Tag Archives: Psychedelic

Of Montreal: “My Fair Lady”

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Há tempos Kevin Barnes não apresentava uma composição tão pegajosa quanto It’s Different For Girls. Entregue ao público no começo de junho, a faixa que fala sobre as diferentes formas de opressão sofridas pelas mulheres cresce em umas espiral de sons psicodélico-tropicais, como um novo respiro criativo dentro da extensa carreira da banda. A canção, posteriormente transformada em clipe, anuncia a chegada de um novo álbum de inéditas do grupo norte-americano: Innocence Reaches (2016).

Com 12 canções inéditas, o trabalho inspirado em artistas como Jack Ü, Chairlift e Arca acaba de ter mais uma de suas faixas liberadas, a psicodélica My Fair Lady. Assim como a música que a antecede, a nova criação de Barnes parece crescer lentamente, sem pressa, alavancando o uso de sintetizadores, batidas, guitarras e vozes que explodem nos instantes finais da faixa, revelando um som tão colorido quanto em clássicos como Satanic Panic in the Attic (2004) e Skeletal Lamping (2008).

Innocence Reaches (2016) será lançado no dia 12/08 pelo selo Polyvinyl.

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Of Montreal – My Fair Lady

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O Nó: “Vão”

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Com o lançamento de EP1 (2015), em outubro do último ano, o quarteto paulistano O Nó parecia preparar o terreno para uma obra maior, brincando com as possibilidades a cada cada nova faixa do curto registro. Em Vão, mais recente single da banda e fragmento escolhido para apresentar o primeiro álbum de estúdio do grupo, um claro amadurecimento, percepção que se reforça no uso atento da voz, instrumentos e, principalmente, na letra assumida por Luísa Moreira.

Ao mesmo tempo em que o grupo – formado por Alexandre Drobac (Guitarra), Mateus Bentivegna (Bateria), Rodolfo Almeida (Baixo) e Matheus Perelmutter (Sintetizadores) – brinca com os temas psicodélicos que deram vida ao último EP, esbarrando na obra de artistas como Tame Impala, sintetizadores, guitarras e pequenas ambientações climáticas indicam uma forte mudança de direção por parte da banda. Uma explícita visita ao cenário musical dos anos 1980, como se a banda mergulhasse de cabeça no pop nostálgico que abasteceu a cena brasileira durante o período.

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O Nó – Vão

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Catavento: “Plantinha”

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Uma avalanche de ruídos psicodélicos. Assim pode ser definida a recém-lançada Plantinha, mais recente single do coletivo gaúcho Catavento. Tão instável quanto o material apresentado há poucos dias durante o lançamento de City’s Angel, canção escolhida para anunciar o segundo álbum de estúdio do grupo, CHA (2016), a nova faixa flutua em meio a doses consideráveis de distorções e vozes em coro, como uma extensão do som produzido há dois anos em Lost Youth Against The Rush (2014).

Enquanto mergulha no mesmo universo de artistas estrangeiros como Ty Segall e Thees Oh Sees, difícil ignorar a forte relação da banda com uma série de obras recentes da nossa música. Ruídos cósmicos que dialogam com a obra de artistas como BIKE e até representantes do selo Midsummer Madness no começo dos anos 2000, principalmente a extinta Astromato. Um bem-sucedido exercício de pura insanidade musical.

CHA (2016) será lançado em agosto pelo selo Honey Bomb Records.

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Catavento – Plantinha

 

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Jagwar Ma: “O B 1” (VÍDEO)

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A leveza explorada em Howlin’ (2013), álbum de estreia do Jagwar Ma, parece ter sido aprimorada para o segundo álbum de estúdio da banda australiana. Em O B 1, primeiro composição inédita do trio formado por Gabriel Winterfield, Jono Ma e Jack Freeman desde o lançamento do primeiro disco, vozes, batidas e distorções psicodélicas passeiam ao fundo da faixa, mais uma vez reforçando a relação do grupo com a obra de veteranos como Primal Scream, Happy Mondays e toda a geração de artistas que movimentaram a cena de Manchester no começo dos anos 1990.

Entre flertes com o Dub – sonoridade previamente testada pela banda há três anos –, a nova faixa abre passagem para o aguardado Every Now & Then (2016). Segundo álbum de inéditas do trio, o registro deve reforçar a busca por um som cada vez mais complexo, lisérgico e experimental, sonoridade claramente incorporada pelo Jagwar Ma dentro da série de remixes produzidos pela banda nos últimos três anos. Assista ao clipe da canção:

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Jagwar Ma – O B 1

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Thee Oh Sees: “The Axis”

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Em um intervalo de apenas cinco anos, John Dwyer e os parceiros de banda do Thee Oh Sees deram vida a uma verdadeira sequência de clássicos do rock psicodélico/garage rock. Trabalhos como Carrion Crawler/The Dream (2011), Putrifiers II (2012), Floating Coffin (2013), Drop (2014) e, mais recentemente, Mutilator Defeated at Last (2015). Obras que mostram o som da banda californiana ziguezagueando por entre diferentes cenários, épocas e tendências musicais.

Em The Axis, primeiro single do novo álbum de inéditas do grupo, A Weird Exits (2016), a passagem para um novo universo de possibilidades. Do órgão climática que se espalha ao fundo da canção, passando pela voz quase instrumental de Dwyer, até alcançar o caótico solo de guitarra nos instantes finais da faixa, todos os elementos ocupam um espaço de merecido destaque ao longo da canção. Pouco mais de seis minutos em que o coletivo de São Francisco mais uma vez assume um novo direcionamento instrumental.

A Weird Exits (2016) será lançado no dia 12/08 pelo selo Castle Face.

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Thee Oh Sees – The Axis

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Resenha: “Wildflower”, The Avalanches

Artista: The Avalanches
Gênero: Electronic, Psychedelic, Alternative
Acesse: http://www.theavalanches.com/

 

Desde que deixei você / Eu encontrei um mundo novo”. Mais do que um inflamado grito de libertação, o verso central de Since I Left You, faixa-título do primeiro álbum de estúdio do The Avalanches, parece indicar o longo período de experimentação e novas sonoridades que viriam a ser exploradas pelo coletivo australiano. Em um longo intervalo que durou 16 anos, os parceiros Robbie Chater, James Dela Cruz e Tony Di Blasi se concentraram na busca por fragmentos esquecidos dos anos 1960, 1970 e 1980, presentearam o público com um delicado acervo de mixtapes e retornam agora com o colorido Wildflower (2016, Modular / Astralwerks), uma obra tão ampla e significativa quanto o trabalho apresentado no começo de 2000.

Tal qual o registro que o antecede, o novo álbum – uma seleção com 21 faixas e mais de 60 minutos de duração –, se revela como uma criativa colcha de retalhos, vozes e experimentos. São fragmentos que atravessam a década de 1960 – caso de Come Together dos Beatles, em The Noisy Eater –, exploram o som colorido dos anos 1980 – vide Subways da cantora Chandra –, além de um bem servido catálogo de rimas, trechos de filmes, vozes e ruídos que se espalham da abertura do disco, em Because I’m Me, à derradeira Saturday Night Inside Out. A própria capa do álbum  sintetiza as inspirações do grupo, uma reinterpretação do clássico There’s a Riot Goin’ On (1971) do grupo Sly & the Family Stone.

Talvez a principal diferença em relação ao trabalho entregue há quase duas décadas esteja na forma como grande parte das canções em Wildflower se projetam de forma comercial, sempre íntimas do grande público. Um bom exemplo disso está em Frankie Sinatra. Escolhida para apresentar o disco, a canção reflete com naturalidade a busca do coletivo australiano por um som descompromissado, leve. Do sample afro-caribenho que serve de base para a música, passando pelo jogo de rimas divididas entre Danny Brown e MF DOOM, até o clipe produzido pela dupla Fleur & Manu, difícil escapar da ambientação “pop” que orienta a canção.

O mesmo enquadramento radiofônico acaba se revelando em diversos momentos da obra. Mais do que um regresso, Wildflower se projeta como uma diálogo do grupo australiano com a nova geração de artistas. Não é difícil imaginar Colours, parceria com Jonathan Donahue (Mercury Rev), como uma típica criação dos conterrâneos do Tame Impala. E o que dizer de Sunshine, música que facilmente poderia ter sido produzida pelo britânico Jamie XX. Mesmo a relação com o Hip-Hop, econômica em Since I Left You, acaba se revelando como um dos pontos fortes do trabalho. Um brilhante exercício de (re)apresentação por parte do coletivo. Continue reading

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Catavento: “City’s Angel” (VÍDEO)

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Dois anos após o lançamento de Lost Youth Against The Rush (2014), obra que apresentou o trabalho do grupo gaúcho Catavento, a inédita City’s Angel anuncia a chegada de um novo registro de inéditas. Intitulado CHA (2016), o registro que conta com distribuição prevista para agosto não apenas parece seguir a trilha psicodélica deixada pela banda, como indica a busca por um novo universo de fórmulas, ruídos e experimentos musicais.

Em City’s Angel, canção escolhida para anunciar o segundo registro de estúdio da banda, vozes e instrumentos caminham paralelamente, gerando uma colisão de sons que em poucos segundos transportam o ouvinte para um ambiente essencialmente cósmico. Marcada pelo uso de boas guitarras, a canção também chega até o público em um colorido clipe produzido pela própria banda. Uma coleção de imagens coloridas e que foram gravadas no antigo Moinho Boca da Serra, localizado em Vila Seca, região próxima de Caxias do Sul.

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Catavento – City’s Angel

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Hoops: “Cool 2”

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Original da cidade de Bloomington, Indiana, o Hoops é um quarteto de Dream Pop/Rock Psicodélico que parece seguir à risca grande parte dos “ensinamentos” deixados no final da década passada por diferentes nomes da cena alternativa norte-americana. Artistas como Real Estate e Ariel Pink, referências que ecoam de forma explícita dentro do mais recente trabalho do grupo, Cool 2, primeiro single do homônimo EP da banda que conta com distribuição pelo selo Fat Possum.

Com pouco menos de dois minutos de duração, Cool 2 esbanja melodias ensolaradas e reverberações nostálgicas que tanto dialogam com os nomes acima citados, como incorporam elementos lançados há mais de três décadas nos primeiros discos do R.E.M. e demais veteranos da época. Observado em proximidade aos últimos trabalhos do grupo, a nova faixa não apenas confirma a evolução do quarteto como parece indicar a busca do grupo por um som ainda mais “pop”.

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Hoops – Cool 2

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The Avalanches: “Colours”

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Com o lançamento de Frankie Sinatra, faixa produzida em parceria com os rappers Danny Brown e MF DOOM, os integrantes do coletivo australiano The Avalanches apresentaram o novo mundo de possibilidades aos velhos seguidores do projeto. Ainda que a canção resgate parte da essência presente no clássico Since I Left You, de 2000, a busca por novas sonoridades, além, claro, da interferência direta das rimas revelou ao público um som parcialmente distinto, como um novo caminho a ser seguido pelo grupo no aguardado Wildflower (2016).

Em Colours, mais recente criação do coletivo australiano, um parcial regresso ao mesmo universo musical explorado com delicadeza há 16 anos. Marcada pelos detalhes, a canção de exatos 3:33 minutos passeia em meio a reverberações psicodélicas, vozes tocadas de trás para frente e versos cósmicos assumidos pelo veterano Jonathan Donahue, do Mercury Rev. A passagem direta para um mundo de sonhos e pequenas referências que flutuam ao fundo da canção.

Wildflower (2016) será lançado no dia 08/07 pelo selo Astralwerks / Modular.

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The Avalanches – Colours

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Deakin: “Harpy (Blue)”

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Longe dos parceiros de banda do Animal Collective, Josh Dibb deu vida ao primeiro registro em carreira solo como Deakin. Em Sleep Cycle (2016), cada uma das seis composições que abastecem o disco lentamente revelam um mundo de detalhes acústicos e emanações psicodélicas, como se o cantor e compositor norte-americano visitasse o mesmo universo originalmente apresentado em clássicos da banda de Baltimore, como Sung Tongs (2004) e Feels (2005).

Mesmo deixada de fora desse material, Harpy (Blue), mais recente lançamento de Deakin revela o mesmo preciosismo que marca as demais composições do músico. A voz serena, o violão preciso, apontado para a década de 1970, e uma coleção de melodias lisérgicas, fruto da controlada inserção de efeitos no interior da faixa. Lançada em fica cassete, a canção se divide em duas interpretações: Harpy (red), a elétrica, e Harpy (blue), a acústica.

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Deakin – Harpy (Blue)

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