O encerramento temporário das atividades do Câmera pode ter silenciado uma das grandes bandas da cena brasileira, entretanto, fez com que cada integrante mergulhasse na construção de um novo e bem-sucedido projeto. Um bom exemplo disso está no primeiro álbum em carreira solo do baixista Bruno Faleiro. Sob o título de Sci Fi, uma seleção marcada por seis faixas sujas, caseiras, íntimas de gigantes do rock alternativo dos anos 1980 e 1990 – principalmente Sonic Youth e My Bloody Valentine.

Em uma trilha contrária ao som produzido no melódico Mountain Tops (2014), último trabalho do Câmera, ou mesmo o recente Songs for Wood & Fire (2016), do parceiro André Travassos na estreia como M O O N S, Faleiro brinca com a crueza dos arranjos e pequenas doses de distorção. Uma viagem declarada em direção ao passado, como se cada composição indicasse as principais referências e obras que influenciaram o trabalho do músico mineiro.

 

Sci Fi – Sci Fi

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Pouco mais de um ano após o lançamento do álbum  Beauty Behind the Madness – 43º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2015 –, Abel Tesfaye está de volta com um novo álbum do The Weeknd. Em Starboy (2016), o cantor e produtor canadense segue exatamente de onde parou há poucos meses, presenteando o público com uma verdadeira seleção hits. Versos românticos, sedutores e sombrios que se dividem entre o Pop e o R&B.

Entre as 18 composições do trabalho, nomes como Kendrick Lamar, Future, Lana del Rey e os franceses do Daft Punk, dupla responsável pela produção não apenas da faixa-título do disco, mas da ótima I Feel It Coming. Entre os produtores/letristas do disco, nomes como Cashmere Cat e Benny Blanco, em True Colors, vozes de Sam Smith em Sidewalk e a presença de veteranos, como Diplo, um dos responsáveis por Nothing Without You.

 

The Weeknd – Starboy

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Poucos dias após o lançamento da dobradinha formada pelo som cósmico de Dream e Ache, é chegada a hora de ter acesso ao primeiro disco da nova-iorquina DÆVA: Beta Persi (2016). Com distribuição pelo selo independente Furious Hooves, o trabalho de apenas dez faixas mostra todo o cuidado da jovem cantora e produtora na construção dos arranjos, melodias e vozes que se espalham durante toda a formação do delicado registro.

Além das duas canções já conhecidas, a estreia de Gigi Mead ainda reserva algumas surpresas. É caso de faixas como a econômica Drown, música que soa como uma adaptação pop do som produzido por artistas como Grouper e Julianna Barwick. Com referências ao seriado Arquivo X, o trabalho parece seguir a trilha dos primeiros inventos autorais da canadense Grimes, além, claro, de projetos como o Blue Hawaii e o som empoeirado do Houses.

 

DÆVA – Beta Persi

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Escorpião (2016), esse é o título do segundo e mais recente álbum da dupla Godasdog. Projeto dividido entre Victor Meira (vocalista da Bratislava) e o produtor musical Adam Matschulat, o trabalho de apenas oito faixas chega para ocupar o espaço do álbum Hoje (2013), primeiro registro de inéditas da dupla. Melodias eletrônicas, batidas e vozes esculpiadas à distância, aproximando Meira, morador da cidade de São Paulo, de Matschulat, residente na Inglaterra.

Entre as composições do disco, faixas como Infância, montada a partir de retalhos musicais da década de 1990 – como a música de abertura do desenho Yu Yu Hakusho –, além de outras como a frenética Espera, um jogo de vozes e batidas eletrônicas instáveis. Assim como o álbum entregue ao público há três anos, Escorpião pode ser baixado gratuitamente no perfil da dupla no Bandcamp. O espaço ainda conta com outros singles, remixes e EPs também produzidos pelos músicos.

 

Godasdog – Escorpião

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Poucas semanas após o lançamento do single Belo Horizonte, o cantor e compositor Pedro Flores entrega ao público o primeiro grande álbum da carreira. Autointitulado, o registro que conta com distribuição pelo selo/coletivo Geração Perdida – casa de artistas como Lupe de Lupe, Jonathan Tadeu e Rio Sem Nome –, mostra a relação do artistas mineiro com a música caipira de raiz, conceito explícito em cada uma das oito faixas do trabalho.

Claramente influenciado pelo som do grupo paranaense Charme Chulo, além, claro, de grandes nomes do folk norte-americano da década de 1960, Flores faz de cada canção ao longo do disco um olhar detalhado sobre o presente. Versos meio cantados, meio declamados que exploram diferentes aspectos da cultura brasileira (Sangue Brasileiro), mergulham em temas existencialistas (Tempo que Passa) e canções intimistas (Eu Nunca Quis).

Pedro Flores – Pedro Flores

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Produzido e gravada durante a turnê “Bons Amigos, Maus Hábitos”, projeto que envolveu os integrantes da El Toro Fuerte, Jonathan Tadeu, Fernando Motta e Sentidor em uma série de apresentações por diversas cidades do Nordeste do país, Rio Sem Nome é o mais novo trabalho do mineiro João Carvalho. Trata-se de uma adaptação de diversos conceitos incorporados pelo artista nos últimos meses. Um melancólico jogo de texturas eletrônicas, versos confessionais e sentimentos expostos.

Além das três composições apresentadas por Carvalho recentemente – Cosmorama, Liberdade e Recife –, o registro ainda conta com outras sete canções inéditas. Músicas como a cósmica A História Não Nos Redimirá, repleta de fragmentos de vozes e sintetizadores delicados, além de outras, como a sombria Teca, e derradeira Alvorada. Com distribuição pelo selo/coletivo Geração Perdida, o trabalho ainda conta com download gratuito pelo bandcamp do Rio Sem Nome.

 

Rio Sem Nome – Rio Sem Nome

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Filipe Alvim passou os últimos meses preparando o terreno para a chegada do primeiro registro de inéditas da carreira, o romântico Beijos (2016). Entre faixas de essência melancólica, como Vida Sem Sentido Poderosaalém de músicas levemente ensolaradas, caso de Miragem, a lenta construção de uma obra marcada pela utilização de versos e melodias sempre intimistas, percpção reforçada dentro das oito canções que abastecem a estreia do cantor e compositor mineiro.

Além das três músicas apresentadas por Alvim nos últimos meses, Beijos reserva ao público um pequeno catálogo de faixas movidas pela poesia descomplicada do músico. Composições que mergulham em temas existenciais (“O erro pode ser o acerto / De quem procura se encontrar“) e pequenos tormentos melancólicos (“Nessa cama redonda eu bodei / Eu não sei O que será de mim“). Com distribuição pelo selo Pug Records, o trabalho pode ser apreciado e baixado gratuitamente pelo Bandcamp do artista.

 

Filipe Alvim – Beijos

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Quatro anos após o lançamento do primeiro trabalho em carreira solo, o EP Abraço (2012), Beto Mejía, ex-integrante do Móveis Coloniais de Acajú, está de volta com um novo álbum de inéditas. Estreia defintiva do músico, o trabalho de 12 faixas intitulado Wahyoob (2016) mostra a busca do artista por um som cada vez mais pop, acessível. Composições marcadas pela completa leveza dos arranjos e vozes, porém, adornadas pelo uso de diversos elementos da cultura Maia.

Com influência direta dos trabalhos em carreira solo de Jónsi, um dos integrantes do Sigur Rós, o álbum conta com produção dividida entre Mejía e Kelton Gomes. Junto do músico, um time limitado de colaboradores formado por Gustavo Bertoni (Scalene), Victor Meira e André Whoong. No site de Mejía, você encontra o link para o download gratuito do disco, além, claro, de outras informações sobre o processo de construção da obra.

 

Beto Mejía – Wahyoob

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Um ano após o lançamento do álbum Macumba Afrocimética (2015), obra que acabou passando despercebida para muita gente, os integrantes da banda cuiabana Macaco Bong estão de volta com um novo registro de inéditas. Autointitulado, o trabalho de apenas oito faixas mostra a busca do grupo – hoje formado por Bruno Kayapy (guitarras), Daniel Hortides (baixo) e Daniel Fumegaladrão (bateria) – em provar de novas sonoridades.

Com uma capa repleta de colagens e cores saturadas, trabalho do próprio Kayapy, o registro acaba indicando a direção seguida pelos três integrantes da banda, cada vez mais próximos da década de 1990 e do som produzido por bandas como Fugazi e outros veteranos do mesmo período. Com distribuição pelo selo Sinewave – casa de artistas como Cadu Tenório, Kalouv e Huey –, o novo álbum da Macaco Bong pode ser baixado gratuitamente.

 

Macaco Bong – Macaco Bong

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Dias após o lançamento de Flecha Empenada, canção acompanhada pelo clipe de José de Holanda – assista –, César Lacerda e Romulo Fróes apresentam ao público o primeiro trabalho gerado em parceria entre os músicos: O Meu Nome é Qualquer Um (2016). São 13 faixas compostas de forma colaborativa, trabalho que se abre para a interferência do parceiro Rodrigo Campos, responsável pelos violões, guitarras e outros instrumentos do disco, além do jogo de vozes entre Lacerda e Fróes.

No disco, uma espécie de anti-herói contemporâneo percorre o Brasil de agora tentando compreender a complexa miríade de assuntos à sua volta. O problema racial, o terceiro sexo, as redes sociais, o assassinato de crianças negras na favela, o amor, a morte“, sintetiza o texto de apresentação do disco. Com distribuição pelos selos YB music e Circus, o trabalho ainda pode ser baixado gratuitamente pela página criada para divulgar o álbum.

 

César Lacerda e Romulo Fróes – O Meu Nome É Qualquer Um

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