Tag Archives: Psychedelic

Cozinhando Discografias: Spiritualized

Por: Cleber Facchi

Spiritualized

A seção Cozinhando Discografias consiste basicamente em falar de todos os álbuns de um artista, ignorando a ordem cronológica dos lançamentos. E qual o critério usado então? A resposta é simples, mas o método não: a qualidade. Dentro desse parâmetro temos uma série de fatores determinantes envolvidos, que vão da recepção crítica do disco no mercado fonográfico, além, claro, dentro da própria trajetória do grupo e seus anteriores projetos. Vale ressaltar que além da equipe do Miojo Indie, outros blogs parceiros foram convidados para suas específicas opiniões sobre cada um dos trabalhos, tornando o resultado da lista muito mais democrático e pontual.

Entre o chão e o espaço, assim pode ser caracterizado o trabalho de Jason Pierce com o Spiritualized. Criado no começo dos anos 1990 como um resultado das experiências conquistadas pelo músico em sua extinta banda, a também influente Spacemen 3, o projeto cresce a partir da soma de um catálogo próprio de referências. Melodias que atravessam a psicodélico, absorvem a imposição sinfônica do rock progressivo e encontram nas vocalizações típicas da música gospel um ponto de identidade.

Adepto dos longos espaços entre um trabalho e outro, Pierce já atravessou três décadas de registros fundamentais para músicas. São obras clássicas como Ladies And Gentlemen We Are Floating In Space (1997) e Let It Come Down (2001), ou o ainda recente Sweet Heart Sweet Light, de 2012. Sempre mutável e, ainda assim, movido por uma fórmula própria, o músico e toda a obra do Spiritualized são os novos escolhidos a integrar a seção Cozinhando Discografias. Uma discografia curta, de sete obras fundamentais, mas que foram ordenadas do pior para o melhor registro. Continue reading

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Disco: “With Light And With Love”, Woods

Woods
Folk/Psychedelic/Indie
http://www.woodsist.com/woods/

Por: Cleber Facchi

Woods

Desde a estreia, há quase uma década, cada trabalho lançado pelo quarteto nova-iorquino Woods funciona dentro de uma atmosfera de conforto e emanações típicas de uma fórmula própria. Seja na estrutura irregular de At Rear House (2007), um belo exemplar do movimento Freak Folk, ou dentro das emanações litorâneas de Bend Beyond, lançado em 2012, os inventos assinados pelo grupo norte-americano jamais rompem com um proposital limite estético. Um efeito que reverbera de forma continuada no recente With Light And With Love (2014, Woodsist), mas que curiosamente ecoa como novidade a cada doce melodia.

Ainda apontado para as décadas de 1960 e 1970, o oitavo registro em estúdio de Jeremy Earl, Jarvis Taveniere, Aaron Neveu e John Andrews usa da limpidez das formas instrumentais como um ponto de novidade. Rompendo com a produção continua do grupo, que desde 2009 vem lançando um novo álbum por ano, o registro de 10 faixas usa dos dois anos de produção como uma ferramenta transformadora. Sim, temos em mãos as mesmas experiências sonoras retratadas desde How to Survive In (2006), estreia do grupo, porém, a ausência de ruídos e a quebra das emanações caseiras entregam ao ouvinte um projeto renovado.

Na trilha de novatos, como o duo Foxygen, a banda nova-iorquina abraça a psicodelia sem romper os laços com o pop. Seja em canções efêmeras, caso de New Light, ou atos extensos como o da faixa título – com mais de nove minutos de duração -, cada composição explorada pela obra dança em um habitat sereno, a ser desvendado com parcimônia. De caráter homogêneo, o disco se movimenta em um senso de completude, como se a chave para cada canção fosse explorada na faixa que a antecede, e assim por diante. Trata-se de uma obra marcada pelas melodias – uma experiência que aprimora toda a essência da banda.

Como Size Meets the Sound, Cali In a Cup e demais faixas comerciais do trabalho passado já haviam anunciado, a busca do Woods em conquistar uma parcela ainda maior de ouvintes se revela de forma natural e cada vez mais frequente. Se em começo de carreira o interesse dos integrantes era o de “parecer estranho”, hoje pouco disso parece ter sobrevivido. Basta observar músicas como Full Moon e Moving to the Left, faixas que se adornam de pequenos clichês do folk/rock clássico em um linguagem hipnótica, quase fabricada para as massas. Uma exposição que mesmo evidente não distorce o tecido cuidadoso que se esparrama pelo álbum. Continue reading

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Disco: “Enter The Slasher House”, Avey Tare’s Slasher Flicks

Avey Tare’s Slasher Flicks
Experimental/Psychedelic/Electronic
http://entertheslasherhouse.com/

Por: Cleber Facchi

Avey Tare

Os excessos assumidos por Dave Portner (Avey Tare) dentro de Centipede Hz (2012), último registro em estúdio do Animal Collective, estão longe de chegar ao fim. Mesmo distante do coletivo animal, o músico norte-americano (hoje) centrado em Los Angeles, Califórnia opta pela continua desconstrução dos arranjos, vozes e ritmos. Sonoridade instável incorporado com firmeza e certa dose de liberdade no interior de Enter The Slasher House (2014, Domino), obra que afasta o músico da “carreira solo” para apresentá-lo em uma nova banda.

Incorporando um sentido de proposital afastamento aos sons conquistados em Down There (2011), estreia solo do músico, o novo álbum deixa o terreno pantanoso para abraçar a esquizofrenia das formas eletrônicas. São 11 composições que equilibram a psicodelia, eletrônica rock e diferentes outros aspectos da musicalidade exposta por Tare para brincar com a mente do espectador. Se há três anos tudo o que o músico buscava pela formação de um som homogêneo, por vezes excessivamente sombrio, ao alcançar o novo projeto tudo parece fugir ao controle.

Mesmo que a “culpa” do som esquizofrênico dado ao registro seja apenas do músico, a presença de Angel Deradoorian (ex-Dirty Projectors) e Jeremy Hyman (ex-Ponytail) potencializa em excesso esse resultado. São acordes tortos de guitarra, sintetizadores que vão da década de 1970 ao presente, e toda uma série de atributos por vezes íntimos dos arranjos exaltados no álbum Strawberry Jam (2007), do próprio Animal Collective. Uma imensa geleia musical que busca tanto por condensar um som particular, como desestabilizar qualquer senso de ordem. Tare gosta mesmo é de provocar.

Longe de carregar o título e créditos da obra de forma solitária, Avey parece durante todo o tempo cutucado pelos novos parceiros de banda. Se por um lado as harmonias de Deradoorian alicerçam a base vocal e melodias lançadas pelo músico, em se tratando de Hyman, o uso quebrado da bateria força o álbum a mudar de direção. Se em instantes a calmaria desaba no mesmo som gelatinoso de Down There, logo em sequência o duo acerta um empurrão, fazendo do disco um catálogo de sons que crescem, diminuem, se arrastam e ecoam de forma dinâmica sem qualquer toque de previsibilidade. Continue reading

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Thee Oh Sees: “Drop”

Theee Oh Sees

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Pensou que a calmaria e os pianos apresentados na faixa The Lens iam aproximar do Thee Oh Sees de uma sonoridade pacata? Então você se enganou feio. Para o lançamento de Drop, mais novo single da banda norte-americana, o líder John Dwyer volta a investir de forma segura no uso das guitarras. São poucos minutos, tempo suficiente para que acordes nostálgicos atravessem a década de 1970 e caiam no presente com segurança e a mesma lisergia que acompanha a obra do músico há tempos.

Também lançada em clipe, a canção investe na fórmula da psicodelia em preto e branco, utilizando de ilustrações instáveis como uma representação visual da sonoridade que acompanha a banda. A nova faixa é a escolhida para dar título ao mais novo álbum do grupo, trabalho previsto para o dia 19 de abril, durante o Record Store Day, e que chega para sobrepor o ótimo Floating Coffin (2013).

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Thee Oh Sees – Drop

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Disco: “Salad Days”, Mac DeMarco

Mac DeMarco
Indie/Alternative/Lo-Fi
https://www.facebook.com/pages/Mac-DeMarco/

Por: Cleber Facchi

Mac DeMarco

Mac DeMarco é um homem comum. Gosta de falar sobre amor, canta sobre o prazer de fumar um cigarro e usa da mediocridade do cotidiano como uma ferramenta para as próprias composições. Naturalmente descompromissado, mas ainda assim capaz de ressaltar aspectos curiosos de um dia aprazível, o cantor e compositor canadense mais uma vez abre as portas do universo particular que o envolve para apresentar Salad Days (2014, Captured Tracks). Um álbum que fala/canta inteiramente sobre ele, mas que esbarra na casualidade de qualquer espectador.

Passo seguro em relação ao que 2, registro de “estreia” do músico, trouxe em 2012, o presente álbum vai além de brincar com temas aleatórios e pequenas confissões, trata-se de uma obra em que a maturidade do músico impera evidência. Se há dois anos o canadense  abria o disco falando sobre a vida em um efeito de crônica leve, em Cooking Up Something Good – “Quando a vida se move lentamente/ Apenas deixe-a ir” -, com a inaugural faixa-título, DeMarco soa existencialista – “Rolando pela vida, para rolar e morrer” -, mas sem parecer um poeta sombrio. Mais uma vez o músico discorre sobre o amor (Let My Baby Stay), conselhos reciclados (Brother) e personagens (Jonny’s Odyssey), premissa que ocupa o álbum até o último instante.

Afundado com segurança nas ambientações caseiras dos anos 1980, DeMarco abraça a morosidade de Ariel Pink e do conterrâneo Sean Nicholas Savage para reforçar um projeto tão autoral, quanto partilhado. A leveza que comanda o disco se esbalda em acordes econômicos, guitarras poluídas sutilmente pela distorção e uma doce melancolia que segue as pistas do efeito imposto em My Kind Of Woman. Nada tende ao exagero no interior do disco, pelo contrário, durante todo o percurso o músico parece inclinado a fugir dos instantes de grandeza, fazendo de Salad Days um disco marcado pela serenidade.

Em busca de consolidar uma obra homogênea, DeMarco pode até se esquivar da formação de canções íntimas do grande público – caso de Freaking Out The Neighborhood, do disco passado -, mas isso não quer dizer que fluidez do registro seja prejudicada. Brando, Salad Days deixa de lado as melodias “fáceis” para prender em essência pelas as palavras. Tendo em Passing Out Pieces – “Assistindo a minha vida, passando bem na frente dos olhos/ Que inferno de história, oh é chata?” – um fino exemplo do registro, o compositor brinca com os temas de jovens adultos sem necessariamente parecer clichê. Uma ferramenta que engata nos versos cotidianos do artista para fluir com ineditismo pelo álbum. Continue reading

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First Aid Kit: “My Silver Lining”

First Aid Kit

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A timidez que acompanhou os primeiros anos da dupla Johanna e Klara Söderberg dentro do First Aid Kit está longe de ser replicada. Em um sentido de afastamento ao que The Big Black & The Blue, registro de estreia da dupla sueca trouxe em 2010, My Silver Lining, novo single do duo, reforça uma intensa relação com o disco anterior, o elogiado The Lion’s Roar, lançado oficialmente em janeiro de 2012.

Com um pé no Folk dos anos 1970 e outro na psicodelia do mesmo período, a canção dança com liberdade por entre as referências. São toques de música Country, pitadas de Baroque Pop e um efeito típico do Chamber Pop que ocupa todos os instantes da música. Intensa, a música abre passagem para o terceiro registro em estúdio das duas irmãs, Stay Gold (2014), álbum que será apresentado oficialmente no dia 10 de junho pela Columbia Records.

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First Aid Kit – My Silver Lining

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Woods: “With Light And With Love”

Woods

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Como Leaves Like Glass e Moving To The Left bem conseguiram representar, a busca pelo folk dos anos 1960 parece guiar em totalidade a presente fase do Woods. Em constante produção desde o meio da década passada, quando o grupo nova-iorquino apareceu oficialmente com At Rear House (2007), cada novo registro em estúdio da banda parece movido por uma estética nostálgica, imposição que deve orientar com certa dose de novidade o novo projeto do grupo: With Light And With Love (2014).

Com lançamento anunciado para o dia 15 de abril pelo selo Woodsist, da própria banda, o novo registro deve ampliar as preferências já reveladas em Sun and Shade (2011) e Bend Beyond (2012), dois últimos lançamentos da banda. Recém-lançada, a faixa-título mostra toda a versatilidade do grupo, que além de esbarrar no folk e em outras preferências antigas, traz na massa de sons psicodélicos um estímulo natural. São nove minutos que resumem décadas de experiências musicais, além, claro, da própria sonoridade da banda.

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Woods – With Light And With Love

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Carne Doce: “Sertão Urbano”

Carne Doce

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De todos os projetos apresentados no último ano, a banda goiana Carne Doce é de longe uma das mais criativas e musicalmente particulares. Isolado em algum ponto específico da década de 1970, o projeto, até então comandado por Salma Jô e Macloys, deixa de lado as preferências típicas do casal para crescer. Em um sentido de continuidade e expansão ao cenário desbravado em Dos Namorados EP, o duo, acompanhado por Raphael Vaz, João Victor e Ricardo Machado (da banda LuziLuzia) abre as portas para o primeiro disco completo com a ascendente Sertão Urbano.

Diluindo décadas de referências, a nova música vai do Clube da Esquina aos Novos Baianos em um estágio de construção da própria estética. Firme, a voz forte de Jô alimenta a batida por vezes marcial da bateria, deixando para as guitarras um cenário de evidente desordem. Nostálgica, a música brinca com o brega, o pop e o rock psicodélico sem assumir preferências, um salto para o que deve ser encarado em totalidade no debut – anunciado para surgir nos próximos meses. Carne Doce é uma de nossas apostas para 2014, e se eu fosse você ouviria.

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Carne Doce – Sertão Urbano

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Avey Tare’s Slasher Flicks: “Strange Colores”

Avey Tare

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O pop ocupa a mente de Avey Tare em uma medida nada convencional. Também integrante do Animal Collective, o músico norte-americano parece ampliar ainda mais a própria esquizofrenia, resultado da parceria que vem promovendo ao lado dos parceiros Angel Deradoorian (ex-Dirty Projectors) e Jeremy Hyman (ex-Ponytail), membros do recém-fundado Avey Tare’s Slasher Flicks. Depois de mergulhar na psicodelia do single Little Fang, apresentado há poucas semanas, chega a vez de desvendar a inédita Strange Colores.

Orquestrada pelos vocais de Tare, a canção segue em um ritmo frenético, tratamento que em vários momentos desemboca no oceano colorido de Centipede Hz (2012), último registro em estúdio do Animal Collective. Apresentada em um clipe tão perturbador (e colorido) quanto a própria canção, o projeto anuncia o que será revelado em essência no dia sete de abril com Enter the Slasher House, primeiro álbum da nova parceria.

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Avey Tare’s Slasher Flicks – Strange Colores

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Disco: “Lost in the Dream”, The War On Drugs

The War On Drugs
Indie/Alternative/Psychedelic
http://www.thewarondrugs.net/

Por: Cleber Facchi

The War On Drugs

As melodias aprimoradas que abasteceram Future Weather EP (2010) e Slave Ambient (2011) são apenas ensaios perante o catálogo de possibilidades anunciadas com o novo álbum do The War On Drugs. Intitulado Lost in the Dream (2014, Secretly Canadian), o terceiro registro em estúdio da banda de Philadelphia, Pennsylvania, vai além das melodias detalhistas assinadas por Adam Granduciel – letrista, compositor e grande mente aos comandos do projeto. Trata-se de uma obra em expansão, um terreno instrumental/lírico que busca revelar a própria essência da banda, mas que ainda mantém íntima a aproximação com os sons lançados há quatro ou cinco décadas por um arsenal de velhos artistas.

Muito mais abrangente e curioso do que o trabalho que o antecede, o novo álbum mostra que Granduciel assume na plena expansão dos instrumentos – guitarras, sintetizadores e bateria – um estágio de natural provocação. É como se toda a calmaria proclamada no disco de 2011 fosse posta em xeque, como se uma pedra fosse atirada no lago de emanações serenas, quase bucólicas, exaltadas pela banda. No meio desse conjunto de experiências onduladas, o Country esbarra na psicodelia, o Folk dança pelo Dream Pop e a mente do espectador, como as canções, flutua livremente.

Naturalmente particular – proposta que esculpe não apenas os temas do disco, mas a presença de Granduciel quanto mente única da obra -, Lost in the Dream aos poucos se manifesta como um passeio pela mente de seu criador. Ainda que sejam necessários os versos intimistas (e amargos) de Suffering, terceira faixa do disco, para perceber o grau de isolamento do trabalho, bastam os instantes iniciais de Under the Pressure para que o músico assuma toda a confissão triste que banha o álbum. Mais do que um registro corrompido pelas experiências erradas do amor, o presente disco é uma obra que encara a velhice, o isolamento e o próprio crescimento como uma preferência constante.

Assumindo uma série de conceitos lançados por Bruce Springsteen há três décadas – principalmente em álbuns como The River (1980) e Nebraska (1982) -, Granduciel encontra no novo disco marcas que exploram a efemeridade dos sentimentos. São composições como Red Eyes, An Ocean in Between the Waves e Eyes to the Wind que fundem a aquietação sentimental do músico com elementos típicos da natureza, tratamento que tinge o disco com uma atmosfera constante de despedida e natural liberdade. Faixas que seguem a melancolia da estrada ou encontram no isolamento de um dia chuvoso a base para o existencialismo que se apoderem da obra. Mais do que sofrer, Lost In The Dream é uma obra que busca interpretar as percepções humanas. Continue reading

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