Tag Archives: Psychedelic

Hoops: “Cool 2”

.

Original da cidade de Bloomington, Indiana, o Hoops é um quarteto de Dream Pop/Rock Psicodélico que parece seguir à risca grande parte dos “ensinamentos” deixados no final da década passada por diferentes nomes da cena alternativa norte-americana. Artistas como Real Estate e Ariel Pink, referências que ecoam de forma explícita dentro do mais recente trabalho do grupo, Cool 2, primeiro single do homônimo EP da banda que conta com distribuição pelo selo Fat Possum.

Com pouco menos de dois minutos de duração, Cool 2 esbanja melodias ensolaradas e reverberações nostálgicas que tanto dialogam com os nomes acima citados, como incorporam elementos lançados há mais de três décadas nos primeiros discos do R.E.M. e demais veteranos da época. Observado em proximidade aos últimos trabalhos do grupo, a nova faixa não apenas confirma a evolução do quarteto como parece indicar a busca do grupo por um som ainda mais “pop”.

.

Hoops – Cool 2

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , ,

The Avalanches: “Colours”

.

Com o lançamento de Frankie Sinatra, faixa produzida em parceria com os rappers Danny Brown e MF DOOM, os integrantes do coletivo australiano The Avalanches apresentaram o novo mundo de possibilidades aos velhos seguidores do projeto. Ainda que a canção resgate parte da essência presente no clássico Since I Left You, de 2000, a busca por novas sonoridades, além, claro, da interferência direta das rimas revelou ao público um som parcialmente distinto, como um novo caminho a ser seguido pelo grupo no aguardado Wildflower (2016).

Em Colours, mais recente criação do coletivo australiano, um parcial regresso ao mesmo universo musical explorado com delicadeza há 16 anos. Marcada pelos detalhes, a canção de exatos 3:33 minutos passeia em meio a reverberações psicodélicas, vozes tocadas de trás para frente e versos cósmicos assumidos pelo veterano Jonathan Donahue, do Mercury Rev. A passagem direta para um mundo de sonhos e pequenas referências que flutuam ao fundo da canção.

Wildflower (2016) será lançado no dia 08/07 pelo selo Astralwerks / Modular.

.

The Avalanches – Colours

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , ,

Deakin: “Harpy (Blue)”

.

Longe dos parceiros de banda do Animal Collective, Josh Dibb deu vida ao primeiro registro em carreira solo como Deakin. Em Sleep Cycle (2016), cada uma das seis composições que abastecem o disco lentamente revelam um mundo de detalhes acústicos e emanações psicodélicas, como se o cantor e compositor norte-americano visitasse o mesmo universo originalmente apresentado em clássicos da banda de Baltimore, como Sung Tongs (2004) e Feels (2005).

Mesmo deixada de fora desse material, Harpy (Blue), mais recente lançamento de Deakin revela o mesmo preciosismo que marca as demais composições do músico. A voz serena, o violão preciso, apontado para a década de 1970, e uma coleção de melodias lisérgicas, fruto da controlada inserção de efeitos no interior da faixa. Lançada em fica cassete, a canção se divide em duas interpretações: Harpy (red), a elétrica, e Harpy (blue), a acústica.

.

Deakin – Harpy (Blue)

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , ,

Morgan Delt: “I Don’t Wanna See What’s Happening Outside”

.

Dois anos após o lançamento do primeiro trabalho de estúdio, Morgan Delt está de volta com um novo registro de inéditas: Phase Zero (2016). Trata-se de uma clara continuação do mesmo som leve e lisérgico incorporado pelo músico californiano há dois anos. Uma colcha de retalhos colorida, tão íntima da presente fase da música psicodélica, como de clássicos lançados há mais de quatro ou cinco décadas – como os trabalhos de Captain Beefheart e, principalmente, The Beatles.

Um bom exemplo do som produzido para o novo álbum de Delt está na recém-lançada I Don’t Wanna See What’s Happening Outside. Exatos quatro minutos em que guitarras controladas, sintetizadores cósmicos e a voz doce do músico cresce sem pressa, ocupando todas as brechas da composição. Ao final, a rápida inserção de ruídos e vozes que dialoga com os mesmos experimentos testados em obras como Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (1967).

Phase Zero (2016) será lançado no dia 26/08 pelo selo Sub Pop.

.

Morgan Delt – I Don’t Wanna See What’s Happening Outside

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , ,

Boogarins: “Benzin” (VÍDEO)

.

Leve. Dois anos após o jogo de cores e exageros lisérgicos que marcam o inaugural As Plantas que Curam (2013), estreia do grupo goiano Boogarins, Dinho Almeida, Benke Ferraz e os parceiros Raphael Vaz e Ynaiã Benthroldo mergulham de cabeça no plano onírico para encorpar as canções do recém-lançado Manual (2015, StereoMono). Uma coleção de vozes delicadas e arranjos tingidos pela nostalgia da música psicodélica, mas que encontram no descompromisso sorridente da banda um poderoso traço de identidade.

Em um nítido distanciamento da herança deixada por veteranos (Os Mutantes, The Kinks) e novatos (Tame Impala, Foxygen) do rock psicodélico, cada faixa do presente disco reforça a capacidade do grupo brasileiro em brincar com a própria essência musical. Instantes, quebras e colagens descomplicadas em que o grupo passeia pelo minimalismo da bossa nova (Cuerdo), autoriza a explosão das guitarras (Avalanche) ou simplesmente colide fórmulas (Mario de Andrade / Selvagem) sempre em busca de um som não linear. Leia o texto completo.

Originalmente apresentada no álbum de estreia do grupo goiano Carne Doce, Benzin foi a escolhida para se transformar no primeiro clipe de Manual (2015), segundo registro de inéditas da Boogarins. Gravado na Chapada dos Veadeiros, o vídeo conta com a presença de Salma Jo, vocalista do Carne Doce. A direção do material leva a assinatura de Cléver Cardoso. Assista:

.

Boogarins – Benzin

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , ,

Resenha: “A Moon Shaped Pool”, Radiohead

Artista: Radiohead
Gênero: Alternative, Experimental, Psychedelic
Acesse: http://www.radiohead.com/

 

Apenas não vá embora
Não vá embora
O verdadeiro amor espera
Em sótãos assombrados

Originalmente apresentada em 1995, durante a turnê de lançamento do álbum The Bends e, posteriormente, registrada como parte da coletânea ao vivo I Might Be Wrong: Live Recordings (2001), a derradeira True Love Waits nasce como o símbolo do novo registro de estúdio do Radiohead. Sucessor do eletrônico The King of Limbs (2011), A Moon Shaped Pool (2016, XL) chega ao público como uma obra segura, essencialmente precisa. Um regresso (in)voluntário ao imenso acervo de composições e temas instrumentais produzidos pelo quinteto inglês nas últimas duas décadas.

Das 11 faixas que recheiam o disco, pelo menos seis foram executadas em apresentações ao vivo ou exploradas em diferentes fases e projetos do grupo inglês. Escolhida para a abertura do disco, Burn The Witch, por exemplo, teve fragmentos da própria letra publicados na contracapa do álbum Hail To The Thief, de 2003. A mesma canção ainda foi objeto de discussão entre os integrantes durante as sessões de Kid A (2001) e In Rainbows (2007), sendo finalizada há poucos meses. Mesmo ancorado no passado, A Moon Shaped Pool está longe de parecer uma preguiçosa reciclagem de conceitos antigos. Prova disso está na busca do quinteto por uma som remodelado, orquestral, estímulo para a série de colaborações com os músicos da London Contemporary Orchestra.

Se há cinco anos The King of Limbs nascia como uma continuação do material produzido por Thom Yorke em carreira solo, ao visitar faixas como Glass Eyes e True Love Waits é fácil perceber o interesse da banda pela carreira solo do guitarrista Jonny Greenwood. Uma delicada tapeçaria de vozes e sons atmosféricos, por vezes oníricos. Não por acaso, Paul Thomas Anderson, cineasta que convidou Greenwood a produzir a trilha sonora de filmes como There Will Be Blood (2007) e The Master (2012) assume a direção do delicado clipe de Daydreaming.

A mesma sutileza empregada na construção dos arranjos ainda serve de estímulo para a projeção dos versos que lentamente dançam no interior do trabalho. Letras sufocadas por temas existencialistas – “nós estamos felizes apenas em servir”–, relacionamentos fracassados – “Corações partidos fazer chover / Corações partidos”–, medos – “Amor, venha até mim antes que seja tarde demais” – e declarações de amor angustiadas – “Apenas não vá / Não vá”. Uma fuga parcial dos temas políticos que sempre acompanharam a banda, preferência que faz do registro um dos trabalhos mais delicados e intimistas de toda a discografia do grupo britânico. Continue reading

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , , , ,

Resenha: “Lua Degradê”, Supervão

Artista: Supervão
Gênero: Indie, Dream Pop, Electronic
Acesse: https://www.facebook.com/supervao/

 

Versos apaixonados que se dissolvem na voz abafada e sintetizadores cósmicos de Mario Arruda. Uma coleção de guitarras essencialmente sujas, por vezes climáticas, trabalho do músico Leonardo Serafini, responsável por ocupar as pequenas lacunas deixadas pela programação eletrônica do parceiro de banda. Em Lua Degradê (2016, Honey Bomb Records / Lezma Records), EP de estreia da dupla gaúcha Supervão, cada uma das cinco composições do registro sobrevivem da colisão de pequenos detalhes.

Inaugurado pelo som enevoado de Vitória Pós-Humana, o trabalho de apenas 20 minutos cresce sem pressa, em pequenas doses. São distorções leves que replicam os instantes iniciais de Is This It, da banda nova-iorquinos The Strokes, a letra ambientada em um cenário claramente particular, batidas e bases abafadas, como se todos os elementos da obra fossem organizados em um ambiente desvendado em essência apenas pela dupla.

Faixa mais “pop” do disco, Lua em Gêmeos, segunda canção do álbum, acaba se revelando como a peça mais curiosa e musicalmente versátil do curto acervo de canções. Enquanto as guitarras de Serafini se espalham lentamente, explorando o mesmo dream pop sóbrio de artistas como Terno Rei, Raça e outros coletivos próximos, batidas e vozes aceleram lentamente, revelando uma inusitada combinação de ritmos. Um funk soturno, claustrofóbico, oposto do material apresentado em sequência com Cadilac Ollodum.

Da forma como as vozes crescem delicadamente ao uso etéreo das guitarras, todos os elementos se organizam de forma a conduzir o mesmo som letárgico e provocante de gigantes como Portishead ou mesmo outros veteranos do Trip-Hop inglês. Versos arrastados, sussurros – “câmera de zoom, câmera de zoom” – e efeitos tecidos como leveza. Velha conhecida do público da banda, a canção apresentada no último ano surge retrabalhada de forma sutil, reforçando o peso das batidas. Continue reading

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , , ,

Ricky Eat Acid: “Triple Cup”

.

Poucos artistas produzem um som tão lisérgico e dançante quanto Sam Ray. Responsável pelo Ricky Eat Acid, projeto de música eletrônica que flerta com elementos do Hip-Hop e música psicodélica, o artista norte-americano está de volta com uma nova criação inédita. Em Triple Cup, uma extensão inteligente do material apresentado há dois anos em Three Love Songs (2014), último grande álbum do produtor original de Maryland.

Sintetizadores e batidas dançantes, fragmentos de vozes sampleadas do rapper Waka Flocka, batidas que crescem e encolhem a todo segundo. A sensação de tomar um doce e se trancar no quarto para ouvir a trilha sonora de jogos clássicos da Nintendo. Um turbilhão de referências coloridas, quebras e mudanças bruscas de direção, como se o som originalmente atmosférico de Ray fosse remixado de forma propositadamente instável, louca.

.

Ricky Eat Acid – Triple Cup

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , ,

Animal Collective: “Gnip Gnop” / “Hounds of Bairro”

.

Poucas semanas após o lançamento do álbum Painting With (2016), décimo registro de estúdio do Animal Collective, a banda de Baltimore, Maryland está de volta com um curta seleção de composições inéditas. Trata-se da sequência formada por Gnip Gnop e Hounds of Bairro. Duas canções que acabaram de fora da edição final do o último trabalho da banda, mas que foram compiladas agora e serão lançadas em um vinil 7″ – acima, a imagem de capa.

Enquanto Gnip Gnop reflete o lado mais pop do grupo, esbarrando nos mesmos erros e repetições que caracterizam grande parte das canções em Painting With, Hounds of Bairro parte para o mesmo aprazível da boa fase do grupo norte-americano. Sintetizadores e batidas precisas que se amarram ao corro de vozes da dupla Panda Bear e Avey Tare, conceito anteriormente explorado em obras como Feels, de 2005, além do clássico Merriweather Post Pavilion, lançado em 2009.

.

Animal Collective – Gnip Gnop / Hounds of Bairro

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , ,

Disco: “Mantra Happening”, Lê Almeida

Lê Almeida
Nacional/Indie Rock/Psychedelic
http://lealmeida.bandcamp.com/

 

Com o lançamento de Paraleloplasmos, em março de 2015, o cantor e compositor fluminense Lê Almeida parecia indicar a busca por um novo conjunto de referências e sonoridades. Entre composições essencialmente efêmeras, guitarras sujas e ruídos caseiros, Fuck The New School, com mais de 11 minutos de duração, e Câncer dos Trópicos, com quase nove, sutilmente conseguiram transportar o ouvinte para um cenário parcialmente renovado, marcado pela psicodelia. Uma extensão torta do mesmo som produzido pelo músico durante quase uma década de atuação.

Em Mantra Happening (2016, Transfusão Noise Records), terceiro e mais recente registro de inéditas do guitarrista, um delicado regresso ao mesmo ambiente cósmico apresentado há poucos meses. Cinco composições extensas, pouco mais de 50 minutos de duração, tempo suficiente para que Almeida e o time de instrumentistas formado por João Casaes (guitarra), Bigú Medine (baixo) e Joab Régis (bateria) brinque com os ruídos, ondas de distorção e vozes de forma sempre mutável.

Escolhida para inaugurar o disco, a longa Oração da Noite Cheia, com mais de 15 minutos de duração, cria uma ponte involuntária para o trabalho apresentado no último ano. Emanações psicodélicas, imensos paredões de guitarra e a voz pueril de Almeida, assim como em grande parte dos registros do artista, explorada como um “instrumento” complementar. Dois atos distintos, mas que se completam ao longo da execução da faixa, como uma visita o rock da década de 1970, mas sem necessariamente abandonar o presente.

Fina representação do lado mais “experimental” da obra, Maré, segunda canção do disco, não apenas garante sequência ao material apresentado nos primeiros minutos de Mantra Happening, como ainda estabelece uma série de regras para o restante da obra. São quase 13 minutos de texturas sobrepostas e vozes carregadas de efeitos. Arranjos e conceitos que esbarram de forma autoral na obra de Ty Segall, Thee Oh Sees e outros representantes da cena norte-americana. Continue reading

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
Tagged , , , , , , , , , , , ,