Tag Archives: Rap

Kelela: “OICU” (Feat. Le1f)

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Ainda que pareçam atuar em direções opostas, a base para o trabalho de Kelela e Le1f sempre foi a mesma. Dos arranjos e batidas eletrônicas limpos – típicos dos anos 1990 -, ao uso comum de temas fragmentados entre o rap e o R&B, o duo norte-americano se encontra agora para dividir os próprios sentimentos na inédita OICU, um resumo coeso do som projetado pela dupla nos últimos dois anos.

Com produção assinada por P. Morris, a faixa parece movida pelos contrastes. De um lado, a rima lenta e suja do rapper nova-iorquino, no outro, as vocalizações densas, íntimas do som projetado pela cantora em Cut 4 Me (2013). Expressão vocal e lírica do que há de mais coeso no trabalho solo de cada artista, OICU bem poderia servir de passagem para um álbum/EP inteiro de faixas partilhadas entre a dupla.

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Kelela – OICU (Feat. Le1f)

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Azealia Banks: “Heavy Metal And Reflective”

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Lançada há poucos dias, Heavy Metal And Reflective é a composição escolhida por Azealia Banks para celebrar o rompimento com a Interscope, antigo selo da rapper.

Agora transformada em clipe, a canção afasta a artista da temática esquizofrênica dos últimos vídeos, transportando Banks para um cenário desértico e tomado por motociclistas. A direção do clipe é de Rob Soucy e Nick Ace.

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Azealia Banks – Heavy Metal And Reflective

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Disco: “Lese Majesty”, Shabazz Palaces

Shabazz Palaces
Experimental/Hip-Hop/Psychedelic
http://www.shabazzpalaces.com/

Por: Cleber Facchi

A grande beleza de Black Up (2011), registro de estreia do Shabazz Palaces, sempre esteve na ausência de linearidade da obra. Da abertura, em Free Press And Curl, até alcançar a derradeira Swerve…, a corrupção de ideias lançadas por Ishmael Butler e Tendai Maraire forçaram o ouvinte a atravessar diferentes esferas musicais, sem que isso resultasse em uma experiência confusa. Ainda que o Hip-Hop seja a base do trabalho sustentado pela dupla, cada segundo dentro da obra revela mutação, proposta mantida em Lese Majesty (2014, Sub Pop), porém, parcialmente adaptada dentro de uma nova estrutura.

Desenvolvido em cima de 18 composições inéditas, o novo álbum reforça organização, rompendo com o caráter abstrato do trabalho anterior de forma a solucionar uma obra dividida em sete “suites” (ou blocos) diferentes. Entretanto, a principal mudança dentro do presente disco não está no efeito “ordenado” das canções, mas na temática que parece dissolvida de forma precisa ao longo de toda a obra.

Assim como em Black Up ou mesmo nos dois primeiros EPs da dupla – Shabazz Palaces e Of Light, ambos de 2009 -, as viagens pelo espaço e outros elementos típicos dos livros / filmes de Ficção Científica recheiam com liberdade o conteúdo da obra. São músicas como Solemn Swears e Harem Aria em que a rima soterrada de Butler atenta de forma decidida para a psicodelia. Um reforço para o caráter essencialmente etéreo que habita em grande parte das composições da dupla.

Como um passeio pelo cosmos, Lese Majesty, mais do que Black Up, é uma obra conduzida pela sutileza musical de Maraire. Tendo no “espaço” o ponto central do disco, o produtor resgata desde ruídos expostos em clássicos Sci-Fi na década de 1970, até homenagens ao trabalho de veteranos do Krautrock / Ambient Music, também lançados no mesmo período. Por todos os cantos da obra borbulham referências à obra de Brian Eno, Tangerine Dream e até figuras esquecidas da New Age. Logo, a julgar pelos sete “capítulos” do álbum, não seria errado afirmar que o Shabazz Palaces transformou o trabalho em uma lisérgica novela musicada, ou mesmo em um filme psicodélico de ficção científica, deixando que as imagens sejam projetadas na cabeça do espectador. Continue reading

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R&B 90′s: 12 Discos Essenciais

Por: Cleber Facchi

Em um cenário dominado por gigantes do Rock Alternativo – Nirvana, Pearl Jam – e pequenos duelos que abasteceram o Britpop – Oasis, Blur -, quem realmente conquistou o público na década de 1990 foram os entusiastas do R&B. Abastecidos pelas referências criadas por nomes como Marvin Gaye, Stevie Wonder, Prince e outros artistas influentes das décadas de 1970/1980, um time de novatos tomou o topo das principais paradas de sucesso, apresentando alguns dos principais exemplares da música negra do período.

Entre artistas cultuados como D’Angelo, Lauryn Hill e nomes comerciais como Mariah Carey, Aaliyah e TLC, voltamos duas décadas no tempo para resgatar 12 obras essenciais do R&B nos anos 90. Trabalhos que se entregam ao Pop, como The Writing’s on the Wall (1999), do Destiny’s Child, ou mesmo obras como Baduizm (1997), de Erykah Badu, capazes de referenciar o trabalho de veteranos e ainda assim manter o toque atual. Uma dúzia de obras marcadas pela sensualidade, versos confessionais e batidas que colam nos ouvidos em segundos.  Continue reading

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Azealia Banks: “Heavy Metal And Reflective”

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Quase dois anos depois de ser convidada a ingressar ao catálogo da Interscope, selo que a demitiu há poucos dias, Azealia Banks aparece agora com o primeiro invento pós-libertação. Intensa e curtinha, Heavy Metal And Reflective, é tudo aquilo que a rapper já havia testado na primeira mixtape, colecionando rimas sujas e batidas pouco mergulham no teor comercial do primeiro single de sucesso, 212.

Urgente, a faixa foi lançada no Twitter de Azealia, que deve lançar o clipe da composição no ainda no começo de agosto. Para quem estava com saudades de Banks, a nova faixa segue a trilha de Luxury de demais singles lançados em 2012, reforçando o caráter complexo / acessível da rapper, que deve acompanhar a turnê do Interpol nos próximos meses. Eu não me surpreenderia com um registro na íntegra nos próximos meses.

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Azealia Banks – Heavy Metal And Reflective

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Rustie: “Attak” (ft. Danny Brown)

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Em 2013, quando apresentou ao público o terceiro (e intenso) trabalho de estúdio, Old, Danny Brown apareceu cercado por um time de jovens produtores ao longo do toda a obra. Entre os destaques do trabalho, o britânico Rustie, responsável pelas bases de Side B (Dope Song), Break It (Go) e Way Up Here, algumas das melhores faixas do segundo lado do registro. Partindo do mesmo conceito, rapper e produtor se encontram mais uma vez para solucionar as bases e versos da inédita Attak.

Uma das composições que abastecem o ainda inédito Green Language (2014), segundo trabalho de estúdio do artista inglês, Attak é uma faixa que pode ser traduzida em uma só palavra: intensa. Carregada de sintetizadores pegajosos e tomada por uma atmosfera “veranil”, a faixa estende tudo aquilo que Rustie já havia testado no debut Glass Swords (2011), aproximando o produtor de uma sonoridade visivelmente comercial, próxima do ouvinte médio. Com lançamento pelo selo Warp, Green Language estreia no dia 26 de agosto.

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Rustie – Attak (ft. Danny Brown)

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Future: “Rock Star” (Feat. Nicki Minaj)

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Definitivamente tem sido um bom ano para Future. Autor de um dos grandes exemplares do Hip-Hop em 2014, o rapper aparece agora com mais uma nova e bem sucedida composição. Intitulada Rock Star, a faixa excluída do elogiado Honest não apenas repete as melodias, batidas e todos os acertos do registro, como ainda reforça o lado mais comercial do artista – sempre reservado para as canções em parceria com outros representantes do R&B, rap e pop estadunidense.

Ao lado da cantora/rapper Nicki Minaj, Future revela uma faixa que parece feita para as pistas, resgatando desde elementos das próprias mixtapes, como referências lançadas no último trabalho de estúdio da esposa, a cantora Ciara. Bem que ela poderia ter entrado em Honest, não?

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Future – Rock Star (Feat. Nicki Minaj)

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Samples & Noodles #11

Por: Rafael Hysper

Samples & Noodles

► Pode parecer que você esteja ouvindo um disco do SBTRKT, do Jamie XX, ou até do Radiohead, mas o artista aqui em questão é carioca, e seu trabalho é bem autentico em certo ponto. Estamos falando do produtor Jose Hesse, mais conhecido como Kinkid, que traz seu primeiro álbum. Dividido em oito faixas cheias de melodias experimentais e vocais sombrios, o produtor mostra canções bem elaboradas, faixas que buscam contar uma historia ou um sonho. O produtor destaca-se neste trabalho, que, por sinal, foi muito produzindo com a ajuda do de outro produtor carioca, o Manara – ambos do selo Domina. Destaque para as faixas You Needy, Let It Go e Like This, ouça e baixe todas as canções no bandcamp do selo.

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► Já em São Paulo, recentemente foi lançado o novo clipe do Plano B, membro do grupo de hip-hop Hó Mon Tchain. No final do ano passado ele lançou o primeiro álbum solo, Montanha Russa, e na divulgação do disco ele lançou o clipe da faixa Esse é o Plano. O vídeo é conduzindo pelo mc Plano B, que mostra a cidade e algumas pessoas comuns, as quais cantam e tomam conta de alguns versos da musica, jogada simples, comum, nos molde tradicional do hip-hop, mas que ao ser tratado com uma edição bem feita, traduz o espírito da canção e do disco de forma notável.

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► O produtor inglês Lone, um dos preferidos aqui do blog, acabou de lançar seu novo álbum, trata-se do Reality Testing. Em seu novo disco Lone incorpora uma nova fase, cheios de influencias do hip-hop e do R&B dos 1990, mas com aquele toque já característico de seus trabalhos anteriores. Além disso, também traz o vídeo da faixa Aurora Northern Quarter, no qual Lone exibe um pouco do seu cotidiano, passeia de skate, e mostra sua nova onda mais descontraída, mas não menos inspirada e criativa.

 

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► Imagine uma mistura de Kelela, Jessy Lanza e Lana Del Rey, o resultado de forma inusitada (ou não) e surge lá na Dinamarca com a cantora e produtora Kwamie Liv. A mocinha, que já fez um belo cover do The Weeknd e promete ser a nova musa do R&B alternativo, lançou o clipe de Follow You. O enredo se passa nas ruas de Copenhague, em que Kwamie busca uma luz cada vez mais distante. Veja o vídeo e fique atento aos próximos lançamentos da artista.

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Disco: “Me. I Am Mariah… The Elusive Chanteuse”, Mariah Carey

Mariah Carey
R&B/Pop/Soul
http://www.mariahcarey.com/

Por: Cleber Facchi

A memória para no clipe de Through The Rain (2002), talvez meu primeiro contato com o trabalho de Mariah Carey – na época, o vídeo era um dos mais votados em um Top TVZ, no Multishow. Depois disso, apenas músicas avulsas e uma sessão pipoca (de filmes ruins) com os amigos para assistir Glitter, película estrelada pela cantora.

Não é preciso o comentário de um especialista no trabalho de Mariah Carey para alertar que comecei pela pior fase da artista. Charmbracelet, o disco que apresentou Through The Rain amarga uma nota 4.3 no Metacritic – 6.7 do público. Já a estreia da cantora nos cinemas sustenta uma nota 2.1 no IMDB, um baixíssimo 7% no Rotten Tomatos, e uma arrecadação fraca de US$ 5 milhões nas bilheterias norte-americanas. Vale lembrar que ele custou US$ 22 milhões. De fato, talvez tenha esbarrado na cantora em um péssimo momento, o que explica o completo desinteresse na busca por outros registros de Carey.

Contudo, ao tropeçar em #Beautiful, single lançado em maio de 2013, a cantora conseguiu despertar minha atenção. Mesmo que o apreço pelo trabalho do convidado Miguel seja o motivo para chegar até ela, ao ouvir a canção é difícil não ser seduzido. Produção coesa, versos grudentos e uma adaptação pop do “novo R&B” testado por Miguel em Kaleidoscope Dream (2012). Carey e seu time de produtores, letristas e músicos criaram o cenário perfeito, simples, ainda que detalhista, quando comparado com a obra de outras cantoras recentes do mesmo gênero. Nada mais satisfatório do que perceber o mesmo cuidado em Me. I Am Mariah… The Elusive Chanteuse, 14º e mais recente lançamento de estúdio da cantora.

Lançado em boa hora, o disco segue a trilha do Pop/R&B iniciado no álbum 4 (2011) de Beyoncé, ampliado por Frank Ocean em Channel, Orange (2012) e reforçado por cantoras como Cassie (RockaByeBaby), Kelly Rowland (Talk A Good Game) e Ciara no último ano. Em busca de um resultado particular, Carey transforma o registro um passeio por diferentes tonalidades da música negra, utilizando das batidas, rimas e elementos do Hip-Hop para movimentar o pop naturalmente doce que ela sustenta.

Parte substancial dessa relação com o Hip-Hop vem da passagem da cantora para o selo Def Jam, focado no gênero. Logo, nomes como Nas (Dedicated) e Wale (You Don’t Know What To Do) marcam assertiva presença pela obra, contrastando os versos melancólicos/apaixonados do grande parte do disco. Claro que isso não é nenhuma novidade dentro da discografia de Carey. Basta reservar alguns minutos para ouvir Butterfly (1997) e perceber essa natural proposta. A diferença em relação aos outros discos, principalmente The Emancipation of Mimi (2005), que compartilha os mesmos elementos, está na forma como a sonoridade do novo disco escapa do tradicional, experimenta (musicalmente) e estimula a voz da cantora. Continue reading

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Disco: “CLPPNG”, Clipping.

Clipping.
Hip-Hop/Electronic/R&B
https://www.facebook.com/clppng

Por: Cleber Facchi

O grande problema de qualquer artista novato que invade o território dominado por um veterano está na inevitável comparação. Com três integrantes “misteriosos”, estética anárquica e uma proposta que une musicalmente Hip-Hop, Noise e boas doses de experimentos eletrônicos, o trio californiano Clipping. não tardou a ver o próprio trabalho comparado com os vizinhos do Death Grips. Contudo, ainda que a relação com o trio de Sacramento, na California, seja inevitável, a proposta lançada pela trinca de Los Angeles partilha de uma orientação completamente oposta.

Imensa colcha de retalhos sintéticos, CLPPNG (2014, Sub Pop) – estreia do rapper Daveed Diggs em parceria com a dupla de produtores Jonathan Snipes e William Hutson – é uma tentativa bem resolvida em assumir a própria identidade. Sim, a comunicação com a proposta lançada há poucos anos por Zach Hill, Andy Morin e MC Ride está por todos os lados, mas a sonoridade que vai da abertura ao fechamento do presente álbum pouco (ou nada) se assemelha ao mesmo universo. Se o Death Grips trouxe o caos, então o Clipping. veio como um registro comercial, uma espécie de tentativa em estabelecer um mínimo estágio de ordem dentro desse (suposto) estranho cenário aproximado.

Muito mais íntimo da proposta do duo Run the Jewels ou Danny Brown no ainda recente Old (2013), CLPPNG é uma obra que usa da forte comunicação com a eletrônica para resolver musicalmente seus versos. Basta ouvir com atenção faixas em que os arranjos ocupam mais espaço do que o canto/rima para perceber isso. Em Work Work, por exemplo, se os versos de Diggs ou da convidada Cocc Pistol Cree fossem deixadas de lado, teríamos em mãos um delicioso exemplar da nova IDM, talvez uma sobra dos últimos discos de Flying Lotus.

Observado com atenção, a rima é a parcela menor de CLPPNG, que durante toda a formação das músicas reforça a posição do duo Snipes e Hutson em um estágio de plena libertação criativa. Não por acaso músicas como a delicada Dream ou Summertime revelam detalhistas bases melódicas, manipulando o rapper e seus convidados como “instrumentos”. De forma matemática ou orgânica, Diggs é orquestrado com precisão ao longo de todo o trabalho, o que está longe de ser encarado como um erro, afinal, é aí que reside a verdadeira identidade do grupo. Continue reading

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