Tag Archives: Psychedelic

Tame Impala: “Cause I’m a Man” (VÍDEO)

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Currents (2015), este é o nome do terceiro álbum de estúdio da banda australiana Tame Impala. Sucessor do elogiado Lonerism, de 2012, o novo registro aponta para uma direção contrária em relação aos dois últimos lançamentos do grupo comandado por Kevin Parker; transformação explícita nos mais de sete minutos da “eletrônica” Let It Happen, primeira composição da “nova fase” e, agora, oficialmente completa com a entrega de Cause I’m a Man.

Dotada de vocais e arranjos compactos, acompanhados de perto pelo uso delicado de sintetizadores, a nova faixa reforça o completo interesse de Parker no trabalho produzido por Michael Jackson nos anos 1980, representação marcada pelo distanciamento do som enérgico/psicodélico de Lonerism, conceito temporariamente substituído por uma proposta muito mais branda, melancólica e íntima do R&B.

Assista abaixo ao divertido clipe dirigido por Dan Dipaola & Megan McShane e que utiliza de bonecos para representar o coletivo australiano.

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Tame Impala – Cause I’m a Man

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Disco: “Fortaleza”, Cidadão Instigado

Cidadão Instigado
Rock/Alternative/Psychedelic
http://www.cidadaoinstigado.com.br/

Climáticos, os sintetizadores crescem lentamente. Ao fundo, guitarras espalham ruídos, sem pressa ou possíveis exageros. A bateria ocupa espaço com timidez, abrindo passagem para que a voz de Fernando Catatau ecoe de forma clara, como um suspiro aliviado: “até que enfim”. Com os pés firmes no chão, passados seis anos desde o lançamento do último álbum de estúdio, Uhuuu! (2009), o grupo cearense Cidadão Instigado deixa de lado do som experimental (e lisérgico) dos primeiros trabalhos para investir em uma obra pontuada pela saudade, melancolia e completa lucidez.

Fuga dos temas e arranjos complexos testados desde a boa fase em O Ciclo da Decadência (2002) e Cidadão Instigado e o Método Túfo de Experiências (2005), com recém-lançado Fortaleza (2015, Independente) a banda – completa com Regis Damasceno, Clayton Martim, Rian Batista e Dustan Gallas – revela ao público uma sonoridade talvez “simples”, mas não convincente. Livre da estrutura torta e limitadora de faixas como O Pinto de Peitos e Deus É Uma Viagem, o canto triste de Catatau se despe do manto colorido, transporta o ouvinte para um cenário obscuro e ainda cria brechas acessíveis aos mais variados público.

Quem esperava por uma possível continuação dos temas cósmicos testados no disco de 2009 talvez se decepcione. Salve exceções, da abertura ao fechamento, guitarras, batidas e toda os arranjos que preenchem a obra são tratados com sobriedade e expressivo “controle” por parte dos integrantes. A herança da década de 1970 – principalmente Pink Floyd – ainda é a mesma, entretanto, o caminho percorrido agora é outro. Mesmo a essência regional de artistas como Fagner e Zé Ramalho parece alterada no interior das canções, como se a longa relação do grupo com a cidade de São Paulo cobrisse todas as lacunas da obra com tons de cinza.

Em se tratando dos versos, um amadurecimento. Basta um passeio pelo romantismo que cobre Besouros e Borboletas para ser atraído pela temática amarga e sempre particular de Catatau. “Me diga o que passou que eu procuro pra você /  Em cantos que eu nem vou / Só pra você perceber / Que estou mais velho”, entrega o melancólico vocalista, ainda íntimo da mesma essência confessional carimbada em clássicos como Lá Fora Têm…, O Tempo, Dói e demais exemplares do puro sofrimento que há tempos cerca os versos da banda.

Mais do que um caricato dramalhão romântico, temas sociais, urbanos e até existencialistas aos poucos se espalham pelo registro. Em Quando a Máscara Cai, por exemplo, o sempre “pacifico” Fernando Catatau assume uma postura quase raivosa, esbravejando em versos como “Vou arrancar Zé Doidim tua máscara / Só pra te ver desorientado / Como tu vais fazer para se esconder?”. A utilização de versos em inglês reflete outro aspecto curioso da obra. Tanto Green Card quando Land Of Light entregam ao público uma banda confortável, longe do idioma local. Sobram ainda faixas que traduzem a saudade em relação à cidade de origem do coletivo, Fortaleza, referência que ultrapassa a própria faixa-título do trabalho e se esconde em pontos estratégicos de toda a obra.

Misto de ruptura e transformação, Fortaleza mostra um grupo remodelado, tão curioso e atento quanto há dez anos, quando passou a receber maior atenção da imprensa especializada. Do dedilhado tímido que preenche o cancioneiro em Perto de Mim, ao som raivoso, quase “punk”, esculpido pelas guitarras de Quando a Máscara Cai, inúmeros são os caminhos (e sonoridades) incorporados pela banda, seguramente capaz de condensar maturidade e jovialidade até a derradeira Lá Lá, Lá Lá Lá Lá. Como entrega o vocalista no primeiro verso do disco: “até que enfim”.

Fortaleza (2015, Independente)

Nota: 8.6
Para quem gosta de: Siba, Céu e Pélico
Ouça: Besouros e Borboletas, Perto de Mim e Até Que enfim

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Jaill: “Got An F”

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Você não precisa ir além da capa de Brain Cream (2015) para entender quais são as inspirações e o som produzido pelo trio norte-americano Jaill. Quarto álbum de inéditas da banda original de Milwaukee, Wisconsin, o registro nasce como um reforço aos temas psicodélicos que o grupo – hoje formado por Vincent Kircher, Austin Dutmer e Andrew Harris – promove desde o primeiro disco, There’s No Sky (Oh My My) (2009).

Em Got An F, mais novo single do inédito disco, guitarras calcadas no Power Pop, vozes pegajosas e uma dose leve de distorção transportam o ouvinte sem dificuldades até o meio dos anos 1970. Uma sequência de acordes coloridos, jovialidade e energia que logo afasta o ouvinte do mesmo universo letárgico, quase místico, de boa parte dos grupos atuais, caso de Unknown Mortal Orchestra e Tame Impala.

Brain Cream (2015) será lançado no dia 30/06 pelo selo Burger Records.

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Jaill – Got An F

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Gouveia Phill: “Sol de Oro”

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Duas músicas pelo “preço” de uma. Essa parece ser a melhor definição para o trabalho do músico paraibano Gouveia Phill na recém lançada Sol de Oro. Mais recente criação do artista de João Pessoa – uma das mentes aos comandos do Glue Trip -, a composição de quase sete minutos assume um caminho particular em relação aos últimos lançamentos do guitarrista – Salvat’oria, Serena e Therd´ominia -, dosando emanações psicodélicas em meio a arranjos típicos do Folk e Alt. Country.

Na primeira metade, um dedilhado doce coberto por ruídos eletrônicos e sons “matutinos”, um pequeno suspiro antes da chuva (literal) que separa os dois blocos da mesma canção. Em uma montagem/divisão abrandada, o uso de sons “fechados”, melancólicos e quase próximos do obscuro marcam o segundo ato da faixa, transportando o ouvinte para dentro de uma trilha sonora involuntária ou música de fundo para qualquer clássico do Western norte-americano nos anos 1950 e 1960.

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Gouveia Phill – Sol de Oro

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Tame Impala: “Eventually”

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Let It Happen, Disciples e Cause I’m a Man; se parasse aí, os australianos do Tame Impala teriam um grande EP em mãos, mas isso é apenas o começo, a ponta do iceberg colorido que será apresentado em Currents (2015). Terceiro álbum de inéditas do grupo comandado por Kevin Parker, o registro de 13 faixas e lançamento mundial pelo selo Interscope acaba de ter sua data de lançamento (finalmente) divulgada ao público: 17 de julho. Para celebrar o anúncio, o grupo entregou mais uma faixa inédita: Eventually.

Nova fuga do som “pesado” de Lonerism (2012), último álbum de estúdio da banda, Eventually segue com naturalidade a base proposta na já conhecida Cause I’m a Man, equilibrando sintetizadores e toda uma variedade de elementos da década de 1980 em necessariamente fugir dos temas característicos do grupo australiano. Pequenos atos individuais, guitarras tímidas, pausas e encaixes precisos de voz que mais uma vez transportam o ouvinte para um cenário mágico.

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Tame Impala – Eventually

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Panda Bear: “Come To Your Senses” (VÍDEO)

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Vozes submersas em um lago de efeitos psicodélicos, colagens instrumentais e arranjos essencialmente excêntricos. Quem Noah Lennox está tentando enganar? Mesmo que fórmulas complexas e temas pouco “usuais” dentro dos padrões da música comercial sirvam de base para o trabalho do músico norte-americano, ao esbarrar no acervo colorido de Panda Bear Meets the Grim Reaper (2015, Domino), quinto álbum do também integrante do Animal Collective como Panda Bear, todos os esforços do artista residente em Portugal se concentram no explícito diálogo com melodias típicas do pop.

Seja no refrão ascendente de Mr. Noah – a faixa mais enérgica de Lennox em carreira solo – ou pela leveza mágica de Latin Boys, cada instante do presente registro confirma a imagem de um compositor livre, acessível, ainda que experimental em essência. A julgar pela overdose de efeitos eletrônicos e projeções instrumentais inspiradas no Hip-Hop da década de 1990 – principalmente Q-Tip e A Tribe Called Quest -, este talvez seja o trabalho que o público do Animal Collective tanto esperou depois do ápice criativo alcançado em Merriweather Post Pavilion (2009). Leia o texto completo.

Assista agora ao clipe de Come To Your Sense, novo vídeo de Panda Bear e trabalho dirigido por Sam Fleischner.

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Panda Bear – Come To Tour Sense

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Tame Impala: “Disciples”

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A mudança é cada vez mais explícita dentro da nova fase do Tame Impala. Depois de brincar com a “eletrônica” na extensa Let It Happen e desacelerar momentaneamente na empoeirada Cause I’m a Man, agora a banda australiana busca por um som cada vez mais “pop”, inspiração para o som descomplicado, grudento e, ainda assim, marcado por boas guitarras, elementos encaixados de forma aprazível na inédita Disciples.

Terceira e mais recente composição a escapar do aguardado Currents (2015), a nova faixa mantém a verve psicodélica do grupo, porém, incorpora um acervo de experiências reformuladas. Melódica e simples, a faixa cercada por guitarras leves aos poucos abraça o uso de sintetizadores, invadindo o território musical de grupos como Real Estate, Unknown Mortal Orchestra e, de forma bastante explícita, o Ducktails. Uma audição e, pronto, a música já gruda na cabeça, prova de que o fascínio pelo pop lançado em Lonerism, de 2012, ainda se mantém.

Produzido pelo vocalista e líder Kevin Parker, Currents ainda não conta com data de lançamento, mas será distribuído pelos selos Modular e Interscope ainda em 2015.

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Tame Impala – Disciples

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The Chemical Brothers: “Sometimes I Feel So Deserted”

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Inspirados, de volta à boa forma para o lançamento do ótimo Further (2010), sétimo trabalho da discografia de inéditas, Tom Rowlands e Ed Simons ainda tiveram energia para apresentar a trilha sonora do filme Hanna, em 2011. Depois disso, apenas silêncio. Passados quatro anos desde o último registro de inéditas, os veteranos do The Chemical Brothers estão de volta, ainda mais eufóricos, prontos para apresentar ao público o oitavo álbum da carreira: Born in the Echoes (2015).

Escolhida para apresentar o novo (e ainda inédito) trabalho da dupla, a psicodélica Sometimes I Feel So Deserted parece explorar propositadamente a essência dos britânicos. Natural regresso ao clássico Dig Your Own Hole, de 1997, a intensa composição de quase cinco minutos se acomoda em meio a batidas instintivas, sintetizadores que emulam sirenes e uma base funkeada que poderia facilmente ser encontrada em outro clássico dos anos 1990, Homework, álbum de estreia do Daft Punk. Pausas controladas, atos crescentes e uma letra que gruda sem dificuldades na cabeça. Precisa de mais alguma coisa?

Born in the Echoes (2015) será lançado no dia 17/07 pelos selos Virgin e EMI

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The Chemical Brothers – Sometimes I Feel So Deserted

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Disco: “What For?”, Toro Y Moi

Toro Y Moi
Indie/Psychedelic Pop/Alternative
http://toroymoi.com/

 

Fixar o trabalho de Toro Y Moi dentro de um único estilo, sonoridade, gênero musical nunca foi principal o interesse de Chaz Bundick. Do som ambiental (e letárgico) de Causers of This (2010), passando pelo Soul-Funk-Lo-Fi de Underneath the Pine (2011) até o flerte com o Hip-Hop em Anything in Return (2013), a cada trabalho, o músico original de Columbia, Carolina do Sul buscou conforto em um cenário totalmente novo, instável e repleto de experiências curiosas. Mesmo a curva eletrônica com o projeto paralelo Les Sins, no álbum Michael (2014), soa como uma extensão dos inventos iniciais lançados pelo produtor.

E agora, que direção seguir? A julgar pela sutil manipulação das vozes e instrumental radiante, What For? (2015, Carpark), quarto trabalho solo como Toro Y Moi, talvez seja a obra em que o músico norte-americano mais se aproxima do pop “tradicional”. Presença garantida em alguns dos principais festivais de música ao redor do globo, Bundick apresenta ao público um bem-sucedido acervo de hits, faixas comerciais e pequenos hinos românticos, marca que se faz explícita na estrutura grandiosa estendida entre What You Want e o acorde final de Yeah Right.

Fuga leve do experimento testado até o último disco, Bundick se concentra na produção de canções fáceis, desobstruindo a passagem do “grande público”, hoje autorizado a passear livremente pela obra. Basta voltar os ouvidos para Empty Nesters, primeiro single do álbum. Enquanto Underneath the Pine – com Still Sound – e Anything in Return So Many Details – foram apresentados por faixas de complexidade controlada, em What For? o single de apresentação cresce de forma descomplicada, amarrando vozes e guitarras semi-psicodélicas.

Por falar em música psicodélica, este parece ser outro elemento fundamental para o desdobramento seguro do disco. Apoiado em referências tão atuais, como Tame Impala e Neon Indian, quanto em veteranos como The Beatles – principalmente nas canções mais lentas e românticas da obra -, Bundick parece ter encontrado a cola conceitual do trabalho, impedindo que ele tropece em um registro demasiado simples. Mesmo flertes com o Power Pop podem se encontrados no decorrer da obra, como nas melodias doces de Run Baby Run, um típico exemplar do Teenage Fanclub. Continue reading

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14 discos para entender a Neo-Neo-Psicodelia

O uso excessivo de LSD aprisionou sua mente em algum lugar entre os anos de 1967 e 1972? Hora de voltar ao presente. Insiste que “não se faz mais música como antigamente“? Acorda. Não é preciso uma audição minuciosa para tropeçar em uma variedade de discos atuais tão inventivos, autênticos e chapados quanto o acervo lançado há mais de quatro décadas.

Trabalhos inspirados de forma confessa na produção de veteranos como The Beatles, Pink Floyd e Os Mutantes, porém, atuais, marcados pelo frescor de novos conceitos. O mesmo som “colorido” e insano, apenas reforçada pelo uso bases eletrônicas, interessado no diálogo com diferentes gêneros e fórmulas musicais.

Você não precisa deixar de ouvir “Jimi Hendrick”, apagar o baseado ou quebrar aquele vinil raro do Cream para renovar sua biblioteca musical. Na lista abaixo, uma dose extra novidade e natural relação com a música de 1960/1970. Obras que sintetizam parte da música psicodélica produzida entre 2005 e 2015, ultrapassam os limites do rock e merecem a atenção de qualquer ouvinte experiente. Continue reading

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