No começo da semana, os integrantes do Animal Collective anunciaram a chegada de um novo EP. Intitulado The Painters (2017), o registro que conta com distribuição pelo selo Domino segue exatamente de onde a banda parou no último ano, durante o lançamento do fraco Painting With. Como indicado durante o lançamento de Kinda Bonkers, parte expressiva do trabalho flutua entre a eletrônica e o pop psicodélico, base de grande parte dos álbuns recentes da banda.

São três composições inéditas – Kinda Bonkers, Peacemaker e Goalkeeper –, além de uma versão para a faixa Jimmy Mack, composição eternizada pelo grupo de R&B/Soul Martha & The Vandellas. Conceitualmente, o trabalho mantém firme a essência do disco lançado em 2016, apresentando ao público um som 9inspirado pelos principais movimentos artísticos de vanguarda no começo do século XX – como dadaísmo e surrealismo.

 

Animal Collective – The Painters

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De todos os trabalhos lançados em 2016, Painting With, último registro de inéditas do Animal Collective, talvez seja um dos mais decepcionantes. Inspirado pelos principais movimentos artísticos do começo do século XX – como dadaísmo e surrealismo -, o álbum se perde em meio a flertes com a música pop, fragilidade na composição dos versos e forma simplista como os arranjos e vozes se espalham em cada uma das canções do disco.

Extensão alternativa desse mesmo projeto, The Painters apresenta ao público um novo acervo com três canções inéditas e uma curiosa versão de Jimmy Mack, música eternizada pelo grupo de R&B/Soul Martha & The Vandellas. Em Kinda Bonkers, primeiro single do EP, uma coleção de melodias e samples sobrepostos que refletem um cuidado um pouco maior em relação aos últimos trabalhos da banda, esbarrando em elementos do clássico Merriweather Post Pavilion (2009).

The Painters (2017) será lançado no dia 17/02 via Domino.

 

Animal Collective – Kinda Bonkers

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Da eletrônica minimalista de Start Breaking My Heart (2001), passando pelo pop psicodélico de Andorra (2007) até alcançar a explosão de sons em Swim (2010), Dan Snaith passou os últimos 15 anos se revezando na produção de uma discografia essencialmente versátil, marcada pelas possibilidades. Seja sob o título de Manitoba ou de Caribou, não faltam grandes registros e composições de peso produzidas pelo artista canadense – como Odessa, Can’t Do Without You e Bees. Um rico repertório agora organizado do “pior” para o melhor lançamento do artista.

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Original da cidade de Orlando, na Flórida, o Tonstartssbandht é um projeto de rock psicodélico comandado pelos irmãos Edwin e Andy White. No catálogo da banda, um rico acervo de obras caseiras, registros ao vivo, singles, trabalhos colaborativos e EPs que se espalham pelo perfil da banda no Bandcamp. Convidados a integrar o selo Mexican Summer – casa de artistas como Ariel Pink e Weyes Blood –, o duo anuncia para o mês de março a chegada de um novo álbum de estúdio: Sorcerer (2017).

Primeiro grande trabalho da banda desde o LP Now I Become, de 2011, o registro acaba de ter a extensa faixa-título apresentada ao público. São pouco mais de nove minutos de duração em que o duo norte-americano joga com diferentes sonoridades, invade o terreno de artistas como Mac DeMarco, parceiro de longa data da banda, e ainda fazem com que o ouvinte seja conduzido para dentro de um imenso labirinto de pequenas incertezas e quebras instrumentais.

Sorcerer (2017) será lançado no dia 24/03 via Mexican Summer.

 

Tonstartssbandht — Sorcerer

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Artista: The Flaming Lips
Gênero: Neo-Psicodelia, Experimental, Alternativo
Acesse: http://flaminglips.warnerbrosrecords.com/

 

A leveza que marca os arranjos da instrumental faixa de abertura de Oczy Mlody (2017, Warner Bros.) resume com naturalidade a atmosfera onírica do 14º álbum de estúdio do The Flaming Lips. Primeiro registro de inéditas da banda de Oklahoma desde o melancólico The Terror, lançado em 2013, o trabalho que conta com produção de Dave Fridmann e Scott Booker mostra a força do coletivo norte-americano, fazendo do presente disco um precioso exercício melódico.

Coeso quando observado em proximidade aos últimos registros da banda, The Time Has Come to Shoot You Down… What a Sound (2013) e With a Little Help from My Fwends (2014), coletâneas que resgatam a obra das bandas Stone Roses e The Beatles, respectivamente, além, claro, do álbum assinado em parceria com Miley Cyrus, Miley Cyrus & Her Dead Petz (2015), Oczy Mlody encanta pela sutileza dos arranjos e vozes. Em um intervalo de quase 60 minutos de duração, todos os elementos se posicionam de forma homogênea, fazendo do trabalho uma peça única, inebriante.

Assim como em The Terror, cada canção do presente disco serve de passagem para a música seguinte. Arranjos enevoados e cantos de pássaros em How?? criam uma delicada ponte para o rock eletrônico de There Should Be Unicorns. Melodias tímidas em Sunrise (Eyes of the Young) se conectam diretamente ao som que escapa da entristecida Nigdy Nie (Never No). Sintetizadores e colagens atmosféricas de Galaxy I Sink e The Castle conduzem o ouvinte até os últimos instantes da obra.

Longe de parecer uma novidade dentro da extensa discografia da banda, parte dessa sonoridade se comunica de forma explícita com o mesmo material produzido pelo The Flaming Lips no interior de clássicos como The Soft Bulletin (1999) e Yoshimi Battles the Pink Robots (2002). Do uso cuidadoso das melodias em The Castle, passando pelo pop psicodélico que cresce da derradeira We a Famly, parceria com Miley Cyrus, grande parte das canções em Oczy Mlody revelam o lado mais acessível, doce e hipnótico do grupo norte-americano.

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Artista: Jude
Gênero: Rock Psicodélico, Alternativo, Rock
Acesse: https://soundcloud.com/jude-banda

 

Não faltam registros inspirados na boa safra do rock psicodélico produzido entre o final dos anos 1960 e começo da década de 1970. Trabalhos ancorados de forma explícita na obra de veteranos da música nacional – como Os Mutantes e Clube da Esquina –, ou mesmo gigantes da cena estrangeira – principalmente The Beatles e Pink Floyd. Todavia, poucos são os registros capazes de ir além da mera reciclagem de conceitos, sufocando pela completa ausência de identidade.

Prazeroso encontrar em Ainda Que de Ouro e Metais (2016, Crooked Tree Records), álbum de estreia do grupo alagoano Jude, uma seleção de músicas que vão além do empoeirado resgate de velhas ideias e melodias. Dividido com naturalidade entre a nostalgia e o frescor dos arranjos, o trabalho entregue ao público em dezembro do último ano confirma o esmero e verdadeira entrega do trio Reuel Albuquerque (guitarras, violão, baixo, teclados, programações, bateria e vocais) Fernando Brasileiro (vocais e violão) Alex Moreira (baixo e violão) em estúdio.

A cada nova composição, um precioso diálogo com o passado. Entre falsetes e arranjos descomplicados, a homônima música de abertura do disco orienta a direção seguido pela trinca de Maceió. Guitarras, pianos e batidas que se espalham de maneira sutil, detalhando um colorido pano de fundo para o canto melódico da faixa, por vezes íntima do clássico Pet Sounds (1966), dos Beach Boys. O mesmo cuidado se repete ainda na divertida Vá Ser Feliz Como o Arnaldo Baptista, faixa assinada em parceria com o músico João Paulo, vocalista e líder da conterrânea Mopho.

Por falar no trabalho da Mopho, sobrevive em Ainda Que de Ouro e Metais parte da essência lisérgica e grande parte das referências que abasteceram a curta discografia da banda alagoana. Difícil ouvir músicas como Gigante de Aço e Com Olhos Serenos e não lembrar de obras como Volume 3 (2011) ou o homônimo registro de estreia do grupo – 56º lugar na nossa lista dos 100 Melhores Discos Nacionais dos Anos 2000. A mesma ambientação psicodélica, louca. Arranjos e vozes que analisam o passado de forma curiosa, porém, mantendo firme os dois pés no presente.

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Quem esperava por alguma novidade do Temples não deve ter se decepcionado com o lançamento de Certainty. Primeiro single do novo álbum de inéditas da banda britânica, Volcano (2017), a canção segue exatamente de onde o quarteto parou há três anos durante o lançamento do pop Sun Structure (2014). Um rock psicodélico radiante, pegajoso, como uma versão aprimorada do mesmo material apresentado nos principais singles da banda.

O mesmo cuidado se reflete na inédita Strange Or Be Forgotten. Parte do novo álbum de inéditas da banda, a canção parece o resultado de um possível encontro entre os australianos do Tame Impala e a banda norte-americana MGMT. Um jogo de vozes, guitarras e sintetizadores melódicos, semi-dançantes, como se a música psicodélica da década de 1960 fosse filtrada pelo que há de mais pop e acessível na música atual.

Volcano (2017) será lançado no dia 03/03 via Heavenly e Fat Possum

 

Temples – Strange Or Be Forgotten

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Lançado de surpresa, o psicodélico Miley Cyrus & Her Dead Petz (2015) serviu para consolidar a parceria entre a cantora norte-americana Miley Cyrus e os veteranos do Flaming Lips. Colaboradores desde o álbum With a Little Help from My Fwends (2014), uma estranha adaptação do clássico Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (1967), dos Beatles, Cyrus e Wayne Coyne, vocalista e líder da banda de Oklahoma, voltam a se encontrar dentro da inédita We a Famly.

Parte do novo álbum de estúdio do grupo, Oczy Mlody (2017), a canção parece seguir a trilha do mesmo pop psicodélico explorado pela banda nas recentes The CastleSunrise (Eyes of The Young). Uma clara reciclagem do som aconchegante e melodias originalmente testadas pelo Flaming Lips em obras como The Soft Bulletin (1999) e, principalmente, no acessível Yoshimi Battles the Pink Robots (2002).

Oczy Mlody (2017) será lançada em 13/01 via Warner Bros.

 

The Flaming Lips – We A Famly (Feat. Miley Cyrus)

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Artista: Of Montreal
Gênero: Indie, Eletrônica, Pop Psicodélico
Acesse: http://www.ofmontreal.net/

 

Em mais de duas décadas à frente do Of Montreal, Kevin Barnes não passou mais do que dois anos sem apresentar ao público um novo registro de inéditas. O resultado dessa produção constante está na composição de uma discografia marcada pela irregularidade. Obras que transbordam a criatividade do músico – vide o clássico Hissing Fauna, Are You the Destroyer? (2007) – e trabalhos que sufocam pela redundância – caso do recente Aureate Gloom (2015).

Novo álbum de inéditas do coletivo de Atlanta, Innocence Reaches (Polyvinyl), claramente se aproxima desse primeiro agrupamento de obras capazes de confirmar a força criativa de Barnes. Ancorado de forma explícita no mesmo pop psicodélico que a banda vem promovendo desde o final dos anos 1990, o trabalho de 12 faixas encanta não apenas pela essência nostálgica dos arranjos, mas pelos instantes em que a banda flerta com a música eletrônica.

Composição escolhida para inaugurar o disco, Let’s Relate sintetiza parte dos “experimentos” assumidos pelo grupo. Enquanto a voz robótica de Barnes debate sobre a liberdade da comunidade LGBTT, sintetizadores e batidas dançantes aproximam a canção de um terreno essencialmente dançante, conceito também explorado em A Sport and Pastime, sexta música do disco. Difícil não lembrar de MGMT, Foster The People e outros nomes de peso da cena alternativa. Poucas vezes o Of Montreal pareceu tão pop, pegajoso.

O mesmo som grudento acaba se refletindo em It’s Different for Girls. Uma das melhores composições do músico norte-americano em tempos, a faixa que discute libertação sexual, machismo e a opressão sofrida diariamente pelas mulheres, transporte a temática do empoderamento para um ambiente que mesmo provocativo, mantém firme a mesma estrutura dançante e acessível que abre o trabalho. Impossível não ser arrastado pelas guitarras suingadas que costuram a canção do início ao fim.

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. Poucas semanas após o lançamento do álbum Painting With (2016), décimo registro de estúdio do Animal Collective, a banda de Baltimore, Maryland está de volta com um curta seleção de composições inéditas. Trata-se da sequência formada por Gnip Gnop e Hounds of Bairro. Duas canções que acabaram de fora da edição final do o último trabalho da banda, mas que foram compiladas agora e serão lançadas em um vinil 7″ – acima, a imagem de capa. Enquanto Gnip Gnop reflete o lado mais pop do grupo, esbarrando nos mesmos…Continue Reading “Animal Collective: “Gnip Gnop” / “Hounds of Bairro””