Tag Archives: Psychedelic

Absolutely Free: “Beneath The Air”

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Dona de uma das melhores faixas lançadas em 2012 – UFO -, a banda canadense Absolutely Free finalmente reserva para o dia 14 de outubro a chegada do primeiro álbum de estúdio. Autointitulado, o trabalho que conta com lançamento pelo selo Lefse e produção de Mike Haliechuk, da banda Fucked Up, parece estender os inventos psicodélicos do grupo. Na trilha do que o grupo apresentou há dois anos, é hora de ouvir ser hipnotizado por Beneath The Air, novo single da banda e passagem para o esperado debut.

Lembrando (mais do que nunca) o trabalho da veterana Flaming Lips, a canção desacelera na mesma proporção que algumas das faixas do Tame Impala em Lonerism (2012). Guitarras levemente distorcidas, vozes subaquáticas e pequenas porções de sintetizadores, tudo aquilo que o primeiro grande single da banda já havia revelado de forma assertiva, porém, dentro de um estágio quase místico. Para quem ainda desconhece o trabalho do grupo, não há melhor forma de ser surpreendido.

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Absolutely Free – Beneath The Air

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Gouveia Phill: “Therd´ominia”

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Responsável por algumas das composições mais viajantes que surgiram nos últimos meses, o paraibano Gouveia Phill surge agora com mais uma faixa guiada pelo delírio. Com quase oito minutos de duração, Therd´ominia brilha como uma expansão dos arranjos e bases instaladas nas antecessoras Salvat’oria e Serena, espalhando em ambientações versáteis a abertura para um território novo dentro curta obra do músico.

Dividida em três partes, a canção abre em meio a flertes com o pós-rock, se acomoda em uma atmosfera tímida e encerra de forma hipnótica, com Phill espalhando de forma sutil guitarras e vocais enevoados. Menos “acústica” que as demais criações do músico, Therd´ominia se sustenta pelos detalhes, obrigando a completa atenção do espectador.

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Gouveia Phill – Therd´ominia

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Foxes in Fiction: “Shadow’s Song” (Ft. Owen Pallett)

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Enquanto In Conflict (2014) revela ao público todo o cuidado de Owen Pallett na formação um registro límpido e coeso, ao lado do grupo canadense Foxes in Fiction o trabalho do músico é encarado de forma diferente. Convidado a tocar violino em grande parte do novo disco da banda de Ontário, Ontario Gothic (2014), Pallett deixa as ambientações tradicionais para mergulhar em um cenário novo, caseiro e a ser desvendado lentamente.

Previsto para o dia 23 de setembro, o novo álbum entrega na recém-lançada Shadow’s Song uma boa mostra de sua formação. Trata-se de uma homenagem do vocalista/líder Warren Hildebrand ao próprio irmão, morto em 2008. Sustentada por efeitos letárgicos, além, claro, dos violinos de Pallett, a canção ecoa referências que vão do Deerhunter em Halcyon Digest, ao último disco do Tame Impala, Lonerism (2012).

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Foxes in Fiction – Shadow’s Song (Ft. Owen Pallett)

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Woods: “Tomorrow’s Only Yesterday”

Woods

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With Light And With Love (2014) é um trabalho tão cravejado de boas composições, que até o material deixado de fora do disco surpreende. Mais recente obra de estúdio do grupo nova-iorquino Woods, o presente álbum é um passeio pelas décadas de 1960/1970 sem necessariamente fugir do cenário atual. Uma coleção de acertos que atravessa o folk, cai no rock psicodélico e ainda abraça traços típicos da banda norte-americana em um resultado essencialmente harmônico.

Com Tomorrow’s Only Yesterday não é diferente. Mais uma das canções que recheiam o novo single do grupo – Tambourine Light / Tomorrow’s Only Yesterday -, a nova faixa reforça o lado mais “cru” da recente fase da banda. São acordes honestos de guitarras que se desarticulam da música que a acompanha. Oficialmente, o single (em vinil) estreia no dia oito de junho.

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Woods – Tomorrow’s Only Yesterday

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Disco: “Nausea”, Craft Spells

Craft Spells
Indie/Alternative/Dream Pop
https://www.facebook.com/CraftSpells

Por: Cleber Facchi

Craft Spells

A estreia do Craft Spells com Idle Labor, serviu para reforçar a capacidade de Justin Paul Vallesteros em lidar com temas obscuros sem romper com o brilho pop das melodias. Manifestação dos principais distúrbios sentimentais que guiavam o músico na época, o registro de 2011 parece sobreviver mesmo além de seu próprio cercado estrutural. Em Nausea (2014, Captured Tracks), mais novo registro do grupo, as mesmas imposições lançadas há três anos voltam a se repetir, reforçando a capacidade de Vallesteros e seus parceiros em promover novos conceitos dentro da mesma composição acolhedora.

Ainda que orientado de forma explícita pela melancolia dos temas – boa parte do disco foca em um término recente de relacionamento -, Nausea é uma obra que não se permite corromper por exageros ou possíveis deslizes sentimentais do próprio criador. Como a autointitulada faixa de abertura logo entrega, a tristeza é dissolvida em pequenas doses, distribuídas suavemente ao longo de todo o trabalho.

Tendo na relação com o Dream Pop mais uma vez o ponto principal da obra, Vallesteros transporta o ouvinte para um cenário musicalmente abastecido por sonhos e pesadelos. Nada contido em relação ao debut, o novo álbum é uma obra carregada pela detalhe, principalmente na forma como as guitarras ocupam todas as lacunas do disco. Enquanto o debut parecia seguir uma métrica simples de três acordes, hoje pouco disso parece ter sobrevivido, esforço ressaltado em composições mais extensas, caso da apaixonante Komorebi e da lisérgica Changing Faces.

Mais do que uma extensão (musical) do disco passado, Nausea é uma obra de pequenas, porém, criativas possibilidades para o Craft Spells. Além do claro regresso aos sons espalhados pela década de 1980, a relação do grupo com a música psicodélica dos anos 1960 e 1970 preenche todo o registro. Basta perceber o andamento encontrado na ensolarada Twirl ou mesmo o fluxo sonoro de Laughing for My Life para perceber isso. A mudança, mesmo controlada, impera na formação do álbum. Continue reading

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Bear In Heaven: “Time Between”

Bear In Heaven

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Desde a mudança assumida em I Love You, It’s Cool, terceiro álbum de estúdio lançado em 2012, os nova-iorquinos do Bear in Heaven parecem buscar por uma sonoridade cada vez mais acessível em seus trabalhos. Passados dois anos do último registro, Jon Philpot, Adam Wills e Joe Stickney anunciam a chegada do quarto trabalho da banda, Time Is Over One Day Old (2014), registro agendado para o dia cinco de agosto pelo selo Dead Oceans, a nova casa do coletivo.

Como apresentação para o novo disco, a banda apresenta a econômica Time Between, segunda canção do álbum que será abastecido por dez faixas inéditas. Ambientada no mesmo cenário do registro passado, a faixa usa das batidas marcadas e sintetizadores quase estáticos como um ingrediente. Psicodélica, mas nem por isso exagerada, a presente faixa usa da sobreposição gradativa como um princípio, arrastando o ouvinte por quase quatro minutos.

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Bear In Heaven – Time Between

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Caribou: “Can’t Do Without You”

Caribou

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Há quatro anos, Dan Snaith causou verdadeira comoção quando abriu as portas do terceiro álbum do Caribou, Swim (2010), com o lançamento da faixa Odessa. Livre da mesma euforia psicodélica que abasteceu o registro e seguindo a tendência sintética exposta há poucos anos com o Daphni – um dos outros projetos do canandense -, Snaith regressa aos inventos do Caribou para anunciar o quarto álbum de inéditas, Our Love (2014).

Para abrir o novo disco – anunciado para o dia sete de outubro pelo selo Marge -, Snaith apresenta a primeira das dez canções do trabalho: Can’t Do Without You. Econômica, mas, nem por isso, menos envolvente, a canção deixa a psicodelia festiva de outrora para flertar com um conjunto de novas possibilidades. Crescente, a faixa vai do R&B aos inventos eletrônicos lançados pelo artista ainda na época do Manitoba, percepção reforçada na segunda metade da faixa, que segue crescendo, como uma chamada para o restante da obra. Além da série de faixas inéditas, Jessy Lanza e Owen Pallett devem aparecer em algumas das canções do trabalho.

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Caribou – Can’t Do Without You

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Disco: “The Moon Rang Like A Bell”, Hundred Waters

Hundred Waters
Indie/Electronic/Dream Pop
http://www.hundred-waters.com/

Por: Cleber Facchi

Desde o lançamento do primeiro disco, em 2012, o quarteto Hundred Waters fez da sonoridade emanada pelas próprias canções uma passagem envolvente para o etéreo. Cruzando referências que vão do Folk aos arranjos eletrônicos, passando pela psicodelia proposta na década de 1970 e o Drem Pop em 1980, a banda de Gainesville, Florida está longe de encontrar conforto dentro de uma atmosfera específica. Posicionamento que o recém-lançado The Moon Rang Like A Bell (2014, OWSLA), segundo álbum de estúdio, revela em meio a colagens de sons tão mágicas, quanto realistas e desafiadoras.

Distante da homogeneidade que parecia alcançada no bem recebido debut, o novo álbum é uma obra de possibilidades. Do momento em que Show Me Love inaugura o disco até a chegada de No Sound, no encerramento da obra, cada passo dado pelo quarteto – Nicole Miglis, Trayer Tryon, Paul Giese e Zach Tetreault – evidencia transformação e ruptura. Com um pé na realidade e outro no plano astral, o disco se desmancha como uma nuvem doce de colagens e essências, ambiente exato para a hipnose coletiva que o grupo expande com o passar das músicas – sempre aproximadas, como um bloco único de sons.

Um pouco mais “sintético” que o álbum de 2012, The Moon Rang Like A Bell evita a proliferação de arranjos acústicos, mergulhando o ouvinte em um agregado de essências quase irreais, distantes da nossa realidade. Das batidas que ecoam o trabalho de Björk na década de 1990 ao diálogo com o Pós-Rock, dos flertes vocais com o R&B ao agregado denso do Dream Pop, cada canção autoriza o grupo a provar de pequenas tendências. Se em segundos o disco soa como o Múm em boa fase, logo nos minutos seguintes alguma diva da música negra parece arrastada para o mesmo ambiente de Julia Holter.

Livre de certezas, a presente obra do Hundred Waters aposta unicamente no invento e na desconstrução das ideias. Dessa forma, cada música cresce como um objeto isolado dentro do álbum. Enquanto Out Lee brilha em virtude dos argumentos eletrônicos dentro de uma formação mística, Innocent, logo em sequência, surge fria, matemática em determinados pontos. Uma constante sensação de que as experiências lançadas em músicas como Thistle, do disco passado, não apenas foram ampliadas, como encontraram novo significado nas mãos e exigências do grupo. Nada que prejudique a coerência do registro, continuamente amplo e aproximado esteticamente na mesma medida. Continue reading

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Woods: “Tambourine Light”

Woods

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Seguindo a cartilha dos últimos trabalhos de estúdio, é difícil encontrar uma faixa ruim dentro do novo álbum do Woods, With Light And With Love (2014). Agregado de referências que vão do Country Folk ao rock psicodélico da década de 1960, o ainda fresquinho disco expande as preferências lançadas em Bend Beyond, de 2012, acerto que não está apenas no catálogo curto de 10 faixas do trabalho, mas também nas canções que acabaram de fora dele.

É o caso da agradável e solar Tambourine Light. Estranhamente deixada de forma do novo álbum, a canção acaba de ser anunciada como o novo single do grupo, que ainda reserva mais uma canção inédita, a ser agregada e lançada em um vinil 7″. Perfeita para quem se encantou pelo mais recente álbum do Real Estate – Atlas (2014) -, a faixa ecoa o Jangle Pop dos anos 1980, tendência cada vez maior dentro da nova safra de bandas norte-americanas.

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Woods – Tambourine Light

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Dinowalrus: “Tropical Depression”

Dinowalrus

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Embora já acumule dois trabalhos em estúdio – % (2010) e Best Behavior (2012) -, a banda nova-iorquina Dinowalrus só deve receber a merecida atenção com o novo disco, Complexion (2014). Previsto para estrear no dia quatro de junho, o terceiro álbum de estúdio está longe de ser uma sequência dos registros que o antecedem: é uma quebra. Parte dessa mudança não vem da própria imposição da tríade de compositores – Pete Feigenbaum, Liam Andrew e Max Tucker -, mas do produtor do disco, Jorge Elbrecht.

Mais conhecido pelo trabalho ao lado de Ariel Pink, o músico parece ter acrescentado um pouco do próprio do tempero sujo dentro da obra do trio. Resultado disso está presente nas vozes, arranjos e ruídos de Tropical Depression, faixa apresentada há poucas semanas, mas agora reforçada no clipe psicodélico dirigido pelo próprio líder do grupo, Feigenbaum. Complexion tem lançamento pelo selo Personal Projects e é uma boa dica aos fanáticos pela estreia do Temples, Sun Structures.

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Dinowalrus – Tropical Depression

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