Artista: Peter Silberman
Gênero: Indie, Slowcore, Alternativo
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Entre confissões românticas, medos e desilusões, Peter Silberman passou grande parte da última década transformando os próprios tormentos na matéria-prima para cada nova composição. Mais conhecido pelo trabalho como vocalista e líder do grupo nova-iorquino The Antlers, Silberman chega ao primeiro álbum em carreira solo brincando com a mesma composição amarga dos arranjos e versos, base de cada uma das seis faixas de Impermanence (2017, ANTI-).

Primeiro registro de inéditas do músico desde o denso Familiars (2014), último álbum do The Antlers, o trabalho de quase 40 minutos de duração parece dançar em meio a temas e reflexões particulares do próprio artista. Canções que passeiam pelo centro da cidade de Nova York e chegam até a mente conturbada do artista, física e emocionalmente debilitado durante o processo de composição do álbum, ponto de partida para a melancólica atmosfera do disco.

Estou desmontando, peça por peça / Deteriorando, decadente, diminuído / Se você está aqui, me recupere / Me pegue”, canta na inaugural Karuna, música inspirada na súbita perda de audição que Silberman enfrentou durante um show do The Antlers. Semanas em que o músico teve de lidar com um chiado perturbador, o mesmo ruído cinza que se espalha durante toda a construção da faixa, ocupando as pequenas brechas deixadas pela guitarra cuidadosamente explorada pelo artista.

Em Gone Beyond, a mesma angústia, porém, maquiada pela forma como os sentimentos abraçam o ouvinte. “Estou ouvindo o seu silêncio, mas Deus, há tanto barulho / E agora sinto que te encontrei / Você está parcialmente destruída”, canta enquanto a percussão minimalista, quase inexistente, dialoga com o triste movimento das guitarras. Pouco mais de oito minutos em que Silberman invade o mesmo território de artistas como Grizzly Bear, explorando melodias e versos e forma sempre dolorosa.

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Artista: De Repente, Vivo
Gênero: Pós-Rock, Experimental, Indie
Acesse: https://www.facebook.com/derepentevivo/

 

Idealizações e Contratempos Que Resultam Em Música é um trabalho precioso. Do momento em que tem início O Idealista, faixa de abertura do disco, cada fragmento da música produzida pelo cantor, compositor e multi-instrumentista gaúcho Juliano Lacerda se projeta de forma a confortar o ouvinte. Ambientações sutis, guitarras etéreas, sempre minimalistas, ponto de partida para a construção de cada uma das composições que recheiam o primeiro grande registro do projeto De Repente, Vivo.

Produto do isolamento do músico gaúcho, responsável pelos instrumentos, vozes e mixagem do trabalho, o registro de oito faixas revela um claro amadurecimento em relação ao EP de cinco faixas apresentado por Lacerda em 2015. Livre do parcial experimento e ziguezaguear de ideias que marcam o curto registro, cada canção do presente álbum serve de estímulo para a música seguinte, resultando na construção de um álbum homogêneo, mesmo rico em detalhes e possibilidades.

Entre temas acústicos e sobreposições eletrônicas, sempre próximas da música ambiental, Idealizações e Contratempos… encanta pela fluidez tímida e hipnótica dos arranjos. Ainda que a faixa de abertura do disco estreite a relação com o trabalho do Explosions in the Sky e outros representantes de peso do pós-rock, à medida que o álbum avança, novos ritmos e temas instrumentais escapam do som produzido por Lacerda, revelando a identidade do trabalho.

Um bom exemplo disso está na segunda faixa do disco, Se o Sol Não Nos Deixar. Em um intervalo de quase seis minutos, o músico gaúcho detalha uma fina tapeçaria eletrônica, pano de fundo para a inclusão de vozes sintéticas, uma espécie de novo instrumento nas mãos do artista. O mesmo cuidado se reflete ainda em Ecos Em Curto-circuito, quarta faixa do disco. Um jogo de melodias eletrônicas, naturalmente íntimas do trabalho produzido por artistas como Brian Eno, influência confessa de Lacerda.

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Original da cidade de Porto Alegre, De Repente, Vivo é um projeto de música instrumental comandado pelo músico Juliano Lacerda. Com um EP homônimo entregue ao público em 2015, o artista gaúcho acaba de finalizar o inédito Idealizações e Contratempos Que Resultam Em Música (2017). Uma delicada seleção com oito faixas capazes de dialogar com o que há de mais sutil no rock instrumental/pós-rock, esbarrando no mesmo universo de artistas como Explosions in the Sky.

Entre as referências apontadas por Lacerda, nomes como Brian Eno, Trent Reznor (Nine Inch Nails) e David Lynch. Nomes e referências que surgem com naturalidade em músicas como a minimalista Se o Sol Não Nos DeixarAté o Outono Aparecer. Disponível para download gratuito pelo Bandacamp, o trabalho ainda pode ser apreciado em outras plataformas, como no souncloud do músico. Para mais novidades sobre o artista, basta seguir o perfil no Facebook.

 

De Repente, Vivo – Idealizações e Contratempos Que Resultam Em Música

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Original da cidade de Salvador, Bagum é um coletivo de Jazz, Hip-Hop, Funk e ritmos africanos que parece flutuar por entre diferentes gêneros musicais. Formado há poucos meses por Gabriel Burgos (bateria), Pedro Tourinho (baixo) e Pedro Leonelli (guitarra), o grupo que já conta com um EP em mãos – Dá um tapa e corre (2016) –, acaba de apresentar um novo trabalho de inéditas. Trata-se de É o que, registro de apenas quatro faixas que resume com naturalidade o som versátil do trio.

A julgar pelo som hipnótico que escapa de composições como Sopro e a inaugural Curto, trata-se de uma versão descomplicada do mesmo material produzido por outros coletivos de jazz/rock instrumental recentes. O possível resultado de um encontro entre os experimentos do grupo canadense BADBADNOTGOOD e o ritmo quente que escapa das canções produzidos pelo grupo paulistano Bixiga 70. Para ouvir os dois trabalhos da banda, basta uma visita ao Facebook ou Youtube do trio.

 

Bagum – É o que EP

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Casa de alguns dos projetos mais interessantes (e barulhentos) da cena nacional, o selo paulistano Sinewave acaba de anunciar a chegada de mais uma edição da clássica coletânea Sinewave Essentials. Trata-se de um resumo caótico de tudo aquilo que os produtores, músicos e artistas relacionados ao coletivo produziram entre janeiro e dezembro deste ano. Uma extensa seleção com 25 composições já conhecidas do público.

Entre as canções que abastecem o álbum, experimentos como Music For Airports (Airplanes, Hope And Sadness), do carioca Cadu Tenório, e Baião de Stoner, parte do último disco da Macaco Bong. Ambos os trabalhos fazem parte da nossa lista dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2016. A seleção ainda conta com outros destaques, caso da hipnótica Peixe Voador, criação recente do grupo pernambucano Kalouv e faixa que chegada acompanhada com um dos melhores clipes do ano.

 

Vários Artistas – Sinewave Essentials – The Best of 2016

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O universo em preto e branco de Pluvero (2014) se abre para as cores de Planar Sobre o Invisível (2016). Dois anos após o lançamento do segundo álbum de estúdio da Kalouv – 15º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2014 –, o quinteto pernambucana está e volta duas canções inéditas. Para celebrar a passagem do grupo de Recife por uma série de cidades do Sul e Sudeste do país – veja a agenda completa –, Peixe Voador e Da Bravura, Inocência mais uma vez reforçam o preciosismo do coletivo em estúdio.

Enquanto a primeira, Peixe Voador, se espalha em um ato crescente, detalhando uma solução de pianos, guitarras coloridas e distorções que raspam de leve na música psicodélica, com a chegada de Da Bravura, Inocência, segunda composição do single, um regresso ao ambiente criativo do álbum lançado há dois anos. Experimentos minimalistas que servem de pano de fundo para uma composição essencialmente versátil, dominada pela uso de sintetizadores e pequenas quebras rítmicas.

Kalouv – Planar Sobre o Invisível

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Artista: SLVDR
Gênero: Pós-Rock, Math-Rock, Experimental
Acesse: https://slvdrmsc.bandcamp.com/

 

A colorida ilustração que estampa a capa de Presença (2016, Independente) — trabalho assinado por Lucas Santos — parece dizer muito sobre o som produzido pelo grupo carioca SLVDR. Produzido em um intervalo de dois anos em diversos estúdios do Rio de Janeiro, o álbum mostra o esforço do trio formado por Bruno Flores, Hugo Noguchi e Gabriel Barbosa em explorar diferentes décadas, ritmos e possibilidades de forma a produzir um registro musicalmente amplo.

Com Não há mais esperança escolhida como faixa de abertura do disco, o trio, em parceria com o músico Gabriel Ventura, vocalista e guitarrista da banda carioca Ventre, cria uma espécie de resumo do som pensado para o registro. São pouco menos de seis minutos em que guitarras e batidas apontam para todas as direções, criando pequenos atos de euforia e instantes de recolhimento. Um estímulo claro para o som produzido logo em sequência com Dark Mansa, música que parece ter saído do final dos anos 1990.

Terceira faixa do álbum, a curtinha Bouken vai da serenidade ao caos em poucos instantes. Difícil não lembrar do trabalho de artistas como Fugazi e Polvo enquanto as guitarras, bateria e baixo da composição estabelecem um diálogo preciso, por vezes raivoso, revelando ao público o uso de pequenas curvas rítmicas. Quase um aquecimento para os versos urbanos que surgem em sequência com Um brevíssimo conto sobre a humanidade dos dias, um dos raros instantes em que a voz assume uma posição de destaque no disco.

Segunda canção em parceria com Ventura, Forum talvez seja a faixa mais versátil de toda a obra. São pouco mais de cinco minutos em que o grupo joga com as possibilidades, mergulhando em uma atmosfera de sons abstratos, temas jazzísticos e elementos que dialogam de forma particular com a música eletrônica. Fragmentos que parecem abraçar diferentes temáticas e épocas, como se o trabalho de grupos como Slint, The Dismemberment Plan e Tortoise fosse remontado de forma autoral.

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A seção Cozinhando Discografias consiste basicamente em analisar todos os trabalhos de estúdio de um artista, ignorando a ordem cronológica dos lançamentos. E qual o critério usado então? A resposta é simples, mas o método não: a qualidade. Dentro desse parâmetro temos uma série de fatores envolvidos, que vão da recepção crítica do disco, além, claro, da própria trajetória do artista e seus projetos anteriores. Além dos integrantes do Miojo Indie, outros blogs parceiros foram convidados para suas específicas opiniões sobre cada um dos trabalhos, tornando o resultado “democrático”.

No cardápio de hoje: Hurtmold. Formado no final da década de 1990, o grupo paulistano – comandado por Maurício Takara, Guilherme Granado, Marcos Gerez, Mário Cappi, Fernando Cappi e Rogério Martins – é um dos principais e mais influentes projetos da cena independente nacional. Com quase duas décadas de atuação, a banda que acaba de relançar em vinil o clássico Mestro, trabalho originalmente apresentado em 2004, é uma das principais atrações do festival Fora da Casinha II, evento que conta com nomes como Cidadão Instigado, Jaloo, Ventre e Maglore.

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. Se em começo carreira, Scott Hansen parecia incorporar as emanações brandas da ambient music, costurando temas eletrônicos e batidas minimalistas, com a chegada de Awake, em 2014, o músico/produtor norte-americano mergulhou de cabeça no pós-rock. O resultado está na construção de oito faixas marcadas pela delicadeza dos temas eletrônicos e guitarras climáticas, sonoridade que se repete dentro do recém-lançado single Division. Íntima dos mesmos experimentos testados há pouco mais de dois anos por Hansen, a canção de quase quatro minutos flutua em meio a sintetizadores, batidas pontuais…Continue Reading “Tycho: “Division””

Artista: Ombu
Gênero: Alternative Rock, Post-Hardcore, Pós-Rock
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Calma“. O verso sereno e levemente melancólico que abre a quarta faixa de Pedro EP (2016, Balaclava Records) parece dizer muito sobre a presente fase da banda paulistana Ombu. Três anos após o lançamento do primeiro registro de estúdio, o artesanal Caminho Das Pedras EP, João Viegas (baixo e voz), Santiago Mazzoli (guitarra e voz) e Thiago Barros (bateria) assumem uma postura sóbria e parcialmente renovada com o presente trabalho de inéditas, revelando ao público uma sequência de composições marcadas pela complexidade dos detalhes.

Passo além em relação ao trabalho apresentado há pouco mais de um ano em Mulher EP (2016), registro de seis faixas e uma espécie de recomeço dentro da curta trajetória do grupo, o novo álbum confirma o profundo esmero na construção de cada música produzida pelo grupo. Ideias que passeiam pelo mesmo cenário urbano apresentado no primeiro EP do trio, porém, encorpadas por um conjunto de novas ambientações, ruídos e temas etéreos.

Ainda que Calma, composição escolhida para anunciar o trabalho pareça sintetizar toda a transformação do grupo paulistano, sobrevive na dolorosa Sem Mais, faixa de abertura do disco, um conjunto de novos experimentos e colagens instrumentais que confirmam a completa evolução do trio. Enquanto os versos resgatam de forma angustiada as memórias de um passado ainda recente, musicalmente a canção cresce de forma a revelar um verdadeiro labirinto instrumental, mergulhando em diferentes cenários, solos arrastados de guitarra, texturas e até vozes assumidas por um grupo de crianças.

Observado em proximidade aos dois últimos registros da banda, Pedro – o nome é um misto de homenagem e brincadeira com um fã do grupo – se revela como o trabalho mais seguro da Ombu, fruto da profunda interação entre cada integrante da banda em estúdio. “No estúdio, eu estava me sentindo em casa. É importante respeitar o tempo de gestação de casa música”, confessou Mazzoli em entrevista ao site da Noisey.

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