo iTunes.

 

Frank Ocean – Endless

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Foto: Julia Rodrigues

Depois de mais de uma década como vocalista de uma das principais bandas de matal brasileiras, o Madame Saatan, Sammliz apresenta ao público o primeiro álbum de estúdio: Mamba (2016). Com lançamento pelo projeto Natura Musical, o registro de dez faixas mostra a busca da cantora paraense em busca de novas sonoridades, estreitando a natural relação com o stoner rock, elementos típicos da música eletrônica e gêneros que distanciam a artista de uma possível zona de conforto.

Com produção artística de Carlos Eduardo Miranda, músico que trabalho com nomes como Mahmundi e Boogarins nos últimos meses, o trabalho ainda conta com a produção de Leo Chermont e João Lemos, além, claro, da própria cantora. São dez composições inéditas, caso de Oya, um rock eletrônico típico do começo dos anos 2000, e a densa faixa-título, composição que mostra como seria o Queens Of The Stone Age com uma mulher nos vocais. Ouça o disco na íntegra aqui.

Sammliz – Mamba

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Miocárdio (2016), esse foi o título escolhido pelo cantor e compositor pernambucano Felipe Barros para o primeiro álbum em carreira solo. Sob o título de Barro, o músico, mais conhecido pelos trabalhos em parceria com a Benda Dessinée, faz do presente registro uma colisão de ideias e pequenos experimentos com música pop. Uma obra leve, efeito da delicada interferência de Gui Amabis como um dos produtores do disco.

Marcado pelas parcerias, o trabalho se abre para a passagem de nomes como Juçara Marçal (Nouvelles Vagues), Catalina Garcia (Volver), Lisa Moore (No Era) e Serena Altavilla, convidada para a versão em italiano da música Vai. Sobram ainda nomes Dengue (Nação Zumbi) e todo o time de instrumentistas – completo com Ricardo Fraga, Guilherme Assis, Jam da Silva, Gilú Amaral e Ed Staudinger – que acompanha o músico durante toda a construção da obra.

Barro – Miocárdio

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Nove faixas, pouco menos de 40 minutos de duração. Assim é o recém-lançado CHA (2016), segundo e mais novo álbum de estúdio do coletivo gaúcho Catavento, o trabalho movido por temas garageiros/psicodélicos mostra a transformação do grupo de Caxias do Sul em relação ao disco entregue há dois anos, Lost Youth Against The Rush (2014). Vozes e experimentos ecoados, como um diálogo com a obra de artistas como Ty Segall, Tame Impala e Thee Oh Sees.

Além de Plantinha e City’s Angel, composições apresentadas pelo grupo nas últimas semanas, o álbum entrega ao público alguns destaques, caso da cósmica Red Lagoa, um complexo exercício de experimentação que que flutua entre o começo da década de 1970 e a presente geração da música psicodélica. Com lançamento pelo selo gaúcho Honey Bomb Records – casa de bandas como Bike e Supervão –, o trabalho já pode ser ouvido gratuitamente:



Catavento – CHA

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. Três anos após o lançamento do primeiro EP, Maria Luiza Jobim e Lucas de Paiva estão de volta com o primeiro álbum de estúdio do Opala. Autointitulado, o registro que conta com 11 composições passeia pelo mesmo som etéreo apresentado pela dupla em meados de 2013. A diferença está na maior interferência das guitarras e outros instrumentos antes ocultos pelos sintetizadores, batidas e vozes abafadas que marcam as primeiras criações do duo carioca. Com distribuição pelo selo RockIt! de Dado Villa-Lobos, o registro conta com uma…Continue Reading “Opala: “Opala””

. “Memoro Fantomo_Rio Preto é um disco duplo sobre a queda num abismo e os momentos antes dela. Um diário sensorial sobre a depressão e um estudo artístico sobre a mente e as memórias”. É assim que o músico/produtor João Carvalho define o cósmico Memoro Fantomo_Rio Preto (2016). Mais recente álbum do artista mineiro, também integrante da banda El Toro Fuerte, uma coleção de 13 faixas que, como o próprio título aponta, acaba se dividindo em duas partes. Na primeira metade do trabalho, uma seleção de oito…Continue Reading “Sentidor: “Memoro Fantomo_Rio Preto””

. Dev Heynes está de volta. Três anos após o lançamento do delicado Cupid Deluxe, uma das obras mais complexas da presente década e um dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2013, o cantor, compositor e produtor de origem inglesa faz de Freetown Sound (2016) o terceiro álbum de inéditas como Blood Orange. Originalmente previsto para o dia 01/07, o novo registro já pode ser apreciado em diferentes plataformas digitais. São 17 composições repletas de parcerias, vozes e rimas assinadas por diferentes nomes da música negra norte-americana. Entre os destaques do…Continue Reading “Blood Orange: “Freetown Sound””

. Entregue ao público em abril do último ano, o terceiro álbum de estúdio do coletivo paulistano Bixiga 70 continua rendendo bons frutos. Um dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2015, o registro de nove faixas surge transformado nas mãos do produtor Victor Rice. Assim como fez recentemente no segundo álbum de estúdio de Matheus Brant, Assume Que Gosta (2016), Rice transportou parte das canções para o universo de emanações jamaicanas do Dub. O resultado está em uma sequência com sete composições marcadas pelo eco,…Continue Reading “Bixiga 70: “The Copan Connection: Bixiga 70 meets Victor Rice””