No começo da semana, os integrantes do Animal Collective anunciaram a chegada de um novo EP. Intitulado The Painters (2017), o registro que conta com distribuição pelo selo Domino segue exatamente de onde a banda parou no último ano, durante o lançamento do fraco Painting With. Como indicado durante o lançamento de Kinda Bonkers, parte expressiva do trabalho flutua entre a eletrônica e o pop psicodélico, base de grande parte dos álbuns recentes da banda.

São três composições inéditas – Kinda Bonkers, Peacemaker e Goalkeeper –, além de uma versão para a faixa Jimmy Mack, composição eternizada pelo grupo de R&B/Soul Martha & The Vandellas. Conceitualmente, o trabalho mantém firme a essência do disco lançado em 2016, apresentando ao público um som 9inspirado pelos principais movimentos artísticos de vanguarda no começo do século XX – como dadaísmo e surrealismo.

 

Animal Collective – The Painters

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A cada nova faixa lançada pelo BIKE, mais o ouvinte é arrastado para dentro do ambiente colorido de Em Busca da Viagem Eterna (2017). Segundo álbum de inéditas da banda paulista, o sucessor de 1943 (2015) parece jogar com o uso de temas cósmicos e ambientações psicodélicas que passeiam por diferentes fases do gênero. Um som marcado pelos detalhes e complexa construção dos arranjos e vozes, marca do primeiro single do disco, o delírio intitulado A Montanha Sagrada.

Em Enigma dos Doze Sapos, mais recente lançamento do grupo, um novo e delicado jogo de melodias etéreas, deliciosamente costuradas. Reflexo dos principais conflitos que a banda encontrou durante a turnê do último disco, a canção de quase quatro minutos acaba se conectando de forma natural ao primeiro registro do grupo, efeito da sutil referência ao título de Enigma do Dente Falso, música acompanhada de um clipe dirigido por Júlia Maury e Lídia Ganhito.

 



Bike – Enigma Dos Doze Sapos

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De todos os trabalhos lançados em 2016, Painting With, último registro de inéditas do Animal Collective, talvez seja um dos mais decepcionantes. Inspirado pelos principais movimentos artísticos do começo do século XX – como dadaísmo e surrealismo -, o álbum se perde em meio a flertes com a música pop, fragilidade na composição dos versos e forma simplista como os arranjos e vozes se espalham em cada uma das canções do disco.

Extensão alternativa desse mesmo projeto, The Painters apresenta ao público um novo acervo com três canções inéditas e uma curiosa versão de Jimmy Mack, música eternizada pelo grupo de R&B/Soul Martha & The Vandellas. Em Kinda Bonkers, primeiro single do EP, uma coleção de melodias e samples sobrepostos que refletem um cuidado um pouco maior em relação aos últimos trabalhos da banda, esbarrando em elementos do clássico Merriweather Post Pavilion (2009).

The Painters (2017) será lançado no dia 17/02 via Domino.

 

Animal Collective – Kinda Bonkers

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Da eletrônica minimalista de Start Breaking My Heart (2001), passando pelo pop psicodélico de Andorra (2007) até alcançar a explosão de sons em Swim (2010), Dan Snaith passou os últimos 15 anos se revezando na produção de uma discografia essencialmente versátil, marcada pelas possibilidades. Seja sob o título de Manitoba ou de Caribou, não faltam grandes registros e composições de peso produzidas pelo artista canadense – como Odessa, Can’t Do Without You e Bees. Um rico repertório agora organizado do “pior” para o melhor lançamento do artista.

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Depois de duas composições inéditas – Elogio à Instituição do Cinismo e Olhos –, os integrantes da banda goiana Boogarins estão de volta com um novo lançamento. Intitulado Desvio Onírico (2017), o trabalho de apenas quatro faixas – todas com mais de nove minutos de duração –, resume parte parte da extensa turnê produzida pela banda para a divulgação do elogiado Manual ou Guia Livre de Dissolução dos Sonhos (2015), segundo álbum de estúdio da banda.

São pouco mais de 40 minutos em que o grupo detalha pequenos experimentos e variações instrumentais de faixas já conhecidas do público, caso de Tempo, originalmente gravada no disco de 2015, porém, reformulada na apresentação do grupo no Rock In Rio Lisboa. Em recente entrevista à Rolling Stone Brasil, os integrantes explicaram que esse é apenas o primeiro dos dois discos que a Boogarins deve apresentar pelos próximos meses.

 

Boogarins – Desvio Onírico

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Original da cidade de Orlando, na Flórida, o Tonstartssbandht é um projeto de rock psicodélico comandado pelos irmãos Edwin e Andy White. No catálogo da banda, um rico acervo de obras caseiras, registros ao vivo, singles, trabalhos colaborativos e EPs que se espalham pelo perfil da banda no Bandcamp. Convidados a integrar o selo Mexican Summer – casa de artistas como Ariel Pink e Weyes Blood –, o duo anuncia para o mês de março a chegada de um novo álbum de estúdio: Sorcerer (2017).

Primeiro grande trabalho da banda desde o LP Now I Become, de 2011, o registro acaba de ter a extensa faixa-título apresentada ao público. São pouco mais de nove minutos de duração em que o duo norte-americano joga com diferentes sonoridades, invade o terreno de artistas como Mac DeMarco, parceiro de longa data da banda, e ainda fazem com que o ouvinte seja conduzido para dentro de um imenso labirinto de pequenas incertezas e quebras instrumentais.

Sorcerer (2017) será lançado no dia 24/03 via Mexican Summer.

 

Tonstartssbandht — Sorcerer

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No último ano, os integrantes do Bike foram convidados a participar da coletânea No Abismo da Alma (2016), uma homenagem ao movimento Udigrudi e artistas como Zé Ramalho, Lula Cortês e Ave Sangria. Canção escolhida pela banda, a psicodélica Não Existe Molhado Igual ao Pranto, música originalmente gravada no clássico Paêbirú, de 1975, mostra a busca do grupo por um som cada vez mais complexo e experimental, como uma extensão madura do material apresentado no debut 1943, de 2015.

Mais recente criação do grupo paulista, A Montanha Sagrada reforça com naturalidade esse mesmo conceito, se espalhando em meio ambientações lisérgicas, ruídos e camadas de efeitos. Com versos orquestrados como um mantra – “Subi a montanha para ficar mais perto do céu” –, e mais de sete minutos de duração, a nova faixa indica a direção seguida pela banda para o segundo álbum de estúdio, o aguardado Em Busca da Viagem Eterna (2017). Em entrevista à Revista Rolling Stone Brasil, o grupo comentou o processo de composição do novo disco, previsto para o primeiro semestre.

 

Bike – A Montanha Sagrada

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Artista: Foxygen
Gênero: Psicodélico, Rock, Alternativo
Acesse: http://www.foxygentheband.com/

 

Em meio a conflitos declarados entre os membros da banda e uma suposta turnê de despedida, Sam France e Jonathan Rado conseguiram encontrar força para a produção de um novo registro de inéditas do Foxygen. Em Hang (2017, Jagjaguwar), quarto e mais recente álbum de estúdio da dupla californiana, todos os elementos testados no antecessor …And Star Power, de 2014, assumem um novo e delicado enquadramento, reforçando a psicodelia nostálgica que há tempos orienta os trabalhos do grupo.

Como indicado durante o lançamento de America, composição entregue ao público em outubro do último ano, grande parte do presente registro parece ancorada nos anos 1970. Melodias, vozes e arranjos que espelham o trabalho de artistas como The Rolling Stones, Lou Reed e, principalmente, David Bowie na fase Young Americans (1975), referência explícita no coro de vozes e toda a dramaticidade presente em músicas como Follow The Leader.

Distante da atmosfera “hippie” que apresentou o trabalho da banda em We Are the 21st Century Ambassadors of Peace & Magic (2013), Hang se projeta como um registro sóbrio, maduro pela forma como os arranjos são explorados ao longo do disco. Um bom exemplo disso está em Trauma, música que flutua em meio a arranjos orquestrais, versos entristecidos e vozes em coro que transitam com naturalidade pela música gospel – elemento presente em grande parte da obra.

Curtinha, Upon a Hill talvez seja a composição que mais se aproxima dos primeiros registros da banda. Pouco mais de um minuto em que a banda se revela por completo, criando pequenas curvas rítmicas que jogam com a percepção do ouvinte. Um fragmento isolado, independente, como uma fuga do detalhamento complexo explícito em músicas como Rise Up, faixa de encerramento do disco e um imenso quebra-cabeça instrumental que transporta o ouvinte para diferentes cenários.

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Artista: The Flaming Lips
Gênero: Neo-Psicodelia, Experimental, Alternativo
Acesse: http://flaminglips.warnerbrosrecords.com/

 

A leveza que marca os arranjos da instrumental faixa de abertura de Oczy Mlody (2017, Warner Bros.) resume com naturalidade a atmosfera onírica do 14º álbum de estúdio do The Flaming Lips. Primeiro registro de inéditas da banda de Oklahoma desde o melancólico The Terror, lançado em 2013, o trabalho que conta com produção de Dave Fridmann e Scott Booker mostra a força do coletivo norte-americano, fazendo do presente disco um precioso exercício melódico.

Coeso quando observado em proximidade aos últimos registros da banda, The Time Has Come to Shoot You Down… What a Sound (2013) e With a Little Help from My Fwends (2014), coletâneas que resgatam a obra das bandas Stone Roses e The Beatles, respectivamente, além, claro, do álbum assinado em parceria com Miley Cyrus, Miley Cyrus & Her Dead Petz (2015), Oczy Mlody encanta pela sutileza dos arranjos e vozes. Em um intervalo de quase 60 minutos de duração, todos os elementos se posicionam de forma homogênea, fazendo do trabalho uma peça única, inebriante.

Assim como em The Terror, cada canção do presente disco serve de passagem para a música seguinte. Arranjos enevoados e cantos de pássaros em How?? criam uma delicada ponte para o rock eletrônico de There Should Be Unicorns. Melodias tímidas em Sunrise (Eyes of the Young) se conectam diretamente ao som que escapa da entristecida Nigdy Nie (Never No). Sintetizadores e colagens atmosféricas de Galaxy I Sink e The Castle conduzem o ouvinte até os últimos instantes da obra.

Longe de parecer uma novidade dentro da extensa discografia da banda, parte dessa sonoridade se comunica de forma explícita com o mesmo material produzido pelo The Flaming Lips no interior de clássicos como The Soft Bulletin (1999) e Yoshimi Battles the Pink Robots (2002). Do uso cuidadoso das melodias em The Castle, passando pelo pop psicodélico que cresce da derradeira We a Famly, parceria com Miley Cyrus, grande parte das canções em Oczy Mlody revelam o lado mais acessível, doce e hipnótico do grupo norte-americano.

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Artista: Jude
Gênero: Rock Psicodélico, Alternativo, Rock
Acesse: https://soundcloud.com/jude-banda

 

Não faltam registros inspirados na boa safra do rock psicodélico produzido entre o final dos anos 1960 e começo da década de 1970. Trabalhos ancorados de forma explícita na obra de veteranos da música nacional – como Os Mutantes e Clube da Esquina –, ou mesmo gigantes da cena estrangeira – principalmente The Beatles e Pink Floyd. Todavia, poucos são os registros capazes de ir além da mera reciclagem de conceitos, sufocando pela completa ausência de identidade.

Prazeroso encontrar em Ainda Que de Ouro e Metais (2016, Crooked Tree Records), álbum de estreia do grupo alagoano Jude, uma seleção de músicas que vão além do empoeirado resgate de velhas ideias e melodias. Dividido com naturalidade entre a nostalgia e o frescor dos arranjos, o trabalho entregue ao público em dezembro do último ano confirma o esmero e verdadeira entrega do trio Reuel Albuquerque (guitarras, violão, baixo, teclados, programações, bateria e vocais) Fernando Brasileiro (vocais e violão) Alex Moreira (baixo e violão) em estúdio.

A cada nova composição, um precioso diálogo com o passado. Entre falsetes e arranjos descomplicados, a homônima música de abertura do disco orienta a direção seguido pela trinca de Maceió. Guitarras, pianos e batidas que se espalham de maneira sutil, detalhando um colorido pano de fundo para o canto melódico da faixa, por vezes íntima do clássico Pet Sounds (1966), dos Beach Boys. O mesmo cuidado se repete ainda na divertida Vá Ser Feliz Como o Arnaldo Baptista, faixa assinada em parceria com o músico João Paulo, vocalista e líder da conterrânea Mopho.

Por falar no trabalho da Mopho, sobrevive em Ainda Que de Ouro e Metais parte da essência lisérgica e grande parte das referências que abasteceram a curta discografia da banda alagoana. Difícil ouvir músicas como Gigante de Aço e Com Olhos Serenos e não lembrar de obras como Volume 3 (2011) ou o homônimo registro de estreia do grupo – 56º lugar na nossa lista dos 100 Melhores Discos Nacionais dos Anos 2000. A mesma ambientação psicodélica, louca. Arranjos e vozes que analisam o passado de forma curiosa, porém, mantendo firme os dois pés no presente.

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