Pouco menos de um ano após o lançamento do ótimo Yoncalla (2016), álbum de estreia do Yumi Zouma, os integrantes da banda neo-zelandesa estão de volta com um novo e curioso projeto. A pedido do Sounds Delicious, projeto colaborativo que visa lançar discos clássicos interpretados por novos artistas, o grupo apresenta ao público o a nova versão do disco (What’s The Story) Morning Glory? (1995), álbum de estreia do Oasis e um dos principais trabalhos produzidos na década de 1990.

Para divulgar o projeto, que há poucas semanas entregou ao público a nova (e suja) adaptação de She’s Electric, o grupo apresenta agora uma diferente interpretação para Champagne Supernova. Originalmente lançada com pouco mais de sete minutos de duração, nas mãos do Yumi Zouma a composição se transforma em um ato curto, radiante. Trata-se de um indie pop repleto de sintetizadores e guitarras rápidas, como uma sobra de estúdio do último disco da banda.

 

Yumi Zouma – Champagne Supernova

 

Yumi Zouma – She’s Electric

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Por: Cleber Facchi

Pulp

A seção Cozinhando Discografias consiste basicamente em falar de todos os álbuns de um artista, ignorando a ordem cronológica dos lançamentos. E qual o critério usado então? A resposta é simples, mas o método não: a qualidade. Dentro desse parâmetro temos uma série de fatores determinantes envolvidos, que vão da recepção crítica do disco no mercado fonográfico, além, claro, dentro da própria trajetória do grupo e seus anteriores projetos. Vale ressaltar que além da equipe do Miojo Indie, outros blogs parceiros foram convidados para suas específicas opiniões sobre cada um dos trabalhos, tornando o resultado da lista muito mais democrático e pontual.

Nascida em 1978, a banda britânica Pulp jamais se confortou em um estilo ou sonoridade especifica. Ao longo de três décadas de atuação e sete bem resolvidos trabalhos em estúdio – It (1983), Freaks (1987), Separations (1992), His ‘n’ Hers (1994), Different Class (1995), This Is Hardcore (1998) e We Love Life (2001) – o mutável grupo comandado por Jarvis Cocker fez da transformação um exercício natural de estímulo para o público. São obras que atravessam o ambiente sombreado do Pós-Punk, emulam as sensações lisérgicas da Acid House e alcançam o ápice do Britpop para amarrar as canções da banda em um cenário tão vasto, quanto conciso.

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Por: Cleber Facchi

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A seção Cozinhando Discografias consiste basicamente em falar de todos os álbuns de um artista, ignorando a ordem cronológica dos lançamentos. E qual o critério usado então? A resposta é simples, mas o método não: a qualidade. Dentro desse parâmetro temos uma série de fatores determinantes envolvidos, que vão da recepção crítica do disco no mercado fonográfico, além, claro, dentro da própria trajetória do grupo e seus anteriores projetos. Vale ressaltar que além da equipe do Miojo Indie, outros blogs parceiros foram convidados para suas específicas opiniões sobre cada um dos trabalhos, tornando o resultado da lista muito mais democrático e pontual.

Entre o chão e o espaço, assim pode ser caracterizado o trabalho de Jason Pierce com o Spiritualized. Criado no começo dos anos 1990 como um resultado das experiências conquistadas pelo músico em sua extinta banda, a também influente Spacemen 3, o projeto cresce a partir da soma de um catálogo próprio de referências. Melodias que atravessam a psicodélico, absorvem a imposição sinfônica do rock progressivo e encontram nas vocalizações típicas da música gospel um ponto de identidade.

Adepto dos longos espaços entre um trabalho e outro, Pierce já atravessou três décadas de registros fundamentais para músicas. São obras clássicas como Ladies And Gentlemen We Are Floating In Space (1997) e Let It Come Down (2001), ou o ainda recente Sweet Heart Sweet Light, de 2012. Sempre mutável e, ainda assim, movido por uma fórmula própria, o músico e toda a obra do Spiritualized são os novos escolhidos a integrar a seção Cozinhando Discografias. Uma discografia curta, de sete obras fundamentais, mas que foram ordenadas do pior para o melhor registro.

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Por: Cleber Facchi / Arte: André Murched

20 discos

Definitivamente o ano de 1994 foi positivo para a música. Enquanto o Brasil viu nascer um dos maiores movimentos culturais da história do país – o manguebeat -, no exterior, o rock alternativo tomava conta das principais paradas de sucesso. Também foi o ano do R&B – representado pelas meninas do TLC -, o ano em que o trip-Hop foi oficialmente apresentado ao mundo – com o Portishead – e o início da grande batalha do britpop que envolveria as bandas Oasis e Blur.

Para celebrar os 20 anos de lançamento de obras tão icônicas como Da Lama Ao Caos, do grupo recifense Chico Science & Nação Zumbi, Dookie do Green Day e o primeiro trabalho de estúdio do Raimundos, fomos atrás de uma seleção com 20 obras essenciais para entender a música lançada em 1994. Menções honrosas para: Monster do R.E.M., The Holy Bible do Manic Street Preachers, Bee Thousand do Guided By Voices, Vitalogy do Pearl Jam e outras obras que (infelizmente) acabaram de fora da seleção final.

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Temples
Psychedelic/Indie/Alternative
http://templestheband.com/

Temples

Mais de quatro décadas se passaram desde que as cores do verão de 1967 alteraram o curso do rock psicodélico. Entretanto, o caminho mágico percorrido e essência proposta há 40 anos está longe de ter fim, algo que o quarteto britânico Temples reforça em um evidente estágio de nostalgia com a chegada de Sun Structures (2014, Sun Structures). Primeiro registro em estúdio da banda de Kettering, Inglaterra, o álbum segue as pistas coloridas deixadas por veteranos como The Beatles e Love, matéria-prima para a formação de um conjunto de músicas melódicas e instrumentalmente amigáveis.

Longe de assumir a mesma posição revolucionária imposta pelos gigantes do Tame Impala em Lonerism (2012), o debut de 12 faixas se arma como uma fuga rápida e descompromissada. São canções de versos simples, tramas propositalmente redundantes, mas que agradam ao espectador sem qualquer dificuldade. Não se trata de uma obra que busca pela complexidade das formas, pelo contrário, utiliza de todos os atributos em seu interior para ocupar com leveza os ouvidos do público.

Mais do que uma (re)interpretação do cenário musical proposto há quatro décadas, Sun Structure é um disco que brinca com diversos exageros e marcas específicas do rock montado para a década de 1990. Novos queridinhos do ex-Oasis Noel Gallagher, a banda passeia pelo Britpop em uma composição empoeirada, como se camadas sobrepostas de nostalgia servissem de estímulo para a projeção das canções. A relação com o ambiente musical lançado há duas décadas é evidente na segunda metade do disco, quando músicas como Colours To Life controlam a psicodelia e se apegam ao pop.

Todavia, o grande acerto da obra está mesmo em mergulhar de vez nos anos 1960. As vozes ecoadas, arranjos distorcidos de forma lisérgica e versos que se perdem lentamente são os grandes atrativos do grupo. Ainda que a inaugural Shelter Song sirva para prender o ouvinte, é a partir de The Golden Throne e Shelter Song que a banda realmente mostra a que veio. Lidando com variações de um mesmo tema, o grupo soa como um Foxygen menos bucólico, ou mesmo um Quilt mais acelerado, estratégia que deve atingir em cheio o grande público.

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Por: Cleber Facchi

10 Discos Para Gostar de Britpop

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Resposta britânica ao som assumido pelo rock estadunidense no fim dos anos 1980, o Britpop deixou a raiva do Grunge para fluir como uma representação do decadente estilo de vida inglês. Dotado de versos irônicos e arranjos instrumentais melódicos, típicos do rock imposto na década de 1960, o novo “gênero” em pouco tempo atraiu parte expressiva do público, da crítica e principalmente das rádios locais. Logo, o que parecia um movimento específico e regional, em pouco tempo ocupou os ouvidos de boa parte do planeta, se estendendo por toda a década de 1990 – e até além dela. Do duelo entre Blur e Oasis, passando pela consagração de grupos como Pulp e The Verve, até a avalanche de novas bandas que viriam em sequência, o Britpop talvez seja a maior movimentação (comercial) da cena inglesa desde o ápice dos Beatles. Nesse cenário marcado por obras de plena relevância, selecionamos apenas 10 álbuns íntimos de toda a estética que marca o estilo, o que fez com que obras como o debut do The Stone Roses (1989), Nowhere (1990) do Ride e The Bends (1994) do Radiohead ficassem de fora da seleção. Caso algum disco que você gosta tenha ficado de fora da lista, use os comentários para se manifestar – quem sabe a gente não faz um novo especial.

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. Depois de querer ser Bob Dylan e de entrar para a família Gallagher em um dos álbuns mais desnecessários de 2012, agora Jake Bugg quer ser Alex Turner – ou qualquer outro artista britânico da década passada que resolveu brincar com guitarras rápidas e sujas. Forte candidata a uma das piores músicas de 2013, What Doesn’t Kill You mostra toda a “evolução” do garoto, que resolveu trocar o folk compacto do primeiro álbum para brincar abertamente com as guitarras, ou quase isso. A canção…Continue Reading “Jake Bugg: “What Doesn’t Kill You””

. . Mulheres, mulheres até onde a vista alcançar. E um pouquinho de Liam Gallagher, claro. Para o mais novo vídeo do Beady Eye, Shine A Light, o diretor Charlie Lightening resolveu ceder aos excessos da banda, transportando o grupo e principalmente o vocalista para um banquete farto – em todos os sentidos. Segundo single do registro intitulado BE, a canção segue de forma decidida a mesma propriedade de Second Bite of the Apple, acomodando a banda em um som de natureza crescente e, pela…Continue Reading “Beady Eye: “Shine A Light””

Blur

A seção Cozinhando Discografias consiste basicamente em falar de todos os álbuns de um artista ignorando a ordem cronológica dos lançamentos. E qual o critério usado então? A resposta é simples, mas o método não: a qualidade. Dentro desse parâmetro temos uma série de fatores determinantes envolvidos, que vão da recepção crítica do disco no mercado fonográfico, além, claro, dentro da própria trajetória do grupo e seus anteriores projetos. Vale ressaltar que além da equipe do Miojo Indie, outros blogs parceiros foram convidados para suas específicas opiniões sobre cada um dos trabalhos, tornando o resultado da lista muito mais democrático e pontual.

Prestes a passar pelo Brasil pela segunda vez, os veteranos do Blur foram os escolhidos para a mais nova edição do nosso especial. Com mais de 20 anos de carreira e sete registros em estúdio, o grupo Londrino é responsável por algumas das composições e obras mais importantes do rock inglês na década de 1990. Ao lado de Oasis, Pulp e Suede, a banda encabeçada por Damon Albarn deu vida a obras como Parklife (1994) e 13 (1999), trabalhos que ainda hoje servem de base para boa parte dos artistas em solo britânico. Grupo responsável por álbuns de peso similar, o quarteto teve cada um dos sete registros em estúdio analisados e listados em ordem crescente, do “pior” para o melhor, como todos os outros artistas que já passaram pela nossa seção.

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Beady Eye
British/Rock/Britpop
http://beadyeyemusic.co.uk/

Por: Cleber Facchi

Beady Eye

O excesso sempre foi o maior problema dos irmãos Gallagher durante a carreira do Oasis. Sejam as aventuras lisérgicas que praticamente devastaram a dupla pós-Be Here Now (1997) ou o discurso excessivamente polêmico nos semanários ingleses, todo um jogo de pequenos exageros e desentendimentos contribuíram para o dissolvimento da banda em 2009. Curioso observar que ao partir em busca de novos projetos, tanto Liam (com o Beady Eye) quanto Noel (em carreira solo) souberam como dosar tal medida de exagero com verdadeira assertividade – o irmão mais velho de forma muito mais coerente do que o caçula, claro.

Ao alcançar o segundo registro com a nova banda, Liam parece assumir o mesmo posicionamento com nítida maturidade. Um esforço que naturalmente possibilita ao grupo ultrapassar os exageros firmados no decorrer de Different Gear, Still Speeding (2011), para materializar com acerto o álbum que os fãs do Oasis talvez estivessem esperando. Mais do que isso, com a chegada de BE (2013, Beady Eye/Columbia), presente álbum do grupo inglês, o trabalho parece finalmente desprovido das irregularidades de outrora, evitando a todo custo a multiplicidade de percursos em prol de um som comercialmente viável e, na medida do possível, atrativo.

Esforço claro para a construção de todo o disco, Dave Sitek (TV On The Radio) mostra onde esteve trabalhando nos últimos meses, o que explica (em partes) a “ausência” em relação ao desempenho precário de Planta (2013), último álbum do CSS. Fundamental para o estabelecimento de uma identidade sonora para o disco (e até para a banda), o músico e produtor norte-americano parece amarrar as guitarras sujas/psicodélicas de Andy Bell com a sonoridade sessentista que há tempos acompanha Gallagher. Um encontro necessário durante toda as etapas do primeiro disco da banda e um propósito que finalmente se concretiza com perceptível acerto na nova obra do Beady Eye.

Orquestrando arranjos de metais e sonorizações compactas que se aproximam de forma clara daquilo que o TV On The Radio conquistou com Nine Types Of Light (2011), BE encontra nos sons das década de 1960 e 1970 uma âncora natural para o trabalho. Enquanto Second Bite Of The Apple soa como uma continuação quase copiada daquilo que o The Zombies apresentou em Time Of The Season (as batidas e a linha de baixo são praticamente idênticas), Don’t Brother Me revive com limpidez aquilo que os Beatles sustentaram pós-Revolver (1966). Sobram ainda acréscimos de Bob Dylan, The Doors, The Kinks e toda uma variedade de referências que alimentam de forma confessa o trabalho de cada membro da banda.

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