Dois anos após o lançamento do ótimo Honeymoon (2015), Lana Del Rey abre passagem para a chegada de um novo álbum de inéditas. Em Love, primeiro single desde a bem-sucedida parceria da artista com o cantor e produtor canadense The Weeknd, em Starboy (2016), Del Rey continua a flutuar em um território de sonhos e delírios românticos. Versos que falam sobre a juventude e o amor pelo próprio público, como comentou em uma série de publicações no Twitter.

Da capa do single, inspirada nos cartazes de antigos filmes de ficção científica, passando pelo rosto pálido da cantora, uma clara referência à imagem de Laura Palmer, em Twin Pekas, Del Rey continua a brincar com as referências, conceito que se reflete na base instrumental da canção. São arranjos densos, propositadamente arrastados e detalhistas, como uma tradução pop de tudo aquilo que bandas como Beach House e outros representantes do Dream Pop vêm produzindo nos últimos anos. Assista ao clipe da canção:

 

Lana Del Rey – Love

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Artista: Figueroas
Gênero: Eletrônica, Lambada, Pop
Acesse: https://www.facebook.com/figueroaslambadaquente/

 

Não poderia existir melhor época para o lançamento de Swing Veneno (2017, Deck Disc / Läjä Records). Segundo registro de inéditas do Figueroas, projeto comandado pela dupla alagoana Givly Simons (vocal) e Dinho Zampier (órgão, sintetizador), o trabalho de dez faixas funciona como um curioso rito de passagem para a chegada do Carnaval. Uma solução de versos, batidas e melodias quentes, sempre provocantes, ponto de partida para cada uma das canções dissolvidas no interior da obra.

Tal qual o caloroso registro entregue em 2015, Lambada Quente, o novo álbum se espalha em meio a sintetizadores, versos marcados pela comicidade e batidas que nascem como um convite à dança. Uma mistura de ritmos que joga com o som e a essência do carimbó, se espalhando em meio a flertes com a música eletrônica, pop, cúmbia, brega e todo um universo de referências extraídas de diferentes épocas e tendências da música popular brasileira.

Completo com a presença dos músicos Rafa Moraes (guitarra e baixo), Raphael Coelho (percussão), Natan Oliveira (metais) e Dieguito Rocha (bateria), Swing Veneno ainda conta com um toque especial de dois convidados. É o caso do veterano Manoel Cordeiro, músico responsável pelo som colorido que escapa das guitarras e violões em quatro composições do disco, além, claro, do ator Chay Suede, a voz pontual em duas vinhetas produzidas para o álbum.

Inaugurado pelo romantismo torto do Boneca Selvagem (“Boneca selvagem / Seu beijo me acelera”), o trabalho convence logo nos primeiros minutos. Difícil escapar da sequência de versos cíclicos e batidas que invadem na cabeça do ouvinte. Mesmo o clássico Não Há Dinheiro Que Pague, música eternizada por Roberto Carlos na década de 1960, se transforma em um arrasta-pé caloroso e sedutor, efeito da simplicidade como os elementos — sonoros e poéticos — ocupam a canção.

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Pop, colorido e pegajoso. Basta uma rápida audição para que o som produzido por Malli grude sem dificuldades na cabeça do ouvinte. Parte do primeiro álbum de estúdio da artista, previsto para estrear nos próximos meses, La Nave Va é um indie-axé-eletrônico que revela todas as nuances – sonoras e vocais – da jovem cantora. Um misto de Os Paralamas do Sucesso com Tulipa Ruiz, conceito temperado pelas guitarras e produção do músico Rafael Castro.

Enquanto os versos jogam com a temática do desapego, se livrando de um antigo (des)amor, musicalmente Malli e os parceiros de estúdio brincam com as possibilidades, detalhando batidas eletrônicas e arranjos levemente dançantes. No vídeo dirigido por Itaoâ Lara, uma mistura de cores, tendências e retalhos visuais. Sobram ainda pequenas coreografias, diferentes peças de roupas e um fino toque de bom humor que há tempos não se via no pop nacional.

 

MALLI – La Nave Va

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Artista: Pratagy
Gênero: Indie, Pop, Alternativo
Acesse: https://pratagy.bandcamp.com/

 

Da mistura de ritmos (e cores) que marca o primeiro álbum de Jaloo, passando pela poesia política que se espalha entre as canções de Em cada verso um contra-ataque (2016), último registro de inéditas da cantora Aila, não faltam grandes exemplares da música pop paraense. Parte desse mesmo universo de artistas, o músico Leonardo Pratagy parece brincar com o uso de boas melodias, sentimentos e vozes, fazendo do recente Búfalo (2017, Independente) uma coleção de temas tão intimistas quanto ensolarados, sempre crescentes.

Primeiro registro de inéditas do cantor e compositor paraense desde o inaugural Pictures, trabalho de sete faixas entregue ao público em junho do último ano, Búfalo se projeta como uma obra essencialmente precisa, segura. São composições montadas a partir da lenta sobreposição de sintetizadores, guitarras e vozes, aproximando Pratagy de outros representantes da cena nacional, caso da carioca Mahmundi e do produtor capixaba Silva.

Assim como o trabalho lançado no último ano, o novo álbum se revela por completo logo nos primeiros minutos. Basta um rápido passeio pela ambientação serena de Tramas Sutis, faixa de abertura do disco, para perceber todo o cuidado no processo de composição da obra. Um precioso diálogo entre Pratagy e time de instrumentistas convidados para o trabalho. Instantes em que a voz do cantor flutua em meio a arranjos contidos e pequenos encaixes instrumentais, sempre delicados.

De essência colorida, tal qual a imagem de capa do disco, Búfalo faz de cada composição um improvável experimento com a música pop. Enquanto De Repente, segunda faixa do disco, mantém os dois pés bem firmes na década de 1980, são as batidas e temas eletrônicas que apontam a direção assumida pelo músico paraense na composição seguinte, faixa-título do álbum. Uma mudança de direção que delicadamente amplia a base instrumental do trabalho.

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Artista: Kehlani
Gênero: R&B, Pop, Soul
Acesse: http://kehlanimusic.com/sweetsexysavage/

 

SweetSexySavage. Kehlani não poderia ter pensado em um título melhor para o primeiro álbum de estúdio. Produzido em um intervalo de quase dois anos, o sucessor da mixtape You Should Be Here, de 2015, indica um claro amadurecimento em relação ao trabalho produzido pela cantora norte-americana. Batidas e versos que se dividem entre a sexualidade, o romantismo doentio e instantes de profunda melancolia, fazendo do disco um curioso passeio pela mente e conflitos da própria artista.

Claramente influenciado pelo período de recuperação da cantora — em meados de 2016, Kehlani foi internada após uma tentativa de suicídio —, SweetSexySavage abre em meio a um pedido de desculpas da cantora (“Meus pêsames a quem me perdeu”) e até citações religiosas (“Sinto muito por você ter perdido o Deus em mim”). Fragmentos da alma atormentada da artista, sempre honesta e sensível em cada uma das 17 composições que preenchem o disco.

Longe de parecer um registro sufocado pelo caos que tomou conta da vida de Kehlani nos últimos meses, a estreia da cantora encanta pelo cuidado na produção e força dos versos. O romantismo exagerado em Undercover (“De um jeito ou de outro eu vou amar você”), conflitos amorosos em Distraction (“Eu preciso que você não queira pertencer a mim”), a força dos próprios sentimentos exaltados em CRZY (“Tudo o que faço, faço com paixão”).

Assim como nas canções de You Should Be Here, Kehlani é a grande protagonista da própria obra. Entre poemas marcados por temas intimistas, a cantora acaba estreitando a relação com o ouvinte, convidado a reviver musicalmente diversas experiências sentimentais da artista. Um bom exemplo disso está em Do U Dirty, composição que se perde em meio a delírios e conflitos recentes da cantora, ou mesmo In My Feelings, música que explode em meio a versos marcados por um relacionamento obsessivo.

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Prontas para a primeira edição do Miojo Indie no Naïve Bar? Para a noite de abertura dos trabalhos na Rua Mato Grosso, 28, Cleber Facchi recebe os amigos Jorge Fofano e Lucas Guarnieri para uma noite marcada pela neo-psicodelia, R&B, pop e música eletrônica. Ao longo da noite, nomes como The XX, Run The Jewels, Kehlani, MØ, Bonobo, Sampha, Dirty Projectos e Arcade Fire abastecem a pista do sobradinho.

Em busca dos clássicos antigos e recentes? Prepare-se para ouvir David Boiwe, Beyoncé, The Smiths, Aaliyah, Mariah Carey, Björk e Cocteau Twins. Na dúvida, ouça a nossa playlist de aquecimento da festa com Tinashe, SZA, Los Campesinos!, Kelly Lee Owens, The Flaming Lips e um time de outros artistas que lançaram um novo álbum de inéditas no último mês. A entrada no Naïve é gratuita.

 

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Originalmente previsto para 2015, Joyride, segundo álbum de estúdio da cantora/rapper Tinashe segue sem data de lançamento. Barrado pela gravadora, sucessor do excelente Aquarius – 30º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2014 –, acabou fragmentado em diferentes lançamentos independentes, servindo de base para a mixtape Nightride, trabalho entregue ao público em novembro do último ano.

Convidada a participar do mais novo álbum do rapper britânico Tinie Tempah, Tinashe não apenas assume os versos da pegajosa Text From Your Ex, como faz da canção uma espécie de registro autoral. Difícil passear pelas batidas, sintetizadores e rimas da composição e não lembrar do som produzido pela cantora em músicas como Company. Um R&B levemente dançante, pronto para as mesmas coreografias de Slumber Party, parceria com Britney Spears.

 



Tinie Tempah – Text From Your Ex (ft. Tinashe)

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As últimas semanas têm sido bastante corridas para Kehlani. Próxima de lançar o primeiro álbum de estúdio da carreira, SweetSexySavage (2017), a cantora e produtora norte-americana segue com a divulgação de uma sequência de ótimos singles. Na recente seleção apresentada pela artista, músicas como a pegajosa Undercover, além de outras como CRZY, Distraction e Advice, músicas sempre íntimas do R&B dos anos 1990/2000.

Na trilha romântica dos últimos singles, Do U Dirty reflete todo o cuidado de Kehlani na construção dos versos e batidas. De forma lenta, porém, sedutora, Kehlani abre o próprio coração, esbarra em temas intimistas e clama pelo amor. Nos arranjos da canção, o uso contido de sintetizadores e samples atmosféricos, como se a rapper bebesse do mesmo som produzido por artistas como Tinashe, Ciara e outros nomes de peso do gênero.

SweetSexySavage (2017) será lançado no dia 27/01 via Atlantic.

 

Kehlani – Do U Dirty

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Mais conhecida pelo trabalho como vocalista do grupo The Internet – um dos braços do coletivo de Hip-Hop Odd Future –, a cantora/rapper Syd acaba de anunciar a chegada do primeiro álbum em carreira solo. Intitulado Fin (2017), o registro previsto para o começo de fevereiro deve reforçar o diálogo da cantora com o R&B/Soul, proposta reforçada pela artista desde o EP Raunchboots, de 2011, porém, conduzida de forma coesa dentro da inédita All About Me.

Íntima do mesmo R&B eletrônico de artistas como Kelela e Tinashe, a nova faixa mostra a capacidade de Syd em dialogar com o grande público, efeito da produção segura e versos descomplicados que orientam a presente faixa. Com 12 faixas inéditas, trabalho se abre para a chegada de um time de produtores, entre eles, o guitarrista Steve Lacy, um dos parceiros do The Internet. Em novembro do último ano, a cantora apresentou a inédita Nothin, parceira com o produtor Kingdom.

 

Fin

01 Shake ‘Em Off
02 Know
03 Nothin To Somethin
04 No Complaints
05 All About Me
06 Smile More
07 Got Her Own
08 Drown In It
09 Body
10 Dollar Bills
11 Over
12 Insecurities

Fin (2017) será lançado no dia 03/02 via Columbia.

 

Syd – All About Me

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Original da cidade de Sidney, na Austrália, Cosmo’s Midnight é um projeto de R&B comandado pelos gêmeos Cosmo e Patrick. Donos de um bom EP, Moments (2015), trabalho repleta de participações especiais, caso de Sarah Midori, vocalista do trio Kero Kero Bonito, os irmãos parecem brincar com a música de diferentes épocas, principalmente o soul, o pop e a eletrônica produzido entre a década de 1990 e o começo dos anos 2000.

Mais recente invento da dupla – que ainda conta com remixes de artistas como AlunaGeorge e Destiny’s Child –, History reflete toda a maturidade do trabalho assinado pelos produtores australianos. Da letra pegajosa – “Nós temos tanta história / E tudo que você quer é foder comigo” –, ao uso descomplicado das batidas, prontas para as pistas, difícil não ser arrastado pela canção, por vezes íntima do mesmo universo de artistas como Disclosure e Snakehips.

 

Cosmo’s Midnight – History

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