Tag Archives: Psychedelic

Boogarins: “Benzin” (VÍDEO)

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Leve. Dois anos após o jogo de cores e exageros lisérgicos que marcam o inaugural As Plantas que Curam (2013), estreia do grupo goiano Boogarins, Dinho Almeida, Benke Ferraz e os parceiros Raphael Vaz e Ynaiã Benthroldo mergulham de cabeça no plano onírico para encorpar as canções do recém-lançado Manual (2015, StereoMono). Uma coleção de vozes delicadas e arranjos tingidos pela nostalgia da música psicodélica, mas que encontram no descompromisso sorridente da banda um poderoso traço de identidade.

Em um nítido distanciamento da herança deixada por veteranos (Os Mutantes, The Kinks) e novatos (Tame Impala, Foxygen) do rock psicodélico, cada faixa do presente disco reforça a capacidade do grupo brasileiro em brincar com a própria essência musical. Instantes, quebras e colagens descomplicadas em que o grupo passeia pelo minimalismo da bossa nova (Cuerdo), autoriza a explosão das guitarras (Avalanche) ou simplesmente colide fórmulas (Mario de Andrade / Selvagem) sempre em busca de um som não linear. Leia o texto completo.

Originalmente apresentada no álbum de estreia do grupo goiano Carne Doce, Benzin foi a escolhida para se transformar no primeiro clipe de Manual (2015), segundo registro de inéditas da Boogarins. Gravado na Chapada dos Veadeiros, o vídeo conta com a presença de Salma Jo, vocalista do Carne Doce. A direção do material leva a assinatura de Cléver Cardoso. Assista:

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Boogarins – Benzin

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Resenha: “A Moon Shaped Pool”, Radiohead

Artista: Radiohead
Gênero: Alternative, Experimental, Psychedelic
Acesse: http://www.radiohead.com/

 

Apenas não vá embora
Não vá embora
O verdadeiro amor espera
Em sótãos assombrados

Originalmente apresentada em 1995, durante a turnê de lançamento do álbum The Bends e, posteriormente, registrada como parte da coletânea ao vivo I Might Be Wrong: Live Recordings (2001), a derradeira True Love Waits nasce como o símbolo do novo registro de estúdio do Radiohead. Sucessor do eletrônico The King of Limbs (2011), A Moon Shaped Pool (2016, XL) chega ao público como uma obra segura, essencialmente precisa. Um regresso (in)voluntário ao imenso acervo de composições e temas instrumentais produzidos pelo quinteto inglês nas últimas duas décadas.

Das 11 faixas que recheiam o disco, pelo menos seis foram executadas em apresentações ao vivo ou exploradas em diferentes fases e projetos do grupo inglês. Escolhida para a abertura do disco, Burn The Witch, por exemplo, teve fragmentos da própria letra publicados na contracapa do álbum Hail To The Thief, de 2003. A mesma canção ainda foi objeto de discussão entre os integrantes durante as sessões de Kid A (2001) e In Rainbows (2007), sendo finalizada há poucos meses. Mesmo ancorado no passado, A Moon Shaped Pool está longe de parecer uma preguiçosa reciclagem de conceitos antigos. Prova disso está na busca do quinteto por uma som remodelado, orquestral, estímulo para a série de colaborações com os músicos da London Contemporary Orchestra.

Se há cinco anos The King of Limbs nascia como uma continuação do material produzido por Thom Yorke em carreira solo, ao visitar faixas como Glass Eyes e True Love Waits é fácil perceber o interesse da banda pela carreira solo do guitarrista Jonny Greenwood. Uma delicada tapeçaria de vozes e sons atmosféricos, por vezes oníricos. Não por acaso, Paul Thomas Anderson, cineasta que convidou Greenwood a produzir a trilha sonora de filmes como There Will Be Blood (2007) e The Master (2012) assume a direção do delicado clipe de Daydreaming.

A mesma sutileza empregada na construção dos arranjos ainda serve de estímulo para a projeção dos versos que lentamente dançam no interior do trabalho. Letras sufocadas por temas existencialistas – “nós estamos felizes apenas em servir”–, relacionamentos fracassados – “Corações partidos fazer chover / Corações partidos”–, medos – “Amor, venha até mim antes que seja tarde demais” – e declarações de amor angustiadas – “Apenas não vá / Não vá”. Uma fuga parcial dos temas políticos que sempre acompanharam a banda, preferência que faz do registro um dos trabalhos mais delicados e intimistas de toda a discografia do grupo britânico. Continue reading

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Resenha: “Lua Degradê”, Supervão

Artista: Supervão
Gênero: Indie, Dream Pop, Electronic
Acesse: https://www.facebook.com/supervao/

 

Versos apaixonados que se dissolvem na voz abafada e sintetizadores cósmicos de Mario Arruda. Uma coleção de guitarras essencialmente sujas, por vezes climáticas, trabalho do músico Leonardo Serafini, responsável por ocupar as pequenas lacunas deixadas pela programação eletrônica do parceiro de banda. Em Lua Degradê (2016, Honey Bomb Records / Lezma Records), EP de estreia da dupla gaúcha Supervão, cada uma das cinco composições do registro sobrevivem da colisão de pequenos detalhes.

Inaugurado pelo som enevoado de Vitória Pós-Humana, o trabalho de apenas 20 minutos cresce sem pressa, em pequenas doses. São distorções leves que replicam os instantes iniciais de Is This It, da banda nova-iorquinos The Strokes, a letra ambientada em um cenário claramente particular, batidas e bases abafadas, como se todos os elementos da obra fossem organizados em um ambiente desvendado em essência apenas pela dupla.

Faixa mais “pop” do disco, Lua em Gêmeos, segunda canção do álbum, acaba se revelando como a peça mais curiosa e musicalmente versátil do curto acervo de canções. Enquanto as guitarras de Serafini se espalham lentamente, explorando o mesmo dream pop sóbrio de artistas como Terno Rei, Raça e outros coletivos próximos, batidas e vozes aceleram lentamente, revelando uma inusitada combinação de ritmos. Um funk soturno, claustrofóbico, oposto do material apresentado em sequência com Cadilac Ollodum.

Da forma como as vozes crescem delicadamente ao uso etéreo das guitarras, todos os elementos se organizam de forma a conduzir o mesmo som letárgico e provocante de gigantes como Portishead ou mesmo outros veteranos do Trip-Hop inglês. Versos arrastados, sussurros – “câmera de zoom, câmera de zoom” – e efeitos tecidos como leveza. Velha conhecida do público da banda, a canção apresentada no último ano surge retrabalhada de forma sutil, reforçando o peso das batidas. Continue reading

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Ricky Eat Acid: “Triple Cup”

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Poucos artistas produzem um som tão lisérgico e dançante quanto Sam Ray. Responsável pelo Ricky Eat Acid, projeto de música eletrônica que flerta com elementos do Hip-Hop e música psicodélica, o artista norte-americano está de volta com uma nova criação inédita. Em Triple Cup, uma extensão inteligente do material apresentado há dois anos em Three Love Songs (2014), último grande álbum do produtor original de Maryland.

Sintetizadores e batidas dançantes, fragmentos de vozes sampleadas do rapper Waka Flocka, batidas que crescem e encolhem a todo segundo. A sensação de tomar um doce e se trancar no quarto para ouvir a trilha sonora de jogos clássicos da Nintendo. Um turbilhão de referências coloridas, quebras e mudanças bruscas de direção, como se o som originalmente atmosférico de Ray fosse remixado de forma propositadamente instável, louca.

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Ricky Eat Acid – Triple Cup

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Animal Collective: “Gnip Gnop” / “Hounds of Bairro”

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Poucas semanas após o lançamento do álbum Painting With (2016), décimo registro de estúdio do Animal Collective, a banda de Baltimore, Maryland está de volta com um curta seleção de composições inéditas. Trata-se da sequência formada por Gnip Gnop e Hounds of Bairro. Duas canções que acabaram de fora da edição final do o último trabalho da banda, mas que foram compiladas agora e serão lançadas em um vinil 7″ – acima, a imagem de capa.

Enquanto Gnip Gnop reflete o lado mais pop do grupo, esbarrando nos mesmos erros e repetições que caracterizam grande parte das canções em Painting With, Hounds of Bairro parte para o mesmo aprazível da boa fase do grupo norte-americano. Sintetizadores e batidas precisas que se amarram ao corro de vozes da dupla Panda Bear e Avey Tare, conceito anteriormente explorado em obras como Feels, de 2005, além do clássico Merriweather Post Pavilion, lançado em 2009.

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Animal Collective – Gnip Gnop / Hounds of Bairro

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Disco: “Mantra Happening”, Lê Almeida

Lê Almeida
Nacional/Indie Rock/Psychedelic
http://lealmeida.bandcamp.com/

 

Com o lançamento de Paraleloplasmos, em março de 2015, o cantor e compositor fluminense Lê Almeida parecia indicar a busca por um novo conjunto de referências e sonoridades. Entre composições essencialmente efêmeras, guitarras sujas e ruídos caseiros, Fuck The New School, com mais de 11 minutos de duração, e Câncer dos Trópicos, com quase nove, sutilmente conseguiram transportar o ouvinte para um cenário parcialmente renovado, marcado pela psicodelia. Uma extensão torta do mesmo som produzido pelo músico durante quase uma década de atuação.

Em Mantra Happening (2016, Transfusão Noise Records), terceiro e mais recente registro de inéditas do guitarrista, um delicado regresso ao mesmo ambiente cósmico apresentado há poucos meses. Cinco composições extensas, pouco mais de 50 minutos de duração, tempo suficiente para que Almeida e o time de instrumentistas formado por João Casaes (guitarra), Bigú Medine (baixo) e Joab Régis (bateria) brinque com os ruídos, ondas de distorção e vozes de forma sempre mutável.

Escolhida para inaugurar o disco, a longa Oração da Noite Cheia, com mais de 15 minutos de duração, cria uma ponte involuntária para o trabalho apresentado no último ano. Emanações psicodélicas, imensos paredões de guitarra e a voz pueril de Almeida, assim como em grande parte dos registros do artista, explorada como um “instrumento” complementar. Dois atos distintos, mas que se completam ao longo da execução da faixa, como uma visita o rock da década de 1970, mas sem necessariamente abandonar o presente.

Fina representação do lado mais “experimental” da obra, Maré, segunda canção do disco, não apenas garante sequência ao material apresentado nos primeiros minutos de Mantra Happening, como ainda estabelece uma série de regras para o restante da obra. São quase 13 minutos de texturas sobrepostas e vozes carregadas de efeitos. Arranjos e conceitos que esbarram de forma autoral na obra de Ty Segall, Thee Oh Sees e outros representantes da cena norte-americana. Continue reading

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Quarup: “O Mensageiro”

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Passado e presente se encontram em O Mensageiro, primeiro single da banda paulistana Quarup. Formado por Guta Batalha (vocais), Ione Aguiar (guitarras, violões e vocais), Beni Teixeira (teclados, piano e vocais), Marcelo Maia (baixo e vocais) e Lucas Cassoli (bateria, percussão e vocais), o coletivo que que encontra inspiração na obra de artistas como Clube da Esquina, Fleet Foxes, Guilherme Arantes e The Beatles anuncia para os próximos meses a chegada do primeiro álbum de estúdio.

Com nome inspirado no ritual fúnebre dos índios do Xingu e projeto gráfico que flerta com o estilo concretista, o homônimo registro de estreia da Quarup é uma obra que mergulha com o universo particular dos próprios integrantes. Um registro ancorado de forma confessa no rock da década de 1970, gravado e produzido artesanalmente pela banda, mas que conta com masterização assinada pelo veterano Arthur Joly (Guizado, O Terno).

“Soldamos cabos, carregamos, montamos e desmontamos equipamentos mil vezes, escolhemos e compramos microfones e outros equipamentos de áudio, microfonamos os instrumentos, apertamos o REC e tocamos”, resume o texto de apresentação do trabalho. O resultado está em uma composição temperada por guitarras piscodélicas, vozes em coro e versos que dialogam de forma curiosa com o cotidiano de qualquer jovem adulto.

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Quarup – O Mensageiro

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Aperitivo: 10 Músicas Para Gostar de Animal Collective

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Como montar uma lista de apenas dez faixas quando o artista em questão faz de cada novo registro em estúdio uma obra completamente distinta, singular? Grupo responsável por alguns dos trabalhos mais importantes da cena norte-americana na última década, o Animal Collective, banda original da cidade de Baltimore, Maryland, chega ao décimo álbum da carreira, Painting With (2016), reciclando uma série de conceitos explorados desde o começo dos anos 2000.

São temas eletrônicos, acústicos e psicodélicos que passam por obras significativas como Spirit They’re Gone Spirit They’ve Vanished (2000), Sung Tongs (2004), Feels (2005), Strawberry Jam (2007) e, claro, pela obra-prima da banda, o clássico Merriweather Post Pavilion (2009). Na seleção abaixo, um compilado de dez faixas recomendadas para quem ainda desconhece o trabalho do grupo.

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Disco: “Painting With”, Animal Collective

Animal Collective
Experimental/Psychedelic/Electronic
http://myanimalhome.net/

 

A ideia parecia boa: inspirados pelos principais movimentos artísticos do começo do século XX – como dadaísmo e surrealismo -, David Portner (Avey Tare), Noah Lennox (Panda Bear) e Brian Weitz (Geologist) construíram a base do décimo registro em estúdio do Animal Collective, Painting With (2016, Domino). Uma confessa (e inicialmente curiosa) visita ao passado, mas que acaba se perdendo em meio a experimentos e fórmulas que parecem requentadas pela banda desde o fim da última década.

Ambientado no mesmo universo do antecessor Centipede Hz, de 2012, Painting With mostra o coletivo norte-americano brincando com o mesmo jogo de formas eletrônicas, vozes e temas psicodélicos testadas há quatro anos, porém, de forma menos “esquizofrênica”. Uma versão contida da mesma coleção de vozes e ruídos sintéticos testados em Applesauce, Monkey Riches e até em faixas memoráveis como Peacebone, de Strawberry Jam (2007), e Brother Sport, canção de encerramento da obra-prima Merriweather Post Pavilion (2009).

Curiosamente, esse talvez seja o trabalho que mais dialoga com o som produzido no oitavo álbum de estúdio da banda. Seja na forma “instrumental” como as vozes são detalhadas, passando pelo uso de melodias que remetem ao trabalho de veteranos como The Beach Boys, durante toda a execução da obra, diversas pontes conceituais levam o ouvinte ao mesmo cenário de 2009. Um caminho seguro para a banda, mas que ignora quem esperava por um registro verdadeiramente inovador, íntimo das constantes transformações do grupo em começo de carreira.

Não é difícil passear aleatoriamente pelas faixas de Painting With e pensar: “Eu já ouvi isso antes”. E talvez tenha ouvido. Da forma como os arranjos partem de uma mesma fonte eletrônica, repetitiva em grande parte da obra, não seria um erro pensar que tudo não passa de uma coletânea de sobras dos dois últimos trabalhos em carreira solo de Panda Bear e Avey Tare. É fácil visualizar Summing The Wretch como parte do bem-sucedido Panda Bear Meets the Grim Reaper (2015) e Vertical como uma peça perdida do esquizofrênico Enter The Slasher House (2014).     Continue reading

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Woods: “Can’t See At All”

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A mudança de sonoridade ressaltada em Sun City Creeps está longe de ser um ato isolado dentro do novo álbum do Woods, City Sun Eater In The River Of Light (2016). Em Can’t See At All, mais recente single do grupo nova-iorquino, vozes, guitarras carregadas de efeitos e sintetizadores trazem de volta a mesma sonoridade psicodélica dos anos 1970. Uma mistura do mesmo material proposto pelo grupo nos dois últimos discos com uma pitada dos arranjos quentes produzidos pelo guitarrista Carlos Santana.

Sucessor dos ótimos os ótimos Bend Beyond (2012) e With Light And With Love (2014),City Sun Eater In The River Of Light é o novo registro de estúdio produzido pela banda. Com lançamento pelo selo Woodist, do próprio grupo, o trabalho conta com outras oito canções inéditas além da dobradinha apresentada ao público nas últimas semanas.

City Sun Eater In The River Of Light (2016) será lançado no dia 08/04 pelo selo Woodsist.

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Woods – Can’t See At All

 

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