Halls
Alternative/Indie/Singer-Songwriter
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Por: Cleber Facchi

Halls

Quais são os limites da dor? Esta parece ser uma pergunta que o britânico Sam Howard busca responder no interior de Love To Give (2014, No Pain In Pop). Segundo trabalho em estúdio do cantor e compositor londrino, o álbum se apresenta como uma sequência e ao mesmo tempo uma completa reformulação do ambiente proposto há pouquíssimos meses com Ark (2013), obra que apresentou o jovem artista, e um universo completamente distante do que se revela em totalidade agora.

Denso, o disco é uma fina representação da amargura do compositor, que em virtude da própria melancolia e evidente abandono encontra a matéria-prima para a formatação do álbum. Pontuado por uma arquitetura sombria, o disco caminha em um enquadramento de forte aproximação entre as músicas. Tratadas em um ato único, cada faixa se relaciona de forma “amigável” com a composição seguinte, exercício que potencializa o teor de desespero anunciado na autointitulada faixa de abertura e seguido de forma honesta até o fim do disco.

Limitado e ainda assim amplo em relação ao tratamento musical exposto em Ark, Love To Give se esquiva de possíveis rupturas de forma a arrastar o espectador para um universo fechado de experiências. A base sombria de pianos, rasos fragmentos eletrônicos e voz predominante parece fluir de maneira satisfatória dentro do projeto do disco, que encara cada composição como um objeto de puro recolhimento. Mesmo quando se delicia com possíveis exaltações – caso de Waves e Aria -, Howard jamais rompe com o sombreado homogêneo do disco.

Por conta do recolhimento dado ao disco, diversas passagens de Love To Give esbarram na estética apresentada por Mike Hadreas para o Perfume Genius. Todavia, enquanto o cantor e compositor norte-americano assume na próxima homossexualidade um traço de dramaticidade e crescimento, marca evidente em Put Your Back N 2 It, de 2012, o cantor londrino se afunda cada vez mais no próprio sofrimento. São canções serenas, econômicas, e que em nenhum momento ultrapassam uma lógica previsível que parece instalada logo nos instante iniciais do disco.

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Por: Cleber Facchi Sensibilidade e drama se misturaram com acerto na passagem de Thiago Pethit e do norte-americano Perfume Genius pelo Cine Joia. Braço paulistano do festival recifense Coquetel Molotov, a apresentação no último domingo (20) trouxe no efeito teatral do primeiro e nas confissões do segundo uma tapeçaria de complementos naturalmente sombrios. Diferentes aspectos de um típico coração partido revelados por vozes, sons e temas tratados em um reforço de quase oposição, mas que encontraram na amargura dos interpretes um ponto nítido de aproximação….Continue Reading “Perfume Genius & Thiago Pethit no Cine Joia”

. Britânica, Cate Le Bon já serviu como uma boa ferramenta dentro de uma sequência de projetos da cena inglesa, caso de Neon Neon e, o mais expressivo deles, ao lado de Gruff Rhys (do Super Furry Animals). Entretanto, é dentro do próprio universo que o trabalho da cantora cresce substancialmente. Da apresentação do debut Me Oh My, em 2009, ao lançamento de Cyrk, no último ano, a evolução é clara dentro da obra da artista, que anuncia para dezembro a chegada de Mug Museum,…Continue Reading “Cate Le Bon: “I Think I Knew” (ft. Perfume Genius)”

. A androgenia e a dualidade provocativa entre os gêneros (masculino e feminino) parecem servir como base para cada novo lançamento em clipe do cantor e compositor norte-americano Mike Hadreas. Responsável pelo Perfume Genius, o músico causou polêmica há alguns meses, quando na época do lançamento de Put Your Back N 2 It (segundo registro em estúdio) apresentou o clipe de Hood, em que ser perfazia de forma afetada nos braços de um ator pornô. Para o vídeo da também amargurada Take Me Home, Hadreas…Continue Reading “Perfume Genius: “Take Me Home””