Tag Archives: Perfume Genius

Perfume Genius: “Thing”

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O ambiente sombrio e confessional explorado por Mike Hadreas no decorrer de Too Bright (2014) está longe de chegar ao fim. Em um exercício de continuação do material apresentado ao público há poucos meses, o músico norte-americano mergulha ainda mais fundo nos próprios medos, solucionando a base para apresentar a inédita Thing, uma das peças que acabaram de fora da edição final do terceiro álbum como Perfume Genius.

Entre pianos arrastados e sintetizadores obscuros que incorporam lentas variações do drone, Hadreas não poupa esforços para assustar o ouvinte. Harmonias sujas que lembram o trabalho de The Haxan Cloak, a voz (incialmente) minimalista do cantor, ruídos que lembram pássaros ou mesmo pessoas cantarolando ao fundo da criação. Como nas canções do último disco, Hadreas primeiro espalha as peças, montando cada fragmento lentamente.

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Perfume Genius – Thing

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Disco: “Too Bright”, Perfume Genius

Perfume Genius
Indie/Chamber Pop/Experimental
https://www.facebook.com/perfumegeniusofficial

Por: Cleber Facchi

Mike Hadreas é um especialista em brincar com os contrastes. Desde o primeiro álbum como Perfume Genius, Learning (2010), o enquadramento sutil dos arranjos segue em oposição ao lirismo grandioso, quase cênico, incorporado em cada verso. Não diferente é a estrutura abordada em Put Your Back N 2 It, obra entregue dois anos mais tarde e uma espécie de extensão (ainda mais) dolorosa do ambiente construído no disco de estreia. Contudo, ao abrir as cortinas do terceiro álbum da carreira, Too Bright (2014, Matador), o compositor revela ao ouvinte uma série de elementos surpresa.

Imenso palco iluminado pelo experimento, o presente registro é uma obra que se expande grandiosa, seduzindo com naturalidade o espectador, sem elementos opositivos. Ainda que marcado por sóbrios instantes de minimalismo, referências típicas do músico, grande parte das canções surgem de forma intensa, “brilhantes” e espalhafatosas,  fazendo valer o título do álbum. Mais uma vez acompanhado pelo produtor Ali Chant e Adrian Utley, do Portishead – responsável pelos sintetizadores do disco -, Hadreas soluciona uma obra em que arranjos e temas funcionam paralelamente, tratando na fluidez dos elementos uma espécie de espetáculo triste.

Parcialmente livre do Chamber Pop claustrofóbico dos dois primeiros álbuns, em Too Bright o compositor deixa de soar como um filho adorado de Antony Hegarty para flertar abertamente com a obra de David Bowie. Ainda que a capa plástica do disco sirva de referência imediata ao trabalho do músico britânico, o uso de arranjos sintéticos – típicos de Station to Station (1976) -, além da estrutura teatral – no melhor estilo Ziggy Stardust -, apenas reforçam a confessa devoção de Hadreas.

Personagem central de própria obra, o cantor regressa ao mesmo território melancólico do álbum de 2012, ressuscitando histórias particulares de seu último relacionamento fracassado. A diferença em relação ao material exposto em faixas como Hood e Dark Parts – todas focadas com amargura no ex-namorado -, está na forma como o cantor parece aos poucos seguir em frente, algo explícito na inaugural I Decline - “Eu posso ver por milhas / A mesma linha velha / Não, obrigado / Eu recuso“. Continue reading

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Perfume Genius: “Grid”

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Quem esperava por uma continuação do Folk/Chamber Pop testado em Learning (2010) e Put Your Back N 2 It (2012) encontrou no lançamento de Queen, há poucas semanas, uma peça transformadora na obra de Mike Hadreas. Primeira composição do músico norte-americano para o novo álbum à frente do Perfume Genius – Too Bright (2014) -, a canção dosa entre a sonoridade intimista dos primeiros inventos e a busca por um novo posicionamento acústico, efeito também reforçado na recém-lançada Grid.

Abastecida por sintetizadores do primeiro ao último ato, a nova faixa usa do clima denso como um alicerce para a voz transformada de Hadreas – ainda mais poderosa do que nos primeiros trabalhos em estúdio. Transições eletrônicas, batidas sujas e “gritos”, mecanismos posicionados de forma precisa, como um estímulo para as imagens assinadas por Charlotte Rutherford. Personagem central do vídeo, o cantor se divide entre um cenário noturno e uma mesa de jantar, passeando pelas imagens acompanhado por seres mascarados e dançarinas em uma estranha “coreografia”. Com lançamento pelo selo Matador, Too Bright estreia no dia 22 de setembro.

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Perfume Genius – Grid

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Desampa: “Foregone”

Desampa

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A julgar pelo desenvolvimento dado ao primeiro EP, Err, de 2013, todo o pequeno arsenal do paulistano Desampa não passou de um pequeno aquecimento. Próximo de apresentar o mais novo trabalho de sua carreira, o misterioso artista usa da melancolia explícita em Foregone como um atento preparativo. Densa e propositalmente amarga, a faixa não apenas ultrapassa os limites estéticos do compositor, como prova que algo ainda mais provocante está por vir com a assinatura do artista.

Utilizando da mesma base de pianos e vozes em falsete do disco anterior, Desampa quebra as percepções do ouvinte ao brincar com diferentes preferências harmônicas, esforço para o que deve guiar o inédito Hue EP. São batidas, vozes e samples lançados em um ambiente de caos controlado, fórmula que escapa dos domínios encontrados em faixas como Streets Of Soul e Life para provar de novas experiências. Das ambientações do These New Puritans ao sofrimento de Perfume Genius, um conjunto de referências flutuam de maneira particular dentro da curta duração da nova música.

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Desampa – Foregone

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Disco: “Love To Give”, Halls

Halls
Alternative/Indie/Singer-Songwriter
http://hallsmusic.net/

Por: Cleber Facchi

Halls

Quais são os limites da dor? Esta parece ser uma pergunta que o britânico Sam Howard busca responder no interior de Love To Give (2014, No Pain In Pop). Segundo trabalho em estúdio do cantor e compositor londrino, o álbum se apresenta como uma sequência e ao mesmo tempo uma completa reformulação do ambiente proposto há pouquíssimos meses com Ark (2013), obra que apresentou o jovem artista, e um universo completamente distante do que se revela em totalidade agora.

Denso, o disco é uma fina representação da amargura do compositor, que em virtude da própria melancolia e evidente abandono encontra a matéria-prima para a formatação do álbum. Pontuado por uma arquitetura sombria, o disco caminha em um enquadramento de forte aproximação entre as músicas. Tratadas em um ato único, cada faixa se relaciona de forma “amigável” com a composição seguinte, exercício que potencializa o teor de desespero anunciado na autointitulada faixa de abertura e seguido de forma honesta até o fim do disco.

Limitado e ainda assim amplo em relação ao tratamento musical exposto em Ark, Love To Give se esquiva de possíveis rupturas de forma a arrastar o espectador para um universo fechado de experiências. A base sombria de pianos, rasos fragmentos eletrônicos e voz predominante parece fluir de maneira satisfatória dentro do projeto do disco, que encara cada composição como um objeto de puro recolhimento. Mesmo quando se delicia com possíveis exaltações – caso de Waves e Aria -, Howard jamais rompe com o sombreado homogêneo do disco.

Por conta do recolhimento dado ao disco, diversas passagens de Love To Give esbarram na estética apresentada por Mike Hadreas para o Perfume Genius. Todavia, enquanto o cantor e compositor norte-americano assume na próxima homossexualidade um traço de dramaticidade e crescimento, marca evidente em Put Your Back N 2 It, de 2012, o cantor londrino se afunda cada vez mais no próprio sofrimento. São canções serenas, econômicas, e que em nenhum momento ultrapassam uma lógica previsível que parece instalada logo nos instante iniciais do disco. Continue reading

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DESAMPA: “Love?”

Desampa

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Já falamos sobre o trabalho do misterioso DESAMPA há alguns meses, durante o lançamento do melancólico Err EP. Misto de Perfume Genius, Rhye e Sampha, o músico paulistano aparece agora com mais uma grata surpresa relacionada ao projeto. Trata-se de Love?, canção que dá sequência ao universo intimista projetado pelo músico há alguns meses e agora aparece em clipe. Faixa de encerramento do EP, a música encontra na direção e nas imagens de Nathan Wang um natural complemento para as próprias reverberações. Captado em preto e branco, o registro passeia por diferentes aspectos e cenários da cidade de São Paulo, substituindo o caos diário da metrópole por um ambiente isolado. Além do clipe, abaixo você encontra as seis faixas do registro de apresentação do músico, que já deixa a pergunta: teremos outras novidades em 2014?

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DESAMPA – Love?

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DESAMPA – Err EP

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Perfume Genius & Thiago Pethit no Cine Joia

Por: Cleber Facchi

Perfume Genius

Sensibilidade e drama se misturaram com acerto na passagem de Thiago Pethit e do norte-americano Perfume Genius pelo Cine Joia. Braço paulistano do festival recifense Coquetel Molotov, a apresentação no último domingo (20) trouxe no efeito teatral do primeiro e nas confissões do segundo uma tapeçaria de complementos naturalmente sombrios. Diferentes aspectos de um típico coração partido revelados por vozes, sons e temas tratados em um reforço de quase oposição, mas que encontraram na amargura dos interpretes um ponto nítido de aproximação.

Com seu figurino transgênero e instrumental movido de forma clara pela grandeza, Pethit deu vida ao jogo teatral de Estrela Decadente (2012), último registro em estúdio e obra que parece pensada com acerto para as apresentações ao vivo. Nada tímido e sabendo como orquestrar o público escasso que se acomodava espalhado pela pista, o paulistano fez do repertório ascendente um princípio para que músicas como Dandy Darling, Devil In Me e Moon fossem expostas em um jogo catártico, superior ao ambiente limitador de estúdio a que foram originalmente concebidas. Mais do que isso, Pethit e os companheiros de banda conseguiram romper com a timidez encaixada em Berlim, Texas (2010), estreia do músico e a morada de músicas, não mais tão tímidas, como Forasteiro.

Thiago Pethit

Enquanto o brasileiro apostou (com acerto) no manuseio das guitarras e principalmente vozes dinâmicas – vide a deliciosa versão de My Girl, do The Temptations -, Mike Hadreas, a mente sofredora aos comandos do Perfume Genius, seguiu pelo caminho oposto. Acompanhado de um baterista e outro músico responsável pela divisão dos pianos e sintetizadores, o artista visitou com parcimônia o cenário naturalmente sombrio de Put Your Back N 2 It (2012). Último registro em estúdio do norte-americano, o álbum trouxe em faixas como Normal Song e Take Me Home a base para uma apresentação marcada pelo teor intimista dos arranjos. De frente para um teclado, onde passou a maior parte do tempo, Hadreas substituiu em pouco tempo a calmaria natural pela comoção, efeito reforçado quando a amarga Hood fez o público cantar em coro, ou mesmo as demais canções espalhadas pelo repertório cinza.

Perfume Genius

Complementares, as apresentações fizeram o público ir da ascensão à queda em instantes sentimental, mantendo no teor confessional dos versos um princípio de estabilidade para o espetáculo. Curioso perceber como mesmo confortados em memórias perfumadas pela dor, nem Hadreas, nem Pethit perderam o controle durante toda a performance, confortando os presentes em um universo temporário em que a melancolia parecia fluir de forma bastante clara como uma benção.

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Perfume Genius & Tiago Pethit
Local: Cine Joia, São Paulo – Brasil
Data: 20 de Outubro de 2013

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Cate Le Bon: “I Think I Knew” (ft. Perfume Genius)

Cate Le Bon

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Britânica, Cate Le Bon já serviu como uma boa ferramenta dentro de uma sequência de projetos da cena inglesa, caso de Neon Neon e, o mais expressivo deles, ao lado de Gruff Rhys (do Super Furry Animals). Entretanto, é dentro do próprio universo que o trabalho da cantora cresce substancialmente. Da apresentação do debut Me Oh My, em 2009, ao lançamento de Cyrk, no último ano, a evolução é clara dentro da obra da artista, que anuncia para dezembro a chegada de Mug Museum, terceiro álbum de estúdio. Antecipando o que deve conduzir todo o registro, Le Bon apresenta a melancólica I Think I Knew, canção que cresce visivelmente não apenas por conta dos vocais da artista, mas pela presença de Mike Hadreas, a mente nos comandos do Perfume Genius e o grande responsável por um dos álbuns mais tristes de 2012, Put Your Back N 2 It.

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Cate Le Bon – I Think I Knew (feat. Perfume Genius)

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Perfume Genius: “Take Me Home”

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A androgenia e a dualidade provocativa entre os gêneros (masculino e feminino) parecem servir como base para cada novo lançamento em clipe do cantor e compositor norte-americano Mike Hadreas. Responsável pelo Perfume Genius, o músico causou polêmica há alguns meses, quando na época do lançamento de Put Your Back N 2 It (segundo registro em estúdio) apresentou o clipe de Hood, em que ser perfazia de forma afetada nos braços de um ator pornô. Para o vídeo da também amargurada Take Me Home, Hadreas volta a brincar com a própria sexualidade, passeando pelas imagens de salto alto e afetações que devem confundir (e até causar desconforto) ao espectador.

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[youtube http://www.youtube.com/watch?v=Hrpr5ARPO84]

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