Tag Archives: Psychedelic

Dream Police: “Hypnotized”

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A resposta para a constante mudança de sonoridade dentro da discografia do The Men está em seus próprios criadores, Mark Perro e Nick Chiericozzi. Únicos membros remanescentes da formação original do grupo nova-iorquino, o duo não quer esperar até o próximo álbum da banda para encarar um novo acervo de referências musicais. Poucos meses depois de apresentar o ótimo Tomorrow’s Hits (2013), a dupla lança agora sua nova invenção: Hypnotized.

Trata-se da faixa título do primeiro álbum assinado pelo novo projeto da dupla, o Dream Police, uma interpretação eletrônica do mesmo som explorado pelo The Men desde o psicodélico/punk álbum de 2012, Open Your Heart (2012). Imenso catálogo de referências, a nova banda concentra tanto as guitarras características da década de 1970, com os sintetizadores dançantes lançados nos anos 1980. Uma colisão de temas que vão do Rock Clássico ao pós-punk do período sem necessariamente fugir da presente cena. Com lançamento pelo selo Sacred Bones, Hypnotized (o disco) estreia no dia 11 de novembro.

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Dream Police – Hypnotized

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Panda Bear: “Mix Ticks”

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Passados três anos desde o lançamento de Tomboy (2011), último registro em estúdio do Panda Bear, Noah Lennox continua a criar expectativa em relação ao próximo disco do projeto: Panda Bear Meets the Grim Reaper. Ainda sem previsão de lançamento, o álbum co-produzido em parceria com Peter “Sonic Boom” Kember (ex-integrante do Spaceman 3) parece manter a linda psicodélica dos registros que o antecedem, porém, dentro de um novo conceito instrumental.

Em exercício de forte comunicação com música eletrônica, Lennox apresenta agora mais uma inédita mixtape: Mix Ticks. Trata-se de um curioso exercício criativo em visitar a House Music dos anos 1990, material já testado na mixtape Green Ray Mix, lançada no último ano, porém, melhor delineado agora. Com 40 minutos de duração e fragmentado em diferentes atos/variações, o trabalho pode ser apreciado na íntegra logo abaixo, ou no site de Panda Bear, onde você encontra uma perturbadora animação psicodélica.

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Panda Bear – Mix Ticks

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Foxygen: “Cosmic Vibrations”

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Depois de alguns boatos correndo pela internet, possíveis desentendimentos entre os integrantes e até a possibilidade de encerramento das atividades da banda, Jonathan Rado e Sam France estão de volta para mais um novo álbum do Foxygen. Intitulado …And Star Power (2014), o projeto reservado para o dia 14 de outubro parece fluir como uma continuação do último e bem sucedido lançamento do duo, We Are the 21st Century Ambassadors of Peace & Magic (2014)

Passo além da atmosfera Folk do álbum apresentado há poucos meses, o registro distribuído pelo selo Jagjaguwar é um mergulho completo na psicodelia. Exemplo eficiente disso está em Cosmic Vibrations, faixa que transforma todos os erros acumulados nos últimos dois discos do MGMT em acertos claros. Cinco minutos de harmonias chapadas, vozes soturnas e um novo reforço para a ponte levantada pela dupla para o passado.

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Foxygen – Cosmic Vibrations

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Disco: “Foundations of Burden”, Pallbearer

Pallbearer
Metal/Doom Metal/Progressive
http://pallbearerdoom.com/

Por: Cleber Facchi

Em julho, quando entrevistado para a seção Show No Mercy, o baixista Joseph D. Rowland resumiu as extensas faixas de Foundations of Burden como uma interpretação do próprio Pallbearer sobre o pop tradicional. Composições de dez minutos – três vezes a duração de uma música comercial -, ou como ele próprio resumiu em tom jocoso: “a nossa maneira de escrever canções pop”.

Por mais sarcástica que seja a resposta de Rowland, ao finalizar a audição do segundo álbum do quarteto de Little Rock, Arkansas, é justamente essa sonoridade “pop”, tão ironizada pelo instrumentista, que se permanece em eco na cabeça ouvinte. Acessível quando comparado ao som de outros representantes do Doom Metal – antigos ou atuais -, o disco é mais do que uma extensão do material lançado em Sorrow and Extinction, de 2012, mas uma versão refinada e melódica de toda a essência do grupo.

Porção menor dentro de todo esse resultado, é justamente a delicada Ashes a faixa que resume toda a postura da banda com o presente discos. Letra melancólica preenchida por harmonias sutis, arranjos limpos, bateria isolada e confissão. Diferente de outras obras do gênero, sempre atentas à desconstrução das vozes (guturais) e bases (caóticas), há na estrutura que preenche todo o registro uma postura de excelência, como se cada ato, verso ou mínima fração instrumental da obra fosse saboreada pelo grupo.

Naturalmente detalhista, o álbum incorpora a mesma estrutura densa lançada no disco de 2012. De forma a ocupar todos os espaços da obra, as guitarristas Brett Campbell e Devin Holt tecem extensas bases atmosféricas e texturas tomadas pela lisergia – conceito evidente nas melodias arrastadas de Foundations. A diferença em relação ao disco passado está na sutileza dos temas instrumentais, condição expressa nos solos melódicos de cada música (vide Watcher In The Dark), como na voz doce de Campbell, acolhedor não apenas na efemeridade de Ashes, mas em toda a porção descomunal do trabalho. Continue reading

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Disco: “O Terno”, O Terno

O Terno
Rock/Garage Rock/Psychedelic
http://www.oterno.com.br/

Por: Cleber Facchi

Um salto. Da sonoridade nostálgica lançada em 66 (2012), registro de estreia da paulistana O Terno, pouco parece ter sobrevivido. Mesmo que a relação do trio formado por Tim Bernardes (Guitarra/Voz), Guilherme d’Almeida (Baixo) e Victor Chaves (Bateria) com o rock dos anos 1960/1970 seja a mesma do primeiro disco, basta observar a formação dos novos versos e arranjos para perceber a completa alteração na proposta da banda. O “passado”, antes interpretado como fonte temática, agora se converte em estímulo, mantendo fixo o diálogo com o presente de forma a ampliar o território musical incorporado em cada composição.

Livre do aspecto “caricatural” de faixas como Eu Não Preciso de Ninguém e 66, o presente álbum é uma obra que se movimenta de maneira curiosa – orquestrada por instantes vívidos de exploração conceitual. Quem esperava por um trabalho linear, mergulhada no ambiente cru do single Tic-Tac / Harmonium (2013), ou talvez partidário do mesmo som homogêneo lançado no debut, logo vai perceber na abertura do registro a singularidade que “organiza” cada ato instável assinado pelo trio.

Em um sentido de descoberta – ou talvez construção – da própria identidade, Bernardes e os parceiros de banda escapam com sutileza da ironia explorada no álbum de estreia, projetando confissão de forma a transformar cada música em um objeto de natural interação com o ouvinte. Não por acaso as melodias dissolvidas em toda a obra parecem agora enquadradas de forma acessível, sustentando desde faixas tomadas pelo romantismo melancólico do versos, como Eu Vou Ter Saudades, até canções consumidas pelo delírio das vocalizações, caso de Desaparecido ou Medo do Medo – esta última, recheada pelos vocais de Tom Zé.

Ainda que encarada como uma obra organizada por canções dinâmicas, sempre “comerciais”, bastam os ruídos de O Cinza para perceber os instantes de caos que preenchem e apontam a direção para o trabalho. São distúrbios poéticos que passam pelas ruas de São Paulo, atravessam as linhas tortas das guitarras e estacionam na mente agora bagunçada do ouvinte. Uma passagem natural para o ambiente turbulento que explode a cada curva do registro. Sem esbarrar na timidez inicial, os integrantes d’O Terno parecem ter encontrado uma obra tão íntima do espectador tradicional, quanto provocante, capaz de perverter o refúgio musical que há décadas protege (e limita) a estrutura do rock ‘n’ roll (clássico) em solo brasileiro. Continue reading

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Disco: “Na Loucura & Na Lucidez”, Tatá Aeroplano

Tatá Aeroplano
Brazilian/Psychedelic/Indie
https://www.facebook.com/tata.aeroplano

Por: Cleber Facchi

Personagem central da própria obra, Tatá Aeroplano sempre encontrou espaço para detalhar o universo místico/boêmio que o cerca. Seja em fase solo ou dentro do ambiente lisérgico tecido com os parceiros do Cerébro Eletrônico, cada verso composto pelo artista se transforma em um curioso e autoral passeio pela noite paulistana. Fragmentos líricos sempre alimentados por histórias de amor, desencontros, brigas e tramas puramente descritivas. Cenário mais uma vez reproduzido em Na Loucura & Na Lucidez (2014, Independente), novo álbum do cantor.

Distante e ao mesmo próximo dos conceitos levantados no debut solo de 2012, Aeroplano explora com acerto a estranheza dos temas sem necessariamente se esquivar da construção de boas melodias. Da mesma forma que no último registro em estúdio da Cérebro Eletrônico, Vamos Pro Quarto (2013), o pop aparece de maneira remodelada no interior do trabalho, solucionando desde faixas acessíveis ao público médio (Entregue a Dionísio), como músicas nutridas pelo som naturalmente experimento do compositor (Na Lucidez).

De todos as mudanças em relação ao discos passado, o dinamismo em faixas que revelam histórias complexas parece ser o ponto de maior acerto do trabalho. Econômico, Tatá escapa de faixas arrastadas como Par de Tapas que Doeu em Mim, do disco passado, mantendo a atenção do ouvinte em alta durante todo o percurso. Exemplo autêntico desse resultado está na cômica Amiga do Casal de Amigos. Esculpida em arranjos versáteis que se moldam aos atos dos personagens, a faixa cresce ao mesmo tempo em sua história, sem necessariamente perder os versos e bases feitas para encantar o ouvinte. Como explicou em entrevista, Aeroplano finalmente entendeu o próprio método de composição, concentrando todos os elementos de cada faixa em um mesmo espaço criativo.

Observado em comparação, Na Loucura & Na Lucidez talvez seja o registro mais “fácil” de Aeroplano desde a coleção de hits em Pareço Moderno, de 2008. Mesmo nos instantes mais perturbadores do disco, como na inaugural Na Loucura, há sempre um expressivo condimento “pop” que serve de encantamento para as faixas – excêntricas e atrativas na mesma medida. São versos que se repetem, um refrão pegajoso ou solo de guitarra instalado como referência. Âncoras melódicas no turbilhão brega-psicodélico que logo se espalha pelo registro. Continue reading

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Caribou: “Our Love”

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Com míseros três minutos de duração, Can’t Do Without You consegue ser mais expressiva do que muitos trabalhos inteiros lançados nos últimos oito meses. Primeira composição lançada pelo canadense Daniel Snaith para o novo álbum do Caribou – Our Love (2014) -, a quase transcendeste canção está longe de ser o único exemplar assertivo do disco que chega oficialmente em outubro.

Pouco mais extensa, a música que concede título ao sucessor de Swim (2010) mantém firme o caráter etéreo do single passado, confirmado a ambientação etérea do projeto. Em uma formatação similar, Our Love cresce lentamente, reservando para os últimos segundos todo um arsenal de ruídos sintéticos, samples e vozes tão acolhedoras quanto projetadas com eficácia para as pistas. Mais uma vez, sublime.

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Caribou – Our Love

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Peaking Lights: “Breakdown”

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Com 936 (2011) e Lucifer (2012) como obras mais recente, o casal Aaron Coyes e Indra Dunis conquistou um espaço definitivo dentro da recente cena psicodélica que ocupa a costa oeste dos Estados Unidos. Em processo de “refinamento pop” que teve início no trabalho de 2011, a dupla vinda de São Francisco, Califórnia reforça em cada criação uma sonoridade ainda mais acessível e melódico, marca evidente na recém-lançada Breakdown.

Peça mais comercial já apresentada pelo duo, a límpida canção aponta o caminho que será percorrido em Cosmic Logic (2014), novo e ainda inédito trabalho em estúdio da banda. Abastecida por vocalizações sutis e pequenas adaptações do reggae, dub e synthpop, a faixa partilha da mesma atmosfera de músicas como Beautiful Son, porém, dentro de uma estrutura harmônica muito mais acessível e naturalmente voltada ao pop. Lançado pelo selo Weird World, Cosmic Logic chega no dia sete de outubro.

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Peaking Lights – Breakdown

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Ty Segall: “Susie Thump”

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Ainda que tenha aumentado o tempo entre o lançamento de um novo trabalho e outro, Ty Segall não consegue ficar mais do que alguns meses em hiato até apresentar um registro de inéditas em estúdio. Depois de mergulhar em um cenário de emanações psicodélicas e bases voltadas ao uso de arranjos acústicos no mediano Sleeper (2013), Segall regressa ao mesmo território cru dos principais registros para apresentar toda a intensidade de Susie Thump.

Primeira mostra de Manipulator – álbum previsto para o dia 26 de agosto pelo selo Drag City -, a canção resgatar tanto o detalhismo exposto em Twins (2012), bem como toda a crueza das guitarras incorporadas em Slaughterhouse, do mesmo ano. Pouco mais de dois minutos de acordes rápidos, gritos e pequenas adequações capazes de resumir toda a trajetória do músico norte-americano na última meia década.

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Ty Segall – Susie Thump

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Disco: “Lese Majesty”, Shabazz Palaces

Shabazz Palaces
Experimental/Hip-Hop/Psychedelic
http://www.shabazzpalaces.com/

Por: Cleber Facchi

A grande beleza de Black Up (2011), registro de estreia do Shabazz Palaces, sempre esteve na ausência de linearidade da obra. Da abertura, em Free Press And Curl, até alcançar a derradeira Swerve…, a corrupção de ideias lançadas por Ishmael Butler e Tendai Maraire forçaram o ouvinte a atravessar diferentes esferas musicais, sem que isso resultasse em uma experiência confusa. Ainda que o Hip-Hop seja a base do trabalho sustentado pela dupla, cada segundo dentro da obra revela mutação, proposta mantida em Lese Majesty (2014, Sub Pop), porém, parcialmente adaptada dentro de uma nova estrutura.

Desenvolvido em cima de 18 composições inéditas, o novo álbum reforça organização, rompendo com o caráter abstrato do trabalho anterior de forma a solucionar uma obra dividida em sete “suites” (ou blocos) diferentes. Entretanto, a principal mudança dentro do presente disco não está no efeito “ordenado” das canções, mas na temática que parece dissolvida de forma precisa ao longo de toda a obra.

Assim como em Black Up ou mesmo nos dois primeiros EPs da dupla – Shabazz Palaces e Of Light, ambos de 2009 -, as viagens pelo espaço e outros elementos típicos dos livros / filmes de Ficção Científica recheiam com liberdade o conteúdo da obra. São músicas como Solemn Swears e Harem Aria em que a rima soterrada de Butler atenta de forma decidida para a psicodelia. Um reforço para o caráter essencialmente etéreo que habita em grande parte das composições da dupla.

Como um passeio pelo cosmos, Lese Majesty, mais do que Black Up, é uma obra conduzida pela sutileza musical de Maraire. Tendo no “espaço” o ponto central do disco, o produtor resgata desde ruídos expostos em clássicos Sci-Fi na década de 1970, até homenagens ao trabalho de veteranos do Krautrock / Ambient Music, também lançados no mesmo período. Por todos os cantos da obra borbulham referências à obra de Brian Eno, Tangerine Dream e até figuras esquecidas da New Age. Logo, a julgar pelos sete “capítulos” do álbum, não seria errado afirmar que o Shabazz Palaces transformou o trabalho em uma lisérgica novela musicada, ou mesmo em um filme psicodélico de ficção científica, deixando que as imagens sejam projetadas na cabeça do espectador. Continue reading

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