P A R A T I
Indie Pop/Dream Pop/Alternative
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Os sentimentos guiam o trabalho da dupla P A R A T I em Superfície (2015, Balaclava Records). Primeiro registro aos comandos de Rita Oliva e Zelino Lanfranchi, também integrantes do grupo Cabana Café, o projeto de emanações leves e arranjos ora orgânicos, ora eletrônicos brinca com a interpretação do ouvinte em uma montagem lenta e sedutora. Um espaço musicalmente construído em cima dos sonhos, desilusões e até mesmo tormentos extraídos do cotidiano de qualquer casal.

Curto, são apenas oito composições espalhadas em pouco mais de 30 minutos de duração, o álbum de sonoridade tímida cresce a cada sussurro emanado pela vocalista. Versos apaixonados, melancólicos ou apenas confissões dissolvidas em uma lírica costurada pela provocação. “Sente a cadência / Constante intrínseca / Descanso estímulo / Seu consolo faz sorrir”, entrega Oliva na delicada Suor, faixa que resume com naturalidade todo o conceito sentimental (e intimista) que alimenta a obra.

Flutuando em um ambiente próximo do onírico, repleto de vozes e arranjos encaixados delicadamente, sempre de maneira imprecisa, Superfície é um registro que chega até o ouvinte em pequenas doses. Mais do que garantir respostas, a beleza do trabalho está nos “segredos” e colagens que dançam ao fundo de cada composição. Um solo de guitarra entristecido, como em Fugaz, e até pequenos diálogos com a música pop, marca explícita no refrão de Tribor ou mesmo na montagem dançante que abre o disco com Besteira, faixa que parece extraída do primeiro disco do HAIM, Days Are Gone (2013).

Ainda que a relação com SILVA, Mahmundi e outros representantes da “eletrônica nacional” pareça clara no decorrer do disco, faixa após faixa, Oliva e Lanfranchi mantém firme a busca por um caminho isolado, íntimo apenas da cena estrangeira. É fácil lembrar de Blue Hawaii, Washed Out, Cashmere Cat e outros artistas partidários do mesmo Dream Pop “litorâneo” que movimenta as canções da dupla brasileira. Nomes que talvez nem sirvam de referência para o casal, entretanto, parecem confortáveis no mesmo ambiente timidamente iluminado pela luz do Sol à beira mar.

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