Tag Archives: Rap

Disco: “Jenny Death” & “Fashion Week”, Death Grips

Death Grips
Hip-Hop/Rap/Experimental
http://thirdworlds.net/

Ordem e caos, experiências opositoras, porém, articuladas de maneira precisa dentro do conceito caótico que rege a obra do Death Grips. Instável desde os primeiros minutos de vida – vide a estreia com a mixtape Exmilitary (2011) -, o projeto comandado por Stefan Burnett, Zach Hill e Andy Morin transformou os últimos meses em um natural tormento para o (próprio) público. Do encerramento (possivelmente planejado) das atividades da “banda”, ao atraso no lançamento da segunda metade de The Powers That B (2015), a incerteza logo se transformou em uma ferramenta criativa nas mãos do trio.

Primeiro, o registro de “sobras” intitulado Fashion Week (2015, Independente). Entregue ao público como uma “trilha sonora”, distribuído gratuitamente em uma publicação no Reddit, o registro parecia nascer como a explicita comprovação do encerramento das atividades do grupo, efeito da ausência dos vocais de MC Ride. Ainda assim, a disposição exata do título de cada faixa – “JENNY DEATH WHEN” – realçava a dúvida em torno da continuidade (ou não) do projeto.

Em se tratando da estrutura da obra, uma nítida continuação da eletrônica aplicada em Government Plates (2013). Ainda que a métrica específica das canções tropece (voluntariamente) na obra de Zach Hill com Hella, em se tratando do tecido instrumental que cobra o registro, o direcionamento é outro. Há desde composições “suavizadas”, como na dobradinha Runway N, até faixas construídas em cima de guitarras cruas e batidas quebradas, uma espécie de sequência ao mesmo detalhamento sujo explorado em NO LOVE DEEP WEB (2012).

Tamanha flexibilidade na utilização de texturas e (novos) ritmos parece servir de ensaio para material detalhado em Jenny Death (2015, Harvest). Mais do que uma continuação dos temas lançados em Niggas on the Moon (2014), a segunda parte de The Powers That B assume um rumo completamente distinto não apenas em relação ao último álbum do trio, mas em relação ao próprio universo do Death Grips. Uma ativa manipulação de vozes, rimas e instrumentos que tanto se aproxima do Industrial Rock de bandas como Nine Inch Nails – caso de Beyond Alive -, como também expande conceitos entregues em The Money Store (2012). Continue reading

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De La Soul: “God It” (Feat. Nas)

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Passada mais de uma década desde o lançamento do último trabalho de estúdio, o ótimo The Grind Date (2004), Posdnuos, Dave e Maseo estão de volta para mais um registro de inéditas pelo De La Soul. Ainda sem data de estreia, o registro que conta com participação de Damon Albarn (Blur/Gorillaz), 2 Chainz, Little Dragon e David Byrne (Talking Heads) foi totalmente custeado pelo público do coletivo, que “doou” quatro vezes mais do que o valor registrado pelo grupo em uma campanha na Kickstarter.

Enquanto o novo disco não chega, um pequeno aperitivo foi apresentado ao público fiel: God It. A faixa, obviamente, não faz parte do novo álbum do grupo, entretanto, carrega a essência dos mesmos álbuns do De La Soul. Além da base dançante, a rápida participação do rapper Nas, parceiro de longa data do trio. Ouça:

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De La Soul – God It (Feat. Nas)

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▲LT-HOP #01

Véspera de Feriado. Alt Hip-Hop. Duas cidades compartilhando, ao mesmo tempo, as batidas que mudam a nova música. Dia 20/04 São Paulo e Campinas recebem, ao mesmo tempo, a estreia da ▲lt-Hop. Uma festa inteira dedicada ao Alternative Hip-Hop. Como aquecimento para a noite, preparei uma tradicional playlist no Spotify com algumas das músicas que vão tocar durante a festa.

De um lado as meninas: Beyoncé, Tinashe, Janelle Monáe, Ciara, Rihanna, Nicki Minaj, Lurdez da Luz, Karol Conká e Solange. No lado dos meninos: Kendrick Lamar, Run The Jewels, Earl Sweatshirt, Tyler The Creator, Kanye West, A$AP Rocky, Vic Mensa, Drake, Future e YG.

▲ Line-Up (FUNHOUSE) ▲

Luiz Felipe Santos
Cleber Facchi
Vitor Alves

▲ Preços ▲

Entrada Gratuita até para todos as 22h00!
Preço Após:
Com nome na Lista: R$40 consuma ou R$20 de entrada
Sem nome na Lista: R$60 consuma ou R$30 de entrada

▲ São Paulo: Funhouse
▲ Campinas: Bar do Zé ▲

▲ O que mais vai tocar? Kendrick Lamar, Kanye West, A$ap Rocky, Frank Ocean, Beyoncé, Drake, Outkast, Pusha T, Future, Jay-Z, Nas, Missy Elliot, Run the Jewels, The Weeknd, A Tribe Called Quest, Wu-Tang Clan, Public Enemy, Ciara, Miguel, N.W.A, The Roots, Chance The Rapper, Lauryn Hill, Run DMC, Big K.R.I.T., Big Sean, Erykah Badu, 2 Chainz, Danny Brown, Freddie Gibbs, Notorious BIG, Afrika Bambaataa, Janelle Monaé, Earl Sweatshirt, Tyler The Creator, Killer Mike, Kelela, 2Pac, Death Grips, Flying Lottus, ScHoolboyQ, Das Racist, Beastie Boys, The-Dream, The Game, Mac Miller, Rick Ross, YG, Lil Wayne, J. Cole, Childish Gambino, Vince Staples, Vic Mensa, iLoveMakonnen ▲

Esquenta | Abertura da Casa: 20h00
Lista de Desconto: http://goo.gl/GuaxaI
Mais Infos sobre o Esquenta: http://bit.ly/17dbmUk

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Disco: “To Pimp a Butterfly”, Kendrick Lamar

Kendrick Lamar
Hip-Hop/Rap/Funk
http://www.kendricklamar.com/

 

Kunta Kinte, Wesley Snipes, escravidão, capitalismo, apropriação de cultura, preconceito racial e morte. Antes mesmo que a quarta faixa de To Pimp a Butterfly (2015, Interscope / Aftermath / Top Dawg) chegue ao final, Kendrick Lamar assume com o novo álbum de estúdio – o segundo sob o aval de uma grande gravadora, a Interscope -, um dos retratos mais honestos sobre o conceito de “dois pesos, duas medidas” que sufoca a comunidade negra dos Estados Unidos. Uma interpretação amarga, ainda que irônica, capaz de ultrapassar o território autoral do rapper de forma a colidir com o universo de Tupac Shakur, Michael Jackson, Alex Haley e outros “personagens” negros da cultura norte-americana.

Como explícito desde o último trabalho do rapper, o bem-sucedido good kid, m.A.A.d city (2012), To Pimp a Butterfly está longe de ser absorvido de forma imediata, em uma rápida audição. Trata-se de uma obra feita para ser degustada lentamente, talvez explorada, como um imenso jogo de referências e interpretações abertas ao ouvinte. Da inicial citação ao ator Wesley Snipes – preso entre 2010 e 2013 por conta de uma denúncia de fraude fiscal -, passando por referências ao cantor Michael Jackson, Malcom X, Nelson Mandela, exaltações à comunidade negra, além de trechos da obra do escritor Alex Haley –  Negras Raízes (1976) -, cada faixa se espalha em um acervo (quase) ilimitado de pistas, costurando décadas de segregação racial dentro e fora dos Estados Unidos.

Não por acaso a “estrutura narrativa” do álbum segue de forma distinta em relação ao trabalho de 2012. Enquanto good kid, m.A.A.d city foi vendido como um “roteiro de cinema” – conceito reforçado na utilização de diálogos e pequenas “cenas” encaixadas no interlúdio de cada composição -, com o novo disco é possível observar a formação de uma pequena base episódica, como um seriado, estrutura arquitetada com naturalidade no decorrer das faixas. São recortes precisos, temas pessoais ou mesmo histórias adaptadas, como se a cada novo capítulo “da série”, Lamar e convidados (como George Clinton, Pharrell Williams e Snoop Dogg) analisassem aspectos distintos de um mesmo universo temático.

Tamanha pluralidade de referências e conceitos garante ao ouvinte o encontro com uma obra muito mais dinâmica em relação ao trabalho exposto há três anos. Na mesma medida em que derrama versos sóbrios e provocativos – vide The Blacker the Berry, Mortal Man e Institutionalized -, Lamar garante espaço para que sentimentos e confissões particulares sejam ressaltadas com o passar do disco. Expressiva porção desse resultado está na dicotomia gerada pelas faixas u e i. Enquanto a primeira, um rap-funk-melancólico, sufoca em meio a versos embriagados, arrastando Lamar (e o próprio ouvinte) para um território de lamúrias – “Bitch everything is your fault” -, a segunda cresce como uma espécie de hino. Um jogo versos entusiasmados, motivacionais – “I love myself” – e que ainda resgatam trechos da adolescência do rapper pelas ruas de Compton, Califórnia.

A mesma flexibilidade se repete na construção dos arranjos e toda a estrutura musical pensada para o registro. Oposto ao minimalismo sombrio, por vezes sufocante exposto em good kid, m.A.A.d city, To Pimp a Butterfly é uma obra de conceitos grandiosos, musicalmente ampla e inquieta. Ainda que Dr. Dre seja o produtor executivo do álbum, grande parte da estrutura (musical) do trabalho parece fruto da interferência direta de Stephen Bruner (Thundercat) e Steve Ellison (Flying Lotus), colaboradores e instrumentistas ativos em grande parte das faixas. Continue reading

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Miojo Indie Naïve Bar

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É hora de aparar o bigode e se preparar para mais uma invasão Miojo Indie no Naïve Bar. Para a festa que acontece no próximo dia 17 de abril, Cleber Facchi recebe os convidados Felipe Germano, um dos grandes nomes do Indie-Pop-Coxa-Creme, além de Marcelo Andreguetti, o maior especialistas em mashups de camisas florais.

Ao longo da noite, muitas jarras de mojito, Meme Rap, Vaporwave, Hip-House, Glitch Pop e todos aqueles sub-gêneros divertidos que você encontra no Last.fm. Prepare-se para ouvir Tame Impala, Jamie XX, Passion Pit, Taylor Swift, MC Carol, Future Brown, Fifth Harmony, Purity Ring, Kendrick Lamar e Hot Chip. Sentiu falta de um pagode obscuro dos anos 1990? É só pedir que os DJs tocam.

Abaixo, nossa tradicional playlist de aquecimento para a noite.

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Miojo Indie Naïve Bar (Abril, 2015)

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Janelle Monáe & Jidenna: “Yoga” (VÍDEO)

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Como seria o trabalho de Janelle Monáe livre de todos os conceitos e referências temáticas de seus álbuns retrô-futurísticos? A resposta está no pop pegajosos de Yoga. Mais novo lançamento da cantora e compositora norte-americana, a faixa em parceria com o rapper/cantor Jidennaparece completamente distinta em relação ao trabalho da artista nos últimos cinco anos. Esqueça a música negra dos anos 1960/1970, com o novo single, Monáe prova ser capaz de replicar o mesmo som comercial de Beyoncé, Rihanna e todos os nomes de peso do R&B.

Batida quente, versos provocativos e refrão grudento, estes são os principais componentes da canção que parece pronta para as pistas. Infelizmente a nova faixa não faz parte de nenhum novo disco de Monáe. Trata-se de um dos fragmentos da coletânea Eephus (2015), um compilado de novos artistas (da música negra) apresentados pelo próprio selo da cantora, o Wondaland Arts Society.

Abaixo, o clipe da canção, trabalho que praticamente transforma Monáe em uma nova Nicki Minaj, com um pouco menos de “atributos físicos”, claro
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Janelle Monáe & Jidenna – Yoga

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Disco: “EarthEE”, THEESatisfaction

THEESatisfaction
Soul/Electronic/R&B
http://www.theesatisfaction.com/

É difícil não interpretar o trabalho da dupla THEESatisfaction como uma “sucursal feminina” dos mesmos conceitos e experimentos testados pelo duo Shabazz Palaces. Parceiras e colaboradoras frequentes de Ishmael Butler e Tendai Maraire, Catherine Harris-White e Stasia Irons assumem desde o primeiro álbum de estúdio, awE NaturalE (2012), uma extensão do mesmo som retro-futurista dos produtores de Seattle. A diferença? Enquanto Butler e Maraire avançam em direção ao espaço, Harris-White e Irons encontram um ambiente de conforto criativo aqui mesmo, na própria Terra.

Com a chegada de EarthEE (2015, Sub Pop), segundo e mais recente trabalho de inéditas da dupla, elementos típicos da cultura africana, bases que vão do R&B/Soul dos anos 1970 ao Hip-Hop de 1990 se espalham com naturalidade em meio a versos que abraçam a marginalidade. Temas centrado no universo LGBT, preconceito racial e feminismo que dividem o mesmo espaço de versos sufocados pela saudade e melancolia; sussurros pessoais de pura sensibilidade romântica.

Menos “pessoal” em relação ao conceito intimista que abastece grande parte do álbum apresentado há três anos, EarthEE, como o título resume, é uma obra ampla – seja nos arranjos, como na própria estrutura lírica que movimenta as canções. Disfarçadas, como dois extraterrestres habitando nosso planeta, Harris-White e Irons exploram o presente registro como uma obra atual, debatendo ecologia, consumo e a interação entre os próprios humanos em composições como Planet For Sale e Universal Perspective.

Tamanha imposição “política” por parte da dupla, não apenas afasta o antigo diálogo “etéreo” com o Shabazz Places – ainda parceiros na faixa-título do disco -, como revela um acervo de novas (ou velhas) referências incorporadas pelas duas cantoras/rappers. A julgar pelo cruzamento continuo entre rima e canto, romantismo e temas urbanos, o álbum segue em divisão exata entre Erykah Badu (da série New Amerykah) e Missy Elliot (no clássico Supa Dupa Fly, de 1997). Sobram diálogos com a obra de Lauryn Hill, além de outras veteranas do Hip-Hop “feminino”. Continue reading

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Janelle Monáe & Jidenna: “Yoga”

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Como seria o trabalho de Janelle Monáe livre de todos os conceitos e referências temáticas de seus álbuns retrô-futurísticos? A resposta está no pop pegajosos de Yoga. Mais novo lançamento da cantora e compositora norte-americana, a faixa em parceria com o rapper/cantor Jidenna parece completamente distinta em relação ao trabalho da artista nos últimos cinco anos. Esqueça a música negra dos anos 1960/1970, com o novo single, Monáe prova ser capaz de replicar o mesmo som comercial de Beyoncé, Rihanna e todos os nomes de peso do R&B.

Batida quente, versos provocativos e refrão grudento, estes são os principais componentes da canção que parece pronta para as pistas. Infelizmente a nova faixa não faz parte de nenhum novo disco de Monáe. Trata-se de um dos fragmentos da coletânea Eephus (2015), um compilado de novos artistas (da música negra) apresentados pelo próprio selo da cantora, o Wondaland Arts Society.

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Janelle Monáe & Jidenna – Yoga

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Azealia Banks: “Ice Princess” (VÍDEO)

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As batidas, versos rápidos e ritmo crescente de 212 servem como um aviso: Azealia Banks é uma artista movida pela pressa. Em um intervalo de poucos meses desde a estreia com o primeiro single oficial, a rapper nova-iorquina despejou um bem sucedido EP – 1991 (2012) -, quase 20 composições inéditas dentro da mixtape Fantasea e toda uma avalanche de músicas avulsas, parcerias e remixes em diferentes plataformas da web. O motivo para tamanha euforia? Preparar o terreno e deixar o público aquecido antes do debut Broke With Expensive Taste.

Mesmo a ânsia de Banks e explícito desejo do público seriam insuficientes para atender às exigências do selo Interscope, antiga casa da rapper. Insatisfeita com o resultado do trabalho, a gravadora fez com que o disco inicialmente previsto para setembro de 2012 fosse constantemente alterado em estúdio, tendo a data de lançamento adiada por diversas vezes. Enfurecida, no Twitter a artista não economizou nos ataques ao selo, implorando publicamente para que fosse demitida ou contratada pela concorrente Sony. O resultado não poderia ser outro: a rapper acabou demitida da Interscope. Leia o texto completo.

Assista abaixo ao clipe de Ice Princess, uma das composições de Broke With Expensive Taste (2014) e trabalho dirigido pela WeWereMonkeys.

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Azealia Banks – Ice Princess

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Disco: “Future Brown”, Future Brown

Future Brown
Electronic/Experimental/Hip-Hop
http://futurebrown.com/

 

Uma sonoridade ampla em referências, porém, concisa. Esta talvez seja a melhor interpretação sobre o conceito que rege o homônimo álbum de estreia do Future Brown. Coletivo formado pelo produtor J-Cush – responsável pelo selo Lil City Trax -, Asma Maroof e Daniel Pineda – da dupla Nguzunguzu – e, também, pela musicista Fatima Al Qadiri, o projeto é um mosaico de ideias tão vasto, instável e experimental que, curiosamente, encontra na própria flexibilidade e pluralidade de ideias a base para um alinhamento coeso.

Da colaboração entre Maroof e Pineda – como Nguzunguzu -, é montado todo o esqueleto da obra. Um alicerce de encaixes minimalistas, fruto da utilização de batidas secas, típicas do Grime e UK Garage, além costuras eletrônicas que flertam (sem pudor) com a música negra do final dos anos 1980. Do trabalho (recente) de Al Qadiri em Asiatisch, de 2014, nascem as bases delicadas e toda a ambientação movida por sintetizadores etéreos, estrutura reforçada pelo colaborador J-Cush, possivelmente, o principal responsável pelo convite e distribuição do time de artistas que ocupam o restante da obra.

Com estrutura típica de mixtape, o registro se esquiva da apropriação de um único gênero ou fórmula. Trata-se de uma coleção de fragmentos pinçados de diferentes décadas, cenas e experimentos. Um passeio que começa pelos ensaios climáticos da Ambient Music, ainda nos anos 1970, flerta com o Lado B do Synthpop/Eletrônica na década seguinte, até mergulhar no Hip-Hop, R&B, IDM e toda uma variedade de essências que detalharam os últimos anos da década de 1990. Ao final, uma amarra complexa, moderna e íntima de cada colaborador – seja ele parte do coletivo, ou músico convidado.

Ora detalhado com suavidade, ora intenso, como uma extensão dos temas dançantes do Nguzunguzu, Future Brown é um registro que utiliza da própria esquizofrenia como uma ferramenta de sedução e constante diálogo com o ouvinte. Na primeira metade do disco, uma escadaria marcada por pequenas subidas e quedas rítmicas. Ferramenta ativa para o reforça no diálogo do quarteto com a parceira de longa data Tink, logo na inaugural Room 302 e, ainda, base para as rimas lançadas por nomes como Sicko Mobb, Shawanna e Timberlee, esta última, responsável pelo acerto no dancehall de No Apology. Continue reading

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