Tag Archives: Psychedelic

Disco: “O∆”, London O’Connor

London O’Connor
Hip-Hop/Psychedelic/Alternative
https://www.facebook.com/LondonOConnor

A música de London O’Connor é torta, estranha e, consequentemente, hipnótica. Personagem curioso da nova safra de representantes do Hip-Hop nova-iorquino, o artista de 24 anos encontra no primeiro álbum em carreira solo uma obra entregue ao experimento. Um passeio que começa pela mente (e versos) perturbados do compositor, segue de forma segura pelo Rap dos anos 1990 e só estaciona no final dos anos 1960, flertando com a mesma sonoridade de artista como The Velvet Undergound e outros gigantes que bagunçaram a música produzida no leste dos Estados Unidos.

Apresentado em pequenas “doses” no perfil de O’Connor no Soundcloud, O∆ (2015, Independente) é uma fuga de limites conceituais e bases previsíveis. Em um misto de canto, rima e lamentações, a formação de um registro de essência particular, isolado, como se diferentes tormentos sentimentais e existencialistas do jovem artista fossem essencialmente expostos e dissecados em cada instante sombrio que preenche o trabalho.

Interessante perceber que mesmo dentro de um cercado de versos e experiências particulares, O∆ está longe de parecer uma obra reclusa, pouco convincente. Em uma estrutura melódica, O’Connor revela ao público uma coleção de 10 faixas musicalmente atrativas, talvez não comerciais, porém, dificilmente ignoradas. Logo de cara, a dobradinha formada por OATMEAL e NATURAL, músicas que brincam com as mesmas melodias de vozes de grupos de músicas pop nos anos 1960, como das batidas minimalistas de Fever Ray e outros nomes recentes da música eletrônica.

Mesmo que o “pop” não seja a palavra certa para caracterizar o trabalho do rapper/cantor, escapar da armadilha de harmonias etéreas e versos pueris ressaltados em Nobody Hangs Out Anymore ou GUTS é uma tarefa quase impossível. São mais de cinco décadas de referências disformes, opositoras, mas que dialogam de forma segura até o encerramento da obra, sempre amarradas pela lírica sensível, pós-adolescente e particular de O’Connor. Continue reading

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London O’Connor: “O∆”

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Depois da sequência de boas composições apresentadas nas últimas semanas – como GutsNobody Hangs Out Anymore -, já era hora de ter acesso ao primeiro álbum de London O’Connor. Na trilha dos últimos lançamentos do jovem artista, O∆ (2015), nasce como reflexo do passeio do cantor/rapper por diferentes campos da música estadunidense, buscando referências que se escondem no rock nova-iorquino de grupos como The Velvet Underground, além, claro, de diálogos curtos com o Hip-Hop, R&B e Soul de diferentes épocas.

São 10 composições, algumas já conhecidas do Soundcloud de O’Connor, além de outras NATURAL e Steal, pequenas representações do som experimental assinado pelo músico. Disponível para download gratuito – clique aqui -, o álbum também pode ser apreciado na íntegra logo abaixo. Para quem acompanha o trabalho de Frank Ocean e King Krule, uma excelente recomendação:

 

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London O’Connor – O∆

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London O’Connor: “Guts”

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London O’Connor parece longe seguir um caminho linear dentro do próprio trabalho. Hip-Hop, Pop, Folk, Psicodelia, referências ao som dos anos 1960 e diálogos breves com a música atual. Como explícito no lançamento de Nobody Hangs Out Anymore, faixa escolhida para inaugurar o esperado O∆ (2015), primeiro álbum do jovem norte-americano, a incerteza é a base de cada arranjo, canto sujo ou rima lançada pelo garoto. Com a entrega da inédita Guts, mais uma prova desse mesmo resultado.

Tão instável quanto o último lançamento de O’Connor, a faixa de batidas pesadas e rimas curtas segue um caminho ainda mais instável. Ora entregue ao som psicodélico da década de 1970, ora costurada por versos secos, típicos do Hip-Hop na década de 1990, a canção reforça a completa flexibilidade do músico, cada vez mais distante de comparações ao trabalho de Frank Ocean e King Krule, revelando a produção de um material verdadeiramente particular.

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London O’Connor – Guts

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Disco: “Multi-Love”, Unknown Mortal Orchestra

Unknown Mortal Orchestra
Psychedelic/Indie/Alternative
http://unknownmortalorchestra.com/

Com o lançamento do segundo trabalho em estúdio, II (2013), Ruban Nielson e os parceiros do Unknown Mortal Orchestra partiram em busca de um novo universo de referências musicais. Da sonoridade suja e naturalmente esquizofrênica lançada por gigantes como Captain Beefheart e toda a geração de artistas pós-1967, base do primeiro disco, pouco sobreviveu. Para ocupar essa “lacuna”, um diálogo aproximado com o mesmo R&B de Prince e outros veteranos da década de 1970, preferência que também conduz os arranjos e versos do terceiro álbum do grupo, Multi-Love (2015, Jagjaguwar).

Passo além em relação ao último lançamento da banda, com o presente registro, o coletivo original de Auckland, Nova Zelândia continua a investir no uso descomplicado das melodias, entretanto, encontra no experimento um mecanismo de transformação. São peças como a inaugural faixa-título, canção que mesmo sustentada pelo uso de arranjos e temas radiofônicos, jamais tende ao óbvio, brincando com a interpretação do ouvinte a cada novo ruído distorcido.

Em uma observação atenta, Multi-Love parece entregar ao ouvinte o mesmo cardápio de composições apresentadas no trabalho anterior, porém, hoje cobertas pelo granulado sujo e carga de distorções que marca o primeiro registro da banda, de 2011. Exemplo claro disso está nas melodias e vozes encaixadas no interior de Like Acid Rain e Ur Life One Night. Montadas de forma urgente, ambas as canções passeiam pela psicodelia caseira de 1960 sem necessariamente abandonar o diálogo com as referências lançadas na década seguinte.

Com a chegada de Can’t Keep Checking My Phone, quarta faixa do álbum, um breve distanciamento desse continuo jogo de experiências. Marcada pelas batidas e ritmo acelerado, a composição de abertura climática – como a trilha sonora de um filme de suspense – logo se entrega à dança, como um flerte rápido com a obra de Giorgio Moroder. A mesma proposta ainda se repete com Necessary Evil, porém, de forma controlada, interrompendo o ritmo frenético inicialmente proposto pelo grupo. Continue reading

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Supercordas: “Maria³″

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Em 2012, o coletivo carioca Supercordas abandonou o sertão musical criado no álbum Seres Verdes Ao Redor (2006) para visitar com o universo insano (e parcialmente urbano) do sucessor A Mágica Deriva Dos Elefantes. Curioso perceber em Maria³, mais recente lançamento do grupo desde a inédita Sobre o Amor e Pedras – também pelo selo Balaclava Records – uma espécie de ponto de equlibrado encontro entre esses dois ambientes tão distintos.

Bucólica e cinzenta na mesma medida, a nova faixa, mais do que amarrar as pontas dos dois universos, aponta a direção para o novo registro de inéditas da banda – álbum reservado para estrear nos próximos meses. Além do quarteto orientado pela voz de Pedro Bonifrate, Maria³ conta com a participação do guitarrista Benke Ferraz, integrante do Boogarins e responsável pelos ruídos sujos que crescem ao fundo da canção.

Há poucos meses, Boogarins e Supercordas também se encontraram na nossa lista de 14 discos para entender a Neo-Neo-Psicodelia.

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Supercordas – Maria³

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Tame Impala: “Cause I’m a Man” (VÍDEO)

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Currents (2015), este é o nome do terceiro álbum de estúdio da banda australiana Tame Impala. Sucessor do elogiado Lonerism, de 2012, o novo registro aponta para uma direção contrária em relação aos dois últimos lançamentos do grupo comandado por Kevin Parker; transformação explícita nos mais de sete minutos da “eletrônica” Let It Happen, primeira composição da “nova fase” e, agora, oficialmente completa com a entrega de Cause I’m a Man.

Dotada de vocais e arranjos compactos, acompanhados de perto pelo uso delicado de sintetizadores, a nova faixa reforça o completo interesse de Parker no trabalho produzido por Michael Jackson nos anos 1980, representação marcada pelo distanciamento do som enérgico/psicodélico de Lonerism, conceito temporariamente substituído por uma proposta muito mais branda, melancólica e íntima do R&B.

Assista abaixo ao divertido clipe dirigido por Dan Dipaola & Megan McShane e que utiliza de bonecos para representar o coletivo australiano.

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Tame Impala – Cause I’m a Man

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Disco: “Fortaleza”, Cidadão Instigado

Cidadão Instigado
Rock/Alternative/Psychedelic
http://www.cidadaoinstigado.com.br/

Climáticos, os sintetizadores crescem lentamente. Ao fundo, guitarras espalham ruídos, sem pressa ou possíveis exageros. A bateria ocupa espaço com timidez, abrindo passagem para que a voz de Fernando Catatau ecoe de forma clara, como um suspiro aliviado: “até que enfim”. Com os pés firmes no chão, passados seis anos desde o lançamento do último álbum de estúdio, Uhuuu! (2009), o grupo cearense Cidadão Instigado deixa de lado do som experimental (e lisérgico) dos primeiros trabalhos para investir em uma obra pontuada pela saudade, melancolia e completa lucidez.

Fuga dos temas e arranjos complexos testados desde a boa fase em O Ciclo da Decadência (2002) e Cidadão Instigado e o Método Túfo de Experiências (2005), com recém-lançado Fortaleza (2015, Independente) a banda – completa com Regis Damasceno, Clayton Martim, Rian Batista e Dustan Gallas – revela ao público uma sonoridade talvez “simples”, mas não convincente. Livre da estrutura torta e limitadora de faixas como O Pinto de Peitos e Deus É Uma Viagem, o canto triste de Catatau se despe do manto colorido, transporta o ouvinte para um cenário obscuro e ainda cria brechas acessíveis aos mais variados público.

Quem esperava por uma possível continuação dos temas cósmicos testados no disco de 2009 talvez se decepcione. Salve exceções, da abertura ao fechamento, guitarras, batidas e toda os arranjos que preenchem a obra são tratados com sobriedade e expressivo “controle” por parte dos integrantes. A herança da década de 1970 – principalmente Pink Floyd – ainda é a mesma, entretanto, o caminho percorrido agora é outro. Mesmo a essência regional de artistas como Fagner e Zé Ramalho parece alterada no interior das canções, como se a longa relação do grupo com a cidade de São Paulo cobrisse todas as lacunas da obra com tons de cinza.

Em se tratando dos versos, um amadurecimento. Basta um passeio pelo romantismo que cobre Besouros e Borboletas para ser atraído pela temática amarga e sempre particular de Catatau. “Me diga o que passou que eu procuro pra você /  Em cantos que eu nem vou / Só pra você perceber / Que estou mais velho”, entrega o melancólico vocalista, ainda íntimo da mesma essência confessional carimbada em clássicos como Lá Fora Têm…, O Tempo, Dói e demais exemplares do puro sofrimento que há tempos cerca os versos da banda.

Mais do que um caricato dramalhão romântico, temas sociais, urbanos e até existencialistas aos poucos se espalham pelo registro. Em Quando a Máscara Cai, por exemplo, o sempre “pacifico” Fernando Catatau assume uma postura quase raivosa, esbravejando em versos como “Vou arrancar Zé Doidim tua máscara / Só pra te ver desorientado / Como tu vais fazer para se esconder?”. A utilização de versos em inglês reflete outro aspecto curioso da obra. Tanto Green Card quando Land Of Light entregam ao público uma banda confortável, longe do idioma local. Sobram ainda faixas que traduzem a saudade em relação à cidade de origem do coletivo, Fortaleza, referência que ultrapassa a própria faixa-título do trabalho e se esconde em pontos estratégicos de toda a obra.

Misto de ruptura e transformação, Fortaleza mostra um grupo remodelado, tão curioso e atento quanto há dez anos, quando passou a receber maior atenção da imprensa especializada. Do dedilhado tímido que preenche o cancioneiro em Perto de Mim, ao som raivoso, quase “punk”, esculpido pelas guitarras de Quando a Máscara Cai, inúmeros são os caminhos (e sonoridades) incorporados pela banda, seguramente capaz de condensar maturidade e jovialidade até a derradeira Lá Lá, Lá Lá Lá Lá. Como entrega o vocalista no primeiro verso do disco: “até que enfim”.

Fortaleza (2015, Independente)

Nota: 8.6
Para quem gosta de: Siba, Céu e Pélico
Ouça: Besouros e Borboletas, Perto de Mim e Até Que enfim

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Jaill: “Got An F”

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Você não precisa ir além da capa de Brain Cream (2015) para entender quais são as inspirações e o som produzido pelo trio norte-americano Jaill. Quarto álbum de inéditas da banda original de Milwaukee, Wisconsin, o registro nasce como um reforço aos temas psicodélicos que o grupo – hoje formado por Vincent Kircher, Austin Dutmer e Andrew Harris – promove desde o primeiro disco, There’s No Sky (Oh My My) (2009).

Em Got An F, mais novo single do inédito disco, guitarras calcadas no Power Pop, vozes pegajosas e uma dose leve de distorção transportam o ouvinte sem dificuldades até o meio dos anos 1970. Uma sequência de acordes coloridos, jovialidade e energia que logo afasta o ouvinte do mesmo universo letárgico, quase místico, de boa parte dos grupos atuais, caso de Unknown Mortal Orchestra e Tame Impala.

Brain Cream (2015) será lançado no dia 30/06 pelo selo Burger Records.

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Jaill – Got An F

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Gouveia Phill: “Sol de Oro”

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Duas músicas pelo “preço” de uma. Essa parece ser a melhor definição para o trabalho do músico paraibano Gouveia Phill na recém lançada Sol de Oro. Mais recente criação do artista de João Pessoa – uma das mentes aos comandos do Glue Trip -, a composição de quase sete minutos assume um caminho particular em relação aos últimos lançamentos do guitarrista – Salvat’oria, Serena e Therd´ominia -, dosando emanações psicodélicas em meio a arranjos típicos do Folk e Alt. Country.

Na primeira metade, um dedilhado doce coberto por ruídos eletrônicos e sons “matutinos”, um pequeno suspiro antes da chuva (literal) que separa os dois blocos da mesma canção. Em uma montagem/divisão abrandada, o uso de sons “fechados”, melancólicos e quase próximos do obscuro marcam o segundo ato da faixa, transportando o ouvinte para dentro de uma trilha sonora involuntária ou música de fundo para qualquer clássico do Western norte-americano nos anos 1950 e 1960.

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Gouveia Phill – Sol de Oro

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Tame Impala: “Eventually”

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Let It Happen, Disciples e Cause I’m a Man; se parasse aí, os australianos do Tame Impala teriam um grande EP em mãos, mas isso é apenas o começo, a ponta do iceberg colorido que será apresentado em Currents (2015). Terceiro álbum de inéditas do grupo comandado por Kevin Parker, o registro de 13 faixas e lançamento mundial pelo selo Interscope acaba de ter sua data de lançamento (finalmente) divulgada ao público: 17 de julho. Para celebrar o anúncio, o grupo entregou mais uma faixa inédita: Eventually.

Nova fuga do som “pesado” de Lonerism (2012), último álbum de estúdio da banda, Eventually segue com naturalidade a base proposta na já conhecida Cause I’m a Man, equilibrando sintetizadores e toda uma variedade de elementos da década de 1980 em necessariamente fugir dos temas característicos do grupo australiano. Pequenos atos individuais, guitarras tímidas, pausas e encaixes precisos de voz que mais uma vez transportam o ouvinte para um cenário mágico.

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Tame Impala – Eventually

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