Tag Archives: Psychedelic

The Chemical Brothers: “Sometimes I Feel So Deserted”

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Inspirados, de volta à boa forma para o lançamento do ótimo Further (2010), sétimo trabalho da discografia de inéditas, Tom Rowlands e Ed Simons ainda tiveram energia para apresentar a trilha sonora do filme Hanna, em 2011. Depois disso, apenas silêncio. Passados quatro anos desde o último registro de inéditas, os veteranos do The Chemical Brothers estão de volta, ainda mais eufóricos, prontos para apresentar ao público o oitavo álbum da carreira: Born in the Echoes (2015).

Escolhida para apresentar o novo (e ainda inédito) trabalho da dupla, a psicodélica Sometimes I Feel So Deserted parece explorar propositadamente a essência dos britânicos. Natural regresso ao clássico Dig Your Own Hole, de 1997, a intensa composição de quase cinco minutos se acomoda em meio a batidas instintivas, sintetizadores que emulam sirenes e uma base funkeada que poderia facilmente ser encontrada em outro clássico dos anos 1990, Homework, álbum de estreia do Daft Punk. Pausas controladas, atos crescentes e uma letra que gruda sem dificuldades na cabeça. Precisa de mais alguma coisa?

Born in the Echoes (2015) será lançado no dia 17/07 pelos selos Virgin e EMI

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The Chemical Brothers – Sometimes I Feel So Deserted

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Disco: “What For?”, Toro Y Moi

Toro Y Moi
Indie/Psychedelic Pop/Alternative
http://toroymoi.com/

 

Fixar o trabalho de Toro Y Moi dentro de um único estilo, sonoridade, gênero musical nunca foi principal o interesse de Chaz Bundick. Do som ambiental (e letárgico) de Causers of This (2010), passando pelo Soul-Funk-Lo-Fi de Underneath the Pine (2011) até o flerte com o Hip-Hop em Anything in Return (2013), a cada trabalho, o músico original de Columbia, Carolina do Sul buscou conforto em um cenário totalmente novo, instável e repleto de experiências curiosas. Mesmo a curva eletrônica com o projeto paralelo Les Sins, no álbum Michael (2014), soa como uma extensão dos inventos iniciais lançados pelo produtor.

E agora, que direção seguir? A julgar pela sutil manipulação das vozes e instrumental radiante, What For? (2015, Carpark), quarto trabalho solo como Toro Y Moi, talvez seja a obra em que o músico norte-americano mais se aproxima do pop “tradicional”. Presença garantida em alguns dos principais festivais de música ao redor do globo, Bundick apresenta ao público um bem-sucedido acervo de hits, faixas comerciais e pequenos hinos românticos, marca que se faz explícita na estrutura grandiosa estendida entre What You Want e o acorde final de Yeah Right.

Fuga leve do experimento testado até o último disco, Bundick se concentra na produção de canções fáceis, desobstruindo a passagem do “grande público”, hoje autorizado a passear livremente pela obra. Basta voltar os ouvidos para Empty Nesters, primeiro single do álbum. Enquanto Underneath the Pine – com Still Sound – e Anything in Return So Many Details – foram apresentados por faixas de complexidade controlada, em What For? o single de apresentação cresce de forma descomplicada, amarrando vozes e guitarras semi-psicodélicas.

Por falar em música psicodélica, este parece ser outro elemento fundamental para o desdobramento seguro do disco. Apoiado em referências tão atuais, como Tame Impala e Neon Indian, quanto em veteranos como The Beatles – principalmente nas canções mais lentas e românticas da obra -, Bundick parece ter encontrado a cola conceitual do trabalho, impedindo que ele tropece em um registro demasiado simples. Mesmo flertes com o Power Pop podem se encontrados no decorrer da obra, como nas melodias doces de Run Baby Run, um típico exemplar do Teenage Fanclub. Continue reading

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14 discos para entender a Neo-Neo-Psicodelia

O uso excessivo de LSD aprisionou sua mente em algum lugar entre os anos de 1967 e 1972? Hora de voltar ao presente. Insiste que “não se faz mais música como antigamente“? Acorda. Não é preciso uma audição minuciosa para tropeçar em uma variedade de discos atuais tão inventivos, autênticos e chapados quanto o acervo lançado há mais de quatro décadas.

Trabalhos inspirados de forma confessa na produção de veteranos como The Beatles, Pink Floyd e Os Mutantes, porém, atuais, marcados pelo frescor de novos conceitos. O mesmo som “colorido” e insano, apenas reforçada pelo uso bases eletrônicas, interessado no diálogo com diferentes gêneros e fórmulas musicais.

Você não precisa deixar de ouvir “Jimi Hendrick”, apagar o baseado ou quebrar aquele vinil raro do Cream para renovar sua biblioteca musical. Na lista abaixo, uma dose extra novidade e natural relação com a música de 1960/1970. Obras que sintetizam parte da música psicodélica produzida entre 2005 e 2015, ultrapassam os limites do rock e merecem a atenção de qualquer ouvinte experiente. Continue reading

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Cidadão Instigado: “Fortaleza”

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Seis anos de espera e, finalmente, um novo álbum da Cidadão Instigado está entre nós. Sucessor do excelente Uhuuu! (2009) – 2º colocado na nossa lista dos 100 Melhores Discos Nacionais dos anos 2000 -, Fortaleza (2015) parece seguir um caminho diferente em relação aos três últimos registros de estúdio do coletivo.

Esqueça o tempero brega de O Ciclo da Decadência (2002), os experimentos de …e o Método Túfo de Experiências (2005), ou mesmo a lisergia discos de 2009. Para o quarto trabalho de estúdio, o quinteto formado por Fernando Catatau, Regis Damasceno, Clayton Martim, Rian Batista e Dustan Gallas resgata a própria essência.

Além de homenagear a cidade onde o grupo nasceu – a capital Fortaleza, no Ceará -, durante toda a obra, elementos regionais e arranjos típicos do rock clássico invadem a estrutura que sustenta o álbum. São 12 faixas extensas, boa parte delas com mais de cinco minutos de duração. Disponível para download gratuito no site do grupo, o trabalho pode ser apreciado na íntegra logo abaixo.

O show de lançamento do disco está agendado para os dias 09 e 10 de abril na Choperia do Sesc Pompeia, em São Paulo.

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Cidadão Instigado – Fortaleza

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Tame Impala: “Cause I’m a Man”

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Currents (2015), este é o nome do terceiro álbum de estúdio da banda australiana Tame Impala. Sucessor do elogiado Lonerism, de 2012, o novo registro aponta para uma direção contrária em relação aos dois últimos lançamentos do grupo comandado por Kevin Parker; transformação explícita nos mais de sete minutos da “eletrônica” Let It Happen, primeira composição da “nova fase” e, agora, oficialmente completa com a entrega da também inédita Cause I’m a Man.

Dotada de vocais e arranjos compactos, acompanhados de perto pelo uso delicado de sintetizadores, a nova faixa reforça o completo interesse de Parker no trabalho produzido por Michael Jackson nos anos 1980, representação marcada pelo distanciamento do som enérgico/psicodélico de Lonerism, conceito temporariamente substituído por uma proposta muito mais branda, melancólica e íntima do R&B.

Além da nova faixa – primeiro single oficial de Currents -, o grupo aproveitou para apresentar a curiosa capa do registro (acima), trabalho que brinca com imagens típicas de clássicos do rock progressivo lançados por grupos como Yes e Emerson Lake and Palmer. Ainda sem data de lançamento, Currents conta com produção de Kevin Parker e distribuição pelos selos Modular e Interscope.

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Tame Impala – Cause I’m a Man

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Unknown Mortal Orchestra: “Multi-Love” (VÍDEO)

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Impressionante é o processo de transformação que inspirou o Unknown Mortal Orchestra desde a estreia com o autointitulado álbum de 2011. Partindo de um expressivo detalhamento na melodias, Ruban Neilson e os parceiros de banda conseguiram se esquivar da ambientação Lo-Fi montada para as primeiras canções, mergulhando de cabeça em uma sonoridade cada vez mais delicada, psicodélica e romanticamente inspirada pelo R&B, marca explícita logo no segundo álbum de estúdio do grupo, II (2012).

Em uma exposição ainda maior desse mesmo resultado, mergulhando de cabeça no uso de vocalizações brandas e temas psicodélicos empoeirados, o grupo localizado em Portland, Oregon ) reforça a própria evolução com a inédita Multi-Love. Como um fragmento musical extraído dos anos 1970, a música de quatro minutos se aconchega em um ambiente completamente nostálgico, reflexo não apenas do material conquistado pelo UMO nos últimos anos, mas em relação ao próximo álbum da banda, um registro homônimo que conta com lançamento pelo selo Jagjaguwar (Angel Olsen, Bon Iver) e lançamento agendado para 26 de maio.

Abaixo, o clipe da composição. Dirigido por Lionel Williams, o trabalho conta com uma versão interativa para PC, Mac ou Unity. Basta baixar o aplicativo e viajar com o grupo.

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Unknown Mortal Orchestra – Multi-Love

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Unknown Mortal Orchestra: “Multi-Love”

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Impressionante é o processo de transformação que inspirou o Unknown Mortal Orchestra desde a estreia com o autointitulado álbum de 2011. Partindo de um expressivo detalhamento na melodias, Ruban Neilson e os parceiros de banda conseguiram se esquivar da ambientação Lo-Fi montada para as primeiras canções, mergulhando de cabeça em uma sonoridade cada vez mais delicada, psicodélica e romanticamente inspirada pelo R&B, marca explícita logo no segundo álbum de estúdio do grupo, II (2012).

Em uma exposição ainda maior desse mesmo resultado, mergulhando de cabeça no uso de vocalizações brandas e temas psicodélicos empoeirados, o grupo localizado em Portland, Oregon ) reforça a própria evolução com a inédita Multi-Love. Como um fragmento musical extraído dos anos 1970, a música de quatro minutos se aconchega em um ambiente completamente nostálgico, reflexo não apenas do material conquistado pelo UMO nos últimos anos, mas em relação ao próximo álbum da banda, um registro homônimo que conta com lançamento pelo selo Jagjaguwar (Angel Olsen, Bon Iver) e lançamento agendado para 26 de maio.

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Unknown Mortal Orchestra – Multi-Love

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Carne Doce: “Fetiche”

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Delicada, confessional e parcialmente oculta em meio ao turbilhão de guitarras e vozes fortes que ocupam o registro de estreia da banda Carne Doce, Fetiche talvez seja o fragmento mais representativo da sonoridade doce que também movimenta o trabalho do grupo goiano. Naturalmente intimista, a composição de arranjos econômicos parece crescer em uma medida própria de tempo, encaixando acordes de guitarra em meio aos versos românticos do casal Salma Jô e Macloys Aquino, protagonistas do recém-lançado clipe de Luciana Faria.

Com edição assinada pelo roteirista e cinegrafista Luciano Evangelista, o registro em branco e preto acompanha o ritmo comportado da faixa, sobrepondo imagens do casal durante um passeio por uma chácara nas proximidades de Goiânia, Goiás. Lançado em boa hora, o vídeo funciona como um convite para a sequência de shows que a banda promove (pela primeira vez) em diferentes cidades do estado de São Paulo. Autointitulado, o primeiro registro em estúdio do coletivo goiano foi eleito álbum do ano em nossa lista dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2014.

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Carne Doce – Fetiche

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Disco: “Panda Bear Meets the Grim Reaper”, Panda Bear

Panda Bear
Psychedelic/Experimental/Alternative
http://www.pbvsgr.com/

Vozes submersas em um lago de efeitos psicodélicos, colagens instrumentais e arranjos essencialmente excêntricos. Quem Noah Lennox está tentando enganar? Mesmo que fórmulas complexas e temas pouco “usuais” dentro dos padrões da música comercial sirvam de base para o trabalho do músico norte-americano, ao esbarrar no acervo colorido de Panda Bear Meets the Grim Reaper (2015, Domino), quinto álbum do também integrante do Animal Collective como Panda Bear, todos os esforços do artista residente em Portugal se concentram no explícito diálogo com melodias típicas do pop.

Seja no refrão ascendente de Mr. Noah – a faixa mais enérgica de Lennox em carreira solo – ou pela leveza mágica de Latin Boys, cada instante do presente registro confirma a imagem de um compositor livre, acessível, ainda que experimental em essência. A julgar pela overdose de efeitos eletrônicos e projeções instrumentais inspiradas no Hip-Hop da década de 1990 – principalmente Q-Tip e A Tribe Called Quest -, este talvez seja o trabalho que o público do Animal Collective tanto esperou depois do ápice criativo alcançado em Merriweather Post Pavilion (2009).

Em construção desde o lançamento de Centipede Hz, de 2012, Panda Bear Meets the Grim Reaper – o nome é uma brincadeira com os discos de dub em parceria lançados na década de 1970 – soa como uma completa oposição aos temas propostos pelo músico em Tomboy (2011), então, último trabalho de Lennox em carreira solo. Da capa cinza – agora colorida -, passando pelo abandono de bases drone, ruídos opacos e fórmulas sóbrias, cada instante do novo trabalho se transforma em um passeio por um cenário onírico/lisérgico, talvez uma versão menos “caseira” do mesmo Panda Bear oficialmente apresentado em Person Pitch (2007).

Embora irônico, o conceito de parceria – entre “Panda Bear e a Morte” – que rege todo o disco está longe de parecer uma brincadeira. Tão presente quanto o próprio Lennox, Peter “Sonic Boom” Kember ultrapassa a função de produtor da obra, garantindo o movimento e presença necessária para o crescimento das canções. Colaborador desde o álbum de 2011, o ex-Spacemen 3 aos poucos afasta Panda Bear da zona de conforto criada ao lado dos parceiros do Animal Collective, invadindo o território da música negra – vide o sample de Ashley’s Roachclip em Crosswords -, além do constante reciclar de elementos da música clássica em faixas como a delicada Tropic Of Cancer. Continue reading

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Toro Y Moi: “Empty Nesters”

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A rápida passagem de Chazwick Bundick pelo território eletrônico de Michal (2014) – primeiro álbum à frente do Les Sins – em nada parece ter afetado a sonoridade melódica exposta pelo músico com o Toro Y Moi. Dois anos depois de abandonar (parcialmente) a Chillwave para flertar com elementos da música Disco, Funk, R&B e Hip-Hop em Anything in Return (2013), o norte-americano assume na pegajosa Empty Nesters uma espécie de regresso ao ambiente psicodélico apresentado nos primeiros anos de estúdio.

Primeiro exemplar de What For? (2015), quarto álbum de inéditas de Toro Y Moi, a canção talvez seja a peça mais acessível de toda a carreira de Bundick. Ainda que os temas explorados no último disco sejam preservadas – como a relação musical com a década de 1970 -, durante toda a construção da faixa, guitarras, vozes e sintetizadores entusiasmados trazem de volta o mesmo tempero pop aprimorado em Freaking Out EP, de 2011.

Com distribuição pelo selo Carpark Records, casa do projeto desde o debut Causers of This (2010), o novo álbum conta com lançamento previsto para o dia sete de abril.

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Toro Y Moi – Empty Nesters

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