Tag Archives: Rap

Kendrick Lamar: “Alright” (VÍDEO)

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Kunta Kinte, Wesley Snipes, escravidão, capitalismo, apropriação de cultura, preconceito racial e morte. Antes mesmo que a quarta faixa de To Pimp a Butterfly (2015, Interscope / Aftermath / Top Dawg) chegue ao final, Kendrick Lamar assume com o novo álbum de estúdio – o segundo sob o aval de uma grande gravadora, a Interscope -, um dos retratos mais honestos sobre o conceito de “dois pesos, duas medidas” que sufoca a comunidade negra dos Estados Unidos. Uma interpretação amarga, ainda que irônica, capaz de ultrapassar o território autoral do rapper de forma a colidir com o universo de Tupac Shakur, Michael Jackson, Alex Haley e outros “personagens” negros da cultura norte-americana.

Como explícito desde o último trabalho do rapper, o bem-sucedido good kid, m.A.A.d city (2012),To Pimp a Butterfly está longe de ser absorvido de forma imediata, em uma rápida audição. Trata-se de uma obra feita para ser degustada lentamente, talvez explorada, como um imenso jogo de referências e interpretações abertas ao ouvinte. Da inicial citação ao ator Wesley Snipes – preso entre 2010 e 2013 por conta de uma denúncia de fraude fiscal -, passando por referências ao cantor Michael Jackson, Malcom X, Nelson Mandela, exaltações à comunidade negra, além de trechos da obra do escritor Alex Haley –  Negras Raízes (1976) -, cada faixa se espalha em um acervo (quase) ilimitado de pistas, costurando décadas de segregação racial dentro e fora dos Estados Unidos. Leia o texto completo.

Dirigido por Colin Tilley e filmado em preto e branco, Alright é o mais novo clipe de Kendrick Lamar a ser extraído do álbum To Pimp a Butterfly (2015). Assista:

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Kendrick Lamar – Alright

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Disco: “O∆”, London O’Connor

London O’Connor
Hip-Hop/Psychedelic/Alternative
https://www.facebook.com/LondonOConnor

A música de London O’Connor é torta, estranha e, consequentemente, hipnótica. Personagem curioso da nova safra de representantes do Hip-Hop nova-iorquino, o artista de 24 anos encontra no primeiro álbum em carreira solo uma obra entregue ao experimento. Um passeio que começa pela mente (e versos) perturbados do compositor, segue de forma segura pelo Rap dos anos 1990 e só estaciona no final dos anos 1960, flertando com a mesma sonoridade de artista como The Velvet Undergound e outros gigantes que bagunçaram a música produzida no leste dos Estados Unidos.

Apresentado em pequenas “doses” no perfil de O’Connor no Soundcloud, O∆ (2015, Independente) é uma fuga de limites conceituais e bases previsíveis. Em um misto de canto, rima e lamentações, a formação de um registro de essência particular, isolado, como se diferentes tormentos sentimentais e existencialistas do jovem artista fossem essencialmente expostos e dissecados em cada instante sombrio que preenche o trabalho.

Interessante perceber que mesmo dentro de um cercado de versos e experiências particulares, O∆ está longe de parecer uma obra reclusa, pouco convincente. Em uma estrutura melódica, O’Connor revela ao público uma coleção de 10 faixas musicalmente atrativas, talvez não comerciais, porém, dificilmente ignoradas. Logo de cara, a dobradinha formada por OATMEAL e NATURAL, músicas que brincam com as mesmas melodias de vozes de grupos de músicas pop nos anos 1960, como das batidas minimalistas de Fever Ray e outros nomes recentes da música eletrônica.

Mesmo que o “pop” não seja a palavra certa para caracterizar o trabalho do rapper/cantor, escapar da armadilha de harmonias etéreas e versos pueris ressaltados em Nobody Hangs Out Anymore ou GUTS é uma tarefa quase impossível. São mais de cinco décadas de referências disformes, opositoras, mas que dialogam de forma segura até o encerramento da obra, sempre amarradas pela lírica sensível, pós-adolescente e particular de O’Connor. Continue reading

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London O’Connor: “O∆”

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Depois da sequência de boas composições apresentadas nas últimas semanas – como GutsNobody Hangs Out Anymore -, já era hora de ter acesso ao primeiro álbum de London O’Connor. Na trilha dos últimos lançamentos do jovem artista, O∆ (2015), nasce como reflexo do passeio do cantor/rapper por diferentes campos da música estadunidense, buscando referências que se escondem no rock nova-iorquino de grupos como The Velvet Underground, além, claro, de diálogos curtos com o Hip-Hop, R&B e Soul de diferentes épocas.

São 10 composições, algumas já conhecidas do Soundcloud de O’Connor, além de outras NATURAL e Steal, pequenas representações do som experimental assinado pelo músico. Disponível para download gratuito – clique aqui -, o álbum também pode ser apreciado na íntegra logo abaixo. Para quem acompanha o trabalho de Frank Ocean e King Krule, uma excelente recomendação:

 

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London O’Connor – O∆

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Plano B lança videoclipe da música A.D.O

planopromo

 O mc paulistano Plano B lançou essa semana seu novo trabalho audiovisual. Integrante do grupo Hó Mon Tchain, fundado em 2009, o grupo conhecido como HMT lançou seu primeiro álbum no ano de 2012. Com seus 27 anos de idade, Plano B é um dos principais membros do coletivo, com diversas canções de sua autoria e com sua voz peculiar. Em 2014, Rodrigo lançou seu disco solo, intitulado “Montanha-Russa”. O álbum tem esse nome devido aos altos e baixos da vida do cantor, com coisas boas e ruins que ele passou.

Contendo 17 faixas, o debut do rapper conta muito sobre a história e o cotidiano do Plano B. A faixa “A.D.O” (que usa frases que termina com “-ado”) surgiu de um Freestyle em cima da música Little Young do Masta Ace & Edo. G. Produzida pelo produtor MUD, que também faz parte do grupo Hó Mon Tchain, a faixa traduz de forma eficaz a ideia de ambos. Já o videoclipe foi dirigido por Johnny Germano, responsável pela gravação, ilustração e edição do vídeo. O promissor videomaker deu vida à música, e dessa forma o resultado, mesmo que simples e intimista, consegue surpreender a todos pela qualidade e integridade do trabalho. O segundo disco do Hó Mon Tchain será lançado no segundo semestre de 2015, além disso em breve será lançado um novo clipe do grupo.

 

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London O’Connor: “Nobody Hangs Out Anymore”

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Se você pesquisar sobre o trabalho de London O’Connor no Google, adianto: pouco será encontrado. Salve informações aleatórias em sites como StereogumPigeons & Planes, além, claro, de uma conta pouco abastecida no Soundcloud, a sensação repassada é a de que o rapper/cantor de 24 vive em um universo próprio. Um “isolamento” que se reflete não apenas pela rede, mas em músicas como OATMEAL, Love Song e, principalmente, com a recém-lançada Nobody Hangs Out Anymore.

Ancorado em um propositadamente torto cruzamento entre canto e rima, a nova criação do artista incorpora tanto o Hip-Hop despojado do coletivo Odd Future – principalmente nos primeiros trabalhos de Frank Ocean e Earl Sweatshirt – ao mesmo tempo em que um doce coro de vozes transportam o ouvinte para o final dos anos 1960, emulando conceitos típicos de veteranos como The Velvet Undergrond. Lembra uma versão menos “obscura” de King Krule e até Thom Yorke, como o canto abafado de OATMEAL parece reforçar. Pequenas comparações e apoios, mas nada que interfira de fato no som particular de O’Connor.

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London O’Connor – Nobody Hangs Out Anymore

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A$AP Rocky: “Everyday” (feat. Rod Stewart, Miguel & Mark Ronson)

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Em entrevista recente, A$AP Rocky declarou que At. Long. Last. ASAP (2015), terceiro álbum de inéditas, será um registro influenciado pelo Rock da década de 1960 (The Kinks, The Stooges), ao mesmo tempo em que deve reforçar a já antiga paixão do rapper pelo Trip-Hop, principalmente a obra de gigantes como Massive Attack e Portishead. Curioso perceber todas essas referências em Everyday, oficialmente, a quarta mostra do novo registro de estúdio do nova-iorquino.

Porção menor dentro da faixa, A$AP Rocky é apenas a ponte para que um time de colaboradores formado por Miguel, Mark Ronson e até o veterano Rod Stewart interfiram no resultado final da composição, uma das mais acessíveis e comerciais já assinadas pelo rapper. Já conhecida das apresentações ao vivo do artista, ao ser finalizada, em estúdio, a nova música reforça todo o catálogo de novas referências de Rocky, coberto pela mesma camada densas de sintetizadores e batidas sedutoras encontradas no clássico Dummy (1994), a obra-prima do Portishead.

At. Long. Last. ASAP (2015) será lançado pelo selo RCA no dia 02/07.

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A$AP Rocky: “Everyday” (feat. Rod Stewart, Miguel & Mark Ronson)

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Kehlani: “The Way” (feat. Chance the Rapper)

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Enquanto Surf (2015), parceria com Donnie Trumpet & The Social Experiment não é oficialmente apresentada ao público, o jeito é correr atrás de outros projetos que contam com a presença de Chance The Rapper. É o caso da recém-lançada The Way, faixa assinada em parceria entre o rapper e a cantora de Soul/R&B Kehlani, voz já conhecida em diferentes projetos da cena norte-americana, mas que acaba de lançar mais um novo registro em carreira solo, You Should Be Here (2015).

Seguindo a trilha deixada por Tinashe no ótimo Aquarius, de 2014, Kehlani transforma a própria voz no principal componente da faixa, tecendo um plano de fundo instrumental para a letra melancólica que ocupa com destaque todo o restante da obra. Protegido pelos tradicionais “gritinhos” de Acid Rap (2013), Chance The Rapper corre ao fundo da canção, complementando a amargura confessional assinada pela artista.

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Kehlani – The Way (feat. Chance the Rapper)

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Disco: “Jenny Death” & “Fashion Week”, Death Grips

Death Grips
Hip-Hop/Rap/Experimental
http://thirdworlds.net/

Ordem e caos, experiências opositoras, porém, articuladas de maneira precisa dentro do conceito caótico que rege a obra do Death Grips. Instável desde os primeiros minutos de vida – vide a estreia com a mixtape Exmilitary (2011) -, o projeto comandado por Stefan Burnett, Zach Hill e Andy Morin transformou os últimos meses em um natural tormento para o (próprio) público. Do encerramento (possivelmente planejado) das atividades da “banda”, ao atraso no lançamento da segunda metade de The Powers That B (2015), a incerteza logo se transformou em uma ferramenta criativa nas mãos do trio.

Primeiro, o registro de “sobras” intitulado Fashion Week (2015, Independente). Entregue ao público como uma “trilha sonora”, distribuído gratuitamente em uma publicação no Reddit, o registro parecia nascer como a explicita comprovação do encerramento das atividades do grupo, efeito da ausência dos vocais de MC Ride. Ainda assim, a disposição exata do título de cada faixa – “JENNY DEATH WHEN” – realçava a dúvida em torno da continuidade (ou não) do projeto.

Em se tratando da estrutura da obra, uma nítida continuação da eletrônica aplicada em Government Plates (2013). Ainda que a métrica específica das canções tropece (voluntariamente) na obra de Zach Hill com Hella, em se tratando do tecido instrumental que cobra o registro, o direcionamento é outro. Há desde composições “suavizadas”, como na dobradinha Runway N, até faixas construídas em cima de guitarras cruas e batidas quebradas, uma espécie de sequência ao mesmo detalhamento sujo explorado em NO LOVE DEEP WEB (2012).

Tamanha flexibilidade na utilização de texturas e (novos) ritmos parece servir de ensaio para material detalhado em Jenny Death (2015, Harvest). Mais do que uma continuação dos temas lançados em Niggas on the Moon (2014), a segunda parte de The Powers That B assume um rumo completamente distinto não apenas em relação ao último álbum do trio, mas em relação ao próprio universo do Death Grips. Uma ativa manipulação de vozes, rimas e instrumentos que tanto se aproxima do Industrial Rock de bandas como Nine Inch Nails – caso de Beyond Alive -, como também expande conceitos entregues em The Money Store (2012). Continue reading

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De La Soul: “God It” (Feat. Nas)

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Passada mais de uma década desde o lançamento do último trabalho de estúdio, o ótimo The Grind Date (2004), Posdnuos, Dave e Maseo estão de volta para mais um registro de inéditas pelo De La Soul. Ainda sem data de estreia, o registro que conta com participação de Damon Albarn (Blur/Gorillaz), 2 Chainz, Little Dragon e David Byrne (Talking Heads) foi totalmente custeado pelo público do coletivo, que “doou” quatro vezes mais do que o valor registrado pelo grupo em uma campanha na Kickstarter.

Enquanto o novo disco não chega, um pequeno aperitivo foi apresentado ao público fiel: God It. A faixa, obviamente, não faz parte do novo álbum do grupo, entretanto, carrega a essência dos mesmos álbuns do De La Soul. Além da base dançante, a rápida participação do rapper Nas, parceiro de longa data do trio. Ouça:

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De La Soul – God It (Feat. Nas)

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▲LT-HOP #01

Véspera de Feriado. Alt Hip-Hop. Duas cidades compartilhando, ao mesmo tempo, as batidas que mudam a nova música. Dia 20/04 São Paulo e Campinas recebem, ao mesmo tempo, a estreia da ▲lt-Hop. Uma festa inteira dedicada ao Alternative Hip-Hop. Como aquecimento para a noite, preparei uma tradicional playlist no Spotify com algumas das músicas que vão tocar durante a festa.

De um lado as meninas: Beyoncé, Tinashe, Janelle Monáe, Ciara, Rihanna, Nicki Minaj, Lurdez da Luz, Karol Conká e Solange. No lado dos meninos: Kendrick Lamar, Run The Jewels, Earl Sweatshirt, Tyler The Creator, Kanye West, A$AP Rocky, Vic Mensa, Drake, Future e YG.

▲ Line-Up (FUNHOUSE) ▲

Luiz Felipe Santos
Cleber Facchi
Vitor Alves

▲ Preços ▲

Entrada Gratuita até para todos as 22h00!
Preço Após:
Com nome na Lista: R$40 consuma ou R$20 de entrada
Sem nome na Lista: R$60 consuma ou R$30 de entrada

▲ São Paulo: Funhouse
▲ Campinas: Bar do Zé ▲

▲ O que mais vai tocar? Kendrick Lamar, Kanye West, A$ap Rocky, Frank Ocean, Beyoncé, Drake, Outkast, Pusha T, Future, Jay-Z, Nas, Missy Elliot, Run the Jewels, The Weeknd, A Tribe Called Quest, Wu-Tang Clan, Public Enemy, Ciara, Miguel, N.W.A, The Roots, Chance The Rapper, Lauryn Hill, Run DMC, Big K.R.I.T., Big Sean, Erykah Badu, 2 Chainz, Danny Brown, Freddie Gibbs, Notorious BIG, Afrika Bambaataa, Janelle Monaé, Earl Sweatshirt, Tyler The Creator, Killer Mike, Kelela, 2Pac, Death Grips, Flying Lottus, ScHoolboyQ, Das Racist, Beastie Boys, The-Dream, The Game, Mac Miller, Rick Ross, YG, Lil Wayne, J. Cole, Childish Gambino, Vince Staples, Vic Mensa, iLoveMakonnen ▲

Esquenta | Abertura da Casa: 20h00
Lista de Desconto: http://goo.gl/GuaxaI
Mais Infos sobre o Esquenta: http://bit.ly/17dbmUk

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