Tag Archives: Rap

Beatwise: “Years Anniversary Compilation”

Imagens VINIL_Frente

Já faz um tempo desde que ouvimos pela primeira vez os caras da Beatwise, antes mesmo do selo existir eles já estavam em nosso radar e playlist. De 2012 pra cá, eles lançaram uma penca de discos, faixas e remixes, provando que não só temos bons produtores no Brasil, como temos os melhores.

Fundada por Cesar Pierri (CESRV) e Diego Santos (Sants) tinham como principal objetivo documentar uma cena em andamento naquele momento, a nova geração de produtores brasileiros independentes de beats e suas ramificações. Hoje o selo conta com 19 lançamentos de distintas referências e oito artistas que são prata da casa. Mesmo assim, ainda não existe uma cena ou suporte suficiente para que músicas desse tipo ou qualquer gênero que corra fora da linha popular e do comum, seja compreendido e destacado, tão pouco possa ser rentável, mas eles mantêm nossos ouvidos sempre atentos com o melhor que há no estilo.

A pequena produtora de batidas paulistana, que lança gente de diversos locais do país, comemora mais um ano de vida em grande estilo, lançado seu primeiro disco de vinil, com oito faixas fresquinhas e cheias de grave. Com apoio da marca LRG Brasil, o desejo e o projeto do disco tomou forma, sendo financiado e promovido com a intenção de colaborar com a cultura local e criadores do gênero no qual o selo faz parte.

A Beatwise foca agora no relançamento do projeto Zambi, selo que nasceu das mãos do Sants e do produtor VINÍ, mas que a partir desse ano renasceu como sub-selo da BW, prometendo disseminar sons com perspectivas diferentes do label chefe. Interessou-se? O vinil estará disponível para compra, a partir de setembro por R$ 50,00 durante as apresentações do selo.

Ouça e baixe o catálogo da Beatwise no bandcamp abaixo:
https://beatwiserecordings.bandcamp.com/

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Vic Mensa: “All That Shines”

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Vic Mensa parece crescer a cada nova faixa. Dono de uma das melhores composições apresentadas em 2014, Down On My Luck, o artista original da cidade de Chicago, Illinois, deve apresentar pelos próximos meses o primeiro álbum de estúdio, Traffic. Mesmo sem data de lançamento, o trabalho que conta com distribuição pelo selo Roc Nation, do rapper Jay-Z, começa a tomar forma, revelando em faixas avulsas entregues por Mensa um pouco do que deve abastecer todo o álbum.

Mais recente composição assinada pelo rapper, All That Shines mantém firme todo o catálogo de elementos que apresentou o trabalho de Mensa. Versos rápidos, sintetizadores e um refrão melódico, naturalmente íntimo dos trabalhos de Kanye West no final dos anos 2000. Além de Mensa, Stefan Ponce, e Peter Cottontale assinam a produção da faixa. Ouça:

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Vic Mensa – All That Shines

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Disco: “Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa…”, Emicida

Emicida
Nacional/Hip-Hop/Rap
https://www.facebook.com/EmicidaOficial

Nunca antes Emicida pareceu tão esperançoso e ainda sóbrio quanto nas canções de Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa… (2015). Segundo trabalho em estúdio do paulistano, o registro de melodias descomplicadas e rimas “fáceis” é, como indicado pelo próprio rapper, um verdadeiro “Cavalo de Tróia”. Uma obra de sonoridade acessível, convidativa aos mais variados públicos, porém, ainda forte, agressiva, dona do mesmo discurso conciso que define a obra do artista desde a estreia com a mixtape Pra Quem Já Mordeu Um Cachorro Por Comida, Até Que Eu Cheguei Longe… (2009).

De forte apelo emocional, vide a abertura com a melancólica Mãe – “Uma vida de mal me quer, não vi fé / Profundo ver o peso do mundo nas costa de uma mulher” -, o presente disco, assim como o antecessor O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui (2013), nasce como um trabalho em que Emicida ultrapassa os limites da periferia de São Paulo para dialogar com os mais variados grupos de marginalizados. Mulheres, homossexuais, trabalhadores, dependentes químicos e, principalmente, os negros.

Cês diz que nosso pau é grande / Espera até ver nosso ódio”, aponta o rapper na pesada Boa Esperança, décima canção do disco e um eficiente resumo de toda a obra. Análise amarga sobre a situação dos negros no Brasil, a música, uma parceira com J. Ghetto, estreita a relação entre o período de escravidão e o presente cenário nacional. Fragmentos marcados por perseguições (“Por mais que você corra, irmão / Pra sua guerra vão nem se lixar”), desrespeito (“Médico salva? Não! / Por quê? Cor de ladrão”) e morte (“Meu sangue na mão dos radical cristão”).

Ainda assim, Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa… é uma obra marcada pelo forte aspecto “positivo” das rimas. Bom exemplo disso está nos versos doces, pueris, que definem a curtinha Amoras. “Entre amoras e a pequenina eu digo: As pretinhas são o melhor que há”, declama Emicida na metafórica composição escrita para a filha. Quase uma continuação da adorável Sol de Giz de Cera, faixa dividida com Tulipa Ruiz no último disco, a música de versos curtos e sorridentes serve de complemento ao coro de vozes apresentado em Casa – “O céu é meu pai / A terra, mamãe / E o mundo inteiro é tipo a minha casa”, possivelmente a faixa mais acessível (e comercial) do presente disco. Continue reading

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Danny Brown & Clams Casino: “Worth It”

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De um lado, as batidas lentas, arranjos sujos e experimentos (des)controlados, típicos da obra do norte-americano Clams Casino – produtor que já atuou ao lado de artistas como A$AP Rocky, Lana del Rey e Blood Orange. No outro oposto, os versos rápidos, também sujo s e descritivos, de Danny Brown, um dos principais nomes do Hip-Hop atual e dono de um dos 50 melhores discos internacionais de 2013, o insano Old.

Em parceria, a dupla entrega ao público a inédita Worth It. Não, não se trata de uma possível adaptação da faixa de mesmo nome lançada pelo coletivo pop Fifth Harmony, mas umas das canções que integram o catálogo 2015 da série Adult Swim Singles. No site do projeto, a lista completa de composições lançadas até agora, todas disponíveis para download gratuito. Além de Brown e Casino, nomes como Dawn Richard, Owen Pallett e Peaches abastecem o projeto.

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Danny Brown & Clams Casino – Worth It

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Rapper americano Talib Kweli se apresenta em São Paulo dia 07 de agosto

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A quinta edição da Jambox Music Experience, projeto dedicado ao turntablism, trará a apresentação única do rapper americano Talib Kweli, junto com o rapper brasileiro radicado na Flórida, NIKO IS, além de discotecagem dos DJs Sleep, integrante do grupo Haikaiss, E.B e do residente Nedu Lopes, na sexta-feira, dia 07 de agosto, a partir da 00h, no Superloft, em São Paulo.

Nascido no Brooklyn, com mais de 20 anos de carreira, Talib Kweli é considerado um dos melhores rappers do hip-hop americano, tendo sido homenageado por Jay-Z, na música “Moment of Clarity”. Sua arte ganhou notoriedade com a formação do duo Black Star com Yasiin Bey (Mos Def), onde juntos, produziram uma série de singles e o aclamado álbum “Mos Def & Talib Kweli Are Black Star”. Talib fez colaborações com artistas como Kanye West, Jay Z, Busta Rhymes, Common, Madlib, entre outros.

Além disso no dia 29 de julho, acontece o primeiro workshop de uma série, que nesta edição irá abordar “O atual cenário do lifestyle no Brasil”. O Workshop Series é um projeto aprovado pela Secretaria de Cultura de São Paulo e será apresentado pelo editor-chefe do The Hype BR, Lucas Penido, e após o bate-papo, haverá um “happy hour” com discotecagem de Nedu Lopes e Luisa Viscardi, com catering da The Dog Haus. As inscrições para participar do primeiro Workshop Series estão abertas, limitadas a 50 pessoas, que devem se inscrever por meio do link: http://thehypebr.com/workshop-series. Os interessados deverão enviar um formulário preenchido com nome, e-mail e respondendo a pergunta: “Porque você deseja participar da Workshop Series?”. As 50 melhores respostas serão convidadas para participar do evento.

A Jambox já trouxe artistas internacionais como Jazzy Jeff (EUA), Grandmaster Flash (EUA), DJ Angelo (UK), Skratch Bastid (CA) e Hedspin (CA). Os ingressos para o show já estão a venda e podem ser adquiridos pelo valor de R$ 50 (terceiro lote) através do link: http://www.jamboxme.com/ingressos/.

 

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Disco: “At. Long. Last. A$AP”, A$AP Rocky

A$AP Rocky
Hip-Hop/Rap/R&B
http://alla.asvpxrocky.com/

Parece difícil acreditar que o mesmo A$AP Rocky de At. Long. Last. A$AP (2015, RCA) seja também o responsável pela obscura mixtape Live. Love. A$AP, de 2011. Mutável, como um novo personagem a cada lançamento de estúdio, o artista nova-iorquino talvez tenha encontrado no segundo álbum de inéditas o projeto mais complexo e ainda comercialmente acessível de toda a carreira. Um jogo instável de rimas, batidas e bases tão tortas musicalmente, quanto polidas, moldadas para o publico médio.

Curva brusca em relação ao contexto “grandioso”, por vezes exagerado, do antecessor Long. Live. ASAP (2013), com o novo registro A$AP Rocky exibe uma colcha de retalhos perfeitamente alinhados. A cada nova composição, a explícita necessidade do artista em se reinventar, conceito que transporta o ouvinte para um cenário marcado pelo uso contínuo de debates raciais, abusos com drogas, amor e, claro, um detalhado passeio pelo universo de temas centrados na vida do próprio rapper.

Síntese coesa de toda a obra, L$D, quarta faixa do disco, traz de volta o mesmo catálogo de referências lisérgicas testadas pelo artista nova-iorquino desde as primeiras mixtapes. Em marcha lenta, como uma versão delicada (e psicodélica) de músicas como PMW (All I Really Need) e Purple Swag: Chapter 2, a canção aos poucos transporta o ouvinte para um cenário urbano, flutuando entre o romantismo confesso e a completa ausência de lucidez – “Eu procuro maneiras de dizer ‘eu te amo’ / Mas eu não estou em uma canção de amor / Baby, eu estou apenas fazendo rap para este LSD”.

Outro aspecto curioso de At. Long. Last. A$AP está no maior controle das rimas. Ainda que o uso dos versos seja visível, a estreita relação do artista com o R&B lentamente estimula a maior utilização do canto. Seja de forma tímida, como em Excuse Me, ou cercado de convidados, caso de Fine Whine, parceria com Future, M.I.A. e Joe Fox, o uso de vocais alongados, polidos pelo efeito do auto-tune se destaca. Mesmo a constante interferência do cantor e colaborador Joe Fox soa como um estímulo para esse resultado, ocupando possíveis lacunas em grande parte das faixas. Continue reading

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Emicida: “Mufete”

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As andanças de Emicida com o conterrâneo Criolo aproximaram ainda mais o rapper da própria essência africana. Em Mufete, inédita composição do segundo álbum de estúdio do paulistano, Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa (2015), um claro distanciamento dos temas urbanos reforçados em O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui (2013) e uma passagem – lírica e instrumental – para o continente africano.

Em meio a versos que aproximam São Paulo e o cenário além-mar, um jogo de palavras marcados pelo suingue e a crítica social. “Tá na cintura das mina de Cabo Verde / E nos olhares do povo em Luanda / Nem em sonho eu ia saber / Que cada lugar que eu pisasse daria um samba“, entrega o rapper em determinado momento da canção, faixa que ainda conta com um material em vídeo dirigido por Xuxa Levy e download gratuito pelo site da Natura Musical.

Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa (2015) será lançado em agosto.

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Emicida – Mufete

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Disco: “Surf”, Donnie Trumpet & the Social Experiment

Donnie Trumpet & the Social Experiment
Hip-Hop/Soul/Jazz
http://www.donnietrumpet.com/

Quantos artistas em carreira solo você conhece que seriam capazes de abandonar o próprio domínio autoral, nome e sonoridade para investir em um projeto coletivo? Poucos, correto? E se alterarmos o foco, apontando em direção o universo de egos e personagens reais que define o Hip-Hop norte-americano, quantos desses artistas teriam a coragem mudar a direção dos holofotes, atuando em segundo plano, como um possível “coadjuvante”?

A resposta é apenas uma: Chance The Rapper.

Depois de ser oficialmente apresentado ao mundo com a excelente mixtape Acid Rap, de 2013, o artista original da cidade de Chicago, Illinois, não apenas foi acolhido por parte da imprensa norte-americana, como partiu em direção ao grande público. Entre composições ao lado de James Blake, Lil Wayne, Skrillex e Madonna, o destaque acabou ficando por conta da parceria com Justin Bieber em Confident, uma das melhores criações do músico teen e a ponte para o imediato reconhecimento do rapper, cada vez mais disputado, cercado de colaboradores.

Em Surf (2015, Independente), primeiro álbum do artista dentro do projeto Donnie Trumpet & The Social Experiment, nada disso parece importar. Ainda que o nome do rapper seja utilizado para atrair a atenção do público, da abertura ao fechamento da obra, Chance assume apenas um “papel secundário”, como um coadjuvante funcional junto ao time de instrumentistas, cantores e outros responsáveis pelas rimas que interferem no processo criativo do trabalho.

Jogo de ritmos e fórmulas musicais propositadamente aleatórias, Surf vai do Soul ao Jazz, do Hip-Hop ao R&B romântico sem perder o controle. Ainda que o controle da obra esteja nas mãos do quinteto formado por Nico Segal (Donnie Trumpet), Chance The Rapper, Peter Cottontale, Greg Landfair Jr. e Nate Fox, a cada nova faixa, um time renovado de colaboradores. Interferências – líricas e instrumentais – que levam o disco até o Jazz de John Coltrane sem necessariamente cortar os laços com a recente cena montada por Flying Lotus e toda a soma de artistas da Costa Oeste dos Estados Unidos. Continue reading

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Disco: “Summertime ’06”, Vince Staples

Vince Staples
Hip-Hop/Rap/Alternative
http://www.vincestaples.com/

Se Summertime ’06 (2015, Def Jam) fosse apresentado ao público como filme, seria impossível desviar o olhar da tela, mesmo que por alguns poucos segundos. Com quase uma hora de duração, o álbum duplo que marca a estreia do rapper Vince Staples não apenas prende a atenção como perturba, transportando sem dificuldades a mente do ouvintes para o mesmo cenário em preto e branco dominado por gangues, assassinatos e conflitos do personagem (real) vivido por Staples durante a adolescência nas ruas de Long Beach, Califórnia.

Na trilha de Kendrick Lamar em Good Kid, M.A.A.D City (2012) e Earl Sweatshirt em Doris (2013), álbum que conta com a participação do rapper na faixa Hive, Summertime ‘06 sustenta na rima precisa de Staples uma passagem descomplicado para a rápida aproximação do ouvinte. Como o protagonista de uma película, Staples é o personagem que acompanha o público pela narrativa cinza da obra, um retrato nostálgico (e amargo) do anunciado “Verão de 2006”, período em que Staples, aos 13 anos, fez parte de uma gangue composta apenas por adolescentes.

Ao mesmo tempo em que cria uma narrativa obscura da própria juventude, Staples, de forma talvez propositada, lentamente articula uma obra que reflete a passagem de qualquer indivíduo para a vida adulta. Medo da morte, desilusões amorosas, convivência e depressão; elementos que escapam do ambiente temático da obra, abraçando com naturalidade os tormentos de qualquer indivíduo. Difícil não se identificar com versos como “Eu odeio quando você mente / eu odeio a verdade também”, fragmento certeiro do acervo espalhado pela densa Jump Off the Roof.

Estímulo para a construção do ambiente sombrio que cresce ao longo da obra, tanto as batidas como bases espalhadas pelo disco refletem o completo alinhamento de Staples e do time de produtores convidados. Da abertura com Lift Me Up, passando por Señorita, Surf e Hang n’ Bang, Summertime ‘06 mantém a proximidade dos arranjos. Mesmo a utilização de samples parece restrita, solucionando no loop seco das batidas e pianos soturnos a linha instrumental que amarra todo o trabalho. É fácil lembrar de Earl Sweatshirt ou mesmo dos primeiros álbuns de Jay-Z, registros orientados pelo mesmo conceito melódico. Continue reading

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Kendrick Lamar: “Alright” (VÍDEO)

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Kunta Kinte, Wesley Snipes, escravidão, capitalismo, apropriação de cultura, preconceito racial e morte. Antes mesmo que a quarta faixa de To Pimp a Butterfly (2015, Interscope / Aftermath / Top Dawg) chegue ao final, Kendrick Lamar assume com o novo álbum de estúdio – o segundo sob o aval de uma grande gravadora, a Interscope -, um dos retratos mais honestos sobre o conceito de “dois pesos, duas medidas” que sufoca a comunidade negra dos Estados Unidos. Uma interpretação amarga, ainda que irônica, capaz de ultrapassar o território autoral do rapper de forma a colidir com o universo de Tupac Shakur, Michael Jackson, Alex Haley e outros “personagens” negros da cultura norte-americana.

Como explícito desde o último trabalho do rapper, o bem-sucedido good kid, m.A.A.d city (2012),To Pimp a Butterfly está longe de ser absorvido de forma imediata, em uma rápida audição. Trata-se de uma obra feita para ser degustada lentamente, talvez explorada, como um imenso jogo de referências e interpretações abertas ao ouvinte. Da inicial citação ao ator Wesley Snipes – preso entre 2010 e 2013 por conta de uma denúncia de fraude fiscal -, passando por referências ao cantor Michael Jackson, Malcom X, Nelson Mandela, exaltações à comunidade negra, além de trechos da obra do escritor Alex Haley –  Negras Raízes (1976) -, cada faixa se espalha em um acervo (quase) ilimitado de pistas, costurando décadas de segregação racial dentro e fora dos Estados Unidos. Leia o texto completo.

Dirigido por Colin Tilley e filmado em preto e branco, Alright é o mais novo clipe de Kendrick Lamar a ser extraído do álbum To Pimp a Butterfly (2015). Assista:

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Kendrick Lamar – Alright

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