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R&B 90′s: 12 essenciais para conhecer o gênero

Em um cenário dominado por gigantes do Rock Alternativo – Nirvana, Pearl Jam – e pequenos duelos que abasteceram o Britpop – Oasis, Blur -, quem realmente conquistou a década de 1990 foram os entusiastas do R&B. Abastecidos pelas referências que abasteceram nomes como Marvin Gaye, Stevie Wonder, Prince e outros artistas influentes das décadas de 1970/1980, um time de novatos tomou o topo das principais paradas de sucesso e, ao mesmo tempo, solucionaram alguns dos principais exemplares da música negra do período.

Entre artistas cultuados como D’Angelo, Lauryn Hill e nomes comerciais como Mariah Carey, Aaliyah e TLC, voltamos duas décadas no tempo para resgatar 12 obras essenciais do R&B nos anos 90. Trabalhos que se entregam ao Pop, como The Writing’s on the Wall (1999), do Destiny’s Child, ou mesmo obras como Baduizm (1997), de Erykah Badu, capazes de referenciar o trabalho de veteranos e ainda assim manter o toque atual. Uma dúzia de obras marcadas pela sedução, versos confessionais e batidas que colam nos ouvidos em segundos.

http://www.brookenipar.com/content/02-music/19-azealia-banks-2/02-azealia-banks.jpg

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Quase dois anos depois de ser convidada a ingressar ao catálogo da Interscope, selo que a demitiu há poucos dias, Azealia Banks aparece agora com o primeiro invento pós-libertação. Intensa e curtinha, Heavy Metal And Reflective, é tudo aquilo que a rapper já havia testado na primeira mixtape, colecionando rimas sujas e batidas pouco mergulham no teor comercial do primeiro single de sucesso, 212.

Urgente, a faixa foi lançada no Twitter de Azealia, que deve lançar o clipe da composição no ainda no começo de agosto. Para quem estava com saudades de Banks, a nova faixa segue a trilha de Luxury de demais singles lançados em 2012, reforçando o caráter complexo / acessível da rapper, que deve acompanhar a turnê do Interpol nos próximos meses. Eu não me surpreenderia com um registro na íntegra nos próximos meses.

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Azealia Banks – Heavy Metal And Reflective

http://cdn.stereogum.com/files/2014/04/Movement-cover.jpg

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O sexo parece ser a base do trabalho lançado pelo trio Movement. Inspirados pelo Trip-Hop e toda a base de referências apresentadas na década de 1990 (e além), o trio australiano fez de cada música do autointitulado EP uma ponte para a sexualidade. Exemplar bem sucedido (e hipnótico) disso está em Ivory, uma das canções do último trabalho e resumo autêntico de tudo o que a banda conquistou até agora.

Originalmente apresentada em meados de abril, a canção usa do teor erótico da batidas e arranjos de forma a comandar o próprio clipe. Dirgido por Fleur&Manu, o trabalho aos poucos deixa os limites do casal escolhido para o registro de forma a se aproximar do espectador, seduzido pelas imagens e batidas lentas projetadas ao longo de todo o trabalho. Talvez não seja bom assistir ao clipe no trabalho ou acompanhado de algum familiar.

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<iframe src=”//player.vimeo.com/video/101720068″ width=”500″ height=”281″ frameborder=”0″ webkitallowfullscreen mozallowfullscreen allowfullscreen></iframe> <p><a href=”http://vimeo.com/101720068″>Movement – Ivory (NSFW)</a> from <a href=”http://vimeo.com/modularpeople”>Modular People</a> on <a href=”https://vimeo.com”>Vimeo</a>.</p>

Movement – Ivory

Em um cenário dominado por gigantes do Rock Alternativo – Nirvana, Pearl Jam – e pequenos duelos que abasteceram o Britpop – Oasis, Blur -, quem realmente conquistou a década de 1990 foram os entusiastas do R&B. Abastecidos pelas referências que abasteceram nomes como Marvin Gaye, Stevie Wonder, Prince e outros artistas influentes das décadas de 1970/1980, um time de novatos tomou o topo das principais paradas de sucesso e, ao mesmo tempo, solucionaram alguns dos principais exemplares da música negra do período.

Entre artistas cultuados como D’Angelo, Lauryn Hill e nomes comerciais como Mariah Carey, Aaliyah e TLC, voltamos duas décadas no tempo para resgatar 12 obras essenciais do R&B nos anos 90. Trabalhos que se entregam ao Pop, como The Writing’s on the Wall (1999), do Destiny’s Child, ou mesmo obras como Baduizm (1997), de Erykah Badu, capazes de referenciar o trabalho de veteranos e ainda assim manter o toque atual. Uma dúzia de obras marcadas pela sedução, versos confessionais e batidas que colam nos ouvidos em segundos.

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Boyz II Men
II (1994, Motown)

De todos os projetos que abasteceram o R&B dos anos 1990, poucos são tão caricatos quanto o Boyz II Men. Produto típico do período, o projeto nada mais é do que um coletivo de vocalistas inclinados a revisitar a essência da música negra. Pertencentes ao casting da Motown – por onde passaram Michael Jackson e Marvin Gaye -, o grupo da Filadélfia fez do segundo álbum de estúdio, II, sua obra mais duradoura e influente de todo o período. Entusiasmados pelo sucesso do single End of the Road, que havia alcançado o 1º lugar de diversas paradas de sucesso, o grupo se trancou em estúdio no final de 1993 para só aparecer no ano seguinte com o maior cardápio de hits Boyz II Men. Com a dinâmica Thank You na abertura do álbum, estava anunciada a proposta do trabalho, dividido entre composições puramente românticas (I’ll Make Love to You), e canções marcadas pela dança (U Know). Mesmo em atuação e com uma série de discos lançados, o projeto comandado pelo trio Nathan Morris, Shawn Stockman e Wanya Morris ainda não conseguiu superar musicalmente o acervo conquistado no segundo álbum da carreira.

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TLC
CrazySexyCool (1994, LaFace/Arista)

A boa repercussão comercial em cima do debut Ooooooohhh… On the TLC Tip (1992) fez com que a gravadora prestasse mais atenção nas garotas do TLC. Além de investir na maior divulgação do trio – Rozonda “Chilli” Thomas, Tionne “T-Boz” Watkins e Lisa “Left Eye” Lopes -, o selo não poupou esforços na produção do segundo álbum de estúdio, efeito perceptível no cuidado e na maturidade (lírica e instrumental) que ecoa por todo CrazySexyCool. Cravejado de hits – entre eles Creep, Red Light Special e Waterfalls -, o álbum segue em direção contrária ao exercício testado no primeiro disco, reforçando o teor provocativo e o caráter sexual criado em torno do trio. Com participações de Busta Rhymes, André 3000 (Outkast) e Phife Dawg, o disco se divide do primeiro ao último acorde entre faixas dançantes (Kick Your Game) e composição essencialmente sedutoras (Diggin’ on You), acertado em cheio o grande público. O resultado não poderia ser outro: CrazySexyCool passou dois anos em destaque nas principais paradas de sucesso, vendeu 23 milhões de cópias ao redor do mundo e ainda posicionou o TLC no grupo dos gigantes do R&B.

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Mary J. Blige
My Life (1994, Uptown)

Mary J. Blige é dona de um catálogo invejável de obras lançadas nos anos 1990. Do bem sucedido debut What’s the 411? (1992), passando por Share My World (1996), até alcançar o sóbrio Mary (1999), cada disco assinado pela nova-iorquina transmite confissão e plena maturidade. Todavia, mesmo dentro desse universo de obras memoráveis, poucos trabalhos da cantora refletem a mesma carga de acertos do melancólico My Life. Autobiográfico e fragmentado entre o Hip-Hop e o R&B, o segundo álbum solo de Blige é um passeio pela vida conturbada da artista durante o período em que foi composto. Separação, problemas com as drogas, depressão e medo, cada faixa do trabalho usa de uma série de artifícios contidianos da cantora para crescer lírica e sentimentalmente. Comandado por Puff Daddy, o disco concentra algumas das composições mais importantes da carreira da Blige, caso de Be Happy, I Never Wanna Live Without You e I’m Goin’ Down, faixas que transportaram a cantora para o topo das paradas de R&B/Hip-Hop da época e parecem tão atuais hoje, quanto na época em que foram lançadas.

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D’Angelo
Sugar Brown (1995, EMI)

Os detalhes se espalham por toda a composição de Sugar Brown. Registro de estreia do cantor e multi-instrumentista D’Angelo, o álbum lançado em julho de 1995 levou um ano até ser finalizado, efeito do isolamento do músico – responsável pela gravação de praticamente todos os instrumentos do disco, bem como pela assinatura dos arranjos que o definem. O resultado está impresso em uma obra intimista, propósito que inicia na autointitulada música de abertura e segue em meio a composições como Alright e Smooth. Carregado de referências aos clássicos do R&B / Soul da década de 1970 – principalmente Al Green e Prince -, Sugar Brown foi todo concebido a partir de instrumentos vintage e aparelhos de gravação analógicos, o que explica o caráter “empoeirado” impregnado em cada falsete ou acorde do disco. Registro mais importante do gênero durante o período, a estreia de D’Angelo não apenas foi bem recebida pela crítica, como viu o público levar músicas como Cruisin’ e Lady para as principais paradas de sucesso da época. Influência para Erykah Badu, Lauryn Hill e outros nomes de peso do período, Sugar Brown é a base para toda a geração do Neo-Soul nos anos 2000 – como Justin Timberlake e Janelle Monáe -, além de servir como base para o também brilhante Voodoo (2000).

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Groove Theory
Groove Theory (1995, Epic)

A estreia do Groove Theory é o típico caso de um disco que não chegou a alcançar o grande público, mas conquistou e influenciou um grupo importante de seguidores fieis. Aos comandos de Bryce Wilson, produtor executivo e principal compositor do trabalho, o registro é uma coleção de temas ora melancólicos, ora sedutores, típicos do R&B da época. A diferença em relação ao abrangente time de cantores e grupos que ocupavam a música da época está no completo minimalismo da obra, orquestrada por Wilson e traduzida nos vocais de Amel Larrieux. Longe da gama de registros referenciais, a autointitulada estreia é uma obra atenta ao próprio tempo, sonoridade traduzida nas batidas eletrônicas e colagens sintéticas – por vezes íntimas do Trip-Hop. Mesmo com faixas voltadas ao grande público – caso de Baby Luv e Keep Trying -, o disco nunca ultrapassou a atmosfera tímida que havia construído, fugindo das massas para atingir nomes como Beyoncé e Mary J. Blige. Com a saída de Larrieux, em 1999, Wilson até tentou seguir com o projeto, abandonado em 2000 durante a produção de The Answer.

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R. Kelly
R. Kelly (1995, Jive/Zomba)

Enquanto D’Angelo transformou Sugar Brown em uma obra nostálgica, transportando a música negra para o passado, ao alcançar o segundo disco solo no mesmo ano, R. Kelly manteve os dois pés no presente. Urbano, o registro apresentado em novembro de 1995 é um passo além em relação ao que o cantor havia testado em 12 Play, de 1993, ou mesmo em relação ao pop Born into the 90′s (1990), registro em parceria com o Public Announcement. Trata-se de uma obra confessional, tecida por romantismo (Not Gonna Hold On), sensualidade (You Remind Me Of Something) e todas as ferramentas líticas necessárias para um trabalho bem sucedido do gênero. Dosando a sutileza das vozes e bases com elementos típicos do Hip-Hop, Kelly cria um ambiente coeso para que nomes como The Notorious B.I.G. possam circular pela obra – preferência reforçada no sucessor R. (1998). Com críticas favoráveis e comparações ao trabalho de Marvin Gaye e Prince, Kelly ainda veria o trabalho alcançar o topo das paradas de sucesso, encontrando na atmosfera delicada o caminho seguro para toda uma sequência de obras que seriam lançadas nos anos 2000.

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Mariah Carey
Daydream (1995, Columbia)

Butterfly (1997) pode até ser o grande sucesso comercial de Mariah Carey na década de 1990, contudo, é no interior de Daydream que sobrevivem algumas das faixas mais significativas da carreira da cantora. Inaugurado pelo toque dançante de Fantasy - música que resgata samples de Genius of Love do Tom Tom Club -, o quinto álbum de Carey dosa instantes de evidente comunicação com o pop, caso de Always Be My Baby, e faixas que se acomodam no típico cenário do R&B da época, vide a parceria com o Boyz II Man em One Sweet Day. Grandioso, o álbum sobrepõem uma sequência rara de faixas essencialmente comerciais e ainda assim distantes de qualquer teor descartável. Da abertura quente, passando por composições mais lentas (Underneath the Stars), faixas orquestrais (When I Saw You) e até criações de arranjos minimalistas (Melt Away), cada música espalhada pelo registro reforça o perfumada dos sentimentos de Carey, pela primeira vez responsável por grande parte dos versos encaixados no disco. Ponto de partida para o ápice comercial da artista, Daydream é o registro que marca a transformação e explícita maturidade de Carey, pronta para seduzir o grande público.

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Maxwell
Maxwell’s Urban Hang Suite (1996, Columbia)

Se Erykah Badu carrega o título de “rainha do Neo Soul” e D’Angelo o de “rei”, então Maxwell talvez seja o “príncipe” responsável por todas as mudanças que orientaram a música negra nos anos 1990. Naturalmente inclinado a produzir uma obra autoral, o multi-instrumentista original de Nova York fez do debut Maxwell’s Urban Hang Suite uma espécie de regresso aos bons anos da Funk Music na década de 1970. Sedutor, o disco recicla de forma transformada uma série de conceitos antes apresentados por Marvin Gaye, Curtis Mayfield e Barry White, fazendo da voz de Maxwell o ponto central da obra. Conceitual (e ao mesmo tempo autobiográfico), o álbum acompanha todo o ciclo de um casal, partindo do primeiro encontro (Welcome), até o desfecho triste que surge nas últimas faixas do disco. Curioso observar que mesmo o hermetismo proposital da obra não custou a impressionar o público. Com boas vendas, Maxwell’s Urban Hang Suite garantiu ao músico uma série de obras assertivas – todas elas guiadas pelo mesmo tratamento dado ao debut.

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Aaliyah
One in a Million (1996, Blackground, Atlantic)

A forte relação com o Hip-Hop, expressa logo no debut Age Ain’t Nothing but a Number, de 1994, surge delicadamente adaptada em One in a Million. Segundo registro em estúdio de Aaliyah, o álbum ecoa letargia em meio a experimentos atípicos para o R&B plástico que crescia na época. Produzido e composto em grande parte pela dupla Missy Elliott e Timbaland, o registro transforma a cantora nova-iorquina em uma assertiva ferramenta, conduzida de forma precisa a cada novo ato do trabalho. Econômico, o disco borbulha samples sutis e batidas encobertas pelo grave, espalhando de forma aleatória elementos percussivos assinados pelo brasileiro Paulinho da Costa. Ainda que acompanhada por nomes como Slick Rick (Got to Give It Up) e Treach (A Girl Like You), além dos próprios produtores do álbum em algums faixas, One in a Million é um disco em que a voz da cantora que se destaca em essência. Entre músicas provocantes (Hot Like Fire) e confessionais (The One I Gave My Heart To), Aaliyah viria a estabelecer as bases para toda a nova safra de representantes do Soul/R&B.

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Erykah Badu
Baduizm (1997, Kedar/Universal)

Em um sentido oposto ao que direcionava o R&B no final da década de 1990 – cada vez mais eletrônico e eufórico -, Erykah Badu apareceu com o primeiro álbum de estúdio acomodada em arranjos minimalistas e vozes límpidas. Intitulado Baduizm, o tratado de 14 faixas – algumas delas pequenas vinhetas – é uma fuga parcial das experiências alcançadas no Soul da década de 1970, bebendo diretamente dos clubes de Jazz e outras referências instaladas nos primórdios da música negra – vide a presença do jazzista Bobby Bradford. A linha de baixo segura parece servir de base para a voz hipnótica da cantora, sempre a destilar os próprios sentimentos em composições como No Love, Otherside of the Game e demais blocos melancólicos da obra. Ponto de partida para a série de registros que dariam vida ao Neo Soul, Baduizm é uma obra de encontros. Ainda que o caráter nostálgico das vozes, temas e arranjos transportem o ouvinte ao passado, parte significativa da obra se mantém voltado ao presente da época em que foi lançado. Não por acaso nomes como The Roots e outros músicos da época passeiam pelo registro, forçando Badu a se dividir por entre diferentes décadas e tendências.

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Lauryn Hill
The Miseducation of Lauryn Hill (1998, Columbia)

Por mais que The Miseducation of Lauryn Hill seja encarado como o primeiro álbum da carreira de Lauryn Hill, considerar a cantora/rapper uma iniciante em 1998 seria um erro brutal. Outrora integrante do coletivo Fugees e colaboradora frequente em uma série de obras lançadas nos anos 1990, Hill encontrou no próprio debut um espaço para comprovar toda a maturidade que havia acumulado. Carregado por referências e temas autobiográficos, o disco é um passeio por pela trajetória da artista, indo dos corais de música gospel que a artista frequentou na infância, passando pelos flertes com o reggae do Fugees, até o espaço conquistado dentro da cena Hip-Hop. Único registro em estúdio de Hill, The Miseducation… é a casa de um grupo de faixas que acertaram em cheio o grande público – Everything Is Everything e Doo Wop (That Thing) – e ao mesmo tempo obrigaram a crítica a se curvar perante a cantora. Resumo não intencional de tudo o que definiu a produção do período, o trabalho ainda abre passagem para que D’Angelo, Mary J. Blige e outros personagens relevantes da época circulem com liberdade, tirando Hill do isolamento da própria obra.

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Destiny’s Child
The Writing’s on the Wall (1999, Columbia)

Dos cinco registros em estúdio lançados pelo Destiny’s Child, The Writing’s on the Wall talvez seja o álbum que melhor traduz a proposta e a plena colaboração do coletivo texano. Menos “controlado” em relação ao debut apresentado um ano antes, o registro de 1999 comprova o acerto na maior participação e interferência do grupo de vocalistas – na época formado por Beyoncé Knowles, LaTavia Roberson, Kelly Rowland e LeToya Luckett -, assumindo parte dos versos e produção da obra. Claro que comandar as rédeas do trabalho não distanciou as garotas de um típico exemplar da música pop. A julgar pela boa repercussão em cima dos quatro singles - Bills, Bills, Bills, Bug a Boo, Say My Name e Jumpin, Jumpin -, o segundo trabalho em estúdio do grupo é o mais acessível comercialmente e, ainda hoje, o mais lembrado pelos fãs. Parte do acerto do registro vem do time de produtores encabeçado por Missy Elliott, além, claro, da própria Beyoncé, capaz de resumir aspectos que viriam a ser reforçados no debut solo Dangerously in Love (2003).

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Rustie: “Attak” (ft. Danny Brown)

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Em 2013, quando apresentou ao público o terceiro (e intenso) trabalho de estúdio, Old, Danny Brown apareceu cercado por um time de jovens produtores ao longo do toda a obra. Entre os destaques do trabalho, o britânico Rustie, responsável pelas bases de Side B (Dope Song), Break It (Go) e Way Up Here, algumas das melhores faixas do segundo lado do registro. Partindo do mesmo conceito, rapper e produtor se encontram mais uma vez para solucionar as bases e versos da inédita Attak.

Uma das composições que abastecem o ainda inédito Green Language (2014), segundo trabalho de estúdio do artista inglês, Attak é uma faixa que pode ser traduzida em uma só palavra: intensa. Carregada de sintetizadores pegajosos e tomada por uma atmosfera “veranil”, a faixa estende tudo aquilo que Rustie já havia testado no debut Glass Swords (2011), aproximando o produtor de uma sonoridade visivelmente comercial, próxima do ouvinte médio. Com lançamento pelo selo Warp, Green Language estreia no dia 26 de agosto.

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Rustie – Attak (ft. Danny Brown)

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Future: “Rock Star” (Feat. Nicki Minaj)

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Definitivamente tem sido um bom ano para Future. Autor de um dos grandes exemplares do Hip-Hop em 2014, o rapper aparece agora com mais uma nova e bem sucedida composição. Intitulada Rock Star, a faixa excluída do elogiado Honest não apenas repete as melodias, batidas e todos os acertos do registro, como ainda reforça o lado mais comercial do artista – sempre reservado para as canções em parceria com outros representantes do R&B, rap e pop estadunidense.

Ao lado da cantora/rapper Nicki Minaj, Future revela uma faixa que parece feita para as pistas, resgatando desde elementos das próprias mixtapes, como referências lançadas no último trabalho de estúdio da esposa, a cantora Ciara. Bem que ela poderia ter entrado em Honest, não?

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Future – Rock Star (Feat. Nicki Minaj)

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Samples & Noodles #11

Por: Rafael Hysper

Samples & Noodles

► Pode parecer que você esteja ouvindo um disco do SBTRKT, do Jamie XX, ou até do Radiohead, mas o artista aqui em questão é carioca, e seu trabalho é bem autentico em certo ponto. Estamos falando do produtor Jose Hesse, mais conhecido como Kinkid, que traz seu primeiro álbum. Dividido em oito faixas cheias de melodias experimentais e vocais sombrios, o produtor mostra canções bem elaboradas, faixas que buscam contar uma historia ou um sonho. O produtor destaca-se neste trabalho, que, por sinal, foi muito produzindo com a ajuda do de outro produtor carioca, o Manara – ambos do selo Domina. Destaque para as faixas You Needy, Let It Go e Like This, ouça e baixe todas as canções no bandcamp do selo.

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► Já em São Paulo, recentemente foi lançado o novo clipe do Plano B, membro do grupo de hip-hop Hó Mon Tchain. No final do ano passado ele lançou o primeiro álbum solo, Montanha Russa, e na divulgação do disco ele lançou o clipe da faixa Esse é o Plano. O vídeo é conduzindo pelo mc Plano B, que mostra a cidade e algumas pessoas comuns, as quais cantam e tomam conta de alguns versos da musica, jogada simples, comum, nos molde tradicional do hip-hop, mas que ao ser tratado com uma edição bem feita, traduz o espírito da canção e do disco de forma notável.

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► O produtor inglês Lone, um dos preferidos aqui do blog, acabou de lançar seu novo álbum, trata-se do Reality Testing. Em seu novo disco Lone incorpora uma nova fase, cheios de influencias do hip-hop e do R&B dos 1990, mas com aquele toque já característico de seus trabalhos anteriores. Além disso, também traz o vídeo da faixa Aurora Northern Quarter, no qual Lone exibe um pouco do seu cotidiano, passeia de skate, e mostra sua nova onda mais descontraída, mas não menos inspirada e criativa.

 

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► Imagine uma mistura de Kelela, Jessy Lanza e Lana Del Rey, o resultado de forma inusitada (ou não) e surge lá na Dinamarca com a cantora e produtora Kwamie Liv. A mocinha, que já fez um belo cover do The Weeknd e promete ser a nova musa do R&B alternativo, lançou o clipe de Follow You. O enredo se passa nas ruas de Copenhague, em que Kwamie busca uma luz cada vez mais distante. Veja o vídeo e fique atento aos próximos lançamentos da artista.

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Disco: “Me. I Am Mariah… The Elusive Chanteuse”, Mariah Carey

Mariah Carey
R&B/Pop/Soul
http://www.mariahcarey.com/

Por: Cleber Facchi

A memória para no clipe de Through The Rain (2002), talvez meu primeiro contato com o trabalho de Mariah Carey – na época, o vídeo era um dos mais votados em um Top TVZ, no Multishow. Depois disso, apenas músicas avulsas e uma sessão pipoca (de filmes ruins) com os amigos para assistir Glitter, película estrelada pela cantora.

Não é preciso o comentário de um especialista no trabalho de Mariah Carey para alertar que comecei pela pior fase da artista. Charmbracelet, o disco que apresentou Through The Rain amarga uma nota 4.3 no Metacritic – 6.7 do público. Já a estreia da cantora nos cinemas sustenta uma nota 2.1 no IMDB, um baixíssimo 7% no Rotten Tomatos, e uma arrecadação fraca de US$ 5 milhões nas bilheterias norte-americanas. Vale lembrar que ele custou US$ 22 milhões. De fato, talvez tenha esbarrado na cantora em um péssimo momento, o que explica o completo desinteresse na busca por outros registros de Carey.

Contudo, ao tropeçar em #Beautiful, single lançado em maio de 2013, a cantora conseguiu despertar minha atenção. Mesmo que o apreço pelo trabalho do convidado Miguel seja o motivo para chegar até ela, ao ouvir a canção é difícil não ser seduzido. Produção coesa, versos grudentos e uma adaptação pop do “novo R&B” testado por Miguel em Kaleidoscope Dream (2012). Carey e seu time de produtores, letristas e músicos criaram o cenário perfeito, simples, ainda que detalhista, quando comparado com a obra de outras cantoras recentes do mesmo gênero. Nada mais satisfatório do que perceber o mesmo cuidado em Me. I Am Mariah… The Elusive Chanteuse, 14º e mais recente lançamento de estúdio da cantora.

Lançado em boa hora, o disco segue a trilha do Pop/R&B iniciado no álbum 4 (2011) de Beyoncé, ampliado por Frank Ocean em Channel, Orange (2012) e reforçado por cantoras como Cassie (RockaByeBaby), Kelly Rowland (Talk A Good Game) e Ciara no último ano. Em busca de um resultado particular, Carey transforma o registro um passeio por diferentes tonalidades da música negra, utilizando das batidas, rimas e elementos do Hip-Hop para movimentar o pop naturalmente doce que ela sustenta.

Parte substancial dessa relação com o Hip-Hop vem da passagem da cantora para o selo Def Jam, focado no gênero. Logo, nomes como Nas (Dedicated) e Wale (You Don’t Know What To Do) marcam assertiva presença pela obra, contrastando os versos melancólicos/apaixonados do grande parte do disco. Claro que isso não é nenhuma novidade dentro da discografia de Carey. Basta reservar alguns minutos para ouvir Butterfly (1997) e perceber essa natural proposta. A diferença em relação aos outros discos, principalmente The Emancipation of Mimi (2005), que compartilha os mesmos elementos, está na forma como a sonoridade do novo disco escapa do tradicional, experimenta (musicalmente) e estimula a voz da cantora. Continue reading

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Disco: “CLPPNG”, Clipping.

Clipping.
Hip-Hop/Electronic/R&B
https://www.facebook.com/clppng

Por: Cleber Facchi

O grande problema de qualquer artista novato que invade o território dominado por um veterano está na inevitável comparação. Com três integrantes “misteriosos”, estética anárquica e uma proposta que une musicalmente Hip-Hop, Noise e boas doses de experimentos eletrônicos, o trio californiano Clipping. não tardou a ver o próprio trabalho comparado com os vizinhos do Death Grips. Contudo, ainda que a relação com o trio de Sacramento, na California, seja inevitável, a proposta lançada pela trinca de Los Angeles partilha de uma orientação completamente oposta.

Imensa colcha de retalhos sintéticos, CLPPNG (2014, Sub Pop) – estreia do rapper Daveed Diggs em parceria com a dupla de produtores Jonathan Snipes e William Hutson – é uma tentativa bem resolvida em assumir a própria identidade. Sim, a comunicação com a proposta lançada há poucos anos por Zach Hill, Andy Morin e MC Ride está por todos os lados, mas a sonoridade que vai da abertura ao fechamento do presente álbum pouco (ou nada) se assemelha ao mesmo universo. Se o Death Grips trouxe o caos, então o Clipping. veio como um registro comercial, uma espécie de tentativa em estabelecer um mínimo estágio de ordem dentro desse (suposto) estranho cenário aproximado.

Muito mais íntimo da proposta do duo Run the Jewels ou Danny Brown no ainda recente Old (2013), CLPPNG é uma obra que usa da forte comunicação com a eletrônica para resolver musicalmente seus versos. Basta ouvir com atenção faixas em que os arranjos ocupam mais espaço do que o canto/rima para perceber isso. Em Work Work, por exemplo, se os versos de Diggs ou da convidada Cocc Pistol Cree fossem deixadas de lado, teríamos em mãos um delicioso exemplar da nova IDM, talvez uma sobra dos últimos discos de Flying Lotus.

Observado com atenção, a rima é a parcela menor de CLPPNG, que durante toda a formação das músicas reforça a posição do duo Snipes e Hutson em um estágio de plena libertação criativa. Não por acaso músicas como a delicada Dream ou Summertime revelam detalhistas bases melódicas, manipulando o rapper e seus convidados como “instrumentos”. De forma matemática ou orgânica, Diggs é orquestrado com precisão ao longo de todo o trabalho, o que está longe de ser encarado como um erro, afinal, é aí que reside a verdadeira identidade do grupo. Continue reading

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Disco: “Niggas On The Moon”, Death Grips

Death Grips
Hip-Hop/Rap/Experimental
http://thirdworlds.net/

Por: Cleber Facchi

Björk

A surpresa sempre foi parte do trabalho assinado pelo Death Grips. Desde a estreia com a mixtape Exmilitary, em 2011, a ausência de expectativa garantiu ao grupo californiano um campo aberto ao experimento. Dessa forma, o conjunto de álbuns lançados logo em sequência – The Money Store (2012), NO LOVE DEEP WEB (2012) e Government Plates (2013) – fez da ausência de informações, além do natural detalhamento complexo, um projeto sempre curioso para o público, agora parcialmente sufocado com a expectativa gerada em Niggas on the Moon (2014, Harvest/Third Worlds).

Primeira parte de The Powers That B – “quarto” álbum do grupo californiano e trabalho que será completo com a chegada de Jenny Death -, o presente disco parece sustentado e ao mesmo tempo prejudicada pelo anúncio de que Björk teria emprestado a própria voz para a formação do registro. E, de fato, lá está ela, em cada canto sujo ou base desconcertante da obra. Da abertura em Up My Sleeves, ao fechamento com Big Dipper, a cantora islandesa é a grande “arma” do trio norte-americano no novo disco, talvez, não como grande parte do público talvez estivesse esperando.

Quem busca por algo doce como It’s Not Up To You vai encontrar apenas o oposto. Esqueça as vocalizações alongadas de obras como Homogenic (1997), ou os gritos doces entregues em Post (1995). Como todo disco do Death Grips, os vocais (sampleados) de Björk servem apenas como um tempero para as rimas de MC Ride. Simples fragmentos, ou “objetos”, como ela própria definiu, para o trabalho ruidoso arquitetado por Zach Hill e Andy Morin. Niggas on the Moon é, antes de tudo, um disco do Death Grips e a presença de Björk um “mero” complemento.

Death Grips

Com a expectativa abandonada e esta percepção em mente, a travessia pelo ambiente obscuro lançado ao longo do álbum se revela de forma satisfatória. Mais uma obra de perversão dentro dos próprios conceitos do grupo, a primeira parte de The Powers That B parece apagar tudo aquilo que o grupo havia testado há poucos meses, em Government Plates. Enquanto o álbum de 2013 reforçou um evidente diálogo com a IDM, Industrial Rock e outras tendências musicais dos anos 1990, com a presente obra, Hill e Morin mais uma vez colidem ruídos sintéticos e batidas de forma propositadamente caótica. Continue reading

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Death Grips: “Niggas on The Moon” (ft. Björk)

Björk

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Desde o lançamento da primeira mixtape, Exmilitary (2011), os integrantes do Death Grips nunca fizeram muito suspense em torno de seus próprios lançamentos. Não por acaso The Money Store (2012), No Love Deep Web (2012) e Government Plates (2013), projetos lançados posteriormente pelo trio Stefan Burnett, Zach Hill e Andy Morin pegaram o público de calças arriadas. Entretanto, nenhum parece ter causado o mesmo impacto que o recém-lançado Niggas on The Moon (2014), a primeira parte do álbum duplo The Powers That B, registro em parceria com ninguém menos do que a cantora Björk.

Disponível para download gratuito e streaming na íntegra pelo Youtube e Soundcloud, a primeira metade do álbum e suas oito composições invertem (mais uma vez) a direção encontrada pelo grupo. Enquanto Government Plates, lançado há poucos meses, reforçou o lado mais sintético e controlado do Death Grips, o presente registro abraça os arranjos de forma anárquica, manipulando a tão cobiçada voz da convidada de forma torta, suja e típica dos primeiros registros do grupo. A segunda parte do álbum, intitulada Jenny Death, será apresentada ainda em 2014, contando com lançamento pelos selos Harvest e Third Worlds Records.

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Death Grips – Niggas on The Moon (ft. Björk)

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Drake: “0 To 100/The Catch Up”

Drake

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A assertividade expressa por Drake em Nothing Was The Same (2013) não parece limitada apenas ao último lançamento do artista. Poucos meses após o lançamento do bem sucedido terceiro álbum, o rapper canadense já está de volta com mais uma criação inédita. Ou melhor, duas. Em 0 To 100/The Catch Up, o norte-americano aproveita dos seis minutos contados da (dupla) criação para reforçar o mesmo detalhamento dado ao último disco.

Fragmentada entre as rimas e o canto lento do artista, a canção continua a habitar o cotidiano do próprio criador, resultando em uma sequência de versos tão particulares quanto os exaltados em Started From The Bottom, Worst Behaviour e demais faixas entregues originalmente em 2013. O melhor de tudo talvez seja a base pensada para a segunda parte da canção, uma espécie de sobre dos inventos lançados por James Blake em Overgrown, registro também entregue no último ano.

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Drake – 0 To 100/The Catch Up

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Riff Raff: “Kokayne” (Prod. Diplo)

Riff Raff

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Riff Raff não é um artista que pretende ser levado a sério, e se você (ainda) não entendeu isso, é bom parar por aqui. Continua lendo e adora o caráter “farofa” do artista? Ótimo, então é hora de falar sobre a mais nova e divertida criação do rapper/cantor: Kokayne. Possivelmente a canção mais “pop” já lançada por Raff, a nova faixa deixa de lado a relação com o Hip-Hop para abraçar de vez os versos melódicos, o canto e o rock (!). Três minutos de arranjos e vozes que praticamente obrigam o ouvinte a dançar.

Uma das 14 canções inéditas que abastecem o novo álbum de Riff Raff, NEON iCON – previsto para 24 de Junho -, a música usa da presença de Diplo como um assertivo componente. Produtor da faixa, o responsável por parte do trabalho adapta de forma coesa o novo universo do artista, que vai do Garage Rock ao Eletro Pop em segundos – pelo menos na nova música. Com lançamento pelo selo Mad Decent, do próprio diplo, o novo disco ainda reserva parcerias com Childish Gambino, Mac Miller e Amber Coffman, do Dirty Projectos.

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Riff Raff – Kokayne (Prod. Diplo)

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