Tag Archives: Psychedelic

Disco: “Cosmic Logic”, Peaking Lights

Peaking Lights
Psychedelic Pop/Indie/Alternative
http://peakinglights.com/

Por: Cleber Facchi

As guitarras sujas e voz firme em Infinite Trips, faixa de abertura do recém-lançado Cosmic Logic (2014, Weird World) confirmam: o som incorporado pelo Peaking Lights está longe de ser o mesmo dos outros álbuns. Ainda que o casal Aaron Coyes e Indra Dunis tenha explorado uma sonoridade menos “artesanal” desde o antecessor Lucifer, de 2012, bastam os minutos iniciais do presente disco para notar a completa mudança na estrutura incorporada pela dupla.

Se por um lado os temas psicodélicos, variações do Dub e uso apurado de sintetizadores mergulham o ouvinte no mesmo contexto dos últimos discos, ao isolar os arranjos e vozes de cada composição, a proposta é outra. Como evidente desde o lançamento de Breakdown, em meados de agosto, Coyes e Dunis exploram agora um som cada vez mais pop, raspando de leve em um resultado comercial. De certo modo, uma interpretação ainda mais polida do material exposto em 936 (2011), obra que apresentou o trabalho do duo californiano ao mundo.

Naturalmente dinâmico, Cosmic Logic é uma fuga dos excessos incorporados de forma assertiva pelo casal nos últimos dois discos. Longe de reproduzir peças extensas, caso de Marshmellow Yellow, LO HI e Birds of Paradise, Coyes se concentra em desenvolver canções rápidas, esquivas de bases climáticas e totalmente moldadas aos vocais da esposa. De fato, se há pouco tempo Dunis atuava como uma espécie de instrumento musical, emulando vocalizações típicas do dub, hoje a cantora é a grande engrenagem do trabalho.

Com exceção das últimas faixas do disco – New Grrrls, Breakdown e Tell Me Your Song -, todo o acervo do presente álbum é de composições essencialmente rápidas, efêmeras. Três ou quatro minutos de versos plásticos, arranjos coesos e até certa dose de urgência. Quem foi seduzido pelas massas densas de 936 ou variações psicodélicas do trabalho passado, talvez encontre em Cosmic Logic um universo estranho. Uma completa ruptura em se tratando dos conceitos que definiram a curta obra do Peaking Lights. Continue reading

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Disco: “Carne Doce”, Carne Doce

Carne Doce
Brazilian/Alternative/Psychedelic
http://carnedoce.com/

Por: Cleber Facchi
Fotos: Beatriz Perini

Carne Doce

Sertão e cidade. Delicadeza e selvageria. Doce e salgado. No universo particular da banda Carne Doce, os contrastes vão muito além do nome/receita que representa o coletivo. Fruto da interação entre o casal Salma Jô e Macloys Aquino, o grupo nascido na cidade de Goiânia em 2012, há muito parece distante do tom confessional emoldurado nas canções do EP Dos Namorados (2013). Longe dos sussurros românticos e temas explorados no curto álbum, a dupla goiana, hoje acompanhada de João Victor Santana (guitarra e sintetizador), Ricardo Machado (bateria) e Aderson Maia (baixo), deixa de lado o próprio isolamento para tratar do primeiro álbum de estúdio como um mundo aberto. Um imenso cenário em que vozes, arranjos e temas dicotômicos se cruzam com naturalidade, prontos para seduzir o ouvinte.

Da mesma árvore que As Plantas Que Curam (2013), disco de estreia do grupo conterrâneo Boogarins, o homônimo álbum usa do passado como uma ferramenta de natural diálogo com o presente. Da voz instável de Salma Jô, íntima de Gal Costa no clássico Fa-Tal – Gal a Todo Vapor (1971), passando pelo acervo de fórmulas que ressuscitam Secos e Molhados (Passivo), Novos Baianos (Fruta Elétrica) e Clube da Esquina (Amigo dos Bichos), cada peça do registro é uma essencial brecha nostálgica. Velho e novo. Recortes e referências que em nada ocultam as próprias imposições da banda.

Exemplo convincente disso mora nos versos explorados pela vocalista ao longo do trabalho – peças atrativas pelo parcial ineditismo dos temas. Discussões culturais/sociais logo na inaugural Idéia (“Gente que troca mas por mais“); referências bucólicas em Sertão Urbano (“O progresso é mato“) e Amigo dos Bichos (“E vai ter que morar no alto da mangueira”); sexo (explícito) em Passivo (“Vem Me Fuder“) e todo um arsenal que escapa da despretensão carioca ou do sentimentalismo plástico da cena paulistana. Mesmo o romantismo enquadrado em Canção de Amor, Fetiche e Benzin parecem distantes do óbvio em se tratando de outras obras próximas. Se existem receitas e fórmulas prontas, nas mãos do grupo, tudo é desconstruído.

Por vezes “isolados” em um ambiente próprio, perceba como a banda carrega para dentro do registro um elemento cada vez mais raro em outros lançamentos nacionais: o clima de festival. Ainda que as apresentações em concursos regionais, performances em teatros e espaços separados das principais casas de show do país sirvam de estímulo para esse resultado, é dentro de estúdio que a herança referencial do grupo brilha e cresce de maneira assertiva. Seja na voz contorcida de Salma Jô, pisando no solo fértil de Elis Regina e Baby do Brasil, ou nas guitarras de Aquino e bateria firme de Machado, íntimas de Caetano Veloso no fim dos anos 1960, nítida é a postura do grupo em construir uma obra intensa, centrada no espetáculo, na ovação e diálogo aberto com o público. Continue reading

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Caribou: “Our Love”

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Com míseros três minutos de duração, Can’t Do Without You consegue ser mais expressiva do que muitos trabalhos inteiros lançados nos últimos oito meses. Primeira composição lançada pelo canadense Daniel Snaith para o novo álbum do Caribou – Our Love (2014) -, a quase transcendeste canção está longe de ser o único exemplar assertivo do disco recém-lançado.

Pouco mais extensa, a música que concede título ao sucessor de Swim (2010) mantém firme o caráter etéreo do single passado, confirmado a ambientação etérea do projeto. Em uma formatação similar, Our Love cresce lentamente, reservando para os últimos segundos todo um arsenal de ruídos sintéticos, samples e vozes tão acolhedoras quanto projetadas com eficácia para as pistas. Mais uma vez, sublime.

Com trabalhos ao lado de Alt-J, Major Lazer e Darkside, o diretor Ryan Staake é quem assina o clipe de Our Love.

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Caribou – Our Love

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Aperitivo: Real Estate

Um novo disco a caminho? Aquele artista que você tanto gosta vai lançar um projeto inédito nas próximas semanas? Então se delicie com o nosso Aperitivo. São 15 composições – autorais, remixes, mixtapes – ou mesmo versões criativas de faixas de outros artistas que resumem o trabalho daquela banda ou produtor que você tanto gosta. Nada de ordem, preferência ou classificação aparente. Apenas um conjunto de músicas capazes de resumir a proposta do artista selecionado.

Boas melodias, um punhado de versos honestos e a banda norte-americana Real Estate fez da curta discografia uma das peças mais importantes do rock atual. Com três obras de estúdio – Real Estate (2009), Days (2011) e Atlas (2014) -, o grupo formado em Ridgewood, New Jersey chega ao Brasil em novembro para uma série de apresentações. Ainda desconhece o trabalho do grupo? Ora, sem problemas, basta tocar cada uma das 15 faixas de nosso especial e ser lentamente seduzido pelas harmonias que Alex Bleeker e seus parceiros de banda projetaram em cada uma delas. Continue reading

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Puro Instinct: “6 Of Swords”

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Três anos desde o hipnótico lançamento de Headbangers In Ecstacy (2011), primeiro trabalho das irmãs Piper e Skylar Kaplan pelo Puro Instinct, é hora de ser transportado (mais uma vez) para o mundo dos sonhos com 6 Of Swords. Espécie de aperitivo para o material que a dupla de ascendência russa vem desenvolvendo nos últimos meses, a nova composição vai além do já transformado som de Dream Lover (lançada há dois anos), para revelar o conceito “pop” agora delineado pelo duo.

Com os dois pés na década de 1980, a convidativa criação se joga de cabeça no mesmo território de Ariel Pink e John Maus, antigos parceiros das irmãs Kaplan e principais influências para a presente faixa. Ainda assim, não já como contestar a maturidade e reforço autoral da canção, possivelmente o invento mais acolhedor e musicalmente bem resolvido já lançado pelo Puro Instinct. Recomendado para os apreciadores de artistas como Blood Orange e Mr. Twin Sister, a faixa pode ser ouvida na íntegra logo abaixo. No Soundcloud você encontra grande parte do material lançado pela dupla nos últimos meses.

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Puro Instinct – 6 Of Swords

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Cozinhando Discografias: Pink Floyd

A seção Cozinhando Discografias consiste basicamente em falar de todos os álbuns de um artista, ignorando a ordem cronológica dos lançamentos. E qual o critério usado então? A resposta é simples, mas o método não: a qualidade. Dentro desse parâmetro temos uma série de fatores determinantes envolvidos, que vão da recepção crítica do disco no mercado fonográfico, além, claro, dentro da própria trajetória do grupo e seus anteriores projetos. Além da equipe do Miojo Indie, outros blogs parceiros foram convidados para suas específicas opiniões sobre cada um dos trabalhos, tornando o resultado muito mais democrático.

Poucas bandas representam tão bem o espírito e a sonoridade explorada nos anos 1970 quanto a britânica Pink Floyd. Formada em 1965 por Syd Barrett, Nick Mason, Roger Waters e Richard Wright, o grupo, completo em 1967 com o guitarrista David Gilmour, fez da extensa discografia a morada de algumas das obras mais transformadoras da música recente. Clássicos como The Dark Side of the Moon (1973), Wish You Were Here (1975) e The Wall (1979) que redefiniram os conceitos do rock progressivo, se entregaram ao experimento e agora foram organizadas do pior para o melhor exemplar. Continue reading

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Peaking Lights: “Everyone And Us”

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A explícita relação da dupla Peaking Lights com o Pop em Breakdown, primeiro single do ainda inédito Cosmic Logic (2014), parece reforçada com o lançamento de Everyone And Us. Detalhada pelo mesmo conjunto de ideias da canção passada, a faixa inicia em meio a batuques controlados, abre espaço para a voz parcialmente límpida da vocalista Indra Dunis e logo desagua em um oceano de cores e sintetizadores tão próximos do último álbum da dupla, Lucifer (2012), como de toda a carga de referências dos anos 1980.

Ora esbarrando na fase “World Music” do Talking Heads, ora encarada como uma versão limpa dos sons anunciados em 936 (2011), Everyone And Us talvez seja – junto de Breakdown – o invento mais acessível comercialmente e melódico já assinado por Aaron Coyes, prova de que o material reservado para o dia sete de outubro deve aparecer recheado pela surpresa. Além do novo single, na última semana a dupla apresentou o lisérigico clipe de Breakdown. Cosmic Logic conta com lançamento pelo selo Weird World.

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Peaking Lights – Everyone And Us

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Dream Police: “Hypnotized”

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A resposta para a constante mudança de sonoridade dentro da discografia do The Men está em seus próprios criadores, Mark Perro e Nick Chiericozzi. Únicos membros remanescentes da formação original do grupo nova-iorquino, o duo não quer esperar até o próximo álbum da banda para encarar um novo acervo de referências musicais. Poucos meses depois de apresentar o ótimo Tomorrow’s Hits (2013), a dupla lança agora sua nova invenção: Hypnotized.

Trata-se da faixa título do primeiro álbum assinado pelo novo projeto da dupla, o Dream Police, uma interpretação eletrônica do mesmo som explorado pelo The Men desde o psicodélico/punk álbum de 2012, Open Your Heart (2012). Imenso catálogo de referências, a nova banda concentra tanto as guitarras características da década de 1970, com os sintetizadores dançantes lançados nos anos 1980. Uma colisão de temas que vão do Rock Clássico ao pós-punk do período sem necessariamente fugir da presente cena. Com lançamento pelo selo Sacred Bones, Hypnotized (o disco) estreia no dia 11 de novembro.

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Dream Police – Hypnotized

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Panda Bear: “Mix Ticks”

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Passados três anos desde o lançamento de Tomboy (2011), último registro em estúdio do Panda Bear, Noah Lennox continua a criar expectativa em relação ao próximo disco do projeto: Panda Bear Meets the Grim Reaper. Ainda sem previsão de lançamento, o álbum co-produzido em parceria com Peter “Sonic Boom” Kember (ex-integrante do Spaceman 3) parece manter a linda psicodélica dos registros que o antecedem, porém, dentro de um novo conceito instrumental.

Em exercício de forte comunicação com música eletrônica, Lennox apresenta agora mais uma inédita mixtape: Mix Ticks. Trata-se de um curioso exercício criativo em visitar a House Music dos anos 1990, material já testado na mixtape Green Ray Mix, lançada no último ano, porém, melhor delineado agora. Com 40 minutos de duração e fragmentado em diferentes atos/variações, o trabalho pode ser apreciado na íntegra logo abaixo, ou no site de Panda Bear, onde você encontra uma perturbadora animação psicodélica.

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Panda Bear – Mix Ticks

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Foxygen: “Cosmic Vibrations”

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Depois de alguns boatos correndo pela internet, possíveis desentendimentos entre os integrantes e até a possibilidade de encerramento das atividades da banda, Jonathan Rado e Sam France estão de volta para mais um novo álbum do Foxygen. Intitulado …And Star Power (2014), o projeto reservado para o dia 14 de outubro parece fluir como uma continuação do último e bem sucedido lançamento do duo, We Are the 21st Century Ambassadors of Peace & Magic (2014)

Passo além da atmosfera Folk do álbum apresentado há poucos meses, o registro distribuído pelo selo Jagjaguwar é um mergulho completo na psicodelia. Exemplo eficiente disso está em Cosmic Vibrations, faixa que transforma todos os erros acumulados nos últimos dois discos do MGMT em acertos claros. Cinco minutos de harmonias chapadas, vozes soturnas e um novo reforço para a ponte levantada pela dupla para o passado.

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Foxygen – Cosmic Vibrations

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