. Ângulos de câmera ousados, coreografias, imagens filmadas de trás para frente e até de cabeça para baixo. Para a montagem do primeiro videoclipe da carreira, a banda amazonense Luneta Mágica não poupou esforços. Em Lulu, composição escolhida para apresentar o melódico No Meu Peito (2015), segundo registro de inéditas do grupo original da cidade de Manaus, banda e diretor trabalharam em parceira durante quase oito meses, resultado explícito em cada passo de dança ou virada de câmera que passeia pelo centro da capital amazonense. De versos…Continue Reading “Luneta Mágica: “Lulu” (VÍDEO)”

Maglore Indie/Alternative/Rock http://www.maglore.com.br/ Com o lançamento de Vamos Pra Rua, em 2013, a baiana Maglore deu um salto criativo. Catálogo frenético de vozes e melodias direcionadas com acerto aos mais variados públicos, o registro serviu para aproximar ainda mais o grupo original da cidade de Salvador de todo um novo universo de arranjos e tendências musicais. A busca declarada por uma sonoridade mais pop, radiofônica, conceito que ao esbarrar em diferentes ritmos (e cores) da década de 1970 serve de estímulo para o recém-lançado III…Continue Reading “Disco: “III”, Maglore”

Titãs
Brazilian/Rock/Punk Rock
http://www.titas.net/nheengatu/

 

Por: Cleber Facchi

Titãs

Duas décadas se passaram desde que os Titãs apresentaram ao público o “estranho” e cru Tudo ao Mesmo Tempo Agora (1991). Último trabalho com a formação clássica da banda, o sexto registro em estúdio – ignorado/incompreendido pelo público e crítica na época do lançamento -, parece ser a chave para entender os conceitos de Nheengatu (2014, Som Livre), mais recente invento do grupo paulistano. Encarado como um regresso musical ao período mais agressivo da banda – pós-Cabeça Dinossauro -, o 14º disco do (hoje) quarteto pode até ser encarado como uma obra bem resolvida, mas ainda está longe de igualar o mesmo posicionamento que consolidou a banda.

Antes de ser encarado como um possível diálogo com o passado, Nheengatu – que em Tupi-Guarani pode ser traduzido como “Língua Geral” – se revela como um aliviado respiro criativo dentro da produção que o grupo trouxe nos últimos 20 anos. Depois de usurpar do Grunge em Titanomaquia (1993), abraçar a redundância na sequência que vai de Domingo (1995) ao irritante As Dez Mais (1999), além de perder completamente a direção em Como Estão Vocês? (2003) e Sacos Plásticos (2009), com o novo disco, a banda assume um posicionamento conciso, resgatando aspectos importantes da própria identidade – há muito esquecida ou completamente abandonada.

Parte desse regresso estético do grupo – hoje assumido por Branco Mello,  Paulo Miklos, Sérgio Britto e Tony Bellotto – vem da imposição evidente de Rafael Ramos, produtor do disco, bem como a presença de Mario Fabre, substituto do ex-baterista Charles Gavin. Enquanto o primeiro, que já produziu o trabalho de bandas como Los Hermanos e Raimundos, extermina todo e qualquer traço de excesso instrumental, o segundo usa das batidas secas como um estímulo para o restante dos arranjos. Dentro desse enquadramento “econômico”, e ainda assim sujo, o trio de vocalistas/compositores encontra um espaço livre para exaltar aquilo que o Titãs sempre trouxe como a principal arma: as letras.

Tal qual o disco de 1991, Nheengatu vive das experiências sujas dos indivíduos. Uma obra que reflete o completo descontrole urbano e o teor caótico que toma conta de qualquer metrópole. Contudo, se há duas décadas o posicionamento lírico do coletivo era tratado de forma aleatória, como a representação de um adolescente niilista e suas considerações sobre sexo (Clitóris), desordem () e escatologia (Isso Para Mim É Perfume), hoje a banda assume postura, abraçando um discurso típico da fase adulta. Racismo, preconceito e morte sintetizam parte dos temas presente álbum, direção coesa na urgência realista de faixas como Cadáver Sobre Cadáver, Canalha e, principalmente, no “diálogo” entre vitima e agressor de Pedofilia, uma das canções mais perturbadoras já escritas pela banda.

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Vanguart
Brazilian/Folk/Indie
http://www.vanguart.com.br/

 

Por: Cleber Facchi
Foto: Ariel Martini

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Há dois anos, quando lançava Parte de Mim Vai Embora (2011), a proposta do Vanguart parecia ser clara e simples: soar acessível. Longe da poesia complexa que ocupa os versos trilíngues do autointitulado debut, de 2007, o quinteto cuiabano parecia cada vez mais interessado em buscar pelo grande público – um percurso de quase oposição ao hermetismo testado em início de carreira. Sustentando com acerto uma lírica melódica – que abastece faixas como Mi Vida Eres Tu e demais composições do trabalho -, a banda deu um passo seguro para o domínio de uma soma ainda maior de ouvintes, merecida sequência de prêmios no VMB de 2012 e, claro, a base para o que se revela em um efeito amplo na construção do terceiro registro em estúdio.

Intencionalmente dramático, Muito Mais Que O Amor (2013, DeckDisc) se aproveita do mesmo teor amargo dos trabalhos anteriores, porém, em um sentido intenso de confissão. O que antes era proposto de forma existencial e melancólica – principalmente em faixas como Semáforo, Para Abrir os Olhos e Cachaça -, agora dá lugar ao drama pintado de saudade e expectativa. Boa parte das faixas espalhadas pela obra refletem a carência do eu-lírico em um sentido vulnerável. Seja na antecipação por um novo amor (Sempre Que Eu Estou Lá), ou mesmo em um cenário recente e que aos poucos começa a se esfarelar (Pra Onde Eu Devo Ir?), a dor ainda é a principal constante para a banda.

Mesmo em um alinhamento de confissão, Hélio Flanders, principal letrista da obra, parece fugir a todo o custo de um resultado subjetivo, amenizando nos versos de cada faixa uma interpretação exageradamente acessível, até rasa em alguns aspectos. Por vezes falta beleza aos versos instalados de forma monotemática, caso de Meu Sol (o que é isso, Armandinho?), Mesmo De Longe e parte expressiva do eixo final do registro. Entretanto, nenhuma composição parece capaz de superar a redundância da O Que Seria de Nós, sétima canção do disco. “O que seria de você sem mim/ O que seria de Mim sem você/ O que seria de nós dois sem nós?”, arrasta a canção em (felizmente) pouco menos de um minuto de duração. Seria ironia ou apenas vontade de encher o disco com mais uma faixa? Onde estão os responsáveis por Enquanto Isso Na Lanchonete e demais canções dos primeiros discos?

Mesmo os exageros e a lírica falha em algumas das composições não subtraem a presença de boas faixas no decorrer da obra. A melhor delas talvez seja Pra Onde Eu Devo Ir?, canção que se esquiva das melodias programadas para fluir em um cenário de intensidade e dor real. Trabalhada em uma estética Country honesta, a música esbarra em vozes que curiosamente remetem ao trabalho de Chitãozinho e Xororó – entenda isso como um elogio sincero. Um aspecto caricato que não apenas potencializa o crescimento da faixa, como traduz de maneira eficaz a saudade que se acumula em doses pela obra. A mesma relação com o cancioneiro de raiz flutua de maneira coerente em Estive e Eu Sei Onde Você Está, faixas acessíveis, de versos duráveis e que não se perdem nos mesmos exageros e banalidades de outras canções do disco.

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. Dois anos desde o lançamento de Boa Parte de Mim Vai Embora, e a banda cuiabana Vanguart entrega ao público o terceiro exemplar em estúdio: Muito Mais Que O Amor. Conjunto de 11 inéditas composições, o registro amplia de forma clara a relação amena e o cardápio de sons delicados que o grupo vinha desenvolvendo com o Folk Rock – gênero base que abastece a produção da banda desde a chegada do autointitulado debut, em 2007. Com lançamento pela DeckDisc – casa de artistas…Continue Reading “Vanguart: “Muito Mais Que O Amor””

. Com lançamento agendado para o dia 27 de Agosto, Muito Mais Que O Amor é o nome do terceiro registro em estúdio da Vanguart. Dentro da sequência de faixas que a banda apresentou previamente ao público, há algumas semanas, está a acelerada Estive, composição que se conecta diretamente ao primeiro álbum de estúdio do grupo, mas sem o distanciamento de Boa Parte de Mim Vai Embora (2011). Aviso do que deve guiar em totalidade o novo trabalho, a faixa surge agora em clipe, trazendo…Continue Reading “Vanguart: “Estive””

. Muito mais que o amor, este é o nome do terceiro e mais novo álbum do Vanguart. Sucessor do bem recebido Boa Parte de Mim Vai Embora (2011), o registro conta com produção de Rafael Ramos (Los Hermanos, Cachorro Grande) e parece continuar exatamente de onde o grupo parou no último disco. Com pré-venda anunciada para o dia seis de agosto, o registro abre as portas com o lançamento de três novas faixas: Estive, A Escalada das Montanhas de Mim Mesmo e Eu Sei…Continue Reading “Vanguart: “Estive”, “A Escalada das Montanhas de Mim Mesmo” e “Eu Sei Onde Você Está””

. Muito mais que o amor, este é o nome do terceiro e mais novo álbum do Vanguart. Sucessor do bem recebido Boa Parte de Mim Vai Embora (2011), o registro conta com produção de Rafael Ramos (Los Hermanos, Cachorro Grande) e parece continuar exatamente de onde o grupo parou no último disco. Com pré-venda anunciada para o dia seis de agosto, o registro abre as portas com o lançamento de três novas faixas: Estive, A Escalada das Montanhas de Mim Mesmo e Eu Sei…Continue Reading “Vanguart: “Estive”, “A Escalada das Montanhas de Mim Mesmo” e “Eu Sei Onde Você Está””

. Reclama que o rock nacional não produz mais bandas de qualidade? Então Animal Nacional do Vespas Mandarinas é um disco que você precisa ouvir, mesmo. Estreia definitiva do supergrupo formado Chuck Hipolitho, Thadeu Meneghini, André Dea e Flavio Guarnieri, o disco concentra em 12 faixas guitarras rápidas, vozes abertamente melódicas e letras que conseguem se desvincilhar das redundâncias do gênero de forma bem sucedida e ainda grudar nos ouvidos. Lançado pelo selo Deckdisc, o trabalho conta com a produção assertiva de Rafael Ramos, produtor…Continue Reading “Vespas Mandarinas: “Animal Nacional””