Tag Archives: Rap

Kendrick Lamar: “i”

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Quem conheceu o trabalho de Kendrick Lamar em Good Kid, m.A.A.d. City, talvez tenha se espantado com a sonoridade que acompanha o mais novo invento do rapper: i. Fuga evidente do ambiente “comportado” que grande parte das canções lançadas no álbum de 2012, a nova música – primeiro single do ainda inédito quarto álbum de Lamar – segue em direção ao mesmo território de Section.80 (2011), de fato, o primeiro grande trabalho do rapper.

Desenvolvida a partir da faixa That Lady, clássico do Funk/R&B lançado em 1964 pelo grupo The Isley Brothers, a canção assinada pelo produtor Rahki logo se transforma em um produto típico de Lamar. Trata-se da composição mais acessível do artista desde a boa recepção em torno de Bitch, Don’t Kill My Vibe, a música mais “comercial” do disco entregue em 2012. Ainda que a expectativa para o novo álbum do rapper seja grande, Lamar já informou em entrevista à revista Rolling Stone que o disco não deve estrear em 2014, o que faz de i um satisfatório aperitivo.

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Kendrick Lamar – i

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Azealia Banks: “Chasing Time”

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Quem esperava que a demissão de Azealia Banks do selo Interscope e natural regresso ao meio “independente” fosse surpreendido apenas por faixas ásperas, como Heavy Metal And Reflective, vai encontrar em Chasing Time a representação do lado mais pop da rapper/cantora. Passagem de Banks para Broke with Expensive Taste, o esperado primeiro álbum de estúdio da artista – agora reservado para 2015 -, a presente canção talvez seja o material mais fresco e acessível da norte-americana desde a estreia com o single 212.

Naturalmente instalada no mesmo ambiente nostálgico que apresentou o trabalho de Banks, Chasing Time soa tão próxima da década de 1990 como do recente cenário. Quase quatro minutos de vocalizações detalhadas, batidas limpas e um preciosismo nos arranjos que há muito não aparecia pelo trabalho da rapper.

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Azealia Banks – Chasing Time

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Disclosure: “Latch” (Feat. Schoolboy Q) (Remix)

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Das canções que recheiam Settle (2013), álbum de estreia do Disclosure, Latch parece ser a que mais seduziu o grande público. Em um lugar de destaque em diferentes paradas de sucesso e boa recepção em qualquer festa – experimente discotecar ela -, a parceria entre os irmãos Howard e o cantor Sam Smith resume de forma significativa todo o acervo “pop” da obra – uma imensa homenagem aos sons que marcaram a década de 1990. E que tal uma versão da mesma faixa em parceria com o rapper Schoolboy Q?

Por mais inusitado que possa parecer o encontro, é exatamente isso o “quarteto” apresenta na atual versão de Latch. Ainda que siga o ritmo natural da faixa, o “remix” abre espaço na chegada do último refrão para que os versos do rapper norte-americano tenham destaque. Uma interferência rápida, porém, satisfatória. Enquanto o Disclosure segue na produção do novo álbum de Mary J. Blige, Schoolboy Q continua com a divulgação de Oxymoron (2014), trabalho apresentado no começo do ano.

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Disclosure – Latch (Remix) (Feat. Schoolboy Q)

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SBTRKT: “Voices in My Head” (Feat. A$AP Ferg & Warpaint)

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Pelo visto o produtor Aaron Jerome não quer mais perder tempo na divulgação de Wonder Where We Land (2014), novo (e ainda inédito) disco do SBTRKT. Um dia depois de apresentar a ótima Higer, parceria gerada com o rapper Raury, o britânico já está de volta com mais uma nova composição. Faixa de encerramento do novo disco, Voices in My Head é mais do que um melancólico ato de encerramento, mas a canção mas distinta já lançada por Jerome dentro do escasso material do novo disco.

Com quase cinco minutos de duração, a nova faixa é mais uma assertiva prova da relação do produtor e seus convidados, neste caso, A$ap Ferg e parte das garotas do Warpaint. Enquanto o rapper assume com naturalidade as rimas e até mesmo os cantos da criação, o grupo norte-americano assume a responsabilidade e passa a controlar parte do arranjo desenvolvido para a faixa. O resultado está em um cruzamento inevitável entre a obra de Ferg em Trap Lord (2013) com o Dub/Dream Pop do segundo álbum do Warpaint, lançado no começo deste ano.

Com distribuição pelo selo Young Turks, Wonder Where We Land estreia no dia 22 de setembro.

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SBTRKT – Voices in My Head (Feat. A$AP Ferg & Warpaint)

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Disco: “Gana Pelo Bang”, Lurdez da Luz

Lurdez da Luz
Hip-Hop/Rap/Pop
http://www.lurdezdaluz.com/

Por: Cleber Facchi

Lurdez da Luz está longe de ser uma iniciante. Mesmo que o primeiro trabalho solo da rapper paulistana seja apresentado somente agora, Gana Pelo Bang (2014, YB Music), são quase duas décadas de projetos em parceria, colaborações e toda uma bagagem imensa de composições – experiência raramente igualada dentro do produção brasileira. Da parceria com Rodrigo Brandão no Mamelo Sound System, passando pela série de faixas ao lado de diferentes nomes do rap nacional – ou mesmo além dele, como Lucio Maia e Garotas Suecas -, maturidade é o que não falta para a presente “debutante”,  aspecto refletido na segurança do novo lançamento de estúdio.

Norteado pela mesma composição do EP homônimo de 2010, o trabalho de 10 faixas aos poucos se distancia da atmosfera inicial lançada por Da Luz, revelando ao público um material totalmente inédito. Mais do que um olhar atento sobre a periferia de São Paulo, Gana Pelo Bang dialoga de forma explícita com diferentes cenários, pessoas e principalmente ritmos nacionais. Uma espécie de passeio pela periferia brasileira sem necessariamente fugir do território urbano/cinza há décadas sustentado pela rapper – liricamente versátil em toda a construção do álbum.

Parte dessa carga de referências flutua com naturalidade na composição instrumental do disco. Funk carioca em Mente Aê, ritmos nordestinos no interior de Ping Pong e até passagens fragmentadas pela cultura nortista – como as variações de Technobrega na romântica Beijinho. Postura inédita para quem descobriu o trabalho da rapper no EP de 2010, grande parte dessa colagem de referências antecede a fase solo de Da Luz, esbarrando em temas e pequenas imposições musicais já alcançadas em Velha-Guarda 22 (2006), ainda com o Mamelo Sound System.

A diferença talvez esteja no ritmo (sempre) intenso dado ao disco, efeito reforçado pelo time de produtores que trabalham de forma cooperativa ao longo de toda a obra. Com Leo Justi, Nave e a dupla Stereodubs como produtores do álbum, Da Luz segue em ritmo frenético até o último instante do trabalho. Tão intenso (Fervo), quanto dançante (Poder), o disco cresce como uma colisão de temas, samples e batidas propositadamente instáveis, matéria volátil aos poucos amarrada pela rima firme e ainda melódica da rapper. Continue reading

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Disco: “Angels & Devils”, The Bug

The Bug
Electronic/Hip-Hop/Dubstep
http://ninjatune.net/us/artist/the-bug

Por: Cleber Facchi

Poucos trabalhos resumem de forma tão expressiva a cena britânica da última década quanto London Zoo. Terceiro álbum de estúdio de Kevin Martin à frente do The Bug – um dos inúmeros projetos paralelos do artista -, o registro lançado em julho de 2008 se espalha como uma verdadeira colcha de retalhos instrumentais. Dub, dancehall, dubstep, grime e Hip-Hop; referências ainda presentes na assinatura musical do produtor, porém encaradas sob novo detalhamento no recente Angels & Devils (2014, Ninja Tune).

Natural continuação da sonoridade lançada por Martin em Filthy EP, de 2013, o novo álbum cresce como um registo voltado em essência no Hip-Hop, costurando aleatoriamente os temas ressaltados anteriormente pelo produtor. Trata-se de uma obra feita para desbravar territórios, capaz de dialogar com diferentes cenas/tendências urbanas ao redor do globo, porém, sem escapar das imposições autorais do próprio criador.

Parte dessa pluralidade reside na busca de Martin por colaboradores alheios à cena britânica – posição ressaltada no zoológico de espécies locais do trabalho passada. São representantes de peso da música norte-americana (Death Grips, Gonjasufi), germânica (Inga Copeland), além, claro, de parceiros que marcaram presença em grande parte do álbum de 2008 – caso específico de Warrior Queen e Flowdan. Curiosa também é a inclusão de nomes como Liz Herris (Grouper) e outros instrumentistas externos ao ambiente “natural” do artista, forçando ainda mais o aspecto amlpiado da obra.

Musicalmente ponderado em relação ao campo imenso explorado em London Zoo, Angels & Devils é uma obra que mantém sob controle toda a estrutura dos arranjos e bases assinadas por Martin – ou mesmo seus colaboradores. Grande parte das composições parecem impulsionadas por uma mesma concepção rítmica, sonoridade explícita no uso das texturas ainda mais densas, sobrepostas ao uso de batidas limpas, além do expressivo espaço para os vocais. Entretanto, como a dualidade do próprio título resume, dois espaços distintos crescem no interior do trabalho. Continue reading

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Kelela: “OICU” (Feat. Le1f)

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Ainda que pareçam atuar em direções opostas, a base para o trabalho de Kelela e Le1f sempre foi a mesma. Dos arranjos e batidas eletrônicas limpos – típicos dos anos 1990 -, ao uso comum de temas fragmentados entre o rap e o R&B, o duo norte-americano se encontra agora para dividir os próprios sentimentos na inédita OICU, um resumo coeso do som projetado pela dupla nos últimos dois anos.

Com produção assinada por P. Morris, a faixa parece movida pelos contrastes. De um lado, a rima lenta e suja do rapper nova-iorquino, no outro, as vocalizações densas, íntimas do som projetado pela cantora em Cut 4 Me (2013). Expressão vocal e lírica do que há de mais coeso no trabalho solo de cada artista, OICU bem poderia servir de passagem para um álbum/EP inteiro de faixas partilhadas entre a dupla.

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Kelela – OICU (Feat. Le1f)

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Azealia Banks: “Heavy Metal And Reflective”

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Lançada há poucos dias, Heavy Metal And Reflective é a composição escolhida por Azealia Banks para celebrar o rompimento com a Interscope, antigo selo da rapper.

Agora transformada em clipe, a canção afasta a artista da temática esquizofrênica dos últimos vídeos, transportando Banks para um cenário desértico e tomado por motociclistas. A direção do clipe é de Rob Soucy e Nick Ace.

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Azealia Banks – Heavy Metal And Reflective

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Disco: “Lese Majesty”, Shabazz Palaces

Shabazz Palaces
Experimental/Hip-Hop/Psychedelic
http://www.shabazzpalaces.com/

Por: Cleber Facchi

A grande beleza de Black Up (2011), registro de estreia do Shabazz Palaces, sempre esteve na ausência de linearidade da obra. Da abertura, em Free Press And Curl, até alcançar a derradeira Swerve…, a corrupção de ideias lançadas por Ishmael Butler e Tendai Maraire forçaram o ouvinte a atravessar diferentes esferas musicais, sem que isso resultasse em uma experiência confusa. Ainda que o Hip-Hop seja a base do trabalho sustentado pela dupla, cada segundo dentro da obra revela mutação, proposta mantida em Lese Majesty (2014, Sub Pop), porém, parcialmente adaptada dentro de uma nova estrutura.

Desenvolvido em cima de 18 composições inéditas, o novo álbum reforça organização, rompendo com o caráter abstrato do trabalho anterior de forma a solucionar uma obra dividida em sete “suites” (ou blocos) diferentes. Entretanto, a principal mudança dentro do presente disco não está no efeito “ordenado” das canções, mas na temática que parece dissolvida de forma precisa ao longo de toda a obra.

Assim como em Black Up ou mesmo nos dois primeiros EPs da dupla – Shabazz Palaces e Of Light, ambos de 2009 -, as viagens pelo espaço e outros elementos típicos dos livros / filmes de Ficção Científica recheiam com liberdade o conteúdo da obra. São músicas como Solemn Swears e Harem Aria em que a rima soterrada de Butler atenta de forma decidida para a psicodelia. Um reforço para o caráter essencialmente etéreo que habita em grande parte das composições da dupla.

Como um passeio pelo cosmos, Lese Majesty, mais do que Black Up, é uma obra conduzida pela sutileza musical de Maraire. Tendo no “espaço” o ponto central do disco, o produtor resgata desde ruídos expostos em clássicos Sci-Fi na década de 1970, até homenagens ao trabalho de veteranos do Krautrock / Ambient Music, também lançados no mesmo período. Por todos os cantos da obra borbulham referências à obra de Brian Eno, Tangerine Dream e até figuras esquecidas da New Age. Logo, a julgar pelos sete “capítulos” do álbum, não seria errado afirmar que o Shabazz Palaces transformou o trabalho em uma lisérgica novela musicada, ou mesmo em um filme psicodélico de ficção científica, deixando que as imagens sejam projetadas na cabeça do espectador. Continue reading

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R&B 90’s: 12 Discos Essenciais

Por: Cleber Facchi

Em um cenário dominado por gigantes do Rock Alternativo – Nirvana, Pearl Jam – e pequenos duelos que abasteceram o Britpop – Oasis, Blur -, quem realmente conquistou o público na década de 1990 foram os entusiastas do R&B. Abastecidos pelas referências criadas por nomes como Marvin Gaye, Stevie Wonder, Prince e outros artistas influentes das décadas de 1970/1980, um time de novatos tomou o topo das principais paradas de sucesso, apresentando alguns dos principais exemplares da música negra do período.

Entre artistas cultuados como D’Angelo, Lauryn Hill e nomes comerciais como Mariah Carey, Aaliyah e TLC, voltamos duas décadas no tempo para resgatar 12 obras essenciais do R&B nos anos 90. Trabalhos que se entregam ao Pop, como The Writing’s on the Wall (1999), do Destiny’s Child, ou mesmo obras como Baduizm (1997), de Erykah Badu, capazes de referenciar o trabalho de veteranos e ainda assim manter o toque atual. Uma dúzia de obras marcadas pela sensualidade, versos confessionais e batidas que colam nos ouvidos em segundos.  Continue reading

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